A Rua da mulher de teatro Maria Matos

Maria Matos por Amarelhe

Maria Matos e Mendonça de Carvalho por Amarelhe

Maria Matos, grande senhora do teatro português, protagonista de comédias e autora de peças, passou a denominar a Rua F, à Quinta do Charquinho, 14 anos após o seu falecimento, em 1966.

E assim Maria Matos e Adelina Abranches ficaram na toponímia de Benfica, no Bairro do Charquinho, pelo Edital de 10 de novembro de 1966, a partir de uma sugestão inserida no jornal O Século, de 31/10/1962 .

No filme « Costa do Castelo» (194£)

Como Mafalda no filme « Costa do Castelo» (1943)

De seu nome completo Maria da Conceição de Matos Ferreira da Silva (Lisboa/29.09.1886-19.09.1952/Lisboa), desenvolveu uma notável carreira enquanto atriz, escritora dramática e professora.

Estudou  Piano, Canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, fazendo exame final com a peça Rosas de Todo Ano escrita para ela por Júlio Dantas e, concluiu o seu curso de teatro com o 1º Prémio da Arte de Representar, em 1907. Nesse mesmo ano estreou-se no palco do Teatro D. Maria II, na peça Judas e logo no ano seguinte tornou-se «societária» daquele palco com Eduardo Brazão, Ferreira da Silva e Adelina Abranches. Em 1912, mudou-se para a companhia de Lucinda Simões, no Teatro Ginásio e, para a comédia. Casou com o ator Francisco Mendonça de Carvalho em 1913, com quem fundou a empresa teatral Maria Matos – Mendonça de Carvalho, e com teve uma filha, Maria Helena Matos, que também viria a ser atriz e,  foi nessa companhia do casal que interpretou centenas de obras, especialmente do género farsa, e assim se tornou um verdadeiro ídolo das plateias onde estiveram sediados, primeiro no Teatro Ginásio e depois, no Avenida. Para além de digressões pelo país e Brasil, Maria Matos também subiu aos palcos alfacinhas do Teatro Apolo, Variedades, Politeama e Trindade.

Esta mulher do teatro também sentiu necessidade de ser ela a escrever as próprias peças a levar à cena como Escola de Mulheres (1937), Direitos de Coração (1937), A Tia Engrácia (1936), para além de ser autora de outra obra – Dizeres de Amor e Saudade (1935). Postumamente, foram ainda publicadas As Memórias da Actriz Maria Matos (1955).

Maria Matos, a partir de 1940 foi também professora do Conservatório Nacional de Lisboa nas cadeiras de Estética Teatral e de Arte de Dizer, até ao ano de 1945 em que se demitiu.

Maria Matos ficou também célebre no cinema, em filmes como O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio e  Um Homem às Direitas (ambos em 1944) ou As Pupilas do Senhor Reitor (1935) , a Varanda dos Rouxinóis (1939) ou ainda, A Morgadinha dos Canaviais  e Heróis do Mar (ambos em 1949).

Foi ainda agraciada com um louvor publicado no Diário do Governo pelos serviços prestados ao Teatro (1915), o Hábito de Santiago da Espada (1934) e, em 22 de 0utubro de 1969, abriu em Lisboa o Teatro com o seu nome.

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

A Rua do Cardoso do Ginásio

Freguesia de Arroios - Placa Tipo IV

Freguesia de Arroios – Placa Tipo II                                                                                 (Foto: Sérgio Dias)

Cem anos após o seu nascimento, O Cardoso do Ginásio, ator exímio em comédia, teve o seu nome perpetuado na toponímia de Lisboa, numa rua de Arroios, junto ao primeiro núcleo de topónimos de atores  na cidade ali fixado desde o ano de 1932.

Foi pelo Edital de 21/12/1960 que nasceu a Rua Actor António Cardoso,  na Rua Particular à Rua Morais Soares, com início na Rua Morais Soares e fim na Rua José Ricardo. Refira-se que esta artéria desemboca na Rua José Ricardo, também evocativa de um ator, fica nas proximidades de mais topónimos de gente do teatro, a saber, Rua Ângela Pinto, Rua Eduardo Brazão, Rua Ferreira da Silva, Rua Actor Joaquim de Almeida, Rua Joaquim Costa, Rua Lucinda Simões, Rua Rosa Damasceno, Rua Actor Vale, e justamente a zona ficou conhecida como Bairro dos Atores que assim nasceu a partir do Edital de 12 de março de 1932.

O Palco, 20 de fevereiro de 1912

O Palco, 20.02.1912

António José Ferreira Cardoso (Lisboa/05.04.1860 – 03.08.1917/Lisboa) foi um ator cómico, conhecido por O Cardoso do Ginásio, ou O Cardoso do Chiado, por ter trabalhado 34 anos no Teatro do Ginásio. Estreou-se em público ainda como amador no ano de 1878, na comédia Casamento por Anúncio, na Sociedade Guilherme Cossoul, então sediada na Rua da Oliveira ao Carmo e, foi contratado para o Teatro do Rato, onde em 1881 já estava na comédia musical Zé Povinho. Foi  no Theatro do Gymnasio, a partir de 1883 que se afirmou como um grande actor cómico, género a que o seu físico volumoso dava particular ajuda e lhe granjeou grande popularidade, em peças de Gervásio Lobato, Eduardo Schwalbach, João Bastos ou André Brun, entre outros.

Esporadicamente, também assentou arraiais no palco do Trindade, como para interpretar O Brasileiro Pancrácio (1883) e integrou algumas sociedades artísticas nas épocas de verão nos palcos do Teatro da Rua dos Condes, do Avenida e do então Dona Amélia (hoje São Luiz).

No cinema, foi o protagonista de  Chantecler Atraiçoado,  curta-metragem que em 1910 estreou o estúdio da Empreza Cinematographica Ideal.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios

Freguesia de Arroios

Fazia-me o obséquio de me dar um bocadinho do seu lume?

Vasco Santana no Pátio das Cantigas

Vasco Santana no Pátio das Cantigas

Vasco Santana, o hilariante ator do monólogo com um candeeiro no Pátio das Cantigas, tem o seu nome perpetuado numa rua do Bairro de Santa Cruz, em Benfica, desde o ano de 1969.

Foi pelo edital de 10 de abril de 1969 que a edilidade lisbonense criou na cidade um novo pólo toponímico de atores, desta feita no Bairro de Santa Cruz, em Benfica, com os nomes de Vasco Santana (na Rua 12), Estêvão Amarante (na Rua 8), Nascimento Fernandes (na Rua 10) e Alves da Cunha (na Rua 14) e é tanto mais significativo quanto Vasco Santana nasceu em Benfica.

Vasco Santana por Amarelhe

Vasco Santana por Amarelhe

Vasco António Rodrigues Santana (Lisboa/28.01.1898 – 13.06.1958/Lisboa) era filho do encenador Henrique Santana e foi por mero acaso que o então estudante de arquitetura iniciou a sua carreira, no dia 21 de outubro de 1917: ao subir a Avenida da Liberdade disposto a ir ver toiros ao Campo Pequeno, foi abordado para substituir o compère do Teatro Avenida na revista do seu tio, o empresário Luís Galhardo e, como conhecia bem a peça e o papel não teve forma de se esquivar. E daí em diante viveu para o teatro, mostrando o seu grande poder de comunicabilidade e os seus dotes para provocar a hilaridade muito rapidamente.

Para além de actor (de revista, opereta e comédia), foi ensaiador, empresário teatral e autor – às vezes, em parceria com o seu primo José Galhardo – , assim como tradutor, fazendo também parte da memória colectiva o seu incomparável prestígio como artista da rádio, nomeadamente na interpretação dos diálogos da Lélé e do Zequinha na Emissora Nacional e no Rádio Clube Português e, em diversos filmes do cinema nacional, em que foi o Vasquinho da Anatomia de A Canção de Lisboa (1933), o Rufino Pai do Pátio das Cantigas (1942) ou o Mal-Cozinhado do Camões (1946) para além de integrar também Lisboa – Crónica Anedótica (1930), O Pai Tirano (1941), Fado – história de uma cantadeira (1947) e Ribatejo (1949).

Ainda fez programas de televisão onde contracenou com o seu filho Henrique Santana e, na sua vida pessoal foi casado com a também atriz Aldina de Sousa e, após a morte desta, com a atriz Mirita Casimiro, com quem também fez uma pareceria de sucesso nos palcos. Vasco Santana foi agraciado com a Ordem de Santiago da Espada (1964).

A Rua Vasco Santana em 1970  (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Vasco Santana em 1970
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

Então são dois copinhos de vinho branco com Teresa Gomes

O Domingo Ilustrado, 19.09.1926

O Domingo Ilustrado, 19.09.1926

Teresa Gomes, uma atriz que desenvolveu a sua veia cómica no teatro de revista e no cinema, como recordamos na sua cena de O Pai Tirano em que na falta de pastéis ela pedia dois copinhos de vinho branco, dá também o seu nome a uma artéria da Freguesia de São Domingos de Benfica, que era a Rua Projectada à Rua António Nobre, desde a publicação do Edital de 25/10/1971.

Teresa Gomes em O Pai Tirano

Teresa Gomes em O Pai Tirano

Teresa Gomes (Lisboa/ 26.11.1882 – 12.11.1962/Lisboa) começou em 1911 como corista na revista A Musa dos Estudantes, no Teatro da Trindade, onde permaneceu 8 anos e a partir daí desempenhou já papéis de importância, de figuras emblemáticas alfacinhas, destacando-se a revelação da sua veia cómica na primeira revista que fez como actriz,  Pé de Meia, em 1919, ou a sua interpretação do papel de comadre Zefa  na peça Dois Garotos.

Para além da revista à portuguesa, Teresa Gomes experimentou o teatro declamado, a opereta, a ópera cómica e o género dramático, tendo trabalhado na Companhia de José Ricardo, na Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro e no Maria Vitória.

O seu talento ficou ainda impresso em filmes como Lisboa, Crónica Anedótica (1931), A Canção de Lisboa (1933), O Pai Tirano (1941), Fátima Terra de Fé (1943), Os Vizinhos do Rés-do-Chão (1947), bem como em atuações na Emissora Nacional e em postos particulares de rádio.

Foi casada com o também ator Álvaro de Almeida que foi quem lhe despertou também a paixão pelo teatro e que  faleceu em 1945.

Em 6 de outubro de 1959 foi homenageada no Coliseu dos Recreios, tendo o elenco do Teatro Maria Vitória revivido a revista Encosta a Cabecinha e Chora e nesse mesmo ano foi agraciada com a Ordem de Santiago da Espada.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica

Ó Evaristo, tens cá uma rua em Lisboa!

António Silva no Pátio das Cantigas

António Silva no Pátio das Cantigas

António Silva, o popular ator que deu corpo ao Evaristo do Pátio das Cantigas, teve o seu nome gravado numa rua do Lumiar no próprio ano do seu falecimento, pelo Edital de 22/06/1971.

António Maria da Silva (Lisboa/15.08.1886 – 03.03.1971/Lisboa) fez uma carreira de seis décadas no teatro, cinema e televisão, que revelaram o seu lado cómico, para além de paralelamente ser bombeiro voluntário.

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Foi marçano numa retrosaria e caixeiro de uma drogaria mas atraído pelo teatro, fazia também parte de grupos cénicos amadores e, no Salão Ideal (hoje, Cinema Ideal) era uma das vozes das «fitas faladas» que ali eram exibidas. Como profissional de teatro estreou-se aos 24 anos, em 1910, no Teatro da Rua dos Condes, na peça Novo Cristo de Tolstoi, integrado na empresa de Alves da Silva e Adelina Nobre, com quem irá em digressão ao Brasil e lá ficará a trabalhar em teatro e nos seus primeiros filmes – Ubirajara (1919), Convém Martelar (1920) e Coração de Gaúcho (1920) -, até conseguir o dinheiro necessário para a viagem de regresso, o que aconteceu em 1921, trazendo consigo Josefina Barco com quem casara no ano anterior e que no meio artístico português será Josefina Silva. António Silva trabalhou então sobretudo em revista, em todos os teatros do Parque Mayer.

Contudo, depois do sucesso conseguido em A Canção de Lisboa (1933) com Vasco Santa e Beatriz Costa, integrou, entre outros, os elencos dos filmes As Pupilas do Senhor Reitor (1935), Bocage (1936), Maria Papoila (1937), O Pátio das Cantigas (1941), O Costa do Castelo (1943), Amor de Perdição (1943), A Menina da Rádio (1944) que lhe valeu o prémio S.N.P. para melhor ator, A Vizinha do Lado (1945), O Leão da Estrela (1947), Fado-História de uma Cantadeira (1947), Cantiga da Rua (1949), O Grande Elias (1950), Os Três da Vida Airada (1952), O Noivo das Caldas (1956), Perdeu-se um Marido (1957), Aqui há Fantasmas (1966), Sarilhos de Fraldas (1967).

A partir da década de 50 do século passado associou-se a Vasco Morgado, para interpretar alguns dos mais célebres espetáculos do teatro de revista nacional como Viva o Luxo (1953), Abaixo as Saias (1958) e Lisboa à Noite (1963) e foi também um dos pioneiros da RTP, com diversas aparições em peças de teleteatro.

António Silva foi agraciado com as insígnias da Ordem de Santiago (1966), com a Medalha de Prata do Teatro Nacional, com a de Mérito Municipal (1967) e também com a de Benemerência (1927), por ser bombeiro voluntário onde acumulou 24 louvores, tendo mesmo chegado a Comandante do corpo activo dos Bombeiros Voluntários da Ajuda, de 1932 a 1938.

Freguesia do Lumiat

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

Ribeirinho no Regueirão dos Anjos

Ribeirinho

Ribeirinho, Rufino Filho do Pátio das Cantigas e realizador desse mesmo filme, assim como conhecido protagonista de filmes como O Pai TiranoA Menina da Rádio ou O Grande Elias dá nome a uma rua extraída de um troço do Regueirão dos Anjos desde 1986.

Dada a escassez de novas artérias na cidade de Lisboa na década de 80 do séc. XX, Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) foi o nome dado ao troço superior do Regueirão dos Anjos, situado no prolongamento da Rua António Pedro, pelo Edital 24 de abril de 1986.

De seu nome completo Francisco Carlos Lopes Ribeiro (Lisboa/21.09.1911 – 07.02.1984/Lisboa) foi um popular ator, encenador e cineasta que na memória dos portugueses se fixou como Ribeirinho, alcunha ganha por ser o irmão mais novo do cineasta António Lopes Ribeiro, tendo também dado o rosto e o corpo nos filmes deste como A Revolução de Maio (1937), Feitiço do Império (1939), O Pai Tirano (1941), A Vizinha do Lado (1945) e O Primo Basílio(1959). Foi ainda protagonista e realizador do mais popular filme português: Pátio das Cantigas, estreado em 1941. Integrou ainda os elencos de filmes de outros cineastas como A Menina da Rádio (1944) e O Grande Elias (1950) de Arthur Duarte, O Costa de África (1954) de João Mendes, Aqui Há Fantasmas (1964) de Pedro Martins  e O Diabo Desceu à Vila (1978) de Teixeira da Fonseca.

Com o seu irmão fundou Os Comediantes de Lisboa (1944) e também dirigiu o Teatro do Povo, em 1935, a convite de António Ferro, bem como o Teatro Universitário e, o Teatro Nacional Popular (1957 a 1969) onde pela primeira vez em Portugal se levou à cena uma peça de Samuel Beckett (1959) : o À Espera de Godot. Em 1965, abriu o Teatro Villaret de Raul Solnado, com O Impostor Geral, a partir de O inspetor-geral de Gogol. Em 1977, integrou a comissão instaladora do Teatro Nacional de D. Maria II, cabendo-lhe a sua direção no período de 1978 a 1981 e, aqui fez as suas últimas encenações como As Alegres Comadres de Windsor de Shakespeare ou A Bisbilhoteira de Eduardo Scwalback. Colaborou ainda na televisão, nas peças Noite de Reis ou O Urso, bem como dirigindo o documentário Rodas de Lisboa.

Ribeirinho começara no teatro no verão de 1917, aos 6 anos,  na revista Tiros sem bala, apresentada em Lisboa no Grémio dos Despretensiosos e, aos 18 anos, em 3 de outubro de 1929, estreou-se profissionalmente na Companhia de Chaby Pinheiro, em A Maluquinha de Arroios, de André Brun. Foi casado com a atriz Maria Lalande e galardoado com os prémios Eduardo Brazão, Chaby Pinheiro e o grau de oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada.

Ribeirinho e Beatriz Costa por Amarelhe em 1932

Ribeirinho e Beatriz Costa por Amarelhe em 1932

Freguesia de Arroios

Freguesia de Arroios

Emília Eduarda, a 1ª mulher a escrever uma peça de revista

O Grande Elias de 21.07.1904

O Grande Elias de 21.07.1904

Passou ontem o 170º aniversário de Emília Eduarda, atriz que foi a primeira mulher portuguesa a escrever uma peça de revista, e que desde o Edital de 14/05/1979 dá o seu nome à artéria da Freguesia da Penha de França que era o arruamento de ligação entre a Rua C à Rua Veríssimo Sarmento e a Rua Coronel Ferreira do Amaral.

Emília Eduarda (Lisboa/01.01.1845 – 29.02.1908/Porto) foi desde muito nova uma atriz mas a sua cultura também a fez dedicar-se à dramaturgia, à poesia e ao conto. Casou antes dos 13 anos e aos 14 frequentava um teatro de amadores, o Terpsicore, na antiga Rua da Conceição, depois Rua de Nossa Senhora da Conceição, e desde 1911 Rua Marcos Portugal. Enviuvou aos 16 anos e  foi então convidada pelo ator Taborda a estrear-se no Teatro Ginásio, o que ocorreu em Outubro de 1861. Em palco tornou-se famosa pela sua pronúncia correta e, por uma postura alegre capaz de dizer coisas divertidas e até escabrosas sem que a sua fisionomia se alterasse. Continuou a sua carreira teatral no Variedades, no Príncipe Real, no da Rua dos Condes e, finalmente no Porto, cidade onde se fixou e casou com um comerciante, trabalhando nos teatros Baquet e no Carlos Alberto.

Foi  a 1ª mulher a escrever uma revista, em 1886, intitulada Cartas na Mesa, uma revista especificamente portuense. Deixou ainda inúmeras comédias como O Sobrinho da América, O Sentinela, Tripas à revolução, a sátira em três actos O Processo de El-Rei Dinheiro, a opereta O Senhor e a Senhora Diniz ou a revista O Diabo a Quatro (1889), tendo ainda traduzido muitas outras. Emília Eduarda também escreveu Contos Simples (1895), que contou com um prefácio de D. João da Câmara, assim como poesia, sendo sua a primeira poesia que António Pedro recitou em público.

Freguesia da Penha de França

Freguesia da Penha de França

Augusto Rosa deu nome à rua onde viveu

No jardim de sua casa em 1903  (Foto: Ilustração Portuguesa, 1903)

No jardim de sua casa 
(Ilustração Portuguesa, 1903)

Seis anos após o falecimento do ator Augusto Rosa a artéria onde ele viveu e faleceu, a Rua do Arco do Limoeiro (no nº50), passou a ter o seu nome, consagrado pelo Edital municipal de 17/03/1924.

Inicialmente o topónimo foi atribuído como Rua Augusto Rosa, mas por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 09/04/1955 foi-lhe acrescentada a partícula «de» – Rua de Augusto Rosa -, justamente por o homenageado ali ter residido. Junto com a Travessa dos Teatros são os únicos topónimos relativos a Teatro na Freguesia de Santa Maria Maior.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Augusto Rosa (Lisboa/06.02.1850 – 02.05.1918/Lisboa), filho mais novo do ator João Anastácio Rosa e, irmão do também ator João Rosa, estreou-se no Teatro Baquet do Porto em O Morgado de Fafe em Lisboa, no ano de 1874. Trabalhou no Teatro da Trindade e também no D. Maria II, para o qual aliás, formou com seu irmão e Eduardo Brazão a Sociedade de Artistas Dramáticos que viria a dar lugar à Companhia Rosas & Brazão e, era tal o seu empenho nela que recusou por duas vezes ser professor do Conservatório de Lisboa.

Augusto Rosa foi agraciado com o Hábito de Santiago pelo Rei de Espanha e com a Comenda de Santiago portuguesa, para além de ter sido objeto de estudo de um professor da Faculdade de Medicina de Lisboa pela riqueza das suas expressões fisionómicas.

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Paulo Renato no 90º aniversário deste homem de teatro

 

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No próximo domingo, dia 23, Paulo Renato completaria o seu 90º aniversário e o seu nome está perpetuado numa artéria da Freguesia de Benfica, cuja toponímia acolhe muita gente ligada ao Teatro.

Foi o Edital municipal  de 11/11/1983,  quase dois anos após o seu falecimento aos 57 anos de idade, que o fixou no que era a Rua 1 à Estrada de Benfica, também referida como Rua 1 de ligação entre a Estrada de Benfica e a Rua Prof. José Sebastião e Silva.

Os outros 16 atores presentes na toponímia da Freguesia de Benfica estão, por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente),  inscritos da seguinte forma: Rua Emília das Neves (Edital de 07/08/1911) ; Travessa Miguel Verdial (Edital de 18/06/1926); Rua Actriz Adelina Abranches e Rua Actriz Maria Matos (Edital de 10/11/1966); Rua Actor Alves da Cunha, Rua Actor Estêvão Amarante, Rua Actor Nascimento Fernandes e Rua Actor Vasco Santana (Edital de 10/04/1969); Rua Actor Robles Monteiro (Edital de 09/02/1970); Rua Augusto Costa (Costinha), Rua Aura Abranches, Rua Lucília Simões e Rua Maria Lalande (Edital de 31/01/1978); Rua Amélia Rey Colaço (Edital de 21/08/1990); Rua Elvira Velez (Edital de 04/02/1993) e Rua Barroso Lopes (Edital de 20/03/1995).

Renato Ramos Paulino, que escolheu o nome artístico de Paulo Renato (Lisboa/23.11.1924-26.12.1981/Lisboa) foi figura relevante da cena portuguesa, quer como  intérprete quer como encenador.

Enveredou pelo teatro por volta de 1946, no Teatro Estúdio do Salitre dirigido por Gino Saviotti e, em 1949, no grupo de Pedro Bom no Teatro Experimental da Rua da Fé, lado a lado com Glicínia Quartin. No ano seguinte entrou para a Companhia Amélia Rey-Colaço – Robles Monteiro onde fez a sua estreia como profissional, em Crime e Castigo. Sobretudo nas décadas de 50 e 60 do século passado, a sua popularidade era enorme, muito graças a ter sido contratado por Vasco Morgado em 1952 e assim, contracenado com Laura Alves e interpretando autores como Shakespeare (1952, 1955, 1964), Casona (1952) ou Tenesse Williams (1959). Nessa época recebia tantos mais aplausos quanto era o galã do momento, tendo até feito par com Amália em A Severa, no Teatro Monumental. Em 1953 ainda passou pela Companhia de Comédias de Alma Flora e pelo Teatro do Povo.

Como encenador dirigiu gente como Maria Barroso na interpretação com mestria de O Segredo, de Michael Redgrave, bem como Raul Solnado, de quem era grande amigo, nas peças Amor às riscas ou O Vison Voador, O Ovo, A Tocar é que a Gente se Entende. Também encenou O Dia Seguinte de Luís Francisco Rebello e dirigiu a Companhia Portuguesa de Teatro.

Com Costa Ferreira ainda escreveu em 1955 duas peças infantis – Príncipe Valente e Aí Vêm os Palhaços– e conseguiu tempo para publicar um livro de poemas em 1950.

Esteve ainda ligado à Rádio como locutor e produtor de programas, nomeadamente na Emissora Nacional, sendo de referir os seus Páginas Imortais, Intermezo, Programa de Poesia, Teatro Radiofónico e Radiograma. Na televisão também encenou e interpretou meia centena de peças e, mais tarde, em 1977, foi um dos jurados de A Visita da Cornélia.

No cinema, Paulo Renato criou alguns personagens muito interessantes nos filmes Verdes Anos (1963), Sol e Touros (1949), Quando o Mar Galgou a Terra (1954)e Sangue Toureiro (1958).

0 Rua Paulo Renato - mapa

Freguesia de Benfica                                                                                                     (Planta: Sérgio Dias)

No 66º aniversário, a Rua do Mário, pim!

mário viegas

Mário Viegas cujo sonho era fazer teatro e nos encheu de sonhos, com as suas interpretações e a sua forma de dizer poesia, tem desde o final da última década do século xx uma rua lisboeta com o seu nome, razão para o evocarmos neste dia do seu 66º aniversário.

Os moradores do Bairro dos Retornados haviam solicitado à edilidade que a denominação do Bairro fosse alterada para Bairro do Oriente e tal veio acontecer no dia 7 de maio de 1999, também com a inauguração de novos topónimos nos seus arruamentos até aí identificados apenas por letras, e assim se consagraram nomes do panorama artístico português, a saber, os cantores António Variações e Carlos Paião, o compositor Jaime Mendes, o artista plástico e ilustrador Fernando Bento, o Palhaço Luciano e, os atores Carlos Daniel e Mário Viegas, cabendo a este último a Rua E do Bairro dos Retornados.

Ao longo de 32 anos de carreira, Mário Viegas foi ator, declamador, encenador e diretor de companhia, porque como o próprio escreveu «Desde que me conheço, tive sempre um Sonho na minha vida: fazer Teatro!». António Mário Lopes Pereira Viegas (Santarém/10.11.1948 — 01.04.1996/Lisboa) estreou-se aos 17 anos no Círculo Cultural Scalabitano em Trágico à Força de Tchecov (1965) e, seguiu para o Teatro Universitário de Lisboa (1967), o Teatro Experimental de Cascais (1968; 1970), o Teatro Universitário do Porto (1969) e o Novo Grupo (1971). Em 1974, foi um dos fundadores do Grupo de Teatro Feira da Ladra, e em 1980, com Maria do Céu Guerra, foi a vez de erguerem A Barraca, para em 1990, a 1 de novembro, com Juvenal Garcês, inaugurar a «sua» Companhia Teatral do Chiado.

Ele que fora proibido pela PIDE de recitar poesia, gravou desde os seus 21 anos um total de 14 discos com poemas e, criou um estilo muito próprio de dizer e trazer a poesia para junto do público. Neste capítulo, acentuou-se a sua popularidade com os seus programas de poesia na televisão –  Palavras Ditas (que começou por ser uma rubrica de rádio)em 1984 e Palavras Vivas (1991) e de tal forma que deixou na memória dos portugueses o «Manifesto Anti-Dantas» de Almada Negreiros, dito por ele, pim!

Ainda em televisão destaque-se o seu papel no programa para jovens Peço a Palavra e  a sua interpretação em mímica no Filmezinho do Sam (1988), para além da sua participação em séries televisivas como D. João VI (1979) ou Napoléon et l’Europe (1990).

Recorde-se ainda o trabalho frequente de Mário Viegas no cinema português, em cerca de uma vintena de filmes, nomeadamente em O Funeral do Patrão (1975) de Eduardo Geada,  O Rei das Berlengas (1978) de Artur Semedo – sendo ele argumentista – e que lhe valeu o Prémio Melhor Ator Humorístico no Festival Europeu de Cinema da Corunha, Kilas, o Mau da Fita (1980) de Fonseca e Costa, tal como em Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991), A Divina Comédia (1991) de Manoel de Oliveira e Afirma Pereira (1995) de Roberto Faenza.

Mário Viegas foi ainda colaborador regular do Diário Económico para onde escreveu artigos humorísticos e sobre teatro e, que criou um one-man-show intitulado Europa Não!Portugal Nunca!! , com o formato de conferência de imprensa, espelhando as suas preocupações políticas e a defesa da cultura portuguesa que fazia. Homem inserido no seu tempo e preocupado com o estado geral do país pegou aliás nesta sua conferência teatralizada e acabou por formalizar uma candidatura à Presidência da República  (1995) com o slogan «O Sonho ao Poder!», no mesmo ano em que foi candidato independente da UDP às eleições legislativas e, lançou a sua Auto-Photo-Biografia (não autorizada), onde cita como mestres Luiz Pacheco e Mário Alberto.

Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)