A Rua do industrial da CUF, Alfredo da Silva

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O empresário e industrial Alfredo da Silva, sobretudo conhecido pela sua obra na CUF, desde a publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 1960 que dá o seu nome à Rua D à Quinta do Almargem ou à Calçada da Boa-Hora, com a legenda «Industrial/1871 – 1942», oito anos após o ofício nº 485/52 do Sindicato Nacional dos Comercialistas solicitar a inclusão do nome de Alfredo da Silva na toponímia de Lisboa.

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Alfredo da Silva (Lisboa/30.06.1871 – 22.08.1942/Sintra) era filho de um rico comerciante de Lisboa, Caetano Isidoro da Silva,  com casa comercial e morada no n.º 185 da Rua Bela da Rainha [Rua da Prata desde novembro de 1910], e de Emília Augusta Laymée Ferreira, de ascendência francesa, pelo que estudou no Liceu Francês até à morte do seu pai em 1885. Dois anos depois matriculou-se no Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa,  sendo que em 1890 já detinha o encargo de gerir a herança da família e três anos depois, em 1893,  era por herança acionista um dos administradores do Banco Lusitano e da Companhia Aliança Fabril (CAF), que fabricava sabões e velas em Alcântara e de que era administrador Henry Burnay.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1894, casou-se com Maria Cristina Resende Dias de Oliveira, tendo como padrinho o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais acionistas da CAF. A filha nascida desse casamento – Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva- casará com Manuel Augusto José de Mello, o genro que depois comandará a CUF, empresa que pertencerá por esta aliança familiar ao Grupo Mello.

Henry Burnay era administrador da CAF mas também da CUF (Companhia União Fabril) e após um incêndio da primeira, conjugou a sua vontade com a de Alfredo da Silva para a fusão das duas, união que foi formalizada em 22 de abril de 1898 sob o nome de CUF e que se desenvolveu produzindo adubos em grande escala, aproveitando a ideia do Estado potenciar o cultivo de cereais no Alentejo.

Acionista da Carris também por herança paterna, Alfredo da Silva foi convidado pela empresa em 1892 a fazer uma visita a algumas cidades da Europa para estudo dos melhores sistemas de tracção mecânica, tendo o seu relatório apontado para o que viriam a ser os Eléctricos da Carris, tendo o primeiro circulado no dia 31 de agosto de 1901 da Praça do Comércio a Algés.  Alfredo da Silva  foi diretor da Carris entre 1896 e 1899, com Zófimo Consiglieri Pedroso e Carlos Krus.

Alfredo da Silva diversificou os seus negócios em várias áreas e tornou-se um dos industriais mais ricos de Portugal. Esteve na criação da Tabaqueira do Poço do Bispo (1927) e na produção de tecidos para sacas de adubos, arrecadou a exploração do Porto de Lisboa no Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (1936),  entrou na navegação e nos territórios africanos para controlar o transporte e matérias-primas, comprou o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império, investiu na metalurgia.

Como diversos industriais do final do séc. XIX e principio do séc. XX, também Alfredo da Silva  se mostrou interessado em fixar os seus trabalhadores nas cercanias das suas fábricas, através da construção de  bairros operários, mercearias, padarias e até posto médico, de que foi exemplo maior o Barreiro, onde instalou fábricas de adubos a partir de 1907, assim como chegou mesmo a abrir uma escola para ambos os sexos em 1927. Todavia Alfredo da Silva geriu a CUF à distância quando se refugiou em Espanha e França após ter sido vitima de três atentados fracassados, tendo o último sido de outubro de 1921 e a sua ausência de Portugal até 1927.

Envolveu-se na política  ao ser eleito deputado  regenerador em 1906 e apoiante de João Franco; ao apoiar Sidónio Pais (1918) e depois o Estado Novo, tendo conquistado um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935 e opôs-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho diário. No ano seguinte, conseguiu que fosse adjudicada à CUF a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos que será o embrião da Lisnave.

