Fernando Gusmão, encenador do Teatro Moderno de Lisboa, no Bairro teatral do Vale da Ameixoeira

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fernando Gusmão, o ator e encenador alfacinha, fundador e encenador do Teatro Moderno de Lisboa em 1961 , dá nome à Rua 6A do Vale da Ameixoeira desde abril de 2004, sendo assim também o primeiro topónimo de um Bairro cujos arruamentos têm topónimos relacionados com o meio teatral.

Foi pelo Edital municipal nº 20/2004 de 19 de abril de 2004 que foi fixada a Rua Fernando Gusmão na Rua 6A que hoje une a Rua Artur Ramos à Rua António Vilar. No mesmo dia, pelo Edital nº 21/2004, o Vale da Ameixoeira recebeu na sua Rua 3 a Rua Fernanda Alves.  Quase três meses depois, mais artérias do Vale da Ameixoeira foram preenchidas com nomes de atores: António Vilar (Rua 4 A), Arnaldo Assis Pacheco (Rua 1 A à Estrada da Circunvalação), José Viana (Rua 1 B), Raul de Carvalho (Rua 4 B) e Varela Silva (Rua 2A). E cinco anos mais tarde, pelo Edital de 16 de setembro de 2009, nasceu na Rua 6B a Avenida Glicínia Quartin, a primeira vez que uma  Avenida lisboeta recebeu o topónimo de um ator.

Fernando Morais Ferreri Gusmão (Lisboa/06.02.1919 – 17.02.2002/Casa do Artista – Lisboa) foi um ator e encenador que participou na construção desse marco no teatro português que foi o Teatro Moderno de Lisboa, fundado em 1961 por uma sociedade de atores que o unia a Armando Caldas, Armando Cortez, Carmen Dolores e Rogério Paulo. Foi nesta Companhia que se estreou como encenador de Humilhados e Ofendidos  a partir do original de Dostoievski (1961), Os Três Chapéus Altos de Miguel Mihura e Render dos Heróis de José Cardoso Pires (1965), a última da sociedade teatral, retirada de cena pela censura teatral. De 1961 a 1965 o Teatro Moderno de Lisboa funcionou no Cinema Império, no  inovador horário das 18: 30 horas e 11:00 horas de domingo, em sessões que transbordavam de público. Entre tantos outros, neste palco representaram Armando Cortez,  Armando Caldas, Cármen Dolores, Clara Joana, Fernanda Alves,  o próprio Fernando Gusmão, Morais e Castro, Rogério Paulo, Rui de Carvalho ou  Rui Mendes. Lauro António, no seu blogue, considera mesmo que « Desde “O Tinteiro” até ao “Render dos Heróis” foi uma actividade magnífica, desenvolvida por uma sociedade de actores que pretendia acima de tudo rumar contra o marasmo, abrir horizontes, rasgar janelas.» 

Fernando Gusmão viveu em Cabo Verde dos 5 aos 19 anos mas regressou em 1938 e dez anos depois, iniciou-se no teatro como amador, no Grupo Os Companheiros do Pátio das Comédias, onde interpretou O Casamento de Nicolau Gogol,  Continuação da Comédia de João Pedro de Andrade (que em 1957 também  interpretaria para a televisão numa realização de Artur Ramos) ou a Escola de Maridos de Molière. Nos anos 50, profissionalizou-se ao ingressar na Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II, representando Curva Perigosa, de Priestley, A Senhora das Brancas Mãos de Alejandro Casona ou A Comédia da Morte e da Vida, de Henrique Galvão.

Nesta década de cinquenta Fernando Gusmão ainda se destacou no Rei Lear de Shakespeare e em O Príncipe Disfarçado de Marivaux, tendo trabalhado  na Companhia Alves da Cunha no Teatro Gymnasio (1951); no Teatro do Povo, com Francisco Ribeiro, no Alfageme de Santarém de Almeida Garrett; no Teatro Avenida, em Joana D’ Arc de Jean Anouilh e João Gabriel Bockman de Ibsen (1955); no Teatro Nacional Popular,  sediado no Teatro da Trindade, de 1957 a 1959, interpretando sucessivamente Noite de Reis de Shakespeare, Um Dia de Vida de Costa Ferreira, Doze Homens Fechados de Reginald Rose, Diário de Anne Frank de Goodrich e Hackett, Pássaros de Asas Cortadas de Luiz Francisco Rebello ou À Espera de Godot de Samuel Beckett.  Também se estreou no teatro de revista, em Aqui é Portugal, numa temporada no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, em 1955.

A partir dos anos sessenta a sua faceta de encenador começou a mostrar-se, no Teatro Moderno de Lisboa. Também dirigiu o Grupo Cénico de Direito (1965 e 1966); encenou O Tempo e a Ira de John Osborne  e A Renúncia de Unamuno no Teatro Experimental do Porto-TEP, assim como  A Voz Humana de Jean Cocteau, interpretado por Maria Barroso, tudo em 1967;   dirigiu o  Grupo 4 (1968), o Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique (1970) e a A Excepção e a Regra de Bertolt Brecht no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra- TEUC.

Após o 25 de Abril, foi presidente do Sindicato de Atores  e membro fundador do Grupo de Teatro Proposta, ao lado de Augusto Sobral, Manuel Coelho,  Luís Alberto e Victor Esteves (1975); ministrou um curso de formação para atores na Guiné-Bissau (1978); encenou Corpo-Delito para o Grupo 4, já renomeado Novo Grupo, no  Teatro Aberto (1979); passou a encenar o Grupo de Campolide (1981) e regressou ao TEP, bem como ao TEUC para encenar O Sonho de Enrique Buenaventura (1990), na mesma década em que publicou o livro autobiográfico A Fala da Memória (1993).

Fernando Gusmão também trabalhou para rádio e televisão, para além do cinema, onde figurou algumas longas-metragens como Saltimbancos de Manuel de Guimarães (1952),  O Mal Amado de Fernando Matos Silva (1974) ou Os Demónios de Alcácer Quibir de José Fonseca e Costa (1977).

Morou no nº 12 da Rua das Taipas, no prédio onde Sá Nogueira teve atelier e em Almada (Sobreda), dá também nome a uma rua, próxima das Ruas Luzia Martins e Armando Cortez.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Ângela Pinto à volta do Mercado de Arroios

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Ângela Pinto é a rua que encontramos a toda a volta do Mercado de Arroios, desde a publicação do Edital municipal de 12 de março de 1932, assim perpetuando a memória da protagonista da Severa e do Hamlet na toponímia da cidade de Lisboa.

O projeto urbanístico aprovado em sessão de Câmara de 7 de abril de 1928 determinou o futuro da zona contida entre a Praça do Chile e a Alameda Dom Afonso Henriques, tendo a Rua Ângela Pinto sido o topónimo dado à «Circular, em volta do mercado», conforme  regista o Edital, que acolheria obras a partir de 1939 para a construção de um mercado novo, do risco do Arqº Luís Benavente, que foi oficialmente inaugurado em 28 de fevereiro de 1942.

Já o Edital de 12 de março de 1932 consagrou também na mesma zona o empresário teatral Eduardo Brazão (Rua 8), bem como os atores Ferreira da Silva (na antiga Rua nº 7A), Joaquim Costa (Rua Particular), José Ricardo (Rua 7), Lucinda Simões (Rua nº 8A) e Rosa Damasceno (Rua nº 6),  para além de uma Avenida Rey Colaço (Rua 23) que nunca foi executada e foi este conjunto de topónimos que fez com que o sítio ficasse conhecido como Bairro dos Atores.

Ângela Rita Clara de Almeida Pinto (Lisboa/15.11.1869 – 09.03.1925/Lisboa) foi uma atriz que teve como os pontos altos da sua carreira uma magistral interpretação da Severa, na peça homónima de Júlio Dantas, estreada no  Teatro D. Amélia (depois, São Luiz) em 25 de janeiro de 1901, desempenho onde cantava fado, bem como o seu papel em travesti protagonizando Hamlet, em 1910, representação em que usou uns sapatos pretos feitos especialmente com mais 3 centímetros de sola. Ângela Pinto era muito acarinhada pelo público que enchia as plateias dos teatros para a ver.

Nascida no nº 30 da Rua do Arco da Graça, filha de Júlia de Almeida Pinto e de João de Almeida Pinto – músico por vezes contratado pelo São Carlos, jornalista e um dos proprietários de O Contemporâneo, publicação dedicada a assuntos de teatro -, desde a infância privava com redatores do jornal paterno como Gervásio Lobato, Sousa Bastos, Salvador Marques ou Pedro Vidoeira. Ângela frequentou o Colégio da D. Carolina junto à Calçada do Duque e depois um outro na Rua de Betesga, que era pertença de Alberto Bramão, um ensaiador teatral, tendo aprendido a falar bem francês.

Começou por subir à cena em 1885, aos 15 ou 16 anos, numa barraca de feira em Setúbal, na zarzuela em 1 ato Simão, Simões & C.ª. Depois, foi para os Teatros do Porto iniciar a sua carreira profissional e por volta dos  20 anos voltou a Lisboa, onde se estreou no Teatro da Rua dos Condes, no dia 29 de outubro de 1889, na opereta Lobos do Mar, uma tradução do original de  Ramos Carion.  Em 24 de maio de 1890 passa para o  Teatro do Príncipe Real (depois, Apolo) e a 29 de outubro voltou ao Porto, ao Teatro D. Fernando, a convite da Companhia Afonso Taveira & José Ricardo. Aí criou Ravolet, em travesti, na opereta A Bela Perfumista de Offenbach e a 4 de setembro de 1892 regressou ao Teatro da Rua dos Condes para criar a Manuela do Solar dos Barrigas, uma ópera cómica de Gervásio Lobato e D. João da Câmara. Em 1898, fazia parte da Companhia Taveira, então no Teatro da Trindade mas que depois passou ao Teatro do Príncipe Real do Porto, onde nesse mesmo ano protagonizou Ali…à Preta! para, em 1900, estar no alfacinha Teatro do Ginásio, em A Bisbilhoteira de Eduardo Schwalbach e depois no Teatro D. Amélia a protagonizar Lagartixa. Em 1903 passou a integrar o D. Maria II, onde fez a Madalena de Vilhena do Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, ou no ano seguinte, a Mariana do  Amor de Perdição  de Camilo, adaptado por D. João da Câmara, a Gonerill do Rei Lear, numa adaptação de Júlio Dantas e A Mártir, de Adolph d’Ennery, numa tradução de Guiomar Torresão. Ficaram também na memória o seu Compère da revista Corações à Larga (1915) a imitar a figura de Afonso Costa, para além de ter contracenado com Joaquim Costa em Castelos no Ar (1916) de Eduardo Schwalbach. Em 1919, integrou a Companhia do Teatro da Trindade, dirigida por Augusto Pina, para A Exilada(1919) e depois esteve no Teatro de São Carlos. Na sua longa carreira, Ângela tanto interpretou revista como comédia ou drama, tendo pisado os palcos da época no Porto, em Lisboa e no Brasil, em diversas digressões.

Por fim, em 1922, Ângela Pinto ainda entra no cinema, interpretando a criada Juliana na rodagem do filme mudo de O Primo Basílio, de Georges Pallu e da Invicta Film do Porto, estreado no ano seguinte no Condes em Lisboa e no Jardim Passos Manuel do Porto.

Na sua vida pessoal, foi conhecida como muito bondosa e caritativa, bem  como uma das grandes boémias de Lisboa, que amou livremente quem achou por bem, depois de em novinha a terem casado com um homem bastante mais velho de quem fugiu logo no dia do casamento. Fazia banquetes no Restaurante Tavares e ceias no Botequim Magrinho. Sabe-se que manteve um relacionamento com D. Luís do Rego e que viveu os seus  últimos dias com um amigo, no nº 3 da Rua da Emenda, assim como teria 2 netos  referidos numa notícia de 1938 sobre uma homenagem que lhe foi prestada no Retiro da Severa.

Aos 54 anos, Ângela Pinto ficou paralisada de um lado do corpo, em pleno palco do  Teatro Politeama, o que a impediu de trabalhar a partir daí e ainda nesse ano de 1923, foi homenageada pelos seus colegas a 19 de novembro, no Teatro de São Carlos, onde recebeu também as insígnias de Oficial da Ordem de Santiago e a receita desse espetáculo no valor de 32.173$64, que foi depositado na Casa Bancária Pinto & Sotto Mayor, para render juros e lhe permitir levantar uma pensão mensal. Os seus colegas atores também reclamaram ao Parlamento em maio de 1923 que lhe fosse concedida uma pensão mensal vitalícia que acabou fixada em 700 escudos. Faleceu na casa da Rua da Emenda, de onde saiu na carreta dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, de que Ângela Pinto era sócia honorária, para a Igreja das Chagas, de onde seguiu o funeral para o Cemitério dos Prazeres, para o jazigo 1500 da Rua 11, pertença da Associação dos Socorros Mútuos Montepio dos Actores Portugueses.

