Virgílio Correia, o arqueólogo de Conímbriga, numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Virgílio Correia, o coordenador dos trabalhos arqueológicos da cidade romana de Conímbriga entre 1930 e 1944, está inscrito como topónimo de uma artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde 1979, ou seja, 35 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 14 de maio de 1979 que a Rua 9 da zona a nascente da Estrada da Luz, junto ao Bairro São João, passou a ser a Rua Virgílio Correia,  que hoje liga a Rua Abranches Ferrão à Rua Tomás da Fonseca. Pelo mesmo Edital também a Rua 5 da mesma zona tornou-se a Rua Lúcio de Azevedo, fixando outro historiador.

Virgílio Correia Pinto da Fonseca (Peso da Régua/19.10.1888-03.06.1944/Coimbra) – cujo nome é por vezes também grafado como Vergílio- foi um dos arqueólogos que descobriu a cidade romana de Conímbriga, no concelho de Condeixa-a-Nova, e que aí procedeu a escavação sistemática de toda a área durante 14 anos, entre 1930 e 1944.

Virgílio Correia foi ainda um eminente historiador de arte, etnólogo e professor universitário. Nas primeiras décadas do séc. XX foi conservador de dois museus lisboetas: o Museu Etnológico Português, a partir de 1912, e o de Arte Antiga, desde 1915. Sobre Lisboa também publicou «Lisboa pré-histórica» na revista A Águia, de janeiro a março de 1913; «Oleiros e pintores de louça e azulejo, de Lisboa» na revista Atlântida de março e abril de 1918; «Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa» na revistaA Águia, de maio a junho de 1918;  «Oleiros quinhentistas de Lisboa» na revista A Águia, de abril a junho de 1919, assim como revista Atlântida de junho de 1919 apresentou «Lisboa dos Azulejos». Fundou ainda em Lisboa,  em 1916, a revista Terra Portuguesa, definida pelo subtítulo de «revista ilustrada de arqueologia artística e etnografia».

Ainda em Lisboa, conseguiu uma memória triste: chegou a estar preso  oito dias no Aljube, no começo da década de 1930, acusado de apoiar o comandante Aragão e Melo, opositor à ditadura, e de dar abrigo a um refugiado político.

Virgílio Correia  licenciou-se em Direito por pressão familiar, em 1911, na Universidade de Coimbra,  mas em 1935 tornou-se por vontade própria Doutor em Letras, pela Faculdade de Letras de Coimbra, onde era professor. Primeiro, em 1921, foi docente de Estética e História da Arte,  e a partir de 1923, também de Arqueologia. Em Coimbra dirigiu ainda o Museu Machado de Castro, desde 1921 e até falecer. Fundou também a revista  Arte e Arqueologia, em 1930 e mais tarde, entre 1938 e 1944, dirigiu o Diário de Coimbra.

Destaque-se na etnografia e na história de arte, o seu vasto interesse desde o carro de bois à talha barroca, expresso nos seus dois volumes do Inventário Artístico de Portugal, em que a fotografia desempenhou um papel primordial. Nas Acta Universitatis Conimbrigensis foram editadas as suas obras, em cinco volumes : o 1.º volume (1946), Estudos de história da arte: arquitectura (1949), Estudos de história da arte: escultura e pintura (1953),  Estudos arqueológicos (1972) e Estudos monográficos (1978).

Virgílio Correia pertenceu à Academia Nacional de Belas-Artes, à Academia Portuguesa da História, ao Instituto Arqueológico Alemão e à Academia de História de Madrid.

Vergílio dos Cacos como lhe chama o escritor Miguel Torga no seu Diário, foi um acérrimo defensor dos valores republicanos da liberdade e do acesso à educação e à cultura, maçon e agnóstico, que foi galardoado em 3 de abril de 1920 com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada. Morreu aos 55 anos em Coimbra, na sequência de uma queda do elétrico e o Município de Condeixa-a-Nova criou o Centro de Estudos Vergílio Correia. O seu nome está também na toponímia de Coimbra e Lamego, assim como na sua terra natal,  em Peso da Régua, como como Rua Professor Vergílio Correia.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

A Praça Afonso do Paço, do militar por profissão e arqueólogo por paixão

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

No ano seguinte ao seu falecimento, pelo Edital de 29 de janeiro de 1969, a edilidade lisboeta homenageou na sua toponímia o militar de carreira e arqueólogo por paixão Afonso do Paço, responsável pela escavação da estação calcolítica de Monsanto na década de quarenta, através de uma Praça situada na confluência da Rua Pereira e Sousa e da Rua Francisco Metrass, vulgarmente conhecida por Praceta da Vila Benitez, em Campo de Ourique.

Afonso do Paço em 1969
(Foto: João Marques de Oliveira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Manuel Afonso do Paço (Viana do Castelo – Outeiro/30.11.1895 – 29.10.1968/Estoril) foi um militar de carreira que se apaixonou pela arqueologia, área pela qual ainda hoje é  evocado, muito pelo estudo das estações paleolíticas e epipaleolíticas do litoral, domínio de estudos que continuou a tratar ao longo dos anos, sobretudo com o padre Eugénio Jalhay. Em 1944, ambos e o Dr. Leonel Ribeiro, fizeram em Lisboa a escavação da estação calcolítica de Monsanto, recolhendo um enorme espólio cerâmico (sobretudo, campaniforme) e lítico, de machados polidos e pontas de sílex. Ainda com Eugénio Jalhay, procedeu à escavação  do povoado calcolítico fortificado de Vila Nova de São Pedro, iniciada por ambos em 1937 até ao falecimento de Jalhay – em 1950 – e depois prosseguida apenas por Afonso do Paço até falecer, mesmo se as autoridades oficiais da época jamais tivessem reconhecido como relevante a investigação daquele morro pré-histórico, mesmo se os resultados publicados a nível internacional fizessem acorrer às escavações os mais importantes pré-historiadores da época. Também pesquisou em Sanfins (Paços de Ferreira) e participou em duas expedições arqueológicas (1958 e 1960) ao sítio onde se deu a Batalha de Aljubarrota, Campo de São Jorge, em que se identificaram cerca de 830 estruturas denominadas covas de lobo, armadilhas para a cavalaria, junto à Capela de São Jorge. Destas escavações resultaram as publicações Necrópole de Alapraia (1955), Tesouro Monetário da Citânia de Sanfins (1955) e Castro de Vila Nova de S. Pedro : campanha de escavações de 1956.

Afonso do Paço também estudou do património etnográfico de Viana do Castelo, centrando-se  no traje, sendo assim autor das obras Contribuição para o estudo do trajo popular dito «à lavradeira» no concelho de Viana do Castelo (1925), O trajo “à lavradeira” (de Outeiro a Perre em especial e das outras aldeias em geral) (1930), Mordomarias (1932) e O trajo popular do Minho – Do trajo “à lavradeira” em geral e do de “Santa Marta” em especial. De igual modo, interessou-se pelo estudo e recolha da tradição oral, sobretudo do cancioneiro popular português, com recolha de quadras populares que compilou no Cancioneiro de Viana do Castelo (1928), Lisboa no Cancioneiro Ribatejano (1948) e no Cancioneiro popular ribatejano: Contribuição de Vila Nova de S. Pedro (1952).

Afonso do Paço estudara Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e em 1917 foi também oficial de infantaria, tendo mesmo combatido na Flandres  no decorrer da I Guerra Mundial- integrado no 4.º Grupo de Metralhadoras Pesadas – e sido feito prisioneiro pelos alemães na Batalha de La Lys, em 9 de abril de 1918. Alcançou o posto de Tenente Coronel e chegou a ser condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª Classe, duas “fourragères” da Cruz de Guerra e a medalha da Victória. Regressou a Portugal a 16 de janeiro de 1919 e a partir de 1924, estava colocado como funcionário da Administração Militar e foi como oficial do Exército que assegurou o seu sustento e o de sua família. Em 1925 foi professor provisório do Colégio Militar e depois, Tesoureiro da Inspeção do Serviço Telegráfico Militar e Chefe da Contabilidade do Batalhão de Telegrafistas (Braga). Também produziu estudos sobre a história e a vida militar como Linguagem da Malta (1924), Gírias Militares Portuguesas (1926), Cartas às Madrinhas de Guerra (1929), Da Influência da Guerra no Léxico Português (1931), A vida Militar no Rifoneiro Português (1934-1936) ou As Comunicações Militares de Relação em Portugal – Subsídios para a sua história (1938).

Em 1969, Afonso do Paço foi homenageado  na Associação dos Arqueólogos Portugueses com a Câmara Municipal de Lisboa. Está também na toponímia de Paços de Ferreira, de Sanfins de Ferreira, de Cascais, do Estoril, da Sobreda (Almada) e de Setúbal como Afonso do Paço, bem como surge como  Tenente Coronel Afonso do Paço no nomes das artérias da sua terra natal, tanto em Outeiro como em Viana do Castelo.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Estácio da Veiga, o algarvio arqueólogo oitocentista, numa artéria da Penha de França

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O algarvio Sebastião Philippes Estácio Martins da Veiga, autor da Carta Arqueológica do Algarve de 1878, deu nome em 1933 a uma artéria lisboeta do Monte Alperche, ostentando a legenda «Arqueólogo e Escritor/1828 – 1891».

O mesmo Edital de 18 de julho de 1933 que atribuiu a Rua Estácio da Veiga como topónimo da Rua nº 4 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, a unir a Rua Cesário Verde à Rua Conde de Monsaraz, também fixou neste Bairro os seguintes topónimos:  Rua Carlos Ribeiro (Rua nº 3), Rua Cesário Verde (Rua nº 2), Rua Conde de Monsaraz (Rua nº 1), Rua Martins Sarmento (Rua nº 5), Rua Néry Delgado (Rua nº 6), Rua Padre Sena de Freitas (Rua nº 8) e Rua Visconde de Juromenha (Rua nº 7).

O homenageado é Sebastião Philippes Estácio Martins da Veiga (Tavira/06.05.1828 – 07.12.1891/Lisboa), engenheiro de minas que trabalhou como oficial de secretaria da Sub-Inspecção Geral dos Correios e Postas do Reino e que se tornou arqueólogo e etnólogo, tendo reunido um pequeno museu no Algarve que acabou por constituir o núcleo inicial do Museu Etnológico Leite de Vasconcelos e que hoje é Museu Nacional de Arqueologia.

Sebastião Estácio da Veiga formado no Liceu de Faro e na Escola Politécnica de Lisboa, após fortes cheias ocorridas no Algarve, foi encarregado pelo  gabinete de Fontes Pereira de Melo, em 1876, de fazer o levantamento dos vestígios arqueológicos que ficaram a descoberto, tanto nesta região como no Alentejo e daqui nasceu a sua Carta Arqueológica do Algarve (1878), tendo os  resultados preliminares destas suas campanhas sido apresentados dois anos depois, no Congresso Internacional de Antropologia e de Arqueologia Pré-Histórica e nesse mesmo ano de 1880 fundou o Museu Arqueológico do Algarve, com um significativo acervo, nas instalações da Academia Real das Belas Artes, por despacho do Ministro do Reino. Em 1894, o espólio arqueológico do Museu de Estácio da Veiga transita para o Museu Etnográfico Português, fundado no ano anterior por Leite de Vasconcelos.

Estácio da Veiga destacou-se na vanguarda do panorama intelectual europeu da época, como pioneiro da investigação arqueológica, científica e sistemática,  com o seu incontornável contributo,  sendo de realçar a  sua identificação da necrópole megalítica de Alcalar, um conjunto de monumentos funerários do séc. III a. C., assim como as primeiras referências aos menires da Vila do Bispo.

Da obra publicada de Estácio da Veiga, para além dos artigos n’O Arqueólogo Português, destacamos Plantas da Serra de Monchique Observadas Nesse Ano (1866), Romanceiro do Algarve (1870), A Tábula de Bronze de Aljustrel, (1876), Memórias das Antiguidades de Mértola, (1877), Projecto de Legenda Simbólica para a Elaboração e Interpretação da Carta de Arqueologia Histórica do Algarve (1885), Antiguidades Monumentais do Algarve (1886-1891) e Programa para a Instituição dos Estudos Arqueológicos em Portugal (1891), para além de uma obra poética de gosto arcádico-romântico que deixou inédita e a Câmara Municipal de Tavira deu à estampa no ano 2000 sob o título de Poesias (ou banalidades poéticas).

Estácio da Veiga foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, Real Academia de História de Madrid, Instituto Arqueológico de Roma, Sociedade Francesa de Arqueologia, a Academia Belga de Arqueologia e Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.

Tal como seu pai, José Agostinho Estácio da Veiga, teve o foro de fidalgo Cavaleiro da Casa Real e foi casado com  Adelaide Lucotte, sendo a sua mais extensa biografia da autoria de sua bisneta, Maria Luísa Estácio da Veiga Pereira.

A Universidade do Algarve instituiu em 2016 o Prémio Estácio da Veiga para a melhor dissertação de mestrado em Pré-História e Evolução Humana, no âmbito da interdisciplinaridade da Arqueologia e demais Ciências e Estácio da Veiga está também perpetuado na toponímia de Agualva (Sintra), Amora (Seixal), Albufeira, Aljezur, Amadora, Faro, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel e Tavira.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Jaime Lopes Dias, dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Jaime Lopes Dias que foi diretor dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1938 e 1960, tem o seu nome perpetuado num troço da antiga Estrada Militar da Circunvalação (compreendido entre a Calçada de Carriche e a Rua André de Gouveia), com a legenda «Jurista e Olisipógrafo/1890 – 1977», desde a publicação do Edital municipal de 03/10/1991.

Jaime Lopes Dias em 1959 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime Lopes Dias em 1959, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime dos Santos Lopes Dias (Penamacor – Vale do Lobo [hoje, Vale da Senhora da Póvoa]/25.10. 1890 – 03.10.1977/Lisboa), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1912,  colaborou como jurista na elaboração no Código Administrativo de 1936, e ao fixar-se em Lisboa dirigiu os Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa durante 22 anos e nessa qualidade integrou a 1ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, nascida em 26 de outubro de 1943, com Luís Pastor de Macedo e o Engº Vieira da Silva, e presidida pelo vereador João Couto, tendo integrado as suas sucessivas composições até 31 de agosto de 1960.  Dirigiu a Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa, na qual privilegiou estudos dedicados à temática da etnografia e história olisiponense. É da sua autoria a brochura Brasão de armas, selo e bandeira da cidade e município de Lisboa, publicada em 1960. Em 1937 presidiu à comissão encarregada da Organização dos Serviços das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto.

Já antes Jaime Lopes Dias fora Oficial do Registo Civil de Penamacor (1912), Notário de Idanha-a-Nova (1914), administrador do concelho de Idanha-a-Nova (1915 a 1916), bem como Juiz Presidente do Tribunal de Desastres no Trabalho de Castelo Branco (1919 a 1921), Secretário-Geral do Governo Civil de Castelo Branco (1921 a 1926). Participou em diversas diligências regionalistas como a instalação do Museu Tavares Proença Júnior , a direção do Boletim da Casa das Beiras e da Revista das Beiras. Foi ainda vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, fundou o Sindicato Agrícola e a Caixa de Crédito Agrícola de Idanha-a-Nova, fez a campanha para a criação de um Posto Agrário em Idanha-a-Nova, assim como foi professor do Liceu de Castelo Branco, presidente da Comissão Agrícola da 55ª Região, adjunto do diretor-geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, bem como vogal do Conselho do Cadastro do Instituto Geográfico e Cadastral.

Em paralelo, desenvolveu um notável trabalho nos domínios da etnografia, arqueologia e história, sendo muito reconhecida a sua Etnografia da Beira (1926), em 11 volumes, com particular incidência em Castelo Branco, bem como o seu estudo Portugal e a Etnografia (1950) onde alertou para a necessidade de registo e a urgência na salvaguarda do património cultural. Parte fundamental da sua produção etnográfica, desenvolvida durante 25 anos de investigação da cultura tradicional e popular da Beira Baixa, foi publicada em jornais periódicos que fundou e dirigiu, designadamente,no Povo de Idanha (1914) e no Província (1921). Foi delegado regional da Comissão de Etnografia Nacional em Castelo Branco, promovendo o II Espectáculo Regional da Beira Baixa (1937).

Jaime Lopes Dias foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo em 28 de maio de 1937.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do professor de Arqueologia Leite de Vasconcelos

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

José Leite de Vasconcelos, médico que foi professor universitário de Arqueologia e o primeiro diretor do Museu Nacional de Arqueologia, chegou à toponímia de Lisboa oito anos após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 13/05/1949, a dar nome à Rua B à Quinta do Ferro.

Pelo mesmo Edital foram dados mais 6 nomes de figuras que foram professores universitários, filólogos ou historiadores, a saber, a Rua José Maria Rodrigues e a Rua Agostinho de Campos na freguesia de Alcântara, assim como a Rua Braamcamp Freire, a Rua Adolfo Coelho, a Rua Sousa Viterbo e a Rua David Lopes no Bairro da Quinta dos Apóstolos, na  freguesia da Penha de França.

Ilustração Portuguesa, 1926

Ilustração Portuguesa, 1926

José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo (Ucanha/07.07.1858 – 17.05.1941/Lisboa), médico formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1886 com a dissertação de licenciatura «A Evolução da linguagem» preferiu antes dedicar-se a ser professor universitário, etnógrafo, arqueólogo, filólogo e museólogo.

Assegurou os seus estudos na Escola Médico-Cirúrgica do Porto a trabalhar num liceu e num colégio,  e foi no decorrer do curso que escreveu Tradições Populares Portuguesas e editou o opúsculo Portugal Pré-Histórico (1885). Finda a licenciatura exerceu durante seis meses as  funções de subdelegado de Saúde do Cadaval. Todavia, Leite de Vasconcelos acabou por fixar-se em Lisboa como conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa durante 23 anos (a partir de 1888), professor do Liceu Central de Lisboa e mais tarde, da Faculdade de Letras (de 1911 a 1929), como docente de Filologia Clássica, área em que se havia doutorado em 1901, na Universidade de Paris, com a tese «Esquisse d’une dialectologie portugaise», para além de reger as cadeiras de Numismática, Epigrafia e Arqueologia.

Leite de Vasconcelos empenhou-se na criação de um museu dedicado ao conhecimento das origens e tradições do povo português, de que nasceu em 1893 o Museu Etnográfico Português (hoje Museu Nacional de Arqueologia). Inicialmente numa sala da Direção dos Trabalhos Geológicos, foi transferido em 1900 para uma ala do Mosteiro dos Jerónimos até ser inaugurado a 22 de abril de 1906. Quando se aposentou em 1929 o Museu Etnológico de que foi diretor passou a ter o seu nome Museu Etnológico do Doutor Leite de Vasconcelos e o homenageado dedicou-se então à publicação dos vários volumes da Etnografia Portuguesa.

Refira-se finalmente que Leite de Vasconcelos viveu em Lisboa, no nº 40 da Rua Dom Carlos de Mascarenhas, e nessa casa colocou a edilidade uma lápide dessa memória, no dia 7 de março de 1944.

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)