O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Praça do patrono dos animais e do meio ambiente, São Francisco de Assis

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O italiano São Francisco de Assis,  santo patrono dos animais e do meio ambiente, está homenageado numa Praça da Freguesia de Carnide, na confluência da Avenida das Nações Unidas, Rua Padre Américo e Estrada do Paço do Lumiar, desde a publicação do Edital Municipal de 28/02/2000, através do qual a Câmara Municipal de Lisboa respondeu favoravelmente ao pedido formulado pelo Seminário da Luz.

São Francisco de Assis nasceu Giovanni di Pietro Bernardone (Assis/05.07.1182 -03.10.1226/Assis) e distinguiu-se por após uma juventude mundana de extravagâncias se ter alistado na guerra de Assis contra Peruggia, para depois integrar o exército papal, ter tentado ser comerciante como seu pai e ainda, ter sido pedreiro na reconstrução de diversas igrejas, para encontrar como razão da sua vida a fundação da Ordem dos Franciscanos, ou Ordem Terceira, uma ordem mendicante virada para uma vida religiosa de completa pobreza, que se pautava por os seus frades não possuírem nada além do absolutamente indispensável, ganharem o seu sustento diariamente pelo trabalho manual e só quando não conseguissem poderiam pedir esmola. O exemplo dos franciscanos renovou o Catolicismo dessa época, por ao imitarem a vida de Cristo desenvolverem uma profunda identificação com os problemas dos seus semelhantes, a ponto de São Francisco de Assis ser canonizado menos de dois anos após falecer, em 16 de julho de 1228, sendo o santo patrono dos animais e do meio ambiente, com o seu dia assinalado a 4 de outubro.

Freguesia de Carnide – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Em Portugal, os franciscanos estabeleceram-se  por volta de 1217, estando entre os seus primeiros conventos o de Santo Antão dos Olivais, em Coimbra, que após a canonização de Santo António passou a ser Santo António dos Olivais, por ter sido ali que esse santo português vestiu o hábito franciscano.  A população de Lisboa também desde 1217 se tornou devota de São Francisco de Assis, tendo a  presença dos franciscanos nesta cidade sido uma constante. Primeiro, estabeleceram-se no Chiado, onde a Calçada Nova de São Francisco ainda guarda a memória do enorme convento conhecido como Cidade de São Francisco, que se estendia da Rua Capelo ao Largo da Academia Nacional de Belas Artes e da Rua Ivens à Rua Serpa Pinto.  Foi destruído pelo Terramoto de 1755 e os franciscanos refugiram-se na Quinta dos Padres Quentais onde também ficou registado na toponímia o Alto de São Francisco. A partir de 29 de junho de 1940, os franciscanos instalaram-se na propriedade com casa apalaçada, parque e terras de cultivo que lhes foi vendida pelo Sr. Eduardo May de Oliveira, junto ao Largo da Luz, muito próximo da qual está a Praça de São Francisco de Assis.

Refira-se que em 1999, São Francisco de Assis foi eleito pelos leitores de uma revista de relevância internacional – a Times – a pessoa do 2º milénio, como arauto da paz, estratega da tolerância e patrono da ecologia.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

A Rua do Prémio Nobel da Paz Isaac Rabin

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Desde a publicação do Edital municipal de 24 de setembro de 1996 que Isaac Rabin dá nome a uma Rua da Freguesia do Lumiar, no ano seguinte a ter sido assassinado, dois anos após ter sido foi Prémio Nobel da Paz e três anos após ter celebrado um Acordo de Paz com a Palestina.

A atribuição deste topónimo resultou de uma moção de pesar, aprovada por unanimidade pela Câmara lisboeta em 15 de novembro de 1995, tendo a Comissão Municipal de Toponímia  designado para o efeito a Rua C à Alameda Mahatma Gandhi, na Urbanização do Paço do Lumiar e inaugurado oficialmente o arruamento em 14 de março de 1997.

Yitzhak Rabin  (Jerusalém/01.03.1922 – 04.11.1995/Telavive), filho de mãe russa e pai norte-americano, foi o primeiro chefe de governo israelita a ter nascido já no território que se tornaria Israel em 1948. Foi assassinado no decorrer de uma manifestação de paz em Telavive, na Praça dos Reis (hoje Praça Yitzhak Rabin), com 3 tiros nas costas, pelo judeu radical de extrema-direita Yigal Amir que se opunha aos Acordos de Paz celebrados com a Palestina.

Na cronologia dos acontecimentos para o estabelecimento da Paz entre Israel e a Pelestina, foi assinada em Oslo a 20 de agosto de 1993 uma Declaração de Princípios (Oslo I) que a 13 de setembro, na Casa Branca, Rabin e Arafat selaram publicamente com um aperto de mão.  A 4 de maio do ano seguinte, no Cairo, Rabin assina o Acordo de Paz. A 24 de julho, junta-se o rei Hussein da Jordânia a assinar a paz entre Israel e a Jordânia, que termina 46 anos de estado de guerra e foi formalizada  em 26 de outubro, mês em que também foi anunciado o Prémio Nobel da Paz para Arafat, Rabin e Peres que foi entregue em dezembro seguinte.

Mas no essencial, o percurso de vida de Isaac Rabin acompanhou o da formação do Estado Israel. Foi soldado do Palmah e combateu na Guerra da Independência (1948-1949); chefiou o Comando do Norte (1956) e o Estado-Maior das Forças Armadas Israelitas (1964- 1967); participou na Guerra dos 6 Dias (iniciada no dia 5 de junho de 1967), finda a qual Israel tinha triplicado o seu território. Depois, assumiu funções políticas como embaixador nos Estados Unidos da América (1968-1973); de líder do Partido Trabalhista (Ha-Avoda) e deputado trabalhista no parlamento (1973); Ministro do Trabalho de Golda Meir (março de 1974) e Ministro da Defesa (1985- 1990) na coligação Likud-Trabalhistas; Primeiro-Ministro em 1974-1977 e de novo, também de 1992 a 1995, período no qual em 1993, em detrimento de uma Terra de Israel Maior preferiu celebrar um Acordo de Paz com Arafat, representante palestiano da OLP, e do qual resultou no ano seguinte de 1994 ser agraciado com Prémio Nobel da Paz, juntamente com Yasser Arafat e Shimon Peres ( era o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Rabin) para em 28 de setembro de 1995, Rabin assinar com Arafat um segundo acordo mais significativo (Oslo II), trazendo assim a Paz.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

A Rua do ourives e arquiteto alemão do Convento de Mafra, João Frederico Ludovice

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O arquiteto alemão a quem se atribui o traçado do Convento de Mafra está desde 1964 perpetuado numa artéria de Benfica, a Rua João Frederico Ludovice, com a legenda «Arquitecto-Mor/1670 – 1752».

Foi a Rua 75 – 78 da Célula 4 de Benfica escolhida pela edilidade alfacinha para acolher a Rua João Frederico Ludovice e fixada pelo Edital municipal de 26/11/1964, que também colocou na mesma freguesia, mas no Bairro de Santa Cruz, a Rua da Venezuela. Na década seguinte a Rua João Frederico Ludovice recebeu o Mercado de Benfica.

Refira-se que alguns estudiosos contestam a autoria de João Frederico Ludovice para o Convento de Mafra, atribuindo-lhe apenas o papel de mestre das obras do mesmo, mas vamos neste artigo manter a explicação usual até ser provada outra.

Johann Friedrich Ludwig ( Alemanha – Castelo de Honhardt/19.03.1670 – 18.01.1752/Lisboa) ficou a cargo de seu tio e padrinho que o familiarizou com a arquitetura quando contava 14 anos, após a morte do seu pai. Aos 19 anos começou a estudar  com o Mestre Ourives N. A. Kienle de Jugeren. Quatro anos depois, em 1693,  assentou praça e tomou parte na Guerra de Pflaz, tendo feito campanha até ao fim da guerra (1697), como oficial de Engenharia e assim orientou trabalhos de engenharia em Regensburg e adquiriu conhecimentos e experiência no campo da arquitetura militar e artilharia.

Em 1697 emigrou  para Itália, onde em Roma estudou escultura e arquitetura  e alterou o seu apelido para Ludovici. A sua vasta erudição granjeou-lhe a simpatia dos jesuítas que o converteram ao Catolicismo, ao mesmo tempo que trabalhava ao serviço Companhia de Jesus,  na Igreja del Gesú em Roma, na fundição e cinzelagem da imagem do Santo Inácio de Loyola (da autoria de Groos) e de várias alfaias litúrgicas.

Em 1700 veio para Lisboa, a convite dos jesuítas e instalou-se na Rua dos Canos (nas traseiras da Rua da Palma), relativamente próxima do Colégio dos Jesuítas de Santo Antão – onde é hoje o Hospital de São José – com um contrato de exclusividade por 7 anos com os Jesuítas, comprometendo-se a elaborar um novo sacrário bem como várias outras alfaias. Contudo, em 1701, é pronunciada uma sentença contra Ludovice, pelo não cumprimento do contrato de exclusividade para com a Companhia de Jesus, sendo D. Pedro II que intercedeu a seu favor, pagando as custas da sentença, e convencendo os Jesuítas a permitir que Ludovice trabalhasse pontualmente para algumas Igrejas do Padroado Real, ou mesmo do Paço. Como ourives são atribuídas a Ludovice a autoria dos Sacrário de Prata da Igreja de Santo Antão; da Custódia da Sé de Lisboa e da Capela da Bemposta; do Frontal e Banqueta de prata do Convento do Carmo; do conjunto de Peanhas da Sé de Coimbra; de alfaias várias para a Capela Real do Paço da Ribeira, para a Igreja de São Vicente de Fora e Convento de Mafra.

João Frederico Ludovice começou também a fazer trabalhos de arquitetura. Trabalhou para D. João V na reestruturação do antigo Paço da Ribeira e transformou a sua antiga Capela Manuelina na Igreja Patriarcal. O Decreto de 26 de setembro de 1711 deste monarca prometeu a a construção de um Mosteiro em Mafra e abriu algo semelhante a um concurso público para o efeito, que Ludovice ganhou, apesar da concorrência de alguns famosos arquitectos italianos como Filipo Juvara e Antonio Canevari. Assim, entre 17 de novembro de 1717 e 1730, Ludovice dirigiu as obras de construção do Convento e a Casa do Risco, que servia a obra e se encontrava instalada no local, tendo-lhe sucedido no cargo o seu filho. Quase vinte depois, por decreto régio de 14 de setembro de 1750, e já com D. José I, foi nomeado Arquiteto-mor do Reino,  com patente, soldo e graduação de Brigadeiro de Infantaria.

São também obra sua em Lisboa a ornamentação das ruas – com pórticos, colunas e arcarias  – para a Procissão do Corpo de Deus (em diversos anos à volta de 1719); o Altar-Mor de São Vicente de Fora, tendo sido nomeado em 1720 Arquiteto das Obras de São Vicente de Fora;  o traçado de umas Portas de Santo Antão mais altas e largas (1727); a capela-mor (1748) da lisboeta Igreja de São Domingos, a qual resistiu ao terramoto;  bem como para si construiu em Benfica a Quinta de Alfarrobeira – hoje na Rua António Saúde -, concluída em 1727, mas em cuja capela já em 1720 contraíra segundas núpcias com a irmã de Luís António Verney. Também na Rua Direita de São Pedro de Alcântara, ao cimo da Calçada da Glória, ergueu em 1747 um palácio de cinco pisos e janelas avarandadas para sua residência, onde veio a falecer e foi sepultado na Igreja de São Roque.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A americana Helen Keller numa Avenida junto ao Centro com o seu nome

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                       (Foto: José Carlos Batista)

Helen Keller foi uma americana deficiente desde os 19 meses de vida que procurou ajudar a melhorar a qualidade de vida de outros deficientes, afirmando que  «As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente», estando perpetuada desde 1987  numa Avenida próxima do Centro Helen Keller.

A Avenida Helen Keller foi atribuída pela edilidade lisboeta através do Edital de 7 de setembro de 1987, ao arruamento construído no prolongamento da Avenida Dr. Mário Moutinho  (Edital de 17/02/1970) e, ambos os topónimos estão relacionados com o Centro Helen Keller, uma escola inclusiva para alunos invisuais e normovisuais.

Em 1936, o médico oftalmologista Mário Moutinho criou a Liga Portuguesa da Profilaxia da Cegueira (LPPC)  e acalentava o sonho de criar em Portugal uma clínica de reeducação de diminuídos visuais, o que veio a ser concretizado pelo seu filho, médico da mesma especialidade, a partir de 1955  no edifício que é hoje o nº 20 da da Avenida Dr. Mário Moutinho, nascendo assim uma instituição pioneira do ensino integrado em Portugal. Em março de 1956, quando Helen Keller veio a Portugal a convite da LPPC, passou a instituição a designar-se Centro Infantil Helen Keller.

Helen Keller (Alabama/27.06.1880 – 01.06.1968/Connecticut) ficou cega, surda e muda desde os 19 meses de vida e foi graças à persistência da sua percetora Ana Sullivan. Helen aprendeu a ler num alfabeto de cegos, conseguiu depois compreender 5 línguas, concluir estudos superiores, publicar a sua autobiografia A história da minha vida (1902) e fazer carreira profissional a escrever artigos para o Ladies Home Journal. Fortemente motivada pela sua experiência de vida, Helen Keller tornou-se defensora das pessoas portadoras de deficiência e empreendeu uma cruzada humanitária a favor dos que eram como ela, através da escrita, de conferências que proferiu e contribuindo para a criação de muitas instituições de reeducação dos cegos, surdos e mudos.

Refira-se ainda que em Lisboa existe também a Rua Luís Braille, dedicada ao francês que inventou o sistema de escrita e leitura para cegos que ficou com o seu nome – o Braille – que foi inaugurada em 2004 no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência.

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                          (Foto: José Carlos Batista)

 

A Rua do químico cabo-verdiano, Roberto Duarte Silva

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O químico cabo-verdiano Roberto Duarte Silva, que também pode ser reclamado como português e como francês, está numa rua de  São Domingos de Benfica, a unir a estrada da Luz à Rua Virgílio Correia, desde a publicação do Edital de municipal de 22/12/1960, com a legenda na placa toponímica de «Químico Notável/1837 – 1889».

Pelo mesmo Edital foram também atribuídas na mesma freguesia a Rua Major Neutel de Abreu, a Rua Padre Francisco Álvares e a Rua General Schiappa Monteiro.

Roberto Duarte Silva (Cabo Verde – Santo Antão/25.02.1837 – 09.02.1889/Paris – França) começou a trabalhar aos 14 anos como aprendiz num boticário, na ilha de Santo Antão, mas acabou por rumar a Lisboa, onde foi trabalhar para a Farmácia Azevedo enquanto se formava na Escola de Farmácia lisboeta. Foi enviado para Macau para montar uma farmácia mas comércio de Macau colapsou pela  concorrência da recém-fundada cidade de Hong-Kong, para onde seguiu a abrir farmácia própria, tendo conseguido ser o fornecedor oficial dos militares franceses. Em 1863 vai fixar-se em Paris. Na capital francesa concluiu uma licenciatura em Ciências Físicas e a partir de 1867 até à sua morte, trabalhou nos laboratórios de  Wurtz e de Friedel, especializado no  ramo da Química Orgânica. Publicou o seu primeiro trabalho também em  1867.

Exerceu ainda como docente na Escola de Física e Química  Industriais (de 1882 a 1887), bem como na Escola Central de Artes e Manufacturas (de 1887 até ao seu falecimento), ambas em Paris, e na segunda, iniciou cursos experimentais, imprimindo uma orientação prática sem precedentes ao ensino da química. Na primeira, foi docente de Química Analítica do também futuro engenheiro químico Charles Lepierre, o qual por  sugestão sua se instalou em Portugal em 1888, pelo que no centenário do nascimento de Roberto Duarte Silva proferiu uma palestra em que o qualificou como «um excelente professor» que «Falava correctamente o francês, o inglês, o alemão, além do português, é claro. » Refira-se também que para ser nomeado professor das escolas de Paris lhe foi imposta a naturalização francesa mas é sabido, nomeadamente através da sua correspondência com familiares e amigos em Cabo Verde, que lhes pedia materiais locais para os estudar, em busca de uma aplicação industrial que ajudasse a economia do arquipélago.

Roberto Duarte Silva desempenhou ainda os cargos de vice-presidente (1885) e presidente (1887) da Société Chimique; foi membro da Association Française pour l’Avancement des Sciences e seu secretário entre 1875 e 1877, bem como presidente da secção de Química em 1886; foi membro corresponde da Academia das Ciências de Lisboa a partir de 1876 e membro honorário da Sociedade Pharmaceutica Luzitana. Foi ainda agraciado com o Jecker Prize da Académie de Sciences de Paris, em 1885.

Em Paris, Roberto Duarte da Silva viveu  no nº 26 da Rue de la Harpe, perto do Museu de Cluny,  e nessa cidade faleceu aos 51 anos de idade, provavelmente vítima da tuberculose. Está sepultado no Cemitério de Montparnasse. Foi homenageado numa nota de Cabo Verde e na Escola da Ribeira Grande, localidade da ilha de Santo Antão onde nasceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

 

 

Jorge Luis Borges dá o seu nome ao Jardim do Arco do Cego

na Freguesia de Nª Srª de Fátima - na futura Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas                                                             (Foto: Artur Matos)

Jorge Luis Borges dá nome ao Jardim do Arco do Cego, situado entre a Avenida João Crisóstomo, Rua Dona Filipa de Vilhena e a Avenida Duque d’Ávila, desde 2009 (Edital de 16/09/2009) que – quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino- Lisboa acolheu neste espaço verde  um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook, doado pela Casa da América Latina, estendendo o seu nome a todo o espaço.

De seu nome completo, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires/24.08.1899 – 14.06.1986/Genebra), o mais universal dos escritores argentinos, era oriundo de uma família portuguesa por parte do pai, com um bisavô oriundo de Torre de Moncorvo, como refere no seu poema “Os Borges”, para além de na sua obra salientar vivências e memórias dos seus antepassados lusos. Este escritor cujo primeiro livro foi de poesia e publicado em 1923 (Fervor de Buenos Aires), reclamava-se portador do modo português de sentir o universo e, em 1984 foi galardoado em Portugal com a Ordem de Santiago da Espada e, como Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra em reconhecimento pela sua obra, com títulos de que se destacam História Universal da Infâmia (1935), Ficções (1944), O Aleph (1949), Manual de zoologia fantástica em colaboração com Margarita Guerrero (1957) ou O relatório de Brodie (1970).

Não obstante a sua carga genética ter determinado a sua cegueira total a partir de 1956, Borges para além da sua prosa aparentemente despojada mas carregada de de fantástico e de fina ironia, foi também poeta, ensaísta, tradutor, crítico literário, professor universitário, presidente da Associação Argentina de Escritores e, diretor da Biblioteca Nacional da Argentina (1955 – 1973), tanto mais mais adequado ao autor do conto “Biblioteca de Babel” quanto ele afirmou que “Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca”.

Refira-se ainda que foi vencedor do primeiro prémio Formentor, instituído em 1961, ex-aequo com Samuel Beckett, e visitou Lisboa em 1929, bem como  em 1980, com a sua companheira inseparável, Maria Kodama.

Do conjunto de cerca de 8 dezenas de personalidades estrangeiras que integram a toponímia de Lisboa, Jorge Luis Borges é o único argentino.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

O Príncipe dos Poetas Brasileiros numa Praça de Arroios

A Praça Olegário Mariano em 1964
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça Olegário Mariano foi um topónimo sugerido à edilidade lisboeta pelo Diário de Notícias, na sua edição de 15 de dezembro de 1958, para homenagear o poeta brasileiro que vinte anos antes fora eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, igualmente conhecido como Poeta das Cigarras e como João da Avenida, enquanto cronista.

O Edital municipal de 4 de maio de 1959 colocou o topónimo na artéria até aí era identificada como Praceta da Rua Pascoal de Melo, cinco anos após o homenageado deixar de ser o embaixador do Brasil em Portugal.

Óleo sobre tela de 1928, por Candido Portinari, na Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Recife/24.03.1889- 28.11.1958/Rio de Janeiro) foi um poeta, político e diplomata brasileiro que em 1938 foi eleito, num  concurso promovido pela revista Fon-Fon,  como Príncipe dos Poetas Brasileiros. Inicialmente parnasianista e simbolista, iniciou a sua vida literária aos 22 anos com Angelus, publicado em 1911. Depois, nos 23 livros seguintes adquiriu uma tendência intimista e ficou conhecido como o Poeta das Cigarras  por serem um de seus temas favoritos. Além da obra poética editada em livros a partir de 1911, e enfeixada nos dois volumes de Toda uma vida de poesia (1957), Olegário Mariano também publicou sob o pseudónimo de João da Avenida, durante anos, nas revistas Careta e Para Todos,  crónicas mundanas em versos humorísticos que mais tarde foram reunidas em dois livros sob os títulos Ba-ta-clan (1924) e Vida, caixa de brinquedos (1937). Em 23 de dezembro de 1926 sucedeu a Mário de Alencar na cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

Nascido no mesmo ano da Proclamação da República (1889), filho de Olegária Carneiro da Cunha e de José Mariano Carneiro da Cunha, ambos heróis pernambucanos da Abolição da Escravatura e da República, também Olegário Mariano se sentiu motivado pela política tendo sido deputado à Assembleia Constituinte de 1934 e em 1937 à Câmara dos Deputados.

A sua ligação a Portugal começou em 1940, como ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, seguida da sua nomeação como delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadémica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945 e finalmente, foi o embaixador do Brasil em Portugal nos anos de 1953 e 1954.

Na sua carreira desempenhou ainda as funções de inspetor do ensino secundário e censor de Teatro, de secretário de embaixada na Bolívia, de tabelião de  notas e oficial do 4.° Ofício de Registro de Imóveis do Rio de Janeiro.

E resta-nos deixar um poema do seu tema predileto:

Cigarra

Figurinha de outono!
Teu vulto é leve, é sensitivo,
Um misto de andorinha e bogari.
Num triste acento de abandono,
A tua voz lembra o motivo
De uma canção que um dia ouvi.

Quando te expões ao sol, o sol te impele
Para o rumor, para o bulício e tu, sorrindo,
Vibras como uma corda de guitarra…
É que o sol, quando queima a tua pele,
Dá-te o grande desejo boêmio e lindo
De ser flor, de ser pássaro ou cigarra

Cigarra cor de mel. Extraordinária!
Cigarra! Quem me dera
Que eu fosse um velho cedro adusto e bronco,
E tu, nessa alegria tumultuária,
Viesses pousar sobre o meu tronco
Ainda tonta do sol da primavera.

Terias glórias vegetais sendo vivente.
Mas um dia de lívidos palores,
Tu, cigarra, que vieste não sei donde,

Morrerias de fome lentamente
No teu leito de liquens e de flores
No aconchego sutil da minha fronde.

E eu, na dor de perder-te, no abandono,
Sem ter roubado dessa mocidade,
Do teu corpo de flor um perfume sequer,
Morreria de tédio e de saudade…
Figurinha de Outono!
Cigarra que o destino fez mulher!

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

O inventor da pasteurização na Praça Pasteur, no Areeiro

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Louis Pasteur, o cientista francês que inventou a pasteurização em 1864, para responder a um pedido de vinicultores e cervejeiros franceses, está desde 1948 na toponímia do Areeiro, através da Praça Pasteur,  junto à Avenida de Paris.

Após a Exposição do Mundo Português em Belém, em 1940, Lisboa procurou continuar a afirmar-se como grande cidade para o resto do país e como cidade cosmopolita para o resto do mundo. Recorde-se que Portugal apresentara a sua candidatura a membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1946 e foi logo recusada, situação que se repetiu todos os anos até 1955. Em 1948, o Edital municipal de 29 de julho  foi uma tentativa de tornar a capital mais portuguesa mais cosmopolita, através da atribuição na novel urbanização do Areeiro de doze topónimos, todos ligados a personalidades de cariz internacional ou a cidades europeias e brasileiras, com os nomes dos cientistas europeus Pasteur e Marconi, do inventor americano Edison, dos escritores Cervantes e  Vítor HugoAfrânio Peixoto e João do Rio (um espanhol, um francês e dois brasileiros), a que somou Avenidas para MadridParis e Rio de Janeiro, uma praça para Londres, para além da Avenida João XXI que homenageia o único Papa português.

Os nomes dos franceses Pasteur e Vítor Hugo  foram sugeridos à edilidade por  carta de um munícipe datada de 8 de abril desse ano de 1948.

(Foto: Félix Nadar)

Louis Pasteur (Dôle/27.12.1822 – 28.09.1895/St. Cloud) foi um cientista químico francês que se tornou universal por  ter inventado em 1864 o processo de pasteurização quando começou a investigar a razão pela qual azedavam os vinhos e a cerveja, a pedido dos vinicultores e cervejeiros locais.

Este avanço científico permitiu que diversos produtos, como  o leite, pudessem ser transportados sem sofrerem decomposição, conservando a sua qualidade. A invenção deste método de conservação, revelou-se também uma medida higiénica fundamental para preservar a saúde dos consumidores. Pasteur foi também considerado o  pai da microbiologia,   já que também desenvolveu as bases da assepsia e antissepsia em medicina e cirurgia. Em 1865, em Inglaterra, o cirurgião Joseph Lister aplicou os conhecimentos de Pasteur para eliminar os micro-organismos vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Em 1871, o próprio Pasteur obrigou os médicos dos hospitais militares a ferver os instrumentos que seriam utilizados nos procedimentos médicos.

São ainda de destacar do percurso de cientista de Pasteur a descoberta de uma nova classe de substâncias isómeras e do estabelecimento da teoria dos genes (1848); a descoberta da doença dos bichos da seda que permitiu salvar esta indústria (1865); um estudo sobre a fermentação que revolucionou a produção das substâncias alcoólicas (1872); os estudos do carbúnculo dos gados (1877) e da cólera aviária (1880); a descoberta da vacina contra a raiva (1885) que permitiu reduzir a mortalidade e a fundação do Instituto Pasteur em 1888,  em Paris, um dos mais famosos centros de investigação até aos nossos dias e  sob o qual está enterrado.

Exerceu ainda o cargo de professor de química em Dijon e Estraburgo tendo sido em 1854 nomeado decano da Faculdade de Ciências da Universidade de Lille.

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

Paul Choffat da Carta Geológica Portuguesa de 1899 numa Rua da Cidade Universitária

Freguesia de Alvalade

Passados 90 anos sobre a morte do Paul Choffat, que realizou a Carta Geológica de Portugal de 1899,  foi este  geólogo suíço homenageado numa rua da Cidade Universitária, concretamente na Rua Interior da Alameda de Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Professor Gama Pinto, com início na Rua Branca Edmée Marques, pelo Edital de 16/09/2009.

O mesmo Edital atribuiu nesta zona da Cidade Universitária os nomes de mais três investigadores com a Rua Profª Teresa Ambrósio, a Rua Branca Edmée Marques e a Rua António Aniceto Monteiro.

Paul Choffat cerca de 1919

Léon Paul Choffat (Porrentruy/14.03.1849 – 06.06.1919/Lisboa) foi um geocientista formado pela Escola Politécnica Federal de Zurique onde foi professor de Geologia e Paleontologia Animal ao mesmo tempo que era docente na Faculdade de Medicina, salientando-se como  geólogo de campo, paleontólogo e estratígrafo, e que na Geologia de Portugal se tornou um vulto incontornável, desde que em 1878 visitou o nosso país a convite de Carlos Ribeiro e aqui se fixou desde então, trabalhando na Comissão dos Serviços Geológicos a partir de 1883.

Para a geologia portuguesa o seu contributo soma vários trabalhos de geologia aplicada, nomeadamente sobre as águas minerais das regiões mesozóicas e estudos sobre as placas tectónicas do país, sendo de destacar o levantamento da carta geológica do país que realizou e publicou em 1899, a 2ª de Portugal,  substituindo a que tinha sido publicada em 1876 por Carlos Ribeiro e Nery Delgado, para além de ter concluído três estudos gerais (um sobre o jurássico, em 1880, e dois outros sobre o cretáceo, em 1885 e 1900). Entre as suas numerosas e diversificadas publicações, uma das mais significativas é Essai sur la tectonique de la chaîne de l’Arrabida (1908) que ainda hoje é obra de referência.

Choffat era membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e de inúmeras academias e sociedades científicas, tendo recebido de entre as inúmeras distinções, a atribuição do título de Doutor Honoris causa pela Universidade de Zurique, em 1892. O seu nome ficou ainda em inumeráveis táxones que lhe foram dedicados em 1894, 1898, 1903, 1905, 1908, 1958, 1961, 1969, 1970, 1971, como Choffatia ou Paulchoffatiinae.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )