A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua de Lacerda e Almeida das fronteiras do Brasil e primeiras longitudes de África

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

No troço do Caminho de Baixo da Penha entre a Avenida General Roçadas e a Rua Jacinto Nunes está desde a publicação do Edital de 23 de março de 1954 a Rua Dr. Lacerda e Almeida, em homenagem ao matemático que integrou a comissão de delimitação das fronteiras do Brasil com a Bolívia e a Venezuela e enquanto governador de Tete, em Moçambique, procedeu a uma exploração onde definiu as primeiras longitudes em África.

Já em 1949 e depois em 1953,  a Comissão Municipal de Toponímia foi do parecer que se denominassem os arruamentos do Vale Escuro com topónimos relacionados com figuras que em África cumpriram a política portuguesa, quer por obra governativa quer por delimitação de fronteiras. E assim para além da Rua Dr. Lacerda e Almeida os outros topónimos sugeridos foram a Praça Aires de Ornelas, a Rua Artur de Paiva, a Avenida Coronel Eduardo Galhardo, a Rua Francisco Pedro Curado, a Praça João de Azevedo Coutinho, o Largo General Pereira de Eça, a Avenida Mouzinho de Albuquerque, a Praça Paiva Couceiro , a Rua Teixeira Pinto e a Rua Eduardo Costa.

Francisco José de Lacerda e Almeida (Brasil – São Paulo/22.08.1750 – 18.10.1798/Cazambe-Moçambique), filho de José António de Lacerda (de Leiria) e de Francisca de Almeida (de São Paulo) concluiu o curso de matemática na Universidade de Coimbra em 1776 e no ano seguinte concluiu o doutoramento, conseguindo em 1778 ser convidado para o serviço do Estado, como geógrafo, astrónomo e matemático. Neste contexto, integrou os trabalhos de demarcação das fronteiras entre Portugal e Espanha (1779), resultantes da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso e seguiu depois para o Brasil (1780) para a delimitação das fronteiras com a Bolívia e a Venezuela, para além de ter executado levantamentos que podem ser classificadas como geográficos, para obter dados geodésicos, destinados a apoiar a cartografia da região. Fez ainda uma viagem de investigação dos rios Cuiabá, Paraguai, Taquari, Cochim, Camampoan, Pardo, parte do Paraná e todo o Tieté e regressou a Lisboa em 1790. 

Em setembro do ano seguinte passou a docente de Matemática na Real Academia dos Guarda-Marinhas, funções que exerceu até partir  para Moçambique em maio de 1797. Nesta época de explorações científicas, dentro do espírito do Iluminismo, Lacerda e Almeida queria seguir o curso do Zambeze, até à zona da nascente, para aí procurar a nascente do Cunene, que corria para a costa ocidental e iniciou a expedição em 3 de julho de 1798, no decorrer da qual contraiu malária, chegando o «Geral de Tete», como era conhecido, já bastante debilitado ao Cazembe em outubro, onde veio a falecer.  A sua expedição foi a  primeira a determinar longitudes em África por métodos astronómicos rigorosos, tendo os seus registos sido publicados em 1844 (Diário da viagem de Moçambique para os rios de Senna [na Zambézia] feita pelo governador dos mesmos rios Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida).

Supõe-se que tenha sido eleito membro da Academia de Ciências de Lisboa, em 1791 ou 1795, mas nem todos os autores estão de acordo nesta questão.

Para além da rua que lhe foi dedicada em Lisboa 156 anos após o seu falecimento, o seu nome também se tornou topónimo na cidade Pontes e Lacerda no Estado do Mato Grosso (homenagem a Silva Pontes e Lacerda e Almeida); no Rio Lacerda e Almeida no Estado de Rondônia; na Ilha Lacerda e Almeida no Rio Paraná; assim como uma povoação moçambicana na margem direita do Zambeze recebeu em 1893 o nome de Lacerdónia.

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

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A Rua do criador da Geografia moderna em Portugal

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O Professor Orlando Ribeiro, o criador da Geografia moderna em Portugal, dignificou com o seu nome a Rua D da Urbanização do Paço do Lumiar, situada entre a Rua Prof. Alfredo de Sousa e a Rua Prof. Fernando de Mello Moser, desde a publicação do Edital de 15/12/1997, menos de um mês depois do seu falecimento o que é demonstrativo do enorme valor deste investigador e docente.

Com a legenda «Geógrafo/1911 – 1997», este topónimo homenageia o criador da Geografia moderna em Portugal, Orlando da Cunha Ribeiro (Lisboa/16.02.1911 – 17.11.1997/Lisboa), licenciado em História e Geografia pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1932, e quatro depois doutorado em Geografia com uma tese sobre a Serra da Arrábida, pela mesma Faculdade, onde foi discípulo de Leite de Vasconcelos e de Silva Teles.

A sua preocupação da ligação da investigação ao ensino da Geografia esteve sempre presente ao longo da vida de docente desde que a iniciou num colégio de Lisboa enquanto preparava o seu doutoramento.  Foi leitor assistente de português na Universidade de Paris (1937- 1940), professor na Universidade de Coimbra (1940-1942) e professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa (de 1942 em diante), instituição onde criou o Centro de Estudos Geográficos em 1943 e que 23 anos anos depois passou a publicar a revista Finisterra. Orlando Ribeiro procurava suscitar nos seus discípulos o interesse pela Geografia como mais um ramo da Ciência e considerava que à escala universitária a docência e a investigação estão intimamente relacionadas, sendo praticamente inseparáveis.

Orlando Ribeiro foi autor de uma vasta obra sobre Geografia Física, Humana, Regional, Zonal, Metodologia e História da Geografia, Geologia, Etnologia, História e organização da vida científica universitária, de que destacamos Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), A Ilha do Fogo e as suas Erupções (1954), Geografia e Civilização. Temas Portugueses (1961), Ensaios de Geografia Humana e Regional (1970), Introduções Geográficas à História de Portugal (1977), A Ilha da Madeira até Meados do Século XX (1985), Iniciação em Geografia Humana (1986), Introdução ao Estudo de Geografia Regional (1987) e os 4 volumes de Geografia de Portugal (1987-1989).

Orlando Ribeiro que foi também colaborador dos Serviços Geológicos (1945), organizou o 1º Congresso Internacional de Geografia do pós-guerra (em abril de 1949), com a participação de 800 investigadores de 37 países, tendo para o efeito escolhido como colaboradores Fernandes Martins, Mariano Feio, Georges Zbyszewski, Carlos Teixeira, Virgínia Rau e Jorge Dias, e daqui ainda editou 8 volumes de Atas e 5 volumes das 5 excursões científicas realizadas no seu decorrer.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

Da Armada ao Campo Grande: a Rua Ernesto de Vasconcelos

Busto de Ernesto Vasconcelos por Moreira Rato (Foto, Arquivo Municipal de Lisboa, 1969)

Busto de Ernesto Vasconcelos por Moreira Rato
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, 1969)

O oficial de Marinha e geógrafo Ernesto de Vasconcelos desde 1932 que dá o seu nome à que foi referenciada como Rua C do projeto aprovado em sessão de 13/10/1927, «entre a Rua Ocidental e o Hipódromo do Campo Grande» conforme o Edital.

O edital municipal de 12/03/1932 também atribuiu nesta zona próxima do Campo Grande topónimos às ruas A, B e D: Rua Lopes de Mendonça, Rua Francisco Mantero e Rua Aires de Ornelas.

Ernesto Júlio de Carvalho de Vasconcelos (Almeirim/16.09.1852 – 15.11.1930/Lisboa) resolveu seguir a carreira do avô materno e assim assentou praça na Armada com 12 anos, vindo a ser vice-almirante e geógrafo, com os cursos de oficial da Marinha e de engenheiro-hidrógrafo.

Ernesto de Vasconcelos trabalhou em vários levantamentos hidrográficos importantes como a elaboração da carta da barra de Lisboa, do rio Guadiana, da foz do rio Zaire e das fronteiras de Timor, para além de ter elaborado um plano de uniformização internacional dos serviços de farolagem (1887), tendo ainda sido nomeado por Bernardino Machado para integrar a comissão criada para estudar os interesses de Macau.

Exerceu como professor da Escola Naval e da Escola Colonial, dirigindo também a Revista Portuguesa Colonial e Marítima e, produzindo ainda diversos livros educativos como Astronomia Fotográfica (1884 e 1886), Uniformidade Internacional de Bóias e Balizas Marítimas (1887), Relação dos Mapas, Cartas, Plantas e Vistas Pertencentes ao Ministério da Marinha e Ultramar, com Algumas Notas e Notícias (1892) e Subsídios para a História da Cartografia Portuguesa nos sécs. XVI, XVII e XVIII (1916). Alcançou ainda os cargos de presidente da Comissão de Cartografia e de diretor e secretário perpétuo da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Ernesto de Vasconcelos também se dedicou à política e nessa qualidade foi membro da Maçonaria, deputado às Cortes, vice-presidente da Câmara de Deputados,  chefe de gabinete de vários ministros e ainda  desempenhou as funções de Director-Geral no Ministério das Colónias. D. Carlos I agraciou-o com a carta de conselho.

(Foto: Arnaldo Madureira, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Arnaldo Madureira, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade