A Estrada da Quinta das Laranjeiras

FReguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A obra de Luís Dourdil está representada na Embaixada do Brasil em Lisboa, razão para incluirmos o arruamento que lhe dá morada, a Estrada das Laranjeiras, neste roteiro toponímico alfacinha do pintor.

Refira-se ainda que Dourdil esteve presente em exposições no Brasil, como na de Arte Portuguesa Contemporânea em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro (1976).

Este extenso arruamento que vai da  Avenida dos Combatentes até à Estrada da Luz tem o seu topónimo nascido da Quinta das Laranjeiras.

A Quinta das Laranjeiras foi inicialmente denominada Quinta de Santo António. No final do séc. XVII pertencia a Manuel da Silva Colaço, passando em 1760 para Luís Garcia Bívar e, mais tarde, para Francisco Azevedo Coutinho a quem, em 1779,  a adquiriu o Desembargador Luís Rebelo Quintela, por 24 contos e, assim se tornou em 1802 herança de Joaquim Pedro Quintela, seu sobrinho e 1º barão de Quintela. O Palácio das Laranjeiras ou Palácio Farrobo ganhará fama pelas festas no seu salão de baile revestido de espelhos  e pelo seu teatro para 560 espectadores (construído em 1820), com o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, na 2ª metade do século XIX.

Em 1904 o Jardim Zoológico passou a ocupar grande parte dos terrenos da Quinta das Laranjeiras e, a sua inauguração foi a 28 de Maio de 1905, continuando o palácio e a sua zona ajardinada privativa, na posse da família Burnay. Em 1940 o Estado adquiriu aos herdeiros da condessa de Burnay toda a propriedade rústica e urbana.

Refira-se ainda que na documentação municipal encontramos um requerimento de 1889 de alguns proprietários e inquilinos de prédios situados na Estrada das Laranjeiras a pedir a construção de um cano geral de esgoto bem como uma escritura de 1920 de expropriação de um prédio para permitir o alargamento da artéria a que se segue outra de 1928 para  cedência de terreno da Quinta das Laranjeiras para o mesmo efeito.

A cidade de Lisboa acolhe ainda uma Rua das Laranjeiras que se inicia na Estrada das Laranjeiras, e que tomou este topónimo pela proximidade, por Edital de 19/07/1919, já que até aí era a Azinhaga da Ponte Velha.

Freguesia de qualquer coisa

Freguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica

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A Rua do pintor de Almodôvar, Severo Portela

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Severo Portela partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, datado de 26/12/2001, na mesma freguesia de Marvila. Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a  Severo Portela coube a Rua B – B’ da Zona L de Chelas.

Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Artur Bual  (largo formado pelas Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas), Eduarda Lapa (Rua G da Zona L de Chelas) e Mário Botas ( Rua Z da Zona L de Chelas).

SeveroPortela

Severo Portela Júnior (Coimbra/10.09.1898 – 08.07.1995/Lisboa) logo no liceu foi aconselhado a matricular-se na Escola de Belas Artes de Lisboa e, aí cursou escultura e foi discípulo de Simões de Almeida (Sobrinho). Mas com apenas 22 anos, foi viver para Almodôvar, por ser a terra da pintora Maria José Carrilho Marreiros, que se tornou a sua esposa e, dedicou-se à pintura. Em 1933, foi ainda bolseiro da Junta de Educação Nacional para aperfeiçoamento de técnicas de pintura em Espanha, França e Itália.

Na obra de Severo Portela o  Alentejo é uma constante  sendo ícones disso as suas telas Motivos de Cozinha Alentejana, As Bruxas de Almodôvar, Os de Almodôvar, A Ceifeira Bonita, Ceifeiro, Mestre Xico e Abegãos .

Em Lisboa tem obra exposta na capela baptismal da Igreja de S. João de Brito e no altar-mor da Igreja do Santo Condestável, um painel alusivo ao Código Civil no Palácio da Justiça, um painel sobre o comércio do Oriente e a Casa dos Vinte e Quatro na União das Associações de Comerciantes do Distrito de Lisboa, um mural alusivo à Rainha na Escola D. Luísa de Gusmão, um painel alegórico à Escola de Sagres no Museu da Marinha e uma tapeçaria alusiva a D. Fuas Roupinho no Palácio de Belém. Nesta cidade tinha também um atelier onde pintava em frente ao Tejo.

Este pintor realizou ainda diversos trabalhos por todo o país entre os quais se destacam painéis no Palácio de Justiça do Porto e no Palácio de Justiça da Covilhã, um mural referente a Moisés e à Lei no Tribunal de Bragança, uma tapeçaria no Tribunal de Almada, bem como a decoração da sala de audiências do Tribunais de Beja, Viseu, Golegã e Setúbal; um mural na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, um fresco na Faculdade de Medicina de Coimbra, painéis no Liceu de Bragança, na Escola Secundária D. Manuel I (Beja) e na Escola Técnica de Moura, a Nau Catrineta do refeitório da Escola Náutica Infante D. Henrique (Paço de Arcos); a decoração do Grémio da Lavoura de Beja e os painéis do Foral da Câmara Municipal de Beja; bem como a decoração da Capela Baptismal da Igreja Matriz de Almodôvar, os frescos da Igreja de Santo Isidro de Pegões, a  Ceia de Emaúz e o retrato do Bispo D. José na Sé Catedral de Beja.

A sua obra está representada no Museu Municipal Severo Portela em Almodôvar, criado em 1983, com parte do espólio do pintor, no Museu da Cidade (Lisboa), no Museu de Arte Contemporânea/Museu do Chiado de Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa), no Museu Rainha D. Leonor (Beja), no Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), no Museu do Caramulo, no Museu Soares dos Reis (Porto) e,  no Museu Grão Vasco (Viseu).

Em paralelo com a sua carreira artística, Severo Portela  foi um proprietário agrícola que desempenhou o cargo de Presidente do Grémio da Lavoura de Almodôvar e que foi Procurador à Câmara Corporativa por designação do Conselho Corporativo, na qualidade de artista plástico  e, deputado na XI Legislatura, de 25 de novembro de 1969 a 28 de abril de 1973.

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

A Rua Mário Botas em Marvila

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Mário Botas partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, de 26 de dezembro de 2001. Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a Mário Botas coube a a Rua Z da Zona L de Chelas. Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Artur Bual ( largo formado pelas Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas), Eduarda Lapa (Rua G da Zona L de Chelas) e Severo Portela (Rua B – B’ da Zona L de Chelas).

Autorretrato, sem data

Autorretrato, sem data

Mário Ferreira da Silva Botas (Nazaré/23.12.1952 – 29.09.1983/Lisboa), conheceu a pintura ao conviver  no final da adolescência com António Laranjo, um primo da sua avó e pintor de motivos locais. Médico de formação pela Universidade de Lisboa desde 1975, ao saber-se com leucemia em 1977, Mário Botas decidiu dedicar-se exclusivamente à pintura, ao desenho e à ilustração.

Mário Botas ancorou a sua pintura num universo literário e poético, resultante do seu convívio permanente com a poesia e a prosa, bem como através das inúmeras ilustrações de livros que fez. A sua proximidade a poetas como Eugénio de Andrade, António Osório, Raul de Carvalho ou Herberto Hélder influenciaram-no a expressar-se plasticamente numa espécie de simbiose entre a literatura e a pintura. Grande parte da sua pintura consiste como que numa ilustração de livros de Gunter Künert, Raúl Brandão, Almeida Faria, António Osório, para além de uma série de desenhos sobre temas do Antigo Testamento, outros a partir de poemas de Mário de Sá Carneiro e de Rimbaud, a que se soma um tema recorrente e ironicamente tratado que é a história de Portugal.

Botas surge no panorama da pintura portuguesa avesso a classificações, com uma  singularidade própria, até face às correntes pós-modernas da sua geração. Em 1973 conheceu os surrealistas portugueses Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny com quem aprendeu técnicas e realizou cadavres exquis e colagens. Trabalhou igualmente com Paula Rego, Manuel Casimiro e Raul Perez.

Mário Botas fez a sua 1ª exposição em 1971,  na Comissão Municipal de Turismo da Nazaré, a que se seguiram Seis Contracções de Matrimónio na Galeria S. Mamede (1973), Portugal (1977) na Galeria do Jornal de Notícias no Porto e na Galeria de Arte Moderna da Sociedade Nacional de Belas Artes, Recent Drawings na Galeria Martin Summers Graphics de Nova Iorque (1978), Os Passeios do Sonhador Solitário na Fundação Engº António de Almeida no Porto (1980), Catorze desenhos de viagem e três de meter medo no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e Desenhos por Mário Botas na Galeria Ana Isabel em Lisboa (ambas em 1981), a Exposição Fernando Pessoa – Mário de Sá Carneiro que exibiu no Porto, Lisboa e Bruxelas (1982) e, Termas Alemãs e Portuguesas na obra de Mário Botas no Instituto Alemão de Lisboa e em Erlagen (1983).

