Fernando Assis Pacheco em Campo de Ourique

capa da brochura

Fernando Assis Pacheco celebraria hoje o seu 79º aniversário e, Lisboa continua a guardar a memória deste jornalista e escritor, numa rua de Campo de Ourique, desde que o Edital de 9 de fevereiro de 1999 atribuiu o seu nome à Rua Particular à Rua Saraiva de Carvalho.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (Coimbra/01.02.1937 – 30.11.1995/Lisboa) foi um jornalista, escritor, crítico literário, tradutor e apaixonado da arte de viver que residiu mais de trinta anos na Travessa do Patrocínio.

Como jornalista, Assis era capaz de arrancar histórias ao quotidiano e transformá-las em crónicas brilhantes, tendo deixado a sua marca inconfundível na imprensa escrita em títulos como o Diário de Lisboa, o República, o JL-Jornal de Letras, o Artes e Ideias, o Musicalíssimo, a revista Visão, bem como no Se7e onde também foi diretor-adjunto  e, n’ O Jornal onde acumulou com as funções de Chefe de Redação e de critico literário.

A sua primeira obra Cuidar dos Vivos (1963), um conjunto de poemas de protesto político e cívico, publicada com o patrocínio paterno, já comportava o que serão os seus temas na poesia e na ficção: a experiência da Guerra Colonial e a realidade social e política. Na sua obra somou a poesia de Câu Kiên: Um Resumo  (1972) reeditado em 1976 como Catalabanza Quilolo e Volta, Memórias do Contencioso (1976, com edição definitiva em 1980), Siquer este refúgio (1978), Enquanto o autor fuma um caricoço, seguido de Os Sons que passam (1978), A Profissão Dominante (1982), Variações em Sousa e Nausicaah! (ambos em 1984), A Bela do Bairro e outros poemas (1986), a antologia  Musa Irregular  (1991) ou a ficção de Walt  (1978) bem como Os Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993), assim como as edições publicadas postumamente como a poesia de Respiração Assistida (2003), as crónicas de futebol publicadas no jornal Record em 1972 com o título de Memórias de um Craque  (2005) e o recente Bronco Angel, o cow-boy analfabeto (2015), fascículos originalmente escritos semanalmente para o Bisnau sob o pseudónimo de William Faulkingway.

Fernando Assis Pacheco,  filho de José V. M. Assis Pacheco e Maria da Conceição Mendes de Assis Pacheco, casou em 4 de fevereiro de 1963 com Maria do Rosário Pinto de Ruela Ramos, a sua Rosarinho, de quem teve 6 filhos: Rita, Ana, Rosa, Catarina, Bárbara e João.

Licenciado em Filologia Germânica, Assis Pacheco também traduziu obras de Pablo Neruda e de Gabriel García Marquez e foi colaborador da RTP. Nasceu e viveu a juventude em Coimbra tendo sido ator do TEUC e CITAC bem como redator da revista Vértice. Entre 1961 e 1963 cumpriu o serviço militar em Portugal mas nos dois anos seguintes foi destacado para a guerra colonial, em Angola. Conhecido pelo seu sentido de humor e bonomia ficou também popular por via da televisão, como participante do concurso A Visita da Cornélia. Amante de livros e da vida, como ele próprio referiu «contava não esticar o pernil antes de 1999, mas tropeçou sem querer» em 1995, aos 58 anos, à porta da Livraria Buchholz.

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Guilherme de Azevedo ou de João Rialto

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo foram ambos colaboradores do jornal de humor político António Maria (1879 – 1898), dirigido por Rafael Bordalo Pinheiro, sendo aí João Rialto o pseudónimo de Guilherme de Azevedo e João Ribaixo o de Ramalho.

Rua Guilherme de Azevedo foi o topónimo escolhido para a Rua nº 17, fixado pelo Edital 19/07/1948, que nestes primeiros arruamentos do Bairro de Alvalade juntou ainda a Avenida da Igreja (arruamento que divide os grupos um e dois), a Rua Afonso Lopes Vieira (Rua nº 1), a Rua Branca de Gonta Colaço (Rua nº 2), a Rua Fernando Caldeira (Rua nº 3), a Rua Rosália de Castro (Rua nº 4), a Rua Alberto de Oliveira (Rua nº 5), a Rua João Lúcio (Rua nº 6), a Rua António Pusich (Rua nº 7), a Rua Fausto Guedes Teixeira (Rua nº 8), a Rua Eugénio de Castro (Rua nº 9), a Rua Violante do Céu (Rua nº 10), a Rua Fernando Pessoa (Rua nº 11), a Rua Luís Augusto Palmeirim (Rua nº 12), a Rua António Patrício (Rua nº 13), a Rua Bernarda Ferreira de Lacerda (Rua nº 14), a Rua Eduardo Vidal (Rua nº 15), a Rua Camilo Pessanha (Rua nº 16), a Rua Mário de Sá Carneiro (Rua nº 18) e a Rua Florbela Espanca (Rua nº 19).

O homenageado é Guilherme Avelino de Azevedo (Santarém/30.11.1839 – 06.04.1882/Paris), jornalista e escritor que se fixou em Lisboa em 1874 e iniciou uma cooperação com Rafael Bordalo Pinheiro tendo participado nos jornais A Lanterna Mágica (1875), O Pimpão (1876), O António Maria (1879) e o Álbum das Glórias (1880). Já antes, em 1871,  fundara em Santarém O Alfageme, onde com escândalo do país da época defendeu as ideias da Comuna de Paris. Em Lisboa, trabalhou para os jornais Diário da Manhã, Primeiro de Janeiro, O Panorama,  Jornal de Domingo, Comércio de Lisboa, A Revolução de Setembro, bem como para as revistas A Mulher, República das Letras,  Ribaltas e Gambiarras , assim como para a imprensa brasileira, tendo sido aliás nomeado pela carioca Gazeta de Notícias como seu correspondente em Paris, a partir de 1880.

Guilherme de Azevedo usou vários pseudónimos e a ferocidade do seu humor valeu-lhe a alcunha de «Diabo Coxo», em que se aludia também à sua debilidade física. Ligado à Geração de 70 foi um autor de realismo satírico e um dos representantes da poesia revolucionária introduzida em Portugal por Antero de Quental.  Publicou os primeiros versos no Almanaque de Lembranças de 1864, sob o pseudónimo de G. Chaves, a que seguiram três colectâneas: Aparições (1867), Radiações da Noite (1871) e Alma Nova (1874). Na Gazeta do Dia, em parceria com Guerra Junqueiro, manteve as crónicas humorísticas intituladas «Ziguezagues». Ainda com Junqueiro, em 1879, redigiu a sátira teatral Viagem à roda da Parvónia, que seria pateada e proibida, mas que Ramalho Ortigão considerou uma «fiel pintura dos costumes constitucionais» da época.

No ano do centenário do seu nascimento, a edilidade lisboeta promoveu uma Exposição comemorativa  no Museu Rafael Bordalo Pinheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Pinheiro Chagas

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

A ligação de Pinheiro Chagas a Ramalho Ortigão, para além do duelo que opôs Ramalho a Quental na sequência do prefácio de Castilho à 1ª obra de Pinheiro Chagas, radica também no caso de  ambos terem sido os representantes de Portugal, em 1893, à Exposição Histórica Europeia de Madrid, por ocasião das festas comemorativas do centenário de Cristóvão Colombo.

Foi nove anos depois disso e sete anos após o falecimento de Pinheiro Chagas que este passou a dar nome à via pública entre a Rua Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Sá da Bandeira, através do Edital de 29/11/1902.

Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (Lisboa/13.11.1842-08.04.1895/Lisboa) foi sobretudo um jornalista e político que também foi também escritor. Destinado pelo major seu pai à carreira militar, o que dava azo a Eça de Queirós apodá-lo como «brigadeiro Chagas», começou no jornal A Revolução de Setembro, então dirigido por Rodrigues Sampaio e cedo fez estilo mesclando o jornalismo noticioso com a intervenção política. Foi diretor literário do Jornal do domingo e colaborou com O Panorama, Arquivo Pitoresco, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, A Ilustração Portuguesa, A semana de Lisboa e Branco e Negro.

A partir de 1871, após colaborar no jornal A Discussão, órgão do Partido Constituinte, iniciou-se na política sendo nesse mesmo ano deputado pela Covilhã. Em 1875, passou a ser o diretor do jornal e no ano seguinte mudou-lhe o título para Diário da Manhã. Pinheiro Chagas foi ainda mais vezes deputado, pela Covilhã (1874, 1878), por Arganil (1880, 1881), pelas Caldas da Rainha (1884) e por Viana do Castelo (1887, 1889, 1890). Retomou a sua carreira militar em 1883 – interrompida em 1866- ao ser chamado para Ministro da Marinha e Ultramar, numa fase decisiva da partilha de África pelas potências europeias. Em paralelo, e à imagem das sociedades de exploração britânicas, Pinheiro Chagas também se associou a um grupo de intelectuais e políticos para fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa com o intuito de promover um conjunto de viagens de exploração em África e daí resultou o mapa cor-de-rosa e as viagens de, entre outros, Capelo, Ivens e Serpa Pinto.

Enquanto escritor, começou na poesia com Anjo do Lar (1863), seguida de Poema da Mocidade (1865), com um prefácio de Castilho que fez eclodir a Questão Coimbrã e até um duelo, numa polémica literária que opôs o grupo de Pinheiro Chagas, Brito Aranha, Camilo Castelo Branco e Ramalho Ortigão à Geração de Teófilo BragaAntero de Quental e Eça de Queirós.

Da sua ficção, destaquem-se Tristezas à Beira-Mar (1866), A Flor Seca (1866), A Corte de D. João V (1873), O terramoto de Lisboa (1874) e A Mantilha de Beatriz (1878) e, na dramaturgia A Morgadinha de Valflor (1869), Deputado de Venhanós (1869), A Judia (1869), À Volta do Teatro (1868) e Quem Desdenha (1875). Também se interessou pela História e produziu trabalhos de pouco rigor e falta de erudição como Portugueses Ilustres (1869),  os seus 8 volumes da História de Portugal (1869-1874), História Alegre de Portugal (1880) e Migalhas da História de Portugal (1893).

Para além de Par do Reino, Pinheiro Chagas foi ainda nomeado presidente da Junta do Crédito Público, em agosto de 1893, cargo que ocupou até falecer.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Júlio César Machado

Ilustração Portuguesa, 18.04.1904

Ilustração Portuguesa, 18.04.1904

Esta artéria que une a Rua do Salitre à Avenida da Liberdade, e que até à publicação do Edital de 27/08/1904 se designava Travessa do Moreira, evoca Júlio César Machado que prefaciou o livro de Ramalho Ortigão intitulado Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875).

Placa Tipo II - Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Escritor e folhetinista, Júlio César Machado (Lisboa/01.10.1835 – 12.01.1890/Lisboa), deixou obra em biografias, contos, crónicas, romances, comédias e dramas, sendo de salientar o constante retrato da vida lisboeta da sua época, de forma humorística, como nos seus dois volumes de A Vida em Lisboa (1858), para além dos guias turísticos Lisboa na rua (1874) e Lisboa de Ontem (1877).

O seu romance Estrela d’ Alva (1850) foi publicado no jornal A Semana em formato de folhetim, com o apoio de Camilo Castelo Branco. Trabalhou mesmo como folhetinista do Diário de Notícias e colaborou também  no Paquete do Tejo, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, Renascença e Ribaltas e Gambiarras.

Somem-se ainda os romances Cláudio (1852), Estevão (1853), os Contos ao Luar (1861), Cenas da Minha Terra (1862), os livros de viagens Recordações de Paris e Londres (1863) e Do Chiado a Veneza (1867), o ensaio humorístico Da loucura e das manias em Portugal (1871), e com Rafael Bordalo Pinheiro o  Álbum de caricaturas: frases e anexins da lingua portuguesa (1876).

No teatro, traduziu peças do francês, principalmente as de Scribe, e escreveu comédias originais para o Teatro Ginásio, de onde se destacam Os três sapadores (1853), Amigos… Amigos… (1854), A esposa deve acompanhar seu marido (1861), A Senhora está deitada (1873). Foram também suas as biografias dos atores Isidoro, Sargedas, Soller, Taborda e Tasso, bem como o guia Os teatros de Lisboa (1874).

Júlio César Machado também passava os seus tempos de lazer em A-dos-Ruivos, uma aldeia do Bombarral, mas foi em Lisboa, no mesmo dia em que o Governo português recebia o ultimato britânico que se suicidou em conjunto com a mulher, na sequência da perda do filho único.

Freguesia de Santo Anmtónio (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do autor de comédias e «E Pluribus Unum» Félix Bermudes

O Domingo Ilustrado, 04.10.1925

O Domingo Ilustrado, 04.10.1925

Félix Bermudes, o autor de comédias muitas vezes em parceria com João Bastos e Ernesto Rodrigues, que foi também desportista e benfiquista criador da divisa E Pluribus Unum, dá o seu nome a uma Rua de Marvila, que era o Impasse 4 à Rua Doutor José do Espírito Santo, desde a publicação do Edital de 31 de agosto de 1993.

Félix Bermudes (Porto/04.07.1874- 05.01.1960/Lisboa) destacou-se como escritor teatral de mérito, somando 105 peças, sobretudo em comédias como o Leão da Estrela, operetas e revistas, muitas vezes em parceria com Ernesto Rodrigues e João Bastos de tal forma que a imprensa os cognominou «Parceria», como aconteceu no caso das comédias O Conde Barão, O Amigo de Peniche, A Bicha de Rabiar, Arroz Doce, ou O Quadro das Lendas estreada no Teatro Apolo em 1914 ou, só com Ernesto Rodrigues, a revista Cocorocócó que em 1912 foi exibida no Teatro Avenida. Em 1933 escreveu o texto da opereta O Timpanas com música de Frederico de Freitas.

É também seu e de Ernesto Rodrigues e João Bastos o guião do filme O Leão da Estrela (1947), realizado por Arthur Duarte, bem como de João Ratão (1940), ambos escritos primeiro como comédias. Foi também um 12 fundadores da Editora Cinematográfica que em 1934 lançou a revista Cine.

Félix Bermudes foi ainda o tradutor de peças americanas e alemãs e do poema «If» de Rudyard Kipling bem como dos Versos Doirados dos Pitagóricos, para além de ter sido um dos membros fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (hoje, Sociedade Portuguesa de Autores) e,  o seu 2º presidente, de 1928 até 1960, tendo em 1958 lançado o boletim Autores.

Todavia, Félix Bermudes foi também na sua essência um desportista, tendo cultivado modalidades tão díspares como o atletismo, o ciclismo, a esgrima,  o futebol, o hipismo, o remo, o ténis, e o tiro, em que foi campeão nacional e representou o país nos Jogos Olímpicos de 1920 e 1924.

Foi também fundador do Sport Lisboa e Benfica, sócio nº5, e  em 1906, com Cosme Damião, evitou o desmoronamento do clube, contribuindo com dinheiro próprio para o efeito. Exerceu vários cargos diretivos, como vogal da Direção do Benfica a partir de 26 de fevereiro de 1909 e foi eleito Presidente deste Clube por 3 vezes: em 15 de julho de 1916,  em 18 de julho de 1930 e em 18 de janeiro de 1945 (mas não tomou posse em 1930). Nos seus mandatos, o Benfica obteve 3 vitórias consecutivas no Campeonato de Lisboa (1915/16 a 1917/18) e, em 1945, sagrou-se campeão nacional para além de ter resolvido o problema da sede da Avenida Gomes Pereira, através da compra do edifício por 700 contos, a liquidar em 15 anos. Ainda no clube da Luz foi da sua autoria a sugestão para a bem conhecida divisa E Pluribus Unum eautor da letra do primeiro Hino do Benfica, Avante, Avante p`lo Benfica, com música de Alves Coelho, composto por ocasião do 25º aniversário do Clube (1929) , que acabou censurado pelo Estado Novo em 1942.

Félix Bermudes teve ainda um único irmão, o arquiteto Adães Bermudes, e foi pai de Cesina Adães Bermudes, ambos  incluídos também na toponímia lisboeta.

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

A Rua da mulher de teatro Maria Matos

Maria Matos por Amarelhe

Maria Matos e Mendonça de Carvalho por Amarelhe

Maria Matos, grande senhora do teatro português, protagonista de comédias e autora de peças, passou a denominar a Rua F, à Quinta do Charquinho, 14 anos após o seu falecimento, em 1966.

E assim Maria Matos e Adelina Abranches ficaram na toponímia de Benfica, no Bairro do Charquinho, pelo Edital de 10 de novembro de 1966, a partir de uma sugestão inserida no jornal O Século, de 31/10/1962 .

No filme « Costa do Castelo» (194£)

Como Mafalda no filme « Costa do Castelo» (1943)

De seu nome completo Maria da Conceição de Matos Ferreira da Silva (Lisboa/29.09.1886-19.09.1952/Lisboa), desenvolveu uma notável carreira enquanto atriz, escritora dramática e professora.

Estudou  Piano, Canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, fazendo exame final com a peça Rosas de Todo Ano escrita para ela por Júlio Dantas e, concluiu o seu curso de teatro com o 1º Prémio da Arte de Representar, em 1907. Nesse mesmo ano estreou-se no palco do Teatro D. Maria II, na peça Judas e logo no ano seguinte tornou-se «societária» daquele palco com Eduardo Brazão, Ferreira da Silva e Adelina Abranches. Em 1912, mudou-se para a companhia de Lucinda Simões, no Teatro Ginásio e, para a comédia. Casou com o ator Francisco Mendonça de Carvalho em 1913, com quem fundou a empresa teatral Maria Matos – Mendonça de Carvalho, e com teve uma filha, Maria Helena Matos, que também viria a ser atriz e,  foi nessa companhia do casal que interpretou centenas de obras, especialmente do género farsa, e assim se tornou um verdadeiro ídolo das plateias onde estiveram sediados, primeiro no Teatro Ginásio e depois, no Avenida. Para além de digressões pelo país e Brasil, Maria Matos também subiu aos palcos alfacinhas do Teatro Apolo, Variedades, Politeama e Trindade.

Esta mulher do teatro também sentiu necessidade de ser ela a escrever as próprias peças a levar à cena como Escola de Mulheres (1937), Direitos de Coração (1937), A Tia Engrácia (1936), para além de ser autora de outra obra – Dizeres de Amor e Saudade (1935). Postumamente, foram ainda publicadas As Memórias da Actriz Maria Matos (1955).

Maria Matos, a partir de 1940 foi também professora do Conservatório Nacional de Lisboa nas cadeiras de Estética Teatral e de Arte de Dizer, até ao ano de 1945 em que se demitiu.

Maria Matos ficou também célebre no cinema, em filmes como O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio e  Um Homem às Direitas (ambos em 1944) ou As Pupilas do Senhor Reitor (1935) , a Varanda dos Rouxinóis (1939) ou ainda, A Morgadinha dos Canaviais  e Heróis do Mar (ambos em 1949).

Foi ainda agraciada com um louvor publicado no Diário do Governo pelos serviços prestados ao Teatro (1915), o Hábito de Santiago da Espada (1934) e, em 22 de 0utubro de 1969, abriu em Lisboa o Teatro com o seu nome.

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

Pedro Bandeira próximo de José Galhardo em ruas do Lumiar

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A partir de uma sugestão da Sociedade Portuguesa de Autores para que Pedro Bandeira e José Galhardo, ambos escritores e membros da direção da SPA, integrassem a toponímia de Lisboa foram os nomes destes atribuídos, por Edital de 11/11/1983, no Impasse 4.1 e no Impasse 4, da Urbanização da Quinta do Lambert, na freguesia do Lumiar.

Pedro Álvaro Bandeira (Porto/05.05.1871 – 21.02.1945/Lisboa) nascido na portuense freguesia de Cedofeita foi um escritor que viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Poeta de feição popular, humorista e escritor teatral de abundante produção, tornou-se sobretudo conhecido pelos seus Monólogos que entre 1915 e 1937 somaram 15 edições.

Do seu teatro destaquem-se as comédias e revistas  O Pílulas: vaudeville em 3 actos (1899), Revista de Carnaval (1901), Corações Devotos (1902), Sogra do seu marido! (1921), Pilha de Nervos (1921), Pirilampos (1934), O Periquito da menina (1936), Já cá canta (1937), Rapsódia de fados (1937), Brincos de princesa (1939),  Os escoteiros: disparate em 1 acto (1942), Jôgo das damas (1943), Bombas de Santo António (1943),  A minha loira favorita (1943) e, as operetas Castelos no ar (1932) ou 5 de Outubro (1940). 

Refira-se ainda que em 1933 Pedro Bandeira também redigiu o prefácio de Trovas de amor  de Jaime Lúcio, assim como que foi condecorado com as Ordens de Santiago de Espada, de Cristo e de Jerusalém e exercia, à data da sua morte, o cargo de Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

A Rua do Cardoso do Ginásio

Freguesia de Arroios - Placa Tipo IV

Freguesia de Arroios – Placa Tipo II                                                                                 (Foto: Sérgio Dias)

Cem anos após o seu nascimento, O Cardoso do Ginásio, ator exímio em comédia, teve o seu nome perpetuado na toponímia de Lisboa, numa rua de Arroios, junto ao primeiro núcleo de topónimos de atores  na cidade ali fixado desde o ano de 1932.

Foi pelo Edital de 21/12/1960 que nasceu a Rua Actor António Cardoso,  na Rua Particular à Rua Morais Soares, com início na Rua Morais Soares e fim na Rua José Ricardo. Refira-se que esta artéria desemboca na Rua José Ricardo, também evocativa de um ator, fica nas proximidades de mais topónimos de gente do teatro, a saber, Rua Ângela Pinto, Rua Eduardo Brazão, Rua Ferreira da Silva, Rua Actor Joaquim de Almeida, Rua Joaquim Costa, Rua Lucinda Simões, Rua Rosa Damasceno, Rua Actor Vale, e justamente a zona ficou conhecida como Bairro dos Atores que assim nasceu a partir do Edital de 12 de março de 1932.

O Palco, 20 de fevereiro de 1912

O Palco, 20.02.1912

António José Ferreira Cardoso (Lisboa/05.04.1860 – 03.08.1917/Lisboa) foi um ator cómico, conhecido por O Cardoso do Ginásio, ou O Cardoso do Chiado, por ter trabalhado 34 anos no Teatro do Ginásio. Estreou-se em público ainda como amador no ano de 1878, na comédia Casamento por Anúncio, na Sociedade Guilherme Cossoul, então sediada na Rua da Oliveira ao Carmo e, foi contratado para o Teatro do Rato, onde em 1881 já estava na comédia musical Zé Povinho. Foi  no Theatro do Gymnasio, a partir de 1883 que se afirmou como um grande actor cómico, género a que o seu físico volumoso dava particular ajuda e lhe granjeou grande popularidade, em peças de Gervásio Lobato, Eduardo Schwalbach, João Bastos ou André Brun, entre outros.

Esporadicamente, também assentou arraiais no palco do Trindade, como para interpretar O Brasileiro Pancrácio (1883) e integrou algumas sociedades artísticas nas épocas de verão nos palcos do Teatro da Rua dos Condes, do Avenida e do então Dona Amélia (hoje São Luiz).

No cinema, foi o protagonista de  Chantecler Atraiçoado,  curta-metragem que em 1910 estreou o estúdio da Empreza Cinematographica Ideal.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios

Freguesia de Arroios

Bocage duas vezes em Lisboa

Manuel Maria Barbosa du Bocage num coisa da Fábrica da Pampulha

Manuel Maria Barbosa du Bocage num folheto da lisboeta Fábrica da Pampulha

Manuel Maria Barbosa du Bocage, conhecido pelo seu espírito irónico e satírico, tem na sua relação com a toponímia de Lisboa também uma histórica algo jocosa que o fez migrar de Alcântara para a zona de Carnide-Lumiar.

Em 8 de julho de 1892 a Câmara Municipal de Lisboa deliberou na sua sessão de câmara a atribuição do topónimo Rua Bocage às Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão. Na mesma deliberação e no mesmo bairro de Alcântara decidiram também fixar Gil Vicente (na Rua nº 9) e Filinto Elísio (Rua nº 2 ). Todavia, no final dos anos 80 supôs-se que a Rua Bocage e a Avenida Barbosa du Bocage, dedicada a um primo em segundo grau do poeta sadino, se referiam à mesma pessoa e resolveu-se eliminar do mapa alfacinha a Rua Bocage transformando-a pelo Edital de 29/02/1988 em Rua Amadeu de Sousa Cardoso.

E assim ficou Lisboa sem o seu Bocage mais de 8 anos, até o Edital de 24/09/1996 o recolocar no Impasse FG da Quinta dos Inglesinhos, à Avenida das Nações Unidas, desta feita para evitar equívocos e, por proposta de Appio Sottomayor na Comissão Municipal de Toponímia, como Rua Poeta Bocage/1765 – 1805.

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal/15.09.1765 – 21.12.1805/Lisboa), «Magro, de olhos azuis, carão moreno», também conhecido como Elmano Sadino da Nova Arcádia, viveu em Goa, Damão e Macau, até regressar a Lisboa em 1790, frequentar o Café Nicola no Rossio da cidade e, viver a partir de 1801 no n.º 25 da Travessa André Valente, ao Bairro Alto.

Bocage publicou apenas os três volumes das suas Rimas, de 1791 a 1804, embora os seus versos eróticos e burlescos tenham circulado abundantemente em edições clandestinas. As suas temáticas predominantes fixaram-se na desilusão amorosa e nas dificuldades materiais e pode Bocage ser considerado o maior poeta português do séc. XVIII.

Não é também menor a sua obra como tradutor, mesmo que menos conhecida. As suas versões de textos clássicos latinos, de autores como Virgílio e Ovídio, caracterizam-se por rigor e originalidade, o que também sucedeu nas suas traduções da língua francesa de escritores da época, como Voltaire, La Fontaine, Lesage, Florian, Lacroix, d’Arnaud, Delille e Castel.

Em 7 de agosto de 1797, o Intendente Pina Manique mandou-o prendê-lo por desrespeito ao rei e à Igreja, primeiro no Limoeiro (até 14 de novembro), depois nos calabouços da Inquisição no Rossio e a partir de 17 de fevereiro de 1798 no Real Hospício das Necessidades, a cargo dos Oratorianos, de onde só saiu em liberdade no último dia desse ano.

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Carnide e Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide

Freguesias de Carnide e Lumiar

A Rua do pintor Bernardo Marques dos Domingos de Lisboa

bernardo marques 1969

O algarvio Bernardo Marques que se estreou como artista plástico no III Salão dos Humoristas Portugueses e nos anos vinte tinha a crónica «Os Domingos de Lisboa», desde a década de 80 do século passado que integra a toponímia alfacinha.

Bernardo Marques nascido algarvio mas que na maior parte da sua vida residiu em Lisboa, primeiro no nº 6 da Calçada dos Caetanos (Rua João Pereira da Rosa a partir do Edital de 26/01/1963)  e depois, até ao final da sua vida, na Rua da Quintinha, entrou pela 1ª vez na toponímia alfacinha pelo edital de 12/08/1982, para denominar justamente a Rua da Quintinha. Contudo, os moradores protestaram a alteração, conforme se constata no edital de 23/11/1982,  e voltou a denominar-se Rua da Quintinha «por se ter reconhecido ser do interesse das populações locais, a Rua Bernardo Marques retoma a sua anterior denominação». E assim, só volvidos 19 anos e no âmbito das comemorações do seu centenário Bernardo Marques voltou à toponímia de Lisboa, desta feita no Impasse à Rua 8 do Alto do Lumiar, pelo edital de 03/01/2001.

Placa de evocativa de Bernardo Marques no prédio com o nº 6 da Rua João Pereira da Rosa

Placa  evocativa de Bernardo Marques no prédio com o nº 6 da Rua João Pereira da Rosa

Bernardo Loureiro Marques (Silves/21.11.1898 – 28.09.1962/Lisboa) que se estreou em 1920 com 15 desenhos no III Salão dos Humoristas, em Lisboa, distinguiu-se como pintor e ilustrador, numa obra em que amplamente representou Lisboa, sobretudo a cidade modernista dos anos 20 que o convidava à anedota pictural por ser uma Lisboa mundana e provinciana, revelando no seu traço a influência de Georg Grosz.  De 1925 a 1929, também manteve no Diário Notícias uma crónica semanal intitulada «Os Domingos de Lisboa», bastante irónica e impiedosa.

A sua obra impressa passou por capas, ilustrações e vinhetas nos jornais ABC, ABC a Rir, O Sempre Fixe, O Século (1921), Notícias Ilustrado (1929 a 1931) e Diário de Notícias, bem como pelas revistas Ilustração (de 1926 a 1934), Ilustração Portuguesa, Imagem, Kino, GirassolEuropa (1924), Civilização (1928 a 1930) e até na ilustração de livros de Eça de Queirós, Cesário Verde e Aquilino Ribeiro e David Mourão-Ferreira. Foi diretor gráfico da revista turística Panorama (1941-1949) e da Colóquio (1959-1962), tendo também sucedido a Luís de Montalvor na direção artística e técnica da Editorial Ática.

bernardo marques Paragem_A

Mas também se empenhou como cenógrafo e figurinista, para teatro e cinema, como na peça Soror Amor (1928) e nos filmes Ver e Amar (1930) ou O Trevo de Quatro Folhas (1936), ambos de Chianca de Garcia e, ainda foi consultor artístico do filme Rapsódia Portuguesa (1958) de João Mendes.

Bernardo Marques foi também o autor da decoração da parede de fundo do Café A Brasileira (1925) , no Chiado e, de outras na Exposição Colonial de Paris (1931), nas Festas da Cidade de Lisboa (1934 e 1935), no pavilhão português da exposição internacional parisiense (1937) e nas feiras de Nova Iorque e São Francisco (1939), no Pavilhão da Colonização da Exposição do Mundo Português (1940) e nas Feiras da Indústria Portuguesa, de 1949 a 1951.

Como pintor, em vida apenas expôs em mostras coletivas , embora possa ser considerado o maior paisagista da sua geração e, as suas individuais foram todas póstumas. Encontra-se representado no Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, Fundação que também o galardoou com o Prémio de Aguarela e Desenho da Gulbenkian (1957). Bernardo Marques foi ainda agraciado com o Prémio de Desenho da Exposição Iconográfica das Pescas (1955), o Prémio de Desenho no Salão Mar Português (1957) e o Prémio Especial de Pintura do Salão de Almada (1958) e, os CTT lançaram um selo comemorativo do centenário do seu nascimento, assim como a Câmara Municipal de Lisboa dois dias antes do centenário, em 19 de novembro de 1999,  descerrou uma placa evocativa no prédio da Rua João Pereira da Rosa onde ele residiu.

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar

Freguesia de Santa Clara