O Aqueduto das Águas Livres em 3 topónimos lisboetas

O Aqueduto das Águas Livres cerca de 1912
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Aqueduto das Águas Livres erguido entre 1732 a 1748 para melhorar o abastecimento de água a Lisboa, por ordem de D. João V, deu origem a 3 topónimos lisboetas no decorrer do século XX, sendo por ordem cronológica a Travessa das Águas Livres (1911), a Praça das Águas Livres (1948 e 1986) e a Rua do Aqueduto das Águas Livres (1990).

A Travessa das Águas Livres quando ainda era Travessa das Bruxas, em 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Travessa das Águas Livres que liga a Rua das Amoreiras à Praça das Amoreiras, hoje sob administração da Freguesia de Santo António, por deliberação de câmara de 3 de agosto de 1911 e consequente Edital  municipal de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo escolhido para substituir a denominação existente de Travessa das Bruxas às Amoreiras. Refira-se que esta nova designação se fazia por referência de proximidade à Rua dos Arcos das Águas Livres que até 1920 era o nome da Rua das Amoreiras, onde aliás se encontra  o arco triunfal que celebrou a entrada das águas do Aqueduto na cidade de Lisboa.

A Praça das Águas Livres em 1959
(Foto: Fernando Manuel de Jesus Matias, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça das Águas Livres, hoje parte da Freguesia de Campo de Ourique, foi o nome atribuído à praça situada no extremo oriental da Rua D às Amoreiras, por Edital municipal de 18 de junho de 1948 e assim se manteve por 33 anos. No entanto, sendo este o espaço onde o Ginásio Clube Português fez a sua sede passou então esta artéria a designar-se Praça Ginásio Clube Português, pelo Edital municipal de 10 de agosto de 1981. Cinco anos depois, o Edital de 3 de novembro de 1986 resolveu criar duas praças da seguinte forma: o troço da Praça Ginásio Clube Português constituído pela antiga Praça das Águas Livres passou a constituir novamente um arruamento distinto, com a antiga denominação de Praça das Águas Livres, mantendo o restante troço a denominação de Praça Ginásio Clube Português.

Rua do Aqueduto das Águas Livres – Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por último, temos a Rua do Aqueduto das Águas Livres, no Bairro do Alto da Serafina, na Freguesia de Campolide. Pelo Edital de 15 de março de 1950 foi dada toponímica numérica no Bairro do Alto da Serafina e a outros Bairros Sociais da cidade, sendo então este arruamento a Rua 19. No final de 1989, o Edital de 28 de dezembro, denominou-a como Rua dos Ardinas, sendo alterados os restantes topónimos do Bairro, o que gerou protestos da população residente, pelo que com mediação da  Junta de Freguesia de Campolide e da Comissão de Moradores do Bairro foi possível chegar a um acordo para nova toponímia, desta feita relacionada com a época da construção do Aqueduto das Águas Livres ou instituições com uma forte ligação ao Bairro, que a Câmara fixou através do Edital de 14 de dezembro de 1990 e desde aí é a Rua do Aqueduto das Águas Livres.

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A Praça das Indústrias e a Praça dos Congressos em Alcântara

Praça das Indústrias – Freguesia de Alcântara

No espaço fronteiro do Centro de Congressos dos dias de hoje está desde 1961 a Praça das Indústrias, já que esses edifícios foram a FIL-Feira Industrial de Lisboa, construída em 1957, de acordo com o projeto dos arquitetos F. Keil do Amaral, Alberto José Pessoa e Hernâni Gandra, uma obra promovida pela AIP – Associação Industrial Portuguesa.

O topónimo Praça das Indústrias foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através do Edital municipal nº 109/61, de 16 de junho de 1961, à «praça em frente ao Pavilhão das Indústrias» como regista o Edital.

Entretanto, a Feira Internacional de Lisboa (FIL) mudou-se para terrenos do Parque das Nações em 1999, para ocupar um maior superfície, num total de 100.000 m2 ou seja, o equivalente a 11 campos de futebol.

O espaço da Junqueira foi remodelado e ampliado passando a ser o Centro de Congressos de Lisboa  e assim, o espaço público nas traseiras desse Centro de Congressos, na  confluência da Avenida da Índia com a Rua da Junqueira, passou a ser a Praça dos Congressos, em resultado da deliberação de câmara de 11 de abril de 2007 e Edital municipal de 3 de maio do mesmo ano.

Foi deste modo que a edilidade lisboeta correspondeu favoravelmente a uma solicitação da Associação Parque Junqueira, associação sem fins lucrativos composta pela própria Câmara Municipal de Lisboa e a AIP – Associação Industrial Portuguesa, proprietária do Centro de Congressos de Lisboa.

Freguesia de Alcântara (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rotunda e a Praça Marquês de Pombal

Freguesia de Santo António
(Foto: Rui Mendes)

A Praça Marquês de Pombal está assim oficialmente denominada desde há 135 anos, ou seja, desde 1882, embora popularmente seja  ainda hoje conhecida como Rotunda, tanto pela sua configuração pouco comum na época, como por esta denominação ter sido reforçada na memória dos lisboetas pelo nome da estação de Metropolitano de Lisboa, que durou de 1959 até 1998.

A Praça Marquês de Pombal é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa/13.05.1699 – 08.05.1782/Pombal), o estadista que coordenou a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755,  feita no século seguinte pela  deliberação de câmara de 6 de maio de 1882, ou seja, na data do centenário do falecimento do Marquês e quase no dia do 183º aniversário do seu nascimento. O espaço escolhido foi a confluência da Avenida da Liberdade com a Rua Fontes (hoje, Avenida Fontes Pereira de Melo) e o Parque da Avenida da Liberdade (hoje,  Parque Eduardo VII), ou seja, no topo da Baixa lisboeta reconstruída. Quatro anos depois, conforme documento de 2 de novembro de 1886 a Câmara ainda estava a negociar com diversos proprietários os preços das expropriações para completar a execução da Praça Marquês de Pombal.

Já o nome popular de Rotunda a individualizava por então as Rotundas serem pouco frequentes, por ter sido o local de concentração dos Republicanos no 5 de Outubro de 1910 e por ter sido o nome da estação do Metropolitano de Lisboa neste local, inaugurada em 29 de dezembro de 1959, e na qual confluíam ambos os troços do então novo sistema de transporte, quer Sete Rios-Restauradores quer Entrecampos- Restauradores; só a partir de 1998, a estação, já com duas linhas diferentes, passou a denominar-se Marquês de Pombal.

No dia do 235º aniversário de nascimento do Marquês de Pombal ( 13 de Maio de 1934), graças a uma subscrição pública, foi inaugurada no centro da Praça Marquês de Pombal um monumento em sua honra onde a figura feminina simboliza a Lisboa reconstruída. Esta obra resultou do traçado dos arquitetos Adães Bermudes e António do Couto bem como da escultura de Francisco dos Santos, Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo e a Praça símbolos do poder municipal

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Pelourinho do séc. XVIII , posterior ao Terramoto, passou no final do séc. XIX a ser a Praça do Município mas ambos os topónimos simbolizam o poder municipal e se o topónimo oficial é o segundo  certo é também que o primeiro  ainda sobrevive na linguagem vulgar para designar o espaço.

O olisipógrafo Norberto de Araújo esclarece até que «Pelourinho era um símbolo da autonomia municipal; onde ele estava – estava o Senado ou suas casas. Tinha uma significação de justiça aplicada nas execuções, mas só queremos vê-lo apenas na sua representação de autoridade municipalista e não na sua expressão fatídica.»

Já nas descrições paroquiais anteriores ao terramoto de 1755 surge o Largo do Pelourinho na freguesia de Santa Madalena para passar a Praça do Pelourinho no Atlas de Filipe Folque de 1856 e  voltando a ser designado Largo do Pelourinho nos livros da despesa e da receita para a reedificação dos Paços do Concelho entre 1866 a 1880, nos orçamentos para construção de passeios no arruamento em fevereiro de 1875, bem como no levantamento topográfico de Francisco e César Goullard de 1879 a 1881 ou no requerimento de Pinto Magalhães e Companhia a  pedir a concessão de licença para colocação de mosaicos nacionais nos passeios do Largo do Pelourinho, à semelhança da concessão feita para os passeios da Rua da Conceição.

E em 1886, o Edital camarário de 24 de março torna o Largo do Pelourinho em Praça do Município, marcando a localização dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa. Ainda segundo Norberto Araújo «Entre 1770 e 1774 construiu-se nesta Praça, que a reedificação da Cidade tornou possível, um edifício para a Câmara Municipal, (…). A Câmara ocupava apenas uma parte do “seu” Palácio – pois para a câmara fora destinado, havendo-se instalado no edifício a Junta do Crédito Público, o Banco de Lisboa (1822), convertido em Banco de Portugal em 1846, a Administração do Contrato do Tabaco, a Companhia das Lezírias, a Companhia Fidelidade, etc. Também parte do edifício (de 1795 a 1807) serviu de habitação a D. Maria I, e à família real, após o incêndio do Paço (Velho) da Ajuda. Na noite de 19 para 20 de Novembro de 1863 rebentou um terrível incêndio, que durou oito dias – dos maiores que Lisboa tem visto – e reduziu tudo a cinzas. (…) O arquitecto Domingos Parente da Silva foi encarregado do risco, e as obras começaram em 29 de Outubro de 1866, só se concluindo em 1875.  Alterado várias vezes no plano inicial, o edifício da Câmara de Lisboa é este que aqui se ostenta na Praça do Município».

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça de Moscavide e a Praça José Queirós

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais 
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1973 que a Praça  na confluência das Avenidas Infante D. Henrique, Dr. Francisco Luís Gomes e Dr. Alfredo Bensaúde se denomina oficialmente Praça José Queirós  mas a sua denominação vulgar de Praça de Moscavide ainda não se perdeu totalmente.

A Praça de Moscavide nasceu no final da década de trinta do séc. XX.  Datado de 1938  encontramos no Arquivo Municipal o projeto de construção de um novo arruamento entre o Aeroporto e Moscavide, com início na saída de Lisboa entre a Portela e a Encarnação para terminar no nó que será a Praça de Moscavide e mais tarde, em 1941, sabemos que já está executada porque a adjudicação do 2º troço da Avenida Infante D. Henrique refere-o entre o Poço do Bispo e a Praça de Moscavide. A Praça de Moscavide é também dada como referência de limites para o estudo da urbanização da célula A da zona de Olivais Norte de 1959-1960.

A Praça de Moscavide, como era vulgarmente conhecida, passou a ter a denominação oficial de Praça José Queirós pelo Edital de 15 de fevereiro de 1973 mas um contrato de 27 de julho desse ano referia que era para a instalação de um « posto abastecedor de combustíveis líquidos, sito na Praça de Moscavide, actualmente denominada Praça José de Queirós.»

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Hoje a Praça José Queirós é território das Freguesias dos Olivais e do Parque das Nações. Desde 1973 homenageia o pintor José Queirós (Lisboa/13.07.1856 – 31.07.1920),  discípulo de Columbano e de Malhoa que também se tornou um especialista de cerâmica portuguesa. Foi um dos fundadores do Grémio Artístico que viria a originar a Sociedade Nacional das Belas Artes, membro da Sociedade Promotoras de Belas Artes em Portugal (1873 a 1887) e da secção de Arqueologia lisbonense da Associação de Arqueólogos Portugueses, a  que presidiu de 1920 a 1925 e ainda, conservador do Museu  Nacional da Arte Antiga em 1911.

Refira-se que já 41 anos antes, pelo Edital municipal de 19 de abril de 1932,  o nome de José Queirós havia sido dado à Rua B do Casal de Sete Rios, arruamento constante do projeto de melhoramentos para o Casal de Sete Rios, aprovado na sessão de  Câmara de 1 de novembro de 1928 mas que foi um arruamento que nunca saiu do papel e foi executado.

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A antiga Praça do Areeiro e Francisco Sá Carneiro

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1982 que a Praça do Areeiro – cerca de um ano e meio após a trágica morte de Francisco de Sá Carneiro – se denomina oficialmente Praça Francisco Sá Carneiro, embora a maioria da população a continue a designar pelo antigo topónimo fixado em 1947, a ponto de a Comissão Municipal de Toponímia no seu parecer de 11 de novembro de 1994 ter aditado à legenda  deste topónimo «Antiga Praça do Areeiro».

Cronologicamente, o Edital municipal de 17/02/1947 instituiu que «a via pública situada no término da Avenida Almirante Reis, conhecida por Praça do Areeiro, toma a referida denominação», sendo o topónimo derivado da antiga Quinta do Areeiro que Júlio Silva Pinto ainda em 1908 representava na sua planta de Lisboa.  Após a morte do então Primeiro-Ministro, Francisco Sá Carneiro, em 4 de dezembro de 1980 a deliberação camarária de 22 de dezembro de 1980 e o consequente Edital municipal de 5 de abril de 1982 alteraram a denominação Praça do Areeiro para Praça Francisco Sá Carneiro, cuja legenda é desde 1994 a seguinte: «1934 – 1980/Antiga Praça do Areeiro».

No seguimento das dramáticas mortes de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que na época eram o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa, foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980 uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática  para serem atribuídos os seus nomes a ruas de Lisboa. A Comissão Municipal de Toponímia sugeriu para o efeito, em 13 de janeiro de 1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar o local sugerido pelo então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira, que mudou a antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro e o antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa.  Em 19 de julho de 1991, data do 57º aniversário de nascimento de Francisco Sá Carneiro, foi inaugurado na praça como o nome deste político um monumento em sua homenagem, da autoria de Mestre Soares Branco, conseguido através de subscrição pública lançada pelo jornal O Dia .

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro (Porto/19.07.1934 – 04.12.1980/Camarate), advogado que se empenhou com paixão numa carreira política, foi fundador e o primeiro Secretário Geral do PPD (Partido Popular Democrático) em maio de 1974. Em 1979, o já então denominado PSD (Partido Social Democrata), por coligação com o CDS e o PPM, formaram a AD (Aliança Democrática) que através das eleições legislativas intercalares alcançou o governo do qual Sá Carneiro foi primeiro-ministro (o VI Governo Constitucional) até falecer, com 46 anos, vítima de um controverso acidente aéreo.

Formado em Direito pela Universidade de Lisboa em julho de 1956, Francisco Sá Carneiro exerceu advocacia no Porto e dirigiu a  Revista dos Tribunais a partir de 1961. Viveu por muitos anos em Lisboa, na Rua Dom João V, já que nos anos do fim do marcelismo, de 1969 a 1973,  foi deputado independente da chamada Ala Liberal, propondo com o deputado Pinto Balsemão uma Lei de Imprensa que reduzia a Censura (1970), assim como uma revisão constitucional (1970) num projeto conjunto com Mota Amaral, acabando mesmo por se confessar social-democrata e renunciar ao cargo de deputado em 26 de janeiro de 1973. Após o 25 de Abril foi ministro sem pasta no I Governo Provisório de Adelino da Palma Carlos, deputado à Assembleia Constituinte e depois na Assembleia da República, sendo o líder da bancada parlamentar do PPD/PSD.

A título póstumo foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), da Ordem Militar da Torre e Espada (1986) e da Ordem da Liberdade (1990), bem como com uma Sessão Solene de homenagem na Assembleia da República(1990), a Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados (2006) e a Ordem do Infante D. Henrique (2017), para além de o seu nome ter sido dado ao Aeroporto Internacional da sua cidade natal (1990).

A Praça do Areeiro nos anos 40 do séc. XX
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Rossio e o Dom Pedro

O Rossio no século XVI

Rossio é sinónimo de um espaço largo para fruição e convívio da população pelo que não se estranha que ainda hoje a Praça Dom Pedro IV seja conhecida como Rossio.

De acordo com José Pedro MachadoRossio é o «nome próprio dado a vários campos ou largos citadinos de Portugal, antigamente – como, por exemplo, ainda hoje, o de Évora –, fora das muralhas ou cerca urbana; neles se realizavam, e ainda realizam, feiras; o mesmo se deu com o Rossio (Praça D. Pedro IV) de Lisboa. Primitivamente, depois do terreno desbastado e preparado, serviam os rossios para semeadura de cereais, para hortas ou para pastagem de gados da comunidade. Assim se tornaram pontos de reunião dos moradores e centros comerciais. » Por isto, um pouco por tudo o país encontramos Rossios de que são ainda hoje exemplo os Largos do Rossio na Aguieira, em Aveiro,  na Gafanha da Nazaré, na Guia de Leiria, em Lagos, Mangualde, Mem Martins ou São João das Lampas do concelho de Sintra, para além da povoação Rossio ao Sul do Tejo do concelho de Abrantes. Em Lisboa também ainda temos hoje o antigo Rossio de Palma na freguesia de São Domingos de Benfica e por herança da Expo 98 ficaram o Rossio dos Olivais e o Rossio do Levante, na freguesia do Parque das Nações.

Rossio foi também a denominação original desta artéria lisboeta hoje contida na confluência da Rua da Betesga, Rua Augusta, Rua dos Sapateiros, Rua Áurea, Calçada do Carmo, Rua do Amparo e Praça Dom João da Câmara. Em 1419 já aparece referida numa postura em que o corregedor, os vereadores, o procurador e os homens bons da cidade de Lisboa proíbem o lançamento de esterco, terras e outras sujidades no Rossio da cidade. No séc. XVIII o espaço  já surge denominado como Praça do Rossio até que há pouco mais de 180 anos, por decreto governamental de 31 de outubro de 1836, passou a designar-se Praça de Dom Pedro, denominação que o Edital municipal de 26 de março de 1971 alterou para Praça Dom Pedro IV para evitar equívocos e que a Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 19 de março de 1971 esclarece «Que a nomenclatura da Praça de D. Pedro seja alterada para: Praça de D. Pedro IV», pelo simples motivo de «Já que assim consta dos letreiros ali afixados há longo tempo e ainda porque dessa forma melhor se identifica a figura histórica homenageada».

Este Rei  também surge na toponímia de Felgueiras, Queluz e Valongo como D. Pedro IV enquanto no Brasil aparece como D. Pedro I na toponímia da Baía, de Goiânia, Minas Gerais, Paraíba ou Rio de Janeiro o que não se estranha já que reinou em ambos os países.  O homenageado é D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, que recebeu os cognomes de O Libertador e Rei Soldado, de seu nome completo Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de Bragança e Bourbon (Palácio de Queluz/12.10.1798 – 14.09.1834/Queluz), filho de D. João VI e da sua esposa, D. Carlota Joaquina. Tendo a coroa portuguesa fugido das invasões francesas residiu no Brasil entre 1807 e 1831. Por força da Revolução Liberal de 1820 no Porto os seus pais regressaram a Portugal e foi nomeado regente em 1821. No ano seguinte, declarou a independência do Brasil, face ao domínio português. Assim, foi D. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, no período de 7 de setembro de 1822 (O grito do Ipiranga) a 7 de abril de 1831, ano em que abdicou para assumir a coroa portuguesa, como D. Pedro IV, em defesa dos direitos da sua filha, D. Maria da Glória, que virá a ser a rainha D. Maria II (Rio de Janeiro/04.04.1819 – 15.11.1853/Lisboa), e que significativamente dá nome ao Teatro instalado na Praça D. Pedro IV, tendo este aberto as suas portas em 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27.º aniversário da rainha D. Maria II.

Praça Dom Pedro IV hoje (Freguesia de Santa Maria Maior)