A Rua do professor republicano Augusto José Vieira

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Com a legenda «Jornalista, Professor e Valoroso Apóstolo do Livre Pensamento/1861 – 1918» foi  o professor de ensino básico Augusto José Vieira inscrito na toponímia da cidade em 1926 , na freguesia da Penha de França, junto com Feio Terenas e Borges Graínha.

O Edital de 15 de maio de 1926 que colocou a Rua Augusto José Vieira na Rua nº 2 do Bairro Lamosa referia que «Faço saber que o Senado Municipal, em sessão de 30 de Abril próximo findo, prestando homenagem aos saudosos cidadãos Augusto José Vieira, José Maria de Moura Barata Feio Terenas e Manuel Borges Grainha, que foram três infatigáveis propagandistas do ideal republicano e do livre pensamento, resolveu que ás ruas particulares nºs.2, 3 e 4 do Bairro Lamosa, sejam dadas, respectivamente, as seguintes denominações: Rua Augusto José Vieira / Jornalista, professor e valoroso apóstolo do livre-pensamento – (1861 – 1918); Rua Feio Terenas/ Jornalista e propagandista do ideal republicano – (1847-1920); Rua Borges Grainha / Erudito professor e notável propagandista do livre-pensamento – (1860-1925)».

Freguesia da Penha de França – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Augusto José Vieira (Funchal/02.10.1861 – 01.02.1919/Lisboa) veio para Lisboa veio em 1877, para se inscrever na Escola do Exército, mas acabou por trocar a carreira militar pela docência que exerceu até ao final da sua vida.

Em paralelo, logo desde esse ano de 1887, participou nas reuniões republicanas do Pátio do Salema e empenhou-se na luta pela implantação do regime republicano em Portugal sobretudo, proferindo muitas conferências.  Em 1909 começou a publicar a sua História do Partido Republicano Português, da qual saíram apenas 3 volumes. Foi ainda presidente da Associação do Registo Civil e secretário da Federação do Livre Pensamento, tendo em outubro de 1913 integrado a organização do Congresso Internacional do Livre Pensamento, que decorreu em Lisboa, com Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório e Teófilo Braga.

Por uma questão de desambiguação refira-se que este Augusto José Vieira  inscrito na toponímia lisboeta não é o seu homónimo, solicitador que em 1 de novembro de 1908 foi eleito Vereador pelo 3º Círculo, na 1ª Vereação Republicana da Câmara da Capital.

Augusto José Vieira também ficou conhecido como jornalista que trabalhou desde a sua fundação para o jornal O Mundo, na artéria que ostentou o nome do jornal e hoje conhecemos como Rua da Misericórdia  para além de ter colaborado no semanário de caricaturas Xuão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Câmara Reis da Seara Nova e professor de Línguas

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís da Câmara Reis, um dos fundadores da revista Seara Nova e também professor liceal de línguas, está perpetuado desde 1978 numa rua  da Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, hoje território da freguesia do Parque das Nações.

A sugestão nasceu de uma carta de Adelino Martins Simão que propunha também a consagração na toponímia de Lisboa dos nomes de Adolfo Casais Ribeiro, António Sérgio, Carlos Cal Brandão, Emídio da Silva, General Ferreira Martins, José Lopo de Oliveira, José Maria Barbosa de Magalhães, José Régio, Julião Quintinha, General Norton de Matos, Raúl Proença, Ricardo Covões, Rocha Martins, Rocha Saraiva e a atribuição de uma Praça de Lisboa e uma Praça de Portugal. E perante a necessidade de serem dados topónimos para os arruamentos Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, a Comissão Municipal de Toponímia propôs que as Ruas C e I passassem a ser a Rua Câmara Reis, as Ruas D e J fossem integradas na Rua Dr. Rui Gomes de Oliveira, para além de propor a atribuição das Ruas Manuel Mendes (Ruas H e B), Padre Joaquim Alves Correia (Ruas G e A), Padre Abel Varzim (Rua F) e o Largo Ramada Curto (Impasse G), sendo todos estes topónimos ficados pelo Edital municipal de 27 de fevereiro de 1978.

Luís da Câmara Reys (Lisboa/20.04.1855 –  1961/Estoril), licenciado em Direito, foi professor liceal de língua portuguesa e língua francesa, jornalista e um republicano defensor da democracia em Portugal.

Integrou o grupo de intelectuais que em 1921 fundou a revista Seara Nova que também dirigiu, sendo o seu esteio durante 40 anos. Já antes tinha dirigido a  Mocidade (1899-1905), A República Portuguesa (1910-1911) e com Raúl Proença, Jaime Cortesão e António Sérgio participado na fundação da Renascença Portuguesa (1911). Colaborou também em O País, Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, Arte e Vida ou A Farsa.

Câmara Reis participou empenhadamente no Programa Mínimo de Salvação Pública de 1922, na formação da União Cívica como grande frente de intelectuais reformadores e na Carta Aberta ao Presidente Teixeira Gomes  (1923), no Apelo ao Presidente Bernardino Machado (1925) e  na Semana de Propaganda Antifascista de março de 1926, tendo com Rodrigues Miguéis, sido um dos dois oradores da Seara Nova na sessão final no Ginásio do Liceu Camões, integrando a Comissão Central do MUD (1945), na candidatura de Norton de Matos (1949), na candidatura de Humberto Delgado (1958) e como candidato da Oposição Democrática nas eleições legislativas de 1961.

Das suas obras publicadas, para além de livros escolares destacamos os fascículos Vida Política (1911), Contos de Março,  Aspectos da Literatura Portuguesa (1919), os 6 volumes de As Questões Morais e Sociais na Literatura (1940-1943), o livro de crónicas Paris e Divagações Musicais – dos Trovadores a Villa-Lobos (1944).

Casou com a cantora e musicóloga Ema Romero Santos Fonseca, com quem também realizou palestras de cultura musical.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Bolivar, o «pai» da Bolívia numa rua em papel

O político e militar venezuelano Simón Bolívar, «pai» da Bolívia e de outras nações sul-americanas tornadas independentes da colonização espanhola, foi consignado em papel como topónimo de uma rua do Bairro América, na Freguesia de São Vicente, que nunca chegou a ser fisicamente aberta.

A Rua Bolivar nasceu de uma deliberação camarária de 25 de novembro de 1918, com mais 6 topónimos, todos referentes a figuras ligadas ao continente americano, no novo bairro que estava a ser construído na Quinta das Marcelinas e que a edilidade denominou a pedido dos proprietários como Bairro América, quando tinham passado 14 dias após a assinatura do armistício de Compiègne que pôs fim à  I Guerra Mundial e, no ano seguinte ao da entrada dos Estados Unidos da América no conflito.

Aliás, a ata dessa sessão camarária ainda mais elucida que «Os Srs. Manuel José Martins Contreiras, Dr. João José da Silva e Fernão Boto Machado, proprietários da Quinta das Marcelinas, na Rua Vale de Santo António, 30, requereram a esta Câmara que lhes fosse dado ao Bairro que ali estão construindo, a denominação de Bairro da América, a exemplo do que já foi feito para os bairros da Bélgica e da Inglaterra e que os arruamentos tivessem as seguintes denominações: nº 1:Rua Franklin, nº 2: Washington, nº 3: Rui Barbosa, nº 4: Bolívar, nº 5: Dos Cortes Reais, nº 6: de Fernando de Magalhães, nº 7:de Álvaro Fagundes.»

O correspondente Edital municipal só foi publicado em 17 de 0utubro de 1924 e os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática na urbanização do Bairro América , embora em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C à Rua General Justiniano Padrel, também na Freguesia de São Vicente.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco (Venezuela – Caracas/24.07.1783 – 17.12.1830/Colômbia),  conhecido como Simón Bolívar, destacou-se como militar desde janeiro de 1797 e político sul-americano que quis libertar a América da colonização espanhola. Com José de San Martín (1778 -1850) desempenhou um papel fulcral nas guerras de independência da América espanhola, tendo nesse processo contribuído para lançar as bases ideológicas democráticas na maioria da América hispânica e conseguido o epíteto de O Libertador.

Nos seus 46 anos de vida, Bolívar foi Presidente da Venezuela, de 6 de agosto de 1813 a a 7 de julho de 1814 bem como de 15 de fevereiro de 1819 a 17 de dezembro de 1819, sendo este país desde 1999 denominado República Bolivariana da Venezuela; do Peru, de 17 de fevereiro de 1824 a 28 de janeiro de 1827; da  Bolívia, de 12 de agosto de 1825 a 29 de dezembro de 1825; para além de ter participou na fundação da primeira união de nações independentes na América Latina, a Grã-Colômbia, que integrava a Colômbia, o Equador , a Venezuela e o Panamá, da qual foi Presidente de 17 de dezembro de 1819 a 4 de maio de 1830.

Edital municipal de 17 de outubro de 1924

A Rua do Prof. Dias Amado que reanima a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem

Freguesia do Lumiar

De 1950 a 1960, o Prof. Dias Amado reanimou a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, instituição fundada por Magalhães Lima com estatutos aprovados em abril de 1921 e Lisboa acolheu o nome deste médico numa artéria da freguesia do Lumiar, antes identificada como Rua 8 de Telheiras Sul, desde o próprio ano da sua morte, através do Edital municipal de 4 de dezembro de 1981.

Luís Hernâni Dias Amado (Lisboa/19.01.1901 – 01.01.1981/Lisboa) foi um médico, investigador e professor universitário cuja formação democrática e oposição ao Estado Novo levou a ditadura a aposentá-lo compulsivamente da Faculdade de Medicina, em junho de 1947 – pela célebre depuração do Decreto 25 317/47 – , mas nem tal o impediu de continuar a lutar pelas liberdades públicas. Em 1950 foi o presidente da Comissão Administrativa da Liga dos Direitos do Homem e a 2 de janeiro de 1960 conseguiu a sua reanimação, assumindo a presidência em maio desse ano, sendo a associação filiada na Fedération Internationale des Droits de L’Homme.

Nascido na então freguesia de S. Paulo (hoje território da freguesia da Misericórdia), concluiu a sua licenciatura na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1924, com a tese de licenciatura Contribuição para o estudo das células de Nicolas e passou logo a professor assistente de Histologia, função que desempenhou até 1943. Ainda estudante foi um fundadores e dirigentes da Liga da Mocidade Republicana e integrou o Batalhão Académico que em junho de 1919 desencadeou o assalto a Monsanto contra as forças que defendiam a Monarquia do Norte. E a partir daqui, Dias Amado esteve em permanente luta contra o Estado Novo sendo a sua história da sua vida paralela à luta contra a ditadura. Em 1931 aderiu à Aliança Republicana e Socialista, juntamente com José Mendes Cabeçadas e Joaquim de Carvalho, para além de integrar a  tentativa de revolta de 26 de agosto de 1931, criando com Carlos Aboim Inglês, João Lopes Raimundo e Basílio Lopes Pereira, um grupo revolucionário com o propósito de ajudar a derrubar a ditadura e a restaurar as liberdades fundamentais e, em 1934, integrou a Liga Contra a Guerra e o Fascismo. Em 1937 tornou-se assistente do Serviço de Análise Clínicas do Hospitais Civis de Lisboa, para além de ter colaborado nos Congressos de Anatomia de 1933 e 1941.

Na década de quarenta, doutorou-se com a tese Complexos neuro-epiteliais e neuro-epitelióides em 1942, no mesmo ano em que integrou o Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista que se viria a transformar na União Socialista em 1944, de que viria a ser um dos fundadores, para além de em 1943-1944 participar no Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (M.U.N.A.F.) e em 1945 no Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.). O título da sua obra Organização da Matéria Viva foi alvo  de censura e o Secretariado de Propaganda Nacional elaborou um relatório sobre o livro em maio de 1942Seguiu-se o seu envolvimento na campanha eleitoral de 1948 de Norton de Matos, tendo sido preso em 19 de agosto de 1948, e ainda antes, por decreto de 18 de junho de 1947 ter sido afastado de assistente na Faculdade de Medicina por motivos políticos, com pena de reforma compulsiva. Em 1949, é um dos apoiantes de dois manifestos publicados sob o título Aos Democratas Portugueses, com vista a atuar nas eleições à Assembleia Nacional em novembro desse ano.

Nos anos cinquenta envolve-se nas campanhas eleitorais de 1951 (Quintão Meireles) e 1958 (Humberto Delgado). Em 1957, era membro do Movimento Nacional de Defesa da Paz e da Comissão Cívica Eleitoral para além de ser um dos signatários da exposição enviada ao Presidente da República no dia 1 de outubro, explicando os motivos pelos quais a oposição não se apresentava a sufrágio. No ano seguinte, foi escolhido para a Comissão Nacional Pró-Candidatura do Engº. Cunha Leal à Presidência da República, candidatura que não vingou e Dias Amado fez depois parte da comissão central dos serviços de candidatura do general Humberto Delgado.

Na década de sessenta, logo em 1961 é subscritor do Programa para a Democratização da República, pelo que foi preso durante alguns dias mas também candidato a deputado pela oposição, pelo círculo de Lisboa, juntamente com João Maria Paulo Varela Gomes, Nikias Skapinakis, Augusto Casimiro dos Santos e Agostinho de Sá Vieira, entre outros. Em dezembro de 1963 voltou a ser preso por pertencer às Juntas de Ação Patriótica, junto com Mário Cal Brandão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel de Oliveira (o realizador de cinema), Jaime Moreira, Pedro Alvim, Manuel Durão, entre muitos outros, tendo sido julgado em outubro do ano seguinte e absolvido. Foi ainda um dos fundadores da Ação Socialista Portuguesa. Em fevereiro de 1969 foi um dos subscritores da Exposição da Comissão Promotora do Voto, junto com muitos outros como Alçada Baptista, Alfredo Barroso, Álvaro Salema, António Galhordas, Emídio Santana, Fernando Namora, Francisco Pereira de Moura, Gonçalo Ribeiro Teles, Gustavo Soromenho, Henrique de Barros, João Bénard da Costa, Joel Serrão, José Gomes Ferreira, José Guimarães, Lindley Cintra, Maria Joana de Meneses Lopes, Maria Keil Amaral, Nuno Brederode Santos, Nuno Portas, Rui Grácio, Sottomayor Cardia e Virgílio Ferreira.

Já nos anos setenta foi um dos autores da exposição de 1971 entregue na Assembleia Nacional reclamando um conjunto de liberdades e direitos fundamentais, entre os quais o direito à resistência à violência e ao arbítrio, procurando impedir as situações de deportação ou exílio e limitar as prisões a um período máximo de 24 horas e não por tempo indefinido. Em 1973, é um dos subscritores do manifesto A Nação, onde se insurge contra os falsos sinais de liberalização introduzidos pelo governo de Marcelo Caetano. Só após o 25 de Abril de 1974 foi reintegrado na Universidade e simbolicamente, como professor catedrático.

O Prof. Dias Amado,  iniciado na Loja Madrugada em 1928, primeiro com o nome de Garcia de Orta e após a ilegalização da Maçonaria como Zacuto Lusitano, foi ainda Grão-Mestre Adjunto (1957-1974) e após renúncia de Luís Gonçalves Rebordão, de forma interina foi Presidente do Conselho da Ordem (1957-1974) e, mais tarde, Grão-Mestre interino, depois definitivo (1974-1981) e segundo o Prof. Oliveira Marques foi um dos grandes responsáveis pela manutenção da atividade maçónica durante a clandestinidade e depois na reorganização após Abril de 1974.

O Prof. Luís Dias Amado também trabalhou como investigador voluntário do  Instituto Português de Oncologia e publicou inúmeros  trabalhos na sua área de especialidade e obras de divulgação na Biblioteca Cosmos, dirigida também ela por um conhecido opositor do regime Bento de Jesus Caraça, assim como pertenceu à Universidade Popular Portuguesa, Sociedade Portuguesa de Anatomia, Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais e Sociedade Portuguesa de Biologia.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua de São Lázaro ou 20 de Abril de 1911

A Rua Vinte de Abril em 1927 (à esquerda)
Foto: Eduardo Portugal (Arquivo Municipal de Lisboa)

Na 2ª reunião da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa após o 25 de Abril, em 20 dezembro de 1974, foi analisada uma carta  Alberto Bastos Flores que entre diversos pedidos solicitava a alteração da Rua de São Lázaro para  Rua Vinte Abril, data da assinatura da Lei da Separação da Igreja e do Estado em 1911.

O topónimo São Lázaro está ligado à Gafaria do mesmo nome, uma das mais antigas instituições públicas de assistência de Lisboa, estando documentada pelo menos desde 1220. O hospital foi criado para nele serem acolhidos e isolados os leprosos, denominados então como gafos, gafados ou doentes do mal de São Lázaro, começando pelos oriundos da Gafaria de Lisboa – que se situava onde hoje encontramos a esquina da Rua Vítor Cordon com o Largo da Academia Nacional de Belas Artes -, desta feita sob a responsabilidade dos cavaleiros hospitalários de São Lázaro, ordem religioso-militar fundada em Jerusalém em 1098. No séc. XIV era este Hospital administrado pelo Senado da Câmara Municipal de Lisboa, sob direção da Coroa. No séc. XIX, o Decreto de 11 de novembro de 1844 entregou a administração deste Hospital à Comissão Administrativa da Misericórdia de Lisboa e ao Hospital Real de S. José.  Em 1918, face à falta de condições, o Enfermeiro Mor, Dr. Lobo Alves, mandou transferir os gafos para os Pavilhões do Hospital do Rego, de onde saíram em definitivo a partir de 1947, para a Leprosaria Rovisco Pais, na Tocha (hoje, um Centro de Medicina de Reabilitação).

