O Jardim do médico Ducla Soares

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

Este jardim no topo da Avenida da Torre de Belém, entre a Avenida do Restelo e a Rua de Alcolena, desde a publicação do Edital de 07/09/1987, homenageia o médico e investigador alfacinha Armando José Ducla de Sousa Soares (Lisboa/14.08.1912 – 27.03.1985/Lisboa) que em Lisboa viveu, desenvolveu a sua carreira e faleceu na sua casa no Largo da Princesa, nesta mesma freguesia.

Considerado o maior internista português da sua geração bem como especialista de hematologia com relevo na Medicina Europeia, durante quase meio século trabalhou nas vertentes da clínica, do ensaio e da investigação. Licenciado no ano de 1936, a partir de 1943 passou a assistente da cadeira de Clínica Médica e doutorou-se em 1948, com uma tese sobre as doenças alérgicas do rim. A partir de 1955, dirigiu a Secção de Hematologia da Consulta de Clínica Médica da Faculdade e tornou-se catedrático desta cadeira em 1958, a que juntou a de Pneumologia de 1960 a 1965  e depois, até 1982, a de Propedêutica Médica. Em 1974 foi membro da Comissão de Gestão Provisória da Faculdade de Medicina de Lisboa e em 1977, eleito para o Conselho Científico.

Ducla Soares foi ainda médico dos Hospitais Civis a partir de 1950, nomeadamente no Curry Cabral e no Hospital de Arroios assim como desempenhou os cargos de Presidente da Secção Europeia da Sociedade Internacional de Hematologia para o Estudo da Coagulação, da Sociedade de Medicina Interna e da Sociedade Portuguesa de Hematologia, bem como de diretor do Núcleo de Estudos Clínicos-Hematológicos do Instituto de Alta Cultura e de membro do Conselho Consultivo para as Ciências Médicas do Instituto de Alta Cultura e do Conselho Superior de Medicina Legal.

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

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O Jardim da pianista Elisa Pedroso

Elisa Sousa Pedroso em 1909 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elisa Baptista de Sousa Pedroso em 1909
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Por proposta da própria Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 22/08/1973  foi a pianista  Elisa Baptista de Sousa Pedroso consagrada três anos depois num Jardim lisboeta, pelo Edital de 03/09/1976 , designado por Jardim da Rua da Imprensa à Estrela, também vulgarmente conhecido por Jardim Salazar.

Este Jardim cuja traça terá sido implantada por volta de 1930, ocupa o espaço nas  traseiras da Assembleia da República que outrora foram os terrenos da antiga cerca conventual do Mosteiro de São Bento da Saúde.

Elisa Baptista de Sousa Pedroso (Vila Real/10.07.1876 -1958/Lisboa) foi uma consagrada pianista, fundadora do Círculo de Cultura Musical,  primeira sócia honorária da Juventude Musical Portuguesa e, organizadora dos famosos concertos sinfónicos que durante muitos anos, semanalmente, nos meses de Verão, a Câmara Municipal de Lisboa ofereceu ao público no Pavilhão dos Desportos.

A música foi a dedicação para Elisa desde jovem, tendo estudado com os professores Francisco Baía, Alexandre Rey-Colaço e Viana da Mota, em Lisboa e depois, com Eduardo Risler, Ignaz Friedman e Alfredo Casella em Paris, para além de lições de Pedro Blanch, Luís Filgueiras e Pablo Casals, e assim foi fazendo carreira e concertos um pouco por todo o mundo.

Em 1917, colaborou com o seu marido, o advogado Alberto Pedroso, na fundação da Sociedade de Concertos de Lisboa. Após enviuvar, ela própria fundou o Círculo de Cultura Musical, em 1935,  do qual foi eleita presidente vitalícia. É a partir desta estrutura que Elisa Pedroso trabalhou para difundir a cultura musical, através de concertos com os maiores valores artísticos portugueses e estrangeiros e, da qual proliferaram delegações no Porto, Coimbra, Braga, Viana do Castelo, Funchal, Aveiro, Guimarães, Viseu, Setúbal, Ponta Delgada e Évora. E em 1947, Elisa Baptista Pedroso cedeu o seu próprio palacete para sede da Juventude Musical Portuguesa e ainda promoveu intercâmbios entre Portugal e diversos países europeus, particularmente entre Portugal e Espanha, tornando-se numa das maiores mecenas da época.

Também publicou Cultura Artística de Hoje : notas e três meses e viagem (1935), Música Espanhola Contemporânea (1917) e L’ art, expression de notre esprit national  (1941).

Foi galardoada com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública e a Ordem de Santiago e Espada (1954), o Colar do Instituto de Coimbra, o Colar e a Medalha da Cruz Vermelha, a Medalha de Prata da Cidade de Lisboa (1947), a Cruz de Afonso o Sábio (de Espanha), o Colar da Real Academia de Belas-Artes de Madrid, a Medalha de Sócia de Honra da Orquestra Sinfónica de Madrid e a Medalha de Ouro de Música de Itália (1949) e, o Conservatório Regional de Música de Vila Real criou o Prémio Nacional Elisa de Sousa Pedroso para instrumentistas de todo o país.

Jardim Maria Elisa Baptista de Sousa Pedroso  (Foto: Eduardo Portugal, 1940, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jardim Maria Elisa Baptista de Sousa Pedroso
(Foto: Eduardo Portugal, 1940, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia da Estrela

Freguesia da Estrela

A Rua do primeiro Jardim Botânico português

Placa Tipo II . Freguesias de Ajuda e de Belém

Placa Tipo II  – Freguesias da Ajuda e de Belém

A Rua do Jardim Botânico, que faz a ligação da Calçada da Ajuda à Calçada do Galvão, nasceu como o seu nome indica  da proximidade ao Jardim Botânico da Ajuda, através da publicação do Edital municipal de 26/09/1916, para preservar na memória alfacinha o primeiro jardim botânico português.

Este Jardim Botânico ocupou os terrenos arborizados que haviam sido da Quinta do Conde da Ponte  e que D. José I em boa hora adquiriu para cultura de frutas e hortaliças necessárias ao palácio real, instalado na Ajuda após o  terramoto de 1 de novembro de 1755. Por influência de Miguel Franzini, professor dos netos do rei  foi mandado criar este que foi então o 15º Jardim Botânico da Europa e o 1º em Portugal. Em 1765, foi encarregado de delinear e dirigir as obras do Real Jardim Botânico da Ajuda o italiano Domingos Vandelli e de as inspecionar o ministro da Marinha, Francisco Xavier de Carvalho, irmão do Marquês de Pombal. Destinava-se este Jardim, tal como o Museu de História Natural e o Gabinete de Física instalados num edifício próximo, à educação dos príncipes.

Domingos Vandelli dirigiu o então denominado Real Jardim Botânico da Ajuda de 1768 a 1774 e, o botânico Félix de Avelar Brotero foi o 2º diretor, de 1811 a 1828, tendo o seu catálogo das plantas em cultura registado 1370 espécies. Depois, já por ordem de D. João VI  o Jardim e o Museu foram abertos ao público, todas as quintas-feiras. Por decreto de 27 de agosto de 1836,o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda foi confiado à administração da Academia das Ciências de Lisboa. Dois anos depois, a partir de novembro de 1838 o Jardim Botânico da Ajuda passou a  depender da Escola Politécnica, instituída dois anos antes. Em 1874, o Jardim foi entregue à administração da Casa Real, altura em que decaiu progressivamente. Em 1910 passou a integrar o património nacional e, em 1918 foi entregue ao Instituto Superior de Agronomia permitindo assim que em 1934, sob a direção do Prof. André Navarro, o Prof. Caldeira Cabral estabelecesse o traçado dos canteiros do tabuleiro superior, que se tinha perdido completamente. Entre 1993 e 1997, com o apoio do Prémio de Conservação do Património Europeu e do Fundo de Turismo, sob a orientação da Profª. Cristina Castel-Branco, foi restaurado o Jardim, com a recuperação da coleção botânica,  do sistema de rega e a instalação do Jardim dos Aromas.

Freguesia de qq coisa para conferir

Freguesias da Ajuda e de Belém

O Jardim da Estrela duplicado em Rua e Travessa

Rua do Jardim (Foto: AML)

Rua do Jardim à Estrela (Foto: s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Jardim à Estrela e a Travessa do Jardim, são dois topónimos do séc. XIX, na Freguesia da Estrela, que recolhem as suas denominações da proximidade ao Jardim Guerra Junqueiro, vulgarmente conhecido como Jardim da Estrela.

A Rua do Jardim à Estrela liga a Rua de Santo António à Estrela à Travessa do Jardim. A Travessa do Jardim vai da Rua de Santo António à Estrela à Rua do Patrocínio e já surge referida em 1857 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.

O Jardim foi plantado entre 1842 e  1852 pelos jardineiros Bonard e João Francisco, graças à iniciativa do Marquês de Tomar e  a muitas doações particulares. Os terrenos onde foi implantado foram adquiridos pela Câmara Municipal de Lisboa com o donativo do Barão de Barcelinhos e, a sua construção foi custeada pelo donativo de Joaquim Manuel Monteiro, que mais tarde recebeu os títulos de Visconde e de Conde da Estrela.

O Jardim recebeu em 1877 uma estufa de ferro e vidro; em 1885, a escola Froebel; em 1932, o Coreto transferido da Avenida da Liberdade e seis anos mais tarde, um parque infantil. Também albergou a jaula do famoso leão da Estrela que em 1871 Paiva Raposo ofereceu a este espaço verde.

(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Travessa do Jardim (Foto: s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia da Estrela

Freguesia da Estrela

A Amnistia Internacional num jardim lisboeta

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide                                                                                                                    (Foto: Rui Mendes)

Quando em 2011 se comemoraram os 50 anos de vida da Amnistia Internacional, bem como os 30 anos da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional nascida a 18 de maio de 1981, a Câmara Municipal de Lisboa associou-se a estas datas e homenageou esta organização empenhada na defesa dos Direitos Humanos e que foi Prémio Nobel da Paz em 1974 e 1977 com a atribuição do seu nome a um Jardim: o Jardim Amnistia Internacional, situado entre a Rua de Campolide, a Avenida José Malhoa e a Rua Cardeal Saraiva, nascido do Edital de 03/06/2011.

Placa Tipo IV (Foto: Rui Mendes)

Placa Tipo IV
(Foto: Rui Mendes)

A Amnistia Internacional foi fundada em 1961, tendo na sua origem um caso que envolve Portugal, com a publicação no The Observer de 28 de maio de 1961 do artigo «The Forgotten Prisioners», no qual o advogado britânico Peter Benenson denunciou a condenação de dois jovens estudantes portugueses a 7 anos de prisão, por gritarem “Viva a Liberdade!” numa esplanada do centro de Lisboa, no âmbito das celebrações da República e, indignado, escreveu aos dirigentes políticos portugueses exigindo a libertação imediata dos dois jovens, ao mesmo tempo que encorajou o seu círculo de relações a fazer como ele e, o sucesso desta manifestação criou o modo de agir da Amnistia Internacional.

planta de localização

A Rua da afamada Praia de Pedrouços

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

A Rua da Praia de Pedrouços, que liga a Rua da Praia do Bom Sucesso à Rua de Pedrouços, foi um topónimo fixado na memória ribeirinha de Lisboa em data que se desconhece.

Sabe-se que nos finais do século XIX e princípios do século XX tiveram o seu apogeu as praias de Pedrouços, da Torre de Belém e da Cruz da Pedra, na zona ribeirinha do Tejo. O areal do limite sul do sítio de Pedrouços era o seu grande motivo de fama na 2ª metade do século XIX, já que depois de Belém era a praia dos arrabaldes de Lisboa mais procurada pela aristocracia, pela alta burguesia e até pela intelectualidade da época. Existem referências para o ano de 1873 da presença nesta praia da Viscondessa de Algés, do Conde de Casal Ribeiro, de Fortunato Chamiço e de Eça de Queirós, com as suas famílias.

Nesta rua foi fundada em 1898 a Academia Dramática Familiar e, no nº 97 faleceu José Agostinho de Macedo (1761 – 1831), pregador e polemista panfletário.

Lisboa exibe ainda mais 4 arruamentos evocativos das suas praias fluviais, a saber, o Boqueirão da Praia da Galé ( Santa Maria Maior ), as Escadinhas da Praia (Estrela), a Rua da Praia do Bom Sucesso (Belém) e, a Travessa da Praia (Alcântara).

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

A Rua do regedor Cardeal da Cunha

(Foto: Joshua Benoliel, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Joshua Benoliel, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Jardim do Regedor recorda-nos a figura do regedor da Casa da Suplicação e primeiro presidente da Real Mesa Censória, o  cardeal D. João Cosme da Cunha, que foi também membro do Conselho de Estado.

O olisipógrafo  J.J. Gomes de Brito considera que esta artéria terá nascido no século XIX, porque «Na planta de Lisboa, levantada sob a direcção do engenheiro militar José Fava, em 1807, isto é, apenas seis annos após a impressão do Roteiro dos Correios, já o Pateo da Mancebia não figura. Está, porém, nessa planta, como de rasão, a “Rua Nova do Jardim do Regedor”, rua que segue, pouco mais ou menos, o traçado da desapparecida muralha, e no terreno cujos prédios se confundiu, mas que certamente, o ultimo vestígio da rua de que se trata (…), descrevendo a rua do Jardim do Regedor, lia-se no Itinerário Lisbonense, de 1818: É a segunda à esquerda na rua das portas de Santo Antão, vindo do Rossio, e termina no fim da Rua do Príncipe, ou largo do Passeio Público».

Nas proximidades, na confluência das artérias que hoje designamos como Rua das Portas de Santo Antão, Praça D. João da Câmara e Travessa do Forno existe também o Largo do Regedor, atribuído por Edital camarário de  18/12/1893 no que era o Pátio do Regedor.

João Cosme da Cunha (Lisboa/20.10.1715 – 31.01.1793/Lisboa), também conhecido como Cardeal da Cunha, tomou o hábito em 1738 sob o nome de Frei João de Nossa Senhora da Porta. Foi o primeiro presidente da Real Mesa Censória, criada por Alvará de 5 de abril de 1768, com o objectivo de transferir para o Estado a fiscalização das obras que se pretendessem publicar ou divulgar em Portugal, o que até então estava a cargo do Tribunal do Santo Ofício, do Desembargo do Paço e do Clero Ordinário.

O Cardeal da Cunha foi também escolhido por D. José I para arcebispo de Évora  (1763) embora continuasse a residir em Lisboa a pedido do Marquês de Pombal, sendo depois regedor das Justiças da Casa da Suplicação e inquisidor-geral entre 1770-1783, inspetor na reedificação de Lisboa nomeado por Pombal e,  membro do Conselho de Estado.

 

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

 

A Rua Manuel Bernardes no 370º aniversário do teólogo

(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

                                           (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Na freguesia da Misericórdia está a Rua de Manuel Bernardes, que foi a Rua Madre de Deus até à publicação do Edital municipal de 7 de agosto de 1911 que dela fez homenagem a este teólogo que hoje completa 370 anos.

Este topónimo foi atribuído com a legenda «Escritor/1644 – 1710» mas esta foi suprimida, de acordo com um parecer da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 16/02/1946 e homologado pelo Presidente da CML dez meses depois em 20/12/1946.

Manuel Bernardes (Lisboa/20.08.1644 – 17.08.1710/Lisboa) foi um bacharel em Direito Canónico e Teologia que se tornou um escritor ascético e sacerdote, tendo entrado para a Congregação do Oratóriode São Filipe Néri em 14 de julho de 1674. Ao contrário do seu contemporâneo Padre António Vieira, os seus sermões transmitiam serenidade e unção. E para além da prosa poética dos seus Solilóquios são de destacar as suas obras  Luz e Calor (1696), Exercícios Espirituais e Meditações (1707), os 5 volumes de Nova Floresta (1710 – 1728), os dois volumes de Sermões e Práticas (1711-1733), Estímulo Prático para bem seguir o bem e fugir o mal (1730) ou Armas da Castidade (1737).

Antes de 1911 (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

                              Antes de 1911 (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia da Misericórdia

                                                                  Freguesia da Misericórdia

A Rua Carlos Gil no Dia Mundial da Fotografia

Carlos Gil jpeg

Já que hoje passa o Dia Mundial da Fotografia, evocamos a Rua Carlos Gil, que com a Rua Nuno Ferrari e a Rua Joshua Benoliel são os únicos três topónimos lisboetas dedicados a profissionais da arte de fotografar.

A Rua Carlos Gil, nascida no espaço dos Impasses L6, L7 e L8 da Zona L de Chelas, na freguesia de Marvila, por força do  Edital de 26/12/2001, foi proposta  pela moção de pesar aprovada por unanimidade na sessão de Câmara de 06/06/2001.

Carlos Augusto Gil (Mortágua/19.05.1937 – 03.06.2001/Lisboa), começou a trabalhar como fotógrafo para um jornal da capital, e tal como Alfredo Cunha e Eduardo Gajeiro foi um dos fotógrafos do 25 de Abril de 1974, tendo seguido o percurso dos militares entre o Terreiro do Paço e o Largo do Carmo no cimo de um veículo do exército e, desse dia ficou o seu livro Carlos Gil, Um Fotógrafo na Revolução (2004), com textos de Adelino Gomes, publicado pelo seu filho Daniel Gil.

Foto de Carlos Gil em Excluídos (1999)

Foto de Carlos Gil em Excluídos (1999)

Através da sua objectiva Carlos Gil fotografou muitas gentes e sítios de Lisboa, como em Casal Ventoso – No Vendaval da Mudança (1999), sendo paradigmática a sua obra Excluídos (1999), onde está presente a consciência social e o sentido de cidadania do fotógrafo, nas imagens singulares dos desfavorecidos de Lisboa. Fixara-se em Lisboa em 1968  e desistiu do curso de Direito, no 4º ano, para ser jornalista. Ingressou no jornal A Capital , até 1970, e aí passou a ser também fotojornalista. Daí passou, até 1977, para a revista Flama. E depois tornou-se assessor de imprensa da Junta de Turismo da Costa do Sol, ao mesmo tempo que era fotógrafo e repórter freelancer. Entre 1980 e 1982 foi colaborador permanente do diário Portugal Hoje, onde coordenava o suplemento semanal «Cooperação», assim como foi editor fotográfico das revistas Mais (1983-1985) e Tempo-Livre (1990 – 2001). Colaborou ainda com o CENJOR na formação nas áreas de Fotojornalismo e Reportagem.

Carlos Gil também privilegiou as reportagens as zonas de conflito armado e guerras de guerrilha, tendo publicado em 1984 El Salvador:o Caminho dos Guerrilheiros e, aquando da 1ª Guerra do Golfo, as suas crónicas feitas a partir de Bagdade e de Amã enriqueceram os serviços noticiosos de televisões, jornais e emissoras radiofónicas e, em 1995, fez a cobertura das eleições no Iraque para a RTP, TSF e SIC. Enquanto fotógrafo, Carlos Gil foi galardoado com o Prémio Repórter do Ano (1983) do programa Festa É Festa de Júlio Isidro, o Prémio Gazeta do Jornalismo (em 1984 e 1985), o Troféu Nova Gente (1985) e o Prémio Ibn Al Haythem (em 1996 e 1997).

Refira-se ainda que Carlos Gil havia sido chamado a cumprir o serviço militar obrigatório em Timor (de 1963 a 1965) e foi no caminho para lá, em Singapura, que adquiriu a sua 1ª máquina fotográfica e, já em Díli, teve as suas primeiras experiências jornalisticas ao colaborar com o jornal A Voz de Timor e a Emissora de Radiodifusão de Timor. Manteve sempre uma ligação particular a Figueira de Castelo Rodrigo,  onde viveu a infância e a adolescência e, a sua primeira paixão foi o teatro,  tendo colaborado em Coimbra, entre 1957 e 1960, com o Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC) e com o Grupo de Teatro Independente Teatro d’Hoje. E na tropa, em Timor ajudou a fundar o Grupo de Teatro Experimental de Timor e já em Lisboa, ainda integrou o Grupo Cénico da Faculdade de Direito de Lisboa.

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila