Jardim do Marquês de Marialva ou do Campo Pequeno

Lápide do Jardim Marquês de Marialva, nos anos 50 do séc. XX (Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em pleno Campo Pequeno encontramos o Jardim do Marquês de Marialva que ali nasceu no início do século XX.

Aquando da construção da Avenida Ressano Garcia (depois, Avenida da República), entre 1897 e 1903, foi organizado este Jardim, em quatro espaços equilibrados, a rodear a praça de touros que ali fora inaugurada em 1892. Com muitas árvores frondosas tornou-se frequentado nos dias de verão, assim como espaço de reunião dos aficionados para discutir as touradas, antes e depois das corridas. Mais tarde, por volta dos anos quarenta, foi acrescido de um parque infantil.

O Marquês de Marialva neste Jardim celebrado é o 4º, de seu nome completo Pedro José de Alcântara de Menezes Noronha Coutinho (09.11.1713-22.02.1799), filho de Diogo de Noronha e Joaquina Maria de Menezes ( 3ª marquesa de Marialva), conhecido como estribeiro-mor da Coudelaria Real de Alter do Chão, assim nomeado por D. José I, e nessa condição criador do sistema de equitação que ficou conhecido como arte de Marialva, em atenção ao seu nome nobiliárquico.

Na segunda metade do século XVIII foi considerado o melhor cavaleiro de Portugal do seu tempo, tendo tido um papel decisivo no aperfeiçoamento da Picaria Real e da arte equestre portuguesa, sendo conhecido pela chamada arte de Marialva de que foi  sucessora a Escola Portuguesa de Arte Equestre. Foi mesmo retratado demonstrando exercícios da alta escola no tratado de cavalaria do séc. XVIII, a  Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavallaria (1790), da autoria de Manuel Carlos de Andrade (1755-1817).

D. João V fundara em 1748   a Coudelaria de Alter, para o Alter-Real ( sub-raça do cavalo Lusitano), um apuramento ordenado pelo próprio rei. Na segunda metade do séc. XVIII, D. José I ampliou a iniciativa de seu pai, estruturou a Coudelaria e deu-lhe o primeiro regime coudélico, para assim iniciar o período áureo da Coudelaria e do Alter-Real, sob orientação de D. Pedro de Alcântara e Menezes.

Este 4º Marquês de Marialva foi marido de Eugénia de Assis Mascarenhas, com quem teve seis filhos.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Jardim com o busto de Júlio de Castilho

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Rui Mendes)

Com um miradouro sobre Alfama, a partir do Largo de Santa Luzia, encontramos o Jardim que desde o dia 25 de julho de 1929 se inaugurou com um busto do olisipógrafo Júlio de Castilho, da autoria do escultor Costa Mota (sobrinho).

Falecido dez anos antes, no dia 8 de fevereiro de 1919, o olisipógrafo Júlio de Castilho, havia sido já consagrado na toponímia de Lisboa por via do Edital municipal de 2 de março de 1925, com o Largo Júlio de Castilho, o largo mais próximo da rua onde morara no Lumiar, acrescido da legenda «Erudito Escritor e Historiador/1840 – 1919».

A inauguração em 25 de julho de 1929
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Quatro anos mais tarde, em 25 de julho de 1929, a Comissão Administrativa da CML inaugurou o busto de Júlio de Castilho neste pequeno jardim também conhecido por Jardim de Santa Luzia, pela proximidade à Igreja de São Brás ou de Santa Luzia, erguida sobre a muralha da antiga cerca. O miradouro resultou de uma iniciativa de Quirino da Fonseca, para fornecer à cidade uma panorâmica geral de Alfama e do Rio Tejo, sendo que o assunto esteve alguns anos em discussão. Raul Proença no seu Guia de Portugal afirma no seu 1º volume, publicado pela primeira vez em 1924,  afirma que «Pela parte detrás da igreja existe, suportado pela muralha que desce a calçada de S. João da Praça, contornando-a, um troço de terreno, hoje inculto» e defende que «Como o templo não tem nenhum valor, poder-se-ia arrasar todo esse terreno e transformá-lo num jardim público, o que não só ofereceria aos habitantes uma janela aberta sobre o Tejo como também teria a vantagem de evitar o futuro desaparecimento do mais importante trecho de muralha goda que Lisboa possui.» Mais tarde, o espaço somou um painel de azulejos representando A Tomada do Castelo de São Jorge aos Mouros por Dom Afonso Henriques e outro painel com a a antiga Praça do Comércio (da autoria de António Quaresma e produzidos na Fábrica Viúva Lamego)  e ainda um outro, com uma vista de Lisboa com barcos no Tejo (desenho de Martins Barata e pintado em 1939 por Victoria Pereira).

Júlio de Castilho (Lisboa/30.04.1840- 08.02.1919/Lisboa), 2.º visconde de Castilho por ser filho primogénito de António Feliciano de Castilho (também perpetuado em Lisboa na Rua Castilho), é considerado um percursor dos estudos olisiponenses, tendo acumulado ao logo da vida uma importante coleção pessoal de documentos sobre o tema, que se encontra depositada na Biblioteca Nacional.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Bica da Guarda pessoal do Marquês de Pombal

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Bica do Marquês fixa na toponímia lisboeta a proximidade de uma bica de água ao quartel da Companhia da Guarda do Marquês de Pombal, numa artéria da Ajuda, desde a publicação do Edital municipal de 8 de fevereiro de 1918.

Este arruamento era só denominada como Rua da Bica até o Edital municipal de 26 de setembro de 1916 preferir antes designá-la como Rua Alegre. Contudo, este nome não vingou porque passados menos de dois anos, a Câmara Municipal de Lisboa voltou a mudar o nome, através do Edital municipal de 8 de fevereiro de 1918, transformando esta artéria que une a Rua de Dom Vasco à  Calçada da Ajuda na memória mais explicativa de Rua da Bica do Marquês.

Saliente-se que foi no quarteirão que termina com o prédio da antiga Farmácia Mendes Gomes que existiu o Pátio da Guarda, um conjunto de casebres dispostos em forma de U, que era o quartel da Companhia da Guarda do Marquês de Pombal, uma guarda de proteção pessoal do Conde de Oeiras (título de 1759) e Marquês de Pombal (título de 1769). Onde hoje se situa a Junta de Freguesia da Ajuda [ Calçada Ajuda nº 236] eram as antigas cavalarias da Companhia da Guarda do Marquês. O Pátio da Guarda também foi denominado Pátio do Bonfim, por nele ter vivido o Conde de Bonfim.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rotunda e a Praça Marquês de Pombal

Freguesia de Santo António
(Foto: Rui Mendes)

A Praça Marquês de Pombal está assim oficialmente denominada desde há 135 anos, ou seja, desde 1882, embora popularmente seja  ainda hoje conhecida como Rotunda, tanto pela sua configuração pouco comum na época, como por esta denominação ter sido reforçada na memória dos lisboetas pelo nome da estação de Metropolitano de Lisboa, que durou de 1959 até 1998.

A Praça Marquês de Pombal é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa/13.05.1699 – 08.05.1782/Pombal), o estadista que coordenou a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755,  feita no século seguinte pela  deliberação de câmara de 6 de maio de 1882, ou seja, na data do centenário do falecimento do Marquês e quase no dia do 183º aniversário do seu nascimento. O espaço escolhido foi a confluência da Avenida da Liberdade com a Rua Fontes (hoje, Avenida Fontes Pereira de Melo) e o Parque da Avenida da Liberdade (hoje,  Parque Eduardo VII), ou seja, no topo da Baixa lisboeta reconstruída. Quatro anos depois, conforme documento de 2 de novembro de 1886 a Câmara ainda estava a negociar com diversos proprietários os preços das expropriações para completar a execução da Praça Marquês de Pombal.

Já o nome popular de Rotunda a individualizava por então as Rotundas serem pouco frequentes, por ter sido o local de concentração dos Republicanos no 5 de Outubro de 1910 e por ter sido o nome da estação do Metropolitano de Lisboa neste local, inaugurada em 29 de dezembro de 1959, e na qual confluíam ambos os troços do então novo sistema de transporte, quer Sete Rios-Restauradores quer Entrecampos- Restauradores; só a partir de 1998, a estação, já com duas linhas diferentes, passou a denominar-se Marquês de Pombal.

No dia do 235º aniversário de nascimento do Marquês de Pombal ( 13 de Maio de 1934), graças a uma subscrição pública, foi inaugurada no centro da Praça Marquês de Pombal um monumento em sua honra onde a figura feminina simboliza a Lisboa reconstruída. Esta obra resultou do traçado dos arquitetos Adães Bermudes e António do Couto bem como da escultura de Francisco dos Santos, Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

As Escadinhas da Calçada do Duque de Cadaval

Freguesias da Misericórdia e Santa Maria Maior
(Foto: Toze Ribeiro)

A Calçada do Duque, que em escadaria une hoje o Largo Trindade Coelho à Calçada do Carmo, é um topónimo que perpetua um antigo proprietário local, o Duque de Cadaval, sendo o arruamento também conhecido popularmente como Escadinhas do Duque, forma que o guitarrista  António Chainho escolheu para dar título a um tema do seu álbum Guitarradas.

Esta antiga calçada íngreme foi  em meados do século XIX suavizada através da colocação de escadas e a partir daí  ganhou o epíteto de escadinhas. O topónimo Calçada do Duque foi atribuído oficialmente pelo Edital do Governo Civil de 5 de agosto de 1867 que também atribuiu no sítio a Rua do Duque, em ambos os casos por referência às propriedades dos Duques de Cadaval naquela zona. Refira-se ainda que a zona nas traseiras da Rua Primeiro de Dezembro junto à Estação Ferroviária, onde está implantada uma esplanada, corresponde ao Pátio do Palácio do Duque do Cadaval do séc. XIX e também é vulgarmente conhecido como Largo Duque de Cadaval apesar de não ser um topónimo oficial.

Em 1 de setembro de 1887, L. Mendonça e Costa num artigo n’Occidente precisa que «É toda a frente occidental deste lado (…) que vai ser demolida para a construcção da grande estação central dos caminhos de ferro [hoje é denominada Estação Ferroviária do Rossio], testa da linha urbana de Lisboa. (…) sendo um o palacio do sr. Duque do Cadaval, que tem dois andares com 8 janellas de frente cada um (…) nas trazeiras d’estes dois predios estende-se a quinta e jardim pertencente ao primeiro, e que confina com a cêrca da Misericórdia e pateo do Penalva, seguindo, por detraz dos demais predios que formam a parte occidental da rua do Principe [ hoje é a Rua Primeiro de Dezembro], até à calçada do Duque, que também assim se chama por pertencer o seu terreno do lado direito, á velha casa Cadaval».

O 1º Duque de Cadaval

O título de Duque de Cadaval foi criado pelo rei Dom João IV no dia 26 de abril de 1648, a favor de D. Nuno Álvares Pereira de Melo (1638-1727), filho de D. Francisco de Melo, 3.º marquês de Ferreira e um dos sustentáculos da Restauração de 1640. O título continuou a ver reconhecida a sucessão desde a sua instituição em 1648, até à morte do 6º duque, D. Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo, em 1837.

O 1º duque também mandou construir uma casa nobre, antes de 1761, na sua quinta de Pedrouços, que era então um arrabalde de Lisboa, que também ficou marcada na toponímia lisboeta como Alto do Duque. Existiu também um Casal Duque de Cadaval, junto à Estrada de Benfica, como documenta a planta de 1909 de Júlio Silva Pinto.

Sobre a Calçada do Duque refira-se ainda o Palácio da Marquesa de Nisa,  na propriedade de Francisco José Caldas Júnior, foi mandado demolir pela Câmara por edital de dezembro de 1835. Neste local morou António Feliciano de Castilho e nasceu em 30 de abril de 1840 Júlio de Castilho. António Florêncio dos Santos adquiriu toda a propriedade e em 8 de janeiro de 1865 aí inaugurou a Escola Académica que em 1927 foi transferida para o Monte Agudo. Em 1900, os  nºs  3, 5 e 7 desta artéria albergavam um café chamado Inferno.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior      (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

As terras do «Carvalhão» que viria a ser Marquês de Pombal

Alto do Carvalhão – Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carvalhão era o nome pelo qual era conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo – que viria depois a ser Conde de Oeiras e Marquês de Pombal – nesta zona de Campolide, onde era o proprietários dos terrenos que se estendiam desde a Cruz das Almas até à ribeira de Alcântara e onde se fixou na toponímia local como Alto do Carvalhão, Rua do Arco do Carvalhão e já no século XX, também com a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão (Edital de 22/06/1948).

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, «do apelido [Carvalhão] derivaram os nomes da Rua actual (da direita) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (à esquerda) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva à D. Carlos Mascarenhas», porque ali possuía  casas, terras, olivais, pedreiras como a da Cascalheira, fornos de cal e até moinhos e azenhas. Ainda segundo Norberto de Araújo «antes de ser do Arco do Carvalhão a rua chamava-se do Sargento-Mór.»

Antes do Terramoto de 1755, o Arco do Carvalhão aparece na descrição corográfica da freguesia de Santa Isabel, bem como na planta após a remodelação paroquial de 1770. Cerca de 1779 existiriam casebres na Rua do Arco do Carvalhão que seriam demolidos em 1929 para alargamento do arruamento, ainda de acordo com Norberto de Araújo.

No século XX, em 1807, a planta de Duarte Fava apresentava esta zona como o Arco do Carvalhão. Filipe Folque, na sua planta de 1857 já refere o Arco do Carvalhão, a Estrada do Arco do Carvalhão e o forte do Alto do Carvalhão, sendo que desde 12 de outubro de 1823 que o Chafariz do Arco do Carvalhão (ou da Cruz das Almas), da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos, estava a funcionar na Rua do Arco do Carvalhão que foi alargada a partir de 1887, alongada em 1900 e novamente alargada em 1901 bem como de 1914 a 1922.

Sabe-se ainda, por uma escritura de 21 de fevereiro de 1920, que neste ano estavam a ser construídas ruas no Alto do Carvalhão,  numa obra levada a cabo por Gustavo de Araújo Santos Moreira e que, dois anos depois (escritura de 27/01/1924), o mesmo indivíduo obteve licença para abertura e construção de ruas nos terrenos sitos no Alto do Carvalhão cedendo 2571,25 m2 de terreno à Câmara Municipal de Lisboa. A pavimentação das ruas ocorreu dez anos depois como prova a escritura de adjudicação da empreitada de pavimentação das ruas do Alto do Carvalhão a Emílio Hidalgo, com data de 22 de maio de 1934. A partir de 1937 o  Alto do Carvalhão recebeu a construção de  rampas de acesso à Auto-Estrada Lisboa-Cascais, incluindo ainda um viaduto sobre a artéria com data de 1940.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Beco do Chão Salgado dos Távora

Freguesia de Belém – Beco do Chão Salgado em 1966                                                                       (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Beco do Chão Salgado guarda em Belém a memória da condenação e da execução dos Távoras,  no dia 13 de janeiro de 1759, no tempo de D. José I e do futuro Conde de Oeiras (15 de julho de 1759) e  Marquês de Pombal (1770) no espaço que vai do nº 124 da Rua de Belém até ao nº 116 da mesma Rua de Belém.

Padrão no Beco do Chão Salgado em 1979
(Foto: Neves Águas, Arquivo Municipal de Lisboa)

Este topónimo remete para a  condenação do Duque de Aveiro e da sua família por alegada participação no atentado contra D. José I em 1758, que conduziu a que o palácio desta família – Palácio Aveiro -, em Belém, fosse confiscado, arrasado e simbolicamente, salgado o seu chão.  No local, foi também erguida em 1759, uma coluna cilíndrica , de 5 metros de altura, com 5 anéis, conhecida como  Padrão ou Obelisco do Chão Salgado, com a seguinte inscrição : «Aqui foram arrasadas e salgadas/ as casas de José de Mascarenhas/ exautorado das honras de duque/d’Aveiro e outras/condemnado pior sentença proferida/na suprema Junta de/Inconfidencia, em 12 de Janeiro/de 1759/Justiçado como um dos chefes/do barbaro e execrando desacato/que na noite de 3 de Setembro/de 1758 se havia commettido/contra a real e sagrada pessoa de/D. José 1º/Neste terreno infame se não poderá/edificar em tempo algum». Todavia, a proibição de construir neste terreno deixou de ser respeitada logo no reinado seguinte – o de D. Maria I – e assim o que resta do sítio do Chão Salgado é nos nossos dias um acanhado beco.

A execução pública dos Távoras, com o rei e a corte presentes, teve lugar num patíbulo erguido na Praça de Belém (conforme é citada nos documentos testemunhais da época),  às 8 horas da manhã do sábado 13 de janeiro de 1759, sendo primeiro degolada a marquesa de Távora, D. Leonor Tomásia, que era uma forma de execução reservada aos membros da nobreza, por ser mais rápida e indolor, sendo depois todos os outros, tendo no final sido queimados e as cinzas deitadas ao Tejo. A condenação da Marquesa de Távora, que tinha um confessor jesuíta, permitia envolver os jesuítas no processo e era uma forma de extinguir a casa de Távora. Vinte e dois anos depois, em 1781, a pedido do marquês de Alorna, familiar dos condenados, uma junta composta por vários desembargadores reanalisou o processo dos Távoras e publicou uma sentença revisória que apontou várias irregularidades e absolveu vários dos condenados, incluindo a marquesa de Távora, embora confirmando a culpabilidade do Duque de Aveiro. Contudo, nunca a rainha D. Maria I confirmou esta revisão da sentença, apesar de desprezar o Marquês de Pombal, tanto mais que lhe retirou todos os poderes e expulsou-o de Lisboa com um decreto proibindo a sua presença a uma distância inferior a 20 milhas (pouco mais de 32 quilómetros) da capital.

O sítio do Chão Salgado recebeu em 1848 uma praça construída no local pela edilidade, para nela colocar um Chafariz que veio substituir o Chafariz da Bola, obra do arqº  Malaquias Ferreira Leal e do escultor Alexandre Gomes, mas que em 1940 foi retirado, por ocasião da Exposição do Mundo Português e sete anos depois, foi colocado no Largo do Mastro.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC)

O pedido de alteração do topónimo Calçada do Duque de Lafões

Calçada Duque de Lafões – Freguesias de Beato e Marvila
(Fotos: Sérgio Dias)

A Calçada do Duque de Lafões foi alvo de vários pedidos de alterações após o 25 de Abril, por diversas cartas de munícipes endereçadas à edilidade, bem como através da própria Junta de Freguesia do Beato.

Em carta de 14 de fevereiro de 1975, a Junta de Freguesia do Beato « patrocinando pedido dos seus paroquianos»  solicitou a alteração dos topónimos Calçada do Duque de Lafões, Rua João do Nascimento Costa e Rua Dr. Manuel Espírito Santo. A Comissão Municipal de Toponímia chegou mesmo a reunir com representantes dessa Junta de Freguesia e solicitou-lhes que reexaminassem o assunto. Em 1976, a Junta do Beato insistiu no pedido, desta feita apresentando como alternativa o nome de Manuel Rodrigues da Silva, «lutador antifascista, com cerca de 23 anos de prisão, 10 dos quais no Tarrafal, tendo morrido há relativamente pouco tempo em Moscovo, e que habitava na dita Calçada do Duque de Lafões».

Nesta demanda, a Junta de Freguesia do Beato voltou a incluir o pedido de alteração dos topónimos Rua João do Nascimento Costa e Rua Dr. Manuel Espírito Santo, a que a Comissão deu o parecer de que  «O topónimo Calçada do Duque de Lafões é tradicional e, como tal, não deve ser alterado. Não se vê contudo inconveniente em que a Rua João do Nascimento Costa passe a denominar-se Rua Manuel Rodrigues da Silva/ Militante operário/ 1909 – 1968.  Quanto à alteração do topónimo Rua Dr. Manuel Espírito Santo, deverá aguardar-se estudo conjunto, de molde a que em todos os arruamentos da Quinta do Ourives, onde o referido arruamento se situa, venham a consagrar-se nomes de falecidos militantes operários.» Porém, Manuel Rodrigues da Silva só se tornou topónimo por Edital de 24/09/1996, no Impasse DE DF à Quinta dos Inglesinhos à Avenida das Nações Unidas, na freguesia de Carnide,  com a legenda «Político/1909 – 1968» e a Rua João do Nascimento Costa e a Rua Dr. Manuel Espírito Santo nunca foram alteradas, embora nenhum documento municipal justifique o sucedido.

Também um cidadão solicitou repetidas vezes, no ano de 1975,  a  alteração do topónimo Rua João do Nascimento Costa. Chegou mesmo a sugerir que o mesmo passasse a ser Rua Amílcar Cabral, recebendo o parecer « Aguarde-se conhecimento da orientação do Governo e do M.F.A. sobre a atribuição de topónimos que consagrem as figuras de dirigentes dos movimentos de libertação.» Neste caso, Amílcar Cabral acabou mesmo por ser um topónimo lisboeta, numa rua do Lumiar, com a legenda «Político/1924 – 1973», através do Edital municipal de 22/04/1983, na via pública que estava identificada provisoriamente como arruamento A do Plano de Urbanização da Quinta do Lambert ao Lumiar (Unor 32) ou como Impasse 2 à Alameda das Linhas de Torres.

Finalmente, a Calçada do Duque de  Lafões hoje pertença das freguesias do Beato e de Marvila, continuou até hoje como topónimo, a ligar a Rua do Grilo à Estrada de Marvila, por ser um topónimo tradicional, que guarda a memória de ali existir o palácio residencial setecentista do Duque de Lafões, cuja entrada se fazia pelo nº 1 da Calçada do Duque de Lafões.

O título de Duque de Lafões foi criado por D. João V, em 17 de fevereiro de 1718, em favor do seu primo D. Pedro Henrique de Bragança, filho do infante D. Miguel de Bragança que era filho bastardo de D. Pedro II. Sem descendência, o título  passou para o seu irmão, o general D. João Carlos de Bragança de Sousa Ligne Tavares Mascarenhas da Silva, assim feito 2º Duque de Lafões, que foi um dos fundadores e o 1º presidente da Academia das Ciências, sendo 1º secretário o Abade Correia da Serra , ambos opositores do Marquês de Pombal.

Freguesias de Beato e Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do 2º Conde de Almoster, morto em Angola no final do séc. XIX

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Conde de Almoster, com a legenda «Herói do Ultramar/1858 – 1897», homenageia na Freguesia de São Domingos de Benfica, João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, o 2º Conde de Almoster que morreu no final do séc. XIX em combate em Angola,  desde a publicação do Edital municipal de 13 de dezembro de 1963, por proposta do então presidente da CML, General França Borges, volvidos que estavam 2 anos e 10 meses sobre o início da Guerra Colonial em Angola.

Até aí esta artéria tinha a designação provisória de Rua C à Travessa de São Domingos de Benfica, ou de Rua projetada à Travessa de São Domingos de Benfica, ou ainda, Rua projetada ao Largo Conde de Ottolini . E com o passar dos anos a via foi aumentando de dimensão. Pelo Edital municipal de 15/04/1969 foi-lhe acrescentado o troço do arruamento ao longo do caminho de ferro, compreendido entre a Rua Inácio de Sousa e a Rua de São Domingos de Benfica, e pelo Edital de 05/06/1972 somou ainda o troço do arruamento, ao longo do caminho de ferro, situado entre as Ruas Inácio de Sousa e Sousa Loureiro.

João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun (Barcelos/11.08.1858-12.12.1897/Humbe-Angola), que morreu em combate na mata angolana dos Espinheiros Camafuti, em Humbe, a 12 de Dezembro de 1897, foi o  2º Conde de Almoster, sobrinho do 1º titular, Augusto Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun (1822- 1845), sendo-lhe renovado o título  em 1871 por D. Luís I. Concluíra o curso de Cavalaria da Escola do Exército e fora colocado no regimento de Cavalaria nº 4, tendo sido promovido a capitão em 1897, quando integrava o Esquadrão de Dragões do Planalto de Moçâmedes, em Angola, onde faleceu.

O 2º Conde de Almoster era filho do 2º duque de Saldanha, João Carlos Saldanha de Oliveira e Daun e de sua esposa, Júlia Pereira Alves de Sousa Guimarães.

Existe também uma Rua Conde de Almoster em Almoster (Santarém).

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)