Calderon Dinis da revista «Cine», num Largo do Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Calderon Dinis, alfacinha nascido e criado em Lisboa, homem de múltiplos talentos, entre os quais o de ter sido editor da Revista Cine, está homenageado na toponímia da Freguesia do Parque das Nações, com a legenda «Jornalista/1902 – 1994».

O Largo Calderon Dinis nasceu no  impasse B do Casal dos Machados, junto à Rua Padre Abel Varzim, pela deliberação camarária de 21 de julho de 1999 e consequente Edital de dia 30 desse mês, quando este arruamento ainda era pertença da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, escolhido mesmo por o homenageado ter vivido e falecido nessa freguesia.

Alberto Maria Calderón Dinis (Lisboa/22.12.1902 – 26.03.1994/Lisboa) foi sobretudo um homem dos jornais que também por aí começou a sua ligação ao cinema. No período de 1928 a 1930, ainda no tempo do cinema mudo, foi  editor da revista mensal Cine, com sede no nº 10 do Largo Trindade Coelho. Mais tarde, por volta de 1946, escreveu várias novelas de cinema sobre os filmes então em exibição e, em 1949, elaborou os diálogos do filme Sol e Touros (1949), dos Produtores Associados, com realização de José Buchs.

Calderon Dinis nasceu lisboeta em Santos embora ainda criança tenha ido morar para o Bairro Alto, onde frequentou a escola municipal. Prosseguiu para o Liceu Passos Manuel, altura em que também publicou textos e desenhos no jornal Careca, e quando concluiu o curso liceal, aos 17 anos, começou a trabalhar –  no dia 20 de julho de 1920 –  no Diário de Notícias, à época ainda sediado no Bairro Alto. Foi funcionário deste periódico durante 54 anos, tendo sido primeiro admitido na contabilidade, para escrever letra francesa com aparos de bicos cortados. Depois, o administrador, o Prof. Beirão da Veiga, colocou-o ao pé de si para o ajudar a organizar eventos diversos. Em 1926, começou a fazer banda desenhada para o suplemento Notícias Miudinho, tendo criado as personagens Zé do Coco, Tonecas, Trovão das Pistolas. Na edição de domingo do Diário de Notícias  publicava contos e crónicas de tom satírico, que também ilustrava. Entre 1953 e 1963, lançou, dirigiu e coordenou o Almanaque Diário de Notícias. Também a partir de 1953 dirigiu a Editorial Notícias, até à sua reforma em 1974, com um catálogo de autores nacionais e estrangeiros, obras de consagrados como Ferreira de Castro, Gaspar Simões, Rocha Martins e edições infantis e juvenis.

Trabalhou ainda para outros periódicos como o Diário Popular, o República, o Jornal de Notícias, o Arquivo Nacional e A Noite (em 1939) de Augusto de Castro.

Sob o pseudónimo de Mac Dennis foi também escritor de romances policias, como A herança do banqueiro, o nº 9 da coleção policial da Empresa Nacional de Publicidade. Também usou o pseudónimo Fiscal de Serviço e escreveu o livro intitulado O Quarto 233 (1975), uma escolha dos seus melhores contos antes publicados em jornais. Também escreveu 3 peças para o Teatro Nacional que desapareceram no incêndio de 1964 e redigiu monografias turísticas, também por si ilustradas, como Ribatejo (1964), Braga e seu Distrito (1965), ou Portalegre, Marvão e Castelo de Vide (1970). Também foi tradutor, como por exemplo de Sete anos de aventuras no Tibete de Heinrich Harrer.

Como desenhador e aguarelista, realizou exposições em Lisboa (1925) e no Salão dos Humoristas do Porto (1926). Em 1983, na Galeria do Diário de Notícias, expôs profissões antigas e tipos característicos de Lisboa e três anos depois, publicou na Dom Quixote Tipos e Factos da Lisboa do Meu Tempo, com a memória de acontecimentos e curiosidades da vida de Lisboa, que foi  Prémio Júlio de Castilho da CML. Em 1988, expôs no Palácio dos Coruchéus todos os desenhos e aguarelas desse livro, espólio que a edilidade lisboeta adquiriu para o Museu da Cidade.  Em 1993, a Editorial Notícias lançou uma 2ª edição da obra, com mais textos e desenhos, bem como uma nota introdutória da Drª Salete Salvado. A última exposição de Calderon Dinis em Lisboa, foi realizada postumamente, em 1995, na Casa da Imprensa, por iniciativa de um grupo de amigos.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do cineasta neorrealista Manuel Guimarães

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O cineasta neorrealista  Manuel Guimarães passou a ser um topónimo da Freguesia do Lumiar, na Rua D à Avenida Maria Helena Vieira da Silva, 32 anos após o seu falecimento, por via da publicação do Edital municipal de 10 de abril de 200, ficando assim junto de artérias com os nomes de António Lopes Ribeiro e Manuel Costa e Silva, também eles cineastas.

Manuel Fernandes Pinheiro Guimarães (Vale Maior – Albergaria-a-Velha/19.08.1915 – 29.01.1975/Lisboa) estudou pintura na Escola de Belas Artes do Porto a partir de 1931 e foi como desenhador de cartazes de cinema que iniciou a sua ligação à 7ª arte, sendo também pintor, cenografista,  ilustrador e caricaturista. São seus os cartazes  de Aniki Bóbó (1942) de Manoel de Oliveira, bem como de O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio (1944), e O Leão da Estrela (1947), todos estes filmes de Arthur Duarte. Começou como assistente de realização de Manoel de Oliveira e no ano seguinte, em 1943, mudou-se para Lisboa e passou a sê-lo também de cineastas como António Lopes Ribeiro, Armando de Miranda, Arthur Duarte, João Moreira ou Jorge Brum do Canto.

A sua obra como cineasta é considerada neorrealista. Começou com o documentário O Desterrado (1949) que foi premiado com o Prémio Paz dos Reis do SNI. Depois, adaptou Circo de Leão Penedo para o seu filme Saltimbancos (1951), e no ano seguinte filmou Nazaré (1952), com argumento de Alves Redol, obra que foi amputada em cerca de metade pela censura devido à crítica social que continha. Manuel Guimarães passou então para a realização de filmes de cariz comercial sobre eventos desportivos- de que são exemplo As Corridas Internacionais do Porto ou O Porto é Campeão (ambos de 1956), assim como documentários sobre Barcelos, o Porto e os vinhos da região duriense- Porto, Capital do TrabalhoBarcelos ou Vinhos Bisseculares (todos em 1961). Ao longo da sua vida, realizou também documentários sobre temas de arte, de que se destacam Fernando Namora e António Duarte (ambos em 1969) ou Carta a Mestre Dórdio Gomes (1971), sendo ainda de mencionar o seu Tráfego e Estiva (1968), que foi o primeiro filme português rodado em 70 mm.

Entre 1953 e 1956 rodou Vidas sem rumo , com argumento seu e diálogos de Alves Redol, sendo também alvo da Censura, a ponto de ficar quase ilegível relativamente ao plano inicial. Em 1959 foi a vez de A Costureirinha da Sé , onde se viu obrigado a incluir publicidade explícita para custear a sua produção. Nos anos sessenta, Manuel Guimarães voltou às adaptações de romances de autores portugueses, tendo António da Cunha Telles como produtor. Do livro homónimo de Bernardo Santareno realizou O Crime da Aldeia Velha (1964); da obra homónima de Fernando Namora filmou O Trigo e o Joio (1965). De 1968 é o seu documentário de 15 minutos sobre Famalicão, intitulado A Terra e o Homem, encontrado em 2016, e de 1972 a sua longa-metragem Lotação Esgotada, com argumento e diálogos de Mário Braga, a partir de uma ideia de Artur Semedo.

O seu último filme, em 35 mm e a cores, rodado entre 1974 e 1975, é Cântico Final, adaptação do romance homónimo de  Vergílio Ferreira, cuja  montagem foi concluída pelo seu filho, Dórdio Guimarães. Manuel Guimarães conhecia o escritor e esta obra, que passada a película funcionou também como o seu testamento de morte anunciada: o cineasta espelhou-se na personagem do  professor de liceu ameaçado de morte por um cancro, tendo mesmo numa entrevista televisiva em 1974 expressado a impossibilidade de concretizar o seu desejo de fazer também um filme com Alegria Breve, outro romance de Virgílio Ferreira.

Leonor Areal dedicou-lhe o filme Nasci com a Trovoada – Autobiografia póstuma de um cineasta(2017), e o nome de Manuel Guimarães, falecido com 59 anos de idade, está também presente na toponímia dos concelhos de Almada, Amadora e Sintra.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Olavo d’Eça Leal, homem de cinema e teatro numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O multifacetado artista Olavo d’Eça Leal, por ter sido um homem de cinema, enquanto ator, assistente e realizador, cabe no nosso tema desde último mês de 2018- cineastas e cinéfilos- sendo a Rua Olavo D’ Eça Leal o topónimo de um troço da Rua D à Rua Lúcio de Azevedo, desde a publicação do Edital municipal de 10 de julho de 2001.

No cinema, Olavo d’Eça Leal foi assistente de montagem do primeiro filme sonoro português,  Severa  (1931), de Leitão de Barros, assim como assistente de realização de Revolução de Maio (1937), de António Lopes Ribeiro. Foi também ator de Sonho de Amor (1945) de Carlos Porfírio, bem como de Ladrão Precisa-se (1946) de Jorge Brum do Canto. Fez crítica de cinema nas revistas Kino e Imagem de António Lopes Ribeiro, assim como a locução do documentário Monumentos Nacionais (1942) de Lino António e ainda produziu e realizou o seu próprio documentário Vida e Morte dos Porcos (1957). O seu livro Iratan e Iracema – Os Meninos Mais Malcriados do Mundo foi adaptada ao cinema em 1987, no filme homónimo realizado pelo seu filho Paulo-Guilherme, que obteve o Troféu de Ouro 1988 do Festival de Cinema dos Países de Língua Oficial Portuguesa. Refira-se também que Olavo foi desenhador no Atelier de desenhos animados, publicidade e fotografia de moda de André Vigneau.

De seu nome completo Olavo Correia Leite d’ Eça Leal (Lisboa/31.07.1908 – 17.09.1976/Grã-Bretanha), filho da dramaturga e poetisa Flávia Guimarães Correia Leite e do poeta Thomaz d’Aquino Pereira d’Eça e Albuquerque Leal, foi educado no Colégio Militar e na École Pascal, em Paris. Para além do cinema, seguindo a moda dos Anos Vinte do Século XX, mostrou-se um artista multifacetado: como escritor de poesia e de ficção, dramaturgo, jornalista, radialista, desenhador e professor de desenho, sendo que a sua obra está representada no Museu Gulbenkian.

Da sua obra editada, destaca-se a literatura infantil de Provérbios (1928), História de Portugal para meninos preguiçosos (1933) e Iratan e Iracema – Os Meninos Mais Malcriados do Mundo (1939), que foi Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. Na ficção, publicou as novelas  Fim de Semana (1940),  o romance Processo Arquivado (1948) que foi galardoado com o Prémio Fialho de Almeida e o romance Conceituado Comerciante (1958) com ilustrações e capa do seu filho Paulo. Também escreveu diversas peças, das quais foram levadas à cena Noite de Natal ( no Teatro do Ginásio nos anos trinta), A Taça de Ouro ( no Teatro Nacional em 1953), O Amor, o Dinheiro e a Morte ( no Teatro da Trindade em 1960) e Noite de Paz (nos anos 60, na RTP). Olavo também colaborou, com textos e com desenhos, nas revistas AtlânticoContemporânea, Panorama, Seara Nova e Presença.

Quando esteve emigrado no Brasil, em 1933 e 1934, trabalhou a fazer cartazes publicitários, análises grafológicas e a ensinar desenho a crianças. Voltou a Portugal para concorrer a locutor na Emissora Nacional, e aí ficaram populares os seus Diálogos de Domingo, com Virgínia Vitorino, a partir dos quais  publicou Falar por Falar (1943), A Voz da Rádio (1944) e Nem Tudo Se Perde no Ar (1945). Na década de cinquenta ingressou no Rádio Clube Português, onde também teve sucesso.

Na sua vida pessoal, casou três vezes – com Luísa Ribeiro, Clara Amaral e Emília Pinto, tendo tido como filhos, entre outros, Paulo Guilherme Tomáz Dúlio Ribeiro d’ Eça Leal (1932), Olavo Oliveira Amaral d’Eça Leal e o arquiteto Tomás Olavo Pinto d’Eça Leal (1952).

O seu nome está também fixado numa artéria de Fernão Ferro, no concelho do Seixal.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do pintor de Lisboa, Carlos Botelho

Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Carlos Botelho fez de Lisboa a protagonista central das suas telas  e no próprio ano em que faleceu a edilidade lisboeta colocou-o como topónimo de uma Rua da freguesia do Beato, que era identificada como arruamento D do Plano de Reconversão Urbana da Curraleira-Embrechados, através do Edital municipal de 16 de novembro de 1982. A artéria foi aumentada em 2008,  com a incorporação da Rua 8 à Rua Carlos Botelho, através do Edital municipal de 3 de julho.

Carlos Botelho em 1968
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Casa Fotográfica Garcia Nunes)

Carlos António Teixeira Basto Nunes Botelho (Lisboa/18.09.1894 – 18.08.1982/Lisboa) foi um artista multifacetado que trabalhou em cerâmica, banda desenhada, pintura, ilustração, caricatura. Filho único de pais músicos, Carlos Botelho aprendeu a tocar violino. Estudou no Liceu Pedro Nunes onde em 1918 fez a sua primeira exposição individual e no ano seguinte inscreveu-se na Escola de Belas Artes de Lisboa, que abandonou cerca de um ano depois, avançando como autodidata tal como Bernardo Marques ou Mário Eloy, outros nomes da sua geração.

Em 1924 empregou-se numa fábrica de cerâmica mas alguns êxitos em concursos de cartazes, levou-o em 1926 a dedicar-se exclusivamente à banda desenhada, à caricatura e à ilustração. Entre 1926 e 1929 produziu com regularidade pranchas de banda desenhada para o semanário infantil ABC-zinho. Também a partir de 1928 e durante 22 anos fez a página humorística Ecos da Semana, no semanário Sempre Fixe.

Em 1929 Botelho partiu para Paris, para frequentar as Academias Livres Grande Chaumière e Colarossi e a partir daí optou pela pintura, sendo desse ano o seu primeiro quadro de Lisboa: Uma vista do Zimbório da Basílica da Estrela. Nos anos 30, passou a integrar a equipa de decoradores do Secretariado de Propaganda Nacional, com Bernardo Marques, José Rocha, Tom e Fred Kradolfer, trabalhando na participação portuguesa em grandes mostras internacionais, como Paris, Lyon, Nova Iorque e São Francisco.  O ano de 1930 foi também aquele em que instalou o seu atelier na Costa do Castelo, na casa a que a sua mulher – Beatriz Santos Botelho com quem casara em 1922 e de quem teve dois filhos – tinha direito pela função de professora do ensino primário, e onde viveu até 1949. Em 1933 foi assistente de realização de Cottinelli Telmo no filme A Canção de Lisboa e cinco anos depois, em 1938 foi galardoado com o Prémio Sousa-Cardoso na Exposição de Arte Moderna do SNI pelo retrato de Músico Carlos Botelho (ou Meu Pai) e no seguinte  o 1º Prémio na Exposição Internacional de Arte Contemporânea de S. Francisco, o que lhe permitiu construir a casa-atelier no Buzano (Parede) onde se instalará em 1949.

Em 1940 também esteve na equipa de decoradores da Exposição do Mundo Português e recebeu o Prémio Columbano, para além de  conceber cenários e figurinos para a Companhia de bailados portugueses Verde Gaio, sendo a partir desta década que a paisagem urbana passou a ter um lugar central na sua obra, com Lisboa como tema primordial, que na década de 50 comportará experiências abstratizantes e será quase o seu único tema nas décadas seguintes.

Em 1955 voltou a residir em Lisboa, no então novo bairro do Areeiro e recebeu uma Menção de Honra por ocasião da III Bienal de S. Paulo, repetindo o prémio de 1951, a que somou em 1961, o 1º Prémio de Pintura na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

A obra de Carlos Botelho está representado em inúmeras colecções públicas e privadas, como no Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian ou no Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Câmara Municipal de Lisboa instituiu um prémio com o seu nome para a melhor pintura sobre a cidade de Lisboa.

Carlos Botelho é ainda topónimo de uma Avenida na Brandoa, de um Largo em Linda-a-Velha, de Pracetas em Cascais, Corroios e São João da Talha, bem como de Ruas na Charneca da Caparica,  em Famões, na Parede, em Rio de Mouro e em São Domingos de Rana.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vítor Bastos, autor do Monumento a Camões, numa rua de Campolide

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1903 que Vítor Bastos, o pintor e escultor que idealizou e concretizou o Monumento a Camões, para a Praça do mesmo nome, considerado o escultor mais importante do Romantismo português, está perpetuado na toponímia do então Bairro Novo de Campolide.

O Bairro Novo de Campolide construído nos finais do século XIX, teve as suas ruas denominadas por deliberação camarária de 23 de setembro de 1903 e edital municipal de dia 25 seguinte, fixando nelas os nomes dos escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas, sendo que este último também se distinguiu como político. Vítor Bastos ficou na Rua nº 3 e esta artéria aumentou pelo edital camarário de 7 de agosto de 1911, ao incorporar nela a rua no prolongamento da Rua Vítor Bastos até à Calçada dos Mestres, sendo que a Rua Vítor Bastos dos dias de hoje se estende da Rua de Campolide à Rua General Taborda.

O Occidente, 1 de julho de 1894

António Vítor Figueiredo de Bastos (Lisboa/entre 1829 e 1834 –17.06.1894/Lisboa) estudou na Academia Real das Belas Artes a partir de 1845, tendo tido aulas de Desenho Histórico, Arquitetura Civil e Gravura Histórica. Também foi discípulo de António Manuel da Fonseca em Pintura Histórica e concluiu o curso com a sua tela Amor e Psiché, em 1852. É ainda na Academia de Belas-Artes de Lisboa que se liga ao grupo de artistas da geração romântica e é assim o único escultor representado no retrato de grupo Cinco Artistas em Sintra (1855), de João Cristino da Silva, porque na época era ainda apenas pintor. Este grupo de românticos convivia no Marrare do Chiado e depois de 1847, na oficina de ourives de Cristino da Silva na Rua da Prata ou na oficina de Manuel Maria Bordalo na Praça da Alegria.

Vítor Bastos é contudo mais recordado como escultor e, sobretudo, como o autor do monumento a Luís de Camões (1867), na praça que lhe está destinada. Sob a base octogonal onde assenta a estátua do poeta do Dia de Portugal, estão representadas figuras das letras e das ciências da época do Renascimento: Fernão Lopes de Castanheda, Fernão Lopes, Francisco de Sá de Meneses, Gomes Eanes de Azurara, Jerónimo Corte Real, João de Barros, Pedro Nunes e Vasco Mouzinho de Quevedo.

Também para o Arco da Rua Augusta, em 1872, executou as estátuas de Vasco da Gama, Viriato, Marquês de Pombal, D. Nuno Álvares Pereira e as figuras alegóricas dos rios Tejo e Douro. Já em 1870 modelara a estátua de corpo inteiro em bronze de José Estêvão que foi inaugurada em 1878 no então designado Largo das Cortes, passando depois para o Palácio de São Bento, para voltar em 15 de outubro de 1984 à praça agora denominada Praça da Constituição de 1976. Refira-se ainda o baixo-relevo Colera Morbus (1861), a estátua do Conde das Antas no seu túmulo no Cemitério dos Prazeres e os bustos do Duque de Saldanha, de Joaquim António de Aguiar ou de João Anastácio da Rosa.

Vítor Bastos exerceu também a docência. Em 1854 foi aprovado para professor de Desenho na Universidade de Coimbra e seis anos depois, obteve a cátedra de Escultura na Academia lisboeta, com a obra Adónis partindo para a caça ao javali. Pertenceu ainda à comissão nomeada pela Academia de Belas-Artes de Lisboa para a reforma do ensino artístico em 1870.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Alberto de Sousa junto do seu mestre Roque Gameiro

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Por sugestão da Direção do Ensino Superior e das Belas Artes do então Ministério da Educação Nacional, em carta datada de 29 de outubro de 1962, foram consagrados no Bairro de Santos à Rua da Beneficência os nomes dos pintores Alberto de Sousa (Rua B) , Alfredo Roque Gameiro (Rua O) e Falcão Trigoso (Rua K).

Ilustração Portuguesa, 12 de abril de 1924

Alberto de Sousa (Lisboa/06.12.1880 – 01.12.1961/Lisboa), conhecido discípulo de Roque Gameiro, notabilizou-se como desenhador, aguarelista e ilustrador.

Estudou nas Escolas Industriais do Príncipe Real, de Rodrigues Sampaio e de Machado de Castro, bem como no Grémio Artístico, na Sociedade Nacional de Belas Artes e na Escola de Belas Artes de Lisboa. Começou a a trabalhar aos 16 anos, em 1897, no atelier de desenho industrial da Companhia Nacional Editora que mestre Roque Gameiro dirigia. Aí  também se tornou discípulo do mestre na aguarela, na interpretação da paisagem, na representação de monumentos e de figuras portuguesas e ainda com Roque Gameiro, trabalhou na Litografia de Portugal para impressão de desenhos e aguarelas, conhecendo assim a técnica de gravura mais difundida na segunda metade do séc. XIX.

Já no grafismo, ilustração e design dos jornais Alberto de Sousa foi um continuador da escola de Rafael Bordalo Pinheiro, tendo colaborado nas três publicações fundamentais de humor de crítica à Monarquia e de lançamento do programa da República: António Maria, Pontos nos ii  e A Paródia.

Como aguarelista expôs pela primeira vez em 1901,  na inauguração da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde recebeu uma medalha de Honra, assim como no Grémio Artístico e dez anos depois, participou numa mostra em Madrid. A sua primeira exposição individual, aconteceu em 1913, na galeria do vespertino A Capital, na sua sede da Rua do Norte, jornal no qual também trabalhou e na década de vinte passou a expor regularmente. Também foi agraciado com o Prémio Roque Gameiro do SNI e o Grand-Prix de Paris. Este artista que residiu na Rua de São Bento tem a sua obra representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Alberto Sousa também colaborou com desenhos para os periódicos Ilustração Portuguesa de Carlos Malheiros Dias (a partir de 1903), O Mundo de França Borges, Vanguarda de Magalhães Lima, Serões de Manuel José da Silva, AtlântidaNovidades, República, bem como para a francesa L’Illustration, com a reconstituição do atentado de 1908 que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe Luís Filipe que foi também reproduzido nas páginas do The Illustrated London News. Também se dedicou à ilustração de livros como em muitos tomos da Enciclopédia da Imagem, obras de Júlio Dantas e Eça de Queirós, assim como escreveu e editou o Traje Popular em Portugal nos séculos XVIII e XIX (1924), Traje Popular em Portugal nos séculos XVI e XVII (1926), entre outros.

Acresce que a partir de 1914  também foi conservador artístico na Inspeção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.

Em 1951, a edilidade lisboeta promoveu no Palácio Galveias uma Exposição de Alberto de Sousa e o seu nome integra também a toponímia de Ericeira, Évora, Mem Martins, Viana do Castelo.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da ilustradora e pintora Raquel Roque Gameiro

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A ilustradora Raquel Roque Gameiro foi homenageada no 2º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, uma artéria paralela ao 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, onde ficou o seu cunhado Leitão de Barros, na freguesia de São Domingos de Benfica, ambos pela publicação do Edital municipal de 4 de novembro de 1970, por sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro.

Ilustração Portuguesa, 27 de novembro de 1911

Raquel Roque Gameiro Ottolini (Lisboa/15.08.1889 – 01.10.1970/Lisboa) foi uma pintora e ilustradora, filha primogénita e discípula do mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com Maria da Assunção de Carvalho Forte. Viveu a infância e juventude na Amadora, na Venteira, na hoje Casa Roque Gameiro, como o seu irmão Manuel e as suas irmãs Helena e Maria Emília (conhecida por Màmia) e foi a autora de um cartaz sedutor, para a firma de vinho do Porto Ramos Pinto, em que Pã espreme uvas para uma ninfa.

Estreou-se na ilustração em 1903, na literatura infantil dos Contos para Crianças de Ana de Castro Osório, bem como nas aguarelas para as exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes a partir de 1909 e até 1937. Em ambos os casos, Raquel usava cores vivas, figuras de pescadores e camponeses, tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa ou interiores rústicos e pobres mas airosos com chitas de ramagens. Em 1917, desenhou O Livro do Bébé, com versos de Delfim Guimarães, onde os pais podiam registar os momentos mais marcantes da vida do filho, desde o nascimento até a primeira comunhão. Na década de vinte, ilustrou obras de Adolfo Portela, Agostinho de Campos, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba, bem como na década seguida, entre outros, ilustrou o Livro de Leitura para a 1.ª Classe (1932) e, com Martins Barata e Emérico Nunes,  A lição de Salazar (1938).

Participou em várias mostras no país e no estrangeiro, como a Exposição de Artistas Portugueses no Rio de Janeiro e o Salão Internacional de Aguarela Hispano-Português de Madrid (1945). Teve destaque na “Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de caráter literário, artístico e científico”, organizada pelo jornal O Século e por Maria Lamas, em 1930. Foi distinguida com uma 1ª Medalha de Honra da SNBA (1929) e o prémio Ex-Libris da Imprensa Nacional. Está representada no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

Refira-se que além da ilustração de livros e manuais escolares, Raquel Roque Gameiro também colaborou, sobretudo na década de trinta,  com diversas publicações periódicas como o ABCzinhoComércio do Porto, Diário de Notícias, O Domingo IlustradoEvaIlustração PortuguesaJoaninhaJornal dos Pequeninos,  LusitasModas e BordadosO MosquitoMickeyPortugal Feminino, O Século, Serões, Sphinx e Tic-Tac.

Raquel Roque Gameiro foi também professora particular de Desenho, Aguarela e Pastel. Manteve grupos de alunos, primeiro no atelier da família na Rua Dom Pedro V e depois, na sua casa de Benfica. Com o pai, Raquel caricaturou várias personalidades da Amadora, do que resultou uma coleção de desenhos com forte sentido humorístico.

Na sua vida pessoal, casou com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini e foi mãe da ilustradora Guida Ottolini e de mais duas filhas e um filho, vivendo primeiro na casa da família da Amadora e mudando-se depois para Benfica, em Lisboa.

O seu nome está também atribuído à Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico/Jardim de Infância Raquel Gameiro, na Freguesia da Venteira, na Amadora, bem como a uma Praceta de Odivelas.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Diogo de Macedo das Tágides da Fonte Monumental da Alameda, numa Rua do Rego

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Diogo de Macedo, o autor do grupo escultórico do Tejo e das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, ficou consagrado numa Rua do Bairro do Rego desde 1965, zona em cuja toponímia já se encontravam diversos artistas plásticos.

Na reunião da Comissão de Arte e Arqueologia municipal de 31 de outubro de 1962 foi sugerido pelo Sr. Acúrsio Pereira a atribuição do nome do escultor Diogo de Macedo, falecido três anos antes, a uma artéria da capital, oportunidade que se concretizou quando um requerimento da Domus Nostra – Residência de Estudantes solicitou denominação para o arruamento projetado à Rua Jorge Afonso, que pelo Edital municipal de 11 de março de 1965 passou a ser a Rua Diogo de Macedo, definida entre e Avenida Álvaro Pais e a Praça Nuno Gonçalves.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Diogo Cândido de Macedo (Vila Nova de Gaia- Mafamude/22.11.1889 – 19.02.1959/Lisboa), o autor do conjunto das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, nasceu no Largo de São Sebastião, em Mafamude, e faleceu na sua casa em Lisboa, no n º 110 da Avenida António Augusto de Aguiar.

Na sua juventude, frequentava a oficina do vizinho Fernandes Caldas, mestre santeiro e imaginário, com quem aprendeu os rudimentos do desenho e modelação. Em 1902 ingressou no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes que concluiu em 1911, sendo  aluno de Desenho de José Brito e Marques de Oliveira e de António Teixeira Lopes, em Escultura. Nesse mesmo ano de 1911 partiu para Paris, onde frequentou as Academias de Montparnasse, sendo influenciado pelos escultores Bourdelle e Rodin. Em 1913 participou no Salão dos Artistas Franceses, esculpiu o busto de bronze de Camilo Castelo Branco, fez a sua primeira exposição individual, no Porto, e conseguiu o 3º prémio com a maqueta para um monumento a Camões, apresentada em Paris.

Regressou a Portugal em 1914, sendo de destacar a sua participação na I Exposição de Humoristas e Modernistas  no Porto – com desenhos assinados sob o pseudónimo de Maria Clara-, a sua Menção Honrosa de Escultura na 12ª Exposição da SNBA (ambas em 1915) e na Exposição dos Fantasistas (1916), também no Porto. Casou-se em 1919 e no ano seguinte voltou a fixar-se em Paris, fase de que se salienta o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920).

Em 1926, estabeleceu-se definitivamente em Lisboa e publicou a sua primeira obra, 14, Cité Falguière, as suas memórias parisienses. Produziu os bustos de Sarah Afonso (1927), António Botto (1928), Antero de Quental  (1929) e Mário Eloy (1932) e em 1929, conseguiu a 2ª Medalha em Escultura na Exposição anual da SNBA. Entre estas décadas de 20 e de 30 editou as suas primeiras obras, colaborou em jornais e revistas, como no Ocidente. E de 1939 a 1940 executou o conjunto Tejo e quatro Tágides para a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, bem como as esculturas do pórtico do Museu Nacional de Arte Antiga.

A sua cuja obra está representada no Museu do Chiado- Museu Nacional de Arte Contemporânea, Soares dos Reis (Porto), Casa-Museu Camilo Castelo Branco (S. Miguel de Seide), Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian,  Museu do Abade de Baçal (Bragança), Museu Grão Vasco (Viseu), Museu João de Deus, Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Museu Nacional João de Castilho (Tomar), Museu Santos Rocha (Figueira da Foz).

Em 1941, após enviuvar renunciou à escultura e passou a dedicar-se à escrita de biografias de artistas, estudos e  prefácios de catálogos de exposições de que se salientam as monografias sobre Columbano (1952), Domingos Sequeira (1956), Mário Eloy e Machado de Castro (1958). Deixou inúmeros artigos em publicações como o Boletim da Academia Nacional de Belas-ArtesContemporâneaMocidade Portuguesa Feminina, Mundo Gráfico, Mundo Literário, OcidentePanorama ou The Connoisseur. Diogo de Macedo esteve também ligado à Academia Nacional de Belas Artes, primeiro como  vogal (1938) e depois como secretário (1948).

A  partir de 1945 e até ao final da vida, dirigiu o Museu Nacional de Arte Contemporânea (hoje Museu do Chiado), onde iniciou a prática de o abrir diariamente ao público, com entrada independente pela Rua Serpa Pinto, a que somou um programa de exposições temporárias e pequenas monografias editadas pelo museu sobre artistas representativos da sua coleção.

Em 1946 voltou a casar,  com Eva Botelho Arruda, e dois anos depois foi incumbido pelo Ministério das Colónias de dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes por Angola e Moçambique. Em 1949, promoveu também uma Semana Cultural Portuguesa em Santiago de Compostela. Nos anos cinquenta foi convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público e voltou a a apresentar obras suas na Bienal de Veneza (1950) ou no Pavilhão Português da Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Em sua homenagem,  a Escola Secundária de Olival, em Vila Nova de Gaia, passou a designar-se Escola Secundária Diogo de Macedo (em 1995) e ficou também perpetuado na toponímia do Porto, de Mafamude e de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), da Arrentela (Seixal) e de Sesimbra.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O azulejador e caricaturista Jorge Colaço numa Rua de Alvalade

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jorge Colaço, da azulejaria azul e branca e das caricaturas do Thalassa, cujo 150º aniversário este ano se completa, desde 1957 dá nome à Rua de Alvalade que era o troço da Estrada das Amoreiras a norte da Avenida do Brasil até à projetada Segunda Circular.

Jorge Colaço foi inscrito na toponímia de Lisboa pelo Edital  municipal de 17 de maio de 1957, cerca de nove anos depois da sua mulher, Branca de Gonta Colaço, que era também  um topónimo do Bairro de Alvalade desde a publicação do Edital municipal de 22 de julho de 1948 .  A sugestão para homenagear Jorge Colaço surgiu do seu filho, Tomás Ribeiro Colaço, em carta datada de 29/11/1956 dirigida ao Presidente da edilidade lisboeta.

«Ilustração Portuguesa» de 20 de dezembro de 1905

Jorge Daniel Rey Colaço (Tânger/26.02.1868 – 23.08.1942/Caxias),  notabilizou-se sobretudo como azulejador e caricaturista, bem como enquanto Presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes, no período de 1906 a 1910, por ter sido, em grande parte,  o obreiro da construção da sede.

Nascido em Tânger, no Consulado de Portugal , por ser filho do escritor e diplomata José Daniel Colaço ( 1.º barão de Colaço e Macnamara) e de Virgínia Maria Clara Vitória Raimunda Rey Colaço, sendo assim também primo de Amélia Rey Colaço ( mais nova 30 anos). Estudou arte em Lisboa, Madrid e Paris, onde foi discípulo de Ferdinand Cormon, após o que trabalhou para a Fábrica de Louça de Sacavém até 1923, fazendo ressurgir o azulejo artístico em Portugal. A partir de 1924 e até à data da sua morte passou a colaborar com a Fábrica de Cerâmica Lusitânia,  de Coimbra. Inovador nos processos foi dos primeiros a usar a  técnica da serigrafia nos azulejos mas, distinguiu-se ainda mais pela transposição para o azulejo de efeitos aguarelados ou semelhantes aos da pintura a óleo graças a uma segunda cozedura. A azulejaria de Jorge Colaço foi preferencialmente em azul e branco e tradicionalista, com painéis historiados de azulejaria e exaltação da  vida rural.

Das muitas centenas de painéis de azulejos seus espalhados pelo país e até pelo mundo, cuja inventariação ainda está a ser completada, destacamos em Lisboa, os da Casa do Alentejo no Palácio Alverca (1918), do Pavilhão dos Desportos- Pavilhão Carlos Lopes (1922), da Academia Militar no palácio da Bemposta, da  pastelaria A Merendinha na Rua dos Condes de Monsanto, na sede da Cruz Vermelha Portuguesa no Palácio dos Condes de Óbidos e do desaparecido Mercado da Fruta do Cais do Sodré. No resto do país salientamos os painéis das muitas estações e apeadeiros de caminho de ferro que são da sua autoria, como os da Estação de São Bento (1903) no Porto  ou os da Estação de Beja (1940), os do Aquário Vasco da Gama (1898) no Dafundo, da decoração do Palace-Hotel do Buçaco (1907), do revestimento exterior da Igreja dos Congregados (1929) no Porto, da Casa Baeta em Olhão (1930), bem como a nível internacional o seu tríptico no Palácio de Windsor (Inglaterra), o painel na Sociedade das Nações em Genebra (Suíça), na Maternidade de Buenos Aires (Argentina) e em diversas residências no Brasil, Cuba e Uruguai.

Jorge Colaço usou também o seu exímio traço de  desenhador na caricatura e foi galardoado com a 1ª medalha em caricatura da Sociedade Nacional de Belas Artes e a medalha de honra na Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro (1908). Em 1913, com Alfredo Lamas, Chrispim ( E. Severim de Azevedo) e João Martins,  fundou o semanário humorístico O Thalassa, com sede na Rua da Alegria nº 26 e dirigiu-o na totalidade a partir de 13 de fevereiro de 1914 e até ao seu 100º e último número de 14 de maio de 1915. Também aqui privilegiava a caricatura política, nitidamente influenciado por Bordalo Pinheiro. Colaborou ainda com os jornais Branco e Negro (1896 – 1898) , O Branco e Negro (1899) e a revista Ilustração Portuguesa, a partir de 1903.

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, numa Rua do Bairro do Oriente

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1998 que Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, de traço original e inconfundível, que serviu de modelo a Eduardo Teixeira Coelho e outros das gerações seguintes, está homenageado numa Rua do Bairro do Oriente, na freguesia do Parque das Nações.

A Rua Fernando Bento, que liga a Rua Padre Abel Varzim à Rua Carlos Daniel, foi o topónimo atribuído à  Rua F do Bairro dos Retornados pelo Edital municipal de 24 de junho de 1998. O antigo Bairro dos Retornados, como era popularmente conhecido, foi renomeado como Bairro do Oriente no dia 7 de maio de 1999 e as suas artérias, até aí denominadas por letras, passaram a ostentar nas suas placas toponímicas os nomes de vários artistas, como Fernando Bento, os cantores António Variações e Carlos Paião, os atores Mário Viegas e Carlos Daniel, o compositor Jaime Mendes e o Palhaço Luciano.

Fernando Trindade Carvalho Bento (Lisboa/26.10.1910 – 19.09.1996*/Lisboa) nasceu  na Praça das Flores 21 dias após a implantação da República em Portugal, filho de um pintor de cenários e de cartazes do Coliseu dos Recreios e tornou-se  a partir de 1938 um autor de banda desenhada portuguesa, modelo para os desenhadores das gerações seguintes, como Eduardo Teixeira Coelho. Refira-se ainda neste mês de junho que Fernando Bento foi também o primeiro a fazer uma biografia de Santo António em banda desenhada, em 1943, para o Diabrete nº 128.

Antes de se dedicar em força à  9ª Arte, Fernando Bento fizera apenas o curso de desenho por correspondência da escola de desenho ABC de Paris. A partir de 1935, trabalhou como figurinista e cenógrafo no Coliseu de Lisboa e, dois anos depois, com 27 anos de idade, fez a sua primeira exposição individual. Ainda na década de trinta do séc. XX, Fernando Bento teve uma fase em que publicava caricaturas na imprensa escrita, primeiro no Coliseu Os Sports, como depois no Diário de Lisboa. E como em Portugal nunca a profissão de artista de banda desenhada foi remunerada de forma a permitir ser a única ocupação, desde muito cedo que Fernando Bento era funcionário da British Petroleum, pelo que com o lançamento da revista BP foi convidado a participar nela e tornou-se até  seu diretor mais tarde. Quando se reformou da BP, abriu um gabinete de publicidade.

Filipim de Fernando Bento

Publicou as suas primeiras histórias aos quadradinhos em 1938, no suplemento infantil do jornal República, o Pim-Pam Pum versando geralmente temas desportivos como O Mais Importante Desafio de Futebol da Época ou A Volta A Portugal em Bicicleta. A partir de 1941 e de parceria com Mário Costa,  assegurou o grafismo do Pim-Pam Pum durante quase 20 anos,  até 1959, tendo aí também publicado 14 séries, onde  se destaca A Volta ao Mundo Por Pim Pam Pum (1941-1942) e As Férias de Pim Pam e Pum (1942) e mais 836 tiras e 49 pranchas de uma página de sua autoria. Em paralelo, trabalhou também na revista infantil Diabrete (1941 a 1951), onde foi maquetista, ilustrador de capas e autor das bandas desenhadas de adaptações de obras de Júlio Verne, Conan Doyle, Kipling ou  Mark Twain,  bem como de outras com argumento didático-histórico de Adolfo Simões Muller, para além das suas personagens cómicas  AnitaZé Quitolas ou Zuca. Da sua ligação a  Adolfo Simões Muller resultaram  também ilustrações para a literatura infantil deste. Em 1946, fez uma adaptação para banda desenhada do filme de Robert Vernay de 1942, Le Comte de Monte-Cristo, com um estilo aproximado da fotografia, para suporte de uma folha volante de publicidade e o seu enorme sucesso garantiu-lhe de seguida a passagem  das suas histórias para os manuais escolares de inglês e francês dessa época. A partir de 1952, Fernando Bento instalou-se na revista juvenil Cavaleiro Andante, para dar vida a inúmeras séries como Beau Geste – que foi editada na BélgicaO Anel da Rainha do Sabá ou Quintino Durward, que era a sua favorita. Até 1962 foi para esta revista que também produziu anúncios, capas,  37 séries e 175 histórias curtas. De igual modo, para o Pagem, o  suplemento infantil do Cavaleiro Andante, não faltaram as suas histórias cómicas do Zé Quitolas, da Anita e do Filipim.

Depois, só voltou a publicar em  1973, com um grafismo mais modernista, 16 pranchas inéditas intituladas Um Homem Chamado Joaquim Agostinho, impressas diariamente nas páginas de A Capital , entre 5 e 20 de agosto desse ano. Essa década foi também a das  reedições das suas obras para o suplemento Nau Catrineta do Diário de Notícias (1975), A Ilha do Tesouro (1977) e Serpa Pinto (1979) para o Templário Juvenil, bem como Luís de Camões e Alguns Passos de ‘Os Lusíadas’ para o Boletim do Serviço de Biblioteca Itinerantes da Fundação Gulbenkian, tendo assim continuado a acontecer nos anos 80 para as revistas Mundo de Aventuras Quadradinhos. Foram também reeditados os álbuns Beau Geste (1982), Com a Pena e com a Espada (1983), O Anel da Rainha do Sabá  e As mil e Uma Noites (ambos em 1988). No início da década de 90, Fernando Bento nos seus 80 anos de idade,  retomou a sua A Ilha do Tesoiro de 1947, desta feita com argumento de Jorge Magalhães e o titulo de Regresso à Ilha do Tesouro (1993), para além de ter sido reeditado no  Almada BD Fanzine (1990), nos Cadernos Sobreda-BD (1991 e 2002) e no fanzine Zero  da Póvoa do Varzim ( de 1990 a 1998).

Fernando Bento foi agraciado com o troféu O Mosquito (1983) pelo Clube Português de Banda Desenhada, assim como postumamente foi homenageado em 2010, no 1º centenário do seu nascimento, através de uma exposição  que esteve patente em Moura, Sobreda, Viseu e Beja, assim como por outra, exibida na Amadora, concelho que em 2016, também acolheu uma nova mostra, no Clube Português de Banda Desenhada.

A Câmara Municipal de Lisboa, através da Bedeteca, já o havia homenageado através da publicação de Fernando Bento – Uma Ilha de Tesouros ou  Diabruras da prima Zuca (ambos em 1998), mas no ano seguinte consagrou-o também na toponímia lisboeta. O seu nome consta também da toponímia da Sobreda, no concelho de Almada.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

a data de falecimento foi a indicada pelo filho de Fernando Bento, em 1999, para a elaboração da brochura publicada para a inauguração da Rua Fernando Bento