A Rua de Lacerda e Almeida das fronteiras do Brasil e primeiras longitudes de África

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

No troço do Caminho de Baixo da Penha entre a Avenida General Roçadas e a Rua Jacinto Nunes está desde a publicação do Edital de 23 de março de 1954 a Rua Dr. Lacerda e Almeida, em homenagem ao matemático que integrou a comissão de delimitação das fronteiras do Brasil com a Bolívia e a Venezuela e enquanto governador de Tete, em Moçambique, procedeu a uma exploração onde definiu as primeiras longitudes em África.

Já em 1949 e depois em 1953,  a Comissão Municipal de Toponímia foi do parecer que se denominassem os arruamentos do Vale Escuro com topónimos relacionados com figuras que em África cumpriram a política portuguesa, quer por obra governativa quer por delimitação de fronteiras. E assim para além da Rua Dr. Lacerda e Almeida os outros topónimos sugeridos foram a Praça Aires de Ornelas, a Rua Artur de Paiva, a Avenida Coronel Eduardo Galhardo, a Rua Francisco Pedro Curado, a Praça João de Azevedo Coutinho, o Largo General Pereira de Eça, a Avenida Mouzinho de Albuquerque, a Praça Paiva Couceiro , a Rua Teixeira Pinto e a Rua Eduardo Costa.

Francisco José de Lacerda e Almeida (Brasil – São Paulo/22.08.1750 – 18.10.1798/Cazambe-Moçambique), filho de José António de Lacerda (de Leiria) e de Francisca de Almeida (de São Paulo) concluiu o curso de matemática na Universidade de Coimbra em 1776 e no ano seguinte concluiu o doutoramento, conseguindo em 1778 ser convidado para o serviço do Estado, como geógrafo, astrónomo e matemático. Neste contexto, integrou os trabalhos de demarcação das fronteiras entre Portugal e Espanha (1779), resultantes da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso e seguiu depois para o Brasil (1780) para a delimitação das fronteiras com a Bolívia e a Venezuela, para além de ter executado levantamentos que podem ser classificadas como geográficos, para obter dados geodésicos, destinados a apoiar a cartografia da região. Fez ainda uma viagem de investigação dos rios Cuiabá, Paraguai, Taquari, Cochim, Camampoan, Pardo, parte do Paraná e todo o Tieté e regressou a Lisboa em 1790. 

Em setembro do ano seguinte passou a docente de Matemática na Real Academia dos Guarda-Marinhas, funções que exerceu até partir  para Moçambique em maio de 1797. Nesta época de explorações científicas, dentro do espírito do Iluminismo, Lacerda e Almeida queria seguir o curso do Zambeze, até à zona da nascente, para aí procurar a nascente do Cunene, que corria para a costa ocidental e iniciou a expedição em 3 de julho de 1798, no decorrer da qual contraiu malária, chegando o «Geral de Tete», como era conhecido, já bastante debilitado ao Cazembe em outubro, onde veio a falecer.  A sua expedição foi a  primeira a determinar longitudes em África por métodos astronómicos rigorosos, tendo os seus registos sido publicados em 1844 (Diário da viagem de Moçambique para os rios de Senna [na Zambézia] feita pelo governador dos mesmos rios Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida).

Supõe-se que tenha sido eleito membro da Academia de Ciências de Lisboa, em 1791 ou 1795, mas nem todos os autores estão de acordo nesta questão.

Para além da rua que lhe foi dedicada em Lisboa 156 anos após o seu falecimento, o seu nome também se tornou topónimo na cidade Pontes e Lacerda no Estado do Mato Grosso (homenagem a Silva Pontes e Lacerda e Almeida); no Rio Lacerda e Almeida no Estado de Rondônia; na Ilha Lacerda e Almeida no Rio Paraná; assim como uma povoação moçambicana na margem direita do Zambeze recebeu em 1893 o nome de Lacerdónia.

