A Rua do maestro Tavares Belo que regeu a Orquestra RTP no 1º Festival da Canção

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Na urbanização da antiga Quinta de Santa Susana e dos Castelinhos nasceu a Rua Tavares Belo – maestro e compositor que regeu a Orquestra RTP no 1º Festival da Canção (1964) -, como topónimo da Rua Projetada à Estrada de São Bartolomeu, por via do Edital municipal de 3 de dezembro de  2012.

Nas proximidades já existia desde 2001 a Rua Fernando Cabral, a homenagear também um maestro.

Armando Alberto Tavares Belo (Faro/20.11.1911 – 13.12.1993/Cascais), foi um maestro e compositor que se distinguiu especialmente na área da música ligeira, tendo composto para e/ou acompanhado artistas como Alice Amaro, Anita Guerreiro, Beatriz Costa, Corina Freire, Deolinda Rodrigues, Laura Alves, Luís Piçarra, Madalena Iglésias, Maria ClaraMaria de Lourdes Resende, Max ou Simone de Oliveira, entre outros.

Praticamente autodidata, salvo umas aulas particulares de música que teve até aos 9 anos, profissionalizou-se  aos 17 anos como pianista, no Café Montanha de Faro, para depois integrar orquestras que trabalhavam no Casino da Figueira da Foz,  Casino Estoril e no lisboeta Maxime. De 1946 e até 1974, foi o regente principal da Orquestra de Variedades da Emissora Nacional, convidado que foi pelo maestro Belo Marques para o substituir. Tavares Belo também criou uma orquestra de swing que nos  anos 40 e 50 conseguiu assinalável êxito. Em 1964, dirigiu a Orquestra da RTP no 1º Festival RTP da Canção e três anos depois, no Olympia de Paris, dirigiu a orquestra das Olimpíadas da Canção, com artistas portugueses, como Amália Rodrigues e Carlos Paredes. Compôs ainda obras de cariz erudito, de que são exemplo dois concertos para piano e orquestra, assim como as bandas sonoras dos filmes Duas Causas (1952) e Rosa de Alfama (1953), ambos de Henrique Campos, bem como música para 15 histórias infantis de Odette de Saint-Maurice.

O maestro Tavares Belo foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e as medalhas de Mérito Municipal das cidades de Lisboa e  de Faro. Está também presente na toponímia de Faro, Fernão Ferro e Parede.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do compositor basco Shegundo Galarza

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Shegundo Galarza, compositor basco que com a sua orquestra de violinos esteve presente na televisão portuguesa desde o seu começo e celebrizou o restaurante Mónaco, está desde o ano do seu falecimento perpetuado numa artéria da Freguesia do Lumiar, no núcleo dedicado à toponímia musical.

A Rua Shegundo Galarza, que termina junto à Rua Ferrer Trindade, foi o topónimo dado à junção da Rua B com a  Rua 7.1 do Alto do Lumiar num único arruamento. Tal aconteceu através da publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003, que nas proximidades atribuiu também a ruas os nomes dos compositores Belo Marques e Nóbrega e Sousa, dos cantores Luís Piçarra e Arminda Correia e da violoncelista Adriana de Vecchi.

Shegundo Ramón Galarza Arace (Espanha – Guipuzcoa/07.09.1924 – 04.01.2003/Lisboa), maestro e compositor de origem basca, filho único de um comerciante, desde 1948 começou a residir em Lisboa e em mais de 50 anos de carreira deixou uma marca de qualidade na música ligeira portuguesa.

Concluiu o conservatório de Bilbau,  ganhou um prémio de piano e aos 18 anos começou a percorrer a Europa em concertos. Chegou a Portugal aos 24 anos e a partir de 25 de novembro de 1948 passou a atuar diariamente no Casino Estoril, até maio de 1950. Nessa década tocou ainda em diversos restaurantes portugueses, de Luanda, da então Lourenço Marques (hoje Maputo), de Joanesburgo (1952 -1954) até se estabelecer no Restaurante Mónaco (novembro de 1956 a 1974), de que era sócio com o empresário galego Manuel Outerelo Costa, e que em Portugal introduziu o jantar dançante.

Em paralelo, integrou as mais prestigiadas orquestras ligeiras portuguesas e teve a sua e um conjunto em nome próprio. Logo em 1956, a RTP convidou-o, por via do maestro José Atalaya, a protagonizar um programa semanal, com a sua orquestra de violinos, que atingiu 100 emissões e ao longo da sua carreira colaborou com a RTP em programas de música e em arranjos musicais de várias longas metragens e de centenas de documentários.

Gravou os seus 3 primeiros discos para a editora Melodia (1951) com temas de Frederico Valério e seus, mostravam desde logo os vários mundos do músico, que sempre acompanhou as tendências internacionais do seu tempo; mais 6 para a editora Decca  (1952 -1954), assinou a gravação de 4 com a editora Estoril, gravação Fado Rossio para a Fonomat, de Lisboa,  em 1959. Como solista ou com a sua orquestra de violinos, gravou cerca de 50 discos em em Portugal e em Espanha, para editoras como a Alvorada, Belter, Estoril, Marfer, Orfeu, RCA, Roda e Voz do Dono. Em 1996, Shegundo Galarza gravou um disco em que interpretava, ao piano, temas como Lisboa Antiga, Madeira, Açores, Moçambique, Aldeia da Roupa Branca e em 2001 editou Sorrisos do Tempo.

Como orquestrador trabalhou para o Festival Eurovisão da Canção ou da OTI – tendo dirigido a orquestra da Eurovisão para Playback de Carlos Paião (1981) – e trabalhado com outros inúmeros artistas como Amália, Cândida Branca FlorDoutor Lello Minsk, Frei Hermano da Câmara, Herman José, Jorge Fontes, José Cid, Lara Li, Madalena Iglésias, Marco Paulo, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende, Max, Natália de Andrade, Paulo de Carvalho, Quim Barreiros, TonichaTony de Matos ou Tozé Brito.

Na sua vida pessoal, foi pai da enfermeira Teresa Galarza (1952) e do também músico Ramón Galarza (1957).

Shegundo Galarza foi homenageado com uma festa dos 50 anos de carreira em Portugal (1998) no Casino Estoril e está presente também na toponímia de Paço de Arcos.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

O Jardim do ensaísta Eduardo Prado Coelho, nos Olivais

Freguesia dos Olivais
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O ensaísta,  crítico literário, cronista  e professor universitário Eduardo Prado Coelho, autor de Tudo o que não escrevi, e falecido há 11 anos, dá o seu nome a um jardim dos Olivais, junto à Avenida Dr. Francisco Luís Gomes desde o ano passado, por via da publicação do Edital municipal de 19 de junho de 2017.

Eduardo Prado Coelho em 1998
(Foto: Nacho Doce, Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo de Almeida do Prado Coelho (Lisboa/29.03.1944 – 25.08.2007/Lisboa), filho de  Dália dos Reis de Almeida e do Prof. Jacinto Prado Coelho – também presente na toponímia de Lisboa – licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e nesta mesma universidade fez o seu doutoramento com a tese «A Noção de Paradigma nos Estudos Literários» para se tornar um professor universitário e ensaísta cuja obra mais destacada foi o seu diário Tudo o que não escrevi (1992).

Enquanto docente exerceu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1970 e 1983, e partir do ano seguinte no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa. Foi ainda professor convidado no Curso de Comunicação Social e Cultural da Universidade Lusófona, de mestrados do ISCTE e ainda do Departamento de Estudos Ibéricos da Universidade da Sorbonne, Paris III (1988).

Eduardo Prado Coelho desempenhou ainda funções públicas como Diretor-Geral de Acção Cultural do Ministério da Cultura (1975 e 1976), conselheiro cultural na Embaixada de Portugal em Paris (entre 1989 e 1998), comissário de Literatura e Teatro na Europália Portuguesa (1990), diretor do Instituto Camões em Paris (1997 e 1998) e comissário da participação portuguesa no Salon du Livre (2000). Por outro lado, também integrou o Conselho Diretivo do Centro Cultural de Belém, o Conselho Superior do ICAM – Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia,  o Conselho de Opinião da RDP e da RTP, para além de como colaborador do Centro Nacional de Cultura ter organizado os encontros Um Livro um Autor.

Da sua vasta colaboração em jornais e revistas refira-se a sua crónica diária no Público – «O Fio do Horizonte» – durante dez anos até à data da sua morte, tendo sido colaborador deste jornal desde o primeiro número. Dos seus ensaios destacam-se O Reino Flutuante A Palavra Sobre a Palavra (ambos em 1972), A Letra Litoral : ensaios sobre a literatura e seu ensino (1978), Os Universos da Crítica : paradigmas nos estudos literários (1982), Vinte anos de cinema português : 1962-1982 (1983), A Mecânica dos Fluidos : literatura, cinema, teoria e A “nouvelle critique” em Portugal (ambos em 1984), A Noite do Mundo (1988), O Cálculo das Sombras (1997), assim como no ano de 2004 O Fio da Modernidade, Diálogos sobre a fé com D. José Policarpo, Dia Por Ama, com Ana Calhau e A Razão do Azul, para em  2006 sair Nacional e Transmissível.

Na sua vida pessoal foi viveu com Maria Eduarda Colares – com quem teve uma filha, a jornalista Alexandra Prado Coelho – , Teresa Coelho, Maria da Conceição Caleiro e Maria Manuel Viana.

Foi galardoado com o Prémio P.E.N. Clube Português de Ensaio (1985), o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores (1996), a Medalha de Mérito Cultural (1997) o Grande Prémio de Crónica João Carreira Bom e o Prémio Arco-íris da Associação ILGA Portugal (ambos em 2004), para além de integrar a toponímia de Albufeira, Amora (Seixal) e Carnaxide.

[Agradecemos a  Maria Manuel Viana a gentil validação de texto]

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Prof. Veiga Ferreira, o arqueólogo Do Paleolítico ao Romano, numa Rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O  Professor Veiga Ferreira, o arqueólogo autor do programa de televisão Do Paleolítico ao Romano, está desde 1998 na toponímia de uma Rua da Freguesia do Lumiar: na artéria formada pelo Impasse A entre a Rua Prof. Aires de Sousa e a Azinhaga das Galhardas mais a Rua A, entre a Rua Prof. Barbosa Sueiro e a Rua Prof. Pinto Peixoto.

Octávio Reinaldo Santos da Veiga Ferreira (Lisboa/28.03.1917 – 14.04.1997/Lisboa) foi um arqueólogo, geólogo e paleontólogo, precursor da prática da interdisciplinaridade, que se dedicou especialmente ao período Calcolítico e ao Campaniforme – patente desde logo no seu primeiro artigo: «Acerca da Cultura do vaso campaniforme em Portugal» (1954)-, tendo ficado particularmente conhecido do público pela sua obra de síntese «Portugal pré-histórico – seu enquadramento no Mediterrâneo» (1981), sucesso que repetiu no ano seguinte ao apresentar na RTP o programa intitulada «Do Paleolítico ao Romano», a que se seguiu o programa com o título «Os Romanos Entre Nós» (1983).

Licenciado em Engenharia Técnica de Minas (1941), consegue o seu primeiro trabalho, em topografia, em regime de tarefa para a Câmara Municipal de Lisboa e em 1942 passou a trabalhar para a Comissão Reguladora do Comércio de Metais, assim como decidiu frequentar o curso de Pré-História  de  Henri Breuil, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde conheceu George Zbyszewski com quem viria a desenvolver  um longo e frutuoso trabalho de campo que começou na estação arqueológica de Vila Pouca (Monsanto).  Em março de 1944 ingressou como técnico na Direção Geral de Minas e Serviços Geológicos de onde transitará em 1950, a convite de Zbyszewski, para os Serviços Geológicos de Portugal. Com José Formosinho e Abel Viana trabalhou na escavação a partir de 1945 da necrópole de Caldas de Monchique, demonstrando pela 1ª vez a evolução arquitetónica e de artefatos do Neolítico médio até ao Calcolítico, a partir do que publicou o seu 1º trabalho de arqueologia: «A estação pré-histórica do Buço Preto ou Esgravatadoiro», em 1946.

A partir de 1950, com Leonel Trindade , diretor do Museu Regional de Torres Vedras, fez durante mais de 20 anos prospecção arqueológica e descobriram, por exemplo, as necrópoles pré-históricas de Cabeço da Arruda, Cova da Moira e Serra da Vila. A partir de 1952 foi destacado pelos Serviços Geológicos para trabalhar nos concheiros mesolíticos de Muge, com Jean Roche. Com Abel Viana e Ruy Freire de Andrade investigou os testemunhos da mineração romana de Aljustrel, em 1954, e a partir deste ano, em equipa com Zbyszewski, fez a arqueologia da antiga cidade romana de Egitania, durante 15 anos. Em 1957, com Fernando Almeida, escavou diversos dólmens da Beira Baixa; com Albuquerque e Castro e Abel Viana, estendeu os estudos do Megalitismo à bacia do Vouga; com  Camarate França estudou o monumento Calcolítico de Samarra (em Sintra) e com Afonso do Paço, as estações pré-históricas de Fontalva (Alto Alentejo) . Da colaboração com Vera Leisner e George Zbyszewski resultaram dados do dólmen de Casaínhos (Loures), da sepultura da Praia das Maçãs (Sintra), dos hipogeus de Palmela, dos monumentos megalíticos de Trigache e A-da-Beja (1959) e as primeiras datas de radiocarbono de megálitos portugueses (1963).

Ainda na década de sessenta, publicou as pinturas rupestres da serra dos Louções a que juntará as insculturas rupestres de Mora em 1977 e da Citânia de Santa Luzia em 1981. Com Camarate França e Jean Roche avançou no estudo do Paleolítico Superior,  na Gruta das Salemas e na Gruta Nova da Columbeira, a do 1º dente de neandertal descoberto. No ano de 1964 editou o 1º estudo monográfico sobre o povoado fortificado calcolítico do Zambujal (Torres Vedras) e dedicou memórias necrológicas a Abel Viana (1964), Afonso do Paço (1968 e 1970), Maxime Vaultier (1970) e Joaquim Fontes (1971). Em 11 de maio de 1965 doutorou-se na Sorbonne com a tese «La culture du vase campaniforme au Portugal», sob orientação de Jean Piveteau. Em 1967, com outros professores, fundou a Associação de Estudos Arqueológicos e Etnológicos, onde ministrou cursos livres a partir de 1972: Introdução à Arqueologia e Especialização em Pré-História. De 1968 a 1972, com Vítor Guerra, inventariou os monumentos megalíticos da Figueira da Foz  e em 1969 publicou a Correspondência epistolar entre Martins Sarmento e Nery Delgado.

Nos anos 70, publicou  o monumento do Escoural, com Manuel Farinha dos Santos, enquanto no Pai Mogo (Lourinhã), com K. Spindler, escavou a única tholos calcolítica em Portugal. De 1967 até 1973 foi conservador de Arqueologia do Museu dos Serviços Geológicos, a título gratuito, pelo que publicou o Guia descritivo da Sala de Arqueologia do Museu dos Serviços Geológicos (1982). Em 1971 foi Vice-Presidente da Associação de Arqueólogos Portugueses e de 1973 a 1976 foi Arqueólogo-Consultor da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e escavou o acampamento neolítico de Cabrosa (1976) e da tholos de Tituaria, em Mafra (1978). Nesta década aumentou também a sua atividade como docente, através de um curso de iniciação à Arqueologia Pré-Histórica no Museu de Etnologia Dr. Joaquim Manso e de um curso piloto do Património Cultural de Prospeção Arqueológica de pós-graduação para licenciados, ambos em 1976, assim como dois anos depois foi convidado pelo Prof. Oliveira Marques para ser professor de Pré-História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Nascido em Alcântara, Octávio Veiga Ferreira viveu grande parte da sua infância em Terrugem, até aos 11 anos se fixar em Lisboa. Aos 15 acompanhou as escavações de Manuel Heleno na necrópole pré-histórica de Carenque.  Na sua vida particular, casou com Maria Luísa Fernandes Bastos em 1941. Dela teve 2 filhas – Seomara (1942) e Ana Maria (1945) – cujo padrinho foi o Doutor Zbyszewski. Em 1945 subscreveu as listas de apoio do MUD – Movimento de Unidade Democrática , o que lhe custou ser chamado a prestar declarações na PIDE e o congelamento das promoções nos 16 anos seguintes, isto é, até 1962.

No território nacional, o Prof. Veiga Ferreira só está homenageado na toponímia de Lisboa mas foi agraciado com as Medalhas de Mérito de Rio  Maior e de Cascais, a Medalha de Ouro do Oeiras e com um monumento inspirado num cromeleque no jardim de Rio Maior.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Fernando Gusmão, encenador do Teatro Moderno de Lisboa, no Bairro teatral do Vale da Ameixoeira

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fernando Gusmão, o ator e encenador alfacinha, fundador e encenador do Teatro Moderno de Lisboa em 1961 , dá nome à Rua 6A do Vale da Ameixoeira desde abril de 2004, sendo assim também o primeiro topónimo de um Bairro cujos arruamentos têm topónimos relacionados com o meio teatral.

Foi pelo Edital municipal nº 20/2004 de 19 de abril de 2004 que foi fixada a Rua Fernando Gusmão na Rua 6A que hoje une a Rua Artur Ramos à Rua António Vilar. No mesmo dia, pelo Edital nº 21/2004, o Vale da Ameixoeira recebeu na sua Rua 3 a Rua Fernanda Alves.  Quase três meses depois, mais artérias do Vale da Ameixoeira foram preenchidas com nomes de atores: António Vilar (Rua 4 A), Arnaldo Assis Pacheco (Rua 1 A à Estrada da Circunvalação), José Viana (Rua 1 B), Raul de Carvalho (Rua 4 B) e Varela Silva (Rua 2A). E cinco anos mais tarde, pelo Edital de 16 de setembro de 2009, nasceu na Rua 6B a Avenida Glicínia Quartin, a primeira vez que uma  Avenida lisboeta recebeu o topónimo de um ator.

Fernando Morais Ferreri Gusmão (Lisboa/06.02.1919 – 17.02.2002/Casa do Artista – Lisboa) foi um ator e encenador que participou na construção desse marco no teatro português que foi o Teatro Moderno de Lisboa, fundado em 1961 por uma sociedade de atores que o unia a Armando Caldas, Armando Cortez, Carmen Dolores e Rogério Paulo. Foi nesta Companhia que se estreou como encenador de Humilhados e Ofendidos  a partir do original de Dostoievski (1961), Os Três Chapéus Altos de Miguel Mihura e Render dos Heróis de José Cardoso Pires (1965), a última da sociedade teatral, retirada de cena pela censura teatral. De 1961 a 1965 o Teatro Moderno de Lisboa funcionou no Cinema Império, no  inovador horário das 18: 30 horas e 11:00 horas de domingo, em sessões que transbordavam de público. Entre tantos outros, neste palco representaram Armando Cortez,  Armando Caldas, Cármen Dolores, Clara Joana, Fernanda Alves,  o próprio Fernando Gusmão, Morais e Castro, Rogério Paulo, Rui de Carvalho ou  Rui Mendes. Lauro António, no seu blogue, considera mesmo que « Desde “O Tinteiro” até ao “Render dos Heróis” foi uma actividade magnífica, desenvolvida por uma sociedade de actores que pretendia acima de tudo rumar contra o marasmo, abrir horizontes, rasgar janelas.» 

Fernando Gusmão viveu em Cabo Verde dos 5 aos 19 anos mas regressou em 1938 e dez anos depois, iniciou-se no teatro como amador, no Grupo Os Companheiros do Pátio das Comédias, onde interpretou O Casamento de Nicolau Gogol,  Continuação da Comédia de João Pedro de Andrade (que em 1957 também  interpretaria para a televisão numa realização de Artur Ramos) ou a Escola de Maridos de Molière. Nos anos 50, profissionalizou-se ao ingressar na Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II, representando Curva Perigosa, de Priestley, A Senhora das Brancas Mãos de Alejandro Casona ou A Comédia da Morte e da Vida, de Henrique Galvão.

Nesta década de cinquenta Fernando Gusmão ainda se destacou no Rei Lear de Shakespeare e em O Príncipe Disfarçado de Marivaux, tendo trabalhado  na Companhia Alves da Cunha no Teatro Gymnasio (1951); no Teatro do Povo, com Francisco Ribeiro, no Alfageme de Santarém de Almeida Garrett; no Teatro Avenida, em Joana D’ Arc de Jean Anouilh e João Gabriel Bockman de Ibsen (1955); no Teatro Nacional Popular,  sediado no Teatro da Trindade, de 1957 a 1959, interpretando sucessivamente Noite de Reis de Shakespeare, Um Dia de Vida de Costa Ferreira, Doze Homens Fechados de Reginald Rose, Diário de Anne Frank de Goodrich e Hackett, Pássaros de Asas Cortadas de Luiz Francisco Rebello ou À Espera de Godot de Samuel Beckett.  Também se estreou no teatro de revista, em Aqui é Portugal, numa temporada no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, em 1955.

A partir dos anos sessenta a sua faceta de encenador começou a mostrar-se, no Teatro Moderno de Lisboa. Também dirigiu o Grupo Cénico de Direito (1965 e 1966); encenou O Tempo e a Ira de John Osborne  e A Renúncia de Unamuno no Teatro Experimental do Porto-TEP, assim como  A Voz Humana de Jean Cocteau, interpretado por Maria Barroso, tudo em 1967;   dirigiu o  Grupo 4 (1968), o Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique (1970) e a A Excepção e a Regra de Bertolt Brecht no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra- TEUC.

Após o 25 de Abril, foi presidente do Sindicato de Atores  e membro fundador do Grupo de Teatro Proposta, ao lado de Augusto Sobral, Manuel Coelho,  Luís Alberto e Victor Esteves (1975); ministrou um curso de formação para atores na Guiné-Bissau (1978); encenou Corpo-Delito para o Grupo 4, já renomeado Novo Grupo, no  Teatro Aberto (1979); passou a encenar o Grupo de Campolide (1981) e regressou ao TEP, bem como ao TEUC para encenar O Sonho de Enrique Buenaventura (1990), na mesma década em que publicou o livro autobiográfico A Fala da Memória (1993).

Fernando Gusmão também trabalhou para rádio e televisão, para além do cinema, onde figurou algumas longas-metragens como Saltimbancos de Manuel de Guimarães (1952),  O Mal Amado de Fernando Matos Silva (1974) ou Os Demónios de Alcácer Quibir de José Fonseca e Costa (1977).

Morou no nº 12 da Rua das Taipas, no prédio onde Sá Nogueira teve atelier e em Almada (Sobreda), dá também nome a uma rua, próxima das Ruas Luzia Martins e Armando Cortez.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua César de Oliveira, o argumentista de revista e letrista do Sr. Feliz e do Sr. Contente

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

César de Oliveira , autor de teatro de revista  e de programas de televisão, logo dois dias  após o seu falecimento teve uma decisão da edilidade lisboeta em sessão de câmara para ser homenageado com a atribuição do seu nome a uma rua da cidade.

A sessão de câmara de 18 de janeiro de 1988 decidiu a atribuição do nome de César de Oliveira a um arruamento lisboeta, tendo para o efeito a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia escolhido a Rua A à Azinhaga do Jogo da Bola, no Paço do Lumiar, arruamento que também era designado vulgarmente por Lugar das Areias, processo este que terminou com a publicação do edital em 29 de fevereiro de 1988 ficando a Rua César de Oliveira fixada com a legenda «Autor Teatral/1928 – 1988», a ligar a Azinhaga dos Ulmeiros à Azinhaga da Torre do Fato. Pelo mesmo edital foram também homenageadas em arruamentos da então freguesia de Nª Senhora de Fátima as atrizes Laura Alves e Ivone Silva.

César de Oliveira (Lisboa/14.08.1928 – 16.01.1988) foi a partir dos anos 60 do séc. XX uma figura fundamental do teatro de revista desenvolvido no Parque Mayer, como autor de peças de revista em parceria. Estreou-se em 1960, em parceria com José Augusto Ramos, na revista Espero-te à saída, para o Teatro ABC.  A partir de 1964, estabeleceu parceria com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca, terminada em 1973 por morte do último, com inúmeros êxitos como É regar e pôr ao luar, Sete colinas ou Alto lá com elas. Ficou popular a sua  letra da canção Cheira Bem, Cheira a Lisboa, com música do maestro Carlos Dias, criada para interpretação de Anita Guerreiro na revista Peço a Palavra (1969). César de Oliveira também redigiu outras letras para fados ou marchas populares, para as vozes de Fernanda Batista, Hermínia Silva, Tony de Matos ou António Calvário.

Do muito que escreveu destaquem-se as revistas Quem tem boca vai a Roma para o Teatro Capitólio, Peço a palavra para o Variedades, Pra frente Lisboa e Mulheres é comigo para o Teatro Monumental. Ainda nos anos setenta assinou a autoria das revistas O Zé Faz Tudo (1971), Saídas da Casca (1972) e Aldeia da Roupa Suja (1975). Foi também o responsável por levar até ao Parque Mayer  Ary dos Santos e Bernardo Santareno, para serem co-autores de Uma no cravo outra na ditadura, Pra trás mija a burra, Afinal como é, Águas de bacalhau (1977) e Ó da guarda, todas no ABC. Escreveu também para  A grande cegada do Teatro Ádóque e  o seu último êxito foi Lisboa, Tejo e Tudo (1987), com argumento seu e de Raul Solnado e Fialho Gouveia, assim como encenação sua.

Também foi argumentista dos filmes Rapazes de táxi, de Constantino Esteves, com Rogério Bracinha, Jerónimo Bragança, Paulo da Fonseca e José Ramos bem como de Um cão e dois destinos de Alain Bornet, com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca, ambos em 1965; Sarilho de fraldas (1966) de Constantino Esteves, com Augusto Ramos e Rogério Bracinha; e O destino marca a hora (1970) do realizador Henrique Campos, em parceria com Rogério Bracinha e Paulo da Fonseca.

O seu envolvimento na televisão portuguesa acontece após o 25 de Abril de 1974, sendo ele o autor das letras musicadas por Thilo Krassman para o Sr. Feliz e o Sr. Contente, a dupla que encantava com o seu «diga à gente, diga à gente, como vai este país…», protagonizada por Herman José e Nicolau Breyner, rábula da série televisiva de 1975 intitulada Nicolau no País das Maravilhas, de que era argumentista com Rogério Bracinha e Ary dos Santos. César de Oliveira ficou ainda na memória dos portugueses como o autor de Sabadabadu, em parceria com Melo Pereira, programa de entretenimento que passou na RTP em 1981, onde pontificavam Ivone Silva e Camilo de Oliveira. Foi ainda o autor de programas de humor como O espelho dos Acácios (1978), Ivone Silva A Faz Tudo  (1978) programa realizado por José Fonseca e Costa, Gente fina é outra coisa (1982), Eu show Nico (1987- 1988).

César de Oliveira foi galardoado com a medalha de Mérito Municipal de Lisboa, bem como com o Prémio da Imprensa na categoria Teatro de Revista (1964).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

Armando Cortez dá morada ao Teatro Aberto

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Armando Cortez  somou  mais de 50 anos de carreira como ator, na cena de um Teatro, perante as câmaras de Televisão ou de Cinema, como uma figura inesquecível da memória cultural portuguesa, estando desde o ano seguinte à sua morte perpetuado na toponímia alfacinha, na artéria que dá morada ao Teatro Aberto.

A Rua Armando Cortez, que liga a Rua Ramalho Ortigão à Avenida Calouste Gulbenkian, foi atribuída pelo Edital municipal de 20 de novembro de 2003, com a legenda «Actor/1928 – 2002» e a inauguração deste arruamento foi feita significativamente no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro.

Armando Cortez e Almeida (Lisboa/23.01.1928 – 11.04.2002/Lisboa) foi ator, encenador, argumentista, produtor, e um homem sempre ligado ao teatro, fosse qual fosse a sua forma de transmissão. Filho do oficial da Marinha Luís Carlos da Cunha e Almeida e de Heloísa dos Santos Cortez, estudou na École Française de Lisbonne e logo após, fez teatro radiofónico no Liceu Pedro Nunes  para depois prosseguir estudos no Conservatório de Lisboa que concluiu com 18 valores em 1949. Ainda nesse ano estreou-se profissionalmente no Teatro Apolo, em Um Chapeú de Palha de Itália, ao lado de Canto e Castro e Rogério Paulo. Já três anos antes, em 1946, entrara em As Coéforas de Molière, no Teatro Universitário, e a sua primeira encenação data de 1948, na peça Degredados, de Virgínia Vitorino, sendo que dez anos depois, em 1958, tinha carteira profissional de encenador.

Armando Cortez trabalhou na companhia Teatro do Povo (1950), com Vasco Santana, Alves da Cunha, Maria Matos, António Silva, Ribeirinho e Nascimento Fernandes e chegou mesmo a dirigi-la. No ano seguinte, fundou o grupo Os Seis Novos e em 1952, com Maria Lalande, dirigiu uma companhia de comédia no Teatro Maria Vitória.  Depois , representou em todos os teatros de que Vasco Morgado era o empresário e fundou ainda o Teatro Moderno de Lisboa (1962) a residir no Cinema Império, com Carmen Dolores, Costa Ferreira e Fernando Gusmão, após nos dois primeiros anos da década de sessenta ter sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em França. Em 1973 dirigiu a companhia do Teatro São Luiz e, três anos depois estava na fundação da Cooperativa de Teatro Repertório (1976) que durou até 1983. Representou em mais de 150 peças de teatro, de todos os géneros, desde a comédia ao drama, da farsa à revista, sendo de destacar as suas interpretações como Lucky em  À Espera de Godot de Samuel Beckett (1959), a 1ª vez que esta obra foi apresentada em Portugal, ao lado de Ribeirinho e de Fernando Gusmão; como protagonista de Schweik na Segunda Guerra Mundial (1975) de Bertolt Brecht , ao lado Raul Solnado ou em O Diretor de Ópera (1976), ambas no Teatro Maria Matos. Em 1979, ganhou o prémio melhor ator de teatro da revista Nova Gente.

Cortez foi também o mestre de várias gerações de jovens atores que dirigiu e acarinhou, sendo ainda de referir que    dirigiu o musical Annie para o Teatro Maria Matos (1983) e  encenou outras peças como A Casa-Fronteira (1969) ou Pisca Pisca (1989), de que foi também argumentista,  tal como o foi para Quem Manda Sou Eu ou Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça (ambas em 1990), Primeiro Amor (1995) e para a telenovela Roseira Brava (1996).

Na televisão, Armando Cortez para além de ter participado em mais de 40 peças gravadas, de 1957 a 1978, logo em 1964, foi protagonista com Francisco Nicholson do programa Riso e Ritmo, do qual também foi o argumentista. A partir de 1984, a presença de Armando Cortez na televisão tornou-se mais constante, em inúmeras séries e telenovelas. Nas séries, destaca-se Lá em Casa Tudo Bem, de Raul Solnado, Mário Zambujal e Artur Couto e Santos e Esquadra de PolíciaA Raia dos Medos e Alves dos Reis (todas em 2000), bem como O Processo dos Távoras (2001) de Francisco Moita Flores. Nas telenovelas, sobressai a sua participação em Chuva na Areia (1984) de Luís de Sttau MonteiroPalavras Cruzadas (1986), Cinzas ( 1993), Na Paz dos Anjos (1994) de José Fanha, Roseira Brava de que foi argumentista Vidas de Sal, ambas em 1996 e Ajuste de Contas (2000). Em 1987, ganhou o prémio da revista Nova Gente para melhor ator de televisão.

No cinema, contracenou em 11 filmes portugueses, 3 franceses, dois ingleses e um alemão. Estreou-se no cinema com um pequeno papel em O Cerro dos Enforcados (1954) de Fernando Garcia. Depois, continuou entre outros, de que damos de exemplo O Dinheiro dos Pobres  (1956) de Artur Semedo;  Operação Dinamite (1967), realizado por Pedro Martins e escrito por Armando Cortez, Francisco Nicholson, Luís Campos e Colette Dubois; O Cerco  (1968) de António da Cunha Telles;  O Diabo desceu à Vila (1980) de Teixeira da Fonseca; Sem Sombra de Pecado (1982) de José Fonseca e Costa; O Desejado ou As Montanhas da Lua (1986) de Paulo Rocha; Encontro em Lisboa (1990) de Claude Boissol;  e em 1992, em três filmes:  Das Tripas Coração de Joaquim Pinto, Vertigem de Leandro Ferreira e Passagem por Lisboa de Eduardo Geada.

Armando Cortez também teve participação cívica ao ter sido Deputado na Assembleia Municipal de Lisboa, nos mandatos de 1980 a 1982 e de 1983 a 1985 e, no último grande empreendimento que acarinhou a partir de 1982: a criação, com  outros colegas de profissão, da Apoiarte – Casa do Artista, associação de reconhecido mérito social e cultural de que foi dirigente, onde em  1999 foi inaugurada a casa de repouso para pessoas do espetáculo e em cujo jardim foram espalhadas as suas cinzas.

Na sua vida pessoal, Armando Cortez apenas casou com atrizes: Fernanda Borsatti (de 1950 a 1958) e Manuela Maria (de 1967 até ao final da vida). Com a primeira, teve em 1953  José Eduardo da Fonseca Cortez e Almeida que viria a ser médico e, com a segunda, teve em 1968, Pedro Lima Cortez e Almeida que veio a ser arquiteto.

Foi lhe concedido o subsídio de Mérito Cultural em 1995 e foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique (2000), a Medalha de Mérito Municipal   de Oeiras  – Grau Ouro ( 1997) e o seu nome foi dado ao Auditório da Casa do Artista passando a ser o Teatro Armando Cortez (2003). E para além de Lisboa, Armando Cortez é o topónimo de ruas do Algueirão, de Almada, Montijo, Paço de Arcos,  Póvoa de Santa Iria, Santa Iria da Azóia, Unhos e Vila Franca de Xira.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Mariana Vilar numa Rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Lucinda Costa Alves Figueira, nascida algarvia em 1927, foi uma atriz de cinema, teatro e televisão que ficou conhecida pelo nome artístico de Mariana Vilar e ficou perpetuada numa artéria de Lisboa três anos depois do seu falecimento, em 2001.

Carnide foi a freguesia em que Rua A da Urbanização da Cerâmica de Carnide ( antiga Quinta das Barradas ), pela publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 2001,  com a legenda «Actriz/1927 – 1998», passou a ser a Rua Mariana Vilar, no topo da Rua Álvaro Benamor e paralela à Rua José Gamboa, outros dois nomes do teatro.

Lucinda Costa Alves Figueira (São Brás de Alportel/14.03.1927 – 29.04.1998/Lisboa) veio com a mãe para Lisboa em 1949, após o divórcio dos pais. Começou a sua carreira pelo cinema, concorrendo a uma audição na Lisboa-Filmes que venceu e assim lhe foi confiado o principal papel feminino nos filmes do realizador Henrique Campos: Rosa de Alfama (1952), Duas Causas (1953) e Quando o Mar Galgou a Terra (1954).  Ainda em 1954, Mariana Vilar também protagonizou Bom Dia Senhora Professora, uma curta metragem de Fernando Garcia para educação de adultos. Em 1982 João Mário Grilo trouxe-a de volta às telas cinematográficas, em A Estrangeira.

No teatro, estreou-se em 1954 na comédia Lua-de-Mel… Entre Três, ao lado de Irene Isidro, António Silva, Assis Pacheco e Barroso Lopes, no palco do  Monumental.  Prosseguiu em peças como Yerma (1955) de Garcia Lorca; Joana d’Arc de Jean Anouilh e Envelhecer  de Marcelino Mesquita, encenado por José Gamboa, ambas em 1956; a comédia musical João Valentão (1957) de Amadeu do Vale e encenada por Eugénio Salvador; A Cidade Não é Para Mim (1966); O Processo (1970) de Kafka encenado por Artur Ramos; tendo até 1971 pisado os palcos do Monumental, do Teatro Avenida, do Trindade na companhia Teatro d’Arte de Lisboa, do Maria Vitória,  do Villaret no «Grupo de Acção Teatral», para regressar aos palcos em 1981, na Casa da Comédia, para Seis Aparições de Lenine Sobre um Piano, uma peça de Noel Coward.

Na televisão, Mariana Vilar estreou-se em 1957 ou 58 em Querida Ruth e até 1971 surgiu em várias outras produções de teatro televisivo como Longa Ceia de Natal de Thorton Wilder, Nós os dois somos quatro de A. Vieira Pinto e Luiz Francisco Rebello (1959), Tanto Barulho por nada (1960), Os fidalgos da casa mourisca de Júlio Dinis Carmosina de Musset (1963), Poeira nos olhos de Labiche (1966), Fronteira de Mrozek (1969). Na década de oitenta participou na série Retalhos da Vida de um Médico (1980), no telefilme de Eduardo Geada Pôr do Sol no Areeiro  (1983), na telenovela Chuva na Areia (1985), baseada no romance Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão de Sttau Monteiro e ainda, no teledrama Todo o Amor é Amor de Perdição (1990), sobre o processo de Camilo e Ana Plácido, escrito por Luiz Francisco Rebello e realizado por Herlander Peyroteo.

Na sua vida particular foi casada com Luiz Francisco Rebello desde 1959 e o  casal teve um filha a que chamaram Catarina. Em 1962, o dramaturgo escreveu expressamente para ela a peça Condenados à Vida mas a censura não permitiu que subisse à cena, tal como lhe dedicou ainda obra Mariana Villar – Uma Existência Luminosa que organizou e  coordenou, publicada no ano 2000 pelas Edições Hugin.

Mariana Vilar também dá o seu nome a arruamentos de São Brás de Alportel, Cascais e Fernão Ferro.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Elvira Velez no Dia Internacional da Mulher

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Elvira Velez, atriz de palco, do teatro radiofónico, do cinema e da televisão , foi consagrada numa artéria de Benfica, inaugurada significativamente no Dia Internacional da Mulher, como hoje, mas no ano de 1993.

A Rua Elvira Velez  passou a ser o topónimo do Impasse I à Rua da Quinta do Charquinho por deliberação camarária de 03/02/1993 e consequente Edital municipal de  04/02/1993, com a legenda «Actriz/1892 – 1981», passados quase doze anos após o falecimento da atriz, a partir de uma sugestão de vários admiradores seus enviada por carta à edilidade alfacinha. A cerimónia de inauguração da artéria foi agendada para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tendo sucedido nesse dia o mesmo com a Rua que consagrou a também atriz Helena Félix. O descerramento da placa toponímia foi feito pelo Vereador do Pelouro, Engº Rego Mendes, com o genro da homenageada, Igrejas Caeiro, tendo Appio Sottomayor usado da palavra em representação da Comissão Municipal de Toponímia.

Elvira Velez assina autógrafos, em 1960, no Jardim da Estrela
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elvira Sales Velez Pereira (Lisboa/19.11.1892 – 08.04.1981/Caxias), nasceu na então freguesia de Santa Isabel e dos 6 aos 18 anos foi viver com a família para Torres Novas, já que o seu pai era aí o empresário do Teatro da vila e, mesmo contrariando a vontade dele, começou por isso mesmo a desejar ser atriz. Depois de mudar para Tomar conseguiu aí  entrar num grupo de teatro de amadores e de novo em Lisboa, após várias tentativas de chegar à carreira teatral, conseguiu finalmente estrear-se  aos 21 anos, em 1913, no Teatro Moderno da Rua Álvaro Coutinho, na opereta Os Grotescos, com o consagrado ator cómico Augusto Costa (Costinha).

Elvira Velez passou a interpretar  comédia, tragédia, farsa, revista e opereta, tendo representado em quase todos os teatros do País e tendo começado na Companhia do Teatro Moderno, passou para a de Chaby Pinheiro no Teatro Apolo, também pelo elenco do Teatro de S. Luís, pela Companhia Palmira Bastos (1921), a de Vasco Santana e Alves da Cunha, a do ABC do Parque Mayer e a do seu genro  Igrejas Caeiro no Teatro Maria Matos.

Também na rádio Elvira Velez se destacou, sobretudo como a sogra do folhetim radiofónico Lélé e Zéquinha (1952), da autoria de Aníbal Nazaré e Nélson de Barros, contracenando com Irene Velez e  Vasco Santana que desempenhavam os protagonistas, programa produzido por Igrejas Caeiro, na Emissora Nacional, embora a atriz também tenha colaborado no Rádio Clube Português.

No cinema, fez parte do elenco dos filmes Aldeia da Roupa Branca de Chianca de Garcia e Sorte Grande de Erico Braga (1938);  Um Homem às Direitas (1944) de Jorge Brum do Canto; Três Dias Sem Deus (1946) de Bárbara Virgínia; O Comissário de Polícia de Constantino Esteves e Duas Causas de Henrique Campos (1953); Agora é que São Elas (1954) uma revista filmada por Fernando Garcia; O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e ainda mais dois filmes todos em 1960: As Pupilas do Senhor Reitor de Perdigão Queiroga e Encontro com a Vida de Artur Duarte.

Na televisão, era presença frequente nas peças das Noites de Teatro da RTP, nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, tendo também participado na série Lisboa em Camisa, realizada por Herlander Peyroteo em 15 episódios.

Na sua vida, Elvira Velez casou com o também ator Henrique Pereira, união da qual nasceu Irene Velez que viria a seguir a mesma carreira teatral, tendo a morada de família sido no nº 82 da Rua Passos Manuel.

Elvira Velez foi distinguida com o prémio Lucília Simões (1970) pela sua interpretação  no papel da Titi de A Relíquia, a partir do original de Eça de Queiroz, que esteve vários meses em exibição no Teatro Maria Matos e foi o fecho da sua carreira. Foi ainda agraciada com a Ordem de Santiago de Espada, assim como pela Caritas e pela Cruz Vermelha.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Publicação municipal da toponímia sobre Mário Dionísio

A publicação municipal de toponímia referente a Mário Dionísio, distribuída hoje no decorrer da inauguração da Rua Mário Dionísio, já está on-line.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

mario-dionisio-capa

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.