Afonso Costa (ao centro da mesa) assina a Lei da Separação da Igreja do Estado, em 20 de abril de 1911
(Foto: Anselmo Franco, Arquivo Municipal de Lisboa)

Já a Rua Vinte de Abril nasceu por via do edital municipal de 14 de outubro de 1915, ou seja, no período da I República, na Rua de São Lázaro, no âmbito da comemoração do 4º aniversário da Lei da Separação da Igreja e do Estado,  da autoria de Afonso Costa, enquanto ministro da Justiça. Dela importa destacar os primeiros 4 artigos que definiam os valores fundamentais da separação de um estado laico de um estado religioso:  liberdade de consciência para os portugueses e estrangeiros (1º); religião católica deixa de ser religião do estado (2º); ninguém pode ser perseguido por motivos de religião (3º); a república não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum (4º).

Mais tarde, no processo de eliminar os topónimos republicanos, na maior parte das vezes substituindo-os pelos anteriores, a edilidade lisboeta nomeada pelo Estado Novo, voltou a denominá-la como Rua de São Lázaro pelo Edital de 19 de agosto de 1937,  justificando que «algumas destas ruas (que foram alteradas, como esta) não conseguiram com a moderna toponímia apagar na memória da população a sua designação anterior».

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós-25 de Abril acabou por não voltar a alterar o topónimo tomando em conta os inconvenientes que acarretaria para os munícipes.

Freguesias de Santa Maria Maior e Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Avenida Sidónio Pais que esteve para ser trocada por outra figura republicana

Avenida Sidónio Pais – Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Sidónio Pais foi uma das artérias que após o 25 de Abril recebeu diversos pedidos de alterações, nomeadamente que fosse Avenida Doutor Afonso Costa, e parte dela chegou a ser, no papel, a Avenida Bernardino Machado.

Logo na 2ª reunião da Comissão Municipal de Toponímia após o 25 de Abril, em 20 dezembro de 1974, foi analisada uma carta do cidadão Alberto Bastos Flores na qual este solicitava que a Avenida Sidónio Pais passasse a ter a Doutor Afonso Costa como denominação. De igual modo, apontava mais pedidos de alterações e sugeria como possíveis futuros topónimos lisboetas os nomes de Abel Salazar, António Sérgio,  Catarina Eufémia, Cuba, Ferreira de Castro e Jaime Cortesão, tendo a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa registado e respondido que «irá considerá-las na devida oportunidade. Entretanto, entende desde já pertinente que o topónimo Praça do Ultramar seja alterado para Praça das Novas Nações, justificando dessa forma, os topónimos que a rodeiam, como Rua de Timor, Rua de Angola, Rua de Moçambique e outros.»

Em relação ao nome de Afonso Costa, um dos Primeiros Ministros da I República, no tempo da Presidência de Bernardino Machado, a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós-25 de Abril, na sua reunião de 29 de junho de 1976, sugeriu que fosse o topónimo para o arruamento situado a Norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho ( que desde 1982 é a Alameda Cardeal Cerejeira), mas já após as eleições autárquicas que colocaram Aquilino Ribeiro Machado como o 1º Presidente eleito da CML após o 25 de Abril, a Comissão de Toponímia sugeriu que ficasse antes num arruamento com maior extensão «que, partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente e é vulgarmente designada por prolongamento da Avenida João XXI», que antes havia estado pendente para ser a Avenida Humberto Delgado.

Também na reunião de 6 de julho de 1976, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa indicou o troço da Avenida Sidónio Pais compreendido entre a Avenida Afonso Costa e a Rua Marquês de Fronteira para ser a  Avenida Bernardino Machado, com o a legenda « 1851 – 1944». Contudo, as atas são omissas em relação ao desenvolvimento desta hipótese e Bernardino Machado acabou por ser homenageado numa Praça da freguesia do Lumiar em 1985.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida de Sidónio Pais, que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à Rua Marquês de Fronteira, é um arruamento nascido do Edital municipal de 22 de junho de 1948 no que antes era identificado como arruamento a Oriente do Parque Eduardo VII entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Fronteira.

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais (Caminha/01.05.1872 – 14.12.1918/Lisboa), conhecido como o Rei-Presidente, falecera cerca de 30 anos antes em plena Estação do Rossio,  vítima de um atentado. Militar de carreira, também era licenciado em Matemáticas, pela Universidade de Coimbra, onde aderiu à causa republicana. Após a implantação da República em 1910, foi eleito deputado à Constituinte que elaborou a Constituição Portuguesa de 1911; Ministro do Fomento do Governo de  João Chagas (1911); Ministro das Finanças (1911-1912); embaixador de Portugal em Berlim (1912- 1916), até à declaração de guerra da Alemanha a Portugal.

Regressado a Portugal, mostrou-se como figura principal de contestação ao Governo do Partido Democrático e encabeçou o golpe de estado de 5 de dezembro de 1917, tomando posse como Presidente do Ministério no dia 11 e acumulando as pastas da Guerra e  Negócios Estrangeiros, para além de a partir de dia 27 assumir ainda as funções de Presidente da República, num regime que designou como República Nova. A 9 de Maio do ano seguinte foi eleito Presidente da República por sufrágio direto, considerando que apesar do desaire da Batalha de La Lys e de problemas sociais e económicos  Sidónio Pais conseguia apoio popular com a  distribuição da sopa dos pobres (conhecida como Sopa do Sidónio) ou  a visita a hospitais na altura da Gripe Espanhola. No entanto, muitos o o consideravam um traidor aos ideais da República pelo que no 1º aniversário do golpe de estado que o colocou no poder sofreu um atentado de que escapou, para 9 dias depois falecer, a tiro, noutro, na Estação do Rossio.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua dedicada ao Alferes Malheiro, do 31 de janeiro de 1891 para capitão do exército brasileiro

Freguesia de Alvalade                                                                                             (Foto: Sérgio Dias)

Após desempenhar um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891 o Alferes Malheiro teve de fugir para o Brasil, onde foi reconhecido como capitão honorário do exército brasileiro, teve na toponímia de Lisboa a consagração em dois locais distintos.

Primeiro, por Edital municipal de 8 de junho de 1925, cerca de 6 meses após o seu falecimento, deu nome à Avenida do Parque ao Campo Grande, como Avenida Alferes Malheiro e a legenda «Precursor do regime Republicano». Assim se manteve até o Edital de 23 de dezembro de 1948 transformar esta artéria em Avenida do Brasil e o Alferes  Malheiro ficar num limbo durante quase 23 anos para voltar à toponímia como Rua, pelo Edital municipal de 9 de agosto de 1971, no arruamento de ligação entre a Avenida do Brasil e o prolongamento da Rua Marquês do Soveral, tendo como legenda apenas os anos de nascimento e morte.

Refira-se que na zona do Campo Grande havia sido fundado a 7 de dezembro de 1908 o Centro Escolar Republicano Alferes Malheiro, cuja  primeira sede foi na Rua Oriental do Campo Grande, nº 111, passando depois para a Rua Ocidental, nº 225, onde esteve durante 18 anos, para em 1930 mudar novamente, desta feita para o Campo Grande nº 290.

alferes-malheiroAugusto Rodolfo da Costa Malheiro (Porto/19.01.1869-09.12.1924/Lisboa), foi um oficial do Exército português desde 1886, que incorporado no Batalhão de Caçadores 9, teve um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891, no Porto, o primeiro movimento para implantação da República em Portugal. Gorada a revolta fugiu para Espanha e daí partiu de Vigo para o Brasil, tendo sido julgado como desertor por um Tribunal Militar. Instalou-se em Minas Gerais onde frequentou o curso de Engenharia e após o concluir envolveu-se na revolução brasileira surgindo na chefia dos alunos da Escola Militar com a intenção de pôr termo à acção dos revoltosos sob o comando de Saldanha da Gama. Foi ferido em combate e, fruto do reconhecimento do Governo brasileiro pelos serviços prestados tornou-se capitão honorário do exército brasileiro. A sua reintegração no Exército Português foi decretada após a Proclamação da República, e dela teve conhecimento o Alferes Malheiro a 22 de novembro de 1910, na cidade da Baía, de onde escreveu uma carta de agradecimento ao então Ministro da Guerra, o General Correia Barreto, e ao Governo Provisório Republicano.

Regressado a Portugal, ocupou o posto de capitão no Regimento de Infantaria 16. Insistiu em acompanhar o batalhão expedicionário a Angola como voluntário, durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra,  comandou  em 1919 a Coluna Negra, destinada a combater a Monarquia do Norte,  em Monsanto e no Norte do País.

Deixou parte dos seus bens para o Centro Escolar Eleitoral Republicano Alferes Malheiro, que em 1910 tinha já uma Escola Primária, para ambos os sexos. Em 11 de novembro de 1987, este Centro foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade, Grau Membro Honorário, pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Para além de Lisboa, o Alferes Malheiro também está consagrado na toponímia do Porto, com uma Rua do Alferes Malheiro, em Beja, com uma Travessa e na Charneca da Caparica como Rua Augusto da Costa Malheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

O Largo dos Defensores da República de 1916

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Confinado entre a Avenida de Santos e Castro e a Estrada de São Bartolomeu, encontramos hoje o Largo dos Defensores da República, na Freguesia de Santa Clara, um topónimo de 1916.

Foi pelo Edital municipal de 28 de agosto de 1916 que o Largo da Igreja, espaço onde se encontrava desde 1685 a Igreja  de São Bartolomeu da Charneca – paróquia da freguesia da Charneca que em 1911 tinha 1267 residentes -, e que se constituía como o Rossio do lugar, o espaço de concentração e convívio da população local, passou a denominar-se Largo dos Defensores da República, seguindo a prática da I República de substituir os topónimos religiosos por figuras e valores republicanos, sobretudo quando se tratavam dos arruamentos emblemáticos e de paragem e convívio da população de um bairro, de uma vila ou duma cidade.

No tempo da I República, quando a Rádio era ainda um conjunto de experiências, a Televisão um sonho e o único meio de comunicação existente, o Jornal, servia apenas a minoria da população que sabia ler – cerca de 25% – os topónimos de cada lugar converteram-se num veículo privilegiado de difusão da República e dos seus ideais por todo o país. Os nomes dos arruamentos principais de cada terra e de ponto de encontro foram também um veículo de divulgação dos valores republicanos em Portugal.

O Largo da Igreja em 1906                                   (Planta: Júlio Silva Pinto e Alberto Sá Correia)

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

O Largo dos Defensores da República hoje, na Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Marcelino de Mesquita na 2ª fase do Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

O médico, dramaturgo e jornalista Marcelino de Mesquita  foi perpetuado numa artéria do Bairro dos Aliados na sua 2ª fase de atribuição de topónimos, através do Edital municipal de 31 de março de 1932.

Marcelino de Mesquita ficou na Rua nº 6 do Bairro dos Aliados, a ligar a Rua Egas Moniz à Rua Barão de Sabrosa, e o mesmo Edital fixou o nome do jornalista e escritor Alberto Pimentel (Rua nº 3) e do diretor da Real Fábrica das Sedas José Acúrcio das Neves (Rua nº 7).

Já antes, por uma deliberação camarária de 1925 que nunca teve Edital, o Jardim das Amoreiras passou a designar-se Jardim Marcelino Mesquita, já que o homenageado vivera e falecera na Rua das Amoreiras.

O Branco e Negro, 18 de março de 1899

O Branco e Negro, 18 de março de 1899

Marcelino António da Silva Mesquita (Cartaxo/01.09.1856 – 07.07.1919/Cartaxo) aos 15 anos morava num quarto na Rua da Rosa e estudou na Escola Académica, na Politécnica e tendo morado também num hotel do Largo de São Paulo acabou por se formar em Medicina em 1885 na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa mas apesar de ter publicado um livro de poemas intitulado Meridionais (1882) sempre dedicou particular atenção foi ao teatro, tendo começado com a comédia em cinco actos Pérola – Episódio da vida académica (1885), que  por ter a prostituição e  a boémia como tema provocou escândalo, a que se seguiram O Senhor Barão (1887) e  o drama histórico Leonor Teles (1889), que foi o seu primeiro êxito, e posteriormente transformou num romance histórico, sendo ainda de destacar A Noite do Calvário (1903) impedida pela comissão de censura de subir a palco, Margarida do Monte (1910) prefaciado por Teófilo Braga e os inúmeros êxitos de crítica e de público que conseguiu, quer em Portugal quer no Brasil.

Em 1886, ano do seu 1º casamento, fixou-se no Cartaxo onde exerceu clínica e comprou a tipografia Cartaxense e o jornal O Povo do Cartaxo, mudando-lhe o nome para O Cronista, vendendo tudo dois anos depois para vir residir em Lisboa, para a Rua das Amoreiras nº 198, e nesta cidade fundou e dirigiu o jornal satírico A Comédia Portuguesa (1888) e o diário Portugal (1891), bem como foi o diretor literário da Parodia: comedia portugueza (1903- 1907), que em 1903 se fundiu  com a A Paródia (1900-1902) de Rafael Bordalo Pinheiro, para além de ter colaborado em Ribaltas e Gambiarras, Jornal do Domingo, O Branco e Negro, A Imprensa, Serões, Revista do Conservatório Real de Lisboa e Revista de turismo.

Da sua participação política recorde-se que foi deputado do Partido Regenerador pelo Círculo da Guarda (1890 a 1892), participou no movimento do opositor ao Ultimatum de 1890, recusou a condecoração proposta pelo rei D. Carlos (1899) informando ser republicano, ministrou um curso de Ciências Naturais no Centro Escolar Republicano do Cartaxo (1907) e em em 1918, integrou  a embaixada de intelectuais enviada por Portugal ao Brasil.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Casimiro Freire, o mecenas das Escolas Móveis João de Deus, no Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Casimiro Freire, o mecenas republicano que em 1882 fundou a  Associação de Escolas Móveis pelo Método de João de Deus, dá nome a uma rua do Bairro dos Aliados, com a legenda «Apóstolo da Instrução Popular/Século XIX», desde junho de 1926.

Casimiro Freire foi fixado na Rua nº 5 do Bairro dos Aliados à Rua Carvalho Araújo, nos terrenos do antigo Areeiro também conhecido como Quinta do Bacalhau, pela deliberação camarária de 12 de junho de 1926 e edital de dia 25 do mesmo mês. Pelo mesmo edital foi também homenageado, na Rua nº 4,  João de Menezes , um «Precursor do Regime Republicano/Século XIX».

Casimiro Freire (Sertã – Pedrogão Pequeno/08.10.1843 – 20.10.1918/Lisboa) era um comerciante e industrial cuja prosperidade o tornou num mecenas da alfabetização. Assim, publicou em 29 e 30 de março de 1881, no jornal O Século, um artigo intitulado «A instrução do povo e a monarquia», onde se insurgia contra a incúria dos governos monárquicos no combate ao analfabetismo e propunha que fossem enviados aos mais recônditos lugares de Portugal missões de alfabetização de professores habilitados que ensinassem a ler e a escrever. Numa época em que 80% da população portuguesa era iletrada, Casimiro Freire fundou em 18 de maio de 1882, com João de Deus, a Associação das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus e em 1897 publicou também em folheto uma representação à Câmara dos Deputados intitulada A Instrução do Povo e o Método de João de Deus. Acompanharam-no nessa iniciativa personalidades, como João de Barros, Bernardino Machado, Jaime Magalhães Lima, Francisco Teixeira de Queiroz, Ana de Castro Osório e Homem Cristo, entre outros. Cedeu a João de Deus, um primeiro andar dos armazéns onde trabalhava, no Largo do Terreiro do Trigo, para ser a sede da Associação de Escolas Móveis pelo Método de João de Deus.

Mais tarde, em 1915, por decreto de 5 de junho do Ministro da Instrução Pública, Sebastião Magalhães Lima, foi encarregue da catalogação e organização do Museu Bibliográfico, Pedagógico e Artístico João de Deus, serviço que concluiu em 30 de junho de 1916. E por decreto de 23 de dezembro de 1916, também lhe foi destinada a guarda e conservação do museu até à sua instalação definitiva junto ao Jardim-Escola João de Deus, na Avenida Álvares Cabral.

Republicano desde 1862, foi em 1876 um dos fundadores do primeiro Centro Republicano com Oliveira Marreca e Sousa Brandão entre outros, e em 1899, a partir da comissão paroquial republicana da freguesia de Santa Isabel foi eleito para o diretório do Partido Republicano Português. Em 1884 foi eleito vereador por Lisboa, mas o apuramento na Câmara Municipal não lhe confirmou a votação mas já em 1911 foi o mais votado da Junta Consultiva do Partido Republicano. Colaborou também na imprensa republicana, nomeadamente no Democracia (1873) – jornal dirigido por Elias Garcia -, e no Vanguarda.

Casou com Maria Madalena Battaglia, sogra de João de Deus, no segundo casamento desta, e com ela residiu nº 20 C-1º da Rua das Gaivotas.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)