A Rua do padre franciscano Manuel Alves Correia

Freguesia de Alcântara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1978 que a Rua Padre Manuel Alves Correia, que nasce junto ao nº 12 da Rua do Cruzeiro, homenageia o padre franciscano que traduziu a obra de Homero para a edição portuguesa da Sá da Costa.

Foi pelo Edital municipal de 27 de fevereiro de 1978 que o Impasse A à Rua do Cruzeiro se passou a denominar Rua Padre Manuel Alves Correia, tal como nessa mesma zona da cidade o Impasse E se tornou a Rua Zacarias de Aça e o Impasse G ficou a ser a Rua Cristóvão Rodrigues Acenheiro.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Manuel Alves Correia (Paredes – Aguiar de Sousa/06.04.1881 – 23.11.1948/Lisboa) é irmão mais velho de Joaquim Alves Correia (1886-1951) que entrou na toponímia de Lisboa no mesmo dia mas por outro Edital municipal para a então freguesia dos Olivais.

O padre franciscano  Manuel Alves Correia assim o era desde 1898, membro da Corporação de Missionários Franciscanos, tendo sido formado em Braga no Convento franciscano de Montariol, assim como na Faculdade de Filosofia e Teologia de Santo António de Roma.

Manuel Alves Correia foi  professor de Ciências e de Filosofia em Montariol, nas Necessidades (em Barcelos) e ainda em Leiria, para além de ter dirigido o Colégio de Tui entre 1918 e 1921, assim como o Boletim das Missões Franciscanas, de 1924 a 1930. A partir de 1928 o Padre Manuel Alves Correia foi também o representante e procurador das Missões Franciscanas em Lisboa.

Até a revista franciscana bracarense Voz de Santo António ser suspensa em 1909 foi seu colaborador. Amigo de António Sérgio e próximo da revista Seara Nova escreveu humorísticas e mordazes crónicas, traduziu e prefaciou as obras de Homero para a edição portuguesa da  Sá da Costa, a partir de 1947. Para a mesma editora do Chiado preparou a edição da Imagem da Vida Cristã de Frei Heitor Pinto, para além de ter participado na  Enciclopédia Luso-Brasileira.

A sua obra O Génio da Bondade – S. Francisco de Assis, um conjunto de ensaios de trabalho para introduzir o leitor no espírito de São Francisco, partindo do Doutor Seráfico São Boaventura, só foi publicada postumamente (1962), pela Editora Franciscana de Braga.

O Padre Manuel Alves Correia está também presente na toponímia da sua terra natal, Aguiar do Sousa.

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Damião Peres, autor da História de Barcelos, numa Rua de Telheiras

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A memória de Damião Peres, o historiador que se notabilizou pela sua História de Portugal em 9 volumes, conhecida como História de Barcelos,  está desde 1978 numa Rua de Telheiras, através do Edital municipal que iniciou nesta zona da cidade o Bairro dos Professores, através da toponímia.

Por via da publicação do Edital de municipal de 27 de fevereiro de 1978, a Rua Prof. Damião Peres, com a legenda «Historiador /1889 – 1976», ficou na Rua 3 N da Zona de Telheiras. O mesmo Edital colocou mais os seguintes topónimos nas ruas do Bairro:  na Rua 1 o Prof. Pulido Valente, na Rua 1 N o  Prof. Bento de Jesus Caraça, na Rua 2 o Prof. João Barreira, na Rua 2 N o Prof. Queiroz Veloso, na Rua 3 o Prof. Henrique Vilhena, na Rua 4 o Prof. Mário Chicó, na Rua 6 o Prof. Vieira de Almeida, na Rua 9 o Prof. Fernando da Fonseca, na Rua 11 o  Prof. Hernâni Cidade, na Rua 11 A a Profª. Virgínia Rau, na Rua 11 B o Prof. Delfim Santos, no Impasse 11 C o   Prof. Luís Reis Santos e fazendo um único arruamento com a junção da Rua 15 com os Impasses 15 B, 15 C e 15 D ficou o Prof. Mark Athias.

Damião António Peres (Lisboa/08.07.1889 – 26.10.1976/Porto) foi professor liceal, tendo até sido reitor do Liceu do Funchal e do lisboeta Liceu Gil Vicente, para depois ser docente universitário de 1919 a 1959, primeiro na Universidade do Porto (1919 a 1928), cuja Faculdade de Letras e Arquivo Histórico da Cidade dirigiu, passando depois para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1931 a 1959).

Enquanto historiador notabilizou-se pela sua História de Portugal em 9 volumes, que produziu com Euleutério Cerdeira, conhecida com a História de Barcelos por ter sido publicada pela Portucalense Editora – sediada em Barcelos-, entre 1928 e 1954, com o subtítulo «Edição monumental comemorativa do 8.º centenário da fundação da nacionalidade, profusamente ilustrada e colaborada pelos mais eminentes historiadores e artistas portugueses», tendo sido propositadamente no dia exato dos 800 anos da Batalha de São Mamede, que  de facto marcou a independência de Portugal. Um 10º volume foi editado em 1981, da autoria de Franco Nogueira, sobre o período de 1933 a 1973, pela Livraria Civilização, do Porto, que adquiria os direitos da obra. Damião Peres publicou ainda, entre outros, Catálogo das Moedas Portuguesas (1929-1934) em 2 volumes, Como nasceu Portugal (1938), A História dos Descobrimentos (1943),  Portugal na História da Civilização (1946), O descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral : antecedentes e intencionalidade (1949), História dos Moedeiros de Lisboa como Classe Privilegiada (1964-1965) em 2 volumes ou História dos mais belos Castelos de Portugal (1969).

Damião Peres ainda fundou a Revista de Estudos Históricos, organizou as coleções de numismática do Museu Municipal do Porto e da Casa da Moeda de Lisboa, foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e fundador da Academia Portuguesa da História.

Foi Doutor Honoris Causa pelas universidades de Montpellier e Bordéus, assim como agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1961) e da Ordem Militar de Santiago da Espada (1968) e integra a toponímia do concelho de Almada ( por 4 vezes), de Fernão Ferro, do Montijo, de Paços de Ferreira, da cidade do Porto e de São Domingos de Rana.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

César Oliveira, da História do Movimento Operário, eternizado numa rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

César Oliveira, cuja investigação histórica se centrou sobretudo na História do Movimento Operário, do Estado Novo e também da Administração Local,  foi colocado na toponímia de Telheiras no ano seguinte ao seu falecimento, no Impasse no prolongamento da Rua Prof. Damião Peres, através do Edital municipal de 11 de março de 1999.

A Rua Professor César Oliveira homenageia o historiador António César Gouveia de Oliveira ( Oliveira do Hospital/26.03.1941 – 15.06.1998) que redigiu a sua própria biografia com a memória do país em Os Anos Decisivos. Portugal: 1962-1985. Um Testemunho (1993) e centrou  a sua investigação na História Contemporânea, com particular incidência no Movimento Operário e no Sindicalismo, pelo era frequentemente chamado o «Historiador da Classe Operária».  São obra sua O Congresso Sindicalista de 1911 (1971),  A Criação da União Operária Nacional e o Operariado e a República Democrática 1910/1914 (ambos em 1972), Socialismo em Portugal 1850/1900 (1973) – a sua tese –  e O 1º Congresso do Partido Comunista Português (1974).

Como professor, começou no ISEF – Instituto Superior de Económicas e Financeiras em 1972, a convite do historiador Joel Serrão, para  a disciplina de  História Económica e Social.  Mas a sua carreira académica está muito ligada ao ISCTE, onde foi docente em 1976 e nos anos 80, para as Licenciaturas de Sociologia e de Organização e Gestão de Empresas, bem como a partir de maio de 1986 como responsável pela cadeira de História Contemporânea de Portugal da Licenciatura de Sociologia e coordenador da área de História do Instituto, tendo também lecionado as cadeiras de História da Política Externa Portuguesa no Mestrado de História Contemporânea e História Contemporânea de Portugal na Licenciatura em Economia. Na Universidade Nova foi também  docente de História da Oposição ao Estado Novo no Mestrado de História, assim como na Faculdade de Economia de Coimbra deu História do Movimento Sindical e História Europeia Comparada e ainda, no ISG- Instituto Superior de Gestão, coordenou o curso de Pós-Graduação em Gestão Autárquica e foi professor de História e Instituições do Poder Local e Animação Cívica e Cultural.

Dirigiu a obra História dos Municípios e do Poder Local : dos finais da Idade Média à União Europeia (1996), na qual escreveu os capítulos referentes aos anos de 1820 a 1993 e são ainda obra sua A Revolução Russa na Imprensa Operária da Época (1975), As Origens do 28 de Maio. António Ferro e a Propaganda do Fascismo (1980), O Movimento Operário Português. A primeira Cisão (1982), Antologia da Imprensa Operária Portuguesa (1984), Salazar e a Guerra Civil de Espanha (1987), A Ascensão de Salazar (1988), Salazar e o seu Tempo (1991), Cem Anos de Relações Portugal e Espanha.Política e Economia (1995) e Portugal: Dos quatro cantos do mundo à Europa. Um ensaio sobre a descolonização (1996). 

Entrou na Faculdade de Direito de Coimbra em 1959 e nesse ano da campanha de Humberto Delgado nasceu para a política. Participou nas lutas da crise académica de 1962 e expulso por 6 meses, seguiu para fazer Filosofia na Universidade do Porto, onde conheceu a sua mulher Beatriz Martins e se licenciou com uma interrupção para cumprir o serviço militar em Angola durante quase 40 meses, onde conheceu Melo Antunes. Em 1969, colaborou na campanha eleitoral da CDE e em 1986 foi Doutor pelo ISCSP- Instituto Superior de Ciências Políticas de Lisboa com a dissertação Portugal e a II República de Espanha.

Foi militante do PCP nos anos 60 e do MES após o 25 de Abril de 1974 . Em 1977, fundou a Fraternidade Operária e ainda nesse ano, com Lopes Cardoso, fundou a UEDS- União de Esquerda para a Democracia Socialista que em 1980 se aliou eleitoralmente com o PS e a ASDI para a FRS-Frente Republicana e Socialista, sendo a partir de 1986, militante do PS.  Foi  adjunto do Ministro Correia Jesuíno no IV Governo Provisório, deputado na Assembleia da República (1980) e Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital durante um mandato (1990-1994), para além de membro eleito da Assembleia Municipal de Lisboa e da Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa (1994).

César de Oliveira participou ainda na Cooperativa Cultural Confronto; foi um dos fundadores da Editorial Afrontamento com António Melo, João Barrote, Júlio Pereira, Leal Loureiro, Mário Brochado Coelho, Pedro Francisco, padre Soares Martins e Sousa Ribeiro, a editora que publicou a coleção «História do Movimento Operário»; dirigiu a Agência Noticiosa Italiana – Inter Press – em Lisboa (agosto de 1975 a dezembro de 1977); integrou o GIS- Gabinete de Investigações Sociais, a revista Análise Social e a equipa para as comemorações do centenário do Diário de Lisboa.

Foi agraciado postumamente com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1999) e da Ordem do Infante D. Henrique (2005), com o acrescento do seu nome à Casa da Cultura de Oliveira do Hospital bem como à toponímia de Ervedal e da cidade de Oliveira do Hospital, assim como para além de Lisboa surge em Ruas de Amora (Seixal), de Vale Flores (Almada) e numa Avenida da vila da Fuzeta (Olhão).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O autor da Toponímia Árabe de Portugal numa Rua da Quinta dos Apóstolos

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

David Lopes, o filólogo e historiador que publicou Toponímia Árabe de Portugal, desde 1949 que dá o seu nome a uma Rua do Bairro da Quinta dos Apóstolos.

Foi pelo Edital municipal de 13 de maio de 1949 que o seu nome foi atribuído à  Rua C do Bairro da Quinta dos Apóstolos à Rua Lopes, também conhecida como Rua C à Rua Lopes ou Rua C ao Alto do Varejão.

Pelas Atas da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia sabe-se que a Casa do Distrito de Porto solicitou que a um novo arruamento de Lisboa fosse dado o nome de Sousa Viterbo, tendo a referida Comissão, na sua reunião de 28 de abril de 1949, emitido parecer favorável, escolhendo para o efeito os arruamentos ainda sem denominação do Bairro da Quinta dos Apóstolos e assim fixando na toponímia lisboeta o arqueólogo, genealogista e presidente da Câmara Municipal de Lisboa Braamcamp Freire na Rua A, o solicitado historiógrafo Sousa Viterbo na Rua B, e os professores e filólogos Adolfo Coelho e David Lopes, nas Ruas D e C, respetivamente.

(Foto de António da Silva Fernandes Duarte, Arquivo Municipal de Lisboa)

De seu nome completo David de Melo Lopes (Sertã – Nesperal /07.04.1867 – 03.02.1942/Lisboa), distinguiu-se como professor, historiador, filólogo e arabista que em Portugal renovou a tradição destes estudos.

De 1889 a 1892 frequentou em Paris a Escola de Línguas Orientais e a Escola de Altos Estudos para nos anos seguintes, de 1892 a 1895, já em Lisboa, seguir o Curso Superior de Letras e no ano imediato, em 1896, começar a sua carreira oficial como professor de Francês, no Liceu de Lisboa . Passados cinco anos enveredou pela docência da cadeira de língua e literatura francesa do Curso Superior de Letras (que dez anos depois, após a implantação da República, se tornaria Faculdade de Letras). Em 1914 passou a ter a responsabilidade da cadeira de Língua Árabe, criada por decreto no ano anterior, situação que manteve até 1937, ano em que atingiu o limite de idade.

A par do ensino David Lopes deixou ainda vasta obra nos campos da filologia e da história com, entre outros, Textos em aljamia portuguesa (1897), História dos Portugueses no Malabar (1898), Toponímia Árabe de Portugal (1902), Os árabes na obra de Alexandre Herculano: notas marginais de língua e história portuguesa (1911), Anais de Arzila (1915), Bases da Ortografia que deve ser Adoptada no Dicionário da Academia (1916), «Cousas arábico-portuguesas» no Boletim da 2ª Classe da Academia das Ciências de Lisboa (1917), Rudimentos de gramática árabe: para uso dos alunos do curso de língua árabe da Faculdade de Letras de Lisboa (1919), História de Arzila (1925), «Alguns vocábulos arábico-portuguesas de natureza religiosa, étnica e lexicológica» na Revista da Universidade de Coimbra» (1930), A Expansão da Língua Portuguesa no Oriente, nos séculos XVI, XVII e XVIII (1936), «Notas filológicas sobre particularidades vocabulares do português das praças de África» no Boletim de Filologia (1941), sendo também de destacar as publicações póstumas Nomes árabes de terras de Portugal (1968) ou O cancioneiro Árabe de IBN Cuzmane: A sua importância histórica e filológica (1970).

David Lopes que foi também sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa, académico titular fundador da Academia Portuguesa de História, sócio estrangeiro da Academia Árabe de Damasco e colaborar da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, deixou também trabalhos sobre numismática e epigrafia árabe publicados no Arqueólogo Português.

David Lopes é ainda topónimo de uma Travessa na Amora (Seixal), de uma Praça de São Brás (Amadora)  e na sua terra natal (Sertã) como Rua Professor Doutor David Lopes.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça António Baião que durante 40 anos dirigiu a Torre do Tombo

Freguesia de Benfica
(Foto: Ortofotomapa de Lisboa Interativa editado pelo NT do DPC)

O historiador António Baião, que durante 40 anos dirigiu a Torre do Tombo, está desde 2004 perpetuado na toponímia de Benfica, numa Praça, que antes era identificada como Praça B à Travessa Sargento Abílio. Aconteceu pelo Edital Municipal de 18 de novembro de 2004, que neste bairro também atribuiu o Largo Ernesto Soares (era o Largo A) e a Praça Laranjo Coelho (era a Praça C), tributo a outros dois historiadores.

De seu nome completo António Eduardo Simões Baião (Ferreira do Zêzere/10.10.1878 – 21.05.1961/Lisboa), dirigiu o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, de 10 de março de 1908 até 1948, local onde trabalhava desde 18 de dezembro de 1902, como segundo conservador. É aqui que nasce enquanto investigador e erudito, servindo-se dos acervos da Torre do Tombo e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo começado por publicar estudos sobre Herculano e sobre o Visconde de Santarém.

De forma complementar, evidenciou-se com os seus estudos sobre a inquisição como A Inquisição em Portugal e no Brasil (1906), os três volumes de Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa (1919-1938) e os dois volumes de A Inquisição de Goa (1929-1930), bem como sobre os seus antecessores à frente da Torre do Tombo, especializando-se no que designou como A Infância da Academia (1788-1794) que publicou em 1934.

Refiram-se ainda as suas biografias O Matemático Pedro Nunes e a sua Família (1915) e a Biografia do Santo Condestável (1952) e com Pedro de AzevedoO Arquivo da Torre do Tombo (1905).

António Baião também acumulou durante alguns anos  as funções de diretor da Torre do Tombo com as de auditor administrativo do distrito de Lisboa e de professor do ensino técnico. Entre 1903 e 1905 foi director da Revista Pedagógica, dedicando-se a temas da área das ciências da educação, para além de ao longo da sua vida ter colaborado na revista Serões (1901-1911), nos Anais das bibliotecas, arquivo e museus municipais (1931-1936) e no Boletim cultural e estatístico (1937).

Foi sócio efetivo (1920) da Academia das Ciências de Lisboa, tendo chegado a vice-secretário geral e a diretor dos Portugaliae Monumenta Historica, para além de ter sido sócio fundador da Academia Portuguesa de História, na refundação de 1936, onde foi 2º vice-presidente, 1º vice-presidente e presidente interino.

Filho dos proprietários António Simões Baião e de Emília Cotrim de Carvalho Baião, formou-se Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra em 12 de junho de 1900, tendo sido contemporâneo de Emídio Navarro, de Afonso Lopes Vieira e de Laranjo Coelho e depois até 1902 foi professor do ensino secundário no Liceu de Santarém. Sobre a sua terra natal publicou ainda A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere (1918) e Dois altos funcionários da Casa do Infante D. Henrique no Concelho de Ferreira do Zêzere; um monteiro-mor e outro seu vedor (1960).

O seu nome foi dado à Biblioteca Municipal de Ferreira do Zêzere e está também na toponímia de Almada e de Ferreira do Zêzere.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial que fez a história do Teatro São Carlos

Freguesia da Ajuda
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Francisco da Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial também tomou por paixão o papel de historiador  ao fazer a história do Teatro São Carlos e das Rainhas de Portugal, estando desde 1978 na memória toponímia da freguesia da Ajuda com a legenda «Físico e Historiador/1835 – 1911».

A Rua Fonseca Benevides vai da Rua do Casalinho da Ajuda à Rua do Sítio do Casalinho à Ajuda e ficou com o espaço da Rua C ao Casalinho da Ajuda desde a publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978. Em 22 de maio de 1978, atendendo aos pedidos dos moradores locais, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer que o nome de Fonseca de Benevides fosse atribuído em substituição da Rua Roy Campbell, por este último topónimo não ser funcional num bairro de características populares. Contudo, tal parecer nunca chegou a ser homologado e no mês de agosto desse ano foi atribuído um novo arruamento para o topónimo Rua Fonseca Benevides que é este onde ainda hoje permanece.

Francisco da Fonseca Benevides (Lisboa/28.01.1835 -19.05.1911), filho do Dr. Inácio António da Fonseca Benevides, concluiu o curso da Escola Politécnica de Lisboa e nesse mesmo ano de 1851 ingressou na Marinha como aspirante, onde ficou até 1856, tendo nessa altura completado também o curso da Escola Naval em 1853 e feito algumas viagens a bordo de navios de guerra.

Depois, foi o ensino industrial que prendeu a sua atenção.  Em 1854 passou a ser professor de Física do Instituto Industrial de Lisboa, bem como de Hidrografia, de que foi também diretor na década de 90 oitocentista. Na Escola Naval de Lisboa foi docente de Mecânica e Artilharia (1865). Também desempenhou funções de Inspetor das Escolas Industriais de Portugal em 1884. Colaborou até em vários projetos de reforma este ensino, sobretudo no de Emídio Navarro apresentado em 1891. E ainda fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa. Neste contexto publicou Curso de artilharia da Escola Naval: descrição do material de guerra (1858), Curso elementar de Física, contendo algumas noções de mecânica, e aplicações cientificas e industriais (1863), Tratado elementar de electricidade e magnetismo, contendo numerosas aplicações às ciências, artes e industria Princípios de óptica, e suas aplicações aos instrumentos, aos faróis, à fotografia, aos efeitos teatrais, etc. (ambos em 1868).

