A Rua de Barcelona em retribuição da Carrer de Lisboa

Rua de Barcelona – Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua de Barcelona foi atribuída pelo Edital municipal de 5 de julho de 2000 na Via M da 3ª. Fase do Bairro Padre Cruz, retribuindo assim a edilidade alfacinha o gesto da cidade de Barcelona, capital da região autónoma da Catalunha, que em 1999 acrescentara à sua lista de artérias a Carrer de Lisboa.

A Rua de Barcelona está localizada junto a três topónimos de professores universitários – Rua Francisco Pereira de Moura, Rua Jorge Vieira e Rua Prof. Maria de Leonor Buescu -, como é característico no Novo Bairro Padre Cruz, na Freguesia de Carnide, tendo os 4 arruamentos sido inaugurados no dia 21 de novembro de 2000, com a presença do Alcalde de Barcelona, Joan Clos e do congénere lisboeta, João Soares.

Esta cidade catalã da famosa e movimentada artéria conhecida como Las Ramblas é também a cidade  onde a tradição e a modernidade coabitam ostentando obras do Gótico e do arquiteto modernista Gaudì, do Castell de Montjuïc  e do Camp Nou do Barça, uma grande metrópole cultural onde a toponímia comporta avingudas, camís, carrerós, carrers e carreteras, jardins, molls, parcs, paseos e passeigs, passatges, plaças e plazas, placetas, portas, torrents e vias.

Entre diversos locais, encontramos a Rua de Barcelona no Mindelo e em Casal de Cambra, a Rúa de Barcelona em Vigo, a Calle Barcelona em Madrid, Girona, Móstoles e Grã Canária, assim como no Brasil temos a Rua Cidade de Barcelona em Joinville, a Rua de Barcelona em Maringá, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e  Umuarama , uma Travessa de Barcelona em Manaus, a Rue Barcelona em Avinhão (França) e a Barcelona Avenue em Salem, nos Estados Unidos da América.

Rua de Barcelona - Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Rua de Barcelona – Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

 

A oficialização da Praça da Embaixada de Espanha

Freguesias de Campolide , São Domingos de Benfica e Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

A Praça de Espanha foi oficializada pelo Edital municipal de 29 de janeiro de 1979, gravando a memória que o povo de Lisboa tinha deste espaço, associando-a à Embaixada de Espanha que aí permaneceu de 1919 a 1939, e a partir daí passou a ser a residência do embaixador espanhol, no Palácio de Palhavã.

A história dos residentes no Palácio de Palhavã mostra a antiga ligação (a partiu da 2ª metade do séc. XVIII) do mesmo a Espanha. Em 1660, o 2º Conde de Serzedas, Luís Lobo da Silveira, mandou construir um palácio na estrada que ligava o sítio da Pedra ao sítio de Sete Rios, especificamente nos terrenos de um cavaleiro conhecido como de Palhavã, e assim nasceu o Palácio de Palhavã.

Este Palácio passou para os Condes da Ericeira e Marqueses do Louriçal a partir de 1747, que o arrendaram a D. João V para morada dos seus três filhos que por isso ficaram conhecidos como Os Meninos de Palhavã. Depois, entre 1765 e 1769, foi a residência do Marquês de Almodóvar, o Embaixador de Espanha. No início do séc. XIX os terrenos do Palácio foram danificados  pelos franceses que lá montaram acampamento aquando das Invasões mas em 1861, foi adquirido pelo 3º conde de Azambuja ou dos Lumiares, que restaurou o Palácio de acordo com um plano do arqº Possidónio da Silva. Em 1918, os Azambujas resolveram leiloá-lo e acabou arrematado pelo Governo de Espanha, representado por Alejandro de Padilla, então Ministro Plenipotenciário que nele instalou a Embaixada do seu país e assim permaneceu até 1939, quando passou a ser em definitivo a residência do embaixador espanhol e a Embaixada foi transferida para o Palácio Mayer, na Rua do Salitre.

Freguesias de Campolide, São Domingos de Benfica e Avenidas Novas            (Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid

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Rua Cervantes - Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Rua Cervantes – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

A ligar a Avenida João XXI à Avenida de Madrid encontramos hoje a Rua Cervantes, atribuída em 1948, hoje paralela ao Autoparque Madrid, um topónimo de 2001.

A Rua Cervantes resultou da publicação do Edital municipal de 29 de julho de 1948, fixada no arruamento identificado então como Rua D2 da Zona compreendida entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a Linha Férrea de Cintura. Este Edital resultou da procura da edilidade lisboeta de imprimir algum cosmopolitismo à cidade, com doze topónimos, todos ligados a personalidades de cariz internacional ou a cidades europeias e brasileiras, onde couberam os nomes dos cientistas europeus Pasteur e Marconi, do inventor americano Edison, dos escritores Vítor Hugo (francês), Afrânio Peixoto e João do Rio (brasileiros), bem como Avenidas para Madrid, Paris e Rio de Janeiro, uma praça para Londres, para além da Avenida João XXI que homenageia o único Papa português.

A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid - Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid – Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

O castelhano Miguel de Cervantes Saavedra (Alcalá de Henares/29(?).09.1547 – 22 ou 23 (?).04.1616/Madrid) foi um romancista, dramaturgo, poeta, soldado e cobrador de impostos, autor do famoso D. Quixote de la Mancha, considerado o primeiro romance moderno, que teve licença de impressão em 26 de setembro de 1604 e alcançou um êxito enorme com 9 edições em 1605: duas em Madrid, três em Lisboa (sem o consentimento do autor) e duas em Valência.

Cervantes enquanto soldado, lutou em Itália (1569), combateu na Batalha de Lepanto (1571), nas Jornadas de Tunes e da Goleta (1573), foi feito cativo por corsários em Argel (1575 – 1580), onde conheceu Manuel de Sousa Coutinho (Frei Luís de Sousa), de quem aliás narrou os amores em Trabajos de Pérsiles y Sesinanda (1616). Regressado a Espanha passou a ser cobrador de impostos e veio para Portugal em 1581 para conseguir entrar na corte de Filipe II de Espanha e I de Portugal, tendo ficado em Lisboa até 1583 e escrito  a ideia «Para festas Milão, para amores Lusitânia».

Em 2001, pelo Edital municipal de 3 de janeiro, o espaço compreendido entre a Avenida de Madrid, Rua Cervantes e Avenida João XXI passou a denominar-se Autoparque Madrid, referindo-se o topónimo à artéria onde se abre o Autoparque, uma nova categoria de via pública essencialmente destinada ao parqueamento automóvel cuja denominação corresponde sempre ao nome da artéria que lhe dá acesso.

Autoparque Madrid - Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Autoparque Madrid – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

 

O centenário Bairro de Inglaterra nascido em 29 de agosto de 1916

O Bairro de Inglaterra (Planta: Sérgio Dias)

O Bairro de Inglaterra
(Planta: Sérgio Dias)

Há cem anos, pelo Edital municipal de 29 de agosto de 1916, nasceu nas encostas nascentes do Monte Agudo e colinas da Penha de França o Bairro de Inglaterra, com topónimos todos relacionados com esse país, a saber: a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Manchester, a Rua Newton (que esteve para ser Lord Byron) e a Rua Poeta Milton.

A Rua Cidade Cardiff (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Cidade Cardiff
(Foto: Sérgio Dias)

O Bairro de Inglaterra passou a ser a denominação do Bairro de Brás Simões, já que o proprietário desta urbanização e grande comerciante de Lisboa era José Brás Simões de Sousa, que em 13 de outubro de 1913 entregou os seus arruamentos particulares à Câmara Municipal de Lisboa. O antigo nome do bairro derivava do nome do seu proprietário e os topónimos das suas artérias homenageavam familiares do mesmo, como já acontecera no Bairro Andrade e era costume na época. O novo nome espelhou as alianças que Portugal firmou no contexto da I Grande Guerra: ao incluir modernas cidades inglesas na toponímia da capital portuguesa reforçava diplomaticamente a antiga aliança de Portugal com Inglaterra.

Rua Cidade de Liverpool (Foto: Sérgio Dias)

Rua Cidade de Liverpool
(Foto: Sérgio Dias)

Recorde-se que em fevereiro de 1916 a Inglaterra, país aliado de Portugal desde o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre (em 1387), pediu ao nosso país que fizesse o apresamento de todos os navios alemães que estavam ancorados na costa portuguesa, e assim feito a Alemanha respondeu com uma declaração oficial de guerra a Portugal, em 9 de março de 1916, não obstante os combates entre Portugal e a Alemanha já ocorrerem desde setembro de 1914, tanto na fronteira sul de Angola como na fronteira norte de Moçambique.

Rua Cidade de Manchester (Foto: Sérgio Dias)

Rua Cidade de Manchester
(Foto: Sérgio Dias)

Foi neste contexto que cinco meses volvidos após a declaração de guerra, na reunião de Câmara de 17 de agosto de 1916, por proposta dos vereadores Santos Neto e Feliciano de Sousa, foi deliberado atribuir topónimos relacionados com Inglaterra.

A Rua Cidade de Cardiff tomou o lugar da Rua Maria Gouveia, fixando uma cidade portuária, como Liverpool ou Lisboa, que em 1916 detinha a maioria do trânsito de carvão no mundo.

A Rua Cidade de Liverpool era antes a Rua José de Sousa, trazendo a memória da cidade inglesa cujo porto prosperou graças à presença de inúmeros mercadores oriundos de Londres, após esta ter sofrido a  grande peste de 1664 e o grande incêndio de 1666.

Já a Rua Cidade de Manchester tinha sido a Rua Isabel Leal até este Edital de 1916 trazer para Lisboa esta cidade do Noroeste da Inglaterra, próspera desde a  Revolução Industrial já que nela se aplicou a máquina a vapor na indústria têxtil logo desde 1789, o que a tornou a segunda cidade inglesa ainda no séc. XIX.

Rua Newton (Foto: Sérgio Dias)

Rua Newton
(Foto: Sérgio Dias)

À Rua Aurora foi dado o nome de Rua Lord Byron na proposta apresentada na reunião de Câmara de 17 de agosto de 1916. Mas na reunião da semana seguinte, a 24 de agosto, foi decidido mudar o topónimo para Rua Newton, já que conforme a Ata dessa reunião «Lord Byron, que sendo uma gloria de Inglaterra e um dos cantores das belezas de Cintra, e da propria capital do nosso paiz, tinha comtudo, devido ao seu temperamento, sido um poeta que agravara os portuguezes, como aliás havia procedido pela mesma forma para com os proprios inglezes. Por esse motivo a resolução da Comissão Executiva sofrera reparos por parte de alguns municipes e de um jornal importante da capital.» Assim, o Edital dos topónimos deste Bairro de Inglaterra só foi publicado a 29 de agosto, sendo a Rua Aurora desde aí designada Rua Newton, resultando assim que as duas personalidades inglesas escolhidas fossem uma da área das letras e outra da área das letras.

À Rua Margarida foi atribuído o topónimo Rua Poeta Milton, que além de ser poeta foi também um defensor da República Inglesa.

Passados 18 anos, em 1934, foram de novo pavimentadas a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Cardiff e a Rua Newton. O mesmo aconteceu com a Rua Poeta Milton, cuja obra foi adjudicada a Artur Fernandes Alves Ribeiro.

Rua Poeta Milton (Foto: Sérgio Dias)

Rua Poeta Milton
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida de Roma que alimentou três cinemas

Cinema Alvalade nos anos 50 do séc. XX (Foto: Salvador de Almeida Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cinema Alvalade nos anos 50 do séc. XX
(Foto: Salvador de Almeida Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida de Roma, hoje pertença das Freguesias de  Alvalade e do Areeiro, nasceu no último mês do ano de 1930 e nesta grandiosa artéria se ergueram sucessivamente, a partir do fim da II Guerra, três cinemas: o  Alvalade, 0 Roma e o Londres.

Antes era a  Avenida nº 19 do plano de melhoramentos aprovado por deliberação camarária de 7 de abril de 1928, compreendida entre a Rotunda a norte da Avenida de António José de Almeida (hoje, Avenida Guerra Junqueiro) e a Avenida Alferes Malheiro (hoje, Avenida do Brasil), que a partir do Edital de 27 de dezembro de 1930 passou a ser a Avenida de Roma.

Como existe uma Via Lisbona em Roma e embora desconheçamos a sua data de atribuição, a Avenida de Roma em Lisboa pode ter sido atribuída apenas como retribuição. As atas das sessões de Câmara apenas informam que em 11 de dezembro de 1930, por proposta José Vicente de Freitas, que presidia então à Câmara,  foram sugeridos como topónimos as Avenidas de Roma, Avenida General Roçadas e a do Poeta Mistral «Considerando que se torna necessário dar nomes a diversos arruamentos da Capital que não possuem ainda nomenclatura», e todas foram aprovadas por unanimidade. Já antes, em 20 de março,  o mesmo Presidente da CML havia proposto um voto de sentimento pela morte do General Primo de Rivera que foi aprovado por aclamação. Sabemos também que o primeiro-ministro italiano, Benito Mussolini, em 11 de fevereiro de 1929, ratificou com Pio XI a Concordata de São João Latrão, pela qual se criava o Estado do Vaticano, o Papa  recebia uma indemnização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso passava a ser obrigatório nas escolas italianas e o catolicismo a religião oficial da Itália e que  a 19 de abril desse mesmo ano de 1929, Benito Mussolini foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada portuguesa.

Cinema Roma nos anos 50 do séc. XX (Foto: Salvador de Almeida Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cinema Roma nos anos 50 do séc. XX
(Foto: Salvador de Almeida Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Dos três cinemas da Avenida de Roma o primeiro a nascer foi o Cinema Alvalade, sob o traçado dos Arqºs Lima Franco e Filipe de Figueiredo em 1945, mas inaugurado em 8 de dezembro de 1953 no nº 100 da Avenida de Roma e esquina com a Rua Luís Augusto Palmeirim. Era um cinema de estreia com mais de mil lugares. Fechou portas em 1985 e o espaço foi arrendado à Igreja Universal do Reino de Deus até 2000, sendo demolido em 2003. No seu lugar está desde 2009 outro edifício onde está o Cinema City Alvalade com 389 lugares.
Em 15 de março de 1957 foi inaugurado o Cinema Roma no nº 14 da Avenida de Roma, da autoria de Licínio Cruz  e com 1107 lugares. É desde 1997 a sede da Assembleia Municipal de Lisboa, e designado o espaço como Fórum Lisboa, que voltou em 2016 a ter sessões regulares de cinema aos fins de semana, exibindo filmes realizados entre 1970 e 1990.
E finalmente, a 30 de janeiro de 1972, abriu portas no nº 7-A da Avenida de Roma o Cinema Londres, que originalmente possuía mais de 400 lugares, segundo o risco de Eduardo Goulart de Medeiros . A Socorama, distribuidora de cinema ligada à família Castello Lopes, ocupou o Londres até 21 de fevereiro de 2013. E a 1 de setembro de 2015 abriu neste espaço a Londres Shopping, uma loja chinesa.

O Cinema Londres em 1977 (Foto: Vasques , Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Londres em 1977
(Foto: Vasques , Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do republicano poeta Milton de Paraíso Perdido

Freguesias de Arroios e Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Poeta Milton, no Bairro de Inglaterra, nasceu há 100 anos na Rua Margarida do antigo Bairro Brás Simões –  referindo o nome do comerciante e proprietário daquelas terras e daquela urbanização -, pelo Edital de 29 de agosto de 1916, que também atribuiu a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Manchester e a Rua Newton.

Sabe-se também as ruas Poeta Milton, dos Remédios, de São Gens, de Santiago, da Saudade, Barão de Sabrosa, Cavalheiro de Oliveira e Calçada da Graça foram de novo pavimentadas em 1934, graças a adjudicação da edilidade  a Artur Fernandes Alves Ribeiro em 24 de maio desse ano.

John Milton (Londres/09.12.1608 – 08.11.1674/Londres), poeta e defensor da República Inglesa é o inscrito nesta rua do Bairro de Inglaterra, paralela à Rua Newton, entre a Rua Cidade de Liverpool e a Rua Cidade de Manchester.

John Milton foi um poeta, polemista republicano, intelectual e funcionário público da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell, servindo como ministro de línguas estrangeiras.  Licenciado pela Christ’s College da Universidade de Cambridge em 1629 e com mestrado de artes em 1632, escreveu panfletos de controversas teológicas (1639) mas 15 dias após a implantação da República publicou uma defesa do acto de execução de Carlos I e outros panfletos que lhe valeram a fama europeia de polemista (1649). Ainda em 1649, foi nomeado Secretário de línguas estrangeiras do Conselho de Estado e apesar de cegar em 1652, cumpriu os seus deveres até à abdicação de Ricardo Cromwell em 1659.  Após a Restauração (1661)  continuou a defender a república e a criticar a monarquia para além de se dedicar ao trabalho literário, com elegias latinas, opúsculos, alegações a favor da liberdade de Imprensa, alguns sonetos e o grande  poema épico Paradise Lost (1667), publicado em 10 volumes.

Freguesias de Arroios e Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A centenária Rua Cidade de Manchester

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Manchester nasceu com o Bairro de Inglaterra há 100 anos, pelo Edital de 29 de agosto de 1916, assim como a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Newton e a Rua Poeta Milton, sendo significativo ser neste mesmo ano de 1916 que Portugal se aliou à Inglaterra e por isso a Alemanha declarou guerra a Portugal.

A começar na Rua da Penha de França e a terminar na Rua Newton, a Rua Cidade de Manchester era até à publicação do Edital municipal de 29/07/1916 a Rua Isabel Leal do antigo Bairro Brás Simões, edificado pelo comerciante José Brás Simões de Sousa em terras suas, nas encostas da Penha de França.

Manchester é uma cidade do Noroeste da Inglaterra, que se desenvolveu e prosperou aquando da Revolução Industrial já que  aqui foi aplicada a máquina a vapor à indústria têxtil pela primeira vez em 1789. E foi por via da indústria têxtil que no século XIX se tornou a segunda cidade inglesa. Manchester como as outras duas cidades do Reino Unido colocadas na toponímia de Lisboa representavam nesse tempo da I Guerra Mundial exemplos de cidades modernas e a sua inclusão na capital do nosso país reforçava diplomaticamente a antiga aliança de Portugal com Inglaterra.

A Cidade de Manchester nos anos 10 do séc. XX (Foto: s/a, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Cidade de Manchester nos anos 10 do séc. XX
(Foto: sem autor, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua da Cidade dos Beatles em Lisboa

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Liverpool nasceu há cem anos, pelo Edital municipal de 29 de agosto de 1916, no Bairro de Inglaterra, cujos topónimos se relacionam todos com o Reino Unido, a saber: a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Cardiff,  a Rua Cidade de Manchester, a Rua Newton e a Rua Poeta Milton. Foi neste mesmo ano de 1916 que Portugal se aliou à Inglaterra e a Alemanha declarou guerra ao nosso país.

A Rua Cidade de Liverpool, que liga a Rua Poeta Milton à  Avenida Almirante Reis, era até aí uma rua privada, a Rua José de Sousa do antigo Bairro Brás Simões,  provavelmente uma homenagem a um familiar do construtor do Bairro de Brás Simões, José Brás Simões de Sousa, um grande comerciante de Lisboa e proprietário destas terras.

Sabemos que o o antigo Bairro Brás Simões foi construído no final do século XIX e início do século XX, para se tornar Bairro de Inglaterra em 1916, bem como que em 1934 a Rua Cidade de Liverpool foi pavimentada, numa empreitada que também incluiu a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Newton, a Rua Enfermeiras da Grande Guerra, a Rua Heróis de Quionga, a Rua Triângulo Vermelho, a Calçada do Poço dos Mouros, a Rua Augusto José Vieira, a Rua Borges Graínha, a Rua Carrilho Videira, a Rua Feio Terenas, a Rua Heliodoro Salgado e a Rua Sebastião Saraiva Lima,  de acordo com a escritura de adjudicação existente no Arquivo Municipal de Lisboa.

Liverpool fundada em 1207 e a cidade onde nasceu a banda The Beatles é uma cidade do noroeste da Inglaterra, no lado norte do estuário do Mersey. A grande peste de 1664 e o grande incêndio de 1666 em  Londres fez com que muitos mercadores se mudassem para Liverpool e o seu porto prosperou. Por exemplo, em 1869 a galera da Armada Real Portuguesa Pero de Alenquer foi construída nos estaleiros ingleses W.H. Potter & Co., em Liverpool, e  a 13 de setembro de 1916,  quando pertencia à casa armadora de Lisboa J. Alves da Silva bateu contra uma mina e explodiu.

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Cardiff no Bairro de Inglaterra, nascido há 100 anos

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

Há cem anos, pelo Edital municipal de 29 de agosto de 1916, nasceu o Bairro de Inglaterra no que antes era designado como Bairro Brás Simões, traduzido em topónimos todos relacionados com a Inglaterra, a saber: a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Manchester, a Rua Newton e a Rua Poeta Milton.

O Edital saiu em resultado da aprovação da proposta em sessão de Câmara de 17 de agosto de 1916, ficando a Rua Cidade de Cardiff na que era antes denominada como Rua Maria Gouveia do Bairro Brás Simões.

Recorde-se que em  fevereiro de 1916 a Inglaterra, país aliado de Portugal desde o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, pediu ao nosso país que fizesse o apresamento de todos os navios alemães que estavam ancorados na costa portuguesa e assim feito a Alemanha respondeu com declaração oficial de guerra a Portugal em 9 de março de 1916, não obstante os combates entre Portugal e a Alemanha em terras africanas já ocorrerem  desde setembro de 1914, tanto na fronteira sul de Angola como na fronteira norte de Moçambique.

O Bairro de Inglaterra nas encostas nascentes de Monte Agudo e colinas da Penha de França tomou o espaço do Bairro de Brás Simões, de José Brás Simões de Sousa um grande comerciante de Lisboa e proprietário destas terras que em 13 de outubro de 1913 entregou os seus arruamentos particulares à Câmara Municipal de Lisboa. O antigo nome do bairro derivava do nome do seu proprietário, e os topónimos das artérias referem-se a familiares do mesmo, como já antes acontecera no Bairro Andrade e era costume na época.

Antes, por volta do século XVI e até ao século XIX, eram prados onde ovelhas apascentavam e lugar de pequenos moinhos. Só a partir de finais do século XIX é que nesta zona se construiu primeiro o Bairro Andrade e depois, o Bairro Brás Simões que se tornaria o Bairro de Inglaterra em 1916, sendo a mudança do nome do bairro um efeito da I Grande Guerra e das alianças que Portugal firmou nesse contexto.

Cardiff é a capital do País de Gales desde 20 de dezembro de 1955 e em 1916 era uma cidade portuária como Liverpool, detendo o seu porto a maioria do trânsito de carvão no mundo.

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

Londres em Lisboa desde 1948

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro

A Praça de Londres foi um topónimo atribuído pelo Edital municipal de 29 de julho de 1948, que juntou outros topónimos de figuras e cidades estrangeiras nesta mesma zona da cidade, pretendendo então a edilidade imprimir algum cosmopolitismo a Lisboa.

Naquela época os limites da Praça eram contidos entre as Avenidas do México e de Roma e,  era vulgarmente conhecida como Praça do México. Hoje a Praça de Londres está definida na confluência da Avenida Manuel da Maia, Avenida de Roma, Avenida Guerra Junqueiro e a Avenida de Paris.

Os 12 topónimos escolhidos por esse Edital de 1948 homenagearam as cidades de Madrid, Paris e Rio de Janeiro em avenidas, os escritores Cervantes e Vítor Hugo em ruas, bem como os brasileiros Afrânio Peixoto e João do Rio em praças, assim como os cientistas Edison (Rua), Pasteur (Praça) e Marconi (Avenida), para além de se evocar o único Papa português com a Avenida João XXI.

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro