Sete novos topónimos na freguesia do Lumiar

Pelo Edital nº 38/2017, de 17/03/2017,  foram atribuídos sete novos topónimos na freguesia do Lumiar:  Largo Gérard Castello-Lopes, Rua Irisalva Moita, Rua Isabel Magalhães Colaço, Rua Joaquim Rodrigo, Largo Michel’Angelo Lambertini, Rua Padre Manuel Antunes e Rua Pedro Bandeira Freire.

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Eduardo Bairrada, dos estudos da Calçada portuguesa, numa rua da Ajuda

Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

Eduardo Bairrada, arquiteto e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, autor de Empedrados artísticos de Lisboa: A arte da calçada-mosaico, está perpetuado na toponímia da Freguesia da Ajuda desde a publicação do Edital municipal de 29/02/1988 no então novo arruamento do Rio Seco, com a legenda «Olisipógrafo/1930 – 1987».

Freguesia da Ajuda - Placa Tipo V (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda – Placa Tipo V
(Foto: Sérgio Dias)

Eduardo Martins Bairrada (Lisboa/10.10.1930 – 28.01.1987/Lisboa) trabalhou como arquiteto na Câmara Municipal de Lisboa durante 33 anos,  e à data da sua morte exercia as funções de Diretor do Gabinete de Estudos Olisiponenses, serviço criado em 1954 para possibilitar o estudo e a divulgação da história de Lisboa. Ele foi um apaixonado olisipógrafo, que deu especial atenção ao património da calçada portuguesa, tendo mesmo a sua obra Empedrados artísticos de Lisboa: A arte da calçada-mosaico (1985) alcançado o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas-Artes. Dedicou também diversos estudos ao Prémio Valmor como Antecedentes da Academia Nacional de Belas-Artes no prémio Valmor de arquitectura da cidade de Lisboa: académicos-arquitectos no seu júri: documentação inédita, 1902-1935 (1984),  Prémios Valmor de arquitectura (1984), Prémio Valmor: 1902-1952 (1988) e saliente-se ainda o seu Lisboa: panorama da sua história e expansão urbana (1982). Foi também o autor do desenho da Medalha de Mérito da Academia Nacional de Belas Artes.

Eduardo Bairrada foi secretário da direção do Grupo de Amigos do Museu da Marinha, membro da Academia Nacional de Belas Artes, correspondente da Academia Portuguesa de História e participou no I Congresso de Monumentos Militares Portugueses, em Vila Viçosa. Foi agraciado com a Medalha Naval de Vasco da Gama, com o grau de cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique (1961), a Comenda da Ordem de Santiago da Espada, a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa e o título de benemérito.

Freguesia da Ajuda (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

 

 

A Rua do médico e olisipógrafo Eduardo Neves

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

No próprio ano do seu falecimento foi o médico, olisipógrafo e vereador da Câmara Municipal de Lisboa Eduardo Neves colocado como nome do arruamento projetado entre as Avenidas da República e Cinco de Outubro, paralelo ao viaduto de Caminho de Ferro, com a legenda «Olisipógrafo/1895 – 1973», por via do Edital municipal de 3 de setembro de 1973.

Eduardo Augusto da Silva Neves, (Lisboa/22.05.1895-?.07.1973/Lisboa), nascido na então freguesia de São Julião, foi um médico formado em 1920, com especialização em Medicina Legal e em Higiene Pública, e quadro dirigente da Sociedade de Ciências Médicas, que também desempenhou funções de Vereador na Câmara Municipal de Lisboa, de 1955 a 1959, nomeadamente como Presidente da  Comissão Municipal de Higiene e do Prémio Augusto de Castilho, tendo ainda proposto os nomes de Alexandre Ferreira, Luís Gonzaga Pereira e Frei Bartolomeu dos Mártires para topónimos de Lisboa.

Freguesia das Avenidas Novas - Plca Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

O Dr. Eduardo Neves dedicou um interesse muito especial  aos Estudos Olisiponenses e nesse sentido, foi também um dos  fundadores do Grupo «Amigos de Lisboa» e nele exerceu cargos dirigentes. Proferiu diversas palestras de que destacamos «As ruínas do Carmo» e «Igreja de Nossa Senhora da Penha de França», ambas em 1938, a palestra proferida no dia 29 de outubro de 1939 na Basílica dos Mártires comemorando o 792º aniversário da tomada de Lisboa, «O Convento dos Barbadinhos Italianos» (8 de abril de 1951), a homenagem a Matos Sequeira na Casa da Imprensa (1955), «Um Arcebispo-Primaz natural de Lisboa» (1956) ou uma sobre o centenário do nascimento do Engº Vieira da Silva (1969).

Para além das suas palestras e conferências deu ainda a lume A Faculdade de Medicina de Lisboa : apontamentos e notas sobre o edifício e o local  (1939),  Lisboa na numismática e na medalhística (1942),  Lisboa nos ex-libris (1943), Do sítio do Intendente (1950), Um Passeio no Bairro Alto (1950), Um Passeio no Tejo (1953), Lisboetas na Índia e Luso-indianos em Lisboa (1954),    Um desenho à pena da autoria de Júlio de Castilho (1957), Uma recordação sebástica no sitio da Luz : uma pedra-de-armas, um testamento e um poema (1958), Dos selos pendentes do Arquivo da Santa Casa da Misericórdia (1959); Um pintor romântico francês em Lisboa, em 1837 : um quadro olisiponense no Museu de Dôle (1961).  A propósito do 50º aniversário do lançamento da primeira pedra do edifício da Sociedade a Voz do Operário (1963).

Eduardo Neves foi ainda colaborador das revistas Arquivo de Medicina Legal, Arquivo do Instituto de Medicina Legal, Feira da Ladra e da Olissipo do Grupo «Amigos de Lisboa».

 

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do cirurgião de hospital e olisipógrafo Alberto MacBride

Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Alberto MacBride perpetua o cirurgião de hospital, como ele próprio se intitulava, que também se empenhou no estudo da olisipografia, tanto como membro da comissão organizadora e sócio fundador nº 3 do Grupo «Amigos de Lisboa» quer enquanto sócio fundador nº 18 da Associação de Arqueólogos Portugueses, colaborando em particular na secção de estudos olisiponenses. Alberto Mac Bride foi fixado na  Rua D à Avenida Doutor Alfredo Bensaúde, pelo Edital municipal de 20/01/1998, sendo na mesma data atribuído o nome do também médico Alfredo Franco na Rua A e B. Na Rua C, já desde 17/02/1995 dava nome à artéria o médico Carlos George.

Alberto MacBride

Alberto MacBride Fernandes  (Lisboa/11.09.1886 – 29.01.1953/Lisboa) nasceu na Rua dos Fanqueiros nº286 – 2º Dtº, filho do Dr. Gregório Rodrigues Fernandes também presente na toponímia do Bairro Grandela, e foi cirurgião no Hospital de S. José e presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa. O seu irmão Eugénio também foi médico e o seu grande colaborador ao longo da vida.

Paralelamente à carreira clínica e ligado que estava à Biblioteca de S. José desde 1918, produziu história da Medicina, dos Hospitais Civis de Lisboa e da Medicina na Índia Portuguesa e, na Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, elaborou uma extensa monografia correspondente ao período 1835-1846 que integrou o volume da comemoração centenária da Sociedade em 1923. Mac-Bride defendeu mesmo a criação de um Museu da Medicina em 1911 e dois anos depois, a ideia inovadora de um serviço de pronto-socorro na via pública com ambulâncias-automóveis que hoje poderíamos chamar INEM. Foi ainda secretário e redator da revista Medicina Contemporânea durante 29 anos, de 1910 a 1939. No Grupo «Amigos de Lisboa» foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral de janeiro de 1942 até ao seu falecimento e presidiu ao trabalho «A Urbanização de Lisboa» e à ideia do Parque de Monsanto como pulmão de Lisboa.

Formado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1909 passou a cirurgião dos hospitais civis em 1911, iniciando assim uma carreira profissional completamente dedicada aos hospitais, intitulando-se a si próprio cirurgião de hospital. O seu lema era que a Medicina nasce e cresce nos hospitais e o Banco do Hospital de São José foi para Alberto MacBride a sua aplicação prática, deixando uma obra incomparável no campo da cirurgia e anestesia em Portugal, bem como reformas que prestigiaram o Hospital como a reabertura dos internatos médicos, em 1912. Foi pioneiro em quase todas cirurgias modernas como as transfusões de sangue diretas, as anestesias endovasculares e raquidianas, a cirurgia vascular ou a cirurgia abdominal de urgência. Exerceu ainda os cargos de subdirector do Banco do Hospital São José (1920), Diretor-Geral dos Hospitais (1927), Diretor do Banco  de São José (1930), Diretor do Serviço Clínico (1931) e Diretor  do Serviço de Cirurgia dos Hospitais Civis de Lisboa.

Foi diretor da Associação dos Médicos (precursora da Ordem dos Médicos) e presidente do Conselho Regional de Lisboa, Membro do Conselho Geral da Ordem dos Médicos (1939-43), bem como o 49.º Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (1952 e 1953), 50 anos depois do seu pai, e já antes havia sido seu Secretário-Geral Adjunto, entre 1949 e 1951. Porque fez parte do CEP (1917-1919), como adjunto dos serviços de saúde do QGB esteve destacado no hospital militar inglês, no hospital canadiano de Montreal e em 1918, como chefe de cirurgia no hospital da base n.º 1 em Ambleteuse, tendo em 1923 sido sócio fundador da Liga dos Combatentes da Grande Guerra e mais tarde, seu Presidente.

Alberto MacBride foi condecorado com a Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos em Campanha, a Medalha de Prata de Campanhas do Exército Português, a Medalha inglesa Military Cross, o Grau de Cavaleiro da Bélgica e  a comenda da Ordem de Santiago  da Espada, para além de em 1957, de forma efémera ter existido um museu com o seu nome Hospital de Santa Marta.

Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

A Praça Rocha Martins, o primeiro divulgador das «Termas» da Rua da Prata

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Rocha Martins que foi o primeiro grande divulgador das chamadas «Termas» da Rua da Prata (hoje conhecidas como Galerias Romanas da Rua da Prata), por via da sua reportagem publicada em 8 páginas da  Ilustração Portuguesa de 18 de outubro de 1909, com fotografias de Joshua Benoliel, tem desde 1993 o seu nome perpetuado em Lisboa, pelo Edital municipal de 31 de agosto,  no Impasse A1 do Novo Bairro da Horta Nova (ou Impasse A1 à Rua A à Estrada do Paço do Lumiar – Quinta dos Castanheiros), com a legenda «Jornalista e Historiador/1879 – 1952», a partir da primeira proposta de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa.

Rocha Martins a sair das Galerias Romanas da Rua da Prata em 1909 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rocha Martins a sair das Galerias Romanas da Rua da Prata, em 1909
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Francisco José da Rocha Martins (Lisboa- Belém/1879 – 23.05.1952/Sintra) foi um autodidacta que desde muito novo trabalhou em inúmeras publicações e viveu exclusivamente da escrita, chegando a dirigir jornais seus, como o ABC (de 1920 a 1930) e o Arquivo Nacional (de 1932 a 1943). Trabalhou para  as revistas Ilustração PortuguesaSerões, Feira da Ladra, Mundo Gráfico e a Revista Municipal da CML, o semanário Papagaio Real e o Comércio do Porto, o Diário Popular, o Diário de Notícias, o Jornal da Noite,  o Liberal, o Primeiro de Janeiro, o  Vanguarda e  o República.

Na sua obra publicada somou inúmeros romances históricos, obras de divulgação histórica e, dezenas de biografias da sua autoria, sendo de referir os romances históricos Gomes Freire e Madre Paula (ambos de 1900) ou Maria da Fonte (1902), bem como Alexandre Herculano e a sua época (1910), A Corte de Junot em Portugal (1910), Bocage – Episódios da sua vida (1936),   Dom Manuel II (1931),  Dona Flor da Murta (1928),  Os Grandes Vultos da Restauração de Portugal (1940), Inês de Castro (1910), Memórias Sobre Sidónio Pais (1921), A Monarquia do Norte (1922), Rei Santo – Crónica do reinado de D. Pedro V (1905),  e  a vasta série de estudos biográficos intitulada Vermelhos, Brancos e Azuis (1948). Sobre Lisboa escreveu uma série de artigos de divulgação e estudo que foi reunida sob o título de Lisboa de ontem e de hoje (1945).

Monárquico liberal, Rocha Martins editou em 1914 panfletos semanais escaldantes sobre acontecimentos políticos, arrasando Afonso Costa e o Partido Democrático, sob o título Fantoches, de que fez uma 2ª série, em 1923 e 1924, intitulada Fantoches – Bastidores da Política e dos Negócios. No consulado de Sidónio Pais foi deputado e o seu semanário ABC, patrocinado pela  publicidade do Bristol Club, apoiou em 28 de maio de 1926 a arrancada do então general Gomes da Costa, para além de neste início da Ditadura Nacional ter sido assessor de imprensa de Linhares de Lima, por ocasião da Campanha do Trigo de 1929. Contudo, acabou por se tornar popular enquanto crítico do salazarismo, particularmente durante a campanha presidencial do General Norton de Matos, nos artigos em forma de carta que assinava  e saiam estampadas a toda a largura da 1ª página no República, que até criaram um dito dos ardinas, metade apregoado e metade sussurrado «Fala o Rocha!… O Salazar está à brocha».

Francisco José da Rocha Martins pertenceu à Sociedade Voz do Operário  a quem deixou a sua biblioteca e esta instituição realizou uma exposição sobre a sua obra no 50º aniversário da sua morte, com o apoio da Hemeroteca Municipal de Lisboa e do Grupo Amigos de Lisboa.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Padre Felicidade, dos Jerónimos prior e estudioso

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

O padre José da Felicidade Alves, reconhecido como olisipógrafo pelos seus estudos sobre o Mosteiro dos Jerónimos bem como pela coordenação da coleção «Cidade de Lisboa» na Livros Horizonte, tem o seu nome na que era a Rua A da Quinta da Bela Flor desde a publicação do Edital de 14/07/2004, com a legenda «Olisipógrafo/1925 – 1998».

Freguesia de Campolide - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide – Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

José da Felicidade Alves (Caldas da Rainha-Vale da Quinta/11.03.1925 – 14.12.1998) entrou para o seminário com 11 anos e em 1948 foi ordenado sacerdote e  colocado como professor de Grego e Matemática no Seminário de São Paulo (em Almada), e depois em Lisboa, no dos Olivais.

Na sua carreira sacerdotal foi também prior da Paróquia de Santa Maria de Belém, de 1956 a 1968, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas incómodos ao poderes político e eclesiástico de então, como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais, tornando-se uma das figuras centrais da oposição dos católicos à ditadura. Em 19 de abril de 1968, na presença de 80 pessoas, proferiu uma comunicação ao Conselho Paroquial de Belém, intitulada «Perspectivas actuais de transformação nas estruturas da Igreja» e «Sentido da responsabilidade pessoal na vida pública do meu país», colocando em causa a forma como a Igreja se apresentava à sociedade, a sua organização, e mesmo a maneira como eram transmitidos os ensinamentos cristãos e a abordagem da própria figura de Deus, o que lhe valeu um processo que determinou, em novembro de 1968, o afastamento das suas funções de prior titular de Belém, e, mais tarde, a suspensão das suas funções sacerdotais, terminando, em 1970, com a sua excomunhão.

Após o afastamento da paróquia de Belém, o padre Felicidade tornou-se no grande impulsionador, em conjunto com Nuno Teotónio Pereira e o padre Abílio Tavares Cardoso, da publicação dos Cadernos GEDOC, de que saíram onze números, entre 1969 e 1970. Abordando criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial, a publicação foi condenada pelo Cardeal Cerejeira e considerada ilegal pela PIDE, sendo instaurado um processo aos seus responsáveis, de que resultou em 19 de maio de 1970 a prisão de Felicidade Alves.  Ainda em 1970, no dia 1 de agosto, casou civilmente com Elisete Alves mas o processo para obter da hierarquia católica o reconhecimento do seu casamento pela via canónica oficial só foi autorizado quase 30 anos depois, sendo o seu casamento religioso então celebrado pelo Cardeal Patriarca D. José Policarpo em 10 de junho de 1998, o mesmo ano em que Felicidade Alves viria a falecer.

Afastado da hierarquia da Igreja, o padre Felicidade trabalhou em diversas empresas, como o Anuário Comercial e a editora Livros Horizonte. Continuou a sua produção literária, com estudos de natureza teológica e pastoral, como Católicos e Política (1969), Pessoas Livres e É Preciso Nascer de Novo (ambos em 1970)  e Jesus de Nazaré (1994), mas também de carácter histórico. Publicou, um conjunto de estudos originais – em  três volumes –  sobre o Mosteiro dos Jerónimos (1989 -1994), coordenou  uma coleção relativa à obra de Francisco de Holanda (seis obras entre 1984 e 1989), bem como a coleção de textos históricos sobre a cidade de Lisboa (cinco obras, entre 1987 e 1990) da Livros Horizonte. Saliente-se ainda o seu Roteiro da Produção Literária Portuguesa no Século XVI, tema a que Felicidade Alves se dedicou desde 1981 e O Mosteiro de São Vicente de Fora que deixou concluído e foi publicado postumamente. O seu trabalho bibliográfico foi premiado pela Academia Nacional de Belas Artes, que o tornou seu académico em 1994.

Depois do 25 de Abril de 1974, José da Felicidade Alves aderiu ao PCP, onde se manteve até morrer.  Desempenhou ainda as funções de presidente da Segurança Social entre agosto e dezembro de 1978 e de autarca do concelho de Oeiras, primeiro, na freguesia de Carnaxide e depois, na freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo, onde residia. E foi agraciado com a  Ordem da Liberdade (1994) e o  prémio Júlio de Castilho de Olisipografia da Câmara Municipal de Lisboa (1995).

 

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

O Largo Júlio de Castilho

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Júlio de Castilho que viveu e faleceu no Lumiar, no nº 11 da Travessa do Prior ( hoje nº 26 da Rua Pena Monteiro), teve o seu nome imortalizado no Largo contíguo – que era o Largo da Duquesa-, por Edital municipal de 2 de março de 1925, com a legenda «Erudito Escritor e Historiador/1840 – 1919», recordando a sua obra publicada sobre Lisboa: Lisboa antiga – Primeira parte: 0 Bairro Alto (1879), Lisboa antiga – Segunda parte: Bairros orientais em 8 tomos (1884 – 1890) e A Ribeira de Lisboa, descrição histórica da margem do Tejo desde a Madre de Deus até Santos o Velho (1893).

 Júlio de Castilho em data anterior a 1919 (Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho em data anterior a 1919
(Foto: José Artur Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho (Lisboa/30.04.1840- 08.02.1919/Lisboa), 2.º visconde de Castilho por ser filho primogénito de António Feliciano de Castilho (também perpetuado em Lisboa na Rua Castilho), é considerado um percursor dos estudos olisiponenses, tendo mesmo conseguido uma importante coleção pessoal de documentos sobre o tema, hoje depositada na Biblioteca Nacional. Habilitado com o Curso Superior de Letras foi primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde desenvolveu investigação na área da bibliografia e da biografia que se espelhou, bem como a sua faceta de poeta e dramaturgo, na obra que publicou e da qual salientamos  Primeiros versos (1867), os 3 volumes de Antonio Ferreira, poeta quinhentista, estudos biographico litterarios, seguidos de excerptos do mesmo autor (1875), o drama em 5 actos e em verso D. Ignez de Castro (1875) com uma monografia, Memórias de Castilho (1881), O archipelago dos Açôres (1886), D. António da Costa, quadro biographico litterario (1895), Elogio historico do arquitecto Joaquim Possidonio Narciso da Silva, proferido em sessão solemne da Real Associação dos Architectos e Archeologos portuguezes em 28 de Março de 1897 (1897), A mocidade de Gil Vicente, o poeta, quadros da vida portugueza nos séculos XV e XVI (1897), Amores de Vieira Lusitano (1901) e um Requerimento a sua magestade el-rei pedindo a abolição das touradas em Portugal (1876), apresentado em nome da Sociedade Protetora dos Animais.

Colaborou também com diversos órgãos de comunicação social como o Arquivo Pitoresco, o Diário Oficial do Rio de Janeiro, a Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e A semana de Lisboa. Em 1906 foi-lhe atribuída a tarefa de ser professor de História e de Literatura Portuguesa do Infante D. Luís e ainda desempenhou as funções de cônsul de Portugal em Zanzibar (1888).

Recorde-se também que Júlio de Castilho foi sócio  da Academia das Ciências de Lisboa, da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, bem como sócio correspondente do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco,  do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris. Foi ainda Governador Civil do distrito da Horta (1877 – 1878) o que lhe trouxe a distinção de sócio honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta.

Júlio de Castilho já tinha sido homenageado em Lisboa logo no ano do seu falecimento com a colocação de uma lápide na casa onde viveu por iniciativa de Miguel Trancoso, José Artur Bárcia e António César Mena Júnior, assim como com um busto seu de autoria de Costa Mota (tio), no Largo de Santa Luzia, e inaugurado no dia 25 de julho de 1929, ganhando o espaço ajardinado o nome de Jardim Júlio de Castilho.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Jaime Lopes Dias, dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Jaime Lopes Dias que foi diretor dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1938 e 1960, tem o seu nome perpetuado num troço da antiga Estrada Militar da Circunvalação (compreendido entre a Calçada de Carriche e a Rua André de Gouveia), com a legenda «Jurista e Olisipógrafo/1890 – 1977», desde a publicação do Edital municipal de 03/10/1991.

Jaime Lopes Dias em 1959 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime Lopes Dias em 1959, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime dos Santos Lopes Dias (Penamacor – Vale do Lobo [hoje, Vale da Senhora da Póvoa]/25.10. 1890 – 03.10.1977/Lisboa), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1912,  colaborou como jurista na elaboração no Código Administrativo de 1936, e ao fixar-se em Lisboa dirigiu os Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa durante 22 anos e nessa qualidade integrou a 1ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, nascida em 26 de outubro de 1943, com Luís Pastor de Macedo e o Engº Vieira da Silva, e presidida pelo vereador João Couto, tendo integrado as suas sucessivas composições até 31 de agosto de 1960.  Dirigiu a Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa, na qual privilegiou estudos dedicados à temática da etnografia e história olisiponense. É da sua autoria a brochura Brasão de armas, selo e bandeira da cidade e município de Lisboa, publicada em 1960. Em 1937 presidiu à comissão encarregada da Organização dos Serviços das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto.

Já antes Jaime Lopes Dias fora Oficial do Registo Civil de Penamacor (1912), Notário de Idanha-a-Nova (1914), administrador do concelho de Idanha-a-Nova (1915 a 1916), bem como Juiz Presidente do Tribunal de Desastres no Trabalho de Castelo Branco (1919 a 1921), Secretário-Geral do Governo Civil de Castelo Branco (1921 a 1926). Participou em diversas diligências regionalistas como a instalação do Museu Tavares Proença Júnior , a direção do Boletim da Casa das Beiras e da Revista das Beiras. Foi ainda vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, fundou o Sindicato Agrícola e a Caixa de Crédito Agrícola de Idanha-a-Nova, fez a campanha para a criação de um Posto Agrário em Idanha-a-Nova, assim como foi professor do Liceu de Castelo Branco, presidente da Comissão Agrícola da 55ª Região, adjunto do diretor-geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, bem como vogal do Conselho do Cadastro do Instituto Geográfico e Cadastral.

Em paralelo, desenvolveu um notável trabalho nos domínios da etnografia, arqueologia e história, sendo muito reconhecida a sua Etnografia da Beira (1926), em 11 volumes, com particular incidência em Castelo Branco, bem como o seu estudo Portugal e a Etnografia (1950) onde alertou para a necessidade de registo e a urgência na salvaguarda do património cultural. Parte fundamental da sua produção etnográfica, desenvolvida durante 25 anos de investigação da cultura tradicional e popular da Beira Baixa, foi publicada em jornais periódicos que fundou e dirigiu, designadamente,no Povo de Idanha (1914) e no Província (1921). Foi delegado regional da Comissão de Etnografia Nacional em Castelo Branco, promovendo o II Espectáculo Regional da Beira Baixa (1937).

Jaime Lopes Dias foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo em 28 de maio de 1937.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do investigador olisiponense Gustavo de Matos Sequeira

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Gustavo de Matos Sequeira, olisipógrafo que publicou O Carmo e a Trindade, nasceu, residiu e faleceu na Rua Nova de Santo António e a esta artéria deu nome no ano seguinte ao seu falecimento, com a legenda «Olisipógrafo/1880-1962».

Do historial deste arruamento sabemos que foi por edital do Governo Civil de 05/08/1867 que a Travessa de Santo António se passou a denominar  Travessa Nova de Santo António, mas em 1885, já por edital municipal de 14 de março, tomou o nome de Rua Nova de Santo António e finalmente, o edital municipal de 22/01/1963 determinou que passasse a ser a Rua de Gustavo de Matos Sequeira.

Freguesia de Santo António - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Gustavo Adriano de Matos Sequeira (Lisboa/09.12.1880 – 21.08.1962/Lisboa) foi um alfacinha que se fez olisipógrafo e integrou a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, no período de 1951 a 1959, com Durval Pires de Lima, Jaime Lopes Dias e o vereador Pedro Correia Marques.

Gustavo Matos Sequeira havia frequentado a Escola Politécnica, o Instituto Industrial e o Curso Superior de Letras, enveredando por escrever  para diversos jornais e revistas,  como O Século, O Ocidente e a Ilustração Portuguesa, sobretudo nos temas de crítica de teatro, arte e arqueologia. Com Norberto de Araújo e Luís Pastor de Macedo agitou nos jornais a ideia de fundar o Grupo Amigos de Lisboa, no qual viria a exercer funções de vice-presidente, presidente e mais tarde, de diretor da revista da Associação, a Olisipo. Da sua obra publicada salienta-se os 4 volumes de  Depois do Terramoto – Subsídios para a História dos bairros Ocidentais de Lisboa  (1916- 1934), História do Trajo (1932), os 3 volumes de O Carmo e a Trindade (1939-1941) e a  História do Palácio Nacional da Ajuda (1959), para além das mais de 100 conferências que proferiu.

Matos Sequeira foi também comissário do Teatro Nacional, de 1915 até 1936, situação que o conduziu a fazer investigação histórica nesta área, tendo editado  Teatro de Outros Tempos (1933) e os 2 volumes da História do Teatro Nacional D. Maria II (1955) que lhe valeram a atribuição do Prémio Municipal Júlio de Castilho. Também avançou para a dramaturgia com as peças O Diabo Azul (1933), O Auto de S. João (1936) e a alegoria em verso Afonso Henriques (1940), bem como para adaptações radiofónicas.

Gustavo de Matos Sequeira foi ainda em 1915 chefe de gabinete do Ministro das Finanças, Engº Herculano Galhardo; organizador do Congresso da Crítica (em 1931)  e com Leitão de Barros, do Mercado do Século XVII no Largo de São Domingos (1925 e 1926 ), da reconstituição de Lisboa Antiga na cerca das Francesinhas (1927 e 1935), do Cortejo Histórico Colonial do Porto (1934) e da reconstituição duma Feira Antiga no Parque da Palhavã (1943).

Matos Sequeira pertenceu ainda à Academia das Belas-Artes de Lisboa, à Academia das Ciências de Lisboa, à Academia Portuguesa de História, à Associação dos Arqueólogos Portugueses, tendo sido agraciado com a medalha de ouro de mérito municipal,  a Ordem Militar de Santiago da Espada (1939) e a Ordem Militar de Cristo (1941).

Em 1963 (Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1963
(Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Rua Gustavo Matos Sequeira mapa

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Luís Pastor de Macedo, olisipógrafo da Comissão de Toponímia e Vice-presidente da CML

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

No ano seguinte ao seu falecimento foi o olisipógrafo e autarca Luís Pastor de Macedo integrado na toponímia de Lisboa, a pedido do próprio Presidente da CML de então, Engº Santos e Castro, através do Edital de 01/02/1972 que o colocou na Rua A do plano de Urbanização dos Terrenos da Tobis Portuguesa (excluindo o troço paralelo à Rua B) e também designada como Rua A à Alameda das Linhas de Torres, com a legenda «Olisipógrafo/1901 – 1971».

Em 1954 (Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal)

Em 1954
(Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal)

Luís Pastor de Macedo (Lisboa/23.02.1901 – 13.11.1971/Lisboa), nascido na antiga Freguesia da Madalena,  era comerciante proprietário de uma casa de panos na Rua dos Fanqueiros que foi também um dos fundadores e organizadores do Grupo «Amigos de Lisboa», tendo redigido os seus estatutos e nela desempenhado o cargo de Secretário-Geral. É assim que na 1ª Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de Lisboa, e do país, em 1943, Pastor de Macedo é para ela nomeado, em representação do Grupo «Amigos de Lisboa». Introduziu nesta Comissão, juntamente com o Engº Vieira da Silva, o debate sobre as bases segundo as quais a Comissão se orientaria. E quando em 1947 foi substituído por Durval Pires de Lima nesta Comissão de Toponímia, por ter sido nomeado Presidente Substituto da CML, continuou a comparecer várias vezes às reuniões da Comissão, tendo mesmo sugerido vários nomes de ruas, nomeadamente que ao Sítio de Alvalade fossem atribuídos nomes de artistas, bem como, alterações ao estudo de Durval Pires de Lima sobre a Toponímia de Lisboa.

Na sua carreira política foi nomeado vogal da 2.ª Comissão Administrativa da CML em 1932, durante o período da ditadura militar- já que com o golpe militar de 26 de maio de 1926 foram criadas Comissões Administrativas com o objectivo de assegurar a actividade camarária-, quando era Presidente Adriano da Costa Macedo. No ano seguinte, quando Henrique Linhares de Lima foi nomeado presidente da Comissão Administrativa foi novamente escolhido como vogal porque era alguém com «um nome respeitável no comércio de Lisboa, autor de trabalhos muito interessantes sobre arqueologia.» , sendo-lhe atribuído o pelouro das edificações urbanas e exerceu este cargo até 1935, tendo sido responsável pela realização das festas da cidade em junho de 1934 e de 1935. Em 1945,  foi eleito deputado à Assembleia Nacional, mandato a que renunciou em 1947, quando em abril foi nomeado  Presidente Substituto da CML, cargo que como Vice-Presidente exerceu de 1949 até 1959, sendo responsável pela Comemoração do VIII Centenário da Tomada de Lisboa ao Mouros e pela edição municipal de obras de temática olisiponense, tal como fez no Grupo «Amigos de Lisboa». Foi ainda Comissário do Governo junto do Teatro Nacional de D. Maria I de 1943 a 1946.

Finalmente, Luís Pastor de Macedo foi também autor de várias obras sobre Lisboa e a sua história. Além da colaboração regular no boletim Olisipo, do Grupo «Amigos de Lisboa», contam-se entre as suas publicações O Terramoto de 1755 na Freguesia da Madalena (1929), A Igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa (1930), A Rua das Pedras Negras (1931),  O Antigo Terreiro do Trigo (1932),  A Baixa Pombalina (1938), A Rua das Canastras (1939), os 5 volumes de Lisboa de Lés-a-Lés (1940-1943) e em colaboração com Gustavo de Matos Sequeira, A Nossa Lisboa (1945), bem como com Norberto de Araújo Casas da Câmara de Lisboa – do Século XII à Actualidade (1951).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)