A Rua da Amendoeira onde morou a mãe da Severa

Rua da Amendoeira, 1912, Aguarela de Alberto de Souza
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Amendoeira foi no século XIX uma morada de Ana Gertrudes, também conhecida pela alcunha da Barbuda e mãe de Maria Severa Onofriana, como referiu o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.

Esta é uma artéria que data pelo menos do séc. XVI considerando que Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no seu Sumário de 1551, já regista a Rua da Amendoeira, tal como a Rua do Capelão, a do João do Outeiro, a dos Cavaleiros e a  da Mouraria. Não espanta assim que a antiguidade da rua a inscreva na tradição popular de gerar nomes de ruas – topónimos – a partir das disposições do terreno ou do local, às suas circunstâncias naturais ou à sua fauna ou  flora. Em data não precisa do séc. XVI, encontramos também o registo do foro, no valor de 30 reais, de um chão situado na Rua da Amendoeira,  propriedade do pedreiro João Dias. No entanto, encontramos registos anteriores de 1394 e 1397, num artigo do Pedro de Azevedo (o autor de Nomes de pessoas e nomes de logares de 1900) publicado pelo Museu Etnológico Português em 1900.

Esta Rua da Amendoeira que foi alinhada em 1916 e une a Calçada de Santo André à Rua Marquês de Ponte de Lima, surge inscrita na letra de três fados, a saber: Lenda da Amendoeira de Carlos Conde e Gabino Ferreira, celebrizado na voz de Gabino Ferreira;  Sotão da Amendoeira de Carlos Conde e Raul Pinto, entre outros interpretado por Fernando Maurício; e Rua da Amendoeira de Euclides Cavaco e Frederico de Brito.

Na toponímia de Lisboa a «Amendoeira» está também presente no Beco da Amendoeira que justamente nasce nesta Rua da Amendoeira, bem como no Largo do Outeirinho da Amendoeira ( Freguesia de São Vicente ) e no Beco do Outeirinho da Amendoeira (Freguesia de Santa Maria Maior).

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Um Largo, uma Rua e uma cadeia ligadas a um limoeiro

O Largo e a Rua do Limoeiro – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Toze Ribeiro)

Supõe-se que terá existido um limoeiro que deu nome ao Largo e à Rua do Limoeiro e que a partir desta toponímia local a Cadeia erguida no séc. XV, no fronteiro Largo de São Martinho, ganhou a mesma denominação. A partir da existência secular dessa prisão foi então Limoeiro que passou a ser sinónimo de cárcere.

Assim, tanto o Largo do Limoeiro – na confluência do Largo de São Martinho com a Rua do Limoeiro – , como a Rua do Limoeiro – que liga o Largo do Limoeiro ao Largo de Santa Luzia -, arruamentos sobranceiros a Alfama, da Freguesia de Santa Maria Maior, possuem uma história que se confunde com a do Paço a-par-de-São Martinho.

Em 1186 foi construída a Igreja de São Martinho (demolida em 1838) e algures no reinado de D. Afonso III ( entre 1248 e 1279) foi construído em frente um Paço Real que por isso ficou conhecido como o Paço a-par-de-São Martinho. A partir de 1338, quando lá foi instalada a oficina de fabrico de moeda passou a ser denominado como Paços da Moeda e em 1383, nele morreu o Conde Andeiro  às mãos do Mestre de Avis, futuro D. João I. No início do século XV, o local designava-se como Paços do Infante herdeiro, por ser a residência do futuro rei D. Duarte, estando também lá instaladas as Comendadeiras de Santos-o-Velho enquanto esperavam o seu novo convento.

Com D. João II, o Paço de S. Martinho ficou também sede do Desembargo do Paço – com a Casa da Suplicação e a Casa do Cível – nos pisos superiores, enquanto em baixo funcionavam as prisões (a Cadeia da Cidade e a Cadeia da Corte), sendo então conhecido  como Paço do Limoeiro ou simplesmente, Limoeiro, denominação que vai a partir daqui perdurar. D. Manuel I mandou executar obras de melhoramentos no edifício do Limoeiro.  Em 1642, D. João IV fez um decreto a ordenar o despejo da cadeia do Limoeiro devido às doenças ali existentes e a transferência dos castelhanos lá presos. Depois, na 1ª metade do séc. XVIII, D. João V  também promoveu beneficiações nas instalações, segundo o plano do arq. Volkmar Machado, mas o Terramoto de 1755 arruinou a maioria das instalações e implicou a deslocação dos  seus 500 presos e em definitivo, dos tribunais lá instalados. Entre 1758 e 1759 a Cadeia da Corte já estava reabilitada. Era no Limoeiro que os condenados ao degredo nos territórios ultramarinos aguardavam o dia do embarque. Oliveira Martins refere também que nos tempos miguelistas  a cadeia ficou sobrelotada. Nos finais do século XIX e inícios do século XX, a Penitenciária de Lisboa, de 1885, era insuficiente e apesar de se multiplicarem as críticas à cadeia do Limoeiro esta manteve-se em funcionamento, mesmo após os incêndios de 1918 e de 1933 e durante as diversas obras de remodelação nos anos 30, 40 e 60. O Limoeiro apenas encerrou como cadeia em julho de 1974, acolhendo depois, transitoriamente, alguns portugueses retornados das antigas colónias. Finalmente, no último mês do ano de 1979, as instalações foram atribuídas ao Centro de Estudos Judiciários, espaço dedicado à formação de magistrados.

Saliente-se ainda que estiveram presos na Cadeia do Limoeiro os poetas Correia Garção (em 1771) e Bocage (1797), o pintor Domingos Sequeira (1808) e o escritor Almeida Garrett (1827). Em 1767 também lá estiveram Domingos da Cunha, António João, Policarpo José e António Francisco, carreiros da obra do Arsenal e Praça do Comércio, por ordem do Meirinho da Cidade, e que requereram a liberdade «uma vez que apenas se propuseram descansar um pouco dos trabalhos que têm com os desentulhos da cidade todos os dias».

Para a história da toponímia lisboeta fica que a Rua do Limoeiro seria a antiga Rua Direita do lugar do Limoeiro a ligar a Sé de Lisboa à Igreja de Santa Luzia, sendo que um documento de 1543 a denomina Rua Direita do Limoeiro. Luís Pastor de Macedo adianta que o Largo do Limoeiro é pela primeira vez citado em registos paroquias em 1647, como Terreiro do Limoeiro, e só em 1683 surge como Largo. A planta de 1761 de Guilherme de Menezes menciona o sítio do Limoeiro. A planta da Freguesia de S. Martinho após a remodelação paroquial de 1770 regista a Rua de S. Martinho e a Rua do Limoeiro, embora na descrição seja mencionado o Largo do Limoeiro, enquanto na Freguesia da Sé a planta mostra a Rua do Aljube. Na planta de 1807 de Duarte Fava temos a partir da Sé a Rua do Aljube, seguida de Arco do Limoeiro e Largo do Limoeiro. A de 1812 do Duque de Wellington apenas menciona Largo de São Martinho e Rua do Arco de Limoeiro. O Itinerário Lisbonense de 1818 indica que o Largo do Limoeiro se situava entre a Rua do Arco do Limoeiro e a Rua do Limoeiro, em frente da Cadeia do Limoeiro .Em 1858, Filipe Folque enumera a partir da Sé a Rua do Aljube, a Rua Direita do Limoeiro e a Rua de Santa Luzia, tal como em 1879 o fazem César e Francisco Goullard, assim como em 1911 Silva Pinto. No entanto, em 1892, Ressano Garcia denomina-a Rua do Limoeiro e, em 1910, uma planta do local menciona a Rua do Arco do Limoeiro a nascer junto da Sé onde antes era a Rua do Aljube. Em 1924, o troço  da Rua das Pedras Negras ao Largo de São Martinho, era designado como Rua do Arco do Limoeiro e por Edital municipal de 17 de março, passou a ser a Rua de Augusto Rosa, ator que ali viveu no prédio com o nº 50.

O Largo e a Rua do Limoeiro – Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Cais do Tojo repartido por rua, travessa e Largo Vitorino Damásio

O Cais do Tojo em sobreposição da planta de 1856 de Filipe Folque na dos dias de hoje

O antigo Cais do Tojo, lugar aberto de execução de penas capitais para servir de exemplo público, que em 1842 teve erguido o seu último patíbulo, tem a sua memória guardada em Lisboa através da Rua e da Travessa do Cais do Tojo, bem como do Largo Vitorino Damásio em cujo espaço ele se situava até cerca de 1858, razão para que a placa evocativa dos 150 Anos da Abolição da Pena de Morte tenha sido nele colocada pela edilidade, no primeiro dia de julho deste ano, dia do 150º aniversário da abolição da pena de morte em Portugal.

A última execução no Cais do Tojo, que ocupava o espaço onde hoje vemos o Largo Vitorino Damásio a encontrar-se com a Avenida Dom Carlos I, foi em 16 de abril de 1842 : o enforcamento de Francisco Matos Lobo, após prisão no Limoeiro, pelo assassinato da sua tia por afinidade, os seus dois filhos e a criada, na sua casa na Praça de São Paulo. Em  19 de fevereiro de 1841, também a forca ali se tinha erguido para Diogo Alves, condenado não pelas mortes daqueles que atirara do alto do Aqueduto das Águas Livres depois de os roubar mas pelo massacre da família de um médico no decorrer de um assalto com a sua quadrilha. No entanto, mesmo em 1842 já a pena de morte seria considerada desumana sendo disso exemplo o caso do sacerdote que acompanhava a última aplicação da pena capital em Lisboa ter morrido no local vítima de apoplexia.

Travessa do Cais do Tojo – Freguesia da Misericórdia – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Rua do Cais do Tojo – Freguesias da Misericórdia e da Estrela
(Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

A Rua do Cais do Tojo ( nas freguesias da Estrela e da Misericórdia ) liga o Boqueirão do Duro à Avenida Dom Carlos I e a Travessa do Cais do Tojo (freguesia da Misericórdia) une a Rua do Cais Tojo ao Largo do Conde Barão, tendo ambos os topónimos sido atribuídos pela Câmara alfacinha através do Edital de 8 de junho de 1889, para substituir as antigas Rua Nova do Cais do Tojo e a Travessa Nova do Cais do Tojo.

A ligação ribeirinha de Lisboa ao Tejo é uma constante da história da cidade, enumerando a Chancelaria Régia em 1725 as praias de Alfama, Remolares, São Paulo e Boavista. O Cais do Tojo da Boavista – assim denominado para de distinguir do Cais do Tojo do lado oriental, conhecido como Cais do Tojo da Bica do Sapato – já surge mencionado em 1766, numa apresentação feita pelo juiz do povo, a referir a necessidade da construção de um Cais para a descarga e venda de tojo, carqueja, carvão e lenha, tanto na parte oriental como ocidental da cidade de Lisboa. Refira-se que tojo é uma planta arbustiva usada para cama de gado, estrume ou combustível.

O Cais do Tojo passou mesmo a ter um cais de madeira e nele aportavam inúmeros produtos, pelos quais se cobrava o donativo, um imposto municipal sobre os rendimentos, criado por resolução régia de 21 de março de 1766 e que começou a ser arrecadado a partir da publicação do edital municipal de 2 de novembro de 1769.  Sabe-se ainda que este arruamento teve em tempos um chafariz, muito frequentado por aguadeiros e populares e que em 11 de setembro de 1820 ocorreu um incêndio nas estâncias de lenha que lá existiam, tal como no ano seguinte o posto da 4.ª Companhia de Infantaria da Guarda Real da Polícia, nele situado, sofreu um grande incêndio, após o que surgiu nas imediações o topónimo Boqueirão do Duro.

Largo Vitorino Damásio – Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

O Largo Vitorino Damásio ( na freguesia da Estrela ), na confluência da Avenida Dom Carlos I e o Largo de Santos, nasceu de remodelações urbanísticas na zona que se espelharam no Edital municipal de 17/06/1947, tendo o troço da Rua Vasco da Gama com os prédios com os nºs 1 a 51 e 24 a 66 passado a ser o Largo em homenagem ao engenheiro que veio para Lisboa concretizar o Aterro da Boa Vista. Este Largo que até  1787 tinha o seu lado sul parcialmente sob a linha de água resulta das obras do Aterro.

O Aterro era uma ideia que pairava pelo menos desde o reinado de D. João V mas as obras para a sua construção apenas foram decididas após o surto de cólera morbus que grassou na Lisboa de 1857, como medida preventiva contra novos focos de epidemia e assim, em 1858,  o eng.º Vitorino Damásio foi encarregado de proceder ao aterro da margem, desde o Boqueirão da Moeda até à praia de Santos, com os trabalhos executados pela empresa Lucotte. Em  1859, rasgou-se também a Calçada de Santos (hoje, Calçada Ribeiro Santos) para ligar o Aterro à Rua das Janelas Verdes. O Aterro ficou concluído no mesmo ano – 1867 – da abolição da pena de morte mas em agosto. Foram ainda demolidas habitações entre a Praça D. Luís e a Rua das Janelas Verdes para a construção de um paredão que constituiu o 1º acesso ao troço inicial do Aterro e que mais tarde, em  13 de setembro de 1878,  recebeu o nome de Rua 24 de Julho.

A partir de 1881 operam-se ainda mais transformações neste espaço urbano. São abertas a Rua Dom Carlos I (hoje Avenida) e a Rua Vasco da Gama (onde hoje encontramos o Largo de Santos e o Largo Vitorino Damásio). Em 1887 e 1888 é também alargada a Rua Nova do Cais do Tojo (antes denominada Travessa Nova do Cais do Tojo), à qual o Edital municipal de 8 de junho de 1889 retirou a partícula «nova», tal como fez à Travessa Nova do Cais do Tojo (antes Travessa do Chafariz do Cais do Tojo).

José Vitorino Damásio (Feira/02.11.1807 – 19.10.1875/Lisboa), licenciado em Matemática e Filosofia desde 1837 e engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas desde 1852, foi escolhido para dirigir as obras do Aterro, tendo depois também desempenhado o cargo de Reitor do Instituto Industrial (1853), bem como de presidente da administração do Caminho-de-Ferro do Leste e diretor da Companhia das Águas (ambos em 1858), e ainda, de Diretor-Geral dos Telégrafos (1864).

Vitorino Damásio fora Lente da Academia Politécnica do Porto e engenheiro das Obras Públicas desse mesmo Distrito, tendo sido pioneiro na utilização do processo de cilindragem e construído a 1ª draga a vapor portuguesa, para além de, com Faria de Guimarães e Silva Guimarães, ter fundado a Fundição do Bolhão, onde se fabricou a primeira louça estanhada nacional, estando também em 1852 na criação da Associação Industrial Portuense. Ainda estudante, Vitorino Damásio alistara-se no Batalhão Académico dos exércitos liberais, tendo chegado a General de Brigada, condecorado com a Torre e Espada pelo seu comportamento durante o cerco do Porto.

O Largo Vitorino Damásio, a Rua do Cais do Tojo e a Travessa do Tojo
(Planta: Sérgio Dias|NT do DPC)

O Largo das Cinco Palmeiras de 1916

Freguesia do lá vai um (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo das Palmeiras, na confluência  do Rua do Andaluz, Rua Luciano Cordeiro e Rua Sousa Martins nasceu através do Edital de 18 de novembro de 1916, por uma razão de serviço público, servindo de inspiração para o topónimo a presença de palmeiras no local.

Na reunião de câmara de 16 de novembro de 1916 foi analisada uma sugestão do Serviço da Polícia Municipal para que se denominasse Praça da Palmeira a «um largo não muito grande», entre as Ruas Sousa Martins, Andaluz e Luciano Cordeiro, resultante da reconstrução de propriedades cujas  frentes principais ficavam agora voltadas para aquela via pública, pelo que necessitavam de morada e numeração de polícia. Tornava-se assim necessário atribuir um topónimo ao local e como «constava, ia ser aformoseado levando ao centro uma placa com uma palmeira» estava encontrada a solução para a nomenclatura. O vereador Manuel Joaquim dos Santos precisou que iriam ser colocadas 5 palmeiras e a Comissão Executiva municipal decidiu por unanimidade atribuir a denominação de Largo das Palmeiras, conforme de seguida fez publicar em Edital.

Freguesia do lá vai um (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Conde de Ficalho do Jardim Botânico

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O Conde de Ficalho partilhou com Ramalho Ortigão a pertença ao grupo de intelectuais e políticos conhecido como os Vencidos da Vida e foi perpetuado na Rua 42 do Sítio de Alvalade, também conhecida como Rua 42 da Urbanização a Sul da antiga Rua Alferes Malheiro (hoje, Avenida do Brasil).

Pelo mesmo edital de 20/10/1955, foram também atribuídos no sítio de Alvalade os nomes de mais três membros dos Vencidos da Vida (Conde de Arnoso, Carlos Lobo d’Ávila e Marquês de Soveral), para além do artista plástico Constantino Fernandes, do escritor Carlos Malheiro Dias e do Coronel Marques Leitão que foi diretor do Colégio Militar e Presidente da CML numa Comissão Administrativa.

De seu nome Francisco Manuel de Melo Breyner (Serpa/27.07.1837 – 19.04.1903/Lisboa), foi o 4º Conde de Ficalho, botânico e professor catedrático de Botânica da Escola Politécnica de Lisboa. Em conjunto com Andrade Corvo, professor na mesma instituição, delineou o Jardim Botânico, no sítio do Monte Olivete e junto à Escola Politécnica, que começou a ser plantado em 1873 e foi inaugurado em 1878. Por ser o mais idoso dos Vencidos da Vida era considerado o presidente do grupo.

Publicou obras como Apontamentos para o estudo da flora Portuguesa (1875), Flora dos Lusíadas (1880), Memória sobre algumas plantas da África Central (1886), Memórias sobre a influência dos descobrimentos dos portugueses no conhecimento das plantas (1883), Plantas úteis da África portuguesa (1884), Garcia da Orta e o seu tempo (1886), As viagens de Pêro da Covilhã (1898).

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

 

A Rua do primeiro Jardim Botânico português

Placa Tipo II . Freguesias de Ajuda e de Belém

Placa Tipo II  – Freguesias da Ajuda e de Belém

A Rua do Jardim Botânico, que faz a ligação da Calçada da Ajuda à Calçada do Galvão, nasceu como o seu nome indica  da proximidade ao Jardim Botânico da Ajuda, através da publicação do Edital municipal de 26/09/1916, para preservar na memória alfacinha o primeiro jardim botânico português.

Este Jardim Botânico ocupou os terrenos arborizados que haviam sido da Quinta do Conde da Ponte  e que D. José I em boa hora adquiriu para cultura de frutas e hortaliças necessárias ao palácio real, instalado na Ajuda após o  terramoto de 1 de novembro de 1755. Por influência de Miguel Franzini, professor dos netos do rei  foi mandado criar este que foi então o 15º Jardim Botânico da Europa e o 1º em Portugal. Em 1765, foi encarregado de delinear e dirigir as obras do Real Jardim Botânico da Ajuda o italiano Domingos Vandelli e de as inspecionar o ministro da Marinha, Francisco Xavier de Carvalho, irmão do Marquês de Pombal. Destinava-se este Jardim, tal como o Museu de História Natural e o Gabinete de Física instalados num edifício próximo, à educação dos príncipes.

Domingos Vandelli dirigiu o então denominado Real Jardim Botânico da Ajuda de 1768 a 1774 e, o botânico Félix de Avelar Brotero foi o 2º diretor, de 1811 a 1828, tendo o seu catálogo das plantas em cultura registado 1370 espécies. Depois, já por ordem de D. João VI  o Jardim e o Museu foram abertos ao público, todas as quintas-feiras. Por decreto de 27 de agosto de 1836,o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda foi confiado à administração da Academia das Ciências de Lisboa. Dois anos depois, a partir de novembro de 1838 o Jardim Botânico da Ajuda passou a  depender da Escola Politécnica, instituída dois anos antes. Em 1874, o Jardim foi entregue à administração da Casa Real, altura em que decaiu progressivamente. Em 1910 passou a integrar o património nacional e, em 1918 foi entregue ao Instituto Superior de Agronomia permitindo assim que em 1934, sob a direção do Prof. André Navarro, o Prof. Caldeira Cabral estabelecesse o traçado dos canteiros do tabuleiro superior, que se tinha perdido completamente. Entre 1993 e 1997, com o apoio do Prémio de Conservação do Património Europeu e do Fundo de Turismo, sob a orientação da Profª. Cristina Castel-Branco, foi restaurado o Jardim, com a recuperação da coleção botânica,  do sistema de rega e a instalação do Jardim dos Aromas.

Freguesia de qq coisa para conferir

Freguesias da Ajuda e de Belém

Da Rua das Acácias à Azinhaga dos Ulmeiros

arvore montagem

Neste Dia Mundial da Floresta e da Árvore enunciamos os 70 topónimos evocativos de  árvores que encontramos na toponímia de Lisboa, em 21 das 24 freguesias da cidade:

  1. Rua das Acácias (freguesia de Benfica)
  2. Beco da Amendoeira (Santa Maria Maior)
  3. Beco do Outeirinho da Amendoeira (Santa Maria Maior)
  4. Estrada da Ameixoeira (freguesias do Lumiar e de Santa Clara)
  5. Rua Direita da Ameixoeira (Santa Clara)
  6. Campo das Amoreiras (Santa Clara)
  7. Estrada das Amoreiras (Santa Clara)
  8. Praça das Amoreiras (Santo António)
  9. Rua das Amoreiras (freguesias de Santo António e de Campo de Ourique)
  10. Rua das Amoreiras à Ajuda (Ajuda)
  11. Travessa da Amoreira ( Estrela)
  12. Travessa das Amoreiras a Arroios (Arroios)
  13. Rua das Azáleas (Benfica)
  14. Rua do Azevinho (Benfica)
  15. Beco do Azinhal (Santa Maria Maior)
  16. Azinhaga do Carrascal (Beato)
  17. Calçada do Carrascal (Beato)
  18. Largo dos Castanheiros da Índia (Marvila)
  19. Azinhaga dos Cerejais (Carnide)
  20. Azinhaga das Cerejeiras (Carnide)
  21. Rua do Eucalipto às Galinheiras (Santa Clara)
  22. Rua dos Eucaliptos (Olivais)
  23. Calçadinha da Figueira (Santa Maria Maior)
  24. Praça da Figueira  (Santa Maria Maior)
  25. Poço do Borratém  (Santa Maria Maior)
  26. Jardim dos Jacarandás (Parque das Nações)
  27. Passeio dos Jacarandás (Parque das Nações)
  28. Rua do Laranjal (Ajuda)
  29. Estrada das Laranjeiras (São Domingos de Benfica e Avenidas Novas)
  30. Rua das Laranjeiras (São Domingos de Benfica)
  31. Travessa da Laranjeira (Misericórdia)
  32. Largo do Limoeiro (Santa Maria Maior)
  33. Rua do Limoeiro (Santa Maria Maior)
  34. Beco do Loureiro (Santa Maria Maior)
  35. Estrada do Loureiro (Estrela)
  36. Rua do Loureiro (Santa Maria Maior)
  37. Travessa do Loureiro (Santo António)
  38. Largo do Chão do Loureiro (Santa Maria Maior)
  39. Travessa do Chão do Loureiro (Santa Maria Maior)
  40. Rua Nova do Loureiro (Misericórdia)
  41. Rua da Quinta do Loureiro (Campo de Ourique)
  42. Rua das Magnólias (Benfica)
  43. Rotunda das Olaias (Areeiro)
  44. Beco do Olival (Estrela)
  45. Cais do Olival (Parque das Nações)
  46. Calçada do Olival (Beato)
  47. Largo do Olival (Beato)
  48. Rua do Olival (Estrela)
  49. Travessa do Olival ao Beato (Beato)
  50. Travessa do Olival à Graça (São Vicente)
  51. Travessa do Olival a Santos (Estrela)
  52. Rossio dos Olivais (Parque das Nações)
  53. Beco da Oliveira (Santa Maria Maior)
  54. Escadinhas da Oliveira (Santa Maria Maior)
  55. Rua da Oliveira ao Carmo (Santa Maria Maior)
  56. Travessa da Oliveira à Estrela (Estrela)
  57. Largo da Oliveirinha (Santo António)
  58. Rua da Oliveirinha (São Vicente)
  59. Rua da Palmeira (Misericórdia)
  60. Travessa da Palmeira (Misericórdia)
  61. Largo das Palmeiras (Santo António)
  62. Rua das Palmeiras (São Domingos de Benfica)
  63. Travessa da Pimenteira (Belém)
  64. Largo das Pimenteiras (Carnide)
  65. Travessa do Pinheiro (Estrela)
  66. Alameda dos Pinheiros (Ajuda)
  67. Caminho dos Pinheiros ao Parque das Nações (Parque das Nações)
  68. Travessa das Piteiras (Belém)
  69. Beco do Sabugueiro (Alcântara)
  70. Azinhaga dos Ulmeiros (Lumiar)
Largo da Oliveirinha em 1969 (Foto: João H. Goulart, Arquivo Municipal)

Largo da Oliveirinha em 1969
(Foto: João H. Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)