Surma de Leiria e Arminda Correia de Lagos no MURO’19

MURO’19, que vai decorrer de 23 a 26 de maio no Lumiar, está subordinado ao tema da Música, tal como a toponímia local, criando nesta 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa também uma dimensão sonora mas preservando o contexto de  experimentação e inovação, que assim permitem coexistirem no espaço do mesmo Festival a cantora lírica do Bairro da Música, Arminda Correia, natural de Lagos, com a representante de música alternativa Surma, natural de Leiria.

De Leiria para o mundo, surge a filha de Maria Umbelino e Pedro Umbelino, nascida em 26 de dezembro de 1994, Débora Umbelino, que é o nome do registo civil da artista Surma que ainda este ano vimos defender Pugna no Festival da Canção. Usa as teclas, os samplers, as cordas, loop stations e o instrumento da sua voz através de uma fonética sem palavras que ela denomina «surmês», criando sonoridades que fogem do jazz para o post-rock, da electrónica para o noise, em atmosferas experimentais que já atraíram público em palcos holandeses, norte-americanos, italianos ou islandeses.

A singular Surma começou em 2015 e com a  editora de Leiria Omnichord Records estreou-se com  o single  Maasai, em 2016, para no ano seguinte ser a vez do álbum Antwerpen (lançado em 13/10/2017), nomeado para melhor disco europeu do ano e cujo single de apresentação do álbum – Hemma -, foi nomeado para melhor canção nacional nos prémios da Sociedade Portuguesa de Autores em 2017. O seu nome artístico é o de uma tribo da Etiópia e resultou da preferência desta One Woman Band por documentários.

De outra localidade portuguesa, de Lagos, veio Arminda Nunes Correia (Lagos/26.12.1903 – 21.09.1988/Lisboa), para Lisboa para concluir os cursos de Canto e Piano no Conservatório Nacional. A partir daí distinguiu-se na interpretação de «lieder» alemães e ficou perpetuada na Rua A da Malha 3 do Alto do Lumiar pelo Edital municipal de 15/12/2003 e oficialmente inaugurada no Dia Mundial da Música de 2004, junto com mais outros  7 arruamentos com nomes de cantores, instrumentistas e maestros – Luís Piçarra, Adriana de Vecchi, Tomás Del Negro, Nóbrega e Sousa, Shegundo Galarza e Belo Marques – e uma Alameda da Música, criando assim pela primeira vez na cidade de Lisboa um Bairro com topónimos dedicados à Música.

Arminda Correia estreou-se como cantora lírica em 1927, no palco do São Carlos, na estreia absoluta de três óperas de Rui Coelho. Foi uma notável intérprete de autores portugueses, muito valorizada pelos seus dotes de dicção e raro timbre de voz, tanto  na interpretação de «lieder» alemães e franceses como em canções tradicionais portuguesas, harmonizadas por Francisco de Lacerda ou Fernando Lopes Graça. Foi galardoada com  o prémio Luísa Todi (1943) e, em 1959, gravou no Reino Unido Canções Populares Portuguesas acompanhadas ao piano por Fernando Lopes Graça. Na  sua carreira de cantora merecem ainda destaque a sua interpretação de  Beatitudes de César Franck, de Crisfal (em português) no Teatro D. Maria II, da Paixão Segundo São Mateus de Bach no São Carlos, a gravação que executou de canções portuguesas a convite do Musée de la parole et du geste, os inúmeros recitais para a Emissora Nacional – com canções tradicionais portuguesas recolhidas por Francisco Lacerda  – nos anos 40 do século XX e concertos um pouco por todo o país.

A esta carreira lírica Arminda Correia somou ainda 14 anos de professora de solfejo e de canto, em quatro locais: Instituto de Música de Coimbra, Liceu Feminino de Coimbra, Academia de Amadores de Música e Conservatório Nacional.

(Foto: © Hugo Domingues)

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