A Rua do arquiteto da Casa da Moeda, Jorge Segurado

A Casa da Moeda traçada por Jorge Segurado em 1933
(Foto: Paulo Guedes, 1941, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jorge Segurado que nos anos trinta do séc. XX traçou a nova Casa da Moeda, para a Avenida António José de Almeida, está fixado numa artéria do Lumiar desde a publicação do Edital nº 91/2009,  de 25 de setembro de 2009, numa das novas artérias da Quinta dos Alcoutins que acolheram um novo núcleo toponímico lisboeta de arquitetos, com os nomes de Daciano Costa, Formosinho Sanchez, Maurício de Vasconcelos e Jorge Segurado, sendo este último que passou a ser o topónimo da Ruas F, H1, H2, H3 e H4 à Quinta dos Alcoutins.

A Casa da Moeda foi traçada em 1933 pelo Arq.º Jorge Segurado, com Artur Varela, mas só foi inaugurada em 1941, substituindo então a antiga Casa da Moeda na Rua de São Paulo que aí permanecia desde 1720.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jorge de Almeida Segurado (Lisboa/15.10.1898 – 09.11.1990), filho do Engº João Emílio Segurado, frequentou o Liceu Pedro Nunes, o  Curso Preparatório da Escola de Belas-Artes de Lisboa (1913) onde ficou marcado por José Luís Monteiro e pelo academismo neoclássico, assim como o Curso Especial de Arquitetura (1918) que concluiu em 1924, trabalhando paralelamente no atelier de Tertuliano de Lacerda Marques.

Discípulo confesso de Raúl Lino, Jorge Segurado começou nos anos vinte na Art Déco   para evoluir na década seguinte para a primeira linguagem modernista da arquitetura portuguesa, integrado no Grupo dos Cinco ( Carlos Ramos, Cassiano BrancoCristino da Silva, Pardal Monteiro e Jorge Segurado) e participando no Salão dos Independentes de 1930. Contudo, no final da década trinta mudou para o gosto oficial do Estado Novo (conhecido como o Português Suave), embora mais tarde tenha regressado ao modernismo e aos desenvolvimentos recentes da arquitetura internacional dos anos 50 e 60 do séc. XX.

Do risco de Jorge Segurado, salientamos para Lisboa as seguintes obras:

  • 1926 – Caixa de Previdência da Companhia Carris, na Avenida 24 de Julho nº 58 (traçado sobre a construção de 1879);
  • 1930 – Loja da Alfaiataria Marques & Cª na Rua Garrett nº 66;
  • 1931 – Loja Carrasco na Rua Nova do Almada nº 83;
  • 1932 – Loja do jornal O Século na Praça Dom Pedro IV nº23 e Liceu D. Filipa de Lencastre, no Bairro do Arco do Cego, com António Varela;
  • 1933 – Mais lojas modernistas como a Galeria UP na Rua Serpa Pinto nº 28 ou a Farmácia Azevedo & Filhos na Praça Dom Pedro IV nº 31, assim como a Casa da Moeda, na Avenida António José de Almeida, com António Varela;
  • 1935 – Colégio de Santa Doroteia, na Avenida Marechal Craveiro Lopes nº 1;
  • 1940 – Núcleo das Aldeias Portuguesas da Exposição do Mundo Português;
  • 1941 – Casa Portuguesa de Reynaldo dos Santos, na Avenida António Augusto de Aguiar nº 142;
  • 1943 – Casa Portuguesa de Terra Viana, na Avenida António José de Almeida;
  • 1944 – Estúdios da Tóbis Portuguesa, na Alameda das Linhas de Torres nº 144 e átrio interior do Solar do Vinho do Porto, na Rua de São Pedro de Alcântara nº 45;
  • 1945 – Casa da Suíça na Avenida da Liberdade, nº 158, com Max Kopp e Hunaiger;
  • 1947 – A sua própria moradia na Rua de São Francisco Xavier nº 8, que foi Prémio Valmor 1947;
  • anos 50 – edifícios de ampliação de instalações na Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica, com António Varela;
  • 1959 – Blocos Amarelos para o Montepio Geral, na Avenida do Brasil nºs 112 a 132, com os seus filhos.

Fora de Lisboa, destacamos:

  • 1929 – Liceu Masculino de Coimbra (hoje, Escola Secundária José Falcão), com Adelino Nunes e Carlos Ramos;
  • 1936 – Casa-clínica do Dr. Indiveri Collucci em Paço de Arcos;
  • 1939 – pavilhões de Portugal nas Feiras Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco;
  • 1943 – um prédio na Rua Visconde Coriscada, no centro da Covilhã;
  • 1946 – Estalagem de Viriato em Viseu;
  • 1949 a 1951 – cerca de 50 postos de abastecimento para a SACOR;
  • 1951 – Capela de São Gabriel em Vendas Novas;
  • 1952 – Agência da Caixa Geral de Depósitos nas Caldas da Rainha;
  • 1953- 1967 – Estação Agronómica Nacional, em Oeiras;
  • 1960 – Pousada do Infante D. Henrique, em Sagres.

Em paralelo, Jorge Segurado também se dedicou  à investigação da  história da arte e da arquitetura portuguesa, produziu e expôs desenho e pintura na Galeria Diário de Notícias (1983) e foi agraciado como Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1941) e Comendador da Ordem Militar de Cristo (1948).

Segurado é apelido de outros arquitetos da sua família. São eles José de Almeida Segurado (1913-1988),   José Maria Segurado (1923-2011) e  João Carlos Segurado, que são o seu irmão e os seus filhos.

Em Sesimbra, também existe uma Rua Jorge Segurado.

Rua Jorge Segurado – Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

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A Rua do arquiteto Custódio José Vieira junto a Dom João V

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Quase 20 anos depois de outros dois responsáveis das obras do Aqueduto das Águas Livres, Manuel da Maia e Carlos Mardel, que ficaram em Avenida e em Rua pelo Edital camarário de 25 de novembro de 1929, chegou também Custódio Vieira à toponímia de Lisboa, numa Rua que liga a Rua Dom João V à Rua Gorgel do Amaral.

Foi pelo Edital municipal de 18 de junho de 1948 que a Rua Custódio Vieira deu nome à Rua B à Rua das Amoreiras, o mesmo que colocou também a Rua Dom João V na Rua A à Rua das Amoreiras, a Rua Gorgel do Amaral na Rua D à Rua das Amoreiras e a Praça das Águas Livres na Praça no extremo oriental da Rua D à Rua das Amoreiras.

Os arcos do Aqueduto sobre o Vale de Alcântara, cerca de 1912
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Custódio José Vieira (cerca de 1690 –1744) foi o sargento-mor e arquiteto do Real Aqueduto das Águas Livres responsável pela obra desde o Monte das Três Cruzes às arcadas dos Vale de Alcântara – de 1736 a 1744 -, que sucedeu ao brigadeiro Manuel da Maia ( mentor da construção desde a Mãe de Água Velha à ribeira de Alcântara, de 1732 a 1736) e que por seu turno, foi sucedido pelo  capitão de engenharia Carlos Mardel (o responsável pela obra da Mãe de Água das Amoreiras e dos principais chafarizes emissários, de 1745 a 1763).  Alvará Régio de Dom João V de 12 de maio de 1731 ditou o início do projeto do Real Aqueduto das Águas Livres que foi concretizado por estes três responsáveis pela obra e por Cláudio Gorgel do Amaral, o Procurador da Cidade de Lisboa, obstinado em resolver o problema do abastecimento de água à cidade, tendo para este efeito lançado sobre a população lisboeta o imposto real de água que incidia sobre o vinho, a carne, o sal e a palha.

Custódio Vieira optou por terminar o Aqueduto na encosta de Campolide com três arcos de volta perfeita e não em ogiva por serem de execução mais fácil, tal como escolheu que as pedras salientes usadas como apoio para os andaimes de construção ficassem, com um propósito estético. Na sua parte mais monumental, o Aqueduto possui 35 arcos, sobre o Vale de Alcântara, 21 de volta perfeita e 14 em ogiva, da autoria de Custódio Vieira, entre eles o maior arco em pedra de vão do mundo, com 65 m de altura e 32 m de abertura. Em 1745, após a morte de Custódio Vieira, Ludovice criticou-lhe a estética e Gorgel do Amaral o despesismo,  mas dez anos depois, após o  terramoto, ficou provado que a quantidade de ferro que utilizara para o fortalecimento da estrutura do arco o fez resistir ao abalo, apesar de se encontrar numa falha sísmica.

Para além de responsável da obra deste Aqueduto das Águas Livres que abasteceu Lisboa até 1967, Custódio Vieira foi também arquiteto das Ordens militares de Santiago e S. Bento de Avis, construiu o Palácio de Vendas Novas e participou na edificação do Convento de Mafra.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Honorato José Correia, arquiteto do Aqueduto e da igreja de São Julião, numa Rua do Alto da Serafina

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Na proximidade do Aqueduto que ajudou a construir está Honorato José Correia, perpetuado numa Rua  do Bairro do Alto da Serafina, na freguesia de Campolide, a ligar a Rua Reinaldo Manuel dos Santos à Rua João da Mota e Silva.

Começou por ser a Rua 13 do Bairro do Alto da Serafina pelo Edital de 15 de março de 1950, que sobretudo colocou denominações numéricas nos Bairros Sociais lisboetas ( Alto da Ajuda, Terras do Forno, Calçada dos Mestres e da Encarnação). Depois, de acordo com registos municipais terá sido algures e por tempo incerto a Rua Martim de Mendonça. Em 1989, o Edital de 28 de dezembro de 1989, no que a Comissão Municipal de Toponímia entendera ser uma recuperação de toponímia antiga da cidade que recordasse profissões tradicionais, passou a denominar-se Rua dos Boleeiros. Os moradores consideraram tal toponímia «atentatória da dignidade das pessoas que habitam o Bairro» e no ano seguinte, a nova Comissão de Toponímia considerou que os topónimos atribuídos não tinham qualquer relação histórica com o Bairro do Alto da Serafina e solicitou à Junta de Freguesia de Campolide a elaboração de um plano toponímico para o Bairro, o qual após algumas alterações de pormenor foi aprovado na Reunião de Câmara de 05/12/1990 e pelo consequente Edital de 14/12/1990 revogou a anterior toponímia e assim, este arruamento passou a ter a designação de Rua Honorato José Correia, com a legenda «Arquitecto das Águas Livres/1754 – 1827».

A Igreja de São Julião em 1961
(Foto: Mário Costa, Arquivo Municipal de Lisboa)

Honorato José Correia de Macedo e Sá (Lisboa/22.12.1754 – 1827/Lisboa) que viria a ser um dos arquitetos do Aqueduto das Águas Livres começou a aprender Desenho em 1763, aos 9 anos, na Casa do Risco do Arsenal do Exército, com Manuel Ferreira, João de Figueiredo e seu pai.  Em 1772 entrou como aprendiz de canteiro para a oficina de João Ferreira Cangalhas, mestre geral de obras públicas e 5 anos depois passou a ajudante de Francisco António Ferreira Cangalhas.

Do seu trabalho sabe-se que  elaborou o levantamento da planta geral da cidade de Lisboa (1785); traçou vários chafarizes como o Chafariz das Laranjeiras (1791) com Cangalhas, o Chafariz na Rua do Arco a São Mamede (1808), o chafariz da Junqueira ou da Cordoaria (1821) ou o Chafariz do Intendente (1823) com Henrique Guilherme de Oliveira; assim como trabalhou em templos, como a reconstrução da Capela de N.ª Sr.ª do Monte (1796),  o retábulo da capela-mor de Santa Engrácia (1819)  e a reedificação da Igreja de São Julião (1824),  no Largo de São Julião, com materiais oriundos do Convento de S. Francisco.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do arquiteto do Cine-Teatro Tivoli

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Entre a Rua Luís Cristino da Silva e a Rua Keil do Amaral fica a Praça dedicada ao arquiteto que traçou o cinema Tivoli para a Avenida da Liberdade, a Praça  Raúl Lino, acolhida em Marvila desde  a publicação do Edital municipal de 20 de agosto de 1985.

Raúl Lino da Silva (Lisboa/21.11.1879-13.07.1974/Lisboa) foi estudar para a Grã-Bretanha desde os  10 anos de idade, por orientação de seu pai,  tendo seguido depois para Hannover, na Alemanha, a partir de 1893, onde trabalhou no atelier do historiador e arquiteto Albrecht Haupt (1852-1932). Regressado a Portugal em 1897, Raúl Lino desenhou numerosas obras ao longo da sua vida, cerca de 700, de que que se salientam as seguintes para Lisboa:

  • o modelo de Jardim-Escola João de Deus (1909) e o edifício  da Avenida Álvares Cabral, 69 (1918);
  • os arranjos das instalações dos animais no Jardim Zoológico de Lisboa (1912), na Quinta das Laranjeiras;
  • a loja Gardénia (1917) no nº 54 da Rua Garrett;
  • o Cine-Teatro Tivoli (1918 – 1924) que desde 2015 é  Monumento de Interesse Público;
  • a moradia na Rua Castilho nº 64 a 66, que foi Prémio Valmor  em 1930 (já demolida);
  • as alterações ao antigo Picadeiro Régio/Museu dos Coches (1940) e o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português (1940).

A moradia na Rua Castilho nº 64 a 66 que foi Prémio Valmor  em 1930
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Fora da capital refira-se a sua autoria  na casa Montsalvat para o pianista Alexandre Rey Colaço (1901), no Monte Estoril; no Solar dos Patudos para José Relvas (1904); na Casa da Quinta da Comenda no Outão (1909); o Sanatório de Sousa Martins  (1907) na Guarda; na Casa do Cipreste (1907-1913), em Sintra, para si próprio; na Pérgola em Penacova (1918); na Casa de Santa Maria (1918) em Cascais; na Casa dos Penedos (1920) em Sintra;  no Cine-Teatro Curvo Semedo (1923) em Montemor-o-Novo; na Casa do Soar de Cima (1925) em Viseu; na Quinta das Romeiras em Câmara de Lobos (1933); ou nos Paços do Concelho de Setúbal (1938).

Raúl Lino foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre  arquitetura, como A Nossa Casa (1918), A casa portuguesa (1929), Casas portuguesas (1933) e L´évolution de l´ architecture domestique au Portugal (1937), neles revelando a sua principal preocupação de criar uma arquitetura integrada na paisagem, assente na  ideia de que só o conhecimento do terreno sobrevaloriza os valores tradicionais da pura arquitetura portuguesa, procurando assim conciliar a arquitetura erudita com a tradição popular.

Raúl Lino foi agraciado com o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura de 1930, o Prémio José de Figueiredo  de 1948 e a Comenda da Ordem Militar de Cristo (1941). Também integrou o júri do prémio Valmor em 1931, que premiou o edifício da Rua Infantaria 16, da autoria dos arquitetos Miguel Jacobethy Rosa e António Reis Camelo.

Para além do seu traço de arquiteto, Raúl Lino também desempenhou cargos como  Chefe da Repartição de Estudos e Obras em Monumentos da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (entre 1936 e 1949),  Superintendente Artístico dos Palácios Nacionais a partir de 1938 e ainda, Diretor dos Monumentos Nacionais a partir de 1949.

Raúl Lino foi ainda membro fundador da Academia Nacional de Belas Artes em 1932 e seu presidente a partir de 1967. Refira-se também que a produção artística de Raúl Lino inclui o design de mobiliário, painéis, azulejos e porcelanas; a cenografia (sobretudo no São Carlos e com Almada Negreiros) e a programação cultural, principalmente para o cinema Tivoli onde exibiu, entre outros, filmes de Fritz Lang e de Chaplin, para além de colaborar em publicações como a Atlantida, Homens Livres, Ilustração ou a Revista Municipal de Lisboa.

Na vida pessoal, escolheu viver numa casa na Avenida António Augusto de Aguiar e teve duas filhas: Isolda Lino Norton de Matos e Maria Cristina Lino Pimentel . O seu espólio foi doado pela família, em 1989, à Fundação Calouste Gulbenkian.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arqº Carlos Ramos numa Praça dos Olivais

Freguesia dos Olivais
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Praça Carlos Ramos, nos Olivais, homenageia o arquiteto Carlos João Chambers Ramos que procurou na sua obra um compromisso entre o modernismo e a tradição e no ano de 1922 traçou a Agência Havas da Rua Áurea e foi pai do também arquiteto Carlos Manuel Ventura Ramos.

Este topónimo foi atribuído pelo Edital de 15 de março de 1971 no Impasse A 2.1.2 da Quinta do Morgado, nascendo assim a  Praça Carlos Ramos. Esse mesmo Edital atribuiu denominações a outros arruamentos da Quinta do Morgado, entre as quais se incluiu a Praça Faria da Costa, que perpetua outro arquiteto no espaço que era antes o Impasse A 3.1 da Quinta do Morgado.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos João Chambers de Oliveira Ramos (Porto/15.01.1897 – 01.07.1969) foi um arquiteto que decidiu sê-lo depois de ter conhecido e convivido com Miguel Ventura Terra, sendo depois com Cassiano Branco, Cottinelli Telmo, Cristino da Silva, Jorge Segurado e Pardal Monteiro um dos pioneiros do movimento moderno na arquitetura portuguesa. O Arqº Carlos Ramos foi também urbanista e professor universitário.

Da sua obra arquitetónica para Lisboa, destacamos:

  • 1922 – Edifício da Agência Havas na Rua Áurea, 234-242, inaugurada em 1931;
  • 1927  – Habitação no Largo do Figueiredo, 1;
  • 1927-1933 – Pavilhão do Rádio do Instituto Português de Oncologia, na Rua Prof. Lima Basto;
  • 1929 – Projeto do Liceu Feminino D. Filipa de Lencastre que não chegou a ser construído;
  • 1931 – Instituto Navarro de Paiva, na Rua de São Domingos de Benfica, 16;
  • 1932-1934 – Edifício da Assistência aos Tuberculosos na Rua Domingos Sequeira, 24;
  • 1933 – Alterações no Hospital Júlio de Matos (traçado por Leonel Gaia), na Avenida do Brasil;
  • 1940 – Pavilhão da Colonização para a  Exposição do Mundo Português, para além do Espelho de Água ( lago artificial de recreio) em resultado de um plano coordenado por Cottineli Telmo, com Pardal Monteiro, Cristino da Silva e Reis Camelo;
  • 1943 – Edíficio da Praça Duque de Saldanha, 32 que foi demolido com o Monumental em 1984;
  • 1946 – Moradia no Restelo que foi Prémio Municipal em 1946;
  • 1950 – Traçado da Praça do Marquês de Pombal, tendo em 25 de novembro de 1957 firmado contrato com a edilidade lisboeta para a elaboração do estudo de conjunto da Praça Marquês de Pombal e a urbanização de remodelação do quarteirão definido pelo mesma praça, Rua Braamcamp, Rua Castilho e Rua Joaquim António Augusto de Aguiar.

Fora de Lisboa, o Arqº Carlos Chambers Ramos delineou em 1925 o Bairro Económico de Olhão; traçou inúmeros postos fronteiriços, como a Fronteira de Galegos em Marvão (1938); projetou o Liceu Júlio Henriques em Coimbra (1930) e o Liceu de Viseu(1931) com Adelino Nunes e Jorge Segurado ; planeou vários tribunais como o de Évora, Sabugal ou Mirandela (1959-1960), bem como  equipamentos hospitalares, como a Leprosaria Nacional Rovisco Pais na Tocha (1947), o que fazem deste arquiteto uma figura importante na edificação da imagem do Estado Novo conduzida por Duarte Pacheco e pelo Ministério das Obras Públicas.

Paralelamente, o Arqº Carlos Ramos viveu empenhado em fazer pedagogia do ensino de arquitetura. Em 1933 concorreu ao lugar de professor da 4ª cadeira de arquitetura na Escola de Belas Artes de Lisboa, juntamente com Paulino Montez, Cassiano Branco e Cristino da Silva, tendo sido este último a consegui-lo e reagiu transformando o seu atelier lisboeta, no Largo de Santos, numa escola prática para as novas gerações de arquitetos, que nos anos trinta e quarenta do séc. XX aí encontraram um contraponto ao ensino academizante, tendo por lá passado Adelino Nunes, Dário Vieira, Francisco Keil do Amaral, Nuno Teotónio Pereira ou Raul Tojal, entre muitos outros. Em 1940, Carlos Ramos vai substituir Marques da Silva na 4ª cadeira de arquitetura na Escola de Belas Artes do Porto e aí exercerá docência até 1952, com excepção dos anos de 1946 a 1948 em que foi professor da ESBAL. Tanto no Porto como em Lisboa, conseguiu introduzir uma série de inovações no ensino:

  • prática de provas de arquitetura serem antecedidas por duas lições;
  • confronto dos alunos com programas contemporâneos de arquitetura hospitalar,  aquartelamentos, habitação coletiva ou planos urbanísticos, promovendo o contacto direto com a prática profissional;
  • defesa da formação como um ato contínuo e ininterrupto.

Em 1952, Carlos Ramos assumiu a direção da ESBAP e assim continuou durante 15 anos, formando no Porto alguns dos  mais importantes arquitetos como Mário Bonito, João Andresen, Arnaldo Araújo, Octávio Lixa Filgueiras, Alexandre Alves Costa, Sérgio Fernandez, Fernando Távora, Manuel Mendes, Alcino Soutinho e Álvaro Siza Vieira.

Refira-se ainda, para evitar equívocos, que Carlos João Chambers de Oliveira Ramos (referido mais vezes como Carlos C. Ramos) foi pai do também arquiteto Carlos Manuel Ventura de Oliveira Ramos (mencionado como Carlos M. Ramos), nascido em 22 de agosto de 1922, que  também foi seu colaborador em alguns projetos.

A Agência Havas na Rua Áurea, traçada por Carlos C. Ramos
(Foto: Kurt Pinto, anos 40 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua Rodrigo Franco, arquiteto do Aqueduto e do Santuário do Senhor Jesus da Pedra de Óbidos

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Rodrigo Franco, capitão e arquiteto do século XVIII, um dos envolvidos na execução do Aqueduto das Águas Livres, na fiscalização das obras reais e autor da Igreja do Senhor Jesus da Pedra em Óbidos, está desde a passagem de 1989 para 1990 na Rua 6 do Bairro do Alto da Serafina, na freguesia de Campolide.

As artérias do Bairro do Alto da Serafina começaram por ter um denominação numérica fixada pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, a exemplo de outros bairros sociais de Lisboa. Passados 39 anos, o Edital de 28 de dezembro de 1989, no que se considerou ser uma recuperação da toponímia antiga da cidade, tornou a Rua 6 em Rua Rodrigo Franco, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII». Contudo, a população residente do Bairro contestou a maioria dos topónimos pelo que estes foram alvo de novas designações, com mediação da Junta de Freguesia de Campolide entre os moradores e a Câmara, processo do qual nasceu o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990, sendo a Rua Rodrigo Franca um dos poucos topónimos que se manteve, embora com a alteração da legenda para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII».

Para além da sua participação no Aqueduto das Águas Livres,  pouco se conhece da obra de Rodrigo Franco, para além de ter sido medidor das Obras Reais, nomeado em 13 de agosto de 1745 até ao seu falecimento em novembro de 1763, assim como o autor do Santuário do Senhor da Pedra, construído entre 1740 e 1747,  nos arredores do burgo medieval de Óbidos, como convinha à sua condição de santuário de peregrinação. Insere-se este templo no ciclo de grandes obras mecenáticas de D. Tomás de Almeida, o Cardeal Patriarca de Lisboa e do rei D. João V,  sobressaindo no templo as influências do Convento de Mafra e da igreja lisboeta de Santa Engrácia.

Rodrigo Franco terá trabalhado nos estaleiros do Convento de Mafra, com Ludovice, assim como terá conhecido arquitetos italianos ou italianizantes. No Aqueduto das Águas Livres terá começado como ajudante de Custódio Vieira mas dirigiu toda a obra  entre os anos de 1744 e 1745, sucedendo-lhe nessa tarefa  Carlos Mardel. Pode ter estado envolvido também no traçado do Palácio da Mitra ou Quinta do Arcebispo e de igrejas do Patriarcado.

Da sua obra enquanto «arquiteto e medidores de todas as obras reais» – como surge referido em diversos documentos -, nomeado em 1745, tal como os sargentos-mor José Sanchez da Silva e Carlos Mardel e os ajudantes Eugénio dos Santos, Elias Sebastião Pope e Manuel da Costa Negreiros , verificou e certificou inúmeras obras das quais destacamos as da arca da água do Rato (outubro a novembro de 1750); obras para descobrir água em Vila Chã (julho de 1751);  as obras na arca da água junto ao Mosteiro de Campolide (setembro a outubro de 1751); as obras numa fonte em São Pedro de Alcântara (junho a julho de 1752), a parede do chafariz (outubro de 1752) e os corredores e vãos subterrâneos para introduzir os canos de repuxo do chafariz (abril e novembro de 1753 mais junho de 1754 e março e abril de 1756); obras de um lanço do aqueduto para os bairros da Esperança e da ribeira de Alcântara, bem como no «lanço do aqueduto feito desde a porta do carro dos padres de S. Roque, em frente das portas da Igreja do Loreto e Encarnação» (dezembro de 1756); um lanço do aqueduto no bairro da Esperança, na Rua dos Prazeres e no chafariz do Largo da Esperança (1758); a obra no aqueduto principal na limpeza do mesmo até São Brás,  nos desentulhos provocados pelas cheias do rio em 28 de outubro de 1758 desde a Água Livre até ao Rato e os consertos no aqueduto principal das ruínas provocadas pelo terramoto de 1 de novembro de 1755 para além do conserto dos canos do Rato até à Quinta do Marquês da Fronteira, mais «vários locais dos aquedutos, na descida para S. Bento, adro da igreja, rua Direita do Poço dos Negros, na cerca das freiras da Esperança, rua dos Ferreiros, rua da Boavista, cais do Tojo e fonte de S. Brás» (maio e junho de 1760); a obra para o transporte da água para o novo chafariz no bairro da rua Formosa [hoje, Rua de O Século] (1761 -1762) e da construção desse chafariz (abril de 1763); a obra do arco triunfal da  Rua de São Bento e condução de águas ao bairro da Esperança (abril de 1762).

Sobre a vida pessoal do capitão arquiteto Rodrigo Franco, seguimos o investigador Miguel Portela, que afirma que o mesmo foi batizado em 16 de novembro de 1709 na Igreja de São José em Lisboa, filho de António João Gaspar e Inácia Catarina e faleceu com cerca de 54 anos, em 31 de dezembro de 1763. Casou 3 vezes e teve 3 filhos. Casou com Luísa Maria da Encarnação em 18 de junho de 1732, com quem viveu 22 anos já que esta faleceu em 18 de outubro de 1754. Voltou a casar em 7 de abril de 1755, com Laureana Jacinta Franca, em Santo Antão do Tojal, com quem teve  3 filhos (Ana, Maria e Miguel), tendo esta falecido uns cinco anos depois, em 11 de outubro de 1760. No ano seguinte, em 11 de abril de 1761, o arquiteto avançou para o seu 3º casamento,  com Josefa Maria Teresa.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

 

A Rua do arquiteto e vereador da Câmara Municipal de Lisboa Perez Fernandez

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Inácio Perez Fernandez, arquiteto e vereador da edilidade lisboeta, autor da Escola Primária da Rua Eugénio de Castro, está desde o ano do seu falecimento homenageado numa artéria a freguesia de Benfica.

Foi pelo Edital de 29 de dezembro de 1989 que a Rua D do Estudo de Urbanização Realojamento da Buraca passou a ser a Rua Perez Fernandez, estendendo-se desde a junção da Rua do Bom Pastor com a Rua da Vila de São Martinho até à Travessa Sargento Abílio.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Ignácio Thomaz Perez Fernandez (Barcelona/29.12.1910 – 02.11.1989/Lisboa), radicado em Lisboa a partir dos 3 anos de idade, após concluir o curso de Arquitetura Civil na Escola de Belas Artes de Lisboa em 1934, assim como o estágio obrigatório de dois anos que fez com o Arqº Cristino da Silva, tornou-se  a partir de 1938 arquiteto da Câmara Municipal de Lisboa, sob orientação do Engº Duarte Pacheco que depois o fez entrar na Junta Autónoma das Estradas (JAE), onde participou nos  estudos para a construção da Marginal do Estoril. Trinta anos mais tarde, no cargo de chefe de gabinete da JAE, transitou para o Concelho Superior de Obras Públicas, onde foi Inspetor de Obras Públicas até atingir a idade da reforma, 12 anos mais tarde.

Na CML, ainda convite do Engº Duarte Pacheco, juntamente com Arqº Faria da Costa e o Arqº Étienne de Gröer, integrou um gabinete municipal para estudos de urbanização, onde trabalhou com o Arqº Francisco Keil do Amaral e no qual foram elaborados estudos para o Bairro do Restelo (1938/40) e para Alvalade ( 1945), Bairro onde também foi o autor da Escola Primária da Rua Eugénio de Castro.

Ainda em Lisboa, o primeiro prédio que projetou foi o nº 34 da Avenida Defensores de Chaves, tendo também traçado conjuntos urbanos que ladeiam as Praças António Sardinha e Aniceto do Rosário na Penha de França assim como no Largo Dr. António Viana à Rua Silva Carvalho. Concebeu ainda diversas moradias incluindo a sua própria no nº 29 da Rua Dom Francisco de Almeida, assim como um edifício industrial da Volvo na  Rua José Estêvão e duas instalações industriais e um conjunto habitacional no Vale Escuro para além de ter elaborado a remodelação do Palácio da Rosa (1960).

Em 1949, um grupo de arquitetos modernos ligados ao grupo Iniciativas Culturais Arte e Técnica (ICAT), como Keil do Amaral, Inácio Peres Fernandes, Dário Vieira e João Simões, venceram as eleições para a direção do Sindicato Nacional dos Arquitetos, mas o governo impôs o afastamento de Keil do Amaral e entre 1951 e 1959, Perez Fernandez foi o presidente do Sindicato.

Em 1973 foi um dos fundadores do Partido Socialista e nessa qualidade foi Vereador da CML na Presidência de Aquilino Ribeiro Machado, no biénio de 1977/1979, sendo Vice-Presidente.

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arqº José Daniel Santa Rita numa Rua de Telheiras

Desde 2005 que a Rua Daniel Santa Rita perpetua este arquiteto autor de um percurso de cerca de cinquenta anos, também como  mestre das novas gerações de arquitetos da cidade, numa artéria de Telheiras, na freguesia do Lumiar.

Foi pelo Edital municipal de 16 de fevereiro de 2005 que a Rua Daniel Santa Rita, com a legenda «Arquitecto/1929 – 2001», foi atribuída ao arruamento identificado como Rua B de Telheiras Norte III, junto à Rua Frederico George e Rua Francisco da Conceição Silva.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arquiteto José Daniel Santa Rita Fernandes (Lisboa/1929 -26.05.2001) deixou a sua marca de modernidade tanto na área da Arquitetura e do Urbanismo como do Design de Mobiliário e de Exposições, após concluir o curso de Arquitetura na Escola do Porto em 1951 regressando à Escola de Belas Artes de Lisboa para defender tese em 1960. Foi considerado um dos autores da chamada Geração Moderna do pós-guerra, tendo procurado um caminho renovado para a Arquitetura portuguesa, distanciando-se de uma certa ortodoxia do Movimento Moderno Internacional, particularmente nas suas intervenções com longa incidência nas décadas de 50, 60 e 70 do século XX.

De 1951 a 1961 trabalhou associado ao arqº Conceição e Silva, e também com Sena da Silva projetaram o pavilhão da Feira de Lausanne de 1957, assim como de 1961 a 1974 fez equipa com Duarte Nuno Simões.

Este inconfundível arquiteto da cidade de Lisboa integrou os quadros técnicos do Gabinete Técnico de Habitação e dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1960 e 1981, podendo salientar-se entre as suas obras as suas habitações para realojamento na Célula F de Olivais Sul (1962-1965), o Plano de Recuperação da Praça da Viscondessa dos Olivais (1962-1969), os ateliers de escultura na Rua Cidade do Lobito (1970-1974) ou o projeto elaborado com Manuel Vicente de conjunto habitacional e rua comercial coberta nas Olaias (1973), para além de ter traçado diversos mercados, nomeadamente o de Campo de Ourique e o do Bairro de Santos (1981-1984, com Rosário Venade e Alberto de Oliveira), na década de 80 do séc. XX.

Ainda nesta cidade de Lisboa, em equipa com Rosário Venade e Fernando Seixas elaborou o conjunto Casal Ventoso-Sete Moinhos para a Operação SAAL do Vale de Alcântara (1975-1976), assim como foi coautor com Manuel Vicente  da reconstrução da Casa dos Bicos (1982 – 1983), no âmbito da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura. Também com Rosário Venade criou dois edifícios de habitação, comércio e escritórios para a Tobis Portuguesa (1984) e um edifício residencial na Rua de Campolide, para a EPUL (1986-1992).

Também com o seu filho, o arquiteto João Santa-Rita, produziu vasta obra na passagem da década de 80 para a de 90 do séc. XX, com quem foi sócio fundador da Santa-Rita Arquitectos Ld.ª em 1990, quer no campo da recuperação e modernização de espaços e equipamentos comerciais – Euroleasing, Amoreiras (1989)-,  quer no âmbito de infraestruturas, como a remodelação da Estação de Metropolitano Rotunda I (1992-1996) e da criação da Estação de Cabo Ruivo (1995-1997), destacando-se ainda a reconversão dos Estaleiros da Rocha de Conde de Óbidos e de um palacete do séc. XIX no nº 90 do Campo dos Mártires da Pátria (1991-1996), a intervenção patrimonial no Largo Júlio de Castilho/Museu do Traje  e sobretudo, a reconversão em Alfama para a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa (1992-1997), a que se pode juntar ainda um edifício na Alameda dos Oceanos no Parque das Nações.

Por outro lado, José Santa Rita foi também professor universitário, de Geografia Urbana (1999-2000) e de Deontologia e Ética da Arquitetura e de Economia da Construção (2000-2001) do primeiro curso de Arquitetura da Universidade Lusófona, tendo sido também docente da Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões.

Fez parte da Direção da Revista Arquitectura e publicou inúmeros artigos em várias revistas de Arquitetura e na imprensa não especializada, assim como se dedicou à investigação de contextos histórico-urbanos bem expressos na obra percursora de história de urbanismo Abrantes Cidade, Análise Crítica, editada pela Câmara Municipal de Abrantes em 1966. José Daniel Santa Rita desempenhou ainda funções nos Corpos Gerentes do Sindicato Nacional dos Arquitetos e da Associação dos Arquitetos Portugueses.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do autor do Chafariz de São Sebastião, Francisco António Ferreira, o Cangalhas

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Francisco Ferreira Cangalhas, o arquiteto do Chafariz de São Sebastião inaugurado em 1791,  um dos chafarizes públicos ligados ao Aqueduto das Águas Livres, está numa artéria do Bairro da Serafina, em Campolide, como Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808», desde 1990.

Pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, a Rua 8 do Bairro do Alto da Serafina, passou a designar-se Rua Francisco António Ferreira, com a legenda «Mestre do Aqueduto/Século XVIII», legenda igual à que foi colocada também para as então atribuídas Rua José da Silva Pais, Rua Miguel Ângelo Blasco  e Rua Rodrigo Franco.  Depois das alterações toponímias solicitadas pelos residentes do Bairro um novo Edital municipal, de 14 de dezembro de 1990, reformulou  o topónimo para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, bem como a legenda para «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808», assim como acrescentou mais dois topónimos referentes a arquitetos ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres: a Rua Honorato José Correia e a  Rua Reinaldo Manuel dos Santos.

Assim,  o nome deste arquiteto homenageado parece ser Francisco António Ferreira Cangalhas (? – 1808), podendo Cangalhas ter sido uma alcunha que acabou por ficar integrada como nome de família. Era arquiteto geral da cidade e das Águas Livres, filho e discípulo de João Ferreira Cangalhas, o qual havia sido formado na Escola do Risco de Mafra. Por morte de Reinaldo Manuel dos Santos, sucedeu-lhe em 20 de dezembro de 1791 Francisco António Ferreira Cangalhas como Primeiro Arquiteto da Real Obra da Água Livre.

É da sua autoria, com Reinaldo Manuel dos Santos, o Chafariz urbano de São Sebastião da Pedreira, de traço neoclássico com as armas reais encimadas por uma esfera e seguindo a tipologia de chafariz de espaldar com duas bicas simples, mandado construir por aviso de 21 de novembro de 1787, que recebia água a partir do ramal de Santa Ana. Ficou construído em 25 de  setembro de 1789, mas só por aviso de 29 de agosto de 1791 se mandou aí correr água, a qual começou a jorrar quatro dias depois, abastecido pelo ramal da Cruz das Almas que ía para o Campo Santana. Custou 12 472$701 réis. Ainda com Reinaldo Manuel dos Santos projetou em 1779 o Chafariz de Benfica, tal como 1791 , com Honorato José Correia, traçou o Chafariz das Laranjeiras, com decoração barroca.

Também com Honorato José Correia foi o autor da reedificação de 1770 da Igreja da Conceição dos Freires ou Conceição Velha, no arruamento que hoje identificamos como Rua da Alfândega, no local onde se erguia a antiga Igreja destruída pelo Terramoto, embora tenha aproveitado o portal manuelino do antigo templo bem como duas janelas.

No vizinho concelho de Loures, foi ainda o autor do Aqueduto das Alvogas e do seu Chafariz.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Rua do arquiteto das estações dos CTT, Adelino Nunes

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Adelino Nunes, o arquitecto das estações dos CTT dos anos 30 e 40 do século XX, foi o topónimo atribuído ao arruamento formado pelas Ruas 2 e 3 da Zona N 2 de Chelas que desde 1978 encontramos a ligar a Rua Álvaro Machado à Rua Luís Cristino da Silva.

O Edital municipal de 10 de Agosto de 1978 criou nesta Zona N2 da freguesia de Marvila um Bairro toponímico de arquitetos que, para além da Rua Adelino Nunes, com as Ruas Adães Bermudes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e Pedro José Pezerat.

Adelino Alves Nunes (Lisboa/14.08.1903 – 07.12.1948/Lisboa) foi um arquiteto formado em 1928 no Curso Especial de Arquitectura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa. Ainda estudante começou a trabalhar no atelier do arquiteto Carlos Ramos, onde durante cerca de 8 anos colaborou na elaboração de obras de linguagem modernista desde o Pavilhão da Rádio aos Concursos dos Novos Liceus, sendo por exemplo co-autor do geométrico liceu masculino de Coimbra (1929-1931).  As suas primeiras obras individuais na arquitetura e no mobiliário foram expostas no Salão dos Independentes de 1930, podendo por isso ser considerado da 1ª geração de modernistas, ao lado  do Grupo dos Cinco:  Cristino da Silva, Cassiano Branco,  Pardal Monteiro, Carlos Ramos e Jorge Segurado.

Depois, Adelino Nunes fez carreira na arquitetura institucional onde ficou a sua marca na arquitetura portuguesa da primeira metade do século XX. Convidado por Duarte Pacheco em novembro de 1934 para a DGEMN, trabalhou para a administração geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), responsável na Comissão Construtora de Novos Edifícios dos CTT por traçar a quase totalidade de novas estações dos CTT construídas nas décadas 30 e 40 do século XX em todo o país. Em Lisboa, traçou  em 1941 o Palácio das Comunicações de Lisboa ou Palácio dos Correios, na Praça Dom Luís I, prédio que começou a ser construído no ano seguinte, contando-se a este propósito que o projeto inicial seria modernista, todo em tijolo e em vidro, mas que depois de todas as aprovações necessárias o que foi construído foi um exemplar típico de arquitetura do Estado Novo.

Ainda como funcionário público, com Jorge Segurado e Amílcar Pinto, conceberamo edifício-emissor da antiga Emissora Nacional, em Barcarena, assim como os interiores do edifício dos estúdios na Rua do Quelhas nº 2, traçados em 1933 e inaugurados em 1935. Em Lisboa,  é ainda obra sua o Edifício dos Herbários (1930) do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica.

Adelino Alves Nunes doou o seu espólio ao Sindicato Nacional dos Arquitectos e, para além de Lisboa, também tem a sua memória perpetuada em  Algueirão-Mem Martins através da Rua Arquitecto Adelino Nunes.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

 

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