A Travessa da Escola Araújo

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Travessa da Escola Araújo, na Freguesia de Arroios, foi um topónimo solicitado à edilidade lisboeta pelo dono de umas propriedades nessa artéria e desconhece-se que Escola seria essa cujo mentor teria Araújo como apelido.

Um requerimento de «Raymundo da Silva Leal, dono d’umas propriedades situadas na via publica, que dá serventia para a Quinta do Pinheiro, no bairro Estephania, freguezia de S. Jorge» solicitou a denominação Travessa da Escola Araújo para poder ser atribuída numeração às suas propriedades, o que teve o parecer favorável da repartição de polícia municipal e a câmara deliberou nesse sentido na sua reunião de 10 de janeiro de 1894, tendo no dia 26 do mesmo mês, sido publicado o Edital que identificava a «2ª à direita na Rua de Dona Estefânia, vindo do lado sul e que partindo desta rua vai terminar no portão da entrada da Quinta do Pinheiro» doravante como Travessa Escola Araújo. O roteiro das ruas de Lisboa de Queirós Veloso, do ano seguinte (1895) refere ainda que o arruamento não tinha saída.

Menos de quarenta anos antes, em 1856, na planta de Filipe Folque o espaço era um conjunto de terrenos e ainda antes, na planta de  1807, de Duarte Fava,  era uma espécie de azinhaga que dava acesso à Rua da Cruz do Tabuado. Recuando ainda mais à planta de Lisboa de 1780, vemos nela apenas um espaço rural.

Como curiosidade, refira-se que o pintor Henrique Medina, talvez o maior pintor retratista do séc. XX,  tinha casa e ateliê nesta artéria,  para atender as personalidades da capital ou outras a quem a cidade de Lisboa fosse mais favorável para deslocação, situação que manteve até ao final da sua vida.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua das Escolas do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua das Escolas, no Bairro da  Encarnação, faz referência à sua proximidade às antigas escolas primárias 113 e 114 (uma para o sexo feminino e outra para o sexo masculino) e foi atribuída a parte da Rua O pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, como os restantes topónimos do Bairro da Encarnação.

Numa época em que o ensino separava as raparigas dos rapazes, as escolas referidas no topónimo são hoje a Escola Básica Paulino Montez e jardim infantil nº 6, assumindo agora como patrono o arquiteto que traçou o Bairro da Encarnação. As escolas originais serão da década de cinquenta do século XX que tiveram obras de beneficiação geral em 1964, conforme o contrato de empreitada n.º 5/64 estabelecido entre a edilidade e António Correia da Silva.

Esta Rua das Escolas, que vai da   Rua do Poço Coberto à Rua da Quinta de Santa Maria, é uma das 12 do Bairro da Encarnação que fugiu à regra de ter toponímia numérica como era uso nos bairros sociais de então, e se pode ver no Edital municipal de 15/03/195o, também para os Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno, com a maioria das ruas a receberem denominações numéricas.

No quinhentista sítio da Panasqueira – cuja memória ainda se mantinha em 1939 numa Azinhaga da Panasqueira – foi inaugurado em 1946 o Bairro da Encarnação, da autoria do arquiteto Paulino Montez, o qual procurou reproduzir neste bairro social um pretenso modelo de aldeia portuguesa, mas em forma de borboleta que poderia ser admirada por vista aérea, sendo a Alameda da Encarnação o eixo principal das duas asas simétricas de borboleta do Bairro-Jardim da Encarnação. O Bairro Económico da Encarnação, foi construído de 1940 a 1943 numa área de cerca de 47 ha, em terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo das Escolas do Bairro das Terras do Forno em Belém

O Largo das Escolas em data entre 1941 e 1945
(Foto: Domingos Alvão, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo das Escolas no Bairro das Terras do Forno, em Belém, nasceu como topónimo do Edital de 15 de março de 1950, que atribuiu toponímia a 6 bairros sociais de Lisboa: o do Alto da Ajuda, o do Alto da Serafina, o da Calçada dos Mestres, o de Caselas, o da Encarnação e o da Terras dos Forno.

O Largo das Escolas foi o único topónimo não numérico atribuído no Bairro das Terras do Forno, ao espaço na confluência das Ruas 1, 2 e 3. A designação de Largo das Escolas, no plural, radica no ensino separado por sexos que era então a norma, sendo estas escolas primárias a masculina e a feminina. O edifício foi construído em 1941 e desde 24 de setembro de 2015 que é um Jardim de Infância da rede pública da autarquia.

O Bairro das Casas Económicas Terras do Forno ou Bairro Económico de Belém, traçado pelo arquiteto Raul Lino a partir de 1933, foi inaugurado em 1938 e era constituído por 204 habitações destinadas a funcionários civis e militares, assim como a sócios dos Sindicatos Nacionais.

Por último, refira-se que o Edital de 15 de março de 1950, atribuiu  denominação sobretudo numérica ao Bairro do Alto da Ajuda, de Caselas e da Encarnação;  exclusivamente numérica ao Bairro do Alto da Serafina, e com apenas um topónimo não numérico ao Bairro da Calçada dos Mestres e ao Bairro das Terras do Forno.

Freguesias de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Instituto Industrial de Fontes Pereira de Melo

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Instituto Industrial, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua da Boavista, é um topónimo resultante de ser a artéria onde nasceu em 1852 o Instituto Industrial de Lisboa, estabelecimento de ensino técnico criado por Fontes Pereira de Melo, por decreto de 30 de dezembro desse ano.

Refira-se ainda que não muito longe podemos encontrar o Largo Vitorino Damásio, topónimo que consagra o engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas que dirigiu em 1852 as obras do Aterro – que viriam a permitir a Avenida 24 de Julho –  e a partir do ano seguinte, desempenhou as funções de Reitor do Instituto Industrial.

Dezassete anos após o seu nascimento, em 1869, o Instituto Industrial de Lisboa sofreu uma fusão com a Escola de Comércio e passou a denominar-se Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, denominação que manteve até 1911, ano em que foi divido em duas instituições: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio (hoje ISEG), tendo em 1930 integrado a criação da Universidade Técnica de Lisboa sob a denominação de Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

A data de fixação deste topónimo será posterior a 1852, provavelmente ainda atribuído pelo Governo Civil de Lisboa. Na documentação municipal descortinamos as primeiras menções à Rua do Instituto Industrial no último quartel do séc. XIX, nomeadamente numa resolução municipal de 28 de dezembro de 1874 sobre redução do arrendamento de prédios na artéria, bem como num requerimento de 16 de fevereiro de 1878 do Director da Companhia Previdente pedindo a prorrogação do prazo para a conclusão da reconstrução do edifício da Fábrica da Companhia neste arruamento, ou ainda na identificação do traçado de uma casa de banhos que Teresa de Jesus Soares pretendia em 1883 construir no prédio com o nº 91 da Rua da Boavista, fazendo esquina para a Rua do Instituto Industrial. Certo também é que a primeira planta em que surge a Rua do Instituto Industrial como topónimo é na de 1876, executada por Francisco Goullard para a Câmara Municipal de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Do Largo do Matadouro público ao Largo da Escola Municipal nº 1

O Largo da Escola Municipal no início do séc. XX
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo da Escola Municipal, na confluência da Rua de São Lázaro, Rua Nova do Desterro e Rua do Saco, consagra desde a publicação do Edital municipal de 8 de agosto de 1889 a Escola Municipal nº 1, ali construída 14 anos antes – em 1875 – no local onde fora o matadouro público que havia dado ao local o nome de Largo do Matadouro.

Sobreposição da planta de Filipe Folque de 1858 com a dos nossos dias para se ver o Largo da Escola Municipal no Largo do Matadouro

Como se pode ver  na planta de Filipe Folque de 1858, o espaço deste Largo da Escola Municipal era o Largo do Matadouro, contíguo ao Matadouro público instalado entre a Rua das Forçureiras [vendedoras de forçuras que eram  os bofes e os intestinos das reses] e o Beco do Saco [hoje Rua do Saco] que não deve ser confundido com o Largo do Matadouro que mais tarde alojou o Matadouro Municipal e hoje conhecemos como Praça José Fontana.

Dois anos depois da abertura da Escola nº 1, um ofício de 25 de junho de 1877, do professor António Simões Lopes, pedia à Câmara providências para um muro com apenas 5 a 6 cm de altura do lado do edifício escolar, pelo perigo dos alunos caírem para o lado da rua. Também oito anos depois, em 5 de agosto de 1883, nasceu encostada a esta Escola Municipal nº 1 a então Biblioteca Municipal de São Lázaro.

O Serviço de Instrução fora criado na Câmara Municipal de Lisboa dois anos antes desta Escola nº 1, em 16 de setembro de 1873, sucedendo ao «Pelouro das escolas municipaes de artes e industria, e Beneficencia» que existia desde 1852. Este Serviço dependia do Pelouro da Instrução que teve como primeiro vereador José Elias Garcia, que desempenhou essas funções em 1873-1875 e 1878-1881, com competências no domínio da instrução primária e das bibliotecas municipais.

Quando da atribuição do Largo da Escola Municipal, em 8 de agosto de 1889, era vereador Augusto José da Cunha que manteve as funções até ao final desse ano. Três anos depois, em 1892, a responsabilidade da instrução primária passou para o Estado e o Pelouro da Instrução municipal foi extinto, ficando apenas uma delegação na 1ª Repartição do Serviço de Fazenda Municipal que durou até setembro de 1913, porque o Decreto de 29 de junho de 1913 procedera à descentralização do ensino primário e a Câmara Municipal de Lisboa voltou a ter responsabilidades na área da instrução primária até 1918, quando o Decreto de 12 de julho transferiu novamente a responsabilidade da instrução primária para o Estado, o que gerou contestação por parte de alguns vereadores.

Em 1919, por proposta do vereador Vladimiro Contreiras, a Instrução passou a inserir-se nos serviços da Secretaria Geral da edilidade, na 2ª Secção da 3ª Repartição (Instrução, Estatística, Bibliotecas e Arquivos), à qual competia as direções das bibliotecas municipais e dos estabelecimentos de instrução pública.  Em 1921, com uma reorganização dos Serviços Municipais, a Instrução passou para a 6ª Repartição dos Serviços Técnicos, de Bibliotecas, Museus, Arquivos e Escolas. Em  1924, o Pelouro passou a denominar-se Pelouro da Instrução e Assistência, responsável pela instrução primária e pela assistência do município, sendo Alexandre Ferreira o vereador, até junho de 1926.

Freguesia dos Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Avenida da Universidade Técnica

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Como nos anos setenta do século passado a Câmara Municipal de Lisboa consagrara a Alameda da Universidade também no dealbar do novo século fixou na toponímia da cidade a Universidade Técnica de Lisboa, através da Avenida da Universidade Técnica, no Pólo Universitário da Ajuda.

A pedido da própria Universidade Técnica a edilidade lisboeta denominou a Rua B do Pólo Universitário da Ajuda como Avenida da Universidade Técnica, através do Edital municipal de 19 de abril de 2004, que também colocou nas restantes Ruas  nomes de professores  ligados à instituição e às faculdades ali instaladas: os veterinários  Ildefonso Borges Rua Joaquim Fiadeiro, o professor de Medicina Social e Antropologia Cultural Almerindo Lessa e ainda, o pintor Sá Nogueira, professor de arquitetos e designers.

Criada em 1930, a Universidade Técnica de Lisboa aglutinou a Escola Superior de Medicina Veterinária (depois, Faculdade de Medicina Veterinária), o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois, Instituto Superior de Economia e Gestão) e o Instituto Superior Técnico. Somaram-se o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1961, o Instituto Nacional de Educação Física em 1976 e a Faculdade de Arquitetura em 1979.

Em 2004, no ano de atribuição do topónimo, a Universidade Técnica de Lisboa integrava a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) e a Faculdade de Arquitectura (FA).

Na década de 90 do século XX, a instalação do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Faculdade de Medicina Veterinária e da Faculdade de Arquitectura, no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, contíguo à Tapada, a Monsanto, ao Casalinho da Ajuda e à envolvente do Palácio da Ajuda, contribuiu em muito para a consolidação e a requalificação desta área de Lisboa, para além do ensino e da investigação científica, ao fazer acorrer diariamente a esta zona da cidade várias centenas de cidadãos, entre estudantes, professores, investigadores e frequentadores de actividades científicas e culturais da Universidade.

No ano de 2013, a partir do Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro, operou-se a fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, ficando ambas as Universidades novamente unidas sob o nome de Universidade de Lisboa.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cruz do Tabuado à Rua da Escola de Medicina Veterinária

O Instituto de Agronomia e Veterinária em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A antiga Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado passou pelo edital municipal de 10 de junho 1884 a ser a Rua do Instituto Agrícola dada a proximidade a esta escola. Após a implantação da República, por edital de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo alterado para Rua da Escola de Medicina Veterinária, correspondendo assim também à mudança do nome do estabelecimento de ensino, e é esse hoje que ainda encontramos na artéria que liga a Rua de Dona Estefânia à  Praça José Fontana.

No séc. XIX,  no lugar da Cruz do Taboado, foi inaugurado oficialmente em 16 de dezembro de 1852 o Instituto Agrícola, que a partir  1855 integrou a Escola de Veterinária, e em 1884 ficou na toponímia lisboeta como Rua do Instituto Agrícola.

O ensino da medicina veterinária nasceu por decreto de 1830, do então rei D. Miguel, instalando-se a  Escola Militar Veterinária nos arrabaldes de Lisboa, no sítio da Luz, paredes meias com o Colégio Militar, sendo em 1833 transferida para o edifício do Convento dos Padres Brunos na Rua do Salitre e ganhando em 1836 o nome de Escola Nacional e Real de Economia Rural Veterinária. Nela se formaram médicos veterinários  como Ferreira Lapa,  Bernardo Lima, de José Maria dos Santos e Gualdino Gagliardini, entre outros. Depois, em 1864, deu-se a fusão do Instituto Agrícola de Lisboa com a Real Escola Veterinária Militar da Rua do Salitre sob a denominação global de  Instituto Geral de Agricultura que em 1886 mudará para Instituto de Agronomia e Veterinária.

Após a implantação da República, em dezembro de 1910 o Instituto de Agronomia e Veterinária passou a ser duas escolas – o Instituto de Agronomia e a Escola de Medicina Veterinária -, tendo em 1911 passado à toponímia como Rua da Escola de Medicina Veterinária para substituir a Rua do Instituto Agrícola.

Em 1930 tanto a Escola Superior de Medicina Veterinária como o Instituto Superior de Agronomia foram duas das 4 escolas fundadoras da Universidade Técnica de Lisboa, com o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e o Instituto Superior Técnico. Em 1 de agosto de 1989 passou a denominar-se Faculdade de Medicina Veterinária e na década seguinte passou a estar instalada no pólo universitário do Alto da Ajuda, ficando na memória toponímica de Lisboa a recordação das suas antigas instalações. O antigo edifício da escola na Rua da Escola de Medicina Veterinária começou a ser demolido em 2011 para dar lugar ao novo complexo da Polícia Judiciária, inaugurado em 2014.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da Escola do Exército

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1882, pelo Edital municipal de 26 de julho, a Rua da Escola do Exército foi o topónimo que veio tomar o lugar da Rua do Marquês de Pombal,  por referência à escola que desde 1850 estava instalada no Palácio da Bemposta, também conhecido como Paço da Rainha, cujas instalações também davam acesso a este arruamento.

Menos de dois meses antes, a deliberação de Câmara de 6 de maio de 1882, data do centenário de falecimento do Marquês de Pombal determinara o nascimento da Praça Marquês de Pombal no topo da Avenida da Liberdade e não faria sentido manter dois topónimos a homenagear a mesma personalidade na cidade de Lisboa. Em 1884, a Rua da Escola do Exército cresceu de tamanho ao receber ainda o sítio do Cabeço de Bola através do Edital municipal de 10 de junho desse ano e assim, nos dias de hoje este arruamento liga o Paço da Rainha à Rua Jacinta Marto.

No decorrer dos séculos, a Escola do Exército também foi mudando de nome e de local, desde que era a Academia Real de Fortificação até hoje ser a Academia Militar. Em 2 de janeiro de 1790 D. Maria I criou  a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho para formar preferencialmente oficiais engenheiros militares, mas também oficiais de outras armas do Exército, tendo sido primeiro instalada no Arsenal Real do Exército (hoje, Museu Militar), de onde transitou para o Palácio da Regência (hoje, neste espaço está o Teatro Nacional D. Maria II), para o Palácio dos Sousa Calhariz  (no final do séc. XVIII e nos primeiros anos do séc. XIX) e depois para o espaço do antigo Colégio Jesuíta da Cotovia, em conjunto com o Real Colégio dos Nobres e a Academia Real da Marinha.

Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, futuro marquês de Sá da Bandeira, reorganizou a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho em 1837 o que passou também por passar a ostentar a nova nomenclatura de Escola do Exército e até 1843 continuou a partilhar o mesmo espaço com a Escola Politécnica, onde o incêndio desse ano encaminhou a Escola do Exército para uma casa do Pátio do Pimenta,  para logo depois no ano seguinte mudar para o Palácio dos Condes de Murça em Santos-O-Velho até D. Maria II  instalar a Escola no Palácio da Bemposta ou Paço da Rainha. Com a implantação da República, o primeiro edital de toponímia, de 5 de novembro de 1910, até mudou o topónimo do local – Paço da Rainha – para Largo da Escola do Exército e o Decreto de 25 de maio de 1911 renomeou a instituição como Escola de Guerra, passando a ser um estabelecimento de ensino exclusivamente militar. Com a reorganização do Exército de 1937 voltou à denominação de Escola do Exército. por  disposição do Ministério da Guerra de 26 de julho de 1938, assim se mantendo até em 1959 (Decreto-lei de 12/02/1959) ganhar a designação de Academia Militar que  até hoje continua, destinada à formação dos oficiais do Exército Português e da Guarda Nacional Republicana.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cotovia à Rua da Escola Politécnica de 1859

A Rua da Escola Politécnica num postal de 1906

Rua da Escola Politécnica é o topónimo que consagra o estabelecimento de ensino superior que naquele arruamento foi fundada em 1837- a Escola Politécnica – , nas instalações que haviam sido do Colégio dos Nobres (1766) e ainda antes, do Noviciado da Companhia de Jesus (1619) na Cotovia.

A Rua da Escola Politécnica, que une a Praça do Príncipe Real ao Largo do Rato, nasceu do Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859 que determinou que a Rua da Patriarcal Queimada e a Rua Direita da Fábrica das Sedas passassem a constituir um único arruamento com a denominação de Rua da Escola Politécnica.

Conta Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «Esta artéria, rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava – já o disse – onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [ desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real ] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica».  Em resumo, a Rua Direita da Cotovia passou a ser Rua do Colégio dos Nobres que mais tarde se torna Rua da Patriarcal Queimada e depois, 22 anos após a abertura da Escola Politécnica, se une com a Rua Direita da Fábrica das Sedas para dar lugar à Rua da Escola Politécnica.

A Casa do Noviciado da Cotovia, foi construída pelo arquiteto Baltazar Álvares na Quinta do Monte Olivete e estando concluída em 1616, começou três anos depois a ser o centro de formação dos  Jesuítas, até à sua expulsão de Portugal em 1759. Depois de expulsar os Jesuítas, o Marquês de Pombal aproveitou o colégio deles para instalar, a partir de 7 de março de 1761, o Real Colégio dos Nobres, remodelado por Carlos Mardel, para ministrar uma formação inicial a jovens aristocratas, no quadro do Iluminismo.

Foi o Colégio dos Nobres extinto em 4 de janeiro de 1837 para dar lugar, pela publicação do Decreto de 11 de janeiro de 1837 à  Escola Polytechnica de Lisboa , concebida para ministrar um ensino preparatório científico aos candidatos a oficiais do Exército e da Marinha, que seria completado nas escolas especializadas – Escola do Exército e Escola Naval – copiando o modelo da Escola Politécnica de Paris. Os cursos ministrados eram um curso geral, um curso preparatório para oficiais de artilharia, outro para oficiais de marinha e outro para oficiais de infantaria e cavalaria, um curso preparatório para oficiais de estado-maior e de engenharia militar para engenheiros civis bem como um curso preparatório para engenheiros construtores navais. Entretanto, o antigo edifício ficou totalmente destruído em virtude de um incêndio ocorrido em  22 de abril de 1843, pelo que a partir de 1857 foram sendo construídas novas instalações que já só virão a albergar a Escola Politécnica uma vez que a Escola do Exército havia sido deslocada em 1850 para o Palácio da Bemposta.

A partir de 19 de abril 1911, na sequência da criação da Universidade de Lisboa, passou a ser a Faculdade de Ciências que 74 anos depois, em 1985, se mudou para novas instalações na Cidade Universitária de Lisboa, no Campo Grande. Nas instalações da Rua da Escola Politécnica passou então a funcionar o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), onde se integra o Jardim Botânico (nascido em 1878), classificado como Monumento Nacional desde 2010, e que inclui o Observatório Astronómico da Escola Politécnica, o Edifício dos Herbários, as Estufas e o Palmário.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Escolas Gerais: a universidade no Pátio dos Quintalinhos

O entroncamento da Calçada de São Vicente com as Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Sob o nome de Escolas Gerais, a Universidade de Lisboa funcionou no Pátio dos Quintalinhos, no Paço do Infante Dom Henrique, antes de ser transferida para Coimbra em 1537, tendo gerado no local os topónimos Escolas Gerais, Rua das Escolas Gerais e Escadinhas das Escolas Gerais.

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, na sua Lisboa de Lés a Lés explica que «Como decerto o leitor já viu, ao Bairro dos Escolares chamaríamos hoje Bairro Universitário, e as Escolas Gerais ou o Estudo Geral são a Universidade transferida definitivamente para Coimbra em tempo de El-Rei D. João III (1537). Também com certeza sabe o leitor que na Lisboa de hoje existem duas serventias públicas com nomes determinados pelo Estudo fundado por El-Rei D. Dinis: as Escolas Gerais, artéria inclassificada que pertenceu às antigas freguesias de Santa Marinha e de S. Vicente [hoje sob administração das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente], que a compartilhavam, e a Rua das Escolas Gerais que pertenceu à antiga freguesia de S. Tomé, e durante algum tempo, pelo menos, também à do Salvador [hoje também na administração das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente].»

A primeira universidade portuguesa foi estabelecida em Lisboa, entre 1288 e 1290, tendo D. Dinis promulgado a carta Scientiae thesaurus mirabili em que conferia vários privilégios aos estudantes do Estudo Geral de Lisboa. Localizar-se-ia então no Campo da Pedreira, uma zona no arrabalde ocidental da cidade, no espaço que hoje conhecemos entre a Rua Garrett e o Convento da Trindade. No século seguinte a Universidade foi transferida várias vezes de Lisboa para Coimbra e vice-versa. Em 1377 regressou por um longo período a Lisboa e em 1431, o Infante Dom Henrique concedeu-lhe várias casas no Pátio dos Quintalinhos, hoje com entrada pelo nº 3 da Rua das Escolas Gerais.

As Escadinhas das Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Foto: Ana Luísa Alvim| CML)

O topónimo primitivo do local será Escolas Gerais, arruamento que hoje une a Rua das Escolas Gerais à Calçada de São Vicente. Dele derivou o arruamento central do sítio, a Rua Direita das Escolas Gerais como aparece mencionada no Atlas de Lisboa de Filipe Folque em 1858 e que denominamos como Rua das Escolas Gerais, pelo menos desde que o Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859 incorporou a Rua de Marco Salgado na referida como Rua das Escolas Gerais. Esta última teve vários alargamentos a partir de uma proposta do vereador Joaquim José Alves, desde que em 1879 foi expropriada uma parte do terreno do Convento do Salvador para o seu alargamento, a que seguiram mais em 1881 e 1886.

As Escadinhas construídas para ligar a Rua Guilherme Braga à Rua das Escolas Gerais, dada a proximidade, tomaram também a denominação de Escadinhas das Escolas Gerais, e são pertença também das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente, sendo o último topónimo gerado pela Universidade medieval naquele local.

Mencione-se ainda que Escolas Gerais foi também o topónimo da freguesia local até 1959, quando o Decreto-Lei n.º 42142, de 7 de fevereiro de 1959, remodelou as freguesias da Conceição e das Escolas Gerais: a Conceição ou Conceição Nova viu o seu território repartido pelas freguesias da Baixa de Lisboa, como Madalena, Mártires e São Nicolau e a freguesia das Escolas Gerais passou a designar-se São Vicente de Fora.

Os 3 topónimos com Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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