A Rua do professor republicano Augusto José Vieira

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Com a legenda «Jornalista, Professor e Valoroso Apóstolo do Livre Pensamento/1861 – 1918» foi  o professor de ensino básico Augusto José Vieira inscrito na toponímia da cidade em 1926 , na freguesia da Penha de França, junto com Feio Terenas e Borges Graínha.

O Edital de 15 de maio de 1926 que colocou a Rua Augusto José Vieira na Rua nº 2 do Bairro Lamosa referia que «Faço saber que o Senado Municipal, em sessão de 30 de Abril próximo findo, prestando homenagem aos saudosos cidadãos Augusto José Vieira, José Maria de Moura Barata Feio Terenas e Manuel Borges Grainha, que foram três infatigáveis propagandistas do ideal republicano e do livre pensamento, resolveu que ás ruas particulares nºs.2, 3 e 4 do Bairro Lamosa, sejam dadas, respectivamente, as seguintes denominações: Rua Augusto José Vieira / Jornalista, professor e valoroso apóstolo do livre-pensamento – (1861 – 1918); Rua Feio Terenas/ Jornalista e propagandista do ideal republicano – (1847-1920); Rua Borges Grainha / Erudito professor e notável propagandista do livre-pensamento – (1860-1925)».

Freguesia da Penha de França – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Augusto José Vieira (Funchal/02.10.1861 – 01.02.1919/Lisboa) veio para Lisboa veio em 1877, para se inscrever na Escola do Exército, mas acabou por trocar a carreira militar pela docência que exerceu até ao final da sua vida.

Em paralelo, logo desde esse ano de 1887, participou nas reuniões republicanas do Pátio do Salema e empenhou-se na luta pela implantação do regime republicano em Portugal sobretudo, proferindo muitas conferências.  Em 1909 começou a publicar a sua História do Partido Republicano Português, da qual saíram apenas 3 volumes. Foi ainda presidente da Associação do Registo Civil e secretário da Federação do Livre Pensamento, tendo em outubro de 1913 integrado a organização do Congresso Internacional do Livre Pensamento, que decorreu em Lisboa, com Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório e Teófilo Braga.

Por uma questão de desambiguação refira-se que este Augusto José Vieira  inscrito na toponímia lisboeta não é o seu homónimo, solicitador que em 1 de novembro de 1908 foi eleito Vereador pelo 3º Círculo, na 1ª Vereação Republicana da Câmara da Capital.

Augusto José Vieira também ficou conhecido como jornalista que trabalhou desde a sua fundação para o jornal O Mundo, na artéria que ostentou o nome do jornal e hoje conhecemos como Rua da Misericórdia  para além de ter colaborado no semanário de caricaturas Xuão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Praça Sócrates da Costa no Beato

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Na freguesia do Beato está a Praça Sócrates da Costa que homenageia o licenciado em Direito que também foi professor liceal, consagrado com a legenda «Figura de relevo da Índia Portuguesa/1898 – 1959» desde janeiro de 1960.

Foi pelo Edital municipal de 2 de janeiro de 1960 que a Praceta I à Calçada do Carrascal passou a ter a denominação de Praça Sócrates da Costa, em homenagem a Jerónimo Salvador Constantino Sócrates da Costa (Margão – Índia/28.03.1898 – 10.11.1959/?), licenciado em Direito que prosseguiu uma carreira profissional como professor do ensino secundário, notário e subdelegado do Procurador da República da Comarca de Caminha e, após se ter fixado na Índia, como notário da Comarca de Goa.

Na política, ocupou os cargos de  Vogal da Comissão Distrital da União Nacional de Viana do Castelo, Presidente da Comissão Provincial da União Nacional da Índia, Comissário Colonial e Comissário Nacional Adjunto da Mocidade Portuguesa da Índia, Presidente da Câmara Municipal de Goa, e deputado parlamentar da Índia nas V (1949-1953), VI (1953-1957) e VII Legislaturas (1957-1961).

Deixou publicações várias como a da sua Conferência no Instituto Vasco da Gama intitulada «O Estado Novo e a Constituição Política da República Portuguesa» (1940), «Goa na História da Civilização» (1947) editada pela Repartição Central de Estatística e Informação de Goa ou a obra que compila os seus discursos proferidos enquanto deputado da então Índia portuguesa na Assembleia Nacional – «Índia: discursos proferidos na Assembleia Nacional em 1 de Março de 1950» -, publicada pela União Nacional.

Foi casado com Maria Adosinda Guimarães Mendes, a quem o Decreto-Lei  43970 ( de 19/10/1961) atribuiu uma pensão mensal vitalícia de 5 mil escudos.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua Câmara Reis da Seara Nova e professor de Línguas

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís da Câmara Reis, um dos fundadores da revista Seara Nova e também professor liceal de línguas, está perpetuado desde 1978 numa rua  da Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, hoje território da freguesia do Parque das Nações.

A sugestão nasceu de uma carta de Adelino Martins Simão que propunha também a consagração na toponímia de Lisboa dos nomes de Adolfo Casais Ribeiro, António Sérgio, Carlos Cal Brandão, Emídio da Silva, General Ferreira Martins, José Lopo de Oliveira, José Maria Barbosa de Magalhães, José Régio, Julião Quintinha, General Norton de Matos, Raúl Proença, Ricardo Covões, Rocha Martins, Rocha Saraiva e a atribuição de uma Praça de Lisboa e uma Praça de Portugal. E perante a necessidade de serem dados topónimos para os arruamentos Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, a Comissão Municipal de Toponímia propôs que as Ruas C e I passassem a ser a Rua Câmara Reis, as Ruas D e J fossem integradas na Rua Dr. Rui Gomes de Oliveira, para além de propor a atribuição das Ruas Manuel Mendes (Ruas H e B), Padre Joaquim Alves Correia (Ruas G e A), Padre Abel Varzim (Rua F) e o Largo Ramada Curto (Impasse G), sendo todos estes topónimos ficados pelo Edital municipal de 27 de fevereiro de 1978.

Luís da Câmara Reys (Lisboa/20.04.1855 –  1961/Estoril), licenciado em Direito, foi professor liceal de língua portuguesa e língua francesa, jornalista e um republicano defensor da democracia em Portugal.

Integrou o grupo de intelectuais que em 1921 fundou a revista Seara Nova que também dirigiu, sendo o seu esteio durante 40 anos. Já antes tinha dirigido a  Mocidade (1899-1905), A República Portuguesa (1910-1911) e com Raúl Proença, Jaime Cortesão e António Sérgio participado na fundação da Renascença Portuguesa (1911). Colaborou também em O País, Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, Arte e Vida ou A Farsa.

Câmara Reis participou empenhadamente no Programa Mínimo de Salvação Pública de 1922, na formação da União Cívica como grande frente de intelectuais reformadores e na Carta Aberta ao Presidente Teixeira Gomes  (1923), no Apelo ao Presidente Bernardino Machado (1925) e  na Semana de Propaganda Antifascista de março de 1926, tendo com Rodrigues Miguéis, sido um dos dois oradores da Seara Nova na sessão final no Ginásio do Liceu Camões, integrando a Comissão Central do MUD (1945), na candidatura de Norton de Matos (1949), na candidatura de Humberto Delgado (1958) e como candidato da Oposição Democrática nas eleições legislativas de 1961.

Das suas obras publicadas, para além de livros escolares destacamos os fascículos Vida Política (1911), Contos de Março,  Aspectos da Literatura Portuguesa (1919), os 6 volumes de As Questões Morais e Sociais na Literatura (1940-1943), o livro de crónicas Paris e Divagações Musicais – dos Trovadores a Villa-Lobos (1944).

Casou com a cantora e musicóloga Ema Romero Santos Fonseca, com quem também realizou palestras de cultura musical.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor da António Arroio, Cipriano Dourado

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor e professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio, Cipriano Dourado, está desde o ano do seu falecimento consagrado numa artéria do Lumiar, tendo sido acompanhado no mesmo Edital municipal pelo também pintor José Escada.

A partir da Proposta nº 13/81, aprovada em reunião de Câmara de 23/03/1981, foi o nome de Cipriano Dourado dado ao arruamento de ligação da Rua Francisco Stromp ao Campo Grande (incluindo o troço norte-sul da Rua Actor António Silva), o que foi fixado pelo consequente Edital de 4 de dezembro de 1981. Por esse mesmo edital e na mesma freguesia, mas na zona de Telheiras, foi inscrito também numa rua o nome do pintor José Escada.

Cipriano Dourado (Mação- Penhascos/08.02.1921 – 17.01.1981/Lisboa) foi um artista que se dedicou à gravura, ao desenho, à ilustração, à pintura e à aguarela, tendo como os temas mais frequentes da sua obra a mulher e a terra. Por alguns foi considerado neorrealista, nomeadamente por em 1953 ter participado numa experiência conhecida como Ciclo de Arroz, com Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Alice Jorge e António Alfredo, em que todos percorreram os campos dos arrozais do Ribatejo em busca de inspiração e Cipriano Dourado criou as suas litografias intituladas Plantadoras de Arroz.

Na Escola de Artes Decorativas António Arroio foi docente das disciplinas de desenho, gravura e artes gráficas, de 1978 a 1981.

Cipriano Dourado começara a trabalhar bem novo, como desenhador-litógrafo pelo que só mais tarde, a partir de 1939 , frequentou um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière, em Paris e em 1956, foi um dos membros fundadores da Gravura- Sociedade Cooperativa de Gravadores, tendo integrado a direção e a comissão técnica.

Como ilustrador, trabalhou em numerosos livros de poesia e prosa de Armindo Rodrigues,  Augusto Gil,  D. H. Laurence, José Carlos de Vasconcelos, Mário Braga, Orlando da Costa, Orlando Gonçalves e Pablo Neruda, para além de ter colaborado com periódicos como, entre outros, a Árvore-Folhas de Poesia, a Cassiopeia-Antologia de Poesia e Ensaio, a Colóquio-Letras, a Seara Nova ou a Vértice.

Refira-se ainda que Dourado desenhou 4 selos dos CTT para uma Emissão Comemorativa do Ano da Conservação das Zonas Húmidas (1976), foi membro do júri da I Exposição Nacional de Gravura na Fundação Calouste Gulbenkian (1977) e também integrou os corpos dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no Museu da CGTP, no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), no Museu Armindo Teixeira (Mirandela), no Museu Dr. João Calado Rodrigues (Mação), no Museu Municipal Manuel Soares (Albergaria), no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (Estremoz), no Museu de Angola e, em numerosas coleções particulares.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Pinto Ferreira em memória do professor da Escola Industrial Marquês de Pombal

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por proposta da Associação de classe dos Maquinistas Portugueses  o engenheiro e professor da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, Carlos Augusto Pinto Ferreira, ficou perpetuado  na  Rua do Novo Bairro Industrial da Quinta do Almargem como Rua Pinto Ferreira, desde a publicação do Edital municipal de 27 de maio de 1931.

Carlos Augusto Pinto Ferreira (Lisboa/1828 – 01.02.1902/Lisboa), engenheiro formado na Aula do Arsenal do Exército e no antigo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi professor  e diretor do curso de máquinas da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal e deixou como obra publicada o Guia de Mecânica Prática (1862), o Manual Elementar e Prático sobre Máquinas a Vapor Aplicadas à Navegação (1864), Guia do Fogueiro condutor de máquinas a vaporBreve dissertação sobre faróis (1868) e o Engenheiro de Algibeira ou compêndio de fórmulas e dados práticos (1869).

Vinte anos após a criação do Ensino Industrial em Portugal, por decreto-lei de janeiro de 1884 foi ordenada a construção de 8 escolas de Desenho Industrial, três das quais em Lisboa, sendo a de Alcântara, a Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, inaugurada no dia 17 de novembro de 1884, instalada num prédio arrendado na Rua de Alcântara, sendo a escola subsidiada pelas fábricas da zona, nomeadamente a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses. Mais tarde, em 1886, a escola passou para a Rua dos Lusíadas, ainda em Alcântara, para um edifício da autoria do Arqtº Pedro d’Ávila. Em 1962, passa então a ter as instalações que ainda hoje são suas, na Rua Alexandre Sá Pinto, já na zona das Salésias, traçadas pelo Arqtº António Pedroso que fora antigo aluno da escola.

Pinto Ferreira,  para além de professor desenvolveu uma carreira como engenheiro maquinista da Armada, tendo dirigido as oficinas metalúrgicas do Arsenal da Marinha e os Serviços Técnicos de Faróis e sendo considerado um dos mais inteligentes pioneiros da indústria mecânica em Portugal, reformando-se em 12 de fevereiro de 1880. Em missão oficial, visitou as Exposições Universais de Paris de 1855 e 1867, bem como a de Londres de 1862, onde montou na exposição uma máquina de debulhar.

Em paralelo, envolveu-se no associativismo tendo participado na fundação da Associação de Socorros Mútuos dos Pedreiros, Carpinteiros e Artes Correlativas, assim como no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, criado em Alcântara em 1853. Foi ainda vice-secretário da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses de que havia sido nomeado sócio, distinção que a Associação da Indústria Fabril também lhe concedeu, para além de ter sido agraciado com a Ordem de Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do professor de Liceu e pintor António Saúde

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Saúde, pintor e professor de Liceu, dá nome ao troço da Estrada do Calhariz de Benfica, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua F, incluindo o arruamento de acesso às traseiras desta Rua e a Praceta adjacente, na Freguesia de São Domingos de Benfica, desde 1972.

Para dar resposta aos moradores desta zona que solicitavam designação para os arruamentos onde residiam a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 a Rua António Saúde, bem como a Rua Ten. Coronel Ribeiro dos Reis na Rua F à Estrada do Calhariz de Benfica.

António Manuel da Saúde ( Lisboa/02.07.1875 – 24.12.1958/Lisboa) foi um pintor naturalista, do chamado paisagismo português, discípulo de Carlos Reis e Silva Porto,  que como professor exerceu  nos Liceus de Santarém e no Gil Vicente e Passos Manuel, em Lisboa.

Formado em Desenho e Pintura de Paisagem na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expôs pela primeira vez em 1899, na última Exposição do Grémio Artístico. Integrou a Sociedade Silva Porto, constituída em 1900 pelo próprio António Saúde, junto com Falcão Trigoso e  Alves Cardoso, a que depois também se associaram Armando Lucena, Frederico Aires e José Campas.

Destacam-se os seus quadro Manhã de Outono – Lousa (1901), Dia de Trovoada, Chão da Serra, Ruas em Góis (1912), Arredores de Abrantes (1915), A Ponte da Ribeira de Calvos (1943), Caramulinho (1952), Praia da Rocha ou Margens do Sena.

A sua obra foi premiada em diversas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo sido o  1º prémio Silva Porto do  Secretariado Nacional de Informação, assim como  como também o foi no Panamá, em Sevilha, no Rio de Janeiro, estando a sua obra patente no Museu de Sevilha, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu Regional Grão-Vasco e no Museu do Chiado.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do químico cabo-verdiano, Roberto Duarte Silva

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O químico cabo-verdiano Roberto Duarte Silva, que também pode ser reclamado como português e como francês, está numa rua de  São Domingos de Benfica, a unir a estrada da Luz à Rua Virgílio Correia, desde a publicação do Edital de municipal de 22/12/1960, com a legenda na placa toponímica de «Químico Notável/1837 – 1889».

Pelo mesmo Edital foram também atribuídas na mesma freguesia a Rua Major Neutel de Abreu, a Rua Padre Francisco Álvares e a Rua General Schiappa Monteiro.

Roberto Duarte Silva (Cabo Verde – Santo Antão/25.02.1837 – 09.02.1889/Paris – França) começou a trabalhar aos 14 anos como aprendiz num boticário, na ilha de Santo Antão, mas acabou por rumar a Lisboa, onde foi trabalhar para a Farmácia Azevedo enquanto se formava na Escola de Farmácia lisboeta. Foi enviado para Macau para montar uma farmácia mas comércio de Macau colapsou pela  concorrência da recém-fundada cidade de Hong-Kong, para onde seguiu a abrir farmácia própria, tendo conseguido ser o fornecedor oficial dos militares franceses. Em 1863 vai fixar-se em Paris. Na capital francesa concluiu uma licenciatura em Ciências Físicas e a partir de 1867 até à sua morte, trabalhou nos laboratórios de  Wurtz e de Friedel, especializado no  ramo da Química Orgânica. Publicou o seu primeiro trabalho também em  1867.

Exerceu ainda como docente na Escola de Física e Química  Industriais (de 1882 a 1887), bem como na Escola Central de Artes e Manufacturas (de 1887 até ao seu falecimento), ambas em Paris, e na segunda, iniciou cursos experimentais, imprimindo uma orientação prática sem precedentes ao ensino da química. Na primeira, foi docente de Química Analítica do também futuro engenheiro químico Charles Lepierre, o qual por  sugestão sua se instalou em Portugal em 1888, pelo que no centenário do nascimento de Roberto Duarte Silva proferiu uma palestra em que o qualificou como «um excelente professor» que «Falava correctamente o francês, o inglês, o alemão, além do português, é claro. » Refira-se também que para ser nomeado professor das escolas de Paris lhe foi imposta a naturalização francesa mas é sabido, nomeadamente através da sua correspondência com familiares e amigos em Cabo Verde, que lhes pedia materiais locais para os estudar, em busca de uma aplicação industrial que ajudasse a economia do arquipélago.

Roberto Duarte Silva desempenhou ainda os cargos de vice-presidente (1885) e presidente (1887) da Société Chimique; foi membro da Association Française pour l’Avancement des Sciences e seu secretário entre 1875 e 1877, bem como presidente da secção de Química em 1886; foi membro corresponde da Academia das Ciências de Lisboa a partir de 1876 e membro honorário da Sociedade Pharmaceutica Luzitana. Foi ainda agraciado com o Jecker Prize da Académie de Sciences de Paris, em 1885.

Em Paris, Roberto Duarte da Silva viveu  no nº 26 da Rue de la Harpe, perto do Museu de Cluny,  e nessa cidade faleceu aos 51 anos de idade, provavelmente vítima da tuberculose. Está sepultado no Cemitério de Montparnasse. Foi homenageado numa nota de Cabo Verde e na Escola da Ribeira Grande, localidade da ilha de Santo Antão onde nasceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

 

 

A Rua Frederico George, membro da 2ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O arqº Frederico George integrou a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós 25 de Abril, a de 1976, e passou a dar o seu nome a uma Rua de Telheiras, na freguesia do Lumiar, dois anos após o seu falecimento.

Esta 2ª Comissão Municipal de Toponímia foi designada por despacho de 14 de junho de 1976 e realizou a sua primeira reunião no dia seguinte. De acordo com as Atas, era presidida pelo Dr. Augusto de Azeredo Costa Santos e tinha como membros o Dr. Fernando Castelo Branco em representação da CML, e mais três personalidades convidadas: o Dr. Jacinto Baptista, o Prof. Dr. José Augusto França e o Prof. Arqtº Frederico George. No último mês de 1976, passou a ser presidida pelo Dr. Orlando Martins Capitão contando com o Dr. Fernando Castelo Branco e o Prof. Arqtº Frederico George como membros.

Um princípio essencial definido por esta Comissão, na esteira do já defendido pela primeira pós 25 de Abril, foi o de não alterar toponímia tradicional, como se pode ler na Ata da reunião de 15 de junho de 1976: «O professor doutor José Augusto França, lembrou a existência de nomenclaturas tradicionais na toponímia de Lisboa, e propôs que, só em casos muito excepcionais, se encarasse a hipótese da sua alteração, não só pelas razões que lhes deram origem, como ainda porque essas alterações provocam sempre grandes inconvenientes, quer para os munícipes, quer para os próprios serviços. Submetida à votação, foi a referida proposta aprovada por unanimidade.»

A Rua Frederico George, com a legenda «Arquitecto e Pintor/1915 – 1994», situada  a partir da confluência da Rua Prof. Prado Coelho e a Rua Armindo Rodrigues até chegar à Rua Daniel Santa Rita, foi atribuída por Edital municipal de 24/09/1996 à Rua B do Alto da Faia e Rua A de Telheiras Norte III. Mais tarde, juntar-se-ão nas proximidades, também em Ruas, os arqºs Daniel Santa Rita (16/02/2005) e Conceição Silva (Edital de 01/08/2005).

autorretrato de Frederico George de 1939

Frederico Henrique George (Lisboa/15.11.1915- 26.01.1994/Lisboa), nascido na freguesia de Santa Isabel, filho de pai inglês e mãe portuguesa, estudou à noite na Escola de Artes Decorativas António Arroio e formou-se em pintura (1936) e em arquitetura (1950) pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, seguindo uma carreira de cenógrafo, arquiteto, designer e professor universitário.

É obra sua na cidade de Lisboa o Museu da Marinha (1962) e o Planetário Calouste Gulbenkian (1965) , em Belém, zona onde já havia participado nas pinturas murais da Exposição do Mundo Português (1940), bem como com Manuel Magalhães e Daciano Costa, o Hotel Penta (1975) ou o edifício de escritórios do Metropolitano de Lisboa (1983), a recuperação do Palácio Pancas Palha (1991) e o Pavilhão Gimnodesportivo do Casal Vistoso (1992). Frederico George também desenvolveu os planos de recuperação do Palácio Fronteira (1958 e 1988) e diversos projetos de análise do território e urbanismo para a Câmara Municipal de Lisboa e para o Ministério das Obras Públicas (1969 a 1976) como os blocos de habitação social em Olivais Sul de 1961-1963; executou as Exposições comemorativas do V Centenário do Infante D. Henrique (1958-1960), o Pavilhão de Portugal na Exposição Comemorativa do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (1964) e com Daciano Costa, traçou o Pavilhão de Portugal da Expo Internacional de Osaka (1970).

Como professor, Frederico George começou nas escolas de ensino técnico de Lisboa e Setúbal e a partir de 1940 na Escolas de Artes Decorativas António Arroio – onde veio a introduzir o ensino do Design – para a partir de 1957, ser Professor do Curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, desempenhando assim um importante papel pedagógico na formação dos artistas da geração seguinte. Sofreu um interregno de 1948 a 1955, período em que foi exonerado da docência por ter subscrito a candidatura do General Norton de Matos à presidência da República. Também no seu atelier reuniu um conjunto de colaboradores que continuaram o seu legado, particularmente no desenvolvimento e ensino do Design em que foi pioneiro, como Daciano Costa, Fernando Conduto e Sena da Silva. Refira-se ainda que Frederico George participou na 1.ª Exposição de Design Português (em 1971) e defendeu com empenho a profissionalização do Designer em Portugal. Em 1972 foi encarregue pelo Ministério da Educação do estudo para a reforma do ensino de arquitetura e, em 1992, foi ainda o responsável pela criação de novos cursos universitários. Colaborou no Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa, editado em 1961 e publicou Considerações sobre o Ensino da  Arquitectura, a sua dissertação de 1963. 

Na sua vertente de pintor, iniciada na década de 40 do séc. XX com quadros figurativos e estrutura de raiz cubista, marcou presença na II Exposição Geral de Artes Plásticas (1947) e Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas-Artes tendo alcançado, entre outros, o Prémio Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes (1936), a 1ª Medalha da SNBA (1945), o Prémio Columbano  (1946) e o Prémio Silva Porto (1947), ambos  do SNI. A sua obra está representada no Museu do Chiado e na Fundação Calouste Gulbenkian. Frederico George foi também galardoado com o oficialato da Ordem de Cristo (1941), a Grã Cruz da Ordem de Mérito (1989), o Prémio  de Arquitectura da AICA (1994) e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Técnica de Lisboa (2001).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua General Vassalo e Silva, que se rendeu na Índia em dezembro de 1961

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

O General Vassalo e Silva que era o governador do Estado Português da Índia em  18 de dezembro de 1961, quando a União Indiana invadiu os territórios de Goa, Damão e Dio, quase sem resistência dos soldados portugueses tal era a desproporção das forças, deu o seu nome a uma rua de Lisboa passados 53 anos sobre esse acontecimento e 29 sobre o seu falecimento, em 2014.

Foi pelo Edital municipal de 2 de junho de 2014 na artéria identificada como Rua 5 à Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes, na Freguesia do Beato: Rua General Vassalo e Silva/1899 – 1985.

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Manuel António Vassallo e Silva (Torres Novas/08.11.1899 – 11.08.1985/Lisboa), sendo ainda brigadeiro, foi nomeado no final de 1958 como o 128º e último governador do Estado Português da Índia. Salazar tinha-lhe escrito num telegrama que «Não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, assim como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». No entanto, 36 horas após a entrada das tropas indianas, Vassalo e Silva rendeu-se com a guarnição portuguesa em Goa, cerca de três mil e quinhentos homens em armas, perante as forças indianas que contavam com cerca de 50 mil soldados. A maioria dos soldados portugueses escolheu a total rendição e apenas 25 morreram. Foram feitos prisioneiros e Vassalo e Silva foi ainda punido com a expulsão das Forças Armadas Portuguesas por ter desobedecido a Salazar, sendo reintegrado após o 25 de Abril de 1974. O General Vassalo e Silva ganhou por isto o epíteto de «Vacila e Salva».

Bacharel em Matemáticas, concluiu os preparatórios de Engenharia Militar e ingressou na vida militar em 13 de novembro de 1922, no Curso de engenharia militar na Escola Militar, que concluiu como aspirante a Oficial em 1926. Prestou serviço no Regimento de Sapadores Mineiros nº 1 (Lisboa), na Escola Prática de Engenharia (Porto), na Escola de Transmissões, como professor-adjunto da 24ª Cadeira da Escola do Exército, como Comandante de engenharia do Quartel General do Comando das Forças Expedicionárias às Colónias em Moçambique, nas Forças Expedicionárias ao Extremo Oriente em Timor, como professor provisório nos Pupilos do Exército, como Professor Catedrático da 24ª Cadeira da Escola do Exército e como Comandante da Escola Prática de Engenharia em Tancos.

Na sua vida particular era filho de Manuel Caetano da Silva e de Maria da Encarnação Vassalo e Silva e assim também o irmão mais novo da escritora Maria Lamas.

Foi agraciado com diversas condecorações como oficial da Ordem Militar de Avis (1938), comendador de Avis (1951) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (1958), Oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial (1954) e dá nome a Ruas da Charneca da Caparica, Linda-a-Velha e Torres Novas.

Freguesia do Beato (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias)