A Rua do autor dos Banhos de São Paulo, Pedro José Pezerat

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Pedro José Pezerat, o autor dos Banhos de  São Paulo que hoje acolhem a sede da Ordem dos Arquitectos, na Travessa do Carvalho, dá o seu nome à Rua que liga a Rua Miguel Nogueira Júnior à Rua Keil do Amaral desde 1978, na freguesia de Marvila. No primeiro Bairro toponímico dos Arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila, criado pelo Editado municipal  de 10 de agosto de 1978, coube à Rua Pedro José Pezerat o espaço da Rua 10 da Zona N 2 de Chelas e a legenda «Arquitecto/1801 – 1872».

Pierre-Joseph Pézerat (França- La Guiche/1801- 01.05.1872/Lisboa) que em Portugal ficou conhecido como Pedro José Pezerat formou-se em 1821 no curso de engenharia civil na Escola Politécnica de Paris, cidade onde também estudou na Academia de Arquitetura, tendo depois produzido obra no Brasil, Argélia e Portugal, especialmente em Lisboa, tendo sido funcionário da Câmara Municipal desde 1841 e até falecer.

Serviu o Imperador D. Pedro no Brasil onde chegou em 1825, integrando a Academia Militar do Rio de Janeiro para trabalhar na execução de planos geodésicos e mapas. D. Pedro I contratou-o como engenheiro particular  – entre 1824 e 1827 – para lhe remodelar  com uma fisionomia neoclássica o casarão colonial no Rio de Janeiro que havia comprado à Marquesa de Santos e como arquiteto imperial – a partir de 1828 e até 1831-, época em que  também deu uma aparência neoclássica ao Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Pézerat  abandonou o Brasil com a família real, após a abdicação de D. Pedro I, sendo então professor da jovem rainha D. Maria II.

Entre 1831 e 1840 trabalhou para o governo francês na Argélia. No ano seguinte estabeleceu-se em Portugal. Foi contratado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1841, encarregado primeiro de trabalhos de Abastecimento de Águas e Rede de Esgotos, tendo elaborado, nomeadamente, o plano de mudança do Chafariz do Loreto para o Largo do Picadeiro. Depois, foram-lhe atribuídos projetos urbanísticos e arquitectónicos, de que se destacam os Banhos de São Paulo (1850) e o novo Matadouro Municipal (1852). Em 1865, José Pedro Pezerat incorporou a Comissão de Melhoramentos da Cidade de Lisboa e apresentou vários projetos para a revitalização e modernização urbanística da cidade, mesmo que as limitações económicas tenha levado a  Câmara a não os executar.

O edifício dos Banhos de São Paulo traçado por Pézerat foi construído entre 1850 e 1858, pela Santa Casa da  Misericórdia de Lisboa, para aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio em 1829. Na época, os Banhos de São Paulo dispunham dos equipamentos mais modernos e eram considerados um dos melhores da Europa.  Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. A edilidade lisboeta cedeu o edifício em 1990, à Ordem dos Arquitectos, que aí instalou a sua sede, após as necessárias obras de remodelação concebidas pelos arquitetos Graça Dias e Egas Vieira.

Pezerat desempenhou ainda funções de professor de desenho da Escola Politécnica de Lisboa a partir de 1853, assim como de parceria com o engº Silva e Costa foi responsável pela remodelação do imóvel após um incêndio, para além de ter projetado alguns prédios na artéria da Escola.

Pedro José Pezerat, fora de Lisboa, projetou uma remodelação do Hospital Termal Rainha D. Leonor em Caldas da Rainha (1861) que é hoje o Museu do Hospital das Caldas e foi condecorado com a Ordem de Cristo.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua José da Silva Pais, Codiretor da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José da Silva Pais dá nome a uma Rua de Campolide,  colocando a memória deste arquiteto do Aqueduto das Águas Livres nas proximidades da estrutura que ajudou a construir, já que sucedeu a Manuel da da Maia na direção da execução da obra.

A Rua José da Silva Pais,  que liga a Rua dos Arcos [do Aqueduto] à Rua de São Vicente de Paulo, foi atribuída pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, à Rua 5 do Bairro do Alto da Serafina, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII» e foi dos poucos topónimos desse último Edital de 1989 que não sofreu contestação local dos residentes do Bairro. Assim, o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990 que veio recolocar toponímia acordada com a os moradores e a Junta de Freguesia confirmou este topónimo e alterou apenas a sua legenda para «Co-Director da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733». O mesmo Edital de 1990 incluiu nos topónimos do Bairro, os nomes de outros arquitetos ligados à execução do Aqueduto, como Honorato José Correia, Miguel Ângelo Blasco Reinaldo Manuel dos Santos  e, alterou também a legenda da Rua Rodrigo Franco para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII», assim como mudou a designação da Rua Francisco António Ferreira para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808».

Noutras freguesias de Lisboa encontramos mais três arquitetos do Aqueduto: Avenida Manuel da Maia (Areeiro e Arroios), Rua Carlos Mardel (Areeiro e Arroios), Rua Custódio Vieira (Campo de Ourique).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

José da Silva Pais (Lisboa – Mercês/25.10.1679 – 14.11.1760/Lisboa)  surge cedo na construção do Aqueduto determinada por alvará régio de 1731, na comissão de direção composta com Manuel da Maia e Custódio José Vieira, por nomeação de D. João V que dispensara o primeiro arquiteto responsável pela obra, António Canevari, sendo assim codiretor da obra nos dois primeiros anos da mesma, em 1732 e 1733.

José da Silva Pais foi militar desde os  22 anos, em Lisboa, seguindo nesse ano para a Praça de Olivença, nas funções de ajudante-engenheiro, para depois ficar na Praça de Campo Maior (1712) e ser nomeado Coronel de Engenheiros (1713). É assim que de 1729 a 1733 foi encarregado da implantação de obras em Lisboa, num século em que as profissões de arquiteto e engenheiro eram ainda confundidas uma com a outra.

Em março de 1735 desembarca no Brasil como Brigadeiro, designado para projetar e construir as fortificações do Rio de Janeiro e na Barra de Santos. Traçou também o novo edifício da Alfândega. Depois, como político, fundou a cidade de Rio Grande em 1737 e tornou-se o primeiro governador da Capitania de Santa Catarina, garantindo a presença portuguesa no Prata, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, tendo regressado a Portugal em fevereiro de 1749. Curiosamente, cinco anos depois encontramos uma consulta sobre uma petição de José da Silva Pais, referido como sargento-mor de batalha, que pretendia saldar a sua dívida, propondo a retenção de um terço do seu ordenado por parte do Senado Municipal de Lisboa, quando fossem feitos os pagamentos às tropas.

 

A Rua do Engº Carlos Alves da Cometna e da AIP

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Engº Carlos Alfredo Garcia Alves, fundador da Cometna e Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa, está perpetuado na Rua Carlos Alves, a ligar a Rua Corino de Andrade à Rua Cesina Adães Bermudes, no Pólo Tecnológico de Lisboa.

Com a legenda «Industrial/1898 – 1972», a Rua Carlos Alves nasceu a partir de uma proposta da Lispolis – Pólo Tecnológico de Lisboa para serem denominados os arruamentos onde se encontra instalada e assim ficou na Rua I do Pólo Tecnológico de Lisboa, através do Edital municipal de 24 de setembro de 2009.

Carlos Alfredo Garcia Alves (Lisboa/17.03.1898 – 24.05.1972/Lisboa), licenciado em engenharia eletrotécnica (1921) e mecânica (1922) pela francesa Universidade de Toulouse, distinguiu-se como fundador da Cometna, bem como enquanto Presidente da AIP- Associação Industrial Portuguesa no período de 1960 a 1972, tendo logo em 1962  mudado a sede social da AIP  em definitivo para a Junqueira. Também assumiu funções de membro da Comissão Administrativa da FIL – Feira das Indústrias Portuguesas e dirigiu a revista Indústria Portuguesa da AIP de 1938 a 1961.

Enquanto engenheiro e industrial, Carlos Alves  também desempenhou funções de administração nos setores siderúrgico, metalúrgico e elétrico como Sócio-gerente da firma Alfredo Alves & C.ª e Filhos, Presidente da Assembleia Geral da Cometna, Presidente da Assembleia Geral da Companhia Metalúrgica Nacional, administrador da Siderurgia Nacional.  Foi também membro da administração  e Vice-presidente em 1966 das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (a antecessora da EDP), para além de ter assumido a presidência do Conselho Geral da Caixa de Previdência dos Técnicos e Operários Metalúrgicos e Metalomecânicos, bem como da Caixa de Previdência das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade e também do Grémio dos Industriais Metalúrgicos do Sul, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa. Em junho de 1966, na I Semana da Metalomecânica, no Grémio dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos do Sul em Lisboa, apresentou a comunicação «Indústria e Metalúrgica e Metalomecânica. Alguns aspectos e problemas do seu desenvolvimento». Somou ainda à sua carreira a participação no  Conselho Fiscal do Banco Burnay e no Conselho da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

Carlos Alves foi ainda deputado na Assembleia Nacional durante 24 anos, de 1949 a 1973, da V à X Legislatura, tendo sempre participado nas comissões ligadas às Indústrias metalúrgicas e metalomecânicas, bem como sido  Vogal do Conselho Superior da Indústria;  da Comissão Reguladora do Comércio de Metais;  da Comissão Revisora de Pautas e dos Tribunais Técnicos Aduaneiros de 1.ª Instância.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O pombalino Largo do Caldas e o Largo Adelino Amaro da Costa dos anos 80

O traçado pombalino para o Palácio de João Rodrigues Caldas no Terreiro do Ximenes, assinado pelo Conde de Oeiras (depois Marquês de Pombal) e por De Blasco.

O Largo Adelino Amaro da Costa, dado nos anos 80 do séc. XX, é o topónimo oficial do pombalino Largo do Caldas que continua a persistir na memória dos lisboetas.

Pelo menos desde XVI existia no espaço deste arruamento o palacete da família do castelhano Rodrigues Caetano Ximenes,  que em 1476 tinha vindo para Portugal, pelo que chamava ao local Chão de Alcamim mas também Terreiro ou Terreirinho do Ximenes. Segundo Norberto de Araújo o arruamento também foi denominado como Praça da Bela Vista e um pouco antes do Terramoto como Largo do Conde de São Vicente.

Pelo menos desde 1858 seria designado como Largo do Caldas, uma vez que assim consta no levantamento topográfico de Lisboa de Filipe Folque. O topónimo deriva do Palácio urbano pós-terramoto, dos irmãos João e Luís Rodrigues Caldas, edificado entre 1765 e 1775 onde antes fora o Palácio do Ximenes, sendo o traçado desenhado a tinta da china e aguarela assinado pelo Conde de Oeiras (título de 1759 que após a criação do título Marquês de Pombal, em 1769, passou a ser subsidiário deste) e  de Blasco (seria Miguel Ângelo de Blasco ?…). O palácio com uma planta em L irregular, na frente virada para o Largo do Chão do Loureiro, foi edificada em 1766 uma ermida pública sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, cuja autorização de culto foi dada a 1 de dezembro de 1766. Os irmãos  Caldas Rodrigues – João e Luís (Viana do Castelo – Badim/22.03.1721 – 25.05.1787) eram contratadores gerais de tabacos do reino.

Segundo Luís Pastor de Macedo, a partir de 1766 morou no Palácio pombalino dos Caldas o francês Jácome Ratton,  industrial amigo e admirador de Pombal e lá lhe nasceram três dos seus filhos.

No séc. XX, coabitando com as irmãs Caldas Machado e por cedência destas, viveu também num quarto no 3º andar, desde 1927, o padre Francisco Rodrigues da Cruz, conhecido como Padre Cruz, que ali  faleceu com 89 anos de idade em 1949, sendo que passados 10 anos e no âmbito do centenário do nascimento do Padre Cruz, a edilidade lisboeta tenha descerrado uma lápide comemorativa no prédio. Por morte das três últimas proprietárias – as irmãs Maria da Assunção, Joana Francisca e Catarina-, solteiras e sem filhos, o Palácio passou por herança para o Seminário dos Olivais.

Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa (Lisboa/18.04.1943 – 04.12.1980/Camarate), Ministro da Defesa quando faleceu no desastre de aviação que também vitimou o Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, veio dar o seu nome ao Largo do Caldas desde a publicação do Edital de 5 de abril de 1982. Uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980, para serem atribuídos os nomes de ambos os políticos a ruas de Lisboa, tendo a Comissão Municipal de Toponímia sugerido para o efeito, em 13 de janeiro de  1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar a designação de locais do então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira que sugeriu a alteração de denominação do antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa e, da  antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro.

Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico em 1966, Adelino Amaro da Costa foi também sub-Diretor e Diretor do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação (1973 – 1974) tendo em 1974 sido um dos fundadores do Centro Democrático Social (CDS), com Diogo Freitas do Amaral,  e o seu primeiro secretário-geral.  De 1975 a 1980 foi deputado e líder do Grupo Parlamentar do CDS (1976 – 1978), Ministro de Defesa Nacional no Governo presidido por Sá Carneiro e com ele faleceu  quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral para as presidenciais desse ano.

O Largo Adelino Amaro da Costa – Freguesia de Santa Maria Maior

A Rua Pinto Ferreira em memória do professor da Escola Industrial Marquês de Pombal

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por proposta da Associação de classe dos Maquinistas Portugueses  o engenheiro e professor da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, Carlos Augusto Pinto Ferreira, ficou perpetuado  na  Rua do Novo Bairro Industrial da Quinta do Almargem como Rua Pinto Ferreira, desde a publicação do Edital municipal de 27 de maio de 1931.

Carlos Augusto Pinto Ferreira (Lisboa/1828 – 01.02.1902/Lisboa), engenheiro formado na Aula do Arsenal do Exército e no antigo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi professor  e diretor do curso de máquinas da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal e deixou como obra publicada o Guia de Mecânica Prática (1862), o Manual Elementar e Prático sobre Máquinas a Vapor Aplicadas à Navegação (1864), Guia do Fogueiro condutor de máquinas a vaporBreve dissertação sobre faróis (1868) e o Engenheiro de Algibeira ou compêndio de fórmulas e dados práticos (1869).

Vinte anos após a criação do Ensino Industrial em Portugal, por decreto-lei de janeiro de 1884 foi ordenada a construção de 8 escolas de Desenho Industrial, três das quais em Lisboa, sendo a de Alcântara, a Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, inaugurada no dia 17 de novembro de 1884, instalada num prédio arrendado na Rua de Alcântara, sendo a escola subsidiada pelas fábricas da zona, nomeadamente a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses. Mais tarde, em 1886, a escola passou para a Rua dos Lusíadas, ainda em Alcântara, para um edifício da autoria do Arqtº Pedro d’Ávila. Em 1962, passa então a ter as instalações que ainda hoje são suas, na Rua Alexandre Sá Pinto, já na zona das Salésias, traçadas pelo Arqtº António Pedroso que fora antigo aluno da escola.

Pinto Ferreira,  para além de professor desenvolveu uma carreira como engenheiro maquinista da Armada, tendo dirigido as oficinas metalúrgicas do Arsenal da Marinha e os Serviços Técnicos de Faróis e sendo considerado um dos mais inteligentes pioneiros da indústria mecânica em Portugal, reformando-se em 12 de fevereiro de 1880. Em missão oficial, visitou as Exposições Universais de Paris de 1855 e 1867, bem como a de Londres de 1862, onde montou na exposição uma máquina de debulhar.

Em paralelo, envolveu-se no associativismo tendo participado na fundação da Associação de Socorros Mútuos dos Pedreiros, Carpinteiros e Artes Correlativas, assim como no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, criado em Alcântara em 1853. Foi ainda vice-secretário da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses de que havia sido nomeado sócio, distinção que a Associação da Indústria Fabril também lhe concedeu, para além de ter sido agraciado com a Ordem de Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor da Escola do Exército e bombeiro Augusto Gomes Ferreira

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Augusto Gomes Ferreira, na freguesia da Ajuda, perpetua desde 1916 o nome deste militar que foi Professor da Escola do Exército e Comandante dos Bombeiros municipais.

O seu nome foi atribuído para substituir a Rua Carlos Príncipe, por deliberação camarária de 21/09/1916 e Edital de 26/09/1916, provavelmente por a denominação anterior estar relacionada com a monarquia e ser característico da 1ª República a substituição deste tipo de topónimos por outros conotados com a República ou com figuras consideradas heróicas. Como a Rua Carlos Príncipe é anterior a 1889, ano da subida ao trono do rei D. Carlos, e considerando a proximidade da artéria ao Palácio da Ajuda onde o monarca nasceu, a homenagem seria provavelmente a D. Carlos I quando ainda príncipe.

À Rua Augusto Gomes Ferreira foi  acrescida a legenda «Professor da Escola do Exército Insp. dos Incêndios/1854 – 1900», 44 anos depois da atribuição do topónimo, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 13 de março de 1960.

Augusto Gomes Ferreira (05/04/1854 – 28/12/1900) tentou ser comerciante mas abandonou a área para tirar um curso de condutor de obras públicas e minas, matriculando-se depois na Escola Politécnica, onde completou os preparatórios para a Escola do Exército, onde concluiu o curso de Engenharia e alcançou o posto de capitão depois de 1885. Foi também na Escola do Exército que exerceu a docência da 14ª cadeira, tiro de artilharia.

Em 1889 foi nomeado  Inspector-Geral dos incêndios, designação que se dava ao Comandante dos Bombeiros desde 1794, cabendo-lhe a aquisição de material bem como a organização do pessoal, casernas e oficinas. Foi de sua autoria o plano do novo aquartelamento na Avenida D. Carlos I, nascida do Edital municipal de 28 de Dezembro de 1889, tendo o  Senado Municipal determinado dar ao quartel nº 1 a designação de «Caserna Augusto Ferreira».

O comandante Augusto Ferreira integrou ainda a Comissão que estudou do modelo de viaturas para enfermos e dirigiu a missão de estudo dos operários à Exposição de Paris de 1889. Foi por diversas vezes louvado pela Câmara Municipal de Lisboa, como na altura da greve dos padeiros (em 1890) e na greve dos operários da Companhia do Gás (em 1896). Em 1894,  também recebeu a medalha Recompense par les belles actions do governo francês.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Cais do Tojo repartido por rua, travessa e Largo Vitorino Damásio

O Cais do Tojo em sobreposição da planta de 1856 de Filipe Folque na dos dias de hoje

O antigo Cais do Tojo, lugar aberto de execução de penas capitais para servir de exemplo público, que em 1842 teve erguido o seu último patíbulo, tem a sua memória guardada em Lisboa através da Rua e da Travessa do Cais do Tojo, bem como do Largo Vitorino Damásio em cujo espaço ele se situava até cerca de 1858, razão para que a placa evocativa dos 150 Anos da Abolição da Pena de Morte tenha sido nele colocada pela edilidade, no primeiro dia de julho deste ano, dia do 150º aniversário da abolição da pena de morte em Portugal.

A última execução no Cais do Tojo, que ocupava o espaço onde hoje vemos o Largo Vitorino Damásio a encontrar-se com a Avenida Dom Carlos I, foi em 16 de abril de 1842 : o enforcamento de Francisco Matos Lobo, após prisão no Limoeiro, pelo assassinato da sua tia por afinidade, os seus dois filhos e a criada, na sua casa na Praça de São Paulo. Em  19 de fevereiro de 1841, também a forca ali se tinha erguido para Diogo Alves, condenado não pelas mortes daqueles que atirara do alto do Aqueduto das Águas Livres depois de os roubar mas pelo massacre da família de um médico no decorrer de um assalto com a sua quadrilha. No entanto, mesmo em 1842 já a pena de morte seria considerada desumana sendo disso exemplo o caso do sacerdote que acompanhava a última aplicação da pena capital em Lisboa ter morrido no local vítima de apoplexia.

Travessa do Cais do Tojo – Freguesia da Misericórdia – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Rua do Cais do Tojo – Freguesias da Misericórdia e da Estrela
(Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

A Rua do Cais do Tojo ( nas freguesias da Estrela e da Misericórdia ) liga o Boqueirão do Duro à Avenida Dom Carlos I e a Travessa do Cais do Tojo (freguesia da Misericórdia) une a Rua do Cais Tojo ao Largo do Conde Barão, tendo ambos os topónimos sido atribuídos pela Câmara alfacinha através do Edital de 8 de junho de 1889, para substituir as antigas Rua Nova do Cais do Tojo e a Travessa Nova do Cais do Tojo.

A ligação ribeirinha de Lisboa ao Tejo é uma constante da história da cidade, enumerando a Chancelaria Régia em 1725 as praias de Alfama, Remolares, São Paulo e Boavista. O Cais do Tojo da Boavista – assim denominado para de distinguir do Cais do Tojo do lado oriental, conhecido como Cais do Tojo da Bica do Sapato – já surge mencionado em 1766, numa apresentação feita pelo juiz do povo, a referir a necessidade da construção de um Cais para a descarga e venda de tojo, carqueja, carvão e lenha, tanto na parte oriental como ocidental da cidade de Lisboa. Refira-se que tojo é uma planta arbustiva usada para cama de gado, estrume ou combustível.

O Cais do Tojo passou mesmo a ter um cais de madeira e nele aportavam inúmeros produtos, pelos quais se cobrava o donativo, um imposto municipal sobre os rendimentos, criado por resolução régia de 21 de março de 1766 e que começou a ser arrecadado a partir da publicação do edital municipal de 2 de novembro de 1769.  Sabe-se ainda que este arruamento teve em tempos um chafariz, muito frequentado por aguadeiros e populares e que em 11 de setembro de 1820 ocorreu um incêndio nas estâncias de lenha que lá existiam, tal como no ano seguinte o posto da 4.ª Companhia de Infantaria da Guarda Real da Polícia, nele situado, sofreu um grande incêndio, após o que surgiu nas imediações o topónimo Boqueirão do Duro.

Largo Vitorino Damásio – Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

O Largo Vitorino Damásio ( na freguesia da Estrela ), na confluência da Avenida Dom Carlos I e o Largo de Santos, nasceu de remodelações urbanísticas na zona que se espelharam no Edital municipal de 17/06/1947, tendo o troço da Rua Vasco da Gama com os prédios com os nºs 1 a 51 e 24 a 66 passado a ser o Largo em homenagem ao engenheiro que veio para Lisboa concretizar o Aterro da Boa Vista. Este Largo que até  1787 tinha o seu lado sul parcialmente sob a linha de água resulta das obras do Aterro.

O Aterro era uma ideia que pairava pelo menos desde o reinado de D. João V mas as obras para a sua construção apenas foram decididas após o surto de cólera morbus que grassou na Lisboa de 1857, como medida preventiva contra novos focos de epidemia e assim, em 1858,  o eng.º Vitorino Damásio foi encarregado de proceder ao aterro da margem, desde o Boqueirão da Moeda até à praia de Santos, com os trabalhos executados pela empresa Lucotte. Em  1859, rasgou-se também a Calçada de Santos (hoje, Calçada Ribeiro Santos) para ligar o Aterro à Rua das Janelas Verdes. O Aterro ficou concluído no mesmo ano – 1867 – da abolição da pena de morte mas em agosto. Foram ainda demolidas habitações entre a Praça D. Luís e a Rua das Janelas Verdes para a construção de um paredão que constituiu o 1º acesso ao troço inicial do Aterro e que mais tarde, em  13 de setembro de 1878,  recebeu o nome de Rua 24 de Julho.

A partir de 1881 operam-se ainda mais transformações neste espaço urbano. São abertas a Rua Dom Carlos I (hoje Avenida) e a Rua Vasco da Gama (onde hoje encontramos o Largo de Santos e o Largo Vitorino Damásio). Em 1887 e 1888 é também alargada a Rua Nova do Cais do Tojo (antes denominada Travessa Nova do Cais do Tojo), à qual o Edital municipal de 8 de junho de 1889 retirou a partícula «nova», tal como fez à Travessa Nova do Cais do Tojo (antes Travessa do Chafariz do Cais do Tojo).

José Vitorino Damásio (Feira/02.11.1807 – 19.10.1875/Lisboa), licenciado em Matemática e Filosofia desde 1837 e engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas desde 1852, foi escolhido para dirigir as obras do Aterro, tendo depois também desempenhado o cargo de Reitor do Instituto Industrial (1853), bem como de presidente da administração do Caminho-de-Ferro do Leste e diretor da Companhia das Águas (ambos em 1858), e ainda, de Diretor-Geral dos Telégrafos (1864).

Vitorino Damásio fora Lente da Academia Politécnica do Porto e engenheiro das Obras Públicas desse mesmo Distrito, tendo sido pioneiro na utilização do processo de cilindragem e construído a 1ª draga a vapor portuguesa, para além de, com Faria de Guimarães e Silva Guimarães, ter fundado a Fundição do Bolhão, onde se fabricou a primeira louça estanhada nacional, estando também em 1852 na criação da Associação Industrial Portuense. Ainda estudante, Vitorino Damásio alistara-se no Batalhão Académico dos exércitos liberais, tendo chegado a General de Brigada, condecorado com a Torre e Espada pelo seu comportamento durante o cerco do Porto.

O Largo Vitorino Damásio, a Rua do Cais do Tojo e a Travessa do Tojo
(Planta: Sérgio Dias|NT do DPC)

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde que poderia ter sido Avenida 25 de Abril

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde poderia ter sido Avenida 25 de Abril caso tivesse sido aceite a sugestão Almerindo Martins da Cruz, endereçada por carta à edilidade.

Esta proposta foi analisada na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 20 de dezembro de 1974 e também incluía o pedido de mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida 28 de Setembro e da Avenida dos Combatentes para Avenida das Forças Armadas. O primeiro Edital municipal relativo a toponímia, publicado após o 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1979, concretizou a mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida das Forças Armadas. Sobre a mudança de topónimo da Avenida Doutor Alfredo Bensaúde a Comissão deliberou que «será futuramente considerada, quando se julgar pertinente». O 25 de Abril acabou por ser topónimo lisboeta por ocasião do aniversário do 25º aniversário do 25 de Abril, como Praça 25 de Abril, atribuída pelo Edital municipal de 22/04/1999, na freguesia de Marvila.

Na sequência de solicitações de J. Sequeira bem como de António Emídio, a Avenida Doutor Alfredo Bensaúde havia sido atribuída à Rua I Circular, no troço compreendido entre a Praça de Acesso à Auto-Estrada do Norte e Moscavide,  por Edital municipal de 21/08/1968, com a legenda «Professor e homem de ciência/1856-1941», estendendo-se hoje entre a Praça José Queirós e a Avenida Cidade do Porto.

Alfredo Bensaúde ( Ponta Delgada/04.03.1858 – 02.01.1941/Ponta Delgada), formado na Escola Técnica Superior de Hanover, na Escola de Minas de Clausthal  onde se fez engenheiro de minas em 1878, e na Universidade de Gottingen onde se doutorou em Mineralogia em 1881, tornou-se a partir de 1884 e até 1910, professor de Mineralogia e Geologia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e introduziu os métodos laboratoriais no ensino, revolucionando a forma de ensino dessas disciplinas. A ele se deve também a introdução em Portugal do ensino da Cristalografia e das técnicas de Petrografia. A convite de Brito Camacho, que era então Ministro do Fomento, foi o primeiro diretor do Instituto Superior Técnico,  de 1911 a 1922, exercendo também como docente, tendo tido assim a oportunidade de renovar os métodos de ensino da Engenharia no nosso país. A partir de 1924 foi nomeado Diretor Honorário. Das suas diversas publicações são de destacar Da Incongruência Entre a Observação e a Teoria em Alguns Cristais Cúbitos (1884), os seus  Relatórios sôbre vários jazigos minerais de Portugal, os Estudos sobre o sismo do Ribatejo de 23 de Abril de 1909  (1912) com o geólogo Paul Choffat e ainda, as Notas Histórico-Pedagógicas sobre o Instituto Superior Técnico (1922).

Com a morte do seu pai em 1922 retirou-se para Ponta Delgada, para assumir a administração da empresa industrial paterna e escreveu a biografia dele –  Vida de José Bensaúde -, publicada em 1936. Foi casado com Jeanne Oulman Bensaúde, autora de livros pedagógicos e infantis, bem como pai da bióloga Matilde Bensaúde, também desde 2016 homenageada na toponímia de Lisboa numa artéria próxima. 

Refira-se ainda a sua paixão pela construção e restauro de violinos, tendo construído o seu primeiro em 1874 e imprimido diferença nos que fazia através do verniz de produção própria que aplicava, bem como pela simetria na curvatura dos tampos. Chegou mesmo a interromper os estudos no ano letivo de 1874/1875 para aprender a arte de construir violinos. Na área musical também publicou, em 1905,  Uma concepção evolucionista da música e As canções de F. Schubert.

 

 

A Rua do Engenheiro primeiro presidente da CML após o 25 de Abril

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O Engº Caldeira Rodrigues foi o presidente da 1ª Comissão Administrativa da CML após o 25 de Abril de 1974, que assinou os primeiros 5 Editais de Toponímia e desde 2007 o seu nome está na memória das esquinas de Lisboa, numa rua da freguesia de Alvalade.

A Rua Engº. Caldeira Rodrigues foi atribuída pelo Edital municipal de 23/04/2007 ao arruamento identificado como Rua 2.2 à Rua António Albino Machado, com a legenda «Autarca/1925 – 2004», ligando a Rua António Albino Machado à Rua Joaquim Rocha Cabral. Recorde-se que António Albino Machado foi o fundador e 1º presidente da Cooperativa de Habitações Económicas 25 de Abril  e Joaquim Rocha Cabral foi um engenheiro que presidiu à Junta de Freguesia do Campo Grande durante dois mandatos consecutivos (1994-97 e 1998-2001).

O Engº Caldeira Rodrigues numa Conferência de Imprensa dada em dezembro de 1974, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues (Torres Vedras/06.12.1925 – 29.12.2004/Lisboa), foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa e exerceu essas funções de 2 de setembro de 1974 a 19 de novembro de 1975 , sucedendo ao Delegado da  Junta de Salvação Nacional, João António Lopes da Conceição. Caldeira Rodrigues levou a cabo uma importante reconversão do município, no quadro de uma dinâmica de participação popular, tendo sido determinante a sua intervenção no aliviar de tensões e na resposta imediata a carências básicas da população, como a habitação. Em matéria de toponímia assinou 5 editais que colocaram em Lisboa os nomes de Alves Redol, Avenida dos Bombeiros, Capitão Henrique Galvão, Castro Soromenho, Dr. João Soares, Avenida das Forças Armadas, General Norton de Matos, José Dias Coelho, Julião Quintinha, Luís de Freitas Branco, Maria Isabel Aboim Inglês, Praça das Novas Nações, Rua da República da Bolívia e Calçada Ribeiro dos Santos.

Na época, o Engº Caldeira Rodrigues integrava  a direção do MDP/CDE mas já antes, durante mais de 30 anos, tinha sido um resistente político  que sofreu mesmo a prisão por duas vezes, em 1947 e em 1951. Foi dirigente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia em 1950 mas também se tornou ativista do MUNAF ( (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista) e do MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática), cuja comissão central integrou em 1947, com Mário Soares, Octávio Pato, Salgado Zenha, António Abreu, Fernanda Silva e outros. Em 1950 também aderiu ao Movimento para a Paz, liderado por Maria Lamas e Manuel Valadares.

Enquanto engenheiro, Caldeira Rodrigues desenvolveu uma carreira como especialista de Planeamento e Estruturas Hidráulicas na Hidrotécnica Portuguesa e na Companhia de Águas de Lisboa, para além de ter sido um dos sócios-fundadores da COBA – Consultores para Obras, Barragens e Planeamento, S.A., bem como dirigente da Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores, entre 1989 e 1993.

O nome de Joaquim Caldeira Rodrigues está também perpetuado numa rua da sua terra natal e refira-se que Maria João Rodrigues, catedrática do ISCTE que desempenhou as funções de Ministra do Emprego no primeiro Governo de António Guterres, é sua filha.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

As Ruas de 1960 de um Herói da Ocupação e de um Herói do Ultramar

Freguesias de Ajuda e Belém (Foto: Sérgio Dias)

A Rua General João de Almeida – Freguesias de Ajuda e Belém
(Foto: Sérgio Dias)

No ano anterior ao eclodir da Guerra Colonial, em 1960, foram colocados na toponímia de Lisboa dois militares ligados ao domínio português em África: o General João de Almeida e o Major Neutel de Abreu, nas freguesias de Ajuda-Belém e São Domingos de Benfica, tendo o primeiro a legenda de «Herói da Ocupação» e o segundo de «Herói do Ultramar», ambos sugeridos pela Sociedade de Geografia de Lisboa, que incluía também os nomes dos generais Garcia Rosado, Justiniano Padrel, Massano de Amorim e o Coronel Bento Roma.

O General João de Almeida (Guarda/05.10.1873 – 05.05.1953/Lisboa), Herói dos Dembos e da ocupação do Baixo Cubango foi atribuído como topónimo pelo Edital de 28 de outubro de 1960 na Rua Projetada à Calçada do Galvão. Dez anos mais tarde, por edital publicado em 7 de novembro de 1970 foram também integradas neste arruamento a Travessa do Pátio das Vacas e o Largo do Museu Agrícola Colonial, pelo que hoje se estende da Calçada da Ajuda até à Calçada do Galvão.

Freguesias de Ajuda e Belém - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Ajuda e Belém – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra, ingressou na Escola do Exército, tendo mais tarde concluído ainda os cursos do Estado Maior do Exército (1903) e da Escola de Engenharia Civil de Paris. Ainda como Capitão, durante as Campanhas de África, comandou em 1907 uma coluna de operações contra os Dembos Rebeldes em Angola que lhe granjeou o epíteto de Herói dos Dembos. No ano seguinte foi nomeado governador interino do distrito de Huíla sendo mais tarde o governador, para além de ter colaborado na ocupação de todo o Baixo Cubango e ajudado o General Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909), sendo obra sua a fixação da fronteira meridional de Angola. Também foi Governador e Diretor de obras públicas de Cabo Verde, bem como Governador Geral de Macau (1931).

Em 1919, já coronel e Comandante militar da região de Aveiro, bateu-se pela Monarquia do Norte, ao lado de Paiva Couceiro, a primeira das diversas conspirações em que participou para derrubar a República, já que era Monárquico e simpatizante do Integralismo. João de Almeida foi ainda  Ministro das Colónias durante 3 dias, de 6 a 9 de julho de 1926.

Foi também autor de obras sobre temática colonial – como Carta itinerária de Angola ou A ocupação portuguesa em África na época contemporânea – e sobre a cidade da Guarda – como Roteiro dos monumentos de arquitectura militar do concelho da Guarda ou A Guarda capital da Beira (1937) – , bem como obras didáticas no  âmbito das suas funções de diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga. Seguiu ainda uma carreira de administrador de empresas, na Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro (entre 1920 e 1936), na  Companhia do Papel do Prado (desde 1929) e presidindo à Real Companhia Vinícola do Norte (a partir de 1933).

Foi condecorado como Grande Oficial de Ordem Militar da Torre e Espada, da Ordem Militar de Cristo e da Ordem Militar de Avis (todas em 1929) e a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (1932) e também pai de 2 militares: os coronéis Alexandre Mendes Leite de Almeida e João Mendes Leite de Almeida. O General João de Almeida está também na toponímia da Damaia (Amadora) como Rua, na Guarda como Avenida e em Angola, em ruas de Luanda e de Benguela.

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

O Major Neutel de Abreu, de seu nome completo Neutel Martins Simões de Abreu (Figueiró dos Vinhos/ 1871 – 1945/ Figueiró dos Vinhos) ficou perpetuado na Rua A à Praceta I da Estrada de Benfica ou Rua A ao Largo do Conde de Bonfim pelo Edital de 21/12/1960, e desde que assentou praça no Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) esteve em Macau ( 1890) e Angola (1891-1898) até chegar a Moçambique, onde se destacou particularmente a comandar o posto de Moginqual e na chamada Pacificação de Moçambique, sobretudo na campanha que procurou  a submissão dos povos Namarrais do norte de Moçambique (1905-1913), comandada por Massano de Amorim. Participou na fundação, em 1907, daquela que veio a ser a cidade da Nampula- derivada do nome do régulo «Mpula» que significa chuva -, onde residiu mais de trinta anos, e na qual impulsionou o estabelecimento de diversas infraestruturas básicas no território. Reformado por razões de saúde em fevereiro de 1920 (ou 1912), aos 49 anos (ou talvez 41), decidiu dedicar-se à agricultura na sua plantação.

Foi galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos no Ultramar (1916) e a comenda da Ordem Colonial (1941). Tem ainda o seu nome numa escola e numa rua da sua terra natal.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Major Neutel de Abreu – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)