Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia no Muro’19

O compositor basco Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia vão partilhar o espaço do Muro’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, desta feita com a inspiração da música que a toponímia local evoca –  com a Alameda da Música, as fadistas Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia ou nomes da  música clássica como Arminda Correia ou Tomás del Negro-, fazendo a ligação da arte urbana a sonoridades, na vontade expressa da Galeria de Arte Urbana de Lisboa|GAU de apostar na divulgação de abordagens artísticas experimentais e inovadoras.

Criada em 1996, a Associação Sons da Lusofonia partiu do saxofonista português Carlos Martins e da sua experiência musical, com o intuito de juntar artistas de diversas origens- em especial, africanos, brasileiros e portugueses – em vários agrupamentos dos quais se destaca a Orquestra Sons da Lusofonia. A Associação procura ainda aliar a intervenção social e a educação global à música, assim como à relação entre comunidades, pessoas e artes,  numa ampla área de intervenção de  Criação de Projetos Culturais, Festivais, Cooperação cultural e técnica, Educação Global através da música, Criação e produção de suportes de comunicação, Investigação em Etnomusicologia e Promoção de espetáculos.

A Associação Sons da Lusofonia tem marcado o seu percurso através de cruzamentos interdisciplinares e pessoas de diferentes geoculturalidades e neste âmbito produz anualmente a Festa do Jazz, a OPA- Oficina Portátil de Artes, a Lisboa Mistura, assim como desenvolveu o Portugal em Jazz, para além de editar discos e livros. Em 2007, realizou ainda para televisão o programa Lisboa Mistura TV, da autoria de Carlos Martins.

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Shegundo Ramón Galarza Arace (Espanha – Guipuzcoa/07.09.1924 – 04.01.2003/Lisboa), maestro e compositor de origem basca, filho único de um comerciante, começou a residir em Lisboa a partir de 1948 e em mais de 50 anos de carreira deixou uma marca de qualidade na música ligeira portuguesa que justificam a sua presença desde a publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003 como topónimo no núcleo dedicado à toponímia musical, no arruamento formado pela junção da Rua B com a  Rua 7.1 do Alto do Lumiar, pelo que hoje une a Avenida Álvaro Cunhal  à Rua Ferrer Trindade.

Com a sua orquestra de violinos, Shegundo Galarza esteve presente na televisão portuguesa desde o seu começo e celebrizou o restaurante Mónaco, de que era coproprietário com o empresário galego Manuel Outerelo Costa.

Shegundo Galarza concluiu o conservatório de Bilbau,  ganhou um prémio de piano e aos 18 anos começou a percorrer a Europa em concertos. Chegou a Portugal com 24 anos de idade e a partir de 25 de novembro de 1948 passou a atuar diariamente no Casino Estoril, situação que manteve até maio de 1950. Na década de cinquenta também tocou em diversos restaurantes portugueses, nos de Luanda e da então Lourenço Marques (hoje Maputo), bem como de Joanesburgo (1952 -1954), até se estabelecer  junto à Marginal, no Restaurante Mónaco (de novembro de 1956 a 1974), local que introduziu o jantar dançante em Portugal.

Em paralelo, Shegundo Galarza integrou prestigiadas orquestras ligeiras portuguesas e teve a sua, para além de um conjunto em nome próprio. Por via do maestro José Atalaya, logo em 1956 foi convidado pela RTP a protagonizar um programa semanal, com a sua orquestra de violinos, que atingiu 100 emissões. Ao longo da sua carreira colaborou com a RTP quer em programas de música quer em arranjos musicais de várias longas metragens e de centenas de documentários.

Gravou os seus três primeiros discos para a editora Melodia (1951) com temas de Frederico Valério e seus; mais seis para a editora Decca  (1952 -1954) e assinou a gravação de quatro com a editora Estoril, para além de ter gravado  Fado Rossio para a Fonomat, de Lisboa,  em 1959. Como solista ou com a sua orquestra de violinos, gravou cerca de 50 discos em Portugal e Espanha, para editoras como a Alvorada, BelterEstoril, Marfer, Orfeu, RCA, Roda e Voz do Dono. Em 1996, Shegundo Galarza gravou um disco em que interpretava, ao piano, temas como Lisboa AntigaMadeiraAçoresMoçambique, Aldeia da Roupa Branca e em 2001 editou Sorrisos do Tempo.

Como orquestrador,  Shegundo Galarza trabalhou para o Festival Eurovisão da Canção ou da OTI – tendo dirigido a orquestra da Eurovisão para Playback de Carlos Paião (1981) – e trabalhado com outros inúmeros artistas como AmáliaCândida Branca FlorManuel João Vieira, Frei Hermano da Câmara, Herman José, Jorge Fontes, José Cid, Lara Li, Madalena Iglésias, Marco Paulo, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende, Max, Natália de Andrade, Paulo de Carvalho, Quim Barreiros, TonichaTony de Matos ou Tozé Brito.

Na sua vida pessoal, foi pai da enfermeira Teresa Galarza (1952) e do também músico Ramón Galarza (1957).

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Chapitô e Belo Marques no MURO’19

O Chapitô e o compositor Belo Marques, pioneiros na formação de jovens, quer nas artes circenses quer em artistas de música ligeira, vão partilhar o espaço do MURO’19 que nesta edição de 23 a 26 de maio junta à vertente da arte urbana a sonoridade da música inspirada pela toponímia do local, com os artistas do primeiro animando o local do Festival de Arte Urbana e o segundo aí presente na Rua Belo Marques desde a publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003.

O Chapitô – Coletividade Cultural e Recreativa de Santa Catarina, é uma casa de cultura e espetáculo sediada na Costa do Castelo, com especial relevância nas Artes Circenses, embora articule quatro áreas: Cultura, Formação, Ação Social e Economia Social. Constituída em 1981, a Coletividade Cultural e Recreativa de Santa Catarina é a entidade de suporte do Chapitô, desde a criação da primeira Escola de Circo – a Escola de Circo Mariano Franco-, ainda no Bairro Alto, através de acordo com a Santa Casa da Misericórdia, em que durante quatro anos realizou trabalhos de animação com jovens e idosos do Bairro ao mesmo tempo que foi o embrião da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo (EPAOE). Desde 1986, ao abrigo de um protocolo com o Ministério da Justiça, o Chapitô instalou-se na Costa do Castelo, onde a partir do ano letivo de 1987/1988 arrancou o  inovador Curso de Expressão Circense que formou a primeira geração de jovens artistas de cariz circense para o mercado de trabalho.

O compositor Belo Marques, muito recordado pela canção Alcobaçacom letra de Silva Tavares, criação de Cidália Meireles e interpretação de Maria de Lourdes Resende -, desde a publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003 que é o topónimo da Rua C da Malha 3 do Alto do Lumiar, artéria que hoje liga a Rua General Vasco Gonçalves à Avenida Carlos Paredes, e assim integra o Bairro da Música criado no local pela edilidade lisboeta desde então.

De seu nome completo José Ramos Belo Costa Marques du Boutac (Leiria/25.01.1898 – 27.03.1987/Sobral de Monte Agraço), distinguiu-se como compositor, orquestrador e figura relevante da Emissora Nacional, onde criou o Centro de Preparação de Artistas. Escreveu mais de 700 canções onde enalteceu cenários portugueses como o Vale do Vouga, o Alcoa, Leiria ou Alcobaça. Também dedicou a Lisboa  inúmeros temas como Campanários de Lisboa, Miradouros de Lisboa, Lisboa Nova ou O Gaiato de Lisboa.

Como violoncelista, teve a sua primeira contratação aos 16 anos, para o Casino Mondego (na Figueira da Foz) e quatro anos depois, tornou-se músico profissional e foi tocar em paquetes que se dirigiam à América do Sul, percorrendo vários países da Europa e da América, até regressar em 1924 para cumprir o serviço militar. Dois anos mais tarde fundou e dirigiu o Orfeão Scalabitano e três anos depois foi para os Açores e Madeira tendo dirigido no Funchal uma orquestra privativa de 35 elementos. Em seguida, integrou as orquestras de Pedro Blanch e David de Sousa, tal como a do Casino Estoril (1932 a 1935).

A partir de 1935 entrou na Emissora Nacional, na Rua do Quelhas. Até 1938 foi violoncelista da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida por Pedro de Freitas Branco. Nesta Rádio criou a Orquestra Típica Portuguesa, a Orquestra de Salão e os Quarteto e Sexteto de Música Clássica. Partiu em 1938, para ser o Diretor do Rádio Clube de Moçambique, onde fundou um Coro Feminino e as Orquestras Típica e de Salão. Nos anos em que lá permaneceu também foi pesquisando e fazendo uma recolha de Folclore indígena da região de Tonga e Machangane, que divulgará em 1953 na sua obra Música Negra e da qual já em 1943 publicara Estudos do Folclore Tonga, editado pela Agência Geral das Colónias, bem como compusera a fantasia sinfónica para coro e orquestra, em seis andamentos, Fantasia Negra, estreada em 19 de outubro de 1944 no Teatro São Carlos, executada pela Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Com elementos da Orquestra Típica Portuguesa da Emissora também  fundou a sua própria orquestra que até 1960 teria trabalho constante e inúmeras gravações.

Regressou à Rua do Quelhas em 1941, empenhado em dedicar-se à canção ligeira. Criou  a Orquestra de Variedades, ao mesmo tempo que dirigiu  a Orquestra de Salão em parceria com René Bohet (entre 1942 e 1945) e depois como titular (1948 a 1954), assim como o Coro Feminino da Emissora. Foi também Belo Marques que criou na Emissora Nacional o Centro de Preparação de Artistas, para o lançamento de novas estrelas da rádio, de que foram exemplo Francisco José, Júlia Barroso, Madalena Iglésias, Simone de Oliveira ou Tony de Matos. Em 1956 também ajudou a criar a Orquestra Típica e Coral de Alcobaça. No ano de 1958, desempenhava o papel de consultor de programas na Emissora Nacional mas foi despedido por ter apoiado a candidatura do General Humberto Delgado.

Belo Marques compôs ainda marchas populares e trabalhou para teatro de revista, bem como para o cinema, áreas em que assinou cerca de 70 canções, onde se destaca a canção Minha aldeia, em parceria com Silva Tavares para a revista Rosmaninho, a banda sonora do filme Rosa do Adro (1938) de Chianca de Garcia e a popular Desgarrada da versão radiofónica de As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis.

Foi  regente honoris causa da Escola de Música do Conservatório Nacional; 1º prémio do Festival Internacional Latino (1938); 2º prémio do Concurso Internacional da Canção Latina (1955), assim como homenageado por Raúl Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia no 1º programa de E o Resto São Cantigas (1981).

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A Travessa da Escola Araújo

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Travessa da Escola Araújo, na Freguesia de Arroios, foi um topónimo solicitado à edilidade lisboeta pelo dono de umas propriedades nessa artéria e desconhece-se que Escola seria essa cujo mentor teria Araújo como apelido.

Um requerimento de «Raymundo da Silva Leal, dono d’umas propriedades situadas na via publica, que dá serventia para a Quinta do Pinheiro, no bairro Estephania, freguezia de S. Jorge» solicitou a denominação Travessa da Escola Araújo para poder ser atribuída numeração às suas propriedades, o que teve o parecer favorável da repartição de polícia municipal e a câmara deliberou nesse sentido na sua reunião de 10 de janeiro de 1894, tendo no dia 26 do mesmo mês, sido publicado o Edital que identificava a «2ª à direita na Rua de Dona Estefânia, vindo do lado sul e que partindo desta rua vai terminar no portão da entrada da Quinta do Pinheiro» doravante como Travessa Escola Araújo. O roteiro das ruas de Lisboa de Queirós Veloso, do ano seguinte (1895) refere ainda que o arruamento não tinha saída.

Menos de quarenta anos antes, em 1856, na planta de Filipe Folque o espaço era um conjunto de terrenos e ainda antes, na planta de  1807, de Duarte Fava,  era uma espécie de azinhaga que dava acesso à Rua da Cruz do Tabuado. Recuando ainda mais à planta de Lisboa de 1780, vemos nela apenas um espaço rural.

Como curiosidade, refira-se que o pintor Henrique Medina, talvez o maior pintor retratista do séc. XX,  tinha casa e ateliê nesta artéria,  para atender as personalidades da capital ou outras a quem a cidade de Lisboa fosse mais favorável para deslocação, situação que manteve até ao final da sua vida.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua das Escolas do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua das Escolas, no Bairro da  Encarnação, faz referência à sua proximidade às antigas escolas primárias 113 e 114 (uma para o sexo feminino e outra para o sexo masculino) e foi atribuída a parte da Rua O pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, como os restantes topónimos do Bairro da Encarnação.

Numa época em que o ensino separava as raparigas dos rapazes, as escolas referidas no topónimo são hoje a Escola Básica Paulino Montez e jardim infantil nº 6, assumindo agora como patrono o arquiteto que traçou o Bairro da Encarnação. As escolas originais serão da década de cinquenta do século XX que tiveram obras de beneficiação geral em 1964, conforme o contrato de empreitada n.º 5/64 estabelecido entre a edilidade e António Correia da Silva.

Esta Rua das Escolas, que vai da   Rua do Poço Coberto à Rua da Quinta de Santa Maria, é uma das 12 do Bairro da Encarnação que fugiu à regra de ter toponímia numérica como era uso nos bairros sociais de então, e se pode ver no Edital municipal de 15/03/195o, também para os Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno, com a maioria das ruas a receberem denominações numéricas.

No quinhentista sítio da Panasqueira – cuja memória ainda se mantinha em 1939 numa Azinhaga da Panasqueira – foi inaugurado em 1946 o Bairro da Encarnação, da autoria do arquiteto Paulino Montez, o qual procurou reproduzir neste bairro social um pretenso modelo de aldeia portuguesa, mas em forma de borboleta que poderia ser admirada por vista aérea, sendo a Alameda da Encarnação o eixo principal das duas asas simétricas de borboleta do Bairro-Jardim da Encarnação. O Bairro Económico da Encarnação, foi construído de 1940 a 1943 numa área de cerca de 47 ha, em terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo das Escolas do Bairro das Terras do Forno em Belém

O Largo das Escolas em data entre 1941 e 1945
(Foto: Domingos Alvão, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo das Escolas no Bairro das Terras do Forno, em Belém, nasceu como topónimo do Edital de 15 de março de 1950, que atribuiu toponímia a 6 bairros sociais de Lisboa: o do Alto da Ajuda, o do Alto da Serafina, o da Calçada dos Mestres, o de Caselas, o da Encarnação e o da Terras dos Forno.

O Largo das Escolas foi o único topónimo não numérico atribuído no Bairro das Terras do Forno, ao espaço na confluência das Ruas 1, 2 e 3. A designação de Largo das Escolas, no plural, radica no ensino separado por sexos que era então a norma, sendo estas escolas primárias a masculina e a feminina. O edifício foi construído em 1941 e desde 24 de setembro de 2015 que é um Jardim de Infância da rede pública da autarquia.

O Bairro das Casas Económicas Terras do Forno ou Bairro Económico de Belém, traçado pelo arquiteto Raul Lino a partir de 1933, foi inaugurado em 1938 e era constituído por 204 habitações destinadas a funcionários civis e militares, assim como a sócios dos Sindicatos Nacionais.

Por último, refira-se que o Edital de 15 de março de 1950, atribuiu  denominação sobretudo numérica ao Bairro do Alto da Ajuda, de Caselas e da Encarnação;  exclusivamente numérica ao Bairro do Alto da Serafina, e com apenas um topónimo não numérico ao Bairro da Calçada dos Mestres e ao Bairro das Terras do Forno.

Freguesias de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Instituto Industrial de Fontes Pereira de Melo

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Instituto Industrial, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua da Boavista, é um topónimo resultante de ser a artéria onde nasceu em 1852 o Instituto Industrial de Lisboa, estabelecimento de ensino técnico criado por Fontes Pereira de Melo, por decreto de 30 de dezembro desse ano.

Refira-se ainda que não muito longe podemos encontrar o Largo Vitorino Damásio, topónimo que consagra o engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas que dirigiu em 1852 as obras do Aterro – que viriam a permitir a Avenida 24 de Julho –  e a partir do ano seguinte, desempenhou as funções de Reitor do Instituto Industrial.

Dezassete anos após o seu nascimento, em 1869, o Instituto Industrial de Lisboa sofreu uma fusão com a Escola de Comércio e passou a denominar-se Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, denominação que manteve até 1911, ano em que foi divido em duas instituições: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio (hoje ISEG), tendo em 1930 integrado a criação da Universidade Técnica de Lisboa sob a denominação de Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

A data de fixação deste topónimo será posterior a 1852, provavelmente ainda atribuído pelo Governo Civil de Lisboa. Na documentação municipal descortinamos as primeiras menções à Rua do Instituto Industrial no último quartel do séc. XIX, nomeadamente numa resolução municipal de 28 de dezembro de 1874 sobre redução do arrendamento de prédios na artéria, bem como num requerimento de 16 de fevereiro de 1878 do Director da Companhia Previdente pedindo a prorrogação do prazo para a conclusão da reconstrução do edifício da Fábrica da Companhia neste arruamento, ou ainda na identificação do traçado de uma casa de banhos que Teresa de Jesus Soares pretendia em 1883 construir no prédio com o nº 91 da Rua da Boavista, fazendo esquina para a Rua do Instituto Industrial. Certo também é que a primeira planta em que surge a Rua do Instituto Industrial como topónimo é na de 1876, executada por Francisco Goullard para a Câmara Municipal de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Do Largo do Matadouro público ao Largo da Escola Municipal nº 1

O Largo da Escola Municipal no início do séc. XX
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo da Escola Municipal, na confluência da Rua de São Lázaro, Rua Nova do Desterro e Rua do Saco, consagra desde a publicação do Edital municipal de 8 de agosto de 1889 a Escola Municipal nº 1, ali construída 14 anos antes – em 1875 – no local onde fora o matadouro público que havia dado ao local o nome de Largo do Matadouro.

Sobreposição da planta de Filipe Folque de 1858 com a dos nossos dias para se ver o Largo da Escola Municipal no Largo do Matadouro

Como se pode ver  na planta de Filipe Folque de 1858, o espaço deste Largo da Escola Municipal era o Largo do Matadouro, contíguo ao Matadouro público instalado entre a Rua das Forçureiras [vendedoras de forçuras que eram  os bofes e os intestinos das reses] e o Beco do Saco [hoje Rua do Saco] que não deve ser confundido com o Largo do Matadouro que mais tarde alojou o Matadouro Municipal e hoje conhecemos como Praça José Fontana.

Dois anos depois da abertura da Escola nº 1, um ofício de 25 de junho de 1877, do professor António Simões Lopes, pedia à Câmara providências para um muro com apenas 5 a 6 cm de altura do lado do edifício escolar, pelo perigo dos alunos caírem para o lado da rua. Também oito anos depois, em 5 de agosto de 1883, nasceu encostada a esta Escola Municipal nº 1 a então Biblioteca Municipal de São Lázaro.

O Serviço de Instrução fora criado na Câmara Municipal de Lisboa dois anos antes desta Escola nº 1, em 16 de setembro de 1873, sucedendo ao «Pelouro das escolas municipaes de artes e industria, e Beneficencia» que existia desde 1852. Este Serviço dependia do Pelouro da Instrução que teve como primeiro vereador José Elias Garcia, que desempenhou essas funções em 1873-1875 e 1878-1881, com competências no domínio da instrução primária e das bibliotecas municipais.

Quando da atribuição do Largo da Escola Municipal, em 8 de agosto de 1889, era vereador Augusto José da Cunha que manteve as funções até ao final desse ano. Três anos depois, em 1892, a responsabilidade da instrução primária passou para o Estado e o Pelouro da Instrução municipal foi extinto, ficando apenas uma delegação na 1ª Repartição do Serviço de Fazenda Municipal que durou até setembro de 1913, porque o Decreto de 29 de junho de 1913 procedera à descentralização do ensino primário e a Câmara Municipal de Lisboa voltou a ter responsabilidades na área da instrução primária até 1918, quando o Decreto de 12 de julho transferiu novamente a responsabilidade da instrução primária para o Estado, o que gerou contestação por parte de alguns vereadores.

Em 1919, por proposta do vereador Vladimiro Contreiras, a Instrução passou a inserir-se nos serviços da Secretaria Geral da edilidade, na 2ª Secção da 3ª Repartição (Instrução, Estatística, Bibliotecas e Arquivos), à qual competia as direções das bibliotecas municipais e dos estabelecimentos de instrução pública.  Em 1921, com uma reorganização dos Serviços Municipais, a Instrução passou para a 6ª Repartição dos Serviços Técnicos, de Bibliotecas, Museus, Arquivos e Escolas. Em  1924, o Pelouro passou a denominar-se Pelouro da Instrução e Assistência, responsável pela instrução primária e pela assistência do município, sendo Alexandre Ferreira o vereador, até junho de 1926.

Freguesia dos Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Avenida da Universidade Técnica

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Como nos anos setenta do século passado a Câmara Municipal de Lisboa consagrara a Alameda da Universidade também no dealbar do novo século fixou na toponímia da cidade a Universidade Técnica de Lisboa, através da Avenida da Universidade Técnica, no Pólo Universitário da Ajuda.

A pedido da própria Universidade Técnica a edilidade lisboeta denominou a Rua B do Pólo Universitário da Ajuda como Avenida da Universidade Técnica, através do Edital municipal de 19 de abril de 2004, que também colocou nas restantes Ruas  nomes de professores  ligados à instituição e às faculdades ali instaladas: os veterinários  Ildefonso Borges Rua Joaquim Fiadeiro, o professor de Medicina Social e Antropologia Cultural Almerindo Lessa e ainda, o pintor Sá Nogueira, professor de arquitetos e designers.

Criada em 1930, a Universidade Técnica de Lisboa aglutinou a Escola Superior de Medicina Veterinária (depois, Faculdade de Medicina Veterinária), o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois, Instituto Superior de Economia e Gestão) e o Instituto Superior Técnico. Somaram-se o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1961, o Instituto Nacional de Educação Física em 1976 e a Faculdade de Arquitetura em 1979.

Em 2004, no ano de atribuição do topónimo, a Universidade Técnica de Lisboa integrava a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) e a Faculdade de Arquitectura (FA).

Na década de 90 do século XX, a instalação do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Faculdade de Medicina Veterinária e da Faculdade de Arquitectura, no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, contíguo à Tapada, a Monsanto, ao Casalinho da Ajuda e à envolvente do Palácio da Ajuda, contribuiu em muito para a consolidação e a requalificação desta área de Lisboa, para além do ensino e da investigação científica, ao fazer acorrer diariamente a esta zona da cidade várias centenas de cidadãos, entre estudantes, professores, investigadores e frequentadores de actividades científicas e culturais da Universidade.

No ano de 2013, a partir do Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro, operou-se a fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, ficando ambas as Universidades novamente unidas sob o nome de Universidade de Lisboa.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cruz do Tabuado à Rua da Escola de Medicina Veterinária

O Instituto de Agronomia e Veterinária em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A antiga Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado passou pelo edital municipal de 10 de junho 1884 a ser a Rua do Instituto Agrícola dada a proximidade a esta escola. Após a implantação da República, por edital de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo alterado para Rua da Escola de Medicina Veterinária, correspondendo assim também à mudança do nome do estabelecimento de ensino, e é esse hoje que ainda encontramos na artéria que liga a Rua de Dona Estefânia à  Praça José Fontana.

No séc. XIX,  no lugar da Cruz do Taboado, foi inaugurado oficialmente em 16 de dezembro de 1852 o Instituto Agrícola, que a partir  1855 integrou a Escola de Veterinária, e em 1884 ficou na toponímia lisboeta como Rua do Instituto Agrícola.

O ensino da medicina veterinária nasceu por decreto de 1830, do então rei D. Miguel, instalando-se a  Escola Militar Veterinária nos arrabaldes de Lisboa, no sítio da Luz, paredes meias com o Colégio Militar, sendo em 1833 transferida para o edifício do Convento dos Padres Brunos na Rua do Salitre e ganhando em 1836 o nome de Escola Nacional e Real de Economia Rural Veterinária. Nela se formaram médicos veterinários  como Ferreira Lapa,  Bernardo Lima, de José Maria dos Santos e Gualdino Gagliardini, entre outros. Depois, em 1864, deu-se a fusão do Instituto Agrícola de Lisboa com a Real Escola Veterinária Militar da Rua do Salitre sob a denominação global de  Instituto Geral de Agricultura que em 1886 mudará para Instituto de Agronomia e Veterinária.

Após a implantação da República, em dezembro de 1910 o Instituto de Agronomia e Veterinária passou a ser duas escolas – o Instituto de Agronomia e a Escola de Medicina Veterinária -, tendo em 1911 passado à toponímia como Rua da Escola de Medicina Veterinária para substituir a Rua do Instituto Agrícola.

Em 1930 tanto a Escola Superior de Medicina Veterinária como o Instituto Superior de Agronomia foram duas das 4 escolas fundadoras da Universidade Técnica de Lisboa, com o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e o Instituto Superior Técnico. Em 1 de agosto de 1989 passou a denominar-se Faculdade de Medicina Veterinária e na década seguinte passou a estar instalada no pólo universitário do Alto da Ajuda, ficando na memória toponímica de Lisboa a recordação das suas antigas instalações. O antigo edifício da escola na Rua da Escola de Medicina Veterinária começou a ser demolido em 2011 para dar lugar ao novo complexo da Polícia Judiciária, inaugurado em 2014.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da Escola do Exército

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1882, pelo Edital municipal de 26 de julho, a Rua da Escola do Exército foi o topónimo que veio tomar o lugar da Rua do Marquês de Pombal,  por referência à escola que desde 1850 estava instalada no Palácio da Bemposta, também conhecido como Paço da Rainha, cujas instalações também davam acesso a este arruamento.

Menos de dois meses antes, a deliberação de Câmara de 6 de maio de 1882, data do centenário de falecimento do Marquês de Pombal determinara o nascimento da Praça Marquês de Pombal no topo da Avenida da Liberdade e não faria sentido manter dois topónimos a homenagear a mesma personalidade na cidade de Lisboa. Em 1884, a Rua da Escola do Exército cresceu de tamanho ao receber ainda o sítio do Cabeço de Bola através do Edital municipal de 10 de junho desse ano e assim, nos dias de hoje este arruamento liga o Paço da Rainha à Rua Jacinta Marto.

No decorrer dos séculos, a Escola do Exército também foi mudando de nome e de local, desde que era a Academia Real de Fortificação até hoje ser a Academia Militar. Em 2 de janeiro de 1790 D. Maria I criou  a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho para formar preferencialmente oficiais engenheiros militares, mas também oficiais de outras armas do Exército, tendo sido primeiro instalada no Arsenal Real do Exército (hoje, Museu Militar), de onde transitou para o Palácio da Regência (hoje, neste espaço está o Teatro Nacional D. Maria II), para o Palácio dos Sousa Calhariz  (no final do séc. XVIII e nos primeiros anos do séc. XIX) e depois para o espaço do antigo Colégio Jesuíta da Cotovia, em conjunto com o Real Colégio dos Nobres e a Academia Real da Marinha.

Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, futuro marquês de Sá da Bandeira, reorganizou a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho em 1837 o que passou também por passar a ostentar a nova nomenclatura de Escola do Exército e até 1843 continuou a partilhar o mesmo espaço com a Escola Politécnica, onde o incêndio desse ano encaminhou a Escola do Exército para uma casa do Pátio do Pimenta,  para logo depois no ano seguinte mudar para o Palácio dos Condes de Murça em Santos-O-Velho até D. Maria II  instalar a Escola no Palácio da Bemposta ou Paço da Rainha. Com a implantação da República, o primeiro edital de toponímia, de 5 de novembro de 1910, até mudou o topónimo do local – Paço da Rainha – para Largo da Escola do Exército e o Decreto de 25 de maio de 1911 renomeou a instituição como Escola de Guerra, passando a ser um estabelecimento de ensino exclusivamente militar. Com a reorganização do Exército de 1937 voltou à denominação de Escola do Exército. por  disposição do Ministério da Guerra de 26 de julho de 1938, assim se mantendo até em 1959 (Decreto-lei de 12/02/1959) ganhar a designação de Academia Militar que  até hoje continua, destinada à formação dos oficiais do Exército Português e da Guarda Nacional Republicana.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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