A olisipógrafa Irisalva Moita numa Rua da antiga Quinta dos Alcoutins

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Irisalva Moita, a olisipógrafa e arqueóloga que durante mais de 20 anos dirigiu o Museu da Cidade de Lisboa, sempre trabalhando empenhadamente e com paixão pelo património de Lisboa, está na toponímia de uma artéria da antiga Quinta dos Alcoutins, na Freguesia do Lumiar, desde março do ano passado.

A Rua Irisalva Moita ficou na  Rua A à Quinta dos Alcoutins pelo Edital municipal de 17 de março de 2017 e pelo mesmo documento a edilidade colocou nos outros arruamentos da urbanização personalidades ligadas à cultura da cidade e do país, como o artista plástico Joaquim Rodrigo (Ruas B e B1), e os professores universitários padre Manuel Antunes (Rua I) e Isabel Magalhães Colaço (Rua C).

Irisalva Moita em 1960
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

De acordo com Ana Cristina Leite (revista Rossio nº 1, maio de 2013), Irisalva Constância de Nóbrega Nunes Moita (Angola – Lubango/21.05.1924 – 13.06. 2009/Lisboa) distinguiu-se como arqueóloga, historiadora, olisipógrafa e museóloga. Desde muito nova que vivia em Lisboa, onde em 1949 se licenciou em Ciências Históricas e Filosóficas. Um dos seus primeiros interesses foi a arqueologia e como bolseira do Instituto de Alta Cultura, em Arqueologia, desde 1952, trabalhou em diversas escavações, tanto em Moura e Pavia como na Beira Alta. Associada ao Centro de Etnologia Peninsular,  de 1959 a 1972, levou a cabo um levantamento exaustivo dos castros portugueses. Irisalva Moita foi ainda pioneira das escavações arqueológicas em contexto urbano, como lhe aconteceu em Lisboa na do Hospital Real de Todos-os-Santos, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa, em 1960, sendo a primeira grande ação de salvaguarda do património arqueológico urbano, bem como na Necrópole Romana na Praça da Figueira, no Teatro Romano (1966/67) na Rua de São Mamede e Rua da Saudade e na Casa dos Bicos.

Acresce que enquanto trabalhava no terreno como arqueóloga, ao longo dos anos 50,  Irisalva deu também aulas no ensino secundário e fez o curso de Conservador de Museus (1953/55) no Museu Nacional de Arte Antiga. A partir de 1958, após ingressar no quadro definitivo dos Museus Municipais de Lisboa, de que virá a ser conservadora-chefe de 1971 a 1994, Irisalva Moita centrou os seus interesses na olisipografia, através da história e do património da capital, construindo-se como figura de referência da Olisipografia.

Das exposições que concretizou no Palácio dos Coruchéus e no Palácio Pimenta, destaquem-se as do VIII centenário da chegada a Lisboa das Relíquias de São Vicente (1973),  santo sobre cujo culto em todo o país investigara; O Culto de Santo António, na região de Lisboa; Lisboa Quinhentista: a imagem e a vida na cidade (1979), uma mostra sobre o povo de Lisboa, tipos, ambiente, modos de vida, divertimentos e mentalidade; Lisboa e o Marquês de Pombal (1982), produzida no bicentenário da morte do Marquês de Pombal;  Azulejos de Lisboa ( 1984) na qual estiveram expostos muitos dos azulejos da coleção do Museu da Cidade, a segunda maior do país ;  Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro (1985) ou até O abastecimento de água no tempo de D. João V (1990).  E para além dos catálogos de exposições, a vastíssima obra da Dr.ª Irisalva Moita, para além da coordenação d’ O Livro de Lisboa (1998), onde assinou os artigos «Das origens pré-históricas ao domínio romano: origens pré e proto-históricas» e «Lisboa no séc. XVI: a cidade e o ambiente», está quase toda dispersa por revistas da especialidade e atas de congressos.

Irisalva Moita sonhou criar uma área específica dedicada ao azulejo no Museu de Lisboa mas não chegou a concretizá-la. Como conservadora-chefe dirigiu o Museu da Cidade, o Antoniano e o de Rafael Bordalo Pinheiro, tendo transformado o modesto museu que existia no Palácio da Mitra no Museu de Lisboa, a partir do programa que elaborou entre 1973 e 1975, com um discurso cronológico e evolutivo da cidade.

Foi homenageada com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa no Dia Internacional dos Museus de 2008, assim como com a Ordem do Infante D. Henrique (2005), no grau de Grande Oficial.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Avenida da Vieira da Silva que era Maria Helena

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

No Dia Internacional da Mulher de 1993 foi inaugurada a Avenida Maria Helena Vieira da Silva, no Lumiar, em homenagem à pintora considerada um  expoente maior da pintura contemporânea, com as suas originais geometrias.

Vieira da Silva faleceu em 6 de março de 1992 e logo em 26 de agosto a edilidade lisboeta deliberou atribuir o seu nome a esta Avenida que nasce junto à Alameda das Linhas de Torres e onde a artista ficou fixada pela publicação do Edital municipal de 15 de setembro. Para evitar equívocos na toponímia de Lisboa recordamos que em Lisboa existem também a Rua Engenheiro Vieira da Silva, em Arroios, dedicada ao engenheiro olisipógrafo que integrou a 1ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa em 1943, bem como a Rua Vieira da Silva, na freguesia da Estrela, em homenagem ao tipógrafo e jornalista que foi o 2º Presidente da Direção do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.

Autorretrato de 1930

Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa/13.06.1908 – 06.03.1992/Paris) nasceu filha única de Marcos Vieira da Silva e de Maria do Céu da Silva Graça  e tendo estudado de 1919 a 1927, apesar de ter tido aulas de música, preferiu a pintura, tendo assim estudado  desenho com Emília Santos Braga e pintura com Armando Lucena, professor na Escola de Belas Artes de Lisboa, bem como modelagem com Rogério de Andrade. A partir de 1926, com outros alunos de Belas Artes, também assistiu às aulas de Anatomia do Professor Henrique Vilhena na Faculdade de Medicina. Nesse mesmo ano foi viver com a mãe para o nº 3 do Alto de São Francisco.

Ainda com a a mãe, seguiu para Paris em 1928, para se aperfeiçoar com mestres como o escultor Bourdelle e nessa cidade começou a expôr no ano de 1933, por ocasião da edição do livro Kô et Kô. No entretanto, em 1929, estudou na Academia Escandinava com o escultor Despiau mas optou pela pintura e foi então estudar com Dufresne, Waroquier, Friesz, assim como gravura no atelier de Stanley W. Hayter e arte aplicada com Fernand Léger. Conheceu o pintor húngaro Arpad Szénes e com ele se casou em 1930, tendo passado a habitar na  Villa des Camélias.

Maria Helena Vieira da Silva tornou-se uma das artistas abstratas mais celebradas na Europa do pós-guerra, com as suas originais composições geometrizadas. Até aí, em 1935 e 1936, o casal esteve em Portugal, expondo telas de ambos, no atelier de Lisboa. Em 1939,  Vieira da Silva, Arpad Szénes e Étienne Hajdu , sensibilizados com a guerra espanhola, expuseram com fins beneméritos na Galeria Jeanne-Bucher em Paris e ainda nesse ano voltam a viver em Portugal, partindo no seguinte para o Brasil já que o Estado português negou a nacionalidade portuguesa aos artistas apesar de Arpad se ter convertido ao catolicismo e de terem contraído casamento religioso. Finda a II Guerra regressaram a Paris e ambos se naturalizaram franceses em 1956.

Para além do desenho, ilustração e pintura, Vieira da Silva também se dedicou à  cenografia, à tapeçaria e ao vitral, sendo de igual forma o seu percurso artístico associado a importantes encomendas de  arte pública. Também a paisagem urbana de Lisboa integra a obra da pintora, como no caso da decoração da estação do Metropolitano de Lisboa da Cidade Universitária, inaugurada em 1988, assim como parte da estação do Rato, inaugurada em 1997. Para mais, a capital acolhe ainda a Fundação Arpad Szènes- Vieira da Silva, criada em 1990 e que abriu ao público em 3 de novembro de 1994, na antiga Fábrica das Sedas da Praça das Amoreiras.

Recordem-se ainda os cartazes de Maria Helena Vieira da Silva, como aqueles dois com a frase «A Poesia está na Rua», feitos a pedida da sua amiga Sophia de Mello Breyner para serem editados pela Gulbenkian para comemorar o 25 de Abril de 1974, ou um outro que Vieira concebeu para a UNESCO para comemorar o Ano da Paz em 1986.

Maria Helena Vieira da Silva foi agraciada como Sócia Honorária do Grémio Literário de Lisboa, Sócia Honorária da Academia de Belas Artes de Lisboa,  com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago de Espada (1977), o filme  Ma femme chamada Bicho (1978) – realizado por José Álvaro Morais e sobre o casal a partir da ideia do pintor Jorge Martins-, como membro  da Academia das Ciências das Artes e das Letras de Lisboa (1984), o Grande Prémio Antena I (1986), a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1988), a Medalha da Cidade de Lisboa (1988), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1989) e também as mais altas condecorações francesas, estando a sua obra representada no Museu do Chiado- Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, assim como no Centre Pompidou de Paris,  no  Guggenheim de Nova Iorque e na Tate Gallery de Londres.

A artista consta ainda da toponímia de Abrantes, Entroncamento, Grândola, Lagos, Leça da Palmeira (Matosinhos), Montemor-o-Novo, Odivelas, Rio de Mouro, Santo António dos Cavaleiros, Tapada das Mercês (Sintra), Tavira e do Vale da Amoreira (Moita).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da ilustradora e pintora Raquel Roque Gameiro

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A ilustradora Raquel Roque Gameiro foi homenageada no 2º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, uma artéria paralela ao 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, onde ficou o seu cunhado Leitão de Barros, na freguesia de São Domingos de Benfica, ambos pela publicação do Edital municipal de 4 de novembro de 1970, por sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro.

Ilustração Portuguesa, 27 de novembro de 1911

Raquel Roque Gameiro Ottolini (Lisboa/15.08.1889 – 01.10.1970/Lisboa) foi uma pintora e ilustradora, filha primogénita e discípula do mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com Maria da Assunção de Carvalho Forte. Viveu a infância e juventude na Amadora, na Venteira, na hoje Casa Roque Gameiro, como o seu irmão Manuel e as suas irmãs Helena e Maria Emília (conhecida por Màmia) e foi a autora de um cartaz sedutor, para a firma de vinho do Porto Ramos Pinto, em que Pã espreme uvas para uma ninfa.

Estreou-se na ilustração em 1903, na literatura infantil dos Contos para Crianças de Ana de Castro Osório, bem como nas aguarelas para as exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes a partir de 1909 e até 1937. Em ambos os casos, Raquel usava cores vivas, figuras de pescadores e camponeses, tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa ou interiores rústicos e pobres mas airosos com chitas de ramagens. Em 1917, desenhou O Livro do Bébé, com versos de Delfim Guimarães, onde os pais podiam registar os momentos mais marcantes da vida do filho, desde o nascimento até a primeira comunhão. Na década de vinte, ilustrou obras de Adolfo Portela, Agostinho de Campos, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba, bem como na década seguida, entre outros, ilustrou o Livro de Leitura para a 1.ª Classe (1932) e, com Martins Barata e Emérico Nunes,  A lição de Salazar (1938).

Participou em várias mostras no país e no estrangeiro, como a Exposição de Artistas Portugueses no Rio de Janeiro e o Salão Internacional de Aguarela Hispano-Português de Madrid (1945). Teve destaque na “Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de caráter literário, artístico e científico”, organizada pelo jornal O Século e por Maria Lamas, em 1930. Foi distinguida com uma 1ª Medalha de Honra da SNBA (1929) e o prémio Ex-Libris da Imprensa Nacional. Está representada no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

Refira-se que além da ilustração de livros e manuais escolares, Raquel Roque Gameiro também colaborou, sobretudo na década de trinta,  com diversas publicações periódicas como o ABCzinhoComércio do Porto, Diário de Notícias, O Domingo IlustradoEvaIlustração PortuguesaJoaninhaJornal dos Pequeninos,  LusitasModas e BordadosO MosquitoMickeyPortugal Feminino, O Século, Serões, Sphinx e Tic-Tac.

Raquel Roque Gameiro foi também professora particular de Desenho, Aguarela e Pastel. Manteve grupos de alunos, primeiro no atelier da família na Rua Dom Pedro V e depois, na sua casa de Benfica. Com o pai, Raquel caricaturou várias personalidades da Amadora, do que resultou uma coleção de desenhos com forte sentido humorístico.

Na sua vida pessoal, casou com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini e foi mãe da ilustradora Guida Ottolini e de mais duas filhas e um filho, vivendo primeiro na casa da família da Amadora e mudando-se depois para Benfica, em Lisboa.

O seu nome está também atribuído à Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico/Jardim de Infância Raquel Gameiro, na Freguesia da Venteira, na Amadora, bem como a uma Praceta de Odivelas.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua Ângela Pinto à volta do Mercado de Arroios

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Ângela Pinto é a rua que encontramos a toda a volta do Mercado de Arroios, desde a publicação do Edital municipal de 12 de março de 1932, assim perpetuando a memória da protagonista da Severa e do Hamlet na toponímia da cidade de Lisboa.

O projeto urbanístico aprovado em sessão de Câmara de 7 de abril de 1928 determinou o futuro da zona contida entre a Praça do Chile e a Alameda Dom Afonso Henriques, tendo a Rua Ângela Pinto sido o topónimo dado à «Circular, em volta do mercado», conforme  regista o Edital, que acolheria obras a partir de 1939 para a construção de um mercado novo, do risco do Arqº Luís Benavente, que foi oficialmente inaugurado em 28 de fevereiro de 1942.

Já o Edital de 12 de março de 1932 consagrou também na mesma zona o empresário teatral Eduardo Brazão (Rua 8), bem como os atores Ferreira da Silva (na antiga Rua nº 7A), Joaquim Costa (Rua Particular), José Ricardo (Rua 7), Lucinda Simões (Rua nº 8A) e Rosa Damasceno (Rua nº 6),  para além de uma Avenida Rey Colaço (Rua 23) que nunca foi executada e foi este conjunto de topónimos que fez com que o sítio ficasse conhecido como Bairro dos Atores.

Ângela Rita Clara de Almeida Pinto (Lisboa/15.11.1869 – 09.03.1925/Lisboa) foi uma atriz que teve como os pontos altos da sua carreira uma magistral interpretação da Severa, na peça homónima de Júlio Dantas, estreada no  Teatro D. Amélia (depois, São Luiz) em 25 de janeiro de 1901, desempenho onde cantava fado, bem como o seu papel em travesti protagonizando Hamlet, em 1910, representação em que usou uns sapatos pretos feitos especialmente com mais 3 centímetros de sola. Ângela Pinto era muito acarinhada pelo público que enchia as plateias dos teatros para a ver.

Nascida no nº 30 da Rua do Arco da Graça, filha de Júlia de Almeida Pinto e de João de Almeida Pinto – músico por vezes contratado pelo São Carlos, jornalista e um dos proprietários de O Contemporâneo, publicação dedicada a assuntos de teatro -, desde a infância privava com redatores do jornal paterno como Gervásio Lobato, Sousa Bastos, Salvador Marques ou Pedro Vidoeira. Ângela frequentou o Colégio da D. Carolina junto à Calçada do Duque e depois um outro na Rua de Betesga, que era pertença de Alberto Bramão, um ensaiador teatral, tendo aprendido a falar bem francês.

Começou por subir à cena em 1885, aos 15 ou 16 anos, numa barraca de feira em Setúbal, na zarzuela em 1 ato Simão, Simões & C.ª. Depois, foi para os Teatros do Porto iniciar a sua carreira profissional e por volta dos  20 anos voltou a Lisboa, onde se estreou no Teatro da Rua dos Condes, no dia 29 de outubro de 1889, na opereta Lobos do Mar, uma tradução do original de  Ramos Carion.  Em 24 de maio de 1890 passa para o  Teatro do Príncipe Real (depois, Apolo) e a 29 de outubro voltou ao Porto, ao Teatro D. Fernando, a convite da Companhia Afonso Taveira & José Ricardo. Aí criou Ravolet, em travesti, na opereta A Bela Perfumista de Offenbach e a 4 de setembro de 1892 regressou ao Teatro da Rua dos Condes para criar a Manuela do Solar dos Barrigas, uma ópera cómica de Gervásio Lobato e D. João da Câmara. Em 1898, fazia parte da Companhia Taveira, então no Teatro da Trindade mas que depois passou ao Teatro do Príncipe Real do Porto, onde nesse mesmo ano protagonizou Ali…à Preta! para, em 1900, estar no alfacinha Teatro do Ginásio, em A Bisbilhoteira de Eduardo Schwalbach e depois no Teatro D. Amélia a protagonizar Lagartixa. Em 1903 passou a integrar o D. Maria II, onde fez a Madalena de Vilhena do Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, ou no ano seguinte, a Mariana do  Amor de Perdição  de Camilo, adaptado por D. João da Câmara, a Gonerill do Rei Lear, numa adaptação de Júlio Dantas e A Mártir, de Adolph d’Ennery, numa tradução de Guiomar Torresão. Ficaram também na memória o seu Compère da revista Corações à Larga (1915) a imitar a figura de Afonso Costa, para além de ter contracenado com Joaquim Costa em Castelos no Ar (1916) de Eduardo Schwalbach. Em 1919, integrou a Companhia do Teatro da Trindade, dirigida por Augusto Pina, para A Exilada(1919) e depois esteve no Teatro de São Carlos. Na sua longa carreira, Ângela tanto interpretou revista como comédia ou drama, tendo pisado os palcos da época no Porto, em Lisboa e no Brasil, em diversas digressões.

Por fim, em 1922, Ângela Pinto ainda entra no cinema, interpretando a criada Juliana na rodagem do filme mudo de O Primo Basílio, de Georges Pallu e da Invicta Film do Porto, estreado no ano seguinte no Condes em Lisboa e no Jardim Passos Manuel do Porto.

Na sua vida pessoal, foi conhecida como muito bondosa e caritativa, bem  como uma das grandes boémias de Lisboa, que amou livremente quem achou por bem, depois de em novinha a terem casado com um homem bastante mais velho de quem fugiu logo no dia do casamento. Fazia banquetes no Restaurante Tavares e ceias no Botequim Magrinho. Sabe-se que manteve um relacionamento com D. Luís do Rego e que viveu os seus  últimos dias com um amigo, no nº 3 da Rua da Emenda, assim como teria 2 netos  referidos numa notícia de 1938 sobre uma homenagem que lhe foi prestada no Retiro da Severa.

Aos 54 anos, Ângela Pinto ficou paralisada de um lado do corpo, em pleno palco do  Teatro Politeama, o que a impediu de trabalhar a partir daí e ainda nesse ano de 1923, foi homenageada pelos seus colegas a 19 de novembro, no Teatro de São Carlos, onde recebeu também as insígnias de Oficial da Ordem de Santiago e a receita desse espetáculo no valor de 32.173$64, que foi depositado na Casa Bancária Pinto & Sotto Mayor, para render juros e lhe permitir levantar uma pensão mensal. Os seus colegas atores também reclamaram ao Parlamento em maio de 1923 que lhe fosse concedida uma pensão mensal vitalícia que acabou fixada em 700 escudos. Faleceu na casa da Rua da Emenda, de onde saiu na carreta dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, de que Ângela Pinto era sócia honorária, para a Igreja das Chagas, de onde seguiu o funeral para o Cemitério dos Prazeres, para o jazigo 1500 da Rua 11, pertença da Associação dos Socorros Mútuos Montepio dos Actores Portugueses.

O Teatro Águia de Ouro do Porto também a agraciou com a colocação de uma lápide alusiva, o S.N.I. criou o Prémio Ângela Pinto para os Concursos de Arte Dramática e a 29 de janeiro de 1938, foi-lhe prestada ainda uma homenagem no Retiro da Severa, para além de o seu nome estar fixado também em Ruas da Charneca de Caparica, de Fernão Ferro e de Setúbal.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

Mariana Vilar numa Rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Lucinda Costa Alves Figueira, nascida algarvia em 1927, foi uma atriz de cinema, teatro e televisão que ficou conhecida pelo nome artístico de Mariana Vilar e ficou perpetuada numa artéria de Lisboa três anos depois do seu falecimento, em 2001.

Carnide foi a freguesia em que Rua A da Urbanização da Cerâmica de Carnide ( antiga Quinta das Barradas ), pela publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 2001,  com a legenda «Actriz/1927 – 1998», passou a ser a Rua Mariana Vilar, no topo da Rua Álvaro Benamor e paralela à Rua José Gamboa, outros dois nomes do teatro.

Lucinda Costa Alves Figueira (São Brás de Alportel/14.03.1927 – 29.04.1998/Lisboa) veio com a mãe para Lisboa em 1949, após o divórcio dos pais. Começou a sua carreira pelo cinema, concorrendo a uma audição na Lisboa-Filmes que venceu e assim lhe foi confiado o principal papel feminino nos filmes do realizador Henrique Campos: Rosa de Alfama (1952), Duas Causas (1953) e Quando o Mar Galgou a Terra (1954).  Ainda em 1954, Mariana Vilar também protagonizou Bom Dia Senhora Professora, uma curta metragem de Fernando Garcia para educação de adultos. Em 1982 João Mário Grilo trouxe-a de volta às telas cinematográficas, em A Estrangeira.

No teatro, estreou-se em 1954 na comédia Lua-de-Mel… Entre Três, ao lado de Irene Isidro, António Silva, Assis Pacheco e Barroso Lopes, no palco do  Monumental.  Prosseguiu em peças como Yerma (1955) de Garcia Lorca; Joana d’Arc de Jean Anouilh e Envelhecer  de Marcelino Mesquita, encenado por José Gamboa, ambas em 1956; a comédia musical João Valentão (1957) de Amadeu do Vale e encenada por Eugénio Salvador; A Cidade Não é Para Mim (1966); O Processo (1970) de Kafka encenado por Artur Ramos; tendo até 1971 pisado os palcos do Monumental, do Teatro Avenida, do Trindade na companhia Teatro d’Arte de Lisboa, do Maria Vitória,  do Villaret no «Grupo de Acção Teatral», para regressar aos palcos em 1981, na Casa da Comédia, para Seis Aparições de Lenine Sobre um Piano, uma peça de Noel Coward.

Na televisão, Mariana Vilar estreou-se em 1957 ou 58 em Querida Ruth e até 1971 surgiu em várias outras produções de teatro televisivo como Longa Ceia de Natal de Thorton Wilder, Nós os dois somos quatro de A. Vieira Pinto e Luiz Francisco Rebello (1959), Tanto Barulho por nada (1960), Os fidalgos da casa mourisca de Júlio Dinis Carmosina de Musset (1963), Poeira nos olhos de Labiche (1966), Fronteira de Mrozek (1969). Na década de oitenta participou na série Retalhos da Vida de um Médico (1980), no telefilme de Eduardo Geada Pôr do Sol no Areeiro  (1983), na telenovela Chuva na Areia (1985), baseada no romance Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão de Sttau Monteiro e ainda, no teledrama Todo o Amor é Amor de Perdição (1990), sobre o processo de Camilo e Ana Plácido, escrito por Luiz Francisco Rebello e realizado por Herlander Peyroteo.

Na sua vida particular foi casada com Luiz Francisco Rebello desde 1959 e o  casal teve um filha a que chamaram Catarina. Em 1962, o dramaturgo escreveu expressamente para ela a peça Condenados à Vida mas a censura não permitiu que subisse à cena, tal como lhe dedicou ainda obra Mariana Villar – Uma Existência Luminosa que organizou e  coordenou, publicada no ano 2000 pelas Edições Hugin.

Mariana Vilar também dá o seu nome a arruamentos de São Brás de Alportel, Cascais e Fernão Ferro.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Helena Félix do Teatro Estúdio de Lisboa na Feira Popular

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

No ano seguinte ao falecimento de Helena Félix, a atriz foi perpetuada numa Rua próxima do Teatro Vasco Santana , na Feira Popular, onde em 1964 havia fundado com Luzia Maria Martins o TEL- Teatro Estúdio de Lisboa, tendo sido a artéria oficialmente inaugurada no Dia Internacional da Mulher de 1993.

A partir da sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa para que Helena Félix desse nome a uma artéria lisboeta,  por deliberação camarária de 13/05/1992 e consequente Edital municipal de 18/05/1992, Helena Félix passou a ser o topónimo do Impasse 1 à Avenida das Forças Armadas (junto ao nº 34-A), com a legenda «Actriz/1920 – 1991».  A cerimónia de inauguração do arruamento foi agendada significativamente para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tal como aconteceu com a Rua Elvira Velez, tendo a placa toponímica da Rua Helena Félix sido descerrada por Luzia Martins, acompanhada pelo Vereador Anselmo Aníbal, Presidente da Comissão Municipal de Toponímia, tendo ainda usado da palavra Luiz Francisco Rebello, representante da Sociedade Portuguesa de Autores na Comissão Municipal de Toponímia.

Ao longo de meio século, Maria Helena de Carvalho Félix (Porto/10.04.1920 – 7 ou 17.03.1991/Lisboa) dignificou o teatro português com o seu talento e criatividade, usando a sua formação de dois anos de canto no Conservatório de Música do Porto e o estudo em Londres, de 1961 a 1964, onde frequentava um curso de aperfeiçoamento de Arte de Representar no Instituto Literário, cidade onde conheceu  Luzia Maria Martins que trabalhava na BBC.

Já antes,  em 1941, Helena se havia estreado como atriz na revista O jogo da laranjinha, no Teatro da Trindade, a partir daí trabalhando em teatro musicado, da opereta e da revista. De 1949 até 1961, integrou a Companhia Amélia Rey-Colaço/Robles Monteiro instalada no Teatro Nacional D. Maria II, em mais de 50 peças. E no regresso de Londres, em 1964, com Luzia Maria Martins e Valentina Trigo de Sousa, fundou a Companhia Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira companhia de teatro independente de Lisboa, instalada no Teatro Vasco Santana, na Feira Popular de Lisboa. O primeiro espetáculo aconteceu em dezembro de 1964,  sendo Joana de Lorena de Maxwell Anderson e até 1991 subiram a cena inúmeras peças de autores contemporâneos e de grande relevo, quer fossem portugueses – como  Sttau Monteiro, Fernando Luso Soares, Prista Monteiro e a própria Luzia Maria Martins – quer fossem estrangeiros – como John Osborne, Marguerite Duras, Rafael Alberti, Strindberg, Tchekov, Thornton Wilder ou Vaclav Havel.

Helena Félix também trabalhou no cinema, integrando os elencos de Aqui, Portugal (1947) de Armando de Miranda, Quando o Mar Galgou a Terra (1954) e Os Touros de Mary Foster (1972) de Henrique Campos, O Mal-Amado (1974) de Fernando Matos Silva e A Noite e a Madrugada (1985) de Artur Ramos.

Foi agraciada com  os Prémios Bordalo da Casa da Imprensa para melhor interpretação feminina (em 1968 e em 1970) nas peças A Louca de Chaillot de Jean Girardoux e Quem é esta mulher de Marguerite Duras e com a Medalha de Mérito Cultural (1990) do Ministério da Cultura. Helena Félix é ainda o topónimo de Ruas na Charneca da Caparica, Fernão Ferro e São Domingos de Rana.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua Laura Alves do Monumental

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Laura Alves,  atriz  cuja vida, carreira e popularidade ficou indelevelmente ligada ao Teatro Monumental, faleceu dois anos após a demolição deste e logo a edilidade decidiu atribuir o seu nome a uma artéria relativamente próxima da Praça Duque de Saldanha.

A Rainha do Palco, como era apelidada, retirou-se dele em 1983 e numa entrevista dada em junho desse ano afirmou «toca-me na pele» sobre o  Cine-Teatro Monumental, espaço a cuja destruição assistira, sendo o palco onde trabalhou 32 anos. Laura Alves faleceu aos 64 anos, em maio de 1986 e logo no mês seguinte, a deliberação camarária de 16 de junho atribuía o seu nome a uma artéria de Lisboa, sendo que consegui-la apenas foi possível dois anos depois e mudando o nome da Travessa Marquês de Sá da Bandeira para Rua Laura Alves, através do Edital municipal nº 21/1988 de 29 de fevereiro de 1988, justificando a Comissão Municipal de Toponímia a alteração dado «(…) que existem em Lisboa dois topónimos [uma rua e uma travessa], ambos perpetuando a memória do Marquês de Sá da Bandeira e que não se justifica essa duplicação, até pelos inconvenientes que daí resultam para a localização dos respectivos arruamentos.» No mesmo dia 29 de fevereiro de 1988, mas pelo Edital nº 22/1988, foi dado a uma rua contígua o nome da também atriz Ivone Silva, falecida em novembro de 1987. 

Laura Alves em 1956, com Alves da Costa
(Foto: Bourdain de Macedo, Arquivo Municipal de Lisboa)

Laura Alves Magno (Lisboa/08.09.1921 – 06.05.1986/Lisboa) foi uma popular artista que nasceu no nº 638 da Rua de São Bento, filha de Celestino Magno e de Mariana Alves. Frequentou a Escola Industrial Machado de Castro, onde conheceu o professor Lucena que a levou ao empresário Alves da Cunha, perante o qual prestou provas e assim se estreou profissionalmente em 20 de agosto de 1935, a 20 dias de fazer 14 anos, no palco do Teatro Politeama, interpretando a Gaby de As duas garotas de Paris, de Feuillade e Cartoux adaptada por Eduardo Schwalbach, ao lado de Alves da Cunha, Berta de Bívar e João Villaret.

Praticou diversos géneros, como a opereta, a revista, a comédia e o drama e passou do Politeama para o Teatro Nacional em 1939, onde fez duas épocas, representando ao lado de Palmira Bastos, Álvaro Benamor, Amélia Rey Colaço, Nascimento Fernandes, Maria Lalande e participando também em peças infantis, tendo interpretado ao longo da sua carreira cerca de 400 espetáculos nos palcos dos já referidos a que se somam o Variedades – a partir de 1941, na opereta Lisboa 1900, ao lado de Irene Isidro, António Silva ou Ribeirinho -, o Maria Vitória – onde em 1942 se iniciou no teatro de revista em Essa é que é essa, ao lado de Amália Rodrigues, Luísa Durão e Costinha -, o Trindade, o Avenida e o Apolo, até se fixar em 1951 no Monumental.

Mas dez anos antes do Monumental, dá-se a sua estreia no cinema,  em 1941, no filme O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro. Seguiram-se depois  O Pátio das Cantigas (1942) de Ribeirinho, o Leão da Estrela (1947) de Artur Duarte, Sonhar é Fácil (1951) de Perdigão Queiroga, Um Marido Solteiro (1952) de Fernando Garcia, O Costa d’África (1954) de João Mendes, Perdeu-se um Marido (1956) de Henrique Campos, O parque das ilusões (1963) numa produção de Perdigão Queiroga e O ladrão de quem se fala (1969) produzido pela Tobis Portuguesa. Também com diálogos inspirados no filme O Leão da Estrela, num guião de Francisco Matta, interpretou com Artur Agostinho o folhetim radiofónico Dois num automóvel.

Na sua vida pessoal, Laura Alves namorou com o compositor Frederico Valério mas em 25 de agosto de 1948 casou com o então ator de cinema Vasco Morgado, com quem  teve um único filho, Vasco Morgado Júnior, ator e produtor teatral. Divorciou-se do empresário teatral em 1967 e mais tarde,  em 18 de julho de 1979, casou com Frederico Valério.

Em 1949 associou-se a Irene Isidro, Ribeirinho, António Silva, Carlos Alves e Barroso Lopes, para fundar a Sociedade Artística que se apresentou durante dois anos no Teatro Apolo (antigo Teatro do Príncipe Real), na Rua da Palma e foi esta a 1ª empresa de Vasco Morgado como empresário teatral, a que seguiu a exploração em 1951,  do Teatro Monumental, na Praça Duque de Saldanha, inaugurado com a opereta de Strauss As três valsas. Laura Alves aprendeu até a dançar em pontas para este espectáculo de que Santos Carvalho era o encenador, Frederico Valério o diretor musical e regente da orquestra e Eugénio Salvador o ator e ensaiador coreográfico, tendo nas suas  3 épocas contracenado com nomes como Álvaro Pereira, Camilo de Oliveira, Graziela Mendes, João Villaret, Teresa Gomes ou Tomás Alcaide,  entre outros. Laura Alves atuou no Monumental até se retirar da carreira em 1983, sendo o seu último espetáculo Pai precisa-se, de Manuel Correia. Laura Alves faleceu três anos depois no seu apartamento na Avenida Praia da Vitória, próximo do Teatro Monumental, então já demolido.

Foi galardoada com o Óscar da Imprensa (1962) e o Prémio Lucinda Simões (1963); agraciada por Vasco Morgado com o seu nome num teatro (1968) na Rua da Palma que veio substituir o antigo cinema Rex até na década de oitenta do séc. XX passar a ser uma pensão;  homenageada como o filme Laura Alves, Evocação de uma actriz (1986), uma sessão pública no Politeama (2001), uma exposição na Junta de Freguesia de Santos-O-Velho (2012) e o documentário Laurinha (2012) de Cristina Ferreira Gomes para a RTP. Laura Alves, para além de ser a morada de alguns hotéis lisboetas, dá ainda o seu nome também a Ruas da Charneca da Caparica, de Odivelas, da Parede, da Pontinha, de Queluz e de São Domingos de Rana.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Elvira Velez no Dia Internacional da Mulher

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Elvira Velez, atriz de palco, do teatro radiofónico, do cinema e da televisão , foi consagrada numa artéria de Benfica, inaugurada significativamente no Dia Internacional da Mulher, como hoje, mas no ano de 1993.

A Rua Elvira Velez  passou a ser o topónimo do Impasse I à Rua da Quinta do Charquinho por deliberação camarária de 03/02/1993 e consequente Edital municipal de  04/02/1993, com a legenda «Actriz/1892 – 1981», passados quase doze anos após o falecimento da atriz, a partir de uma sugestão de vários admiradores seus enviada por carta à edilidade alfacinha. A cerimónia de inauguração da artéria foi agendada para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tendo sucedido nesse dia o mesmo com a Rua que consagrou a também atriz Helena Félix. O descerramento da placa toponímia foi feito pelo Vereador do Pelouro, Engº Rego Mendes, com o genro da homenageada, Igrejas Caeiro, tendo Appio Sottomayor usado da palavra em representação da Comissão Municipal de Toponímia.

Elvira Velez assina autógrafos, em 1960, no Jardim da Estrela
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elvira Sales Velez Pereira (Lisboa/19.11.1892 – 08.04.1981/Caxias), nasceu na então freguesia de Santa Isabel e dos 6 aos 18 anos foi viver com a família para Torres Novas, já que o seu pai era aí o empresário do Teatro da vila e, mesmo contrariando a vontade dele, começou por isso mesmo a desejar ser atriz. Depois de mudar para Tomar conseguiu aí  entrar num grupo de teatro de amadores e de novo em Lisboa, após várias tentativas de chegar à carreira teatral, conseguiu finalmente estrear-se  aos 21 anos, em 1913, no Teatro Moderno da Rua Álvaro Coutinho, na opereta Os Grotescos, com o consagrado ator cómico Augusto Costa (Costinha).

Elvira Velez passou a interpretar  comédia, tragédia, farsa, revista e opereta, tendo representado em quase todos os teatros do País e tendo começado na Companhia do Teatro Moderno, passou para a de Chaby Pinheiro no Teatro Apolo, também pelo elenco do Teatro de S. Luís, pela Companhia Palmira Bastos (1921), a de Vasco Santana e Alves da Cunha, a do ABC do Parque Mayer e a do seu genro  Igrejas Caeiro no Teatro Maria Matos.

Também na rádio Elvira Velez se destacou, sobretudo como a sogra do folhetim radiofónico Lélé e Zéquinha (1952), da autoria de Aníbal Nazaré e Nélson de Barros, contracenando com Irene Velez e  Vasco Santana que desempenhavam os protagonistas, programa produzido por Igrejas Caeiro, na Emissora Nacional, embora a atriz também tenha colaborado no Rádio Clube Português.

No cinema, fez parte do elenco dos filmes Aldeia da Roupa Branca de Chianca de Garcia e Sorte Grande de Erico Braga (1938);  Um Homem às Direitas (1944) de Jorge Brum do Canto; Três Dias Sem Deus (1946) de Bárbara Virgínia; O Comissário de Polícia de Constantino Esteves e Duas Causas de Henrique Campos (1953); Agora é que São Elas (1954) uma revista filmada por Fernando Garcia; O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e ainda mais dois filmes todos em 1960: As Pupilas do Senhor Reitor de Perdigão Queiroga e Encontro com a Vida de Artur Duarte.

Na televisão, era presença frequente nas peças das Noites de Teatro da RTP, nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, tendo também participado na série Lisboa em Camisa, realizada por Herlander Peyroteo em 15 episódios.

Na sua vida, Elvira Velez casou com o também ator Henrique Pereira, união da qual nasceu Irene Velez que viria a seguir a mesma carreira teatral, tendo a morada de família sido no nº 82 da Rua Passos Manuel.

Elvira Velez foi distinguida com o prémio Lucília Simões (1970) pela sua interpretação  no papel da Titi de A Relíquia, a partir do original de Eça de Queiroz, que esteve vários meses em exibição no Teatro Maria Matos e foi o fecho da sua carreira. Foi ainda agraciada com a Ordem de Santiago de Espada, assim como pela Caritas e pela Cruz Vermelha.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da dramaturga Virgínia Vitorino do D. Maria e da Emissora

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A escritora teatral e poetisa Virgínia Vitorino, ligada ao teatro radiofónico da Emissora Nacional e à Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro sediado no Teatro D. Maria II, foi o nome escolhido para topónimo da Rua I e Dois à Alameda das Linhas de Torres, dois anos após o seu falecimento, ficando a ligar a  Alameda das Linhas de Torres à Rua António Ferro ( que é a  Rua Luís de Freitas Branco desde 28.07.1975), a partir da publicação do Edital municipal de 29 de janeiro de 1969.

Ilustração Portuguesa, 7 de junho de 1920 [clicar na imagem para ver maior]

Virgínia Villa-Nova de Sousa Victorino (Alcobaça/13.08.1895 — 21.12.1967/Lisboa), licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa e também com o curso superior de Canto e Piano, bem como o geral de Harmonia e Italiano do Conservatório Nacional de Música, notabilizou-se primeiro como poetisa e  a partir dos anos trinta do séc. xx ligada ao teatro.

Sob o pseudónimo de Maria João do Vale, dirigiu o Teatro Radiofónico da Emissora Nacional de 1935 a 1951, divulgando poesia e teatro de autores portugueses e estrangeiros, principalmente brasileiros.  A convite do presidente Getúlio Vargas foi ao  Brasil,  por volta de 1937. Ainda na Emissora Nacional também integrou os júris de Jogos Florais da Primavera.

Era muito amiga de Amélia Rey Colaço, sendo ambas da mesma geração e as seis peças de teatro que escreveu , todas em 3 atos, foram também todas representadas pela Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro, no palco do Teatro D. Maria II, com muito sucesso. Também assim conheceu Fernanda de Castro, que veio a casar com António Ferro, e terá sido por essa via que recebeu a encomenda para redigir a sua 5ª peça, intitulada Camaradas (estreada em 1937 e publicada em 1938), uma peça de intenção social ao contrário da sua habitual temática do amor com algum pendor feminista, mas que recebeu o prémio Gil Vicente do SNI-Secretariado Nacional de Informação.  As outras cinco peças que escreveu foram Degredados (1931),  A Volta (1932), Fascinação (1933),  Manuela (1934) e Vendaval (1942).

Antes, na década de vinte, publicou quatro livros de poesia em sonetos de bom recorte, repetindo o tema da mulher sofredora e traída mas sempre apaixonada, tendo editado o seu primeiro à sua custa, intitulado Namorados (1920), que se esgotou em 6 dias e somou um total de 12 edições em Portugal e duas no Brasil, êxito que ainda lhe valeu no ano seguinte uma imitação satírica, da autoria da jornalista Marinha de Campos, intitulada Ironias de Namorados.  Em 13 de janeiro de 1922, em entrevista ao jornal A Pátria Virgínia Vitorino manifestou-se contrária a ser concedido o direito de voto às mulheres. Desde o início, Júlio Dantas apoiou-a enquanto escritora. Os outros seus três títulos de poesia foram Apaixonadamente (1923) com capa de Almada Negreiros numa das edições, Renúncia (1926) e Esta Palavra Saudade (1929).

Virgínia Vitorina foi também professora de liceu e do  Conservatório Nacional de Lisboa, tendo ainda deixado vasta colaboração em jornais e revistas portuguesas e brasileiras,  como o Diário de Lisboa ou O Século. Em Lisboa, teve casa na Rua das Flores, junto ao Largo do Barão de Quintela, mas quando foi viver para as Caldas da Rainha para casa de um amiga sempre que vinha à capital ficava antes no Hotel Borges, na Rua Garrett, onde faleceu.

Virgínia Vitorino foi caricaturada por Amarelhe e muitos outros, bem como retratada por Eduardo Malta, Teixeira Lopes, José Paulo Ferro, Manuela Pinheiro e também agraciada com o grau de Oficial da Ordem de Cristo (1929) e a Comendada Ordem de Santiago (1932), bem como a espanhola Cruz de D. Afonso XII (1930). Foi também homenageada com o Teatro Virgínia Victorino em Cabo Verde (na cidade da Praia) e o seu nome numa rua de Alcobaça, sua terra natal.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da Cooperativa de Caselas e a Rua Sara Afonso

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1988 que a Rua Sara Afonso é o topónimo oficial da artéria que antes era vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas, razão para que nos últimos 29 anos as duas denominações tenham coexistido no Bairro de Caselas.

Como era hábito fazer-se para os bairros sociais na década de 50 do século passado  também o Bairro de Caselas, traçado por  Couto Martins e construído em 1949, recebeu toponímia numérica para os seus arruamentos pelo Edital municipal de 15 de março de 1950. Entretanto, chegados os anos 80, a então Junta de Freguesia de São Francisco Xavier (hoje o território é pertença administrativa da Junta de Freguesia de Belém) solicitou à edilidade que fossem atribuídos topónimos aos arruamentos do Bairro de Caselas e assim sucedeu através do Edital municipal de 20 de abril de 1988 que atribuiu 12 topónimos em ruas, sendo 7 de mulheres, a saber:  a pintora Sara Afonso e 1ª mulher a frequentar as tertúlias de A Brasileira (Rua da Cooperativa de Caselas), a médica Carolina Ângelo e  1ª mulher a votar em Portugal (Rua 1), a republicana setecentista Leonor Pimentel (Rua 2), a pedagoga Alice Pestana (Rua 3),  Virgínia Quaresma a 1ª jornalista portuguesa (Rua 4), a 1ª notária portuguesa Aurora de Castro (Rua 6) e a escritora Olga Morais Sarmento (Rua 7).

Talvez por a Rua Sara Afonso não ter substituído um topónimo numérico, conforme era anseio dos moradores, mas antes um topónimo que popularmente lhe fora dado pelos residentes se tenha mantido na memória  da população do Bairro de Caselas.

Imagem relacionada

Família, 1937 (óleo sobre tela)

A Rua Sara Afonso, que liga a  Rua Carolina Ângelo à Rua Padre Reis Lima, homenageia  Sarah Affonso (Lisboa/ 13.05.1899 – 14.12.1983/Lisboa) a pintora alfacinha que foi uma das últimas discípulas de Columbano na Escola de Belas Artes de Lisboa, a que somou duas estadias em Academias livres de Paris (1923-1924 e 1928-1929) e a frequência das tertúlias de A Brasileira, nos anos trinta do séc. XX, que até aí eram território masculino.

Sara desenvolveu um estilo oriundo do imaginário popular minhoto, zona onde viveu dos 4 aos 15 anos, a que aliou uma intensa temática de noivados, maternidades e famílias, assim integrando a   segunda geração de pintores modernistas portugueses, com Bernardo Marques, Mário Eloy ou Carlos Botelho. Acabou  por  abandonar a pintura no final da década de quarenta, tendo ainda sido galardoada com o Prémio Amadeo de Sousa Cardoso (1944) do SNI. Na década seguinte regressou à ilustração de obras de literatura infantil com A Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen, para além de na sua carreira ter colaborado no grafismo das revistas Presença e Eva. A sua obra pictórica está representada no Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, bem como nos Museus de Bragança e de Amarante, tendo sido agraciada com Ordem de Santiago de Espada (1981). Dá também nome à Escola Básica e Jardim de Infância sita na Rua Almada Negreiros, nos Olivais.

Na sua vida pessoal, casou em 1934 com José de Almada Negreiros, passando a usar o nome de Sarah Affonso de Almada Negreiros, tendo tido dois filhos (José Afonso e Ana Paula) e residido no nº 42 da Rua de São Filipe Nery.

Freguesias de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)