A Rua Luiz Pacheco e a aparição do sonâmbulo chupista

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Luiz Pacheco liga-se a Vergílio Ferreira por ter editado um folheto intitulado O Caso do Sonâmbulo Chupista, que circulou entregue à mão na Lisboa dos anos 70 do séc. XX, no qual se denunciava o plágio de Fernando Namora em Domingo à Tarde (1961) sobre a Aparição (1959) de Vergílio Ferreira, fundamentando a acusação com a transcrição de trechos dos dois livros visados.

Luiz Pacheco afirmou que teve notícia do sucedido através de Serafim Ferreira, que teria a edição especial da Aparição dada por  Vergílio Ferreira, com anotações do próprio escritor sobre o que Namora lhe copiara. Luiz Pacheco foi para a Biblioteca Nacional comparar ambas as obras e produziu um folheto de 8 páginas, de que imprimiu 5 ou 6 mil exemplares na Tipografia Mirandela, na Travessa Condessa do Rio. Mais tarde, em 1980, Pacheco reeditou-o na sua Edições Contraponto.luiz pacheco sonâmbulo

Luiz Pacheco, tal como Vergílio Ferreira,  também deu o seu nome a uma artéria da Freguesia de Marvila, a saber a Via Principal de Peões a Chelas, através do Edital municipal de 02/08/2013.

Luiz Pacheco em 2004

Luís José Gomes Machado Guerreiro Pacheco (Lisboa/07.05.1925 – 05.01.2008/Montijo ) nasceu alfacinha à 1h40 , no 1º andar do nº 91 da Rua de Dona Estefânia, e foi um homem livre, irreverente e lúcido, intelectual incontornável na literatura do século XX português enquanto escritor singular, editor e crítico.

A partir de 1945, começou a publicar textos em vários jornais e revistas, como o Globo, o Diário Ilustrado, o Diário Popular ou a Seara Nova. Em 1946, graças a um conhecido do seu pai foi admitido como agente fiscal da Inspeção de Espetáculos, no Palácio Foz, e aí chegou a 3º Oficial, até ao dia 6 de julho de 1959 em que se demitiu. Paralelamente, Luiz Pacheco construiu-se como escritor de talento singular, autor de uma obra fragmentária e dispersa, que regularmente compilou em volumes, dos quais se destaca Exercícios de Estilo (1971). Alicerçou o cerne da sua criação literária na sua aversão às convenções, num testemunho constante da sua ânsia de ser livre e descomprometido e de seguir o seu próprio caminho, usando a própria vida pessoal como tema de eleição. Por ordem cronológica referimos as suas obras Carta Sincera a José Gomes Ferreira (1958), Teodolito (1962), Comunidade (1963), Crítica de CircunstânciaMaravilhas e maravalhas caldensesOs namorados: novela neo-abjeccionista (todos em 1966), Textos Locais e João Rodrigues: um marginal (1967), O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor (1969), Literatura Comestível (1972), Pacheco Versus Cesariny: folhetim de feição epistolográfica (1974), Carta a Gonelha, Textos de Circunstância e Textos Malditos (todos em 1977), Textos de Guerrilha I e II ( 1979 e 1981), O Caso das Criancinhas Desaparecidas (1981), Textos de Barro e O teodolito e a velha casa (1985), Textos Sadinos (1991), O Uivo do Coiote e Carta a Fátima (1992), Memorando, Mirabolando (1995), Cartas na Mesa: 1966-1996 (1996), Prazo de Validade (1998), Uma Admirável Droga (2001), o conto de Natal Os doutores, a salvação e o menino Jesus e Mano Forte: dezassete cartas de Luiz Pacheco a António José Forte (2002), Raio de Luar (2003), Figuras, Figurantes e Figurões (2004), Diário Remendado 1971-1975 (2005), Cartas ao Léu: vinte e duas cartas de Luiz Pacheco a João Carlos Raposo Nunes (2005), O crocodilo que voa (2008). Também com Manuel de Lima e Natália Correia escreveu sob o pseudónimo conjunto de Delfim da Costa.

Enquanto editor publicou em Portugal obras famosas de grandes escritores estrangeiros proibidos pelo salazarismo e escritores portugueses seus contemporâneos como as primeiras obras de António Maria Lisboa, Herberto Helder, Mário Cesariny, Natália Correia, bem como outras de José Cardoso Pires, Manuel Laranjeira, Raul Leal, Vergílio Ferreira e Hélia Correia, para além de ter lançado em 1962 a revista Cadernos de Crítica e Arte e a coleção «Teatro no Bolso». Luiz Pacheco foi ainda um tradutor meticuloso, um colaborador de inúmeros jornais desde A Bola até ao Diário de Notícias, passando pelo Diário Económico ou Público.

Em Lisboa, Luiz Pacheco viveu na Rua de Dona Estefânia, na Rua Andrade, na Rua Almirante Barroso e na Rua Jorge Colaço.

 

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

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