Sete novos topónimos na freguesia do Lumiar

Pelo Edital nº 38/2017, de 17/03/2017,  foram atribuídos sete novos topónimos na freguesia do Lumiar:  Largo Gérard Castello-Lopes, Rua Irisalva Moita, Rua Isabel Magalhães Colaço, Rua Joaquim Rodrigo, Largo Michel’Angelo Lambertini, Rua Padre Manuel Antunes e Rua Pedro Bandeira Freire.

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

Cecília e Dinah, duas escritoras brasileiras na toponímia de Lisboa

Rua Cecília Meireles – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília Meireles em 1964 e Dinah Silveira de Queiroz em 1984, são duas escritoras brasileiras que a partir dessas datas ficaram inscritas na toponímia de Lisboa, em São Domingos de Benfica e em Marvila.

A Rua Cecília Meireles nasceu do Edital de 28/12/1964 nas Ruas A e B à Travessa de São Domingos de Benfica, pouco mais de um mês após o seu falecimento, e a Rua Dinah Silveira de Queiroz foi através do Edital de 28/02/1984, na Rua L1 da Zona L de Chelas, quase 2 anos após a sua morte, em resultado de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 11 de julho de 1983.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro/07.11.1901 – 09.11.1964/Rio de Janeiro), neta de açorianos, foi uma professora, cronista e poetisa brasileira que iniciou a sua carreira literária com a publicação do livro de poesia Espectro (1919). A sua vasta produção literária de poesia, teatro, romance e ensaio, conta com títulos como por exemplo, Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923); Baladas para El-Rei (1925); o ensaio O Espírito Vitorioso (1929); publica em Lisboa uma apologia do Simbolismo, a Saudação à menina de Portugal (1930), assim como o ensaio Batuque, Samba e Macumba (1935) com ilustrações de sua autoria; Viagem ( 1939) que lhe valeu o Prémio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras; Olhinhos de Gato, publicado em capítulos na revista Ocidente (1939-1940); uma biografia de Rui Barbosa para crianças Rui — Pequena História de uma Grande Vida (1949); Romanceiro da Inconfidência (1953) que foi adaptado para filme por Joaquim Pedro de Andrade com o título Os inconfidentes (1972); os ensaios Panorama Folclórico de Açores (1955), A Bíblia na Literatura Brasileira (1957) , Ou Isto ou Aquilo (1964) ou Solombra (1964) que foi Prémio Jabuti de Poesia.

Paralelamente, enquanto professora do magistério primário desde 1917, em escolas oficiais do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, espelhou a sua vertente de pedagoga em crónicas sobre educação, como a página diária no Diário de Notícias em 1930 e 1931, ensaios sobre educação e obras para crianças. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, no Bairro de Botafogo, no Centro Infantil que dirigia. Aposentou-se em 1951 como diretora de escola, trabalhando a partir de então como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Foi ainda docente de Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), de 1935 a 1938, assim como de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas em 1940. Proferiu ainda conferências na Europa, Estados Unidos, África e Ásia sobre Literatura, Educação e Folclore e colaborou também, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. 

Cecília Meireles recebeu as distinções de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli (1953) e Oficial da Ordem de Mérito do Chile (1952), para além do Prémio de Tradução/Teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (1962), do Prémio Jabuti de Tradução de Obra Literária da Câmara Brasileira do Livro (1963),  do Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1965),  e da sua efígie ser posta na nota de cem cruzados do  Banco Central do Brasil (1989).

O seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau do Bairro de Cangaíba em São Paulo (1963), à Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho em São Paulo (1974), à Biblioteca de Valparaiso no Chile (1964), ao grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa no Rio de Janeiro (1965), à Biblioteca Infanto-Juvenil no Bairro Alto da Lapa de São Paulo (1991), assim como foi consagrada em artérias de Ponta Delgada, do Porto, Curitiba, Itajaí, Ilha Comprida, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Xinguara do Pará, entre outras.

Na sua vida pessoal, casou-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, mas 5 anos após o suicídio deste casou-se com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo/09.11.1911 – 27.11.1982/Rio de Janeiro) foi uma escritora brasileira que abarcou diversos géneros, desde o romance, contos e crónicas, à literatura infantil. Escreveu Pecado (1937); a novela Sereia Verde (1938); Floradas na Serra (1939) que recebeu o Prémio Antônio de Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras e foi transposto para o cinema em 1955; os romance Margarida La Roque (1950) e A Muralha (1954); a peça bíblica O oitavo dia (1956); os contos Eles herdarão a terra (1960); Os invasores (1964); A Princesa dos Escravos (1965); Verão do Infiéis (1965) distinguido com o prémio de ficção da Prefeitura do Distrito Federal; Comba Malina (1969); O Livro dos Transportes (1969) dedicado ao público infantil e Memorial de Cristo (1974-1977). Foi laureada em 1954, com o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, pela Academia Brasileira de Letras.

Na sua vida pessoal casou-se em 1929 com o desembargador Narcélio de Queiroz, tendo enviuvado e em 1962, foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madrid, casando novamente nesse mesmo ano com o embaixador Dario Castro Alves (1927-2010), com quem residiu em Lisboa durante largos anos, e nesta cidade escreveu o seu último livro Guida, caríssima Guida (1981).

Dinah Silveira de Queiroz ainda escreveu artigos e crónicas para a Rádio Nacional, a Rádio Ministério da Educação e Jornal do Commercio no Brasil, para além de um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Foi a 2ª mulher membro da Academia Brasileira de Letras (1980), para além de ter integrado a Academia Paulista de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, e ter sido distinguida com o seu nome em artérias do Balneário Camboriú, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras.

Rua Dinah Silveira de Queiroz - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Rua Dinah Silveira de Queiroz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua da primeira pediatra portuguesa, Drª Sara Benoliel

Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

A primeira pediatra portuguesa, Sara Benoliel,  ficou perpetuada no Impasse 5 à Estrada de Moscavide, hoje na Freguesia do Parque das Nações, três meses após o seu falecimento através do Edital municipal de 26 de março de 1971, por despacho do Presidente da edilidade, então o Engº Santos e Castro, como Rua Drª Sara Benoliel, para homenagear a médica que numa época de grande mortalidade infantil se preocupou com a puericultura, esforçando-se por educar as mães e sensibilizar a sociedade geral para os cuidados a ter com uma criança, não a considerando um adulto em miniatura como era habitual na época.

dra-saraSara Barchilon Benoliel (Brasil-Manaus/1898 – 20.12.1970/Lisboa), filha de pais originários de Marrocos e formada na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1925, doutorou-se com uma tese sobre a meningite tuberculosa (1926) e naturalizou-se portuguesa em 1928. Especializou-se em Pediatria e construiu uma carreira multifacetada no decorrer da qual criou uma creche no Hospital D. Estefânia (1924), organizou o Dispensário do Tribunal de Infância (1930) com cursos de puericultura gratuitos para mães e raparigas, criou o Auxílio Maternal do Pessoal Feminino – ou masculino com filhos a cargo – dos Hospitais Civis (1931), primeiro na Rua Senhora do Monte e depois, no Hospital dos Capuchos. Exerceu pediatria no Hospital D. Estefânia como assistente do Prof. Salazar de Sousa (1927-1935) – que introduziu em Portugal a especialidade de Pediatria -, bem como na consulta de latentes da Faculdade de Medicina de Lisboa (a partir de 1935), no Jardim Escola de João de Deus e na Beneficência de S. Mamede, no Dispensário Popular de Alcântara (1938-1942) e no Centro de Assistência Social à Infância (1943-1951), no Instituto Maternal (1951-1953) e como pediatra das Caixas de Previdência (a partir do final da década de cinquenta).

Dos seus trabalhos publicados destacam-se  Algumas Notas sobre a Assistência Maternal e Infantil no Estrangeiro (1927), Os Preconceitos em Puericultura e a Maneira de Combatê-los (1935)Subsídios para a História da Pediatria em Portugal (1938).

Sara Benoliel foi também uma das primeiras mulheres do seu tempo a conduzir um automóvel, o que causou algum escândalo, para além de ter sido ativista do Hehaber, Associação da Juventude Israelita criada em 1925 por jovens israelitas de Lisboa, com sede na Rua Alexandre Herculano, que teve um papel relevante durante a II Guerra Mundial, a apoiar refugiados de Hitler que procuraram asilo em Portugal e também integrou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Para além de Lisboa, Sara Benoliel dá nome a artérias de Fernão Ferro e Rio de Mouro.

Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

A Travessa das Freiras da «Sopa de Arroios»

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Um Edital municipal de 20 abril de 1916 atribuiu a Travessa das Freiras a Arroios, para não ser confundida com  a Travessa das Freiras ( Clarissas) próxima do Campo de Santa Clara, em São Vicente, e tanto mais que as freiras de Arroios são as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios que  em 1807 por via das invasões napoleónicas popularizaram a Sopa de Arroios.

Esta Travessa ganhou o seu topónimo pela proximidade à antiga Azinhaga das Freiras, que antes já fora a Azinhaga do Leão, e hoje o espaço dessa Azinhaga é o das Ruas Alves Torgo e Quirino da Fonseca.

Freguesia de Arroios                     (Planta: Sérgio Dias)

As freiras que originaram este topónimo eram as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios. O espaço começou por ser o Noviciado masculino das Missões da Índia de São Francisco Xavier, da Companhia de Jesus, que formava missionários para a evangelização no Oriente. Resultou da vontade do clérigo João Serrão que em 1697 deixou em testamento uma quinta em Frielas para a sua fundação. Porém, imposição régia determinou que ficasse mais perto de Lisboa, numa Quinta de Arroios junto à Estrada de Sacavém, pelo que D. Catarina de Bragança apoiou financeiramente a sua construção, tendo como contrapartida a escolha da invocação de São Francisco Xavier para o noviciado embora para satisfazer também o desejo do Padre João Serrão tenha sido atribuído o orago de Nossa Senhora de Nazaré à igreja. Com planta do Arqº João Antunes o edifício ficou concluído para os primeiros noviços em  1735. Em  1759 os  Jesuítas foram expulsos do nosso país e a a partir de 1766 passou a ser um convento feminino franciscano da Ordem da Imaculada Conceição, vindas do destruído Convento de Nossa Senhora da Luz, em Carnide, e passou então a denominar-se Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz em Arroios.

São estas freiras que na altura da primeira invasão francesa, em 1807, começaram a fazer distribuição diária de sopa à população carenciada popularizando assim a Sopa de Arroios. Em 1890 o convento foi extinto por morte da última religiosa (madre Maria de São José) e dois anos depois foi instalado um hospital no edifício. Entre 1916 e 1917 a Câmara adquiriu ao Estado 10.615 m2 da cerca do Hospital de Arroios para fazer o 2º troço da Avenida Almirante Reis – entre a Estrada da Circunvalação e a Alameda – e construir a rotunda da futura Praça do Chile.

Esta Travessa das Freiras a Arroios em 1910 era ainda parte da Azinhaga das Freiras e foi nela que o Almirante Cândido dos Reis se suicidou algumas horas antes da implantação da República em Portugal, na madrugada de 4 de outubro, julgando a causa perdida e após ter visitado as suas irmãs que residiam naquela zona. Foi considerado um dos primeiros mártires da revolução, tal como Miguel Bombarda, tendo ambos tido um funeral conjunto  no dia 6 de outubro.

Placa de homenagem a Cândido dos Reis colocada pela CML em 1911 na Travessa das Freiras (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Placa de homenagem a Cândido dos Reis, colocada pela CML em 1911, no local onde foi encontrado morto
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua do Cine-Bélgica/Universal e a Duquesa de Palmela

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Beneficência foi atribuída ainda em vida da 3ª Duquesa de Palmela,  Maria Luísa Holstein, pelo Edital de 18 de dezembro de 1903, que nessa época ligava o Largo do Rego à Palma de Cima, perpetuando as iniciativas beneméritas da homenageada.

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Vinte e cinco anos depois, em 1928, abriu portas no nº 175 deste arruamento o Cine-Bélgica, por se situar no Bairro da Bélgica, com uma  lotação de 500 lugares que em  1933 foi também equipado com uma aparelhagem de som. Em 1968 pensaram denominá-lo Cinema Universitário mas ficou a designar-se Cinema Universal e cinco anos depois (1973) já pertencia à Animatógrafo, dirigida pelo produtor e realizador António da Cunha Telles tendo em 1980 dado  lugar ao Rock Rendez-Vous, que encerrou em 27 de julho de 1990.

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

Hoje a Rua da Beneficência liga a Avenida de Berna à Rua Alberto de Sousa e fixa na memória da cidade Maria Luísa Domingas de Sales de Borja de Assis de Paula de Sousa Holstein (Lisboa/04.08.1841-02.09.1909/Sintra) cuja filantropia lhe concedeu um lugar único no panorama nacional, nomeadamente, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, nos Socorros a Náufragos, em asilos, missões ultramarinas, institutos de auxílio à infância e na fundação das Cozinhas Económicas, com a sua prima Maria Isabel Saint-Lèger, tendo sido a sua primeira presidente. A Duquesa de Palmela para além de dama da Rainha D. Amélia dedicou-se também à escultura, havendo trabalhos seus no Museu do Chiado e na Sociedade de Geografia de Lisboa, assim como se interessou pela cerâmica e juntamente com a Condessa de Ficalho fundou a Fábrica do Ratinho no seu próprio palácio. Foi distinguida com a Ordem de Santiago, a Ordem de Santa Isabel, a Ordem de Maria Luísa (Espanha) e a Académica de Mérito da Academia Nacional de Belas-Artes.

Passados 86 anos, pelo Edital de 25 de janeiro de 1989, a edilidade lisboeta voltou a perpetuá-la em Lisboa num arruamento de Alcântara junto à Rua da Cozinha Económica: Rua Maria Luísa Holstein.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da Constança que era a pianista Nina

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A pianista Constança Marques Pereira que preferia ser conhecida como Nina Marques Pereira, está perpetuada numa artéria de Benfica, na sequência de uma sugestão do jornal O Século, tendo sido fixada na  Rua Projetada à Avenida Gomes Pereira pela publicação do Edital municipal de 25/10/1971, com a legenda «Pianista/1911 – 1968».

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De seu nome completo Constança Carlota Prazeres Marques Pereira (Goa/21.02.1911 – 25.08.1968/Lisboa), arribou a Lisboa em 1928 e concluiu o Curso Superior do Conservatório Nacional com 20 valores, em 1931, tendo sido aluna do mestre António Duarte da Costa Reis. Foi depois bolseira do Instituto de Alta Cultura em Paris, onde fez o Curso de Virtuosidade como discípula  de Alfred Corlot.

Tornou-se uma pianista muito aclamada, sobretudo como solista da Orquestra Sinfónica Nacional, sob a regência dos maestros Pedro de Freitas Branco, Pedro Blanc ou Jaime Silva (Filho). Tocou em Paris, Londres, Lourenço Marques e outras cidades africanas, nos Açores,na Madeira, no Conservatório do Porto, no Rivoli, na Sociedade de Música de Câmara, no São Carlos, no Trindade de Lisboa ou no Pavilhão dos Desportos, a convite da Câmara Municipal de Lisboa.  Deu ainda concertos em Espanha, Suíça, Bélgica e Holanda, privilegiando sempre os compositores nacionais como Domingos Bomtempo, Francisco António de Almeida ou Viana da Mota.

Na rádio, executou para a Emissora Nacional as 32 sonatas de Beethoven e também transcrições para piano de obras de cravistas portugueses, assim como também cumpriu vários contratos com a BBC londrina. Em paralelo com a sua carreira de pianista, Nina  organizou também Festivais de Música no Funchal (1964), em Lisboa (1966) e no Porto (1967) para além de ter abraçado o projeto de ensino artístico Pássaro Azul, no Parque Infantil das Necessidades, dirigido por Fernanda de Castro, onde foi  uma das professoras como Arminda Correia (na Música), Águeda Sena e Ana Máscolo (na Dança),   Eunice Muñoz e Carmen Dolores  (Teatro) ou Sarah Afonso (Pintura), entre outras.

Foi distinguida com os Prémios Oficial do Conservatório (1932), Beethoven(1933), Viana da Mota  e o Oficialato da Ordem de Santiago da Espada (1967).

Faleceu na sua casa na Rua Padre António Vieira, nº 1 – r/c esqº, em Lisboa.

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

Maria Albertina, voz do vira Tricanas de Ovar e do fado de Lisboa, numa rua do Bairro da Cruz Vermelha

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A partir de uma solicitação do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar,  a edilidade promoveu a junção da Rua  C com o Largo C do Bairro Municipal da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar, para fazer nascer a Rua Maria Albertina, cerca de três meses após o falecimento desta cantora, conhecida tanto por interpretar viras como As Tricanas de Ovar como por fado de Lisboa, mas também  famosa em Lisboa por integrar o elenco de operetas e revistas.

A Rua Maria Albertina, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de junho de 1985, com a legenda «Cantadeira/1909 – 1985», e  nos dias de hoje liga a Rua Maria Margarida à Avenida David-Mourão Ferreira. Na época da atribuição deste topónimo, o Bairro Municipal da Cruz Vermelha – nascido em janeiro de 1967- era conhecido popularmente como o Bairro das Marias já que contava em exclusivo com topónimos com «Maria»: a Rua das Duas Marias, a Rua das Três Marias, a Rua das Quatro Marias, a Rua das Cinco Marias e o Largo das Seis Marias, bem como as Ruas Maria Emília, Maria Teresa, Maria Helena, Maria Ribeiro, Maria Carlota e Maria Margarida, de que hoje apenas restam estas duas últimas. Mantendo a tradição, a edilidade lisboeta acrescentou no ano 2000 mais três topónimos com Maria, e todos ligados ao Fado: Rua Maria Alice, Rua Maria do Carmo Torres e Rua Maria José da Guia.

A fadista  Maria Albertina Soares de Paiva (Ovar/05.01.1909- 27.03.1985/Lisboa),   conhecida simplesmente como Maria Albertina, viveu grande parte da sua vida na capital, onde o seu talento de cançonetista e de intérprete de opereta e de revista atingiu assinalável êxito.

Maria Albertina começou por cantar Fado de Coimbra ainda na sua terra natal e após ter sido descoberta pelo maestro Macedo de Brito, estreou-se como cantadeira em Lisboa, em 16 de julho de 1931,  no Teatro Maria Vitória, na opereta História do Fado,  ao lado de Berta Cardoso e Maria das Neves. Logo no ano seguinte ganhou em julho o prémio Guitarra de Ouro, num concurso organizado pelos jornais Diário de Notícias e O Século no Capitólio tal como em setembro alcançou o prémio  Capacete de Ouro; em 1936 venceu o concurso Qual a mais famosa artista do teatro português? e ainda conseguiu o título de Melhor cantadeira  num concurso da Rádio Luso. Ainda nos anos 30 inaugurou o Retiro da Severa no Luna Parque e em 1934 tornou-se também atriz na revista Vista Alegre, na qual encenou com Carlos Ramos o célebre quadro de Malhoa O Fado, a que se seguiram em 1935 os sucessos de Viva a folia!,  Bola de neveO RapaSardinha assada e no ano seguinte, À vara largaFeira de Agosto, a opereta Coração de AlfamaHá festa na MourariaMaria RitaÁgua vai em 1937.

Cantou também nos teatros Ginásio, Maria Vitória, no Grémio Alentejano e no Maxim’s, no Solar da Alegria e no Salão de Chá do Café Chave d’Ouro, em esperas de touros em Vila Franca de Xira, e também em casas particulares como a da Duquesa de Palmela, do banqueiro Ricardo Espírito Santo e nos palácios do Conde da Torre e de Fontalva, para além de digressões pelo Brasil, Argentina, Espanha, E.U.A, Canadá e Paris.

Os seus maiores sucessos musicais foram Voz do Povo,  Fado Meu Filho e Bailarico Saloio e sobretudo,o vira  Tricanas de Ovar (de Aníbal de Nazaré e de Lopes Costa) criado para o teatro de revista e que em 1966 o  locutor Jorge Alves exibiu no programa da RTP Melodias de Sempre.  Em 1998, foi editado em CD uma compilação de 16 faixas  das suas músicas.

Em 1941 Maria Albertina entrou na Grande Marcha de Lisboa e a partir da década 60, e durante mais de 20 anos, cantou no Restaurante Típico O Faia, na Rua da Barroca nºs 54-56, no Bairro Alto.

No cinema, participou em A Canção de Lisboa (1933) de Cottinelli Telmo, cantando o fado mouraria Fado dos beijos quentes; em Bocage (1936) para cantar Bailarico Saloio e ainda integrou o elenco de Vendaval Maravilhoso (1949), ambos filmes de Leitão de Barros.

Refira-se finalmente que Maria Albertina foi mãe do locutor Cândido Mota.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua da violoncelista Adriana de Vecchi, da Fundação Musical Amigos das Crianças

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Adriana de Vecchi, violoncelista que com o seu marido, o também violoncelista Fernando Costa, criou a Fundação Musical Amigos das Crianças, dá o seu nome a uma rua do Alto do Lumiar, onde se concentra um pólo de topónimos ligados à música desde o Dia da Música de 2004.

A Rua Adriana de Vecchi, com início na Rua Shegundo Galarza e fim na Rua Ferrer Trindade,  foi atribuída por Edital Municipal de 15/12/2003 no arruamento identificado como Rua A da Malha 7 e Rua 7.11 mais a Rua 7.12 do Alto do Lumiar. Pelo mesmo Edital e na mesma zona foram atribuídos mais 6 topónimos –  Rua Luís Piçarra, Rua Nóbrega e Sousa, Rua Belo Marques, Rua Shegundo Galarza, Rua Tomás Del Negro e Rua Arminda Correia – que junto com a Alameda da Música foram inaugurados no dia 1 de Outubro de 2004,  formando um Bairro da Música nesta zona da cidade.

adriana-de-vecchi

Adriana de Vecchi e Costa (Viana do Castelo/14.09.1896 – 1995), filha de mãe italiana e de pai português, foi educada em Itália a partir dos 2 anos, tendo estudado piano e violoncelo no Conservatório de Turim para além de ter concluído o curso de Pedagogia pelo método da educadora Maria Montessori.

Em Lisboa conheceu aquele que viria a ser o seu marido,  o violoncelista Fernando Costa, e com ele gerou em 29 de junho de 1953 a Fundação Musical Amigos das Crianças, com o apoio de Sofia Abecassis, que disponibilizou salas da sua residência no nº 97 da Rua Saraiva de Carvalho para o efeito, depois de ouvir no Museu João de Deus a conferência de Adriana «O Ensino da Música na infância e a sua projecção no futuro», em 15 de junho desse ano. Essa escola de música começou com aulas de violoncelo dadas por Adriana de Vecchi, aulas de piano por Abreu Mota, aulas de violino por Lamy Reis e aulas de Canto Coral por Jaime Silva. Adriana criou ainda material didático para ensino de música a crianças em idade pré-escolar. A Fundação desempenhou assim um papel pioneiro em Portugal no ensino da música desde a infância.

Rapidamente os alunos começaram a apresentar-se em concertos em Lisboa, tanto em bairros camarários como em cerimónias oficiais. Adriana de Vecchi criou ainda, com o apoio da  Câmara Municipal de Lisboa, as Tardes Culturais para a Infância, na Estufa Fria, a que assistiram em 8 de maio de 1959 o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o Rei Humberto de Itália. Organizou também as Jornadas de Divulgação Musical um pouco por todo o país, conseguindo assim, em 1960, a 1ª apresentação de uma orquestra na Madeira.

Também foi a partir da Escola de Música da Fundação que foi gerada a Orquestra Juvenil de Instrumentos de Arco da FMAC, dirigida por Fernando Costa, da qual saíram na década de 60 os primeiros jovens para os quadros da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, que mais tarde seria a Orquestra Sinfónica da RDP, enquanto outros alunos integraram a Orquestra Gulbenkian e a Orquestra Sinfónica Portuguesa. No âmbito do ensino artístico especializado a  Fundação também celebrou protocolos com várias escolas como a Josefa de Óbidos e a Manuel da Maia, em Lisboa.

A Fundação fundada por Adriana de Vecchi que hoje se designa por Academia Musical dos Amigos das Crianças, com sede no 1.º andar do n.º 19 da Rua Dom Luís I, já editou três discos – Canções Tradicionais Portuguesas, Cantar o Natal e Clássicos Madeirenses – publicou a partitura do Quarteto em Lá menor de Fernando Costa, e um livro sobre a Nova Técnica de Contrabaixo, de Álvaro Silva.

A Fundação Musical Amigos das Crianças foi condecorada com a Medalha de Mérito Cultural ( 1985) e reconhecida como Instituição de Utilidade Pública (1992), enquanto Adriana de Vecchi foi agraciada com a Medalha de Música e a Comenda da Ordem de Instrução Pública (1984), bem como com o título de Cavaleiro da Ordem de Mérito da República Italiana.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da fidalga fadista Maria Teresa de Noronha

Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

A fidalga Maria Teresa de Noronha que cedo se fez fadista e pela rádio foi divulgada e conhecida como voz do fado aristocrático,  deu nome à Rua 18 do Bairro do Caramão da Ajuda, por Edital de 16/01/1995, a partir da sugestão de uma moção de pesar da Câmara de Lisboa de 7 de julho de 1994,  juntando-se neste bairro à Rua Hermínia Silva, que desde o Edital de 31/08/1993 tinha passado a ser o topónimo da antiga Rua 15.

A escassez de novas artérias em Lisboa no início da década de noventa do séc. XX, fez com que a edilidade aproveitasse as ruas de denominação numérica e as renomeasse. Assim, a Rua Teresa de Noronha foi atribuída na Rua 18 do Bairro do Caramão da Ajuda, sendo acompanhada no mesmo Edital pela Rua Irene Isidro – Actriz/1907 – 1993  (Rua 16), a Rua Jorge Brum do Canto – Cineasta/1910 – 1994  (Rua 19) e a Rua dos Cravos de Abril (Rua 17), uma homenagem ao 25 de Abril de 1974.

Maria Teresa do Carmo de Noronha de Guimarães Serôdio (Lisboa/07.11.1918 – 04.07.1993/Sintra) foi uma fadista do fado clássico e castiço, sendo considerada uma voz do fado aristocrático, que se notabilizou arredada do circuito das casas de fado mas antes transmitida ao vivo pela rádio.  Decidiu retirar-se da vida artística em 1962 com uma grandiosa festa de homenagem mas pontualmente, terá feito aparições públicas sendo a última  em 1974, em Cascais, onde fora ouvir Manuel de Almeida e este lhe pediu que cantasse.

Maria Teresa de Noronha (ou Baté para os amigos) teve educação musical de piano e canto e desde nova cantava em festas da família e de amigos. Era descendente dos Condes de Paraty, filha de D. António Maria Sales do Carmo de Noronha e de D. Maria Carlota Appleton de Noronha Cordeiro Feio e pelo casamento, a 17 de dezembro de 1947, com o conde José António Barbosa de Guimarães Serôdio, guitarrista amador e compositor, tornou-se Condessa de Sabrosa. Pelo seu irmão foi tia do fadista Vicente da Câmara.

Em 1938, a fadista começou a fazer-se ouvir num programa quinzenal na Emissora Nacional que se manteve em emissão durante 23 anos consecutivos. Era apresentado pelo seu irmão D. João da Câmara e composto por quatro fados e uma guitarrada. Maria Teresa de Noronha era acompanhada pelo guitarrista Fernando Freitas e pelo violista Abel Negrão. Com o seu timbre peculiar ousou cantar temas do fado de Coimbra numa altura em que apenas as vozes masculinas eram suposto fazê-lo. Entre os diversos instrumentistas que a acompanharam nos seus programas, destaque-se o guitarrista Raúl Nery que com ela colaborou ao longo de vinte anos, nomeadamente na deslocação a Espanha em junho de 1946, no Festival da Feira do Livro de Barcelona e em Madrid, no Hotel Ritz, a convite do Governo espanhol . Em 1949, Maria Teresa de Noronha também viajou até ao Brasil, por ocasião da voo de inauguração entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Em 6 de maio de 1957,  cantou no banquete oferecido ao Prefeito da Baía, no Castelo de São Jorge, pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto. Na década de sessenta interpretou fado para a família real do Principado do Mónaco e em 1964, deslocou-se a Londres para espetáculos na Embaixada e na Casa de Portugal, bem como na BBC (rádio e televisão), acompanhada pelo conjunto de guitarras de Raúl Nery.

O primeiro álbum de Maria Teresa de Noronha,  O Fado dos Cinco Estilos, foi gravado em 1939 na antiga Emissora Nacional, seguindo-se com alguma regularidade mais alguns exemplares no formato 78 RPM,  até editar o seu último LP em 1972. Duas das apresentações de Maria Teresa de Noronha em programas da RTP (em 1959 e em 1968) foram editados mais tarde  numa cassete video sob o título Recordando Maria Teresa de Noronha e um álbum dos seus maiores êxitos saiu na Valentim de Carvalho em 1993.

Maria Teresa de Noronha baseou o seu repertório nos fados castiços que mais apreciava, em detrimento do fado canção, interpretando poemas muitas vezes recolhidos no seu universo familiar, como é o caso dos temas Fado das Horas, Fado da Verdade, Sete Letras e Fado de Rio Maior, todos da autoria de D. António de Bragança. A fadista tornou grandes êxitos populares o Fado Corrido,  o Fado Hilário e o Fado Anadia, que na sua voz e dicção perfeita ganhavam uma qualidade de interpretação que rivalizava com os temas mais populares do seu repertório, caso de Minhas Penas ou Pintadinho.

Freguesia da Ajuda (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)