A Rua Francisco Sanches do Pathé/Imperial

O Cinema Imperial em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Imperial em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O médico e filósofo Francisco Sanches, considerado o maior filósofo português, desde 1893 que está perpetuado numa artéria de Lisboa onde em meados do anos 20 do séc. XX se ergueu o Cinema Pathé que em 1931 passará a designar-se Imperial.

A Rua Francisco Sanches nasceu ainda no séc. XIX, através do Edital municipal de 18/12/1893 na «rua que parte da Travessa do Caracol da Penha ou Nascente da Avenida dos Anjos e que deve vir a findar na antiga Estrada de Circunvalação». Já  na primeira metade dos anos 20 abriu no seu nº 154  o Pathé, um cinema de bairro, que foi modernizado  em 1931 e passou a denominar-se Imperial, com  732 lugares,  mas que encerrou portas em 1987.

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Nota portuguesa de 4 de outubro de 1979, com efígie de Francisco Sanches

Francisco Sanches (Valença?Braga?Tui?/1550  – 16.11.1622/Toulouse), filho de pais judeus mas batizado em Braga em 25 de julho de 1551, foi viver para Bordéus com os seus pais  cerca de 1565, onde frequentou o Colégio da Guiana e, a partir de 1569 estudou em Roma e noutras cidades italianas e acabou por licenciar-se em Medicina, na Faculdade de Montpellier, em 1574, seguindo a mesma profissão que seu pai. Radicou-se em Toulouse onde exerceu medicina e dirigiu o Hospital local, para além de ensinar filosofia e medicina na Universidade.

Como filósofo contestou Aristóteles e o pretenso saber da escolástica e tentou definir o seu próprio ideal de conhecimento, sendo o seu pensamento apresentado como precursor da crítica gnoseológica de Descartes e do experimentalismo de Francis Bacon. Ficou célebre pelo seu tratado Quod Nihil Scitur (1581) e o seu empenhamento na experiência e na observação pessoal que se pode constatar no seu livro Opera Medica (1636). São ainda obras suas Carmen de Cometa (1577), De divinatione per somnum, ad Aristotelem (1585), Tractatus Philosophici ( 1649).

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua do Prof. Delfim Santos em Telheiras

Placa Tipo II - Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Telheiras, conhecida como Bairro dos Professores pela sua toponímia, também acolhe a Rua Prof. Delfim Santos, desde que o Edital municipal de 27/02/1978 colocou o topónimo no Impasse 11 B da Zona de Telheiras, com a legenda «Filósofo e Pedagogista/1907 – 1966».

O referido Edital atribui também em Telheiras mais os seguintes topónimos de professores universitários: Rua Prof. Bento de Jesus Caraça/Matemático 1901 – 1948; Rua Prof. Damião Peres/ Historiador 1889 – 1976; Rua Prof. Fernando da Fonseca/Médico – 1895 – 1974; Rua Prof. Henrique Vilhena/Médico e Escritor 1879 – 1958; Rua Prof. Hernâni Cidade/Historiador da Literatura Portuguesa 1887 – 1975; Rua Prof. João Barreira/Historiador de Arte 1886 – 1961; Rua Prof. Luís Reis Santos/Historiador e Crítico de Arte 1898 – 1967; Rua Prof. Mário Chicó/Historiador de Arte 1905 – 1966; Rua Prof. Mark Athias/Médico 1875 – 1946; Rua Prof. Pulido Valente/Médico 1884 – 1963; Rua Prof. Queiroz Veloso/ Historiador 1860 – 1952; Rua Prof. Vieira de Almeida/Filósofo e Escritor 1888 – 1962 e Rua Profª. Virgínia Rau/Historiadora 1907 – 1973.

Delfim Pinto dos Santos (Porto/06.11.1907 – 26.09.1966/Cascais) foi um filósofo e pedagogo que se destacou enquanto professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa e também, a partir de 1963, como director do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian e também, a partir de 1966, a direção do Instituto Pedagógico de Adolfo Coelho, agregado à Faculdade de Letras de Lisboa.

