Professores na Toponímia de Lisboa

Seguindo uma sugestão do nosso leitor Pedro Guerra, dedicaremos o mês de regresso às aulas aos professores que estão presentes na toponímia de Lisboa, qualquer que seja o grau ou tipo de ensino a que se dedicaram.

Aqueles que já aqui foram referidos em ocasiões anteriores são, por ordem alfabética do nome:

Rua Prof. Adelino da Palma Carlos (freguesia de Santa Clara)
Rua Adriana de Vecchi (freguesia do Lumiar)
Avenida Afonso Costa (freguesia do Areeiro)
Rua Afonso Praça (freguesia de Belém)
Rua Agostinho Lourenço (freguesia do Areeiro)
Largo Agostinho da Silva (freguesias da Misericórdia e de Santo António )
Rua Alberto José Pessoa (freguesia de Marvila)
Rua Dr. Almeida Amaral (freguesias de Santo António e de Arroios)
Rua Álvaro Benamor (freguesia de Carnide)
Rua Álvaro Machado (freguesia de Marvila)
Rua Alexandre Rey Colaço (freguesia de Alvalade)
Avenida Doutor Alfredo Bensaúde (freguesia dos Olivais)
Rua Alfredo Roque Gameiro (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Alfredo Soares (freguesia de Belém)
Rua Alice Pestana (freguesia de Belém)
Rua Prof. Almeida Lima (freguesia de Carnide)
Rua Angelina Vidal (freguesias de Arroios e da Penha de França)
Avenida António Augusto de Aguiar (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Doutor António Cândido (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Prof. António Flores (freguesia de Alvalade)
Rua António Gedeão (freguesia de Marvila)
Rua Doutor António Martins (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Dr. António Ribeiro dos Santos (freguesias de Belém e da Ajuda)
Alameda António Sérgio (freguesia de Santa Clara)
Jardim Prof. António de Sousa Franco (freguesia do Lumiar)
Rua Padre António Vieira (freguesias das Avenidas Novas e de Campolide)
Rua Armando Ferreira (freguesia de Santa Clara)
Rua Presidente Arriaga (freguesia da Estrela)
Jardim Augusto Monjardino (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Augusto Pina (freguesia de São Domingos de Benfica)
Avenida Barbosa du Bocage (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Conselheiro Barjona de Freitas (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Basílio Teles (freguesias de Campolide e de São Domingos de Benfica)
Praça Bernardino Machado (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Branco Rodrigues (freguesias da Misericórdia e de Santo António)
Rua Câmara Pestana (freguesia de Arroios)
Rua Cândido de Figueiredo (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Carlos George (freguesia dos Olivais)
Rua Carlos Reis (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Carolina Michaëlis de Vasconcelos (freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica)
Largo Castro Soromenho (freguesia dos Olivais)
Rua Cecília Meireles (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Cesina Adães Bermudes (freguesia de Carnide)
Avenida Columbano Bordalo Pinheiro (freguesias de São Domingos de Benfica e de Campolide)
Rua Conde de Ficalho (freguesia de Alvalade)
Rua Constança Capdeville (freguesia de Santa Clara)
Rua Costa Malheiro (freguesia dos Olivais)
Rua Prof. Delfim Santos (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Dias Amado (freguesia do Lumiar)
Rua Dinah Silveira de Queiroz (freguesia de Marvila)
Rua Domingos Bomtempo (freguesia de Alvalade)
Rua Domingos Rebelo (freguesia de Carnide)
Rua Domingos Sequeira (freguesias da Estrela e de Campo de Ourique)
Jardim Ducla Soares (freguesia de Belém)
Alameda Edgar Cardoso (freguesia das Avenidas Novas)
Praça Eduardo Mondlane (freguesia de Marvila)
Rua Dr. Eduardo Neves (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Prof. Egas Moniz (freguesia de Alvalade)
Rua Abade Faria (freguesia do Areeiro)
Rua Doutor Faria de Vasconcelos (freguesia do Beato)
Rua Fernando Lopes Graça (freguesia do Lumiar)
Rua Fernando Piteira Santos (freguesia de Carnide)
Rua Filipe Duarte (freguesia do Lumiar)
Rua Filipe Folque (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Francine Benoit (freguesia do Lumiar)
Rua Francisco Baía (freguesia de São Domingos de Benfica)
Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral (freguesia do Lumiar)
Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (freguesia dos Olivais)
Rua Francisco Metrass (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Prof. Francisco Pereira de Moura (freguesia de Carnide)
Rua Francisco Sanches (freguesia de Arroios)
Rua Frederico George (freguesia do Lumiar)
Rua Freitas Gazul (freguesia de Campo de Ourique)
Avenida Professor Gama Pinto (freguesia de Alvalade)
Rua Prof. Georges Zbyszewski (freguesia do Lumiar)
Rua Ginestal Machado (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Prof. Hernâni Cidade (freguesia do Lumiar)
Rua Ildefonso Borges (freguesia da Ajuda)
Rua Irene Lisboa (freguesia de Benfica)
Rua Jaime Batalha Reis (freguesia de Benfica)
Rua Jaime Cortesão (freguesia de Marvila)
Rua Jaime Lopes Dias (freguesia do Lumiar)
Rua João Hogan (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Actor João Rosa (freguesia do Areeiro)
Rua João dos Santos (freguesia da Ajuda)
Rua Dr. João Soares (freguesia de Alvalade)
Rua Padre Joaquim Aguiar (freguesia dos Olivais)
Rua Joaquim António de Aguiar (freguesias das Avenidas Novas e de Santo António)
Rua Joaquim Fiadeiro (freguesia da Ajuda)
Jardim Jorge Luis Borges (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Jorge de Sena (freguesia de Santa Clara)
Rua Prof. Jorge da Silva Horta (freguesia de Benfica)
Rua Jorge Vieira (freguesia de Carnide)
Rua Dr. José Baptista de Sousa (freguesia de Benfica)
Rua José Carlos dos Santos (freguesia de Alvalade)
Largo José Luís Champalimaud (freguesia das Avenidas Novas)
Rua José Maria Rodrigues (freguesia de Alcântara)
Rua José Marinho (freguesia de Benfica)
Rua José Pedro Machado (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. José Sebastião e Silva (freguesia de Benfica)
Rua José Sobral Cid (freguesia do Beato)
Avenida Júlio Dinis (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Júlio Silva Pinto (freguesia de Belém)
Rua Dr. Lacerda e Almeida (freguesia da Penha de França)
Rua Ladislau Patrício (freguesia do Lumiar)
Rua Leite de Vasconcelos (freguesia de São Vicente)
Rua Lopes de Mendonça (freguesia de Alvalade)
Rua Luciana Stegagno Picchio (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Luciano Cordeiro (freguesia de Santo António)
Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque (freguesia da Misericórdia)
Rua Luís Barbosa (freguesia do Beato)
Rua Luís de Freitas Branco (freguesia do Lumiar)
Rua Luís Piçarra (freguesia do Lumiar)
Rua Manuel António Gomes (freguesia de Santa Clara)
Rua Manuel de Azevedo Fortes (freguesia de Campolide)
Rua Frei Manuel do Cenáculo (freguesia da Penha de França)
Rua Engenheiro Manuel Rocha (freguesia de Alvalade)
Rua Prof. Manuel Valadares (freguesia de Santa Clara)
Rua Profª Margarida Vieira Mendes (freguesia do Areeiro)
Largo Maria Isabel Aboim Inglês (freguesia de Belém)
Rua Profª Maria de Lurdes Belchior (freguesia do Areeiro)
Rua Maria Matos (freguesia de Benfica)
Rua Prof. Mário Chicó (freguesia do Lumiar)
Rua Mário Dionísio (freguesia do Lumiar)
Avenida Dr. Mário Moutinho (freguesia de Belém)
Rua Martens Ferrão (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Miguel Nogueira Júnior (freguesia de Marvila)
Rua Professor Mira Fernandes (freguesias do Areeiro e do Beato)
Rua Prof. Moisés Amazalak (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Moniz Pereira (freguesia do Lumiar)
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Newton (freguesia de Arroios)
Rua Nina Pereira (freguesia de Benfica)
Rua Dr. Oliveira Ramos (freguesia da Penha de França)
Rua Professor Orlando Ribeiro (freguesia do Lumiar)
Rua Pardal Monteiro (freguesia de Marvila)
Rua Pascoal de Melo (freguesia de Arroios)
Praça Pasteur (freguesia do Areeiro)
Rua Paul Choffat (freguesia de Alvalade)
Rua Pedro Calmon (freguesia de Alcântara)
Rua Pinheiro Chagas (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Prof. Prado Coelho (freguesia do Lumiar)
Rua Ricardo Jorge  (freguesia de Alvalade)
Rua Roberto Duarte Silva (freguesia de São Domingos de Benfica)
Alameda Roentgen (freguesia de Carnide)
Largo Roque Laia (freguesia do Areeiro)
Rua Ruben A. Leitão (freguesia da Misericórdia)
Rua Sá Nogueira (freguesia da Ajuda)
Rua Sabino de Sousa (freguesia da Penha de França)
Rua Professor Santos Lucas (freguesia de Benfica)
Rua Santos Pinto (freguesia da Estrela)
Rua Padre Sena de Freitas (freguesia da Penha de França)
Rua Simões de Almeida (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Sousa Martins (freguesia de Arroios)
Rua Teixeira Lopes (freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente)
Rua Doutor Teófilo Braga (freguesia da Estrela)
Rua Profª Teresa Ambrósio (freguesia de Alvalade)
Rua Tierno Galvan (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Tomás da Anunciação (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Tomás Borba (freguesia do Areeiro)
Rua Tomás Cabreira (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Tomás del Negro (freguesia do Lumiar)
Rua General Vassalo e Silva (freguesia do Beato)
Rua Professor Veiga Beirão (freguesia de Alvalade)
Rua Veloso Salgado (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Vergílio Ferreira (freguesia de Marvila)
Rua Profª. Virgínia Rau (freguesia do Lumiar)
Largo Vitorino Damásio (freguesia da Estrela)

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Quatro médicos militares na toponímia de Lisboa em 1970

Francisco Luís Gomes

Em 1970, nove anos após o início da Guerra Colonial, foram colocados na toponímia de Lisboa quatro médicos militares, com a característica comum de terem prestado serviço no Hospital Militar de Lisboa e/ou nos territórios que eram colónias na época: Francisco Luís Gomes, José Baptista de Sousa, Mário Moutinho e Nicolau de Bettencourt.

O primeiro caso ocorreu através do Edital  municipal de 14 de fevereiro e foi a  Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (na freguesia dos Olivais), a que se seguiu no Edital de  dia 17  a Avenida Dr. Mário Moutinho (Belém), e que se completou no Edital de 31 de março com a Rua Dr. José Baptista de Sousa (Benfica) e a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (Avenidas Novas).

A Avenida Dr. Francisco Luís Gomes foi atribuída com a legenda «Médico e Escritor/1829 – 1869» no arruamento que começa na Avenida de Berlim (junto à Piscina), no topo das Avenidas Infante Dom Henrique e Dr. Alfredo Bensaúde, para homenagear o cidadão que nasceu em 1829 na Índia e se licenciou em Medicina pela Escola de Goa (1850), tendo sido Cirurgião-mor  do exército português na Índia a partir de 1860, e ainda o autor de A Economia Rural da Índia Portuguesa, entre outras obras. Este topónimo é único no país.

Mário Moutinho

Mário Moutinho

A Avenida Dr. Mário Moutinho, nasceu com a legenda «Oftalmologista/1877-1961», para perpetuar o médico que dirigiu o serviço de Oftalmologia do Hospital Militar Principal de Lisboa a partir de 1909, e que nove anos depois foi seu subdiretor e mais tarde, diretor. Também este é um topónimo exclusivo de Lisboa.

No último dia do mês de março foram atribuídas a Rua Dr. José Baptista de Sousa/ Coronel Médico/1904 – 1967 na  Rua B à Travessa da Granja na freguesia de Benfica, bem como a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt/ Brigadeiro-Médico/1900 – 1965 no troço da Estrada de Benfica compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo então  vulgarmente conhecido como Praça de Espanha,  e as legendas destes dois topónimos expressam claramente a componente militar destes homenageados, sendo neste sentido os dois primeiros na toponímia de Lisboa em que a referência militar se liga à medicina.

A escolha do coronel-médico alfacinha  José Baptista de Sousa foi sugerida por um cidadão de seu nome Eduardo Mimoso Serra e a atribuição do nome de Nicolau de Bettencourt resultou de um pedido dos C.T.T. para que houvesse topónimo que evitasse equívocos na distribuição de correio naquela artéria.

José Baptista de Sousa

José Baptista de Sousa

Baptista de Sousa integrou as Forças Expedicionárias a Cabo Verde, e permaneceu em S. Vicente de 22 de fevereiro de 1942 até 10 de setembro de 1944, como diretor do Hospital Militar Principal de Cabo Verde, trabalhando também para os civis, o que lhe granjeou muitas simpatias locais e o epíteto de engenheiro humano. Ao contrário das orientações oficiais declarou a fome como causa de morte em diversos atestados de óbito, demonstrando coragem cívica. De 1947 a 1950, prestou serviço na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. De 1951 a 1961 foi  Chefe da Clínica Cirúrgica do Hospital Militar Principal de Lisboa e a partir de 1964, foi  Consultor de Cirurgia da Direção do Serviço de Saúde Militar. O Dr. José Baptista de Sousa foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e, em Mindelo (S. Vicente) o hospital passou a denominar-se Hospital Baptista de Sousa. Este topónimo é único no país.

Nicolau José Martins de Bettencourt concluiu o curso de Medicina em 1924 e, dois anos depois, também o curso de Medicina Tropical. Na sua carreira destacou-se como instrutor dos cursos de oficiais milicianos e dos enfermeiros militares das Escolas Centrais de Defesa do Território bem como Inspetor da Instrução do Serviço de Saúde Militar (1960 e 1961); dirigiu o Hospital Militar de Belém (1945 a 1949), o Hospital Militar Principal (a partir de 1957), os Serviços de Saúde Militar (a partir de  1962) e o Serviço de Saúde da Legião Portuguesa. Durante a presidência do general França Borges na Câmara Municipal de Lisboa, foi também vereador, no mandato de 1960 a 1963.  O seu nome integra também a toponímia da Marinha Grande.

Antes da Guerra Colonial apenas dois médicos militares tinham integrado a toponímia de Lisboa, a saber, a Rua Dr. Mascarenhas de Melo com a legenda «1868 – 1950», por Edital municipal de 24/07/1957, para homenagear um diretor do Hospital Militar da Estrela, e pelo Edital de 19/09/1960 foi a Praça Dr. Teixeira de Aragão com a legenda «Escritor-numismata/1823-1903» que perpetuou o diretor do gabinete de numismática e arqueologia do rei D. Luís I.

Após o 25 de Abril foram dois os médicos militares que tiveram a honra de serem topónimos alfacinhas: a  Escadaria José António Marques, com a legenda «Fundador da Cruz Vermelha Portuguesa/1822 – 1884», por via do Edital de 11 de fevereiro de 1985; e a Rua Dr. Bastos Gonçalves, com a legenda «Brigadeiro – Médico/1898 – 1985», pelo Edital de 21 de fevereiro de 2001, em memória daquele que dirigiu a Revista Portuguesa de Medicina Militar.

Nicolau de Bettencourt

Nicolau de Bettencourt

A Avenida do republicano Elias Garcia

Prédio traçado por Ventura Terra no nº 62 da Avenida Elias Garcia com a Avenida da República cerca de 1906 (Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

Prédio traçado por Ventura Terra no nº 62 da Avenida Elias Garcia com a Avenida da República 
(Foto: Alberto Carlos Lima, cerca de 1906, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ventura Terra traçou em 1902 três prédios de rendimento para o republicano Joaquim dos Santos Lima,  na esquina da Avenida José Luciano nº 62 (a partir de 5 de novembro de 1910 passou a ser a Avenida Elias Garcia ) com a Avenida Ressano Garcia nº 46 (Avenida da República também desde 05/11/1910).

O republicano José Elias Garcia que foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 1878 passou a dar nome à Avenida José Luciano pelo Edital municipal de 5 de novembro de 1910, o primeiro de toponímia após a proclamação da República, que incluiu mais 9 topónimos destacando-se os que homenagearam a implantação da República – Avenida da República e Avenida Cinco de Outubro– e figuras republicanas, como o Almirante Cândido dos Reis e Miguel Bombarda.

Elias_Garcia José

José Elias Garcia (Almada-Cacilhas/31.12.1830 –  21.06.1891/Lisboa) foi um político republicano que foi deputado, vereador da edilidade alfacinha com o pelouro de instrução pública (entre 1872 e 1890) em que estabeleceu as escolas centrais, o ensino da ginástica, do desenho de ornato,do canto coral das escolas e as bibliotecas populares, bem como foi até o 25º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa ( de 2 de janeiro a 18 de agosto de 1878).

Coronel de engenharia foi ainda professor de Mecânica Aplicada na Escola do Exército (a partir de 1857), bem como jornalista, tendo fundado diversos jornais republicanos como O Trabalho (1854), O Futuro (1858-1862), A Política Liberal (1862), e sido o redator principal do Jornal de Lisboa (1865) e do Democracia (1873), para além de ter presidido à Assembleia dos Jornalistas e Escritores Portugueses. Também colaborou na revista de pedagogia Froebel, dirigida por Feio Terenas.

Elias Garcia, a partir do célebre grupo do Pátio do Salema (Clube dos Lunáticos), fundou em 1868 o Partido Reformista, de onde veio a resultar o Centro Republicano Democrático Português (1876) e o Partido Republicano e nessa qualidade foi deputado, eleito pela primeira vez em 1870 por Lisboa, sendo depois também eleito pelo Partido Republicano em 1882-1884, 1884-1887 e 1887-1889 e 1890.  Entre 1883 e 1891 presidiu ao Diretório do Partido Republicano.

Desde 1853 Irmão Péricles na Maçonaria Portuguesa, foi o 1.º e único Grão-Mestre  da Federação Maçónica (1863 a 1869),  Grão-Mestre interino do Grande Oriente Lusitano Unido (1884 a 1886), Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido (1887 a 1889) e o seu túmulo no Cemitério do Alto de São João, construído em 1893-94 pelo Grande Oriente Lusitano em terreno cedido pela CML, ostenta um obelisco encimado por uma estrela de cinco raios.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

Manuel Godinho de Herédia, o cartógrafo da Península malaia dos tempos filipinos

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Godinho de Herédia,  cartógrafo luso-malaio a quem o rei Filipe I nomeou como «Descobridor e Adelantado da Nova Índia Meridional», está desde a publicação do Edital municipal de 15/06/1960 na Rua 14 do Bairro de Casas Económicas da Encosta do Restelo.

O Bairro das Casas Económicas da Encosta da Ajuda começou por ter toponímia numérica nas suas 22 artérias, fixada pelo edital municipal de 03/12/1951, como era prática habitual nos bairros sociais. Cerca de nove anos depois, o  edital camarário de 15/06/1960 substituiu essas denominações em números por topónimos relativos a figuras da Expansão Portuguesa dos séculos XV a XVII e assim, a Rua 14 do Bairro de Casas Económicas da Encosta do Restelo passou a homenagear Manuel Godinho de Herédia (Malaca/1558 ou 1563 – c. 1623/Goa), por vezes também grafado como Manuel Godinho de Erédia ou como Emanuel Godinho de Erédia.

O ananás desenhado por Manuel Godinho de Heredia na sua Suma

O ananás desenhado por Manuel Godinho de Herédia na sua Suma

Herédia,  que foi educado pelos jesuítas, empenhou-se em descobrir a Austrália, que ele designava como «ilha do Ouro» e que já nas lendas malaias tinha um papel destacado, embora se ignore se concretizou ou não este plano. A sua ideia era de que a ilha do Ouro se encontrava a noroeste da Austrália que hoje conhecemos, alicerçado nas leituras que fizera de Ptolomeu, Marco Polo e Ludovico di Varthema, bem como nos relatos de viagens malaias coevas, acidentais ou deliberadas, ao sudeste de Timor. Em 1594, Filipe I nomeou-o «Descobridor e Adelantado da Nova Índia Meridional» e, por volta de 1602, o então vice-rei da Índia, Aires de Saldanha, até destacou navios e homens para a viagem de descoberta mas a eclosão de guerras locais levou a que Manuel de Godinho fosse chamado como soldado e engenheiro militar e supõe-se que mais não se terá avançado.

Certo é que foi professor de matemática e se dedicou à geografia e cartografia do Oriente, tendo delineado várias cartas das Índias Orientais e da Ásia, as plantas das praças conquistadas, e é muito possível que em Goa tenha conhecido o cartógrafo Fernão Vaz Dourado. Para além disto, registou os povos, animais e plantas dos locais que percorreu em texto e desenhos. Em Goa, também copiou as cartas que lhe chegavam por marinheiros e construiu um dos  primeiros levantamentos da península malaia. Deixou publicadas, entre outras, por vezes com a referência cosmógrafo-mor, as obras Miscelânea (1610), Plantas de praças das conquistas de Portugal, feitas por ordem de Rui Lourenço de Távora, vizo-rei da India (1610), Discurso sobre a Província do Indostan chamada Mogûl ou Mogôr com declaração do Reino gozarate, e mais Reinos de seu destricto (1611), Suma de Arvores e Plantas da India Intra Ganges (1612) onde apresenta um catálogo ilustrado das plantas do Sudeste Asiático, Declaracam de Malaca e da India Meridional com Cathay (1613), Carta da Ilha de Goa (1616), Livro de Plataformas das Fortalezas da Índia (c. 1620).

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua Comandante Fontoura da Costa, das tábuas náuticas e descobrimentos

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Investigador histórico e cartógrafo/1869 – 1940» foi o Comandante Fontoura da Costa colocado na toponímia de Lisboa, através do Edital de 13/11/1967, na via que era referenciada como Rua Terceira T.E. ou arruamento projetado entre a Estrada Militar e a Estrada do Desvio, ou ainda, arruamento B da Zona adjacente à Calçada de Carriche e Estrada do Desvio.

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa analisara em 16/05/1958 um ofício da Comissão Executiva do 5º Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, solicitando que fossem atribuídos a arruamentos de Lisboa os nomes dos historiadores dos Descobrimentos Luciano Pereira da Silva, Professor António Barbosa, Comandante Fontoura da Costa, Comandante Quirino da Fonseca e Henrique Lopes de Mendonça. Mais tarde, em 22/05/1967, a Comissão tomou conhecimento de um pedido de Henriqueta Vasconcelos Sousa Coutinho para que o nome do Comandante Abel Fontoura da Costa fosse dado a um arruamento. E finalmente, na reunião da Comissão de 03/11/1967, ao analisar uma notícia do Diário de Lisboa, de 27 de Setembro, criticando a falta de denominação dos arruamentos construídos entre a Estrada do Desvio e a Estrada Militar, a Comissão considerou prematura a atribuição de nome aos arruamentos por se tratar de uma zona ainda em  fase de urbanização e sujeita a alterações e considerou apenas aconselhável denominar a Rua Terceira T.E., artéria na qual nasceu a Rua Comandante Fontoura da Costa.

Na Ilustração Portuguesa

Na Ilustração Portuguesa

Abel Fontoura da Costa (Alpiarça/09.12.1869 – 07.12.1940/Lisboa), foi um Oficial da Marinha que  logo em 1901 foi membro da Comissão de Delimitação de Fronteiras entre Angola e o Estado independente do Congo e durante largos anos ensinou na Escola Auxiliar da Marinha (1901 a 1913), como Professor da cadeira de Agulhas, Cronómetros e Navegação, sendo ainda Comandante Superior das Escolas de Marinha (1923). Foi também docente na Escola Náutica  (1924 a 1939), da qual foi  director de 1936 a 1939 tal como já havia sido diretor das Escolas Naval e  de Educação Física da Armada (1932). Publicou, entre outras obras, Aplicação das tábuas de estrada e logaritmos de subtracção do método de Ste Hilaire (1889), Tábuas Náuticas (1907), Marinharia dos Descobrimentos (1933), A Carta de Pêro Vaz de Caminha (1940) Roteiros portugueses inéditos da carreira da Índia do século XVI (1940) e La Science Nautique dês Portuguais à l’époque dês Découvertes (1941), para além de muitos artigos para os Anais do Clube Militar Naval de que se destaca «A Marinharia dos Descobrimentos». Fontoura da Costa também procedeu à compilação das obras completas de Pedro Nunes, à publicação do Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama de Álvaro Velho e ainda organizou uma importante exposição de roteiros portugueses dos séculos XVI e XVII.

Fontoura da Costa desempenhou igualmente funções políticas enquanto governador de Cabo Verde (1915-1917) e Ministro da Agricultura e da Marinha, de 9 de janeiro a 18 de agosto de 1923. Representou Portugal no Congresso de Ciências Históricas de Zurique e foi ainda membro da Academia Portuguesa de Ciências e História e da Comissão organizadora do Museu Naval (1936), bem como presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em 1910. Foi agraciado com a Comenda (1919) e o  Grande-Oficialato (1920) da Ordem Militar de Avis.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Capitão Renato Baptista, engenheiro da Manutenção Militar e da Carta de Lisboa de 1892

Freguesia de Arroios (Foto: Luís Pavão, 2011, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Arroios
(Foto: Luís Pavão, 2011, Arquivo Municipal de Lisboa)

Através do seu edital de 22/11/1900 a Câmara Municipal de Lisboa prestou homenagem ao Capitão Renato Baptista,  que foi quem em 1892 iniciou o levantamento da Carta da cidade de Lisboa que crescera nessa última década do século XIX, atribuindo o seu nome a um arruamento da cidade até aí designado por prolongamento da Vila Amâncio.

Na última década do século XIX, os limites da cidade de Lisboa já não eram os mesmos do início desse século, já que foram expandindo cada vez mais para Este, Oeste e Norte, situação que levou à necessidade de elaborar uma nova planta que abarcasse os novos limites da capital portuguesa. Foi este levantamento que se iniciou em 1892, por intermédio do engenheiro Renato Baptista. Mais tarde e após a sua morte, a Câmara Municipal de Lisboa adjudicou em 1904 trabalho semelhante ao engenheiro Júlio Silva Pinto, que os terminou em 1911. Já em 1891  o Capitão Renato Baptista comandara a primeira companhia do regimento de Artilharia destacado em Moçambique e no seu relatório África Oriental – Reconhecimento para os estudos do caminho de ferro da Beira a Manica efectuado em 1891, incluiu uma carta dos territórios de Manica e Sofala.

Joaquim Narciso Renato Descartes Baptista (Lisboa/ 05.10.1855 – 02.11.1900/Lisboa), capitão de engenharia desde 1884, lente da cadeira de Arquitetura da Escola do Exército, funcionário do gabinete do Ministro da Guerra e ajudante de campo do rei D. Carlos, foi responsável pela obra do quartel dos alunos da Escola do Exército e pelas reformas nas instalações daquele estabelecimento, assim como pela reconstrução e reconversão do antigo edifício conventual das freiras carmelitas ou Grilas para Manutenção Militar, em 1896-1897, tendo ainda escolhido os equipamentos para as várias fábricas de moagem, bolachas e padaria e oficinas, e publicado uma obra sobre esta matéria, intitulada Manutenção Militar.

O capitão Renato Baptista também traduziu para a língua francesa a Morgadinha de Valflor de Pinheiro Chagas e foi diretor da Associação dos Engenheiros e da Sociedade de Geografia, tendo  sido agraciado ao longo da vida com as Cruzes de Avis, Santiago, Cristo, a Legião de Honra francesa e o Mérito Militar espanhol.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Padre Felicidade, dos Jerónimos prior e estudioso

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

O padre José da Felicidade Alves, reconhecido como olisipógrafo pelos seus estudos sobre o Mosteiro dos Jerónimos bem como pela coordenação da coleção «Cidade de Lisboa» na Livros Horizonte, tem o seu nome na que era a Rua A da Quinta da Bela Flor desde a publicação do Edital de 14/07/2004, com a legenda «Olisipógrafo/1925 – 1998».

Freguesia de Campolide - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide – Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

José da Felicidade Alves (Caldas da Rainha-Vale da Quinta/11.03.1925 – 14.12.1998) entrou para o seminário com 11 anos e em 1948 foi ordenado sacerdote e  colocado como professor de Grego e Matemática no Seminário de São Paulo (em Almada), e depois em Lisboa, no dos Olivais.

Na sua carreira sacerdotal foi também prior da Paróquia de Santa Maria de Belém, de 1956 a 1968, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas incómodos ao poderes político e eclesiástico de então, como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais, tornando-se uma das figuras centrais da oposição dos católicos à ditadura. Em 19 de abril de 1968, na presença de 80 pessoas, proferiu uma comunicação ao Conselho Paroquial de Belém, intitulada «Perspectivas actuais de transformação nas estruturas da Igreja» e «Sentido da responsabilidade pessoal na vida pública do meu país», colocando em causa a forma como a Igreja se apresentava à sociedade, a sua organização, e mesmo a maneira como eram transmitidos os ensinamentos cristãos e a abordagem da própria figura de Deus, o que lhe valeu um processo que determinou, em novembro de 1968, o afastamento das suas funções de prior titular de Belém, e, mais tarde, a suspensão das suas funções sacerdotais, terminando, em 1970, com a sua excomunhão.

Após o afastamento da paróquia de Belém, o padre Felicidade tornou-se no grande impulsionador, em conjunto com Nuno Teotónio Pereira e o padre Abílio Tavares Cardoso, da publicação dos Cadernos GEDOC, de que saíram onze números, entre 1969 e 1970. Abordando criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial, a publicação foi condenada pelo Cardeal Cerejeira e considerada ilegal pela PIDE, sendo instaurado um processo aos seus responsáveis, de que resultou em 19 de maio de 1970 a prisão de Felicidade Alves.  Ainda em 1970, no dia 1 de agosto, casou civilmente com Elisete Alves mas o processo para obter da hierarquia católica o reconhecimento do seu casamento pela via canónica oficial só foi autorizado quase 30 anos depois, sendo o seu casamento religioso então celebrado pelo Cardeal Patriarca D. José Policarpo em 10 de junho de 1998, o mesmo ano em que Felicidade Alves viria a falecer.

Afastado da hierarquia da Igreja, o padre Felicidade trabalhou em diversas empresas, como o Anuário Comercial e a editora Livros Horizonte. Continuou a sua produção literária, com estudos de natureza teológica e pastoral, como Católicos e Política (1969), Pessoas Livres e É Preciso Nascer de Novo (ambos em 1970)  e Jesus de Nazaré (1994), mas também de carácter histórico. Publicou, um conjunto de estudos originais – em  três volumes –  sobre o Mosteiro dos Jerónimos (1989 -1994), coordenou  uma coleção relativa à obra de Francisco de Holanda (seis obras entre 1984 e 1989), bem como a coleção de textos históricos sobre a cidade de Lisboa (cinco obras, entre 1987 e 1990) da Livros Horizonte. Saliente-se ainda o seu Roteiro da Produção Literária Portuguesa no Século XVI, tema a que Felicidade Alves se dedicou desde 1981 e O Mosteiro de São Vicente de Fora que deixou concluído e foi publicado postumamente. O seu trabalho bibliográfico foi premiado pela Academia Nacional de Belas Artes, que o tornou seu académico em 1994.

Depois do 25 de Abril de 1974, José da Felicidade Alves aderiu ao PCP, onde se manteve até morrer.  Desempenhou ainda as funções de presidente da Segurança Social entre agosto e dezembro de 1978 e de autarca do concelho de Oeiras, primeiro, na freguesia de Carnaxide e depois, na freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo, onde residia. E foi agraciado com a  Ordem da Liberdade (1994) e o  prémio Júlio de Castilho de Olisipografia da Câmara Municipal de Lisboa (1995).

 

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

O Largo Júlio de Castilho

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Júlio de Castilho que viveu e faleceu no Lumiar, no nº 11 da Travessa do Prior ( hoje nº 26 da Rua Pena Monteiro), teve o seu nome imortalizado no Largo contíguo – que era o Largo da Duquesa-, por Edital municipal de 2 de março de 1925, com a legenda «Erudito Escritor e Historiador/1840 – 1919», recordando a sua obra publicada sobre Lisboa: Lisboa antiga – Primeira parte: 0 Bairro Alto (1879), Lisboa antiga – Segunda parte: Bairros orientais em 8 tomos (1884 – 1890) e A Ribeira de Lisboa, descrição histórica da margem do Tejo desde a Madre de Deus até Santos o Velho (1893).

 Júlio de Castilho em data anterior a 1919 (Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho em data anterior a 1919
(Foto: José Artur Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho (Lisboa/30.04.1840- 08.02.1919/Lisboa), 2.º visconde de Castilho por ser filho primogénito de António Feliciano de Castilho (também perpetuado em Lisboa na Rua Castilho), é considerado um percursor dos estudos olisiponenses, tendo mesmo conseguido uma importante coleção pessoal de documentos sobre o tema, hoje depositada na Biblioteca Nacional. Habilitado com o Curso Superior de Letras foi primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde desenvolveu investigação na área da bibliografia e da biografia que se espelhou, bem como a sua faceta de poeta e dramaturgo, na obra que publicou e da qual salientamos  Primeiros versos (1867), os 3 volumes de Antonio Ferreira, poeta quinhentista, estudos biographico litterarios, seguidos de excerptos do mesmo autor (1875), o drama em 5 actos e em verso D. Ignez de Castro (1875) com uma monografia, Memórias de Castilho (1881), O archipelago dos Açôres (1886), D. António da Costa, quadro biographico litterario (1895), Elogio historico do arquitecto Joaquim Possidonio Narciso da Silva, proferido em sessão solemne da Real Associação dos Architectos e Archeologos portuguezes em 28 de Março de 1897 (1897), A mocidade de Gil Vicente, o poeta, quadros da vida portugueza nos séculos XV e XVI (1897), Amores de Vieira Lusitano (1901) e um Requerimento a sua magestade el-rei pedindo a abolição das touradas em Portugal (1876), apresentado em nome da Sociedade Protetora dos Animais.

Colaborou também com diversos órgãos de comunicação social como o Arquivo Pitoresco, o Diário Oficial do Rio de Janeiro, a Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e A semana de Lisboa. Em 1906 foi-lhe atribuída a tarefa de ser professor de História e de Literatura Portuguesa do Infante D. Luís e ainda desempenhou as funções de cônsul de Portugal em Zanzibar (1888).

Recorde-se também que Júlio de Castilho foi sócio  da Academia das Ciências de Lisboa, da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, bem como sócio correspondente do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco,  do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris. Foi ainda Governador Civil do distrito da Horta (1877 – 1878) o que lhe trouxe a distinção de sócio honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta.

Júlio de Castilho já tinha sido homenageado em Lisboa logo no ano do seu falecimento com a colocação de uma lápide na casa onde viveu por iniciativa de Miguel Trancoso, José Artur Bárcia e António César Mena Júnior, assim como com um busto seu de autoria de Costa Mota (tio), no Largo de Santa Luzia, e inaugurado no dia 25 de julho de 1929, ganhando o espaço ajardinado o nome de Jardim Júlio de Castilho.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do «gentleman» Xavier de Araújo junto ao Jardim Zoológico

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Xavier de Araújo foi um desportista multifacetado, crucial na introdução do rugby em Portugal, e que se tornou numa figura popular da cidade de Lisboa enquanto instrutor de patinagem no recinto que existia no Jardim Zoológico pelo que a artéria a que dá nome desde o Edital municipal de 29/12/1989, e que era a Rua 2 à Estrada da Luz, se situa na proximidade do Jardim Zoológico de Lisboa e ostenta a legenda «Professor de Patinagem/1892 – 1987».

Rua Xavier Araujo 4 Rugby Revista Novembro de 1980

Francisco Xavier de Araújo (São Tomé e Príncipe/06.04.1892 – 08.09.1987/Lisboa) , filho de António Pedro de Araújo e Vunge Rachael, veio para Lisboa aos 3 anos e aos 17 foi estudar para Inglaterra, no curso de Engenharia Electrotécnica das Universidades de Manchester e de Glasgow, ao mesmo tempo que nas equipas universitárias inglesas se tornou um desportista amante de várias modalidades. No regresso a Portugal e após cumprir o serviço militar continuou como praticante de diversas modalidades, onde envergou as camisolas do Académico do Porto, do CIF, do Clube de Futebol Os Belenenses, do Ginásio Clube Português, do Sporting de Braga, do Sporting Clube de Portugal, do Carcavelinhos, do Sport Lisboa e Benfica e do Royal, como no atletismo (sobretudo nas corridas de velocidade e salto em altura), no boxe (onde venceu um Campeonato e ensinou no Ginásio Clube Português a título gracioso), no críquete, no futebol, na ginástica, na luta greco – romana, na luta livre, na natação, na patinagem, no remo, no ténis e no rugby, muito contribuindo para a afirmação desta última modalidade no  nosso país, desde os seus primórdios em 1922, quer como atleta da equipa do Ginásio Clube Português, quer como capitão da 1ª Seleção Nacional, quer como treinador das primeiras equipas escolares (Agronomia, Veterinária, Técnico e Academia Militar) e como orientador da 1ª seleção universitária.

Mas a cidade de Lisboa guarda sobretudo a sua memória como instrutor de patinagem que desde a década de 40 do século XX exercia no recinto que existia no Jardim Zoológico, inicialmente muito frequentado por crianças e jovens refugiados alemães. Foi neste espaço que Xavier de Araújo ensinou diversas  gerações jovens de lisboetas a patinar, como por exemplo, Ana Salazar. E mesmo nos seus 90 anos, ainda ministrava as suas aulas cheio de vivacidade nos espaços desportivos do Jardim do Campo Grande. Refira-se ainda que foi ele a introduzir em Portugal as apresentações de patinagem com música e dança artística que viriam a designar-se como patinagem artística.

Xavier de Araújo trabalhou como técnico de eletrotecnia na Companhia Carris de Lisboa e na Companhia dos Telefones, bem como empregado bancário durante quase 40 anos e como professor de Educação Física.

Mencione-se ainda que recebeu o Diploma de Honra do Troféu Internacional Pierre de Coubertin (1977) do Comité Internacional de Fair Play, a Medalha nacional de Mérito Desportivo (1978), foi eleito por aclamação sócio honorário da Associação de Patinagem de Lisboa (1977) e o Ginásio Clube Português atribuiu-lhe o título de sócio benemérito e honorário. Também o segundo livro de António Lobo Antunes, Os Cus de Judas (1979), arranca com uma descrição do rinque do Jardim Zoológico onde ensinava o «professor preto muito direito».

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do ginasta Robalo Gouveia

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Junto ao complexo desportivo da Urbanização do Bairro das Olaias, está a Rua Robalo Gouveia, com a legenda «Ginasta Olímpico/1923-1986», em homenagem a este professor de ginástica e ginasta olímpico, desde que o Edital municipal de 07/09/1987 o colocou como topónimo da Rua 5 do plano de Urbanização da Encosta das Olaias. Pelo mesmo Edital  acolheu Lisboa outro topónimo de um desportista: a Rua Joaquim Agostinho.

robalo gouveia

Manuel Correia Robalo Gouveia (02.06.1923-08.06.1986) , licenciado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educação Física, foi um ginasta olímpico e professor da disciplina de Educação Física, tendo sido docente em várias escolas e clubes da cidade de Lisboa, como o o Liceu Camões, o Liceu D. João de Castro, os Pupilos do Exército, o Lisboa Ginásio Clube, o Sporting Clube de Portugal, o Ateneu Comercial de Lisboa e o Triângulo Vermelho. Lutador incansável pela causa da Cultura Física e do Desporto, atingiu grande notoriedade como praticante de Ginástica Desportiva, sagrando-se campeão Nacional Absoluto durante vários anos, entre 1952 e 1956, e integrou a 1ª equipa nacional de ginástica aplicada que participou no Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia (Finlândia). Foi ainda praticante de Atletismo e Luta Greco-Romana.

O Professor Robalo Gouveia foi também treinador de vários clubes, selecionador nacional e selecionador da equipa olímpica para Tóquio em 1964, bem como dirigente desportivo quer a nível nacional, na Federação Portuguesa de Ginástica e Comité Olímpico Português, quer internacional, na União Europeia de Ginástica.

Foi agraciado em vida com a Medalha de Bons Serviços Desportivos (1981) e a medalha de prata de Serviços Distintos (1986), e postumamente, a medalha de Mérito Desportivo (1986) e o Colar da Medalha de Valor, Mérito e Bons Serviços da Federação Portuguesa de Ginástica.

Rua Robalo Gouveia placa IV

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)