A Rua da primeira catedrática de Química, Branca Edmée Marques

Freguesias de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Branca Edmée Marques  foi a primeira catedrática de Química do nosso país, em 1966, pelo que dá nome a uma artéria da Cidade  Universitária, na freguesia de Alvalade, desde 2009.

O topónimo nasceu a  partir de uma proposta do Professor José Pedro Sousa Dias, membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa e a Comissão escolheu a Rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Gama Pinto, que a deliberação de câmara de 02/09/2009 aprovou e assim foi a Rua Branca Edmée Marques fixada pelo Edital municipal de 16/09/2009. Pelo mesmo Edital mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, os do matemático António Aniceto Monteiro, do geólogo Paul Choffat e da pedagoga Teresa Ambrósio.

Branca Edmée Marques (Lisboa/14.04.1899 – 19.07.1986/Lisboa), filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, licenciada em Ciências Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa no ano de 1925, começou nesse mesmo ano a ser professora dessa Faculdade, onde regeu vários cursos teóricos, entre os quais os de Químicas Orgânica e Análise Química, embora só tenha chegado a Catedrática em 1966, e foi a 1ª mulher em Portugal a atingir essa categoria na área da Química.

Ainda antes de concluir a sua licenciatura, no ano letivo de 1923-24, a convite de Aquiles Machado, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre.   Depois, com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, de 1931 a 1935 fez trabalho de investigação em física nuclear no Laboratoire Curie do Instituto do Rádio, primeiro sob a orientação de Marie Curie e depois da morte desta, em 1934, sob a de André Debierne, doutorando-se em 1935 na Faculdade de Ciências de Paris, com a tese intitulada «Nouvelles Recherches sur le Fractionnement des Sels de Baryum Radifère».

Em 1936, já de volta a Portugal, foi-lhe reconhecida a equiparação do seu Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas em 13 de Junho de 1936, tendo criado o Laboratório de Radioquímica, que dirigiu que até à sua jubilação, o qual originaria o Centro de Estudos de Radioquímica  da Comissão de Estudos de Energia Nuclear (em 1953), o 1º centro de investigação em Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, hoje extinto.

Branca Edmée Marques publicou 6 trabalhos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro dos quais ainda antes do seu doutoramento e em 1936 publicou 3 artigos no Journal de Chimie Physique, todos na área dos seus estudos sobre o bário radífero. Refira-se ainda que escreveu uma breve biografia de Marie Curie para a revista Ciência, e outra de Jean Perrin, a convite do Instituto Francês em Portugal, no primeiro aniversário da morte do grande cientista.

No centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques foi convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para as cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora da nobelizada Maria Sklodowska Curie.

Branca Edmée Marques foi casada com o naturalista, geólogo e professor da Faculdade de Ciências António da Silva e Sousa Torres (1876-1958).

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Anúncios

A Rua da professora de canto e cantora lírica Maria Júdice da Costa

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC )

A cantora lírica e  professora de Canto, Maria Júdice da Costa, desde 1987 dá nome a uma rua do Bairro dos Sete Céus, na freguesia de Santa Clara.

A atribuição deste topónimo resultou de uma sugestão de topónimos para o Bairro dos Sete Céus feita pelo munícipe Manuel Cabaço, tendo a Rua Maria Júdice da Costa ficado no Impasse 5 do Bairro dos Sete Céus, a unir a Rua dos Sete Céus à Rua António Aleixo, com a legenda «Cantora/1870 – 1960», através do Edital municipal de 30 de janeiro de 1987. Nas restantes artérias do bairro ficaram os poetas Ruy Cinatti (Impasse 1), Vasco de Lima Couto (Impasse 3) e António Aleixo (Impasse 6), o músico do séc. XVII João Lourenço Rebelo (Impasse 2) e o fadista Joaquim Cordeiro (Impasse 4).

Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa (Lisboa/12.06.1870-16.05.1960/Lisboa) foi uma atriz e cantora lírica que a partir de 1933 se tornou professora de Canto. Iniciou a sua formação artística aos nove anos no Conservatório Nacional, no curso de Piano. Contudo, um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convenceu-a a mudar e nos dez anos seguintes estudou Canto e  aulas de declamação com o ator João Rosa, tendo se estreado no Teatro de S. Carlos em 31 de janeiro de 1890, na ópera La Gioconda. Em junho partiu para Itália começando uma longa carreira internacional que passou por Roma, Nápoles,  Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, Barcelona e Palma de Maiorca, tendo sido considerada então  a maior intérprete feminina de Wagner. Em 1933 regressou ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro de S. Carlos.

Também no teatro dramático Maria Júdice da Costa se estreou a 30 de julho de 1921 na companhia de Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, na peça Os sedutores.  No ano seguinte, junto com a sua filha Brunilde, integrou a digressão ao Brasil do espectáculo A Casaca Encarnada de Vitoriano Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões.

No cinema, começou em 1921 no Amor de Perdição de Georges Pallu, na pele de Rita Preciosa, a que se seguiram Mulheres da Beira (1923) como Madre Abadessa e Fátima Milagrosa (1928), ambos de Rino Lupo.

Maria Júdice da Costa foi casada durante vinte anos com o barítono italiano Gugliemo Caruson, de quem teve 3 filhos, entre os quais Brunilde Júdice, também inscrita na toponímia de Lisboa.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Convento de Santa Marta de Jesus

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Do Asilo de Santa Marta de Jesus, fundado no séc. XVI, mais tarde instituído como Convento, nasceu a Rua de Santa Marta.

Já no séc. XIX, o Edital do Governo Civil de Lisboa de 01/09/1859 incorporou a Rua de Santa Joana na Rua de Santa Marta. E em 1926, face aos pedidos insistentes da Junta de Freguesia de Camões para substituir a nomenclatura da Rua de Santa Marta, por deliberação de Câmara de 31 de maio de 1926 passou a denominar-se Rua Alexandre Braga, embora quase quatro meses depois, pelo edital municipal de 14 de setembro desse mesmo ano,  voltou a designar-se Rua de Santa Marta, ao mesmo tempo que colocava o topónimo Alexandre Braga «á rua sem nome que, partindo da Rua José Estevam e ao norte do Jardim Constantino, vai ligar-se com a Rua Dona Estefânia».

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Asilo de Santa Marta de Jesus foi criado para acolher e tratar as filhas das vítimas da Grande Peste de Lisboa de 1569, a pedido do Padre António de Monserrate, representante dos Padres de São Roque, da Companhia de Jesus. Depois de 1577, os padres jesuítas pediram a passagem do recolhimento a Mosteiro e em 1583, o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, autorizou a instituição de um convento de religiosas franciscanas clarissas, sob a invocação de Santa Marta, sendo fundadoras 3 religiosas vindas do Convento de Santa Clara de Santarém. Em 1612 teve início a construção da igreja do Convento que está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1946.

Refira-se que em 1693, residindo a rainha viúva de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, no palácio dos Condes de Redondo, contíguo à igreja conventual, foi aberta uma tribuna sobre a capela-mor para que a soberana aí pudesse assistir às celebrações mas que foi fechada assim que D. Catarina se instalou no Paço da Bemposta, originando o topónimo Paço da Rainha.

Na descrição corográfica de arruamentos anteriores ao terramoto, a Rua de Santa Martha surge já na freguesia de S. José. O Convento de Santa Marta foi um de 11 entre os 65 conventos existentes em Lisboa que, não obstante os danos do Terramoto de  1 de novembro de 1755, se mantiveram habitáveis.

Após a extinção das ordens religiosas pelo Decreto de 30 de maio de 1834, o Convento de Santa Marta após a morte da  última religiosa em 15 de dezembro de 1887, foi alvo de obras de adaptação para começar a funcionar ao serviço da saúde em 1890, com a designação de Hospício dos Clérigos Pobres, já que desde o ano anterior havia sido cedido a essa Irmandade, para albergar as vítimas de um grande surto de gripe que alvoroçou a cidade e posteriormente, ficou como hospital de doenças venéreas. Em 1903 passou a ser um Hospital dependente do governo, inicialmente como anexo ao Hospital de São José. Em 1910 foi atribuída oficialmente ao Hospital de Santa Marta a função de Escola Médico Cirúrgica de Lisboa assumindo um importante papel no ensino da Medicina em Lisboa, função que manteve até 1953, data em que a clínica universitária foi transferida para o novel Hospital de Santa Maria, voltando o Hospital de Santa Marta para o grupo dos Hospitais Civis de Lisboa. Foi considerado como uma das principais escolas de Medicina Interna durante a segunda metade do séc. XX com Carlos George, bem como ganhou diferenciação na área cardio-vascular com a inovação trazida por Machado Macedo.

Marta era a irmã de Maria e de Lázaro, que foi ressuscitado por Jesus a seu pedido. A devoção a Santa Marta remonta à época das Cruzadas e partiu de França, onde segundo uma lenda, Marta, Maria e Lázaro teriam terminado os seus dias. Santa Marta era muito popular na comuna francesa de Tarrascon já que, segundo a tradição, aí estrangulara Tarasca, um monstro que devorava animais domésticos e crianças. Santa Marta é a patrona das cozinheiras.

Ainda na Freguesia de Santo António, encontramos mais dois topónimos evocativos de Santa Marta: o Beco de Santa Marta, junto ao nº 26 da Rua de Santa Marta, bem como a Travessa de Santa Marta que o Edital do Governo Civil de Lisboa de 01/09/1859 escolheu para ser a nova denominação da Travessa das Freiras.

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai em Belver

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua de Santa Catarina, na Freguesia da Misericórdia, deriva da existência no local da Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai durante cerca de três séculos, de 1559 a 1835.

A ligar a Rua Marechal Saldanha à Rua Fernandes Tomás a Rua de Santa Catarina foi atribuída por deliberação camarária de 18/05/1889 e consequente Edital de 08/06/1889, na que era a Rua do Monte de Santa Catarina. No seu topo encontramos o Miradouro de Santa Catarina, com a característica estátua do Adamastor, ali implantada em 10 de junho de 1927.

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo «O Alto de Santa Catarina, designação que foi simultânea com a de Belver, mas resistiu, deve a designação à circunstância de neste sítio – exactamente onde está êsse Palacete n.º 2, com pátio guarnecido de gradeamento – ter existido a Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai. No alto dêste cabeço, havia, como atrás disse, desde o século XV uma enorme Cruz de madeira, que servia de guia aos mareantes.»

Freguesia da Misericórdia – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai, de invocação da Santa patrona dos livreiros, começou a ser edificada em 1557, por vontade da Rainha D. Catarina (1507 – 1578), irmã mais nova do Imperador Carlos V e mulher de D. João III (1502 – 1557), que foi Regente do Reino de 1557 a 1562 , durante a menoridade do seu neto, D. Sebastião. Doou a Igreja à Irmandade dos Livreiros, seguindo a sugestão que lhe fora apresentada por Simão Guedes, fidalgo do Conselho do Rei e Juiz da Irmandade dos Livreiros, junto com Miguel de Valença,um frade jerónimo. Segundo Gomes de Brito, «O chão onde se levantou o templo foi gratuitamente cedido pelos herdeiros de Bartholomeu de Andrade, em 1557, e a construção correu quasi exclusivamente por conta da rainha». Em 9 de outubro de 1559, a Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai passou a ser paroquial, ficando com parte da área da antiga freguesia dos Mártires. O Terramoto destruiu o templo mas no final de 1757 estava reedificado e só no século seguinte, em 1835, é que ardeu completamente, tendo os restos do templo, pertença da Irmandade dos Livreiros, sido removidos entre 1856 e 1862. Depois dessa data foi construído no local o Palacete fronteiro ao Miradouro de Santa Catarina, mandado erguer por José Pedro Colares Pereira, proprietário da Metalúrgica Vulcano e Colares, que o vendeu no final do séc. XIX ao industrial Alfredo da Silva, passando depois para o seu genro Manuel da Silva. No final do séc. XX este palacete foi  adquirido pela Associação Nacional das Farmácias, que lá instalou o Museu da Farmácia, inaugurado em 1996.