Licenciou-se Ciências Histórico-Filosóficas em 1931 na Faculdade de Letras do Porto, ainda deu aulas em colégios particulares do Porto e iniciou o seu estágio de professor no Liceu Nacional José Falcão (Coimbra), complementando com as cadeiras pedagógicas na Universidade de Coimbra, concluindo em julho de 1934 no Liceu Normal de Pedro Nunes, já em Lisboa. Prosseguiu a carreira docente de História e Filosofia no Liceu Gil Vicente até 1935. Fez uma breve passagem pelo Liceu Camões onde foi professor de José Cardoso Pires e Luiz Pacheco passando desde 1943 a professor da Faculdade de Letras de Coimbra e a partir de 1947, na de Lisboa, onde se tornou o primeiro professor catedrático de Pedagogia em Portugal, em 1950. Regeu as cadeiras de História da Educação, Organização e Administração Escolares,  História da Filosofia Antiga, Pedagogia e Didáctica, e Psicologia Escolar e Medidas Mentais. Foi também foi professor de Psicologia e Sociologia no Instituto de Altos Estudos Militares entre 1955 e 1962.

Como filósofo ligou-se ao Círculo de Viena onde esteve como bolseiro em 1935 e, no ano seguinte em Berlim e no University College de Londres para onde se exilara parte do Círculo de Viena, sendo que regressado a Portugal logo partiu como leitor na Universidade de Berlim em 1937, onde conheceu o pensamento de Nicolai Hartmann, Eduard Spanger e Martin Heidegger, tendo o primeiro orientado a sua dissertação sobre Conhecimento e Realidade que lhe valeu o grau de doutor pela Universidade de Coimbra, após o que voltou a Berlim até 1942. Da sua vasta obra destaquem-se  Situação Valorativa do Positivismo (1938), Da Filosofia (1939), Conhecimento e Realidade (1940), Psicologia e Caracterologia (1943), Fundamentação Existencial da Pedagogia (1946).

Refira-se ainda que Delfim Santos já desde 1972 contava com a atribuição do seu nome à então Escola Preparatória de São Domingos de Benfica.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Rua Cardeal Mercier no Bairro da Bélgica

Cardeal Mercier artigo

O Cardeal Mercier,  arcebispo belga que no decorrer da I Guerra Mundial apelou à resistência aos alemães, completaria amanhã o seu 163º aniversário, razão para o evocarmos através do arruamento do Bairro da Bélgica que desde 1926 ostenta o seu nome.

Seguindo o exemplo de 1916 do Bairro de Inglaterra, também a Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica, a 10 de maio de 1926, sugeriu à autarquia lisboeta que fossem atribuídos nos arruamentos do Bairro nomes alusivos à Bélgica. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 colocou o Cardeal Mercier na Rua E do Bairro do Bélgica e o general Leman na Rua D, este último com a legenda «Heróico Defensor de Liège /1914». Ambos os topónimos perpetuam figuras belgas ligadas à resistência aos alemães no decorrer da I Guerra Mundial: o arcebispo de Malines e primaz da Bélgica publicara em 1915 uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo e o General Leman defendeu Liége contra o invasor alemão e acabou prisioneiro de guerra.

Edital de 30.06.1926

Edital de 30.06.1926

Desiré Joseph Mercier (Bélgica- Braine-l’Alleud /21.11.1851-23.01.1926/Bruxelas – Bélgica) foi a alma da resistência do povo belga durante a invasão e a ocupação de parte do país na I Guerra Mundial. Mercier foi recebido no Seminário Menor de Malines em 1868 para estudar filosofia e, passado dois anos, seguiu para o Seminário Maior.  Em 1871, recebeu a tonsura e foi enviado para a Universidade de Louvaina, para estudar teologia. A 4 de abril de 1874 foi ordenado sacerdote e celebrou a sua Primeira Missa. Com o apoio do Papa Leão XIII, Mercier tornou-se fundador e director do Instituto Superior de Filosofia, destinado principalmente aos leigos, onde em 1892, fundou em anexo o seminário eclesiástico Leão XIII. Em 7 de fevereiro de 1906 foi nomeado arcebispo de Malines pelo Papa Pio X e no ano seguinte foi investido como Primaz da Bélgica e Cardeal (1907).

