Publicação municipal do Largo Frederico Valsassina

A publicação municipal de toponímia referente ao Largo Frederico Valsassina, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia de Marvila, já está online.

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Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, inauguração do Largo Frederico Valsassina

Largo Frederico Valsassina – Freguesia de Marvila

Na próxima terça-feira, dia 23 de abril, às 10: 30 horas, será inaugurado o Largo Frederico Valsassina, junto à entrada principal do Colégio Valsassina, com a presença de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,  bem como de familiares do homenageado.

Conforme a Vereadora Catarina Vaz Pinto refere na nota introdutória da brochura sobre Frederico Lúcio de Valsassina Heitor (Lisboa/17.07.1930 – 07.05.2010/Lisboa), a edilidade «orgulha-se de homenagear Frederico Valsassina Heitor pelo seu projeto educativo de base humanista, justamente no ano em que se comemoram os 120 anos da criação do Colégio Valsassina e passados setenta anos sobre a aquisição da Quinta das Teresinhas, sede do respetivo estabelecimento de ensino. O Largo Frederico Valsassina é o reconhecimento do seu legado como educador e docente, pedagogo peculiar e humanista com reflexo na cidade de Lisboa e no país.»

A Rua José Rodrigues Miguéis de Saudades para a Dona Genciana

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José Rodrigues Miguéis, autor do conto «Saudades para a Dona Genciana», desde o ano seguinte ao seu falecimento tem o seu nome inscrito na toponímia de Lisboa, numa artéria da freguesia de Benfica, a unir a Estrada de Benfica à Rua Prof. José Sebastião e Silva.

A Rua José Rodrigues Miguéis ficou na Rua C à Estrada de Benfica através do Edital municipal de 1 de junho de 1981, em resultado da Proposta nº 198/80, subscrita pelos vereadores do Partido Socialista, aprovada por unanimidade na reunião camarária de 5 de novembro de 1980.

José Claudino Rodrigues Miguéis (Lisboa/09.12.1901 – 28.10.1980/Nova Iorque – E.U.A. ), nascido no nº 13 da Rua da Saudade, filho de uma beirã e de um galego republicano, formou-se em Direito pela  pela Universidade de Lisboa em 1924 e exerceu a advocacia, foi delegado do Ministério Público e professor do ensino secundário oficial e particular. Em 1933 licenciou-se em Ciências Pedagógicas na Universidade Livre de Bruxelas após o que, com Raúl Brandão, dirigiu um conjunto inacabado de Leituras Primárias, obra que nunca viria a ser aprovada pelo governo. Impedido de ser docente em Portugal, expatriou-se em 1935 para os Estados Unidos da América, voltando esporadicamente a Portugal e em 1942 adquiriu a nacionalidade americana. A partir desse ano e durante cerca de dez anos, exerceu funções de Assistant Editor das Seleções do Reader’s Digest, para além de colaborar regularmente na imprensa de Lisboa e se dedicar à tradução de obras de Stendhal, Carson McCullers, Erskine Caldwell ou F.Scott Fitzgerald.

Como escritor, a sua obra configura sínteses originais do presencismo e do neorrealismo, com mestria no uso da ironia e do humor. As suas novelas e contos fizeram de Rodrigues Miguéis uma referência obrigatória e um dos melhores no género: Páscoa Feliz (1932) – Prémio da Casa da Imprensa – retrato da desagregação mental do sujeito até ao limite da loucura e do crime; Onde a Noite se Acaba (1946), sobre a dissolução do sujeito associada a elementos fantásticos;  Léah e Outras Histórias (1958) – o primeiro Prémio Camilo Castelo Branco – onde se inclui  «Saudades para a Dona Genciana», considerada a obra-prima da ficção migueisiana, em que Dona Genciana representa o espaço humano da Avenida (Almirante Reis) e esta é a cidade de Lisboa; Um Homem Sorri à Morte – Com Meia Cara (1959), experiência autobiográfica; Gente da Terceira Classe (1962), sobre a condição do imigrante. Foi ainda publicado Pass(ç)os Confusos (1982), uma reedição do livro de contos Comércio com o Inimigo (1973), com um conjunto de narrativas antes publicadas na imprensa.

Publicou também 6 romances:  Uma Aventura Inquietante (1958), policial que denuncia as arbitrariedades da Justiça, antes publicado – entre 1934 e 1936- no jornal O Diabo, sob o pseudónimo de Ch. Vander Bosh; A Escola do Paraíso (1960), centrada na infância do herói entre o fim da Monarquia e os alvores da República; Nikalai! Nikalai! (1971), sobre uma comunidade de russos brancos em Bruxelas que pretende repor no trono o czar Nikalai; O Milagre segundo Salomé (1975), fresco da sociedade lisboeta com a degradação dos sonhos republicanos que culminaria no 28 de maio de 1926; O Pão Não Cai do Céu (1981), antes saído como folhetim no Diário Popular, focado no cigano como herói e símbolo unificador da luta pela terra e pela liberdade na planície alentejana; Idealista no Mundo Real (1986) que problematiza as contradições de um jovem magistrado colaborador da Seara Nova em busca da sua identidade ideológica e social.

A crónica surgiu em É Proibido Apontar – Reflexões de um Burguês I (1964), O Espelho Poliédrico (1973), As Harmonias do Canelão – Reflexões de um Burguês II (1974) e, postumamente,  Aforismos & Desaforismos de Aparício (1996) que reuniu textos publicados no Diário Popular sob o título de Tablóides. As suas obras foram traduzidas em alemão, checo, francês, inglês, italiano, polaco e russo.

Desde os anos vinte do séc. XX que colaborou na imprensa portuguesa. Com Bento de Jesus Caraça dirigiu O Globo, semanário que viria a ser proibido pela censura em 1933 e ao longo da vida foi colaborador da Seara Nova, da Revista de Portugal e dos jornais Alma Nova, O Diabo, Diário Popular, Diário de Lisboa e República.

Foi também membro eleito da Hispanic Society of America (1961) e académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (1976), tendo sido agraciado como Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (1979) e, em 1998, Diana Andringa conseguiu finalmente realizar o documentário «José Rodrigues Miguéis — Um homem do povo na história da República» para a RTP, que esteve previsto para 1980.

José Rodrigues Miguéis é também topónimo nos concelhos de Almada, Amadora, Entroncamento, Gondomar, Montijo, Odivelas, Ovar, Póvoa de Varzim, Seixal, Sesimbra e Sintra.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo de São Roque ou do Cauteleiro que é o Largo Trindade Coelho

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Começou por ser o Largo de São Roque no séc. XVI por via da presença Igreja de São Roque no local. No final dos anos 80 do séc. XX, em 18 de novembro de 1987, o dia do 204º aniversário da Lotaria Nacional com a colocação da estátua de homenagem aos cauteleiros passou a ser conhecido como Largo do Cauteleiro e ponto de encontro para incursões na noite do Bairro Alto, mas desde 1913  que o Largo se denomina oficialmente Largo Trindade Coelho.

Quando no ano de 1509 grassava  uma grande peste em Lisboa o rei D. Manuel I mandou erguer junto ao cemitério próximo do Convento da Trindade uma ermida a que chamou de São Roque para albergar uma relíquia do santo, tendo os jesuítas tomado conta dela em 1553 e dois anos depois iniciaram a construção de um majestoso templo para a substituir nascendo assim a Igreja de São Roque e assim ficou o Largo conhecido como de São Roque.

Quando em 1913 a edilidade alfacinha substituiu alguns hagiotopónimos (topónimos com nomes de santos) por outros relacionados com o regime republicano este foi um deles e o Largo de São Roque passou a Largo Trindade Coelho, pelo Edital municipal de 18/10/1913. Cerca de três anos antes, o Edital municipal de 18/11/1910 havia mudado a Rua Larga de São Roque para Rua do Mundo, em  homenagem ao jornal republicano aí sediado, pelo que fez sentido que o largo do seu topo, consagrasse Trindade Coelho que nos jornais defendeu os ideais republicanos mesmo se não viu implantada a República cujos valores perfilhou.

José Francisco de Trindade Coelho (Mogadouro/18.06.1861 – 09.06.1908/ Lisboa), formado em Direito em Coimbra começou por exercer advocacia nessa cidade ao mesmo tempo que começava a escrever nos jornais sob pseudónimo e até fundou  duas publicações: Porta Férrea e Panorama Contemporâneo. Camilo Castelo Branco admirava-o literariamente e conseguiu que ele  ingressasse na magistratura, como Delegado do Procurador Régio na comarca de Sabugal, indo depois para Portalegre, onde fundou dois jornais: Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre. Mais tarde,  já em Lisboa coube-lhe a tarefa ingrata de fiscalizar a imprensa da capital aquando do Ultimatum e abalado pelas críticas transferiu-se para Sintra (1895) e prosseguiu a sua carreira jurídica em vários tribunais.

Enquanto escritor, Trindade Coelho publicou o livro de contos Os Meus Amores (1891) e o de memórias de Coimbra In Illo Tempore (1902), para além de obras de cariz social como a Cartilha do Povo (1901), o Manual Político do Cidadão Português (1906), o ABC do Povo  (1901) que foi um livro adotado oficialmente nas escolas públicas, bem como mais três Livros de Leitura (1903 a 1905). Também deu a lume obras jurídicas como Recursos Finais em Processo Criminal e Anotações ao Código e Legislação Penal , tendo ainda sido uma presença importante em jornais como PortugalBranco e NegroNovidadesRepórterO ProgressistaO ImparcialTirocínioBeira e DouroJornal da Manhã e Diário Ilustrado, usando os pseudónimos Belisário e José Coelho, para além de ter ainda fundado a Revista de Direito e Jurisprudência bem como a Revista Nova, onde publicou as crónicas «Folhetos para o Povo».

 

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O Largo de São Roque ou do Cauteleiro que é o Largo Trindade Coelho

O Largo Trindade Coelho no início do séc. XX
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Começou por ser o Largo de São Roque no séc. XVI. No final dos anos 80 do séc. XX com a colocação no local de uma estátua em homenagem aos cauteleiros passou a ser conhecido como Largo do Cauteleiro e ponto de encontro para incursões na noite do Bairro Alto, mas desde 1913  que o Largo de São Roque se denomina oficialmente Largo Trindade Coelho.

Quando no ano de 1509 grassava  uma grande peste em Lisboa o rei D. Manuel I mandou erguer junto ao cemitério próximo do Convento da Trindade uma ermida a que chamou de São Roque para albergar uma relíquia do santo, oriunda de Veneza. Em 1553 os jesuítas tomaram conta desta ermida e em 1555 iniciaram a construção de um majestoso templo para a substituir nascendo assim a Igreja de São Roque que passou para o topónimo e assim nasceu o Largo de São Roque.

Em 1913 a edilidade alfacinha substituiu alguns hagiotopónimos (topónimos com nomes de santos) por outros relacionados com o regime republicano. As alterações na toponímia foram recorrentes nos anos seguintes ao 5 de outubro de 1910, tendo a primeira ocorrido logo a 5 de novembro desse mesmo ano, data em foram substituídos dez topónimos ligados à monarquia.  Pelo Edital municipal de 18 de outubro de 1913 tiveram lugar as seguintes modificações: o Largo de São Carlos passou a denominar-se Largo do Directório; o Largo do Espírito Santo passou a Largo de Ernesto Silva;  o Largo de Santa Bárbara passou a Largo 28 de Janeiro; a Rua de São José passou a Rua Alves Correia e o Largo de São Roque passou a Largo Trindade Coelho. Note-se que já desde o Edital de 18/11/1910 a Rua Larga de São Roque tinha passado a ser a Rua do Mundo, em  homenagem ao jornal republicano aí sediado, pelo que faz sentido que o largo do seu topo, o antigo Largo de São Roque tenha passado três anos depois a ser o Largo Trindade Coelho que nos jornais defendeu os ideais republicanos mesmo que se tenha suicidado antes de ver implantada a República cujos valores perfilhou e defendeu.

José Francisco de Trindade Coelho (Mogadouro/18.06.1861 – 09.06.1908/ Lisboa), formado em Direito em Coimbra começou por exercer advocacia nessa cidade ao mesmo tempo que começava a escrever nos jornais sob pseudónimo e até fundou  duas publicações: Porta Férrea e Panorama Contemporâneo. Camilo Castelo Branco admirava-o literariamente e conseguiu que ele  ingressasse na magistratura, como Delegado do Procurador Régio na comarca de Sabugal, indo depois para Portalegre, onde fundou dois jornais: Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre. Depois,  já em Lisboa coube-lhe a tarefa ingrata de fiscalizar a imprensa da capital aquando do Ultimatum e abalado pelas críticas transferiu-se para Sintra (1895) e prosseguiu a sua carreira jurídica em vários tribunais.

Como escritor, Trindade Coelho publicou o livro de contos Os Meus Amores (1891) e o de memórias de Coimbra In Illo Tempore (1902), para além de obras de cariz social como a Cartilha do Povo (1901), o Manual Político do Cidadão Português (1906), o ABC do Povo  (1901) que foi um livro adotado oficialmente nas escolas públicas, bem como mais três Livros de Leitura (1903 a 1905). Também deu a lume obras jurídicas como Recursos Finais em Processo Criminal e Anotações ao Código e Legislação Penal e conseguiu uma presença importante em jornais para além da já referida, com os pseudónimos Belisário e José Coelho, escrevendo nos jornais Portugal, Branco e NegroNovidades, Repórter, O Progressista, O Imparcial, Tirocínio, Beira e Douro, Jornal da Manhã e Diário Ilustrado para além de ter ainda fundado a Revista de Direito e Jurisprudência e a Revista Nova, onde publicou as crónicas «Folhetos para o Povo», tendo através da escrita contribuído para divulgar as ideias republicanas.

No Largo Trindade Coelho, por ser a morada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi inaugurada em 18 de novembro de 1987 – dia do 204º aniversário da Lotaria Nacional – uma estátua de bronze em homenagem aos cauteleiros, da autoria de Fernanda de Assis, que acabou por dar uma nova denominação popular ao arruamento, que começou a ser conhecido como o Largo do Cauteleiro.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Inauguração da Rua Padre Joaquim Aguiar

Rua Padre Joaquim de Aguiar – Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

Amanhã,  sábado, às 9:30 horas, a Sr.ª Vereadora da Cultura e Presidente da Comissão Municipal de Toponímia, Catarina Vaz Pinto, acompanhada da Sr.ª Presidente de Junta de Freguesia dos Olivais, Rute Lima, procederão à inauguração da Rua Padre Joaquim Aguiar.

O Padre Joaquim Aguiar Joaquim António de Aguiar (Penedono- Castainço/03.01.1915 – 01.10.2004/Lisboa) distinguiu-se como pedagogo, já que tendo professado vida religiosa na Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos) e recebido a ordenação sacerdotal na Sé Catedral do Porto a 4 de agosto de 1940, conseguiu com o seu  dinamismo e espírito empreendedor fundar  o primeiro Colégio Universitário em Lisboa, o Colégio Universitário Pio XII, que abriu portas em 1957.

Refira-se que além das suas funções religiosas, particularmente como primeiro Secretário da Conferência Nacional dos Institutos Religiosos (1954 a 1970), a ligação a estabelecimentos de ensino foi uma constante. Criou o Instituto Superior de Cultura Católica (1961) em cuja direção participou e leccionou; organizou o  Instituto Superior de Ciências Psicopedagógicas (1962) que também dirigiu como em paralelo o executou de igual modo no Instituto Superior da Pastoral; foi professor encarregado das cadeiras de Ética e História do Cristianismo no Instituto de Ciências Sociais e Políticas bem como dos cursos de Assistentes Sociais e Administração Ultramarina na Universidade Técnica de Lisboa  (1968 a 1978); professor convidado da Faculdade de Filosofia da Universidade de Pontifícia de Salamanca (1978 a 1980); professor da cadeira de Ideologias Políticas em Portugal nos séculos XIX e XX no curso de pós graduação da Universidade Livre de Lisboa (1980 a 1982); integrou a organização e lançamento da Universidade Internacional de Lisboa (1982 a 1984), onde lecionou a cadeira de Introdução à Universidade e até 1989 dirigiu o Instituto Pré Universitário Internacional da mesma; e encarregou-se da cátedra de História Medieval Política e Institucional da Universidade Autónoma de Lisboa (1986 a 2000).

A Câmara Municipal de Lisboa já em 1982 lhe atribuiu a Medalha de Prata de Mérito Municipal.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

Viúva de Faria de Vasconcelos pediu rua de maior grandeza cinco anos após atribuição de topónimo

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

Faria de Vasconcelos, professor universitário defensor da Escola Nova e criador da Orientação Profissional do nosso país, estava desde 1970 como topónimo de uma Rua do Beato mas em 1975 a sua viúva solicitou que o seu nome passasse para um «arruamento de maior grandeza».

Celsa Quiroga Faria de Vasconcelos enviou uma carta à edilidade lisboeta para que o nome de seu falecido marido ficasse numa artéria maior, assunto que a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa tomou em consideração na sua reunião de 22 de julho de 1975,  emitindo o parecer de que «Neste momento, não se vê possibilidade de satisfazer o pedido.» Para além da escassez de novos arruamentos nessa época havia a impossibilidade de alteração de topónimos tradicionais.

A Rua Doutor Faria de Vasconcelos, com a legenda «1880 – 1939», por via do Edital municipal de 20 de maio de 1970 ocupou a artéria identificada como Rua GKH  ou Rua F à Calçada da Picheleira, ou ainda Rua Particular à Calçada da Picheleira,  ficando a ligar a Calçada da Picheleira ao arruamento constituído pelas Ruas LG e GE e Impasse GJ do plano de Urbanização das Olaias – Quinta dos Machados à Picheleira que em 1971 passou a ser a Rua Professor Mira Fernandes.

António de Sena Faria de Vasconcelos Azevedo (Castelo Branco/02.03.1880 – 11.08.1939/Lisboa – Freguesia de Benfica), publicou o seu primeiro livro em 1900 com o título O Materialismo Histórico e a Reforma Religiosa do Século XVI e  no ano seguinte, em 12 de junho, concluiu a sua formação como bacharel em Leis pela Universidade de Coimbra, seguindo aí a tradição familiar, mas logo partiu para a Bélgica, onde concluiu um doutoramento em Ciências Sociais na Universidade Nova de Bruxelas, com a tese Esquisse d’une théorie de la sensibilité sociale. A partir daí desenvolveu então uma carreira de pedagogo e professor universitário, ligado ao movimento Escola Nova. Foi docente na Universidade de Bruxelas a partir de 1904 e em outubro de 1912 fundou na proximidade de Bruxelas a Escola de Bierges 28, de acordo com os princípios da Escola Nova e os 30 pontos definidos por Ferrière (cumprindo 28 como o nome indicava), experiência que relatou sob o título Une École Nouvelle en Belgique (1915), o caso da escola nova que criara como contributo para a implementação de uma aprendizagem inclusiva e individualizada. Durante a permanência na Bélgica publicou em Portugal O Pessimismo-Semiologia e Terapêutica (1902)  e Lições de Pedologia e Pedagogia Experimental (1908) e contraiu matrimónio com uma belga.

Com a invasão da Bélgica pela Alemanha Faria de Vasconcelos fugiu para Genebra, para o Instituto Jean-Jacques Rousseau (hoje, é a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação), onde se integrou na equipa de docentes de Ferrière, Claparède  e Bovet no ano letivo de 1914/15, tendo sido assistente do Laboratório de Psicologia Experimental e secretário do Bureau International des Écoles Nouvelles, pelo que não é de estranhar que quando em 1921 editou a primeira série dos seus Problemas Escolares tenha feito a dedicatória para Pierre Bovet e Edouard Claparéde.

Por indicação de Ferrière foi  para Cuba, de 1915  até 1917, onde como Inspetor Especial do Ministério da Beneficência orientou a Reforma Pedagógica, assim como fundou Escolas Novas. Daqui seguiu para a Bolívia, para gerar Escolas Novas, em La Paz e em Sucre, tendo exercido funções como professor e diretor da Escola Normal Superior de La Paz, na qual fundou a secção de Psicologia, bem como dirigiu a Escola Normal Mista de Precetores em Sucre, onde criou  o  Curso de Organização e Direção de Escolas. Foi também na Bolívia que conheceu Celsa Quiroga, com quem casou em 1923 e de quem teve dois filhos.

Regressou a Portugal em dezembro de 1920 para ser Professor de Pedagogia na Escola Normal Superior. Ligou-se também à revista Educação Popular da Universidade Popular Portuguesa,  à Seara Nova e ao jornal A Batalha. A partir de 1922 tornou-se docente da Faculdade de Letras de Lisboa e regente do curso de Psicologia Geral, a cujo propósito publicou Lições de Psicologia Geral (1924), uma súmula das suas aulas. Refira-se ainda que os seus artigos sobre «Bases para a Solução dos Problemas da Educação Nacional», estiveram na base da proposta de Lei de Bases da Educação Nacional apresentada pelo Ministro João Camoesas ao Congresso da República em 1923.

Em 1925 fundou em Lisboa o Instituto de Orientação Profissional, e se torna o estratega da Orientação Escolar e Profissional, ao mesmo tempo que cria a Biblioteca de Cultura Pedagógica. Concluiu que a população criminosa tende a ter a mesma curva de distribuição da inteligência que a restante população e defende que «O combate ao crime para surtir efeitos tem que remontar até à infância, idade capital na formação do indivíduo.» Passados seis anos, em articulação com o Instituto de Reeducação Mental e Pedagógica participou na organização do Instituto Dr. Navarro de Paiva, atento aos 30% a 40 % de alunos com dificuldades de aprendizagem.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias)

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)