A Rua do flautista e compositor sacro Dom Pedro Cristo

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Domingos de seu nome secular, Dom Pedro de Cristo por escolha, exímio flautista e compositor sacro coimbrão da passagem do séc. XVI para o XVII, quando o Mosteiro de Santa Cruz era um centro de produção musical, cujo 4º centenário da morte passa este ano, está homenageado numa Rua de Alvalade desde a publicação do Edital municipal de 14 de junho de 1950.

Era a Rua 36 do Sítio de Alvalade situada na confluência das Ruas Domingos Bomtempo e Filipe de Magalhães, ambos compositores, tanto mais que a Câmara alfacinha colocou pelo mesmo Edital de 1950 mais 7 topónimos de músicos no Bairro: Rua Alexandre Rey Colaço (Rua 35), Rua Carlos de Seixas (Rua 38), Rua Domingos Bomtempo (Rua 37), Rua Duarte Lobo (Rua 34-A), Rua Filipe Magalhães (Rua 40), Rua Frei Manuel Cardoso (Rua 34) e Rua Viana da Mota (Rua 35-A).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

De seu nome Domingos (Coimbra/c. 1545 a 1551 – 16.12.1618/Coimbra) e filho de António Nunes e Isabel Pires, ao tomar o hábito  de monge de Santo Agostinho em 4 de setembro de 1571 escolheu ser Pedro de Cristo. Destacou-se como um excelente executante de flauta e de fagote renascentista, assim como de harpa e ainda um celebrado cantor e professor de música.  Foi o mais célebre compositor de música sacra do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e mestre de capela a partir de 1597. Produziu vasta obra vocal polifónica de 3 a 6 vozes, com motetos, responsórios, salmos, missas, hinos, paixões, lamentações, cânticos e vilancicos espirituais (denominados chansonetas no Mosteiro). As suas obras conservam todo o elevado sentido espiritual da oração cantada mas moldada na polifonia do Renascimento. Permaneceu também algum tempo no mosteiro-irmão de São Vicente de Fora, em Lisboa. Quando faleceu era cantor-mor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, cargo em que sucedera a D. Francisco Castelhano.

Existe em Coimbra um Coro com o seu nome desde 1970 e também integra a toponímia de Coimbra e de Fernão Ferro.

A Rua Dom Pedro de Cristo em 1961
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

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A Travessa de São Jerónimo junto da rua da mesma invocação

Freguesia de Alcântara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Travessa de São Jerónimo que hoje vemos a ligar a Rua da Cruz a Alcântara à Rua Feliciano de Sousa, deriva o seu nome da proximidade a esta última artéria, que se denominou Rua de São Jerónimo até à publicação do Edital municipal de 21 de junho de 1926.

Encontramos a primeira referência escrita a esta Travessa de São Jerónimo em 1807, na planta de Duarte Fava, que também menciona a antiga Rua de São Jerónimo, sendo esta última também mencionada em outubro de 1873, quando Ressano Garcia remeteu ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Francisco Isidoro Viana  os orçamentos da despesa com a construção do cano geral na Rua de São Jerónimo em Alcântara, tal como em dezembro quando o administrador do concelho de Belém solicitou ao edil lisboeta providências para não causar prejuízos aos moradores e aos transeuntes por via das obras do cano terem parado. No séc. XX, o alinhamento da Rua de São Jerónimo é mencionado em documentos municipais de 1904 e 1906 e na plantas de Silva Pinto, de 1910 e 1911, tanto a Rua como a Travessa de São Jerónimo nelas figuram.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Porquê a invocação de São Jerónimo é que é uma área sobre a qual ainda só podemos formular hipóteses, embora nos pareça que as suas origens podem remontar ao séc. XVI, quando a zona ocidental da Lisboa de hoje tinha como pólos de povoamento o Restelo, a Junqueira, o Calvário e Alcântara.

Recorde-se que quando em 1459 o Infante D. Henrique solicitou autorização para instituir a paróquia de Santa Maria de Belém justificava o pedido por os colonos e lavradores do reguengo de Algés não terem paróquia certa mas foi concedida e extinta em 1497 sendo cerca de 1520 que surgem as primeiras referências à paróquia de Nª Srª da Ajuda. O Mosteiro dos Jerónimos começou a ser construídos em 1502. Em 1514  foi  erguida acima do Mosteiro a Capela de São Jerónimo, com traça de Diogo Boitaca, também conhecida como Ermida dos Navegantes ou Ermida do Restelo, e que é uma autêntica e minúscula réplica do Mosteiro dos Jerónimos. E aqui surge uma hipótese de explicação: sendo desconhecida em Alcântara uma capela dedicada a São Jerónimo pode o topónimo ter sido gerado no séc. XVI por referência à Ermida mais próxima que era a de São Jerónimo?… Recordamos que a Ermida de Santo Amaro só foi edificada a partir de 1542 e até 1549.

Por outro lado,  em 1520, a peste assolou fortemente Lisboa o que obrigou a improvisar rapidamente um hospital na quinta de D. Jerónimo de Eça, na Horta Navia, junto à ponte de Alcântara, mesmo na zona fronteira ao local da Travessa e Rua de São Jerónimo, por ordem de D. Manuel I de 23 de julho de 1520. Nesta época a Câmara de Lisboa ordenou também aos moradores de toda a zona que concorressem para a obra. Poderão os topónimos Travessa e Rua de São Jerónimo ter sido a canonização popular de D. Jerónimo de Eça pela cedência da sua quinta para a peste não se espalhar?…

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857

 

O Largo de Santos o Novo do Convento das Comendadeiras

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Este Largo de Santos o Novo recolhe o topónimo do Convento edificado nestes terrenos do Alto do Varejão para as Comendadeiras da Ordem de Santiago.

Compreendido entre a Calçada das Lajes e a Rua Matilde Rosa Araújo (até ao Edital municipal de 10/11/2016 denominava-se Quinta das Comendadeiras), este Largo de Santos o Novo terá sido também conhecido como Largo de Santos Novos. Nas plantas das freguesias de Lisboa executadas de acordo com a remodelação paroquial de 1770 já encontramos na Freguesia de Santa Engrácia a menção à Igreja e ao Convento de Santos- o-Novo ou Recolhimento de Santos o Novo.

O primeiro Mosteiro de Santos-o-Novo foi mandado construir por D. João II em 1470, para nele serem depositadas as relíquias dos Santos Mártires  oriundas do Mosteiro de Santos-o-Velho: as relíquias dos irmãos Veríssimo, Máxima e Júlia que em Lisboa sofreram o martírio no ano de 307 por não obedecerem às leis romanas de fazer oferendas aos deuses. No entanto, atingiu tal degradação que teve de ser reconstruído e por mais de 80 anos, entre 1609 e 1689, já no reinado de Filipe II, ganhando enormes proporções, num grande bloco quadrangular com 3 andares e 365 janelas, com amplas celas correspondentes ao estatuto de não clausura das Comendadeiras.

Originalmente foi destinado às mulheres, filhas e viúvas dos freires da Ordem de Santiago: as Comendadeiras da Ordem de Santiago. Contudo,  no início do século XVIII, contava apenas 16 mulheres  e foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755 e a seguir recuperado. A sua Igreja, de nave única e com 5 capelas laterais, comporta talha dourada, mármores florentinos e painéis de azulejos como os que contam a vida dos Santos Mártires.

Depois de 1834, data da extinção das ordens religiosas, as Comendadeiras mantiveram-se neste mosteiro até à proclamação da República. Em 1911, o 2º piso do edifício foi usado para a criação da Escola Primária Superior D. António da Costa por iniciativa de António José de Almeida e, a partir de 1927 foi nele instalado o Instituto Sidónio Pais, destinado à educação dos filhos dos Professores do Ensino Primário Oficial e um recolhimento de senhoras idosas. O conjunto da cerca conventual está classificado como Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 31/83, DR, I Série, n.º 106, de 9-05-1983) e o edifício tem como morada Calçada da Cruz da Pedra, nº 44.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Alameda da Quinta de Santo António de Telheiras

Pormenor da Quinta de Santo António na planta de Silva Pinto de 1907

Este topónimo preserva no sítio a memória da Quinta de Santo António e da sua Ermida de Santo António, em Telheiras, na Urbanização da Quinta de Santo António dos anos 80 do século XX.

A Alameda da Quinta de Santo António, que vai da Rua Fernando Namora à Rua Prof. Simões Raposo – no espaço que comercialmente foi denominado Parque dos Príncipes-, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de outubro de 1989 a um troço da Rua B da Urbanização da Quinta de Santo António a Telheiras, perpendicular à Rua A.

Como topónimo, esta Alameda da Quinta de Santo António, surgiu na sequência de um pedido da Junta de Freguesia do Lumiar para que fosse atribuído o nome do médico e investigador Prof. Luís Simões Raposo. A Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 17 de outubro de 1989 colocou esse topónimo no troço da Rua B situado entre a Alameda da Quinta de Santo António e o Impasse 2 (da Urbanização da Quinta de Santo António), na mesma altura fazendo uso do troço  da mesma Rua B, com início na Rua A e perpendicular a esta, para fixar esta Alameda da Quinta de Santo António, memória de uma das quintas de Telheiras e da sua ermida.

A partir do séc. XVIII povoavam Telheiras proprietários lavradores e assalariados agrícolas, sendo estes últimos que trabalhavam nas quintas dos nobres  então conhecidos como  «os saloios de Tilheiras». Eram famosas as Quintas de São Vicente e de Santo António mas todas estas quintas de lazer possuíam um conjunto de terrenos de cultura e a casa com jardim do proprietário. Em 1758, a Quinta de Santo António pertencia a António Francisco Gorge e tinha uma Ermida dedicada a Santo António,  conforme relato do pároco Feliciano Luz Gonzaga.

Ainda segundo a mesma narrativa deste padre do Lumiar, de 4 de maio de 1758, tinha a paróquia do Lumiar 450 fogos e 2226 pessoas, ficando a um quarto de légua de distância do lugar do Campo Grande; precisa ainda que «os lugares que compreende são o do Lumiar que tem 188 fogos e 93 pessoas, o de Tilheyras em que se acham 92 fogos e 440 pessoas, o do Paço com 122 fogos e 603 pessoas, tem mais 2 lugares pequenos que são a Urmeyra que tem 5 fogos e 34 pessoas, e a Torre do Lumiar que tem 19 fogos e 104 pessoas, e os mais fogos que tem que são 24 em que habitam 142 pessoas são em várias quintas que se acham pelos limites desta freguesia».

Mais tarde, na planta de Silva Pinto de 1907 ainda está assinalada a Quinta de Santo António, bem como a Quinta dos Ingleses e a Quinta da Torre do Fato e ainda depois, nas plantas municipais  de 1967 do plano de urbanização da malha de Telheiras ainda aparece a Quinta de Santo António.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Calçada da Ermida e Convento de Santa Apolónia

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Calçada de Santa Apolónia, que hoje vemos a ligar a Rua de Santa Apolónia à Rua da Bica do Sapato, deriva o seu topónimo do Convento de Santa Apolónia naquela zona erguido na segunda metade do séc. XVII, embora este hagiotopónimo fosse ali já habitual graças à Ermida de Santa Apolónia que existiu pelo menos desde 1552.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

No Sumário de 1551 de Cristóvão Rodrigues de Oliveira já é mencionada uma ermida de Santa Apolónia e é junto dela que cem anos depois, por volta de 1662, foi fundado um recolhimento de freiras, a mando de D. Isabel da Madre de Deus, religiosa da Ordem Terceira de São Francisco e protegida dos Duques de Bragança (D. João IV e D. Luísa de Gusmão). Após um incêndio em 1692 foram necessárias obras no recolhimento e em 1698, o testamento de Domingos Ferreira do Souto e de sua mulher Catarina da Silva determinou a construção de um convento, com a contrapartida de ser reservada a capela-mor para a sepultura do casal mais 6 lugares de noviças para familiares do casal. Este novo Convento foi construído antes de 1717, já que esse é o ano em que o  Papa Clemente XI eleva o Recolhimento de Santa Apolónia a convento. Em 1719 as religiosas professaram na Regra de Santa Clara e o Convento localizava-se na Rua de Santa Apolónia e tinha a fachada principal virada a norte.

O Terramoto de 1755 tornou-o inabitável e as freiras recolheram-se no Forte de Santa Apolónia durante cerca de dois anos, durante a reconstrução com apoio régio. Em agosto de 1833, as religiosas foram transferidas para o Convento de Santa Ana de Lisboa, por ordem de D. Pedro II , por causa das guerras liberais e no mês seguinte uma portaria régia determinava que a Alfândega das Sete Casas pudesse dispor do Convento de Santa Apolónia, para aí se guardarem «os generos, que na mesma Alfandega já não podem ser arrecadados por falta de cõmodo».

Em 1852 o edifício do antigo convento foi adquirido pela Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro e ali funcionou durante cerca de 13 anos, até maio de 1865, uma pequena estação de passageiros e mercadorias da Linha do Leste e em 28 de outubro de 1856 foi oficialmente inaugurado o  1º troço de via-férrea da Linha Leste, entre Lisboa e o Carregado. A igreja de Santa Apolónia também serviu mais tarde como armazém da Cooperativa do pessoal dos Caminhos de Ferro. Uma portaria de 5 de maio de 1862 aprovou o traçado da futura Estação de Santa Apolónia, entre a Praia dos Algarves e a Rua direita do Cais dos Soldados, no local das instalações do Regimento de Cavalaria do Cais.

O edifício do antigo Convento de Santa Apolónia foi demolido entre 1958 e 1960 e a fachada da igreja foi transferida para a frontaria da nova Igreja de São Marcos, em Arripiado, na Chamusca.

Para além desta Calçada ( na freguesia de São Vicente ), Santa Apolónia está ainda na toponímia próxima na Rua da Cruz de Santa Apolónia ( São Vicente ), na Rua de Santa Apolónia ( São Vicente e Penha de França ) e na Rua do Forte de Santa Apolónia ( Penha de França ).

No resto do país, este hagiotopónimo também se encontra em Barcelos, Guimarães, Póvoa do Lanhoso (Braga), Vila Nova de Famalicão (Braga), Bragança, Alcains (Castelo Branco), Coimbra, Montemor-o-Velho ( Coimbra), Custóias (Matosinhos), Porto Salvo (Oeiras), Recarei (Paredes), Pousafoles do Bispo (Sabugal), Sertã (Castelo Branco), Vila do Conde, Vila Nova de Gaia e Tarouca (Viseu).

O local onde existiu o Convento de Santa Apolónia
(Foto: © CML | DMC | DPC | José Vicente 2013)

 

A Rua de São Bernardo de Claraval na cerca do Convento de São Bento

Freguesias de Campo de Ourique e da Estrela
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

São Bernardo, um dos santos louvados pela Ordem de São Bento, passou também a topónimo numa das ruas construídas na antiga cerca do Convento de São Bento, que hoje reconhecemos como a artéria que liga a Calçada da Estrela à Avenida Álvares Cabral.

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações em Lisboa, o topónimo desta rua terá sido estabelecido em 1793, conforme se pode ler na seguinte passagem: «Esta Travessa de Santa Quitéria (1759), tal como a Rua de Santo Amaro, as Travessas de Santa Gertrudes (hoje Rua Teófilo Braga), de S. Plácido, de Santa Escolástica (hoje Rua dos Ferreiros), de Santo Ildefonso (tôdas datando de 1763), e a Rua de S. Bernardo, trinta anos mais moderna que as anteriores, foram talhadas na cêrca do Convento de S. Bento; os nomes, postos pelos frades, são dos santos da sua Ordem».

No século seguinte, em 1859, parte desta via, junto com as Travessas de Santo Amaro e de Santa Iria,  passaram a constituir um arruamento único com a denominação de Travessa de Santo Amaro, conforme está no Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro. Em 1878, a Rua de São Bernardo ainda terminava na Travessa de Santa Quitéria , uma vez que só a partir de 1889 se começou a traçar a abertura da artéria que veio a ser a Avenida Álvares Cabral, onde nos nossos dias finda a Rua de São Bernardo.

Freguesias de Campo de Ourique e da Estrela
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O homenageado é São Bernardo de Claraval a quem D. Afonso Henriques doou em 1153,  assim como à Ordem de Cister, um vasto território de 44 mil hectares.  Bernardo de Claraval ou de Fontaine (França- Dijon /1090 – 1153/  Abadia de Claraval – França) foi o maior impulsionador da Ordem de Cister e uma das personalidades eclesiásticas mais influentes do século XII , como abade cisterciense, santo e Doutor da Igreja. Vinte e um anos após a sua morte, em 18 de julho de 1174, foi canonizado por Alexandre III, sendo 20 de agosto o seu dia, que por isso mesmo é o feriado municipal de Alcobaça. Sete séculos depois, em 1830 foi declarado Doutor da Igreja por Pio VIII.

Refira-se que no séc. XVII, em 18 de setembro de 1664, D. Afonso VI  fez um Decreto a ordenar que os tribunais encerrassem  no feriado de São Bernardo.

São Bernardo está também na toponímia de Alcabideche, Aveiro, Coimbra, Grândola, Lamego, Mafra, Mangualde, Manteigas, Marco de Canavezes, Ourém, Pontinha, Portalegre, Porto,  Salvaterra de Magos, São Pedro do Sul, Sátão, Setúbal, Tarouca e Viseu.

A Rua de São Bernardo em 1968
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

 

 

A Avenida da Igreja de São João de Brito

A Avenida da Igreja em 1959
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida que a partir do Campo Grande dá acesso à Igreja de São João de Brito, construída entre 1951 e 1955, desde a publicação do Edital municipal de 19 de julho de 1948 que é a Avenida da Igreja.

Este arruamento dividia os grupos 1 e 2 do Sítio de Alvalade e mais tarde, será já como Avenida da Igreja que fará também de linha divisória entre as freguesias do Campo Grande e de São João de Brito, quando esta última freguesia for criada em 7 de fevereiro de 1959, pelo Decreto-Lei nº 42142. Hoje, toda a Avenida da igreja é pertença da Freguesia de Alvalade.

O Edital de 1948 atribuiu mais 19 topónimos, nas ruas do Sítio de Alvalade identificadas com os números 1 a 19: Rua Afonso Lopes Vieira, Rua Branca de Gonta Colaço, Rua Fernando Caldeira, Rua Rosália de Castro, Rua Alberto de Oliveira, Rua João Lúcio, Rua Antónia Pusich, Rua Fausto Guedes Teixeira, Rua Eugénio de Castro, Rua Violante do Céu, Rua Fernando Pessoa, Rua Luís Augusto Palmeirim, Rua António Patrício, Rua Bernarda Ferreira de Lacerda, Rua Eduardo Vidal, Rua Camilo Pessanha, Rua Guilherme de Azevedo, Rua Mário de Sá Carneiro e Rua Florbela Espanca.

A Igreja de S. João de Brito que foi inaugurada em 2 de outubro de 1955, estava já traçada pelo arqº  Vasco Morais Palmeira em 1951 e no ano seguinte iniciou-se a construção do templo, com fundos provenientes da venda da Igreja da Conceição Nova (demolida em 1951), de onde veio também parte do espólio para a nova igreja.  João de Brito havia sido canonizado em 22 de junho de 1947 e nesse mesmo ano os CTT lançaram um selo comemorativo do 3º centenário do seu nascimento.

O Bairro de Alvalade estava projetado desde 1945 pelo arquiteto urbanista municipal Faria da Costa e a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, criada no ano de 1943, foi sugerindo os topónimos para este novo bairro que foi nascendo nas décadas de quarenta e de cinquenta, alterando a feição arrabaldina desta zona da cidade.

A Avenida da Igreja em 1958
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua Beata Ascensão Nicol junto às Missionárias Dominicanas do Rosário

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A fundadora das Missionárias Dominicanas do Rosário, a Beata Ascensão Nicol, está desde 2009 como topónimo da artéria onde está sediada esta congregação em Lisboa, seguindo o pedido que fizeram à edilidade lisboeta.

Com a legenda «Fundadora das Missionárias Dominicanas do Rosário/1868 – 1940», está a Rua Beata Ascensão Nicol a ligar a Rua da Vila de São Martinho à Rua Baldaque da Silva, desde a publicação do Edital municipal de 30 de janeiro de 2009, no arruamento antes identificado como Rua I à Rua Perez Fernandez.

Florentina Nicol Goñi (Espanha-Tafalla/1868 – 24.02.1940/Pamplona – Espanha), nascida numa família de comerciantes de Navarra, tomou o nome de Ascensão do Coração de Jesus em 1886, nas Dominicanas de Huesca e foi a primeira missionária a penetrar na selva peruana amazónica, depois de atravessar os Andes, onde criou uma escola para meninas em 1913 e cinco anos depois, fundou a Congregação das Missionárias Dominicanas do Rosário, em Lima, pautando a sua missão pelo desenvolvimento integral da pessoa, sobretudo dos mais pobres e abandonados.

Na gradual internacionalização da sua Congregação Ascenção do Coração de Jesus veio a Portugal em 1933, para também aqui a instalar, embora só em 1968 tenha tido assento em Lisboa, dedicando-se desde então ao acolhimento e ajuda a freiras de países lusófonos ao passarem por Portugal, apoio a estudantes universitárias, acolhimento em creche e ensino pré-escolar .

Foi beatificada em 14 de  maio de 2005, a primeira beatificação do Papa Bento XVI, que declarou Madre Ascensão do Coração de Jesus Nicol Goñi  «como uma das maiores missionárias do século XX.»

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Beco dos Lóios para não ser Beco das Cabras

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Beco dos Lóios, que faz a ligação da Rua de Santa Marinha à Rua do Salvador, foi o topónimo escolhido para substituir o topónimo Beco das Cabras, por deliberação camarária de 23 de agosto de 1922 e consequente Edital municipal de 17 de outubro de 1924.

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo afirma que «A sua categoria primitiva foi a de travessa – ‘rua q vay junto á travessa dos Cabras’ – e a primeira vez que nos aparece nos registos paroquiais de S. Tomé é em 1705 [no Livro de Óbitos]. Ainda não sabemos que Cabras – apelido ou alcunha – deram o nome à serventia». Ou seja, o primitivo topónimo resultava do nome de gente conhecida localmente. Mas já em 1812 o Padre Carvalho Costa,  na sua Corografia Portuguesa, menciona este arruamento como Beco das Cabras, tal como está na planta de 1858 de Filipe Folque e assim ficou até lhe ser mudado o nome para Lóios, aproveitando uma relativa proximidade ao Largo dos Lóios.

Refira-se que por este mesmo Edital de 1924 também o Beco do Monete passou a ser a Travessa da Madalena, por proximidade à Rua da Madalena. Parece assim ter existido uma vontade municipal de mudar os topónimos que nasceram a partir de alcunhas de moradores locais para os referenciar antes a uma artéria próxima, que nestes dois casos foi de categoria religiosa.

Por sua vez, o Largo dos Lóios, «um pequeno largo que datava de 1677, ano em que fora regulado pela Câmara a pedido dos frades» conforme esclarece Norberto de Araújo, nasceu dos frades lóios do Convento de São Paulo e de Santo Elói ali implantado. Este Convento de Santo Elói foi fundado em 1284 pelo 10º bispo de Lisboa, D. Domingos Jardo, tendo cerca de 1442 sido convertido em Casa dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista, S. Clemente e Santo Elói. O Convento foi quase pulverizado aquando do terramoto e em 1834, quando da extinção das ordens  religiosas ainda não estava concluída a sua reconstrução pelo que o terreno acabou por mais tarde servir para lá se instalar a 5ª Companhia da Guarda Municipal, mais tarde Guarda Nacional Republicana.

O topónimo Lóios está também presente em Agualva-Cacém, na Caparica, Évora, Lavradio, Nelas e Santo Antão do Tojal.

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua São Francisco Xavier em Belém

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

São Francisco Xavier, padre, missionário e santo, conhecido pelos epítetos de Apóstolo do Oriente e Santo Padroeiro de Goa, é o topónimo de um arruamento de Belém desde 1948, especificamente, do Plano de Urbanização da Encosta do Restelo.

A Rua São Francisco Xavier foi atribuída pelo Edital municipal de 29 de abril de 1948 à Rua VI do Plano de Urbanização da Encosta do Restelo  ou Encosta da Ajuda, fazendo a ligação da Rua Dom Lourenço de Almeida à Rua Soldados da Índia. Por este mesmo Edital,  o primeiro da edilidade lisboeta a fixar em Belém memórias dos lugares e figuras referentes à Expansão Portuguesa, para além da Rua da Alcolena (um topónimo tradicional da zona derivado do Casal de Alcolena) foram mais os seguintes 20 topónimos: Praça do Império, Avenida da Índia, Avenida Dom Vasco da Gama, Praça de Damão, Praça de Dio, Praça de Goa, Praça Dom Manuel I,  Rua Damião de Góis, Rua Dom Cristóvão da Gama, Rua Dom Jerónimo Osório, Rua Dom Lourenço de Almeida, Rua Duarte Pacheco Pereira, Rua Fernão Mendes Pinto, Rua Fernão Lopes de Castanheda, Rua Tristão da Cunha e Rua Soldados da Índia.

Na época, este Edital tem ainda o significado de ser também o primeiro a responder com a manutenção da política colonial. Em 1947, os britânicos concederam a independência indiana e o primeiro-ministro indiano, Jawaharlal Nehru, exigiu a  integração da Índia Portuguesa na União Indiana. A resposta do Governo português também foi dada através deste Edital de toponímia da Câmara Municipal de Lisboa, logo no ano seguinte.

Imagem de São Francisco Xavier trazida de convento de Diu (Foto: António da Silva Fernandes Duarte, 1969, Arquivo Municipal de Lisboa)

Francisco Xavier (Espanha- Pamplona/07.04.1506 – 03.12.1552/ilha de Sanchoão – China) após conhecer em Paris Inácio de Loyola, na Sorbonne, torna-se padre jesuíta e D. João III incumbe-o em 1541 de evangelizar o Oriente e nessa missão percorreu Goa, Comorim, Manapar e Cochim e depois, as ilhas de Madrasta, Maçacar, Malaca, Molucas, Ceilão, Amboíne e Moro. Foi nomeado Superior da Companhia de Jesus de toda a Missão da Índia Oriental, desde o Cabo da Boa Esperança até à China.

Nos milhares de quilómetros que palmilhou, São Francisco Xavier visitou mais de cinco dezenas de reinos, fundou Igrejas, reorganizou as missões, foi exemplo de solidariedade cristã, tendo sido venerado por milhões de pessoas e canonizado pelo Papa Gregório XV em 1622, sendo o seu dia celebrado a 3 de dezembro.

Entretanto, já desde a década de 80 do século XX que se desenvolviam esforços para a construção de uma Igreja Paroquial dedicada a São Francisco Xavier no Alto do Restelo, que era então freguesia de São Francisco Xavier e daí resultou a atribuição da Praça de São Francisco Xavier à rotunda na confluência da Avenida Ilha da Madeira com a Rua Antão Gonçalves e com a Rua Carlos Calisto, pelo Edital municipal de 16 de dezembro de 2004, estando assim São Francisco Xavier duas vezes na toponímia de Lisboa.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

São Francisco Xavier está também presente na toponímia de Algueirão-Mem Martins, Barcarena, Buraca, Calheta, Carcavelos, Chaves, Coimbra, Mirandela, Estremoz, Fafe, Fernão Ferro, Ferrel, Gafanha da Nazaré, Leça do Balio, Loures, Lourinhã, Massamá, Montijo, Nazaré, Paio Mendes, Palmela, Pinhal Novo, Ponta Delgada, Pontinha, Porto, Póvoa de Santo Adrião, Rio de Mouro, Rio Tinto, Sacavém, Santa Iria de Azóia, São Domingos de Rana, São João da Madeira, São Julião do Tojal, Setúbal, Trofa, Viana do Castelo, Vila Nova de Famalicão e Viseu.

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)