O Largo das Cinco Palmeiras de 1916

Freguesia do lá vai um (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo das Palmeiras, na confluência  do Rua do Andaluz, Rua Luciano Cordeiro e Rua Sousa Martins nasceu através do Edital de 18 de novembro de 1916, por uma razão de serviço público, servindo de inspiração para o topónimo a presença de palmeiras no local.

Na reunião de câmara de 16 de novembro de 1916 foi analisada uma sugestão do Serviço da Polícia Municipal para que se denominasse Praça da Palmeira a «um largo não muito grande», entre as Ruas Sousa Martins, Andaluz e Luciano Cordeiro, resultante da reconstrução de propriedades cujas  frentes principais ficavam agora voltadas para aquela via pública, pelo que necessitavam de morada e numeração de polícia. Tornava-se assim necessário atribuir um topónimo ao local e como «constava, ia ser aformoseado levando ao centro uma placa com uma palmeira» estava encontrada a solução para a nomenclatura. O vereador Manuel Joaquim dos Santos precisou que iriam ser colocadas 5 palmeiras e a Comissão Executiva municipal decidiu por unanimidade atribuir a denominação de Largo das Palmeiras, conforme de seguida fez publicar em Edital.

Freguesia do lá vai um (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Conde de Ficalho do Jardim Botânico

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O Conde de Ficalho partilhou com Ramalho Ortigão a pertença ao grupo de intelectuais e políticos conhecido como os Vencidos da Vida e foi perpetuado na Rua 42 do Sítio de Alvalade, também conhecida como Rua 42 da Urbanização a Sul da antiga Rua Alferes Malheiro (hoje, Avenida do Brasil).

Pelo mesmo edital de 20/10/1955, foram também atribuídos no sítio de Alvalade os nomes de mais três membros dos Vencidos da Vida (Conde de Arnoso, Carlos Lobo d’Ávila e Marquês de Soveral), para além do artista plástico Constantino Fernandes, do escritor Carlos Malheiro Dias e do Coronel Marques Leitão que foi diretor do Colégio Militar e Presidente da CML numa Comissão Administrativa.

De seu nome Francisco Manuel de Melo Breyner (Serpa/27.07.1837 – 19.04.1903/Lisboa), foi o 4º Conde de Ficalho, botânico e professor catedrático de Botânica da Escola Politécnica de Lisboa. Em conjunto com Andrade Corvo, professor na mesma instituição, delineou o Jardim Botânico, no sítio do Monte Olivete e junto à Escola Politécnica, que começou a ser plantado em 1873 e foi inaugurado em 1878. Por ser o mais idoso dos Vencidos da Vida era considerado o presidente do grupo.

Publicou obras como Apontamentos para o estudo da flora Portuguesa (1875), Flora dos Lusíadas (1880), Memória sobre algumas plantas da África Central (1886), Memórias sobre a influência dos descobrimentos dos portugueses no conhecimento das plantas (1883), Plantas úteis da África portuguesa (1884), Garcia da Orta e o seu tempo (1886), As viagens de Pêro da Covilhã (1898).

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

 

A Rua do primeiro Jardim Botânico português

Placa Tipo II . Freguesias de Ajuda e de Belém

Placa Tipo II  – Freguesias da Ajuda e de Belém

A Rua do Jardim Botânico, que faz a ligação da Calçada da Ajuda à Calçada do Galvão, nasceu como o seu nome indica  da proximidade ao Jardim Botânico da Ajuda, através da publicação do Edital municipal de 26/09/1916, para preservar na memória alfacinha o primeiro jardim botânico português.

Este Jardim Botânico ocupou os terrenos arborizados que haviam sido da Quinta do Conde da Ponte  e que D. José I em boa hora adquiriu para cultura de frutas e hortaliças necessárias ao palácio real, instalado na Ajuda após o  terramoto de 1 de novembro de 1755. Por influência de Miguel Franzini, professor dos netos do rei  foi mandado criar este que foi então o 15º Jardim Botânico da Europa e o 1º em Portugal. Em 1765, foi encarregado de delinear e dirigir as obras do Real Jardim Botânico da Ajuda o italiano Domingos Vandelli e de as inspecionar o ministro da Marinha, Francisco Xavier de Carvalho, irmão do Marquês de Pombal. Destinava-se este Jardim, tal como o Museu de História Natural e o Gabinete de Física instalados num edifício próximo, à educação dos príncipes.

Domingos Vandelli dirigiu o então denominado Real Jardim Botânico da Ajuda de 1768 a 1774 e, o botânico Félix de Avelar Brotero foi o 2º diretor, de 1811 a 1828, tendo o seu catálogo das plantas em cultura registado 1370 espécies. Depois, já por ordem de D. João VI  o Jardim e o Museu foram abertos ao público, todas as quintas-feiras. Por decreto de 27 de agosto de 1836,o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda foi confiado à administração da Academia das Ciências de Lisboa. Dois anos depois, a partir de novembro de 1838 o Jardim Botânico da Ajuda passou a  depender da Escola Politécnica, instituída dois anos antes. Em 1874, o Jardim foi entregue à administração da Casa Real, altura em que decaiu progressivamente. Em 1910 passou a integrar o património nacional e, em 1918 foi entregue ao Instituto Superior de Agronomia permitindo assim que em 1934, sob a direção do Prof. André Navarro, o Prof. Caldeira Cabral estabelecesse o traçado dos canteiros do tabuleiro superior, que se tinha perdido completamente. Entre 1993 e 1997, com o apoio do Prémio de Conservação do Património Europeu e do Fundo de Turismo, sob a orientação da Profª. Cristina Castel-Branco, foi restaurado o Jardim, com a recuperação da coleção botânica,  do sistema de rega e a instalação do Jardim dos Aromas.

Freguesia de qq coisa para conferir

Freguesias da Ajuda e de Belém

Da Rua das Acácias à Azinhaga dos Ulmeiros

arvore montagem

Neste Dia Mundial da Floresta e da Árvore enunciamos os 69 topónimos evocativos de  árvores que encontramos na toponímia de Lisboa, em 21 das 24 freguesias da cidade:

  1. Rua das Acácias (freguesia de Benfica)
  2. Beco da Amendoeira (Santa Maria Maior)
  3. Beco do Outeirinho da Amendoeira (Santa Maria Maior)
  4. Estrada da Ameixoeira (freguesias do Lumiar e de Santa Clara)
  5. Rua Direita da Ameixoeira (Santa Clara)
  6. Campo das Amoreiras (Santa Clara)
  7. Estrada das Amoreiras (Santa Clara)
  8. Praça das Amoreiras (Santo António)
  9. Rua das Amoreiras (freguesias de Santo António e de Campo de Ourique)
  10. Rua das Amoreiras à Ajuda (Ajuda)
  11. Travessa da Amoreira ( Estrela)
  12. Travessa das Amoreiras a Arroios (Arroios)
  13. Rua das Azáleas (Benfica)
  14. Rua do Azevinho (Benfica)
  15. Beco do Azinhal (Santa Maria Maior)
  16. Azinhaga do Carrascal (Beato)
  17. Calçada do Carrascal (Beato)
  18. Largo dos Castanheiros da Índia (Marvila)
  19. Azinhaga dos Cerejais (Carnide)
  20. Azinhaga das Cerejeiras (Carnide)
  21. Rua do Eucalipto às Galinheiras (Santa Clara)
  22. Rua dos Eucaliptos (Olivais)
  23. Calçadinha da Figueira (Santa Maria Maior)
  24. Praça da Figueira  (Santa Maria Maior)
  25. Poço do Borratém  (Santa Maria Maior)
  26. Jardim dos Jacarandás (Parque das Nações)
  27. Passeio dos Jacarandás (Parque das Nações)
  28. Rua do Laranjal (Ajuda)
  29. Estrada das Laranjeiras (São Domingos de Benfica e Avenidas Novas)
  30. Rua das Laranjeiras (São Domingos de Benfica)
  31. Travessa da Laranjeira (Misericórdia)
  32. Largo do Limoeiro (Santa Maria Maior)
  33. Rua do Limoeiro (Santa Maria Maior)
  34. Beco do Loureiro (Santa Maria Maior)
  35. Estrada do Loureiro (Estrela)
  36. Rua do Loureiro (Santa Maria Maior)
  37. Travessa do Loureiro (Santo António)
  38. Travessa do Chão do Loureiro (Santa Maria Maior)
  39. Rua Nova do Loureiro (Misericórdia)
  40. Rua da Quinta do Loureiro (Campo de Ourique)
  41. Rua das Magnólias (Benfica)
  42. Rotunda das Olaias (Areeiro)
  43. Beco do Olival (Estrela)
  44. Cais do Olival (Parque das Nações)
  45. Calçada do Olival (Beato)
  46. Largo do Olival (Beato)
  47. Rua do Olival (Estrela)
  48. Travessa do Olival ao Beato (Beato)
  49. Travessa do Olival à Graça (São Vicente)
  50. Travessa do Olival a Santos (Estrela)
  51. Rossio dos Olivais (Parque das Nações)
  52. Beco da Oliveira (Santa Maria Maior)
  53. Escadinhas da Oliveira (Santa Maria Maior)
  54. Rua da Oliveira ao Carmo (Santa Maria Maior)
  55. Travessa da Oliveira à Estrela (Estrela)
  56. Largo da Oliveirinha (Santo António)
  57. Rua da Oliveirinha (São Vicente)
  58. Rua da Palmeira (Misericórdia)
  59. Travessa da Palmeira (Misericórdia)
  60. Largo das Palmeiras (Santo António)
  61. Rua das Palmeiras (São Domingos de Benfica)
  62. Travessa da Pimenteira (Belém)
  63. Largo das Pimenteiras (Carnide)
  64. Travessa do Pinheiro (Estrela)
  65. Alameda dos Pinheiros (Ajuda)
  66. Caminho dos Pinheiros ao Parque das Nações (Parque das Nações)
  67. Travessa das Piteiras (Belém)
  68. Beco do Sabugueiro (Alcântara)
  69. Azinhaga dos Ulmeiros (Lumiar)
Largo da Oliveirinha em 1969 (Foto: João H. Goulart, Arquivo Municipal)

Largo da Oliveirinha em 1969
(Foto: João H. Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)