A Rua do hoquista Olivério Serpa junto ao Fofó

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Três anos após o seu falecimento,  através do Edital municipal de 08/07/1986, o hoquista Olivério Serpa deu nome ao arruamento do Bairro de Santa Cruz de Benfica que parte da Rua da Casquilha para nascente, paralelo ao Parque Desportivo do Clube Futebol Benfica (Estádio Francisco Lázaro), já que o «Fofó» foi o seu clube de sempre e foi o próprio Clube que solicitou que o seu nome fosse inscrito nesta artéria.

No site do Clube Futebol Benfica

Foto de Olivério Serpa no site do Clube Futebol Benfica

Olivério Aguiar Serpa (Lisboa/22.03.1916 – 07.05.1983) começou a praticar desporto em 1931, e passou por diferentes modalidades como Remo, Hóquei em Campo, Hóquei em Patins – nas quais foi campeão nacional e internacional-, mas também Ginástica, Natação, Ténis de Mesa, Futebol  e Voleibol. Contudo, foi no hóquei em patins que mais se destacou, tendo sido internacional de 1936 a 1949, com vitória em 3 campeonatos nacionais para além de ter contribuído para dar a Portugal as suas primeiras vitórias nos campeonatos da Europa e do Mundo. Em equipas orientadas por José Prazeres, junto com Álvaro Lopes, António Raio, António Soares, Edgar Soares, Manuel Soares, os guarda redes Cipriano dos Santos e Emídio Pinto, os primos Jesus Correia e Correia dos Santos e o seu irmão Sidónio Serpa, alcançaram a vitória nos Mundiais de 1947 e 1949 (ambos em Lisboa), 1948 (Montreux) e 1950 (Milão).

Olivério Serpa foi ainda Capitão da Equipa de Honra do Clube Futebol Benfica a partir de 1944,  orientador da Seleção de Lisboa de hóquei em campo, treinador de hóquei em patins e cronista desportivo, tendo sido agraciado com a condecoração de Grande Cavaleiro da Ordem de Cristo (1949) e a Medalha de Mérito Desportivo (1951).

Como a maioria dos desportistas portugueses exerceu também outra profissão, tendo sido desde 1944 funcionário bancário. Refira-se finalmente que o seu irmão mais novo, Sidónio Serpa, também se encontra na toponímia de Lisboa desde 1997.

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua do «gentleman» Xavier de Araújo junto ao Jardim Zoológico

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Xavier de Araújo foi um desportista multifacetado, crucial na introdução do rugby em Portugal, e que se tornou numa figura popular da cidade de Lisboa enquanto instrutor de patinagem no recinto que existia no Jardim Zoológico pelo que a artéria a que dá nome desde o Edital municipal de 29/12/1989, e que era a Rua 2 à Estrada da Luz, se situa na proximidade do Jardim Zoológico de Lisboa e ostenta a legenda «Professor de Patinagem/1892 – 1987».

Rua Xavier Araujo 4 Rugby Revista Novembro de 1980

Francisco Xavier de Araújo (São Tomé e Príncipe/06.04.1892 – 08.09.1987/Lisboa) , filho de António Pedro de Araújo e Vunge Rachael, veio para Lisboa aos 3 anos e aos 17 foi estudar para Inglaterra, no curso de Engenharia Electrotécnica das Universidades de Manchester e de Glasgow, ao mesmo tempo que nas equipas universitárias inglesas se tornou um desportista amante de várias modalidades. No regresso a Portugal e após cumprir o serviço militar continuou como praticante de diversas modalidades, onde envergou as camisolas do Académico do Porto, do CIF, do Clube de Futebol Os Belenenses, do Ginásio Clube Português, do Sporting de Braga, do Sporting Clube de Portugal, do Carcavelinhos, do Sport Lisboa e Benfica e do Royal, como no atletismo (sobretudo nas corridas de velocidade e salto em altura), no boxe (onde venceu um Campeonato e ensinou no Ginásio Clube Português a título gracioso), no críquete, no futebol, na ginástica, na luta greco – romana, na luta livre, na natação, na patinagem, no remo, no ténis e no rugby, muito contribuindo para a afirmação desta última modalidade no  nosso país, desde os seus primórdios em 1922, quer como atleta da equipa do Ginásio Clube Português, quer como capitão da 1ª Seleção Nacional, quer como treinador das primeiras equipas escolares (Agronomia, Veterinária, Técnico e Academia Militar) e como orientador da 1ª seleção universitária.

Mas a cidade de Lisboa guarda sobretudo a sua memória como instrutor de patinagem que desde a década de 40 do século XX exercia no recinto que existia no Jardim Zoológico, inicialmente muito frequentado por crianças e jovens refugiados alemães. Foi neste espaço que Xavier de Araújo ensinou diversas  gerações jovens de lisboetas a patinar, como por exemplo, Ana Salazar. E mesmo nos seus 90 anos, ainda ministrava as suas aulas cheio de vivacidade nos espaços desportivos do Jardim do Campo Grande. Refira-se ainda que foi ele a introduzir em Portugal as apresentações de patinagem com música e dança artística que viriam a designar-se como patinagem artística.

Xavier de Araújo trabalhou como técnico de eletrotecnia na Companhia Carris de Lisboa e na Companhia dos Telefones, bem como empregado bancário durante quase 40 anos e como professor de Educação Física.

Mencione-se ainda que recebeu o Diploma de Honra do Troféu Internacional Pierre de Coubertin (1977) do Comité Internacional de Fair Play, a Medalha nacional de Mérito Desportivo (1978), foi eleito por aclamação sócio honorário da Associação de Patinagem de Lisboa (1977) e o Ginásio Clube Português atribuiu-lhe o título de sócio benemérito e honorário. Também o segundo livro de António Lobo Antunes, Os Cus de Judas (1979), arranca com uma descrição do rinque do Jardim Zoológico onde ensinava o «professor preto muito direito».

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do único massagista na toponímia de Lisboa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Na sequência de uma Moção de Pesar da Câmara Municipal de Lisboa pelo falecimento do massagista desportivo Manuel Marques, o 1º e único desta área na toponímia lisboeta, passou este também a ser topónimo de um arruamento próximo do Estádio do Sporting, clube de sempre do homenageado, no que antes era a Rua I do Loteamento da Quinta das Pedreiras à Alameda das Linhas de Torres, através da publicação do Edital municipal de 6 de setembro de 1990.

1 Manuel Marques

Manuel Marques (Arganil- Nogueira/19.09.1910 – 12.05.1990/Lisboa)  conhecido no meio desportivo como massagista das mãos de ouro ou o homem das mãos mágicas, trabalhou durante 54 anos para o Sporting Clube de Portugal, entre 1936 e 1990,  o seu clube do coração, do qual era o sócio nº 231.

Manuel Marques veio com os seus pais viver para Lisboa aos 12 anos, tendo estudado na Escola Minerva e no Liceu Gil Vicente, após o que não concretizou o seu sonho de ser médico, mas concluiu aos 18 anos o curso de enfermagem dos Hospitais Civis de Lisboa, com elevadas classificações que lhe deram acesso a um lugar nos Hospitais Civis, que depois trocou pelos serviços médicos da CP, na estação do Rossio, para conseguir tempo para concluir o curso de massagista por correspondência do inglês Smae Institute e, aos 26 anos ingressar no departamento médico do Sporting Clube de Portugal.

O massagista leonino serviu também em algumas Seleções nacionais, como as de Atletismo, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol (a partir de 1942),  Hóquei em Patins e Voleibol,  para além de ser muito requisitado por jogadores de diversos clubes e ainda por cidadãos que dele conheciam a fama.

