Os fantásticos Raúl Nery e El TVfer One no MURO’19

(Foto: © José Vicente, 2019 |DPC |DMC |CML )

O prazer de fazer o que se gosta, quer em fantásticas ilustrações quer num fantástico dedilhar de guitarra, unem Raúl Nery e El TVfer One no MURO’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, que vai decorrer no Lumiar a partir de quinta-feira, dia 23 e até 26 de maio, unindo a arte urbana à música presente na toponímia local. A Rua Raúl Nery é desde fevereiro do corrente ano o topónimo de uma artéria pedonal próxima da Avenida David Mourão-Ferreira e El TVfer One vai pintar um mural no Edifício Metralha, na Estrada da Torre, na proximidade da mesma Avenida David Mourão-Ferreira.

O setubalense Pedro, de 25 anos, de nome artístico El Tvfer One, é também um ilustrador e tatuador, apaixonado pela vida e pela natureza onde vai buscar a inspiração, com os pormenores de quem está atento ao que o rodeia. As suas criações colocam o foco nos animais, dos ratos aos coelhos, passando pelos cães, assim como dos insetos aos pássaros, em muitas e variadas peças de fruta, em ondas do mar e em órgãos humanos que vão do coração aos olhos e até às caveiras.

Rua Raúl Nery

Já Raúl Nery, engenheiro de profissão mas guitarrista por vocação, desde a publicação do Edital municipal de 15 de Fevereiro de 2019 que é o topónimo do arruamento pedonal do Parque Oeste confinante com a Malha 6 do Projeto de Urbanização do Alto do Lumiar. Raúl Filipe Nery (Lisboa- antiga Freguesia de Santa Engrácia/10.01.1921 – 14.06.2012/Lisboa)  revelou vocação musical desde criança e com apenas 9 anos fez a sua estreia em público, a tocar guitarra, nos retiros de Fado em redor da cidade de Lisboa.

Mais notabilizado por acompanhar a fadista Maria Teresa de Noronha durante 20 anos, Raúl Nery também acompanhou no teatro de revista as vozes de Berta Cardoso, Ercília Costa, Estêvão Amarante ou Hermínia Silva, para além de estar ligado a casas de fado do Bairro Alto como o Café Luso, a Adega Machado ou a Adega Mesquita, nos anos quarenta,  Na década seguinte formou o conjunto de Guitarras Raul Nery, com mais três músicos – o guitarrista José Fontes Rocha, o viola Júlio Gomes e o viola-baixo Joel Pina – quarteto que frequentou bastas vezes os estúdios da Emissora Nacional e acompanhou as deslocações internacionais de nomes como Amália, Maria Teresa de Noronha ou Teresa Tarouca. Em 1958, foi solista em gravações com a Orquestra de George Melachrino em Londres, tendo gravado Uma Casa Portuguesa, Canção do Mar, Mãe Preta, Coimbra, Um Pequeno Café, Fado Obrigado, Rapsódia Portuguesa e Variações em Ré. Também em inúmeras gravações nos legou o seu dedilhar a acompanhar Maria Teresa de Noronha,  Ada de Castro, Adelina Ramos, Amália, António Mourão, Carlos do Carmo, Carlos Ramos, Estela Alves, Fernando Farinha, Frei Hermano da Câmara, João Ferreira Rosa, Lucília do Carmo, Maria da Fé, Teresa Silva Carvalho, Teresa Tarouca, entre outros.

O Quarteto de Guitarras de Raul Nery foi homenageado pela CML no Museu do Fado em 1999 e o próprio Raul Nery foi galardoado Comendador da Ordem de Mérito em 2012.

 

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Rua Maia Ataíde

Em 1994, o Engº Maia Ataíde (ao centro) a apresentar a sua comunicação às 1ªs Jornadas de Toponímia de Lisboa

 

Rua Maia Ataíde, topónimo atribuído por Edital de 30 de Janeiro de 2009 a um arruamento da freguesia de Benfica

Manuel José Maia Ataíde (1910-2003), engenheiro e olisipógrafo. Pertenceu ao Grupo Amigos de Lisboa, à Associação Portuguesa de Historiadores de Arte, à Associação Portuguesa de Museus e foi académico correspondente da Academia Nacional de Belas Artes. Estudou na escola dos CTT, onde seu pai era inspector e colaborador no Museu daquele organismo, e aí começou a trabalhar. Prosseguiu os estudos superiores no Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia Electrotécnica, trabalhando nos CTT e reformando-se em 1980, já como director das telecomunicações.

A partir dos anos 50 do século XX determinou aprofundar o seu interesse pela arte e a arquitectura da cidade, pelo que assistiu às aulas de Mário Tavares Chicó, na Faculdade de Letras de Lisboa. Com este professor viria a colaborar na organização de algumas exposições, nomeadamente no Brasil, na exposição Aspectos da Arquitectura Portuguesa de 1550 a 1950, e a aprofundar os estudos sobre os períodos maneirista e barroco. A partir deste primeiro contacto com o Brasil, desenvolveu estudos sobre as características do barroco português espalhadas pelo mundo de língua portuguesa.

Colaborou no Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa, na Revista Municipal, no Olisipo: Boletim do Grupo Amigos de Lisboa. Durante a década de 60 do século XX, colaborou com a Câmara Municipal de Lisboa nas suas iniciativas de divulgação turística da cidade sendo o autor e coordenador de uma colecção de pequenos desdobráveis sobre alguns dos estilos arquitectónicos presentes na cidade, e de um dos livros da colecção Arte e Turismo, intitulado Monumentos de Lisboa, com edição em inglês, francês e alemão e que tiveram grande divulgação e êxito. Foi co-autor, juntamente com Ester de Lemos, de outro título desta colecção Arredores de Lisboa (1963).

Participou no grande inventário de património que a Junta Distrital de Lisboa promoveu desde os anos 60, tendo colaborado nos dois primeiros tomos da cidade de Lisboa e coordenando os restantes tomos, por eleição da equipa. Nesta obra, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, que pretendia fazer o levantamento e a história do património edificado no distrito, e que se veio a tornar numa obra de referência, assinou dezenas de entradas relativas a edifícios lisboetas. Na opinião de Irisalva Moita devem-se destacar, entre eles, os dedicados à Igreja e Convento de Benfica, à Igreja e Convento de Nossa Senhora da Graça, o da Igreja de Nossa Senhora da Pena, por exemplo. Em 1988, Maia Ataíde elabora o livro catálogo da exposição levada a cabo no Panteão Nacional João Antunes, arquitecto (1643-1712), que Vítor Serrão considera “ainda hoje a primeira referência obrigatória sobre o arquitecto de Santa Engrácia”. Em 1990, colabora com o Museu da Cidade (hoje Museu de Lisboa), na exposição e respectivo catálogo D. João V e o abastecimento de água a Lisboa, trazendo o seu contributo de engenheiro, aliado ao olhar do historiador de arte, num estudo pioneiro sobre a construção do Arco das Águas Livres.

Integrou o Grupo Amigos de Lisboa desde 1969, e veio a ser seu Vice-Presidente e Presidente da Junta Directiva. Representou o Grupo na Comissão Municipal de Toponímia, e participou nas I Jornadas de Toponímia organizadas pela Câmara Municipal de Lisboa, em 1994 com a comunicação Engenheiros e Arquitectos na Toponímia de Lisboa.

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Rua Engenheiro Vieira da Silva

Augusto Vieira da Silva em 1947, proferindo uma palestra no VIII Centenário da Tomada de Lisboa aos Mouros (Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal)

 

Rua Engenheiro Vieira da Silva, topónimo atribuído a um arruamento na freguesia de Arroios por Edital de 22 de Junho de 1956.

Augusto Vieira da Silva (1869 – 1951), engenheiro militar, com o posto de coronel, e olisipógrafo. Para além da engenharia militar, ao serviço do Exército, trabalhou também no Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, no Ministério do Fomento e no Ministério do Trabalho, como engenheiro civil. Foi membro de diversas instituições culturais, como a Associação de Arqueólogos Portugueses, a Academia da História, a Academia das Ciências e o Grupo Amigos de Lisboa, do qual foi primeiro presidente e sócio honorário. Colaborou activamente com a Câmara Municipal de Lisboa quer como autor da Revista Municipal, quer participando nas Comissões de Arte e Estética, na de Toponímia, e em inúmeros eventos promovidos pela autarquia no âmbito da história da cidade. Iniciou a sua actividade como olisipógrafo após a a leitura da obra de Júlio de Castilho. Como ele próprio contou: “Foi assim que nasceu e se afervorou o meu interesse e a minha paixão pela cidade que foi meu berço. Acostumado porém às ciências exactas, e ao manejo da régua e do compasso, deixava-me muitas vezes a leitura de Castilho uma noção vaga e imprecisa sobre os locais e edifícios que ele tratava. (…) Foi assim que me nasceu a ideia de, na minha qualidade de engenheiro militar, aprofundar o estudo das fortificações de Lisboa na Idade Média, marcando o seu traçado no mapa…”. Publica a sua primeira obra O Castelo de S. Jorge em 1898, seguindo-se-lhe em 1899 A Cerca Moura e em 1900 As Muralhas da Ribeira de Lisboa, os quais tiveram várias edições por ele revistas. Não mais pararia de escrever sobre a cidade, tendo sido pioneiro o seu trabalho sobre a localização das judiarias de Lisboa, sobre os limites e o termo da cidade, as termas romanas, a epigrafia, as freguesias e e a evolução paroquial, sobre iconografia lisboeta, por exemplo. Em 1948-1949 publica a sua última obra sobre a defesa de Lisboa A Cerca Fernandina e em 1950, saiu a público um dos seus mais importantes trabalhos, Plantas Topográficas de Lisboa, resultado dos longos anos de estudo sobre a topografia, da sua minúcia perfeccionista em localizar e da sua vastíssima colecção de diversos materiais relacionados com a cidade. De facto, Vieira da Silva reuniu ao longo da sua vida, tudo o que se relacionava com a urbe alfacinha: livros, manuscritos, publicações periódicas, mapas, gravuras, plantas, fotografias e aguarelas sem dúvida. Mas também postais, ex-libris, selos, marcas comerciais e industriais, rótulos de garrafas, ementas, bilhetes de espectáculos, cartões de casas comerciais, etiquetas, facturas antigas, peças de cerâmica, caixas de fósforos, calendários, entre tantos outros materiais. Muitas destas peças, nomeadamente as fotografias, os recortes de jornal, e algumas das colecções, foram encadernadas em álbuns com índice, redigidos por Vieira da Silva, para uma pronta consulta. Arrumou metodicamente o seu espólio, na casa onde residia na Rua da Lapa, que funcionava como um museu de Lisboa, com salas temáticas, e como gabinete para investigadores, com a biblioteca primorosamente organizada, sempre aberta a quem o procurasse. São inúmeros os testemunhos de outros olisipógrafos sobre a disponibilidade de Vieira da Silva em partilhar o seu conhecimento com eles, cedendo livros, abrindo as portas de casa, acompanhando em explorações nas ruas. De feitio tímido, sendo descrito como um homem que não gostava de assumir o papel principal ou de falar em público, é também descrito como nunca se tendo eximido a responder a uma pergunta, a um debate, criticando com elegância, com modéstia, e com uma segurança profunda fundada nas suas investigações.

Ao longo da vida viria ainda a publicar largas dezenas de artigos na já citada Revista Municipal, nos Anais das Bibliotecas e Arquivos, no Os Serões, na Feira da Ladra, no Boletim da Ordem dos Engenheiros, no Olisipo: Boletim do Grupo Amigos de Lisboa, na Arqueologia e História, entre outros. Alguns destes artigos seriam publicados em três volumes, de 1954 a 1960, sob o título Dispersos. Depois da sua morte a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o seu espólio o qual veio a enriquecer as colecções do Museu de Lisboa e a criar o núcleo inicial do Gabinete de Estudos Olisiponenses, detentor de parte do seu espólio, tal como era sua vontade.

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Pulido Garcia: dos jardins de Lisboa para o jardim com o seu nome

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Responsável pelos Jardins de Lisboa/1904 – 1983», foi o engº agrónomo Pulido Garcia fixado como topónimo de um pequeno jardim  em Belém, situado junto à Avenida Ilha da Madeira,  no ano de 1985, dois anos após o falecimento do funcionário da autarquia, através do Edital municipal de 20 de agosto de 1985.

O Jardim Pulido Garcia homenageia José da Orta Cano Pulido Garcia (Serpa/21.11.1904 – 02.03.1983/Serpa), natural da freguesia de Salvador, no concelho de Serpa, filho de Domingos Pulido Garcia e de Mariana da Consolação Orta Cano Garcia.

Formado como engenheiro silvicultor e agrónomo foi trabalhar como funcionário da C.M.L., destacando-se na chefia da Repartição de Arborização e Jardinagem, em que foi o responsável pela instalação da maior parte dos espaços verdes da cidade, como o Parque Florestal de Monsanto ou o  Jardim do Castelo de São Jorge, este último com plano do engº agrónomo e arqº paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, em 1959.

Curiosamente, na sua terra natal – Serpa – existe também um Jardim com o seu nome, o Jardim Municipal Eng.º Pulido Garcia, o qual em  1975 teve uma grade  remodelação justamente estruturada por Pulido Garcia que se reformara em Lisboa e voltara para Serpa.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Maia Ataíde, engenheiro de formação e olisipógrafo por paixão

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Eng.º Manuel Ataíde foi um olisipógrafo da história de arte que está fixado numa artéria de Benfica, junto à Rua Perez Fernandez, desde a publicação do Edital municipal de 30 de janeiro de 2009, com a legenda «Olisipógrafo/ 1910 – 2003».

O seu nome foi sugerido pelo Grupo Amigos de Lisboa, em conjunto com o do Engº Brazão Farinha, tendo a Rua Maia Ataíde ficado na Rua G à Rua Perez Fernandez e a Rua Brazão Farinha, também nas proximidades, sido fixada na Rua E à Rua Vasco Botelho do Amaral/Travessa Sargento Abílio.

Manuel José Maia Athayde (10.04.1910 – 12.10.2003) depois de formado engenheiro pelo Instituto Superior Técnico, foi matriculado na escola especial dos CTT pelo seu pai – José Francisco de Paula Ataíde – que fora inspector dos Correios e esse foi o seu local de trabalho até 1980, tendo mesmo sido Diretor Geral de Telecomunicações e o responsável pela implementação no nosso país do telex (rede telegráfica automática).

Por paixão, tornou-se olisipógrafo e historiador de arte. Nos finais da década de 50  tornou-se aluno de Mário Chicó na Faculdade de Letras de Lisboa, com quem mais tarde colaborou  como investigador do património de Lisboa. Maia Ataíde  coordenou a edição regular dos diversos tomos de Monumentos e Edifícios Notáveis no Distrito de Lisboa (1962) com António Manuel Gonçalves; com M. Micaela Soares assinou Monumentos de Lisboa e com Esther de Lemos Arredores de Lisboa, ambos editados pela Câmara Municipal de Lisboa em 1963;  e ainda nos deixou entre outras obras, Ronda dos Velhos Monumentos (1963), A Igreja e a Casa do Capítulo do Convento de S. Domingos em Lisboa (1970), A igreja de Nossa Senhora do Loreto (1986) com José Meco e  A Igreja de Nossa Senhora da Pena (1988).

Sócio do Grupo Amigos de Lisboa desde 17 de maio de 1969, com inúmeros artigos no seu boletim Olisipo, chegou a ser vice-presidente (1982 a 1988) e Presidente da sua Junta Directiva (1991 a 1994), período em que representou o GAL na Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa. Durante a sua presidência realizou-se no Palácio Fronteira o Simpósio Lisboa em Discussão, cujas comunicações originaram a II série do Olisipo.

Foi ainda membro da Academia Nacional de Belas-Artes, sócio da Associação Portuguesa de Historiadores de Arte e da Associação Portuguesa de Museus, cujo Conselho Consultivo integrou.

Freguesia de Benfica                                            (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Mário Gomes Páscoa, olisipógrafo dos transportes lisboetas

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Engº Mário Gomes Páscoa, que desempenhou cargos directivos no Grupo de Amigos de Lisboa e como olisipógrafo se empenhou na investigação dos sistemas de transporte, integra a toponímia lisboeta desde o final do ano de 2001, na freguesia de São Domingos de Benfica.

Foi pelo Edital municipal de 26 de dezembro de 2001 que a Rua A à Rua Abranches Ferrão passou a ter como topónimo Rua Mário Gomes Páscoa, arruamento que ficou a ligar a Rua Abranches Ferrão à Rua São Tomás de Aquino.

Mário José da Costa Gomes Páscoa (01.03.1928 – 12.07.1993), foi um engenheiro de formação, pelo Instituto Superior Técnico, desde 1952, que enquanto olisipógrafo investigou sobretudo a relação dos sistemas de transporte com a cidade, tendo sido consultor do Metropolitano de Lisboa para pesquisa e publicação de trabalhos sobre Lisboa e à relação dos sistemas de transportes com a cidade, colaborador na Academia de Cultura e Cooperação e da União das Misericórdias Portuguesas, para além de ter exercido as funções de Vice-Presidente da Assembleia Geral do Grupo de Amigos de Lisboa.

Postumamente, patrocinadas pelo Metropolitano de Lisboa, foram lançadas as suas obras Os Transportes Públicos de Lisboa no séc. XIX (1993), assim como os artigos «Breve Notícia sobre o Hospital de Todos os Santos e da Misericórdia» no Caderno 1 de Sítios de Lisboa (1993) e «o Sítio da Baixa/Chiado» no Caderno 2 de Sítios de Lisboa (1994) e  também a edição O Noviciado da Cotovia e Colégio dos Nobres (1994).

Começou a sua carreira profissional de engenheiro em 1954 no Ministério das Obras Públicas, tendo logo no ano imediato sido admitido a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e prosseguiu-a no Metropolitano de Lisboa (1956-1958), na Fundação Calouste Gulbenkian e na CUF (1960-1963) e na  Profabril (1964-1971).

Desempenhou ainda funções de Vogal do Conselho de Gerência da Empresa Rodoviária Nacional (1978) e de membro da Comissão Municipal de Estética Urbana desde janeiro de 1993 até ao seu falecimento.

Mário Gomes Páscoa foi condecorado postumamente, em 1994, com a Ordem de Mérito no grau de Grande Oficial.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Estácio da Veiga, o algarvio arqueólogo oitocentista, numa artéria da Penha de França

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O algarvio Sebastião Philippes Estácio Martins da Veiga, autor da Carta Arqueológica do Algarve de 1878, deu nome em 1933 a uma artéria lisboeta do Monte Alperche, ostentando a legenda «Arqueólogo e Escritor/1828 – 1891».

O mesmo Edital de 18 de julho de 1933 que atribuiu a Rua Estácio da Veiga como topónimo da Rua nº 4 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, a unir a Rua Cesário Verde à Rua Conde de Monsaraz, também fixou neste Bairro os seguintes topónimos:  Rua Carlos Ribeiro (Rua nº 3), Rua Cesário Verde (Rua nº 2), Rua Conde de Monsaraz (Rua nº 1), Rua Martins Sarmento (Rua nº 5), Rua Néry Delgado (Rua nº 6), Rua Padre Sena de Freitas (Rua nº 8) e Rua Visconde de Juromenha (Rua nº 7).

O homenageado é Sebastião Philippes Estácio Martins da Veiga (Tavira/06.05.1828 – 07.12.1891/Lisboa), engenheiro de minas que trabalhou como oficial de secretaria da Sub-Inspecção Geral dos Correios e Postas do Reino e que se tornou arqueólogo e etnólogo, tendo reunido um pequeno museu no Algarve que acabou por constituir o núcleo inicial do Museu Etnológico Leite de Vasconcelos e que hoje é Museu Nacional de Arqueologia.

Sebastião Estácio da Veiga formado no Liceu de Faro e na Escola Politécnica de Lisboa, após fortes cheias ocorridas no Algarve, foi encarregado pelo  gabinete de Fontes Pereira de Melo, em 1876, de fazer o levantamento dos vestígios arqueológicos que ficaram a descoberto, tanto nesta região como no Alentejo e daqui nasceu a sua Carta Arqueológica do Algarve (1878), tendo os  resultados preliminares destas suas campanhas sido apresentados dois anos depois, no Congresso Internacional de Antropologia e de Arqueologia Pré-Histórica e nesse mesmo ano de 1880 fundou o Museu Arqueológico do Algarve, com um significativo acervo, nas instalações da Academia Real das Belas Artes, por despacho do Ministro do Reino. Em 1894, o espólio arqueológico do Museu de Estácio da Veiga transita para o Museu Etnográfico Português, fundado no ano anterior por Leite de Vasconcelos.

Estácio da Veiga destacou-se na vanguarda do panorama intelectual europeu da época, como pioneiro da investigação arqueológica, científica e sistemática,  com o seu incontornável contributo,  sendo de realçar a  sua identificação da necrópole megalítica de Alcalar, um conjunto de monumentos funerários do séc. III a. C., assim como as primeiras referências aos menires da Vila do Bispo.

Da obra publicada de Estácio da Veiga, para além dos artigos n’O Arqueólogo Português, destacamos Plantas da Serra de Monchique Observadas Nesse Ano (1866), Romanceiro do Algarve (1870), A Tábula de Bronze de Aljustrel, (1876), Memórias das Antiguidades de Mértola, (1877), Projecto de Legenda Simbólica para a Elaboração e Interpretação da Carta de Arqueologia Histórica do Algarve (1885), Antiguidades Monumentais do Algarve (1886-1891) e Programa para a Instituição dos Estudos Arqueológicos em Portugal (1891), para além de uma obra poética de gosto arcádico-romântico que deixou inédita e a Câmara Municipal de Tavira deu à estampa no ano 2000 sob o título de Poesias (ou banalidades poéticas).

Estácio da Veiga foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, Real Academia de História de Madrid, Instituto Arqueológico de Roma, Sociedade Francesa de Arqueologia, a Academia Belga de Arqueologia e Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.

Tal como seu pai, José Agostinho Estácio da Veiga, teve o foro de fidalgo Cavaleiro da Casa Real e foi casado com  Adelaide Lucotte, sendo a sua mais extensa biografia da autoria de sua bisneta, Maria Luísa Estácio da Veiga Pereira.

A Universidade do Algarve instituiu em 2016 o Prémio Estácio da Veiga para a melhor dissertação de mestrado em Pré-História e Evolução Humana, no âmbito da interdisciplinaridade da Arqueologia e demais Ciências e Estácio da Veiga está também perpetuado na toponímia de Agualva (Sintra), Amora (Seixal), Albufeira, Aljezur, Amadora, Faro, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel e Tavira.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do autor dos Banhos de São Paulo, Pedro José Pezerat

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Pedro José Pezerat, o autor dos Banhos de  São Paulo que hoje acolhem a sede da Ordem dos Arquitectos, na Travessa do Carvalho, dá o seu nome à Rua que liga a Rua Miguel Nogueira Júnior à Rua Keil do Amaral desde 1978, na freguesia de Marvila. No primeiro Bairro toponímico dos Arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila, criado pelo Editado municipal  de 10 de agosto de 1978, coube à Rua Pedro José Pezerat o espaço da Rua 10 da Zona N 2 de Chelas e a legenda «Arquitecto/1801 – 1872».

Pierre-Joseph Pézerat (França- La Guiche/1801- 01.05.1872/Lisboa) que em Portugal ficou conhecido como Pedro José Pezerat formou-se em 1821 no curso de engenharia civil na Escola Politécnica de Paris, cidade onde também estudou na Academia de Arquitetura, tendo depois produzido obra no Brasil, Argélia e Portugal, especialmente em Lisboa, tendo sido funcionário da Câmara Municipal desde 1841 e até falecer.

Serviu o Imperador D. Pedro no Brasil onde chegou em 1825, integrando a Academia Militar do Rio de Janeiro para trabalhar na execução de planos geodésicos e mapas. D. Pedro I contratou-o como engenheiro particular  – entre 1824 e 1827 – para lhe remodelar  com uma fisionomia neoclássica o casarão colonial no Rio de Janeiro que havia comprado à Marquesa de Santos e como arquiteto imperial – a partir de 1828 e até 1831-, época em que  também deu uma aparência neoclássica ao Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Pézerat  abandonou o Brasil com a família real, após a abdicação de D. Pedro I, sendo então professor da jovem rainha D. Maria II.

Entre 1831 e 1840 trabalhou para o governo francês na Argélia. No ano seguinte estabeleceu-se em Portugal. Foi contratado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1841, encarregado primeiro de trabalhos de Abastecimento de Águas e Rede de Esgotos, tendo elaborado, nomeadamente, o plano de mudança do Chafariz do Loreto para o Largo do Picadeiro. Depois, foram-lhe atribuídos projetos urbanísticos e arquitectónicos, de que se destacam os Banhos de São Paulo (1850) e o novo Matadouro Municipal (1852). Em 1865, José Pedro Pezerat incorporou a Comissão de Melhoramentos da Cidade de Lisboa e apresentou vários projetos para a revitalização e modernização urbanística da cidade, mesmo que as limitações económicas tenha levado a  Câmara a não os executar.

O edifício dos Banhos de São Paulo traçado por Pézerat foi construído entre 1850 e 1858, pela Santa Casa da  Misericórdia de Lisboa, para aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio em 1829. Na época, os Banhos de São Paulo dispunham dos equipamentos mais modernos e eram considerados um dos melhores da Europa.  Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. A edilidade lisboeta cedeu o edifício em 1990, à Ordem dos Arquitectos, que aí instalou a sua sede, após as necessárias obras de remodelação concebidas pelos arquitetos Graça Dias e Egas Vieira.

Pezerat desempenhou ainda funções de professor de desenho da Escola Politécnica de Lisboa a partir de 1853, assim como de parceria com o engº Silva e Costa foi responsável pela remodelação do imóvel após um incêndio, para além de ter projetado alguns prédios na artéria da Escola.

Pedro José Pezerat, fora de Lisboa, projetou uma remodelação do Hospital Termal Rainha D. Leonor em Caldas da Rainha (1861) que é hoje o Museu do Hospital das Caldas e foi condecorado com a Ordem de Cristo.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua José da Silva Pais, Codiretor da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José da Silva Pais dá nome a uma Rua de Campolide,  colocando a memória deste arquiteto do Aqueduto das Águas Livres nas proximidades da estrutura que ajudou a construir, já que sucedeu a Manuel da da Maia na direção da execução da obra.

A Rua José da Silva Pais,  que liga a Rua dos Arcos [do Aqueduto] à Rua de São Vicente de Paulo, foi atribuída pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, à Rua 5 do Bairro do Alto da Serafina, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII» e foi dos poucos topónimos desse último Edital de 1989 que não sofreu contestação local dos residentes do Bairro. Assim, o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990 que veio recolocar toponímia acordada com a os moradores e a Junta de Freguesia confirmou este topónimo e alterou apenas a sua legenda para «Co-Director da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733». O mesmo Edital de 1990 incluiu nos topónimos do Bairro, os nomes de outros arquitetos ligados à execução do Aqueduto, como Honorato José Correia, Miguel Ângelo Blasco Reinaldo Manuel dos Santos  e, alterou também a legenda da Rua Rodrigo Franco para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII», assim como mudou a designação da Rua Francisco António Ferreira para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808».

Noutras freguesias de Lisboa encontramos mais três arquitetos do Aqueduto: Avenida Manuel da Maia (Areeiro e Arroios), Rua Carlos Mardel (Areeiro e Arroios), Rua Custódio Vieira (Campo de Ourique).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

José da Silva Pais (Lisboa – Mercês/25.10.1679 – 14.11.1760/Lisboa)  surge cedo na construção do Aqueduto determinada por alvará régio de 1731, na comissão de direção composta com Manuel da Maia e Custódio José Vieira, por nomeação de D. João V que dispensara o primeiro arquiteto responsável pela obra, António Canevari, sendo assim codiretor da obra nos dois primeiros anos da mesma, em 1732 e 1733.

José da Silva Pais foi militar desde os  22 anos, em Lisboa, seguindo nesse ano para a Praça de Olivença, nas funções de ajudante-engenheiro, para depois ficar na Praça de Campo Maior (1712) e ser nomeado Coronel de Engenheiros (1713). É assim que de 1729 a 1733 foi encarregado da implantação de obras em Lisboa, num século em que as profissões de arquiteto e engenheiro eram ainda confundidas uma com a outra.

Em março de 1735 desembarca no Brasil como Brigadeiro, designado para projetar e construir as fortificações do Rio de Janeiro e na Barra de Santos. Traçou também o novo edifício da Alfândega. Depois, como político, fundou a cidade de Rio Grande em 1737 e tornou-se o primeiro governador da Capitania de Santa Catarina, garantindo a presença portuguesa no Prata, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, tendo regressado a Portugal em fevereiro de 1749. Curiosamente, cinco anos depois encontramos uma consulta sobre uma petição de José da Silva Pais, referido como sargento-mor de batalha, que pretendia saldar a sua dívida, propondo a retenção de um terço do seu ordenado por parte do Senado Municipal de Lisboa, quando fossem feitos os pagamentos às tropas.

 

A Rua do Engº Carlos Alves da Cometna e da AIP

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Engº Carlos Alfredo Garcia Alves, fundador da Cometna e Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa, está perpetuado na Rua Carlos Alves, a ligar a Rua Corino de Andrade à Rua Cesina Adães Bermudes, no Pólo Tecnológico de Lisboa.

Com a legenda «Industrial/1898 – 1972», a Rua Carlos Alves nasceu a partir de uma proposta da Lispolis – Pólo Tecnológico de Lisboa para serem denominados os arruamentos onde se encontra instalada e assim ficou na Rua I do Pólo Tecnológico de Lisboa, através do Edital municipal de 24 de setembro de 2009.

Carlos Alfredo Garcia Alves (Lisboa/17.03.1898 – 24.05.1972/Lisboa), licenciado em engenharia eletrotécnica (1921) e mecânica (1922) pela francesa Universidade de Toulouse, distinguiu-se como fundador da Cometna, bem como enquanto Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa no período de 1960 a 1972, tendo logo em 1962  mudado a sede social da AIP  em definitivo para a Junqueira. Também assumiu funções de membro da Comissão Administrativa da FIL – Feira das Indústrias Portuguesas e dirigiu a revista Indústria Portuguesa da AIP de 1938 a 1961.

Enquanto engenheiro e industrial, Carlos Alves  também desempenhou funções de administração nos setores siderúrgico, metalúrgico e elétrico como Sócio-gerente da firma Alfredo Alves & C.ª e Filhos, Presidente da Assembleia Geral da Cometna, Presidente da Assembleia Geral da Companhia Metalúrgica Nacional, administrador da Siderurgia Nacional.  Foi também membro da administração  e Vice-presidente em 1966 das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (a antecessora da EDP), para além de ter assumido a presidência do Conselho Geral da Caixa de Previdência dos Técnicos e Operários Metalúrgicos e Metalomecânicos, bem como da Caixa de Previdência das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade e também do Grémio dos Industriais Metalúrgicos do Sul, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa. Em junho de 1966, na I Semana da Metalomecânica, no Grémio dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos do Sul em Lisboa, apresentou a comunicação «Indústria e Metalúrgica e Metalomecânica. Alguns aspectos e problemas do seu desenvolvimento». Somou ainda à sua carreira a participação no  Conselho Fiscal do Banco Burnay e no Conselho da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

Carlos Alves foi ainda deputado na Assembleia Nacional durante 24 anos, de 1949 a 1973, da V à X Legislatura, tendo sempre participado nas comissões ligadas às Indústrias metalúrgicas e metalomecânicas, bem como sido  Vogal do Conselho Superior da Indústria;  da Comissão Reguladora do Comércio de Metais;  da Comissão Revisora de Pautas e dos Tribunais Técnicos Aduaneiros de 1.ª Instância.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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