O Largo do Chafariz de Dentro do Museu do Fado

Freguesia de Santa Maria Maior                                                         (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde a sua inauguração em 25 de setembro de 1998 que o Museu do Fado está sediado no Largo do Chafariz de Dentro, arruamento de Alfama com muitos séculos, na confluência da Rua do Terreiro do Trigo, Rua Jardim do Tabaco, Rua dos Remédios e Rua de São Pedro, que o olisipógrafo Norberto de Araújo considera «o Rossio de tôda a Alfama, e melhor diria o seu Terreiro do Paço pois muitos séculos não há que o mar aqui chegava».

Placa Tipo I

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I                                                            (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O chafariz que está em funcionamento desde o séc. XIII, ganhou o nome de Dentro porque no século XIV ficava entre muralhas mas também foi vulgarmente conhecido como Chafariz de Alfama. A Cerca Fernandina tinha então uma porta para este Largo que recolheu o nome do chafariz. Antes, de acordo com uma referência documental de 1280, chamar-se-ia Chafariz dos Cavalos já que as suas águas jorravam da boca de uns cavalos de bronze que adornavam a frontaria mas, segundo o cronista Fernão Lopes estas bicas foram roubadas pelos castelhanos, aquando do cerco de Lisboa de 1384. Em 1494, o chafariz teve alguns arranjos, mas foi em 1622 que tiveram lugar as obras de monta, de que ficou a memória na inscrição da frontaria: «Êste Chafariz mandou a Câmara desta Cidade reformar no ano de 1622, sendo presidente dela João Furtado de Mendonça do Conselho de Sua Majestade (…) o qual se reformou com o dinheiro do real d’água». Em 1694 também o Largo recebeu grandes obras de saneamento e urbanização.

Alfama afamada pelas suas boas e abundantes águas, teve neste Largo do Chafariz de Dentro um espaço onde no séc. XIV as populações locais acorriam para abastecimento de água, mas também para o mercado regular e feiras periódicas que se estendiam para a Rua de São Pedro e para a praia. A urbanização do Largo em 1622 e em 1694 tornou-o um espaço mais cosmopolita e de relação com o exterior.

Freguesia de Santa Maria Maior                        (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Travessa do Poço da Cidade onde a Severa morou

A Travessa do Poço da Cidade num excerto da planta de Filipe Folque de 1856

A Travessa do Poço da Cidade, hoje pertença da Freguesia da Misericórdia, foi uma das moradas da lisboeta Severa, em 1844 ou em 1845, residindo então com a sua mãe, de acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.

Esta artéria que vai da Rua da Misericórdia à Rua da Rosa integra o  núcleo inicial do Bairro Alto e «Quando em 1622 começa a ser citada nos livros paroquiais, davam-lhe a categoria de rua», segundo Pastor de Macedo.

Júlio de Castilho sugeriu que o topónimo se devia a um poço público desta artéria, então já no interior de um prédio privado, no que é secundado por Norberto de Araújo ao defender a existência de diversos poços públicos e particulares neste arruamento. Em 1844, na edição de 12 de setembro, a Revista Universal Lisbonense a propósito do abastecimento de água na cidade menciona que «Temos o grande poço que ainda hoje dá o nome a uma travessa notável, a do Poço da Cidade. Este poço, situado na esquina da Rua da Atalaia, na propriedade nº 33, abasteceu em tempos antigos aquelle districto, e ha poucos annos, que em igual escassèz concorriam alli grande numero de carroças, a que o senhorio, ou inquilinos facilitaram a agua, que nunca diminuiu.»

Por documentos municipais sabemos que a Travessa do Poço da Cidade teve o seu pavimento reparado em 1886, numa empreitada com envolvendo diversas ruas de Lisboa. Registe-se ainda que esta artéria com a contígua antiga Rua dos Calafates (e a partir de 31/12/1885 Rua do Diário de Notícias) foi a morada de tipografias e jornais:  a oficina de impressão de Francisco Luís Ameno (1740), a  tipografia Morandiana (1830) , a tipografia de Aguiar Viana, a tipografia de Eduardo de Faria,  a Tipografia Universal (1853) e a sua ampliação por  Sebastião José Ribeiro de Sá e Luís Augusto Rebelo da Silva , o  jornal  Diário Notícias (29 de dezembro de 1864 até 24 de setembro de 1940) e o jornal A Capital .

A Travessa do Poço da Cidade, em data incerta entre 1898 a 1908, a nascer junto à Rua da Misericórdia, então Rua de São Roque
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

As Ruas com Bicas de Água

Rua da Bica de Duarte Belo e inicío da Calçada da Bica Pequena em 1915 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua da Bica de Duarte Belo e início da Calçada da Bica Pequena, em 1915
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Durante muito tempo os chafarizes, também vulgarmente conhecidos como bicas, foram fundamentais no abastecimento de água aos lisboetas, restando ainda 9 topónimos que guardam a memória de bicas na cidade. Para além das já publicadas Rua da Bica de Duarte Belo e Calçada da Bica Grande persistem mais 7 de que vamos dar conta, seguindo de ocidente para oriente.

Na Ajuda, encontramos a Rua da Bica do Marquês que havia sido a Rua da Bica mas que por Edital municipal de 26/09/1916 passou a denominar-se Rua Alegre e por novo Edital de 08/02/1918 se tornou a Rua da Bica do Marquês,  com início na Rua de Dom Vasco e fim na Calçada da Ajuda.

Já na freguesia da Misericórdia, no Bairro da Bica, deparamos com a Travessa da Bica Grande, que  liga a Calçada da Bica Grande ao Largo de Santo Antoninho e deriva a sua denominação da Calçada onde nasce, assim como a Calçada da Bica Pequena, por oposição à Calçada anteriormente mencionada, indo desde o  nº 242 da Rua de São Paulo até à Rua da Bica de Duarte Belo.  Norberto de Araújo argumenta até que Bica Grande e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de Calçada Grande e Calçada Pequena. No entanto, perto da Calçada da Bica Grande existe um grande tanque setecentista no Pátio do Broas e junto ao nº 32 da Rua da Boavista, está a Bica dos Olhos, propriedade que foi de Duarte Belo e  à qual foram atribuídas propriedade curativas nas maleitas dos olhos, com a data inscrita de 1675 que tanto pode ser a de construção como a de remodelação.

Chegando a Arroios temos a Travessa da Bica aos Anjos, a ligar a Travessa do Forno aos Anjos à Rua dos Anjos, adiantando Norberto de Araújo que tanto esta como as Travessas da Cruz, do Maldonado e do Forno são todas anteriores ao Terramoto.

Em São Vicente a Rua da Bica do Sapato,  entre a Calçada de Santa Apolónia e a Rua dos Caminhos de Ferro, como aponta Norberto de Araújo, «deriva seu nome de uma bica ou fonte que datava de 1674, em 1853 substituida por um Chafariz nº 21, desaparecido também. Hoje [o autor escreve nos anos 30 do século XX] vês cerca do seu local um marco fontenário de recente colocação». Na mesma freguesia oferece-se o Beco da Bica do Sapato cujo topónimo deriva da proximidade à Rua da Bica do Sapato.

E finalmente chegados ao oriente, à freguesia do Parque das Nações, topamos com o Largo das Bicas, entre o Passeio dos Fenícios e o Passeio das Garças, incluído no Edital municipal de 06/05/2015 que oficializou a toponímia herdada da Expo 98.

Rua da Bica do Sapato, 1951 (Foto: Eduardo Portugal)

Rua da Bica do Sapato, 1951
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Ruas com Mercado

Placa Tipo IV da Rua do Mercado - Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV da Rua do Mercado – Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

O mercado, como equipamento urbano capaz de abastecer a população de um lugar, originou em Lisboa dois topónimos: um no Bairro da Encarnação na freguesia dos Olivais e outro, no antigo Bairro das Galinheiras, na freguesia de Santa Clara.

Rua do Mercado, no Bairro da Encarnação, foi atribuída por Edital municipal de 15 de março de 1950, como os restantes arruamentos do Bairro. Conforme se pode ler nas Atas da Comissão de Toponímia «Às 15 horas e 50 minutos do dia 10 de Maio de 1949, no Bairro da Encarnação prosseguiram os trabalhos da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, efectuada em 28 do mês findo, com a assistência do Excelentíssimo Senhor Presidente substituto da Câmara [ Luís Pastor de Macedo], estando presentes o Excelentíssimo Senhor Presidente da Comissão: vereador Pedro Correia Marques, e os vogais: Excelentíssimos senhores engenheiro Augusto Vieira da Silva, e doutores Durval Pires de Lima e Jaime Lopes Dias. Depois de várias trocas de impressões, a Comissão emitiu o parecer de que a Alameda Central [ Alameda da Encarnação ] do referido bairro, e as ruas O. P. e Q do lado Norte da referida Alameda, e P1 do lado Sul da mesma Alameda, passem a denominar-se, respectivamente, Alameda da Encarnação, Rua das Escolas, Rua do Poço Coberto, Rua dos Eucaliptos e Rua do Mercado» , a que se  somaram a Praça das Casas Novas, a Praça do Norte, a Rua dos Lojistas, a Rua do Poço Coberto, a Rua da Quinta da Fonte, a Rua da Quinta do Morgado e a Rua da Quinta de Santa Maria, e todas as outras restantes artérias ficaram com denominação numérica.

O Mercado das Galinheiras originou a Rampa do Mercado, entre a Azinhaga do Reguengo e a Rua Quinta da Assunção, na Freguesia de Santa Clara. O arruamento já era assim conhecido vulgarmente e o Edital municipal de 29/02/1988 oficializou a toponímia popular.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

 

O Largo das Alcaçarias dos anos sessenta

Largo das Alcaçarias em 1964  (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Largo das Alcaçarias em 1964
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Nas obras de remodelação de Alfama na década de sessenta do séc. XX, nasceu um novo largo junto à Travessa do Terreiro do Trigo, que o Edital de 13/12/1963 fixou com o nome de Largo das Alcaçarias, a partir de uma sugestão da Comissão Executiva da Valorização e Conservação do Carácter Tradicional e Secular do Bairro de Alfama.

As alcaçarias que eram inicialmente tanques para lavagem de lã e curtimento de peles também serviram como tanques de lavagem e banhos e sempre foram abundantes em Alfama graças às nascentes locais.

Logo no séc. II, no decorrer da romanização, surgiram ali núcleos de lazer através do aproveitamento termal das nascentes locais. A partir do séc. VIII, com a formação do arrabalde de Alfama com aristocracia muçulmana também foram explorados os núcleos termais. Em 1640,  no sítio da quinhentista «casa da água das muralhas» um mercador veneziano instalou umas novas alcaçarias, que viriam a ser do Duque de Cadaval que as ampliou em 1716. Em 1684, o Senado Municipal adquiriu um prédio com banhos, junto ao Chafariz de Dentro. De 1684 a 1773, entre a Rua de São Pedro e o Terreiro do Trigo localizavam-se os banhos do Dr. Fernando. Após o terramoto, em 1758,  são referidas alcaçarias no Beco de Alfama e junto ao Chafariz de Dentro. No ano seguinte abriram as alcaçarias de Dona Clara Xavier Aguiar, ao Terreiro do Trigo, remodeladas em 1864  e demolidas no séc. XIX. Na  2ª metade do séc. XIX também tiveram grande fama os banhos de J. A. Baptista. E, em 1868 todas as águas públicas de Alfama passaram para a administração da Companhia das Águas.

Placa Tipo I - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Mário Marzagão)

Placa Tipo I – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

O Largo do pombalino Terreiro do Trigo

Largo do Terreiro do Trigo entre 1930 e 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Largo do Terreiro do Trigo entre 1930 e 1939
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

O Largo do Terreiro do Trigo, situado na confluência entre a Avenida Infante Dom Henrique, a Rua do Cais de Santarém e a Rua do Terreiro do Trigo, foi o antigo Campo de Lã, espaço onde se faziam execuções capitais.

O topónimo deriva do edifício do Celeiro Público ou Terreiro do Trigo pombalino, que nesta zona foi construído entre 1765 e 1768, sendo atribuída a sua autoria a Reinaldo Manuel dos Santos, arquiteto da Casa do Risco e que veio substituir o antigo celeiro do reinado de D. Manuel. Mais tarde, o espaço passou a ser o Mercado Central de Produtos Agrícolas  até cessar essas funções em 1937 para aí serem instalados serviços alfandegários mas, a sua memória perdura na toponímia da cidade em mais outros três topónimos: as Escadinhas do Terreiro do Trigo, a Rua do Terreiro do Trigo  e, a Travessa do Terreiro do Trigo.

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

 

A Rua Dom João V das Águas Livres

Freguesias de Campo de Ourique + Stº António ? (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Dom João V associa-se ao roteiro toponímico de Luís Dourdil por esta artéria ser a morada do Museu da Farmácia,  que alberga um mural de 25 m2 que o pintor criou para o Laboratório Sanitas em 1945.

Esta Rua Dom João V nasceu do Edital de 22 de junho de 1948, na Rua A à Rua das Amoreiras, que igualmente instituiu a Rua Custódio Vieira (na Rua B), a Rua Dom Tomás de Melo Breyner (na Rua C, mas que não passou da planta para ser executada), a Rua Gorgel do Amaral (na Rua D) e a Praça das Águas Livres (Praça no extremo oriental da Rua D; foi depois Praça Ginásio Clube Português por Edital municipal de 10/08/1981 e retornou a Praça das Águas Livres por Edital municipal de 03/11/1986).

Esta homenagem toponímica a D. João V (Lisboa/22.10.1689 – 31.07.1750/Lisboa) , 24º rei de Portugal no período de 1707 a 1750, enaltece o seu lado de construtor do Aqueduto das Águas Livres e da melhoria do abastecimento de água à cidade de Lisboa, como o provam os restantes topónimos atribuídos pela edilidade lisboeta no mesmo Edital. Desde logo, a referência imediata na Praça das Águas Livres. Depois, Cláudio Gorgel do Amaral era Procurador da Cidade de Lisboa no Reinado de D. João  V e é a ele que se deve a iniciativa da apresentação da proposta de construção do aqueduto das Águas Livres em  1728. E também Custódio José Vieira,   engenheiro militar e arquiteto, foi no período de 1732 a 1736 um dos arquitetos responsáveis do Aqueduto das Águas Livres.

Falta esclarecer que Tomás de Melo Breyner ( Lisboa/02.09.1866 – 24.10.1933/Lisboa) nada tem a ver com o Aqueduto das Águas Livres já que era um médico que o rei D. Carlos I nomeou médico da Real Câmara, para além de ter sido deputado em 1906 e 1907 e, colaborador do jornal humorístico O Thalassa e  da Acção Realista. Por Edital de 26/03/1971 passou a dar nome à Rua C à Rua Marquês de Olhão, na Freguesia do Beato.

Freguesia de Santo António

Freguesia de Santo António                                                           (Planta: Sérgio Dias)

A Calçada da Bica Grande

Freguesia da Misericórdia (Foto: Luís Ponte)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Luís Ponte)

Esta calçada de escadinhas do Bairro da Bica, sobe da Rua de São Paulo para a Travessa do Cabral e atesta as fartas quantidades de água existentes no sítio, tendo surgido nesta encosta desde o final do século XVI diversos chafarizes públicos na confluência das ruas.

Poder-se-ia assim pensar que a razão do topónimo Calçada da Bica Grande derivasse da proximidade a uma fonte, o que até sucede com um grande tanque setecentista que se encontra na Vila Pinheiro, local mais conhecido como Pátio do Broas.

Todavia, sobre esta artéria central do bairro da Bica, o olisipógrafo Norberto Araújo argumenta que Bica Grande e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de Calçada Grande e Calçada Pequena, o que até se ajusta à largura e extensão das serventias.

Refira-se que também existe uma Travessa da Bica Grande que liga o Largo de Santo Antoninho à Calçada da Bica Grande.

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

 

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

No 110º aniversário de Amélia Carvalheira o seu jardim alfacinha

jardim amélia carvalheira cara

No ano do centenário da escultora de arte sacra Amélia Carvalheira foi o seu nome colocado pela edilidade lisboeta num Jardim anexo à igreja de Nossa Senhora de Fátima e, até aí vulgarmente conhecido como Jardim da Avenida Marquês de Tomar, considerando aliás a grande ligação da artista a esta igreja.

Este topónimo resultou de um pedido da Comissão de Homenagem a Amélia Carvalheira, que após o parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia foi aprovado na sessão de câmara de 18/08/2004 e, fixado pelo Edital de 23/09/2004.

Maria Amélia Carvalheira da Silva (Vila Nova de Cerveira – Gondarém/05.09.1904 – 31.12.1998/Lisboa) que hoje completaria 110 anos foi uma escultora que se dedicou essencialmente à arte sacra. Autodidata até 1947, conheceu nesse ano o Mestre Barata Feyo de quem se tornou discípula no atelier das Janelas Verdes. A artista assinou como Quinha até 1948 e depois desse ano como Carvalheira.

O seu trabalho apela à interioridade e a uma atitude íntima de contemplação, estando distribuída um pouco por todo o país e também no estrangeiro, embora consiga uma maior notoriedade e visibilidade em Fátima, sobretudo nas seis estátuas da Colunata, de sua autoria: Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São Simão Stock, Santo Afonso Maria de Legória, Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Salles.

A ligação de Amélia Carvalheira a Lisboa radica desde logo na sua morada no nº 58 da Avenida João Crisóstomo por mais de 60 anos, a menos de dois quarteirões de distância da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, bem como por ter contribuído para o espólio desta igreja com obras suas como Presépio e Nossa Senhora da Paz, para além de ter sido a autora da medalha comemorativa do Cinquentenário da Igreja. Ainda em Lisboa estão presentes obras de Amélia Carvalheira  nas Igrejas de São João de Deus,  de São João de Brito e na de São Nicolau, bem como nas capelas das Irmãs Missionárias de Maria, do Palácio da Cruz Vermelha, do Hospital de Dona Estefânia, das Irmãs Franciscanas e, do Colégio Militar.

Amélia Carvalheira ganhou em 1949 o Prémio de Artes Plásticas Mestre Manuel Pereira (para a escultura),  com a obra intitulada S. João de Deus, em barro policromado, a qual se encontra na capela do Palácio da Cruz Vermelha. Participou em várias exposições, a título individual, em Portugal e no estrangeiro. Em 1992 foi-lhe entregue oficialmente pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, uma condecoração da Santa Sé, a Pro Eclesia et Pontificia e, nesse mesmo ano, também o Presidente da República lhe atribuiu o Grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas

O Jardim do médico Ducla Soares

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

Este jardim no topo da Avenida da Torre de Belém, entre a Avenida do Restelo e a Rua de Alcolena, desde a publicação do Edital de 07/09/1987, homenageia o médico e investigador alfacinha Armando José Ducla de Sousa Soares (Lisboa/14.08.1912 – 27.03.1985/Lisboa) que em Lisboa viveu, desenvolveu a sua carreira e faleceu na sua casa no Largo da Princesa, nesta mesma freguesia.

Considerado o maior internista português da sua geração bem como especialista de hematologia com relevo na Medicina Europeia, durante quase meio século trabalhou nas vertentes da clínica, do ensaio e da investigação. Licenciado no ano de 1936, a partir de 1943 passou a assistente da cadeira de Clínica Médica e doutorou-se em 1948, com uma tese sobre as doenças alérgicas do rim. A partir de 1955, dirigiu a Secção de Hematologia da Consulta de Clínica Médica da Faculdade e tornou-se catedrático desta cadeira em 1958, a que juntou a de Pneumologia de 1960 a 1965  e depois, até 1982, a de Propedêutica Médica. Em 1974 foi membro da Comissão de Gestão Provisória da Faculdade de Medicina de Lisboa e em 1977, eleito para o Conselho Científico.

Ducla Soares foi ainda médico dos Hospitais Civis a partir de 1950, nomeadamente no Curry Cabral e no Hospital de Arroios assim como desempenhou os cargos de Presidente da Secção Europeia da Sociedade Internacional de Hematologia para o Estudo da Coagulação, da Sociedade de Medicina Interna e da Sociedade Portuguesa de Hematologia, bem como de diretor do Núcleo de Estudos Clínicos-Hematológicos do Instituto de Alta Cultura e de membro do Conselho Consultivo para as Ciências Médicas do Instituto de Alta Cultura e do Conselho Superior de Medicina Legal.

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém