A Rua Margarida de Abreu, o 1º topónimo de Dança em Lisboa

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Margarida de Abreu, considerada a «mãe» da dança portuguesa, através da Rua com o seu nome na freguesia do Areeiro e a legenda «Professora de Dança/1915 – 2006», é também o 1º topónimo ligado à Dança na cidade de Lisboa e faz sentido evocá-la aqui hoje quando passam onze anos sobre o seu falecimento.

O topónimo resultou de um sugestão de António Laginha , a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável, passando a proposta, aprovada na sessão de Câmara de 26/10/2016 e ficando pelo Edital municipal de 10/11/2016 estabelecida a Rua Margarida de Abreu na Via projetada “B” à Avenida Almirante Gago Coutinho.

Margarida de Abreu por Eduardo Malta

Margarida Hoffmann de Barros Abreu Salomão de Oliveira (Lisboa/26.11.1915 – 29.09.2006/Lisboa) fez uma carreira de professora de dança, coreógrafa e diretora artística, tendo tido um importante papel num período em que a pedagogia e a profissionalização no bailado em Portugal eram praticamente inexistentes. Exerceu como Professora do Curso de Bailarinas e do Curso de Teatro do Conservatório Nacional (de 1939 a 1986) e do Centro de Estudos de Bailado do Instituto de Alta Cultura, vulgo Escola do Teatro de S. Carlos (de 1964 a 1972), sendo conhecida pelos seus alunos como Dona Margarida.  Ainda como professora, realizou dois estágios, em 1947 e em 1948, na escola do Sadler’s Wells, hoje Royal Ballet School.

Em paralelo, criou o seu estúdio de ensino e companhia de bailado, o Círculo de Iniciação Coreográfica (CIC), em funcionamento de 1944 a 1960, de onde saíram os Bailados Margarida de Abreu, o Bailado em Acção e o Grupo Studium, assim como surgiram criadores como Águeda Sena, Armando Jorge, Carlos Trincheiras, Fernando Lima, Jorge Trincheiras, Olga Roriz e Vasco Wellenkamp, entre muitos outros. Desempenhou também um papel de mecenas ao proporcionar a vinda a Lisboa de alguns vultos do bailado internacional para trabalhar com o CIC, bem como  períodos de aperfeiçoamento artístico no estrangeiro a alguns alunos. Entre 1960 e 1975, de parceria com o seu discípulo Fernando Lima, também exerceu as funções de diretora artística do Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio.

Coreografou inúmeros bailados, logo desde 1943, de que são exemplo  Bailado Setecentista (1943), O Pássaro de Fogo (1946), Clair de lune (1952), Ab Initio (1953), Prólogo Galante (1961), Festa na Aldeia (1965),  A menina dos Olhos verdes (1971), com música de Bach, Britten, Carlos Seixas, Chopin, Cláudio Carneyro, Debussy, Dvorak, Elvira de Freitas, Ivo Cruz, Jayme de la Téy Sagán, Luís de Freitas Branco, Mahler, Mendelsshon, Mozart,  Mussorgsky, Ruy Coelho, Schumann, Stravinsky, Tchaikovsky, bem como diversas peças do Teatro Nacional de S. Carlos e uma opereta de grande sucesso no Teatro Monumental, As Três Valsas, estreada em 8 de novembro de 1951. No cinema, foi coreógrafa de três filmes de Manoel de Oliveira: Amor de Perdição, Francisca e Os Canibais.

Nascida em casa, no 3º esquerdo do nº 79 da Avenida Duque de Ávila, filha da professora suíça Anna Helena von Hoffmann e do advogado António de Barros Mendes de Abreu, começou na Dança com a rítmica dalcrozeana através da inglesa Cecil Kitkat e da grega Anastasia, em Lisboa, após o que se graduou no Institut Jacques Dalcroze de Genebra, em  1937, tendo ainda complementado os seus estudos na Deutsche Tanz Schule de Berlim e na Hellerau Laxemburg Schule de Viena.

Refira-se que era irmã da pianista Maria Helena de Freitas Branco e cunhada do musicólogo João de Freitas Branco, bem como foi casada com o escultor João Salomão de Oliveira, um seu aluno, e mãe da professora Margarida Carmo e da bailarina Maria João Salomão.

Margarida Abreu foi agraciada com a Ordem de Instrução Pública e o Troféu da Casa da Imprensa (1979), a Medalha Almeida Garrett (1980), o Troféu do Jornal Sete (1988), a Medalha de Mérito Artístico do Conselho Brasileiro da Dança e  o Troféu Verbo(1990), uma edição de selos dos CTT-Correios de Portugal (2006)  e  a título póstumo, com a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa, grau ouro ( 2007).

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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