A Praça António Sardinha que não passou a Praça Maria Pimentel Montenegro

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

O poeta e rosto do Integralismo Lusitano António Sardinha, colocado como topónimo lisboeta em 1932, e numa Praça desde 1951, recebeu após o 25 de Abril  um pedido para que fosse substituído pela poetisa Maria Pimentel Montenegro, que já era topónimo desde março de 1974 numa rua de Benfica pelo que não sucedeu modificação alguma.

O caso ocorreu logo na 1ª reunião da 1ª Comissão Municipal de Toponímia pós-25 de Abril, em 15 de novembro de 1974, a partir de uma carta de Branca Alvarez Lopes a propor à edilidade a troca do topónimo Praça António Sardinha para Praça Maria Pimentel Montenegro. Como desde a publicação do Edital municipal de 4 de março de 1974, a artéria que ligava a Rua Dr. João de Barros a uma parte da Rua K já era a Rua Maria Pimentel Montenegro, a Comissão entendeu «que o pedido não é de considerar, porquanto, o nome de Maria Pimentel Montenegro está já consagrado num arruamento da zona de Benfica e quanto à substituição do nome de António Sardinha, deverá aguardar-se maior manifestação popular nesse sentido.»

António Sardinha havia sido consagrado pelo Edital de 31 de março de 1932  na Rua H do plano de  arruamentos da Quinta da Marquesa de Abrantes, em Marvila, aprovado em sessão de 15 de maio de 1930, mas o arruamento nunca chegou a ser executado, como os outros que integravam o plano, pelo que o seu nome voltou a ser dado à Praceta nº 1 da Rua da Penha de França, compreendida entre os nºs 150 e 152 da Rua da Penha de França, através do Edital municipal de 10/01/1951, onde permaneceu até aos dias de hoje.

Política, 10 de janeiro de 1930

O homenageado é António Maria de Sousa Sardinha (Monforte/09.09.1887-10.01.1925/Elvas), formado em Direito pela Universidade de Coimbra, época em que defendeu a implantação da República em Portugal,  para a partir de 1912 se tornar o mentor do Integralismo Lusitano assim como deputado monárquico durante o consulado de Sidónio Pais. A sua obra de cariz doutrinário, define o Integralismo Lusitano como um pensamento político que conjuga a defesa da monarquia, do nacionalismo e do catolicismo, como mostram os seus ensaios O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio Era o Verbo A Aliança Peninsular (ambos em 1924), Ao Ritmo da Ampulheta e Teoria das Cortes Gerais (ambos em 1925).

O seu pensamento político teve como órgãos de divulgação as revistas Nação Portuguesa (1914) e A Monarquia (1917), ambas co-fundadas por António Sardinha, com Alberto de Monsaraz, Hipólito Raposo, Luiz de Almeida Braga e Pequito Rebelo no primeiro caso. O seu pensamento antirrepublicano e nacionalista encontrou eco em alguns dos defensores do Estado Novo.

Como poeta, António Sardinha fundiu saudosismo com os valores integralistas lusitanos, tendo publicado Tronco Reverdecido (1910), A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na Corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923), para além dos póstumos Era uma Vez um Menino (1926), O Roubo da Europa (1931) e Pequena Casa Lusitana (1937).

Após a morte de Sidónio Pais e o fracasso do movimento da Monarquia do Norte António Sardinha exilou-se em Espanha, no período de 1919 a 1921. De volta a Portugal dirigiu o diário A Monarquia e colaborou no quinzenário A Farça e na revista Lusitania, até falecer aos 37 anos.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do político liberal Rodrigo da Fonseca

A Rua Rodrigo da Fonseca em data entre 1898 e 1908                                                                                  (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro está desde 1884 fixado o político liberal Rodrigo da Fonseca, pela deliberação camarária de  28 de fevereiro e consequente Edital de 4 de março, na artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira.

Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), ainda quando estudante em Coimbra, abraçou a carreira militar alistando-se no  Batalhão Académico sob o comando do lente de Matemática Tristão de Oliveira, para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, tendo embarcado com o seu amigo Silva Carvalho. Em Londres apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, encarregue de dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo, sendo então diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835)  período em que criou por decreto o Instituto de Ciências Físicas e Matemáticas em Lisboa mas revogado após protestos da Universidade de Coimbra e queda do governo, repetindo a pasta no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) embora tenha contribuído para a sua queda defendeu no parlamento que não podia governar sem a liberdade da imprensa, voltando à pasta em 1851-1856 outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua do poeta Gonçalves Crespo

Capa da revista Occidente, 21 de junho de 1883

Capa da revista Ocidente, 21 de junho de 1883

Junto à Rua do Conde de Redondo está desde 1902, através da publicação do Edital de 11 de dezembro, a Rua Gonçalves Crespo, que 19 anos após o seu falecimento perpetuou o poeta nascido no Brasil, filho de uma escrava mulata (Francisca Rosa da Conceição) e de um negociante português (António José Gonçalves Crespo), cujos poemas chegaram a ser reproduzidos em postais e leques, em Portugal e no Brasil, como o seguinte:

Amar e ser amado, que ventura!
Não amar, sendo amado, triste horror:
Mas na vida há uma noite mais escura,
É amar alguém que não nos tenha amor!

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro/11.03.1846 – 11.06.1883/Lisboa)  veio residir para Portugal a partir dos 10 anos de idade. Seguiu para Coimbra onde se formou em Direito e nessa cidade também se iniciou na literatura, como colaborador de A Folha, fundada em 1868 por João Penha, onde colheu a sua influência parnasiana. Foi o autor de Miniaturas (1870) e Nocturnos (1882), expressando-se em poemas com reminiscências da vida familiar e cenas do quotidiano. Quatorze anos após o seu falecimento, em 1897, foram também editadas as suas Obras Completas, que em 1942 tiveram reedição com honras de prefácio de Afrânio Peixoto e capa de Maria Helena Vieira da Silva.

Gonçalves Crespo foi ainda deputado pela Índia, nas legislaturas de 1879 e 1882, e trabalhou no Diário da Câmara dos Pares, assim como colaborou no Jornal do Comércio, Artes e Letras, Cenáculo e na revista Ocidente.

Ainda estudante, casou-se com Maria Amália Vaz de Carvalho em 1874, que conhecera por um diálogo literário mantido por correspondência. Em conjunto com ela escreveu Contos para os Nossos Filhos que publicaram em 1886. O casal viveu a partir de 1875 no nº 7 da Travessa de Santa Catarina, em Lisboa, onde Gonçalves Crespo faleceu vítima de tuberculose, e a Câmara Municipal de Lisboa colocou em outubro de 1934 uma lápide evocativa de ambos na fachada do prédio.

Como curiosidades, refira-se que a Sociedade Portuguesa de Autores tem sede na Rua Gonçalves Crespo e que existe uma artéria homónima da lisboeta no Bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

Os últimos topónimos atribuídos em 1916

Freguesias de Arroios e Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

O último Edital municipal de toponímia de 1916 foi publicado no dia 27 de novembro e incluiu 6 topónimos: dois relacionados com o topónimo Penha de França em dois locais distintos da cidade, três de conselheiros já sediados em Arroios aos quais foi retirado esse título,  e um referente a heróis da I Guerra Mundial numa artéria repartida entre a Penha de França e Arroios.

De acordo com as deliberações da sessão de câmara de 23/11/1916, o vereador Manuel Joaquim dos Santos apresentou uma solicitação da Junta de Freguesia de Arroios para que fossem alterados alguns topónimos de forma a «que se instaure um processo de expropriação de uma parcela de terreno na quinta do Fole à estrada da Penha de França e se passe a dar denominação de rua da Penha de França, à rua da Penha de França (á Escola Politecnica) a de calçada da Penha de França, á rua Conselheiro Carrilho a de Antonio Pereira Carrilho, à rua Conselheiro Monteverde a de rua Achiles Monteverde, à Rua Conselheiro Morais Soares, a de rua Morais Soares, e á do Caracol da Penha, a de rua dos Herois do Kionga», o que foi aprovado por unanimidade.

Assim, a Estrada da Penha de França passou a Rua da Penha de França  e importa esclarecer a origem do topónimo Penha de França neste local. António Simões, um escultor de imagens sacras ou imaginário, como se dizia na sua época, encontrando-se perdido em Alcácer Quibir fez promessa de que se voltasse a Portugal fabricaria várias imagens de Nossa Senhora e lhes daria um destino condigno. De regresso,  chamou Senhora da Penha de França (uma invocação de um santuário de Salamanca) à última imagem que produziu  e esta foi inicialmente colocada na Igreja da Vitória da Baixa lisboeta até o escultor ter erguido uma Ermida,  no Monte Alperche, em terrenos de Afonso Torres de Magalhães, onde a dita imagem de Nossa Senhora da Penha de França se acolheu em 1597, apesar da Ermida ter ficado concluída apenas no ano seguinte. Passados seis anos, em 1604, começou a construir-se no local uma nova Igreja, maior e com Casa Conventual, concluída em 1635 e que acabou por estender o nome da Senhora da Penha de França a todo o sítio, até chegar a ser também o da própria freguesia.

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857 (Arquivo Municipal de Lisboa)

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857
(Arquivo Municipal de Lisboa)

Ora já existia uma Rua da Penha de França nas proximidades da Rua da Escola Politécnica,  o que causaria equívocos caso existissem duas na cidade pelo que foi aprovado que esta passasse a designar-se como Calçada da Penha de França em 1916, embora de seguida tenha sido a Calçada João do Rio e hoje a encontremos como Calçada Engº Miguel Pais (desde a publicação do Edital municipal de 23/12/1948). Nesta artéria, quando ainda era designada como Rua da Penha de França, nasceu Maria Matos em 1886.

Já António Pereira Carrilho, Aquiles Monteverde e Morais Soares ficaram sem o título de conselheiro no enunciado dos topónimos, trocado que foi pelos seus próprios nomes, uma vez que na  I República era característico eliminar da toponímia referências à monarquia e o título de conselheiro era atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal, mas também concedido a quem tivesse prestado serviços honrosos ao país.

Antonio Pereira Carrilho, Diário Ilustrad, 19 de março de 1880

António Pereira Carrilho, Diário Ilustrado, 19 de março de 1880

António Pereira Carrilho, a cujo topónimo acresceu mais tarde a legenda «Notável Economista e Jornalista/1835 – 1903 » por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 03/03/1960, antes de ser Rua do Conselheiro Pereira Carrilho era um troço da antiga Estrada de Circunvalação. O homenageado é António Maria Pereira Carrilho (Lisboa/10.10.1835 – 16.11.1903/Paris) que se notabilizou como Diretor Geral da Contabilidade Pública e Secretário Geral do Ministério da Fazenda, responsável por elaborar o Orçamento Geral do Estado ao serviço de diversos Governos e os explicar na Câmara dos Deputados. Carrilho desempenhou também a função de Presidente do Conselho de Administração da Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro e também foi recompensado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Fundou ainda O Economista em 1880 e colaborou com os jornais Diário Mercantil do Porto, Gazeta do Povo, Opinião O Progressista. Esta figura do rotativismo liberal foi ainda diversas vezes deputado a partir de 1875 e par do reino em 1902 e 1903.

aquiles-monteverde-livroAquiles Monteverde, cujo topónimo recebeu mais tarde a legenda «Escritor Didáctico e Diplomata/ 1803 – 1881» por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 19/04/1960, antes de ser Rua do Conselheiro Monteverde (Edital de 14/02/1882) era a Travessa Cruz do Tabuado. Perpetua o nome de Emílio Aquiles Monteverde (Lisboa/09.06.1803 – 07.01.1881/Lisboa), funcionário público desde que em 1821 começou como adido à legação portuguesa de Madrid, tendo chegado a secretário geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1869 e antes, em 1850 foi galardoado com o título de conselheiro, a comenda da Ordem de Cristo e a de Cavaleiro da Torre e Espada. Foi também o autor Manual Enciclopédico para uso das Escola de Instrução Primária, no último quartel do séc. XIX, aprovado pela Junta Consultiva de Instrução Pública, sendo cada edição de dezenas e centenas de milhares de exemplares.

Finalmente, sobre a Rua Morais Soares e a Rua dos Heróis de Quionga, basta aqui carregar nos seus nomes sublinhados para ser dirigido para os artigos que já publicámos sobre eles.

O regenerador Martens Ferrão na rua onde se ergueu o Cinema Mundial

O Cinema Mundial, na Rua Martens Ferrão, em 1967 (Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Mundial, na Rua Martens Ferrão, em 1967
(Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O político regenerador conhecido como Martens Ferrão está desde 1902 perpetuado numa artéria de Picoas, graças a um Edital da câmara presidida pelo Conde d’Ávila que perpetuou mais onze políticos regeneradores em artérias lisboetas e nesta rua partilhada hoje pelas freguesias das Avenidas Novas e de Arroios nasceu há 51 anos o Cinema Mundial.

O Edital de 29 de novembro de 1902 colocou nesta zona, em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque D’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje Avenida Elias Garcia),  e em Ruas, os nomes de Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje Rua Viriato), Latino Coelho , Luís Bivar (hoje Avenida), Martens Ferrão e Pinheiro Chagas, bem como o médico Pedro Nunes e o matemático e cartógrafo Filipe Folque.

Martens Ferrão no Diário Ilustrado de 3 de novembro de 1890

Martens Ferrão no Diário Ilustrado de 3 de novembro de 1890

Sessenta e três depois, a 22 de setembro de 1965 abriu no nº 12 A da Rua Martens Ferrão o Cinema Mundial, concebido pelo Arqº Manuel Ramos Chaves. Encerrou em 2004, no ano seguinte a ter exibido a última obra de João César Monteiro (Vaivém) .

Este topónimo perpetua na memória da cidade João Baptismo da Silva Ferrão de Carvalho Martens (Lisboa – Olivais/28.01.1824 – 15.11.1895/Florença), mais conhecido como Martens Ferrão, um jurisconsulto que se destacou sobretudo como um deputado muito interventivo do Partido Regenerador (de 1854 a 1871) e com capacidade de produzir propostas de legislação, ficando também famoso por ter apoiado o governo do Duque d’Ávila na decisão de proibir as Conferências do Casino ( que decorreram de 22 de março a 26 de junho de 1871). Foi também ministro da justiça e negócios eclesiásticos (de 16 de março de 1859 a 4 de julho de 1860) e ministro do reino (1866 a 1868), substituindo António Augusto Aguiar no Ministério dos Negócios do Reino e assim promoveu a Lei da Administração Civil de 26 de junho de 1867, conhecida como Código Martens Ferrão, cujo mapa final de divisão do território ao ser publicado em dezembro gerou descontentamento generalizado e manifestações populares que levaram à queda do governo em janeiro de 1868 ( a Janeirinha) e à revogação da reforma.

Martens Ferrão exerceu ainda funções de procurador geral da Coroa e da Fazenda (1868- 1885), par do reino ( 1871), conselheiro de Estado (1874), aio dos príncipes na educação literária e científica (1874) e embaixador de Portugal junto da Santa Sé (1885-1895). Refira-se ainda que a partir de 1858 foi também lente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, afirmando-se como um reputado especialista em Direito.

Fregeusias de Arroios e das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida do Duque d’Ávila e o cinema dos três nomes

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

O político liberal e também conde, marquês e duque de Ávila,  desde 1902 que tem assento numa avenida lisboeta onde a partir do primeiro dia do ano de 1930 abriu um cinema que foi sendo denominado  sucessivamente Trianon, Palácio e Avis.

Foi pelo Edital municipal de 29 de novembro de 1902  que nasceu a Avenida Duque d’Ávila, na época situada entre a Estrada do Arco do Cego e a Rua Marquês de Sá da Bandeira e que nos nossos dias começa na Rua Alves Redol e termina na Rua Marquês de Sá da Bandeira e na Rua Marquês de Fronteira. Foi por este Edital da presidência do Conde de Ávila (António José de Ávila – 07.11.1842 – 13.08.1917 – 2º Conde e Marquês de Ávila) que se fixaram nas Avenidas Novas um conjunto de de 15 topónimos referentes essencialmente a políticos regeneradores da Monarquia Constitucional, a saber:  em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque d’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje, Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje, Avenida Elias Garcia), e em Ruas, os também políticos Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje, Rua Viriato), Latino Coelho, Luís Bivar ( que passou a Avenida em 1926), Martens Ferrão,  o político e escritor Pinheiro Chagas, o  matemático e cartógrafo Filipe Folque,   e o médico Pedro Nunes.

O Cinema Avis na Avenida Duque d'Avila em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Avis na Avenida Duque d’Ávila em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Já o cinema Trianon abriu portas nesta Avenida no dia 1 de janeiro de 1930, garantindo lugar para 733 espetadores, sendo então uma das maiores salas de Lisboa. Augusto de Ornelas Bruges comprara  para o efeito terreno na Avenida Duque d’Ávila, frente à antiga estação dos elétricos do Arco do Cego. Mais tarde, o cinema  mudou de nome para Palácio e voltou  a ser reaberto em 1956 com a designação de Avis, mantendo-se assim durante mais de 30 anos até encerrar no final dos anos 80 e ser demolido na década seguinte para dar lugar à construção de prédios.

António José de Ávila (Faial/08.03.1806 – 03.05.1881/Lisboa), 1º conde (1864) e 1º marquês (1870) de Ávila e único duque de Ávila e Bolama (1878), foi um político Cartista, cuja carreira acompanhou os altos e baixos motivados pelas guerras liberais. Desempenhou as funções de deputado, conselheiro de Estado efetivo, presidente da Câmara dos Pares, ministro das Finanças, Presidente do Conselho de Ministros por três vezes (1868, 1870/71, 1877/78) e ainda, de embaixador junto das cortes de Paris e de Madrid.

Entrou como sócio da Academia Real das Ciências em março de 1855 e pouco depois foi nomeado vice-presidente, tendo sido também agraciado com inúmeras condecorações portuguesas e estrangeiras, de que se destacam a  Grã-Cruz da Ordem de Nª Srª da Conceição e de S. Tiago, a Ordem da Torre e Espada e a comenda da Ordem de Cristo.

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua António Maria Cardoso do Chiado Terrasse e do São Luiz Cine

O Chiado Terrasse na Rua António Maria Cardoso em 1911 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Chiado Terrasse na Rua António Maria Cardoso em 1911
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Chiado Terrasse e São Luiz Cine são os nomes dos dois cinemas que no séc. XX encheram de gente a Rua António Maria Cardoso, uma resposta toponímica ao Ultimato Inglês de 1890, tal como as vizinhas Rua Paiva de Andrada e Rua Vítor Cordon.

O Chiado Terrasse foi o primeiro cinema especialmente construído de raiz  para esse efeito em Lisboa, em 1908. Já o São Luiz Cine, nascido em 1928, tem uma história de vida mais atribulada. Ainda esta artéria se denominava Rua do Tesouro Velho e o espaço nasceu em 1893 como Teatro Dona Amélia, que a partir do ano seguinte passou também a a dispor do Cinematographo. Com a implantação da República foi rebatizado como Teatro da República e em 1928 foi adaptado para cinema, com a designação de São Luiz Cine e, assim reabriu com  Metropolis, de Fritz Lang, como primeiro filme em cartaz.

A Rua António Maria Cardoso, antes de ser designada como tal em 1890, passou por diversas denominações, todas ligadas ao Paço dos Bragança. Antes do Terramoto de 1 de novembro de 1755 era esta a «rua do Postigo do Duque» por ter a porta do Duque de Bragança aberta na muralha fernandina, e depois foi ganhando novas denominações como  «rua do picadeiro» por via da proximidade ao picadeiro do Paço dos Braganças , «rua do Tesouro» ou «rua Velha do Tesouro» ou «rua do Tesouro Velho», por mor do tesouro da Casa de Bragança arrecadado no mesmo palácio até que, quase no final do século XIX, quando era mais conhecida por Rua do Tesouro Velho e já depois da urbanização deste arruamento nos moldes que hoje ainda encontramos,  o Edital municipal de 6 de fevereiro de 1890 crismou-a como Rua António Maria Cardoso, ao mesmo tempo que também atribuía a Rua Paiva de Andrada e a Rua Vítor Cordon, homenageando assim a edilidade, ainda em vida, três conceituados exploradores da África Portuguesa de então,  cerca de um mês  depois da entrega em 11 de janeiro de 1890 do Ultimato britânico que exigia a Portugal a retirada das forças militares chefiadas por Serpa Pinto do território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola.

António Maria Cardoso, «Ilustração Portuguesa», 21 de abril de1889

António Maria Cardoso, Ilustração Portuguesa, 21 de abril de 1889

António Maria Cardoso (Lisboa/05.05.1849- 17.11.1900/Lisboa)  ingressou na Armada em 1862, atingindo o posto de capitão-de-fragata em 1895 e no decorrer dessa carreira militar desempenhou o cargo de governador dos distritos de Inhambane e de Quelimane, em Moçambique. Em 1882 explorou as terras de Mussila com João de Azevedo Coutinho, e em 1888, com Vítor Cordon, participou na expedição do Niassa, durante a qual catorze régulos prestaram vassalagem à soberania portuguesa. António Maria Cardoso regressou a Lisboa em 1890, ano do Ultimato Inglês, e foi eleito deputado para além de ter sido agraciado com as comendas das ordens de Torre e Espada, de Nª Sª da Conceição, de Cristo e de S. Bento de Aviz, e ainda com a medalha de ouro de serviços prestados no Ultramar.

Nesta arruamento existiu também até ao 25 de Abril de 1974 a sede da PIDE/DGS, um edifício de cinco andares arrendado à Casa de Bragança, e que por isso foi palco das únicas 5 mortes ocorridas no 25 de Abril. Após essa data instalou a sua sede nesta rua a Associação de Ex-Presos Políticos Antifascistas (AEPPA) que então propôs à edilidade a alteração do topónimo para Rua da Leva da Morte, alteração não concretizada de acordo com as normas seguidas de não alterar toponímia já consolidada na cidade, a não ser em caso de «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime», como sucedeu com a Avenida 28 de Maio que passou a ser a Avenida das Forças Armadas, por Edital municipal de 30 de dezembro de 1974.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

 

O miguelista José Acúrcio das Neves numa rua do Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

José Acúrcio das Neves, magistrado defensor do miguelismo,  foi colocado numa rua do Bairro dos Aliados, na 2ª fase de colocação de topónimos em 1932, já que na 1ª fase haviam sido colocadas figuras republicanas ou heróis nacionais como Egas Moniz.

Coube-lhe a Rua 7 do Bairro dos Aliados, a ligar a Rua Barão Sabrosa à Rua Carvalho Araújo (hoje no troço que passou a ser Rua Abade Faria), pela deliberação camarária de 23 de março de 1932 e edital de 31 do mesmo mês, junto com o escritor Marcelino de Mesquita na Rua 6 e o jornalista Alberto Pimentel na Rua 3.

José Acúrcio das Neves (Fajão (hoje Pampilhosa da Serra) – Cavaleiros de Baixo /14.12.1766 – 06.05.1834/Sarzedo – Arganil) foi um magistrado e político, também por alguns considerado pioneiro em estudos de economia portuguesa. Findo o Curso de Leis em Coimbra (1787) foi nomeado juiz de fora de Angra – que em 12 de janeiro de 1837 se passou a denominar Angra do Heroísmo-, no período de 1795 a 1799, passando de 1799 a 1802 a corregedor e a participar no governo da Capitania.

Com a formação da Junta Provisória do Porto e iniciada a resistência ao invasor napoleónico, retirou-se para a sua terra natal e favoreceu a resistência, nomeadamente com um conjunto de opúsculos – Obras Patrióticas – incitando a resistências popular contra os franceses, que foram até traduzidos e distribuídos em Espanha. Em 1810 passou a ser Desembargador da Relação do Porto, e nos anos seguintes foi acumulando os lugares de deputado, de vogal da direcção da Real Fábrica de Sedas e da Obra das Águas Livres, de secretário da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação  e ainda vogal da Junta de Liquidação dos fundos da extinta Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Em 1818 chegou a propor à Junta do Comércio a introdução da máquina a vapor em Portugal.

Dedicou-se também a escritos sobre economia política e história contemporânea, como os 5 volumes da História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino (1810-1811) ou os 2 volumes de Variedades sobre Objectos Relativos às Artes, Comércio e Manufacturas (1814 -1817), tendo sido eleito sócio da Academia das Ciências de Lisboa em 27 de agosto de 1810.

Acérrimo defensor do miguelismo e opositor das ideias do liberalismo vintista publicou diversas obras a expressá-lo, entre 1821 e e 1824, e logo em 1821 foi demitido dos principais cargos que ocupava. Em 1922 tornou-se deputado eleito  por Arganil. Após a Vilafrancada  foi readmitido na Junta do Comércio e demitido em 1824, sendo depois preso por participação na Abrilada. Após a morte de D. João VI, voltou aos seus cargos em 1826. E com o governo absolutista de D. Miguel, em 1828, foi nomeado Procurador Letrado da cidade de Lisboa na Junta dos Três Estados, tendo ficado aí famoso o seu discurso de legitimação de D. Miguel e da manutenção da monarquia de direito divino. Com a epidemia de cólera  que grassou em Lisboa em 1833 partiu para as Caldas da Rainha  e aí redigiu o boletim do exército de D. Miguel. Ainda nesse ano de 1833, com a vitória das forças liberais  refugiou-se no concelho de Arganil, na terra natal da esposa, onde foi encontrado num palheiro e morto.

 

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Alberto Pimentel no Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor e jornalista Alberto Pimentel foi perpetuado numa artéria do Bairro dos Aliados na sua 2ª fase de atribuição de topónimos, através do Edital municipal de 31 de março de 1932.

Alberto Pimentel ficou na Rua nº 3 do Bairro dos Aliados, a ligar a Rua Barão de Sabrosa à Rua Jorge Castilho, e o mesmo Edital fixou o nome do médico, dramaturgo e jornalista Marcelino de Mesquita (Rua nº 7) e do miguelista e diretor da Real Fábrica das Sedas José Acúrcio das Neves.

Ilustração Portuguesa, 3 de abril de 1916

A Ilustração Portuguesa, 3 de abril de 1916

Alberto Augusto de Almeida Pimentel (Porto/14.04.1849  –  19.07.1925/Queluz), nascido na freguesia da Cedofeita, foi um escritor e jornalista, funcionário público e deputado, que cedo entrou para o Jornal do Porto, como tradutor e revisor mas onde publicou em folhetins o seu primeiro romance, Testamento de Sangue. Em 1872 foi convidado por Gaspar Ferreira Baltar para ingressar na redação de O Primeiro de Janeiro, mas como constituíra família aceitou antes o cargo de secretário do Procurador Régio em Lisboa. Contudo, nunca abandonou o jornalismo, colaborando para as de Branco e NegroDiário Ilustrado, Diário Popular, O Economista, A Ilustração portuguesa, Jornal da Noite, Novidades, Revista do Conservatório Real de Lisboa, Ribaltas e gambiarrasA semana de LisboaTiro e Sport.

Apreciador de Camilo Castelo Branco, com quem conviveu desde a juventude, foi o seu primeiro biógrafo dedicando-lhe oito obras. Também o seu carinho especial pelo Porto não o impediu de incluir a cidade de Lisboa na sua obra literária, como na biografia do poeta Chiado, em Fotografias de Lisboa (1874), Vida de Lisboa (1900) ou A triste canção do sul : subsídios para a história do fado (1904). Escreveu diversos romances como As netas do Padre Eterno (1895) ou O lobo da Madragoa (1904), poesia em Lira cívica : poesia anti-ibérica (1868) ou Idílios dos Reis (1886), biografias, peças teatrais como Dispa-se! : comédia em um ato (1877) ou A greve : cena cómica (1878), obras políticas como A questão das pescarias : projecto de lei : apresentado à Câmara dos senhores deputados na sessão de 9 de Março de 1891 e ainda estudos de tradições populares como As alegres canções do norte (1905) ou outros como Luar de saudades : recordações de um velho escritor (1924).

Na sua carreira pública foi ainda chefe de repartição na Câmara dos Pares, administrador do concelho de Portalegre e deputado do Partido Regenerador em várias legislaturas pelos círculos de Póvoa de Varzim e Cinfães, onde foi um acérrimo defensor dos interesses poveiros nomeadamente, com a divisão dos concelhos da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde pelas Portas Fronhas, para além de ter sido Comissário régio junto do Teatro de Dona Maria II, em 1897.

Alberto Pimentel foi ainda sócio da Academia das Ciências e sócio honorário da Associação Comercial da Póvoa de Varzim a partir de 1894.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Marcelino de Mesquita na 2ª fase do Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

O médico, dramaturgo e jornalista Marcelino de Mesquita  foi perpetuado numa artéria do Bairro dos Aliados na sua 2ª fase de atribuição de topónimos, através do Edital municipal de 31 de março de 1932.

Marcelino de Mesquita ficou na Rua nº 6 do Bairro dos Aliados, a ligar a Rua Egas Moniz à Rua Barão de Sabrosa, e o mesmo Edital fixou o nome do jornalista e escritor Alberto Pimentel (Rua nº 3) e do diretor da Real Fábrica das Sedas José Acúrcio das Neves (Rua nº 7).

Já antes, por uma deliberação camarária de 1925 que nunca teve Edital, o Jardim das Amoreiras passou a designar-se Jardim Marcelino Mesquita, já que o homenageado vivera e falecera na Rua das Amoreiras.

O Branco e Negro, 18 de março de 1899

O Branco e Negro, 18 de março de 1899

Marcelino António da Silva Mesquita (Cartaxo/01.09.1856 – 07.07.1919/Cartaxo) aos 15 anos morava num quarto na Rua da Rosa e estudou na Escola Académica, na Politécnica e tendo morado também num hotel do Largo de São Paulo acabou por se formar em Medicina em 1885 na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa mas apesar de ter publicado um livro de poemas intitulado Meridionais (1882) sempre dedicou particular atenção foi ao teatro, tendo começado com a comédia em cinco actos Pérola – Episódio da vida académica (1885), que  por ter a prostituição e  a boémia como tema provocou escândalo, a que se seguiram O Senhor Barão (1887) e  o drama histórico Leonor Teles (1889), que foi o seu primeiro êxito, e posteriormente transformou num romance histórico, sendo ainda de destacar A Noite do Calvário (1903) impedida pela comissão de censura de subir a palco, Margarida do Monte (1910) prefaciado por Teófilo Braga e os inúmeros êxitos de crítica e de público que conseguiu, quer em Portugal quer no Brasil.

Em 1886, ano do seu 1º casamento, fixou-se no Cartaxo onde exerceu clínica e comprou a tipografia Cartaxense e o jornal O Povo do Cartaxo, mudando-lhe o nome para O Cronista, vendendo tudo dois anos depois para vir residir em Lisboa, para a Rua das Amoreiras nº 198, e nesta cidade fundou e dirigiu o jornal satírico A Comédia Portuguesa (1888) e o diário Portugal (1891), bem como foi o diretor literário da Parodia: comedia portugueza (1903- 1907), que em 1903 se fundiu  com a A Paródia (1900-1902) de Rafael Bordalo Pinheiro, para além de ter colaborado em Ribaltas e Gambiarras, Jornal do Domingo, O Branco e Negro, A Imprensa, Serões, Revista do Conservatório Real de Lisboa e Revista de turismo.

Da sua participação política recorde-se que foi deputado do Partido Regenerador pelo Círculo da Guarda (1890 a 1892), participou no movimento do opositor ao Ultimatum de 1890, recusou a condecoração proposta pelo rei D. Carlos (1899) informando ser republicano, ministrou um curso de Ciências Naturais no Centro Escolar Republicano do Cartaxo (1907) e em em 1918, integrou  a embaixada de intelectuais enviada por Portugal ao Brasil.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)