O Arraial de Belém no Largo Luís Alves Miguel

Freguesia de Belém

Em Belém, no Largo que tem o nome de uma glória da natação do Clube Sportivo de Pedrouços – o Largo Luís Alves Miguel – decorre até amanhã o Arraial de Belém, organizado por esta coletividade no âmbito das Festas de Lisboa 2019, com sons de música popular.

A completar 100 anos no próximo dia 19 de agosto, o Clube Sportivo de Pedrouços continua a dedicar-se a modalidades que a proximidade ao Tejo sempre despoletaram como a natação e a vela, com organização de regatas, para além de outras e de diversas atividades de lazer como nesta época dos Santos Populares.

O Largo Luís Alves Miguel foi atribuído por Edital municipal de 29 de janeiro de 1979, no âmbito das comemorações do 60º aniversário do clube e a pedido da própria associação. Localiza-se esta artéria e topónimo na antiga praceta contida  entre a Rua da Praia de Pedrouços, Travessa do Forte da Areia e Rua Fernão Mendes Pinto, logo junto à Rua de Pedrouços e como tal, perto do Club Sportivo de Pedrouços, para homenagear o seu sócio Luís Alves Miguel (30.06.1900 – 05.02.1977), que foi também seu atleta na natação e no pólo aquático, assim como durante grande parte da sua vida foi seu instrutor de natação na piscina do clube, equipamento que tem também o seu nome.

Luís Alves Miguel foi campeão e recordista nacional em natação, somando inúmeras medalhas de prata e uma de ouro pela Travessia de Lisboa em 12.000 m em 30 de agosto de 1925.

Freguesia de Belém

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Há festa nas ruas da Mouraria

Pelas ruas antigas da Mouraria, Rua do Capelão, Rua João do Outeiro, Rua da Guia, Rua Marquês Ponte de Lima e Largos do Terreirinho e da Severa, se espraia o Arraial do Grupo Desportivo da Mouraria, no âmbito das Festas de Lisboa 2019.

Fundado em 1936 o Grupo Desportivo da Mouraria é também responsável também pela organização da Marcha da Mouraria.

As ruas da Mouraria onde decorre este arraial são das mais antigas de Lisboa. Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no seu Sumário de 1551, já mostra a existência nesse ano de 1551 da Rua do Capelão, da Rua da Mouraria, da Rua dos Cavaleiros, da Rua João do Outeiro e da Rua da Amendoeira.

Sobre a Rua do Capelão, já em 1900 o historiador Pedro de Azevedo apontava que o topónimo talvez derivasse do sacerdote da mesquita intitulado capelão e nos anos 30 do séc. XX, o olisipógrafo Norberto de Araújo ,defendeu que o nome da rua advinha de «um oratório armado numa parede, com frente à rua, e que merecia a maior devoção aos habitantes do sítio; às tardes, a população reunia-se, e rezava em conjunto deante da imagem.» Neste arruamento nasceu a Severa e o fadista Fernando Maurício, para além deste topónimo ser o título pelo qual é conhecido o Velho Fado da Severa, composto por Frederico de Freitas para letra de Júlio Dantas para o 1º filme sonoro português – A Severa – , realizado por Leitão de Barros e estreado em 1931.

E foi de um troço da própria Rua do Capelão, compreendido entre o Beco do Forno e a Rua da Guia, que a edilidade lisboeta já no século XX – através do Edital municipal de 18 de dezembro de 1989 – consagrou na toponímia de Lisboa a primeira fadista, Maria Severa Onofriana, com o Largo da Severa.

A Rua João do Outeiro, segundo Norberto de Araújo, perpetua a memória de um abastado proprietário da Ilha de S. Miguel do séc. XVI, que resolveu vir para Lisboa acabar os seus dias naquela zona da Mouraria. Ainda segundo o mesmo jornalista e olisipógrafo, a Rua da Guia fixou-se dois séculos depois em parte do que havia sido Rua do Capelão, porque por volta de 1752 aqui ter existido um oratório armado numa parede que merecia muita devoção dos moradores do sítio.

A Rua Marquês Ponte de Lima foi dada por Edital municipal de 27 de maio de 1902 à Rua João Carlos d’Oliveira (nascida do Edital municipal de 8 de setembro de 1899), para homenagear D. José Maria Xavier de Lima Vasconcelos Brito Nogueira Teles da Silva (Almeida/12.11.1807 – 21.12.1877/Lisboa), o proprietário do Palácio da Rosa, o 3º marquês de Ponte Lima e 20º morgado de S. Lourenço de Lisboa entre outros títulos que possuía, que como militar no exército dos Liberais fez as campanhas de 1827 e 1828, emigrou para os Açores para juntar-se aos que sustentavam a Carta Constitucional e em 1834 tomou assento na Câmara dos Pares.

Finalmente, o Largo do Terreirinho já existia em 1548, de acordo com informação recolhida pelo olisipógrafo Luís Pastor de Macedo que recolheu. Após a remodelação paroquial de 1770 surge o arruamento mencionado como «Praça do Terreirinho» na freguesia do Socorro.

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O Largo do Salvador, o convento e o seu arraial

Freguesia de Santa Maria Maior

Durante este mês de junho o Largo do Salvador é um palco das Festas de Lisboa’19, centro do arraial organizado pelo Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, que aqui está sediado no que em tempos foi a igreja do Convento do Salvador, construído sobre a ermida de Jesus Salvador da Mata que deu a origem ao topónimo.

Encontramos o Largo do Salvador na confluência da Rua do Castelo Picão,  Rua da Regueira e Rua Guilherme Braga, tal como nas proximidades a Rua e o Beco com o mesmo topónimo e todos colhem a sua denominação do antigo sítio do Salvador da Mata, da Lisboa medieval logo após a conquista da cidade aos mouros (1147), da primitiva ermida de Jesus Salvador da Mata que evolui para ser a igreja paroquial de São Salvador em 1189 e em 1209 foram criadas em Alfama as Freguesias do Salvador e a  de São João da Praça.

O olisipógrafo Norberto de Araújo esclarece que «Estamos no Largo do Salvador. E do Salvador – porquê? Neste sítio, que no comêço da Lisboa era de todo silvestre, em encosta que acompanhava pelo exterior uma parte da muralha moura, apareceu – segundo rezam as lendas – em certa manhã, espetado no chão do matagal, um crucifixo, e perto dêle uma imagem de N. Senhora com o Menino. Milagre era; naquêle tempo devoto, primeiros anos após a conquista, a notícia correu célere por Lisboa. Logo se ergueu uma ermidinha a Jesus Salvador da Mata, porque mata cerrada era tudo isto por aqui. A ermida teve, pouco depois de erguida, grande concorrência de mulheres penitentes que junto dela fizeram um Recolhimento, já levantado em 1240. O sítio foi-se desbravando, povoando, dando uma pequena freguesia, o que se explica, porque a Ermida era do priorado.» 

O pequeno recolhimento das Beatas de São Salvador da Mata deu origem à fundação do Convento feminino do Salvador em 1391/1392, da Ordem dos Pregadores, pelo bispo do Porto D. João Esteves, no espaço que hoje é do Largo do Salvador. O Convento também foi denominado do Santíssimo Rei Salvador de Lisboa, de São Salvador e do Santo Rei Salvador. Em finais do séc. XVI foi a vez de ser também construído neste Largo o Palácio dos Condes de São Miguel ( ou Palácio dos Condes de Arcos de Valdevez) que se ligou ao Mosteiro pelo denominado Arco do Salvador, estrutura que resistiu ao Terramoto de 1755.

O Mosteiro encerrou em 1884 por morte da última freira e a igreja desvinculada do culto. O Largo do Salvador teve obras de remodelação em 1961, no âmbito da reestruturação de Alfama. A parte da igreja foi entregue à Junta de Freguesia local que por sua vez cedia o espaço ao Centro Cultural Dr. Magalhães Lima desde a sua fundação em 5 de outubro de 1975. Na outra parte do antigo mosteiro feminino dominicano hoje lá encontramos o Hotel Convento do Salvador.

Freguesia de Santa Maria Maior

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Cordoeiros, Santo Antoninho e um arraial na Bica

O Largo de Santo Antoninho (à esquerda) e a Rua dos Cordoeiros (à direita)

No mês de Santo António e dos Santos Populares, encontramos um dos arraiais da Bica a espraiar-se justamente pelo Largo de Santo Antoninho e também pela Rua dos Cordoeiros, promovido pelo Grupo Desportivo Zip Zip, uma associação nascida em 17 de agosto de 1974, com sede na Rua dos Cordoeiros nºs 9 a 15.

O Largo de Santo Antoninho existe na confluência da Calçada da Bica Pequena, Rua dos Cordoeiros e Travessa da Bica Grande, atravessado pelo Elevador da Bica desde que este foi  inaugurado no dia 28 de junho de 1892. As memórias paroquiais de 1758, da freguesia de São Paulo, «cituada esta freguezia em hua praya, da qual se descobre a villa de Almada, e as povoações de Casilhas, Fonte da Pipa, e parte de Caparica», na situação após Terramoto já mencionam este arruamento, mas como Terreirinho de Santo António. Depois, algures no séc. XIX mas ainda antes da implantação do funicular o Terreirinho passou a Largo e Santo António a Santo Antoninho. Em 1852, no traçado de um prédio no n.º 2 a 5 que João Venâncio Nunes pretendia acrescentar, surge como Largo do Terreirinho de Santo Antoninho. Na planta de 1856 de Filipe Folque é já Largo de Santo Antoninho tal como em 12 de abril de 1875, a deliberação de câmara para lhe colocar a cortina do lado ocidental e uma grade de ferro o refere também como Largo de Santo Antoninho.

Curioso é encontrarmos nos documentos municipais, em 1903 e 1905, pedidos de autorização para realizar festas no arruamento, no mês de junho. Em 6 de junho de 1903 é um termo que assina Bento Fernando Lopes, como representante dos moradores do Largo de Santo Antoninho, obrigando-se às condições com que lhes foi concedida a autorização para vedar o mesmo largo e abrir buracos no chão para a ornamentação dos festejos. Em 20 de maio de 1905 é um termo assinado por Bellmiro dos Santos, como representante do Grupo Recreativo do Largo de Santo Antoninho, solicitando  licença para vedar um recinto no mesmo largo e colocação de um coreto e mastros para a promoção de bailes durante o mês de junho.

Já a Rua dos Cordoeiros que liga o Largo de Santo Antoninho à Calçada Salvador Correia de Sá, parece ser uma artéria pelo menos do final do século XVI, já que o Sítio da Bica, na vertente das encostas de Santa Catarina e das Chagas, foi cavado por efeito de um desmoronamento de terras restrito ao local, ocorrido em 22 de julho de 1597 e que se repetiu 25 anos mais tarde. Na planta de 1856 de Filipe Folque está registada a Rua dos Correeiros a terminar na  Calçada de São João Nepomuceno. Os cordoeiros que fabricavam cordas para velas e bandeiras ficaram perpetuados em diversa toponímia lisboeta, enumerando Luís Pastor de Macedo as artérias de Lisboa que evocaram este ofício: «Os cordoeiros ou as cordoarias deram o nome, em Lisboa, às seguintes serventias públicas, pelo menos: à travessa da Cordoaria, na freguesia de Santo Estêvão, nos meados do século XVI, às ruas da Cordoaria Nova e da Cordoaria Velha na freguesia dos Mártires, esta última já classificada de Velha em 1477, à rua dos Cordoeiros que ainda existe compartilhada pelas freguesias de Santa Catarina e de S. Paulo, e à rua dos Cordoeiros em Pedrouços que também mantém ainda este nome. Sabemos ainda que os cordoeiros, em 1821, abancavam no terreiro de S. Pedro de Alcântara e que em 1552 havia na cidade 25 tendas daquele ofício». Refira-se ainda que a existência da Cordoaria Nacional, antiga Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira, criado pelo Marquês de Pombal por decreto de 1771.

Freguesia da Misericórdia

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O 25 de Abril e a queda do regime no Largo do Carmo

Uma coluna comandada por Salgueiro Maia sai da Praça do Comércio cerca das 11H30 para o Largo do Carmo, onde  monta cerco ao Quartel do Carmo, no qual estava refugiado Marcelo Caetano. O cerco manteve-se durante as horas seguintes tendo às 18H20 um comunicado do MFA informado o País da rendição de Marcelo Caetano a que se seguiu um outro, às 19H50, anunciando formalmente a queda do Governo.

O Largo lisboeta que deve o seu nome ao Mosteiro de Nossa Senhora do Vencimento do Monte do Carmo, ali mandado erguer por Nuno Álvares Pereira no último quartel do século XIV, foi no dia 25 de abril de 1974 o palco da queda do regime, confirmada às 18:20 horas num comunicado do MFA e reconfirmada às 19:50  num outro emitido pelo Rádio Clube Português.

Por volta das 5 horas da madrugada, o Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, foi aconselhado por telefone pelo diretor-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, a refugiar-se no Quartel do Comando-Geral da GNR, no Largo do Carmo. Cerca das 11:30 uma coluna da EPC, comandada por Salgueiro Maia, saiu da Praça do Comércio para montar cerco ao Quartel do Carmo, sendo aclamada pela população ao longo do percurso.

De acordo com Salgueiro Maia, «Pelo meio dia e trinta cerquei o quartel da G.N.R. do Carmo. Foi bastante importante o apoio dado pela população no realizar destas operações pois que além de me indicarem todos os locais que dominavam o quartel e as portas de saída deste, abriram portas, varandas e acessos a telhados para que a nossa posição fosse mais dominante e eficaz. Também nesta altura começaram a surgir populares com alimentos e comida que distribuíram pelos soldados».

Cerca das 15:10 Salgueiro Maia, munido de um megafone,  solicita a rendição de Marcelo Caetano em 10 minutos. Às 15:30, o capitão Maia manda o tenente Santos Silva fazer uma rajada da chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir. O Largo do Carmo está repleto de população. Quarenta e cinco minutos depois, Salgueiro Maia ordena ao alferes miliciano Carlos Beato a instalação dos seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império para fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, com armas automáticas G-3. Quinze minutos depois (16:25) impõe a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a começar a contagem que é interrompida pelo tenente Alfredo Assunção, para lhe apresentar Pedro Feytor Pinto (diretor dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo) e Nuno Távora,  mensageiros do general Spínola para Marcelo Caetano, que são autorizados a entrar no Quartel.

Às 16:30, Spínola comunicara ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo e Otelo concedeu-lhe esse mandato, após recolher a opinião dos presentes. Às 17 horas  Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo e fala com Marcelo Caetano que solicita um oficial-general, António de Spínola, para fazer a transmissão de poderes.

Salgueiro Maia volta ao Largo do Carmo e pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho – oposicionistas ligados à CEUD e ao PS- para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e apela à calma, usando o megafone. Às 17:45 chega ao Largo do Carmo o general Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, o major Carlos Alexandre Morais, o capitão António Ramos e o Dr. Carlos Vieira da Rocha e passados quinze minutos, após receber de Salgueiro Maia a informação sobre como os membros do Governo serão evacuados, entra acompanhado por ele no interior do Quartel do Carmo. O general Spínola informa Marcelo Caetano dos procedimentos para a sua saída do local e posterior deslocação para a Madeira.

Já em pleno Largo do Carmo, Salgueiro Maia pede à população que abandone o local para se proceder à evacuação do Presidente do Conselho e dos ministros que ali estavam com ele mas o apelo é ignorado. Às 18:20, um comunicado do MFA dá conta ao País da rendição de Marcelo Caetano e dos membros do seu governo. Cinco minutos depois, às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel do Carmo e às 19 horas, Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na Chaimite Bula para o Quartel da Pontinha. Às 19:50, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA anuncia formalmente a queda do Governo:

 Posto de comando do Movimento das Forças Armadas. Continuando a dar cumprimento à sua obrigação de manter o País ao corrente do desenrolar dos acontecimentos, o Movimento das Forças Armadas informa que se concretizou a queda do Governo,tendo Sua Ex.ª o prof. Marcello Caetano apresentado a sua rendição incondicional a Sua Ex.ª o general António de Spínola. O ex-presidente do Conselho, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e o ex-ministro do Interior encontram-se sob custódia do Movimento, enquanto Sua Ex.ª o almirante Américo Tomás e alguns ex-ministros do Governo se encontram refugiados em dois aquartelamentos que estão cercados pelas nossas tropas e cuja rendição se aguarda para breve.
O Movimento das Forças Armadas agradece a toda a população o civismo e a colaboração demonstrados de maneira inequívoca desde o início dos acontecimentos, prova evidente de que ele era o intérprete do pensamento e dos anseios nacionais. Continua a recomendar-se a maior calma e a estrita obediência a todas as indicações que forem transmitidas. Espera-se que amanhã a vida possa retomar o seu ritmo normal, por forma a que todos, em perfeita união, consigamos construir um futuro melhor para o País. Viva Portugal!

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Publicação municipal do Largo Frederico Valsassina

A publicação municipal de toponímia referente ao Largo Frederico Valsassina, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia de Marvila, já está online.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

 

O Quartel-General do Governo Militar de Lisboa e o Largo de São Sebastião da Pedreira

(Foto: A Capital, 25 de abril de 1974, edição das 12 horas)

O Quartel- General da RML – posto de comando das Unidades da Região Militar de Lisboa e centro de comunicações de grande importância – foi cercado pelas 3H30 por uma força do Batalhão de Caçadores n.º 5. Estiveram envolvidos cerca de 100 militares, comandados pelo capitão Bicho Beatriz, com a rendição cerca de uma hora depois.

O Quartel-General da Região Militar de Lisboa, instalado no Palácio Vilalva, no Largo de São Sebastião da Pedreira, foi cercado às 3:30 pela 1ª Companhia Operacional do Batalhão de Caçadores nº 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, que desceram da Rua Marquês de Fronteira. Às 4:30 horas, rendeu-se o governo militar de Lisboa e o major Cardoso Fontão comunicou ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes. Cerca das 9:15, uma força da Escola Prática de Cavalaria, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, foi reforçar a ocupação de Canadá.

O  Largo de São Sebastião da Pedreira, como a Rua e a Travessa da mesma invocação, são topónimos nascidos no sítio da Pedreira, onde já no século XVI existia uma pequena ermida dedicada a São Sebastião, construída pelos moradores da Rua das Arcas da freguesia de São Nicolau, que tomaram este santo como protetor contra o mal da peste, prometendo ir lá todos os domingos com um sacerdote para celebrar missa, festejando o orago no seu dia – 20 de janeiro – e fazendo procissão, que se realizou até 1755. No século XVII,  em 1652, D. João IV também dedicou uma igreja no largo do mesmo nome a S. Sebastião da Pedreira.

Este Largo de São Sebastião da Pedreira, na freguesia das Avenidas Novas, situa-se na confluência da Rua de São Sebastião da Pedreira, Rua Dr. Nicolau Bettencourt e Rua Marques de Sá da Bandeira.

(Foto: A Capital, 25 de abril de 1974, edição das 12 horas)

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Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, inauguração do Largo Frederico Valsassina

Largo Frederico Valsassina – Freguesia de Marvila

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, às 10: 30 horas, será inaugurado o Largo Frederico Valsassina, junto à entrada principal do Colégio Valsassina, com a presença de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,  bem como de familiares do homenageado.

Conforme a Vereadora Catarina Vaz Pinto refere na nota introdutória da brochura sobre Frederico Lúcio de Valsassina Heitor (Lisboa/17.07.1930 – 07.05.2010/Lisboa), a edilidade «orgulha-se de homenagear Frederico Valsassina Heitor pelo seu projeto educativo de base humanista, justamente no ano em que se comemoram os 120 anos da criação do Colégio Valsassina e passados setenta anos sobre a aquisição da Quinta das Teresinhas, sede do respetivo estabelecimento de ensino. O Largo Frederico Valsassina é o reconhecimento do seu legado como educador e docente, pedagogo peculiar e humanista com reflexo na cidade de Lisboa e no país.»

A Rádio Marconi e a Rua de São Julião

Largo de São Julião
(Diário Popular, 25 de abril de 1974)

Cerca das 5H45 as forças da EPC, comandadas por Salgueiro Maia, instalaram-se  na Praça do Comércio, assumindo simbolicamente o poder dos Ministérios e cercando outros pontos estratégicos próximos, como a Rádio Marconi, Viena de nome de código.

No dia 25 de abril de 1974, a coluna da EPC- Escola Prática de Cavalaria comandada por Salgueiro Maia, chega à Baixa de Lisboa, cerca os ministérios e ocupa a Praça do Comércio (Toledo, de nome de código), bem como outros pontos estratégicos da zona, como o Banco de Portugal na Rua do Comércio e a Rádio Marconi, na paralela Rua de São Julião. Ao Posto de Comando instalado na Pontinha comunicou Salgueiro Maia «maior de Charlie Oito ao Posto de Comando: Ocupámos Toledo e controlamos Bruxelas e Viena.» Conforme  Salgueiro Maia declarou na altura ao jornalista Adelino Gomes,  «Estamos aqui para derrubar o Governo».

Viena era o nome de código da sede da Rádio Marconi, instalada no nº 131 da Rua de São Julião desde 1925  e  por extenso denominada  Companhia Portuguesa Rádio Marconi, SA., uma empresa de telegrafia e de satélite portuguesa. A CPRM – Companhia Portuguesa de Rádio Marconi foi constituída a partir do contrato de concessão celebrado entre o governo português e a Marconi Wireless Telegraph Company Limited , com  estatutos publicados em 18 de julho de 1925. A sua preponderância nas comunicações sem fios tornou-a um alvo estratégico.

A Rua de São Julião é uma artéria pombalina resultante do reordenamento urbanístico da Baixa lisboeta após o terramoto de 1755, que se estende da Rua da Padaria ao  Largo de São Julião, sendo este último confinante com a Rua do Comércio e a Praça do Município. Este topónimo foi atribuído pelo decreto régio de 5 de novembro de 1760  – o primeiro diploma a instituir topónimos na cidade -, junto com a determinação de neste arruamento se instalarem os algibebes, os vendedores de fatos já feitos ao invés dos alfaiates que os faziam por medida.

De acordo com Norberto de Araújo esta artéria teria como antepassada a rua de San Gião referida  no Pranto de Maria Parda do teatro vicentino. Já segundo Luís Pastor de Macedo, começou este arruamento a ser referido com o nome oficial de São Julião em 1762, e em 1781, era mais conhecido como rua ou travessa dos Algibebes.

Tanto a Rua como o Largo de São Julião, são topónimos resultantes da proximidade à igreja medieval de São Julião, na qual, de acordo com a tradição oral, terá sido batizado Pedro Julião, também conhecido como Pedro Hispano e que se tornou o Papa João XXI, em 20 de setembro de 1276. Esta igreja de São Julião foi paróquia do Paço da Ribeira mas ruiu com o terramoto o que obrigou à sua reedificação, que decorreu de 1802 até 1810. No século  XX  o templo passou a propriedade do Banco de Portugal, sendo agora o Museu da Moeda, após a adaptação traçada pelo arquiteto Gonçalo Byrne.

A Rua de São Julião
(Flama, 3 de maio de 1974)

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O Comando Geral da Legião Portuguesa e o Largo da Penha de França

O Quartel-general da Legião Portuguesa, foi ocupado pelas 14H00,  por uma força da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, saída do Terreiro do Paço e comandada pelo major Jaime Neves, evitando qualquer tentativa de oposição ao MFA.

Da Praça do Comércio saíram duas forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém: uma força comandada por Salgueiro Maia para o Quartel da GNR no Largo do Carmo e outra, dirigida por Jaime Neves – com forças do Regimento de Cavalaria 7, Regimento de Lanceiros 2 e Regimento de Infantaria 1-, para o Comando da Legião Portuguesa, no nº 1 do Largo da Penha de França. As instalações da Legião – com o nome de código Marrocos – foram ocupadas às 14 horas evitando assim qualquer oposição ao movimento.

Este Largo da Penha de França, na confluência da Rua da Penha de França e da Rua Marques da Silva, tem a sua origem no próprio topónimo do sitio: a Penha de França. Um escultor de imagens sacras ou imaginário, de seu nome António Simões,  encontrando-se perdido em Alcácer Quibir fez a promessa de que se voltasse a Portugal fabricaria várias imagens de Nossa Senhora e lhes daria um destino condigno. Já regressado a Portugal, chamou Senhora da Penha de França (crê-se que por invocação de um santuário de Salamanca) à última imagem que produziu e esta foi inicialmente colocada na Igreja da Vitória, na  Baixa de Lisboa. Depois, o escultor lá conseguiu erguer uma Ermida, no Monte Alperche, em terrenos de Afonso Torres de Magalhães, e foi nessa Ermida ainda em construção, em 1597, que foi acolhida a dita imagem de Nossa Senhora da Penha de França, sendo apenas no ano seguinte que ficou terminado o seu templo. Em 1604, começou a construir-se no sítio uma nova Igreja, bastante maior e até com Casa Conventual que ficou terminada em 1635, sendo esta que acabou por estender o nome da Senhora da Penha de França a todo o sítio, até chegar a ser também o da própria freguesia.

O sítio foi habitado pelo menos desde a época muçulmana, memória que parece ter ficado na Calçada do Poço dos Mouros, ou até em períodos anteriores, uma vez que a toponímia portuguesa usa muitas vezes a palavra «Mouro» e seus derivados para locais ocupados ainda em períodos neolíticos ou para assinalar gente de diferentes culturas.

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