O Teatro Águia de Ouro do Porto também a agraciou com a colocação de uma lápide alusiva, o S.N.I. criou o Prémio Ângela Pinto para os Concursos de Arte Dramática e a 29 de janeiro de 1938, foi-lhe prestada ainda uma homenagem no Retiro da Severa, para além de o seu nome estar fixado também em Ruas da Charneca de Caparica, de Fernão Ferro e de Setúbal.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Armando Cortez dá morada ao Teatro Aberto

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Armando Cortez  somou  mais de 50 anos de carreira como ator, na cena de um Teatro, perante as câmaras de Televisão ou de Cinema, como uma figura inesquecível da memória cultural portuguesa, estando desde o ano seguinte à sua morte perpetuado na toponímia alfacinha, na artéria que dá morada ao Teatro Aberto.

A Rua Armando Cortez, que liga a Rua Ramalho Ortigão à Avenida Calouste Gulbenkian, foi atribuída pelo Edital municipal de 20 de novembro de 2003, com a legenda «Actor/1928 – 2002» e a inauguração deste arruamento foi feita significativamente no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro.

Armando Cortez e Almeida (Lisboa/23.01.1928 – 11.04.2002/Lisboa) foi ator, encenador, argumentista, produtor, e um homem sempre ligado ao teatro, fosse qual fosse a sua forma de transmissão. Filho do oficial da Marinha Luís Carlos da Cunha e Almeida e de Heloísa dos Santos Cortez, estudou na École Française de Lisbonne e logo após, fez teatro radiofónico no Liceu Pedro Nunes  para depois prosseguir estudos no Conservatório de Lisboa que concluiu com 18 valores em 1949. Ainda nesse ano estreou-se profissionalmente no Teatro Apolo, em Um Chapeú de Palha de Itália, ao lado de Canto e Castro e Rogério Paulo. Já três anos antes, em 1946, entrara em As Coéforas de Molière, no Teatro Universitário, e a sua primeira encenação data de 1948, na peça Degredados, de Virgínia Vitorino, sendo que dez anos depois, em 1958, tinha carteira profissional de encenador.

Armando Cortez trabalhou na companhia Teatro do Povo (1950), com Vasco Santana, Alves da Cunha, Maria Matos, António Silva, Ribeirinho e Nascimento Fernandes e chegou mesmo a dirigi-la. No ano seguinte, fundou o grupo Os Seis Novos e em 1952, com Maria Lalande, dirigiu uma companhia de comédia no Teatro Maria Vitória.  Depois , representou em todos os teatros de que Vasco Morgado era o empresário e fundou ainda o Teatro Moderno de Lisboa (1962) a residir no Cinema Império, com Carmen Dolores, Costa Ferreira e Fernando Gusmão, após nos dois primeiros anos da década de sessenta ter sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em França. Em 1973 dirigiu a companhia do Teatro São Luiz e, três anos depois estava na fundação da Cooperativa de Teatro Repertório (1976) que durou até 1983. Representou em mais de 150 peças de teatro, de todos os géneros, desde a comédia ao drama, da farsa à revista, sendo de destacar as suas interpretações como Lucky em  À Espera de Godot de Samuel Beckett (1959), a 1ª vez que esta obra foi apresentada em Portugal, ao lado de Ribeirinho e de Fernando Gusmão; como protagonista de Schweik na Segunda Guerra Mundial (1975) de Bertolt Brecht , ao lado Raul Solnado ou em O Diretor de Ópera (1976), ambas no Teatro Maria Matos. Em 1979, ganhou o prémio melhor ator de teatro da revista Nova Gente.

Cortez foi também o mestre de várias gerações de jovens atores que dirigiu e acarinhou, sendo ainda de referir que    dirigiu o musical Annie para o Teatro Maria Matos (1983) e  encenou outras peças como A Casa-Fronteira (1969) ou Pisca Pisca (1989), de que foi também argumentista,  tal como o foi para Quem Manda Sou Eu ou Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça (ambas em 1990), Primeiro Amor (1995) e para a telenovela Roseira Brava (1996).

Na televisão, Armando Cortez para além de ter participado em mais de 40 peças gravadas, de 1957 a 1978, logo em 1964, foi protagonista com Francisco Nicholson do programa Riso e Ritmo, do qual também foi o argumentista. A partir de 1984, a presença de Armando Cortez na televisão tornou-se mais constante, em inúmeras séries e telenovelas. Nas séries, destaca-se Lá em Casa Tudo Bem, de Raul Solnado, Mário Zambujal e Artur Couto e Santos e Esquadra de PolíciaA Raia dos Medos e Alves dos Reis (todas em 2000), bem como O Processo dos Távoras (2001) de Francisco Moita Flores. Nas telenovelas, sobressai a sua participação em Chuva na Areia (1984) de Luís de Sttau MonteiroPalavras Cruzadas (1986), Cinzas ( 1993), Na Paz dos Anjos (1994) de José Fanha, Roseira Brava de que foi argumentista Vidas de Sal, ambas em 1996 e Ajuste de Contas (2000). Em 1987, ganhou o prémio da revista Nova Gente para melhor ator de televisão.

No cinema, contracenou em 11 filmes portugueses, 3 franceses, dois ingleses e um alemão. Estreou-se no cinema com um pequeno papel em O Cerro dos Enforcados (1954) de Fernando Garcia. Depois, continuou entre outros, de que damos de exemplo O Dinheiro dos Pobres  (1956) de Artur Semedo;  Operação Dinamite (1967), realizado por Pedro Martins e escrito por Armando Cortez, Francisco Nicholson, Luís Campos e Colette Dubois; O Cerco  (1968) de António da Cunha Telles;  O Diabo desceu à Vila (1980) de Teixeira da Fonseca; Sem Sombra de Pecado (1982) de José Fonseca e Costa; O Desejado ou As Montanhas da Lua (1986) de Paulo Rocha; Encontro em Lisboa (1990) de Claude Boissol;  e em 1992, em três filmes:  Das Tripas Coração de Joaquim Pinto, Vertigem de Leandro Ferreira e Passagem por Lisboa de Eduardo Geada.

Armando Cortez também teve participação cívica ao ter sido Deputado na Assembleia Municipal de Lisboa, nos mandatos de 1980 a 1982 e de 1983 a 1985 e, no último grande empreendimento que acarinhou a partir de 1982: a criação, com  outros colegas de profissão, da Apoiarte – Casa do Artista, associação de reconhecido mérito social e cultural de que foi dirigente, onde em  1999 foi inaugurada a casa de repouso para pessoas do espetáculo e em cujo jardim foram espalhadas as suas cinzas.

Na sua vida pessoal, Armando Cortez apenas casou com atrizes: Fernanda Borsatti (de 1950 a 1958) e Manuela Maria (de 1967 até ao final da vida). Com a primeira, teve em 1953  José Eduardo da Fonseca Cortez e Almeida que viria a ser médico e, com a segunda, teve em 1968, Pedro Lima Cortez e Almeida que veio a ser arquiteto.

Foi lhe concedido o subsídio de Mérito Cultural em 1995 e foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique (2000), a Medalha de Mérito Municipal   de Oeiras  – Grau Ouro ( 1997) e o seu nome foi dado ao Auditório da Casa do Artista passando a ser o Teatro Armando Cortez (2003). E para além de Lisboa, Armando Cortez é o topónimo de ruas do Algueirão, de Almada, Montijo, Paço de Arcos,  Póvoa de Santa Iria, Santa Iria da Azóia, Unhos e Vila Franca de Xira.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Actor Isidoro no primeiro Bairro dos Atores

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Isidoro foi um homem de teatro do séc. XIX que ficou na toponímia da cidade na Rua Actor Isidoro, uma artéria do primeiro Bairro dos Atores em Lisboa,  fixado por deliberação camarária de 23 de março de 1932 e consequente Edital de dia 31, o qual também ali colocou diversos nomes de gente do Teatro, como a Rua Lucinda do Carmo e a Rua Actriz Virgínia que ainda hoje ali vemos.

A Rua Actor Isidoro era a Rua nº 6 A do projeto aprovado em sessão de 7 de abril de 1928 e liga a Alameda Dom Afonso Henriques à Rua Actriz Virgínia. O mesmo Edital de 1932 ali colocou na Rua nº 10, a Rua Lucinda do Carmo e na nº 11, a Rua Actriz Virgínia. Também foram atribuídas por esse Edital a Rua Actor Epifânio na Rua nº 1 e a Rua Rui Chianca na Rua nº 22 mas estas não saíram da planta e nunca chegaram a ser executadas. A Rua Actor Epifânio voltou a ser atribuída em planta à Praceta do Impasse entre a Estrada Militar e a Calçada de Carriche mas voltou a não ser executada pelo que só perdurou até aos dias de hoje a partir da publicação do Edital de 26/03/1971 que colocou o topónimo na 4ª T.E. da Estrada do Desvio, na Freguesia do Lumiar. Já Rui Chianca, que era  o autor da comédia histórica O Magriço  e empenhado em reavivar esse género teatral, não regressou como topónimo.

O Palco – Revista Teatral, 20 de maio de 1912

Isidoro Sabino Ferreira (Lisboa/03.11.1828 – 23.09.1876/Lisboa) foi um ator muito popular que nasceu e faleceu (aos 48 anos de idade) na Travessa da Pereira, à Graça. Aos 11 anos já trabalhava numa oficina de chapeleiro e aos 13 era aprendiz de tecelão. Ele próprio organizava grupos amadores para representar e declamar poemas, alguns que ele próprio escrevia. Em 1847 entrou como «comparsa» – uma figuração muda e não remunerada – no D. Maria II e ali ficou por dois anos.

Em 1849, aos 21 anos, representou em público pela primeira vez, no Teatro de Almada e a cobrar bilhete a quem estava a banhos na Outra Banda. Foi também no mesmo ano que se estreou como profissional, na comédia Uma Fraqueza, no  Teatro de Salitre, graças ao ator Taborda que foi seu padrinho artístico e que mais tarde, em 1853, também  o levará para o Ginásio, onde  em 1855, fez a sua primeira revista, ao lado de Taborda e da vedeta francesa Emília Letroublon, conseguindo vibrantes aplausos em dois papéis cómicos – o Enviado do Brasil e o Neptuno do Chafariz do Loreto – e foi para esse elenco que Isidoro escreveu a Revista de 1862. Será ainda com Taborda que fará sociedade para ser empresário do Teatro de Almada, cujo público era constituído sobretudo por famílias a banhos.

Em 1856, Isidoro mudou para o elenco do Variedades, nova denominação do antigo Teatro do Salitre,  que por ele pagou uma indemnização de 400 mil réis. Sete anos depois, em  1863, passou a ser ator residente do D. Maria II , estreando-se em Os Mistérios de um Nigromante, tendo sido classificado pelo conselho dramático como ator de 1ª classe. O ator Isidoro revelou-se quer na comédia quer no drama e foi mestre dos atores António Pedro e Joaquim de Almeida.

Refira-se ainda que o ator Isidoro participou na inauguração do Teatro da Trindade em 1867, no elenco da primeira peça, A Mãe dos Pobres, de Ernesto Biester. Mas Isidoro também se dedicou a fazer traduções de peças e a escrevê-las, de que são exemplo Um homem sem inimigos : revista em 3 actos e 6 quadros (1862), Sem jantar : comedia em um acto (1863), Em quarta feira de cinza! : scena cômica original (1867), Fóra d’horas : comédia em um acto (1873), para além de colaborar  em vários jornais.

Júlio César Machado, que escrevera propositadamente O Tio Paulo para ele interpretar, também lhe escreveu a biografia em 1859 e o próprio Isidoro reproduziu-a quase na íntegra na suas Memórias (1876), acrescentando pormenores rigorosos como ter visto subir o pano 9177 vezes e ter ganho em 26 anos de carreira 17.412$970 réis.

Isidoro Ferreira foi ainda agraciado como cavaleiro da Ordem de Santiago, de mérito científico, literário e artístico, em 1875. Camilo Castelo Branco menciona-o mesmo nas suas Novelas do Minho: «Por fim, o enjeitado, erguendo-se de salto e olhando em redor tão sinistramente quanto cabe na rubrica de um drama e na pupila fulva do Sr. Isidoro Sabino Ferreira na tragédia, disse com o esbofar das angústias vertiginosas: – Assim com’assim… mato-me!»

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Costinha

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O ator Augusto Costa, popularmente conhecido como Costinha, desde 1978 que dá nome a uma artéria de Benfica unindo Rua das Pedralvas à Rua Amélia Rey Colaço.

A Rua Augusto Costa (Costinha) foi atribuída pelo Edital municipal de 31 de janeiro de 1978, o mesmo que atribuiu na mesma urbanização a nascente do Bairro das Pedralvas o nome de mais três atrizes. Costinha ficou na Rua A à Rua das Pedralvas ou à Calçada do Tojal , Aura Abranches ficou no Impasse C,  a Rua D  foi para Maria Lalande e a E para Lucília Simões.

Ernestino Augusto Costa (Santarém/24.02.1891 – 25.01.1976/Lisboa) nasceu de madrugada, às 4:30 horas do dia 24 de fevereiro de 1891, na Travessa dos Surradores em Santarém, filho de Nascimento Maria da Costa e de Emília de Jesus Duarte. Após um curso de comércio fez exames no Conservatório de Lisboa e o 1.º ano de violino.

Luísa Durão e Costinha, por Amarelhe

Começou no teatro amador em 1912, na Trupe Dramática Portuguesa e logo no ano seguinte tornou-se profissional, convidado por Jorge Grave para a companhia do Teatro Moderno onde, em 25 de março de 1913, se estreou na revista Quadros Vivos, no Rossio Palace, que se situava no 2º andar do Palácio da Regaleira, sito no Largo de São Domingos, com o nome artístico de Augusto Costa.

Após uma longa temporada no Brasil – de 1916 a 1920 -, integrou a Companhia Satanela-Amarante, no elenco de Negócio da China já com o nome Costinha, que ganhara no Brasil. Fez êxito como Compère Pom-Pom, na revista Sete e Meio (1927), ao lado de Beatriz Costa. Construiu carreira como ator de teatro ligeiro mas não renegou outros géneros como quando interpretou o protagonista de A Madrinha de Charley de B. Thomas, em 1946, no Teatro Apolo. Até 1965 trabalhou em teatro de revista e operetas, sendo de destacar a sua interpretação em Burro em Pé (1920), Milho-Rei e Anima-te Zé (1935),  Chuva de Mulheres e O Homem da Rádio(1937), Velha Rabugenta (1938), Boa Vai Ela (1941), As Lavadeiras (1946), Aguenta-te Zé! (1951), Com Jeito Vai (1958), Aqui há Fantasmas (1962)  e Os Elefantes Não Sentem as Pulgas (1969). Terminou a sua carreira em 1970, após mais de 800 peças e 57 anos de carreira, na Companhia Teatro Alegre dirigida por Henrique Santana.

Costinha também trabalhou em cinema, integrando os elencos de 23 filmes estreados de 1930 a 1959, interpretando papéis cómicos. Na década de trinta entrou em Lisboa, Crónica Anedótica (1930) tal como Luísa Durão, A Severa (1931), As Pupilas do Senhor Reitor (1935), O Trevo de Quatro Folhas (1936), A Rosa do Adro (1938) e Varanda dos Rouxinóis (1939). Nos anos 40, participou em João Ratão (1940), Lobos da Serra (1942), Cais do Sodré, Camões e Um Homem do Ribatejo (1946), Vizinhos de Rés-do-Chão (1947), Uma Vida Para Dois (1948), Sol e Toiros  e A Morgadinha dos Canaviais (1949).  Finalmente, esteve também nos filmes Cantiga da Rua  (1950), Madragoa (1952), Rosa de Alfama (1953), O Costa d’África (1954), O Noivo das Caldas (1956), Perdeu-se um Marido (1957), Dois Dias no Paraíso (1957), O Homem do Dia (1958) e Costureirinha da Sé (1959).

Na sua vida pessoal casou com Maria Del Pilar Mercedes Joaquina Gari Soler em data desconhecida mas de quem se divorciou por sentença de 21 de junho de 1935, casando mais tarde, em 21 de fevereiro de 1949, com a atriz Luísa Durão (1899-1977) que conhecera em 1927 na revista Cozido à Portuguesa, no Éden Teatro.

Augusto Costa foi condecorado com o grau de oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada (1967) e também dá o seu nome a uma  Praceta da sua terra natal como Augusto Costa, a Ruas da Marinha Grande e da Pontinha e ainda a uma  Rua Ernestino Costa (Costinha) em Fernão Ferro.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua João Anastácio Rosa, o ator pai de dois atores

 

Página dedicada a João Anastácio Rosa n’ O António Maria de 18 de dezembro de 1884

João Anastácio Rosa, pai dos também atores João Rosa e Augusto Rosa e por isso conhecido como Rosa-Pai, dá nome à Rua que liga a Avenida Álvares Cabral com a Rua de São Bernardo, desde a publicação do Edital municipal de 18 de novembro de 1913, tendo nesse mesmo ano havido uma permuta de terrenos entre a  CML e a Associação de Escolas Móveis e Jardins-Escolas João de Deus que permitiu concretizar a abertura deste arruamento.

Onze anos depois, o Edital municipal de 17/03/1924  consagrou o seu filho mais novo  Augusto Rosa (1850 – 1918) na antiga Rua do Arco do Limoeiro e dois anos depois, o Edital de 27 de janeiro de 1926 colocou o seu primogénito João Rosa (1842 – 1910) no Bairro dos Aliados ao Areeiro.

Freguesias de Campo de Ourique e da Estrela
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

João Anastácio Rosa (Redondo/1812 ou 1816 – 17.12.1884/Lisboa) nasceu no Redondo, filho de José Manuel da Rosa Munhoz e D. Merina do Carmo, embora se desconheça a sua data de nascimento, conforme afirma  Eduardo Augusto Vidal na biografia que lhe escreveu em dezembro de 1869 e publicou no ano seguinte, impressa na Tipografia Universal de Tomás Quintino Antunes, na Rua dos Calafates (é a Rua Diário de Notícias dos nossos dias).

Veio para Lisboa  em 1827, para estudar na Aula Régia de Desenho. Sabe-se que 18 de janeiro de 1832 foi a  data da sua matrícula na Aula Pública de Desenho de História, Figura e Arquitetura Civil, de acordo com registo guardado na Universidade de Lisboa, assim como segundo a biografia de E. A. Vidal, um tal de Marechal Raposo o encaminhou para discípulo do pintor Taborda no Palácio da Ajuda e mais tarde, o patriarca de Lisboa, Cardeal Frei Francisco de São Luís, também natural do Redondo, de quem ele pintou um retrato em 1835, conseguiu que fosse trabalhar para o Jardim Botânico da Ajuda. Na guerra civil entre liberais e miguelistas João Anastácio Rosa entrou na contenda, pelos liberais, tendo alcançado o posto de sargento do 5º batalhão móvel.

Finda a guerra João Anastácio Rosa passou a assegurar o seu sustento como retratista, o que o fez ligar-se a gente do teatro, como os atores Epifânio e Delfina. No Teatro da Rua dos Condes, conheceu o  comediante Emile Doux, então radicado em Lisboa e acabou por se estrear como ator em 1839, nesse mesmo Teatro, no drama Maria Tudor.

Em 1846 foi inaugurado o Teatro D. Maria II e João Anastácio Rosa  lá estava, convidado para ser ator residente. Deu brado em O Estudante de São Ciro e alcançou também muito êxito como ensaiador, ator e responsável pela decoração e/ou o guarda-roupa de A Profecia ou a Queda de Jerusalém, tal como em O Morgado de Fafe em Lisboa de Camilo ou no Marquês de la Seiglière.

Em 1853, sendo Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca Magalhães, conseguiu uma licença de 3 meses do Teatro Nacional para ir a Paris estagiar na Comédie Française e com uma bolsa concedida para o efeito. Conheceu nos Pirinéus o florista Constantino – o que dá nome a um jardim lisboeta-, de quem também pintará um retrato em 1854.  Mais tarde, João Anastácio Rosa dai do elenco do Teatro D. Maria II para percorrer o país com uma companhia que ele próprio formou, sendo certo estar a 25 de setembro 1862 no Porto, determinado a fazer a estreia do seu filho João no  Teatro de São João, o que aconteceu a 1 de novembro na comédia As jóias de família. Aceitou de seguida um convite para estar no Teatro Académico de Coimbra que mais tarde lhe concederá o diploma de sócio. Regressou a Lisboa em junho de 1863 e a 12 de agosto João Anastácio Rosa estreiava o seu Ricardo III, de Shakespeare, no São Carlos.

Quando se reformou do teatro em 1866, passou a dedicar-se à pintura, à caricatura, a criar o busto de Garrett para o átrio do D. Maria II e a desenvolver invenções, como umas botas impermeáveis para o exército, cujo sistema ganhou um prémio numa Exposição em Paris, em 1878. Mais tarde, em 1883 ou 1884,  segundo Luís Pastor de Macedo, morou na Rua Áurea (vulgarmente designada Rua do Ouro).

No dia seguinte ao seu falecimento, o António Maria de Rafael Bordalo Pinheiro dedicou-lhe uma página inteira, retratando-o em várias fases da vida. Foi também agraciado com a Ordem de Santiago. O Teatro do Redondo, construído em 1839, também tomou o nome de João Anastácio da Rosa. Para além de Lisboa, o seu nome está ainda na toponímia do Redondo, do Alandroal, de Queijas e da Venda Nova – Amadora.

Freguesias de Campo de Ourique e da Estrela
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Mariana Vilar numa Rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Lucinda Costa Alves Figueira, nascida algarvia em 1927, foi uma atriz de cinema, teatro e televisão que ficou conhecida pelo nome artístico de Mariana Vilar e ficou perpetuada numa artéria de Lisboa três anos depois do seu falecimento, em 2001.

Carnide foi a freguesia em que Rua A da Urbanização da Cerâmica de Carnide ( antiga Quinta das Barradas ), pela publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 2001,  com a legenda «Actriz/1927 – 1998», passou a ser a Rua Mariana Vilar, no topo da Rua Álvaro Benamor e paralela à Rua José Gamboa, outros dois nomes do teatro.

Lucinda Costa Alves Figueira (São Brás de Alportel/14.03.1927 – 29.04.1998/Lisboa) veio com a mãe para Lisboa em 1949, após o divórcio dos pais. Começou a sua carreira pelo cinema, concorrendo a uma audição na Lisboa-Filmes que venceu e assim lhe foi confiado o principal papel feminino nos filmes do realizador Henrique Campos: Rosa de Alfama (1952), Duas Causas (1953) e Quando o Mar Galgou a Terra (1954).  Ainda em 1954, Mariana Vilar também protagonizou Bom Dia Senhora Professora, uma curta metragem de Fernando Garcia para educação de adultos. Em 1982 João Mário Grilo trouxe-a de volta às telas cinematográficas, em A Estrangeira.

No teatro, estreou-se em 1954 na comédia Lua-de-Mel… Entre Três, ao lado de Irene Isidro, António Silva, Assis Pacheco e Barroso Lopes, no palco do  Monumental.  Prosseguiu em peças como Yerma (1955) de Garcia Lorca; Joana d’Arc de Jean Anouilh e Envelhecer  de Marcelino Mesquita, encenado por José Gamboa, ambas em 1956; a comédia musical João Valentão (1957) de Amadeu do Vale e encenada por Eugénio Salvador; A Cidade Não é Para Mim (1966); O Processo (1970) de Kafka encenado por Artur Ramos; tendo até 1971 pisado os palcos do Monumental, do Teatro Avenida, do Trindade na companhia Teatro d’Arte de Lisboa, do Maria Vitória,  do Villaret no «Grupo de Acção Teatral», para regressar aos palcos em 1981, na Casa da Comédia, para Seis Aparições de Lenine Sobre um Piano, uma peça de Noel Coward.

Na televisão, Mariana Vilar estreou-se em 1957 ou 58 em Querida Ruth e até 1971 surgiu em várias outras produções de teatro televisivo como Longa Ceia de Natal de Thorton Wilder, Nós os dois somos quatro de A. Vieira Pinto e Luiz Francisco Rebello (1959), Tanto Barulho por nada (1960), Os fidalgos da casa mourisca de Júlio Dinis Carmosina de Musset (1963), Poeira nos olhos de Labiche (1966), Fronteira de Mrozek (1969). Na década de oitenta participou na série Retalhos da Vida de um Médico (1980), no telefilme de Eduardo Geada Pôr do Sol no Areeiro  (1983), na telenovela Chuva na Areia (1985), baseada no romance Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão de Sttau Monteiro e ainda, no teledrama Todo o Amor é Amor de Perdição (1990), sobre o processo de Camilo e Ana Plácido, escrito por Luiz Francisco Rebello e realizado por Herlander Peyroteo.

Na sua vida particular foi casada com Luiz Francisco Rebello desde 1959 e o  casal teve um filha a que chamaram Catarina. Em 1962, o dramaturgo escreveu expressamente para ela a peça Condenados à Vida mas a censura não permitiu que subisse à cena, tal como lhe dedicou ainda obra Mariana Villar – Uma Existência Luminosa que organizou e  coordenou, publicada no ano 2000 pelas Edições Hugin.

Mariana Vilar também dá o seu nome a arruamentos de São Brás de Alportel, Cascais e Fernão Ferro.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Helena Félix do Teatro Estúdio de Lisboa na Feira Popular

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

No ano seguinte ao falecimento de Helena Félix, a atriz foi perpetuada numa Rua próxima do Teatro Vasco Santana , na Feira Popular, onde em 1964 havia fundado com Luzia Maria Martins o TEL- Teatro Estúdio de Lisboa, tendo sido a artéria oficialmente inaugurada no Dia Internacional da Mulher de 1993.

A partir da sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa para que Helena Félix desse nome a uma artéria lisboeta,  por deliberação camarária de 13/05/1992 e consequente Edital municipal de 18/05/1992, Helena Félix passou a ser o topónimo do Impasse 1 à Avenida das Forças Armadas (junto ao nº 34-A), com a legenda «Actriz/1920 – 1991».  A cerimónia de inauguração do arruamento foi agendada significativamente para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tal como aconteceu com a Rua Elvira Velez, tendo a placa toponímica da Rua Helena Félix sido descerrada por Luzia Martins, acompanhada pelo Vereador Anselmo Aníbal, Presidente da Comissão Municipal de Toponímia, tendo ainda usado da palavra Luiz Francisco Rebello, representante da Sociedade Portuguesa de Autores na Comissão Municipal de Toponímia.

Ao longo de meio século, Maria Helena de Carvalho Félix (Porto/10.04.1920 – 7 ou 17.03.1991/Lisboa) dignificou o teatro português com o seu talento e criatividade, usando a sua formação de dois anos de canto no Conservatório de Música do Porto e o estudo em Londres, de 1961 a 1964, onde frequentava um curso de aperfeiçoamento de Arte de Representar no Instituto Literário, cidade onde conheceu  Luzia Maria Martins que trabalhava na BBC.

Já antes,  em 1941, Helena se havia estreado como atriz na revista O jogo da laranjinha, no Teatro da Trindade, a partir daí trabalhando em teatro musicado, da opereta e da revista. De 1949 até 1961, integrou a Companhia Amélia Rey-Colaço/Robles Monteiro instalada no Teatro Nacional D. Maria II, em mais de 50 peças. E no regresso de Londres, em 1964, com Luzia Maria Martins e Valentina Trigo de Sousa, fundou a Companhia Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira companhia de teatro independente de Lisboa, instalada no Teatro Vasco Santana, na Feira Popular de Lisboa. O primeiro espetáculo aconteceu em dezembro de 1964,  sendo Joana de Lorena de Maxwell Anderson e até 1991 subiram a cena inúmeras peças de autores contemporâneos e de grande relevo, quer fossem portugueses – como  Sttau Monteiro, Fernando Luso Soares, Prista Monteiro e a própria Luzia Maria Martins – quer fossem estrangeiros – como John Osborne, Marguerite Duras, Rafael Alberti, Strindberg, Tchekov, Thornton Wilder ou Vaclav Havel.

Helena Félix também trabalhou no cinema, integrando os elencos de Aqui, Portugal (1947) de Armando de Miranda, Quando o Mar Galgou a Terra (1954) e Os Touros de Mary Foster (1972) de Henrique Campos, O Mal-Amado (1974) de Fernando Matos Silva e A Noite e a Madrugada (1985) de Artur Ramos.

Foi agraciada com  os Prémios Bordalo da Casa da Imprensa para melhor interpretação feminina (em 1968 e em 1970) nas peças A Louca de Chaillot de Jean Girardoux e Quem é esta mulher de Marguerite Duras e com a Medalha de Mérito Cultural (1990) do Ministério da Cultura. Helena Félix é ainda o topónimo de Ruas na Charneca da Caparica, Fernão Ferro e São Domingos de Rana.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Laura Alves do Monumental

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Laura Alves,  atriz  cuja vida, carreira e popularidade ficou indelevelmente ligada ao Teatro Monumental, faleceu dois anos após a demolição deste e logo a edilidade decidiu atribuir o seu nome a uma artéria relativamente próxima da Praça Duque de Saldanha.

A Rainha do Palco, como era apelidada, retirou-se dele em 1983 e numa entrevista dada em junho desse ano afirmou «toca-me na pele» sobre o  Cine-Teatro Monumental, espaço a cuja destruição assistira, sendo o palco onde trabalhou 32 anos. Laura Alves faleceu aos 64 anos, em maio de 1986 e logo no mês seguinte, a deliberação camarária de 16 de junho atribuía o seu nome a uma artéria de Lisboa, sendo que consegui-la apenas foi possível dois anos depois e mudando o nome da Travessa Marquês de Sá da Bandeira para Rua Laura Alves, através do Edital municipal nº 21/1988 de 29 de fevereiro de 1988, justificando a Comissão Municipal de Toponímia a alteração dado «(…) que existem em Lisboa dois topónimos [uma rua e uma travessa], ambos perpetuando a memória do Marquês de Sá da Bandeira e que não se justifica essa duplicação, até pelos inconvenientes que daí resultam para a localização dos respectivos arruamentos.» No mesmo dia 29 de fevereiro de 1988, mas pelo Edital nº 22/1988, foi dado a uma rua contígua o nome da também atriz Ivone Silva, falecida em novembro de 1987. 

Laura Alves em 1956, com Alves da Costa
(Foto: Bourdain de Macedo, Arquivo Municipal de Lisboa)

Laura Alves Magno (Lisboa/08.09.1921 – 06.05.1986/Lisboa) foi uma popular artista que nasceu no nº 638 da Rua de São Bento, filha de Celestino Magno e de Mariana Alves. Frequentou a Escola Industrial Machado de Castro, onde conheceu o professor Lucena que a levou ao empresário Alves da Cunha, perante o qual prestou provas e assim se estreou profissionalmente em 20 de agosto de 1935, a 20 dias de fazer 14 anos, no palco do Teatro Politeama, interpretando a Gaby de As duas garotas de Paris, de Feuillade e Cartoux adaptada por Eduardo Schwalbach, ao lado de Alves da Cunha, Berta de Bívar e João Villaret.

Praticou diversos géneros, como a opereta, a revista, a comédia e o drama e passou do Politeama para o Teatro Nacional em 1939, onde fez duas épocas, representando ao lado de Palmira Bastos, Álvaro Benamor, Amélia Rey Colaço, Nascimento Fernandes, Maria Lalande e participando também em peças infantis, tendo interpretado ao longo da sua carreira cerca de 400 espetáculos nos palcos dos já referidos a que se somam o Variedades – a partir de 1941, na opereta Lisboa 1900, ao lado de Irene Isidro, António Silva ou Ribeirinho -, o Maria Vitória – onde em 1942 se iniciou no teatro de revista em Essa é que é essa, ao lado de Amália Rodrigues, Luísa Durão e Costinha -, o Trindade, o Avenida e o Apolo, até se fixar em 1951 no Monumental.

Mas dez anos antes do Monumental, dá-se a sua estreia no cinema,  em 1941, no filme O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro. Seguiram-se depois  O Pátio das Cantigas (1942) de Ribeirinho, o Leão da Estrela (1947) de Artur Duarte, Sonhar é Fácil (1951) de Perdigão Queiroga, Um Marido Solteiro (1952) de Fernando Garcia, O Costa d’África (1954) de João Mendes, Perdeu-se um Marido (1956) de Henrique Campos, O parque das ilusões (1963) numa produção de Perdigão Queiroga e O ladrão de quem se fala (1969) produzido pela Tobis Portuguesa. Também com diálogos inspirados no filme O Leão da Estrela, num guião de Francisco Matta, interpretou com Artur Agostinho o folhetim radiofónico Dois num automóvel.

Na sua vida pessoal, Laura Alves namorou com o compositor Frederico Valério mas em 25 de agosto de 1948 casou com o então ator de cinema Vasco Morgado, com quem  teve um único filho, Vasco Morgado Júnior, ator e produtor teatral. Divorciou-se do empresário teatral em 1967 e mais tarde,  em 18 de julho de 1979, casou com Frederico Valério.

Em 1949 associou-se a Irene Isidro, Ribeirinho, António Silva, Carlos Alves e Barroso Lopes, para fundar a Sociedade Artística que se apresentou durante dois anos no Teatro Apolo (antigo Teatro do Príncipe Real), na Rua da Palma e foi esta a 1ª empresa de Vasco Morgado como empresário teatral, a que seguiu a exploração em 1951,  do Teatro Monumental, na Praça Duque de Saldanha, inaugurado com a opereta de Strauss As três valsas. Laura Alves aprendeu até a dançar em pontas para este espectáculo de que Santos Carvalho era o encenador, Frederico Valério o diretor musical e regente da orquestra e Eugénio Salvador o ator e ensaiador coreográfico, tendo nas suas  3 épocas contracenado com nomes como Álvaro Pereira, Camilo de Oliveira, Graziela Mendes, João Villaret, Teresa Gomes ou Tomás Alcaide,  entre outros. Laura Alves atuou no Monumental até se retirar da carreira em 1983, sendo o seu último espetáculo Pai precisa-se, de Manuel Correia. Laura Alves faleceu três anos depois no seu apartamento na Avenida Praia da Vitória, próximo do Teatro Monumental, então já demolido.

Foi galardoada com o Óscar da Imprensa (1962) e o Prémio Lucinda Simões (1963); agraciada por Vasco Morgado com o seu nome num teatro (1968) na Rua da Palma que veio substituir o antigo cinema Rex até na década de oitenta do séc. XX passar a ser uma pensão;  homenageada como o filme Laura Alves, Evocação de uma actriz (1986), uma sessão pública no Politeama (2001), uma exposição na Junta de Freguesia de Santos-O-Velho (2012) e o documentário Laurinha (2012) de Cristina Ferreira Gomes para a RTP. Laura Alves, para além de ser a morada de alguns hotéis lisboetas, dá ainda o seu nome também a Ruas da Charneca da Caparica, de Odivelas, da Parede, da Pontinha, de Queluz e de São Domingos de Rana.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Elvira Velez no Dia Internacional da Mulher

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Elvira Velez, atriz de palco, do teatro radiofónico, do cinema e da televisão , foi consagrada numa artéria de Benfica, inaugurada significativamente no Dia Internacional da Mulher, como hoje, mas no ano de 1993.

A Rua Elvira Velez  passou a ser o topónimo do Impasse I à Rua da Quinta do Charquinho por deliberação camarária de 03/02/1993 e consequente Edital municipal de  04/02/1993, com a legenda «Actriz/1892 – 1981», passados quase doze anos após o falecimento da atriz, a partir de uma sugestão de vários admiradores seus enviada por carta à edilidade alfacinha. A cerimónia de inauguração da artéria foi agendada para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tendo sucedido nesse dia o mesmo com a Rua que consagrou a também atriz Helena Félix. O descerramento da placa toponímia foi feito pelo Vereador do Pelouro, Engº Rego Mendes, com o genro da homenageada, Igrejas Caeiro, tendo Appio Sottomayor usado da palavra em representação da Comissão Municipal de Toponímia.

Elvira Velez assina autógrafos, em 1960, no Jardim da Estrela
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elvira Sales Velez Pereira (Lisboa/19.11.1892 – 08.04.1981/Caxias), nasceu na então freguesia de Santa Isabel e dos 6 aos 18 anos foi viver com a família para Torres Novas, já que o seu pai era aí o empresário do Teatro da vila e, mesmo contrariando a vontade dele, começou por isso mesmo a desejar ser atriz. Depois de mudar para Tomar conseguiu aí  entrar num grupo de teatro de amadores e de novo em Lisboa, após várias tentativas de chegar à carreira teatral, conseguiu finalmente estrear-se  aos 21 anos, em 1913, no Teatro Moderno da Rua Álvaro Coutinho, na opereta Os Grotescos, com o consagrado ator cómico Augusto Costa (Costinha).

Elvira Velez passou a interpretar  comédia, tragédia, farsa, revista e opereta, tendo representado em quase todos os teatros do País e tendo começado na Companhia do Teatro Moderno, passou para a de Chaby Pinheiro no Teatro Apolo, também pelo elenco do Teatro de S. Luís, pela Companhia Palmira Bastos (1921), a de Vasco Santana e Alves da Cunha, a do ABC do Parque Mayer e a do seu genro  Igrejas Caeiro no Teatro Maria Matos.

Também na rádio Elvira Velez se destacou, sobretudo como a sogra do folhetim radiofónico Lélé e Zéquinha (1952), da autoria de Aníbal Nazaré e Nélson de Barros, contracenando com Irene Velez e  Vasco Santana que desempenhavam os protagonistas, programa produzido por Igrejas Caeiro, na Emissora Nacional, embora a atriz também tenha colaborado no Rádio Clube Português.

No cinema, fez parte do elenco dos filmes Aldeia da Roupa Branca de Chianca de Garcia e Sorte Grande de Erico Braga (1938);  Um Homem às Direitas (1944) de Jorge Brum do Canto; Três Dias Sem Deus (1946) de Bárbara Virgínia; O Comissário de Polícia de Constantino Esteves e Duas Causas de Henrique Campos (1953); Agora é que São Elas (1954) uma revista filmada por Fernando Garcia; O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e ainda mais dois filmes todos em 1960: As Pupilas do Senhor Reitor de Perdigão Queiroga e Encontro com a Vida de Artur Duarte.

Na televisão, era presença frequente nas peças das Noites de Teatro da RTP, nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, tendo também participado na série Lisboa em Camisa, realizada por Herlander Peyroteo em 15 episódios.

Na sua vida, Elvira Velez casou com o também ator Henrique Pereira, união da qual nasceu Irene Velez que viria a seguir a mesma carreira teatral, tendo a morada de família sido no nº 82 da Rua Passos Manuel.

Elvira Velez foi distinguida com o prémio Lucília Simões (1970) pela sua interpretação  no papel da Titi de A Relíquia, a partir do original de Eça de Queiroz, que esteve vários meses em exibição no Teatro Maria Matos e foi o fecho da sua carreira. Foi ainda agraciada com a Ordem de Santiago de Espada, assim como pela Caritas e pela Cruz Vermelha.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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