O historiador da cartografia portuguesa, Avelino Teixeira da Mota, numa Avenida de Lisboa

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Avelino Teixeira da Mota, historiador da cartografia portuguesa a quem o jornalista Norberto Lopes apelidou de «Um Sábio Ignorado», está inscrito na toponímia de Lisboa, numa Avenida de Marvila, passados que eram dois anos  sobre o seu falecimento, através do Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984.

Resultado de imagem para avelino teixeira da mota Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI Avelino Teixeira da Mota (Lisboa/22.09.1920 – 10.04.1982/Lisboa), filho de Avelino da Mota e de Isaura Teixeira, estudou na Escola Primária Oficial N.º 44 e seguiu para o Liceu Passos Manuel até 1938 e nesse mesmo ano, entrou para a Faculdade de Ciências para frequentar as disciplinas necessárias à admissão na Escola Naval (Álgebra, Física, Química e Desenho), onde foi aceite em 15 de setembro de 1939 e assim assentou praça na Armada. Terminado o curso em 1943 ficou com o posto de Segundo Tenente.

Como oficial da Marinha, esteve na Guiné (de 1945 e 1957), primeiro como Ajudante-de-campo do Governador da Guiné, Sarmento Rodrigues, para de 1948 a 1957 integrar a Missão Geo-Hidrográfica da Guiné . Foi também deputado pela Guiné, entre 1957 e 1961. A partir de 1953 foi também incumbido de realizar o inventário e reprodução fotográfica da cartografia antiga portuguesa dos territórios ultramarinos e a partir de 1958, passou a dirigir o Centro de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar, até 1982. Em 1964, era Vogal do Conselho Ultramarino e em 1970 e 1971, foi o chefe do estado-maior do Comando Naval de Angola. Passou à reserva no ano de 1976, quando era presidente do Tribunal da Marinha, no posto de contra-almirante.

Avelino Teixeira da Mota exerceu também como docente, na Escola Naval de 1959 a 1964 e, na Faculdade de Letras de Lisboa,  de 1965 a 1969, como professor de História da Expansão Portuguesa. Com Armando Cortesão, publicou em 1960 duas obras: Portugaliae Monumenta Cartographica Tabularum Grographicarum Lusitanorum Specimen. Da sua obra publicada sobressaem Dom João de Castro, navegador e hidrógrafo (1949), Fernão Vaz: explorador ignorado do Golfo da Guiné e Topónimos de Origem Portuguesa na Costa Ocidental de África desde o Cabo Bojador ao Cabo de Santa Catarina (ambos em 1950), Cinco séculos de cartografia das Ilhas de Cabo Verde (1961), A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique 1500-1860 (1964), O cosmógrafo Bartolomeu Velho em Espanha (1966), Evolução dos roteiros portugueses durante o século XVI (1969), D. João Bemoim e a expedição portuguesa ao Senegal em 1489 (1971), A África ocidental em Os Lusíadas (1972), Duarte Coelho, capitão-mor de Armadas no Atlântico (1531-1535) (1972), Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI (1973), A África no planisfério português anónimo “Cantino”: 1502 (1977), Acerca de algumas recentes reuniões internacionais de interesse para a História Marítima (1977) e postumamente, Bartolomeu Dias: Descobridor do Cabo de Boa-Esperança (1988).

Pertenceu a várias instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais foi membro da Academia Portuguesa de História, a partir de 1954, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1959, académico da Academia  Portuguesa de História (1962), bem como Presidente da Comissão do Infante D. Henrique da Sociedade de Geografia e da Academia de Estudos da Marinha (1979 a 1982).

Para além de Lisboa, Teixeira da Mota está homenageado na toponímia de Oeiras e de Lagos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

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A Rua Eduardo Schwalbach, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1969, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa Eduardo Schwalbach, chegou à toponímia do Bairro de Santa Cruz, 33 anos decorridos após a sua morte, junto com mais 16 nomes de figuras do séc. XIX e primeira metade do séc. XX.

A Rua Eduardo Schwalbach ficou na Rua 9, pelo Edital municipal de 10 de abril de 1969 e os outros nomes que com ele foram consagrados nesse bairro de Benfica alguns partilhavam as áreas do jornalismo, da escrita ou do teatro, como aconteceu na  Rua Actor Alves da Cunha -1889 – 1956 (na Rua 14), Rua Actor Estêvão Amarante – 1889 – 1951 (Rua 8), Rua Actor Nascimento Fernandes – 1881 – 1955 (Rua 10), Rua Actor Vasco Santana – 1898 – 1958 (Rua 12), Rua Alfredo Pimenta – Escritor/1882 – 1950 (Rua 1), Praça Artur Portela – Escritor e Jornalista/1901 – 1959, Rua Dr. Cunha Seixas – Advogado, Escritor e Jornalista/ 1836 – 1895 (Rua 15),  Rua Helena de Aragão – Escritora e Jornalista/1880-1961 (Rua 18), Rua Irene Lisboa – Escritora e Jornalista/ 1892-1958 (Rua 13), Rua Jaime Brasil – Escritor e Jornalista/1896 – 1966 (Rua 16) e  Rua Moreira de Almeida – Jornalista/1869 – 1925 (Rua 5).

Eduardo Schwalbach em casa
(Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Frederico Schwalbach Lucci (Lisboa/18.05.1860 – 08.12.1946) nasceu na então Rua Formosa e hoje Rua de O Século, mas foi morar com sua avó para a Travessa do Colégio, próximo do Hospital de São José e como o seu avô militar, frequentou a Escola do Exército onde chegou a alferes. Contudo, acabou por se demitir do exército para se dedicar ao jornalismo e começou a escrever para o Diário da Manhã. Em 1889, com 29 anos, fundou o diário  A Tarde e mais tarde, chegou mesmo a  dirigir o Diário de Notícias nos períodos de  1924-1939 e 1945-1946, aos 64 e aos 85 anos.

A outra paixão de Schwalbach, o teatro, conduziu-o a escrever a sua primeira peça em 1883,  Surpresas, de matriz cómica e que  subiu ao palco do teatro D. Maria II. Prosseguiu com a comédia-drama em 3 actos o Íntimo (1891) e A Srª Ministra (1898), tendo continuado com dramas, operetas, revistas e até peças infantis, de que se destacam O Dente do Maçarico, levado à cena em 1900 no Teatro da Rua dos Condes,  Retalhos de Lisboa, Anastácia & Cia, A BisbilhoteiraChico das PegasA Cruz da Esmola, Fogo SagradoO João das Velhas, Poema de Amor (1916), Postiços (1923), O Reino da Bolha,  Santa Umbelina ou Tango Cordial (1914),  sendo caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro como Bebé Grande ou Alegre CriançaDepois da aposentação, em 1911, dirigiu exclusivamente o Teatro Apolo, na Rua da Palma e escreveu À Lareira do Passado: Memórias (1944), publicado em edição de autor.

Eduardo Schwalbach foi ainda diretor do Conservatório de Lisboa nomeado por  João Franco, em 1893, por morte de Luís Augusto Palmeirim, com o ordenado de 12 mil réis mensais. Nesse estabelecimento de ensino foi também  professor de arte dramática e inspetor, bem como o diretor da Revista do Conservatório Real de Lisboa, publicada de maio a outubro de 1902.

Colaborou  também na revista Brasil-Portugal e trabalhou como Conservador da Biblioteca Nacional (1867), nomeado por José Luciano de Castro. Foi ainda deputado pelo Partido Regenerador de 1904 a 1908, Procurador à Câmara Corporativa em representação das Artes Gráficas e Imprensa e  redator da câmara dos Pares, nomeado por Hintze Ribeiro, cargos que deixou após a proclamação da República, à exceção do último, em que foi aposentado.

Na sua vida pessoal, viveu e falecido no nº 183 da Calçada da Estrela, onde no dia 18 de maio de 1960, a edilidade lisboeta colocou uma  lápide evocativa do 1º centenário do seu nascimento, descerrada na ocasião por Palmira Bastos. Eduardo Schwalbach está consagrado também numa rua do Estoril.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Rua do Engº Carlos Alves da Cometna e da AIP

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Engº Carlos Alfredo Garcia Alves, fundador da Cometna e Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa, está perpetuado na Rua Carlos Alves, a ligar a Rua Corino de Andrade à Rua Cesina Adães Bermudes, no Pólo Tecnológico de Lisboa.

Com a legenda «Industrial/1898 – 1972», a Rua Carlos Alves nasceu a partir de uma proposta da Lispolis – Pólo Tecnológico de Lisboa para serem denominados os arruamentos onde se encontra instalada e assim ficou na Rua I do Pólo Tecnológico de Lisboa, através do Edital municipal de 24 de setembro de 2009.

Carlos Alfredo Garcia Alves (Lisboa/17.03.1898 – 24.05.1972/Lisboa), licenciado em engenharia eletrotécnica (1921) e mecânica (1922) pela francesa Universidade de Toulouse, distinguiu-se como fundador da Cometna, bem como enquanto Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa no período de 1960 a 1972, tendo logo em 1962  mudado a sede social da AIP  em definitivo para a Junqueira. Também assumiu funções de membro da Comissão Administrativa da FIL – Feira das Indústrias Portuguesas e dirigiu a revista Indústria Portuguesa da AIP de 1938 a 1961.

Enquanto engenheiro e industrial, Carlos Alves  também desempenhou funções de administração nos setores siderúrgico, metalúrgico e elétrico como Sócio-gerente da firma Alfredo Alves & C.ª e Filhos, Presidente da Assembleia Geral da Cometna, Presidente da Assembleia Geral da Companhia Metalúrgica Nacional, administrador da Siderurgia Nacional.  Foi também membro da administração  e Vice-presidente em 1966 das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (a antecessora da EDP), para além de ter assumido a presidência do Conselho Geral da Caixa de Previdência dos Técnicos e Operários Metalúrgicos e Metalomecânicos, bem como da Caixa de Previdência das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade e também do Grémio dos Industriais Metalúrgicos do Sul, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa. Em junho de 1966, na I Semana da Metalomecânica, no Grémio dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos do Sul em Lisboa, apresentou a comunicação «Indústria e Metalúrgica e Metalomecânica. Alguns aspectos e problemas do seu desenvolvimento». Somou ainda à sua carreira a participação no  Conselho Fiscal do Banco Burnay e no Conselho da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

Carlos Alves foi ainda deputado na Assembleia Nacional durante 24 anos, de 1949 a 1973, da V à X Legislatura, tendo sempre participado nas comissões ligadas às Indústrias metalúrgicas e metalomecânicas, bem como sido  Vogal do Conselho Superior da Indústria;  da Comissão Reguladora do Comércio de Metais;  da Comissão Revisora de Pautas e dos Tribunais Técnicos Aduaneiros de 1.ª Instância.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do industrial da CUF, Alfredo da Silva

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O empresário e industrial Alfredo da Silva, sobretudo conhecido pela sua obra na CUF, desde a publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 1960 que dá o seu nome à Rua D à Quinta do Almargem ou à Calçada da Boa-Hora, com a legenda «Industrial/1871 – 1942», oito anos após o ofício nº 485/52 do Sindicato Nacional dos Comercialistas solicitar a inclusão do nome de Alfredo da Silva na toponímia de Lisboa.

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Alfredo da Silva (Lisboa/30.06.1871 – 22.08.1942/Sintra) era filho de um rico comerciante de Lisboa, Caetano Isidoro da Silva,  com casa comercial e morada no n.º 185 da Rua Bela da Rainha [Rua da Prata desde novembro de 1910], e de Emília Augusta Laymée Ferreira, de ascendência francesa, pelo que estudou no Liceu Francês até à morte do seu pai em 1885. Dois anos depois matriculou-se no Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa,  sendo que em 1890 já detinha o encargo de gerir a herança da família e três anos depois, em 1893,  era por herança acionista um dos administradores do Banco Lusitano e da Companhia Aliança Fabril (CAF), que fabricava sabões e velas em Alcântara e de que era administrador Henry Burnay.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1894, casou-se com Maria Cristina Resende Dias de Oliveira, tendo como padrinho o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais acionistas da CAF. A filha nascida desse casamento – Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva- casará com Manuel Augusto José de Mello, o genro que depois comandará a CUF, empresa que pertencerá por esta aliança familiar ao Grupo Mello.

Henry Burnay era administrador da CAF mas também da CUF (Companhia União Fabril) e após um incêndio da primeira, conjugou a sua vontade com a de Alfredo da Silva para a fusão das duas, união que foi formalizada em 22 de abril de 1898 sob o nome de CUF e que se desenvolveu produzindo adubos em grande escala, aproveitando a ideia do Estado potenciar o cultivo de cereais no Alentejo.

Acionista da Carris também por herança paterna, Alfredo da Silva foi convidado pela empresa em 1892 a fazer uma visita a algumas cidades da Europa para estudo dos melhores sistemas de tracção mecânica, tendo o seu relatório apontado para o que viriam a ser os Eléctricos da Carris, tendo o primeiro circulado no dia 31 de agosto de 1901 da Praça do Comércio a Algés.  Alfredo da Silva  foi diretor da Carris entre 1896 e 1899, com Zófimo Consiglieri Pedroso e Carlos Krus.

Alfredo da Silva diversificou os seus negócios em várias áreas e tornou-se um dos industriais mais ricos de Portugal. Esteve na criação da Tabaqueira do Poço do Bispo (1927) e na produção de tecidos para sacas de adubos, arrecadou a exploração do Porto de Lisboa no Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (1936),  entrou na navegação e nos territórios africanos para controlar o transporte e matérias-primas, comprou o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império, investiu na metalurgia.

Como diversos industriais do final do séc. XIX e principio do séc. XX, também Alfredo da Silva  se mostrou interessado em fixar os seus trabalhadores nas cercanias das suas fábricas, através da construção de  bairros operários, mercearias, padarias e até posto médico, de que foi exemplo maior o Barreiro, onde instalou fábricas de adubos a partir de 1907, assim como chegou mesmo a abrir uma escola para ambos os sexos em 1927. Todavia Alfredo da Silva geriu a CUF à distância quando se refugiou em Espanha e França após ter sido vitima de três atentados fracassados, tendo o último sido de outubro de 1921 e a sua ausência de Portugal até 1927.

Envolveu-se na política  ao ser eleito deputado  regenerador em 1906 e apoiante de João Franco; ao apoiar Sidónio Pais (1918) e depois o Estado Novo, tendo conquistado um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935 e opôs-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho diário. No ano seguinte, conseguiu que fosse adjudicada à CUF a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos que será o embrião da Lisnave.

Alfredo Silva foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial (1932), como Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense (1933) e com a atribuição do seu nome a agrupamentos escolares do Barreiro e de Rio de Mouro, bem como uma Avenida no Barreiro e outra em Rio de Mouro (no Bairro da Tabaqueira), assim como ruas em  Alfragide e São Domingos de Rana.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Rua do presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril, Fradesso da Silveira

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fradesso da Silveira, que no séc. XIX foi presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril, executou um inquérito à indústria fabril e promoveu a Biblioteca das Fábricas, veio em 1888, treze anos após a sua morte,  a substituir o topónimo da Rua Alexandre Herculano, em Alcântara, um dos pólos industriais da Lisboa dessa época.

Em 1878, o Governo Civil de Lisboa determinou pelo seu Edital de 18 de janeiro atribuir a denominação Rua Alexandre Herculano ao «prolongamento do novo atêrro marginal do Tejo, desde a ponte sôbre a Ribeira de Alcântara até ao Largo das Fontaínhas», atendendo assim ao pedido da Câmara Municipal de Belém para homenagear o primeiro presidente daquele município. Nove anos passados, a deliberação da Câmara Municipal de Lisboa do último dia do ano de 1887 e o consequente Edital de 10 de janeiro de 1888, alterou esse topónimo para Rua Fradesso da Silveira, tanto mais que desde 6 de maio de 1882 que também dera existência em Lisboa a uma nova Rua Alexandre Herculano, agora no Bairro Barata Salgueiro, junto à Avenida da Liberdade.

Fradesso da Silveira n’ O Diário Illustrado, 16 de novembro de 1873

Joaquim Henriques Fradesso da Silveira (Lisboa/14.04.1825 – 26.04.1875/Lisboa) distinguiu-se como industrial e fundador a Gazeta das Fábricas mas sobretudo como presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril de Lisboa, tendo promovido a edição da Biblioteca das Fábricas, que coligia pequenos e elucidativos opúsculos dos trabalhos que levara a cabo como Comissário Régio para o inquérito à indústria fabril.

Posteriormente, Fradesso da Silveira transferiu-se para a área das estatísticas industriais na Direcção-Geral de Estatística para além de se ter dedicado às questões do fomento industrial e da competitividade, tendo exercido também as funções de vogal do Conselho Geral do Comércio, Agricultura e Manufaturas. Na década de 1860 era também membro da secção industrial do Conselho Geral das Alfândegas, tendo realizado vários inquéritos destinados a avaliar a competitividade da indústria portuguesa face às suas congéneres europeias.

Fradesso da Silveira assentara praça na marinha em 1842 – onde foi condiscípulo de Carlos Testa – e em 1844 passou para a Infantaria do Exército, tendo depois conseguido por concurso a regência da cadeira de Física e Química da Escola Politécnica, onde se manteve até 1853 e à qual voltou em 1860, levando esta docência a fazê-lo publicar o Manual do curso de química elementar professado na Escola Politécnica (1846) e Lições de Óptica (1848).  Também dirigiu o Observatório Meteorológico de Lisboa, anexo à Escola Politécnica. Em 1853, desempenhou as funções de chefe da Repartição de Pesos e Medidas (da Comissão Central de Pesos e Medidas) o que lhe permitiu contribuir decisivamente para a adoção do sistema métrico em todo o país.

Joaquim Fradesso da Silveira que foi  casado com Maria Amália Cordeiro Feyo, filha do 1º Visconde de Fontainhas, também ao longo da sua vida manteve uma ligação próxima à imprensa escrita já que editou a  Revista Popular (1849-1851), organizou o Almanaque Popular,  o Diário Mercantil e a Gazeta do Povo, para além de colaborar na Revista Universal Lisbonense, no Jornal do Comércio e no Diário de Notícias, tendo sido ainda, enquanto membro do Partido Histórico, deputado por Lisboa em 1865 e 1866.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O pombalino Largo do Caldas e o Largo Adelino Amaro da Costa dos anos 80

O traçado pombalino para o Palácio de João Rodrigues Caldas no Terreiro do Ximenes, assinado pelo Conde de Oeiras (depois Marquês de Pombal) e por De Blasco.

O Largo Adelino Amaro da Costa, dado nos anos 80 do séc. XX, é o topónimo oficial do pombalino Largo do Caldas que continua a persistir na memória dos lisboetas.

Pelo menos desde XVI existia no espaço deste arruamento o palacete da família do castelhano Rodrigues Caetano Ximenes,  que em 1476 tinha vindo para Portugal, pelo que chamava ao local Chão de Alcamim mas também Terreiro ou Terreirinho do Ximenes. Segundo Norberto de Araújo o arruamento também foi denominado como Praça da Bela Vista e um pouco antes do Terramoto como Largo do Conde de São Vicente.

Pelo menos desde 1858 seria designado como Largo do Caldas, uma vez que assim consta no levantamento topográfico de Lisboa de Filipe Folque. O topónimo deriva do Palácio urbano pós-terramoto, dos irmãos João e Luís Rodrigues Caldas, edificado entre 1765 e 1775 onde antes fora o Palácio do Ximenes, sendo o traçado desenhado a tinta da china e aguarela assinado pelo Conde de Oeiras (título de 1759 que após a criação do título Marquês de Pombal, em 1769, passou a ser subsidiário deste) e  de Blasco (seria Miguel Ângelo de Blasco ?…). O palácio com uma planta em L irregular, na frente virada para o Largo do Chão do Loureiro, foi edificada em 1766 uma ermida pública sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, cuja autorização de culto foi dada a 1 de dezembro de 1766. Os irmãos  Caldas Rodrigues – João e Luís (Viana do Castelo – Badim/22.03.1721 – 25.05.1787) eram contratadores gerais de tabacos do reino.

Segundo Luís Pastor de Macedo, a partir de 1766 morou no Palácio pombalino dos Caldas o francês Jácome Ratton,  industrial amigo e admirador de Pombal e lá lhe nasceram três dos seus filhos.

No séc. XX, coabitando com as irmãs Caldas Machado e por cedência destas, viveu também num quarto no 3º andar, desde 1927, o padre Francisco Rodrigues da Cruz, conhecido como Padre Cruz, que ali  faleceu com 89 anos de idade em 1949, sendo que passados 10 anos e no âmbito do centenário do nascimento do Padre Cruz, a edilidade lisboeta tenha descerrado uma lápide comemorativa no prédio. Por morte das três últimas proprietárias – as irmãs Maria da Assunção, Joana Francisca e Catarina-, solteiras e sem filhos, o Palácio passou por herança para o Seminário dos Olivais.

Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa (Lisboa/18.04.1943 – 04.12.1980/Camarate), Ministro da Defesa quando faleceu no desastre de aviação que também vitimou o Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, veio dar o seu nome ao Largo do Caldas desde a publicação do Edital de 5 de abril de 1982. Uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980, para serem atribuídos os nomes de ambos os políticos a ruas de Lisboa, tendo a Comissão Municipal de Toponímia sugerido para o efeito, em 13 de janeiro de  1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar a designação de locais do então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira que sugeriu a alteração de denominação do antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa e, da  antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro.

Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico em 1966, Adelino Amaro da Costa foi também sub-Diretor e Diretor do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação (1973 – 1974) tendo em 1974 sido um dos fundadores do Centro Democrático Social (CDS), com Diogo Freitas do Amaral,  e o seu primeiro secretário-geral.  De 1975 a 1980 foi deputado e líder do Grupo Parlamentar do CDS (1976 – 1978), Ministro de Defesa Nacional no Governo presidido por Sá Carneiro e com ele faleceu  quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral para as presidenciais desse ano.

O Largo Adelino Amaro da Costa – Freguesia de Santa Maria Maior

A antiga Praça do Areeiro e Francisco Sá Carneiro

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1982 que a Praça do Areeiro – cerca de um ano e meio após a trágica morte de Francisco de Sá Carneiro – se denomina oficialmente Praça Francisco Sá Carneiro, embora a maioria da população a continue a designar pelo antigo topónimo fixado em 1947, a ponto de a Comissão Municipal de Toponímia no seu parecer de 11 de novembro de 1994 ter aditado à legenda  deste topónimo «Antiga Praça do Areeiro».

Cronologicamente, o Edital municipal de 17/02/1947 instituiu que «a via pública situada no término da Avenida Almirante Reis, conhecida por Praça do Areeiro, toma a referida denominação», sendo o topónimo derivado da antiga Quinta do Areeiro que Júlio Silva Pinto ainda em 1908 representava na sua planta de Lisboa.  Após a morte do então Primeiro-Ministro, Francisco Sá Carneiro, em 4 de dezembro de 1980 a deliberação camarária de 22 de dezembro de 1980 e o consequente Edital municipal de 5 de abril de 1982 alteraram a denominação Praça do Areeiro para Praça Francisco Sá Carneiro, cuja legenda é desde 1994 a seguinte: «1934 – 1980/Antiga Praça do Areeiro».

No seguimento das dramáticas mortes de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que na época eram o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa, foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980 uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática  para serem atribuídos os seus nomes a ruas de Lisboa. A Comissão Municipal de Toponímia sugeriu para o efeito, em 13 de janeiro de 1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar o local sugerido pelo então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira, que mudou a antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro e o antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa.  Em 19 de julho de 1991, data do 57º aniversário de nascimento de Francisco Sá Carneiro, foi inaugurado na praça como o nome deste político um monumento em sua homenagem, da autoria de Mestre Soares Branco, conseguido através de subscrição pública lançada pelo jornal O Dia .

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro (Porto/19.07.1934 – 04.12.1980/Camarate), advogado que se empenhou com paixão numa carreira política, foi fundador e o primeiro Secretário Geral do PPD (Partido Popular Democrático) em maio de 1974. Em 1979, o já então denominado PSD (Partido Social Democrata), por coligação com o CDS e o PPM, formaram a AD (Aliança Democrática) que através das eleições legislativas intercalares alcançou o governo do qual Sá Carneiro foi primeiro-ministro (o VI Governo Constitucional) até falecer, com 46 anos, vítima de um controverso acidente aéreo.

Formado em Direito pela Universidade de Lisboa em julho de 1956, Francisco Sá Carneiro exerceu advocacia no Porto e dirigiu a  Revista dos Tribunais a partir de 1961. Viveu por muitos anos em Lisboa, na Rua Dom João V, já que nos anos do fim do marcelismo, de 1969 a 1973,  foi deputado independente da chamada Ala Liberal, propondo com o deputado Pinto Balsemão uma Lei de Imprensa que reduzia a Censura (1970), assim como uma revisão constitucional (1970) num projeto conjunto com Mota Amaral, acabando mesmo por se confessar social-democrata e renunciar ao cargo de deputado em 26 de janeiro de 1973. Após o 25 de Abril foi ministro sem pasta no I Governo Provisório de Adelino da Palma Carlos, deputado à Assembleia Constituinte e depois na Assembleia da República, sendo o líder da bancada parlamentar do PPD/PSD.

A título póstumo foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), da Ordem Militar da Torre e Espada (1986) e da Ordem da Liberdade (1990), bem como com uma Sessão Solene de homenagem na Assembleia da República(1990), a Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados (2006) e a Ordem do Infante D. Henrique (2017), para além de o seu nome ter sido dado ao Aeroporto Internacional da sua cidade natal (1990).

A Praça do Areeiro nos anos 40 do séc. XX
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, professor da Escola Politécnica

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mariano Cirilo de Carvalho, professor de Matemática da Escola Politécnica, jornalista e político, foi consagrado ainda em vida, dez meses após se demitir do cargo de Ministro da Fazenda, na Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, na última década do século XIX, nos  Olivais, artéria que hoje começa hoje junto ao nº 365 da Avenida Infante Dom Henrique  e se estende até à Praça da Viscondessa dos Olivais (em virtude de alterações urbanísticas ocorridas na zona foi eliminado o troço entre a Avenida Infante Dom Henrique e a Avenida D. João II).

Foi por deliberação camarária de 25 de novembro de 1892 e consequente Edital municipal de dia 30 que a Rua Direita, que da Praça da Viscondessa dos Olivais seguia para o nascente até à Praia do Tejo, se passou a denominar Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, tendo o mesmo Edital  consignado também em Ruas da mesma freguesia os nomes de Conselheiros de Estado que haviam sido ministros ou governadores na mesma época, a saber, a Rua do Conselheiro Dias Ferreira, a Rua do Conselheiro Ferreira do Amaral, a Rua do Conselheiro Lopo Vaz e a Rua do Conselheiro Teles de Vasconcelos.

N’ O Berro, 29 de março de 1896,  caricaturado por Celso Hermínio

Mariano Cirilo de Carvalho (Alenquer-Abrigada/25.06.1836 – 19.10.1905/Estoril), formado em Farmácia e em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa, distinguiu-se como  professor de Matemática dessa mesma Escola a partir da década de sessenta do séc. XIX, tendo sido também vogal do Conselho Superior de Instrução Pública.

Mariano de Carvalho foi  também jornalista, começando logo a partir de 1864 no Gazeta de Portugal mas chegou até a fundar títulos como o Notícias, o Novidades, o Correio Português e o Diário Popular. Em paralelo, ainda se dedicou à tradução, tendo sido o primeiro tradutor para português de Júlio Verne (nas obras Aventuras de três russos e de três ingleses,Viagem ao centro da terra, O país das peles, A galera Chanceler).

Filiado no Partido Reformista foi deputado de 1870 a 1880, eleito pelos círculos da Chamusca, do Porto, de Timor e do Cartaxo, tendo em 1900 sido deputado independente. Em 1876, por fusão do Reformista com o Partido Histórico, passou a representar o Partido Progressista. Foi ainda Ministro da Fazenda (1886-1889; 1891-1892) com José Luciano e com João Crisóstomo, época que publicou as obras Reorganização das Finanças Portuguesas – Relatório e Proposta de Lei (1887),  A Questão dos Tabacos (1889) e Os Planos Financeiros (1893).

Mariano de Carvalho conseguiu ainda ser o Comissário português à Exposição de Paris de 1890, presidente da Câmara Municipal de Setúbal e Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino.

Por último, refira-se que Mariano de Carvalho foi um empenhado defensor da construção da linha de caminho de ferro para Cascais, tendo mesmo apresentado um plano de construção de um porto franco naquela vila, bem como de uma linha férrea que pela Quinta Marinha, seguisse até Colares.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça Sócrates da Costa no Beato

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Na freguesia do Beato está a Praça Sócrates da Costa que homenageia o licenciado em Direito que também foi professor liceal, consagrado com a legenda «Figura de relevo da Índia Portuguesa/1898 – 1959» desde janeiro de 1960.

Foi pelo Edital municipal de 2 de janeiro de 1960 que a Praceta I à Calçada do Carrascal passou a ter a denominação de Praça Sócrates da Costa, em homenagem a Jerónimo Salvador Constantino Sócrates da Costa (Margão – Índia/28.03.1898 – 10.11.1959/?), licenciado em Direito que prosseguiu uma carreira profissional como professor do ensino secundário, notário e subdelegado do Procurador da República da Comarca de Caminha e, após se ter fixado na Índia, como notário da Comarca de Goa.

Na política, ocupou os cargos de  Vogal da Comissão Distrital da União Nacional de Viana do Castelo, Presidente da Comissão Provincial da União Nacional da Índia, Comissário Colonial e Comissário Nacional Adjunto da Mocidade Portuguesa da Índia, Presidente da Câmara Municipal de Goa, e deputado parlamentar da Índia nas V (1949-1953), VI (1953-1957) e VII Legislaturas (1957-1961).

Deixou publicações várias como a da sua Conferência no Instituto Vasco da Gama intitulada «O Estado Novo e a Constituição Política da República Portuguesa» (1940), «Goa na História da Civilização» (1947) editada pela Repartição Central de Estatística e Informação de Goa ou a obra que compila os seus discursos proferidos enquanto deputado da então Índia portuguesa na Assembleia Nacional – «Índia: discursos proferidos na Assembleia Nacional em 1 de Março de 1950» -, publicada pela União Nacional.

Foi casado com Maria Adosinda Guimarães Mendes, a quem o Decreto-Lei  43970 ( de 19/10/1961) atribuiu uma pensão mensal vitalícia de 5 mil escudos.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)