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

O filósofo José Marinho numa rua de Benfica

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

No primeiro dia deste mês completou-se o 110º aniversário do filósofo José Marinho que desde o Edital de 04/12/1981 dá nome à Rua C à Avenida do Uruguai, em Benfica, na sequência do parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia à proposta de o homenagear  aprovada em reunião de Câmara de 13 de Abril de 1981.

José Carlos de Araújo Marinho (Porto/01.02.1904 – 05.08.1975/Lisboa) foi um dos grandes pensadores de Portugal que defendeu que a independência política de Portugal dependia fundamentalmente da independência da Cultura Portuguesa. Licenciado em Filologia Românica pela Universidade do Porto, com a tese Ensaio sobre Teixeira de Pascoaesfrequentou também algumas cadeiras de Filosofia onde foi aluno de Leonardo Coimbra e, colega de Álvaro Ribeiro, Delfim Santos, Agostinho da Silva ou Adolfo Casais Monteiro. Participou nas tertúlias dos cafés do Porto, em torno de Leonardo Coimbra, Hernâni Cidade ou  Luís Cardim, partilhando o ideário da chamada Renascença Portuguesa. 

Em 1925,  tornou-se professor de liceu, de Português, Francês e Filosofia, primeiro no Porto, depois em Faro e finalmente, em Viseu. Em 1928 foi para Coimbra, para frequentar a Escola Normal Superior, a fim de se tornar efectivo nos quadros dos professores de liceu. No ano de 1930, a 30 de Julho, após ter realizado o estágio pedagógico no Liceu Pedro Nunes em Lisboa, é aprovado no Exame de Estado com a tese «Teoria e Metodologia do ensino do Português e do Francês», com 19 valores. Em 1932 termina Aforismos sobre o Que Mais Importa, que havia começado no ano de 1924 e, em 1936, é afastado do ensino por questões de ordem política e, é preso no Aljube.

Em 1940 passa a viver em Lisboa, trabalhando como tradutor e colaborando em jornais e revistas, ao mesmo tempo que dá lições particulares a estudantes liceais. Volta a estar perto de Álvaro Ribeiro, e a animar com ele tertúlias filosóficas nos cafés da cidade, criando o grupo de Filosofia Portuguesa que incluía nomes como Afonso Botelho, António Quadros, Dalila Pereira da Costa ou Orlando Vitorino.  Nesta altura concluiu a obra sobre Leonardo Coimbra que havia começado em 1932, mas que apenas publicará em 1945 sob o título O Pensamento Filosófico de Leonardo CoimbraEntre 1947 e 1954 escreveu, por sugestão de Hernâni Cidade, Nova Interpretação do Sebastianismo e, no ano de 1961 publicou uma das suas maiores obras, sob o título Teoria do Ser e da Verdade, procurando evidenciar os pressupostos ontológicos da Filosofia enquanto processo de libertação espiritual. Em 1963, Delfim Santos convidou-o para integrar o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian e, aí permaneceu até à sua morte. Em 1964,  deu à estampa Elementos para uma Antropologia Situada e, em 1972 apresentou Filosofia, Ensinoou Iniciação?. Em 1976 foi ainda editada, a título póstumo, a sua Verdade, Condição e Destino no Pensamento Português Contemporâneo.

Freguesia de Benfica (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

A Rua Galileu Galilei no 450º aniversário do cientista

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Já que hoje se comemora o  450º aniversário de nascimento de Galileu Galileu,  considerado o pai da ciência moderna, evocamos a Rua que desde  há 6 anos perpetua  seu nome em Lisboa, na que era a Rua Sul (Centro Comercial Colombo). Pelo mesmo Edital de 3 de Julho de 2008 a edilidade lisboeta fixou nas proximidades mais dois cientistas, com a  Rua Albert Einstein (na Rua Norte) e a Rua Aurélio Quintanilha (na Rua Poente).

Freguesias de Benfica e Carnide (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Carnide
(Foto: José Carlos Batista)

Galileu Galilei  (Itália-Pisa/15.02.1564 — 08.01.16421/Florença-Itália) foi um catedrático de matemática, físico, astrónomo e filósofo italiano que deu início ao método científico como hoje o conhecemos, sem assentar já na metodologia aristotélica.

Galileu  melhorou significativamente o telescópio refractor e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as estrelas da Via Láctea, e como resultado destas observações publicou em 1610: Siderius Nuncius (Mensageiro das Estrelas). Estas descobertas contribuíram decisivamente para defender que era a Terra que girava à volta do Sol e não o contrário,  sistema que já o astrónomo polaco Copérnico havia defendido. Em 1616, a Inquisição pronunciou-se contra a ideia do Sol ser o centro do Universo e considerando herética a teoria heliocêntrica, pelo que Galileu foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física e, convocado ao  Tribunal do Santo Ofício, este concluiu que não existiam provas suficientes para concluir que a Terra se movia em volta do Sol e admoestou Galileu a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica. Inconformado Galileu Galilei publicou em 1632 Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano  (Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo, em português), a defender o heliocentrismo, pelo que foi julgado e condenado a prisão e a abjurar as suas ideias, tendo passado os seus últimos anos de vida em prisão domiciliária.

Galileu desenvolveu também os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo, descobriu a lei dos corpos e, enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica de Newton, assim como inventou novos instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, um termómetro que ganhou o seu nome e, o precursor do relógio de pêndulo.

 

Edital nº 62/2008

Edital nº 62/2008

A Alameda António Sérgio no 130º aniversário deste pensador

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na Freguesia da Ameixoeira – futura Freguesia de Santa Clara

A Alameda António Sérgio, que liga a Rua Jorge de Sena à Rua Vitorino Nemésio, existe com a legenda «Escritor – 1883 – 1969»  desde a publicação do Edital municipal de 23/04/1980, na via identificada como o Impasse 1 e 2 da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira.

António Sérgio (Índia – Damão/03.09.1883 – 12.02.1969/Lisboa) foi um importante pensador do século XX, que lançou em Portugal a ideia do Cooperativismo, mas cuja vasta obra publicada abarca também a teoria do conhecimento, a filosofia política, a filosofia da educação e a filosofia da história.

Radicou-se em Lisboa em 1893 e, de 1926 a 1969 residiu na Travessa do Moinho de Vento, no Bairro da Lapa,  numa habitação cujo projecto encomendou ao Arqt.º Raul Lino.

António Sérgio ligou-se ao panorama editorial logo em 1911, como director da revista Serões. Já havia colaborado na revista Águia (1910), onde conheceu Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa e, depois,  fundou a revista Pela Grei (1918-1919), escreveu na revista Seara Nova a partir de 1923, integrou o grupo da Biblioteca Nacional que lançou a revista Lusitânia (1924) e, foi director da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Sempre ambicionou ser professor e, ao longo da sua vida, ministrou lições particulares na residência de alunos durante o exílio parisiense (após a subida ao poder de António Oliveira Salazar e, de onde passou para Madrid, até ter sido abrangido por uma amnistia) e, também em Portugal. De igual modo, ensinou português na Escola de Pedro Nunes, à Rua Saraiva de Carvalho e, em 1932 leccionou na Universidade de Santiago de Compostela.

Refira-se que em 1923, aceitou ser ministro da Instrução, no governo de Álvaro de Castro, onde se manteve apenas dois meses mas, criou o ensino para deficientes, o cinema educativo e,  o Instituto Português para o Estudo do Cancro (decreto de 29/12/1923).

São suas obras principais Notas sobre os Sonetos e as Tendências Gerais da Filosofia de Antero de Quental (1909), Educação Cívica (1915)  Bosquejo da História de Portugal (1923), O Desejado (1924), O Seiscentismo (1926), História de Portugal (1926), Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real (1937), Introdução Actual ao Problema Cooperativista (1937), Antero de Quental e António Vieira (1948), Antologia Sociológica (1956), oito volumes de Ensaios (1920-1958) e Democracia (1974).

