A Avenida da Universidade Técnica

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Como nos anos setenta do século passado a Câmara Municipal de Lisboa consagrara a Alameda da Universidade também no dealbar do novo século fixou na toponímia da cidade a Universidade Técnica de Lisboa, através da Avenida da Universidade Técnica, no Pólo Universitário da Ajuda.

A pedido da própria Universidade Técnica a edilidade lisboeta denominou a Rua B do Pólo Universitário da Ajuda como Avenida da Universidade Técnica, através do Edital municipal de 19 de abril de 2004, que também colocou nas restantes Ruas  nomes de professores  ligados à instituição e às faculdades ali instaladas: os veterinários  Ildefonso Borges Rua Joaquim Fiadeiro, o professor de Medicina Social e Antropologia Cultural Almerindo Lessa e ainda, o pintor Sá Nogueira, professor de arquitetos e designers.

Criada em 1930, a Universidade Técnica de Lisboa aglutinou a Escola Superior de Medicina Veterinária (depois, Faculdade de Medicina Veterinária), o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois, Instituto Superior de Economia e Gestão) e o Instituto Superior Técnico. Somaram-se o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1961, o Instituto Nacional de Educação Física em 1976 e a Faculdade de Arquitetura em 1979.

Em 2004, no ano de atribuição do topónimo, a Universidade Técnica de Lisboa integrava a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) e a Faculdade de Arquitectura (FA).

Na década de 90 do século XX, a instalação do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Faculdade de Medicina Veterinária e da Faculdade de Arquitectura, no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, contíguo à Tapada, a Monsanto, ao Casalinho da Ajuda e à envolvente do Palácio da Ajuda, contribuiu em muito para a consolidação e a requalificação desta área de Lisboa, para além do ensino e da investigação científica, ao fazer acorrer diariamente a esta zona da cidade várias centenas de cidadãos, entre estudantes, professores, investigadores e frequentadores de actividades científicas e culturais da Universidade.

No ano de 2013, a partir do Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro, operou-se a fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, ficando ambas as Universidades novamente unidas sob o nome de Universidade de Lisboa.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A longa Avenida de Cabo Ruivo a Marechal Gomes da Costa

Freguesias do Parque das Nações, dos Olivais, de Marvila e de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Um troço da 2ª Circular que começava em Cabo Ruivo foi conhecido como Avenida de Cabo Ruivo até oficialmente ganhar o nome de Avenida Marechal Gomes da Costa, no ano de 1966, mas ambos os topónimos, o popular e o oficial, continuaram até hoje na boca dos lisboetas.

Conforme se pode observar na planta de Lisboa de Júlio Silva Pinto existia em 1907 uma Quinta de Cabo Ruivo. Em 1944, o arqtº municipal Perez Fernandez realizou um estudo arquitetónico para o viaduto da 2ª circular em Cabo Ruivo e a partir de 1960 começou a execução do troço da 2ª Circular no lanço da rotunda da Praça do Aeroporto e Cabo Ruivo

E pelo Edital de 27 de maio de 1966, um longo troço da 2ª Circular que começava em Cabo Ruivo, na Avenida Marginal (Rua Cintura do Porto de Lisboa) e terminava na Praça do Aeroporto passou a ser a Avenida Marechal Gomes da Costa. Este topónimo resultou de uma sugestão da Liga dos Combatentes da Grande Guerra e do filho do homenageado, 37 anos após o falecimento do Marechal, e 40 anos menos um dia depois do golpe de Estado de 28 de maio de 1926 de que Gomes da Costa foi um dos mentores para de seguida ser Presidente da República, de 17 de junho a 9 de julho de 1926.

Freguesias do Parque das Nações, dos Olivais, de Marvila e de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

De seu nome completo Manuel de Oliveira Gomes da Costa (Lisboa/14.01.1863 – 17.12.1929/Lisboa)  foi um militar que após um interregno iniciado em 1921 regressou à politica no 28 de maio de 1926, lançando em Braga o grito «Às armas, Portugal!» e comandando as tropas que do norte chegaram a Lisboa.  Em 17 de junho um golpe de Estado depôs o comandante Mendes Cabeçadas e foi Gomes da Costa que assumiu a presidência da República nesse mesmo dia, da qual também acabou por ser deposto, em 9 de julho, por outro golpe de Estado.