Deste modo fez também parte das Comissões encarregadas de estudar as exposições Internacional do Porto (1856) e Universal de Paris (1867). Refira-se ainda que em agosto de 1869 sob os auspícios da Academia Real das Ciências, onde tinha sido admitido três anos antes, publicou Descrição dum novo aparelho para a demonstração das propriedades físicas dos vapores que foi denominado de Benevides e que também foi referido em revistas de Paris e de Madrid.

Mas a sua ligação à história de Lisboa, à olisipografia, opera-se em 1883 com a edição de O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa, estudo histórico, a historia deste teatro desde a sua fundação, com muitos retratos, cromos e outras ilustrações, sendo que em 1902 saiu uma segunda parte com o movimento do teatro até este ano. Já em 1878 e 1879 dera a lume os dois volumes de Rainhas de Portugal. Recorde-se que em 1894 também publicou um romance histórico com o título No tempo dos franceses.

Fonseca Benevides foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), Cavaleiro da Ordem de Santiago (1866) e Comendador da Ordem de Cristo (1867), bem como Cavaleiro de S. Maurício e de S. Lázaro de Itália.

Por documentação do Arquivo Municipal de Lisboa sabe-se que em 30 de setembro de 1908 comprou a Maria José Pombal e Silva e seu marido Henrique Ferreira, um jazigo no Cemitério dos Prazeres.

Francisco da Fonseca Benevides também se encontra na toponímia de Porto Salvo (Oeiras) e da Amadora.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

A Praça Afonso do Paço, do militar por profissão e arqueólogo por paixão

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

No ano seguinte ao seu falecimento, pelo Edital de 29 de janeiro de 1969, a edilidade lisboeta homenageou na sua toponímia o militar de carreira e arqueólogo por paixão Afonso do Paço, responsável pela escavação da estação calcolítica de Monsanto na década de quarenta, através de uma Praça situada na confluência da Rua Pereira e Sousa e da Rua Francisco Metrass, vulgarmente conhecida por Praceta da Vila Benitez, em Campo de Ourique.

Afonso do Paço em 1969
(Foto: João Marques de Oliveira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Manuel Afonso do Paço (Viana do Castelo – Outeiro/30.11.1895 – 29.10.1968/Estoril) foi um militar de carreira que se apaixonou pela arqueologia, área pela qual ainda hoje é  evocado, muito pelo estudo das estações paleolíticas e epipaleolíticas do litoral, domínio de estudos que continuou a tratar ao longo dos anos, sobretudo com o padre Eugénio Jalhay. Em 1944, ambos e o Dr. Leonel Ribeiro, fizeram em Lisboa a escavação da estação calcolítica de Monsanto, recolhendo um enorme espólio cerâmico (sobretudo, campaniforme) e lítico, de machados polidos e pontas de sílex. Ainda com Eugénio Jalhay, procedeu à escavação  do povoado calcolítico fortificado de Vila Nova de São Pedro, iniciada por ambos em 1937 até ao falecimento de Jalhay – em 1950 – e depois prosseguida apenas por Afonso do Paço até falecer, mesmo se as autoridades oficiais da época jamais tivessem reconhecido como relevante a investigação daquele morro pré-histórico, mesmo se os resultados publicados a nível internacional fizessem acorrer às escavações os mais importantes pré-historiadores da época. Também pesquisou em Sanfins (Paços de Ferreira) e participou em duas expedições arqueológicas (1958 e 1960) ao sítio onde se deu a Batalha de Aljubarrota, Campo de São Jorge, em que se identificaram cerca de 830 estruturas denominadas covas de lobo, armadilhas para a cavalaria, junto à Capela de São Jorge. Destas escavações resultaram as publicações Necrópole de Alapraia (1955), Tesouro Monetário da Citânia de Sanfins (1955) e Castro de Vila Nova de S. Pedro : campanha de escavações de 1956.

Afonso do Paço também estudou do património etnográfico de Viana do Castelo, centrando-se  no traje, sendo assim autor das obras Contribuição para o estudo do trajo popular dito «à lavradeira» no concelho de Viana do Castelo (1925), O trajo “à lavradeira” (de Outeiro a Perre em especial e das outras aldeias em geral) (1930), Mordomarias (1932) e O trajo popular do Minho – Do trajo “à lavradeira” em geral e do de “Santa Marta” em especial. De igual modo, interessou-se pelo estudo e recolha da tradição oral, sobretudo do cancioneiro popular português, com recolha de quadras populares que compilou no Cancioneiro de Viana do Castelo (1928), Lisboa no Cancioneiro Ribatejano (1948) e no Cancioneiro popular ribatejano: Contribuição de Vila Nova de S. Pedro (1952).

Afonso do Paço estudara Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e em 1917 foi também oficial de infantaria, tendo mesmo combatido na Flandres  no decorrer da I Guerra Mundial- integrado no 4.º Grupo de Metralhadoras Pesadas – e sido feito prisioneiro pelos alemães na Batalha de La Lys, em 9 de abril de 1918. Alcançou o posto de Tenente Coronel e chegou a ser condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª Classe, duas “fourragères” da Cruz de Guerra e a medalha da Victória. Regressou a Portugal a 16 de janeiro de 1919 e a partir de 1924, estava colocado como funcionário da Administração Militar e foi como oficial do Exército que assegurou o seu sustento e o de sua família. Em 1925 foi professor provisório do Colégio Militar e depois, Tesoureiro da Inspeção do Serviço Telegráfico Militar e Chefe da Contabilidade do Batalhão de Telegrafistas (Braga). Também produziu estudos sobre a história e a vida militar como Linguagem da Malta (1924), Gírias Militares Portuguesas (1926), Cartas às Madrinhas de Guerra (1929), Da Influência da Guerra no Léxico Português (1931), A vida Militar no Rifoneiro Português (1934-1936) ou As Comunicações Militares de Relação em Portugal – Subsídios para a sua história (1938).

Em 1969, Afonso do Paço foi homenageado  na Associação dos Arqueólogos Portugueses com a Câmara Municipal de Lisboa. Está também na toponímia de Paços de Ferreira, de Sanfins de Ferreira, de Cascais, do Estoril, da Sobreda (Almada) e de Setúbal como Afonso do Paço, bem como surge como  Tenente Coronel Afonso do Paço no nomes das artérias da sua terra natal, tanto em Outeiro como em Viana do Castelo.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Alameda Padre Álvaro Proença, na freguesia que estudou e onde foi pároco

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Padre Álvaro Proença permanece ainda nos nossos dias ligado a Benfica, por aí ter sido pároco durante 28 anos, por se ter debruçado sobre a história da Freguesia, e por lá continuar na Alameda com o seu nome, entre a Rua das Garridas e a Avenida Grão Vasco, estabelecida em 1984 pelo Edital municipal de 28 de fevereiro.

O Padre Álvaro Proença (Lisboa/12.08.1912 – 10.05.1983/Lisboa) dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).

O Reverendo Padre entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa ( a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus ( desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos,  entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983, paróquia onde desenvolveu uma extraordinária obra religiosa, social e cultural, por nela ter criado o Salão de Festas, o Centro Paroquial, o Centro Social, o Jardim Infantil e o Refeitório, sem esquecer o Boletim da Família Paroquial. O Padre Álvaro Proença foi ainda o prior da então nova freguesia de São Domingos de Benfica, de 1959 a 1963, a funcionar na Igreja de Nossa senhora do Rosário no antigo Convento de São Domingos de Benfica, legado que passou ao padre Carlos dos Santos.

No Adro da Igreja de Benfica foi em 1984 erigido um busto de bronze do Padre Álvaro Proença, da autoria do escultor António Duarte e a Escola Básica do 1.º ciclo sediada no nº 535 da Estrada de Benfica também tem o nome do Padre Álvaro Proença, que em termos de toponímia também se encontra presente numa praceta do Casal de São Brás (Amadora) e numa rua em Loures.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A olisipógrafa Irisalva Moita numa Rua da antiga Quinta dos Alcoutins

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Irisalva Moita, a olisipógrafa e arqueóloga que durante mais de 20 anos dirigiu o Museu da Cidade de Lisboa, sempre trabalhando empenhadamente e com paixão pelo património de Lisboa, está na toponímia de uma artéria da antiga Quinta dos Alcoutins, na Freguesia do Lumiar, desde março do ano passado.

A Rua Irisalva Moita ficou na  Rua A à Quinta dos Alcoutins pelo Edital municipal de 17 de março de 2017 e pelo mesmo documento a edilidade colocou nos outros arruamentos da urbanização personalidades ligadas à cultura da cidade e do país, como o artista plástico Joaquim Rodrigo (Ruas B e B1), e os professores universitários padre Manuel Antunes (Rua I) e Isabel Magalhães Colaço (Rua C).

Irisalva Moita em 1960
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

De acordo com Ana Cristina Leite (revista Rossio nº 1, maio de 2013), Irisalva Constância de Nóbrega Nunes Moita (Angola – Lubango/21.05.1924 – 13.06. 2009/Lisboa) distinguiu-se como arqueóloga, historiadora, olisipógrafa e museóloga. Desde muito nova que vivia em Lisboa, onde em 1949 se licenciou em Ciências Históricas e Filosóficas. Um dos seus primeiros interesses foi a arqueologia e como bolseira do Instituto de Alta Cultura, em Arqueologia, desde 1952, trabalhou em diversas escavações, tanto em Moura e Pavia como na Beira Alta. Associada ao Centro de Etnologia Peninsular,  de 1959 a 1972, levou a cabo um levantamento exaustivo dos castros portugueses. Irisalva Moita foi ainda pioneira das escavações arqueológicas em contexto urbano, como lhe aconteceu em Lisboa na do Hospital Real de Todos-os-Santos, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa, em 1960, sendo a primeira grande ação de salvaguarda do património arqueológico urbano, bem como na Necrópole Romana na Praça da Figueira, no Teatro Romano (1966/67) na Rua de São Mamede e Rua da Saudade e na Casa dos Bicos.

Acresce que enquanto trabalhava no terreno como arqueóloga, ao longo dos anos 50,  Irisalva deu também aulas no ensino secundário e fez o curso de Conservador de Museus (1953/55) no Museu Nacional de Arte Antiga. A partir de 1958, após ingressar no quadro definitivo dos Museus Municipais de Lisboa, de que virá a ser conservadora-chefe de 1971 a 1994, Irisalva Moita centrou os seus interesses na olisipografia, através da história e do património da capital, construindo-se como figura de referência da Olisipografia.

Das exposições que concretizou no Palácio dos Coruchéus e no Palácio Pimenta, destaquem-se as do VIII centenário da chegada a Lisboa das Relíquias de São Vicente (1973),  santo sobre cujo culto em todo o país investigara; O Culto de Santo António, na região de Lisboa; Lisboa Quinhentista: a imagem e a vida na cidade (1979), uma mostra sobre o povo de Lisboa, tipos, ambiente, modos de vida, divertimentos e mentalidade; Lisboa e o Marquês de Pombal (1982), produzida no bicentenário da morte do Marquês de Pombal;  Azulejos de Lisboa ( 1984) na qual estiveram expostos muitos dos azulejos da coleção do Museu da Cidade, a segunda maior do país ;  Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro (1985) ou até O abastecimento de água no tempo de D. João V (1990).  E para além dos catálogos de exposições, a vastíssima obra da Dr.ª Irisalva Moita, para além da coordenação d’ O Livro de Lisboa (1998), onde assinou os artigos «Das origens pré-históricas ao domínio romano: origens pré e proto-históricas» e «Lisboa no séc. XVI: a cidade e o ambiente», está quase toda dispersa por revistas da especialidade e atas de congressos.

Irisalva Moita sonhou criar uma área específica dedicada ao azulejo no Museu de Lisboa mas não chegou a concretizá-la. Como conservadora-chefe dirigiu o Museu da Cidade, o Antoniano e o de Rafael Bordalo Pinheiro, tendo transformado o modesto museu que existia no Palácio da Mitra no Museu de Lisboa, a partir do programa que elaborou entre 1973 e 1975, com um discurso cronológico e evolutivo da cidade.

Foi homenageada com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa no Dia Internacional dos Museus de 2008, assim como com a Ordem do Infante D. Henrique (2005), no grau de Grande Oficial.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)