A Praça Sócrates da Costa no Beato

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Na freguesia do Beato está a Praça Sócrates da Costa que homenageia o licenciado em Direito que também foi professor liceal, consagrado com a legenda «Figura de relevo da Índia Portuguesa/1898 – 1959» desde janeiro de 1960.

Foi pelo Edital municipal de 2 de janeiro de 1960 que a Praceta I à Calçada do Carrascal passou a ter a denominação de Praça Sócrates da Costa, em homenagem a Jerónimo Salvador Constantino Sócrates da Costa (Margão – Índia/28.03.1898 – 10.11.1959/?), licenciado em Direito que prosseguiu uma carreira profissional como professor do ensino secundário, notário e subdelegado do Procurador da República da Comarca de Caminha e, após se ter fixado na Índia, como notário da Comarca de Goa.

Na política, ocupou os cargos de  Vogal da Comissão Distrital da União Nacional de Viana do Castelo, Presidente da Comissão Provincial da União Nacional da Índia, Comissário Colonial e Comissário Nacional Adjunto da Mocidade Portuguesa da Índia, Presidente da Câmara Municipal de Goa, e deputado parlamentar da Índia nas V (1949-1953), VI (1953-1957) e VII Legislaturas (1957-1961).

Deixou publicações várias como a da sua Conferência no Instituto Vasco da Gama intitulada «O Estado Novo e a Constituição Política da República Portuguesa» (1940), «Goa na História da Civilização» (1947) editada pela Repartição Central de Estatística e Informação de Goa ou a obra que compila os seus discursos proferidos enquanto deputado da então Índia portuguesa na Assembleia Nacional – «Índia: discursos proferidos na Assembleia Nacional em 1 de Março de 1950» -, publicada pela União Nacional.

Foi casado com Maria Adosinda Guimarães Mendes, a quem o Decreto-Lei  43970 ( de 19/10/1961) atribuiu uma pensão mensal vitalícia de 5 mil escudos.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Anúncios

A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do fundador do Escutismo, Baden Powell

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O militar inglês que em 1908 criou o Escutismo, está homenageado na Praça Baden Powell, na freguesia dos Olivais, desde 1992.

A Junta de Freguesia dos Olivais patrocinou uma sugestão do Corpo Nacional de Escutas no sentido de ser atribuído o nome de Baden Powell à rotunda da Avenida de Berlim, a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável e assim o Edital municipal de 12/10/1992 fixou a Praça Baden Powell na rotunda situada na confluência da Avenida de Berlim com a Avenida Cidade de Luanda, com a legenda «Fundador do Escutismo/1857 – 1941».

Robert Stephenson Smyth Baden Powell (Londres/22.02.1857 – 08.01.1941/Quénia) foi um general inglês que em 1908 fundou os Boy Scouts, conhecidos como escoteiros, e dois anos depois criou também as  Girl Guides, conhecidas como guias. A sua experiência adquirida nos anos na África do Sul, nomeadamente entre a tribo dos Zulus, serviu-lhe  para desenvolver métodos que aplicou no treino dado a novos recrutas militares, procurando levá-los a pensar com independência e a usar a iniciativa própria para sobreviver em regiões remotas e foram estes mesmos métodos que posteriormente adaptou à formação dos escoteiros. De acordo com as suas própria palavras «o Escutismo tem como objectivo a formação do homem, normal, intelectual e fisicamente perfeito através de um método de educação de carácter pelo desenvolvimento das virtudes cívicas».

Na sua carreira militar, Baden Powell serviu na Índia, Afeganistão e África do Sul, tendo conseguido o estatuto de herói inglês depois de um regimento sob o seu comando ter resistido a um cerco de mais de 200 dias (na passagem de 1899 para 1900), na África do Sul. Escreveu também vários livros, sobretudo para formar escoteiros e foi agraciado com o Baronato (1922) e o Pariato (1929).

Em Portugal, o Escutismo iniciou-se em 1911 no território de Macau e os seus impulsionadores ao regressar ao país fundaram em 1913 a Associação dos Escoteiros de Portugal. Dez anos mais tarde, em 1923, na cidade de Braga, foi também fundado o Corpo Nacional de Escutas (Escutismo Católico Português).

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Praça do patrono dos animais e do meio ambiente, São Francisco de Assis

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O italiano São Francisco de Assis,  santo patrono dos animais e do meio ambiente, está homenageado numa Praça da Freguesia de Carnide, na confluência da Avenida das Nações Unidas, Rua Padre Américo e Estrada do Paço do Lumiar, desde a publicação do Edital Municipal de 28/02/2000, através do qual a Câmara Municipal de Lisboa respondeu favoravelmente ao pedido formulado pelo Seminário da Luz.

São Francisco de Assis nasceu Giovanni di Pietro Bernardone (Assis/05.07.1182 -03.10.1226/Assis) e distinguiu-se por após uma juventude mundana de extravagâncias se ter alistado na guerra de Assis contra Peruggia, para depois integrar o exército papal, ter tentado ser comerciante como seu pai e ainda, ter sido pedreiro na reconstrução de diversas igrejas, para encontrar como razão da sua vida a fundação da Ordem dos Franciscanos, ou Ordem Terceira, uma ordem mendicante virada para uma vida religiosa de completa pobreza, que se pautava por os seus frades não possuírem nada além do absolutamente indispensável, ganharem o seu sustento diariamente pelo trabalho manual e só quando não conseguissem poderiam pedir esmola. O exemplo dos franciscanos renovou o Catolicismo dessa época, por ao imitarem a vida de Cristo desenvolverem uma profunda identificação com os problemas dos seus semelhantes, a ponto de São Francisco de Assis ser canonizado menos de dois anos após falecer, em 16 de julho de 1228, sendo o santo patrono dos animais e do meio ambiente, com o seu dia assinalado a 4 de outubro.

Freguesia de Carnide – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Em Portugal, os franciscanos estabeleceram-se  por volta de 1217, estando entre os seus primeiros conventos o de Santo Antão dos Olivais, em Coimbra, que após a canonização de Santo António passou a ser Santo António dos Olivais, por ter sido ali que esse santo português vestiu o hábito franciscano.  A população de Lisboa também desde 1217 se tornou devota de São Francisco de Assis, tendo a  presença dos franciscanos nesta cidade sido uma constante. Primeiro, estabeleceram-se no Chiado, onde a Calçada Nova de São Francisco ainda guarda a memória do enorme convento conhecido como Cidade de São Francisco, que se estendia da Rua Capelo ao Largo da Academia Nacional de Belas Artes e da Rua Ivens à Rua Serpa Pinto.  Foi destruído pelo Terramoto de 1755 e os franciscanos refugiram-se na Quinta dos Padres Quentais onde também ficou registado na toponímia o Alto de São Francisco. A partir de 29 de junho de 1940, os franciscanos instalaram-se na propriedade com casa apalaçada, parque e terras de cultivo que lhes foi vendida pelo Sr. Eduardo May de Oliveira, junto ao Largo da Luz, muito próximo da qual está a Praça de São Francisco de Assis.

Refira-se que em 1999, São Francisco de Assis foi eleito pelos leitores de uma revista de relevância internacional – a Times – a pessoa do 2º milénio, como arauto da paz, estratega da tolerância e patrono da ecologia.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

O Príncipe dos Poetas Brasileiros numa Praça de Arroios

A Praça Olegário Mariano em 1964
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça Olegário Mariano foi um topónimo sugerido à edilidade lisboeta pelo Diário de Notícias, na sua edição de 15 de dezembro de 1958, para homenagear o poeta brasileiro que vinte anos antes fora eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, igualmente conhecido como Poeta das Cigarras e como João da Avenida, enquanto cronista.

O Edital municipal de 4 de maio de 1959 colocou o topónimo na artéria até aí era identificada como Praceta da Rua Pascoal de Melo, cinco anos após o homenageado deixar de ser o embaixador do Brasil em Portugal.

Óleo sobre tela de 1928, por Candido Portinari, na Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Recife/24.03.1889- 28.11.1958/Rio de Janeiro) foi um poeta, político e diplomata brasileiro que em 1938 foi eleito, num  concurso promovido pela revista Fon-Fon,  como Príncipe dos Poetas Brasileiros. Inicialmente parnasianista e simbolista, iniciou a sua vida literária aos 22 anos com Angelus, publicado em 1911. Depois, nos 23 livros seguintes adquiriu uma tendência intimista e ficou conhecido como o Poeta das Cigarras  por serem um de seus temas favoritos. Além da obra poética editada em livros a partir de 1911, e enfeixada nos dois volumes de Toda uma vida de poesia (1957), Olegário Mariano também publicou sob o pseudónimo de João da Avenida, durante anos, nas revistas Careta e Para Todos,  crónicas mundanas em versos humorísticos que mais tarde foram reunidas em dois livros sob os títulos Ba-ta-clan (1924) e Vida, caixa de brinquedos (1937). Em 23 de dezembro de 1926 sucedeu a Mário de Alencar na cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

Nascido no mesmo ano da Proclamação da República (1889), filho de Olegária Carneiro da Cunha e de José Mariano Carneiro da Cunha, ambos heróis pernambucanos da Abolição da Escravatura e da República, também Olegário Mariano se sentiu motivado pela política tendo sido deputado à Assembleia Constituinte de 1934 e em 1937 à Câmara dos Deputados.

A sua ligação a Portugal começou em 1940, como ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, seguida da sua nomeação como delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadémica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945 e finalmente, foi o embaixador do Brasil em Portugal nos anos de 1953 e 1954.

Na sua carreira desempenhou ainda as funções de inspetor do ensino secundário e censor de Teatro, de secretário de embaixada na Bolívia, de tabelião de  notas e oficial do 4.° Ofício de Registro de Imóveis do Rio de Janeiro.

E resta-nos deixar um poema do seu tema predileto:

Cigarra

Figurinha de outono!
Teu vulto é leve, é sensitivo,
Um misto de andorinha e bogari.
Num triste acento de abandono,
A tua voz lembra o motivo
De uma canção que um dia ouvi.

Quando te expões ao sol, o sol te impele
Para o rumor, para o bulício e tu, sorrindo,
Vibras como uma corda de guitarra…
É que o sol, quando queima a tua pele,
Dá-te o grande desejo boêmio e lindo
De ser flor, de ser pássaro ou cigarra

Cigarra cor de mel. Extraordinária!
Cigarra! Quem me dera
Que eu fosse um velho cedro adusto e bronco,
E tu, nessa alegria tumultuária,
Viesses pousar sobre o meu tronco
Ainda tonta do sol da primavera.

Terias glórias vegetais sendo vivente.
Mas um dia de lívidos palores,
Tu, cigarra, que vieste não sei donde,

Morrerias de fome lentamente
No teu leito de liquens e de flores
No aconchego sutil da minha fronde.

E eu, na dor de perder-te, no abandono,
Sem ter roubado dessa mocidade,
Do teu corpo de flor um perfume sequer,
Morreria de tédio e de saudade…
Figurinha de Outono!
Cigarra que o destino fez mulher!

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

O inventor da pasteurização na Praça Pasteur, no Areeiro

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Louis Pasteur, o cientista francês que inventou a pasteurização em 1864, para responder a um pedido de vinicultores e cervejeiros franceses, está desde 1948 na toponímia do Areeiro, através da Praça Pasteur,  junto à Avenida de Paris.

Após a Exposição do Mundo Português em Belém, em 1940, Lisboa procurou continuar a afirmar-se como grande cidade para o resto do país e como cidade cosmopolita para o resto do mundo. Recorde-se que Portugal apresentara a sua candidatura a membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1946 e foi logo recusada, situação que se repetiu todos os anos até 1955. Em 1948, o Edital municipal de 29 de julho  foi uma tentativa de tornar a capital mais portuguesa mais cosmopolita, através da atribuição na novel urbanização do Areeiro de doze topónimos, todos ligados a personalidades de cariz internacional ou a cidades europeias e brasileiras, com os nomes dos cientistas europeus Pasteur e Marconi, do inventor americano Edison, dos escritores Cervantes e  Vítor HugoAfrânio Peixoto e João do Rio (um espanhol, um francês e dois brasileiros), a que somou Avenidas para MadridParis e Rio de Janeiro, uma praça para Londres, para além da Avenida João XXI que homenageia o único Papa português.

Os nomes dos franceses Pasteur e Vítor Hugo  foram sugeridos à edilidade por  carta de um munícipe datada de 8 de abril desse ano de 1948.

(Foto: Félix Nadar)

Louis Pasteur (Dôle/27.12.1822 – 28.09.1895/St. Cloud) foi um cientista químico francês que se tornou universal por  ter inventado em 1864 o processo de pasteurização quando começou a investigar a razão pela qual azedavam os vinhos e a cerveja, a pedido dos vinicultores e cervejeiros locais.

Este avanço científico permitiu que diversos produtos, como  o leite, pudessem ser transportados sem sofrerem decomposição, conservando a sua qualidade. A invenção deste método de conservação, revelou-se também uma medida higiénica fundamental para preservar a saúde dos consumidores. Pasteur foi também considerado o  pai da microbiologia,   já que também desenvolveu as bases da assepsia e antissepsia em medicina e cirurgia. Em 1865, em Inglaterra, o cirurgião Joseph Lister aplicou os conhecimentos de Pasteur para eliminar os micro-organismos vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Em 1871, o próprio Pasteur obrigou os médicos dos hospitais militares a ferver os instrumentos que seriam utilizados nos procedimentos médicos.

São ainda de destacar do percurso de cientista de Pasteur a descoberta de uma nova classe de substâncias isómeras e do estabelecimento da teoria dos genes (1848); a descoberta da doença dos bichos da seda que permitiu salvar esta indústria (1865); um estudo sobre a fermentação que revolucionou a produção das substâncias alcoólicas (1872); os estudos do carbúnculo dos gados (1877) e da cólera aviária (1880); a descoberta da vacina contra a raiva (1885) que permitiu reduzir a mortalidade e a fundação do Instituto Pasteur em 1888,  em Paris, um dos mais famosos centros de investigação até aos nossos dias e  sob o qual está enterrado.

Exerceu ainda o cargo de professor de química em Dijon e Estraburgo tendo sido em 1854 nomeado decano da Faculdade de Ciências da Universidade de Lille.

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

A Praça da Constituição de 1976

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC)

A Praça da Constituição de 1976, homenageia a lei suprema do país que pela alínea 2) do Artº 24º  aboliu, para todos os crimes, a pena de morte em Portugal, justamente definida num triângulo junto à Assembleia da República que a aprovou em 2 de abril de 1976.

Portugal foi o primeiro Estado soberano da Europa a abolir a pena de morte para os crimes civis em 1 de julho de 1867. No nosso país, a pena de morte foi abolida  sucessivamente:  em 1852, para os crimes políticos; em 1867, para os crimes civis;   e com a República, em 16 de março de 1911, para todos os crimes, incluindo os militares.  Só que devido à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, em 1916, pelo decreto nº 2867 de 30 de novembro, foi reposta a pena de morte para os crimes militares  «no caso de guerra com país estrangeiro e apenas no teatro da guerra» e tal disposição  só terminou com a Constituição de 1976, quando esta determina a abolição da pena de morte para todos os crimes, assim como a proibição da extradição de pessoas que no seu país possam ser condenadas com pena de morte pelo crime que cometeram.

Quarenta anos passados sobre a aprovação deste marco histórico que é a Constituição Portuguesa, em 2 de abril de 1976, pela Assembleia Constituinte eleita na sequência das primeiras eleições gerais livres no país em 25 de abril de 1975, no 1.º aniversário da Revolução dos Cravos, a edilidade também se associou à efeméride. Em 10 de outubro de 2016 a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável a este topónimo sugerido pela  Moção nº8 apresentada pelos Vereadores do PCP, tendo a  Vereadora Catarina Vaz Pinto feito proposta que foi  aprovada por maioria na sessão de câmara de 22 de junho de 2017, a partir da qual foi publicado o Edital nº 63/2017, de 17/07/2017, que fixa  na Freguesia da Estrela, a Praça da Constituição de 1976, na antiga Praça de São Bento, junto ao edifício novo da Assembleia da República, para assinalar o compromisso histórico entre as diversas forças políticas que constituíam a Assembleia Constituinte de 1976 do qual nasceu uma Constituição de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que entrou em vigor no dia 25 de abril de 1976.

Esta Constituição Portuguesa que é marcante na defesa dos Direitos Humanos em Portugal em todo o seu articulado, e assenta o básico Princípio da igualdade no seu Artigo 13.º – 1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. ; 2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. –  já por diversas vezes foi celebrada através da toponímia no nosso país.

Assim, com a data da sua aprovação –  2 de Abril – existem Ruas nos concelhos de  Alcácer do Sal, Anadia, Alpiarça, Évora, Odivelas, Palmela, Sesimbra, Viana do Castelo e Vila Franca de Xira. Torres Vedras tem um Largo 2 de Abril em Runa. E Sesimbra repete o topónimo também num Largo, assim com Évora e Odivelas o fazem em Travessas. Ponte de Sor tem uma Rua da Constituição de 2 de Abril de 1976 e em Foros de Arrão uma Rua da Constituição de 2 de Abril.  Já Castro Verde e Sines possuem uma Rua da Constituição de 1976 e a  Damaia, no concelho da Amadora, tem uma Praceta da Constituição de 1976. Lousada tem uma Rua Constituição da República e Vila Viçosa faz remontar o topónimo à primeira Assembleia Constituinte designando-a Rua Constituição de Abril 1975.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC)

A Praça Carlos Fabião, militar de Abril

Carlos Fabião falando às tropas em parada no Regimento de Comandos, em 3 de fevereiro de 1975                                                                                                              (Foto: Associação 25 Abril)

Carlos Fabião foi um militar de Abril, daquela geração de militares que teve o mérito de conseguir ajustar contas com a história e desempenhar um importante papel na constituição de um Portugal democrático, estando assim consagrado numa praça lisboeta muito próxima da Avenida das Forças Armadas, também ela uma homenagem aos Capitães de Abril.

Dez anos após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 07/04/2016, a edilidade lisboeta perpetuou o nome de Carlos Fabião na Praça Projetada à Avenida das Forças Armadas (Loteamento EPUL), delimitada entre a Rua da Cruz Vermelha e as Ruas Mário Cesariny e Adriano Correia de Oliveira, com a legenda «Militar de Abril/1930 – 2006».

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo II (Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

Carlos Alberto Idães Soares Fabião (Lisboa/09.12.1930 – 02.04.2006/Lisboa) que nasceu lisboeta no Bairro da Graça, foi o último Governador da Guiné, nomeado pela Junta de Salvação Nacional após o 25 de Abril e, até 10 de setembro de 1974, data em que Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau na sequência do Acordo de Argel. Fabião fizera 4 Comissões de serviço na Guiné e conhecia a população, a ponto de ter aprendido a cultura da etnia Nalú que era a minoritária.

Ainda antes do 25 de Abril, em maio de 1973, Carlos Fabião com Ramalho Eanes, Firmino Miguel e Dias de Lima angariaram outros militares para o movimento de contestação ao Congresso dos Combatentes que Vasco Lourenço considerou a pré-conspiração que levou ao 25 de Abril.  E em 17 de dezembro de 1973, numa aula do curso de majores, no Instituto de Altos Estudos Militares, o então major Carlos Fabião, conforme acordado previamente com Vasco Lourenço, logo no início da primeira aula do dia denunciou publicamente a preparação de um golpe de estado de extrema-direita, conduzido por quatro generais da ditadura – Kaúlza de Arriaga, Luz Cunha, Silvino Silvério Marques e Troni – visando afastar os generais Costa Gomes e António de Spínola, o que lhe valeu a punição de ser transferido para o D.R.M. de Braga e com uma espécie de residência fixa, pelo que era aí que se encontrava a prestar serviço no dia 25 de Abril de 1974, embora tenha participado em reuniões preparatórias do Movimento dos Capitães.

Solidário e amante da Liberdade, o então brigadeiro Fabião foi também o Chefe do Estado Maior do Exército, na sequência do 28 de setembro, escolhido pelos militares do Exército para integrar a Junta de Salvação Nacional, e por inerência o Conselho de Estado. Foi então graduado em general e eleito em Assembleia do MFA para substituir Jaime Silvério Marques no cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército. Após o 11 de março de 1975 foi extinta a Junta, passando os seus membros a partir do dia 14 a integrar o novo órgão designado como Conselho da Revolução, no qual Carlos Fabião se manteve até dois dias após o 25 de novembro, sendo substituído pelo General Ramalho Eanes e regressado ao posto de coronel. Neste intervalo de tempo, do 11 de março ao 25 de novembro, Carlos Fabião atravessou o período mais turbulento do processo revolucionário, procurando conciliar as fações e passou a ser presença assídua nos Telejornais. Em agosto de 1975, chegou a ser convidado formalmente pelo Presidente da República, General Costa Gomes, para substituir Vasco Gonçalves e formar o VI Governo Provisório, tendo como vice-primeiro-ministro Melo Antunes, mas recusou.

Fabião que frequentou o Liceu Gil Vicente e  a Escola do Exército, após casar em 1954 com Maria Margarida Cecílio Gonçalves, de quem teve 3 filhos, assentou morada de família no Largo de Santa Marinha. O seu funeral saiu do Grémio Lusitano, já que Carlos Fabião fora iniciado sob os auspícios de Fernando Vale, com o nome de Gomes Freire e chegou a ser Grão-mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano.

Carlos Fabião foi agraciado com a Ordem da Liberdade (2005) no grau de Grande-Oficial e a título póstumo, a Associação 25 de Abril, de que havia sido presidente da Mesa da Assembleia Geral, fê-lo seu Sócio de Honra, tal como a Assembleia da República aprovou por unanimidade, um voto de pesar pela morte deste militar de Abril.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

Da Praça da Alegria à Praça do Suplício

Praça da Alegria e Jardim Alfredo Keil – Freguesia de Santo António
(Foto: Artur Matos)

A Cotovia foi um termo usado até ao séc. XVIII para designar a cumeada desde a Rua D. Pedro V até ao Largo do Rato assim como a Cotovia de Baixo passou a ser sítio da Alegria, tendo a sua Praça da Alegria sido também um Campo de Forca que por algum tempo a população denominou como Praça do Suplício.

O olisipógrafo Norberto de Araújo recorda que esta Praça da Alegria também foi conhecida como Praça do Suplício durante uns três anos, após ter sido lá enforcada Isabel Xavier Clesse, em 31 de março de 1771. O marido da enforcada, Tomaz Goilão, viajou para a Índia e ela passou esse tempo a viver com um porta-bandeira e quando o marido regressou, envenenou-o com ácido nítrico.

Também na Cotovia de Cima, onde em 1756 fora inaugurada a Basílica Patriarcal que acabou destruída por fogo posto em 1769, teve o culpado do incêndio, um tal Alexandre Vicente, a pena de ser  garrotado e queimado vivo no local.

Sobre a origem deste topónimo Norberto de Araújo sugeriu que o sítio da Alegria era a antiga Patriarcal Queimada ou Praça do Príncipe Real de hoje, que se prolongava até ao Rato: «Ora vamos ver – a Alegria, sítio a-par da velha Cotovia de Baixo (a Cotovia de Cima, ou simplesmente a “Cotovia” era a actual Praça do Rio de Janeiro [hoje Praça do Príncipe Real], em prolongamento até o sítio do Rato). » Por documentos que referem a praça da Alegria de Cima e a praça da Alegria de Baixo ligadas por uma rampa, podemos mesmo considerar viável que a de Cima fosse a do Príncipe Real e a de Baixo, a da Alegria. Na primeira metade do século XVIII esta zona era ainda um local de terrenos de cultivo, conforme também esclarece o mesmo olisipógrafo: «(…) Repizo que na primeira metade do século XVIII tudo por aqui eram terrenos de cultivo, abaixo da quinta ou da cêrca dos Padres da Companhia (Jardim Botânico de hoje), ligados a S. José, razão porque esta zona arrabaldina se chamou também Cotovia de S. José. (Para se entender isto melhor é preciso fechar os olhos, e não ver a Avenida actual)». Depois do Terramoto de 1755 é que as populações se sentiram atraídas para esta área descampada e pouco povoada: «A Alegria, pois, é posterior ao Terramoto; (…) Com a construção e desenvolvimento do Passeio Público, cresceu a Alegria; com a abertura da Avenida tornou-se de maioridade». A partir de 1773 passou a realizar-se na Cotovia de Baixo, ou Alegria, a Feira da Alegria, sendo de 9 de fevereiro o aviso do Marquês de Pombal ao Senado municipal para que ordene a transferência das vendedeiras do Rossio e do Largo de São Domingos para a Praça da Alegria e aí se foi realizando até 1882.

No final do séc. XVII, de 1792 a 1796, encontram-se vários requerimentos de indivíduos que querem ser aguadeiros do Chafariz da Praça da Alegria e até de um mestre marceneiro que quer fazer obras na sua loja na Praça da Alegria. Na cartografia de Lisboa, a Praça da Alegria surge já na planta de Duarte Fava de 1807, no Atlas de Filipe Folque em 1857. Norberto de Araújo defende que a maioria dos prédios da Praça da Alegria são do período de 1840 a 1850 e os registos encontrados no Arquivo Municipal têm 1846, 1852 e 1856 como os anos com maior número de pedido de construção de novos prédios nesta artéria. Em 1881, muitos prédios da Praça foram expropriados e demolidos para a construção da Avenida da Liberdade mas nesse mesmo ano também começou a ser plantado nesta Praça um Jardim.

Em termos da toponímia oficial a Câmara através do Edital de 08/06/1889 atribuiu à antiga Rua Nova da Alegria o topónimo Rua da Alegria. Sabemos que quanto à Praça da Alegria uma deliberação camarária de 24 de maio de 1920 passada a Edital em 8 de junho de 1925 mudou-lhe o nome para  Praça Alfredo Keil. Contudo, no ano seguinte,  a Comissão Executiva da Câmara na sua sessão de 31 de maio  aprovou a proposta do vereador Alfredo Guisado para que o antigo Jardim da Praça da Alegria, denominado Jardim Fialho de Almeida, passasse a denominar-se Jardim Alfredo Keil, por estar autorizada a construção naquele jardim de um monumento à memória de Alfredo Keil por Teixeira Lopes, do que foi feito Edital em 17 de junho de 1926. E desde aí fixaram-se os dois topónimos deste local:  por Edital municipal ficou o Jardim Alfredo Keil e, pelo uso, a Praça da Alegria.

Freguesia de Santo António
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC)

A Praça e a Rua de Dom Luís I, o rei que promulgou a abolição da pena de morte

Praça de Dom Luís I – Freguesia da Misericórdia

O  rei de Portugal desde 1861, Dom Luís I , que em 1867 promulgou a Carta de Lei de abolição da pena de morte foi perpetuado numa Praça logo no ano seguinte a ser entronizado e em 1947, 80 anos depois da abolição, foi mais uma vez fixado numa Rua que justamente se inicia na Praça de Dom Luís I.

A 1 de julho de 1867, D. Luís I mandou publicar a Carta de Lei que aprovou a reforma penal e das prisões e ditou a abolição da pena capital para todos os crimes civis em Portugal, assumindo uma posição abolicionista e pioneira no panorama europeu. Três ano depois, o decreto do alargamento da Lei da Abolição às colónias de 1870, destacou no seu preâmbulo o eco positivo que a aprovação do novo código civil de Barjona de Freitas pelo parlamento português tinha tido nas personalidades estrangeiras empenhadas no abolicionismo.

Aliás, a última condenação à morte em Portugal, executada em  Lagos, ocorrera em 1846,  21 anos antes da abolição, sendo condenado José Joaquim, de alcunha José Grande, guerrilheiro absolutista que perpetrou um homicídio violento e foi julgado duas vezes pelo crime antes da sentença de pena capital.

Rua Dom Luís I – Freguesias da Misericórdia e da Estrela
(Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

A Praça de Dom Luís I resultou de uma proposta aprovada na  sessão de Câmara de 10/02/1862 para que no Aterro da Boavista, no terreno confinante pelo norte com a Casa da Moeda, pelo sul com o Tejo, pelo nascente com o Forte de São Paulo e pelo poente com a Rua 24 de Julho [hoje Avenida], se formasse uma Praça e que a mesma tivesse a denominação de Praça de Dom Luís I, ou seja, cerca de 4 meses após D. Luís ter assumido o trono (14/10/1861), por morte do seu irmão D. Pedro V. Hoje esta Praça é delimitada pela Avenida 24 de Julho, Rua Dom Luís I, Rua da Ribeira Nova, Rua da Moeda e Travessa do Carvalho.

Este rei de cognome O Popular, teve ainda  dupla honra toponímica, uma vez que para além da Praça em vida também recebeu uma rua após falecer.  Algumas remodelações urbanísticas da zona onde a Praça de Dom Luís I se insere, produziram também algumas alterações toponímicas e assim o Edital municipal de 17/06/1947 determinou que o troço da Rua Vasco da Gama compreendido entre a Praça de Dom Luís I e a Avenida Presidente Wilson [hoje, Avenida Dom Carlos I] passasse a ser Rua Dom Luís I, ao mesmo tempo que o troço da Rua Vasco da Gama com os prédios com os nºs 1 a 51 e 24 a 6 se tornou o Largo Vitorino Damásio e o troço da Rua Vasco da Gama com os nºs 68 a 172 unido com a Rua Vitorino Damásio foi fixado como Largo de Santos.

Curiosamente, menos de três anos depois, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 19/01/1950 propôs alterar os nomes da Praça Dom Luís I e da Rua Dom Luís I para Praça e Rua Marquês de Sá da Bandeira, em virtude de existir na Praça um monumento a este militar e político. Contudo, nunca se executou esta alteração  e o marquês manteve a sua homenagem resultante da deliberação da então Câmara Municipal de Belém de  31 de março de 1880, na toponímia das Avenidas Novas, como Rua Marquês de Sá da Bandeira: era a «Estrada que principia na Barreira do Rego e termina no Largo do Rego a S. Sebastião da Pedreira» que também por deliberação da edilidade belenense de 20/10/1881, passou a terminar no Campo Pequeno.

Revista Contemporânea, dezembro de 1861

D. Luís (Lisboa- Paço das Necessidades/31.10.1838-19.10.1889/Cascais), segundo filho da rainha D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota,  foi o 32º rei de Portugal, de novembro de 1861 até à data da sua morte em 1889. Destinado a oficial da Marinha era capitão-de-mar-e-guerra quando teve de subir ao trono português. Celebrou contrato de casamento no ano seguinte à sua entronização, com D. Maria Pia, com quem teve dois filhos: aquele que viria a ser D. Carlos I e o infante D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado teve como chefes de governo o Duque de Loulé, o  Marquês de Sá da Bandeira, Joaquim António de Aguiar, Fontes Pereira de Melo, o Duque d’Ávila, o Duque de Saldanha, Anselmo José Braamcamp, António Rodrigues Sampaio, José Luciano de Castro e conseguiu ver concluído o caminho de ferro do norte com a construção da ponte Maria Pia (1877) bem como concluída a linha do Algarve (1889).

D. Luís possuía além de instrução científica, a arte da composição musical que também executava em piano e violoncelo e o domínio falado de 7 idiomas europeus, tendo até traduzido obras de Shakespeare que publicou sem menção do seu nome, tendo sido a primeira Hamlet, em 1877.  Como presidente da Academia Real das Ciências instituiu um prémio para a obra mais notável publicada em cada ano, para além de ter sido presidente do Congresso de Beneficência Municipal e fundado os Albergues Nocturnos.

A Praça de Dom Luís I e a Rua Dom Luís I – Freguesias da Misericórdia e da Estrela (Planta: Sérgio Dias, NT do DPC)