Alfredo Silva foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial (1932), como Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense (1933) e com a atribuição do seu nome a agrupamentos escolares do Barreiro e de Rio de Mouro, bem como uma Avenida no Barreiro e outra em Rio de Mouro (no Bairro da Tabaqueira), assim como ruas em  Alfragide e São Domingos de Rana.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Rua do Britinho da revista, do fado e da Canção do Mar

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Frederico de Brito, conhecido como Britinho, nome de autor do teatro de revista e do fado e  figura muito querida em Lisboa, tem desde 2009 o seu nome perpetuado numa Rua da freguesia de Santa Clara, com a legenda «Compositor e Poeta/1894 – 1977», a partir da proposta de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia.

A Rua Frederico de Brito foi fixada na Rua A à Azinhaga da Cidade (junto à Estrada de São Bartolomeu) pelo Edital municipal de 16/09/2009, que colocou também nesta área do Vale da Ameixoeira mais dois nomes ligados ao teatro, a saber, a actriz Glicínia Quartin e o encenador Artur Ramos.

Joaquim Frederico de Brito (Oeiras-Carnaxide/15.09.1894-24.03.1977/Lisboa) foi um poeta e compositor famoso pela sua rapidez de composição que escreveu mais de um milhar de letras e compôs algumas centenas de músicas. Distinguia-o também a alcunha carinhosa de Britinho, usada sobretudo no mundo do fado, ao qual se ligara desde os 8 anos de idade, quando morava com a família em Alcântara,  já que após ler Lira do Fado de Avelino de Sousa, escreveu versos que o seu irmão mais velho – João de Brito – cantava em festas de amadores. São êxitos seus a Canção do MarCanoas do Tejo cantada por Carlos do Carmo, a Janela virada para o Mar celebrizada por Tristão da Silva, ou ainda Carmencita interpretada por Amália, para além do Fado do Britinho, Fado dos Sonhos, Biografia do Fado, Não digam ao fado, em vozes como as de Beatriz da Conceição, Carlos RamosFernanda Maria ou Lucília do Carmo. Em paralelo, Frederico de Brito também colaborou intensamente com o jornal Guitarra de Portugal assim como foi diretor e editor do jornal O Galarim.

Por outro lado, de 1934 a 1969, tornou-se também autor de marchas para os bairros de Lisboa, de que são exemplo maiores É raparigas, com música de Raul Ferrão para a Marcha de Benfica de 1934 ou a Marcha de Marvila de 1964, com música de Ferrer Trindade. O Britinho produziu poemas para as marchas dos bairros da Ajuda, Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Benfica, Bica, Campo de Ourique, Campolide, Castelo, Graça, Madragoa, Marvila, Mouraria, Olivais, Santa Catarina e São Vicente.

Frederico de Brito foi também  o autor de inúmeras músicas e poemas para o teatro de revista, onde se estreou em 1935, no Anima-te Zé, no palco do Teatro Maria Vitória, onde ficou famoso o tema Soldado do Fado, com letra sua e música de Frederico Valério. Além deste palco a sua obra também passou no Éden, no Variedades e no ABC. Refira-se ainda que  participou como cantor na opereta História do Fado de Avelino de Sousa, tal como Alfredo Marceneiro.

E durante muitos anos, juntou à sua paixão uma ocupação: de estucador, de motorista de táxi em Lisboa e ainda, de empregado da Companhia de Petróleos Atlantic que viria a ser a BP. O táxi também o inspirou para em 1930 publicar Musa ao Volante: quadras, com prefácio de Albino Forjaz de Sampaio.  Dois anos depois também lançou Terra Brava: versos, desta feita com uma carta prefácio de Teixeira de Pascoais.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Jacinto Gonçalves dos Transportes Jacintho

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Jacinto, no Bairro Social da Quinta do Jacinto, deriva do nome de Jacintho Gonçalves, que no séc. XIX, naquele sítio teve as primeiras cocheiras da sua empresa de transportes  de tração animal, denominada Jacintho, primeiro, de mercadorias e depois, de passageiros.

As suas primeiras cocheiras estavam no então designado Pátio do Jacinto e mais tarde, foram transferidas para a Calçada da Tapada nº 58. Jacinto Gonçalves já transportava passageiros nos seus Choras pelo menos desde 1864 sendo que a partir de julho de 1892 encontramos os documentos municipais de «pagamento de taxas das licenças dos seus carros de carreira» desde julho desse ano. Os Choras, das empresas Rippert, Chora, Salazar, Florindo ou Jacintho eram mais concorridos que os carros Americanos por praticarem preços mais económicos e assegurarem as viagens entre a Mouraria, o Intendente e Belém.

O Bairro Social da Quinta do Jacinto, situado entre a Calçada da Tapada e o Estádio da Tapadinha, foi construído nesta zona de Alcântara em 3 fases, entre 1946 e 1958, no que foi uma das primeiras realizações da Câmara Municipal de Lisboa para alojar população carenciada. Na sua primeira fase teve casas unifamiliares, para depois no início dos anos 60 –nas 2ª e 3ª fases – incluir prédios de 3 e 4 pisos  mas mantendo o carácter ruralista com hortas sociais cultiváveis em redor dos edifícios.

A toponímia do Bairro foi determinada após uma visita ao local da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, que na sua reunião de 8 de junho de 1951 «Emitiu o parecer de que a rua principal que circunda o bairro se denomine: Rua da Quinta do Jacinto e o pequeno largo à entrada e à direita da mesma rua: Largo do Jacinto. Pelo que respeita à denominação das restantes ruas, a Comissão foi de parecer que sejam designadas por números, de forma que às ruas orientadas no sentido Nascente-Poente sejam atribuídos números ímpares e às ruas com a orientação Sul-Norte números pares.» e assim ficou tudo fixado pelo Edital municipal de 19 de junho de 1951.

Estes Bairros Sociais eram implantados em zonas isoladas, assemelhando-se de alguma forma ao modelo de aldeia portuguesa e estimulando um estilo de vida rural, o apego à casa, à família e ao Estado. Por outro lado, a atribuição de números às ruas em vez de nomes distinguia os Bairros de Casas Económicas dos restantes bairros citadinos.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Os Caminhos de Ferro no Largo da 1ª estação

Freguesias de lá vai um e lá vai dois (Foto: Artur Matos)

Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Em 12 de novembro de 1880, o largo em frente da Estação principal da então designada Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, passou por edital municipal do presidente da edilidade, Rosa Araújo, a denominar-se Largo dos Caminhos de Ferro. Também a Rua do Cais dos Soldados pelo mesmo edital passou a ser a Rua dos Caminhos de Ferro.

É evidente que este topónimo deriva da proximidade à Estação de comboios de Santa Apolónia, que por  muitos anos foi a única em Lisboa para este meio de transporte. Em Portugal, as ligações férreas haviam sido iniciadas apenas 24 anos antes, com uma viagem inaugural em 28 de outubro de 1856, em que o comboio D. Pedro V partiu da Estação de Santa Apolónia e ligou pela primeira vez Lisboa ao Carregado, assim sendo a primeira linha de Caminho-de-ferro nacional. Dez anos mais tarde, em 7 de outubro de 1866 abriu também oficialmente a ligação a Madrid.

Largo dos Caminhos de Ferro planta SD

(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua dos primeiros Táxis de Lisboa

Freguesia de Carnide - Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Carnide – Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

Há 89 anos atrás, em 1925, surgiu em Lisboa o primeiro serviço de Táxis, que a edilidade lisboeta perpetuou na cidade através do Edital municipal de 25/10/1989  , no Impasse A à Rua da Fonte, na freguesia de Carnide, e no modo que a gíria popular os  designava : Rua Táxis Palhinhas.

Este primeiro serviço de Táxis de Lisboa foi o resultado de uma ideia de Fernando Casimiro Manço que com um grupo de 40 motoristas criou a Cooperativa Lisbonense de Chauffeurs em 10/09/1925. Era composta por cerca de 50 condutores e 11 viaturas da marca Citroën. O sucesso foi em crescendo e o número de táxis aumentou rapidamente para cerca de 100 veículos.

A Cooperativa Lisbonense de Chauffeurs foi adquirida pela Companhia de Viação Sernache em 1976 e, mais tarde, foi integrada na Rodoviária Nacional.

Na década de 90 do século XX, Lisboa acrescentou mais um taxista à sua toponímia com a Rua Augusto Macedo.

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