Finalmente, sobre Santa Catarina destaque-se que foi conhecida como A Grande Mártir Santa Catarina ou Catarina de Alexandria, por ser natural da cidade egípcia de Alexandria, e terá sido uma  intelectual notável do início do século IV bem como mártir cristã, decapitada por ordem do Imperador romano Maximino Daia. A Igreja Ortodoxa venera-a como grande mártir e a Igreja Católica como um dos catorze santos auxiliares. Entre 527 e 565, por ordem do Imperador bizantino Justiniano I foi construído no sopé do Monte Sinai, no Egito, o Mosteiro de Santa Catarina.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A americana Helen Keller numa Avenida junto ao Centro com o seu nome

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                       (Foto: José Carlos Batista)

Helen Keller foi uma americana deficiente desde os 19 meses de vida que procurou ajudar a melhorar a qualidade de vida de outros deficientes, afirmando que  «As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente», estando perpetuada desde 1987  numa Avenida próxima do Centro Helen Keller.

A Avenida Helen Keller foi atribuída pela edilidade lisboeta através do Edital de 7 de setembro de 1987, ao arruamento construído no prolongamento da Avenida Dr. Mário Moutinho  (Edital de 17/02/1970) e, ambos os topónimos estão relacionados com o Centro Helen Keller, uma escola inclusiva para alunos invisuais e normovisuais.

Em 1936, o médico oftalmologista Mário Moutinho criou a Liga Portuguesa da Profilaxia da Cegueira (LPPC)  e acalentava o sonho de criar em Portugal uma clínica de reeducação de diminuídos visuais, o que veio a ser concretizado pelo seu filho, médico da mesma especialidade, a partir de 1955  no edifício que é hoje o nº 20 da da Avenida Dr. Mário Moutinho, nascendo assim uma instituição pioneira do ensino integrado em Portugal. Em março de 1956, quando Helen Keller veio a Portugal a convite da LPPC, passou a instituição a designar-se Centro Infantil Helen Keller.

Helen Keller (Alabama/27.06.1880 – 01.06.1968/Connecticut) ficou cega, surda e muda desde os 19 meses de vida e foi graças à persistência da sua percetora Ana Sullivan. Helen aprendeu a ler num alfabeto de cegos, conseguiu depois compreender 5 línguas, concluir estudos superiores, publicar a sua autobiografia A história da minha vida (1902) e fazer carreira profissional a escrever artigos para o Ladies Home Journal. Fortemente motivada pela sua experiência de vida, Helen Keller tornou-se defensora das pessoas portadoras de deficiência e empreendeu uma cruzada humanitária a favor dos que eram como ela, através da escrita, de conferências que proferiu e contribuindo para a criação de muitas instituições de reeducação dos cegos, surdos e mudos.

Refira-se ainda que em Lisboa existe também a Rua Luís Braille, dedicada ao francês que inventou o sistema de escrita e leitura para cegos que ficou com o seu nome – o Braille – que foi inaugurada em 2004 no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência.

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                          (Foto: José Carlos Batista)

 

A Rua da princesa austríaca que desposou D. João V

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Dona Maria Ana de Áustria que se tornou rainha de Portugal pelo seu casamento com D. João V dá nome a uma Rua da Freguesia de Campolide desde 1990, junto a contemporâneos seus como sucede nos casos da Rua Alexandre de Gusmão, Rua André de Melo e Castro, Rua António Guedes Pereira, Rua Diogo de Mendonça Corte Real, Rua Fernando Teles da Silva que foi quem chefiou a embaixada do pedido de casamento de D. João V a Viena de Áustria, Rua João da Mota e Silva, Rua Martim de Pina Proença, bem como a nomes ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres, como a Rua José da Silva Pais, Rua Manuel de Azevedo Fortes,  Rua Miguel Ângelo Blasco ou a Rua Rodrigo Franco.

O topónimo nasceu da deliberação camarária de 05/12/1990 e consequente Edital municipal de 14/12/1990, com a legenda «Rainha de Portugal e regente do Reino/1683-1754», na que era a Rua dos Cauteleiros desde 29 de dezembro de 1989, antes Rua 20 do Bairro do Alto da Serafina (Edital de 15/03/1950) e ainda antes Rua I.

Maria Ana Josefa de Áustria (Áustria/07.09.1683 – 14.08.1754/Lisboa), foi a 3ª filha do Imperador Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico, e da sua terceira mulher, a condessa Leonor Madalena de Neuburgo. D. João V havia sido aliado de Carlos VI na Guerra da Sucessão Espanhola e fazia todo o sentido continuar a aliança através do casamento com a irmã deste, que era sua aliás sua prima direita já que as mães de ambos eram irmãs. Maria Ana de Áustria tornou-se aos 25 anos esposa de D. João V, em 1708, mas como  foi estéril por alguns anos, o rei mandou erguer o Convento de Mafra como voto para ter um filho varão, tendo sido colocada a primeira pedra em 1717. Mas D. Maria Ana teve 6 filhos de D. João V:  D. Maria Bárbara, rainha de Espanha pelo casamento com Fernando VI; D. Pedro, Príncipe do Brasil; o sucessor D. José I em maio de 1714 ;D. Carlos, Infante de Portugal; D. Pedro III, que se tornou marido da sua sobrinha D. Maria I e D. Alexandre, Infante de Portugal, em setembro de 1723.

Durante o seu reinado, de 27 de outubro de 1708 a 31 de julho de 1750, Maria Ana de Áustria foi duas vezes regente do reino. A primeira, em 1716, durante uma cura de repouso de D. João V em Vila Viçosa e a segunda, em 1742, quando se revelou a paralisia que debilitou o rei até o vitimar em 1750.

D. Maria Ana também se distinguiu por promover o futuro Marquês de Pombal, que era casado com a filha do aristocrata austríaco marechal de Daun, recomendando-o a seu filho D. José I, bem como por ter fundado em 1737 o Convento de Carmelitas Descalças de S. João Nepomuceno, o santo patrono da Boémia, concluído em 1752 e a sua igreja benzida em 19 de março de 1753. Este Convento deu origem a três topónimos no local: a Calçada (hoje Calçada Salvador Correia de Sá), o Largo e as Escadinhas de São João Nepomuceno.

Em 1754, no dia seguinte à morte da rainha, o secretário de estado, Sebastião José de Carvalho e Melo, dirigiu ao presidente do Senado municipal, marquês de Alegrete, um aviso para suspender o despacho dos tribunais, por 8 dias, em demonstração de pesar e luto pela morte de D. Maria Ana de Áustria, bem como outro aviso para se proceder à limpeza das ruas iria passar o funeral da rainha,  da Quinta de Baixo  em Belém, para a igreja dos «Carmelitas Descalços Alemães». Em 1855,  os seus restos mortais foram trasladados para o Convento de S. Vicente de Fora, para junto dos de D. João V.

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua Elina Guimarães, Mulher de Liberdade

Freguesia de Santa Clara

Apelidada «Mulher de Liberdade», a jurista Elina Guimarães foi durante toda a sua vida uma incansável defensora dos Direitos da Mulher e está perpetuada na Freguesia de Santa Clara, no que era o Impasse B à Estrada do Desvio, como Rua Elina Guimarães, com a legenda «Jurista – Escritora/1904 – 1991», desde a publicação do Edital municipal de 12 de novembro de 1991, cerca de cinco meses após a sua morte.

Neste particular artigo sobre a Rua Elina Guimarães, este topónimo surge em representação de tantas mulheres que defenderam os direitos das mulheres e integraram o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, estando também presentes na toponímia de Lisboa.

Elina Júlia Pereira Guimarães da Palma Carlos (Lisboa/08.08.1904 – 24.06.1991/Lisboa) aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas desde os seus 20 anos, então a  única associação feminista do país e que o Estado Novo encerrou em 1947. Elina Guimarães lá desempenhou as funções de Secretária-geral (1927), Vice-Presidente da Direção (1928, 1929 e 1931), Vice-Presidente da Assembleia Geral (1946), responsável pela Seções Jurídica e do Sufrágio e diretora do Alma Feminina, órgão do CNMP,  entre 1929 e 1930. No decorrer da sua vida integrou também a International Council of Women, a International Aliance of Women’s Sufrage, e a Fédération Internationale des Femmes Diplomées en Droit, tendo recebido o epíteto de «Mulher de Liberdade», também considerando a sua participação em inúmeras conferências a favor da liberdade de expressão tanto no nosso país como no estrangeiro. Elina é uma precursora do chamado feminismo jurídico que segundo a própria se define como «Nome que afoitamente podemos dar àquela corrente doutrinária que impõe e preconiza a igualdade dos sexos perante a lei.»

Elina Guimarães escreveu em diversos jornais e revistas sobre assuntos referentes aos direitos das mulheres, tanto quanto a censura o permitia, assim como sobre questões jurídicas nas revistas especializadas, para além de ter publicado os seus livros  O poder maternal (1933),  A lei em que vivemos – noções de direito usual relativo à vida feminina (1937), Guilherme de Azevedo em família (1940), A condição jurídica da mulher no direito de família perante as Nações Unidas (1962), Coisas de Mulheres (1975) e Mulheres portuguesas ontem e hoje (1979). Os seus conhecimentos dos direitos das mulheres do ponto de vista jurídico foram essenciais para despertar e informar muitas gerações de mulheres sobre os seus direitos. Ficou célebre o seu artigo de 1922 no  jornal Vida Académica a contradizer o sexismo e machismo de Júlio Dantas.

Na prática também interveio filiando-se no MUD – Movimento de Unidade Democrática em 1945; participando no Congresso Republicano e Democrático de Aveiro  em 1969 e no Congresso da Oposição Democrática em 1973, integrando a sua Comissão Nacional. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 assumiu a presidência da Liga de Direitos Cívicos da Mulher e foi membro de honra da Federação Internacional das Mulheres (FDIM).

Elina era filha de  Alice Pereira, sobrinha do poeta Guilherme de Azevedo, e de Vitorino Máximo Guimarães, oficial do Exército, professor universitário e ainda deputado e ministro durante a Primeira República. Estudou em casa, depois no Liceu e licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa em 1926, com 18 valores, tendo dois anos depois casado com o seu condiscípulo Adelino da Palma Carlos, com quem teve dois filhos, Antero e Guilherme.

Em 1985, foi condecorada pelo Presidente da República, António Ramalho Eanes, com a Ordem da Liberdade,  por ocasião do encerramento da Década Internacional da Mulher juntamente com outras 6 mulheres que «promovendo a melhoria e a dignificação da condição feminina, melhoraram e dignificaram a condição humana». Também o Conselho Geral da Ordem dos Advogados, entidade que detém o Fundo Drª Elina Guimarães, criou em 2016 o prémio Elina Guimarães, para distinguir anualmente personalidades e/ou entidades nacionais que se tenham destacado na defesa dos direitos das mulheres e na defesa da igualdade de género.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

Sete novos topónimos na freguesia do Lumiar

Pelo Edital nº 38/2017, de 17/03/2017,  foram atribuídos sete novos topónimos na freguesia do Lumiar:  Largo Gérard Castello-Lopes, Rua Irisalva Moita, Rua Isabel Magalhães Colaço, Rua Joaquim Rodrigo, Largo Michel’Angelo Lambertini, Rua Padre Manuel Antunes e Rua Pedro Bandeira Freire.

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)