A quinhentista Travessa da Queimada e a novela regiana «Davam grandes passeios aos domingos»

Capa da 1ª edição de Davam grandes passeios aos domingos, na Editorial Inquérito, o nº 40 da Coleção Novelas, em 1941
(Imagem:  © CER)

No 1º andar direito do nº 23 da Travessa da Queimada esteve instalada a Editorial Inquérito responsável pelas primeiras edições de quatro obras de José Régio: o ensaio Em torno da expressão artística (1940), a novela  Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941), o romance O Príncipe com Orelhas de Burro (1942), e a peça A Salvação do Mundo (1954).

Nessa época, a Editorial Inquérito imprimia as suas edições na tipografia Libanio da Silva, sediada ali próximo, na Travessa do Fala Só, junto à Calçada da Glória.  Já o nº 23 da Travessa da Queimda é o Palácio Rebelo Palhares, do séc. XVII, que pertenceu ao 1º. Conde Almeida Araújo e onde, para além da Editorial Inquérito, se albergaram os jornais Diário Ilustrado (1872-1910), Correio da Europa (1902) e A Bola, a partir de 1945.

A Travessa da Queimada, que se alonga desde o antigo Largo de São Roque, hoje Largo Trindade Coelho, até à Rua da Atalaia é um arruamento quinhentista que marca o limite da 1ª fase de urbanização da Vila Nova de Andrade, futuro Bairro Alto de São Roque, que decorreu de 1513 a 1518, partindo das Portas de Santa Catarina para poente e subindo até esta Travessa da Queimada, que primitivamente foi qualificada como rua, mas também terá sido designada como Travessa dos Poiais. Salienta-se que a modernidade da urbanização do Bairro Alto aqui se revelou por ser construída em quadrícula, com um traçado de ruas ortogonal, antes de Lisboa sequer pensar vir a ter  a Baixa pombalina.

Sobre a origem deste topónimo a explicação mais verosímil é a do olisipógrafo Vieira da Silva que o faz derivar do nome de uma certa fidalga, Ana Queimada, que em meados do séc. XVI tinha  naquele local  aforado um chão aos frades de São Roque, para construir moradias nobres.

 

O nº 23 da Travessa da Queimada
(Foto: Cláudia Michele Damas e Sousa, 2012, Arquivo Municipal de Lisboa)

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