O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A americana Helen Keller numa Avenida junto ao Centro com o seu nome

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                       (Foto: José Carlos Batista)

Helen Keller foi uma americana deficiente desde os 19 meses de vida que procurou ajudar a melhorar a qualidade de vida de outros deficientes, afirmando que  «As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente», estando perpetuada desde 1987  numa Avenida próxima do Centro Helen Keller.

A Avenida Helen Keller foi atribuída pela edilidade lisboeta através do Edital de 7 de setembro de 1987, ao arruamento construído no prolongamento da Avenida Dr. Mário Moutinho  (Edital de 17/02/1970) e, ambos os topónimos estão relacionados com o Centro Helen Keller, uma escola inclusiva para alunos invisuais e normovisuais.

Em 1936, o médico oftalmologista Mário Moutinho criou a Liga Portuguesa da Profilaxia da Cegueira (LPPC)  e acalentava o sonho de criar em Portugal uma clínica de reeducação de diminuídos visuais, o que veio a ser concretizado pelo seu filho, médico da mesma especialidade, a partir de 1955  no edifício que é hoje o nº 20 da da Avenida Dr. Mário Moutinho, nascendo assim uma instituição pioneira do ensino integrado em Portugal. Em março de 1956, quando Helen Keller veio a Portugal a convite da LPPC, passou a instituição a designar-se Centro Infantil Helen Keller.

Helen Keller (Alabama/27.06.1880 – 01.06.1968/Connecticut) ficou cega, surda e muda desde os 19 meses de vida e foi graças à persistência da sua percetora Ana Sullivan. Helen aprendeu a ler num alfabeto de cegos, conseguiu depois compreender 5 línguas, concluir estudos superiores, publicar a sua autobiografia A história da minha vida (1902) e fazer carreira profissional a escrever artigos para o Ladies Home Journal. Fortemente motivada pela sua experiência de vida, Helen Keller tornou-se defensora das pessoas portadoras de deficiência e empreendeu uma cruzada humanitária a favor dos que eram como ela, através da escrita, de conferências que proferiu e contribuindo para a criação de muitas instituições de reeducação dos cegos, surdos e mudos.

Refira-se ainda que em Lisboa existe também a Rua Luís Braille, dedicada ao francês que inventou o sistema de escrita e leitura para cegos que ficou com o seu nome – o Braille – que foi inaugurada em 2004 no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência.

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                          (Foto: José Carlos Batista)

 

A Rua da princesa austríaca que desposou D. João V

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Dona Maria Ana de Áustria que se tornou rainha de Portugal pelo seu casamento com D. João V dá nome a uma Rua da Freguesia de Campolide desde 1990, junto a contemporâneos seus como sucede nos casos da Rua Alexandre de Gusmão, Rua André de Melo e Castro, Rua António Guedes Pereira, Rua Diogo de Mendonça Corte Real, Rua Fernando Teles da Silva que foi quem chefiou a embaixada do pedido de casamento de D. João V a Viena de Áustria, Rua João da Mota e Silva, Rua Martim de Pina Proença, bem como a nomes ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres, como a Rua José da Silva Pais, Rua Manuel de Azevedo Fortes,  Rua Miguel Ângelo Blasco ou a Rua Rodrigo Franco.

O topónimo nasceu da deliberação camarária de 05/12/1990 e consequente Edital municipal de 14/12/1990, com a legenda «Rainha de Portugal e regente do Reino/1683-1754», na que era a Rua dos Cauteleiros desde 29 de dezembro de 1989, antes Rua 20 do Bairro do Alto da Serafina (Edital de 15/03/1950) e ainda antes Rua I.

Maria Ana Josefa de Áustria (Áustria/07.09.1683 – 14.08.1754/Lisboa), foi a 3ª filha do Imperador Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico, e da sua terceira mulher, a condessa Leonor Madalena de Neuburgo. D. João V havia sido aliado de Carlos VI na Guerra da Sucessão Espanhola e fazia todo o sentido continuar a aliança através do casamento com a irmã deste, que era sua aliás sua prima direita já que as mães de ambos eram irmãs. Maria Ana de Áustria tornou-se aos 25 anos esposa de D. João V, em 1708, mas como  foi estéril por alguns anos, o rei mandou erguer o Convento de Mafra como voto para ter um filho varão, tendo sido colocada a primeira pedra em 1717. Mas D. Maria Ana teve 6 filhos de D. João V:  D. Maria Bárbara, rainha de Espanha pelo casamento com Fernando VI; D. Pedro, Príncipe do Brasil; o sucessor D. José I em maio de 1714 ;D. Carlos, Infante de Portugal; D. Pedro III, que se tornou marido da sua sobrinha D. Maria I e D. Alexandre, Infante de Portugal, em setembro de 1723.

Durante o seu reinado, de 27 de outubro de 1708 a 31 de julho de 1750, Maria Ana de Áustria foi duas vezes regente do reino. A primeira, em 1716, durante uma cura de repouso de D. João V em Vila Viçosa e a segunda, em 1742, quando se revelou a paralisia que debilitou o rei até o vitimar em 1750.

D. Maria Ana também se distinguiu por promover o futuro Marquês de Pombal, que era casado com a filha do aristocrata austríaco marechal de Daun, recomendando-o a seu filho D. José I, bem como por ter fundado em 1737 o Convento de Carmelitas Descalças de S. João Nepomuceno, o santo patrono da Boémia, concluído em 1752 e a sua igreja benzida em 19 de março de 1753. Este Convento deu origem a três topónimos no local: a Calçada (hoje Calçada Salvador Correia de Sá), o Largo e as Escadinhas de São João Nepomuceno.

Em 1754, no dia seguinte à morte da rainha, o secretário de estado, Sebastião José de Carvalho e Melo, dirigiu ao presidente do Senado municipal, marquês de Alegrete, um aviso para suspender o despacho dos tribunais, por 8 dias, em demonstração de pesar e luto pela morte de D. Maria Ana de Áustria, bem como outro aviso para se proceder à limpeza das ruas iria passar o funeral da rainha,  da Quinta de Baixo  em Belém, para a igreja dos «Carmelitas Descalços Alemães». Em 1855,  os seus restos mortais foram trasladados para o Convento de S. Vicente de Fora, para junto dos de D. João V.

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua Elina Guimarães, Mulher de Liberdade

Freguesia de Santa Clara

Apelidada «Mulher de Liberdade», a jurista Elina Guimarães foi durante toda a sua vida uma incansável defensora dos Direitos da Mulher e está perpetuada na Freguesia de Santa Clara, no que era o Impasse B à Estrada do Desvio, como Rua Elina Guimarães, com a legenda «Jurista – Escritora/1904 – 1991», desde a publicação do Edital municipal de 12 de novembro de 1991, cerca de cinco meses após a sua morte.

Neste particular artigo sobre a Rua Elina Guimarães, este topónimo surge em representação de tantas mulheres que defenderam os direitos das mulheres e integraram o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, estando também presentes na toponímia de Lisboa.

Elina Júlia Pereira Guimarães da Palma Carlos (Lisboa/08.08.1904 – 24.06.1991/Lisboa) aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas desde os seus 20 anos, então a  única associação feminista do país e que o Estado Novo encerrou em 1947. Elina Guimarães lá desempenhou as funções de Secretária-geral (1927), Vice-Presidente da Direção (1928, 1929 e 1931), Vice-Presidente da Assembleia Geral (1946), responsável pela Seções Jurídica e do Sufrágio e diretora do Alma Feminina, órgão do CNMP,  entre 1929 e 1930. No decorrer da sua vida integrou também a International Council of Women, a International Aliance of Women’s Sufrage, e a Fédération Internationale des Femmes Diplomées en Droit, tendo recebido o epíteto de «Mulher de Liberdade», também considerando a sua participação em inúmeras conferências a favor da liberdade de expressão tanto no nosso país como no estrangeiro. Elina é uma precursora do chamado feminismo jurídico que segundo a própria se define como «Nome que afoitamente podemos dar àquela corrente doutrinária que impõe e preconiza a igualdade dos sexos perante a lei.»

Elina Guimarães escreveu em diversos jornais e revistas sobre assuntos referentes aos direitos das mulheres, tanto quanto a censura o permitia, assim como sobre questões jurídicas nas revistas especializadas, para além de ter publicado os seus livros  O poder maternal (1933),  A lei em que vivemos – noções de direito usual relativo à vida feminina (1937), Guilherme de Azevedo em família (1940), A condição jurídica da mulher no direito de família perante as Nações Unidas (1962), Coisas de Mulheres (1975) e Mulheres portuguesas ontem e hoje (1979). Os seus conhecimentos dos direitos das mulheres do ponto de vista jurídico foram essenciais para despertar e informar muitas gerações de mulheres sobre os seus direitos. Ficou célebre o seu artigo de 1922 no  jornal Vida Académica a contradizer o sexismo e machismo de Júlio Dantas.

Na prática também interveio filiando-se no MUD – Movimento de Unidade Democrática em 1945; participando no Congresso Republicano e Democrático de Aveiro  em 1969 e no Congresso da Oposição Democrática em 1973, integrando a sua Comissão Nacional. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 assumiu a presidência da Liga de Direitos Cívicos da Mulher e foi membro de honra da Federação Internacional das Mulheres (FDIM).

Elina era filha de  Alice Pereira, sobrinha do poeta Guilherme de Azevedo, e de Vitorino Máximo Guimarães, oficial do Exército, professor universitário e ainda deputado e ministro durante a Primeira República. Estudou em casa, depois no Liceu e licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa em 1926, com 18 valores, tendo dois anos depois casado com o seu condiscípulo Adelino da Palma Carlos, com quem teve dois filhos, Antero e Guilherme.

Em 1985, foi condecorada pelo Presidente da República, António Ramalho Eanes, com a Ordem da Liberdade,  por ocasião do encerramento da Década Internacional da Mulher juntamente com outras 6 mulheres que «promovendo a melhoria e a dignificação da condição feminina, melhoraram e dignificaram a condição humana». Também o Conselho Geral da Ordem dos Advogados, entidade que detém o Fundo Drª Elina Guimarães, criou em 2016 o prémio Elina Guimarães, para distinguir anualmente personalidades e/ou entidades nacionais que se tenham destacado na defesa dos direitos das mulheres e na defesa da igualdade de género.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

Sete novos topónimos na freguesia do Lumiar

Pelo Edital nº 38/2017, de 17/03/2017,  foram atribuídos sete novos topónimos na freguesia do Lumiar:  Largo Gérard Castello-Lopes, Rua Irisalva Moita, Rua Isabel Magalhães Colaço, Rua Joaquim Rodrigo, Largo Michel’Angelo Lambertini, Rua Padre Manuel Antunes e Rua Pedro Bandeira Freire.

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

Cecília e Dinah, duas escritoras brasileiras na toponímia de Lisboa

Rua Cecília Meireles – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília Meireles em 1964 e Dinah Silveira de Queiroz em 1984, são duas escritoras brasileiras que a partir dessas datas ficaram inscritas na toponímia de Lisboa, em São Domingos de Benfica e em Marvila.

A Rua Cecília Meireles nasceu do Edital de 28/12/1964 nas Ruas A e B à Travessa de São Domingos de Benfica, pouco mais de um mês após o seu falecimento, e a Rua Dinah Silveira de Queiroz foi através do Edital de 28/02/1984, na Rua L1 da Zona L de Chelas, quase 2 anos após a sua morte, em resultado de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 11 de julho de 1983.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro/07.11.1901 – 09.11.1964/Rio de Janeiro), neta de açorianos, foi uma professora, cronista e poetisa brasileira que iniciou a sua carreira literária com a publicação do livro de poesia Espectro (1919). A sua vasta produção literária de poesia, teatro, romance e ensaio, conta com títulos como por exemplo, Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923); Baladas para El-Rei (1925); o ensaio O Espírito Vitorioso (1929); publica em Lisboa uma apologia do Simbolismo, a Saudação à menina de Portugal (1930), assim como o ensaio Batuque, Samba e Macumba (1935) com ilustrações de sua autoria; Viagem ( 1939) que lhe valeu o Prémio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras; Olhinhos de Gato, publicado em capítulos na revista Ocidente (1939-1940); uma biografia de Rui Barbosa para crianças Rui — Pequena História de uma Grande Vida (1949); Romanceiro da Inconfidência (1953) que foi adaptado para filme por Joaquim Pedro de Andrade com o título Os inconfidentes (1972); os ensaios Panorama Folclórico de Açores (1955), A Bíblia na Literatura Brasileira (1957) , Ou Isto ou Aquilo (1964) ou Solombra (1964) que foi Prémio Jabuti de Poesia.

Paralelamente, enquanto professora do magistério primário desde 1917, em escolas oficiais do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, espelhou a sua vertente de pedagoga em crónicas sobre educação, como a página diária no Diário de Notícias em 1930 e 1931, ensaios sobre educação e obras para crianças. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, no Bairro de Botafogo, no Centro Infantil que dirigia. Aposentou-se em 1951 como diretora de escola, trabalhando a partir de então como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Foi ainda docente de Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), de 1935 a 1938, assim como de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas em 1940. Proferiu ainda conferências na Europa, Estados Unidos, África e Ásia sobre Literatura, Educação e Folclore e colaborou também, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. 

Cecília Meireles recebeu as distinções de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli (1953) e Oficial da Ordem de Mérito do Chile (1952), para além do Prémio de Tradução/Teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (1962), do Prémio Jabuti de Tradução de Obra Literária da Câmara Brasileira do Livro (1963),  do Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1965),  e da sua efígie ser posta na nota de cem cruzados do  Banco Central do Brasil (1989).

O seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau do Bairro de Cangaíba em São Paulo (1963), à Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho em São Paulo (1974), à Biblioteca de Valparaiso no Chile (1964), ao grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa no Rio de Janeiro (1965), à Biblioteca Infanto-Juvenil no Bairro Alto da Lapa de São Paulo (1991), assim como foi consagrada em artérias de Ponta Delgada, do Porto, Curitiba, Itajaí, Ilha Comprida, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Xinguara do Pará, entre outras.

Na sua vida pessoal, casou-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, mas 5 anos após o suicídio deste casou-se com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo/09.11.1911 – 27.11.1982/Rio de Janeiro) foi uma escritora brasileira que abarcou diversos géneros, desde o romance, contos e crónicas, à literatura infantil. Escreveu Pecado (1937); a novela Sereia Verde (1938); Floradas na Serra (1939) que recebeu o Prémio Antônio de Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras e foi transposto para o cinema em 1955; os romance Margarida La Roque (1950) e A Muralha (1954); a peça bíblica O oitavo dia (1956); os contos Eles herdarão a terra (1960); Os invasores (1964); A Princesa dos Escravos (1965); Verão do Infiéis (1965) distinguido com o prémio de ficção da Prefeitura do Distrito Federal; Comba Malina (1969); O Livro dos Transportes (1969) dedicado ao público infantil e Memorial de Cristo (1974-1977). Foi laureada em 1954, com o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, pela Academia Brasileira de Letras.

Na sua vida pessoal casou-se em 1929 com o desembargador Narcélio de Queiroz, tendo enviuvado e em 1962, foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madrid, casando novamente nesse mesmo ano com o embaixador Dario Castro Alves (1927-2010), com quem residiu em Lisboa durante largos anos, e nesta cidade escreveu o seu último livro Guida, caríssima Guida (1981).

Dinah Silveira de Queiroz ainda escreveu artigos e crónicas para a Rádio Nacional, a Rádio Ministério da Educação e Jornal do Commercio no Brasil, para além de um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Foi a 2ª mulher membro da Academia Brasileira de Letras (1980), para além de ter integrado a Academia Paulista de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, e ter sido distinguida com o seu nome em artérias do Balneário Camboriú, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras.

Rua Dinah Silveira de Queiroz - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Rua Dinah Silveira de Queiroz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua da primeira pediatra portuguesa, Drª Sara Benoliel

Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

A primeira pediatra portuguesa, Sara Benoliel,  ficou perpetuada no Impasse 5 à Estrada de Moscavide, hoje na Freguesia do Parque das Nações, três meses após o seu falecimento através do Edital municipal de 26 de março de 1971, por despacho do Presidente da edilidade, então o Engº Santos e Castro, como Rua Drª Sara Benoliel, para homenagear a médica que numa época de grande mortalidade infantil se preocupou com a puericultura, esforçando-se por educar as mães e sensibilizar a sociedade geral para os cuidados a ter com uma criança, não a considerando um adulto em miniatura como era habitual na época.

dra-saraSara Barchilon Benoliel (Brasil-Manaus/1898 – 20.12.1970/Lisboa), filha de pais originários de Marrocos e formada na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1925, doutorou-se com uma tese sobre a meningite tuberculosa (1926) e naturalizou-se portuguesa em 1928. Especializou-se em Pediatria e construiu uma carreira multifacetada no decorrer da qual criou uma creche no Hospital D. Estefânia (1924), organizou o Dispensário do Tribunal de Infância (1930) com cursos de puericultura gratuitos para mães e raparigas, criou o Auxílio Maternal do Pessoal Feminino – ou masculino com filhos a cargo – dos Hospitais Civis (1931), primeiro na Rua Senhora do Monte e depois, no Hospital dos Capuchos. Exerceu pediatria no Hospital D. Estefânia como assistente do Prof. Salazar de Sousa (1927-1935) – que introduziu em Portugal a especialidade de Pediatria -, bem como na consulta de latentes da Faculdade de Medicina de Lisboa (a partir de 1935), no Jardim Escola de João de Deus e na Beneficência de S. Mamede, no Dispensário Popular de Alcântara (1938-1942) e no Centro de Assistência Social à Infância (1943-1951), no Instituto Maternal (1951-1953) e como pediatra das Caixas de Previdência (a partir do final da década de cinquenta).

Dos seus trabalhos publicados destacam-se  Algumas Notas sobre a Assistência Maternal e Infantil no Estrangeiro (1927), Os Preconceitos em Puericultura e a Maneira de Combatê-los (1935)Subsídios para a História da Pediatria em Portugal (1938).

Sara Benoliel foi também uma das primeiras mulheres do seu tempo a conduzir um automóvel, o que causou algum escândalo, para além de ter sido ativista do Hehaber, Associação da Juventude Israelita criada em 1925 por jovens israelitas de Lisboa, com sede na Rua Alexandre Herculano, que teve um papel relevante durante a II Guerra Mundial, a apoiar refugiados de Hitler que procuraram asilo em Portugal e também integrou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Para além de Lisboa, Sara Benoliel dá nome a artérias de Fernão Ferro e Rio de Mouro.

Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

A Travessa das Freiras da «Sopa de Arroios»

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Um Edital municipal de 20 abril de 1916 atribuiu a Travessa das Freiras a Arroios, para não ser confundida com  a Travessa das Freiras ( Clarissas) próxima do Campo de Santa Clara, em São Vicente, e tanto mais que as freiras de Arroios são as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios que  em 1807 por via das invasões napoleónicas popularizaram a Sopa de Arroios.

Esta Travessa ganhou o seu topónimo pela proximidade à antiga Azinhaga das Freiras, que antes já fora a Azinhaga do Leão, e hoje o espaço dessa Azinhaga é o das Ruas Alves Torgo e Quirino da Fonseca.

Freguesia de Arroios                     (Planta: Sérgio Dias)

As freiras que originaram este topónimo eram as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios. O espaço começou por ser o Noviciado masculino das Missões da Índia de São Francisco Xavier, da Companhia de Jesus, que formava missionários para a evangelização no Oriente. Resultou da vontade do clérigo João Serrão que em 1697 deixou em testamento uma quinta em Frielas para a sua fundação. Porém, imposição régia determinou que ficasse mais perto de Lisboa, numa Quinta de Arroios junto à Estrada de Sacavém, pelo que D. Catarina de Bragança apoiou financeiramente a sua construção, tendo como contrapartida a escolha da invocação de São Francisco Xavier para o noviciado embora para satisfazer também o desejo do Padre João Serrão tenha sido atribuído o orago de Nossa Senhora de Nazaré à igreja. Com planta do Arqº João Antunes o edifício ficou concluído para os primeiros noviços em  1735. Em  1759 os  Jesuítas foram expulsos do nosso país e a a partir de 1766 passou a ser um convento feminino franciscano da Ordem da Imaculada Conceição, vindas do destruído Convento de Nossa Senhora da Luz, em Carnide, e passou então a denominar-se Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz em Arroios.

São estas freiras que na altura da primeira invasão francesa, em 1807, começaram a fazer distribuição diária de sopa à população carenciada popularizando assim a Sopa de Arroios. Em 1890 o convento foi extinto por morte da última religiosa (madre Maria de São José) e dois anos depois foi instalado um hospital no edifício. Entre 1916 e 1917 a Câmara adquiriu ao Estado 10.615 m2 da cerca do Hospital de Arroios para fazer o 2º troço da Avenida Almirante Reis – entre a Estrada da Circunvalação e a Alameda – e construir a rotunda da futura Praça do Chile.

Esta Travessa das Freiras a Arroios em 1910 era ainda parte da Azinhaga das Freiras e foi nela que o Almirante Cândido dos Reis se suicidou algumas horas antes da implantação da República em Portugal, na madrugada de 4 de outubro, julgando a causa perdida e após ter visitado as suas irmãs que residiam naquela zona. Foi considerado um dos primeiros mártires da revolução, tal como Miguel Bombarda, tendo ambos tido um funeral conjunto  no dia 6 de outubro.

Placa de homenagem a Cândido dos Reis colocada pela CML em 1911 na Travessa das Freiras (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Placa de homenagem a Cândido dos Reis, colocada pela CML em 1911, no local onde foi encontrado morto
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua do Cine-Bélgica/Universal e a Duquesa de Palmela

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Beneficência foi atribuída ainda em vida da 3ª Duquesa de Palmela,  Maria Luísa Holstein, pelo Edital de 18 de dezembro de 1903, que nessa época ligava o Largo do Rego à Palma de Cima, perpetuando as iniciativas beneméritas da homenageada.

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Vinte e cinco anos depois, em 1928, abriu portas no nº 175 deste arruamento o Cine-Bélgica, por se situar no Bairro da Bélgica, com uma  lotação de 500 lugares que em  1933 foi também equipado com uma aparelhagem de som. Em 1968 pensaram denominá-lo Cinema Universitário mas ficou a designar-se Cinema Universal e cinco anos depois (1973) já pertencia à Animatógrafo, dirigida pelo produtor e realizador António da Cunha Telles tendo em 1980 dado  lugar ao Rock Rendez-Vous, que encerrou em 27 de julho de 1990.

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

Hoje a Rua da Beneficência liga a Avenida de Berna à Rua Alberto de Sousa e fixa na memória da cidade Maria Luísa Domingas de Sales de Borja de Assis de Paula de Sousa Holstein (Lisboa/04.08.1841-02.09.1909/Sintra) cuja filantropia lhe concedeu um lugar único no panorama nacional, nomeadamente, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, nos Socorros a Náufragos, em asilos, missões ultramarinas, institutos de auxílio à infância e na fundação das Cozinhas Económicas, com a sua prima Maria Isabel Saint-Lèger, tendo sido a sua primeira presidente. A Duquesa de Palmela para além de dama da Rainha D. Amélia dedicou-se também à escultura, havendo trabalhos seus no Museu do Chiado e na Sociedade de Geografia de Lisboa, assim como se interessou pela cerâmica e juntamente com a Condessa de Ficalho fundou a Fábrica do Ratinho no seu próprio palácio. Foi distinguida com a Ordem de Santiago, a Ordem de Santa Isabel, a Ordem de Maria Luísa (Espanha) e a Académica de Mérito da Academia Nacional de Belas-Artes.

Passados 86 anos, pelo Edital de 25 de janeiro de 1989, a edilidade lisboeta voltou a perpetuá-la em Lisboa num arruamento de Alcântara junto à Rua da Cozinha Económica: Rua Maria Luísa Holstein.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)