A Rua de Francisco Lourenço da Fonseca que enriqueceu no Brasil e foi vereador lisboeta

Freguesia de Alvalade

Desde 1956 que a Rua Francisco Lourenço da Fonseca homenageia, na freguesia de Alvalade, o comerciante que enriqueceu no Brasil e foi vereador da autarquia lisboeta no biénio de 1876 e 1877.

Foi através da publicação do Edital municipal de 26 de maio de 1956 que a Rua 37 A do Sítio de Alvalade passou a ter como topónimo oficial Rua Francisco Lourenço da Fonseca. O mesmo Edital colocou nas artérias circundantes os pintores do Grupo do Leão, António Ramalho, Cipriano Martins, João Vaz, Moura Girão e Ribeiro Cristino, o elemento dos Vencidos da Vida Carlos Mayer, o autor da letra do Hino Nacional Lopes de Mendonça e ainda, o Largo de Alvalade.

O comerciante Francisco Lourenço da Fonseca (Vila Nova de Gaia/10.08.1818 ou 1819– 09.03.1906/Dafundo) fez fortuna no Brasil, para onde emigrou,  e após regressar a Portugal em 1862, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa, nos anos de 1876 e 1877, sob a presidência de Luís de Almeida e Albuquerque e a vice-presidência de Rosa Araújo. Nesse biénio, Francisco Lourenço da Fonseca deteve a responsabilidade das obras públicas municipais, tendo-se  destacado por produzir melhoramentos nos Jardins da Estrela e de São Pedro de Alcântara,  requisitar um arquiteto ao Ministério das Obras Públicas para as obras do município, reconstruir as Escadinhas da Barroca, bem como por  ter iniciado a expropriação de terrenos para a abertura de uma avenida a norte do Passeio Público, que viria a ser a Avenida da Liberdade mandada executar por Rosa Araújo. Francisco Lourenço da Fonseca foi ainda tesoureiro da Comissão Central 1° de Dezembro que promoveu a construção do Monumento aos Restauradores.

Francisco Lourenço da Fonseca, comendador  da Ordem de Cristo, foi ainda diretor do Asilo de Santa Catarina –  internato feminino instalado desde 1858 no complexo conventual de São João Nepomuceno, no Largo São João Nepomuceno  –, e casado com Maria José Oliveira Gaia ( Brasil- Rio Grande do Sul/19.02.1832 – 06.05.1912/Lisboa), de quem teve 4 filhos: Francisco Lourenço da Fonseca Júnior (Brasil – Rio Grande do Sul/06.06.1848 – 06.07.1902/Lisboa), Wenceslau da Fonseca (n. 1850), Álvaro da Fonseca (n. Brasil – Rio Grande do Sul/15.02.1855) e Alfredo da Fonseca (n. Lisboa – Freguesia de Santa Catarina/04.08.1862).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua Fernando Piteira Santos, membro da 1ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Piteira Santos foi membro da primeira Comissão Municipal de Toponímia após o 25 de Abril de 1974, bem como da primeira Comissão Municipal de Toponímia da década de 90 do séc. XX, e desde o ano seguinte ao seu falecimento dá nome a uma Rua de Carnide, com a legenda «Político e historiador/1918 – 1992».

A primeira Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa após o 25 de Abril de 1974 era presidida pelo Vereador Henrique José Monteiro Chaves  e integrava o Dr. Fernando Castelo Branco, em representação da autarquia, bem como três personalidades convidadas, a saber a Drª Maria da Conceição Machado, a  Drª Leonor Pizarro Beleza e o Dr. Fernando Piteira Santos. A primeira reunião desta Comissão ocorreu em 15 de novembro de 1974 e a última, no dia 22 de julho de 1975.

Piteira Santos voltou a ser convidado para a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, na primeira dos anos 90 do séc. XX, onde participou desde a primeira reunião, em 8 de junho de 1990, até à data do seu falecimento.

No ano seguinte, a partir de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 30 de setembro de 1992  e formalizado através do Edital municipal de  26/01/1993, Fernando Piteira Santos  passou a ser o topónimo do Impasse G da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, a ligar hoje a Rua Prof. Arsénio Nunes à Rua Prof. Sedas Nunes. O mesmo edital também colocou o professor catedrático Tiago de Oliveira no Impasse I, contribuindo para reforçar a presença de professores universitários naquela  zona da cidade.

Piteira Santos com Oliveira Marques (à esquerda) em 25 de outubro de 1975, numa conferência no São Luiz
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Fernando António Piteira Santos (Amadora/23.01.1918 – 28.09.1992/Lisboa) foi um político, historiador, professor universitário e jornalista. Logo nos anos quarenta do séc. XX dirigiu movimentações estudantis contra as propinas e pela Autonomia Universitária e veio a ser membro do Comité Central do PCP entre 1941 e 1950, ano em que foi expulso a pretexto de uma falsa acusação de delação, aproximando-se então da Resistência Republicana e Socialista. Oposicionista ativo ao Estado Novo conheceu os cárceres da ditadura, tendo sido preso por três vezes. Colaborou na tentativa de assalto ao Quartel de Beja (1961) vendo-se por isso obrigado a passar à clandestinidade e depois ao exílio político em Argel, onde foi um dos membros fundadores da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) e de lá só regressou após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Em maio de 1974 foi nomeado Diretor-Geral da Cultura Popular e Espetáculos mas exerceu o cargo apenas por um mês e passou a dirigir os Centros Populares 25 de Abril e a integrar a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa. Em 1977 esteve na fundação da associação Fraternidade Operária, criada por destacados dirigentes e militantes do PS, entre os quais Lopes Cardoso e César Oliveira, descontentes com o rumo político tomado pelo partido.

De 1974 a 1988 Piteira Santos também lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, dedicando-se sobretudo ao estudo das questões metodológicas da História e dos regimes fascistas e totalitários, em especial o Estado Novo.

Enquanto fundador da Sociedade Portuguesa de Autores teve um papel preponderante na luta pela independência e liberdade dos autores portugueses mas também trabalhou nas editoras Europa-América e Sá da Costa, para além de se dedicar ao jornalismo, particularmente no Diário de Lisboa, de que foi diretor-adjunto de 1974 a 1989 e onde assinou a coluna de análise política «Política de A a Z» a partir de 1976. Também colaborou na Seara Nova e na revista Ler, da qual chegou a ser chefe de redação.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Inspetor de Incêndios Carlos José Barreiros

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Carlos José Barreiros, com a legenda «Inspector de Incêndios», foi atribuída por edital municipal de 26 de setembro de 1916 no que era o troço da Estrada das Amoreiras que ligava o Largo de Arroios ao do Leão, a partir de uma proposta do vereador Augusto de Magalhães Peixoto, para  homenagear o funcionário camarário que se destacou como Inspetor de Incêndios.

Desconhecem-se as datas de nascimento e morte de Carlos José Barreiros, embora se possa calcular que tenha falecido antes de 1901, ano da atribuição da Rua Tomás Ribeiro, já que para a construção dessa artéria encontramos um documento municipal de expropriação de terrenos aos herdeiros de Carlos José Barreiros, com datas entre 1894 e 1908.

A Câmara Municipal de Lisboa criou a primeira Companhia de Bombeiros em 1834, conhecida como Companhia do Caldo e do Nabo, no mesmo ano em que estabeleceu uma tabela codificada dos toques a rebate. E dezassete anos depois (1851), publicou um novo Regulamento do Serviço de Incêndios. Antes de 1868, Carlos José Barreiros foi nomeado inspetor de incêndios e foi segundo uma proposta sua que os serviços de incêndio passaram a ser uma Repartição da Câmara, resolução que foi publicada em 1867. Recorde-se que no ano anterior Carlos José Barreiros havia publicado o Itinerário para os socorros dos incendios em Lisboa.

Em 18 de outubro de 1868, junto com o vereador Isidro Viana, que detinha o Pelouro dos Incêndios, Carlos José Barreiros participou numa reunião  no edifício da Abegoaria Municipal, na qual se deu corpo à formação da Companhia de Voluntários Bombeiros (CVB), sob a divisa Humanitas, vita nostra tua est, presidida por Guilherme Cossoul, e que mais tarde se denominaria Associação dos Bombeiros Voluntários de Lisboa (ABVL), tendo o seu primeiro quartel funcionado numa casa arrendada na Travessa de André Valente e a sede instalada na Travessa do Carvalho, também em espaço arrendado.

Carlos José Barreiros deu ainda à estampa, através da Tipographia Universal, Incendios: estado do serviço em 1870 (1871) e O incendio da Travessa da Palha: memória dedicada à Exma. Câmara Municipal de Lisboa (1887), sendo que todas suas obras revolucionaram o sistema de organização do combate aos incêndios e tornaram mais eficazes os serviços de luta contra o fogo na cidade de Lisboa. No seu relatório sobre o serviço no ano de 1870 louvou os bombeiros voluntários: «Ocupando-me de bombeiros não posso terminar sem aproveitar o ensejo de pagar o devido tributo de homenagem e reconhecimento à Humanitária Associação que sob modesto titulo de Bombeiros Voluntários tantos e tão apreciáveis serviços tem feito a esta cidade nos dois últimos anos. Alguns dos sócios, que têm procurado instruir-se, já são bombeiros tão aptos como os homens de profissão, e não só se chegam para o fogo, mas como batem-se com tanto acerto e tanto sangue frio como eles. (…) No nosso país é uma ideia apenas nascente, mas prometedora, porque já tem adquirido incontestáveis direitos não só aos aplausos, mas como a bênção do público.»

Em 4 de junho de 1880, Carlos José Barreiros fundou o Montepio de S. Carlos, que no ano seguinte aprovou os seus primeiros estatutos, nos quais são estabelecidos os critérios para atribuição de subsídios, pensões, enterros e legados a que os sócios têm direito. Mais tarde, os bombeiros, em homenagem ao seu fundador resolveram alterar o título da instituição para Associação dos Socorros Mútuos Carlos José Barreiros dos Bombeiros Municipais de Lisboa, que depois passou a Real Associação de Socorros Mútuos Carlos José Barreiros.

Sabe-se também que José Barbosa Leão que em 1864 fundara o Jornal de Lisboa, cedeu pouco depois  sociedade a Carlos José Barreiros, que acabou por ficar com a propriedade exclusiva do jornal.

Os Bombeiros Voluntários da Ajuda, fundados em 1881, deram ao seu quartel na Praça da Alegria, o nome de Carlos José Barreiros.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Travessa Possidónio da Silva nascida de um caso de polícia

A Travessa Possidónio da Silva em 1946 (Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Travessa Possidónio da Silva em 1946
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Logo no ano seguinte à sua morte o arquiteto e arqueólogo Possidónio da Silva, que tanto defendeu a preservação do património cultural português, teve o seu nome dado a uma Rua de Lisboa, mas  110 anos e 9 dias após o seu nascimento teve também de ser o topónimo de uma Travessa para se resolver um caso de polícia.

O caso conta-se da seguinte forma: a Seção da Polícia Municipal em 26 de abril de 1916 fez uma informação à câmara dando conta de 4 requerimentos de proprietários que solicitavam numeração para os seus prédios na Rua Possidónio da Silva, aos quais não se podia dar andamento porque «a numeração das propriedades situadas no mencionado local, encontra-se irregularissima e para se poder efectuar a sua regularisação, torna-se indispensavel que a Ex.mª Camara determine que seja desanexado da dita via publica um troço de terreno, que forma uma travessa, onde existe um chafariz e uma ponte, compreendendo também os predios com os nºs 37 a 71, a qual começa, do lado do Nascente da Rua Possidonio da Silva e termina na Parada dos Prazeres, podendo, caso a Ex.mª Camara assim o entender, dár-se ao dito troço de terreno o nome de Travessa de Possidonio da Silva, publicando-se depois o competente edital, em harmonia com o que a Ex.mª Camara resolver». 

Os vereadores presentes na sessão de câmara de 4 de maio de 1916 aprovaram a sugestão por unanimidade e, consequentemente, por Edital municipal de 16 de maio de 1916 nasceu a Travessa Possidónio da Silva, ficando resolvido o caso de numeração de polícia a contento dos proprietários. Mais tarde, por via do falecimento em 1966 do Comandante dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, e dada a carestia de novas ruas na cidade a Travessa Possidónio da Silva passou, pelo Edital de 22/06/1971, a designar-se como Rua Coronel Ribeiro Viana.

Branco e Negro, 5 de abril de 1896

Branco e Negro, nº 1, 5 de abril de 1896

Joaquim Possidónio Narciso da Silva  (Lisboa/07.05.1806 – 03.03.1896/Lisboa)  já havia sido homenageado em 1897 com o seu nome na antiga Rua da Fonte Santa, por ser essa a morada do  Albergue dos Inválidos do Trabalho que ele havia ali fundado em 1891, para apoiar a classe operária inválida. Mas Possidónio da Silva desempenhou também um papel determinante como precursor do ensino e da investigação arqueológica bem como na salvaguarda e valorização do património histórico-artístico e monumental português.

Devido à invasão napoleónica em 1807, ele foi com a sua família para o Rio de Janeiro onde passou parte da sua juventude. Regressou em 1821 e estudou com Domingos Sequeira, Maurício Sendim e Germano de Magalhães seguindo aos dezoitos anos para Paris para estudar Arquitetura e, cinco anos mais tarde, foi para Roma. Em 1831 regressou a Paris e trabalhou no Palais Royal e no Palácio das Tulherias. Retornou em definitivo a Portugal em 1833 tendo então publicado O que foi e é a architectura, e o que aprendem os architectos fora de Portugal. Possidónio tornou-se o arquiteto da Casa Real, com intervenção nas obras dos Palácios de São Bento para o adaptar a Parlamento (1833), da Ajuda (1834 e 1861), das Necessidades (1844-1846) e o Palácio do Alfeite (antes de 1857). Trabalhou também na remodelação do Teatro de São Carlos e do Palácio do Manteigueiro – na esquina da Rua da Horta Seca com a Rua da Emenda- a que acrescentou a autoria de muitos estabelecimentos comerciais da Baixa lisboeta, assim como o projeto de uns banhos públicos na zona do Passeio Público (1835).

Paralelamente, desde 1850 que Possidónio da Silva se interessava pelos monumentos megalíticos em Portugal,  após ter participado na escavação de um dólmen entre Sintra e Colares.  Escavou mais duas antas na zona de Tomar  e acabou por depois conseguir apoio do Governo para o primeiro levantamento dos monumentos nacionais, enquanto nos jornais redigia artigos a defender a necessidade de preservar o património arquitetónico português. Em 1858, D. Pedro V encarregou-o de proceder a um estudo técnico dos monumentos nacionais. Participou em 1867 na 2ª sessão do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica, em Paris, tendo em 1878 publicado Noções Elementares de Archeologia, uma síntese dos métodos de escavação estratigráfica e sectorial.

Joaquim Possidónio da Silva fundou em 1863 e presidiu à Associação dos Arquitectos Civis Portugueses que passou a designar-se Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, antes de se cindir, já depois da morte de Possidónio, para originar as que hoje conhecemos como Ordem dos Arquitetos e Associação do Arqueólogos Portugueses.  Assim nasceu em  1866 um museu arqueológico, depois instalado nas ruínas do Convento do Carmo, bem como um boletim da associação, a partir de 1865. Possidónio foi ainda membro de diferentes academias e sociedades nacionais e estrangeiras como o Instituto de França e a Société française d’archéologie.

Em 1882 o escultor francês Anatole Vasselot fez um busto de bronze de Possidónio da Silva mas este nunca permitiu a divulgação da sua imagem em nenhum meio até à sua morte e assim, este busto  foi colocado sobre um pedestal de pedra  na Praceta da Rua Possidónio da Silva e inaugurado em 5 de julho de 1968.

A Travessa Possidónio da Silva em 1961 (Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Travessa Possidónio da Silva em 1961
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua da Fraternidade Operária em Marvila

 

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Em março de 1916, cerca de seis anos após a implantação da República em Portugal, a Associação Fraternidade Operária foi colocada na toponímia de Marvila, uma zona de concentração de operariado na cidade de Lisboa.

A Rua Fraternidade Operária foi atribuída pelo Edital municipal de 18 de março de 1916 na Rua H ao Poço do Bispo, um arruamento que confrontava a norte com a Rua do Telhal e a sul com a Rua sem nome vulgarmente conhecida por Rua da Estação ou Rua G,  que virá a ser a Rua Dr. Estêvão de Vasconcelos em 1920.

Placa Tipo II - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A homenagem à Associação Fraternidade Operária na freguesia de Marvila, faz sentido se pensarmos que no ano da sua fundação, em 19 de janeiro de 1872, seguindo o modelo da Aliança da Democracia Socialista de Bakunine, ali se haviam constituído 3 secções da Fraternidade Operária: Chelas, Marvila e Poço do Bispo. O velho Poço do Bispo estava há muito integrado no movimento associativo e na luta reivindicativa operária e das greves dos finais do século XIX e princípios do século XX.

A  Fraternidade Operária também abriu uma filial no  Porto a 30 de setembro de 1872 e esteve na organização de greves e das primeiras comemorações do Dia do Trabalhador em Portugal, para além de publicar o seu jornal Pensamento Social. De acordo com as orientações aprovadas no 5.º Congresso da Associação Internacional (em setembro de 1872, em Haia) iniciou também um processo de fundação de um partido socialista em Portugal que se concretizou em 10 de janeiro de 1875 no Partido Socialista Português (PSP), por proposta de Azedo GnecoJosé Fontana.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

O Largo da póvoa do Calvário e do Salão da Promotora

O Salão Promotora em 1965 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Salão da Promotora no Largo do Calvário em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo do Calvário acolheu em 1912 o cinema Salão da Promotora,  no 1º andar da Sociedade Promotora de Instrução Popular, fundada na Rua de Alcântara em 30 de setembro de 1904 e instalada neste Largo a partir de 1911.

O Salão da Promotora nasceu para fazer face aos encargos da associação. Em 1929, a coletividade começou a construir um novo cinema no próprio edifício, que foi inaugurado em 1930 com 480 lugares e que funcionou até meados dos anos 80 do século passado. No rés-do-chão da Promotora encontramos desde 1992 a Videoteca Municipal.

O topónimo Largo do Calvário resultou de uma deliberação camarária de 22 de setembro de 1888 e assim permaneceu 27 anos, até o Edital municipal de 14 de outubro de 1915 o designar como Largo 20 de Abril, a perpetuar a Lei de Separação do Estado das Igrejas, redigida por Afonso Costa, Ministro da Justiça e Cultos do Governo Provisório, e publicada no dia 20 de abril de 1911. Passados quase 22 anos, o Edital municipal de 19 de agosto de 1937 voltou a denominá-lo como Largo do Calvário, seguindo a norma Do Estado Novo, iniciada nessa década, de substituir os topónimos dados no tempo da I República pelos que os antecederam.

Freguesia de Alcântara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias)

Sobre a origem do topónimo Calvário damos como boa a investigação de Norberto de Araújo que justifica o nome «Porque neste sítio, no lado sul da Rua Primeiro de Maio, antiga de S. Joaquim, existiu um Convento, das religiosas franciscanas, e que datava de 1617.» O olisipógrafo  esclarece ainda que «(…)  no século XVII, e mesmo no XVIII, o Calvário pouco mais era do que uma Póvoa aflorando timidamente de entre quintas, herdades e hortas a norte, com o mar a beijar-lhe a orla por edificar. Antes do Convento se erguer no lugar onde a Quinta do Pôrto (do “porto”, porque aqui atracavam barcos) edificara-se no final do século XVI um solar particular, destinado a ser “alguém” no sítio: foi esse solar que deu o Palácio ou Paço Real do Calvário, mais rigorosamente “de Alcântara”, mas que recebeu a designação invocativa do orago do Convento, seu fronteiro, e assim ajudou a fundamentar o nome de um sítio (Calvário) dentro de outro (Alcântara). »

Freguesia de Alcântara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Santos Pinto, compositor do Hino a Saldanha

Freguesia da Estrela (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Escritor Musical/1815 – 1860» foi fixado em 1925 o nome do alfacinha Francisco dos Santos Pinto na Rua nº 3 do então Novo Bairro da Lapa, um compositor, violinista e trompista  que politicamente era um liberal ferrenho tendo por isso composto um Hino ao Marechal Saldanha em 1851.

Por esse mesmo Edital municipal de 8 de junho de 1925 foram também dados nomes de compositores às Ruas nº 1 e nº 2 do mesmo Bairro, a saber, a Rua Joaquim Casimiro – homenageando neste caso um miguelista ferrenho de meados do século XIX e rival de Santos Pinto-, e a Rua Maestro António Taborda, que desenvolveu a sua carreira na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana.

Santos Pinto Francisco dosFrancisco António Norberto dos Santos Pinto (Lisboa/06.06.1815 – 30.01.1860/Lisboa) começou desde cedo a ganhar a vida através da música, recebendo para cantar em festas de igreja. Aprendeu a tocar violino, trompa e clarim. Iniciou os seus estudos musicais com Teotónio Rodrigues, cantor da Capela da Bemposta, estudou violino com José Maria Morte e trompa com Justino José Garcia, mestre de banda das Reais Cavalariças, a que Santos Pinto viria também a pertencer em 1830, com apenas 15 anos. No início das guerras civis de 1832 era Francisco santos Pinto primeiro corneta na Banda da Guarda Real da Polícia. Estudou Harmonia com Eleutério Franco Leal, e mais tarde, com Manuel Joaquim Botelho. Pela mesma altura, mas um pouco depois, integrou a orquestra do Teatro de São Carlos até que em 1838 se estreou como compositor do bailado Adoração do Sol e no ano seguinte, era clarim supranumerário na orquestra da Real Câmara.

A partir de 1845 ficou como o compositor (mais ou menos permanente) do recém-inaugurado Teatro de D. Maria, para o qual irá compor cinco anos depois, A casa misteriosa, uma espécie de ópera cómica. Ainda nesse ano, aquando da visita do pianista Franz Lizt a Lisboa, Santos Pinto dedicou-lhe a sua 8ª Sinfonia (ou Abertura), fazendo-se mesmo retratar com a partitura num quadro que hoje se encontra no Museu da Música em Lisboa. A partir de 1849 iniciou também funções de docente do Real Conservatório de Lisboa, onde foi seu discípulo Guilherme Cossoul, como professor de Instrumentos de Latão e, em 1857, alcançou a  coroa de glória da sua carreira ao passar a ser o maestro diretor do São Carlos.

Francisco dos Santos Pinto foi um autor sobretudo de teatro cómico, de opereta, de teatro musical, de revista, fundando a sua carreira no entretenimento musical de grande apelo público. Compôs música para mais de 20 bailados e musicou cerca de 30 peças teatrais, tal como escreveu 35 aberturas para orquestra e algumas peças de música sacra e hinos patrióticos como a Marcha que compôs em homenagem aos voluntários da Carta (1844). Santos Pinto foi bastante interventivo na vida social e política do seu tempo, manifestando-se como simpatizante do Cartismo e da Maçonaria, não apenas ao compor hinos alusivos a ambos, para além das  Odes Maçónicas, o que se prende também com o ter sido fundador de duas importantes instituições musicais paramaçónicas: a Associação Musica 24 de Junho e a Academia Melpomenense.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do vereador republicano Tomás Cabreira

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Tomás Cabreira que foi vereador na 1ª gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa e  ministro das Finanças em 1914 ficou perpetuado no Bairro da Bélgica, pelo Edital municipal de 30 de junho de 1926, com a legenda «Engenheiro Distinto e Republicano Indefectível».

Foi por esse Edital municipal que nasceu há 90 anos o Bairro da Bélgica, hoje mais conhecido como Rego ou Bairro de Santos. Coube a Tomás Cabreira a Rua B do Bairro da Bélgica, entre a Avenida Santos Dumont e a Rua Particular Neves Piedade que viria a ser a Rua Filipe da Mata no ano seguinte, pelo Edital de  6 de agosto de 1927, perpetuando outro vereador da primeira vereação republicana da CML. A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica havia sugerido à autarquia lisboeta, em 10 de maio de 1926,  que fossem atribuídos nos arruamentos do Bairro nomes alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do já sucedido no Bairro de Inglaterra em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 fixou o Cardeal Mercier na Rua E do Bairro do Bélgica ( o arcebispo e primaz da Bélgica que publicou em 1915 uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) e o general Leman na Rua D (militar que defendeu Liége contra o invasor alemão e acabou prisioneiro de guerra), e nas restantes artérias colocou ainda o Presidente da CML de 1923 a 1925 (Albano Augusto Portugal Durão) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, sendo que neste local da cidade estas duas últimas nunca passaram do papel.

Alma Nova, março de 1929

Alma Nova, março de 1929

Tomás António da Guarda Cabreira ( Tavira/23.01.1865 – 04.12.1918/Tavira) foi militar, engenheiro, professor e político. Como seu pai, ingressou no Exército, em 1881, e atingiu o posto de Coronel em 1918. Formou-se também em Engenharia Civil pela Escola do Exército, em 1893, e a partir daí passou a docente das disciplinas de Química Mineral e de Química Orgânica na Escola Politécnica, tendo até publicado Princípios de Estereoquímica (1896) e feito doutoramento em 1916. Foi ainda vogal da Comissão de Explosivos e vogal da Academia de Ciências de Lisboa, tendo ainda, em 1907, fundado a Universidade Popular de Lisboa.

Enquanto político, Tomás Cabreira, republicano e maçónico, fundou o Grupo Republicano de Estudos Sociais,  deputado pelo Algarve na Assembleia Nacional Constituinte (1911), senador da República (1912) e ministro das Finanças (1914), época em que deu a lume A Contribuição Predial e O Problema Financeiro e a sua Solução (ambos em 1912). Destaque-se que foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa de 1909 a 1912, na Presidência de Anselmo Braamcamp Freire, tendo como colegas vereadores outros nomes presentes na toponímia de Lisboa como Augusto José Vieira, Barros Queirós, Francisco Grandela ou Miguel Ventura Terra.

Depois de 1914 abandonou a carreira política e o Partido Democrático, de que era dirigente, e fundou a União da Agricultura, Comércio e Indústria, onde exerceu os cargos de vice-presidente e de presidente e ainda editou Posto Agrário e Ensino Móvel (1915), Crédito Comercial e Industrial (1915), O Problema Tributário Português (1916-1917), A Defesa Económica Portuguesa (1917), O Algarve Económico (1918) e postumamente, A Política Agrícola Nacional (1920).

Esteve também ligado ao jornalismo por diversos cargos na Associação dos Jornalistas de Lisboa e na Associação da Imprensa Portuguesa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do vereador republicano Luís Filipe da Mata

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Paladino da Liberdade e da Instrução Popular/Século XIX» foi Luís Filipe da Mata inscrito na toponímia do Bairro da Bélgica, por deliberação camarária de 12 de junho de 1926 e Edital de 6 de agosto do ano seguinte, na  Rua Particular Neves Piedade ao Bairro da Bélgica, antes também conhecida apenas por Rua Neves Piedade.

De acordo com documentação do Arquivo Municipal de Lisboa esta rua foi traçada em 1912 por José da Silva Moura, prevendo-se uma largura de 15 metros e corrend0 da Estrada das Laranjeiras até à Estrada de Palma de Cima, no Rego, junto aos apeadeiros dos Caminhos de Ferro. Também outro vereador da primeira gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa, Tomás Cabreira, deu nome a uma artéria do Bairro da Bélgica, por via da publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

 

Luís Filipe da Mata sentado no centro (Foto: Bernardino Machado, de Miguel Sá-Marques)

Luís Filipe da Mata ao centro, sentado
(Foto: gentil cedência do blogue Bernardino Machado)

O homenageado na Rua Filipe da Mata é Luís Filipe da Matta (Lisboa/15.08.1853 – 25.10.1924/Lisboa),  um comerciante, funcionário público e promotor da educação laica que foi também Vereador da primeira gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa, de 1 de novembro de 1908 a 29 de janeiro de 1913, quando era Anselmo Braamcamp Freire Vice-Presidente e depois Presidente da edilidade. Coube-lhe ainda ser o promotor do primeiro Congresso Municipalista de Lisboa, que se realizou nos Paços do Concelho, entre 16 e 21 de abril de 1909, contando com a presença de 158 câmaras municipais.

Filipe da Mata defendeu e promoveu o ensino laico, apoiando a criação de várias escolas primárias públicas, nomeadamente, integrando o grupo fundador da Escola-Oficina nº 1 (1905), no Largo da Graça, onde se aplicaram  novas metodologias pedagógicas inspiradas  no Movimento da Escola Livre e na Escola Moderna de Francisco Ferrer; colaborando no desenvolvimento do Asilo de São João e  sendo vice-presidente do Vintém das Escolas.

Também enquanto comerciante envolveu-se no associativismo como membro da direção das Associações Comercial de Lisboa e Comercial dos Lojistas de Lisboa, bem como da comissão instaladora da nova Associação dos Lojistas em 1907,  para além de ter integrado a comissão de reforma das alfândegas e a comissão revisora das pautas aduaneiras. Foi ainda  vice-presidente da comissão executiva do monumento ao Marquês de Pombal tendo até na ocasião publicado um livro de sonetos anti-jesuíticos, que intitulou A Canalha (1899), cuja venda revertia para a execução do monumento.

Iniciado no Grande Oriente Lusitano em 1880, na Loja Tolerância de Lisboa, e a partir de 1897 na Loja José Estêvão, Filipe da Mata foi Presidente do Conselho da Ordem em 1895-1899, 1903-1906 e 1916-1917. Ao longo da sua vida também desempenhou cargos no Partido Republicano como representante dos republicanos nos corpos gerentes da Coligação Liberal, na comissão que promoveu a grande manifestação liberal de 2 de julho de 1907, como tesoureiro da Junta Liberal, tesoureiro da Comissão Administrativa do Diretório do Partido Republicano e seu Secretário eleito em diversos Congressos, deputado de 1913 a 1915 e senador ao Congresso da República em 1915-1917. Após a implantação da República, Filipe da Mata  foi  ainda vogal suplente do Conselho Superior de Administração Financeira do Estado (após 20 de abril de 1911), Provedor da Assistência de Lisboa (1913 -1915), presidente da Comissão de Subsistências do Ministério do Fomento (16 de janeiro de 1915 a 12 de fevereiro de 1915) e durante o Sidonismo foi preso.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Pardal Monteiro, Arquiteto que teve Ventura Terra como referência

A Estação do Cais do Sodré de Pardal Monteiro, fotografada pelo próprio em 1928 (Arquivo Municipal de Lisboa)

A Estação do Cais do Sodré de Pardal Monteiro, fotografada pelo próprio em 1928 (Arquivo Municipal de Lisboa)

O Arqº Pardal Monteiro que teve Ventura Terra como figura de referência passou em 1978 a dar nome a uma artéria da freguesia de Marvila, no Bairro dos Lóios.

Miguel Ventura Terra, um dos mais destacados arquitetos do início do século XX em Portugal era uma figura venerada no círculo familiar de Pardal Monteiro e este, ainda durante a frequência da Escola de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluno de José Luís Monteiro, trabalhou no atelier do primeiro.   Pardal Monteiro foi também o responsável pela cantaria do prédio traçado por Ventura Terra na Avenida António Augusto de Aguiar nº 3-D, para o escultor Artur Prat, que recebeu uma Menção Honrosa do Prémio Valmor em 1913.

Com a legenda «Arquitecto/1897-1957», Pardal Monteiro teve o seu nome fixado na Via Envolvente da Zona N2 de Chelas pelo Edital municipal de 10/08/1978, tal como mais 11 arquitetos, todos em ruas, a partir de uma proposta do Arqº Francisco Silva Dias, que era então membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, a saber :  Adães Bermudes, Adelino Nunes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior e Pedro José Pezerat.

Rua Pardal Monteiro - Freguesia de Marvila (Foto: Pedro Letria, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Pardal Monteiro – Freguesia de Marvila
(Foto: Pedro Letria, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

Porfírio Pardal Monteiro (Pêro Pinheiro/06.02.1897 –  16.12.1957/Lisboa) foi o autor em Lisboa de arquiteturas tão emblemáticas como a Estação do Cais do Sodré (1925-1928), o conjunto arquitetónico de 7 edifícios do Instituto Superior Técnico (1927-41) como uma Acrópole sobre o vale da Avenida Almirante Reis e exemplo do Modernismo Português, o Instituto Nacional de Estatística (1931), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que foi Prémio Valmor 1938, o monumento a António José de Almeida (1937) com Leopoldo de Almeida, as Estações Marítimas de Alcântara (inaugurada em 1943) e da Rocha do Conde de Óbidos (edificada entre 1945 e 1948), o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1949), os hotéis Tivoli, Mundial e Ritz (1952 – 1959), a Cidade Universitária (através das  Faculdade de Direito, Faculdade de Letras e Reitoria, a partir de 1952) e, com outros arquitetos, a Biblioteca Nacional (1954-61), tendo sido estes dois últimos projetos terminados pelo seu sobrinho António Pardal Monteiro. Traçou ainda na capital um edifício na Avenida da República, nº 49 (1920) que foi Prémio Valmor 1923 e outro no nº 54 que foi Menção Honrosa do Prémio Valmor 1930,  o Templo da Igreja Adventista de Lisboa (1923) na Rua Joaquim Bonifácio, o  Palacete Vale Flor na Calçada de Santo Amaro (1925) que foi Prémio Valmor 1928, uma moradia na Avenida Cinco de Outubro nºs 207-215 que foi Prémio Valmor 1929, o edifício da Ford Lusitana (1930) na Rua Castilho e já demolido,  o edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade que foi Prémio Valmor 1940, o edifício de habitação na Avenida Sidónio Pais nº 16 que foi Prémio Municipal de Arquitetura 1947, o edifício da A Nacional/Companhia Industrial de Portugal e Colónias (1952) na Avenida Infante Dom Henrique nº 255 com a Rua do Beato nº 21.

Pardal Monteiro começou por trabalhar em 1919 na Repartição das Construções Escolares do Ministério da Instrução e depois, no serviço de arquitetura da Caixa Geral de Depósitos (1920-1929), assim como na Exposição do Mundo Português de 1940, em Belém,  a partir do plano coordenado pelo arquiteto Cottineli Telmo, sendo seu o Pavilhão e Esfera dos Conhecimentos. Foi também professor desde 1920 e  catedrático desde 1942,  da cadeira de Arquitetura do curso de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico .

Pardal Monteiro desempenhou ainda os cargos de Secretário da Direção da Sociedade de Arquitectos Portugueses (1919-1922),  vogal do Conselho Superior de Belas Artes, da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia da CML, da Junta Nacional de Educação, do Conselho Superior das Obras Públicas, de Presidente do Conselho Diretor (1936-1944)  e da Mesa da Assembleia Geral (1948 e 1951)  do Sindicato Nacional dos Arquitectos, para além de ter sido membro honorário da Academia de São Fernando de Madrid, do Real Instituto dos Arquitectos Britânicos e do Instituto de Arquitectos do Brasil tendo sido ainda, a título póstumo, sido agraciado com a Comenda da Ordem Militar de Santiago da Espada (em 5 de janeiro de 1962).

 

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)