Na sua casa da Lapa funciona desde a década de 80 do século passado a Biblioteca do INSCOOP e a Biblioteca António Sérgio. António Sérgio dá ainda nome ao Prémio Cooperação e Solidariedade que a CASES criou em 2012 para distinguir pessoas singulares ou colectivas na Economia Social.

na «Ilustração Portuguesa», 1926

na «Ilustração Portuguesa», 1926

O Largo Agostinho da Silva no Dia Mundial da Filosofia

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Filosofia e é por isso a ocasião apropriada para falarmos do Largo lisboeta dedicado a Agostinho da Silva, que aliás foi também inaugurado no mês de Novembro mas no ano de 1996.

Este Largo delimitado pelas Ruas Marcos Portugal, do Monte Olivete e Professor Branco Rodrigues nasceu pelo Edital municipal de 24/09/1996 e, em resultado de uma Moção de Pesar da Câmara, pertinho da Praça das Flores e, da Travessa do Abarracamento de Peniche onde o filósofo residiu desde o seu regresso a Portugal em 1969.

George Agostinho Baptista da Silva (Porto/13.02.1906 – 03.04.1994/Lisboa), descendente de alentejanos e algarvios, foi um filósofo, professor universitário e investigador, novelista e poeta que passou grande parte da sua vida no Brasil. Defendeu a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano e combinou panteísmo, milenarismo e ética da renúncia no seu pensamento. Considerou bactéria perigosa a mania dos homens e das mulheres em mandar nos outros homens e mulheres e, que o homem deve ter a liberdade de ser um criador sem nenhuma espécie de inibição.

Licenciado em Filologia Clássica com 20 valores (1928), colaborou desde logo e até 1938 na revista Seara Nova e publicou, entre outras obras, a sua dissertação de doutoramento Sentido Histórico das Civilizações Clássicas (1929), A Religião Grega (1930), Glosas (1934), Conversação com Diotima (1944), Sete cartas a um jovem filósofo (1945), Reflexão (1957), Um Fernando Pessoa (1959), As aproximações (1960), Fantasia Portuguesa para Orquestra de História e de Futuro (1981) e Educação de Portugal (1989).

Em 1931 foi encarregado pela Junta Nacional de Educação de fundar o Centro de Estudos Filológicos da Universidade de Lisboa e, a partir de 1933, foi professor do ensino secundário oficial, do qual foi demitido em 1935 por se recusar a cumprir a «Lei Cabral», com a qual o Estado Novo obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas e se comprometiam a nunca seguir a ideologia comunista. Agostinho da Silva considerava esta lei um atentado à sua liberdade de pensamento e saiu do país, com uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha para investigar no Centro de Estudos Históricos de Madrid. A iminência da Guerra Civil Espanhola fez com que regressasse em 1936 dedicando-se então à criação do Núcleo Pedagógico Antero de Quental (1939) e, a partir do ano seguinte começa a publicar Iniciação: cadernos de informação cultural. É preso pela PIDE em 1943 e no ano seguinte abandona o país em direção ao Uruguai, Argentina e Brasil. A partir de 1947 instala-se no Brasil e ensina em diversas universidades do Brasil (Fluminense, da Paraíba, Pernambuco, Bahia), sendo também o impulsionador de várias, como a Universidade Federal de Paraíba, a de Santa Catarina (onde foi Diretor de Cultura do Estado), a de Brasília (onde criou e dirigiu o Centro Brasileiro de Estudos Portugueses), para além de ter criado também o Centro de Estudos Africanos e Orientais da Universidade Federal da Bahia e o Centro de Estudos Goianos. Em 1958 foi-lhe mesmo concedida a naturalidade brasileira.

No ano da morte de Salazar, da sua substituição por Marcelo Caetano e da chegada do homem à Lua, Agostinho da Silva regressa a Portugal para escrever e ensinar em diversas universidades portuguesas, para além de vir a dirigir o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa (1983), de ser consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, e de ter conduzido uma série de treze entrevistas para a RTP1 sob o título de Conversas Vadias (1990).