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

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A Rua de Sir Newton que esteve para ser de Lord Byron

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Newton, começou por ser proposta na reunião de Câmara de 17 de agosto de 1916 como Rua Lord Byron mas no Edital de 24 do mesmo mês passou antes a homenagear Newton, sendo os restantes arruamentos do bairro denominados Rua Cidade de Cardiff, Rua Cidade de Liverpool, Rua Cidade de Manchester e Rua Poeta Milton, ficando assim perpetuadas no Bairro de Inglaterra uma personalidade inglesa das área das ciências e outra da área das letras, para além de três cidades do Reino Unido.

A Rua Newton, que vai da Rua Cidade de Liverpool à Rua de Moçambique, era a Rua Aurora do antigo Bairro Brás Simões, comerciante e proprietário das terras que urbanizou e que crismou as artérias com nomes de familiares seus, como era costume na época antes de entregar os seus arruamentos particulares à Câmara em 13 de outubro de 1913, o que permitiu à edilidade pelo Edital de 24 de agosto de 1916 passar também a Rua Maria Gouveia a Rua Cidade de Cardiff , a Rua José de Sousa a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Isabel Leal a Rua Cidade de Manchester e a Rua Margarida a Rua Poeta Milton.

@ NewtonIsaac Newton (Woolsthorpe/25.12.1642 ou 04.01.1643 – 20.03.1726 ou 31.03.1727/Kensington), por muitos considerado o pai da ciência moderna, descobriu a Lei da Gravidade, a fórmula do Binómio, a lei da viscosidade e a natureza corpuscular da luz. Foi um cientista reconhecido como físico, matemático, astrónomo, alquimista, filósofo e teólogo. A sua Principia (Philosophiae Naturalis Principia Matematica), publicada em 1687, onde descreveu a lei da gravitação universal e as suas três Leis – Lei da Inércia, Lei Fundamental da Dinâmica, Lei da Ação-Reação – que fundamentam a mecânica clássica, é reconhecida como das mais influentes na história da ciência.

Newton também foi Professor em Cambrigde, a partir de 1667; um dos dois membros da Universidade no Parlamento, em janeiro de 1689; presidente da Royal Society a partir de 1703 e reeleito ano após ano até falecer; e o primeiro cientista a receber a honra de ser armado cavaleiro (Sir) pela rainha Ana, em 1705.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

Bernardino Machado, duas vezes Presidente da República, numa Praça do Lumiar

0 Bernardino Machado PortugalnaGuerra 1 Jun. 1917

Bernardino Machado que era Primeiro-Ministro quando eclodiu a I Guerra Mundial e Presidente da República quando Portugal entrou no conflito, e nessa qualidade  visitou os militares em França em outubro de 1917, foi perpetuado numa Praça lisboeta 41 anos após a sua morte, através do Edital de 21/10/1985, com a legenda «Presidente da República/1851 – 1944», ficando na Praça J da Urbanização dos Terrenos da Tobis Portuguesa, também designada como Praça J à Rua Luís Pastor de Macedo.

A sua entrada na toponímia alfacinha passou por algumas peripécias. O jornal A Capital sugeriu que os nomes dos antigos Presidentes da República Portuguesa Bernardino Machado e João do Canto e Castro fossem consagrados na toponímia de Lisboa mas a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 08/07/1970 « foi de parecer que deverá aguardar-se a existência de arruamentos condignos». Seis anos mais tarde, na reunião de 06/07/1976, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia  sugeriu que a Avenida Sidónio Pais, no troço compreendido entre a Avenida Afonso Costa ( é a  Alameda Cardeal Cerejeira  desde o Edital de 14/04/1982) e a Rua Marquês de Fronteira, passasse a Avenida Bernardino Machado. No entanto, só 41 anos após a sua morte, por sugestão de um munícipe, Bernardino Machado foi mesmo consagrado por Edital na toponímia de Lisboa, na Praça do Lumiar onde o encontramos hoje.

