A Rua do Professor Veiga Beirão, autor do 2º Código Comercial Português

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Veiga Beirão, o autor do 2º Código Comercial português, dá o seu nome ao arruamento a Norte da Rua Conde de Ficalho do Sítio de Alvalade, com a legenda «Jurisconsulto/1841 – 1916», desde a publicação do Edital municipal de 13/11/1967, no seguimento de uma sugestão enviada por carta de António da Costa Leão.

Francisco António da Veiga Beirão (Lisboa/24.07.1841 – 11.11.1916/Paço de Arcos) foi um advogado, professor e político que se distinguiu sobretudo pela autoria do 2º Código Comercial Português (1888) e por ter sido o Primeiro-Ministro do 5º governo do reinado de D. Manuel II, de 22 de dezembro de 1909 a 26 de junho de 1910.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra começou por exercer o cargo de conservador do Registo Predial da 1ª Conservatória de Lisboa. Em 1887 foi nomeado professor no extinto Instituto Comercial de Lisboa, para as cadeiras de Direito Comercial e Marítimo e de Direito Internacional, atingindo mais tarde a categoria de catedrático. Chegou a representar Portugal em vários congressos sobre Direito Internacional e no Tribunal Permanente de Arbitragem, em Haia.

Na política começou em 1879, como militante dos reformistas. Foi deputado pelo Partido Progressista durante 25 anos. Ficou como Par do reino a partir de 4 de abril de 1905. Foi Ministro da Justiça e Assuntos Eclesiásticos, por duas vezes nos anos de 1886 a 1890 e de 1890 a 1900, nos governos presididos por José Luciano de Castro. De 1898 a 1900 foi ministro dos Negócios Estrangeiros. Após a implantação da República, retirou-se da política e centrou-se na advocacia e no ensino.

Veiga Beirão foi ainda presidente da Associação de Advogados de Lisboa, vice-presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa e  sócio do Institut de Droit International e da Real Academia de Jurisprudencia y Legislación de Madrid, tendo sido galardoado diversas vezes das quais salientamos uma medalha de ouro da Associação Comercial do Porto, a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada e ter sido consagrado como patrono da Escola Comercial Veiga Beirão, que se situava no Largo do Carmo, no Palácio Valadares.

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesias  da Ajuda e de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade                           (Planta: Sérgio Dias)

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A Calçada do sítio da Ajuda

Freguesias da Ajuda e de Belém  (Foto: Luís Ponte)

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                                             (Foto: Luís Ponte)

Esta comprida e íngreme Calçada, que outrora vencia a passagem de uma ribeira quase seca no Verão denominada Ribeira dos Gafos, tem cerca de um quilómetro de extensão contando desde o Museu dos Coches até ao muro do Jardim Botânico, onde existiu um marco, pouco acima do respectivo portão, com as iniciais CMB (Câmara Municipal de Belém), uma das poucas recordações desse Concelho que após a sua extinção em junho de 1885 persistiram na freguesia da Ajuda.

O topónimo foi atribuído pela deliberação camarária de 21 de setembro de 1916 e consequente Edital municipal de 26 desse mesmo mês, tal como o Largo e a Travessa da Ajuda, oficializando assim a edilidade os topónimos tradicionais do local que perpetuam o nome do sítio: Ajuda.

Placa Tipo II  (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Antes do Terramoto de 1755, era este sítio  despovoado e nele se cultivavam oliveiras, pomares, vinhas e trigo e só após o cataclismo foi esta artéria aberta. Depois, ao lado de prédios que ainda hoje conservam varandas de sacada e varadins de ferro forjado, numerosos quartéis aqui se estabeleceram. A Calçada da Ajuda deu passagem ao séquito da Família Real aquando do seu embarque para o Brasil, aos círios de Nossa Senhora do Cabo e à procissão do Senhor dos Passos de Belém que ia até à Patriarcal da Ajuda. E grandes ornamentações nela se fizeram aquando da celebração, no ano de 1886, do casamento do Príncipe Real D. Carlos com a Princesa D. Maria Amélia de Orleães. Ao longo de mais de dois séculos e meio de existência, a Calçada da Ajuda foi assim palco de cortejos reais, procissões e desfiles militares.

Em 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça do Comércio e o Dia Mundial do Turismo

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: José Pascoal)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: José Pascoal)

Já que amanhã se celebra o Dia Mundial do Turismo evocamos a praça lisboeta que mais cativa a atenção dos turistas, a Praça do Comércio que já Norberto Araújo descrevia como a «Praça principal de Lisboa, sala de visitas da Cidade – de uma nobilíssima majestade à qual não falta harmonia – todos a temos nos olhos.»

A denominação foi atribuída pelo 1º decreto de toponímia, de D. José I, com a data de 5 de novembro de 1760, em homenagem aos comerciantes de Lisboa que, voluntariamente, cederam 4% sobre os direitos alfandegários de todas as mercadorias para a reconstrução da cidade após o Terramoto de 1755.

Concebida por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel após o terramoto de 1755, a Praça do Comércio surgiu integrada num plano alargado de reconstrução da Baixa, num traçado moderno de ruas largas e linhas retilíneas.  Nesta Praça iam confluir as ruas consideradas mais nobres  da cidade: a Rua Augusta, a Rua Áurea e a Rua Bela da Rainha (hoje, Rua da Prata).

Cerca de vinte anos depois do terramoto, a 6 de Junho de 1775, a estátua equestre de D. José, da autoria de Machado de Castro, foi colocada na Praça do Comércio, em linha direita com a artéria que homenageia esse monarca: a Rua da Augusta Figura do Rei. No remate da Rua Augusta foi ainda colocado quase um século depois, em 1873, o Arco da Rua Augusta, ou Arco Triunfal, de Veríssimo José da Costa.

Contudo, a população nem sempre aderiu a homenagear os comerciantes lisboetas que contribuíram para a reconstrução da Baixa teimando, por vezes até nos dias de hoje,  em chamar-lhe Terreiro do Paço, por referência ao Paço da Ribeira erguido neste sítio por D. Manuel, entre 1500 e 1505.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: José Pascoal)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: José Pascoal)

A Rua do criador do estandarte municipal de Lisboa

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

O arruamento na confluência da Estrada das Furnas com a Rua Padre Carlos dos Santos, onde se encontra a sede da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, homenageia desde há 50 anos Raul Carapinha, o funcionário municipal que  criou o estandarte municipal de Lisboa.

Foi pelo Edital municipal de 1 de maio de 1964 que  recebeu denominação este espaço público conhecido como o arruamento de acesso ao Bairro das Furnas ou como Rua A à Rua das Furnas e, a legenda «Desenhador Artístico da CML/1876 – 1957».

Raul Carapinha (Alcochete/11.11.1876 – 1957/Lisboa) ficou órfão de pai aos 8 anos de idade e ingressou na Casa Pia de Lisboa de onde transitou em 1891 para o curso de Desenho Geral e Pintura Histórica da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a expensas da Casa Pia e, ainda aluno começou a ensinar desenho e pintura particularmente.

Terminados os estudos em 1899 ingressou na Câmara Municipal de Lisboa onde criou o Estandarte municipal e em 1926, aproveitando o antigo depósito de plantas, desenhou a primeira versão da Estufa Fria que abriu em 1933. Desde a deliberação camarária de 31 de março de 1910 que Raul Carapinha estava nomeado como desenhador de 1ª classe do quadro de pessoal da 3ª Repartição.

Enquanto pintor naturalista da 3ª geração Raul Carapinha expôs regularmente a partir de 1918 na Sociedade Nacional de Belas Artes, da qual foi sócio fundador, no Salão Estoril, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro e no Grémio Artístico. Muitos dos seus óleos, aguarelas e desenhos a lápis encontram-se espalhados pelo país, nas mãos de particulares e em vários museus, como o Museu do Chiado e o Museu da Cidade (em Lisboa), o Museu Grão Vasco (em Viseu) e o Museu de Évora.

 

Em 1965 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1965 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Calçada do Moinho de Vento de Santana

Freguesias de Santo António e de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Calçada do Moinho de Vento já existia no século XVIII mas não se sabe em que data precisa foi fixada na memória da cidade de Lisboa.

O que podemos avançar com rigor, a partir da  Descripção Corographica das parrochias da cidade Lisboa com os lemites, ruas, becos e traveças, q’cad hua dellas tinha antes do terramoto do 1. de Novembro de 1755; e também com o numero de fogos, q’. nellas existião, publicada pela CML como Lisboa na 2ª metade do séc. XVIII (plantas e descrições das suas freguesias), é que já em 1770 esta artéria aparece mencionada como «Moinho de Vento» na «Fregª de N. Snra’. da Pena» e também é indicada como «em vez de Moinho de Vento refere Calsada do Moinho de Vento».

Igualmente se conhece um processo da Inquisição de 1594 que refere a existência de um moinho de vento na encosta do Campo Santana, hoje Campo Mártires da Pátria, a artéria  onde justamente começa a Calçada do Moinho de Vento.

Na toponímia alfacinha a memória rural de moinhos mantém-se ainda nos dias de hoje na Travessa do Moinho Velho no Rio Seco (Freguesia da Ajuda), na Travessa do Moinho de Vento na Lapa (Freguesia da Estrela) e, na Travessa dos Moinhos em Alcântara. Também ainda subsiste o topónimo  Alto dos Moinhos e, apesar da construção da Avenida Duarte Pacheco ter cortado o Alto dos Sete Moinhos, continuam a existir nesse sítio a Rua e a Calçada dos Sete Moinhos.

 

Em 1961 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1961 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesias de Santo António e de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António e de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua dos Fanqueiros que foi Nova da Princesa

Placa Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior

Placa Tipo II – Freguesia de Santa Maria Maior

A Rua dos Fanqueiros nasceu em 1910 como topónimo da Baixa lisboeta, por via da publicação do Edital camarário de 5 de novembro, o 1º relativo a toponímia após a implantação da República em Portugal, substituindo a Rua da Princesa que havia sido criada em 1760 , pela Portaria de 5 de novembro, como Rua Nova da Princesa.

Este mesmo Edital  de 5 de novembro de 1910 atribuiu mais nove topónimos significativos dos valores republicanos. Ainda na Baixa pombalina substituiu a Rua Bela da Rainha por Rua da Prata e, a Rua de El-Rei por Rua do Comércio. Consagrou também a implantação da República com a Avenida Cinco de Outubro (antes Avenida António Maria de Avelar) e a Avenida da República (antes Avenida Ressano Garcia), assim como fixou os heróis republicanos Almirante Reis e Miguel Bombarda em Avenidas, tal como o jornalista e autarca lisboeta Elias Garcia. E ainda substituiu a  Rua Mota Veiga por Rua de Ponta Delgada e a Praça D. Fernando por Praça Afonso de Albuquerque.

antiga placa toponímica do arruamento

antiga placa toponímica do arruamento

Havia sido também em 5 de novembro, mas de 1760, que foi inaugurada em Lisboa a prática de atribuição de nomes de ruas por decreto, através de uma Portaria do rei D. José I que estabeleceu a denominação dos arruamentos localizados entre «entre as Praças do Comercio e a do Rocîo», ao mesmo tempo que regularizava a distribuição dos ofícios e ramos do comércio por cada um. Esta artéria foi então denominada Rua Nova da Princesa e determinado que nela ficassem arruados os  «Mercadores de Lançaria ou Fancaria, destinando-se os sobejos della se os houver, às lojas de quinquilharia».  As outras 13 artérias foram «Rua Nova d’El Rey [hoje, Rua do Comércio], Rua Augusta, Rua Áurea, Rua Bella da Rainha [hoje, Rua da Prata], Rua dos Douradores, Rua dos Correeiros, Rua dos Sapateiros, Rua de S. Julião, Rua da Conceição, Rua de S. Nicolau, Rua da Victoria, Rua da Assumpção e Travessa de Santa Justa [hoje, Rua de Santa Justa]».

Placas Tipo III - Freguesia de Santa Maria Maior

Placas Tipo III – Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

O Largo do Ministro Casal Ribeiro

Em 1961 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1961 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo do Ministro, entre a Rua Direita da Ameixoeira e a Estrada da Ameixoeira, já era assim conhecido no século XIX por referência  à Quinta e Palacete do Conde de Casal Ribeiro no local.

No século XVI este espaço era o Rossio. Na 2ª metade do séc. XIX , na Quinta que depois ficou conhecida como Quinta do Ministro mandou o Conde de Casal Ribeiro erguer o seu palacete que ficou com os nºs 7 a 9  deste Largo e, a toponímia do local ganhou o Largo do Ministro em virtude de José Casal Ribeiro ter sido Ministro da Fazenda e depois, dos Negócios Estrangeiras e das Obras Públicas.

Só no século XX o Edital municipal de 16/06/1928 oficializou este topónimo,  tal como o fez para  a Rua Direita da Ameixoeira, o Largo do Terreiro, o Beco dos Ferreiros e, a Travessa de Santo António que antes tinha a categoria de Beco.

José Maria Caldeira de Casal Ribeiro (Lisboa/18.04.1825 – 14.07.1896/Madrid), que por Decreto de 28 de maio de 1870 foi agraciado pelo rei D. Luís I com o título de conde do Casal Ribeiro, em duas vidas, construiu uma carreira política como deputado, sendo depois também ministro dos Negócios da Fazenda (de 16 de março de 1859 a 20 de julho de 1860) e dos Negócios Estrangeiros (de 24 de abril a 4 de junho de 1860 e  de maio de 1866 a 4 de janeiro de 1868), cargo que acumulou com a pasta das Obras Públicas, Negócios e Indústria no período de 9 de maio a 6 de junho de 1866. Desempenhou ainda funções de embaixador em Paris e Madrid.

Após a morte da nora do estadista a propriedade foi arrendada à empresa cinematográfica Selecções Império Lda. que lá pretendia  criar um estúdio de dobragem de filmes. Em 1960 o arrendamento passou a ser da Sociedade Agrícola de Tróia e, desde há 50 anos (1964) que está neste espaço instalada a Academia Musical de Santa Cecília.

Freguesia de Santa Clara (foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)