RAF e Helena Vaz da Silva no MURO’19

A Rua Helena Vaz da Silva

No talude da Rua Helena Vaz da Silva vai estar presente RAF  com uma intervenção artística com 450 metros de extensão, no âmbito da realização do MURO’19 – Festival de Arte Urbana de Lisboa.

Rui Ferreira é o nome civil de RAF, criador das Produções Artísticas da RAF ART Lda., também tatuador e fundador da MU Workspace Creative Cowork, na Alta de Lisboa. Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio e já em 2013 colaborou com a Galeria de Arte Urbana | GAU, ao participar no «Rostos do Muro Azul», na Rua das Murtas.

Área da intervenção artística de RAF para o MURO’19

Helena Vaz da Silva, mulher de cultura e jornalista do Centro Nacional de Cultura e do Instituto Português de Cinema, é topónimo de Rua do Alto do Lumiar desde a publicação do Edital municipal de 20 de novembro de 2003, numa artéria que parte da confluência da Avenida Álvaro Cunhal, Rua Arnaldo Ferreira, Rua General Vasco Gonçalves e Avenida Eugénio de Andrade para chegar à Avenida David Mourão-Ferreira.

Helena Maria da Costa de Sousa Macedo Gentil (Lisboa/03.07.1939 – 12.08.2002/Lisboa), nascida alfacinha no nº7 C do Largo Dr. António de Sousa Macedo, estudou em colégios católicos e quando terminou o ensino secundário ficou a ensinar Moral e Francês no Colégio das Oblatas, tendo também aos 17 anos conseguido o seu primeiro emprego como correspondente de línguas na Agência de Publicidade Manuel Martins da Hora, onde outrora trabalhara Fernando Pessoa. Em 1959, casou com Alberto Vaz da Silva, de quem teve quatro filhos (Francisco, Salvador, Tomás e Helena) e esta decisão pessoal vai marcar a sua carreira profissional futura já que o  seu círculo de amigos próximos passou a incluir Alçada Baptista, Nuno Bragança, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, bem como José Escada, Luís Sousa Costa e Mateus Cardoso Peres. Concretizaram juntos em 1963 a revista católica de oposição ao regime salazarista, O Tempo e Modo, dirigida por Alçada Baptista, editada por Pedro Tamen, com chefia de redação de João Bénard da Costa e tendo como principais redatores Nuno Bragança e Alberto Vaz da Silva.

Em 1965, Helena Vaz da Silva assumiu a responsabilidade da edição portuguesa da revista Concilium, para difundir o espírito de Vaticano II, a partir da qual também se organizaram debates e seminários. E três anos depois, em 1968, foi para Paris fazer a sua formação de jornalista. Regressou a Portugal em 1972, para retomar o trabalho na O Tempo e o Modo, onde organizou dois números especiais, um sobre Deus e outro sobre o casamento, tendo este último sido apreendido pela Censura após a publicação. Ainda em 1972 dirigiu a empresa turística algarvia da Quinta da Balaia. Em 1973 ingressa no semanário Expresso, onde até 1976 assumiu a coordenação da «Revista», para além do trabalho de reportagens, crónicas e entrevistas. Depois foi trabalhar para a Direção de Programas Sociais e Políticos da RTP, a que regressou em 1993, para o Conselho de Opinião da RTP. Esteve na Agência ANOP (1977), onde trabalhou como grande repórter e chefe da secção de cultura e educação, para além de se ter associado à revista Raiz e Utopia, fundada em 1977 por António José Saraiva, passando em 1978 a ser a proprietária e diretora da mesma.

De 1979 até à sua morte presidiu ao Centro Nacional de Cultura, sendo muito recordada pelos lisboetas pela criação dos Passeios de Domingo, iniciativa de itinerários culturais pioneira em Portugal. Em 1980 foi nomeada Vice-Presidente do organismo de apoio à criação cinematográfica, o Instituto Português de Cinema.

Do vasto currículo de Helena Vaz da Silva refira-se que foi tradutora, nomeadamente de Yourcenar e deixou obra publicada como Júlio Pomar com Helena Vaz da Silva (1979), Portugal – o último descobrimento (1987); fez crónicas para a Antena 1, TSF, Comercial e Rádio Renascença; integrou a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1987) e a Comissão Nacional da UNESCO (de 1989 a 1994); foi deputada no Parlamento Europeu, como independente eleita nas listas do PSD (1994-1999); presidiu à Comissão Cidadão e Justiça (1990); foi membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa, do Conselho Estratégico de Lisboa (1992), da Comissão para o Futuro da Televisão em Portugal (1996), do Conselho Geral do Movimento Europeu e ainda, presidiu ao Grupo de Trabalho sobre Serviço Público de Televisão, a partir de 5 de junho de 2002.

A intervenção de RAF na Rua Helena Vaz da Silva
(Foto: Bruno Cunha| DPC| 2019)

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

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Publicação municipal do Largo Frederico Valsassina

A publicação municipal de toponímia referente ao Largo Frederico Valsassina, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia de Marvila, já está online.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

 

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, inauguração do Largo Frederico Valsassina

Largo Frederico Valsassina – Freguesia de Marvila

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, às 10: 30 horas, será inaugurado o Largo Frederico Valsassina, junto à entrada principal do Colégio Valsassina, com a presença de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,  bem como de familiares do homenageado.

Conforme a Vereadora Catarina Vaz Pinto refere na nota introdutória da brochura sobre Frederico Lúcio de Valsassina Heitor (Lisboa/17.07.1930 – 07.05.2010/Lisboa), a edilidade «orgulha-se de homenagear Frederico Valsassina Heitor pelo seu projeto educativo de base humanista, justamente no ano em que se comemoram os 120 anos da criação do Colégio Valsassina e passados setenta anos sobre a aquisição da Quinta das Teresinhas, sede do respetivo estabelecimento de ensino. O Largo Frederico Valsassina é o reconhecimento do seu legado como educador e docente, pedagogo peculiar e humanista com reflexo na cidade de Lisboa e no país.»

Alameda Padre Álvaro Proença

Alameda Padre Álvaro Proença, topónimo atribuído por Edital de 28 de Fevereiro de 1984 a um arruamento da freguesia de Benfica

Álvaro Proença (1912-1983). Padre, professor e escritor. Ordenou-se padre após o curso feito no Seminário de Santarém. Nos anos 40 do século XX, foi professor na Casa Pia de Lisboa e na Escola Industrial Afonso Domingues (Marvila). A sua carreira eclesiástica desenrolou-se na área de Lisboa tendo sido Capelão Naval, Capelão da Casa Pia de Lisboa, Reitor da Igreja da Madre de Deus e pároco de Santa Maria de Loures. Enquanto esteve à frente desta paróquia interessou-se pela história local, tendo publicado em 1940, Subsídios para a história do Concelho de Loures. No ano seguinte escreve Como o povo reza: etnografia, em 1940, Raínha Nossa: coro falado, e em 1949 A grande colheita: coro falado para a festa das colheitas. Por toda a década de 50 publicará várias pequenas obras dedicadas à catequese de jovens e à oração: A nossa oração, Compêndio de Religião e Moral, Nossa Mãe e nossa Vida, Nossa Fé e nossa Lei, A hora triunfal: coro falado e Missal da Juventude.

A partir de 1955 é nomeado pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, lugar que manterá até à sua morte em 1983. Dedica-se à sua paróquia promovendo uma renovação da vida paroquial. Logo nesse ano funda o Boletim da Família Paroquial de modo a aproximar a igreja dos seus fiéis. Em 1958, lança o primeiro peditório para a construção dum Centro Paroquial e Social, a ser edificado no lado poente da Igreja, o que se veio a realizar, depois de apresentados vários projectos, em 1959, e terminada a segunda fase em 1964. O Centro destinava-se às actividades próprias da vida paroquial (cartório, casa paroquial, etc.), mas também, previa, desde o início, uma Creche, Jardim Infantil, Biblioteca, Salas de Aulas e Salão Paroquial. É durante o seu ministério que se iniciam os Cursos de Preparação para o Matrimónio, que se institui a Obra da Sagrada Família (para a promoção da oração em família), que se cria o Grupo de Recepção e Acolhimento, se formaliza o grupo de Leitores para a Eucaristia, e se cria o Apoio Pastoral que ainda hoje funcionam. A partir das emissões de televisão, em 1957, cria também um dos primeiros Cineclubes de Lisboa, que funcionava na paróquia.

Mas o seu interesse por Benfica levou-o igualmente, à semelhança do que já havia feito para Loures, a investigar a história desta freguesia. Em 1964 saiu a sua grande obra: Benfica através dos tempos. O Padre Álvaro Proença, ao longo de quase 600 páginas, procurou fazer a história da paróquia, da sua igreja, mas também do seu povo, usos e costumes, de aspectos da vida social, do património edificado da freguesia, das feiras e festas, entre outros temas. Benfica através dos tempos tornou-se, assim, uma obra fundamental para quem quer estudar esta zona e um excelente exemplo de como a olisipografia se pode dedicar a uma pormenorizada história de uma parte da cidade.

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Rua Jaime Lopes Dias

Jaime Lopes Dias em 1949 (ao centro)
(Foto: Firmino Marques da Costa, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Jaime Lopes Dias, topónimo atribuído por Edital de 3 de outubro de 1991 a um arruamento da freguesia do Lumiar

Jaime dos Santos Lopes Dias (1890-1977), funcionário público e da Câmara Municipal de Lisboa, jurista, jornalista e etnógrafo. Fez parte de dezenas de associações, nacionais e estrangeiras, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa, a Associação dos Arqueólogos Portugueses, o Instituto de Coimbra, a Sociedade de Geografia de Lisboa, Société de Etnologie Française, e Asociación de los Amigos del Arte (Argentina). Natural do Vale da Senhora da Póvoa, concelho de Penamacor, estudou em Castelo Branco e Coimbra, licenciando-se em Direito na Universidade desta cidade em 1912. Desde a licenciatura até 1936 desempenhou vários cargos em Penamacor, Idanha a Nova e Castelo Branco: oficial do Registo Civil, Administrador de Concelho, Vereador (em Idanha a Nova), Juiz, Secretário Geral do Governo Civil do Distrito de Castelo Branco. Em 1936 veio para Lisboa como adjunto do Director Geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, ministério onde se manteve até 1938, ano em que foi nomeado Director dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.

Ao longo da vida, foi autor de centenas de títulos e colaborador em publicações periódicas como, por exemplo, o Diário de Notícias, O Século, Diário de Coimbra, Panorama, Terras Portuguesas. Fundou os jornais Povo de Idanha (1914) e A província (1921) e dirigiu o Boletim da Casa das Beiras, a Revista das beiras e a Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa. Escreveu obras sobre matérias de Direito, nomeadamente a edição revista e anotada do Código de Direito Administrativo de 31 de Dezembro de 1936. Mas o seu grande interesse foi a etnografia, principalmente a da sua terra natal. Editou, em 11 volumes, Etnografia da Beira (1926-1971), ainda hoje obra de referência sobre os usos e costumes desta região portuguesa. Publicou ainda Pelourinhos e forcas no Distrito de Castelo Branco (1935), A Beira Baixa, seu folclore, sua história e suas riquezas (1936), Cortiças da Beira Baixa (1947), ou A Beira Baixa e o seu teatro popular na obra de Gil Vicente (1959), entre tantos outros. Manteve sempre a ligação às origens, desempenhando cargos na Santa Casa da Misericórdia de Idanha a Nova, batendo-se pela construção da barragem do rio Ponsul ou pela criação de uma linha férrea que servisse a vila. Legou a sua biblioteca à Câmara Municipal de Castelo Branco, o que se veio a concretizar já depois da sua morte. Presentemente a Biblioteca desta cidade tem o nome de Jaime Lopes Dias.

Fez parte da Associação dos Jardins-Escolas João de Deus, tendo sido presidente da Assembleia Geral e tendo colaborado com João de Deus Ramos na obra O Livro de Capa Verde: selecta para a gente moça (1948).

Quando passou a residir em Lisboa, Lopes Dias começou igualmente a escrever sobre aspectos da vida lisboeta, dentro da sua linha de investigador etnográfico. Trouxe a lume Festas e divertimentos da cidade de Lisboa: da Independência à Restauração (1940), Grades de Lisboa (1947), Uma tradição lisboeta que revive: os tronos a Santo António (1949), Natal Português (1957). Publicou ainda um útil estudo O brasão de armas da cidade de Lisboa (1943) três anos após a fixação desta insígnia pela Comissão de Heráldica da Associação de Arqueólogos Portugueses. Nesse mesmo ano publicou O Museu da Cidade de Lisboa e em 1953 Vinte e Cinco anos da vida de uma capital. Colaborou na obra Lisboa Oito séculos de História, com o capítulo “Lisboa de hoje. A cidade de amanhã”.

Foi membro da Comissão Municipal de Toponímia desde a sua criação em 1943, juntamente com Pastor de Macedo e Augusto Vieira da Silva, até 1960.

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Rua Irisalva Moita

Rua Irisalva Moita, topónimo atribuído a um arruamento da freguesia do Lumiar por Edital de 17 de Março de 2017

Irisalva Constância da Nóbrega Neves Moita (1924-2009), olisipógrafa, arqueóloga, funcionária da Câmara Municipal de Lisboa. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dedicou-se à Arqueologia, e à Museologia. Começou a sua actividade profissional como bolseira do Instituto de Alta Cultura (de 1951 a 1974), onde procedeu a trabalhos arqueológicos e históricos pioneiros sobre a cultura dolménica e, posteriormente, em 1959, sobre a cultura castreja, em território nacional, tendo em vista o levantamento das respectivas cartas arqueológicas. Em simultâneo frequenta o estágio para Conservadores Adjuntos de Museus, Palácios e Monumentos Nacionais, que conclui em 1955 defendendo a dissertação a “Ante-projecto para a Secção de Arqueologia do futuro Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos”. Em 1954, ocupou brevemente o lugar de Conservadora dos Museus Municipais da Câmara Municipal de Lisboa, ao qual regressa em 1958 e onde permanecerá até à sua reforma em 1994, tendo passado em 1971, ao cargo de Conservadora Chefe. Foi membro de várias instituições culturais, entre as quais, da Associação Portuguesa de Museologia, do Centro Nacional de Cultura, da Academia Nacional de Belas Artes e do Grupo Amigos de Lisboa, do qual foi vice-presidente em 1990. Colaborou na obra Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, editada pela Junta Distrital de Lisboa, com dezenas de entradas e, entre outros, na Revista Municipal; em Olisipo: Boletim do Grupo Amigos de Lisboa, Revista de Portugal, Revista Ocidente, e Arqueólogo Português.

O seu grande contributo para um aprofundado conhecimento de Lisboa está ligado ao carácter inovador das suas escavações em solo urbano. Em 1959 conduz uma prospecção de terreno e sondagens arqueológicas, em Vila Pouca, na Serra de Monsanto, concluindo que se tratava de um povoado neolítico. No ano seguinte com o início dos trabalhos para a abertura da estação de Metro no Rossio, Irisalva Moita é nomeada responsável pela recolha e identificação dos vestígios do Hospital Real de Todos-os-Santos, naquela que é considerada a sua primeira grande intervenção em solo urbano. Em 1961, o mesmo ocorre na Praça da Figueira, sendo Irisalva a responsável pelo trabalho no cemitério luso-romano posto a descoberto. É ainda por insistência sua que a autarquia decide suspender os trabalhos em 1962, permitindo que uma outra equipa tivesse tempo para aprofundar a investigação arqueológica. Anos mais tarde, entre 1965 e 1967, Irisalva Moita voltaria a terreno urbano, para dar continuidade às escavações do Teatro Romano, na Rua de S. Mamede. Na impossibilidade de poder proceder à conclusão da escavação (uma vez que as ruínas se estendiam sob propriedades privadas que o município não conseguiu adquirir) Irisalva Moita protegeu a área escavada deixando-a preservada de modo a que mais tarde se pudesse a ela retornar. O que de facto aconteceu a partir do início do século XXI. Esta é aliás uma das suas mais conhecidas facetas: a constante devoção à defesa da preservação do património histórica de Lisboa quer como cidadã, quer como membro de diversas Comissões, entre as quais a Municipal de Arte e Arqueologia, a de Preservação do Património Arquitectónico, Artístico e Urbanístico, a de Defesa do Património Cultural e Ambiental ou a de Estética Citadina.

Para além da Arqueologia, Irisalva Moita desenvolveu uma notável actividade como museóloga, sendo da sua autoria o programa para o Museu da Cidade (actual Museu de Lisboa) no Palácio Pimenta, adquirido pela Câmara em 1962 mas que só abriria ao público em 1979. Já em 1958 apresentara um plano para o Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos, e em 1970, numa conferência no Museu de Arte Antiga, apresenta Fundamentos dum museu de Lisboa, defendendo ao longo da vida a criação e reestruturação de museus regionais e locais. Representou os museus na dependência das autarquias no grupo Museus da UNESCO, foi vogal da Comissão Organizadora do Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural, e representante dos Museus Municipais no Conselho Consultivo do Instituto Português do Património Cultural. Enquanto dirigiu os Museus Municipais de Lisboa, planeou, organizou e coordenou dezenas de exposições e os respectivos catálogos dos quais devemos salientar O Povo de Lisboa (1979), Lisboa e o Marquês de Pombal (1982), Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade (1983) e D. João V e o Abastecimento de Água a Lisboa (1990). Em 1994, coordenou a edição de O livro de Lisboa para o qual redige dois capítulos (“Das origens pré-históricas ao domínio romano” e “Lisboa no século XVI”), o qual viria a ser a sua última grande obra, mas que veio colmatar uma enorme lacuna na bibliografia olisiponense, até então ainda muito dependente dos primeiros olisipógrafos. Ao reunir num único volume, a colaboração de diversos especialistas, e alternando textos gerais com textos que apresentam casos específicos para cada época, mais uma vez Irisalva Moita deu o seu pioneiro contributo para a renovação dos Estudos Olisiponenses.

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A Rua Helena Vaz da Silva, do Centro Nacional de Cultura e do Instituto Português de Cinema

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Helena Vaz da Silva que se distinguiu sobretudo como dinamizadora cultural e que foi vice-presidente do organismo de apoio à criação cinematográfica, o Instituto Português de Cinema, em 1980, década de ouro do cinema português, dá o seu nome a um arruamento do Lumiar desde o ano seguinte à sua morte.

Pelo Edital de 20 de novembro de 2003 a Rua E da Malha 15, 7 e 3 do Alto do Lumiar passou a ter o topónimo Rua Helena Vaz da Silva, partindo da confluência da Avenida Álvaro Cunhal, Rua Arnaldo Ferreira, Rua General Vasco Gonçalves e Avenida Eugénio de Andrade para chegar à Avenida David Mourão-Ferreira.

Helena Maria da Costa de Sousa Macedo Gentil (Lisboa/03.07.1939 – 12.08.2002/Lisboa) estudou em colégios católicos e quando terminou o ensino secundário ficou a ensinar Moral e Francês no Colégio das Oblatas, tendo também aos 17 anos conseguido o seu primeiro emprego como correspondente de línguas na Agência de Publicidade Manuel Martins da Hora, onde outrora trabalhou Fernando Pessoa.

Em 1959, casou  com Alberto Vaz da Silva, de quem teve quatro filhos (Francisco, Salvador, Tomás e Helena) e esta decisão pessoal vai marcar a sua carreira futura. O seu círculo de amigos próximos passou a incluir Alçada Baptista, Nuno Bragança, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, bem como José Escada, Luís Sousa Costa e Mateus Cardoso Peres. Chegaram a idealizar em 1961 um plano comunitário –  O Pacto – em que 5 casais orientados pelo Padre Manuel Antunes viveriam em comunidade numa quinta com 5 casas e uma cooperativa de ensino, o que nunca se concretizou, mas fizeram nascer em 1963 uma revista, O Tempo e Modo, uma revista católica de oposição ao regime salazarista, dirigida por Alçada Baptista, editada por Pedro Tamen, com chefia de redação de João Bénard da Costa e tendo como principais redatores Nuno Bragança e Alberto Vaz da Silva.

Em 1965, Helena Vaz da Silva assumiu a responsabilidade da edição portuguesa da revista Concilium, para difundir o espírito de Vaticano II, a partir da qual também se organizaram debates e seminários. E três anos depois, em 1968, foi para Paris fazer a sua formação de jornalista. Regressou a Portugal em 1972, para retomar o trabalho na O Tempo e o Modo, onde organizou dois números especiais, um sobre Deus e outro sobre o casamento, tendo este último sido apreendido pela Censura após a publicação. Ainda em 1972 dirigiu a empresa turística algarvia da Quinta da Balaia. Em 1973 entra para o  semanário Expresso, onde até 1976 assumiu a coordenação da «Revista», para além do trabalho de reportagens, crónicas e entrevistas. Depois foi trabalhar para a Direção de Programas Sociais e Políticos da RTP, a que regressou em 1993, para o Conselho de Opinião da RTP. Esteve na Agência ANOP (1977), onde trabalhou como grande repórter e chefe da secção de cultura e educação, para além de se ter associado à revista Raiz e Utopia, fundada em 1977 por António José Saraiva, passando em 1978 a ser a proprietária e diretora da mesma.

Em 1979, iniciou a sua carreira no Centro Nacional de Cultura, onde permaneceu até à sua morte, sendo muito recordada pelos lisboetas pela criação dos Passeios de Domingo, no decorrer da sua Presidência, que foram pioneiros na introdução em Portugal dos itinerários culturais. Em 1980 foi nomeada Vice-Presidente do  Instituto Português de Cinema.

Helena Vaz da Silva foi ainda tradutora, nomeadamente de Yourcenar e deixou obra publicada como Júlio Pomar com Helena Vaz da Silva (1979), Portugal – o último descobrimento (1987), três volumes de Qual Europa (de 1996 a 1999) e Incitações para o Milénio (2001). Colaborou para mais jornais e também fez crónicas para a Antena 1, TSF, Comercial e Rádio Renascença. Integrou ainda a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1987), a Comissão Nacional da UNESCO (de 1989 a 1994), presidiu à Comissão Cidadão e Justiça (1990), foi membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa  e do Conselho Estratégico de Lisboa (1992), da Comissão para o Futuro da Televisão em Portugal (1996), do Conselho Geral do Movimento Europeu e finalmente, presidiu ao Grupo de Trabalho sobre Serviço Público de Televisão, a partir de 5 de junho de 2002.

Entre 1994 e 1999 foi deputada no Parlamento Europeu, como independente eleita nas listas do PSD.

Helena Vaz da Silva foi agraciada com a Ordem de Mérito francesa (1982), com o Bordalo de Honra da Casa da Imprensa (1999) e como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (2000), para postumamente o ser também com uma placa evocativa colocada pela edilidade alfacinha na casa onde nasceu no Largo Dr. António de Sousa Macedo, nº7 C e a edição pelo  Centro Nacional de Cultura de uma serigrafia de Graça Morais – Helena pelas sete partidas do Mundo – em sua homenagem (2006), com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural (desde 2013) promovido por Europa Nostra, Centro Nacional de Cultura e Clube Português de Imprensa de Portugal, sendo ainda topónimo em Almada (Charneca da Caparica), na Amadora (Buraca), em Sintra (Mem Martins) e em Valongo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Leitão de Barros o realizador do 1º filme sonoro português, numa Rua de São Domingos de Benfica

Leitão de Barros, por Amarelhe, na capa do Sempre Fixe, de 22 de agosto de 1929

Leitão de Barros, o realizador de A Severa – o primeiro filme sonoro português, exibido em 1931 – e o criador das Marchas Populares de Lisboa em 1932, conhecido como o homem dos sete instrumentos, teve o seu nome perpetuado numa Rua de São Domingos de Benfica, pelo Edital municipal de 4 de novembro de 1970, três anos após o seu falecimento.

A Rua Leitão de Barros resultou de uma sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro,  e ficou no 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, tendo pelo mesmo Edital  ficado no 2º Impasse a Rua Raquel Roque Gameiro, consagrando a cunhada de Leitão de Barros e igualmente ilustradora como a sua irmã Helena Roque Gameiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José Júlio Marques Leitão de Barros (Lisboa/22.10.1896 – 29.06.1967/Lisboa), homem dos sete ofícios, foi: professor do ensino secundário, pintor, cenógrafo, dramaturgo e ainda, jornalista e cineasta (as duas áreas pelas quais ganhou mais fama), bem como por aquilo que hoje designaríamos como produtor de eventos.

Leitão de Barros foi o pioneiro da primeira geração de cineastas do sonoro, sendo seu o primeiro filme sonoro português: A Severa, adaptado do original de Júlio Dantas,estreado em 1931, . Leitão de Barros começou como cineasta em 1918, com Malmequer e Mal de Espanha, distinguindo-se depois pelas suas super produções históricas como Bocage(1936), Inês de Castro (1945) ou Camões (1946), para além de Maria do Mar (1930), Lisboa, Crónica Anedótica (1930), As Pupilas do Senhor Reitor (1935), Maria  Papoila (1937), Ala Arriba! (1942) ou Vendaval Maravilhoso (1949), no qual Amália Rodrigues integrou o elenco.  No documentário, salientam-se os seus Sidónio Pais – Proclamação do Presidente da República (1918), Nazaré (1927),  Legião Portuguesa (1937), Mocidade Portuguesa (1937), A Pesca do Atum (1939), Comemorações Henriquinas (1960), A Ponte da Arrábida Sobre o Rio Douro (1961) ou A Ponte Salazar sobre o Rio Tejo em Portugal (1966).  Leitão de Barros foi também o principal animador da concretização dos estúdios da Tobis Portuguesa, na Quinta das Conchas, no Lumiar.

Leitão de Barros frequentou a Faculdade de Ciências e a de Letras mas  acabou por concluir o curso de arquitetura na  Escola de Belas Artes de Lisboa, assim como o curso da Escola Normal Superior de Lisboa, após o que foi professor de Desenho, Geometria Descritiva e Matemática nos Liceus Camões e Passos Manuel. Casou em 17 de agosto de 1923 com a ilustradora Helena Roque Gameiro (1895 – 1986), a 2ª filha de Alfredo Roque Gameiro.

No jornalismo, começou em 1916. Fundou e dirigiu O Domingo Ilustrado (1925-1927) e O Notícias Ilustrado (1928-1935). Colaborou em jornais como O Século – onde criou O Século Ilustrado e a Feira Popular de Lisboa, em 1943 -,  A Capital,  ABC, a revista Contemporânea e a revista de cinema Movimento, tendo sido o Diário de Notícias a sua última tribuna, de 1953 a 1967, onde saía aos domingos a sua crónica semanal «Os Corvos».

Nas décadas de trinta e quarenta, Leitão de Barros investiu em eventos de animação da cidade. Começou as Marchas Populares em 1932, no Capitólio, para revitalizar o Parque Mayer, sendo que em 1934 já foram cerca de 300 mil pessoas que assistiram ao desfile da Praça do Comércio ao Parque Eduardo VII. Depois, foram os monumentais cortejos como o Cortejo das Viaturas (1934), os Cortejos das Festas da Cidade (em 1934 e 1935), o da Embaixada do século XVIII (1936),  o Cortejo e o Torneio Medieval dos Jerónimos (1938) e o Cortejo Histórico de Lisboa(1947).  Em 1939 e 1940, foi o Secretário Geral da Exposição do Mundo Português e o  responsável pela Nau Portugal.  Foi agraciado com a comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada em 1935 e com o Grande-Oficialato da Ordem Militar de Cristo em 1941. Também foi o organizador das receções triunfais a Franco (1949) e à Rainha Isabel II (1957).

Como pintor, dispunha de  ateliê na Rua D. Pedro V e expôs em museus portugueses, no Museu de Arte Contemporânea de Madrid e ainda, no Brasil. Foi também cenógrafo e dramaturgo de muitas peças que subiram à cena em Lisboa, nomeadamente no Teatro Nacional, para além de ter sido diretor da Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Fernando Matos Silva fez sobre ele Leitão de Barros, O Senhor Impaciente (1998) e o seu nome é também topónimo de Almada ( num Jardim, numa Rua e numa Praceta da Sobreda), Amadora (Alfragide), Loures (São João da Talha), Montijo, Oeiras (Queijas), Portimão, Seixal (Fernão Ferro) e Sintra (em Mem Martins e em Rio de Mouro).

A Rua José Rodrigues Miguéis de Saudades para a Dona Genciana

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José Rodrigues Miguéis, autor do conto «Saudades para a Dona Genciana», desde o ano seguinte ao seu falecimento tem o seu nome inscrito na toponímia de Lisboa, numa artéria da freguesia de Benfica, a unir a Estrada de Benfica à Rua Prof. José Sebastião e Silva.

A Rua José Rodrigues Miguéis ficou na Rua C à Estrada de Benfica através do Edital municipal de 1 de junho de 1981, em resultado da Proposta nº 198/80, subscrita pelos vereadores do Partido Socialista, aprovada por unanimidade na reunião camarária de 5 de novembro de 1980.

José Claudino Rodrigues Miguéis (Lisboa/09.12.1901 – 28.10.1980/Nova Iorque – E.U.A. ), nascido no nº 13 da Rua da Saudade, filho de uma beirã e de um galego republicano, formou-se em Direito pela  pela Universidade de Lisboa em 1924 e exerceu a advocacia, foi delegado do Ministério Público e professor do ensino secundário oficial e particular. Em 1933 licenciou-se em Ciências Pedagógicas na Universidade Livre de Bruxelas após o que, com Raúl Brandão, dirigiu um conjunto inacabado de Leituras Primárias, obra que nunca viria a ser aprovada pelo governo. Impedido de ser docente em Portugal, expatriou-se em 1935 para os Estados Unidos da América, voltando esporadicamente a Portugal e em 1942 adquiriu a nacionalidade americana. A partir desse ano e durante cerca de dez anos, exerceu funções de Assistant Editor das Seleções do Reader’s Digest, para além de colaborar regularmente na imprensa de Lisboa e se dedicar à tradução de obras de Stendhal, Carson McCullers, Erskine Caldwell ou F.Scott Fitzgerald.

Como escritor, a sua obra configura sínteses originais do presencismo e do neorrealismo, com mestria no uso da ironia e do humor. As suas novelas e contos fizeram de Rodrigues Miguéis uma referência obrigatória e um dos melhores no género: Páscoa Feliz (1932) – Prémio da Casa da Imprensa – retrato da desagregação mental do sujeito até ao limite da loucura e do crime; Onde a Noite se Acaba (1946), sobre a dissolução do sujeito associada a elementos fantásticos;  Léah e Outras Histórias (1958) – o primeiro Prémio Camilo Castelo Branco – onde se inclui  «Saudades para a Dona Genciana», considerada a obra-prima da ficção migueisiana, em que Dona Genciana representa o espaço humano da Avenida (Almirante Reis) e esta é a cidade de Lisboa; Um Homem Sorri à Morte – Com Meia Cara (1959), experiência autobiográfica; Gente da Terceira Classe (1962), sobre a condição do imigrante. Foi ainda publicado Pass(ç)os Confusos (1982), uma reedição do livro de contos Comércio com o Inimigo (1973), com um conjunto de narrativas antes publicadas na imprensa.

Publicou também 6 romances:  Uma Aventura Inquietante (1958), policial que denuncia as arbitrariedades da Justiça, antes publicado – entre 1934 e 1936- no jornal O Diabo, sob o pseudónimo de Ch. Vander Bosh; A Escola do Paraíso (1960), centrada na infância do herói entre o fim da Monarquia e os alvores da República; Nikalai! Nikalai! (1971), sobre uma comunidade de russos brancos em Bruxelas que pretende repor no trono o czar Nikalai; O Milagre segundo Salomé (1975), fresco da sociedade lisboeta com a degradação dos sonhos republicanos que culminaria no 28 de maio de 1926; O Pão Não Cai do Céu (1981), antes saído como folhetim no Diário Popular, focado no cigano como herói e símbolo unificador da luta pela terra e pela liberdade na planície alentejana; Idealista no Mundo Real (1986) que problematiza as contradições de um jovem magistrado colaborador da Seara Nova em busca da sua identidade ideológica e social.

A crónica surgiu em É Proibido Apontar – Reflexões de um Burguês I (1964), O Espelho Poliédrico (1973), As Harmonias do Canelão – Reflexões de um Burguês II (1974) e, postumamente,  Aforismos & Desaforismos de Aparício (1996) que reuniu textos publicados no Diário Popular sob o título de Tablóides. As suas obras foram traduzidas em alemão, checo, francês, inglês, italiano, polaco e russo.

Desde os anos vinte do séc. XX que colaborou na imprensa portuguesa. Com Bento de Jesus Caraça dirigiu O Globo, semanário que viria a ser proibido pela censura em 1933 e ao longo da vida foi colaborador da Seara Nova, da Revista de Portugal e dos jornais Alma Nova, O Diabo, Diário Popular, Diário de Lisboa e República.

Foi também membro eleito da Hispanic Society of America (1961) e académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (1976), tendo sido agraciado como Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (1979) e, em 1998, Diana Andringa conseguiu finalmente realizar o documentário «José Rodrigues Miguéis — Um homem do povo na história da República» para a RTP, que esteve previsto para 1980.

José Rodrigues Miguéis é também topónimo nos concelhos de Almada, Amadora, Entroncamento, Gondomar, Montijo, Odivelas, Ovar, Póvoa de Varzim, Seixal, Sesimbra e Sintra.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)