O Largo da Cantina Escolar de São Miguel

O Largo da Cantinar Escolar (Foto: Artur Pastor, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo da Cantina Escolar
(Foto: Artur Pastor, data anterior a 1963, Arquivo Municipal de Lisboa)

De 27 de outubro de 1916 até 25 de janeiro de 1963 existiu em Alfama o Largo da Cantina Escolar, em homenagem à Cantina Escolar de São Miguel, ali fundada em 1909, no nº 10.

Pela ata da reunião de câmara de 26 de outubro de 1916 sabemos que este topónimo resultou de um pedido da «junta de paroquia de S. Miguel, de 25 do corrente mês» solicitando que o Beco de Alegrete se denominasse Largo da Cantina Escolar e que o vereador Manuel Joaquim dos Santos propôs que fosse deferido. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Levy Marques da Costa, manifestou a sua aprovação desde que o letreiro toponímico tivesse na última linha «antigo beco do Alegrete» e assim foi aprovada por unanimidade de todos os vereadores.

Mas este Beco do Alegrete e depois Largo da Cantina Escolar, em Alfama, acabou por em 1963 engrossar o caudal de topónimos dedicados a São Miguel na zona, passando por  Edital municipal de 25 de janeiro a denominar-se como Escadinhas de São Miguel. Já ali existia a Rua de São Miguel, uma típica rua Direita medieval. Em 1894, por obra do Edital Municipal de 9 de julho  somaram-se o Beco e a Travessa de São Miguel, sendo o primeiro para substituir a denominação de Beco dos Mortos e a Travessa para não se repetir Beco de São Miguel.

Planta municipal de Lisboa de 1950, vendo-se por baixo, a castanho, os nomes de hoje

Planta municipal de Lisboa de 1950, vendo-se por baixo, a castanho, os nomes de hoje

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O Largo da Academia Nacional de Belas Artes

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo da Academia Nacional de Belas Artes era em 1975 o Largo da Biblioteca Pública, morada da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa onde Luís Dourdil então expôs pintura e desenho, naquela que foi a sua 1ª exposição de cariz retrospetivo. Dourdil voltou a expôr lá obra sua numa mostra coletiva em 1988.

O topónimo Largo da Academia Nacional de Belas Artes foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, por Edital de 6 de abril de 1982 , ao antigo Largo da Biblioteca Pública, por via de um pedido formulado pela própria Academia Nacional de Belas Artes, argumentando ter a sua sede naquele local e porque a Biblioteca Pública (Biblioteca Nacional) que   desde 1837 ocupava o Convento de São Francisco e assim dava nome ao largo, havia sido transferida na década de 70 do séc. XX para o Campo Grande.

A Academia de Belas Artes começou a funcionar desde 1837 nos dois pavimentos inferiores do antigo convento de São Francisco da Cidade, após a criação por decreto da rainha D. Maria II, em  outubro de 1836 e, por iniciativa de Passos Manuel, que foi quem fez referendar os três decretos relativos à Academia: o primeiro para criar a Academia; o segundo, para a instalar no   convento de São Francisco da Cidade e, com uma biblioteca de Belas Artes; e o último, para nomear  as pessoas constantes duma relação que acompanhava o mesmo decreto para os diversos empregos da Academia.

No reinado D. Luís, a Academia de Belas Artes passou a ser designada por Academia Real de Belas-Artes (decreto de 22 de março de 1862) e, em 1881, houve uma reforma no ensino artístico, dando-se a separação entre a Escola de Belas Artes de Lisboa, com fins didáticos, e a Academia Real de Belas Artes, com fins culturais.

O Governo Provisório da República extinguiu-a em 1911, sucedendo-lhe a 29 de maio de 1911 o Conselho de Arte e Arqueologia.  Foi restaurada pelo decreto n.º 20 977 em 1932, com o nome de Academia Nacional de Belas Artes, por iniciativa do então ministro da Instrução Pública.

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

A Rotunda Pupilos do Exército

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Câmara Municipal de Lisboa associou-se ao centenário do Instituto dos Pupilos do Exército quando este se comemorou em 2011 dando corpo a um desejo formulado pela Associação dos Pupilos do Exército para homenagear a instituição através da atribuição do seu nome a uma rotunda próxima das suas instalações que assim passou a denominar-se Rotunda Pupilos do Exército.

O Instituto Militar dos Pupilos do Exército, foi fundado em 1911, pelo Decreto-Lei de 25 de maio, por iniciativa do General António Xavier Correia Barreto, ao tempo Ministro da Guerra, com o nome de Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar e a divisa «Querer é Poder».

Ao longo da sua existência esta escola ministrou cursos em vários níveis de ensino, sendo os seus alunos conhecidos por «Pilões». Assim granjeou várias condecorações como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública (1953), da Ordem Militar de Cristo (1957), da Ordem Militar de Santiago da Espada (1981), da Ordem Militar de Avis (1988), da Ordem do Infante D. Henrique (2011) e a Medalha Grau Ouro de Serviços Distintos (1996), bem como as brasileiras Medalha Marechal Trompowsky (2012) e Medalha Comemorativa do Centenário do Colégio Militar de Porto Alegre (2013).

Freguesia de São Domingos de Benfica - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica

A Alameda da Universidade

A Alameda da Universidade nascida por Edital de 31 de março de 1970 na Alameda principal da Cidade Universitária, entre o Campo Grande e o edifício da Reitoria, espelha na toponímia  de Lisboa a criação do campus da Universidade ou Cidade Universitária desta cidade, que ocorrera na década anterior e terminara com a construção da emblemática Reitoria.

A toponímia circundante procurou também guardar a memória de professores universitários e investigadores. Na década de 60 do séc. XX, em que se erguia o campus da Universidade de Lisboa foram atribuídas a Avenida Professor Egas Moniz (avenida A da Cidade Universitária), a Avenida Professor Gama Pinto ( avenida F da Cidade Universitária) e a  Avenida Professor Aníbal de Bettencourt (avenida J da Cidade Universitária).  A partir de 2001, foram acrescentadas a Rua Prof. António Flores (arruamento que liga a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt à Alameda da Universidade), a Rua Profª Teresa Ambrósio (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Faculdade de Farmácia e a Faculdade de Medicina Dentária), a Rua Branca Edmée Marques (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt e a Avenida Professor Gama Pinto), a Rua António Aniceto Monteiro (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Rua Prof. António Flores e a Rua Interior entre a Faculdade de Medicina Dentária e a Faculdade de Farmácia), a Rua Paul Choffat (rua Interior da Alameda da Universidade com início na rua Interior da Alameda de Universidade entre a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt e a Avenida Professor Gama Pinto) e, a Rua Prof. Oliveira Marques (arruamento Transversal à Alameda da Universidade).

Em Lisboa nasceu a primeira Universidade portuguesa, em 1288, que foi transferida para Coimbra em 1537. A partir do final do século XVIII, os estudos superiores foram restabelecidos na capital, através de Cursos, Escolas e Institutos que, em 1911 ( Faculdade de Letras, Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências, Escola de Farmácia) e, em 1930 (Faculdade de Direito), se congregaram na Universidade de Lisboa e na Universidade Técnica de Lisboa. Em 1980, juntou-se a recém criada Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Em 2013, operou-se a fusão da Universidade de Lisboa e na Universidade Técnica de Lisboa sob o nome de Universidade de Lisboa (Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro).

Inaugurado em 1953, o Hospital de Santa Maria integrou também a Faculdade de Medicina e, em 1960 foi estabelecida legalmente a Cidade Universitária – que hoje está limitada pela Faculdade de Ciências e Museu da Cidade, pela Avenida das Forças Armadas, pelo Campo Grande e, pela Avenida dos Combatentes -, para no ano seguinte, abrir o edifício da Reitoria, da autoria de Porfírio Pardal Monteiro, tal como os edifícios monumentais das Faculdades de Letras e de  Direito, com as fachadas decoradas com desenhos de Almada Negreiros. Na Reitoria, o interior da Aula Magna foi desenhado por Daciano Costa e contou ainda com painéis em mosaico de António Lino Pedras, vitrais de Lino António e a guarda da grande escadaria de  José Farinha.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

60º aniversário da Escola de Educação Popular de Campolide

Placa Tipo II

Placa Tipo II

Neste ano em que a Escola de Educação Popular completa o seu 60º aniversário recordamos que tem uma artéria com o seu nome no Bairro do Alto da Serafina, na Freguesia onde está implantada, desde a publicação do Edital municipal de 14/12/1990.

A Escola de Educação Popular  foi fundada em 1953, pelo Padre Domingos Maurício dos Santos, que também foi homenageado com o seu nome num arruamento e, está instalada na Rua da Capela.

Já a Rua da Escola de Educação Popular tem um percurso toponímico mais sinuoso. Quando o edital municipal de 15/03/1950 atribuiu nomenclatura às artérias do Bairro Alto da Serafina esta foi a Rua 1 , cabendo às restantes outros números já que nessa época os bairros sociais recebiam uma diferenciação toponímica cabendo-lhes denominações numéricas. Depois, por edital de 28/12/1989, este arruamento passou a denominar-se Rua das Costureiras, tendo as restantes artérias do Bairro também as suas denominações alteradas o que provocou continuados protestos da população do bairro e levou a CML a atribuir novas denominações no ano seguinte, através da deliberação camarária de 05/12/1990 e do seu edital de 14/12/1990, a partir de uma proposta da Junta de Freguesia de Campolide e da Comissão de Moradores do Bairro, que presta homenagem a personalidades envolvidas na construção do Aqueduto das Águas Livres bem como a figuras e instituições com uma forte ligação a este Bairro, como é o caso da Escola de Educação Popular que assim foi perpetuada numa rua.

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide

Um Vintém pela Escola Laica numa Travessa e num Beco

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Placa Tipo II – Freguesia de Benfica

No âmbito da ideia republicana de substituir topónimos religiosos por topónimos laicos, a Travessa do Espírito Santo, atribuída por deliberação camarária de 29 de Março de 1900 ao arruamento que ia do Largo do Espírito Santo (hoje Largo Ernesto da Silva) até à Rua Direita, passou por edital municipal de 14 de Outubro de 1915 a designar-se por Travessa do Vintém das Escolas. Também o Beco que nasce nesta Travessa e cuja data de atribuição se desconhece tomou o mesmo nome.

Vintém das Escolas é o nome de uma associação que no Porto se constituiu em 1901, para recolher por todo o país contribuições individuais de um vintém (20 réis) e assim, reunir fundos destinados à instrução e educação das classes menos privilegiadas, oferecendo escolas gratuitas, bolsas escolares e, refeições em cantinas e creches. A Comissão diretora central era constituída por Francisco Gomes da Silva (presidente), Filipe da Mata (vice-presidente) e Heliodoro Salgado, entre outros.

Estes princípios estavam de acordo com o pensamento republicano que pugnava pela laicização do ensino e até a Maçonaria reclamou a sua participação neste movimento benemérito.

A primeira missão do Vintém das Escolas foi fundada em Lisboa, por Feio Terenas e incluiu, a partir de 1 de Julho de 1902, um periódico com o mesmo nome (1902 – 1905) e a frase «Beneficência, Instrução, Educação Cívica» estampada no cabeçalho, sendo o produto da sua venda – um vintém por exemplar – destinando ao fundo de «Propaganda do Ensino Liceal». O Editor do jornal era João Augusto de Oliveira Marques e as palavras de ordem do jornal e do instituto eram “Moralizemos, educando; formemos os cidadãos livres, instruindo. Instrução! Liberdade! Progresso!”, contando com as colaborações de Ana de Castro Osório, Borges Grainha e Bernardino Machado, entre muitos. O próprio Feio Terenas defendeu nele a educação cívica clamando que “o fim da instrução cívica não é somente levar ao espírito dos alunos um certo número de conhecimentos positivos. O que principalmente convém nos domínios de tão útil instrução, é dispor-lhe a alma para amarmos a liberdade, a pátria e respeitar a lei” e, logo no Editorial do nº 1º delineou as ideias que prosseguiam: “Escola contra Escola. Ao ensino congregacionista desejamos opor o ensino secular, à educação clerical a educação cívica. Não somos contra a religião; somos contra o clericalismo que, alterando a doutrina de Jesus, perturba a harmonia social […] Serão bem-vindos todos quantos queriam auxiliar-nos neste nosso trabalho de abnegação e civismo que sujeitamos a esta simples fórmula geral: – “instrução rigorosamente gratuita, puramente laical”.

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Placa Tipo II – Freguesia de Benfica