O Largo de Lambertini, o homem dos 7 ofícios musicais

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Michel’Angelo Lambertini homenageia na freguesia do Lumiar o homem dos 7 ofícios na arte musical – pianista, maestro e compositor, musicólogo e organizador de eventos, professor de canto, editor e comerciante de instrumentos musicais -,  assim existindo desde a publicação do Edital municipal de 17 de março de 2017 no largo interior formado entre a Alameda das Linhas de Torres, a Rua Luís de Freitas Branco e a Rua Virgínia Vitorino, a partir de uma sugestão de Miguel Lambertini Gouveia à Autarquia lisboeta.

O Occidente, 20 de novembro de 1907

Michel’Angelo Lambertini (Porto/14.04.1862 – 21.12.1920/Lisboa) foi um pianista, maestro e compositor, musicógrafo e organizador de eventos, professor de canto coral, além de editor da revista A Arte Musical e ainda, comerciante lisboeta de fabrico e revenda de instrumentos musicais.

Neto do compositor e construtor de pianos Luiz Joaquin Lambertini  – que veio para Lisboa em 1864 e montou a sua 1ª fábrica no Palacete do então Largo de São Roque [hoje Largo Trindade Coelho] à esquina da Travessa da Queimada – começou a estudar piano aos 6 anos no Conservatório. Concluiu os cursos de Piano (1879) e de Harmonia e Contraponto (1881) no Real Conservatório de Lisboa, bem como o Instituto Comercial e o Liceu.

O seu grande sonho foi criar um Museu Instrumental em Lisboa. Recomendado por vultos da I República como José Relvas,  foi incumbido por portaria de 22/12/1911  da recolha e ordenação dos instrumentos musicais que encontrasse em edifícios públicos ou religiosos, sem quaisquer custos para o Estado e desempenhou essa missão até à sua morte. Dos contributos recebidos ia dando notícia no seu quinzenário A Arte Musical.  A partir de janeiro de 1912, as peças eram colocadas em exíguas salas do Palácio das Necessidades e sobre essa experiência publicou O Museu Instrumental e as minhas relações com o Estado (1913). O seu sonho não esmoreceu e publica Primeiro nucleo de um museu instrumental em Lisboa : catalogo summario (1914) para no ano seguinte, o Decreto nº 1681, de 28 de junho, o instituir no Conservatório e nomeando Lambertini conservador mas que ficou sem execução prática. Assim, num andar do Palácio Quintela da Rua do Alecrim, instalou e dirigiu o Museu Instrumental Português, com cerca de cinco centenas de peças. A partir de 1929 o espólio do Museu Instrumental foi sendo adquirido pelo Conservatório Nacional e é deste modo que a herança de Lambertini , através de inúmeras vicissitudes, passa a ser uma parte considerável do atual acervo do Museu Nacional da Música, na Estação do Metropolitano dos Altos do Moinhos, em Lisboa.

Na cultura portuguesa de finais do século XIX, princípios do século XX, Michel’Angelo Lambertini foi relevante como organizador e animador de eventos musicais e literários, a ponto de Margarida Rebocho Ferreira o classificar como «benemérito  na cultura da música do Portugal dos inícios de novecentos». Foi o promotor da representação Portuguesa à Exposição Musical de Milão de 1881 – tendo conseguido reunir 121 obras-, o fundador da Sociedade de Música de Câmara em 1899 bem como da Grande Orquestra Portuguesa em 1907, para além de ter sido o responsável pela primeira apresentação em Portugal da Filarmónica de Berlim, em 1901.

Lambertini foi o autor do 1ª grande síntese da história musical portuguesa, publicado em 1915, na Encyclopédie de la Musique Et Dictionnaire du Conservatoire, dirigida por Lavignac. No mesmo ano publicou Pela Índia, sobre a música desse país. Já em 1900, editara os 2 volumes do Diccionario Biograhico de Músicos Portuguezes de Ernesto Vieira e  editou e dirigiu a sua revista A Arte Musical fazendo-a publicar de 15 de janeiro 1889 a 31 de dezembro de 1915, sendo que já nos seus 15 anos  havia sido redator da revista musical A Chitara – revista de musica e theatros, sedeada na Rua do Benformoso nº 266.

Em dezembro de 1887, com a morte do seu tio Ermete Lambertini, assumiu com seu pai a gerência da Casa Lambertini & Irmão, então sediada na Praça dos Restauradores nº 43 a 49, detentora do exclusivo da venda de pianos Bechstein para Portugal e fornecedores da Casa Real, desde o alvará de 2 de novembro de 1868. Neste âmbito publicou Annuario musical da Casa Lambertini (1900), As collecções de instrumentos musicos (1913), Indústria instrumental portuguesa (1914).

Michel’angelo Lambertini  foi também professor de canto coral das escolas  municipais centrais nºs 14 e 15, desde 1883 e redigiu o relatório da Comissão para Melhorar o Ensino da Música em Portugal, presidida por Viana da Mota. Foi ainda fundador da Caixa de Socorro a Músicos Pobres e sócio da Academia Marcos de Portugal.

Em Lisboa, vivia no Palacete Lambertini na Avenida da Liberdade, da autoria de Nicola Bigaglia, que foi Menção Honrosa no Prémio Valmor de 1904.

Lambertini foi condecorado como Cavaleiro da Real Ordem Militar de Cristo (1888) e da Coroa de Itália (1896), bem como Comendador da Ordem Militar de Nª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1898) e da Ordem de Santiago de Espada (1908) e no 140º aniversário do seu nascimento o Museu Nacional da Música inaugurou uma exposição em sua homenagem.

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O Largo Madalena Perdigão no Bairro patrocinado pela Gulbenkian

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Madalena Perdigão que dirigiu o Serviço de Música da Gulbenkian de 1957 e até 1974, dá o seu nome a um Largo do Bairro das Furnas, junto ao Largo Calouste Gulbenkian, desde a publicação do Edital municipal de 21 de agosto de 1990, tendo a edilidade aceite a sugestão da Associação de Moradores do Bairro das Furnas e colocado a legenda «Dinamizadora da Cultura e das Artes/1923 – 1989».

Já antes havia sido atribuído naquele Bairro o Largo Calouste Gulbenkian, através da publicação do Edital municipal de 20 de agosto de 1985, no largo principal do Bairro das Furnas, também por proposta da Associação de Moradores. Em ambos os largos a sugestão à Câmara foi uma forma de agradecimento dos residentes, por ter sido a Fundação Calouste Gulbenkian que comparticipou a execução deste Bairro que permitiu o realojamento das famílias das casas abarracadas que ali residiam há 40 anos.

Madalena Perdigão em 1967 na inauguração da Avenida Calouste Gulbenkian
(Foto: João Marques Oliveira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Nascida Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia (Figueira da Foz/28.04.1923 – 05.12.1989/Lisboa), licenciou-se em Matemática (1944) em Coimbra e também concluiu o Curso Superior de Piano (1948) do Conservatório Nacional, seguindo depois estudos de aperfeiçoamento em Paris, sido solista em concertos com a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida pelo Maestro Pedro de Freitas Branco, para além de ter tido um programa radiofónico na Emissora Nacional, intitulado A música e os seus sortilégios.

Entrou para a recém-criada Fundação Calouste Gulbenkian com 34 anos de idade, em fevereiro de 1958 e até 1974 dirigiu o seu Serviço de Música, onde criou o seu 1º plano de atividades, os Festivais Gulbenkian de Música (1958-1970), a Orquestra (1962), o Coro (1964) e o Ballet (1965). Em 1967, foi Madalena Perdigão a representante da Gulbenkian na cerimónia de inauguração da Avenida Calouste Gulbenkian. Entre 1971 e 1974, acumulou o trabalho da Fundação com a presidência da Comissão Orientadora da Reforma do Conservatório Nacional, a convite do ministro Veiga Simão, onde realizou uma das maiores reformas da instituição, com reformulação do ensino do teatro e da música e a criação da Escola de Dança, da Escola Superior de Cinema e da Escola-Piloto de Formação de Professores de Educação pela Arte. De 1978 a 1984, convidada pelo ministro Sottomayor Cardia, dirigiu o Gabinete Coordenador do Ensino Artístico do Ministério da Educação para definir uma proposta de um Plano Nacional de Educação Artística. Entre 1977 e 1983, fez parte da Direção da Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM), onde organizou os Encontros de Musicologia, cursos e congressos, entre outras iniciativas. Em 1983, organizou o 1º Festival Internacional de Música de Lisboa, iniciativa de Francisco Lucas Pires e pertenceu à Direção do Conselho Português da Música. Em 1984, regressou à Gulbenkian, para criar o ACARTE- Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte que dirigiu até 1989, ao mesmo tempo que criou o CAI – Centro Artístico Infantil da Fundação Gulbenkian, tendo concretizado 3 edições  dos Encontros ACARTE – Novo Teatro/Dança da Europa (1987, 1988 e 1989).

Madalena Perdigão foi em 1987 eleita  membro do Comité Européenne d’Experts de Eurocreation, da Agence Française des Iniciatives de la Jeunesse en Europe, em Paris, para além de ter sido distinguida em  1988 com o prémio «Mulheres da Europa», que reconhecia o papel de uma mulher ou grupo de mulheres de um dos países da CEE que tivesse contribuído, nos dois anos antecedentes, para fazer progredir a União Europeia e ainda foi condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique e as insígnias da Ordem do Cavaleiro da Legião Francesa.

Na sua vida pessoal,  Madalena Biscaia adotou o nome de Madalena Farinha, por casamento em 1956 com João Farinha, doutorado em Matemática e professor assistente da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Estando ambos em Paris, ele como bolseiro da Gulbenkian e ela do Instituto de Alta Cultura, ele faleceu subitamente em setembro de 1957.  Ao relatar a situação ao presidente da Fundação Gulbenkian, Madalena foi por este convidada a trabalhar e será com ele, José de Azeredo Perdigão, que se casará a  6 de novembro de 1960, adotando o nome Madalena de Azeredo Perdigão. Vítima de cancro, trabalhou até ao seu último dia de vida.

 

O Largo do 1º Mestre das Filarmónicas Portuguesas, Rodrigues Cordeiro

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A partir da proposta do então Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Luís Pastor de Macedo, nasceu o Largo Rodrigues Cordeiro, em Alvalade, para guardar a memória do primeiro Mestre das Filarmónicas Portuguesas,  que ainda no séc. XIX dedicou grande parte da sua vida a ensinar diversos instrumentos, nas sociedades filarmónicas do país.

Foi pelo Edital de 20 de outubro de 1955 que se fixou junto à Rua Guilhermina Suggia o Largo Rodrigues Cordeiro, arruamento antes identificado como Praceta III da Rua 59 ou Praceta à Rua 58 do Sítio de Alvalade. O mesmo edital atribuiu naquele bairro os nomes da violoncelista Guilhermina Suggia (Rua 59), dos irmãos cantores líricos António (Rua 57) e Francisco Andrade (Rua 58) e ainda, do barítono Dom Francisco de Sousa Coutinho (Rua 56).

João Rodrigues Cordeiro (Brasil- Rio de Janeiro/1826 – 11.05.1881/Lisboa) foi um compositor musical, filho do médico português Rodrigues Curto que veio para Lisboa com apenas 2 anos. Ainda jovem perdeu o pai, o que conduziu a dificuldades para a sua família, tendo sido um protetor que lhe pagou os estudos na Escola Médica de Lisboa, onde se inscrevera em 1842, mas da qual acabou por desistir para se matricular em 1844 no Conservatório de Lisboa, onde frequentou as classes de contrabaixo e de harmonia, tendo sido aluno de contrabaixo de João Jordani.

Como instrumentista podia sustentar-se e começou logo a tocar em orquestras e a ensinar nas sociedades de amadores, acabando por ser conhecido como o primeiro mestre das filarmónicas portuguesas. As suas composições espalharam-se pelas bandas filarmónicas e militares, de Portugal e do Brasil, sendo muito estimado no meio filarmónico e muito requisitado pelos seus preços convidativos.

A banda filarmónica foi criada no meio militar no decorrer do séc. XVIII mas no século XIX adquiriu uma identidade própria, em termos orgânicos e de repertório, dando origem ao desenvolvimento do «movimento filarmónico», com a criação de dezenas de bandas filarmónicas civis, a partir dos meios urbanos e expandindo-se para a periferia. Ainda na primeira metade do séc. XIX, Lisboa viu nascer diversas sociedades musicais, com pequenas orquestras e as primeiras bandas civis, como a Academia Philarmonica (1838), a Sociedade Philarmonica Portuguesa (1840), a Academia Melponense (1846), a Academia Philarmonica Lusitana (1848), a Sociedade Recreação Philarmonica (1842), a Academia Apollinea Lisbonense (1846) e a Academia Philarmonica Lisbonense (1850). As sociedades filarmónicas protagonizaram essa onda de democratização da cultura musical, através dos eventos frequentados pela burguesia nos espaços públicos ao ar livre, onde se podiam encontrar grupos com diferentes origens sociais.

Rodrigues Cordeiro teve uma produção musical considerável em que também somou aberturas para orquestras, solos para diversos instrumentos, música para igreja, música de baile, marchas, hinos, trechos para piano e canto, música para comédias e dramas teatrais e ainda, a opereta Qual dos três? representada no Teatro Ginásio em 1870.  Sabe-se que foi para entrar a Associação Musica 24 de Junho que em 1864 criou Fantasia para contrabaixo.

O seu nome foi também perpetuado, postumamente, numa dessas associações para quem mais trabalhou: na Sociedade Filarmónica João Rodrigues Cordeiro, fundada em 4 de março de 1896 no nº 46 da Rua da Fé.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Publicações municipais de toponímia sobre Willy Brandt e Konrad Adenauer

As publicações municipais de toponímia referentes ao Largo Willy Brandt e à Rua Konrad Adenauer, hoje distribuídas no decorrer das inauguração oficiais destes arruamentos, na Freguesia do Lumiar, já estão online.

É só carregar nas capas abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

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Inauguração na próxima quarta: Willy Brandt e Konrad Adenauer junto à Escola Alemã

John Kennedy, Wiily Brandt e Konrad Adenauer em Berlim, em 1963
(Foto: © Philip R. Hunt )

Na próxima quarta-feira, dia 3 de outubro, às 12:00 horas, a Srª Vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, e o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina,  procederão à inauguração de dois novos arruamentos na Freguesia do Lumiar, junto à Escola Alemã: o Largo Willy Brandt e a Rua Konrad Adenauer.

Willy Brandt, nome de clandestinidade de Herbert Ernst Karl Frahm, agora inserido na toponímia lisboeta com a legenda «1913-1992/ Chanceler da República Federal da Alemanha, 1969-1974/Prémio Nobel da Paz, 1971», é um político alemão, do SPD, que como governador de Berlim a partir de 1957 liderou dois momentos críticos da história dessa cidade, opondo-se ao fechar das fronteiras e à construção do Muro que a dividiu. A partir de 1969, como Chanceler, o 1º social-democrata,  esforçou-se na criação de vias de comunicação entre os blocos ocidental e soviético, por via da sua Ostpolitik (Política a Leste), conseguindo evitar o conflito bélico, o que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz em 1971, também assim contribuindo para uma coexistência pacífica e a restauração da unidade nacional da Alemanha a 3 de outubro de 1990.

Konrad Adenauer, inserido na toponímia lisboeta com a legenda « 1876-1967/ 1º Chanceler da República Federal da Alemanha, 1949-1963», é um político alemão, fundador da CDU em 1949 e o primeiro a liderar a República Federal Alemã (RFA) após a II Guerra Mundial, num governo de coligação. Lançou as bases da ordem política e económica do país e participou empenhadamente numa política de Westbindung (Aproximação ao Ocidente), com a integração da RFA na NATO, assim como na construção de um projeto europeu comum.

 

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo de Santos o Novo do Convento das Comendadeiras

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Este Largo de Santos o Novo recolhe o topónimo do Convento edificado nestes terrenos do Alto do Varejão para as Comendadeiras da Ordem de Santiago.

Compreendido entre a Calçada das Lajes e a Rua Matilde Rosa Araújo (até ao Edital municipal de 10/11/2016 denominava-se Quinta das Comendadeiras), este Largo de Santos o Novo terá sido também conhecido como Largo de Santos Novos. Nas plantas das freguesias de Lisboa executadas de acordo com a remodelação paroquial de 1770 já encontramos na Freguesia de Santa Engrácia a menção à Igreja e ao Convento de Santos- o-Novo ou Recolhimento de Santos o Novo.

O primeiro Mosteiro de Santos-o-Novo foi mandado construir por D. João II em 1470, para nele serem depositadas as relíquias dos Santos Mártires  oriundas do Mosteiro de Santos-o-Velho: as relíquias dos irmãos Veríssimo, Máxima e Júlia que em Lisboa sofreram o martírio no ano de 307 por não obedecerem às leis romanas de fazer oferendas aos deuses. No entanto, atingiu tal degradação que teve de ser reconstruído e por mais de 80 anos, entre 1609 e 1689, já no reinado de Filipe II, ganhando enormes proporções, num grande bloco quadrangular com 3 andares e 365 janelas, com amplas celas correspondentes ao estatuto de não clausura das Comendadeiras.

Originalmente foi destinado às mulheres, filhas e viúvas dos freires da Ordem de Santiago: as Comendadeiras da Ordem de Santiago. Contudo,  no início do século XVIII, contava apenas 16 mulheres  e foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755 e a seguir recuperado. A sua Igreja, de nave única e com 5 capelas laterais, comporta talha dourada, mármores florentinos e painéis de azulejos como os que contam a vida dos Santos Mártires.

Depois de 1834, data da extinção das ordens religiosas, as Comendadeiras mantiveram-se neste mosteiro até à proclamação da República. Em 1911, o 2º piso do edifício foi usado para a criação da Escola Primária Superior D. António da Costa por iniciativa de António José de Almeida e, a partir de 1927 foi nele instalado o Instituto Sidónio Pais, destinado à educação dos filhos dos Professores do Ensino Primário Oficial e um recolhimento de senhoras idosas. O conjunto da cerca conventual está classificado como Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 31/83, DR, I Série, n.º 106, de 9-05-1983) e o edifício tem como morada Calçada da Cruz da Pedra, nº 44.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Publicação municipal de toponímia sobre a Fundação Champalimaud

A publicação municipal de toponímia referente à Fundação Champalimaud, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial do largo com este topónimo, na Freguesia de Belém, já está online.

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Inauguração do Largo da Fundação Champalimaud amanhã, dia 4

Freguesia de Belém                                                                          (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Amanhã, dia 4 de setembro, às 18 horas, será inaugurado na Freguesia de Belém o Largo da Fundação Champalimaud, junto à sede da instituição que assim terá o seu nome na sua morada.

António de Sommer Champalimaud (19.03.1918 – 08.05.2004) deixou em testamento um terço da sua fortuna,  para a criação da Fundação Champalimaud, com o nome de seus pais, D. Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud, empenhada em estimular descobertas no campo da biomedicina que promovam a saúde e bem-estar da humanidade e assim intervindo na procura de soluções que aliviem o peso da doença, nomeadamente, nas áreas da oncologia, neurologia e da visão.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

O Largo do sítio de São Domingos do séc. XIII

Largo de São Domingos na segunda década do séc. XX
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo de São Domingos retira o seu nome do Convento de S. Domingos, erguido neste sítio no séc. XIII e que a partir dessa data  serviu como referência toponímica a toda a zona em seu redor.

Hoje, o Largo de São Domingos define-se na confluência da Rua Dom Antão de AlmadaRua de Barros Queirós, Praça D. Pedro IV e Rua das Portas de Santo Antão, onde se apresenta a Igreja de São Domingos.

A 1ª pedra do Convento da Ordem dos Dominicanos ou Ordem dos Pregadores aqui erguido foi benzida em 1242, no tempo de D. Sancho II, mas só ficou concluído em 1259, já no reinado de Afonso III. Mais tarde será fundado o Convento de S. Domingos de Benfica, em 1399, através de Frei Vicente de Lisboa, o confessor do rei D. João I. O templo da baixa lisboeta foi reedificado em 1536 por via do terramoto de 1531, assim como em 1608 e também após o terramoto de 1755, com um novo traçado de Carlos Mardel e fachada de João Frederico Ludovice. Em 1959, a igreja sofreu violento incêndio e só voltou a abrir ao público em 1994.

Este Largo de São Domingos tem ainda outras memórias da cidade de Lisboa e da história do país de que destacamos três, por ordem cronológica. Da Igreja de São Domingos partiu o Massacre de Lisboa de 1506 (ou Matança da Páscoa de 1506), em que  instigada por dominicanos a população perseguiu e matou centenas de judeus. A assinalar esta data trágica a CML inaugurou em abril de 2008, no centro do Largo,  um Memorial às Vítimas do Massacre Judaico de 1506, tal como um mural onde em  34 línguas está escrito Lisboa Cidade da Tolerância.  Também para a eclosão do 1º de Dezembro de 1640 se fizeram reuniões no edifício que conhecemos como Palácio da Independência, então pertença de D. Antão de Almada, que era dos 40 conjurados. E a partir de 1840, abriu neste Largo de São Domingos a taberna de um galego de apelido Espinheira, que foi a primeira a vender ginjinha, para além da loja ainda hoje ostentar no exterior rimas da autoria do jornalista Esculápio.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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