Publicação municipal da toponímia sobre Mário Dionísio

A publicação municipal de toponímia referente a Mário Dionísio, distribuída hoje no decorrer da inauguração da Rua Mário Dionísio, já está on-line.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

mario-dionisio-capa

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Anúncios

A Rua da voz do Hino do Benfica, Luís Piçarra

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O cantor Luís Piçarra, ainda hoje reconhecido por dar a sua voz ao Hino do Sport Lisboa e Benfica, tem desde 2003 o seu nome gravado nas placas toponímicas de uma artéria do Lumiar, por sugestão da Casa do Artista (APOIARTE).

Este arruamento que liga a Rua José Cardoso Pires à Rua Helena Vaz da Silva teve o seu topónimo fixado pelo Edital municipal de 15/12/2003, na Rua 3.1 da Malha 15 do Alto do Lumiar, junto com mais 6 arruamentos próximos com nomes de cantores, instrumentistas e maestros – Arminda Correia, Adriana de Vecchi, Tomás Del Negro, Nóbrega e Sousa, Shegundo Galarza e Belo Marques –, e que em conjunto com a Alameda da Música, permitiu criar um Bairro da Música no Alto do Lumiar que significativamente teve a sua inauguração no Dia Mundial da Música de 2004.

luis-picarra

Luís Raul Janeiro Caeiro de Aguilar Barbosa Piçarra Valdeterazzo y Ribadenayra (Moura/23.06.1917 – 22.09.1999/Lisboa)  deixou gravadas 999 canções, tendo ele próprio escrito dezenas delas e a sua voz é reconhecida por todos na interpretação do segundo e atual hino do Sport Lisboa e Benfica, intitulado Ser Benfiquista, para além de ter sido ele o criador da famosa Granada, que lhe foi oferecida pelo compositor mexicano Agustin Lara.

Filho do produtor de vinho Luís da Costa de Aguilar Barbosa Piçarra e de Luísa Maria Caeiro, frequentou os dois primeiros anos de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa mas interrompeu o curso em 1937 para se dedicar a uma carreira musical. Estudou  canto com Fernando de Almeida e Hermínia de Alargim e estreou-se na ópera O Barbeiro de Sevilha levada a cena na Academia dos Amadores de Música de Lisboa. A partir daqui  fez uma carreira de sucesso, cantando pelo mundo inteiro, com espetáculos no Brasil, Argentina, México, Egito, Chipre, Líbano, Síria, Grécia, Turquia, Itália ou Paris. Refira-se especialmente que foi cantor privativo no palácio do rei Faruk (1947/48), parceiro de Edith Piaf numa série de programas do show This is Europe organizado pela ECA (agência encarregada de aplicar o Plano Marshall), tenor da Orquestra de Paul Durand e membro da digressão ao Brasil de A Rosa Cantadeira, com Amália Rodrigues. Na rádio e televisão francesas ficou conhecido como Lou Pizarra e aí estreou nos anos 50 do séc. XX temas como Avril au Portugal, Granada ou Luna Lunera. Na década seguinte também gravou programas para diversas televisões incluindo a NBC norte –americana.

Em Portugal, Luís Piçarra distinguiu-se  como tenor oficial da Emissora Nacional, bem como interpretando ópera, opereta e teatro de revista. No cinema, também cantou pela primeira vez O Meu Alentejo no filme Pão Nosso (1940)  de Armando Miranda. Depois da morte da sua primeira esposa em 1968, Luís Piçarra escolheu viver em Angola até 1975, onde foi diretor do Centro de Preparação de Artistas da Rádio e professor de canto teatral na Academia de Música. Após o regresso a Portugal, publicou  em edição de autor Luís Piçarra instantâneos da minha vida (1987) e em 1996 foi lançada uma compilação de temas seus com Granada, Avril Au Portugal, Canção do Ribatejo, Caminho Errado, Anda Cá, Aninhas, Batalha, Guitarra da Mouraria, Morena da Raia, Santa Maria dos Mares, Ser Benfiquista e  O Meu Alentejo.

No dia 23 de abril de 1964 foi homenageado no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, pelos seus 25 anos de carreira e, a 9 de novembro de 1985, foi-lhe atribuída a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Luís Piçarra faleceu em Lisboa, na Casa do Artista, onde passou os últimos meses de vida.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida do mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Como se fosse o braço de uma guitarra portuguesa está a Avenida Carlos Paredes, sendo o corpo do instrumento os arruamentos com topónimos ligados à música, de ambos os lados, e a Alameda da Música um dedo a tanger as cordas.

O que quer dizer mais prosaicamente que o mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes ficou perpetuado na freguesia do Lumiar, na Avenida 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar através da publicação do Edital municipal de 06/10/2005,  junto à Alameda da Música e de outras ruas com topónimos de compositores, instrumentistas e cantores, sendo a primeira vez que um nome ligado à Música foi consagrado numa avenida de Lisboa.

carlos-paredes

Carlos Paredes (Coimbra/16.02.1925 – 23.07.2004/Lisboa), símbolo ímpar da cultura portuguesa e um dos seus grandes guitarristas, nasceu filho, neto e bisneto de grandes vultos da guitarra portuguesa – Artur, Gonçalo e António Paredes -, o que o influenciou a estudar  este instrumento logo a partir dos 4 anos. Veio residir para Lisboa aos 9 anos, estudou no Liceu Passos Manuel e num colégio particular e aos 18 anos fez o exame de admissão ao Curso industrial do Instituto Superior Técnico, onde frequentou o primeiro ano.

Em 1949, aos 24 anos, apresentou-se em parceria com o seu pai no programa semanal deste na Emissora Nacional e nesse mesmo ano tornou-se funcionário do Hospital de São José, como arquivista de radiografias. Em 1958 aderiu ao Partido Comunista Português e por denúncia de colegas de trabalho, foi preso pela PIDE no dia 26 de setembro acusado de ser militante comunista, sendo libertado 18 meses depois e expulso da função pública, pelo que trabalhou alguns anos como delegado de propaganda médica.

E contudo, Carlos Paredes tornar-se-á uma figura nacional e até reconhecida internacionalmente, como executante, compositor e um dos grandes responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa, o que lhe granjeou os epítetos de O Mestre da guitarra portuguesa e O homem dos mil dedos. Usou uma guitarra de Coimbra e a afinação do Fado de Coimbra mas a sua vida em Lisboa inspirou-lhe e marcou inúmeras das suas composições.

A sua discografia soma os singles  Mudar de Vida, António Marinheiro e Balada de Coimbra (todos em 1972); os EP’s Carlos Paredes (1957), Porto Santo, Divertimento e  Variações em Ré Menor (todos em 1968); bem como os álbuns Guitarra Portuguesa (1967), Movimento Perpétuo (1971), Carlos Paredes-Meister der portugiesischen Guitarre (1977, na RDA), O Oiro e o Trigo (1980, na RDA), Concerto em Frankfurt (1983), Espelho de Sons ( 1988), Na Corrente (1996), Canção para Titi (2000). Acrescem ainda os seguintes: acompanhou Ary dos Santos a declamar poemas (1969) ; foi  produtor, diretor musical e acompanhador em Meu País (1971) da cantora Cecília de Melo; É preciso um País (1974), música com poemas de Manuel Alegre declamados pelo poeta; colabora em Que Nunca Mais (1975) de Adriano Correia de OliveiraInvenções Livres (1986) em dueto com o piano de António Vitorino de Almeida; Dialogues (1990) em dueto com o contrabaixista de jazz Charlie Haden; participação especial no disco dos Madredeus, gravado ao vivo no Coliseu dos Recreios (1992).

Para o cinema entrou  em 1960, ao compor a banda sonora da curta-metragem Rendas de Metais Preciosos de Cândido Costa Pinto, a que seguiu dois anos depois o êxito de Os Verdes Anos para o realizador Paulo Rocha, de que sairá também um EP no mesmo ano de 1962. E durante está década foi pródigo em ligar-se ao cinema novo português ao compor para filmes de outros cineastas como Pierre Kast (P.X.O., 1962), Jorge Brun do Canto (Fado corrido, 1964), Manoel de Oliveira (As pinturas do meu irmão Júlio,1965), Paulo Rocha (Mudar de vida, 1966), António de Macedo (Crónica do esforço perdido, 1966), José Fonseca e Costa (A cidade, 1968; The Columbus route, 1969), Manuel Guimarães (Tráfego e estiva, 1968) ou Augusto Cabrita ( Na corrente, documentário para a RTP, 1969). Em 1974 o próprio Pier Paolo Pasolini o convidou para musicar um filme seu mas a morte do realizar inviabilizou o intento.

Mas Paredes também compôs para teatro: na histórica encenação de Fernando Gusmão para o Teatro Moderno de Lisboa (1964);nas Bodas de Sangue do CITAC; em A Casa de Bernarda Alba pelo Teatro Experimental de Cascais; em O avançado centro morreu ao amanhecer encenada pelo Grupo de Teatro de Campolide (1971), mantendo até 1977 colaboração com este Grupo; O Avarento produzida pelo Teatro Na Caixa (1984).  Vasco Wallenkamp    também usou a    música de Paredes para criar o bailado Danças para Uma Guitarra (1982).

Após o 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes  foi reintegrado nos quadros do Hospital de S. José e o anúncio televisivo diário das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte tinha música sua.

A última actuação em público de Carlos Paredes foi em Outubro de 1993, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, acompanhado por Luísa Amaro.

Ao longo da sua carreira acumulou o Prémio da Casa da Imprensa como Solista (1961), o  Prémio da Casa da Imprensa para Música Ligeira e o Prémio Consagração de Carreira (1981), o  Troféu Nova Gente, o Troféu Prestígio do Jornal Sete e  o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (todos em 1984 ), o  Prémio Antena Um em 1987 e em 1988, bem como feito Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada (1992), Pedro Jóia gravou Variações Sobre Carlos Paredes (2001), a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira instituiu um prémio com o seu nome (2002) e  em junho de 2003, a Universal lançou um disco de homenagem intitulado Movimentos Perpétuos: Música para Carlos Paredes, para além de Mísia ter lançado Canto (2003), composto por canções expressamente escritas para músicas de Carlos Paredes.

Uma doença do sistema nervoso central diagnosticada em dezembro de 1993 impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida, tendo sido decretado um dia de Luto Nacional aquando do seu falecimento e sepultado no Talhão dos Artistas do Cemitério dos Prazeres. Postumamente,  Edgar Pêra dedicou-lhe o filme Movimentos Perpétuos: Tributo a Carlos Paredes (2006).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Luís de Sttau Monteiro d’ «A Melga no Prato»

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor Luís de Sttau Monteiro, assinou crónicas gastronómicas sob os pseudónimos de Inspector Gourmet e  Manuel Pedrosa, e o seu nome faz o topónimo de uma rua de Marvila desde a publicação do Edital municipal de 26/12/2001, ligando a Rua António Gedeão à Rua João José Cochofel, com a legenda «Escritor 1926 – 1993».

Entre 1969 e 1975, sob o pseudónimo de Manuel Pedroso ou Pedrosa, Sttau Monteiro assinou crónicas gastronómicas no suplemento semanal A Mosca, do Diário de Lisboa, mesmo se com frequência eram mais um exercício literário do que uma verdadeira e rigorosa crítica de restaurantes. Já desde 1959 e até 1961, na revista mensal Almanaque, o escritor havia redigido crónicas sobre a mesma temática, desta feita sob o pseudónimo de Inspector Gourmet, podendo assim ser considerado um pioneiro neste tema. Luís de Sttau Monteiro ainda teve uma coluna sobre gastronomia em O Jornal, a partir de 1975, retomando o pseudónimo Manuel Pedrosa.

LuisSttauMonteiro pb

Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro (Lisboa/03.04.1926 – 23.07.1993/Lisboa), filho do embaixador Armindo Monteiro que foi demitido por Salazar em 1943, é um dramaturgo incontornável do século XX português cujo carisma literário também se impôs no romance, na crónica e no jornalismo. Sttau escritor ergue uma obra literária em que critica, de uma forma impressiva e satírica, as contradições sociais e históricas da sociedade portuguesa das décadas de sessenta e setenta do século XX, com os romances Um Homem não Chora (1960), Angústia para o Jantar (1961), E se For Rapariga Chama-se Custódia, e o inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, a partir do qual foi produzida a telenovela Chuva na Areia, mais 9 peças: Felizmente há Luar! (de 1961 e Grande Prémio de Teatro da então Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses), Todos os Anos pela Primavera (1963), O Barão (adaptação da novela homónima de Branquinho da Fonseca em 1965), Auto da Barca do Motor Fora de Borda (1966), todas as quatro com representação proibida pela Censura; as peças satíricas A Guerra Santa e A Estátua que levaram a PIDE a prender o autor em 1967; e ainda As Mãos de Abraão Zacut (1968), Sua Excelência (1971) e Crónica Aventurosa do Esperançoso Fagundes (1978), concebida propositadamente para o Grupo 4 (Teatro Aberto).

Luís de Sttau Monteiro colaborou com inúmeros jornais sendo de destacar no Diário de Lisboa, a sua coordenação do suplemento dos sábados A Mosca, ou a sua coluna de crítica intitulada «Redacções da Guidinha», onde numa linguagem deliberadamente infantil e sem pontuação escrevia redações como uma miúda lisboeta de classe média-baixa  sobre a sua vida quotidiana embora versassem mesmo sobre o estado da nação e que foram publicadas em livro em 2002.

Viveu em Londres e em Lisboa, na Rua Coelho da Rocha nº 105.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

Raul de Carvalho nos palcos da Primeira Guerra e dos teatros

Movimento, 01.08.1933

Movimento, 01.08.1933

Raul de Carvalho, conhecido pelo seu trabalho no teatro e no cinema, participou também na I Guerra Mundial quando resolveu alistar-se como voluntário, e tem o seu nome inscrito na Freguesia de Santa Clara, na que era a Rua 4 B do Vale da Ameixoeira, desde a publicação do Edital municipal de 14 de julho de 2004.

Este topónimo insere-se no núcleo de atores criado no Vale da Ameixoeira com este Edital, que atribuiu também a Rua Arnaldo Assis Pacheco, a Rua António Vilar, a Rua José Viana e a Rua Varela Silva. Já o Edital de 19 de abril desse mesmo ano havia colocado naquele bairro a Rua Fernanda Alves e a Rua Fernando Gusmão. E cinco anos mais tarde, em 16 de setembro de 2009, foi a vez da Rua Artur Ramos e da Avenida Glicínia Quartin.

Freguesia de Santa Clara - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Raul de Carvalho Soares (Salvaterra do Extremo/15.02.1901 – 11.08.1984/Lisboa), após frequência do Colégio Militar entrou como voluntário para a I Guerra Mundial, com apenas 16 anos. Depois,  estreou-se como ator em 1921, numa reposição da peça Zilda, de Alfredo Cortez, na Companhia de Rey Colaço-Robles Monteiro, na qual se manteve durante a maior parte da sua carreira. Num breve interregno da sua ligação a esta Companhia, foi também empresário teatral, tendo formado uma companhia com a atriz Ilda Stichini. Fez a sua despedida dos palcos no Teatro São Luiz, no dia 16 de dezembro de 1966, interpretando O Ciclone de Somerset Maugham.

No cinema, começou logo na década de vinte do século XX , ainda no mudo, em O Primo Basílio  (1922) de George Pallu e em O Fado (1923) de Maurice Mariaud, tendo cumprido uma vasta carreira integrando os elencos de, entre outros, Gado Bravo (1934) e Frei Luís de Sousa (1950) de António Lopes Ribeiro, Bocage (1936) e Inês de Castro (1945) de Leitão de Barros, Bola ao Centro (1947), Fado –  História d’uma Cantadeira (1947) e As Pupilas do Senhor Reitor (1960) de Perdigão Queiroga, Não Há Rapazes Maus! (1948), A Morgadinha dos Canaviais (1949) de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari, A Garça e a A Serpente (1952) de Arthur Duarte, Rosa de Alfama (1953) de Henrique Campos, O Cerro dos Enforcados (1954) de Fernando Garcia, ou  O Tarzan do 5º Esquerdo (1958) de Augusto Fraga.

Raul de Carvalho também fez locução para rádio e televisão, e integrou os elencos de telefilmes, áreas de que se retirou no decorrer da década de setenta do séc. XX. Foi distinguido como Oficial da Ordem de Santiago de Espada (1947) e da Ordem de Cristo (1966), bem como com a medalha de mérito da Câmara Municipal de Lisboa (1967).

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco em Campo de Ourique

capa da brochura

Fernando Assis Pacheco celebraria hoje o seu 79º aniversário e, Lisboa continua a guardar a memória deste jornalista e escritor, numa rua de Campo de Ourique, desde que o Edital de 9 de fevereiro de 1999 atribuiu o seu nome à Rua Particular à Rua Saraiva de Carvalho.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (Coimbra/01.02.1937 – 30.11.1995/Lisboa) foi um jornalista, escritor, crítico literário, tradutor e apaixonado da arte de viver que residiu mais de trinta anos na Travessa do Patrocínio.

Como jornalista, Assis era capaz de arrancar histórias ao quotidiano e transformá-las em crónicas brilhantes, tendo deixado a sua marca inconfundível na imprensa escrita em títulos como o Diário de Lisboa, o República, o JL-Jornal de Letras, o Artes e Ideias, o Musicalíssimo, a revista Visão, bem como no Se7e onde também foi diretor-adjunto  e, n’ O Jornal onde acumulou com as funções de Chefe de Redação e de critico literário.

A sua primeira obra Cuidar dos Vivos (1963), um conjunto de poemas de protesto político e cívico, publicada com o patrocínio paterno, já comportava o que serão os seus temas na poesia e na ficção: a experiência da Guerra Colonial e a realidade social e política. Na sua obra somou a poesia de Câu Kiên: Um Resumo  (1972) reeditado em 1976 como Catalabanza Quilolo e Volta, Memórias do Contencioso (1976, com edição definitiva em 1980), Siquer este refúgio (1978), Enquanto o autor fuma um caricoço, seguido de Os Sons que passam (1978), A Profissão Dominante (1982), Variações em Sousa e Nausicaah! (ambos em 1984), A Bela do Bairro e outros poemas (1986), a antologia  Musa Irregular  (1991) ou a ficção de Walt  (1978) bem como Os Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993), assim como as edições publicadas postumamente como a poesia de Respiração Assistida (2003), as crónicas de futebol publicadas no jornal Record em 1972 com o título de Memórias de um Craque  (2005) e o recente Bronco Angel, o cow-boy analfabeto (2015), fascículos originalmente escritos semanalmente para o Bisnau sob o pseudónimo de William Faulkingway.

Fernando Assis Pacheco,  filho de José V. M. Assis Pacheco e Maria da Conceição Mendes de Assis Pacheco, casou em 4 de fevereiro de 1963 com Maria do Rosário Pinto de Ruela Ramos, a sua Rosarinho, de quem teve 6 filhos: Rita, Ana, Rosa, Catarina, Bárbara e João.

Licenciado em Filologia Germânica, Assis Pacheco também traduziu obras de Pablo Neruda e de Gabriel García Marquez e foi colaborador da RTP. Nasceu e viveu a juventude em Coimbra tendo sido ator do TEUC e CITAC bem como redator da revista Vértice. Entre 1961 e 1963 cumpriu o serviço militar em Portugal mas nos dois anos seguintes foi destacado para a guerra colonial, em Angola. Conhecido pelo seu sentido de humor e bonomia ficou também popular por via da televisão, como participante do concurso A Visita da Cornélia. Amante de livros e da vida, como ele próprio referiu «contava não esticar o pernil antes de 1999, mas tropeçou sem querer» em 1995, aos 58 anos, à porta da Livraria Buchholz.

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Varela Silva e o desejo de «Aparição»

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Durante a rodagem de Cântico Final, de Manuel Guimarães, nos anos de 1974 e 1975, Varela Silva conheceu Vergílio Ferreira e em 1978 quis adaptar para o cinema Aparição, outra obra do escritor, mas nunca se concretizou tal desejo.

Segundo Lauro António, várias obras de Vergílio Ferreira foram desejadas para passarem ao cinema. Em 1973, Quirino Simões quis adaptar Alegria Breve; em 1978, Varela Silva pretendeu filmar Aparição; e em 1988, o realizador alemão Wolf Gaudlitz e o próprio Lauro António, desejaram o mesmo para Até ao Fim, tendo sido Gaudlitz que ganhou o direito de adaptação embora não o tenha levado a cabo.

Varela Silva entrou para a toponímia de Lisboa a partir de uma sugestão da APOIARTE – Associação de Apoio aos Artistas, e pelo Edital municipal de 14/07/2004 ficou na artéria identificada como Rua 2A do Vale da Ameixoeira. O mesmo  Edital consagrou na mesma freguesia mais 4 atores: António Vilar, Arnaldo Assis Pacheco, José Viana e Raul de Carvalho.

rua varela_silva

Alberto Varela Silva (Lisboa/15.09.1929 – 15.12.1995/Lisboa), nascido no bairro da Madragoa, começou a recitar poesias em sociedades de cultura e recreio e acabou por ingressar no grupo de teatro amador da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul onde descobriu Pirandelo, Tchekov e Alves Redol e foi mesmo nesse palco que se estreou na peça O Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett, mantendo em paralelo diversos ofícios para conseguir estar no teatro.

Em 1953,  a convite da companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II, em O Regente de Marcelino Mesquita, no papel de Conde de Ourém. Um ano mais tarde, profissionalizou-se nesta companhia e, em mais de quarenta anos de carreira, participou em cerca de 200 peças- como Um Eléctrico Chamado Desejo, Felizmente Há Luar  ou Passa Por Mim no Rossio – onde representou todos os géneros, da farsa à tragédia, da comédia à revista e também se dedicou à encenação, em mais de 20 peças, como A Sapateira Prodigiosa (1960), Estranha Forma de Amar (1976) ou O Fidalgo Aprendiz (1988).

No cinema, escreveu o argumento de Pão, Amor e… Totobola! (1964) de Henrique Campos e integrou o elenco de 8 filmes, entre os quais A Ribeira da Saudade (1963) de João Mendes, Benilde ou a Virgem Mãe (1975) de Manoel de Oliveira, Cântico Final (1975) de Manuel Guimarães, O Diabo Desceu à Vila (1979) de Teixeira da Fonseca ou Aqui d’El Rei! (1992) de António Pedro Vasconcelos. Para a televisão escreveu, dirigiu, realizou e interpretou vários programas, como telenovelas portuguesas, onde participou logo na primeira – Vila Faia – em 1982. É de salientar ainda que na RTP foi jurado do concurso Retrato de Família e que escreveu a série Histórias simples de gente cá do bairro, sobre lisboetas comuns.

Também escreveu o livro de contos Histórias Que Não Me Pediram (1956), a comédia em três atos Amanhã Há Récita (1955), bem como as peças Ponto de vista (1961), Um Príncipe do Meu Bairro (1966) ou a revista O pato das cantigas (1978), com Nicolau Breyner.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

Vergílio Ferreira e Mário Dionísio

Autorretrato de 1945 (Casa da Achada)

Autorretrato de 1945
(Casa da Achada)

Mário Dionísio cruzou-se na vida com Vergílio Ferreira, como a correspondência trocada entre ambos entre 1945 e 1974 documenta, para além de ambos terem sido professores de português no Liceu Camões e ambos completarem no corrente ano o centenário de nascimento.

A Rua Mário Dionísio nasceu do Edital municipal de 01/08/2005, na Rua A do PER 8, na Freguesia do Lumiar, doze anos após o seu falecimento.

Mário Dionísio de Assis Monteiro (Lisboa/16.07.1916-17.11.1993/Lisboa), nascido na Rua Andrade nº 2 e licenciado em Filologia Românica em 1939 na Universidade de Lisboa, foi um intelectual multifacetado que se mostrou como escritor, ensaísta, pintor, crítico de arte e tradutor, para além de ter sido professor do Ensino Secundário durante praticamente quarenta anos, no Colégio Moderno e no Liceu Camões, bem como na Faculdade de Letras de Lisboa, a partir de 1978 e até 1987, como docente de Técnicas de Expressão do Português.

Mário Dionísio foi autor de uma obra literária autónoma, com ensaio, poesia, conto e romance. São de salientar Poemas (1941), As Solicitações e Emboscadas (1945), O Riso Dissonante (1950), Memória dum Pintor Desconhecido (1965), os poemas em francês Le Feu qui dort (1967), Terceira Idade (1982), o seu único romance Não há morte nem princípio (1969), os seus contos O Dia Cinzento (1944), Monólogo a Duas Vozes (1986) , a sua Autobiografia (1987) e o seu último livro, de contos, A morte é para os outros (1988). 

Ao longo da sua vida foi um dos principais promotores e teorizadores do neorrealismo português, sendo assinalável a sua regular colaboração em jornais e revistas literárias, como Altitude, A Capital, Diário de Lisboa, O Diabo, Gazeta MusicalLiberdadePresença, RepúblicaRevista de Portugal, Seara Nova, O Tempo e o Modo ou Vértice. Foi ainda diretor de programas da RTP de dezembro 1975 a março de 1976.

Pintor desde 1941, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves, expondo em mostras coletivas desde a década de quarenta mas só em 1989 realizou a sua primeira exposição individual de pintura. Publicou também A Paleta e o Mundo,  obra editada em fascículos a partir de 1956 ( e até 1962) com orientação gráfica de Maria Keil que lhe valeu 0 Grande Prémio de Ensaio da Sociedade Portuguesa de Escritores (1963). Refira-se ainda que na sua obra pictórica pintou retratos dos seus contemporâneos como Joaquim Namorado (1952),  Carlos de Oliveira e João José Cochofel (1988) ou José Gomes Ferreira (1989). Obteve também o troféu «Pintor do Ano» da Antena 1, em 1989.

Como cidadão, casou em 1940  com a sua antiga colega de curso Maria Letícia Clemente da Silva, de quem terá uma única filha, a escritora Eduarda Dionísio. Também se mostrou empenhadamente anti-regime desde o início dos anos 30 do século passado, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática (MUD), onde ficará mais tarde responsável por estabelecer a ligação entre a sua Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas e o Partido Comunista Português, para onde entrará em 1945 e ficará até 1952. Na década de 60 frequentava ainda a tertúlia do Café Bocage, na Avenida da República, onde se encontrava com José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, João José Cochofel, Augusto Abelaira e outros.

Mário Dionísio foi galardoado com 0 Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos, ex-aequo com Alexandre O’Neill, em 1982 e, nove anos depois, em 1991, o Museu do Neo-Realismo organizou em Vila Franca de Xira e em Lisboa, exposições e colóquios sobre os seus 50 Anos de Vida Literária e Artística. Finalmente, em setembro de 2008, familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra fundaram em Lisboa, na Rua da Achada, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, que abriu ao público um ano depois.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do homem de teatro Álvaro Benamor

Álvaro Benamor em 1972 (Foto: Henrique Cayolla, Arquivo Municipal de Lisboa)

Álvaro Benamor em 1972
(Foto: Henrique Cayolla, Arquivo Municipal de Lisboa)

Homem do século XX, Álvaro Benamor foi um homem de teatro que o fez nos palcos, no cinema, na rádio e na televisão, para além de o ensinar nas aulas que dava no Conservatório de Lisboa e passou a dar nome à Rua 1 da Urbanização da Cerâmica de Carnide, 23 anos após a sua morte, por Edital de 20/09/1999. Na Rua 2 da mesma urbanização foi também a atribuída a Rua José Gamboa, com a legenda «Actor/1902 – 1978», com quem também em 1973 havia sido galardoado com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago de Espada.

Freguesia de Carnide (Foto : Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto : Sérgio Dias)

Álvaro Benamor (Lisboa/04.05.1907 – 12.09.1976/Lisboa) estreou-se como ator no ano de 1928, na Companhia Rey-Colaço/Robles Monteiro e ficou famoso como galã, sobretudo depois do seu primeiro grande papel em O Romance, onde contracenou com Amélia Rey Colaço. Integrou também as Companhias do Avenida, do Maria Matos, do Teatro d’ Arte de Lisboa, do Nacional de Teatro de A. M. Couto Viana e do Monumental. A sua última vez em palco ocorreu na peça de Strindberg A Dança da Morte, na Casa da Comédia. Como encenador, trabalhou na Companhia de Ópera do Teatro da Trindade e ainda foi Professor de Arte de Representar e Encenação, no Conservatório Nacional, a partir de 1959.

Ainda como ator, participou nos filmes Matar ou Morrer (1950), de Max Nossek e em A Garça e a Serpente (1952), de Arthur Duarte.

Em 1956, fez um estágio na estação de televisão italiana (RAI) para logo no ano seguinte se estrear como realizador da recém-nascida RTP, inaugurando o programa de Teatro, para além de ter feito teatro radiofónico, tanto mais que durante mais de 20 anos foi o director do Teatro das Comédias na então Emissora Nacional. Ainda gravou em disco temas infantis como A Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Alfacinha de nascimento, Álvaro Benamor viveu durante muitos anos no 4º andar direito da nº 24 da Rua de Santana à Lapa.

Freguesia de Carnide (Planta : Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta : Sérgio Dias)

 

A Rua do jornalista que fez o «Novo Dicionário de Calão»

13 out afonso praça

O jornalista Afonso Praça, autor do Novo Dicionário de Calão e do romance O Coronel que Morreu de Sentido: A História de Um Bravo Militar Contada em Prosa de Jornal e Versos de Cego, bem como de uma escrita carregada de humor, está perpetuado na toponímia do Restelo, desde que o Edital  de 10/02/2004 o colocou no arruamento entre a Rua Alda Nogueira e o Impasse C, nas proximidades da rua com o nome de outro jornalista, Alberto Vilaverde Cabral.

Nascido transmontano, Afonso Emílio Praça (Felgar/13.10.1939 – 02.05.2001/Lisboa) foi um inconfundível artesão da escrita que viveu em Lisboa mais de 40 anos conhecendo como poucos os meandros desta cidade que fez sua; um cronista que usou amiúde Lisboa como cenário; um gastrónomo dos sabores e aromas da identidade portuguesa e um jornalista profundamente conhecedor da língua portuguesa. Licenciado em Filologia Românica, trabalhou como jornalista nas revistas Flama, Vida Mundial e Visão bem como nos jornais Diário de Lisboa, República e Jornal de Letras, para além de ter dirigido o Jornal de Educação (1977), o mítico Sete e o semanário humorístico Bisnau (1983) e, ainda ter fundado O Jornal (1975) e dado a sua colaboração a inúmeros periódicos regionais.

Afonso Praça foi também Presidente do Sindicato dos Jornalistas (1974-75), membro da direção da Casa da Imprensa e ainda professor na Escola Superior de Comunicação Social (1976-77), na Escola Secundária dos Olivais (1980-81), em Cursos para Estrangeiros da Faculdade de Letras de Lisboa e também em diversos cursos de formação em Comunicação.

O autor do Novo Dicionário de Calão (2001), produziu ainda outras obras de que se destacam Um Momento de Ternura e Nada Mais- Tópicos de Capricórnio (crónica,1995), O Coronel que Morreu de Sentido: A História de Um Bravo Militar Contada em Prosa de Jornal e Versos de Cego (romance, 1996), Receitas Afrodisíacas e Desenhos Eróticos (com desenhos de Francisco Simões, 1997) e Festas e Comeres do Povo Português (em colaboração com Maria de Lourdes Modesto, 1998-99).

Como conhecido amante da gastronomia portuguesa, Afonso Praça foi também o autor do programa televisivo Portugal de Faca e Garfo mas também colaborou nos programas Terra a Terra Minha Gente, Memória de Um Povo, Cartas na Mesa, Jornais e Jornalistas, Faz de Conta (com Raul Solnado), para além de ter sido o Altíssimo Júri no concurso Um, Dois, Três, assim como jurado no Quem Conta um Conto (com Mário Zambujal). Fez também incursões no cinema, com a adaptação do romance de Manuel Mendes intitulado Pedro: romance de um vagabundo, em co-autoria com Fernando Assis Pacheco,  para o guião de base de Pedro Só (1972) de Alfredo Tropa,  no qual também representou um pequeno papel e, oito anos mais tarde, o mesmo cineasta convidou-o a encarnar o sacerdote do filme Bárbara (1980).

Freguesia de Belém (Foto: lávai um e lá vão dois)

Freguesia de Belém