A Rua do Arco do Aqueduto a São Mamede

Freguesias de Santo António e Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Era a Rua do Arco, por mor de ter em si um dos 127 arcos do Aqueduto das Águas Livres, até lhe ser acrescentada a localização a São Mamede no ano de 1953.

Este arruamento que liga a Rua de São Bento à Rua da Escola Politécnica tem um topónimo posterior a 1748 e que já surge referido nas plantas da cidade de Lisboa após a remodelação paroquial de 1780. A Rua do Arco a São Mamede ostenta um dos 127 arcos do Aqueduto das Águas Livres, equipamento que começou a fornecer água à cidade de Lisboa a partir de 1748, aumentando assim de 6 para 15 litros o volume de água diário que cada cidadão de Lisboa tinha ao seu dispor.

Por volta de 1908, ficou o arco com um chafariz de encosto, da autoria de Honorato Correia de Macedo e Sá, seguindo a influência do modelo de chafariz ligado ao Aqueduto que foi introduzido por Reinaldo Manuel dos Santos. A ordem para a construção deste chafariz,  alimentado pelas águas provenientes da Galeria da Esperança e da Água Livre por intermédio da Casa do Registo das Amoreiras, partiu da Direção das Águas Livres em 12 de junho de 1805.

Já o topónimo ficou a ser Rua do Arco a São Mamede por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, que no dia 21 de outubro de 1953 foi  homologado pelo Vice-Presidente da CML que era então Luís Pastor de Macedo.

Refira-se que na parte da rua mais próxima da Rua de São Bento foi morador Frederico Romão Daupiás d’Alcochete (1839-1928) que também tinha aí os seus jardins de ensaio de floricultura.

Também no século XVIII terá ali vivido uma família Soares já que Gustavo de Matos Sequeira menciona que o prédio da Rua do Arco que torneja para a Rua do Noronha tem «uma lápide com os seguintes dizeres : SOARES — N.” 21», para além de acrescentar  que em 1762 é mencionada pela primeira vez uma Rua dos Soares que o olisipógrafo não conseguiu apurar se seria a Rua do Arco ou a Rua do Noronha. Mencione-se que Gustavo de Matos Sequeira residiu numa artéria transversal a esta Rua do Arco a São Mamede, a Rua Nova de Santo António, que depois ficou com o seu nome.

Freguesias de Santo António e Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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O Aqueduto das Águas Livres em 3 topónimos lisboetas

O Aqueduto das Águas Livres cerca de 1912
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Aqueduto das Águas Livres erguido entre 1732 a 1748 para melhorar o abastecimento de água a Lisboa, por ordem de D. João V, deu origem a 3 topónimos lisboetas no decorrer do século XX, sendo por ordem cronológica a Travessa das Águas Livres (1911), a Praça das Águas Livres (1948 e 1986) e a Rua do Aqueduto das Águas Livres (1990).

A Travessa das Águas Livres quando ainda era Travessa das Bruxas, em 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Travessa das Águas Livres que liga a Rua das Amoreiras à Praça das Amoreiras, hoje sob administração da Freguesia de Santo António, por deliberação de câmara de 3 de agosto de 1911 e consequente Edital  municipal de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo escolhido para substituir a denominação existente de Travessa das Bruxas às Amoreiras. Refira-se que esta nova designação se fazia por referência de proximidade à Rua dos Arcos das Águas Livres que até 1920 era o nome da Rua das Amoreiras, onde aliás se encontra  o arco triunfal que celebrou a entrada das águas do Aqueduto na cidade de Lisboa.

A Praça das Águas Livres em 1959
(Foto: Fernando Manuel de Jesus Matias, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça das Águas Livres, hoje parte da Freguesia de Campo de Ourique, foi o nome atribuído à praça situada no extremo oriental da Rua D às Amoreiras, por Edital municipal de 18 de junho de 1948 e assim se manteve por 33 anos. No entanto, sendo este o espaço onde o Ginásio Clube Português fez a sua sede passou então esta artéria a designar-se Praça Ginásio Clube Português, pelo Edital municipal de 10 de agosto de 1981. Cinco anos depois, o Edital de 3 de novembro de 1986 resolveu criar duas praças da seguinte forma: o troço da Praça Ginásio Clube Português constituído pela antiga Praça das Águas Livres passou a constituir novamente um arruamento distinto, com a antiga denominação de Praça das Águas Livres, mantendo o restante troço a denominação de Praça Ginásio Clube Português.

Rua do Aqueduto das Águas Livres – Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por último, temos a Rua do Aqueduto das Águas Livres, no Bairro do Alto da Serafina, na Freguesia de Campolide. Pelo Edital de 15 de março de 1950 foi dada toponímica numérica no Bairro do Alto da Serafina e a outros Bairros Sociais da cidade, sendo então este arruamento a Rua 19. No final de 1989, o Edital de 28 de dezembro, denominou-a como Rua dos Ardinas, sendo alterados os restantes topónimos do Bairro, o que gerou protestos da população residente, pelo que com mediação da  Junta de Freguesia de Campolide e da Comissão de Moradores do Bairro foi possível chegar a um acordo para nova toponímia, desta feita relacionada com a época da construção do Aqueduto das Águas Livres ou instituições com uma forte ligação ao Bairro, que a Câmara fixou através do Edital de 14 de dezembro de 1990 e desde aí é a Rua do Aqueduto das Águas Livres.

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A Rua da Bica que soma a Rua da Bica Duarte Belo com a Calçada da Bica Pequena

Rua da Bica de Duarte Belo e início da Calçada da Bica Pequena, em 1915
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Elevador da Bica, inaugurado no dia 28 de junho de 1892, corre por duas artérias da freguesia da Misericórdia, cujos topónimos oficiais são Rua da Bica Duarte Belo e Calçada da Bica Pequena, razão para que estas duas sejam conhecidas como se fossem uma só e sob a denominação popular de Rua da Bica ou apenas Bica.

Bica é o nome de todo o Sítio cavado entre a vertente das encostas  de Santa Catarina e das Chagas, por efeito de um desmoronamento de terras restrito ao local, ocorrido em 22 de julho de 1597 e que  25 anos mais tarde se repetiu.

A partir do Largo do Calhariz o primeiro troço da Rua da Bica é a  Rua da Bica Duarte Belo que vai até à Travessa do Cabral. Segundo Norberto de Araújo,  este  Duarte Belo possuía na Boa Vista [ Rua da Boavista] umas casas e um chão no qual existia uma bica, conhecida como a Bica dos Olhos, conhecidas que eram as suas capacidades curativas para maleitas das vistas. De acordo com Gomes de Brito, a Bica do Bello já em 1551 ali se achava, dado que aparece inventariada no Sumário de Cristóvão Rodrigues de Oliveira.

O segunda troço da vulgarmente designada Rua da Bica, que se estende da Rua da Bica Duarte Belo até junto do nº 242 da Rua de São Paulo é a Calçada da Bica Pequena, onde chegou a existir uma bica. Contudo, o olisipógrafo Norberto de Araújo argumenta que esta Calçada  e a da Bica Grande podem ser topónimos apenas com o sentido de Calçada Grande e Calçada Pequena, o que até se ajusta à largura e extensão destas serventias.

O final da Rua da Bica de Duarte Belo e início da Calçada da Bica Pequena, em 2017
(Foto: António Dias)

O Largo do Chafariz de Dentro do Museu do Fado

Freguesia de Santa Maria Maior                                                         (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde a sua inauguração em 25 de setembro de 1998 que o Museu do Fado está sediado no Largo do Chafariz de Dentro, arruamento de Alfama com muitos séculos, na confluência da Rua do Terreiro do Trigo, Rua Jardim do Tabaco, Rua dos Remédios e Rua de São Pedro, que o olisipógrafo Norberto de Araújo considera «o Rossio de tôda a Alfama, e melhor diria o seu Terreiro do Paço pois muitos séculos não há que o mar aqui chegava».

Placa Tipo I

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I                                                            (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O chafariz que está em funcionamento desde o séc. XIII, ganhou o nome de Dentro porque no século XIV ficava entre muralhas mas também foi vulgarmente conhecido como Chafariz de Alfama. A Cerca Fernandina tinha então uma porta para este Largo que recolheu o nome do chafariz. Antes, de acordo com uma referência documental de 1280, chamar-se-ia Chafariz dos Cavalos já que as suas águas jorravam da boca de uns cavalos de bronze que adornavam a frontaria mas, segundo o cronista Fernão Lopes estas bicas foram roubadas pelos castelhanos, aquando do cerco de Lisboa de 1384. Em 1494, o chafariz teve alguns arranjos, mas foi em 1622 que tiveram lugar as obras de monta, de que ficou a memória na inscrição da frontaria: «Êste Chafariz mandou a Câmara desta Cidade reformar no ano de 1622, sendo presidente dela João Furtado de Mendonça do Conselho de Sua Majestade (…) o qual se reformou com o dinheiro do real d’água». Em 1694 também o Largo recebeu grandes obras de saneamento e urbanização.

Alfama afamada pelas suas boas e abundantes águas, teve neste Largo do Chafariz de Dentro um espaço onde no séc. XIV as populações locais acorriam para abastecimento de água, mas também para o mercado regular e feiras periódicas que se estendiam para a Rua de São Pedro e para a praia. A urbanização do Largo em 1622 e em 1694 tornou-o um espaço mais cosmopolita e de relação com o exterior.

Freguesia de Santa Maria Maior                        (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Travessa do Poço da Cidade onde a Severa morou

A Travessa do Poço da Cidade num excerto da planta de Filipe Folque de 1856

A Travessa do Poço da Cidade, hoje pertença da Freguesia da Misericórdia, foi uma das moradas da lisboeta Severa, em 1844 ou em 1845, residindo então com a sua mãe, de acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.

Esta artéria que vai da Rua da Misericórdia à Rua da Rosa integra o  núcleo inicial do Bairro Alto e «Quando em 1622 começa a ser citada nos livros paroquiais, davam-lhe a categoria de rua», segundo Pastor de Macedo.

Júlio de Castilho sugeriu que o topónimo se devia a um poço público desta artéria, então já no interior de um prédio privado, no que é secundado por Norberto de Araújo ao defender a existência de diversos poços públicos e particulares neste arruamento. Em 1844, na edição de 12 de setembro, a Revista Universal Lisbonense a propósito do abastecimento de água na cidade menciona que «Temos o grande poço que ainda hoje dá o nome a uma travessa notável, a do Poço da Cidade. Este poço, situado na esquina da Rua da Atalaia, na propriedade nº 33, abasteceu em tempos antigos aquelle districto, e ha poucos annos, que em igual escassèz concorriam alli grande numero de carroças, a que o senhorio, ou inquilinos facilitaram a agua, que nunca diminuiu.»

Por documentos municipais sabemos que a Travessa do Poço da Cidade teve o seu pavimento reparado em 1886, numa empreitada com envolvendo diversas ruas de Lisboa. Registe-se ainda que esta artéria com a contígua antiga Rua dos Calafates (e a partir de 31/12/1885 Rua do Diário de Notícias) foi a morada de tipografias e jornais:  a oficina de impressão de Francisco Luís Ameno (1740), a  tipografia Morandiana (1830) , a tipografia de Aguiar Viana, a tipografia de Eduardo de Faria,  a Tipografia Universal (1853) e a sua ampliação por  Sebastião José Ribeiro de Sá e Luís Augusto Rebelo da Silva , o  jornal  Diário Notícias (29 de dezembro de 1864 até 24 de setembro de 1940) e o jornal A Capital .

A Travessa do Poço da Cidade, em data incerta entre 1898 a 1908, a nascer junto à Rua da Misericórdia, então Rua de São Roque
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

As Ruas com Bicas de Água

Rua da Bica de Duarte Belo e inicío da Calçada da Bica Pequena em 1915 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua da Bica de Duarte Belo e início da Calçada da Bica Pequena, em 1915
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Durante muito tempo os chafarizes, também vulgarmente conhecidos como bicas, foram fundamentais no abastecimento de água aos lisboetas, restando ainda 9 topónimos que guardam a memória de bicas na cidade. Para além das já publicadas Rua da Bica de Duarte Belo e Calçada da Bica Grande persistem mais 7 de que vamos dar conta, seguindo de ocidente para oriente.

Na Ajuda, encontramos a Rua da Bica do Marquês que havia sido a Rua da Bica mas que por Edital municipal de 26/09/1916 passou a denominar-se Rua Alegre e por novo Edital de 08/02/1918 se tornou a Rua da Bica do Marquês,  com início na Rua de Dom Vasco e fim na Calçada da Ajuda.

Já na freguesia da Misericórdia, no Bairro da Bica, deparamos com a Travessa da Bica Grande, que  liga a Calçada da Bica Grande ao Largo de Santo Antoninho e deriva a sua denominação da Calçada onde nasce, assim como a Calçada da Bica Pequena, por oposição à Calçada anteriormente mencionada, indo desde o  nº 242 da Rua de São Paulo até à Rua da Bica de Duarte Belo.  Norberto de Araújo argumenta até que Bica Grande e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de Calçada Grande e Calçada Pequena. No entanto, perto da Calçada da Bica Grande existe um grande tanque setecentista no Pátio do Broas e junto ao nº 32 da Rua da Boavista, está a Bica dos Olhos, propriedade que foi de Duarte Belo e  à qual foram atribuídas propriedade curativas nas maleitas dos olhos, com a data inscrita de 1675 que tanto pode ser a de construção como a de remodelação.

Chegando a Arroios temos a Travessa da Bica aos Anjos, a ligar a Travessa do Forno aos Anjos à Rua dos Anjos, adiantando Norberto de Araújo que tanto esta como as Travessas da Cruz, do Maldonado e do Forno são todas anteriores ao Terramoto.

Em São Vicente a Rua da Bica do Sapato,  entre a Calçada de Santa Apolónia e a Rua dos Caminhos de Ferro, como aponta Norberto de Araújo, «deriva seu nome de uma bica ou fonte que datava de 1674, em 1853 substituida por um Chafariz nº 21, desaparecido também. Hoje [o autor escreve nos anos 30 do século XX] vês cerca do seu local um marco fontenário de recente colocação». Na mesma freguesia oferece-se o Beco da Bica do Sapato cujo topónimo deriva da proximidade à Rua da Bica do Sapato.

E finalmente chegados ao oriente, à freguesia do Parque das Nações, topamos com o Largo das Bicas, entre o Passeio dos Fenícios e o Passeio das Garças, incluído no Edital municipal de 06/05/2015 que oficializou a toponímia herdada da Expo 98.

Rua da Bica do Sapato, 1951 (Foto: Eduardo Portugal)

Rua da Bica do Sapato, 1951
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Ruas com Mercado

Placa Tipo IV da Rua do Mercado - Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV da Rua do Mercado – Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

O mercado, como equipamento urbano capaz de abastecer a população de um lugar, originou em Lisboa dois topónimos: um no Bairro da Encarnação na freguesia dos Olivais e outro, no antigo Bairro das Galinheiras, na freguesia de Santa Clara.

Rua do Mercado, no Bairro da Encarnação, foi atribuída por Edital municipal de 15 de março de 1950, como os restantes arruamentos do Bairro. Conforme se pode ler nas Atas da Comissão de Toponímia «Às 15 horas e 50 minutos do dia 10 de Maio de 1949, no Bairro da Encarnação prosseguiram os trabalhos da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, efectuada em 28 do mês findo, com a assistência do Excelentíssimo Senhor Presidente substituto da Câmara [ Luís Pastor de Macedo], estando presentes o Excelentíssimo Senhor Presidente da Comissão: vereador Pedro Correia Marques, e os vogais: Excelentíssimos senhores engenheiro Augusto Vieira da Silva, e doutores Durval Pires de Lima e Jaime Lopes Dias. Depois de várias trocas de impressões, a Comissão emitiu o parecer de que a Alameda Central [ Alameda da Encarnação ] do referido bairro, e as ruas O. P. e Q do lado Norte da referida Alameda, e P1 do lado Sul da mesma Alameda, passem a denominar-se, respectivamente, Alameda da Encarnação, Rua das Escolas, Rua do Poço Coberto, Rua dos Eucaliptos e Rua do Mercado» , a que se  somaram a Praça das Casas Novas, a Praça do Norte, a Rua dos Lojistas, a Rua do Poço Coberto, a Rua da Quinta da Fonte, a Rua da Quinta do Morgado e a Rua da Quinta de Santa Maria, e todas as outras restantes artérias ficaram com denominação numérica.

O Mercado das Galinheiras originou a Rampa do Mercado, entre a Azinhaga do Reguengo e a Rua Quinta da Assunção, na Freguesia de Santa Clara. O arruamento já era assim conhecido vulgarmente e o Edital municipal de 29/02/1988 oficializou a toponímia popular.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

 

O Largo das Alcaçarias dos anos sessenta

Largo das Alcaçarias em 1964  (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Largo das Alcaçarias em 1964
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Nas obras de remodelação de Alfama na década de sessenta do séc. XX, nasceu um novo largo junto à Travessa do Terreiro do Trigo, que o Edital de 13/12/1963 fixou com o nome de Largo das Alcaçarias, a partir de uma sugestão da Comissão Executiva da Valorização e Conservação do Carácter Tradicional e Secular do Bairro de Alfama.

As alcaçarias que eram inicialmente tanques para lavagem de lã e curtimento de peles também serviram como tanques de lavagem e banhos e sempre foram abundantes em Alfama graças às nascentes locais.

Logo no séc. II, no decorrer da romanização, surgiram ali núcleos de lazer através do aproveitamento termal das nascentes locais. A partir do séc. VIII, com a formação do arrabalde de Alfama com aristocracia muçulmana também foram explorados os núcleos termais. Em 1640,  no sítio da quinhentista «casa da água das muralhas» um mercador veneziano instalou umas novas alcaçarias, que viriam a ser do Duque de Cadaval que as ampliou em 1716. Em 1684, o Senado Municipal adquiriu um prédio com banhos, junto ao Chafariz de Dentro. De 1684 a 1773, entre a Rua de São Pedro e o Terreiro do Trigo localizavam-se os banhos do Dr. Fernando. Após o terramoto, em 1758,  são referidas alcaçarias no Beco de Alfama e junto ao Chafariz de Dentro. No ano seguinte abriram as alcaçarias de Dona Clara Xavier Aguiar, ao Terreiro do Trigo, remodeladas em 1864  e demolidas no séc. XIX. Na  2ª metade do séc. XIX também tiveram grande fama os banhos de J. A. Baptista. E, em 1868 todas as águas públicas de Alfama passaram para a administração da Companhia das Águas.

Placa Tipo I - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Mário Marzagão)

Placa Tipo I – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

O Largo do pombalino Terreiro do Trigo

Largo do Terreiro do Trigo entre 1930 e 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Largo do Terreiro do Trigo entre 1930 e 1939
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

O Largo do Terreiro do Trigo, situado na confluência entre a Avenida Infante Dom Henrique, a Rua do Cais de Santarém e a Rua do Terreiro do Trigo, foi o antigo Campo de Lã, espaço onde se faziam execuções capitais.

O topónimo deriva do edifício do Celeiro Público ou Terreiro do Trigo pombalino, que nesta zona foi construído entre 1765 e 1768, sendo atribuída a sua autoria a Reinaldo Manuel dos Santos, arquiteto da Casa do Risco e que veio substituir o antigo celeiro do reinado de D. Manuel. Mais tarde, o espaço passou a ser o Mercado Central de Produtos Agrícolas  até cessar essas funções em 1937 para aí serem instalados serviços alfandegários mas, a sua memória perdura na toponímia da cidade em mais outros três topónimos: as Escadinhas do Terreiro do Trigo, a Rua do Terreiro do Trigo  e, a Travessa do Terreiro do Trigo.

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

 

A Rua Dom João V das Águas Livres

Freguesias de Campo de Ourique + Stº António ? (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Dom João V associa-se ao roteiro toponímico de Luís Dourdil por esta artéria ser a morada do Museu da Farmácia,  que alberga um mural de 25 m2 que o pintor criou para o Laboratório Sanitas em 1945.

Esta Rua Dom João V nasceu do Edital de 22 de junho de 1948, na Rua A à Rua das Amoreiras, que igualmente instituiu a Rua Custódio Vieira (na Rua B), a Rua Dom Tomás de Melo Breyner (na Rua C, mas que não passou da planta para ser executada), a Rua Gorgel do Amaral (na Rua D) e a Praça das Águas Livres (Praça no extremo oriental da Rua D; foi depois Praça Ginásio Clube Português por Edital municipal de 10/08/1981 e retornou a Praça das Águas Livres por Edital municipal de 03/11/1986).

Esta homenagem toponímica a D. João V (Lisboa/22.10.1689 – 31.07.1750/Lisboa) , 24º rei de Portugal no período de 1707 a 1750, enaltece o seu lado de construtor do Aqueduto das Águas Livres e da melhoria do abastecimento de água à cidade de Lisboa, como o provam os restantes topónimos atribuídos pela edilidade lisboeta no mesmo Edital. Desde logo, a referência imediata na Praça das Águas Livres. Depois, Cláudio Gorgel do Amaral era Procurador da Cidade de Lisboa no Reinado de D. João  V e é a ele que se deve a iniciativa da apresentação da proposta de construção do aqueduto das Águas Livres em  1728. E também Custódio José Vieira,   engenheiro militar e arquiteto, foi no período de 1732 a 1736 um dos arquitetos responsáveis do Aqueduto das Águas Livres.

Falta esclarecer que Tomás de Melo Breyner ( Lisboa/02.09.1866 – 24.10.1933/Lisboa) nada tem a ver com o Aqueduto das Águas Livres já que era um médico que o rei D. Carlos I nomeou médico da Real Câmara, para além de ter sido deputado em 1906 e 1907 e, colaborador do jornal humorístico O Thalassa e  da Acção Realista. Por Edital de 26/03/1971 passou a dar nome à Rua C à Rua Marquês de Olhão, na Freguesia do Beato.

Freguesia de Santo António

Freguesia de Santo António                                                           (Planta: Sérgio Dias)