A Rua do Arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português e d’ A Canção de Lisboa, Cottinelli Telmo

Freguesia dos Olivais
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Arquiteto-Chefe da Exposição do Mundo Português de 1940 e também realizador do filme A Canção de Lisboa tem o seu nome perpetuado desde o ano de 1971 numa Praça dos Olivais.

Os impasses A1 e A1 – 1 do Plano de Urbanização da Quinta do Morgado passaram a constituir um único arruamento com a denominação de Praça Cottinelli Telmo, pelo Edital municipal de 14 de agosto de 1971, a cerca de um mês de se completarem 23 anos do falecimento deste arquiteto-cineasta. Refira-se ainda que 5 meses antes, o Edital municipal de 15 de março de 1971 colocara em praças próximas os nomes dos também  arquitetos Carlos Ramos e Faria da Costa.

Cottinelli Telmo ficou conhecido por ser o realizador de A Canção de Lisboa, rodada em 1933 nos estúdios da Tóbis Portuguesa, na Quinta das Conchas, no Lumiar, contando com um elenco composto por Beatriz Costa, António Silva,  Manoel de Oliveira (o cineasta), Teresa Gomes ou Vasco Santana.  Este filme estreou no Teatro São Luiz, no dia 7 de novembro de 1933  e tornou-se um modelo para o humor do cinema português das décadas de 30 e 40 do século XX. Diga-se que ainda no decorrer do seu curso de arquitetura, já Cottinelli Telmo havia colaborado  com a Lusitânia-Film, em 1918, na produção dos filmes Malmequer e Mal de Espanha, ambos de Leitão de Barros, e mais tarde, em 1932, em parceria com A.P. Richard, construiu o estúdio da Tóbis Portuguesa.

Animatógrafo, 8 de maio de 1933

O homenageado nesta Praça dos Olivais, de seu nome completo José Ângelo Cottinelli Telmo (Lisboa/13.11.1897 – 18.09.1948/Cascais), formado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa no ano de 1920, assinou entre outras obras, o Pavilhão de Honra da Exposição do Rio de Janeiro (com Carlos Ramos e Luís da Cunha em 1922) e o Pavilhão Português da Exposição de Sevilha (1929), a Estação Fluvial do Sul e Sueste (1929-1931), a Standard Eléctrica (1945-1948), o Liceu D. João de Castro (1939), o projeto de construção do Jazigo Roque Gameiro no Cemitério dos Prazeres (1936) e, em 1940, foi o Arquiteto-chefe da Exposição do Mundo Português, tendo delineado o plano da Praça do Império, a sua Fonte Monumental, o Monumento dos Descobrimentos e a Porta da Fundação.

Cottinelli Telmo trabalhara para os Caminhos-de-Ferro (entre 1923 e 1943) e por isso, fora da cidade de Lisboa, foi o responsável pelos edifício de passageiros de Tomar (1932-34) e do Carregado (1933), da Colónia de Férias da CP na Praia das Maçãs (1943) e do Sanatório Ferroviário das Penhas da Saúde (1945). Por solicitação do  ministro Duarte Pacheco, integrou a Comissão das Construções Prisionais e foi assim autor das Cadeias de Alijó, Castelo Branco e Alcoentre (1937-1944), para além de outras obras como o Liceu de Lamego (1931), a Cidade Universitária de Coimbra (1943-1948) e o Plano de urbanização de Fátima. Ainda nesta área  refira-se que dirigiu a revista Arquitectos, no período de 1938 a 1942, e mais tarde, presidiu  ao Sindicato dos Arquitetos (1945-1948), onde foi responsável pela organização do I Congresso da classe, no ano de 1947.

Embora menos conhecido por essas facetas, Cottinelli Telmo foi também bailarino, autor de banda desenhada  – foi o criador do Pirilau, um dos primeiros heróis infantis portugueses, publicado no ABC – , fotógrafo (em campanhas pelo país com Mário Novais) e ainda, ilustrador em jornais e revistas nacionais.

A título póstumo, Cottineli Telmo foi agraciado em 1961 com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa e o seu nome integra também a toponímia dos concelhos do Amadora, Cascais (Parede), Seixal (Fernão Ferro) e Sintra (Mem Martins).

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Eugénio Salvador, o ator-dançarino e futebolista

Freguesia de Carnide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Eugénio Salvador, que trabalhou sobretudo em teatro de comédia,  foi também ator de cinema no período longo de 1930 a 1992, em cerca de uma vintena de filmes, e desde a publicação do Edital municipal de 7 de setembro de 1993 que é o topónimo da que era a Rua A do Bairro da Horta Nova, no troço compreendido entre o lote 11 e a Estrada do Paço do Lumiar.

