Novembro: As Ruas dos Cinemas de Lisboa – a partir de amanhã

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A partir de amanhã vamos percorrer as ruas que já foram moradas de um Cinema de Lisboa.

No entanto, por já aqui termos dado notícia de algumas dessas artérias não irão este mês constar as seguintes:

Os Sports Ilustrados,10 dezembro 1910

Os Sports Ilustrados,10 dezembro 1910

 

  • a Rua das Portas de Santo Antão, onde em 1890  nasceu o Coliseu dos Recreios no qual foram exibidos os primeiros filmes de grande metragem e, também onde numa pequena parte do mesmo edifício assentou nos anos 40 do séc. XX o Cinema Arco-Íris;
  • Rua do Loreto, onde em 1904 nasceu o Salão Ideal, que depois foi também Cinema Ideal, Cine Camões e Cine Paraíso e que desde 2014, voltou a ser Cinema Ideal;
  • a já extinta Rua do Arco do Marquês do Alegrete, cujo espaço faz parte do passado da Praça do Martim Moniz  e onde a partir de 1915 se exibia o Salão Lisboa;
  • a Avenida da Liberdade, onde em 1924 surgiu o Cine Teatro Tivoli e em 1950, o Cinema São Jorge;
  • Rua Nova da Trindade, onde após o incêndio do Teatro do Ginásio em 1923, surgiu no seu lugar a partir de 1925 o Cinema Ginásio;
  • a Avenida Almirante Reis , onde em 1930 abriu no nº 20 o Cinema Lys;
  • a Travessa do Salitre, onde em 1931, abriu portas o Cine Teatro Capitólio, no Parque Mayer;
  • Praça dos Restauradores, onde foi abriu portas ao público em 1937 o  Cinema Éden traçado por Cassiano Branco, porque o anterior, o Éden Teatro, nasceu no mesmo local em 1914 e a partir daí albergou o Salão Chantecler que desde 1911 estava noutro local da Praça e que, mais tarde, em 1935 passou a ser o Cinema Restauradores
  • Praça Duque de Saldanha, que acolheu em 1951 o Cinema Monumental, obra do arqº  Raul Rodrigues Lima, e em 1970,  o Satélite, uma sala-estúdio, sendo que após a demolição do edifício inicial em 1984 lá regressou ao local, no meio de um centro comercial, o Medeia Monumental;
  • a  Alameda Dom Afonso Henriques que acolheu a partir de 1952 o Cinema Império e incorporando no último andar também o  Estúdio, a partir de 1972;
  • Avenida da República, onde num Pavilhão Municipal da Feira Popular nasceu em 1961 o Cinema Vasco Santana;
  • o Campo Grande que albergou o Caleidoscópio a partir de 1974.

No âmbito da 7ª arte, também já aqui publicámos os seguintes topónimos relativos  a cineastas, documentaristas, guionistas, músicos, cenógrafos, figurinistas e atores:

Cinema, 23 janeiro 1932

Cinema, 23 janeiro 1932

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A Rua Maestro Pedro de Freitas Branco na rua onde viveu

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Pedro de Freitas Branco, que hoje faria hoje 120 anos, foi acolhido como topónimo na antiga Rua da Fábrica das Sedas, arruamento onde o maestro viveu muitos anos , na sequência de um pedido da Juventude Musical Portuguesa e do Sindicato Nacional dos Músicos.

Foi cinco anos após o falecimento do músico que o Edital municipal de 10 de maio de 1968 atribuiu o topónimo Rua Maestro Pedro de Freitas Branco, com a legenda «1896 – 1963», na Rua da Fábrica das Sedas, a unir a Rua Gustavo de Matos Sequeira à  Rua da Escola Politécnica.

Pedro António da Costa de Freitas Branco (Lisboa/31.10.1896 – 24.03.1963/Lisboa) nasceu na Calçada da Quintinha e viveu  a maior parte da sua vida no nº 23 da Rua Fábrica das Sedas, onde veio a falecer. Aos 7 anos iniciou-se no violino para além de ter estudado harmonia e contraponto com Tomás Borba e o seu irmão Luís de Freitas Branco. Em 1924, abandonou o curso de engenharia no Instituto Superior Técnico para se dedicar à música e foi estagiar regência de orquestra em Londres (1925-1927). De regresso,  fundou em 1928 a Companhia Portuguesa de Ópera Lírica, no Teatro São João do Porto e notabilizou-se como chefe de orquestra nos Concertos Sinfónicos de Lisboa, no Tivoli (1928 a 1932).  E após o convite do próprio Maurice Ravel, em 1932, para dirigir em Paris o concerto nº 1 do compositor alcançou renome internacional e fixou-se em Paris, de 1933 a 1937, para dirigir diversas orquestras francesas e europeias.

Pedro de Freitas Branco somou ainda o trabalho na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, desde a sua criação em 1934, tendo-a dirigido até falecer. Acumulou ainda com a regência de Ópera no Teatro Nacional de São Carlos, tanto mais que nos anos 40 e 50, também nessa área fez carreira internacional, com  cantores como Beniamino Gigli, Giuseppe di Steffano e Victoria de los Angeles, ou instrumentistas como o pianista Wilhelm Kempff. Também até 1961 dirigiu igualmente a Orquestra Sinfónica de Lisboa, à frente da qual estreou em Portugal muitas obras de compositores do século XX como Bartók, Luigi Dallapiccola, Paul Hindemith,  Prokofiev, Ravel, Richard Strauss e Stravinski.

Escreveu ainda o livro História da Música Popular em Portugal (1947), revelando a história e a dinamização cultural criada pelas filarmónicas, bandas civis e sociedades de recreio portuguesas. E ainda editou gravações históricas, como a do Concerto para Violoncelo em ré menor, de Edouard Lallo, com Guilhermina Suggia e a London Symphony Orchestra (1946) e aquelas em que perpetuou compositores portugueses como Luís de Freitas Branco e Viana da Mota, mas só dois receberam o Grand Prix du Disque da Academia Charles Cros: em 1954 com obras de Maurice Ravel e em 1962 com obras de Manuel de Falla.

Pedro de Freitas Branco, casado com a pianista Marie Antoinette Levêque, foi ainda agraciado com a Ordem de Sant’iago da Espada no grau de Cavaleiro (1931) e de Comendador (1939). Também a Câmara Municipal de Lisboa, mesmo antes de o colocar na toponímia da cidade, já no ano anterior o homenageara através da colocação de uma lápide no prédio onde ele vivera na então Rua da Fábrica das Sedas.

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Toponomenclatura – Elementos para uma Outra Geografia de Lisboa

autocolanteToponomenclatura – Elementos para uma Outra Geografia de Lisboa

1. Preâmbulo

2. Os dois períodos de fixação da toponímia na Cidade: a) O período ingénuo ou pragmático; b) O período ideológico ou artificial

3. As designações nominais e a topo-onomástica; as designações tipológicas ou toponomenclatura

4. A toponomenclatura: variedade, origem, cronologia de fixação (quando possível), expressão de uma ideia de Cidade, memória residual

5. Brevíssima referência a “suportes de identificação toponímica”, vulgarmente chamados de ”placas”: a distribuição geográfica das suas tipologias

Salete Salvado

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Ao serviço do público: (d)escrever as ruas no século XIX

autocolanteAo serviço do público: (d)escrever as ruas no século XIX

No século XIX, a par do desenvolvimento urbano, e do consequente aumento do número de arruamentos novos e alterados, Lisboa assiste à publicação dos primeiros roteiros de ruas. Destinados a esclarecer o público sobre a localização das ruas, travessas, becos, largos e praças, eles tornam-se hoje fontes indispensáveis para o estudo da toponímia lisboeta.

Nesta comunicação pretendemos mostrar esta importância enquanto fontes, dirigindo a nossa atenção para duas edições de Roteiros: o Itinerário lisbonense ou directório geral de todas as ruas, travessas, becos, calçadas, praças, etc., que se comprehendem no recinto da cidade de Lisboa, de produção anónima, publicado em 1804, e Roteiro das ruas de Lisboa e concelho de Loures, publicado em 1895, na sua 7ª edição, de Eduardo O. Pereira Queiroz Velloso, exemplar anotado pertencente à colecção do Gabinete de Estudos Olisponenses.

Abrangem quase um século de profundas mudanças urbanas na cidade de Lisboa, mas também de mudanças na escolha de topónimos, na forma como se procede à sua localização e ao tipo de informação dada. Reflectir sobre de que forma os roteiros nos ajudam hoje a compreender a Lisboa Oitocentista e a sua toponímia, é aquilo a que nos propomos.

Ana Homem de Melo

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A dominialidade na atribuição toponímica

autocolanteA dominialidade na atribuição toponímica

Palavras – Chave: Toponímia; Dominialidade; Estrutura Fundiária, Público, Privado

Sendo a atribuição toponímica uma forma de perpetuar personalidades, factos e tradições na vivência quotidiana da cidade, em que a temática de onde são extraídos os topónimos a utilizar abrange uma diversidade de temas, como a gastronomia, profissões, geografia, entre outros. As questões relacionadas com a titularidade dos prédios a sua dominialidade e a estrutura fundiária pré – existente, são também factores que influenciam diretamente a atribuição toponímica dos locais. No percorrer da cidade de Lisboa, são vários os exemplos que representam este tipo de influência.

Relativamente à dominialidade, estamos perante duas situações concretas em que os arruamentos se podem caracterizar, ou seja, estes podem posicionar -se juridicamente em domínio público ou domínio privado, podendo esta “classificação” ser um elemento que condiciona a atribuição toponímica. Temos como exemplos representativos do supra referido as Ruas Particulares e os Pátios e Vilas.  A constituição da estrutura fundiária da cidade, em conjunto com a sua evolução urbanística determina a modificação do sistema viário urbano, e do seu consequente reposicionamento em termos dominiais.

No que respeita às ruas particulares, e muito embora o seu posicionamento jurídico/formal as possa condicionar, em termos reais o seu uso poderá ultrapassar claramente os seus pressupostos, podendo estas estar relacionadas entre si não pelo seu domínio mas pela sua função e uso na malha urbana existente.

Da mesma forma como estas podem assumir funções de mera serventia, outras há que se posicionam também neste domínio, que não só assumem o nome dos seus proprietários, como também assumem funções caracterizadoras de um qualquer arruamento urbano.  Temos como um dos exemplos a Vila Grandela, que se apresenta como uma propriedade privada, na qual foi edificada uma vila operária, e cujos arruamentos assumiram nomes importantes ligados a Francisco Grandela.

A importância do conhecimento da estrutura fundiária do solo onde se vai operar, pode compreender inúmeras áreas de ação, não sendo as questões relacionadas com a atribuição toponímica uma exceção.

Marta Ildefonso

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