Manuel Marques foi alvo de diversas homenagens pelo seu clube. Em 1953, quando o Sporting conquistou o seu 2º tricampeonato atribui-lhe a camisola 12 em sinal de o considerarem o 12º jogador. Dez anos depois foi o primeiro a ser distinguido com o Prémio Stromp na categoria Dedicação, distinção que repetiu na categoria Especial em 1984, e após o seu falecimento a sala onde funciona o Posto Médico do clube leonino recebeu o seu nome. Foi ainda agraciado com a medalha de Ouro de Dedicação do Sporting (1965), o Leão de Ouro (em 1979 e em 2002) e a medalha nacional de Mérito Desportivo (1986).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do campeão mundial de bilhar Alfredo Ferraz

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Alfredo Ferraz, o 1º português que foi Campeão Mundial de Bilhar, viu o seu nome ser o topónimo escolhido para o Impasse B1 do Bairro da Horta Nova, através do Edital municipal de 12/04/1995, documento que também colocou o jornalista desportivo Carlos Pinhão na toponímia de Lisboa.

A sugestão partiu de uma carta de Eduardo António da Costa Soares endereçada à Comissão Municipal de Toponímia, tendo esta escolhido colocá-lo no Bairro da Horta Nova, junto a outros desportistas aí presentes em Ruas como Sidónio Serpa (hoquista), Herculano Pimentel (esgrimista) e Vítor Santos (chefe de redação de A Bola).

alfredo Ferraz

Alfredo Ferraz (Madeira-Madalena do Mar/08.11.1901 – 16.09.1960/Lisboa) foi uma figura primordial do bilhar e foi com ele que Portugal arrecadou pela primeira vez na história um título mundial desportivo. Alfredo Ferraz evidenciava paixão pelo bilhar e uma brilhante técnica que lhe granjearam sucesso nacional e internacional, tendo sido durante anos consecutivos  o Campeão de Portugal e em 1956, recebeu a Medalha de Mérito Desportivo, tendo sido o primeiro Comendador desta Ordem.

O bilhar de competição nasceu em Portugal em 1930, com a criação da Federação Portuguesa dos Amadores de Bilhar , no Porto, e só em 1936 apareceu  a Associação Portuguesa de Bilhar, em Lisboa. Antes disso, Alfredo Ferraz disputava competições internacionais inscrito pela Federação de Espanha. Foi medalha de prata no campeonato Mundial de 1934 e em 1939, conquistou em Lausanne o título mundial de bilhar livre.

Alfredo Ferraz fixara-se em Lisboa para estudar no Instituto Superior Técnico mas, dois anos após a chegada à capital, a paixão pelo bilhar levou-o a desistir do curso para se dedicar por inteiro à modalidade e o seu talento cativava nos Bilhares do Rossio, na Praça D. Pedro IV. Em 1944, adquiriu mesmo uma quota na Sociedade Bilhares do Rossio, e através desse local Alfredo Ferraz fez escola e fomentou a modalidade de Bilhar.

Este bilharista também colaborou no jornal Os Sports e na revista Stadium, como orientador de assuntos de bilhar.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do ginasta Robalo Gouveia

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Junto ao complexo desportivo da Urbanização do Bairro das Olaias, está a Rua Robalo Gouveia, com a legenda «Ginasta Olímpico/1923-1986», em homenagem a este professor de ginástica e ginasta olímpico, desde que o Edital municipal de 07/09/1987 o colocou como topónimo da Rua 5 do plano de Urbanização da Encosta das Olaias. Pelo mesmo Edital  acolheu Lisboa outro topónimo de um desportista: a Rua Joaquim Agostinho.

robalo gouveia

Manuel Correia Robalo Gouveia (02.06.1923-08.06.1986) , licenciado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educação Física, foi um ginasta olímpico e professor da disciplina de Educação Física, tendo sido docente em várias escolas e clubes da cidade de Lisboa, como o o Liceu Camões, o Liceu D. João de Castro, os Pupilos do Exército, o Lisboa Ginásio Clube, o Sporting Clube de Portugal, o Ateneu Comercial de Lisboa e o Triângulo Vermelho. Lutador incansável pela causa da Cultura Física e do Desporto, atingiu grande notoriedade como praticante de Ginástica Desportiva, sagrando-se campeão Nacional Absoluto durante vários anos, entre 1952 e 1956, e integrou a 1ª equipa nacional de ginástica aplicada que participou no Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia (Finlândia). Foi ainda praticante de Atletismo e Luta Greco-Romana.

O Professor Robalo Gouveia foi também treinador de vários clubes, selecionador nacional e selecionador da equipa olímpica para Tóquio em 1964, bem como dirigente desportivo quer a nível nacional, na Federação Portuguesa de Ginástica e Comité Olímpico Português, quer internacional, na União Europeia de Ginástica.

Foi agraciado em vida com a Medalha de Bons Serviços Desportivos (1981) e a medalha de prata de Serviços Distintos (1986), e postumamente, a medalha de Mérito Desportivo (1986) e o Colar da Medalha de Valor, Mérito e Bons Serviços da Federação Portuguesa de Ginástica.

Rua Robalo Gouveia placa IV

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do ciclista José Maria Nicolau

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Por sugestão do Sport Lisboa e Benfica, consagrou a edilidade Lisboeta o ciclista José Maria Nicolau no arruamento de ligação entre a Rua Mateus Vicente e o Estádio da Luz, por Edital de 09/06/1992.

Refira-se que o ciclista sportinguista seu contemporâneo e conterrâneo, Alfredo Trindade, foi também integrado na toponímia lisboeta no ano seguinte, pelo Edital de 04/02/1993.

josé maria nicolau

José Maria Nicolau (Cartaxo/15.10.1908 – 25.08.1969) foi um ciclista do Sport Lisboa e Benfica, que fez a sua estreia a 1 de setembro de 1929, na prova dos 64 Km Lisboa- Cartaxo onde alcançou o 5º lugar, e que depois se tornou um dos expoentes máximos do ciclismo português, contribuindo muito para a divulgação da modalidade e do Clube em todo o país, somando 3 vitórias em 1930, bem como na 2ª (1931) e na 5ª Volta a Portugal (1934), para além de ter sido Campeão de Portugal em 1932 e campeão nacional de estrada nos anos de 1931,1932 e 1933, entre outras conquistas.

José Maria Nicolau e Alfredo Trindade foram na sua época os maiores ciclistas portugueses e rivalizavam entre si, embora indissociáveis, já que era quase impossível possível falar de um sem evocar o outro, antecipando a rivalidade Benfica-Sporting no futebol.

Em termos de galardões José Maria Nicolau recebeu a Águia de Prata em 18 de julho de 1931 e mais tarde, em janeiro de 1935, o Sport Lisboa e Benfica organizou uma festa de homenagem aos ciclistas, tendo sido então mostrado um retrato a óleo de José Maria Nicolau, em dimensões naturais,  da autoria de António Duarte e que hoje podemos encontrar no Museu Benfica – Cosme Damião. Também na terra natal do ciclista foi fundado em 2003 o Clube de Ciclismo José Maria Nicolau.

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do futebolista António Pinho da 1ª Seleção Nacional

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Começa junto do polidesportivo do Bairro da Boavista esta Rua António Pinho que homenageia este futebolista da 1ª Seleção Nacional e fundador do Casa Pia Atlético Clube, atribuída pelo Edital municipal de 07/05/2001, no arruamento de ligação entre a Estrada do Outeiro e o Largo Rainha Santa Isabel.

antónio Pinho

Com a legenda «Desportista/1899 – 1998», esta artéria perpetua na cidade de Lisboa António Pinho (05.02.1899 – 22.03.1998), desde os 8 anos de idade o aluno nº 3732 da Casa Pia de Lisboa, na qual revelou as suas capacidades de desportista, sobretudo no futebol. Na época de 1915-1916 fez parte da equipa que conseguiu 97 golos contra zero e na época seguinte, passou para as primeiras categorias do Campeonato Escolar o que lhe valeu em julho de 1917 o prémio Januário Barreto da Associação de Football de Lisboa.

Mais tarde, por intermédio de Cosme Damião, ingressou na equipa do Sport Lisboa e Benfica como defesa direito, na época de 1918-1919 e, por este clube  sagrou-se Campeão de Lisboa na época de 1919-1920. Na época seguinte integrou a equipa do Casa Pia Atlético Clube, de que aliás era co-fundador com Cândido de Oliveira, Ricardo Ornelas, Mário da Silva Marques e David Ferreira, entre outros,  e continuou na selecção da Associação de Football de Lisboa, somando na sua carreira 12 internacionalizações, quer pelo Casa Pia quer pelo Benfica. Refira-se que António Pinho esteve na equipa que disputou o primeiro jogo da Seleção Portuguesa, um jogo particular contra a Espanha disputado em 18 de dezembro de 1921 no campo do Atlético de Madrid. Em 1928, António Pinho voltou ao clube da Luz e aí conquistou o Campeonato de Portugal de 1929-1930.

António Pinho foi galardoado com a Cruz de Ouro do Casa Pia Atlético Clube (1927) e foi o primeiro casapiano a receber esta distinção,  tendo ainda sido eleito por unanimidade sócio honorário da Casa Pia (1983) e agraciado com a  Medalha de Mérito Desportivo (1993).

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do Mestre de Armas António Martins

Freguesias da Penha de França e de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias da Penha de França e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Câmara Municipal de Lisboa, através do seu edital de 12/03/1932, prestou homenagem ao Mestre de Armas António Martins atribuindo o seu nome ao arruamento que liga a Avenida General Roçadas com a Rua da Penha de França, com a legenda «Professor de Esgrima/1875-1931», tornando-o assim o 4º desportista a integrar a toponímia de Lisboa, depois de Francisco Lázaro, Luís Monteiro e o Dr. António Martins.

Os Sports Ilustrados, 11.02.1911

Os Sports Ilustrados, 11.02.1911

António Domingos Pinto Martins (Torres Vedras/1857 – 08.10.1931/Lisboa) , considerado o percursor da esgrima em Portugal, começou muito novo a prática das armas no Regimento de Cavalaria 4, recebendo as primeiras lições com David Augusto dos Santos e António Baldaque da Silva. Ensinou depois no Real Ginásio Clube Português, primeiro auxiliando o mestre francês Petit e mais tarde, em 1885, substituindo-o por motivo do seu regresso a França.  Foi mestre de armas do rei D. Carlos I e dos seus filhos. Foi ainda professor na Escola Naval, na Escola Prática de Infantaria e na Escola do Exército. Em 1897 António Martins também fundou  em Lisboa a Escola Nacional de Esgrima, instituição praticamente oficial, tutelada pelos Ministérios da Guerra e da Marinha, a funcionar no salão nobre do Teatro de São Carlos, e que mais tarde se transformou no Centro Nacional de Esgrima.

O Mestre António Martins também publicou o Manual de Esgrima (1895), com desenhos de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Este esgrimista foi condecorado com a comenda da Legião de Honra francesa e a Ordem Militar de Cristo portuguesa, para além da revista Tiro e Sport ter instituído em 1905 a Taça António Martins, para ser disputada entre salas de esgrima.

Freguesias da Penha de França e de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias da Penha de França e de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Engº Nobre Guedes do Comité Olímpico

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cerca de 7 meses após o seu falecimento, o Engº Nobre Guedes, representante do Comité Olímpico Português, bem como o primeiro comissário nacional da Mocidade Portuguesa, deu o seu nome à Rua A à Rua da Casquilha através da publicação do Edital municipal de 20 de maio de 1970, por sugestão de José Nobre Guedes.

Diário de Notícias, 28.10. 1969

Diário de Notícias, 28.10. 1969

Francisco José Nobre Guedes (Beja/12.02.1893 – 27.10.1969/Lisboa) , formou-se em Engenharia de Máquinas no Instituto Superior Técnico em 1917/18, já que em 1916 foi alistado no Regimento de Infantaria n.º 2  acabando por em  1917 integrar o Corpo de Artilharia Pesada que embarcou para França em outubro de 1917 e de onde regressou logo em dezembro por motivos de saúde .

Nobre Guedes foi uma figura muito conhecida nos meios desportivos enquanto membro do Comité Olímpico Português desde 1918, de que foi Secretário-Geral (1947-1954), Vice-presidente (1954-1957), Presidente (1957-1968) e Presidente de honra (1969). Enquanto desportista praticou boxe, esgrima, futebol e atletismo, onde se destacou como campeão universitário, recordista e campeão nacional do salto em altura sem balanço. Foi ainda membro do júri das provas de atletismo nos Jogos de Amesterdão (1928). Ocupou também lugares dirigentes  no Clube Internacional de Futebol (CIF) bem como nas Federações Portuguesas de Atletismo, de Boxe e na União do Pentatlo Moderno, das quais foi presidente.

Enquanto engenheiro trabalhou na Empresa Eletro-Cerâmica, na Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata e na Bateria de Artilharia da Parede, para além de ter sido administrador da Companhia Agrícola do Carregal.

A partir de 1926, o Engº Nobre Guedes empenhou-se afincadamente na política, através da administração pública, da Mocidade Portuguesa, enquanto deputado e embaixador. Começou por ser chefe de gabinete do Ministro do Comércio, Diretor-geral do ensino técnico (1929), secretário-geral do Ministério da Educação Nacional (1937) e foi ainda vogal do Instituto para a Alta Cultura. Depois, foi o Presidente da Comissão Executiva da União Nacional (1936-1938) e o 1.º Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa (1936-1940), assim como deputado à Assembleia Nacional nas legislaturas de 1935-1938 e de 1938-1942. Nobre Guedes desempenhou ainda as funções de embaixador em Berlim em 1940, cargo que abandonou em março do ano seguinte para fugir aos bombardeamentos aliados sobre a capital alemã.

O Engº Nobre Guedes, que residia em Lisboa na Rua de São Domingos à Lapa, 111 – 1º, foi ainda homenageado com a Medalha Olímpica Nobre Guedesum prémio atribuído anualmente desde 1951 pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), para distinguir os desportistas portugueses que mais se destacaram pelos seus resultados.

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do Pepe do Belenenses junto ao Estádio do Restelo

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

O futebolista Pepe, ídolo do Belenenses, após mais de 60 anos  sobre o seu falecimento deu o seu nome a uma rua próxima do Estádio do Restelo, pelo Edital municipal de 16/12/1992, no que era o Impasse I à Rua Gonçalves Zarco, como  Rua José Manuel Soares (Pepe), por sugestão do munícipe Acácio Rosa.

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José Manuel Soares Louro (Lisboa/29 ou 30 de janeiro de 1908 – 24.10.1931/Lisboa) que nasceu e residiu no nº 17 da Rua do Embaixador, foi um operário do Centro de Aviação Naval das docas do Bom Sucesso e futebolista do Clube de Futebol “Os Belenenses”, conhecido como Pepe.

Durou 5 anos a sua curta carreira já que Pepe faleceu com apenas 23 anos, vítima de envenenamento, mas ele desempenhou um papel fundamental no sucesso do que era até aí um simples clube de bairro e assim ficou Pepe como o ídolo de “Os Belenenses” e o temido adversário dos outros clubes. Começou a jogar futebol em 1924, na 4ª. Categoria do Clube de Futebol “Os Belenenses” e, passou à 2ª. Categoria ainda nesse ano, a 18 de outubro, tendo-se estreado na 1ª. categoria em 1926. Disputou um total de 140 jogos e foi campeão de Portugal em 1929. No Campeonato de Lisboa, Pepe marcou 36 golos, tornando-se o recordista da época. Teve ainda uma magnífica participação nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amesterdão.

Aos 19 anos foi internacional e embora na época em que Pepe jogou houvesse poucos jogos internacionais ainda vestiu 12 vezes a camisola da Seleção Nacional, marcando 7 golos.

Na época de 1931/32, o Belenenses voltou a conquistar o título de campeão de Lisboa mas a fotografia desse feito exibe os jogadores com o sinal de luto nos braços e, nesse mesmo ano de 1932, foi erigido por subscrição nacional e inaugurado nas Salésias, durante as comemorações do aniversário do Clube, um monumento a Pepe que mais tarde foi transferido para o novo espaço do clube, no Restelo.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)