Bernardino Machado e Afonso Costa de visita às tropas em França (Portugal na Guerra, novembro de 1917)

Bernardino Machado e Afonso Costa de visita às tropas em França
(Portugal na Guerra, novembro de 1917)

Bernardino Luís Machado Guimarães (Rio de Janeiro/28.o3. 1851 – 28.04.1944/Porto) foi duas vezes eleito para Presidente da República. No primeiro período, para o quadriénio de 5 de outubro de 1915 a 1919, e no segundo, para o de dezembro de 1925 a 1929. Não chegou a cumprir nenhum deles até final, abortados que foram pelo movimento de Sidónio Pais de 8 de dezembro de 1917 que o expulsou do país e no segundo caso, pelo movimento militar do 28 de maio de 1926.

Bernardino Machado formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra (1875), com a tese  «Teoria Mecânica da Refleção da Luz» e catedrático desde 1879, foi Lente de Matemática e par do Reino nomeado pelo corpo de catedráticos da Universidade de Coimbra até que ao juntar-se aos estudantes por ocasião da crise académica de 1907 foi  obrigado a pedir a demissão do cargo de lente da Universidade. Integrou ainda o Conselho Superior de Instrução Pública (1892), presidiu ao  Instituto de Coimbra (1894) e dirigiu o Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Casou em 1882 com Elzira Dantas, de quem teve 18 filhos.

Iniciou em 1882 as suas funções políticas  como deputado por Lamego, eleito pelo Partido Regenerador. Depois foi deputado por Coimbra (1886), Ministro das Obras Públicas (1893) que elaborou legislação protetora do trabalho das mulheres e dos menores e procedeu à criação do primeiro Tribunal de Trabalho, grão-mestre da Maçonaria (entre 1895 e 1899) e presidente do Diretório do Partido Republicano entre 1906 e 1909. Proclamada a República, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros (1910-1911; 1914), Embaixador no Brasil (1912-1914),  ministro do Interior e presidente do Ministério (em 1914 e em 1921). Após o 28 de maio de 1926 ficou em Portugal até às derrotas das revoltas de 3 e 7 de fevereiro de 1927 e foi novamente expulso do País, tendo-se exilado na Galiza e depois, em França. Foi autorizado a regressar em junho de 1940, quando as forças nazis invadiram França mas como estava proibido de residir em Lisboa, fixou residência no Alto Douro onde veio a falecer.

Finalmente, refiram-se algumas das suas obras:  A Introdução à Pedagogia (1892), O Ministério das Obras Públicas (1893), A Indústria (1898), O Ensino (1898), O Ensino Primário e Secundário (1899), O Ensino Profissional (1900), A Agricultura (1900), Pela Liberdade (1900), Da Monarquia para a República (1903), Os Meios de Comunicação e o Comércio (1903), Conferências Políticas (1904), Pela República (1908), No Exílio (1920), A Irresponsabilidade Governativa e as Duas Reacções Monárquica e Republicana (1924).

 

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Godinho de Herédia, o cartógrafo da Península malaia dos tempos filipinos

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Godinho de Herédia,  cartógrafo luso-malaio a quem o rei Filipe I nomeou como «Descobridor e Adelantado da Nova Índia Meridional», está desde a publicação do Edital municipal de 15/06/1960 na Rua 14 do Bairro de Casas Económicas da Encosta do Restelo.

O Bairro das Casas Económicas da Encosta da Ajuda começou por ter toponímia numérica nas suas 22 artérias, fixada pelo edital municipal de 03/12/1951, como era prática habitual nos bairros sociais. Cerca de nove anos depois, o  edital camarário de 15/06/1960 substituiu essas denominações em números por topónimos relativos a figuras da Expansão Portuguesa dos séculos XV a XVII e assim, a Rua 14 do Bairro de Casas Económicas da Encosta do Restelo passou a homenagear Manuel Godinho de Herédia (Malaca/1558 ou 1563 – c. 1623/Goa), por vezes também grafado como Manuel Godinho de Erédia ou como Emanuel Godinho de Erédia.

O ananás desenhado por Manuel Godinho de Heredia na sua Suma

O ananás desenhado por Manuel Godinho de Herédia na sua Suma

Herédia,  que foi educado pelos jesuítas, empenhou-se em descobrir a Austrália, que ele designava como «ilha do Ouro» e que já nas lendas malaias tinha um papel destacado, embora se ignore se concretizou ou não este plano. A sua ideia era de que a ilha do Ouro se encontrava a noroeste da Austrália que hoje conhecemos, alicerçado nas leituras que fizera de Ptolomeu, Marco Polo e Ludovico di Varthema, bem como nos relatos de viagens malaias coevas, acidentais ou deliberadas, ao sudeste de Timor. Em 1594, Filipe I nomeou-o «Descobridor e Adelantado da Nova Índia Meridional» e, por volta de 1602, o então vice-rei da Índia, Aires de Saldanha, até destacou navios e homens para a viagem de descoberta mas a eclosão de guerras locais levou a que Manuel de Godinho fosse chamado como soldado e engenheiro militar e supõe-se que mais não se terá avançado.

Certo é que foi professor de matemática e se dedicou à geografia e cartografia do Oriente, tendo delineado várias cartas das Índias Orientais e da Ásia, as plantas das praças conquistadas, e é muito possível que em Goa tenha conhecido o cartógrafo Fernão Vaz Dourado. Para além disto, registou os povos, animais e plantas dos locais que percorreu em texto e desenhos. Em Goa, também copiou as cartas que lhe chegavam por marinheiros e construiu um dos  primeiros levantamentos da península malaia. Deixou publicadas, entre outras, por vezes com a referência cosmógrafo-mor, as obras Miscelânea (1610), Plantas de praças das conquistas de Portugal, feitas por ordem de Rui Lourenço de Távora, vizo-rei da India (1610), Discurso sobre a Província do Indostan chamada Mogûl ou Mogôr com declaração do Reino gozarate, e mais Reinos de seu destricto (1611), Suma de Arvores e Plantas da India Intra Ganges (1612) onde apresenta um catálogo ilustrado das plantas do Sudeste Asiático, Declaracam de Malaca e da India Meridional com Cathay (1613), Carta da Ilha de Goa (1616), Livro de Plataformas das Fortalezas da Índia (c. 1620).

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua do militar e matemático Filipe Folque

 

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Vinte anos após o seu falecimento, o militar e matemático Filipe Folque que foi o responsável por um levantamento cartográfico da cidade de Lisboa na 2ª metade do séc. XIX, deu o seu nome a uma artéria das Avenidas Novas, entre a Rua de São Sebastião de Pedreira e a Avenida Duque d’Ávila, por via do Edital municipal de 29/11/1902.

O mesmo Edital colocou nesta zona, em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque D’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje Avenida Elias Garcia),  e em Ruas, os nomes de Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje Rua Viriato), Latino Coelho , Luís Bivar (hoje Avenida), Martens Ferrão, Pinheiro Chagas e o médico Pedro Nunes.

Filipe FolqueFilipe de Sousa Folque (Portalegre/28.11.1800 – 27.12.1874/Lisboa), filho do General Pedro Folque, foi um militar de carreira doutorado em Matemática desde 1826 pela Universidade de Coimbra, que como docente começou na Universidade de Coimbra (1834) e depois, seguiu como lente na Academia de Marinha (1836) onde criou o curso de engenheiro hidrógrafo, como lente de Astronomia e Geodesia na Escola Politécnica de Lisboa (desde 1840) e como professor de matemática dos filhos da rainha D. Maria II.

Notabilizou-se sobretudo por entre 1844 e 1870 ter sido o Diretor-geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino, apoiado pelo Ministro da Obras Públicas Fontes Pereira de Melo, e nessa qualidade ter dirigido, entre 1856 e 1859, um levantamento topográfico de Lisboa (a Carta topographica da cidade de Lisboa, publicada em 1878) determinado pela Portaria de 02/11/1853, no âmbito da qual colocou chapas de ferro fundido, a um altura de 3 metros, com a cota de nível dos arruamentos. Filipe Folque já havia elaborado a Carta Geral do Reino ou Carta Corográfica de Portugal (1843) e a Carta do Plano Hidrográfico da barra do Porto de Lisboa,  para além de ter dado a lume diversos estudos como, por exemplo, Memória dos Trabalhos Geodésicos executados em Portugal (1841), Tábuas para o Cálculo das Distâncias à Meridiana (1855), Dicionário do Serviço dos trabalhos geodésicos e topográficos do Reino; ou Rapport sur les travaux géodésiques du Portugal et sur l’état actuel de ces mêmes travaux pour être présenté à la Comission Permanente de la Confèrence Internationale (1868).

Refira-se ainda que Filipe Folque desempenhou as funções de diretor das obras do Mondego (1826) e de ajudante do Observatório da Universidade de Coimbra (1827).  Colaborador assíduo da Revista Militar e da Revista universal lisbonense também  foi feito sócio efetivo da Academia Real das Ciências de Lisboa desde 1834 e aí veio mesmo a ser Diretor de classe (1850), para além de ter colaborado com Almeida Garrett na fundação do Conservatório Nacional, dados os seus grandes conhecimentos musicais, chegando mesmo a Diretor da Secção de Música, e publicando na Revista do Conservatório Real de Lisboa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do matemático José Sebastião e Silva no seu centenário

Freguesia de Benfica - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Passa amanhã o dia do centenário do Prof. José Sebastião e Silva que, por proposta do Vereador Alves Lopes aprovada na reunião camarária de 18 de outubro de 1973, foi inscrito na toponímia de Lisboa, na Rua A do estudo de remodelação do sistema viário da zona do Calhariz de Benfica, pelo  Edital de 04/03/1974, ficando assim a ligar a Estrada de Benfica à Rua José Rodrigues Miguéis.

José Sebastião e Silva (Mértola/12.12.1914 – 25.05.1972/Lisboa), considerado o mais original matemático português do século XX  e um grande pedagogo, que considerava que «(…) são principalmente o sentido crítico e a autonomia mental, as qualidades que um professor de Matemática se deve esforçar por desenvolver nos seus alunos»licenciou-se em Ciências Matemáticas no ano de 1937 e  durante os cinco anos seguintes ganhou a vida como professor particular em colégios da linha do Estoril e dando explicações. Entre 1940 e 1942 foi investigador bolseiro do Instituto de Alta Cultura em Portugal, no Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, e publicou os seus primeiros trabalhos de investigação na Portugaliæ Mathematica. Em fevereiro de 1942  foi contratado como 2º assistente da Faculdade de Ciências de Lisboa e, no ano seguinte, obteve uma bolsa do Instituto de Alta Cultura junto do Istituto N. di Alta Matematica em Roma, onde permaneceu 4 anos. Redigiu então notas e memórias que foram apresentadas às Academias Pontificia e dei Lincei e colaborou no Istituto N. per le Applicazioni del Calcolo. Regressou a Portugal em dezembro de 1946 e em abril seguinte voltou  a Assistente da Faculdade de Ciências de Lisboa. Em 1949 doutorou-se em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com  a tese intitulada «As funções analíticas e a análise funcional» e, em 1951, tornou-se Professor Catedrático de Matemática Gerais e Cálculo Infinitesimal e das Probabilidades do Instituto Superior de Agronomia. Até Julho de 1960, aí ensinou Análise Superior, salvo durante dois anos, em que uma comissão de serviço junto do Ministério da Educação Nacional o consagrou ao planeamento e elaboração de textos didáticos para o 6º e o 7º ano dos Liceus, no âmbito de um projeto da OCDE para modernização à escala europeia do ensino secundário da disciplina de Matemática. Escreveu então o Compêndio de Álgebra (em co-autoria com Silva Paulo), para o 3º ciclo, bem como a Geometria Analítica, para o último ano do ensino secundário. Depois regressou, por convite, à Faculdade de Ciências de Lisboa, onde lecionou a cadeira de Análise Superior até 1970 e, à data da sua morte era regente das cadeiras de Mecânica e de Astronomia.

Dirigiu ainda durante mais de 20 anos o Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa e foi também sócio da Academia de Ciências de Lisboa, a qual distinguiu  o seu estudo «Conceito de função diferenciável em espaços localmente convexos» em 1956, com o Prémio Artur Malheiros. Sebastião e Silva foi igualmente Membro da Comissão Portuguesa da União Matemática Internacional e do Comité Executivo do Groupment des Mathématiciens d’Expression Latine bem como consultor de Laboratório de Física e Engenharia Nucleares.

Edital nº coiso e tal

Edital nº 44/74

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

A Rua Professor Mira Fernandes no seu 130º aniversário

Prof. Mira Fernandes cerca de 1935  (Foto: Furtado & Reis)

Prof. Mira Fernandes cerca de 1935
(Foto: Furtado & Reis)

Passa hoje o 130º aniversário de Aureliano Mira Fernandes, matemático que quase 13 anos após a sua morte deu nome a uma rua de Lisboa, pelo Edital de 05/01/1971, no que era o arruamento constituído pelas Ruas LG e GE e Impasse GJ do plano de Urbanização das Olaias – Quinta dos Machados à Picheleira, hoje território das Freguesias do Beato e do Areeiro.

Com esta atribuição procurou a Câmara corresponder a uma sugestão de Tomás Lança Revez para homenagear a figura do Professor catedrático Aureliano Lopes de Mira Fernandes (Mértola/16.6.1884 – 19.4.1958/Lisboa), matemático e professor do Instituto Superior Técnico de 1911 a 1954, onde regeu as cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Mecânica Racional.

A sua obra conta mais de uma centena de estudos publicados, nas áreas de análise, geometria diferencial, física, matemática e mecânica, tendo também Mira Fernandes colaborado com a Accademia dei Lincei (1928-1938), onde apresentou as suas mais importantes investigações que seriam depois republicadas em Portugal na Portugaliæ Mathematica. Foi sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa ( a partir de 1928), sócio correspondente da Real Academia de Ciências de Madrid (1930), fundador da Junta de Investigação Matemática com António Aniceto Monteiro e Ruy Luís Gomes, membro da direção do Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia bem como dos corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Refira-se ainda que quando estudava na Universidade de Coimbra aderiu à greve estudantil de fevereiro de 1907. O governo concedeu o perdão a todos os que o requeressem mas Mira Fernandes não apresentou o requerimento e, como tal,  reprovou no final do ano. No ano seguinte apresentou-se aos exames e conseguiu 20 valores em todos, a mesma nota com que se licenciou em 1910 e se doutorou no ano seguinte,  com a dissertação intitulada Theorias de Galois/I/ Elementos da theoria dos grupos de substituições, tendo de seguida sido convidado para professor do Instituto Superior Técnico.

 

Rua Prof. Mira Fernandes Mapa 3

A Rua Galileu Galilei no 450º aniversário do cientista

galileo-galilei

Já que hoje se comemora o  450º aniversário de nascimento de Galileu Galileu,  considerado o pai da ciência moderna, evocamos a Rua que desde  há 6 anos perpetua  seu nome em Lisboa, na que era a Rua Sul (Centro Comercial Colombo). Pelo mesmo Edital de 3 de Julho de 2008 a edilidade lisboeta fixou nas proximidades mais dois cientistas, com a  Rua Albert Einstein (na Rua Norte) e a Rua Aurélio Quintanilha (na Rua Poente).

Freguesias de Benfica e Carnide (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Carnide
(Foto: José Carlos Batista)

Galileu Galilei  (Itália-Pisa/15.02.1564 — 08.01.16421/Florença-Itália) foi um catedrático de matemática, físico, astrónomo e filósofo italiano que deu início ao método científico como hoje o conhecemos, sem assentar já na metodologia aristotélica.

Galileu  melhorou significativamente o telescópio refractor e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as estrelas da Via Láctea, e como resultado destas observações publicou em 1610: Siderius Nuncius (Mensageiro das Estrelas). Estas descobertas contribuíram decisivamente para defender que era a Terra que girava à volta do Sol e não o contrário,  sistema que já o astrónomo polaco Copérnico havia defendido. Em 1616, a Inquisição pronunciou-se contra a ideia do Sol ser o centro do Universo e considerando herética a teoria heliocêntrica, pelo que Galileu foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física e, convocado ao  Tribunal do Santo Ofício, este concluiu que não existiam provas suficientes para concluir que a Terra se movia em volta do Sol e admoestou Galileu a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica. Inconformado Galileu Galilei publicou em 1632 Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano  (Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo, em português), a defender o heliocentrismo, pelo que foi julgado e condenado a prisão e a abjurar as suas ideias, tendo passado os seus últimos anos de vida em prisão domiciliária.

Galileu desenvolveu também os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo, descobriu a lei dos corpos e, enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica de Newton, assim como inventou novos instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, um termómetro que ganhou o seu nome e, o precursor do relógio de pêndulo.

 

Edital nº 62/2008

Edital nº 62/2008

O Gosto pela Música de João de Freitas Branco numa Rua de Lisboa

Freguesia de São Domingos de Benfica

João de Freitas Branco chegou aos ouvidos dos portugueses de 1956 a 1985, pela antena da Rádio pública portuguesa, como o autor do programa de rádio O Gosto pela Música. E passado pouco mais de um mês sobre o seu falecimento, pelo último edital de toponímia de 1989, foi consagrado num troço da Rua Soeiros (compreendido entre a Rua Mateus Vicente e a Avenida Lusíada), junto com o pintor João Hogan e a Cidade de Rabat que ocuparam os outros dois troços do mesmo arruamento.

João Pedro de Freitas Branco (Lisboa/10.01.1922 – 17.11.1989/Caxias) que este ano completaria 90 anos, foi um matemático e musicólogo, filho único do compositor português Luís de Freitas Branco e sobrinho de Pedro de Freitas Branco que também têm placa toponímica em Lisboa.

Desde criança que estudou música e a partir dos 16 anos começou a ajudar o seu pai como crítico musical do jornal O Século e depois de concluir o curso do Conservatório Nacional iniciou funções de assistente de programas musicais na Emissora Nacional, em 1944, ano em que também concluiu a Licenciatura em Ciências Matemáticas e entrou no grupo de investigação matemática dirigido por Rui Luís Gomes. João de Freitas Branco desenvolve uma carreira preenchida em que integra os fundadores da Juventude Musical Portuguesa (1948), acompanha Stravinsky quando este esteve em Lisboa, rege o curso de História da Música na Exposição Mundial de 1967 no Canadá e também na Fundação Gulbenkian, dirige o Teatro de São Carlos (de 1970 a 1974) e mais tarde é o Administrador-Diretor Artístico e da Produção (1985), é o Diretor-Geral dos Assuntos Culturais e Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente (em 1974 e 1975).

João de Freitas Branco que abasteceu a produção musicológica portuguesa com uma História da música portuguesa (1959), Alguns aspectos da música portuguesa contemporânea (1960), Viana da Mota uma contribuição para o estudo da sua personalidade e da sua obra (1972), A música na obra de Camões (1979), Camões e a música (1982), Chopin um improviso em forma de diálogo (1999), foi Doutor Honoris Causa em Filosofia pela berlinense Universidade Humboldt e, em 1987 foi agraciado com a Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura.