O Homem na Lua e Eurico da Fonseca numa rua dos Olivais

Freguesia dos Olivais (Foto: Rui Mendes)

Freguesia dos Olivais
(Foto: Rui Mendes)

Eurico da Fonseca que em 1969 comentou em direto na televisão portuguesa a chegada do homem à Lua, tem na toponímia lisboeta uma Rua nascida do Edital de 18/11/2004, pela junção dos Impasses A e  B à Rua do Chibuto, na Freguesia dos Olivais.

Eurico Sidónio Gouveia Xavier Lopes da Fonseca (Lisboa/01.03.1921 – 04.12.2000/Almada), que se distinguiu como divulgador científico de astronomia e exploração espacial era diplomado em engenharia mecânica e tecnologia de automóveis pela Escola Industrial Marquês de Pombal, desde 1939, mas veio a ser nomeado investigador por decreto-lei, o que o equiparou a professor catedrático,  tendo sido o principal especialista português em astronáutica, embora também tenha estendido o seu interesse pelas áreas de informática e energias renováveis.

Eurico da Fonseca dirigiu o Centro de Estudos Astronáuticos (1958), foi investigador do Centro de Estudos Especiais da Armada durante 22 anos, bem como delegado oficial de Portugal aos congressos promovidos pela Federação Internacional de Astronáutica, fundador da Sociedade Portuguesa de Energia Solar, membro do Conselho Consultivo Nacional do Projeto Galileu e, autor das obras História Breve da Astronáutica (1960), A Conquista do Espaço (1962), A Sociedade do Futuro (1979), As Energias Renováveis  (1983),  bem como da compilação Manual do utilizador : Spectrum plus 2 plus 3  (1988), Segredos do Windows 95 (1997), Segredos do Windows 98 (1999), O Terceiro Milénio (1999) e, do vocabulário oficial de Astronáutica em português, elaborado em colaboração com a Academia de Ciências de Lisboa, o Centro de Estudos Filológicos do Instituto para a Alta Cultura, a Sociedade Interplanetária Brasileira e a Federação Internacional de Astronáutica. Na década de 60 do século passado conseguiu mesmo reconhecimento nos meios científicos norte-americanos como a NASA, que aliás visitara quando foi convidado pelo governo norte-americano a participar no Spaceflight Report to the Nation.

Eurico da Fonseca sempre colaborou amplamente com a imprensa, a rádio e a televisão, na área da Ciência e Tecnologia, sendo desde a primeira hora o responsável pelos suplementos de Computadores e de História do Automóvel de A Capital.  Porém, foi sobretudo a televisão que tornou Eurico da Fonseca conhecido do grande público, graças às suas participações em programas televisivos como 5ª Dimensão Ponto por Ponto, e também  por ser o autor da série de ficção científica emitida nos anos 80 do século XX, O Segredo de Marte.
Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua do médico escritor Armindo Rodrigues nos 800 anos da Língua Portuguesa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Neste dia em que se comemoram os 800 anos da Língua Portuguesa e neste ano em que passa o  110º aniversário de Armindo Rodrigues, escritor neorrealista e médico, lembramos que através do Edital de 24/09/1996 este passou a dar a dignidade do seu nome à Rua C do Alto da Faia, na Freguesia do Lumiar.

A sugestão foi feita por carta de António João Lopes, analisada da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 23/09/1994 que considerando os arruamentos disponíveis nessa altura lhe atribuiu o Impasse I.1 do Bairro das Furnas. Todavia, em 22/03/1996, o Vereador que presidia à Comissão de Toponímia transmitiu a discordância expressa da sessão de câmara nas atribuições dos nomes de Agostinho da Silva, Frederico George e Armindo Rodrigues a artérias do Bairro das Furnas, pela que na oportunidade seguinte Armindo Rodrigues e Frederico George foram transportados para topónimos da urbanização do Alto da Faia e, Agostinho da Silva para um arruamento próximo do local onde residira.

Armindo José Rodrigues (Lisboa/1904 – 08.08.1993/Lisboa),  médico formado pela Faculdade de Lisboa, estreou-se nas letras com Voz Arremessada ao Caminho (1943), a que se seguiram outros volumes de poesia como Romanceiro (1943), A Esperança Desesperada e Cantigas de Circunstância (1948), Dez Odes ao Tejo (1951), A Paz interior (1954), Nitidez do comum (1980), Quadrante Solar (1984) ou Sequência de Alvorada (1985).

Armindo Rodrigues colaborou também nos jornais O Diabo, Notícias do BloqueioRepública, bem como nas revistas Colóquio-LetrasSeara Nova e Vértice, tendo ainda sido um dos fundadores do PEN Club Português.

Refira-se ainda que o médico-poeta participou empenhadamente nas campanhas eleitorais oposicionistas de 1945, 1949 e 1958 e que produziu textos para o livro Memórias da Resistência. Literatura da Resistência ao Estado Novo.

Acrescentamos a nota de Lisboa acolher na sua toponímia mais 9 nomes de médicos portugueses que também desenvolveram uma carreira literária: António Patrício, Bernardo Santareno, Fernando Namora, Fialho de Almeida, Júlio Dantas, Júlio Dinis, Ladislau Patrício,  Miguel Torga e Prista Monteiro.

Rua Armindo Rodrigues planta

No 80º aniversário de José Escada

Autorretrato de José Escada. 1972

Autorretrato de José Escada, 1972 (óleo sobre tela)

Cumpre-se hoje o 80º aniversário de nascimento de  José Escada, pintor que desde o ano seguinte ao seu falecimento deu nome à que era a Rua Vinte e Seis de Telheiras-Sul através do Edital de 04/12/1981.

José Jorge da Silva Escada (Lisboa/26.06.1934 – 1980/Lisboa), aluno da Escola António Arroio e da Escola de Belas-Artes de Lisboa, começou logo a partir do final da década de 50 do séc. XX  a partilhar um atelier com João Vieira, René Bertholo e Gonçalo Duarte, junto ao Café Gelo, na Praça D. Pedro IV (na altura, ainda designada com Praça de Dom Pedro ou, mais vulgarmente, Rossio), tendo este grupo também publicado a revista Ver, de 1953 a 1955.

O ano de 1953 foi também o da primeira participação de José Escada numa exposição colectiva, a VII Geral de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e no ano seguinte aderiu ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa. Em 1960, conseguiu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar em Paris, e aí veio a integrar o grupo KWY, formado pelos amigos Lourdes de Castro, João Vieira, Gonçalo Duarte, René Bertholo, Costa Pinheiro e ainda Jan Voss e Christo. Foi então convidado pela Fundação Gulbenkian para ser seu representante em Amesterdão, juntando-se assim a outros 12 artistas numa parceria entre a Fondation Européenne de la Culture e a tabaqueira holandesa TURMAC, de onde regressou apenas em 1969, após Marcelo Caetano ter posto fim ao seu exílio político que durava desde 1962 por ter criticado o regime de Salazar numa entrevista a uma rádio italiana, em Roma. Na década seguinte juntou-se a Sophia de Mello Breyner Andersen para trabalhar como ilustrador.

Escada desenvolveu uma estética que vai desde a abstracção à figuração mais evidente, da transparência à opacidade, com a sempre evidente preocupação da luz através da cor e, uma linguagem própria de signos de geração simétrica como se fossem dobragens de papel.

Freguesia de lá vai Um - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Rua José Escada planta

A rua direita de São Pedro de Alfama

Placa Tipo I

Placa Tipo I – Freguesia de Santa Maria Maior

No próximo domingo é Dia de São Pedro, o 3º e último Santo Popular de junho que Alfama também acolhe numa rua.

Este arruamento que liga o Largo do Chafariz de Dentro à Rua de São Miguel, aparece em referência escrita em 1769 na Descripçaõ dos novos destrictos das parroquias da cidade de Lisboa, que por ordem de S. Magestade Fidelissima fez o sargento mor ingenhrº Joseph Montrº de Carvalho. Porém, o topónimo é mais antigo e deriva da igreja desta invocação que o mesmo documento diz que «A origem desta Igrª consta ser no Anno de 1191 pelo Bispo de Lisboa D. Soeiro Annes: he do Padroado das Sereníssimas Raynhas deste Reyno; e o seu Parrocho tem o titulo de Prior. Constava no ano de 1755 de 352 fogos, que se alojavaõ nas ruas e becos seguintes: Parte da Adiça, athé à porta do Sol; p.e da rua da Galé: rua direita de S. Pedro (…)».

As freguesias de Alfama organizavam-se em volta da respectiva igreja paroquial e o crescimento populacional no séc. XVI determinou a construção sistemática ao longo da rua de São Pedro que funcionou como rua direita de Alfama. Dada a ruína da igreja com o Terramoto de 1755, a reorganização administrativa de Lisboa em 1770 ordenou a trasladação da paróquia de S. Pedro para Alcântara, freguesia que aliás tinha aumentado demograficamente, e a integração do território de S. Pedro nas freguesias de S. Miguel e de S. João da Praça.

Rua de São Pedro planta

São João num largo do Lumiar

(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo de São João Baptista na Freguesia do Lumiar,  que liga a Estrada do Lumiar à Azinhaga das Lajes, retira o seu topónimo da proximidade à Igreja de São João Baptista, vindo hoje a propósito por ser justamente Dia de São João.

A paróquia do Lumiar, da invocação de São João Batista e São Mateus, foi fundada em 2 de abril de 1266, na época de Afonso II, abrangendo também os lugares de Telheiras, Ameixoeira e Charneca,  sendo que nas inquirições deste rei, quer de  1248 quer de 1270, aparece o lugar citado como Liminares, derivado do latino liminare que significa entrada.

No entanto, a Igreja indicia traços anteriores à fundação da nacionalidade e ao cristianismo, nomeadamente o culto a Santa Brízida (ou Brígida),  protetora dos campos e dos gados.

A Freguesia rural do Lumiar, do antigo termo de Lisboa, foi integrada na cidade, em 18 de julho de 1885 e a Igreja foi reedificada no séc. XVI e também em 1932-1934.

O popular São João, conhecido como Batista ou o Degolado, recolhe mais 3 topónimos em Lisboa: a Praceta da Quinta de São João Baptista na Freguesia de Santa Clara, a Rua de São João da Praça e a Travessa de São João da Praça (ambos em Santa Maria Maior).

(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Largo de São João Baptista planta

A Rua do olímpico António Martins, o 3º desportista da toponímia de Lisboa

Hoje é o Dia Olímpico e a oportunidade para lembrar a Rua que Lisboa dedica ao atleta olímpico desde 1924, António Martins, o 3º desportista incluído na toponímia alfacinha, tendo o  atleta olímpico Francisco Lázaro sido o primeiro.

O desportista António Martins foi imortalizado em Lisboa na Rua A do projecto aprovado em sessão da Câmara de 15/05/1930, como Rua Dr. António Martins, pelo mesmo edital de 25/02/1932 que determinou que «aos arruamentos constantes do projecto aprovado em sessão de 15 de Maio de 1930, situado entre a Estrada de Benfica, marquês da Fronteira e Estrada de Campolide» fossem dados os nomes da nobelizada Madame Curie (na Avenida B), dos escritores Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida (ruas D e E, respetivamente), do jornalista e professor de literatura Basílio Teles (Rua G) e do primeiro ministro assassinado na Noite Sangrenta, António Granjo (Rua F).

O Dr. António Martins foi o terceiro desportista a ser incluído na toponímia lisboeta, numa artéria da freguesia de São Domingos de Benfica, depois de Francisco Lázaro (edital de 09/12/1924) e, do fundador do Ginásio Clube Português, Luís Monteiro (edital de 19/06/1926), sendo o quarto, também António Martins de nome mas Mestre de esgrima  (edital de 14/03/1932).

António Augusto da Silva Martins (Abrantes/04.04.1892 – 03.10.1930/Lisboa), licenciado em Medicina em 1917, foi mobilizado na I Guerra e tomou parte numa expedição a Moçambique em 1918, tendo ainda representado o Exército Português no concurso de tiro interaliado, em 1919, em Paris. Enquanto médico, António Martins foi assistente de Anatomia e de Cirurgia da Faculdade de Medicina de Lisboa e, a partir de 1928, cirurgião dos hospitais de Lisboa, mantendo em paralelo, um particular interesse pelo desporto.

Ainda estudante de Liceu em Coimbra, iniciou-se na prática de ginástica sueca, natação e atletismo, alcançando em 1906 a vitória numa prova de saltos em altura. Já em Lisboa, ingressou no Clube Internacional de Futebol (CIF), de 1912 a 1924, e dedicou-se às modalidades de natação, esgrima, hipismo e até boxe, embora se tenha especializado no atletismo e no tiro de guerra e de chumbo. Em 1924, foi seleccionado para representar Portugal na prova de lançamento do disco nos Jogos Olímpicos de Paris e coube-lhe transportar a bandeira nacional no desfile inaugural, para além de como atirador de precisão, tanto com espingarda como com pistola, António Martins se ter afirmado como o melhor especialista do País com honrosos resultados e inúmeros triunfos. Nos Jogos Pershing, em França, conquistou os primeiros lugares e nas provas nacionais, somou uma série de vitórias: foi campeão de Portugal com arma de guerra em 1917, 1919, 1920, 1921 e 1925, assim como campeão de pistola de guerra de 1920 a 1928, bem como de pistola livre de 1925 a 1929. Faleceu tragicamente aos 38 anos na Carreira de Tiro de Pedrouços, ao disputar o concurso de Tiro de 1930 promovido pela Federação Portuguesa de Tiro, quando após pousar a carabina sobre o pé direito, a arma se disparou e a bala se alojou no occipital.

António Martins foi pai dos dois clínicos António e Francisco Gentil Martins, bem como do filho não reconhecido António Rosa Casaco.

Rua Doutor António Martins planta

 

Viana da Mota no Dia Europeu da Música

Amanhã, dia 21 de junho, celebra-se o Dia Europeu da Música, ocasião para recordarmos Viana da Mota que desde 1950 dá o seu nome a uma rua da Freguesia de Alvalade, na época uma zona de expansão de Lisboa.

A Rua Viana da Mota, que une a Rua Domingos Bontempo à Rua Carlos Malheiro Dias, foi atribuída por Edital de 14/06/1950 à  Rua 35 A do Sítio de Alvalade, após uma sugestão do vice-presidente da C.M.L. de então, o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, para que fossem homenageadas as seguintes personalidades na toponímia dos arruamentos da célula 4 do Sítio de Alvalade: Alexandre Rey Colaço, Carlos Seixas, Dom Pedro de Cristo, Domingos Bomtempo, Duarte Lobo, Filipe de Magalhães, Frei Manuel Cardoso e Viana da Mota.

Assim, as ruas circundantes à Rua Viana da Mota receberam os compositores Duarte Lobo, Carlos Seixas, Domingos Bontempo, bem como o Mestre da Capela Real  Filipe Magalhães, o compositor carmelita Frei Manuel Cardoso e o compositor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, Dom Pedro de Cristo.

Nascido José Vianna da Motta (São Tomé e Príncipe/22.04.1868 – 01.06.1948/Lisboa), foi um pianista e compositor que estudou no Conservatório de Lisboa, sendo aluno de Freitas Gazul, bem como de piano e composição em Berlim durante 3 anos, patrocinado pelo rei D. Fernando II, sendo no ano seguinte (1885) aluno de Liszt em Weimar.

Durante a Primeira Guerra Mundial saiu da Alemanha e resguardou-se em Genebra, onde dirigiu a classe de piano no Conservatório e, só em 1917 regressou a Portugal, onde se tornou maestro da Orquestra Sinfónica de Lisboa e diretor do Conservatório Nacional de Lisboa, de 1919 a 1938, onde inseriu reformas no ensino da música em parceria com Luís de Freitas Branco, assim como formou gerações de pianistas   e de compositores «para o sentimento da nação», como o seu discípulo Fernando Lopes-Graça. Foi ainda professor de Campos Coelho, Elisa de Sousa Pedroso, Maria Antoinette de Freitas Branco, Maria Helena Sá e Costa ou  Nella Maissa, entre outros.

Ao longo da sua carreira, Viana da Mota percorreu o mundo em concertos por Espanha, Paris, Inglaterra, Itália, Viena de Áustria, Moscovo, Helsínquia, Dinamarca, Estados Unidos da América, Brasil e Argentina, sendo aclamado internacionalmente como intérprete sublime de Liszt, Bach e Beethoven. Também tocou com Enesco, Pablo Casals e Guilhermina Suggia.

Em 1927, foi o primeiro pianista português a tocar em Lisboa as 32 sonatas para piano de Beethoven na mesma série de concertos,  no salão do Conservatório Nacional, assinalando o centenário da morte do compositor.

As suas obras mais famosas são a sinfonia À Pátria (1895), Invocação dos Lusíadas (1897) ou Rapsódias portuguesas (1891-1893). Viana da Mota também publicou regularmente artigos sobre a técnica e interpretação pianísticas e escreveu os livros A Vida de Liszt (1945) e Música e Músicos Alemães (1947), tendo sido reconhecido em 1893  com o título de Comendador de Santiago da Espada.

Rua Viana da Mota na década de 60 do séc. XX (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Viana da Mota na década de 60 do séc. XX
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Rua Viana da Mota

A rua com pó de Paião

Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

Viva o Santo António, viva o São João!
Viva o 10 de Junho e a Restauração!
Viva até São Bento, se nos arranjar!
Muitos feriados para festejar!

é o refrão da Marcha do Pião das Nicas, da autoria de Carlos Paião, que junto com outros seis artistas deu nome aos arruamentos de um bairro da Freguesia do Parque das Nações no ano de 1998.

No ano seguinte, no dia 7 de maio, nasceu oficialmente em cerimónia pública o Bairro do Oriente, para crismar o antigo Bairro dos Retornados  e, a Rua Carlos Paião nascida do Edital de 24/06/1998 tomava o lugar da Rua D do Bairro dos Retornados. As restantes artérias antes designadas também apenas por letras passaram a ostentar nas suas placas toponímicas os nomes do cantor António Variações, dos homens de palco Mário Viegas e Carlos Daniel, do compositor Jaime Mendes, do desenhador Fernando Bento e do Palhaço Luciano.

O médico Carlos Manuel de Marques Paião (Coimbra/01.11.1957 – 26.08.1988/Rio Maior) resolveu dedicar-se em exclusivo à música e a palmilhar este país de lés a lés com êxitos como Play – Back, Pó de Arroz e Cinderela e, produziu mais de meio milhar de cantigas, sendo autor das músicas e das letras.

Em 1978, com 21 anos, já tinha feito mais de duzentas canções e venceu o Festival da Canção do Illiabum Clube, tendo logo em 1981 vencido com uma pontuação estrondosa o Festival RTP da Canção com a sátira Play-Back. Em 1984, para Herman José, compôs todas as músicas e letras de Serafim Saudade, para o programa Hermanias.

Carlos Paião também compôs inúmeras músicas para outros artistas, como Alexandra, Amália, António Mourão, Cândida Branca Flor, Joel Branco, José Alberto Reis, Lenita Gentil, Mísia, Nicolau Breyner, Nuno da Câmara Pereira, Octávio de Matos, Pedro Couceiro, Rodrigo e Vasco Rafael, entre outros.

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Rua Carlos Paião

A Rua da jornalista Helena de Aragão

A jornalista Helena de Aragão dá o seu nome à que era a Rua 18 do Bairro de Santa Cruz de Benfica, desde a publicação do Edital 10/04/1969, com a legenda «Escritora e Jornalista – 1880-1961».

Aliás, este mesmo Edital atribuiu os topónimos do Bairro de Santa Cruz de Benfica correspondendo assim a edilidade a uma solicitação da Junta de Freguesia de Benfica e, dos outros 16 para além da Rua Helena Aragão, foram incluídos mais 7 jornalistas e escritores: Alfredo Pimenta, Artur Portela, Dr. Cunha Seixas, Eduardo Schwalbach, Irene Lisboa, Jaime Brasil e Moreira de Almeida.  A atribuição do nome de Helena Aragão foi pedido por carta pela filha Maria Adelaide Aragão.

De seu nome completo Helena Augusta Teixeira de Aragão Breia (Lisboa/16.07.1880 – 20.02.1961/Lisboa),  também usou o pseudónimo de Agarena de Leão e distingui-se sobretudo como diretora da revista Modas e Bordados desde o ano de 1925.

Helena de Aragão também fundou e dirigiu as revistas Eva e Fémina, assim como a partir de 1933 foi redatora de O Mundo, para além de ter colaborado em vários outros jornais e revistas como o Século da Noite, O Primeiro de Janeiro ou a Ilustração Portuguesa e, foi ainda tradutora da Agência Portuguesa de Revistas.

Em termos literário cultivou a poesia, a ficção e a literatura infantil, sendo de destacar os contos Sombras e Claridades, o romance A Filha do Menino ou a obra infantil Travessuras.

Rua Helena de Aragão