Os antigos campos de forca no Campo da Lã e no de Santa Clara

Sobreposição da planta de Carlos Mardel de 1756 sobre a dos nosso dias, para se visualizar o Campo da Lã sobre o Largo do Terreiro do Trigo

O Campo da Lã – antes de ser Largo do Terreiro do Trigo – e o Campo de Santa Clara foram ambos campos lisboetas onde se ergueram forcas.

Em 1725, a escrava Antónia Gomes, acusada de matar o seu amo com veneno misturado num caldinho de galinha, foi queimada com uma tenaz (atazanada) antes de ser enforcada no Campo da Lã. Também lá foram enforcadas uma mulher Setúbal e a sua filha cega de 25 anos, por matarem o homem que era o marido e padrasto, com a agravante das suas cabeças terem ficado expostas na forca.

Sobreposição da planta de Guilherme de Menezes de 1761 sobre a dos nosso dias para se visualizar o Campo da Lã sobre o Largo do Terreiro do Trigo

O Campo da Lã, deve o seu nome à seca de curtumes que no seu espaço tinha lugar, antes de na época pombalina ser denominado como Largo do Terreiro do Trigo.  Nos documentos municipais encontramos um Auto de 1588 sobre umas casas no Campo de Lã, em frente do chafariz d’El Rei, que estavam devendo foro à cidade; uma vistoria em 1709 às casas de Luís Nunes no Campo da Lã; uma petição de 1710, de Manuel Pires Quaresma, a solicitar licença para fazer uma varanda numas casas ao Campo da Lã, na entrada do beco de Alfama;  um aviso  ao senado municipal de 1739 para se tratar do arrendamento das naves nos armazéns do Terreiro do Paço, do Rossio e do Campo da Lã para se guardar a colunata da procissão do Corpo de Deus; um Decreto  de 1747, de doação de um chão no Campo da Lã a Tomé Furtado, sujeito que em março de 1755 encontramos com umas lojas no Campo de Lã, delimitadas por serem em frente da forca e perto do tanque onde se lavam as peles; e em novembro de 1755, o prior da freguesia de São Pedro de Alfama requereu autorização para continuar a ocupar o armazém do senado municipal no Campo da Lã.

Já o Campo de Santa Clara, por mor do Convento de Santa Clara,  deve estar fixado na memória do local desde cerca de 1294. Este Campo ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

Sobreposição da planta de Tinoco de 1650 sobre a dos nosso dias para se visualizar o Campo de Santa Clara nas duas épocas

 

 

 

Os Campos e o Campus

Campus de Campolide – Freguesia de Campolide

A toponomemclatura  de Lisboa comporta ainda hoje 6 Campos que guardam algumas das suas memórias mais antigas – rurais, mercantis, militares, religiosas e políticas – e um Campus que sendo foneticamente semelhante se trata, como a sua grafia indica, de uma área universitária em Campolide.

O Campus de Campolide é um topónimo resultante da solicitação da Universidade Nova de Lisboa para que o espaço onde tem a sua Reitoria, as Faculdades de Economia e de Direito, bem como o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação, tivesse essa designação a que a Câmara respondeu positivamente com a atribuição do mesmo através do Edital de 5 de julho de 2000, ficando delimitado pela Rua Marquês de Fronteira, Travessa de Estêvão Pinto e Rua da Mesquita.

Campo das Amoreiras – Freguesia de Santa Clara
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Durante séculos a toponímia de Lisboa dependeu do arbítrio dos seus habitantes, fixando nela os pontos que permitiriam a sua identificação como os edifícios religiosos, as casas mais nobres ou as características específicas do local, como os seus terreiros também denominados como campos.

O Campo das Amoreiras, na freguesia de  Santa Clara, foi atribuído pelo Edital municipal de 12 de outubro de 1891, fixando-lhe uma toponomenclatura que nunca havia sido a sua, já que antes fora denominado como Largo da Charneca, Rocio da Charneca ou Largo das Amoreiras. Refira-se que a Charneca do Lumiar ou Charneca de Sacavém, foi uma povoação do  concelho dos Olivais entre 1852 e 18 de julho de 1885, data em que as povoações do Termo de Lisboa foram incorporadas no território da Cidade de Lisboa, que as distinguiu, como se vê neste caso, com uma toponomemclatura evidentemente rural.

O Campo Grande ( das freguesias das Avenidas Novas, de Alvalade e do Lumiar) era o Campo de Alvalade do sítio de Alvalade e durante séculos o escolhido para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas. O arvoredo que nele foi mandado plantar no reinado de D. Maria I, no final do séc. XVIII , transformou-o num dos parques mais aprazíveis de Lisboa e consequentemente, apetecível para mudanças na toponímia que se foram sucedendo. As Ruas paralelas ao parque, a Oriental e a Ocidental do Campo Grande, já eram assim referidas pelo menos desde 1891 de acordo com uma planta municipal, e foram unidas no topónimo único de Campo Grande pelo Edital municipal de 19 de janeiro de 1916. Nove anos depois, em 1925, a antiga  Rua Ocidental do Campo Grande passou a ser a  Avenida Sacadura Cabral, a Oriental  Avenida Óscar Monteiro Torres – os aviadores que três anos haviam concluído a primeira travessia aérea do Atlântico Sul –  e a Rua do topo norte do Campo Grande passou a ser a  Rua António Stromp. Após o golpe de 28 de Maio de 1926, foi resolvido fazer regressar a sua antiga denominação de Campo Grande. Decorridos mais nove anos, por deliberação de Câmara de 16/05/1935, transmutou-se em Campo 28 de Maio.

Refira-se que treze anos depois, o Edital de 23/12/1948, voltou a repor a denominação de Campo Grande, por contraponto com o Campo Pequeno, que também regressou pelo mesmo Edital municipal.

O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas e até algumas touradas, só sendo instalada uma   Praça de Touros definitiva em 1892. Era conhecido como Largo do Campo Pequeno ou Campo Pequeno e passou a ser o Largo Doutor Afonso Pena por Edital de 8 de outubro de 1908 da já vereação republicana da edilidade lisboeta, e assim ficou durante 40 anos, até voltar a ser Campo Pequeno em 1948.

O antigo Campo de Santana,  passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, por Edital municipal de 11 de julho de 1879, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados no dia 18 de Outubro de 1817.

O Campo das Cebolas deve ter tido origem no comércio local de produtos hortícolas já que desde os fins do séc. XV o mercado de víveres anteriormente sediado no Terreiro do Paço havia sido transferido para a Praça da Ribeira Velha. De acordo com Gomes de Brito «Era antigamente Rua direita da Ribeira. (…) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de ‘Rua direita da Ribeira’, já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.»  Como Campo das Cebolas aparece na descrição paroquial da freguesia de Santa Maria Mayor anterior ao terramoto de 1755 e, como rua da praya, ou Campo das Cebollas, na planta da freguesia de S. João da Praça após a remodelação paroquial de 1770.

Por último, temos o Campo de Santa Clara  que deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que a denominação remonte a cerca de 1294 quando se iniciou a construção do Convento de Santa Clara, onde mais tarde será instalada a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas. Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

Campo de Santa Clara -Freguesia de São Vicente

 

 

A junção das Ruas Oriental e Ocidental do Campo Grande ocorreu há um século

Freguesias das Avenidas Novas, Alvalade e Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, Alvalade e Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O Campo Grande, que hoje pertence às Freguesias das Avenidas Novas, Alvalade e Lumiar, tem este topónimo fixado desde há 100 anos, através da publicação do Edital municipal de 19 de janeiro, o 2º Edital de toponímia de 1916, que assim juntou as Ruas Oriental e Ocidental do Campo Grande num único topónimo.

Chamado anteriormente Campo de Alvalade, este sítio foi escolhido durante séculos para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado à concentração de tropas, como as que D. Sebastião levou para Alcácer Quibir. O arvoredo que transformou o Campo Grande num dos parques mais aprazíveis de Lisboa foi mandado plantar no reinado de D. Maria I.

O Campo Grande nas primeiras décadas do séc. XX (Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campo Grande nas primeiras décadas do séc. XX
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Nove anos depois da junção as Ruas Oriental e Ocidental do Campo Grande, voltaram a ser topónimos separados pelo Edital de 07/05/1925. A Rua Ocidental do Campo Grande, apesar de já não existir  formalmente, passou a denominar-se Avenida Sacadura Cabral. Nesse mesmo ano, à Rua Oriental foi dado nome de outro aviador através da Avenida Óscar Monteiro Torres (por deliberação camarária de 02/06/1925) e já uns meses antes (por deliberação camarária de 15/02/1925) a Rua do topo norte do Campo Grande tinha ficado com a denominação de Rua António Stromp. Só que no ano seguinte, na sessão da Câmara de 26/08/1926 (e edital de 14/09/1926)  foi resolvido manter no Campo Grande a sua antiga denominação de Campo Grande.

Passados mais nove anos, uma nova deliberação da Câmara de 16/05/1935, fez com que as antigas Ruas do Oriental e Ocidental do Campo Grande passassem a denominar-se como o mesmo topónimo do jardim do local: Campo 28 de Maio. Esta decisão foi reafirmada no edital de 02/10/1939 tornando público o despacho da Presidência segundo o qual foi rectificada a deliberação da Câmara de 16/05/1933 e o edital de 18/05/1935, que atribuiu a denominação de Campo 28 de Maio às antigas Ruas Oriental e Ocidental do Campo Grande, passando a referida denominação de Campo 28 de Maio a substituir a de Campo Grande, que compreendia as antigas Ruas Oriental e Ocidental, depois Avenida Óscar Monteiro Torres e Sacadura Cabral, o próprio parque e ainda a Rua António Stromp.

Já na década de quarenta do século XX, o Edital municipal de 23/12/1948, voltou a denominar como Campo Grande o então Campo 28 de Maio. Na década seguinte, a antiga Praça Mouzinho de Albuquerque também foi integrada no Campo Grande, por edital municipal de 23/03/1954. E nos anos 80 do século XX, após a morte de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, a edilidade chegou a equacionar dividir novamente o Campo Grande em duas artérias para os homenagear mas acabou por criar uma solução alternativa.

Freguesias das Avenidas Novas, Alvalade e Lumiar                                           (Planta: Sérgio Dias)

Outros temperos da toponímia de Lisboa

Campo das Cebolas - Placa Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Mário Marzagão)

Campo das Cebolas – Placa Tipo II – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Nos outros temperos presentes na toponímia de Lisboa, que não as especiarias ou o azeite a que já nos referimos, registamos as cebolas para cozinhar os caracóis, as pataniscas de bacalhau, os peixinhos da horta, a meia desfeita ou o bacalhau à Brás, bem como o louro usado para fazer pipis, iscas com elas ou ervilhas com ovos escalfados.

Na confluência da Rua da Alfândega, Rua dos Bacalhoeiros, Rua do Cais de Santarém e a  Avenida Infante Dom Henrique fica o Campo das Cebolas que, de acordo com Gomes de Brito, «Era antigamente Rua direita da Ribeira. (…) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de Rua direita da Ribeira, já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.» Como Campo das Cebolas também aparece já na descrição paroquial da freguesia de «Santa Maria Mayor» anterior ao terramoto de 1755 e, como «rua da praya, ou Campo das Cebollas», na planta da freguesia de São João da Praça após a remodelação paroquial de 1770. Este topónimo deve ter tido origem no comércio local de produtos hortícolas já que desde os fins do séc. XV o mercado de víveres anteriormente sediado no Terreiro do Paço [é Praça do Comércio desde 1760] foi transferido para a Praça da Ribeira Velha.

Beco do Loureiro - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Beco do Loureiro – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Já o louro surge em 6 arruamentos. Comecemos pela Rua Nova do Loureiro, na Freguesia da Misericórdia, assim designada pelo Edital do Governo Civil de Lisboa de 05/08/1867 e que até aí se denominava Rua do Loureiro, denotando as raízes rurais dos local onde também pontificam a Rua da Vinha e a Calçada do Cabra.

A seguir temos o Beco do Loureiro, na Freguesia de Santa Maria Maior, a estender-se do Pátio do Peneireiro à Rua de Guilherme Braga e que já aparece mencionado nas descrições paroquiais anteriores ao Terramoto de 1755, na freguesia de Santo Estêvão de Alfama.

Nas imediações temos a Rua do Loureiro, a ligar a Rua de Guilherme Braga à Rua das Escolas Gerais, artéria que já  aparece referida nas descrições paroquiais anteriores ao Terramoto de 1755, na freguesia do Salvador e após a remodelação paroquial de 1780, surge sucessivamente nas freguesias de S. Miguel, de Santo Estêvão e de novo, na freguesia do Salvador.

Rua da Quinta do Loureiro- Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Rua da Quinta do Loureiro- Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Se rumarmos à Freguesia da Estrela, encontramos a Estrada do Loureiro, topónimo que deriva da sua proximidade à antiga Quinta do Loureiro que ali existia, razão também para o Edital municipal de 19/10/2001 atribuir ali, num novo arruamento, o topónimo Rua da Quinta do Loureiro (Freguesia de Campo de Ourique). A Quinta do Loureiro situava-se no Vale de Alcântara, e segundo a informação de Luís Pastor de Macedo esta quinta existia pelo menos desde o final do século XVII, pois em 1718 o seu proprietário António de Albuquerque Coelho de Carvalho afirmava estar ela na posse de sua família há oitenta anos conforme consta do Livro dos Prazos da Freguesia de São Pedro de Alcântara. A Quinta do Loureiro deve ter existido até ao início do século XX, uma vez que aparece referenciada na planta realizada em 1856-58 por Filipe Folque e mais tarde, numa planta de 1910, assim como na «Planta da Cidade» de 1948, do Instituto Geográfico e Cadastral, encontramos referências toponímicas relativas à Quinta do Loureiro como o Caminho da Quinta do Loureiro e a Estrada do Loureiro. A Estrada do Loureiro começava na Rua Capitão Afonso Pala e corria em paralelo com a Rua Possidónio da Silva e a Rua Maria Pia. Nos antigos terrenos da Quinta do Loureiro surgiu uma nova urbanização de 14 lotes de habitação para realojamento do Casal Ventoso, então designados por Empreendimentos Ceuta Norte, que receberam os primeiros inquilinos em  abril de 2001 e nesta nova urbanização surgiu um novo arruamento no prolongamento da Rua Costa Pimenta, paralelo à Avenida de Ceuta, com início na Rua Costa Pimenta e final na Rua do Arco do Carvalhão que é a Rua da Quinta do Loureiro.

Freguesia de Santo António - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

A Travessa do Loureiro, na Freguesia de Santo António, liga a Rua do Passadiço à Rua de Santa Marta, e aparece referida como Rua do Loureiro já na planta da freguesia de Santa Joana, após a remodelação paroquial de 1780, passando a  surgir como Travessa em 1857,  no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque.

Finalmente, no sítio do Chão do Loureiro, cuja primeira referência data de 1464 num livro de Emprazamentos, deparamos na Freguesia de Santa Maria Maior com o Largo do Chão do Loureiro e a Travessa do Chão do Loureiro. Se sobre o Largo desconhecemos a data da sua fixação na memória da cidade já sabemos sobre a Travessa que era o Beco do Chão do Loureiro até o Edital municipal de 04/12/1882 lhe mudar a categoria. De acordo com Luís Pastor de Macedo, na sua Lisboa de Lés a Lés, «Talvez tivesse sido a travessa que C. R. de Oliveira indica em 1551 com o mesmo nome. Em 1756 era a calçada ou calçadinha do Chão do Loureiro, em 1827 era as escadinhas da mesma denominação e por fim passou para a categoria de beco.»

Largo e Travessa do Chão do Loureiro - Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Largo e Travessa do Chão do Loureiro – Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

O Campo Mártires da Pátria para sempre

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Com o seu romance Para Sempre ganhou Vergílio Ferreira em 1983 o Prémio do Pen Club Português, que se encontra sediado no nº 37 do Campo dos Mártires da Pátria.

Desde 1879, pela deliberação camarária de 5 de junho e Edital de 11 de julho, o antigo Campo de Santana passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados 62 anos antes, no dia 18 de outubro de 1817. Vulgarmente, também ficou conhecido o arruamento como Campo Mártires da Liberdade.

No ano de 1817 um grupo que contava com o general Gomes Freire de Andrade conspirava contra a regência dominada pelo inglês Beresford, general que viera em tempos para Portugal para disciplinar as tropas portuguesas para resistir às invasões francesas. Contudo, a conspiração foi descoberta e Gomes Freire foi condenado à forca e executado na Torre de S. Julião da Barra, enquanto os seus companheiros morreram no cadafalso em pleno Campo de Santana.

Nesse mesmo ano de 1879 em que foi atribuído este topónimo, recebeu a edilidade nos meses de setembro e outubro, requerimentos dos Directores da Companhia dos Mercados e Edificações Urbanas, de vários vendedores da feira e de vários proprietários e moradores do Campo de Santa Clara, a solicitarem que o mercado semanal de peças usadas fosse transferido para o Campo de Santa Clara.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

O Campo do convento da Ordem de Santa Clara

Cerca de 1940 (Foto:  Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cerca de 1940               (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campo de Santa Clara deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que esta denominação remonte a cerca de 1294.

Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

O arruamento é um amplo quadrilátero irregular que se situava extramuros da Cerca Moura, tendo sido um dos locais escolhidos por D. Afonso Henriques para acampamento das tropas antes do início do cerco de Lisboa. Aliás, o primeiro rei português mandou edificar o Mosteiro de São Vicente na parte poente deste Campo .

O Convento de Santa Clara foi mandado construir a expensas de D. Inês Fernandes, uma viúva rica asturiana e , em 7 de setembro de 1294 foi lançada a primeira pedra da Igreja. Com o terramoto ficou bastante danificado e foi nos seus terrenos que depois se edificou a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas.

Neste Campo de Santa Clara tem lugar todas terças e sábados a Feira da Ladra, que só após 1 de Julho de 1882 passou a ter lugar marcado neste sítio.

Freguesia de São Vicente

Freguesia de São Vicente                                                                                                  (Planta: Sérgio Dias)