José Régio e Mário Dionísio, dois intelectuais multifacetados como topónimos de Lisboa

Poema de Mário Dionísio na Presença nº53 e 54, 1938
((Imagem: © CER))

José Régio e Mário Dionísio, ambos professores de carreira e intelectuais multifacetados empenhados na literatura, nas artes plásticas, na crítica e ensaio, também partilham a homenagem de darem nome a artérias de Lisboa, o primeiro desde 7 de agosto de 1997 e o segundo, desde 1 de agosto de 2005.

José Régio, o teorizador da Presença que logo no nº 1, na primeira página, publicou Literatura Viva, texto que pode ser visto como manifesto programático da publicação, aceitou a colaboração do jovem Mário Dionísio, quinze anos mais novo,  durante a década de trinta até este se afastar, em conjunto com João José Cochofel, Fernando Namora e Carlos de Oliveira.  E no espólio de Mário Dionísio, encontram-se originais manuscritos ou dactilografados de vários autores, sendo Régio um deles, o que nos recorda a ideia de 1937 nunca concretizada, por falta de sala, de organizar o I Certame de Arte Moderna, pelo que  pediu para uma brochura de inéditos a colaboração dos poetas contemporâneos José Régio, Edmundo de Bettencourt, Fausto José, Francisco Bugalho, José Gomes Ferreira, João Falco/Irene Lisboa e Vitorino Nemésio. Tanto Régio como Dionísio também publicaram nas páginas de Cadernos da Poesia, a revista literária de Tomás Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti nas décadas de quarenta e cinquenta.

A Rua Mário Dionísio nasceu do Edital municipal de 1 de agosto de 2005, na Rua A do PER 8, na Freguesia do Lumiar, doze anos após o falecimento de Mário Dionísio de Assis Monteiro (Lisboa/16.07.1916-17.11.1993/Lisboa), nascido que fora no nº 2 da Rua Andrade  e licenciado em Filologia Românica em 1939, pela Universidade de Lisboa, que se mostrou um intelectual multifacetado como escritor, ensaísta, pintor, crítico de arte e tradutor, para além de ter sido professor do Ensino Secundário durante praticamente quarenta anos, no Colégio Moderno e no Liceu Camões, assim como a partir de 1978 e até 1987 foi docente de Técnicas de Expressão do Português na Faculdade de Letras de Lisboa.

Mário Dionísio foi autor de uma obra literária autónoma, com ensaio, poesia, conto e romance, onde se podem salientar Poemas (1941), As Solicitações e Emboscadas (1945), O Riso Dissonante (1950), Memória dum Pintor Desconhecido (1965), os poemas em francês Le Feu qui dort (1967), Terceira Idade (1982), o seu único romance Não há morte nem princípio (1969),os seus contos O Dia Cinzento (1944), Monólogo a Duas Vozes (1986) , a sua Autobiografia (1987) e o seu último livro, de contos,A morte é para os outros (1988).

Ao longo da sua vida foi um dos principais promotores e teorizadores do neorrealismo português, sendo assinalável a sua regular colaboração em jornais e revistas literárias para além da Presença, como Altitude, A Capital, Diário de LisboaO DiaboGazeta MusicalLiberdadeRepúblicaRevista de PortugalSeara Nova, O Tempo e o Modo ou Vértice. Foi ainda diretor de programas da RTP de dezembro 1975 a março de 1976.

Pintor desde 1941, usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves, expondo em mostras coletivas desde a década de quarenta mas só em 1989 realizou a sua primeira exposição individual de pintura. Publicou também A Paleta e o Mundo,  obra editada em fascículos a partir de 1956 ( e até 1962) com orientação gráfica de Maria Keil que lhe valeu o Grande Prémio de Ensaio da Sociedade Portuguesa de Escritores (1963). Refira-se ainda que na sua obra pictórica pintou retratos dos seus contemporâneos, como Joaquim Namorado (1952),  Carlos de Oliveira e João José Cochofel (1988) ou José Gomes Ferreira (1989). Obteve também o troféu «Pintor do Ano» da Antena 1, em 1989.

Como cidadão, casou em 1940  com a sua antiga colega de curso Maria Letícia Clemente da Silva, de quem terá uma única filha, a escritora Eduarda Dionísio. Também se mostrou empenhadamente antirregime desde o início dos anos 30 do século passado, integrando o Movimento de Unidade Democrática (MUD), onde ficará responsável por estabelecer a ligação entre a sua Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas e o Partido Comunista Português, para onde entrará em 1945 e ficará até 1952. Na década de 60 frequentava ainda a tertúlia do Café Bocage, na Avenida da República, onde se encontrava com Augusto Abelaira, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, João José Cochofel,  e outros.

Mário Dionísio foi galardoado com o Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos, ex-aequo com Alexandre O’Neill, em 1982 e, nove anos depois, em 1991, o Museu do Neo-Realismo organizou em Vila Franca de Xira e em Lisboa, exposições e colóquios sobre os seus 50 Anos de Vida Literária e Artística. Finalmente, em setembro de 2008, familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra fundaram em Lisboa, na Rua da Achada, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, que abriu ao público um ano depois.

Rua Mário Dionísio na Freguesia do Lumiar

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A lisboeta Avenida José Régio de não sei por onde vou

Capa do primeiro livro de José Régio, publicado em 1926
(Imagem: © CER)

José Régio, o escritor vilacondense que a maioria reconhece como autor do poema «Cântico Negro», inserido em Poemas de Deus e do Diabo, edição com que em 1926 se iniciou na literatura, esteve desde 1971 para ser topónimo de Lisboa mas tal só se concretizou em 1997 com a Avenida José Régio atribuída no arruamento projectado entre a Avenida Dom Rodrigo da Cunha e a Avenida Dr. Arlindo Vicente, pelo Edital municipal de 7 de agosto de 1997.

Antes de se completarem dois anos da morte de José Régio, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa na sua reunião de 5 de março de 1971, ao escolher topónimos para a Quinta do Morgado foi de parecer que a Rua A, incluindo o Impasse A 5, se denominasse Rua José Régio e levasse como legenda «Poeta/1901 – 1969». Todavia, cerca de quinze dias passados, na reunião seguinte da Comissão de Toponímia – em 19 de março de 1971- , o arruamento designado passou a servir para concretizar a Rua Vice-Almirante Augusto de Castro Guedes dado que o então Presidente da CML,  Engº Santos e Castro, solicitou  «indicação de arruamentos condignos para perpetuar os nomes de José Régio e Doutor João de Barros», tendo a Comissão considerado «a dificuldade de encontrar arruamentos condignos» e sugerido a Rua O da Malha I de Chelas para executar uma Avenida José Régio.

Contudo, só na reunião da Comissão de Toponímia de 9 de maio de 1997 voltamos a encontrar José Régio como prioritário na lista dos nomes em carteira, recebendo parecer favorável na reunião de 20 de junho de 1997 da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, nascendo assim pelo Edital municipal de 7 de agosto de 1997 a Avenida José Régio, com a legenda «Escritor/1901 – 1969», que mereceu cerimónia de inauguração em 12 de setembro desse mesmo ano, mês de aniversário de nascimento do homenageado.

Freguesias de Alvalade e de Marvila

José Régio foi o pseudónimo escolhido por José Maria dos Reis Pereira, nascido em Vila do Conde a 17 de setembro de 1901, cidade onde também veio a falecer em 22 de dezembro de 1969.

Em Vila do Conde, viveu a infância e adolescência e após concluir o 3.º ciclo do curso liceal no Porto, seguiu para a Faculdade de Letras de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica, em 1925, com a tese intitulada As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa, o primeiro trabalho que faz a apologia dos poetas da revista Orpheu. Será também em Coimbra que em março de 1927, vai fundar com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca a revista Presença, que durou treze anos e foi considerada o órgão do Segundo Modernismo. Já antes, nessa mesma década de vinte, colaborara nas revistas portuenses Crisálida e A Nossa Revista, assim como nas coimbrãs Bizâncio e Tríptico.

E no ano seguinte à conclusão da licenciatura, em 1926, publicou o seu primeiro livro: Poemas de Deus e do Diabo, com capa do seu irmão Júlio. Mas além da criação literária nas vertentes da poesia, ficção, dramaturgia, ensaio e memórias, ainda organizou antologias, somando mais de trinta obras publicadas, e manteve colaboração em jornais e revistas como crítico e polemista, nomeadamente na Seara Nova.

Em paralelo com a sua vida literária, Régio fez também uma carreira docente, em que após uma experiência como professor provisório no Liceu Alexandre Herculano do Porto, foi nomeado professor efetivo no Liceu Mouzinho da Silveira de Portalegre, onde permaneceu desde 1930 até se reformar, em 1962.

Como cidadão, também se envolveu politicamente sempre que considerou que as situações da vida nacional o justificavam, mostrando-se firme e frontal nos seus ideais socialistas. E para além do seu gosto pelo desenho, também frequentava tertúlias de cafés e mantinha intensa comunicação com os meios literários por via epistolar, sendo ainda de destacar a sua vertente de colecionador de peças antigas de arte sacra e popular, que acumulou nas suas casas de Portalegre e de Vila do Conde, hoje transformadas em casas-museu.

Para além de Lisboa, José Régio é também o topónimo de Avenidas em Vila do Conde e Massamá-Queluz. Em Ruas aparece por todo o país com quatro em Vila do Conde, duas em Portalegre ( Ponte de Sor e Foros de Arão) e na Trofa, para além de Abrantes, Águas Santas, Alcabideche, Alcochete, Alhos Vedros, Amadora, Amora, Arrifana, Azeitão, Beja, Braga, Bragança, Carcavelos, Charneca da Caparica, Coimbra, Corroios, Entroncamento, Ermesinde, Évora, Esposende, Fafe, Famões, Fernão Ferro, Fiães, Guimarães, Maia, Mangualde, Marvão, Mem Martins, Moita, Monte Abraão-Queluz, Montemor-o-Novo, Odivelas, Oeiras, Oliveira do Hospital, Palmela, Pinhal Novo, Póvoa de Santa Iria, Póvoa de Varzim, Quinta do Anjo, Ramada-Odivelas, Rio Tinto, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros, São Domingos de Rana, São João da Madeira, Seixal , Unhos, Valbom-Gondomar, Vialonga, Vila Chã de Ourique e Vila Nova de Famalicão. Pracetas surgem em Alverca do Ribatejo, Baixa da Banheira, Bobadela, Borba, Carcavelos, Carnaxide, Damaia-Amadora, Massamá-Queluz, Odivelas, Porto, Rio de Mouro, Setúbal e Vila Nova de Gaia. Travessas aparecem em Vila do Conde, Albufeira, Carcavelos, Gandra e Trofa. Existem ainda com o nome de Régio Praças em Vila do Conde, Matosinhos e Ovar, um Impasse em Agualva-Cacém, um Largo na Parede e uma Via em Vila do Conde.

Manuscrito de Régio. A 1ª página de «Cântico Negro»
(Imagem: © CER)

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A Lisboa de José Régio

Em 22 de dezembro deste ano cumpre-se o 50º aniversário da morte de José Régio (1901-1969), escritor vilacondense nascido a 17 de setembro e figura incontornável da  revista Presença que cultivou a poesia, o romance e o teatro, para além de se dedicar ao desenho e cuja história de vida também se liga a  Portalegre onde foi professor durante largos anos, sendo também possível descobrir o seu percurso pelas ruas de Lisboa.

É esse roteiro das ruas alfacinhas ligadas a José Régio, quer como escritor quer como cidadão, que neste mês de julho será o nosso tema, com o apoio imprescindível do CERCentro de Estudos Regianos, particularmente, da sua presidente, Isabel Cadete Novais.

 

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A Rua Prof. Pais da Silva e o Arraial do Bairro Padre Cruz

Freguesia de Carnide

O lisboeta historiador de arte e pioneiro na defesa do Património Cultural, Jorge Henrique Pais da Silva, recebe na sua rua alfacinha um Arraial popular, no decorrer deste mês de junho, no largo que se abre junto ao Auditório Natália Correia,  promovido pela Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas do Bairro Padre Cruz.

A Rua Prof. Pais da Silva, que se estende da Rua Professor Almeida Lima até à Estrada da Circunvalação, resultou da sugestão da Profª Maria Calado, que na época era a representante da Universidade Técnica de Lisboa na Comissão Municipal de Toponímia e foi concretizada na Rua C da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz através do Edital municipal de 19 de Fevereiro de 1992. O mesmo Edital colocou nos outros novos arruamentos do Bairro mais 3 professores catedráticos, a saber,  na Rua A o filólogo Prof. Lindley Cintra , na Rua D o catedrático de Medicina Legal Prof. Arsénio Nunes  e na Rua F, o Prof. Almeida Lima, fundador da prática da neurocirurgia em Portugal.

Jorge Henrique Pais da Silva (Lisboa/08.07.1929 – 23.09.1977/Lisboa), historiador de Arte e professor universitário que delineou o 1.º Congresso Internacional de Defesa do Património Cultural e Natural – realizado em Alcobaça em 1978 – que potenciou um  boom de associações de defesa do património em Portugal, assim como traçou grande parte do organigrama do que seria o futuro Instituto Português do Património Cultural, começou a sua carreira como professor liceal (1956-1958). Depois foi docente da Escola Superior de Belas Artes do Porto (1959-1966), da Faculdade de Letras do Porto (1965-1966) e da Faculdade de Letras de Lisboa (1966-1967), tendo ainda dirigido a ESBAP em 1970. Realizou ainda cursos de expansão universitária no Museu Nacional de Arte Antiga e na Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi também diretor-adjunto do Serviço de Belas-Artes.

As suas pesquisas e investigação centraram-se no  Renascimento, e sobretudo do Maneirismo, em especial no campo da Arquitetura, dentro do país e no estrangeiro, mormente em Itália. Em paralelo, pugnou pela modernização da investigação em Portugal no domínio da História da Arte, em concorrência com a comunidade científica internacional. Do conjunto da sua obra publicada salientamos Notas sobre a arquitectura dos Jesuítas no espaço português (1961), Em torno da arquitectura setecentista portuguesa : Barroco e Rococó (1974), Estudos sobre o Maneirismo (1983), O Pretérito Presente – Para Uma Teoria da Preservação do Património Histórico- Artístico (1984) e os dois volumes de Páginas de História da Arte (1986). Refira-se ainda o Dicionário de Termos de Arte e Arquitectura, editado em 2004,  obra sua que permaneceu inacabada devido à sua morte prematura mas que foi organizada e completada pela Profª Maria Margarida Calado para publicação.

O Prof. Pais da Silva foi académico efetivo da Academia Nacional de Belas Artes, na Cadeira nº 5, sucedendo ao Arqtº Carlos João Chambers Ramos em 9 de dezembro de 1970.

Freguesia de Carnide

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RAF e Helena Vaz da Silva no MURO’19

A Rua Helena Vaz da Silva

No talude da Rua Helena Vaz da Silva vai estar presente RAF  com uma intervenção artística com 450 metros de extensão, no âmbito da realização do MURO’19 – Festival de Arte Urbana de Lisboa.

Rui Ferreira é o nome civil de RAF, criador das Produções Artísticas da RAF ART Lda., também tatuador e fundador da MU Workspace Creative Cowork, na Alta de Lisboa. Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio e já em 2013 colaborou com a Galeria de Arte Urbana | GAU, ao participar no «Rostos do Muro Azul», na Rua das Murtas.

Área da intervenção artística de RAF para o MURO’19

Helena Vaz da Silva, mulher de cultura e jornalista do Centro Nacional de Cultura e do Instituto Português de Cinema, é topónimo de Rua do Alto do Lumiar desde a publicação do Edital municipal de 20 de novembro de 2003, numa artéria que parte da confluência da Avenida Álvaro Cunhal, Rua Arnaldo Ferreira, Rua General Vasco Gonçalves e Avenida Eugénio de Andrade para chegar à Avenida David Mourão-Ferreira.

Helena Maria da Costa de Sousa Macedo Gentil (Lisboa/03.07.1939 – 12.08.2002/Lisboa), nascida alfacinha no nº7 C do Largo Dr. António de Sousa Macedo, estudou em colégios católicos e quando terminou o ensino secundário ficou a ensinar Moral e Francês no Colégio das Oblatas, tendo também aos 17 anos conseguido o seu primeiro emprego como correspondente de línguas na Agência de Publicidade Manuel Martins da Hora, onde outrora trabalhara Fernando Pessoa. Em 1959, casou com Alberto Vaz da Silva, de quem teve quatro filhos (Francisco, Salvador, Tomás e Helena) e esta decisão pessoal vai marcar a sua carreira profissional futura já que o  seu círculo de amigos próximos passou a incluir Alçada Baptista, Nuno Bragança, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, bem como José Escada, Luís Sousa Costa e Mateus Cardoso Peres. Concretizaram juntos em 1963 a revista católica de oposição ao regime salazarista, O Tempo e Modo, dirigida por Alçada Baptista, editada por Pedro Tamen, com chefia de redação de João Bénard da Costa e tendo como principais redatores Nuno Bragança e Alberto Vaz da Silva.

Em 1965, Helena Vaz da Silva assumiu a responsabilidade da edição portuguesa da revista Concilium, para difundir o espírito de Vaticano II, a partir da qual também se organizaram debates e seminários. E três anos depois, em 1968, foi para Paris fazer a sua formação de jornalista. Regressou a Portugal em 1972, para retomar o trabalho na O Tempo e o Modo, onde organizou dois números especiais, um sobre Deus e outro sobre o casamento, tendo este último sido apreendido pela Censura após a publicação. Ainda em 1972 dirigiu a empresa turística algarvia da Quinta da Balaia. Em 1973 ingressa no semanário Expresso, onde até 1976 assumiu a coordenação da «Revista», para além do trabalho de reportagens, crónicas e entrevistas. Depois foi trabalhar para a Direção de Programas Sociais e Políticos da RTP, a que regressou em 1993, para o Conselho de Opinião da RTP. Esteve na Agência ANOP (1977), onde trabalhou como grande repórter e chefe da secção de cultura e educação, para além de se ter associado à revista Raiz e Utopia, fundada em 1977 por António José Saraiva, passando em 1978 a ser a proprietária e diretora da mesma.

De 1979 até à sua morte presidiu ao Centro Nacional de Cultura, sendo muito recordada pelos lisboetas pela criação dos Passeios de Domingo, iniciativa de itinerários culturais pioneira em Portugal. Em 1980 foi nomeada Vice-Presidente do organismo de apoio à criação cinematográfica, o Instituto Português de Cinema.

Do vasto currículo de Helena Vaz da Silva refira-se que foi tradutora, nomeadamente de Yourcenar e deixou obra publicada como Júlio Pomar com Helena Vaz da Silva (1979), Portugal – o último descobrimento (1987); fez crónicas para a Antena 1, TSF, Comercial e Rádio Renascença; integrou a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1987) e a Comissão Nacional da UNESCO (de 1989 a 1994); foi deputada no Parlamento Europeu, como independente eleita nas listas do PSD (1994-1999); presidiu à Comissão Cidadão e Justiça (1990); foi membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa, do Conselho Estratégico de Lisboa (1992), da Comissão para o Futuro da Televisão em Portugal (1996), do Conselho Geral do Movimento Europeu e ainda, presidiu ao Grupo de Trabalho sobre Serviço Público de Televisão, a partir de 5 de junho de 2002.

A intervenção de RAF na Rua Helena Vaz da Silva
(Foto: Bruno Cunha| DPC| 2019)

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Publicação municipal do Largo Frederico Valsassina

A publicação municipal de toponímia referente ao Largo Frederico Valsassina, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia de Marvila, já está online.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

 

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, inauguração do Largo Frederico Valsassina

Largo Frederico Valsassina – Freguesia de Marvila

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, às 10: 30 horas, será inaugurado o Largo Frederico Valsassina, junto à entrada principal do Colégio Valsassina, com a presença de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,  bem como de familiares do homenageado.

Conforme a Vereadora Catarina Vaz Pinto refere na nota introdutória da brochura sobre Frederico Lúcio de Valsassina Heitor (Lisboa/17.07.1930 – 07.05.2010/Lisboa), a edilidade «orgulha-se de homenagear Frederico Valsassina Heitor pelo seu projeto educativo de base humanista, justamente no ano em que se comemoram os 120 anos da criação do Colégio Valsassina e passados setenta anos sobre a aquisição da Quinta das Teresinhas, sede do respetivo estabelecimento de ensino. O Largo Frederico Valsassina é o reconhecimento do seu legado como educador e docente, pedagogo peculiar e humanista com reflexo na cidade de Lisboa e no país.»

Alameda Padre Álvaro Proença

Alameda Padre Álvaro Proença, topónimo atribuído por Edital de 28 de Fevereiro de 1984 a um arruamento da freguesia de Benfica

Álvaro Proença (1912-1983). Padre, professor e escritor. Ordenou-se padre após o curso feito no Seminário de Santarém. Nos anos 40 do século XX, foi professor na Casa Pia de Lisboa e na Escola Industrial Afonso Domingues (Marvila). A sua carreira eclesiástica desenrolou-se na área de Lisboa tendo sido Capelão Naval, Capelão da Casa Pia de Lisboa, Reitor da Igreja da Madre de Deus e pároco de Santa Maria de Loures. Enquanto esteve à frente desta paróquia interessou-se pela história local, tendo publicado em 1940, Subsídios para a história do Concelho de Loures. No ano seguinte escreve Como o povo reza: etnografia, em 1940, Raínha Nossa: coro falado, e em 1949 A grande colheita: coro falado para a festa das colheitas. Por toda a década de 50 publicará várias pequenas obras dedicadas à catequese de jovens e à oração: A nossa oração, Compêndio de Religião e Moral, Nossa Mãe e nossa Vida, Nossa Fé e nossa Lei, A hora triunfal: coro falado e Missal da Juventude.

A partir de 1955 é nomeado pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, lugar que manterá até à sua morte em 1983. Dedica-se à sua paróquia promovendo uma renovação da vida paroquial. Logo nesse ano funda o Boletim da Família Paroquial de modo a aproximar a igreja dos seus fiéis. Em 1958, lança o primeiro peditório para a construção dum Centro Paroquial e Social, a ser edificado no lado poente da Igreja, o que se veio a realizar, depois de apresentados vários projectos, em 1959, e terminada a segunda fase em 1964. O Centro destinava-se às actividades próprias da vida paroquial (cartório, casa paroquial, etc.), mas também, previa, desde o início, uma Creche, Jardim Infantil, Biblioteca, Salas de Aulas e Salão Paroquial. É durante o seu ministério que se iniciam os Cursos de Preparação para o Matrimónio, que se institui a Obra da Sagrada Família (para a promoção da oração em família), que se cria o Grupo de Recepção e Acolhimento, se formaliza o grupo de Leitores para a Eucaristia, e se cria o Apoio Pastoral que ainda hoje funcionam. A partir das emissões de televisão, em 1957, cria também um dos primeiros Cineclubes de Lisboa, que funcionava na paróquia.

Mas o seu interesse por Benfica levou-o igualmente, à semelhança do que já havia feito para Loures, a investigar a história desta freguesia. Em 1964 saiu a sua grande obra: Benfica através dos tempos. O Padre Álvaro Proença, ao longo de quase 600 páginas, procurou fazer a história da paróquia, da sua igreja, mas também do seu povo, usos e costumes, de aspectos da vida social, do património edificado da freguesia, das feiras e festas, entre outros temas. Benfica através dos tempos tornou-se, assim, uma obra fundamental para quem quer estudar esta zona e um excelente exemplo de como a olisipografia se pode dedicar a uma pormenorizada história de uma parte da cidade.

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Rua Jaime Lopes Dias

Jaime Lopes Dias em 1949 (ao centro)
(Foto: Firmino Marques da Costa, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Jaime Lopes Dias, topónimo atribuído por Edital de 3 de outubro de 1991 a um arruamento da freguesia do Lumiar

Jaime dos Santos Lopes Dias (1890-1977), funcionário público e da Câmara Municipal de Lisboa, jurista, jornalista e etnógrafo. Fez parte de dezenas de associações, nacionais e estrangeiras, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa, a Associação dos Arqueólogos Portugueses, o Instituto de Coimbra, a Sociedade de Geografia de Lisboa, Société de Etnologie Française, e Asociación de los Amigos del Arte (Argentina). Natural do Vale da Senhora da Póvoa, concelho de Penamacor, estudou em Castelo Branco e Coimbra, licenciando-se em Direito na Universidade desta cidade em 1912. Desde a licenciatura até 1936 desempenhou vários cargos em Penamacor, Idanha a Nova e Castelo Branco: oficial do Registo Civil, Administrador de Concelho, Vereador (em Idanha a Nova), Juiz, Secretário Geral do Governo Civil do Distrito de Castelo Branco. Em 1936 veio para Lisboa como adjunto do Director Geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, ministério onde se manteve até 1938, ano em que foi nomeado Director dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.

Ao longo da vida, foi autor de centenas de títulos e colaborador em publicações periódicas como, por exemplo, o Diário de Notícias, O Século, Diário de Coimbra, Panorama, Terras Portuguesas. Fundou os jornais Povo de Idanha (1914) e A província (1921) e dirigiu o Boletim da Casa das Beiras, a Revista das beiras e a Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa. Escreveu obras sobre matérias de Direito, nomeadamente a edição revista e anotada do Código de Direito Administrativo de 31 de Dezembro de 1936. Mas o seu grande interesse foi a etnografia, principalmente a da sua terra natal. Editou, em 11 volumes, Etnografia da Beira (1926-1971), ainda hoje obra de referência sobre os usos e costumes desta região portuguesa. Publicou ainda Pelourinhos e forcas no Distrito de Castelo Branco (1935), A Beira Baixa, seu folclore, sua história e suas riquezas (1936), Cortiças da Beira Baixa (1947), ou A Beira Baixa e o seu teatro popular na obra de Gil Vicente (1959), entre tantos outros. Manteve sempre a ligação às origens, desempenhando cargos na Santa Casa da Misericórdia de Idanha a Nova, batendo-se pela construção da barragem do rio Ponsul ou pela criação de uma linha férrea que servisse a vila. Legou a sua biblioteca à Câmara Municipal de Castelo Branco, o que se veio a concretizar já depois da sua morte. Presentemente a Biblioteca desta cidade tem o nome de Jaime Lopes Dias.

Fez parte da Associação dos Jardins-Escolas João de Deus, tendo sido presidente da Assembleia Geral e tendo colaborado com João de Deus Ramos na obra O Livro de Capa Verde: selecta para a gente moça (1948).

Quando passou a residir em Lisboa, Lopes Dias começou igualmente a escrever sobre aspectos da vida lisboeta, dentro da sua linha de investigador etnográfico. Trouxe a lume Festas e divertimentos da cidade de Lisboa: da Independência à Restauração (1940), Grades de Lisboa (1947), Uma tradição lisboeta que revive: os tronos a Santo António (1949), Natal Português (1957). Publicou ainda um útil estudo O brasão de armas da cidade de Lisboa (1943) três anos após a fixação desta insígnia pela Comissão de Heráldica da Associação de Arqueólogos Portugueses. Nesse mesmo ano publicou O Museu da Cidade de Lisboa e em 1953 Vinte e Cinco anos da vida de uma capital. Colaborou na obra Lisboa Oito séculos de História, com o capítulo “Lisboa de hoje. A cidade de amanhã”.

Foi membro da Comissão Municipal de Toponímia desde a sua criação em 1943, juntamente com Pastor de Macedo e Augusto Vieira da Silva, até 1960.

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