A Rua Amadeu de Sousa Cardoso nascida em 1988 sobre a Rua Bocage

na Freguesia de Alcântara

Freguesia de Alcântara                                                                (Foto: José Carlos Batista)

Amadeu de Sousa Cardoso foi fixado na toponímia alfacinha setenta anos após a sua morte, no arruamento que liga a Rua dos Lusíadas à Rua João de Barros, através do Edital de 29 de fevereiro de 1988, naquela que era a Rua Bocage desde a deliberação camarária de 08/07/1892 e ainda antes, as Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão, em Alcântara.

Conforme se pode ler na acta da reunião da Comissão de Toponímia de 17 de fevereiro de 1988, o Vereador Vítor Reis sugeriu o nome de Amadeu de Sousa Cardoso para identificar um arruamento citadino, e a Comissão de Toponímia então presidida  pelo Vereador Comandante Pinto Machado «Atendendo a que existem em Lisboa dois arruamentos ambos evocando a memória do poeta Bocage [o cientista na Avenida Barbosa du Bocage e o poeta na Rua Bocage], e que não se justifica essa duplicação toponímica»,  foi de parecer que a Rua Bocage em Alcântara se passasse a denominar Rua Amadeu de Sousa Cardoso. Mais tarde, em 1996, por proposta de Appio Sottomayor na Comissão Municipal de Toponímia voltou Manuel Maria Barbosa do Bocage a Lisboa com a denominação inequívoca de Rua Poeta Bocage.

Amadeo em 1913

Amadeo em 1913

Amadeo de Souza-Cardoso e pela grafia moderna Amadeu de Sousa Cardoso (Amarante-Manhufe/14.11.1887 – 25.10.1918/Espinho), foi um desenhador, caricaturista e pintor da primeira geração de modernistas portugueses. Aos 18 anos, matriculou-se em Arquitetura na Academia de Belas-Artes de Lisboa e manifestou também a sua arte no desenho, sobretudo como caricaturista.

No ano seguinte (1906) viajou para Paris, na companhia de Francisco Smith, e acabou por se instalar no Boulevard Montparnasse , onde reforçou a sua inclinação para o desenho e a caricatura que  publicou n’ O Primeiro de Janeiro (1907) e na Ilustração Popular (1908-1909). Arrendou um estúdio no 14, Cité Falguière que se tornou também espaço de tertúlias com artistas emigrados como Manuel Bentes, Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Domingos Rebelo e  Francisco Smith. No final de 1908 conheceu Lucia Pecetto (Lyon/23.07.1890-23.03.1989/Paris) –  com quem casará em 1914 no Porto- e começou a frequentar as classes do pintor espanhol Anglada-Camarasa, para além de mudar o seu estúdio para a rue des Fleurus, num espaço contíguo ao apartamento de Gertrude Stein. Em 1910 fez uma estadia de três meses em Bruxelas investigando as pinturas dos primitivos flamengos e no ano seguinte expôs trabalhos no Salon des Indépendants de Paris (também em 1912 e 1914) e aprofundou a sua amizade com Amedeo Modigliani, tendo realizado uma exposição conjunta no novo atelier de Amadeu perto do Quai d’Orsay, na rue du Colonel Combes. Amadeu aproximava-se cada vez mais das vanguardas e de artistas como Brancusi, Archipenko, Diego Rivera, Juan Gris ou Max Jacob.  Em 1912, publicou o álbum XX Dessins e expôs no Salon d’Automne a que voltou em 1914. Em 1913, convidado por Walter Pach, integrou com 8 trabalhos a Exposição Internacional de Arte Moderna Armory Show (Nova Iorque, Chicago e Boston),  ao lado de Braque, Matisse ou Duchamp. Nesse mesmo ano voltou a Montparnasse, para novo estúdio na rue Ernest Cresson e participou  no I Herbstsalon de Berlim. Em 1914,  Amadeo veio passar o verão em Manhufe como costumava, após uma passagem por Barcelona para visitar o escultor León Solá onde conheceu Gaudí, sendo  surpreendido pelo deflagrar da I Guerra que o impedirá de regressar a Paris, tal como sucedeu a Robert e Sonia Delaunay que ficaram em Vila do Conde, tendo em conjunto pensado criar uma Corporation Nouvelle para promover exposições internacionais itinerantes, para além de através de Almada Negreiros ter conhecido o grupo dos Futuristas lisboetas, reunidos inicialmente em torno da revista Orpheu e assim em 1917 publicou três obras na revista Portugal Futurista, mas a edição foi apreendida.

Em 1918 contraiu uma doença de pele que lhe atingiu o rosto e as mãos impedindo-o de trabalhar e, trocou Manhufe por Espinho, na tentativa vã de escapar à epidemia de Gripe Espanhola à qual acabou por sucumbir nesse ano. A sua morte antes de completar 31 anos de idade ditou o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e, de uma carreira internacional promissora, conduzindo a que o seu nome só alguns anos após a sua morte ganhasse em Portugal a importância e o reconhecimento que possuía no estrangeiro e muito graças à divulgação do seu trabalho por Almada Negreiros.

Em 1935, foi criado o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso para o Salão Anual de Arte Moderna e em, 1957 José Augusto-França publicou a primeira monografia sobre ele e em 1968 a Fundação Calouste Gulbenkian adquiriu 5 obras de Amadeo que hoje está representando no Museu Municipal Amadeu de Sousa Cardoso em Amarante, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no Museu de Arte Contemporânea/Museu do Chiado.

Placa Tipo II

Placa Tipo II                                                            (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Alcântara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias)

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Stuart do Quim e Manecas numa rua do Arco do Cego

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Stuart Carvalhais, o autor de Quim e Manecas (1915-1953), a primeira e mais longa série  de banda desenhada portuguesa e, inconfundível ilustrador a tinta-da-china do quotidiano lisboeta, deu o seu nome à Rua E do Bairro Social do Arco do Cego, pelo Edital 31/03/1970, que também atribuiu em artérias próximas os nomes do jornalista José Sarmento e de Esculápio.

José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais (Vila Real/07.03.1888 – 02.03.1961/Lisboa) destacou-se como desenhador e caricaturista mas foi um artista multifacetado sendo também pintor, repórter fotográfico, decorador e cenógrafo. Filho de mãe inglesa e, pai português de abastadas famílias rurais do Douro, passou parte da infância em Espanha e voltou a Portugal em 1891, tendo frequentado o Real Instituto de Lisboa (1901-1903) e trabalhado como pintor de azulejos no atelier de Jorge Colaço (1905).

Ilustração humorística de Stuart Carvalhais

Ilustração humorística de Stuart Carvalhais

Stuart começa a trabalhar em jornais como repórter fotográfico e, em 1906, publica pela primeira vez os seus desenhos no jornal O Século. Em 1911 é já um dos responsáveis pela revista humorística A Sátira e colabora na fundação da Sociedade de Humoristas Portugueses, a que presidirá Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, filho de Rafael Bordalo Pinheiro, para além de participar na I e II Exposição de Humoristas Portugueses (1912 e 1913) e, mais tarde na Exposição dos Humoristas Portugueses e Espanhóis (1920). Na passagem de um ano para o outro está alguns meses em Paris, trabalhando como ilustrador no jornal Gil Blas e no regresso a Lisboa casa com a varina Fausta Moreira, com quem tem o seu único filho, Raul Carvalhais. Em 1914, e apesar de ser republicano, Stuart colabora no jornal satírico monárquico Papagaio Real, sob a direção artística de Almada Negreiros. No ano seguinte publica no suplemento humorístico do jornal O Século a sua banda desenhada pioneira em Portugal, inicialmente intitulada Quim e Manecas (1915-1953), a mais longa série  de banda desenhada portuguesa e que dará origem ao primeiro filme cómico português, hoje desaparecido, onde o próprio Stuart fez o argumento e desempenhou o papel de pai do Manecas, realizado por Ernesto de Albuquerque e que estreou em Lisboa no Cinema Colossal, na Rua da Palma.

Nos anos vinte Stuart acumula sucessos ao dirigir a revista ABC a Rir e a publicar na Ilustração – em cuja fundação também participa -, no Diário de Lisboa, no Diário de Notícias, O Domingo Ilustrado, A Corja, O Espectro, no semanário humorístico Sempre Fixe, ABCzinho, o Batalha e A Choldra. O seu trabalho reparte-se ainda por postais ilustrados para a exposição dos Mercados de 1925, ementas para o Bristol Clube,  uma pintura para a decoração do café A Brasileira, no Chiado  e,  a criação da publicidade da editora musical Sasseti, sendo o artista com mais capas de livros e de pautas de música, um trabalho gráfico em que associa o desenho aos tipos de letra a usar e assim ganhou dois prémios em concursos internacionais, em Itália e Espanha.

Encontramos ainda a assinatura a tinta-da-china de Stuart Carvalhais em diversos jornais e revistas, como a Gazeta dos Caminhos de Ferro e a Contemporânea. Em 1932 realiza a sua única exposição individual, na Casa da  Imprensa e, integra mostras coletivas de Artes Plásticas, mas será sempre uma figura isolada da 1ª geração de modernistas portugueses, não seguindo Almada ou Santa-Rita Pintor mas antes afirmando-se como um cronista perspicaz herdeiro da caricatura de Bordalo, deambulando pelas zonas de bas-fond lisboeta. Em 1948 recebe o prémio Domingos Sequeira na Exposição do SNI – Secretariado Nacional da Informação.

Para o teatro, Stuart trabalha como cenógrafo e figurinista do Teatro Nacional e do Politeama para além de ter experimentado a realização em cinema com Mário Huguin, para O Condenado, desdobrando-se ainda como ator.

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro

A Rua Amarelhe com a caricatura diplomática em cena

Amarelhe

O caricaturista Amarelhe, considerado um diplomata nessa arte, desde a publicação do Edital de 30/10/1997 que dá nome a uma artéria da Freguesia do Lumiar, que era o Impasse II à Avenida Maria Helena Vieira da Silva, paralela à Rua Mário Eloy que também nasceu no mesmo Edital e, ambas paralelas à Rua da Tobis Portuguesa, empresa em que tantos dos retratados por Amarelhe passaram em película de filme.

Américo da Silva Amarelhe (Porto/26.12.1892 – 03.04.1946/Lisboa) era filho de mãe portuguesa e de pai espanhol – José Amarelle -, e daí se gerou o seu apelido aportuguesado que utilizou como assinatura e, que muitos interpretaram como um pseudónimo. Aos 14 anos fez a sua 1ª Exposição pública de «retratos caricaturais», no Salão da Fotografia União da sua cidade natal, conseguindo um inegável êxito artístico e comercial, impondo-se mesmo como um artista de moda : os lojistas do Porto passaram a ter pelo menos uma caricatura de Amarelhe na sua montra, eles próprios lisonjeados por se mandarem caricaturar e, num clima em que quase parecia mal não ter uma caricatura de Amarelhe.

Cinco anos mais tarde, radicou-se em Lisboa  e foi o primeiro artista a querer viver apenas do retrato caricatural. Em 9 de maio de 1912, nas salas do Grémio Literário sito na Rua Ivens, participou com uma vintena de trabalhos no I Salão de Humoristas Portugueses e as suas imagens encheram os principais diários portugueses, sobretudo em publicações como o Primeiro de Janeiro, na revista Ilustração Portuguesa e no semanário humorístico Sempre Fixe. Américo Amarelhe dedicou-se especialmente a caricaturar gente das mais variadas áreas do meio teatral, como Adelina Fernandes, António Silva, Beatriz Costa, Francis Graça, Henrique Alves, Hortense Luz, João Bastos, José Loureiro, Josefina Silva, Leopoldo Fróis, Manuel Joaquim de Araújo Pereira, Maria Matos ou Palmira Bastos, podendo mesmo afirmar-se que Amarelhe foi o cronista gráfico do teatro em Portugal.

E apesar da caricatura ser o género jornalístico que revela o lado escondido das coisas a de Amarelhe, era contudo, sempre amável e diplomática para não ofender nenhum dos retratados. O seu estilo não privilegiou as deformações e exageros da caricatura e enveredou mais pela sátira pitoresca do que pelo grotesco, aliás espelhando o seu próprio comportamento  social e o seu modo de vestir.

Finalmente acrescente-se que ainda ligado ao teatro, Amarelhe executou decorações e cenários para além de conceber cartazes para o teatro de revista e para empresas discográficas.

Amarelhe teve ainda direito a uma exposição própria no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II em 1928 e, a sua grande relação com o mundo teatral levava os Teatros lisboetas a manterem sempre duas cadeiras livres na primeira fila:  para «o Amarelhe» e possível acompanhante.

0 Painel de  Amarelhe (1939 ) com caricaturas de Beatriz Costa

O Painel de Amarelhe (1939 ) com caricaturas de Beatriz Costa

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

 

O pintor modernista Jorge Barradas numa Rua de Benfica

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

No próprio ano do falecimento de Jorge Barradas, teve este pintor e ceramista  o seu nome atribuído à artéria formada pelas Ruas III e IV à Estrada dos Arneiros, por Edital de 25/11/1971.

O mesmo Edital atribuiu na proximidade a Rua João Ortigão Ramos, em homenagem a este  cinéfilo que ajudou a erguer a Tobis Portuguesa e que dirigiu o Automóvel Clube de Portugal, onde aliás, em no mês de maio de 1920,  fez Jorge Barradas uma exposição individual.

Jorge Nicholson Moore Barradas (Lisboa/1894 – 1971/Lisboa), também conhecido como o «Barradinhas», foi um pintor e ceramista da primeira geração dos modernistas portugueses, que participou nas primeiras manifestações «livres» destes na primeira década do século XX . Nos anos vinte foi o mais popular dos ilustradores lisboetas de jornais e revistas, tendo sido um dos mais assíduos do Sempre Fixe. Em 1925, participou na decoração do Bristol Club e executou duas telas para a Brasileira do Chiado.

Com Henrique Roldão fundou e, dirigiu o quinzenário O Riso da Vitória, que embora efémera foi uma das mais brilhantes publicações humorísticas portuguesas. Foi ainda director artístico do ABC a Rir, dando depois o lugar a Stuart de Carvalhais. Participou, desta forma, numa tentativa de renovação gráfica protagonizada por uma geração que se inspirava no estrangeiro e que atravessa a imprensa periódica e a publicidade portuguesa nos anos 20. Na sua obra gráfica são notórias as influências da Arte Nova e da Art Déco. Mas isto não impediu Jorge Barradas de ter um traço original e moderno, cheio de qualidades, de que são exemplo os desenhos que publicou nas primeiras páginas do Diário de Lisboa, do Sempre Fixe ou de  O Riso da Vitória,  com tipos alfacinhas como protagonistas – relação que repetirá nos seus outros domínios artísticos. Essa originalidade e modernidade estão igualmente patentes nas requintadas capas que fez para a revista ABC,  Magazine Bertrand ou Ilustração, com o corpo feminino

Em 1945 lançou-se como ceramista e e na azulejaria, tendo mesmo  obtido o Prémio Sebastião de Almeida na 1ª Exposição de Cerâmica Moderna, em 1949. Em 1969 fez também os painéis em relevo do refeitório da Fundação Calouste Gulbenkian.

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

Amadeo, Amadeu

na Freguesia de Alcântara

Freguesia de Alcântara                                                                (Foto: José Carlos Batista)

Setenta anos após a sua morte, Amadeu de Sousa Cardoso foi fixado pela edilidade alfacinha no arruamento que liga a Rua dos Lusíadas à Rua João de Barros, através do Edital de 29/02/1988, naquela que era a Rua Bocage desde a deliberação camarária de 08/07/1892 e ainda antes, Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão.

Conforme se pode ler na acta da reunião da Comissão de Toponímia de 17 de fevereiro de 1988, o Vereador Vítor Reis sugeriu o nome de Amadeu de Sousa Cardoso para identificar um arruamento citadino, e a Comissão de Toponímia então presidida  pelo Vereador Comandante Pinto Machado «Atendendo a que existem em Lisboa dois arruamentos ambos evocando a memória do poeta Bocage [a Avenida Barbosa du Bocage e a Rua Bocage], e que não se justifica essa duplicação toponímica»,  foi de parecer que a Rua Bocage em Alcântara se passasse a denominar Rua Amadeu de Sousa Cardoso.

"Canção Popular - a Russa e o Figaro" (óleo sobre madeira), cerca de 1916

Canção Popular – a Russa e o Figaro (óleo sobre madeira), cerca de 1916

Amadeo de Souza-Cardoso, pela grafia moderna Amadeu de Sousa Cardoso (Amarante-Manhufe/14.11.1887 – 25.10.1918/Espinho), foi um desenhador, caricaturista e pintor e da primeira geração de modernistas portugueses. Aos 18 anos, matriculou-se na Academia de Belas – Artes de Lisboa e manifestou a sua arte no desenho, sobretudo como caricaturista. No ano seguinte mudou-se para Paris, para estudar arquitectura, residindo no Bairro de Montparnasse ao longo de 8 anos, mas acabou para voltar à caricatura, publicando n’ O Primeiro de Janeiro (1907) e na Ilustração Popular (1908-1909). Em 1910 fez uma estadia de alguns meses em Bruxelas e, em 1911, expôs trabalhos no Salon des Indépendants de Paris, e também com Modigliani, no ateliê do pintor português perto do Quai d’Orsay, aproximando-se cada vez mais das vanguardas e de artistas como Brancusi, Archipenko, Juan Gris, Robert e Sonia Delaunay. Em 1912, publicou o álbum XX Dessins e expôs no Salon des Indépendants e no Salon d’Automne. Em 1913 tomou parte, com 8 trabalhos, no Armory Show (nos E.U.A.) e, no ano seguinte, encontrou-se em Barcelona com Gaudi. Regressou a Portugal e instalou-se em Manhufe, desenvolvendo com Almada Negreiros e Santa-Rita diversos projectos como a publicação de trabalhos na revista Portugal Futurista.

Em 1918 contraiu uma doença de pele que lhe afectou o rosto e as mãos impedindo-o de trabalhar e, trocou Manhufe por Espinho, na tentativa vã de escapar à epidemia de Gripe Espanhola à qual acabou por sucumbir. A sua morte antes de completar 31 anos de idade ditou o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e, de uma carreira internacional promissora, conduzindo a que o seu nome só alguns anos após a sua morte ganhasse em Portugal a importância e o reconhecimento que possuía no Estrangeiro. Em 1935, foi criado o “Prémio Amadeo de Souza- Cardoso” para o Salão anual de Arte Moderna e em, 1957 José Augusto-França publicou a primeira monografia sobre ele, tendo depois em 1968 a Fundação Calouste Gulbenkian adquirido as sua 5 primeiras obras de Amadeo.

Placa Tipo II

Placa Tipo II                                                            (Foto: José Carlos Batista)

A Rua Almada Negreiros em Lisboa, Pim!

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

No próximo domingo, dia 7, comemora-se o 120º aniversário do nascimento de Almada Negreiros, artista multifacetado e autor do conhecido «Manifesto Anti-Dantas e por extenso», que deu o seu nome a uma rua dos Olivais praticamente um mês após o seu falecimento.

Almada faleceu a 15 de junho de 1970, no Hospital de S. Luís dos Franceses, mesmo ao cimo da Rua Luz Soriano, no Bairro Alto, no mesmo quarto onde morrera o seu amigo Fernando Pessoa e, o Edital municipal de 11/07/1970 colocou o seu nome na artéria referenciada como  Rua E 2 da Célula E dos Olivais Sul, incluindo os Impasse EJ, 3D, 3D1, EU e EV e abrangendo os lotes 454 a 462, 470a 474, 487a 494 e 504 a 506.

José Sobral de Almada Negreiros (S. Tomé e Príncipe – Roça da Saudade/07.04.1893 – 15.06.1970/Lisboa), foi um vulto cimeiro da vida cultural portuguesa durante quase meio século, sobretudo como escritor, artista plástico e, elemento do modernismo artístico onde emerge a imagem do artista total.

Essencialmente autodidata, publica os primeiros desenhos e caricaturas em 1911 e, no ano imediato, redige e ilustra de forma integral o jornal manuscrito A Paródia, para em 1913 voltar a participar na Exposição dos Humoristas Portugueses, preparar o primeiro projeto de bailado (O sonho da rosa), desenhar o primeiro cartaz (Boxe) e, em 1914 diretor artístico no semanário monárquico Papagaio Real, para além de ter sido um dos fundadores da revista Orpheu em 1915, veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa e,  publicou o «Manifesto Anti-Dantas e por extenso»,  por ocasião da estreia da peça de teatro Soror Mariana Alcoforado de Júlio Dantas, reagindo às críticas negativas deste à Orpheu, , numa «estética do soco» cara a Marinetti. Ainda nesse ano escreve a novela A engomadeira (publicada em 1917) e o poema A cena do Ódio (publicado parcialmente em 1923).

Almada fez caricatura, pintura a óleo, tapeçaria, gravura, pintura mural, mosaico, azulejo e vitral graças ao que ainda hoje o podemos encontrar um pouco por toda a cidade de Lisboa. Em 1917, publica a novela K4 O Quadrado Azul, realiza a conferência Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, uma diatribe escandalosa contra a situação mental e social do país” e, colabora no único número de Portugal Futurista, revista apreendida pela polícia pela inclusão da novela do próprio Almada «Saltimbancos», considerada obscena por mencionar cavalos a cobrir éguas.

De 1920 para a frente Almada colabora em diversos jornais e revistas, do Diário de Lisboa ao Sempre Fixe, publicando desenhos humorísticos, textos e ilustrações, realiza capas de livros e revistas, publica Invenção do Dia Claro (1921), escreve o romance Nome de Guerra (em 1925 e publicado em 1938), produz quadros para A Brasileira do Chiado (1925) e para o Bristol Club (1926). Escreve a peça Deseja-se Mulher dedicada à sua futura mulher Sarah Afonso, cria o cartaz político Votai a Nova Constituição (1933), colabora com Pardal Monteiro com os vitrais para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (1934) e a decoração do edifício do Diário de Notícias, concebe um selo com a frase de Salazar «Tudo pela Nação» (1935), executa as pinturas murais da Gare Marítima de Alcântara (1945-1947) e da Rocha do Conde de Óbidos (1946- 1948), pinta o Retrato de Fernando Pessoa (1954), realiza painéis decorativos para a Cidade Universitária (1957 – 1961) e o painel de pedra geométrico para o átrio do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1968-1969), fazendo a sua derradeira intervenção pública no programa televisivo Zip-Zip, em julho de 1969.

Na freguesia de Santa Mª dos Olivais - futura freguesia dos Olivais

Na freguesia de Santa Mª dos Olivais – futura freguesia dos Olivais

O criador do Zé Povinho num Largo do Carmo e da Trindade

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Fotografia de Bobone, na “Ilustração Portuguesa” de 30.01.1905

Num Largo que faz a ligação do Carmo à Trindade e ao Chiado, antes chamado de Largo da Abegoaria, por Edital municipal de 11/02/1915, ficou perpetuado Rafael Bordalo Pinheiro, com direito a uma placa cerâmica, de tipo florão, para desde logo evocar o seu lado de ceramista mas também porque foi no nº 28 deste arruamento que Rafael Bordalo Pinheiro viveu e acabou por falecer. 

Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro (Lisboa/21.03.1846-23.01.1905/Lisboa) era o seu nome completo e, se ficou muito conhecido como o criador do Zé Povinho, ele abarcou também o desenho, a ilustração, a caricatura e a cerâmica.

Desenhou para álbuns de senhoras, foi autor de capas e de centenas de ilustrações em livros e, criou caricaturas em periódicos humoristas sendo em 1875, no jornal Lanterna Mágica que fez nascer a figura do Zé Povinho, que atingiu um valor simbólico de representação do povo português, como a eterna e alegre vítima da política (“a grande porca” nas caricaturas de Bordalo Pinheiro) e das instituições. Nesse mesmo ano, Bordalo que já publicara cinco periódicos embarcou para o Brasil, contratado para O Mosquito e, em Setembro de 1877 fundou o semanário Psit!!! e depois, O Besouro. Regressou a Lisboa em 1879 e, com o jornalista Guilherme de Azevedo, fundou O António Maria (1879-1885 e 1891-1898). Publicou O Álbum das Glórias Portuguesas e foi colaborador do Illustrated London News, entre outros jornais estrangeiros. A partir de 1884 dedicou-se também à cerâmica e, tornou-se o diretor artístico da recém-formada Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde voltou a usar o Zé Povinho e produziu uma loiça de motivos naturalistas e populares, como as suas terrinas e pratos de couve ou as galinhas e as andorinhas. Em 1899 empenhou-se mais a idealizar grandes peças, como a Talha Manuelina ou a Jarra Beethoven e, nos últimos anos da sua vida realizou as pequenas figuras de carácter popular. Em 1900 fez surgir o seu último jornal, A Paródia.

No conjunto da sua obra destaca-se a atenção critica que prestou à sua época, caracterizada pela crise da Monarquia, tornando-a uma crónica humorística das vicissitudes e misérias do povo português e, a sua ligação ao teatro, ele que sonhou ser ator, pela sua vasta produção de cenários, figurinos e pelas centenas de caricaturas de gente do espetáculo.

Em Lisboa, Rafael Bordalo Pinheiro tem ainda um Museu que lhe é dedicado, espaço que nasceu por encomenda do poeta republicano Cruz Magalhães que o inaugurou em 1916 e, depois o legou à Câmara Municipal de Lisboa.