Teve ainda exposições póstumas na Cooperativa Árvore no Porto e na Galeria Almada Negreiros do Ministério da Cultura (1984), na Alliance Française de Lisboa (1987), na Fundação Calouste Gulbenkian e no Centre Culturel de Paris (1989), Auto-Retratos no Centro Cultural da Nazaré (1998) e Retrospectivas no Centro Cultural de Belém (1999).

Refira-se ainda que Mário Botas dirigiu em 1980 a peça O Marinheiro de Fernando Pessoa. Três anos depois, com 30 anos de idade, faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, mas por testamento público do pintor foi instituída a Fundação Casa Museu Mário Botas, na Nazaré, com a totalidade dos seus bens e da sua obra.

Existe ainda em Lisboa a Rua Mário Botas ao Parque das Nações (Edital de 16/09/2009), que liga a Rua dos Argonautas à Rua Corsário das Ilhas, em resultado da cidade ter recebido os arruamentos da Parque Expo e por isso, lhe foi aposto «ao Parque das Nações» para não ser confundida com a Rua Mário Botas já existente na cidade.

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

 

A Rua Eduarda Lapa em Marvila

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Eduarda Lapa partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, datado de 26/12/2001, na mesma freguesia de Marvila e, ambos foram membros dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes. Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a Eduarda Lapa coube a Rua G da Zona L de Chelas.  Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Artur Bual (Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas.), Mário Botas ( Rua Z da Zona L de Chelas) e Severo Portela (Rua B – B’ da Zona L de Chelas).

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Maria Eduarda Lapa de Sousa Caldeira (Trancoso/15.11.1896 – 09.09.1976/Lisboa) foi uma pintora discípula de Artur Loureiro, no Porto e de Emília Santos Braga e Armando Lucena, em Lisboa, para além de ter estudado em diversas academias de Paris. A «embaixatriz da cor», como foi chamada, viveu em Paris a partir de 1930 e aí conviveu com a pintora brasileira Helena Pereira da Silva, Waldemar da Costa, Arpad Szènes e Maria Helena Vieira da Silva, também colega do atelier de pintura, em Lisboa.

Eduarda Lapa revelou a sua excelência na técnica da pintura a óleo e pastel, e no desenho um traço seguro, rigoroso e elegante, tendo especializado-se em naturezas-mortas, sobretudo em flores, bem como em paisagens rústicas e magníficas marinhas. Captou também as feiras, os palheiros, as ruas e pátios, entre outros motivos, denotando também uma grande paixão pela figura humana, quer em retratos, quer em composição livre. Foi ainda sócia da Sociedade Nacional de Belas Artes e a primeira mulher a integrar a direção daquela instituição, para além de como defensora da emancipação das mulheres ter organizado a Primeira Exposição Feminina de Artes Plásticas realizada em Portugal, no ano de 1942.

A «pintora das flores» foi distinguida pela Sociedade Nacional de Belas Artes com uma Menção Honrosa (1930), a 3ª Medalha (1931), a 2ª Medalha (1935), a 1ª Medalha em pastel (1943), a 1ª Medalha em óleo (1944), a Medalha de Honra em pastel (1948) e a Medalha de Honra em óleo (1954). Recebeu ainda em 1942 a Medalha de Honra na Exposição A Imagem da Flor da Câmara Municipal de Lisboa; a Medalha de Ouro do Salão do Estoril e, em 1950, foi agraciada pelo Presidente da República com o Grau Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada.

Eduarda Lapa está representada no Museu Regional da Guarda (em cuja criação se envolveu em 1940), no Museu Marítimo de Ílhavo, no Museu José Malhoa das Caldas da Rainha,  no Museu Grão Vasco de Viseu, no Museu Soares dos Reis no Porto, nas  Câmaras Municipais de Coimbra, Porto, Matosinhos e Trancoso e, em Lisboa, no Museu de Arte Contemporânea/Museu do Chiado, na Fundação Gulbenkian e na Academia das Ciências de Lisboa.

Em Lisboa, desde 1996 – ano do centenário da pintora – uma lápide da edilidade alfacinha assinala o prédio em que Eduarda Lapa residiu na Rua Capitão Renato Baptista.

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

O Largo Artur Bual em Marvila

Freguesia de Marvila (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila
(Foto: Rui Mendes)

O Largo Artur Bual partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, datado de 26/12/2001, na mesma freguesia de Marvila. Aliás, ambos se conheciam e Bual dedicou mesmo a Dourdil um Retrato Imaginário, no âmbito da Exposição/Homenagem realizada a Luís Dourdil na Galeria do Casino Estoril em 1990, para além de ambos os pintores serem citados como representantes do informalismo/minimalismo.

Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a Bual coube o largo formado pelas Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas. Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Eduarda Lapa (Rua G da Zona L de Chelas), Mário Botas ( Rua Z da Zona L de Chelas) e Severo Portela (Rua B – B’ da Zona L de Chelas).

Artur Mendes de Sousa Bual (Lisboa/16.08.1926 – 11.01.1999/Amadora), cursou a Escola de Artes Decorativas de António Arroio e, em 1947, iniciou a sua carreira na pintura, tendo ainda entre 1959 e 1960 sido bolseiro da Gulbenkian em Paris. Foi um dos 24 escolhidos para o Salão da Jovem Pintura da Galeria de Março de 1953 e, na mesma década participou no I Salão de Arte Abstrata (1954), no I Salão Moderno da SNBA (1958) e no Salão dos Novíssimos do SNI (1959), tendo regressado à abstração nos anos 80 e utilizado as palavras espaço, desintegração, força, abismo, reflexo , despertar, fuga, dor, angústia e revolta como títulos de quadros seus. Entre 1952 e 1999 participou em mais de 60 exposições, individuais ou conjuntas, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em França, no Brasil, nos EUA, na Holanda, na Bélgica, em Espanha e na Checoslováquia.

Artur Bual que cultivou também a escultura e a cerâmica foi mais destacado enquanto pintor da tendência do abstracionismo e, assim iniciador em Portugal do gestualismo em 1958, para além de cultor do expressionismo lírico e do  informalismo/minimalismo, tendo produzido inúmeros quadros com Cristo e com mulheres como temáticas. Colaborou ainda com Carlos Avilez e com Francisco Relógio como diretor plástico em várias cenografias no Teatro Experimental de Cascais e do Porto. Foi diretor gráfico da revista de arte e letras Contravento e, ilustrou livros como Instinto Supremo de Ferreira de Castro ou As Alegres Noites de Um Boticário de Miguel Barbosa. Executou também painéis cerâmicos para a estação da CP da Amadora de 1993.

A obra de Bual está representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional de Arte Contemporânea e no Museu Amadeo de Souza Cardoso de Amarante, assim como exposta no Palácio da Justiça de Lisboa, no Centro de Formação Profissional de Pegões, na sede do Governo Regional dos Açores, e em doze capelas do Alentejo e Ribatejo.

Como prémios somou, entre outros, o Prémio Nacional Amadeo de Souza Cardoso e o 3º Prémio do Sindicato dos Críticos de Arte na I Bienal de Paris (ambos em 1959), o 1º Prémio do II Salão de Arte Moderna da Junta de Turismo da Costa do Sol (1964), o  Prémio Artes Plásticas das revistas Eles e Elas e Nova Gente em 1983 e 1984, o Prémio Movimento Arte Contemporânea- Carreira (1997) e, a homenagem da Galeria Municipal da Amadora que passou a ter o seu nome deste artista no próprio ano da sua morte.

Freguesia de Marvila - Placa Tipo II (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila – Placa Tipo II
(Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

O Campo Pequeno do seiscentista Palácio Galveias

Freguesias das Avenidas Novas e do, Areeiro

Freguesias das Avenidas Novas e do Areeiro                                       (Foto: Rui Mendes)

Em 2001, o Palácio Galveias foi palco de uma exposição retrospetiva de Luís Dourdil, de 6 de abril a 17 de junho, numa homenagem da edilidade lisboeta ao pintor e assim, o Campo Pequeno, morada do seiscentista Palácio Galveias entra no roteiro toponímico alfacinha deste pintor.

O sítio do Campo Pequeno era no início do século XVI  um logradouro público, um espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, tendo sido o local onde se treinou o exército de D. Sebastião antes de ir para Alcácer-Quibir, bem como lugar para feiras improvisadas. Teve também, no século XVIII, uma Praça de Touros provisória que a definitiva só foi inaugurada em 18 de agosto de 1892 a partir do plano traçado pelo arqº António José Dias da Silva.  E assim, durante vários séculos foi conhecido como Campo Pequeno ou Largo do Campo Pequeno.

Ainda antes da implantação da República em Portugal, embora a vereação da edilidade lisboeta fosse já republicana, por deliberação camarária de 1 de outubro e edital de 8 de outubro de 1908, o Campo Pequeno passou a Largo Doutor Afonso Pena, para homenagear aquele que era então o Presidente da República brasileira, função que exerceu entre 15 de novembro de 1906 e 14 de junho de 1909, data do seu falecimento. Quarenta anos depois, o edital de 23/12/1948 retirou a referência ao único Presidente do Brasil inscrito na toponímia de Lisboa substituindo-a pelo topónimo antigo.

Freguesias das Avenidas Novas e do Areeiro (Foto: Rui Mendes)                        

Freguesias das Avenidas Novas e do Areeiro
(Foto: Rui Mendes)

O Largo da Ajuda

Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

Em 1984, Luís Dourdil participou na Exposição de homenagens dos Artistas Portugueses a Almada Negreiros  e recebeu o 1º Prémio de Pintura da Secretaria de Estado da Cultura, entidade sediada no Palácio da Ajuda, no Largo do mesmo nome e é assim razão para o incluirmos na toponímia alfacinha ligada a este pintor.

Este Largo fronteiro ao Palácio Nacional da Ajuda, antigo Real Paço de Nossa Senhora da Ajuda, tal como a Calçada e a Travessa homónimas, resultam da deliberação camarária de 21 de setembro de 1916 e do consequente Edital de dia 26 do mês que oficializou os topónimos tradicionais do local perpetuando o nome do sítio: Ajuda.

O Largo da Ajuda nasceu na antiga Quinta de Cima do Alto da Ajuda, quando esta foi o local eleito para a nova morada real após o Terramoto de 1755: o Paço de Madeira ou a Real Barraca.

Refira-se ainda que no nº 10 deste Largo morou Alexandre Herculano, na antiga Quinta do Seminário, quando desempenhou o cargo de bibliotecário da Ajuda, entre 1839 e 1877.

Freguesia da Ajuda

Freguesia da Ajuda

 

A Avenida dedicada ao pintor José Malhoa

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Luís Dourdil viu a sua obra adquirida para as coleções particulares de vários bancos, entre eles o BCP – Banco Comercial Português, que tem sede no Porto mas na cidade de Lisboa tem a sua Fundação na Rua Augusta e, o Millennium Investment Banking no nº 27 da Avenida José Malhoa, pelo que escolhemos esta via para incluir na toponímia alfacinha ligada a este pintor da 2ª geração de modernistas.

Este topónimo foi sugerido à Comissão Municipal de Toponímia pelo Museu Provincial de José Malhoa, das Caldas da Rainha, e esta, na sua reunião de 16 de dezembro de 1954 «emitiu o parecer de que o nome de José Malhoa seja atribuído à Rua 25-A do Sítio de Alvalade (a que o vulgo chama: Rua do Centro Cultural).» Dezasseis anos mais tarde, na reunião de 23 de dezembro de 1970, a Comissão apreciou um despacho do Presidente da CML «solicitando parecer sobre a transferência do topónimo que consagrou o nome de José Malhoa, para um arruamento de maior categoria» e finalmente, na reunião de 20 de outubro de 1971 , ao apreciar outro despacho do Presidente da CML «pedindo parecer sobre a denominação do arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão», deliberou a Comissão que «Considerando que a considerável extensão do arruamento, sua localização e importância bem justificam o nome de uma grande individualidade; Considerando ainda que o nome de José Malhoa identifica hoje um pequeno arruamento; A Comissão é de parecer que o arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian, até Sete Rios, se denomine Rua José Malhoa – Pintor/1855 – 1933», o que se concretizou com a publicação do Edital de 8 de janeiro de 1972.

Esta artéria homenageia José Vital Branco Malhoa (Caldas da Rainha/28.04.1854 – 26.10.1933/Figueiró dos Vinhos), diplomado pela Academia Real de Belas Artes que se dedicou ao comércio para se sustentar até que o sucesso de A Seara Invadida, exposta em Madrid em 1881, lhe renovou as esperanças de carreira e o fez aderir ao naturalista Grupo do Leão.  Malhoa produziu sobretudo uma pintura de costumes de que são emblemáticas as suas obras As Cócegas (1904), Os Bêbados (1907), Fado (1910) ou Outono (1918). Em Lisboa, pintou os tetos da sala de concerto do Conservatório Nacional, do Supremo Tribunal de Justiça e do Gabinete Real da Escola Médica de Lisboa, assim como os medalhões do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa (1889). No concurso que a Câmara Municipal de Lisboa abriu em 1887 para um quadro representando A partida de Vasco da Gama para a Índia, o seu esboceto recebeu a primeira classificação entre os concorrentes, sendo nessa ocasião agraciado José Malhoa  com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo (1888). A sua obra está representada no Museu do Chiado, em Lisboa e no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide