A Rua do químico cabo-verdiano, Roberto Duarte Silva

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O químico cabo-verdiano Roberto Duarte Silva, que também pode ser reclamado como português e como francês, está numa rua de  São Domingos de Benfica, a unir a estrada da Luz à Rua Virgílio Correia, desde a publicação do Edital de municipal de 22/12/1960, com a legenda na placa toponímica de «Químico Notável/1837 – 1889».

Pelo mesmo Edital foram também atribuídas na mesma freguesia a Rua Major Neutel de Abreu, a Rua Padre Francisco Álvares e a Rua General Schiappa Monteiro.

Roberto Duarte Silva (Cabo Verde – Santo Antão/25.02.1837 – 09.02.1889/Paris – França) começou a trabalhar aos 14 anos como aprendiz num boticário, na ilha de Santo Antão, mas acabou por rumar a Lisboa, onde foi trabalhar para a Farmácia Azevedo enquanto se formava na Escola de Farmácia lisboeta. Foi enviado para Macau para montar uma farmácia mas comércio de Macau colapsou pela  concorrência da recém-fundada cidade de Hong-Kong, para onde seguiu a abrir farmácia própria, tendo conseguido ser o fornecedor oficial dos militares franceses. Em 1863 vai fixar-se em Paris. Na capital francesa concluiu uma licenciatura em Ciências Físicas e a partir de 1867 até à sua morte, trabalhou nos laboratórios de  Wurtz e de Friedel, especializado no  ramo da Química Orgânica. Publicou o seu primeiro trabalho também em  1867.

Exerceu ainda como docente na Escola de Física e Química  Industriais (de 1882 a 1887), bem como na Escola Central de Artes e Manufacturas (de 1887 até ao seu falecimento), ambas em Paris, e na segunda, iniciou cursos experimentais, imprimindo uma orientação prática sem precedentes ao ensino da química. Na primeira, foi docente de Química Analítica do também futuro engenheiro químico Charles Lepierre, o qual por  sugestão sua se instalou em Portugal em 1888, pelo que no centenário do nascimento de Roberto Duarte Silva proferiu uma palestra em que o qualificou como «um excelente professor» que «Falava correctamente o francês, o inglês, o alemão, além do português, é claro. » Refira-se também que para ser nomeado professor das escolas de Paris lhe foi imposta a naturalização francesa mas é sabido, nomeadamente através da sua correspondência com familiares e amigos em Cabo Verde, que lhes pedia materiais locais para os estudar, em busca de uma aplicação industrial que ajudasse a economia do arquipélago.

Roberto Duarte Silva desempenhou ainda os cargos de vice-presidente (1885) e presidente (1887) da Société Chimique; foi membro da Association Française pour l’Avancement des Sciences e seu secretário entre 1875 e 1877, bem como presidente da secção de Química em 1886; foi membro corresponde da Academia das Ciências de Lisboa a partir de 1876 e membro honorário da Sociedade Pharmaceutica Luzitana. Foi ainda agraciado com o Jecker Prize da Académie de Sciences de Paris, em 1885.

Em Paris, Roberto Duarte da Silva viveu  no nº 26 da Rue de la Harpe, perto do Museu de Cluny,  e nessa cidade faleceu aos 51 anos de idade, provavelmente vítima da tuberculose. Está sepultado no Cemitério de Montparnasse. Foi homenageado numa nota de Cabo Verde e na Escola da Ribeira Grande, localidade da ilha de Santo Antão onde nasceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

 

 

A Rua Frederico George, membro da 2ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O arqº Frederico George integrou a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós 25 de Abril, a de 1976, e passou a dar o seu nome a uma Rua de Telheiras, na freguesia do Lumiar, dois anos após o seu falecimento.

Esta 2ª Comissão Municipal de Toponímia foi designada por despacho de 14 de junho de 1976 e realizou a sua primeira reunião no dia seguinte. De acordo com as Atas, era presidida pelo Dr. Augusto de Azeredo Costa Santos e tinha como membros o Dr. Fernando Castelo Branco em representação da CML, e mais três personalidades convidadas: o Dr. Jacinto Baptista, o Prof. Dr. José Augusto França e o Prof. Arqtº Frederico George. No último mês de 1976, passou a ser presidida pelo Dr. Orlando Martins Capitão contando com o Dr. Fernando Castelo Branco e o Prof. Arqtº Frederico George como membros.

Um princípio essencial definido por esta Comissão, na esteira do já defendido pela primeira pós 25 de Abril, foi o de não alterar toponímia tradicional, como se pode ler na Ata da reunião de 15 de junho de 1976: «O professor doutor José Augusto França, lembrou a existência de nomenclaturas tradicionais na toponímia de Lisboa, e propôs que, só em casos muito excepcionais, se encarasse a hipótese da sua alteração, não só pelas razões que lhes deram origem, como ainda porque essas alterações provocam sempre grandes inconvenientes, quer para os munícipes, quer para os próprios serviços. Submetida à votação, foi a referida proposta aprovada por unanimidade.»

A Rua Frederico George, com a legenda «Arquitecto e Pintor/1915 – 1994», situada  a partir da confluência da Rua Prof. Prado Coelho e a Rua Armindo Rodrigues até chegar à Rua Daniel Santa Rita, foi atribuída por Edital municipal de 24/09/1996 à Rua B do Alto da Faia e Rua A de Telheiras Norte III. Mais tarde, juntar-se-ão nas proximidades, também em Ruas, os arqºs Daniel Santa Rita (16/02/2005) e Conceição Silva (Edital de 01/08/2005).

autorretrato de Frederico George de 1939

Frederico Henrique George (Lisboa/15.11.1915- 26.01.1994/Lisboa), nascido na freguesia de Santa Isabel, filho de pai inglês e mãe portuguesa, estudou à noite na Escola de Artes Decorativas António Arroio e formou-se em pintura (1936) e em arquitetura (1950) pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, seguindo uma carreira de cenógrafo, arquiteto, designer e professor universitário.

É obra sua na cidade de Lisboa o Museu da Marinha (1962) e o Planetário Calouste Gulbenkian (1965) , em Belém, zona onde já havia participado nas pinturas murais da Exposição do Mundo Português (1940), bem como com Manuel Magalhães e Daciano Costa, o Hotel Penta (1975) ou o edifício de escritórios do Metropolitano de Lisboa (1983), a recuperação do Palácio Pancas Palha (1991) e o Pavilhão Gimnodesportivo do Casal Vistoso (1992). Frederico George também desenvolveu os planos de recuperação do Palácio Fronteira (1958 e 1988) e diversos projetos de análise do território e urbanismo para a Câmara Municipal de Lisboa e para o Ministério das Obras Públicas (1969 a 1976) como os blocos de habitação social em Olivais Sul de 1961-1963; executou as Exposições comemorativas do V Centenário do Infante D. Henrique (1958-1960), o Pavilhão de Portugal na Exposição Comemorativa do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (1964) e com Daciano Costa, traçou o Pavilhão de Portugal da Expo Internacional de Osaka (1970).

Como professor, Frederico George começou nas escolas de ensino técnico de Lisboa e Setúbal e a partir de 1940 na Escolas de Artes Decorativas António Arroio – onde veio a introduzir o ensino do Design – para a partir de 1957, ser Professor do Curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, desempenhando assim um importante papel pedagógico na formação dos artistas da geração seguinte. Sofreu um interregno de 1948 a 1955, período em que foi exonerado da docência por ter subscrito a candidatura do General Norton de Matos à presidência da República. Também no seu atelier reuniu um conjunto de colaboradores que continuaram o seu legado, particularmente no desenvolvimento e ensino do Design em que foi pioneiro, como Daciano Costa, Fernando Conduto e Sena da Silva. Refira-se ainda que Frederico George participou na 1.ª Exposição de Design Português (em 1971) e defendeu com empenho a profissionalização do Designer em Portugal. Em 1972 foi encarregue pelo Ministério da Educação do estudo para a reforma do ensino de arquitetura e, em 1992, foi ainda o responsável pela criação de novos cursos universitários. Colaborou no Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa, editado em 1961 e publicou Considerações sobre o Ensino da  Arquitectura, a sua dissertação de 1963. 

Na sua vertente de pintor, iniciada na década de 40 do séc. XX com quadros figurativos e estrutura de raiz cubista, marcou presença na II Exposição Geral de Artes Plásticas (1947) e Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas-Artes tendo alcançado, entre outros, o Prémio Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes (1936), a 1ª Medalha da SNBA (1945), o Prémio Columbano  (1946) e o Prémio Silva Porto (1947), ambos  do SNI. A sua obra está representada no Museu do Chiado e na Fundação Calouste Gulbenkian. Frederico George foi também galardoado com o oficialato da Ordem de Cristo (1941), a Grã Cruz da Ordem de Mérito (1989), o Prémio  de Arquitectura da AICA (1994) e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Técnica de Lisboa (2001).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua General Vassalo e Silva, que se rendeu na Índia em dezembro de 1961

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

O General Vassalo e Silva que era o governador do Estado Português da Índia em  18 de dezembro de 1961, quando a União Indiana invadiu os territórios de Goa, Damão e Dio, quase sem resistência dos soldados portugueses tal era a desproporção das forças, deu o seu nome a uma rua de Lisboa passados 53 anos sobre esse acontecimento e 29 sobre o seu falecimento, em 2014.

Foi pelo Edital municipal de 2 de junho de 2014 na artéria identificada como Rua 5 à Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes, na Freguesia do Beato: Rua General Vassalo e Silva/1899 – 1985.

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Manuel António Vassallo e Silva (Torres Novas/08.11.1899 – 11.08.1985/Lisboa), sendo ainda brigadeiro, foi nomeado no final de 1958 como o 128º e último governador do Estado Português da Índia. Salazar tinha-lhe escrito num telegrama que «Não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, assim como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». No entanto, 36 horas após a entrada das tropas indianas, Vassalo e Silva rendeu-se com a guarnição portuguesa em Goa, cerca de três mil e quinhentos homens em armas, perante as forças indianas que contavam com cerca de 50 mil soldados. A maioria dos soldados portugueses escolheu a total rendição e apenas 25 morreram. Foram feitos prisioneiros e Vassalo e Silva foi ainda punido com a expulsão das Forças Armadas Portuguesas por ter desobedecido a Salazar, sendo reintegrado após o 25 de Abril de 1974. O General Vassalo e Silva ganhou por isto o epíteto de «Vacila e Salva».

Bacharel em Matemáticas, concluiu os preparatórios de Engenharia Militar e ingressou na vida militar em 13 de novembro de 1922, no Curso de engenharia militar na Escola Militar, que concluiu como aspirante a Oficial em 1926. Prestou serviço no Regimento de Sapadores Mineiros nº 1 (Lisboa), na Escola Prática de Engenharia (Porto), na Escola de Transmissões, como professor-adjunto da 24ª Cadeira da Escola do Exército, como Comandante de engenharia do Quartel General do Comando das Forças Expedicionárias às Colónias em Moçambique, nas Forças Expedicionárias ao Extremo Oriente em Timor, como professor provisório nos Pupilos do Exército, como Professor Catedrático da 24ª Cadeira da Escola do Exército e como Comandante da Escola Prática de Engenharia em Tancos.

Na sua vida particular era filho de Manuel Caetano da Silva e de Maria da Encarnação Vassalo e Silva e assim também o irmão mais novo da escritora Maria Lamas.

Foi agraciado com diversas condecorações como oficial da Ordem Militar de Avis (1938), comendador de Avis (1951) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (1958), Oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial (1954) e dá nome a Ruas da Charneca da Caparica, Linda-a-Velha e Torres Novas.

Freguesia do Beato (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias)

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

Cecília e Dinah, duas escritoras brasileiras na toponímia de Lisboa

Rua Cecília Meireles – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília Meireles em 1964 e Dinah Silveira de Queiroz em 1984, são duas escritoras brasileiras que a partir dessas datas ficaram inscritas na toponímia de Lisboa, em São Domingos de Benfica e em Marvila.

A Rua Cecília Meireles nasceu do Edital de 28/12/1964 nas Ruas A e B à Travessa de São Domingos de Benfica, pouco mais de um mês após o seu falecimento, e a Rua Dinah Silveira de Queiroz foi através do Edital de 28/02/1984, na Rua L1 da Zona L de Chelas, quase 2 anos após a sua morte, em resultado de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 11 de julho de 1983.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro/07.11.1901 – 09.11.1964/Rio de Janeiro), neta de açorianos, foi uma professora, cronista e poetisa brasileira que iniciou a sua carreira literária com a publicação do livro de poesia Espectro (1919). A sua vasta produção literária de poesia, teatro, romance e ensaio, conta com títulos como por exemplo, Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923); Baladas para El-Rei (1925); o ensaio O Espírito Vitorioso (1929); publica em Lisboa uma apologia do Simbolismo, a Saudação à menina de Portugal (1930), assim como o ensaio Batuque, Samba e Macumba (1935) com ilustrações de sua autoria; Viagem ( 1939) que lhe valeu o Prémio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras; Olhinhos de Gato, publicado em capítulos na revista Ocidente (1939-1940); uma biografia de Rui Barbosa para crianças Rui — Pequena História de uma Grande Vida (1949); Romanceiro da Inconfidência (1953) que foi adaptado para filme por Joaquim Pedro de Andrade com o título Os inconfidentes (1972); os ensaios Panorama Folclórico de Açores (1955), A Bíblia na Literatura Brasileira (1957) , Ou Isto ou Aquilo (1964) ou Solombra (1964) que foi Prémio Jabuti de Poesia.

Paralelamente, enquanto professora do magistério primário desde 1917, em escolas oficiais do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, espelhou a sua vertente de pedagoga em crónicas sobre educação, como a página diária no Diário de Notícias em 1930 e 1931, ensaios sobre educação e obras para crianças. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, no Bairro de Botafogo, no Centro Infantil que dirigia. Aposentou-se em 1951 como diretora de escola, trabalhando a partir de então como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Foi ainda docente de Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), de 1935 a 1938, assim como de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas em 1940. Proferiu ainda conferências na Europa, Estados Unidos, África e Ásia sobre Literatura, Educação e Folclore e colaborou também, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. 

Cecília Meireles recebeu as distinções de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli (1953) e Oficial da Ordem de Mérito do Chile (1952), para além do Prémio de Tradução/Teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (1962), do Prémio Jabuti de Tradução de Obra Literária da Câmara Brasileira do Livro (1963),  do Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1965),  e da sua efígie ser posta na nota de cem cruzados do  Banco Central do Brasil (1989).

O seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau do Bairro de Cangaíba em São Paulo (1963), à Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho em São Paulo (1974), à Biblioteca de Valparaiso no Chile (1964), ao grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa no Rio de Janeiro (1965), à Biblioteca Infanto-Juvenil no Bairro Alto da Lapa de São Paulo (1991), assim como foi consagrada em artérias de Ponta Delgada, do Porto, Curitiba, Itajaí, Ilha Comprida, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Xinguara do Pará, entre outras.

Na sua vida pessoal, casou-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, mas 5 anos após o suicídio deste casou-se com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo/09.11.1911 – 27.11.1982/Rio de Janeiro) foi uma escritora brasileira que abarcou diversos géneros, desde o romance, contos e crónicas, à literatura infantil. Escreveu Pecado (1937); a novela Sereia Verde (1938); Floradas na Serra (1939) que recebeu o Prémio Antônio de Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras e foi transposto para o cinema em 1955; os romance Margarida La Roque (1950) e A Muralha (1954); a peça bíblica O oitavo dia (1956); os contos Eles herdarão a terra (1960); Os invasores (1964); A Princesa dos Escravos (1965); Verão do Infiéis (1965) distinguido com o prémio de ficção da Prefeitura do Distrito Federal; Comba Malina (1969); O Livro dos Transportes (1969) dedicado ao público infantil e Memorial de Cristo (1974-1977). Foi laureada em 1954, com o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, pela Academia Brasileira de Letras.

Na sua vida pessoal casou-se em 1929 com o desembargador Narcélio de Queiroz, tendo enviuvado e em 1962, foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madrid, casando novamente nesse mesmo ano com o embaixador Dario Castro Alves (1927-2010), com quem residiu em Lisboa durante largos anos, e nesta cidade escreveu o seu último livro Guida, caríssima Guida (1981).

Dinah Silveira de Queiroz ainda escreveu artigos e crónicas para a Rádio Nacional, a Rádio Ministério da Educação e Jornal do Commercio no Brasil, para além de um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Foi a 2ª mulher membro da Academia Brasileira de Letras (1980), para além de ter integrado a Academia Paulista de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, e ter sido distinguida com o seu nome em artérias do Balneário Camboriú, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras.

Rua Dinah Silveira de Queiroz - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Rua Dinah Silveira de Queiroz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do Padre António Vieira, defensor da abolição da escravatura

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Padre António Vieira nasceu da deliberação camarária de 21 de outubro de 1909 para homenagear o padre jesuíta que se distinguiu como missionário e pregador, diplomata e político, que a memória popular recorda como o autor do Sermão de Santo António aos Peixes (1654) e da defesa da abolição da escravatura.

Este topónimo foi fixado em 1909 na Rua D entre a Rua José da Silva Carvalho [hoje, Rua de Artilharia Um] e a Rua Castilho, sendo que tal como a Rua Francisco Manuel de Melo, foram artérias que começaram a ser abertas em 1910.

Padre António Vieira pintado por António Nunes Junior no Saão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa (Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

Padre António Vieira pintado por António Nunes Junior no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

António Vieira (Lisboa/06.02.1608-18.07.1697/Baía) nasceu na Rua dos Cónegos também conhecida como Rua do Leão, na então freguesia da Sé, como primogénito de quatro filhos da lisboeta Maria de Azevedo e de Cristóvão Vieira Ravasco, de origens alentejanas mas cuja mãe era filha de uma mulata. A partir de 1614 foi viver para o Brasil já que o seu pai conseguiu lá trabalho como escrivão no Tribunal da Relação da Baía. Estudou no colégio jesuíta da Baía e ingressou na Companhia de Jesus como noviço em 1623, recebendo ordens em 1634 e iniciando nessa altura o seu trabalho como pregador, de oratória barroca de acordo com Margarida Vieira Mendes. A partir do final de 1626 ou início do ano seguinte, começou a exercer como professor de Retórica em Olinda e em 1638, foi nomeado Lente de Teologia do Colégio Jesuíta de Salvador.

Em 1641 regressou a Lisboa com o governador, para apresentar ao rei D. João IV a adesão à causa da Restauração. Para além de confessor da rainha D. Luísa de Gusmão, o rei nomeou-o pregador régio e encarregou-o então de várias missões diplomáticas nos Países Baixos (1646) e em França (1647), após o que regressou novamente ao Brasil e se empenhou na missionação junto dos índios, de 1653 a 1661, gerindo a Missão no Maranhão e no Grão-Pará. O Padre António Vieira defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas, combatendo a sua exploração e escravização, o que lhe valeu 0 nome de Paiaçu, o termo tupi para Grande Pai, tendo ficado célebre o seu Sermão da Primeira Dominga de Quaresma, em 1653, no qual tentou convencer os senhores de engenho a libertarem os seus escravos indígenas.

Deixou uma obra que exprime as suas opiniões políticas em  cerca de 200 Sermões publicados em 16 tomos ( de 1679 a 1699), Esperanças de Portugal – Quinto Império do Mundo, Clavis Prophetarum, História do Futuro e 3 tomos de Cartas. Defendeu os judeus e a abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, assim como a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Aliás, após a morte de D. João IV foi condenado pela Inquisição de professar opiniões heréticas, pelos seus manuscritos Esperanças de Portugal,  Clavis Prophetarum História do Futuro, num processo que durou de 21 de julho de 1663 a 1667 sob desterro em Coimbra, e do qual só foi absolvido com a subida ao trono de D. Pedro II, em 1668.

A partir de 1669 e durante seis anos passou a desenvolver trabalho de diplomata em Roma, tendo conseguido que por determinação papal fosse suspensa a Inquisição, entre 1675 e 1681, em Portugal e no império. Em 1681 regressou definitivamente à Baía, e foi visitador-geral das missões do Brasil para além de se dedicar à edição das suas obras, nomeadamente das suas cerca de 700 cartas, tendo aí morrido aos 89 anos de idade.

Em Lisboa, este grande orador também deu nome em 1959 ao Liceu Padre António Vieira, da autoria do arqº Rui Jervis Athouguia. Na toponímia surge, entre outros locais, no Algueirão, em Almada, na Amadora, Braga, Chaves, Coimbra, Fiães, Gondomar, Guarda, Odivelas, Porto, Porto Salvo, Póvoa de Santo Adrião, Rio de Mouro, Santo António dos Cavaleiros, e no Brasil, em Esteio, Parnaíba, Porto Alegre, Salvador, Santa Catarina, São Bernardo e São Paulo.

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua de Lacerda e Almeida das fronteiras do Brasil e primeiras longitudes de África

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

No troço do Caminho de Baixo da Penha entre a Avenida General Roçadas e a Rua Jacinto Nunes está desde a publicação do Edital de 23 de março de 1954 a Rua Dr. Lacerda e Almeida, em homenagem ao matemático que integrou a comissão de delimitação das fronteiras do Brasil com a Bolívia e a Venezuela e enquanto governador de Tete, em Moçambique, procedeu a uma exploração onde definiu as primeiras longitudes em África.

Já em 1949 e depois em 1953,  a Comissão Municipal de Toponímia foi do parecer que se denominassem os arruamentos do Vale Escuro com topónimos relacionados com figuras que em África cumpriram a política portuguesa, quer por obra governativa quer por delimitação de fronteiras. E assim para além da Rua Dr. Lacerda e Almeida os outros topónimos sugeridos foram a Praça Aires de Ornelas, a Rua Artur de Paiva, a Avenida Coronel Eduardo Galhardo, a Rua Francisco Pedro Curado, a Praça João de Azevedo Coutinho, o Largo General Pereira de Eça, a Avenida Mouzinho de Albuquerque, a Praça Paiva Couceiro , a Rua Teixeira Pinto e a Rua Eduardo Costa.

Francisco José de Lacerda e Almeida (Brasil – São Paulo/22.08.1750 – 18.10.1798/Cazambe-Moçambique), filho de José António de Lacerda (de Leiria) e de Francisca de Almeida (de São Paulo) concluiu o curso de matemática na Universidade de Coimbra em 1776 e no ano seguinte concluiu o doutoramento, conseguindo em 1778 ser convidado para o serviço do Estado, como geógrafo, astrónomo e matemático. Neste contexto, integrou os trabalhos de demarcação das fronteiras entre Portugal e Espanha (1779), resultantes da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso e seguiu depois para o Brasil (1780) para a delimitação das fronteiras com a Bolívia e a Venezuela, para além de ter executado levantamentos que podem ser classificadas como geográficos, para obter dados geodésicos, destinados a apoiar a cartografia da região. Fez ainda uma viagem de investigação dos rios Cuiabá, Paraguai, Taquari, Cochim, Camampoan, Pardo, parte do Paraná e todo o Tieté e regressou a Lisboa em 1790. 

Em setembro do ano seguinte passou a docente de Matemática na Real Academia dos Guarda-Marinhas, funções que exerceu até partir  para Moçambique em maio de 1797. Nesta época de explorações científicas, dentro do espírito do Iluminismo, Lacerda e Almeida queria seguir o curso do Zambeze, até à zona da nascente, para aí procurar a nascente do Cunene, que corria para a costa ocidental e iniciou a expedição em 3 de julho de 1798, no decorrer da qual contraiu malária, chegando o «Geral de Tete», como era conhecido, já bastante debilitado ao Cazembe em outubro, onde veio a falecer.  A sua expedição foi a  primeira a determinar longitudes em África por métodos astronómicos rigorosos, tendo os seus registos sido publicados em 1844 (Diário da viagem de Moçambique para os rios de Senna [na Zambézia] feita pelo governador dos mesmos rios Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida).

Supõe-se que tenha sido eleito membro da Academia de Ciências de Lisboa, em 1791 ou 1795, mas nem todos os autores estão de acordo nesta questão.

Para além da rua que lhe foi dedicada em Lisboa 156 anos após o seu falecimento, o seu nome também se tornou topónimo na cidade Pontes e Lacerda no Estado do Mato Grosso (homenagem a Silva Pontes e Lacerda e Almeida); no Rio Lacerda e Almeida no Estado de Rondônia; na Ilha Lacerda e Almeida no Rio Paraná; assim como uma povoação moçambicana na margem direita do Zambeze recebeu em 1893 o nome de Lacerdónia.

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

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A Rua de um missionário no Brasil: o Padre Sena de Freitas

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

Tal como o Padre António Vieira e o Padre Manuel da Nóbrega, também o Padre Sena de Freitas foi um missionário no Brasil que teve direito a dar nome a uma artéria lisboeta – a Rua nº 8 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, entre as Ruas de Martins Sarmento e de Cesário Verde -, pelo Edital municipal de 13 de julho de 1933, com a legenda «Escritor e Orador Sagrado/1840 – 1913».

José Joaquim de Sena Freitas (Ponta Delgada/27.07.1840 – 21.12.1913/Rio de Janeiro), filho do publicista  luso-brasileiro Bernardino José de Sena Freitas, fez o curso teológico e tornou-se sacerdote da Congregação de São Lázaro, em Paris. Na sua carreira religiosa missionou de 1865  a 1873 no Brasil e a partir desse ano fixou-se até 1874 em Felgueiras, para ser professor de Filosofia e Línguas no Colégio de Santa Quitéria. Foi ainda cónego da Sé de Lisboa a partir de 1899 e andou pelo Oriente até regressar ao Brasil.

Este prolífico autor açoriano, produziu um vasto conjunto de ensaios, tradução, crónicas de viagem, poesia, conferências, sermões, de que se destacam No Presbitério e no Templo (1884), Lutas da Pena (1901-1902) e A Palavra do Semeador (1905-1907), a  que acresce ainda a circunstância de ser o primeiro biógrafo de Camilo Castelo Castelo Branco. Colaborou também em diversas publicações periódicas como a revista católica de Coimbra Estudos Sociais, a Revista Universal Lisbonense e a revista Brasil-Portugal, para além de ter sustentado, quer em Portugal, quer no Brasil, várias polémicas com escritores do seu tempo, nomeadamente Guerra Junqueiro e Júlio César Ribeiro Vaughan.

Em Ponta Delgada dá nome a um Jardim onde se ergue uma estátua sua desde 1966, tal como tem uma Praceta em Braga, para além de no Brasil estar consagrado numa Avenida e numa Rua em São Paulo, bem como numa Rua de Ribeirão Preto.

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

Publicação municipal da toponímia sobre Mário Dionísio

A publicação municipal de toponímia referente a Mário Dionísio, distribuída hoje no decorrer da inauguração da Rua Mário Dionísio, já está on-line.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

mario-dionisio-capa

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

A Rua Tomás Borba, o pedagogo da modernidade do Canto Coral

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Cinco anos após a sua morte foi Tomás Borba colocado como topónimo de uma rua do Bairro do Arco do Cego, homenageando o compositor e pedagogo que inovou na pedagogia da Música em Portugal, particularmente através da introdução do Canto Coral nas escolas.

A Rua Tomás Borba era o troço da Rua Gomes Leal «a poente do novo Edifício escolar», conforme indica o Edital municipal de 03/12/1955 e hoje une a Rua Costa Goodolfim à Rua Stuart Carvalhais.  A construção de um novo edifício escolar, inicialmente previsto para ambos os sexos terem aulas separados, acabou por entrar em funcionamento no ano letivo de 1938/39 antes como um liceu feminino. E assim a construção do Liceu Filipa de Lencastre partiu em dois diversas artérias do Bairro do Arco do Cego, pelo que foi necessário renomear uma metade de cada um desses arruamentos e foi num dessas metades que nasceu a Rua Tomás Borba.

Tomas Borba

Thomaz Vaz de Borba (Angra do Heroísmo/23.11.1867 – 12.02.1950/Lisboa) era desde 1890 um sacerdote católico, amigo dos também açorianos Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, que veio para Lisboa em 1891, estudar  no Real Conservatório Nacional (de 1891 a 1895) e também  no Curso Superior de Letras (de 1893 a 1896), tendo concluído ambos os cursos.

Exerceu o sacerdócio como prior da paróquia dos Mártires, em pleno Chiado, mas também como Comissário da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo onde desenvolveu obra na música religiosa, tendo por sua iniciativa sido adquirido para a Capela da Ordem o primeiro órgão pneumático de fabrico moderno.

Em paralelo, o Padre Tomás Borba exerceu também a docência e após a implantação da República foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, no que foi o 1º representante do ensino da música em tal órgão. De 1901 a 1937 foi Professor de Harmonia no Conservatório Nacional, onde se tornou também o 1º professor a reger a cadeira de História da Música, a partir de 1911. Lecionou também no Liceu D. Maria Pia (1914) ao mesmo tempo que era regente do Orfeão do Liceu da Lapa. Foi ainda docente de Solfejo e Canto Coral na Escola Normal Primária de Lisboa (1916), introduzindo os métodos de solfejo entoado e de ginástica rítmica para incentivar a sua introdução destas disciplinas nas escolas portuguesas. Tomás Borba foi ainda o diretor da Academia de Amadores de Música, onde conjugou modernidade e tolerância, já que aí  acolheu Fernando Lopes Graça quando este  estava proibido de ensinar pela PIDE. Para além de Lopes Graça foram seus  discípulos  Francine Benoït, António de Lima Fragoso, Luís de Freitas Branco, Pedro de Freitas Branco, Rui Coelho ou Ivo Cruz.

Como compositor, a obra de Tomás Borba compreende música sacra, como  Te Deum (1898), Requiem, Coros Religiosos, algumas missas, motetes e canções sacras, bem como música profana como ciclos de peças para piano, sonatas para violino e piano assim como danças portuguesas.

Tomás Borba merece ainda  ser recordado pelo seu importante trabalho na área difusão musical, através das suas edições, como os 3 volumes de Escola Musical, Toadas da Nossa Terra (1908), os 4 volumes de Canto Coral nas Escolas (1913), Exercícios graduados de solfejo : para uso das escolas primárias, colégios, liceus, etc. (1915), Solfejos, Canções e Cânones Adequados ao Programa de Canto Coral nos Liceus (1935),   o Manual de Harmonia (1937), e os 2 volumes do  Dicionário de Música (1956-1958), preparado fundamentalmente por Fernando Lopes Graça mas que apareceu com o nome de Tomás Borba para proteger o primeiro.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

Moleirinha – Música de Tomás Borba. Letra de Guerra Junqueiro. Intérprete: Maria de Lurdes Resende. Suporte musical: Orquestra de Joaquim Luís Gomes