O Marechal Gomes da Costa na Praça do Comércio em 1926
(Foto: Amadeu Ferrari, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida do Aeroporto que passou a Avenida Almirante Gago Coutinho

A Avenida do Aeroporto nos anos 50 do séc. XX
(Foto: Mário de Oliveira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ainda hoje se chama Avenida do Aeroporto à Avenida Almirante Gago Coutinho – em homenagem ao aviador entretanto falecido – mas quando se começou a pensar num aeroporto para Lisboa a artéria era conhecida como prolongamento da Avenida Almirante Reis e depois dele implantado, passou a denominar-se Avenida do Aeroporto para, volvidos 13 anos, ser designada como Avenida Almirante Gago Coutinho, topónimo que 23 anos mais tarde o escritor Mário de Carvalho colocou no título de uma obra sua – A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho e outras histórias (1983) – mesmo que meia dúzia de anos depois, em dezembro de 1989, a Avenida tenha sido encurtada para ceder uma parte à nova Alameda das Comunidades.

Na década de vinte do século Vinte começou a falar-se da necessidade de um aeródromo para Lisboa e a sua construção foi mesmo decidida em março de 1928, para a Portela de Sacavém, considerada a localização «ideal, dada a ausência de aglomerados urbanos circundantes e, simultaneamente, a proximidade do centro da cidade (5km) e do porto fluvial». Todavia,  só na década de trinta se começou a construir  o Aeroporto e só na década seguinte abriu ao tráfego, em 15 de outubro de 1942.

Cinco anos depois do Aeroporto estar em funcionamento, ponderando a edilidade atribuir o nome de Avenida do Aeroporto à primitiva Avenida Alferes Malheiro, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer na sua reunião de 3 de fevereiro de 1947  que o topónimo fosse antes dado ao prolongamento da Avenida Almirante Reis, entre a Praça do Areeiro e o Aeroporto da Portela, o que se veio a concretizar pelo Edital municipal de 17/02/1947.

Nove anos depois, em 1956 o Aero-Club de Portugal sugeriu à Câmara atribuição do nome «Avenida Gago Coutinho – Sacadura Cabral» à Avenida do Aeroporto. Porém, a Comissão Municipal de Toponímia discordou porque « deverá seguir-se a orientação até agora adoptada de só se consagrarem na toponímia da cidade nomes de individualidades que tenham falecido há alguns anos, lembrando, entretanto, que o nome de Sacadura já se encontra atribuído a uma avenida da capital.»

Passados três anos,  em 18 de fevereiro de 1959 faleceu Gago Coutinho, e no dia seguinte o vereador Dr. Baêta Henriques interveio na reunião de Câmara para que  o nome de Gago Coutinho fosse dado à Avenida do Aeroporto e apesar da Comissão de Toponímia contrapor que  fosse «atribuído a uma praça ou avenida de maior projecção do que a Avenida do Aeroporto e, possivelmente, junto ao Tejo, na freguesia da Ajuda ou Alcântara, onde aquele ilustre homem de ciência nasceu e viveu a maior parte da sua vida e partiu para a grande viagem que lhe deu renome Universal» o Edital municipal de 2 de janeiro de 1960 mudou o topónimo Avenida do Aeroporto para Avenida Almirante Gago Coutinho, com a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea». Finalmente, mesmo no final do ano de 1989 a Avenida Almirante Gago Coutinho ficou com menor dimensão, já que o troço desta Avenida compreendido entre a Praça do Aeroporto e o Edifício do Aeroporto de Lisboa passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas, pelo Edital municipal de 9 de dezembro de 1989.

Gago Coutinho por Amarelhe, no Sempre Fixe de 27 de maio de 1926

Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (São Brás de Alportel ou Lisboa/17.02.1869-18.02.1959/Lisboa), registado na lisboeta freguesia de Belém como tendo nascido a 17 de fevereiro de 1869 e que durante largo tempo viveu na Madragoa, na Rua da Esperança, foi um almirante da Marinha Portuguesa, geográfo e cartógrafo que fez também incursões na História Náutica a partir de 1925,  que se notabilizou como pioneiro da aviação, sobretudo por ter realizado com Sacadura Cabral a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro, de 30 de março a 17 de junho de 1922, no hidroavião Lusitânia.

A partir de 1917, incentivado por Sacadura Cabral que entretanto conhecera em Moçambique, tentou adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, tendo criado em 1919 o famoso sextante de bolha artificial que ostenta o seu nome,  comercializado pela empresa alemã Plath. E foi para testar essas ferramentas de navegação aérea que Sacadura Cabral e Gago Coutinho realizaram em 1921 a travessia aérea Lisboa-Funchal.

Membro do Grande Oriente Lusitano da Maçonaria Portuguesa, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa e pela Faculdade de Engenharia do Porto, bem como Medalha de Ouro da Sociedade de Geografia de Lisboa, Gago Coutinho foi também agraciado com a Ordem Militar de Avis (1919, 1920 e 1926), a Ordem Militar da Torre e Espada (1922), a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1922), a Ordem do Império Colonial (1943), a Ordem Militar de Cristo (1947), para além de ser topónimo em inúmeras localidades portuguesas e brasileiras, de que mencionamos como exemplo Avenidas em Montemor-o-Novo e na brasileira de São Paulo; Largos em Carnaxide, Loulé, Sesimbra, Sines, Vila Viçosa; Praças no Barreiro, Mação, Moura, Sacavém e em Salvador da Bahia ou Santos; Ruas em Albufeira, Caldas da Rainha, Casal de Cambra, Coimbra, Faro, Lagos, Maia, Matosinhos, Montijo, Olhão, Pinhal Novo,  Quarteira, São Brás de Alportel, Setúbal, Vendas Novas, ou no Brasil em Campinas, Cuiabá, Curitiba, Londrina, Recife, Rio de Janeiro, São José do Rio Preto, São Paulo ou Uberlândia, para além de uma Rua na moçambicana Maputo e outra em Las Palmas, nas Ilhas Canárias; assim como Travessas na Covilhã,  Ermesinde, Marco de Canavezes, Nisa, Quinta do Conde, Trofa ou Valongo.

A Avenida Almirante Gago Coutinho nos dias de hoje – Freguesias do Areeiro e de Alvalade

A Avenida do pintor de «O Fado»

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida José Malhoa perpetua desde 1972 em Lisboa o pintor do quadro O Fado, aumentando o tamanho da artéria que lhe era dedicada na cidade desde 1955, por sugestão do Museu José Malhoa, das Caldas da Rainha.

José Malhoa começou por estar consagrado em Lisboa numa Rua de Alvalade, no ano do seu centenário de nascimento. O Edital municipal de 20 de outubro de 1955 identificou as ruas do Bairro de Alvalade com topónimos de figuras ligadas à cultura e às artes e assim, a Rua 55 A do Sítio de Alvalade passou a denominar-se Rua José Malhoa. Mas passados 17 anos,  esta artéria passou a ser a Rua General Pimenta de Castro, pelo Edital municipal de 8 de janeiro de 1972, que também transferiu o nome de José Malhoa para um arruamento maior, no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian até Sete Rios, ganhando a categoria de Avenida.

Este topónimo havia sido sugerido à Comissão Consultiva Municipal de Toponímia pelo então denominado Museu Provincial de José Malhoa – o único museu criado de raiz pelo Estado Novo – , em 1954, já que no ano seguinte seria o de centenário do nascimento do artista caldense. Mais tarde,  na sua reunião de 23 de dezembro de 1970 a Comissão deparou-se com um despacho do Presidente da CML «solicitando parecer sobre a transferência do topónimo que consagrou o nome de José Malhoa, para um arruamento de maior categoria» e quase um ano depois, na reunião de 20 de outubro de 1971,  outro despacho do Presidente da CML pedia «parecer sobre a denominação do arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão», tendo então a Comissão considerado «que a considerável extensão do arruamento, sua localização e importância bem justificam o nome de uma grande individualidade; Considerando ainda que o nome de José Malhoa identifica hoje um pequeno arruamento; A Comissão é de parecer que o arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian, até Sete Rios, se denomine Rua José Malhoa/Pintor/1855 – 1933».

Branco e Negro, 21 junho de 1896

José Vital Branco Malhoa (Caldas da Rainha/28.04.1855 – 26.10.1933/Figueiró dos Vinhos) liga-se ao Fado por em 1909 (1ª versão) e em 1910 (versão final) ter pintado o quadro O Fado, um óleo sobre tela (150  × 183 ) hoje no Museu de Lisboa, que se tornou uma imagem icónica desse estilo de música, a ponto de ser recriada em filmes e mesmo se inicialmente foi mal recebida em Portugal, por causa da sua temática considerada marginal e assim, o quadro foi exposto pela primeira vez em Buenos Aires, em 1910, na Exposição Internacional de Arte do Centenário da República da Argentina, com o título Bajo el Encanto, onde conseguiu a Medalha de Ouro e só foi exposto em Lisboa em 1917. A característica  pintura de costumes de Malhoa produziu outras obras emblemáticas como As Cócegas (1904), Os Bêbados (1907) ou Outono (1918).

Apesar de diplomado pela Academia Real de Belas Artes, onde foi discípulo de Vítor Bastos, Tomás da Anunciação e Miguel Lupi, até ao  sucesso de A Seara Invadida exposta em Madrid, em 1881, lhe renovar as esperanças de carreira, José Malhoa dedicou-se ao comércio para seu sustento. Foi assim que depois aderiu ao naturalista Grupo do Leão. Em Lisboa, pintou os tetos da sala de concerto do Conservatório Real de Lisboa, do Supremo Tribunal de Justiça e do Gabinete Real da Escola Médica de Lisboa, bem como os medalhões do teto dos Paços do Concelho de Lisboa (1889). No concurso que a Câmara Municipal de Lisboa abriu em 1887 para um quadro representando A partida de Vasco da Gama para a Índia, o seu esboceto recebeu a primeira classificação entre os concorrentes, sendo nessa ocasião Malhoa agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo (1888). Malhoa pintou ainda composições históricas de pendor decorativo para o Palácio da Ajuda (1890), Assembleia Constituinte (1891) e  Museu Militar (1907). Foi Presidente da Sociedade Nacional das Belas Artes em 1918. A sua obra está representada nos lisboetas Museu de Lisboa – Palácio Pimenta e Museu de Arte Contemporânea – Museu do Chiado,  bem como no Museu José Malhoa das Caldas da Rainha.

Refira-se que José Malhoa mandou construir  a sua casa em Lisboa sob traçado do Arqº. Norte Júnior, que foi Prémio Valmor 1905 e hoje conhecemos como Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, já que este proprietário posterior a legou ao Estado. A decoração a fresco das fachadas foi executada por Mário Eloy, segundo modelos do próprio Malhoa e de António Ramalho e as esculturas foram obra de Costa Mota. Pertenceu, mais tarde, a Anastácio Gonçalves que a legou ao Estado.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida da Muito Notável Vila da Praia da Vitória em 11 de agosto de 1829

Freguesias das Avenidas Novas e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Muito Notável Vila da Praia da Vitória, conforme o título que lhe foi concedido por Carta Régia de 12 de janeiro de 1837, em reconhecimento por ter tomado partido pelas tropas liberais contra a esquadra absolutista de D. Miguel, em 11 de Agosto de 1829, contribuindo assim para a vitória dos liberais de D. Pedro, está perpetuada em Lisboa desde a publicação do Edital municipal de 28 de junho de 1906, nas Avenidas Novas de Ressano Garcia junto à Praça que homenageia o chefe militar de D. Pedro, o Marechal Saldanha.

Este topónimo nasceu como Avenida da Praia da Vitória mas a partícula «da» foi suprimida em 1951, a partir de um parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 13 de abril que o  Vice-Presidente da edilidade homologou no dia 16. Também a sua dimensão inicial ia da Rua de Dona Estefânia à Praça Duque de Saldanha, tendo a partir de 1945 sido ampliada até à Avenida 5 de Outubro.

A Ilha Terceira (Açores) está dividida em  dois  concelhos, sendo Praia da Vitória a sede do concelho mas a sua colocação na toponímia lisboeta mais do que uma referência de geografia regional radica numa homenagem ao apoio dado a D. Pedro contra D. Miguel em 1829. Aliás, a Avenida Praia da Vitória aquando da sua atribuição – 1906 – desembocava na Praça Duque de Saldanha que assim era designada desde 22 de agosto de 1902, em homenagem ao Marechal Saldanha, o chefe do Estado-Maior do Exército de D. Pedro, substituindo o anterior nome de Praça Mouzinho de Albuquerque.

Refira-se que os outros dois topónimos lisboetas que claramente celebram a vitória liberal de D. Pedro sobre o absolutista D. Miguel também se encontram juntos numa mesma zona da cidade desde o último quartel do séc. XIX, desaguando um no outro: a Avenida 24 de Julho que arriba à Praça do Duque da Terceira. A primeira nasceu como Rua em 13 de setembro de 1878 e em 22 de outubro de 1928 passou a Avenida, enquanto a Praça Duque de Terceira passou a ser a nova denominação da Praça dos Remolares ou Romulares pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1889.

Freguesias das Avenidas Novas e de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A americana Helen Keller numa Avenida junto ao Centro com o seu nome

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                       (Foto: José Carlos Batista)

Helen Keller foi uma americana deficiente desde os 19 meses de vida que procurou ajudar a melhorar a qualidade de vida de outros deficientes, afirmando que  «As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente», estando perpetuada desde 1987  numa Avenida próxima do Centro Helen Keller.

A Avenida Helen Keller foi atribuída pela edilidade lisboeta através do Edital de 7 de setembro de 1987, ao arruamento construído no prolongamento da Avenida Dr. Mário Moutinho  (Edital de 17/02/1970) e, ambos os topónimos estão relacionados com o Centro Helen Keller, uma escola inclusiva para alunos invisuais e normovisuais.

Em 1936, o médico oftalmologista Mário Moutinho criou a Liga Portuguesa da Profilaxia da Cegueira (LPPC)  e acalentava o sonho de criar em Portugal uma clínica de reeducação de diminuídos visuais, o que veio a ser concretizado pelo seu filho, médico da mesma especialidade, a partir de 1955  no edifício que é hoje o nº 20 da da Avenida Dr. Mário Moutinho, nascendo assim uma instituição pioneira do ensino integrado em Portugal. Em março de 1956, quando Helen Keller veio a Portugal a convite da LPPC, passou a instituição a designar-se Centro Infantil Helen Keller.

Helen Keller (Alabama/27.06.1880 – 01.06.1968/Connecticut) ficou cega, surda e muda desde os 19 meses de vida e foi graças à persistência da sua percetora Ana Sullivan. Helen aprendeu a ler num alfabeto de cegos, conseguiu depois compreender 5 línguas, concluir estudos superiores, publicar a sua autobiografia A história da minha vida (1902) e fazer carreira profissional a escrever artigos para o Ladies Home Journal. Fortemente motivada pela sua experiência de vida, Helen Keller tornou-se defensora das pessoas portadoras de deficiência e empreendeu uma cruzada humanitária a favor dos que eram como ela, através da escrita, de conferências que proferiu e contribuindo para a criação de muitas instituições de reeducação dos cegos, surdos e mudos.

Refira-se ainda que em Lisboa existe também a Rua Luís Braille, dedicada ao francês que inventou o sistema de escrita e leitura para cegos que ficou com o seu nome – o Braille – que foi inaugurada em 2004 no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência.

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                          (Foto: José Carlos Batista)

 

A Avenida de Mitterrand que em 1981 aboliu a pena de morte em França

Freguesia de Marvila

François Mitterrand que conseguiu no seu 1º mandato presidencial abolir a pena de morte em França, no ano de 1981, tem em Lisboa o seu nome numa Avenida de Marvila, com a legenda «Presidente da República Francesa/1916 – 1996», desde a publicação do Edital de 24 de setembro de 1996, a ligar a Avenida Carlos Pinhão à Avenida Vergílio Ferreira, dando uma nova memória à Rua M 5 do Bairro do Armador.

François Maurice Adrien Marie Miterrand (França – Jarnac/26-10-1916 – 08.01.1996/Paris – França), foi um conhecido opositor da pena de morte, licenciado em Sociologia e Literatura Francesa, bacharel em Direito, diplomado em Direito Público e doutorado em Ciências Políticas, que se tornou o  1º presidente socialista da 5ª República Francesa, durante 2 mandatos consecutivos de 7 anos, entre 1981 e 1995, tendo logo no primeiro abolido a pena de morte em França, em 9 de outubro de 1981.

Em termos de direitos humanos, durante os seus mandatos presidenciais são também relevantes  as reformas sociais que instituiu em benefício da classe trabalhadora logo em 1981, como a semana de 39 horas, o aumento do salário mínimo e uma semana adicional de férias pagas; as garantias de direitos de residência que estabeleceu para muitos imigrantes ilegais  (1981); a sua declaração favorável à criação de um Estado palestiniano (1982); a evocação do caso Sakharov em pleno Kremlin (1984);  a nomeação da primeira mulher primeiro-ministro em França, Edith Cresson (1991) e a suspensão dos testes nucleares em França em 8 de abril de 1992.

François Mitterrand foi feito prisioneiro no decorrer da II Guerra Mundial – no dia em que Paris foi ocupada – e transferido para um campo na Alemanha do qual se conseguiu evadir em dezembro de 1941. Foi trabalhar como alto funcionário do governo de Vichy e em 1943 juntou-se à Resistência com o pseudónimo de Morland, assim fundando uma rede de resistência dos prisioneiros e evadidos, sendo em 1944 o presidente do Movimento Nacional dos Prisioneiros de Guerra e Deportados. Após o Dia D ( 6 de junho de 1944) foi nomeado secretário-geral dos Prisioneiros de Guerra pelo General De Gaulle, qualidade na qual participou no primeiro Conselho da França Libertada.

A partir daqui Mitterrand dirigiu o jornal Libres bem como  uma editora, aderiu à União Democrática e Socialista da Resistência (UDSR) e construiu uma longa carreira política, em que foi deputado durante 35 anos (1946 – 1981); ministro de 11 governos (1947 – 1958) passando pelas pastas dos Ex-Combatentes, de Estado, da França do Ultramar, do Interior e da Justiça; Presidente da UDSR (1953); Presidente da Câmara Municipal de Chateau-Chinon (1959); candidato à presidência da República contra de Gaulle (1965) e fundador da Federação da Esquerda Democrática e Socialista que liderou (1970); 1º Secretário do Partido Socialista Francês (1971-1981) e Vice- Presidente da Internacional Socialista (1972) no mesmo ano em que assinou o Programa Comum da Esquerda com o Partido Comunista Francês e que constituiu o seu programa de candidatura para as presidenciais de 1974 contra Giscard d’Estaing, que perdeu por 49,5% contra 50,5%.

Em 10 de maio de 1981 foi eleito o 1º presidente socialista da 5ª República, derrotando Giscard d’Estaing por 51,75% contra 48,24%. No decorrer de dois mandatos, tomou várias medidas como a nacionalização de bancos e grandes indústrias; descentralizou o poder através da atribuição de mais competências a nível local e regional; decretou e permitiu a criação de rádios locais e televisões privadas. Em 1982 e 1983, para fazer face a problemas económicos congelou salários, aumentou taxas nos serviços de saúde e fez cortes na despesa pública. Empenhou-se também na construção europeia comum estreitando relações com a Alemanha de Helmut Kohl e procurando a concretização do Tratado de Maastricht pelo que esteve em Lisboa no Conselho Europeu de Encerramento da Presidência Portuguesa na Comunidade Europeia (1992). François Mitterrand terminou o seu mandato a 17 de maio de 1995, após ter manifestado no ano anterior  a sua vontade de não se recandidatar, revelada que estava a doença que o conduziria à morte em 1996, aos 79 anos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Avenida do autor da Lei de abolição da pena de morte, Barjona de Freitas

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida Conselheiro Barjona de Freitas perpetua o nome do ministro da Justiça que elaborou a proposta de Lei para abolição da pena de morte em 1867 – e cujos 150 anos se comemoram justamente neste mês -, atribuída ainda em vida do legislador e 30 anos após a promulgação dessa Lei.

Esta proposta de abolição da pena de morte foi aprovada por 90 votos contra dois  nas cortes gerais, no âmbito de uma reforma penal e das prisões, em 26 de junho de 1867, tendo sido promulgada pelo rei D. Luís I cinco dias mais tarde, em 1 de julho de 1867, tornando assim o ministro e o monarca os dois principais responsáveis políticos pela abolição da pena de morte em Portugal. A Carta de Lei de 1 de julho de 1867 aboliu a pena de morte para todos os crimes civis em Portugal, tendo sido o primeiro Estado soberano da Europa a fazê-lo. Para os crimes políticos, tinha sido já abolida em 1852.

Barjona de Freitas, o reformador do Código Penal sem pena de morte em 1867, desde 1897 que passou a dar o seu nome à  «a avenida que conduz da estrada de Bemfica, ao apeadeiro de S. Domingos, na via ferrea de Cintra, no 3º bairro d’esta cidade», através do Edital municipal de 10 de setembro, como Avenida Conselheiro Barjona de Freitas. A legenda «Jurisconsulto/1834 – 1900» foi acrescentada já no séc. XX, mais de 50 anos depois da atribuição do topónimo, na sequência de um parecer da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, emitido na sua reunião de 4 de junho de 1957.

O Ocidente, 15 de fevereiro de 1878

Augusto César Barjona de Freitas (Coimbra/13.01.1834 – 23.07.1900/Lisboa), nasceu filho de Maria Leocádia Barjona e de Justino António de Freitas e tornou-se catedrático de Direito da Universidade de Coimbra embora tenha acabado por trocar o ensino pela política. Filiou-se no Partido Regenerador e foi eleito deputado em 1864. Entrou no Governo da Fusão de Joaquim António de Aguiar (1865-1868), tomando posse da pasta da Justiça que também deteve mais tarde com Fontes Pereira de Melo (1871-1876) e, ainda mais duas vezes, em 1878 e em 1885, para além de ter sido Ministro do Reino de 24 de outubro de 1883 a 20 de fevereiro de 1886.

Como legislador, para além da reforma do Código Penal com a abolição da pena capital, trabalhou também nas novas Bases Municipais, na reorganização judicial e administrativa do país, na dotação do Clero e, ainda estabeleceu a representação por maioria na Lei eleitoral.

Barjona de Freitas desempenhou ainda os cargos de Conselheiro do Rei (1885) com D. Luís I, ministro plenipotenciário em Londres para negociar o diferendo sobre o mapa cor-de-rosa (1890), Presidente da Câmara dos Pares (de 1892 a 1894), Presidente do Conselho Administrativo da Companhia do Gás, advogado da Companhia dos Tabacos e da Exploração das Obras do Porto de Lisboa.

Freguesia de São Domingos de Benfica                                            (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

As Avenidas e as Alamedas

A Alameda da Universidade
(Foto: Manuel Rodrigues Levita)

As Avenidas e as Alamedas são artérias quase sempre em linha reta, como as ruas, mas mais largas e mais extensas, distinguindo-se as Alamedas das Avenidas por as primeiras terem de ser ladeadas de árvores e isso não ser uma característica determinante nas Avenidas. No decorrer do séc. XX, as Alamedas também passaram a distinguir-se como zona de estadia de pessoas enquanto as Avenidas ganharam mais tráfego automóvel.

À letra, Alameda  é uma artéria ornada de álamos que consensualmente passou a ter o significado de arruamento mais arborizado do que uma avenida. Este tipo de artéria possui uma grande quantidade de árvores e não sendo isentas de trânsito, privilegiam contudo o espaço de convivências das pessoas, como podemos observar em Lisboa na Alameda Dom Afonso Henriques.

Alameda das Linhas de Torres – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa apresenta 18 Alamedas cujos topónimos se referem a personalidades em 8 casos; em 7 outras, o topónimo relaciona-se com o local onde estão (como por exemplo, a Alameda das Linhas de Torres [Edital de 07/08/1911],  a Alameda da Encarnação [Edital de 15/03/1950] ou a Alameda da Universidade [Edital de 31/03/1970])  e por último,  3 delas são simbólicas homenagens: a Alameda da Música [Edital de 04/08/2004], como centro de um toponímico Bairro da Música; a Alameda das Comunidades Portuguesas [Edital de 09/12/1988], próxima do aeroporto de Lisboa, numa manifestação de solidariedade para com os portugueses radicados no estrangeiro; e a Alameda dos Oceanos [oficializada pelo Edital de 16/09/2009], nascida na EXPO 98, a perpetuar o tema dessa Exposição: «Os oceanos: um património para o futuro».

A Avenida é mais extensa que qualquer outra tipologia de artéria urbana, não sendo por isso de estranhar que o maior arruamento de Lisboa seja uma Avenida: a Infante Dom Henrique. A tipologia Avenida começou a ser usada na cidade de Lisboa no último quartel do séc. XIX, acontecimento a que não será estranho a passagem das responsabilidades da toponímia do Governo Civil para o Município, como se a criação de uma visão conjunta de fazer cidade impusesse a necessidade da Avenida como nova artéria citadina moderna, e repare-se aqui nas Avenidas Novas em que se algumas nasceram como ruas viram alterada a sua categoria para avenidas no séc. XX, como sucedeu, por exemplo, com a Avenida Fontes Pereira de Melo (antes Rua Fontes) , bem como, por exemplo, o Edital municipal de 29 de novembro de 1902  atribuiu 5 avenidas referentes a políticos regeneradores da Monarquia Constitucional ( Avenidas António de Serpa, Casal RibeiroDuque d’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje, Avenida Miguel Bombarda) e José Luciano (hoje, Avenida Elias Garcia).

Avenida Francisco Salgado Zenha – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Nos dias de hoje Lisboa tem 150 Avenidas, sendo que 131 têm como topónimo o nome de diversas personalidades, cidades, países  e oceanos a que acresce também o nome de uma organização através da Avenida das Nações Unidas. Surgem ainda 13 avenidas às quais foi atribuído um topónimo simbólico ou de homenagem específico – a Avenida Vinte e Quatro de Julho [Avenida desde 22/10/1928 e antes Rua em 13/09/1878] para perpetuar a vitória liberal de 24 de Julho de 1833 sobre os absolutistas de D. Miguel bem como a Avenida Praia da Vitória [Edital de 28/06/1906] pela vitória das tropas liberais contra a esquadra absolutista em 11 de agosto de 1829 ; a Avenida da Liberdade [deliberação camarária de 18/08/1879], como espaço aberto ao invés do Passeio Público com portões que a antecedeu; a Avenida da República, a Avenida Cinco de Outubro [ambas pelo Edital de 05/11/1910] e a Avenida dos Defensores de Chaves [Edital de 19/09/1912], todas a registarem datas e acontecimentos caros aos Republicanos; a Avenida das Descobertas [Edital de 28/07/1958], a Avenida da Boa Esperança [ oficializada pelo Edital de 16/09/2009] e a Avenida da Peregrinação [oficializada pelo Edital de 06/05/2015] para exaltar a época da Expansão Portuguesa; a Avenida das Forças Armadas [Edital de 30/12/1974 ] para perpetuar o 25 de Abril de 1974; a Avenida dos Bombeiros [ Edital de 24/03/1975] para homenagear todos os bombeiros portugueses tal como a Avenida dos Combatentes [Edital 15/03/1971] procedera de igual forma com os militares portugueses; a Avenida Lusíada [Edital de 29/12/1989], para homenagear todos os portugueses usando o termo divulgado por Camões no seu poema épico. Finalmente, 6 delas registam o local onde foram abertas: Avenida da Torre de Belém [Edital de 07/08/1945], a Avenida do Restelo [Edital de 29/04/1948], Avenida da Ribeira das Naus [Edital de 22/06/1948], Avenida da Igreja [Edital de 19/07/1948], Avenida do Colégio Militar [Edital de 23/02/1978] e a Avenida da Universidade Técnica [Edital de 19/04/2004].

A Avenida Rovisco Pais

José Rovisco Pais da Cervejaria Trindade e da Maternidade alfacinha

Freguesias do Areeiro e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Rovisco Pais, repartida pelas freguesias do Areeiro e de Arroios, perpetua em Lisboa o grande proprietário rural de Pegões, comerciante da Fábrica de Cerveja da Trindade e benemérito da Maternidade Alfredo da Costa e dos Hospitais Civis de Lisboa.
Esta atribuição toponímica  teve lugar no próprio ano da morte de Rovisco Pais, através do Edital municipal de 25 de outubro de 1932, fixando-o no prolongamento da Avenida Duque de Ávila, entre a Rua Visconde de Santarém e a Avenida Manuel da Maia.

O olisipógrafo Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações em Lisboa,  dá-nos uma imagem do contexto urbanístico desta avenida na década do seu nascimento : «Ora agora nos embrenhamos, a nascente, na urbanização gloriosa da nova Lisboa da década de 30 dêste século. São dois bairros, um, na planta, em forma oval – o Bairro Social do Arco do Cego, circundado pelas Avenidas D. João I [a Avenida Marconi de hoje] e do México, e que tem por remate a Praça do México [a Praça de Londres de hoje]; outro, em ogiva, contornado pelas Avenidas Rovisco Pais e Dr. António José de Almeida, aquêle onde se ergue o Instituto Superior Técnico (…)».

José Rovisco Pais (Casa Branca/16.10.1862 – 1932/Lisboa) deixou a sua marca na capital  por ser o proprietário da conhecida Fábrica de Cerveja da Trindade. Manuel Moreira Garcia – um galego que criara em 1836 a Fábrica de Cerveja da Trindade e com abertura de balcões ao público em 1840- passou o comércio a seu filho Domingos Moreira Garcia, cuja morte levou alguns empregados a constituir uma sociedade para explorar o negócio, com o apoio de Rovisco Pais, que acabou por ficar com todo o negócio, pelo que em 1932 quando faleceu foi a Cervejaria posta em hasta pública.

Rovisco Pais entregou a  Augusto Monjardino um donativo de mil e quinhentos contos para se concluir a construção da Maternidade de Alfredo da Costa, assim como por disposição testamentária, legou 10 mil contos – o que era uma fortuna na época – para os Hospitais Civis de Lisboa fazerem assistência aos necessitados.A Avenida Rovisco Pais, repartida pelas freguesias do Areeiro e de Arroios, perpetua em Lisboa o grande proprietário rural de Pegões, comerciante da Fábrica de Cerveja da Trindade e benemérito da Maternidade Alfredo da Costa e dos Hospitais Civis de Lisboa.

Enquanto agricultor, era o proprietário da Herdade de Pegões (concelho do Montijo), um latifúndio de 7000 hectares, na qual tentou instalar um plano de colonização análogo ao que José Maria dos Santos criara na Herdade de Rio Frio, visando fixar a mão de obra assalariada, necessária às grandes explorações da zona. Pela sua doação aos Hospitais Civis de Lisboa, que incluía parte da sua Herdade, a Junta de Colonização Interna – criada em 1936 -, desenvolveu nela um plano de fixação de colonos semelhante ao modelo agrícola alemão,  com o fim de desenvolver um «bom e abundante viveiro de colonos, que no Império Colonial irão fixar a Raça e valorizar o território», como se pode ler no Diário das Sessões da Assembleia Nacional e da Câmara Corporativa de 29 de outubro de 1938. Em 1958, constituiu-se a Cooperativa Agrícola Santo Isidro Pegões, destinada a laborar na sua adega e à produção dos novos vinhedos, não sendo assim de estranhar que alguns dos vinhos produzidos tenham o nome de Rovisco e que  Santo Isidro de Pegões tenha uma Avenida Rovisco Pais.

Rovisco Pais foi ainda benemérito da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, bem como da construção da Leprosaria Nacional Rovisco Pais, na Tocha (Cantanhede), inaugurada em 1947 e que desde 1996 é o Centro de Medicina de Reabilitação, pelo que a Tocha tem também uma Avenida José Rovisco Pais.

José Rovisco Pais foi agraciado postumamente, em 17 de março de 1933, com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Freguesias do Areeiro e de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)