O compositor teatral Wenceslau Pinto numa Rua de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC/ Planta: Sérgio Dias| NT do DPC) )

Compositor sobretudo de teatro, maestro e professor, Wenceslau Pinto está desde 2008 como topónimo da Rua que liga a Rua Maluda à Rua Barata Feyo, na freguesia de Santa Clara, numa zona em que a toponímia comporta nomes de figuras de diversas artes.

A sugestão partiu de António Valdemar, enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, considerando ser «figura de Lisboa que merece ser assinalada na toponímia da cidade». A concretização nasceu da publicação do Edital municipal de 3 de julho de 2008 na Rua 5 (projetada ao Bairro das Galinheiras), o mesmo que colocou o guitarrista Jaime Santos na Rua 4 e o maestro Carlos Rocha na Rua 6. Cerca de um ano e 3 meses antes, por Edital de 27 de abril de 2007, já haviam sido dados neste bairro os nomes da fadista Berta Cardoso (à Rua 3), do escultor Barata Feyo (Rua 2) e da pintora Maluda (Rua 1).

Refira-se ainda que nas proximidades existe também um núcleo toponímico teatral anterior que através do Edital municipal de 14/07/2004 juntou as Ruas Raul Carvalho, Arnaldo Assis Pacheco, António Vilar, José Viana e Varela Silva aos nomes que ali se fixaram pelo Edital de 19 de abril desse mesmo ano:  a Rua Fernanda Alves e a Rua Fernando Gusmão. Em  2009, por Edital de 16 de setembro, ganhou mais a Rua Artur Ramos e a Avenida Glicínia Quartin.

Wenceslau Pinto (Oliveira do Hospital/1883 – 1973/Lisboa), educado na Casa Pia,  tornou-se maestro e compositor com o curso de Contraponto, Composição e de Oboé do Conservatório Nacional, escola onde foi também professor de Composição de 1919 a 1953. Também  foi docente da Sociedade de Concertos e Escola de Música, na Rua do Alecrim nº 17, como se pode ver na publicidade da época.

Fez parte da primeira equipa escolar de futebol da Casa Pia e começou a sua carreira musical como primeiro-oboísta nas orquestras de Lambertini, Pedro Blanch, Viana da Mota e David de Sousa, tendo sido um dos sócios fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP) em 1925, estrutura presidida por Júlio Dantas.

Ao longo da sua carreira teve a função de diretor musical de várias companhias teatrais ( como as de Taveira, de Luís Galhardo, de Estêvão Amarante ou de Armando de Vasconcelos), assim como regeu a Orquestra Sinfónica Popular da Emissora Nacional. Wenceslau Pinto compôs sinfonias, quartetos, canções para piano e canto, o quadro sinfónico Fandango, o poema sinfónico 1140 ou o auto Nun’Álvares, bem como inúmeras operetas de que se destacam Pérola Negra (1922), Poço do Bispo, Onze Mil Virgens, Flor do Bairro ou El-Rei Soviet. Também musicou comédias e teatro de revista e ainda escreveu música para os seguintes filmes: Mademoiselle Écran (1919), A Revolução de Maio (1937), Viagem de Sua Excelência o Presidente da República a Angola (1939), Feitiço do Império (1940) com Jaime Silva Filho e algumas canções para Rapsódia Portuguesa (1959).

No fado, ainda hoje se recordam êxitos seus, em conjunto com Raúl Portela e Alves Coelho, concebidos para o teatro, como o Fado do Bairro Alto e o Fado das Iscas (1927), criados para a  opereta Bairro Alto. Para o Parque Mayer produziu o Fado Culinário, tema de autoria partilhada com Álvaro Santos, António Lopes, Lopo Lauer, Gustavo Matos Sequeira e Lino Ferreira. Wenceslau Pinto concebeu ainda três fados que foram grandes sucessos: o Fado Ganga – que esteve proibido de passar na Emissora Nacional -, o Fado Maioral e o Fado Pão de Ló para o vaudeville homónimo.

Por último, recorde-se a sua colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, particularmente nos anos de 1961 e 1962, em que a edilidade lhe comprou a partitura O Aqueduto das Águas Livres e outros temas relacionados com a cidade e Wenceslau Pinto regeu alguns concertos da Orquestra Filarmónica de Lisboa, no Pavilhão dos Desportos.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo de Lambertini, o homem dos 7 ofícios musicais

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Michel’Angelo Lambertini homenageia na freguesia do Lumiar o homem dos 7 ofícios na arte musical – pianista, maestro e compositor, musicólogo e organizador de eventos, professor de canto, editor e comerciante de instrumentos musicais -,  assim existindo desde a publicação do Edital municipal de 17 de março de 2017 no largo interior formado entre a Alameda das Linhas de Torres, a Rua Luís de Freitas Branco e a Rua Virgínia Vitorino, a partir de uma sugestão de Miguel Lambertini Gouveia à Autarquia lisboeta.

O Occidente, 20 de novembro de 1907

Michel’Angelo Lambertini (Porto/14.04.1862 – 21.12.1920/Lisboa) foi um pianista, maestro e compositor, musicógrafo e organizador de eventos, professor de canto coral, além de editor da revista A Arte Musical e ainda, comerciante lisboeta de fabrico e revenda de instrumentos musicais.

Neto do compositor e construtor de pianos Luiz Joaquin Lambertini  – que veio para Lisboa em 1864 e montou a sua 1ª fábrica no Palacete do então Largo de São Roque [hoje Largo Trindade Coelho] à esquina da Travessa da Queimada – começou a estudar piano aos 6 anos no Conservatório. Concluiu os cursos de Piano (1879) e de Harmonia e Contraponto (1881) no Real Conservatório de Lisboa, bem como o Instituto Comercial e o Liceu.

O seu grande sonho foi criar um Museu Instrumental em Lisboa. Recomendado por vultos da I República como José Relvas,  foi incumbido por portaria de 22/12/1911  da recolha e ordenação dos instrumentos musicais que encontrasse em edifícios públicos ou religiosos, sem quaisquer custos para o Estado e desempenhou essa missão até à sua morte. Dos contributos recebidos ia dando notícia no seu quinzenário A Arte Musical.  A partir de janeiro de 1912, as peças eram colocadas em exíguas salas do Palácio das Necessidades e sobre essa experiência publicou O Museu Instrumental e as minhas relações com o Estado (1913). O seu sonho não esmoreceu e publica Primeiro nucleo de um museu instrumental em Lisboa : catalogo summario (1914) para no ano seguinte, o Decreto nº 1681, de 28 de junho, o instituir no Conservatório e nomeando Lambertini conservador mas que ficou sem execução prática. Assim, num andar do Palácio Quintela da Rua do Alecrim, instalou e dirigiu o Museu Instrumental Português, com cerca de cinco centenas de peças. A partir de 1929 o espólio do Museu Instrumental foi sendo adquirido pelo Conservatório Nacional e é deste modo que a herança de Lambertini , através de inúmeras vicissitudes, passa a ser uma parte considerável do atual acervo do Museu Nacional da Música, na Estação do Metropolitano dos Altos do Moinhos, em Lisboa.

Na cultura portuguesa de finais do século XIX, princípios do século XX, Michel’Angelo Lambertini foi relevante como organizador e animador de eventos musicais e literários, a ponto de Margarida Rebocho Ferreira o classificar como «benemérito  na cultura da música do Portugal dos inícios de novecentos». Foi o promotor da representação Portuguesa à Exposição Musical de Milão de 1881 – tendo conseguido reunir 121 obras-, o fundador da Sociedade de Música de Câmara em 1899 bem como da Grande Orquestra Portuguesa em 1907, para além de ter sido o responsável pela primeira apresentação em Portugal da Filarmónica de Berlim, em 1901.

Lambertini foi o autor do 1ª grande síntese da história musical portuguesa, publicado em 1915, na Encyclopédie de la Musique Et Dictionnaire du Conservatoire, dirigida por Lavignac. No mesmo ano publicou Pela Índia, sobre a música desse país. Já em 1900, editara os 2 volumes do Diccionario Biograhico de Músicos Portuguezes de Ernesto Vieira e  editou e dirigiu a sua revista A Arte Musical fazendo-a publicar de 15 de janeiro 1889 a 31 de dezembro de 1915, sendo que já nos seus 15 anos  havia sido redator da revista musical A Chitara – revista de musica e theatros, sedeada na Rua do Benformoso nº 266.

Em dezembro de 1887, com a morte do seu tio Ermete Lambertini, assumiu com seu pai a gerência da Casa Lambertini & Irmão, então sediada na Praça dos Restauradores nº 43 a 49, detentora do exclusivo da venda de pianos Bechstein para Portugal e fornecedores da Casa Real, desde o alvará de 2 de novembro de 1868. Neste âmbito publicou Annuario musical da Casa Lambertini (1900), As collecções de instrumentos musicos (1913), Indústria instrumental portuguesa (1914).

Michel’angelo Lambertini  foi também professor de canto coral das escolas  municipais centrais nºs 14 e 15, desde 1883 e redigiu o relatório da Comissão para Melhorar o Ensino da Música em Portugal, presidida por Viana da Mota. Foi ainda fundador da Caixa de Socorro a Músicos Pobres e sócio da Academia Marcos de Portugal.

Em Lisboa, vivia no Palacete Lambertini na Avenida da Liberdade, da autoria de Nicola Bigaglia, que foi Menção Honrosa no Prémio Valmor de 1904.

Lambertini foi condecorado como Cavaleiro da Real Ordem Militar de Cristo (1888) e da Coroa de Itália (1896), bem como Comendador da Ordem Militar de Nª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1898) e da Ordem de Santiago de Espada (1908) e no 140º aniversário do seu nascimento o Museu Nacional da Música inaugurou uma exposição em sua homenagem.

A Rua do cantor lírico Dom Francisco de Sousa Coutinho ou Chico Redondo

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC/ Planta: Sérgio Dias| NT do DPC) )

Por sugestão de Durval Pires de Lima, membro da Comissão Municipal de Toponímia  ficou o cantor lírico Dom Francisco de Paula de Sousa Coutinho, conhecido como Chico Redondo, inscrito na toponímia de Alvalade, junto à Rua Guilhermina Suggia, a partir da publicação do Edital municipal de 20 de outubro de 1955.

Na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 26 de fevereiro de 1951, conforme se pode ler na ata da reunião, «Para efeito da denominação de novos arruamentos no Bairro de Alvalade, o Excelentíssimo Senhor doutor [Durval] Pires de Lima, indicou os seguintes nomes, além dos irmãos Andrade e de Luísa Todi : Dom Francisco de Sousa Coutinho (Chico Redondo), filho do Conde de Redondo e Marquês Borba – barítono; José Rosa, que cantou muito em Itália e morreu em Milão, onde está sepultado – Tenor; Alfredo Gazul, medíocre tenor, e Maria de Arneiro, medíocre soprano.» Assim, o Edital camarário de 20 de outubro de 1955 tornou Dom Francisco de Sousa Coutinho o topónimo da Rua 56 do Sítio de Alvalade, ao mesmo tempo que nas  ruas em seu redor ficaram mais nomes ligados ao meio musical, como a violoncelista Guilhermina Suggia, os irmãos cantores líricos António e Francisco Andrade e ainda, o mestre de filarmónicas Rodrigues Cordeiro.

O alfacinha Francisco de Paula de Portugal de Sousa Coutinho (Lisboa/11.12.1867 – 14.08.1924/Lisboa), filho do 3º marquês de Borba, D. Fernando de Sousa Coutinho, foi um barítono que se estreou como cantor lírico no Teatro de S. João (do Porto) e cuja interpretação do Falstaff de Verdi assombrou inúmeras plateias, nacionais e estrangeiras.

Segundo o Eng.° Júlio Eduardo dos Santos ( na Olisipo, Set-Dez de 1970), era  «conhecido na vida boémia da sua cidade natal [Lisboa] por Chico Redondo, o que bem se adaptava à sua alta linhagem, dos Condes de Redondo e Marqueses de Borba, e igualmente à sua figura, pois pesava cento e vinte quilos ou talvez mais …».

A sua primeira apresentação em público registou-se numa récita de amadores, no Teatro de S. João do Porto quando este se chamava Teatro do Príncipe Real, em 1888, interpretando o papel de Valentim do Fausto e foi tal o sucesso que resolveu aperfeiçoar-se na arte do canto, para o que partiu para Milão, acompanhado de um Carlos Lopes que era primeiro baixo e seguindo o conselho do seu primeiro professor, o  tenor Alfredo Gazul. De Itália partiu para França, onde permaneceu alguns anos, a estudar no Conservatório parisiense.

Em 1896 assinou contrato com a Ópera de Berlim, onde se estreou em fevereiro de 1897, na ópera Os Palhaços , de Ruggero Leoncavallo e foi um sucesso, mesmo se o seu maior  êxito foi a interpretação do Falstaff, de Verdi. Sousa Coutinho foi particularmente acarinhado na Alemanha, bastas vezes referido como «célebre barítono da ópera de Berlim» e o professor G. F. Berlein modelou o seu busto na personagem de Sir John Falstaff. Deu também numerosos concertos na Alemanha, Holanda, Suécia, Dinamarca, Polónia, Estados Unidos da América  ( Washington e Nova Iorque) e Brasil.

Em 1899, o conhecido Chico Redondo era a principal figura da pequena companhia de ópera que se apresentou no antigo Teatro D. Amélia ( depois República e mais tarde, São Luiz), sendo nesse contexto que também se apresentou na ópera Palhaços e em um ato do Fausto que eram o reportório dessa companhia. Pouco tempo depois, cantou-se Palhaços no Coliseu dos Recreios, numa das companhias de ópera que habitualmente lá se exibiam e Francisco Sousa Coutinho foi substituir o barítono Carbonell no papel de Tonio.

Nos últimos anos da sua vida Francisco de Sousa Coutinho deu aulas de canto em Lisboa e manifestou uma enorme paixão por cozinhar.  Foi internado na Casa de Saúde do Telhal em 1923, onde veio a falecer no ano seguinte, ficando sepultado no jazigo de família nos Prazeres.

Embora tendo recusado o título de marquês de Valença, Dom Francisco de Sousa Coutinho aceitou ser agraciado com o hábito de Cristo pelo rei Dom Luís e está também presente na toponímia de São Domingos de Rana.

Capa da Ilustração Portuguesa de 10 de dezembro de 1906

A Rua do compositor Jorge Croner de Vasconcelos

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Jorge Croner de Vasconcelos está perpetuado na toponímia da urbanização da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, desde a publicação do  Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993, onde deu nome à Rua E, assim como nas Ruas D e B ficaram os compositores Rui Coelho e Constança Capdeville e na Rua projectada à Rua Particular fixou-se o cantor lírico Hugo Casaes.

Jorge Croner de Sant’Ana e Vasconcellos Moniz de Bettencourt (Lisboa/11.04.1910 – 09.12.1974/Lisboa),  oriundo de uma vasta família de músicos e  filho do violinista Alexandre Bettencourt e da pianista Laura Croner, distinguiu-se também na área musical, como pianista,  compositor e professor de música.

Estudou solfejo com a mãe e a partir de 1927, no Conservatório de Lisboa: piano com Alexandre Rey Colaço, composição com Luís de Freitas Branco, António Eduardo da Costa Ferreira, Francisco Lacerda e Eduardo Libório. Com Fernando Lopes Graça, Armando José Fernandes e Pedro do Prado formou o Grupo dos Quatro, com jovens e alunos do Conservatório Nacional de Lisboa, que influenciou a música neoclássica portuguesa na década de trinta do séc. XX.

Croner de Vasconcelos também frequentou Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa e findos os estudos no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1934, abalou para Paris, com uma bolsa da Junta de Educação Nacional, para estagiar na École Normale de Musique, até ao verão de 1937: harmonia, contraponto e história da música com Nadia Boulanger; composição, com Paul Dukas, Roger Ducasse e  Igor Stravinsky; piano com Mme Giraud-Latarse; e interpretação, com Alfred Cortot.

Exerceu como docente de História da Música na Academia de Amadores de Música a partir de 1937, assim como a partir do ano seguinte marcou várias gerações no Conservatório Nacional, nas disciplinas de Composição, Canto e História da Música, como Constança Capdeville, Maria de Lourdes Martins, Filipe Pires, Armando Santiago ou Filipe de Sousa. Também deu aulas particulares de Canto e Piano, para além dos  Cursos de Verão do Estoril dos anos sessenta do séc. XX.

Chegou a apresentar-se em recitais internacionais, em Paris, Londres e Bruxelas, em 1939, com a cantora Arminda Correia mas em 1843 abandonou a carreira de pianista. Como compositor produziu algumas obras neoclássicas muito importantes, de música dramática, coral e sinfónica, muitas delas compostas a partir de textos de poetas clássicos da Literatura Portuguesa – como Comigo me desavim de 1938 ou Erros Meus de 1972 -, misturando modalismo e cromatismo, mostrando evidentes raízes na música portuguesa de Carlos Seixas, para a qual fez  um repertório para piano e arranjos para diversas peças, como Três Tocatas a Seixas  de 1942. Criou também obras de música sinfónica para o Secretariado Nacional de Informação (SNI) nas décadas de quarenta e cinquenta e os Oito Cantos de Natal no seu último ano de vida.

Jorge Croner de Vasconcelos está também na toponímia da Charneca da Caparica (Almada) e de Corroios (Seixal).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do autor do Hino da Maria da Fonte, Ângelo Frondoni

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Autor do Hino da Maria da Fonte/1812 – 1891» nasceu a Rua Ângelo Frondoni em Belém, no arruamento de ligação entre a Rua Conselheiro Martins de Carvalho e a Rua Nuno de Bragança, por via da publicação do Edital municipal de 3 de maio de 1989, a partir de uma sugestão de Eduardo António da Costa Soares dirigida à edilidade lisboeta.

O Palco – Revista Teatral, 5 de maio de 1912

O cidadão italiano Angelo Frondoni (Itália-Parma/26.02.1812 – 04.06.1891/Lisboa), radicou-se no nosso país no ano de 1838, com cerca de 26 anos, quando veio para Portugal para ser maestro do Teatro de S. Carlos, contratado pelo 1.º Conde de Farrobo, Joaquim Pedro Quintela. As suas primeiras composições em Portugal foram dois bailados – A Ilha dos Portentos e A Volta de Pedro o Grande de Moscovo – exibidos em 1839.

O seu sucesso como compositor proveio das operetas e revistas populares. No Teatro da Rua dos Condes alcançou muito êxito com a farsa O Beijo, estreada em 26 de novembro de 1844, tendo a música sido publicada pelo editor Sassetti dada a sua grande popularidade.

Mas o que tornou Ângelo Frondoni mais famoso foi em 1846 ter composto  o Hino do Minho, com letra de Paulo Midosie, que ficou conhecido popularmente como Hino da Maria da Fonte. Esta música patriótica teve larga divulgação e chegou mesmo a ser aceite nos últimos tempos da Monarquia quase como um hino nacional. No entanto, como era contra o Cabralismo e Cartismo e tinha enorme popularidade, o governo de Costa Cabral, proibiu-a. Na sequência da Revolução da Maria de Fonte, Costa Cabral havia sido demitido em 20 de maio de 1846 e exilou-se em Espanha, mas D. Maria II que sempre o apoiou voltou a nomeá-lo para governar o país em 18 de junho de 1849 ( e durou até  1 de Maio de 1851). Ângelo Frondoni teve dissabores nesses anos, a ponto de se ver obrigado a esconder-se para não ser preso e, ao contrário do que fazia com outros artistas, D. Maria II nunca o recebeu no Paço Real.

O Conde de Farrobo que sempre estimou Frondoni,  encomendou-lhe então uma opereta para o Teatro das Laranjeiras, Mademoiselle de Mérange, em francês,  que se cantou a 11 de junho de 1847. Dedicou-se também a ser professor de Canto, para além de escrever música para muitas comédias e dramas, tendo mesmo dirigido uma companhia de ópera-cómica italiana que em 1859 se organizou no Teatro D. Fernando.  Quando se construiu o Teatro da Trindade, Francisco Palha quis explorar a ópera cómica burlesca e chamou Frondoni para maestro, onde trabalhou desde O Barba Azul de 1868 até 1873. Também para o próximo Ginásio musicou o drama Evangelho em acção (1870) e na época de 1873/74 voltou para o São Carlos, como  maestro, para em 1874 apresentar a ópera burlesca O filho da senhora Angot, no Teatro do Príncipe Real.

Ângelo Frondoni também se empenhou em difundir o canto coral, para o que publicou artigos em jornais, solicitou ajuda a pessoas importantes e das sociedades de canto coral de Paris e da Bélgica e abriu até um curso gratuito, tentando concretizar a ideia sem sucesso, em Lisboa e depois, no Porto.

Interessado em literatura publicou dois  folhetins na Revolução de Setembro – Da Poética em música ( 1854 ) e Efeitos de música (1867)-,  um soneto em italiano à memória de D. Pedro V (1861) na Revista Contemporânea e a composição para canto Camões e o Jau, a partir de fragmentos de poesia de António Feliciano de Castilho, elaborada por ocasião das festas do centenário de Camões de 1880.

O nome de Frondoni está também na toponímia da Póvoa do Lanhoso – onde começou a Revolução da Maria da Fonte –  e da cidade do Porto.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do multifacetado David de Sousa

Freguesias do Areeiro e de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O multifacetado músico David de Sousa – violoncelista, maestro e compositor-, que faleceu prematuramente vítima da gripe pneumónica de 1918, dá o seu nome à artéria que liga a Avenida Óscar Monteiro Torres à Rua João Villaret, desde a publicação do Edital municipal de 12 de março de 1932, na que era a Rua D do projeto ao Campo Pequeno e aprovado em sessão de câmara de 30 de março de 1923.

Freguesias do Areeiro e de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O figueirense David de Souza (Figueira da Foz/06.05.1880 – 03.10.1918/Figueira da Foz), filho de Maria Leonor Marques de Figueiredo e de Mariano Augusto dos Reis Souza,  iniciou-se aos 9 anos  no solfejo e no canto, em Lisboa,  na Escola da Sé Patriarcal, sendo que aos 20 já completara o curso de violoncelo do Conservatório de Lisboa, onde entrara em 1895/96, tendo sido discípulo de Eduardo Wagner e de Cunha e Silva, tal como foi aluno de Freitas Gazul em teoria musical.  A partir de 1904 e até 1908, como bolseiro do estado, prosseguiu os estudos no Conservatório de Leipzig, na Alemanha.

Entre 1908 e 1910, surgiu como violoncelista de orquestra em Inglaterra, França, na Alemanha, na Áustria Imperial e na Rússia, sendo solista na Orquestra de Concertos Históricos de Moscovo e será aqui que começará a gerar o seu primeiro êxito como compositor, a Rapsódia Eslava de 1908. Em 1911, regressou a Londres, que repetirá mais tarde,  em 1914 e 1917, para exercer quer como solista quer como maestro.

Em Lisboa está em 1913, para se estrear como diretor de orquestra  no Teatro Nacional (no dia 19 de outubro). No ano seguinte é contratado como maestro titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, sediada no Politeama, que regeu até à sua morte, tendo ficado famosas os seus concertos das tardes de domingo. David de Sousa interpretou pela primeira vez em Portugal peças como a Segunda Sinfonia de Vincent D’Indy, as Valsas Nobres e Sentimentais de Maurice Ravel ou o poema sinfónico de Luís de Freitas Branco intitulado Depois de uma leitura de Antero de Quental. Apaixonado pela música russa, revelou igualmente ao público português, inúmeras obras dos compositores daquele país.

Como compositor a sua obra revelou-se eminentemente nacionalista, englobando composições para piano, canto e piano, violino e piano ou violoncelo e piano, poemas sinfónicos, obras para orquestra, das quais se destacam a já referida Rapsódia Eslava, bem como a Rapsódia Cantares Portugueses, o Intermezzo Saudade ou o poema sinfónico Babilónia, para além de ter deixado inédita a sua ópera Inês de Castro. David de Sousa exerceu ainda como professor de Violoncelo e da classe de Orquestra do Conservatório Nacional, a partir do ano letivo de 1915/16.

Faleceu aos 38 anos, em 1918, vítima da pneumónica que nesse ano fustigou Portugal, e está perpetuado também no nome de um Coro da Figueira da Foz ebem como na toponímia da Figueira da Foz e de Corroios.

A Rua do compositor Rui Coelho na antiga Quinta da Torrinha

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Rui Coelho, pioneiro da música portuguesa para bailado, é o topónimo da Rua D da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, com a legenda «Maestro e Compositor/1889-1986», desde a publicação do Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993.

Nos arruamentos da antiga Quinta da Torrinha, a edilidade consagrou pelo mesmo Edital mais 4 figuras ligadas ao mundo das artes e da música com a  Rua Brunilde Júdice (Rua C), a Rua Constança Capdeville (Rua B), a Rua Hugo Casaes (Rua Projetada à Rua Particular) e a Rua Jorge Croner de Vasconcelos (Rua E).

Rui Coelho na Ilustração Portuguesa de 20 de novembro de 1911

Ruy Coelho (Alcácer do Sal/03.03.1889 – 05.05.1986/Lisboa) fez carreira como compositor, maestro, autor de bailados e óperas, pianista de mérito, produtor de música coral e música para cinema, bem como de crítico musical. Filho do barqueiro Manoel Coelho e da empregada doméstica Adelaide Augusta Costa, teve 4 irmãos e começou os seus estudos musicais por volta dos 10 anos, na Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba, a tocar flautim e bombo, tendo então nesses anos trabalhado numa mercearia, na apanha da azeitona e como ajudante de seu pai.

Pessoas como os padres Francisco de Mattos Galamba e José Lopes Manso ajudaram-no a poder estudar no Conservatório Nacional de Lisboa. Até ao ano letivo de 1908/1909 frequentou os cursos de Flauta, de Piano, de Harmonia, de Contraponto e  de Composição, tendo sido aluno de Júlio Neuparth, António Eduardo da Costa Ferreira ou Tomás Borba. Em paralelo, era pianista num café-restaurante do Cais Sodré e vivia na Rua da Infância (é a Rua da Voz do Operário desde 1915), para além de ter criado amizade com Alexandre Rey Colaço, de quem foi aluno de piano, em aulas particulares e gratuitas. A primeira apresentação pública de composições suas ocorreu na festa do Conservatório de 25 de outubro de 1907 e a segunda, em que dirigiu peças de orquestra, em 1 de abril de 1908.

Graças ao empresário e violinista amador Jorge Yerosch, proprietário de um estabelecimento comercial em Lisboa, estudou em Berlim, de 1909 a 1913, sob a influência de E. Humperdinck, Max Bruch, A. Schoenberg, e nessa cidade ficou também amigo do barítono Francisco d’Andrade.  Dessa época ficou ainda a partitura de uma dança para orquestra, a  sonata de feição romântica Bouquet (que só estreará em Portugal em 1924, num serão da revista Contemporânea, a anteceder a conferência A Idade do Jazz-Band de António Ferro ) e cerca de 1910, Intermezzo,  Si je vous disais, um trio para violino, violoncelo e piano dedicado a Richard Strauss e vários Lieder, para além da partitura do bailado A princesa dos sapatos de ferro (1912) que estreou em 1918 no Teatro São Carlos, tal como o seu  Bailado do Encantamento, já que no regresso a Portugal se aproximou da geração da revista Orpheu, nomeadamente colaborando com Almada Negreiros e José Pacheco em diversos bailados.

Ruy Coelho produziu composições de timbre patriótico, com evocações historicistas e óperas cantadas em português – no que foi apoiado pelo tenor alentejano Tomás Alcaide -, sendo também o autor do hino da cidade de Lisboa ou do famoso fado de Coimbra O Beijo, musicando o poema de Afonso Lopes Vieira que a interpretação de António Menano popularizou. Destaque-se ainda a sua Sinfonia Camoniana nº 1 (1913), a ópera Serão da Infanta (1913) com libreto de Teófilo de Braga, a ópera D. João IV para as Comemorações dos Centenários de 1940 com libreto de João da Silva Tavares ou a oratória Fátima. A sua Ópera Belkiss foi galardoada com o 1º Prémio no Concurso Oficial de Espanha (1924). Realcem-se ainda as suas sinfonias Petite Symphonie n.º 1 (1927) e n.º 2 (1932), a Sinfonia Camoniana nº 5 por encomenda da cidade de S. Paulo, a Sinfonia d’Além-mar (1968), bem como a ópera-declamação-ballet-mímica Orfeu em Lisboa (1966) em três atos, a ópera sobre poema de Charles Oulmont La belle dame qui n’as pas peché (1970) e a Auto da Barca da Glória (1971).

Em 1934, fundou a Ação Nacional de Ópera, organização semi-oficial do regime, que serviu essencialmente para a divulgação da sua própria obra, se somarmos que entre 1947 e 1969, o Teatro São Carlos assistiu a 15 produções das suas óperas. Como maestro, dirigiu a Orquestra da Emissora de Berlim em 1939 e a Orquestra Filarmónica de Berlim, no Coliseu de Lisboa, em 1942, assim como em 1946 regeu a Orquestra da Rádio de Espanha, em Madrid e em 1949, a Orquestra Colonne, na Sala Gavean (Paris).

No cinema, refiram-se as banas sonoras que fez para Ala-Arriba! (1942) e Camões (1946), ambos de Leitão de Barros. Em 1948, começou a trabalhar no Gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional, onde executou a sua 2ª Sinfonia Camoniana, bem como a 3ª em 1951. Em 1960, Ruy Coelho também dirigiu a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, nos Estúdios Valentim de Carvalho, em Paço d’Arcos.

Exibiu as suas obras por todo o país, levando a música erudita a locais tão improváveis na época como Amadora, Almada, Aveiro, Alcácer, Beja, Covilhã, Évora, Funchal, Santarém, e tantos outros, fazendo o mesmo em vários países europeus e sul-americanos, para além de ter levado em 1959, as primeiras companhias portuguesas de Ópera a Paris, e a Madrid, em 1961.

O seu nome integra também a toponímia da sua terra natal, da Charneca da Caparica e de Sesimbra.

Rui Coelho na Atlântida N.º 32, 1918

Raúl Portela, do fado Lisboa Antiga, numa Rua do Alto do Chapeleiro

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Na Urbanização do Alto do Chapeleiro nasceu em 1991 a Rua Raúl Portela, na Rua E, com a legenda «Compositor Musical/1889 – 1942», através do Edital de 28 de agosto de 1991, por sugestão de Luiz Francisco Rebello enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia.

O mesmo Edital também guardou na Rua A a memória do lugar com a Rua do Alto do Chapeleiro, bem como na Rua B colocou o «Homem de Letras» Norberto Lopes; na C o poeta António Botto e na D o dramaturgo Carlos Amaro.

Raúl Portela Santos (Lisboa/1889 – 20.08.1942/Caxias) fez os seus estudos no Reformatório Central de Lisboa em  Caxias, onde acabou por aos 20 anos ser o professor e o maestro da Banda. Também ensaiou os coros da Tutoria da Infância e foi regente da Banda do Grémio Literário e do Orfeão de Vila Franca de Xira,  dos Bombeiros de Paço de Arcos, entre outras.

Na música ligeira foi o autor de canções que se tornaram clássicos como o fado-marcha Lisboa Antiga, com letra de José Galhardo e Amadeu do Vale, estreada por Hermínia Silva em 1932, na revista Pirilau, no Teatro Politeama, mas também interpretada por Amália Rodrigues (1953) e que ao ser incluída no filme Lisbon (1956) pela voz de Anita Guerreiro contribuiu para o sucesso internacional do tema, sendo que a versão instrumental de Nelson Riddle (1955) já havia sido n.º 1 nos E.U.A. e permaneceu 24 semanas no Top, a que seguiram inúmeras versões internacionais como a de Carlos Galhardo (1956), Gloria Lasso (1957), Ray Conniff (1961) ou Los Indios Tabajaras  (1965).

Foram também sucessos de Raúl Portela a Triste Feia por Zulmira Miranda, nos anos vinte do séc. XX, para a revista Tic Tac ou o fado-fox-trot Nota Falsa (1925) para a revista Rataplan, sendo um dos mais prestigiados compositores da época, em paralelo com Frederico Valério, Raúl Ferrão ou Frederico de Freitas, sendo o autor do Fado Magala, e dos fados Perna de Pau ou Bagdad.

Refira-se também  a música que produziu para filmes: algumas canções para Bocage (1936), de Leitão de Barros com argumento de Rocha Martins;  a banda sonora do filme As Três Graças (1937) – a versão espanhola do filme Bocage -por Leitão de Barros; o fado do Zé Ninguém e outras canções para o filme Maria Papoila (1937), de Leitão de Barros; a música de Aldeia da Roupa Branca (1938), com letra de Ramada Curto para o filme homónimo de Chianca de Garcia, à excepção de dois fados; e toda a banda sonora de  O Pai Tirano (1941), de António Lopes Ribeiro, com Fernando Carvalho. Também, em parceria com Raúl Ferrão, fez os sucessos Coimbra é uma lição, assim como A Canção de Lisboa ou Fado do Estudante (1932), para o filme de Cottineli Telmo.

Raúl Portela foi pai de Hermes Portela em 1917 e faz parte também da toponímia de Caxias.

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Tomás Alcaide, o tenor dos cartazes líricos da Europa, numa Rua de Marvila

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Tomás Alcaide, o tenor dos cartazes líricos da Europa dos anos vinte aos quarenta, está consagrado numa Rua de Marvila desde 1970, seguindo a edilidade uma sugestão da Editorial Polis e concretizando-a na Rua I – 10 da Malha I de Chelas pelo Edital de 4 de novembro de 1970, o mesmo que fixou também a Rua Actriz Palmira Bastos (Rua I – 12) e a Rua Aquilino Ribeiro (Rua I – 9) na mesma zona da cidade, o Bairro das Amendoeiras.

Tomaz de Aquino Carmelo Alcaide (Estremoz/16.02.1901-09.11.1967/Lisboa), filho de Roberto Maria Alcaide e de Maria das Pedras Alvas Gomes Carmelo, foi aluno do Colégio Militar desde os 11 anos e abandonou Medicina para se tornar cantor lírico, como tenor. Teve lições com os professores de canto Alberto Sarti, o barítono Francisco de Sousa Coutinho e a meio-soprano Eugenia Mantelli. A sua 1ª apresentação pública ocorreu no Teatro Bernardim Ribeiro de Estremoz e em Lisboa, fez a sua estreia no Clube Estefânia, cantando La Bohème, para depois, já profissionalizado interpretar o  Rigolleto (1924) no Teatro Nacional de São Carlos.

Em 1925, partiu para Milão, onde se estreou como Maestro Wilhelm da ópera Mignon, no Teatro Carcano. A partir daí figurou nos grandes cartazes líricos da Europa e da América, no decorrer da II Guerra Mundial, até se retirar em 1948. Pisou, entre outros, os palcos italianos do Teatro Duse de Bolonha,  do Teatro San Carlo de Nápoles, do Teatro Reale de Roma, do Teatro Alla Scala de Milão, bem como o austríaco Opera House de Viena, o Teatro Opera de Monte Carlo, o belga Théâtre Royal de la Monnaie, os franceses  Gran Teatro Opera de Paris, Palais de la Mediterranée de Nice, Gran Théâtre de Bordéus e o Teatro do Casino de Vichy, o Teatro Liceo de Barcelona, os norte-americanos Boston Opera House e Gallo Theater – Broadway, o argentino Teatro Colón, os brasileiros Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Teatro Municipal de S. Paulo e os portugueses Sá da Bandeira (Porto), Coliseu dos Recreios e Teatro Nacional de São Carlos.

Ficaram famosas as suas interpretações no Fausto (1926), La Bohème (1927),  Pescadores de Pérolas de Bizet (1929), La Favorita, no Rigoletto, Cavalleria RusticanaManon, Romeu e Julieta (1931)ou Werther (1933) Participou ainda no filme Bocage (1936) de Leitão de Barros.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Depois de abandonar os palcos, tornou-se funcionário da Emissora Nacional (até 1962), tendo colaborado em programas de rádio com João de Freitas Branco e de Maria Helena de Freitas. Também foi mestre de canto e encenador da Companhia Portuguesa de Ópera e Escola de Canto do Teatro da Trindade. Aquando da inauguração do Teatro Monumental, em 1951, integrou o elenco da opereta As 3 Valsas, com Laura Alves, João Villaret e Eugénio Salvador, a que se seguiram a opereta Justiça de sua Majestade e as peças As mulheres de quem se fala e Sua Alteza Real. Publicou ainda em 1961 uma autobiografia intitulada Um Cantor no Palco e na Vida.

Na sua vida pessoal casou com Katharine Riche, de quem teve uma filha em 1927 e de quem se separou em 1930. Voltou a casar em 29 de Agosto de 1941, com a brasileira Asta-Rose Jordan.

Tomás Alcaide foi condecorado em 1934 como Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo e como Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e em 2001, com a Medalha de Ouro de Mérito Municipal de Estremoz, um Monumento em frente à casa onde nasceu (em Estremoz) e onde estão depositadas as suas cinzas, tendo ainda dado o seu nome ao Orfeão de Estremoz Tomaz Alcaide e a um Festival de Canto local, para além de também surgir na toponímia da sua terra natal (Estremoz), da Amadora, de Corroios, Évora, Fernão Ferro, Linda-a-Velha, Mem Martins e Sobreda (Almada).

Inauguração da Rua Tomás Alcaide em 16 de fevereiro de 1971
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Amanhã «Temas na toponímia da Ajuda e Lisboa – Realidades distintas, épocas, geografias, contextos e a sua repetição citadina na memória toponímica»

Amanhã, às 10 horas, no Colóquio Ajuda – O espaço, o tempo, a sociedade, no Palácio da Ajuda, o Núcleo de Toponímia do Departamento de Património Cultural/NT do DPC estará representado através de António Adriano que apresentará a comunicação Temas na toponímia da Ajuda e Lisboa -Realidades distintas, épocas, geografias, contextos e a sua repetição citadina na memória toponímica, que sucintamente versará o seguinte:

A toponímia acompanha o crescimento e o desenvolvimento da cidade. Preserva a memória dos seus avanços e recuos, tempos de paz e de guerra, roturas e continuidades sociais ou culturais, e é uma presença constante e necessária na vivência quotidiana das suas gentes.

A memoração toponímica foi, até ao séc. XIX, inconsequente no estabelecimento de padrões temáticos de base geográfica. A devoção cristã e a fé das gentes deu azo a que o tema “religião” fosse no concelho. Apresenta, contudo, uma real dispersão geográfica, tal como os restantes topónimos em uso pelas gentes, que funcionavam prioritariamente como referência local e temporal de sítios, ofícios, serviços, religiosidades e nobrezas.

No século XX, foi criada, por despacho de 16/10/1943, a Comissão Municipal de Toponímia, órgão consultivo do Município, que trouxe a si a competência para análise e consideração de propostas de atribuição toponímica, propondo à Câmara aquelas que deveriam ser oficialmente inscritas na memória da cidade.

A centralização da atribuição e oficialização toponímica tendeu, progressivamente, a ignorar as realidades da vivência quotidiana das gentes e viabilizou o surgimento de uma faceta de homenagem e exaltação de figuras e personalidades, possibilitando a sua ordenação geográfica na malha urbana.

Na Ajuda existem dois casos evidentes de padronização temática aliada a geográfica, o Bairro do Alto da Ajuda e o Pólo Universitário da Ajuda, exemplos de «realidades distintas, épocas, geografias, contextos e de repetição citadina na memória toponímica», sobre o que esta comunicação se debruçará.