A Rua Jaime Lopes Dias, dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Jaime Lopes Dias que foi diretor dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1938 e 1960, tem o seu nome perpetuado num troço da antiga Estrada Militar da Circunvalação (compreendido entre a Calçada de Carriche e a Rua André de Gouveia), com a legenda «Jurista e Olisipógrafo/1890 – 1977», desde a publicação do Edital municipal de 03/10/1991.

Jaime Lopes Dias em 1959 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime Lopes Dias em 1959, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime dos Santos Lopes Dias (Penamacor – Vale do Lobo [hoje, Vale da Senhora da Póvoa]/25.10. 1890 – 03.10.1977/Lisboa), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1912,  colaborou como jurista na elaboração no Código Administrativo de 1936, e ao fixar-se em Lisboa dirigiu os Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa durante 22 anos e nessa qualidade integrou a 1ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, nascida em 26 de outubro de 1943, com Luís Pastor de Macedo e o Engº Vieira da Silva, e presidida pelo vereador João Couto, tendo integrado as suas sucessivas composições até 31 de agosto de 1960.  Dirigiu a Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa, na qual privilegiou estudos dedicados à temática da etnografia e história olisiponense. É da sua autoria a brochura Brasão de armas, selo e bandeira da cidade e município de Lisboa, publicada em 1960. Em 1937 presidiu à comissão encarregada da Organização dos Serviços das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto.

Já antes Jaime Lopes Dias fora Oficial do Registo Civil de Penamacor (1912), Notário de Idanha-a-Nova (1914), administrador do concelho de Idanha-a-Nova (1915 a 1916), bem como Juiz Presidente do Tribunal de Desastres no Trabalho de Castelo Branco (1919 a 1921), Secretário-Geral do Governo Civil de Castelo Branco (1921 a 1926). Participou em diversas diligências regionalistas como a instalação do Museu Tavares Proença Júnior , a direção do Boletim da Casa das Beiras e da Revista das Beiras. Foi ainda vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, fundou o Sindicato Agrícola e a Caixa de Crédito Agrícola de Idanha-a-Nova, fez a campanha para a criação de um Posto Agrário em Idanha-a-Nova, assim como foi professor do Liceu de Castelo Branco, presidente da Comissão Agrícola da 55ª Região, adjunto do diretor-geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, bem como vogal do Conselho do Cadastro do Instituto Geográfico e Cadastral.

Em paralelo, desenvolveu um notável trabalho nos domínios da etnografia, arqueologia e história, sendo muito reconhecida a sua Etnografia da Beira (1926), em 11 volumes, com particular incidência em Castelo Branco, bem como o seu estudo Portugal e a Etnografia (1950) onde alertou para a necessidade de registo e a urgência na salvaguarda do património cultural. Parte fundamental da sua produção etnográfica, desenvolvida durante 25 anos de investigação da cultura tradicional e popular da Beira Baixa, foi publicada em jornais periódicos que fundou e dirigiu, designadamente,no Povo de Idanha (1914) e no Província (1921). Foi delegado regional da Comissão de Etnografia Nacional em Castelo Branco, promovendo o II Espectáculo Regional da Beira Baixa (1937).

Jaime Lopes Dias foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo em 28 de maio de 1937.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do professor de Arqueologia Leite de Vasconcelos

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

José Leite de Vasconcelos, médico que foi professor universitário de Arqueologia e o primeiro diretor do Museu Nacional de Arqueologia, chegou à toponímia de Lisboa oito anos após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 13/05/1949, a dar nome à Rua B à Quinta do Ferro.

Pelo mesmo Edital foram dados mais 6 nomes de figuras que foram professores universitários, filólogos ou historiadores, a saber, a Rua José Maria Rodrigues e a Rua Agostinho de Campos na freguesia de Alcântara, assim como a Rua Braamcamp Freire, a Rua Adolfo Coelho, a Rua Sousa Viterbo e a Rua David Lopes no Bairro da Quinta dos Apóstolos, na  freguesia da Penha de França.

Ilustração Portuguesa, 1926

Ilustração Portuguesa, 1926

José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo (Ucanha/07.07.1858 – 17.05.1941/Lisboa), médico formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1886 com a dissertação de licenciatura «A Evolução da linguagem» preferiu antes dedicar-se a ser professor universitário, etnógrafo, arqueólogo, filólogo e museólogo.

Assegurou os seus estudos na Escola Médico-Cirúrgica do Porto a trabalhar num liceu e num colégio,  e foi no decorrer do curso que escreveu Tradições Populares Portuguesas e editou o opúsculo Portugal Pré-Histórico (1885). Finda a licenciatura exerceu durante seis meses as  funções de subdelegado de Saúde do Cadaval. Todavia, Leite de Vasconcelos acabou por fixar-se em Lisboa como conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa durante 23 anos (a partir de 1888), professor do Liceu Central de Lisboa e mais tarde, da Faculdade de Letras (de 1911 a 1929), como docente de Filologia Clássica, área em que se havia doutorado em 1901, na Universidade de Paris, com a tese «Esquisse d’une dialectologie portugaise», para além de reger as cadeiras de Numismática, Epigrafia e Arqueologia.

Leite de Vasconcelos empenhou-se na criação de um museu dedicado ao conhecimento das origens e tradições do povo português, de que nasceu em 1893 o Museu Etnográfico Português (hoje Museu Nacional de Arqueologia). Inicialmente numa sala da Direção dos Trabalhos Geológicos, foi transferido em 1900 para uma ala do Mosteiro dos Jerónimos até ser inaugurado a 22 de abril de 1906. Quando se aposentou em 1929 o Museu Etnológico de que foi diretor passou a ter o seu nome Museu Etnológico do Doutor Leite de Vasconcelos e o homenageado dedicou-se então à publicação dos vários volumes da Etnografia Portuguesa.

Refira-se finalmente que Leite de Vasconcelos viveu em Lisboa, no nº 40 da Rua Dom Carlos de Mascarenhas, e nessa casa colocou a edilidade uma lápide dessa memória, no dia 7 de março de 1944.

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)