Foto: Artur Bourdain de Macedo, Arquivo Municipal de Lisboa

Eugénio Salvador Marques da Silva (Lisboa/31.03.1908 – 01.01.1992/Lisboa), filho do cenógrafo e empresário teatral Luís Salvador Marques da Silva e de Eugénia Maria Dias,  formou-se em Arte de Representar no Conservatório de Lisboa,  e depois especializou-se em comédia, o género que nunca mais abandonou, para além de ser dançarino e coreógrafo. Fez a sua estreia profissional em 1928, no Teatro Maria Vitória, na peça O Grão de Bico,   construindo-se como uma figura importante do teatro de revista, conseguindo ser compère, ator, encenador, diretor de cena, bailarino, ensaiador coreográfico e artista de variedades. No teatro, somou mais de 100 peças na sua carreira, de 1949 a 1988.

Destaque-se que em 1951, para a inauguração do Teatro Monumental, com a opereta de Strauss As três valsas, Eugénio Salvador para além de ator foi o ensaiador coreográfico, nomeadamente de Laura Alves, assim como seis anos depois, foi o encenador da comédia musical João Valentão (1957), onde dirigiu Mariana Vilar. Passou também pela televisão em programas como A TV Através dos Tempos ou A Feira.

No cinema, Eugénio Salvador começou logo em 1930,  numa rábula com Chaby Pinheiro e Beatriz Costa no Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros, realizador com quem também trabalhou no Maria Papoila (1937). Depois, integrou os elencos de mais cerca de 20 longas-metragens, em que contracenou diversas vezes com Milú e António Silva. Esteve em Cais do Sodré (1946) de Alejandro Perla. Com Perdigão Queiroga,  fez Fado, História d’uma Cantadeira (1948), Sonhar É Fácil (1951), Madragoa (1952), Os Três da Vida Airada (1952) em que também coreografou, As Pupilas do Senhor Reitor (1961) e O Parque das Ilusões (1963). Foi ator de Sol e Touros (1949) de José Buchs, de Eram Duzentos Irmãos (1952) de Armando Vieira Pinto, Um Marido Solteiro (1952) de Fernando Garcia, O Comissário de Polícia (1953) de Constantino Esteves,  Vidas Sem Rumo (1956) de Manuel Guimarães, Aqui Há Fantasmas (1964) e Bonança & C.a (1969), ambos de Pedro Martins e por último, em Aqui D’El Rei! (1992) de António Pedro Vasconcelos. Refira-se que com Henrique Campos fez ainda Duas Causas (1953), A Maluquinha de Arroios (1970) e O Destino Marca a Hora (1970).

Refira-se ainda que Eugénio Salvador foi também um exímio dançarino, que ficou conhecido a partir da sua parelha Lina & Salvador, que por exemplo, se exibia nos intervalos das sessões de filmes duplos, no Cinema Éden. Casou com o seu par, Lina Duval, de quem teve um filho (António Manuel Salvador Marques). Mais tarde, foi casado com a atriz Odete Antunes.

Por último, diga-se que o futebol, também fez parte da vida de Eugénio Salvador, jogando a extremo-esquerdo desde a  inauguração do Campo das Amoreiras do Sport Lisboa e Benfica, em 13 de dezembro de 1925. Nesse  clube fez 43 jogos e marcou 20 golos, entre outubro de 1927 e junho de 1934.

Eugénio Salvador é também topónimo nos concelhos de Almada (uma Rua, uma Travessa e uma Praceta na Charneca de Caparica), Amadora (São Brás), Cascais (Parede), Montijo, Seixal (Arrentela), Odivelas (Pontinha) e Oeiras (Queijas).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do autor do Hino da Maria da Fonte, Ângelo Frondoni

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Autor do Hino da Maria da Fonte/1812 – 1891» nasceu a Rua Ângelo Frondoni em Belém, no arruamento de ligação entre a Rua Conselheiro Martins de Carvalho e a Rua Nuno de Bragança, por via da publicação do Edital municipal de 3 de maio de 1989, a partir de uma sugestão de Eduardo António da Costa Soares dirigida à edilidade lisboeta.

O Palco – Revista Teatral, 5 de maio de 1912

O cidadão italiano Angelo Frondoni (Itália-Parma/26.02.1812 – 04.06.1891/Lisboa), radicou-se no nosso país no ano de 1838, com cerca de 26 anos, quando veio para Portugal para ser maestro do Teatro de S. Carlos, contratado pelo 1.º Conde de Farrobo, Joaquim Pedro Quintela. As suas primeiras composições em Portugal foram dois bailados – A Ilha dos Portentos e A Volta de Pedro o Grande de Moscovo – exibidos em 1839.

O seu sucesso como compositor proveio das operetas e revistas populares. No Teatro da Rua dos Condes alcançou muito êxito com a farsa O Beijo, estreada em 26 de novembro de 1844, tendo a música sido publicada pelo editor Sassetti dada a sua grande popularidade.

Mas o que tornou Ângelo Frondoni mais famoso foi em 1846 ter composto  o Hino do Minho, com letra de Paulo Midosie, que ficou conhecido popularmente como Hino da Maria da Fonte. Esta música patriótica teve larga divulgação e chegou mesmo a ser aceite nos últimos tempos da Monarquia quase como um hino nacional. No entanto, como era contra o Cabralismo e Cartismo e tinha enorme popularidade, o governo de Costa Cabral, proibiu-a. Na sequência da Revolução da Maria de Fonte, Costa Cabral havia sido demitido em 20 de maio de 1846 e exilou-se em Espanha, mas D. Maria II que sempre o apoiou voltou a nomeá-lo para governar o país em 18 de junho de 1849 ( e durou até  1 de Maio de 1851). Ângelo Frondoni teve dissabores nesses anos, a ponto de se ver obrigado a esconder-se para não ser preso e, ao contrário do que fazia com outros artistas, D. Maria II nunca o recebeu no Paço Real.

O Conde de Farrobo que sempre estimou Frondoni,  encomendou-lhe então uma opereta para o Teatro das Laranjeiras, Mademoiselle de Mérange, em francês,  que se cantou a 11 de junho de 1847. Dedicou-se também a ser professor de Canto, para além de escrever música para muitas comédias e dramas, tendo mesmo dirigido uma companhia de ópera-cómica italiana que em 1859 se organizou no Teatro D. Fernando.  Quando se construiu o Teatro da Trindade, Francisco Palha quis explorar a ópera cómica burlesca e chamou Frondoni para maestro, onde trabalhou desde O Barba Azul de 1868 até 1873. Também para o próximo Ginásio musicou o drama Evangelho em acção (1870) e na época de 1873/74 voltou para o São Carlos, como  maestro, para em 1874 apresentar a ópera burlesca O filho da senhora Angot, no Teatro do Príncipe Real.

Ângelo Frondoni também se empenhou em difundir o canto coral, para o que publicou artigos em jornais, solicitou ajuda a pessoas importantes e das sociedades de canto coral de Paris e da Bélgica e abriu até um curso gratuito, tentando concretizar a ideia sem sucesso, em Lisboa e depois, no Porto.

Interessado em literatura publicou dois  folhetins na Revolução de Setembro – Da Poética em música ( 1854 ) e Efeitos de música (1867)-,  um soneto em italiano à memória de D. Pedro V (1861) na Revista Contemporânea e a composição para canto Camões e o Jau, a partir de fragmentos de poesia de António Feliciano de Castilho, elaborada por ocasião das festas do centenário de Camões de 1880.

O nome de Frondoni está também na toponímia da Póvoa do Lanhoso – onde começou a Revolução da Maria da Fonte –  e da cidade do Porto.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do compositor Rui Coelho na antiga Quinta da Torrinha

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Rui Coelho, pioneiro da música portuguesa para bailado, é o topónimo da Rua D da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, com a legenda «Maestro e Compositor/1889-1986», desde a publicação do Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993.

Nos arruamentos da antiga Quinta da Torrinha, a edilidade consagrou pelo mesmo Edital mais 4 figuras ligadas ao mundo das artes e da música com a  Rua Brunilde Júdice (Rua C), a Rua Constança Capdeville (Rua B), a Rua Hugo Casaes (Rua Projetada à Rua Particular) e a Rua Jorge Croner de Vasconcelos (Rua E).

Rui Coelho na Ilustração Portuguesa de 20 de novembro de 1911

Ruy Coelho (Alcácer do Sal/03.03.1889 – 05.05.1986/Lisboa) fez carreira como compositor, maestro, autor de bailados e óperas, pianista de mérito, produtor de música coral e música para cinema, bem como de crítico musical. Filho do barqueiro Manoel Coelho e da empregada doméstica Adelaide Augusta Costa, teve 4 irmãos e começou os seus estudos musicais por volta dos 10 anos, na Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba, a tocar flautim e bombo, tendo então nesses anos trabalhado numa mercearia, na apanha da azeitona e como ajudante de seu pai.

Pessoas como os padres Francisco de Mattos Galamba e José Lopes Manso ajudaram-no a poder estudar no Conservatório Nacional de Lisboa. Até ao ano letivo de 1908/1909 frequentou os cursos de Flauta, de Piano, de Harmonia, de Contraponto e  de Composição, tendo sido aluno de Júlio Neuparth, António Eduardo da Costa Ferreira ou Tomás Borba. Em paralelo, era pianista num café-restaurante do Cais Sodré e vivia na Rua da Infância (é a Rua da Voz do Operário desde 1915), para além de ter criado amizade com Alexandre Rey Colaço, de quem foi aluno de piano, em aulas particulares e gratuitas. A primeira apresentação pública de composições suas ocorreu na festa do Conservatório de 25 de outubro de 1907 e a segunda, em que dirigiu peças de orquestra, em 1 de abril de 1908.

Graças ao empresário e violinista amador Jorge Yerosch, proprietário de um estabelecimento comercial em Lisboa, estudou em Berlim, de 1909 a 1913, sob a influência de E. Humperdinck, Max Bruch, A. Schoenberg, e nessa cidade ficou também amigo do barítono Francisco d’Andrade.  Dessa época ficou ainda a partitura de uma dança para orquestra, a  sonata de feição romântica Bouquet (que só estreará em Portugal em 1924, num serão da revista Contemporânea, a anteceder a conferência A Idade do Jazz-Band de António Ferro ) e cerca de 1910, Intermezzo,  Si je vous disais, um trio para violino, violoncelo e piano dedicado a Richard Strauss e vários Lieder, para além da partitura do bailado A princesa dos sapatos de ferro (1912) que estreou em 1918 no Teatro São Carlos, tal como o seu  Bailado do Encantamento, já que no regresso a Portugal se aproximou da geração da revista Orpheu, nomeadamente colaborando com Almada Negreiros e José Pacheco em diversos bailados.

Ruy Coelho produziu composições de timbre patriótico, com evocações historicistas e óperas cantadas em português – no que foi apoiado pelo tenor alentejano Tomás Alcaide -, sendo também o autor do hino da cidade de Lisboa ou do famoso fado de Coimbra O Beijo, musicando o poema de Afonso Lopes Vieira que a interpretação de António Menano popularizou. Destaque-se ainda a sua Sinfonia Camoniana nº 1 (1913), a ópera Serão da Infanta (1913) com libreto de Teófilo de Braga, a ópera D. João IV para as Comemorações dos Centenários de 1940 com libreto de João da Silva Tavares ou a oratória Fátima. A sua Ópera Belkiss foi galardoada com o 1º Prémio no Concurso Oficial de Espanha (1924). Realcem-se ainda as suas sinfonias Petite Symphonie n.º 1 (1927) e n.º 2 (1932), a Sinfonia Camoniana nº 5 por encomenda da cidade de S. Paulo, a Sinfonia d’Além-mar (1968), bem como a ópera-declamação-ballet-mímica Orfeu em Lisboa (1966) em três atos, a ópera sobre poema de Charles Oulmont La belle dame qui n’as pas peché (1970) e a Auto da Barca da Glória (1971).

Em 1934, fundou a Ação Nacional de Ópera, organização semi-oficial do regime, que serviu essencialmente para a divulgação da sua própria obra, se somarmos que entre 1947 e 1969, o Teatro São Carlos assistiu a 15 produções das suas óperas. Como maestro, dirigiu a Orquestra da Emissora de Berlim em 1939 e a Orquestra Filarmónica de Berlim, no Coliseu de Lisboa, em 1942, assim como em 1946 regeu a Orquestra da Rádio de Espanha, em Madrid e em 1949, a Orquestra Colonne, na Sala Gavean (Paris).

No cinema, refiram-se as banas sonoras que fez para Ala-Arriba! (1942) e Camões (1946), ambos de Leitão de Barros. Em 1948, começou a trabalhar no Gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional, onde executou a sua 2ª Sinfonia Camoniana, bem como a 3ª em 1951. Em 1960, Ruy Coelho também dirigiu a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, nos Estúdios Valentim de Carvalho, em Paço d’Arcos.

Exibiu as suas obras por todo o país, levando a música erudita a locais tão improváveis na época como Amadora, Almada, Aveiro, Alcácer, Beja, Covilhã, Évora, Funchal, Santarém, e tantos outros, fazendo o mesmo em vários países europeus e sul-americanos, para além de ter levado em 1959, as primeiras companhias portuguesas de Ópera a Paris, e a Madrid, em 1961.

O seu nome integra também a toponímia da sua terra natal, da Charneca da Caparica e de Sesimbra.

Rui Coelho na Atlântida N.º 32, 1918

A Rua Margarida de Abreu, o 1º topónimo de Dança em Lisboa

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Margarida de Abreu, considerada a «mãe» da dança portuguesa, através da Rua com o seu nome na freguesia do Areeiro e a legenda «Professora de Dança/1915 – 2006», é também o 1º topónimo ligado à Dança na cidade de Lisboa e faz sentido evocá-la aqui hoje quando passam onze anos sobre o seu falecimento.

O topónimo resultou de um sugestão de António Laginha , a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável, passando a proposta, aprovada na sessão de Câmara de 26/10/2016 e ficando pelo Edital municipal de 10/11/2016 estabelecida a Rua Margarida de Abreu na Via projetada “B” à Avenida Almirante Gago Coutinho.

Margarida de Abreu por Eduardo Malta

Margarida Hoffmann de Barros Abreu Salomão de Oliveira (Lisboa/26.11.1915 – 29.09.2006/Lisboa) fez uma carreira de professora de dança, coreógrafa e diretora artística, tendo tido um importante papel num período em que a pedagogia e a profissionalização no bailado em Portugal eram praticamente inexistentes. Exerceu como Professora do Curso de Bailarinas e do Curso de Teatro do Conservatório Nacional (de 1939 a 1986) e do Centro de Estudos de Bailado do Instituto de Alta Cultura, vulgo Escola do Teatro de S. Carlos (de 1964 a 1972), sendo conhecida pelos seus alunos como Dona Margarida.  Ainda como professora, realizou dois estágios, em 1947 e em 1948, na escola do Sadler’s Wells, hoje Royal Ballet School.

Em paralelo, criou o seu estúdio de ensino e companhia de bailado, o Círculo de Iniciação Coreográfica (CIC), em funcionamento de 1944 a 1960, de onde saíram os Bailados Margarida de Abreu, o Bailado em Acção e o Grupo Studium, assim como surgiram criadores como Águeda Sena, Armando Jorge, Carlos Trincheiras, Fernando Lima, Jorge Trincheiras, Olga Roriz e Vasco Wellenkamp, entre muitos outros. Desempenhou também um papel de mecenas ao proporcionar a vinda a Lisboa de alguns vultos do bailado internacional para trabalhar com o CIC, bem como  períodos de aperfeiçoamento artístico no estrangeiro a alguns alunos. Entre 1960 e 1975, de parceria com o seu discípulo Fernando Lima, também exerceu as funções de diretora artística do Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio.

Coreografou inúmeros bailados, logo desde 1943, de que são exemplo  Bailado Setecentista (1943), O Pássaro de Fogo (1946), Clair de lune (1952), Ab Initio (1953), Prólogo Galante (1961), Festa na Aldeia (1965),  A menina dos Olhos verdes (1971), com música de Bach, Britten, Carlos Seixas, Chopin, Cláudio Carneyro, Debussy, Dvorak, Elvira de Freitas, Ivo Cruz, Jayme de la Téy Sagán, Luís de Freitas Branco, Mahler, Mendelsshon, Mozart,  Mussorgsky, Ruy Coelho, Schumann, Stravinsky, Tchaikovsky, bem como diversas peças do Teatro Nacional de S. Carlos e uma opereta de grande sucesso no Teatro Monumental, As Três Valsas, estreada em 8 de novembro de 1951. No cinema, foi coreógrafa de três filmes de Manoel de Oliveira: Amor de Perdição, Francisca e Os Canibais.

Nascida em casa, no 3º esquerdo do nº 79 da Avenida Duque de Ávila, filha da professora suíça Anna Helena von Hoffmann e do advogado António de Barros Mendes de Abreu, começou na Dança com a rítmica dalcrozeana através da inglesa Cecil Kitkat e da grega Anastasia, em Lisboa, após o que se graduou no Institut Jacques Dalcroze de Genebra, em  1937, tendo ainda complementado os seus estudos na Deutsche Tanz Schule de Berlim e na Hellerau Laxemburg Schule de Viena.

Refira-se que era irmã da pianista Maria Helena de Freitas Branco e cunhada do musicólogo João de Freitas Branco, bem como foi casada com o escultor João Salomão de Oliveira, um seu aluno, e mãe da professora Margarida Carmo e da bailarina Maria João Salomão.

Margarida Abreu foi agraciada com a Ordem de Instrução Pública e o Troféu da Casa da Imprensa (1979), a Medalha Almeida Garrett (1980), o Troféu do Jornal Sete (1988), a Medalha de Mérito Artístico do Conselho Brasileiro da Dança e  o Troféu Verbo(1990), uma edição de selos dos CTT-Correios de Portugal (2006)  e  a título póstumo, com a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa, grau ouro ( 2007).

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)