RAF e Helena Vaz da Silva no MURO’19

A Rua Helena Vaz da Silva

No talude da Rua Helena Vaz da Silva vai estar presente RAF  com uma intervenção artística com 450 metros de extensão, no âmbito da realização do MURO’19 – Festival de Arte Urbana de Lisboa.

Rui Ferreira é o nome civil de RAF, criador das Produções Artísticas da RAF ART Lda., também tatuador e fundador da MU Workspace Creative Cowork, na Alta de Lisboa. Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio e já em 2013 colaborou com a Galeria de Arte Urbana | GAU, ao participar no «Rostos do Muro Azul», na Rua das Murtas.

Área da intervenção artística de RAF para o MURO’19

Helena Vaz da Silva, mulher de cultura e jornalista do Centro Nacional de Cultura e do Instituto Português de Cinema, é topónimo de Rua do Alto do Lumiar desde a publicação do Edital municipal de 20 de novembro de 2003, numa artéria que parte da confluência da Avenida Álvaro Cunhal, Rua Arnaldo Ferreira, Rua General Vasco Gonçalves e Avenida Eugénio de Andrade para chegar à Avenida David Mourão-Ferreira.

Helena Maria da Costa de Sousa Macedo Gentil (Lisboa/03.07.1939 – 12.08.2002/Lisboa), nascida alfacinha no nº7 C do Largo Dr. António de Sousa Macedo, estudou em colégios católicos e quando terminou o ensino secundário ficou a ensinar Moral e Francês no Colégio das Oblatas, tendo também aos 17 anos conseguido o seu primeiro emprego como correspondente de línguas na Agência de Publicidade Manuel Martins da Hora, onde outrora trabalhara Fernando Pessoa. Em 1959, casou com Alberto Vaz da Silva, de quem teve quatro filhos (Francisco, Salvador, Tomás e Helena) e esta decisão pessoal vai marcar a sua carreira profissional futura já que o  seu círculo de amigos próximos passou a incluir Alçada Baptista, Nuno Bragança, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, bem como José Escada, Luís Sousa Costa e Mateus Cardoso Peres. Concretizaram juntos em 1963 a revista católica de oposição ao regime salazarista, O Tempo e Modo, dirigida por Alçada Baptista, editada por Pedro Tamen, com chefia de redação de João Bénard da Costa e tendo como principais redatores Nuno Bragança e Alberto Vaz da Silva.

Em 1965, Helena Vaz da Silva assumiu a responsabilidade da edição portuguesa da revista Concilium, para difundir o espírito de Vaticano II, a partir da qual também se organizaram debates e seminários. E três anos depois, em 1968, foi para Paris fazer a sua formação de jornalista. Regressou a Portugal em 1972, para retomar o trabalho na O Tempo e o Modo, onde organizou dois números especiais, um sobre Deus e outro sobre o casamento, tendo este último sido apreendido pela Censura após a publicação. Ainda em 1972 dirigiu a empresa turística algarvia da Quinta da Balaia. Em 1973 ingressa no semanário Expresso, onde até 1976 assumiu a coordenação da «Revista», para além do trabalho de reportagens, crónicas e entrevistas. Depois foi trabalhar para a Direção de Programas Sociais e Políticos da RTP, a que regressou em 1993, para o Conselho de Opinião da RTP. Esteve na Agência ANOP (1977), onde trabalhou como grande repórter e chefe da secção de cultura e educação, para além de se ter associado à revista Raiz e Utopia, fundada em 1977 por António José Saraiva, passando em 1978 a ser a proprietária e diretora da mesma.

De 1979 até à sua morte presidiu ao Centro Nacional de Cultura, sendo muito recordada pelos lisboetas pela criação dos Passeios de Domingo, iniciativa de itinerários culturais pioneira em Portugal. Em 1980 foi nomeada Vice-Presidente do organismo de apoio à criação cinematográfica, o Instituto Português de Cinema.

Do vasto currículo de Helena Vaz da Silva refira-se que foi tradutora, nomeadamente de Yourcenar e deixou obra publicada como Júlio Pomar com Helena Vaz da Silva (1979), Portugal – o último descobrimento (1987); fez crónicas para a Antena 1, TSF, Comercial e Rádio Renascença; integrou a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1987) e a Comissão Nacional da UNESCO (de 1989 a 1994); foi deputada no Parlamento Europeu, como independente eleita nas listas do PSD (1994-1999); presidiu à Comissão Cidadão e Justiça (1990); foi membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa, do Conselho Estratégico de Lisboa (1992), da Comissão para o Futuro da Televisão em Portugal (1996), do Conselho Geral do Movimento Europeu e ainda, presidiu ao Grupo de Trabalho sobre Serviço Público de Televisão, a partir de 5 de junho de 2002.

A intervenção de RAF na Rua Helena Vaz da Silva
(Foto: Bruno Cunha| DPC| 2019)

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

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Muzai na Escola Nuno Cordeiro da Avenida David Mourão-Ferreira, no MURO’19

Muzai na Escola Nuno Cordeiro: A Balada de Seu Ciro e Dona Elvira
(Foto: © José Vicente| CML| DPC| 2019

No âmbito do MURO’19 foi Muzai o escolhido para deixar a sua intervenção artística – A Balada de Seu Ciro e Dona Elvira – na empena da Escola Básica Nuno Cordeiro, sediada na Avenida David Mourão-Ferreira, nesta 3ª edição Festival de Arte Urbana de Lisboa em que a arte urbana se une à música e à literatura presente no espaço, quer através da toponímia, quer de concertos e peças artísticas que unem a pintura a sonoridades.

O brasileiro Muzai usa o fio condutor da simplicidade do seu traço e de cores puras, fortes e contrastadas, para produzir arte urbana. Procura uma poética visual de fantasia e sonho, como que resgatando a criança interior do interior do homem. Nascido em Minas Gerais, em 1968, como Fabrício Alves, desde criança que era apaixonado por banda desenhada e licenciou-se pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia. Desde 2009 que se tornou o artista Muzai, após ter visitado São Paulo e ter ficado impressionado com o impacto da arte urbana na cidade em contraste com as antigas ruas cinzentas. Começou o seu percurso pela arte urbana mural na sua cidade natal.

David Mourão-Ferreira, escritor romancista, novelista, contista, dramaturgo e poeta que também escreveu para fado, professor universitário de literatura, ensaísta, jornalista e cronista, tradutor e crítico literário é o homenageado nesta longa Avenida onde se encontra a Escola Básica Nuno Cordeiro em cuja empena Muzai pintou a sua obra de caras, guitarra e ternura.

A Avenida David Mourão-Ferreira foi o topónimo dado à Rua 3 da Malha 14,6,1,2 e 3 do Alto do Lumiar através da publicação do Edital municipal de 22 de julho de 2005 e que encontramos desde a rotunda onde confluem a Avenida Carlos Paredes e a Rua General Vasco Gonçalves até ao Eixo Central (no troço entre Rotunda 2 e a Av. Nuno Krus Abecassis). Com a Rua José Cardoso Pires e a Avenida Carlos Paredes define quase um círculo em cujo espaço interior decorre o MURO’19.

O escritor David de Jesus Mourão-Ferreira (Lisboa/24.02.1927-16.06.1996/Lisboa), filho de David Ferreira – secretário do diretor da Biblioteca Nacional – e de Teresa de Jesus Mourão-Ferreira, homem de múltiplas facetas notabilizou-se como poeta do amor e da sensualidade, como uma personalidade que tanto na vida como na escrita celebrou o amor, o erotismo e o corpo em palavras. Nasceu e viveu até aos 15 anos no Bairro da Lapa, frequentou o Colégio Moderno e já nas brincadeiras de infância fazia peças de teatro e jornais que o seu irmão mais novo – Jaime Alberto – ilustrava. Licenciou-se em 1951 em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde veio a ser professor e catedrático de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa.

Com Alain Oulman, David Mourão-Ferreira levou os seus poemas também para o fado e para a voz de Amália, em que se destacam Barco Negro (1954), Abandono, Solidão,  Espelho Quebrado, Primavera, Anda o Sol na Minha Rua, Nome de Rua ou Maria Lisboa (1961). Depois, também produziu letras para Simone de Oliveira ou Luís Cília, apesar de ter sido alvo de uma campanha de difamação, assim como de um processo judicial por  ter subscrito a apresentação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia (em 1965), bem como por no ano seguinte ter prefaciado a tradução de A Filosofia da Alcova do Marquês de Sade.

Começou a sua vida literária na poesia com a A Viagem (1950) a que somou, entre outros, Tempestade de Verão (1954) que foi Prémio Delfim Guimarães, Os Quatro Cantos do Tempo (1958), A Arte de Amar (1962), Cancioneiro de Natal (1971) que foi Prémio Nacional de Poesia, Matura Idade (1973), Sonetos do Cativo (1974), Os Ramos e os Remos (1985), No Veio de Cristal (1988) que foi Grande Prémio Inasset de Poesia, Nos Passos de Pessoa (1988) que ganhou o Prémio Jacinto Prado Coelho e a antologia erótica Música de Cama (1994).

São também de destacar as novelas Gaivotas em Terra (1959) que conquistaram o Prémio Ricardo Malheiros e são topónimo de uma artéria do Parque das Nações, a peça O Irmão (1965) que foi Prémio de Teatro da Casa da Imprensa, os contos Os Amantes (1968), As Quatro Estações (1980) galardoada com prémio da Associação Internacional dos Críticos Literários, o romance Um Amor Feliz (1986) – que recebeu o Prémio de Narrativa do Pen Clube Português, o Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o Prémio de Ficção Município de Lisboa, o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores e a Medalha Oskar Nobiling da Academia Brasileira de Letras -, Duas Histórias de Lisboa (1987) e o CD Um Monumento de Palavras.

Colaborou também em jornais e revistas, como o Diário Popular ou a revista Seara Nova (onde em 1945 publicara os seus primeiros poemas), para além de ter sido um dos fundadores da revista literária Távola Redonda (1950-1954) que dirigiu com António Manuel Couto Viana e Luís de Macedo. Em 1967, tinha a rubrica «Poesia para Todos» no Diário de Lisboa e após o 25 de Abril dirigiu A Capital e foi diretor-adjunto de O Dia. Na década de sessenta do séc. XX também foi o autor do programa Música e Poesia na Emissora Nacional e de Hospital das Letras e Imagens da Poesia Europeia na RTP, tendo nos anos setenta criado também O Dom de Contar para a televisão.

Desempenhou ainda as funções de Secretário de Estado da Cultura (nos anos de 1976, 1977 e 1979), sendo seu o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado. A partir de 1981 dirigiu o Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian e depois, presidiu à Associação Portuguesa de Escritores (1984 – 1986) e ao Pen Club Português (1991).

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Rua Prof. Mário Chicó

Rua Prof. Mário Chicó, topónimo atribuído a um arruamento da freguesia do Lumiar por Edital de 27 de Fevereiro de 1978

Mário de Sousa Tavares Chicó (1905-1966), historiador de Arte, conservador de museu e professor universitário. O seu apelido Chicó foi por ele adoptado em homenagem ao seu avô adoptivo, Manuel Rodrigues Chicó, natural de Goa, engenheiro agrónomo que trabalhou nas propriedades agrícolas da Casa Cadaval, em Évora. Terá sido também por influência deste avô que Mário Chicó, após o Liceu, se decidiu a frequentar a Escola Agrícola de Coimbra, curso que viria a abandonar e a trocar pelo de Direito, na mesma Universidade, até finalmente, ingressar e completar o Curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa (1935). Entre 1937 e 1939 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, o que lhe permitiu frequentar o Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Paris, e de estudar Arqueologia Medieval. A sua obra escrita revela bem o interesse por este período tendo publicado Remarques sur le choeur de l´église Sainte Marie de la Victoire Batalha (1940), A arquitectura da Idade Média em Portugal (1944), A catedral de Évora na Idade Média (1946), A arquitectura gótica em Portugal (1954), entre outros. Em 1942 colaborou na História da Arte em Portugal com diversos outros historiadores e em 1959 planeou e dirigiu um inovador Dicionário da Pintura Universal em colaboração com José-Augusto França e Artur Nobre Gusmão. Concorreu ao lugar de director do Museu Regional de Évora, que venceu em 1943, aqui permanecendo até à sua morte. A partir de 1946, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa como professor da cadeira de Estética e História da Arte, tendo sido convidado a leccionar em várias universidades europeias e brasileiras. Em 1951 concretiza um outro projecto de investigação, obtendo o apoio da Junta das Missões Geográficas e Investigações Coloniais, viajando até à Índia para estudar a arquitectura de influência portuguesa naquela parte do Mundo. Foi o primeiro presidente da mesa da assembleia geral da Associação Portuguesa de Museologia, e pertenceu à Academia Nacional de Belas Artes.

O seu contributo para o conhecimento da história de Lisboa prende-se sobretudo com a sua carreira de Conservador de Museu, curso que fez em 1940 após o seu regresso do estrangeiro. É a Mário Chicó que a Câmara Municipal de Lisboa recorre para o projecto de criação de um museu municipal. A ideia de criar um espaço museológico dedicado à história da cidade fora lançada em 1909, e muito tenuemente executada em 1922, numa sala da Associação dos Arqueólogos Portugueses. O projecto de um museu de Lisboa, arrancou definitivamente por proposta do vereador Pereira Coelho, de 1935, destinando-se-lhe o Palácio da Mitra, adquirido pela autarquia em 1930. A adaptação do Palácio a Museu Municipal foi entregue a Mário Chicó, conservador dos Museus Municipais, o qual, consciente que seria uma morada provisória (como aliás tinha sido afirmado pela própria Câmara na proposta que apresentou à Junta Nacional de Educação, organismo da tutela), e das dificuldades em expor todas as espécies, optou por um circuito expositivo de acordo com a tipologia das peças (pinturas, gravuras, cerâmica, etc.) em detrimento de uma exposição cronológica, ao mesmo tempo que procurava valorizar o próprio edifício. No entanto, Mário Tavares Chicó deixou delineado um outro projecto para um futuro museu municipal que se pretendia edificar de raiz. Neste projecto, o museu deveria ter as seguintes secções: História e Geografia Locais, Arqueologia, Artes Plásticas, Estampas e Desenhos, Artes Decorativas, Etnografia, Medalhas, Sala de Exposições Temporárias, Biblioteca Olisiponense, Arquivo Municipal e Arquivo Fotográfico.

É de facto, Mário Tavares Chicó o primeiro a propor a criação de um núcleo arquivístico dedicado exclusivamente à fotografia, destinado a preservar a colecção inicial de fotografias que a Câmara possui, datadas de 1898-1908, e que constituem o seu núcleo antigo, bem como as fotografias que eram então tiradas, fosse para efeitos de propaganda da cidade, fosse para efeitos de recolha de imagens do património lisboeta. Desde o início da sua carreira de historiador de Arte Chicó utilizara a fotografia para documentar os seus trabalhos, valorizara a importância da fotografia para o estudo do património e deu destaque aos fotógrafos que com ele colaboraram como co-autores. Apesar desta sua proposta inicial, o Arquivo Fotográfico só abriria ao público, na década de 60 do século XX.

© CML | DPC | Gabinete de Estudos Olisiponenses | 2019

A Rua Helena Vaz da Silva, do Centro Nacional de Cultura e do Instituto Português de Cinema

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Helena Vaz da Silva que se distinguiu sobretudo como dinamizadora cultural e que foi vice-presidente do organismo de apoio à criação cinematográfica, o Instituto Português de Cinema, em 1980, década de ouro do cinema português, dá o seu nome a um arruamento do Lumiar desde o ano seguinte à sua morte.

Pelo Edital de 20 de novembro de 2003 a Rua E da Malha 15, 7 e 3 do Alto do Lumiar passou a ter o topónimo Rua Helena Vaz da Silva, partindo da confluência da Avenida Álvaro Cunhal, Rua Arnaldo Ferreira, Rua General Vasco Gonçalves e Avenida Eugénio de Andrade para chegar à Avenida David Mourão-Ferreira.

Helena Maria da Costa de Sousa Macedo Gentil (Lisboa/03.07.1939 – 12.08.2002/Lisboa) estudou em colégios católicos e quando terminou o ensino secundário ficou a ensinar Moral e Francês no Colégio das Oblatas, tendo também aos 17 anos conseguido o seu primeiro emprego como correspondente de línguas na Agência de Publicidade Manuel Martins da Hora, onde outrora trabalhou Fernando Pessoa.

Em 1959, casou  com Alberto Vaz da Silva, de quem teve quatro filhos (Francisco, Salvador, Tomás e Helena) e esta decisão pessoal vai marcar a sua carreira futura. O seu círculo de amigos próximos passou a incluir Alçada Baptista, Nuno Bragança, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, bem como José Escada, Luís Sousa Costa e Mateus Cardoso Peres. Chegaram a idealizar em 1961 um plano comunitário –  O Pacto – em que 5 casais orientados pelo Padre Manuel Antunes viveriam em comunidade numa quinta com 5 casas e uma cooperativa de ensino, o que nunca se concretizou, mas fizeram nascer em 1963 uma revista, O Tempo e Modo, uma revista católica de oposição ao regime salazarista, dirigida por Alçada Baptista, editada por Pedro Tamen, com chefia de redação de João Bénard da Costa e tendo como principais redatores Nuno Bragança e Alberto Vaz da Silva.

Em 1965, Helena Vaz da Silva assumiu a responsabilidade da edição portuguesa da revista Concilium, para difundir o espírito de Vaticano II, a partir da qual também se organizaram debates e seminários. E três anos depois, em 1968, foi para Paris fazer a sua formação de jornalista. Regressou a Portugal em 1972, para retomar o trabalho na O Tempo e o Modo, onde organizou dois números especiais, um sobre Deus e outro sobre o casamento, tendo este último sido apreendido pela Censura após a publicação. Ainda em 1972 dirigiu a empresa turística algarvia da Quinta da Balaia. Em 1973 entra para o  semanário Expresso, onde até 1976 assumiu a coordenação da «Revista», para além do trabalho de reportagens, crónicas e entrevistas. Depois foi trabalhar para a Direção de Programas Sociais e Políticos da RTP, a que regressou em 1993, para o Conselho de Opinião da RTP. Esteve na Agência ANOP (1977), onde trabalhou como grande repórter e chefe da secção de cultura e educação, para além de se ter associado à revista Raiz e Utopia, fundada em 1977 por António José Saraiva, passando em 1978 a ser a proprietária e diretora da mesma.

Em 1979, iniciou a sua carreira no Centro Nacional de Cultura, onde permaneceu até à sua morte, sendo muito recordada pelos lisboetas pela criação dos Passeios de Domingo, no decorrer da sua Presidência, que foram pioneiros na introdução em Portugal dos itinerários culturais. Em 1980 foi nomeada Vice-Presidente do  Instituto Português de Cinema.

Helena Vaz da Silva foi ainda tradutora, nomeadamente de Yourcenar e deixou obra publicada como Júlio Pomar com Helena Vaz da Silva (1979), Portugal – o último descobrimento (1987), três volumes de Qual Europa (de 1996 a 1999) e Incitações para o Milénio (2001). Colaborou para mais jornais e também fez crónicas para a Antena 1, TSF, Comercial e Rádio Renascença. Integrou ainda a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1987), a Comissão Nacional da UNESCO (de 1989 a 1994), presidiu à Comissão Cidadão e Justiça (1990), foi membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa  e do Conselho Estratégico de Lisboa (1992), da Comissão para o Futuro da Televisão em Portugal (1996), do Conselho Geral do Movimento Europeu e finalmente, presidiu ao Grupo de Trabalho sobre Serviço Público de Televisão, a partir de 5 de junho de 2002.

Entre 1994 e 1999 foi deputada no Parlamento Europeu, como independente eleita nas listas do PSD.

Helena Vaz da Silva foi agraciada com a Ordem de Mérito francesa (1982), com o Bordalo de Honra da Casa da Imprensa (1999) e como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (2000), para postumamente o ser também com uma placa evocativa colocada pela edilidade alfacinha na casa onde nasceu no Largo Dr. António de Sousa Macedo, nº7 C e a edição pelo  Centro Nacional de Cultura de uma serigrafia de Graça Morais – Helena pelas sete partidas do Mundo – em sua homenagem (2006), com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural (desde 2013) promovido por Europa Nostra, Centro Nacional de Cultura e Clube Português de Imprensa de Portugal, sendo ainda topónimo em Almada (Charneca da Caparica), na Amadora (Buraca), em Sintra (Mem Martins) e em Valongo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua António Alçada Baptista de «Os Nós e os Laços»

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Alçada Baptista, autor do romance  Os Nós e os Laços e escritor que se definiu pelas palavras liberdade e afeto, é topónimo de uma Rua da Urbanização Benfica Stadium,  na freguesia de São Domingos de Benfica, desde a publicação do Edital municipal de 30 de abril de 2014, com a legenda «Escritor/1927 – 2008».

Alçada Baptista fixou-se como topónimo na Urbanização Benfica Stadium pelo Edital nº 33/2014 e pelo nº 34/2014, do mesmo dia 30 de abril de 2014, ficaram também no mesmo bairro a poetisa Natércia Freire e a investigadora de literatura portuguesa Luciana Stegagno Picchio, tendo aliás a inauguração oficial dos três topónimos ocorrido em simultâneo, no dia 29 de janeiro de 2016.

António Alfredo da Fonseca Tavares Alçada Baptista (Covilhã/29.01.1927 – 07.12.2008/Lisboa) foi um dos grandes divulgadores da cultura portuguesa, tendo também contribuído para ela como escritor, editor e militante do Centro Nacional de Cultura desde o  início dos anos 50 à primeira década do século XXI. Enquanto escritor, foi sobretudo romancista mas também ensaísta. Da sua relevante obra literária, destacam-se os seus dois tomos de O Tempo nas PalavrasPeregrinação Interior (1971 e 1982), Conversas com Marcello Caetano (1973), O Anjo e a Esperança (1982), a sua estreia como romancista em Os Nós e os Laços (1983), que recebeu o Prémio Literário Município de Lisboa (1985) e o Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1986), bem como Catarina ou o Sabor da Maçã (1988) ou Tia Suzana, Meu Amor (1989), assim como O Riso de Deus (1994), a obra de memórias A Pesca à Linha (1998), O Tecido do Outono (1999) ou A Cor dos Dias (2003).

Como editor, apostou na aventura editorial da sua «casa de reflexão e poesia», a Moraes Editora, que dirigiu de 1957 a 1972, tendo contribuído para a revelação ou divulgação de autores portugueses, como Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena, Alexandre O’Neill, Pedro Tamen, Ruy Belo, António Ramos Rosa, e estrangeiros, como Emmanuel Mounier ou Jean-Marie Domenach. Também a partir desta editora publicava a  revista Concilium, dirigida por Helena Vaz da Silva. Acresce que os livros que a Moraes publicava eram frequentemente apreendidos, causando elevados prejuízos à editora, que acabaria por falir em 1980.

Como jornalista, fundou e dirigiu a revista O Tempo e o Modo, de 1963 a 1969, cujo corpo redatorial era maioritariamente constituído por católicos contestatários da relação entre a Igreja e o Estado Novo, mas também por democratas de outras áreas de esquerda, de que se recordam Pedro Tamen, Nuno Bragança, João Bénard da Costa ou Mário Soares, Salgado Zenha ou Jorge Sampaio.  Entre fevereiro de 1977 e abril de 1978, foi director do jornal diário Dia, sucedendo a Vitorino Nemésio e, entre 1992 e 2006, escreveu crónicas para a revista Máxima. Antes de dirigir O Dia, foi colaborador regular de A Capital, conforme recorda Appio Sottomayor que ainda acrescenta que «Era aliás frequente a sua presença na redacção, então situada na Travessa do Poço da Cidade. Entregava os originais, conversava e, regra geral, almoçava com alguns jornalistas.»

Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa, onde ingressara em 1945, esteve desde jovem ligado aos chamados católicos progressistas. Advogado de formação foi advogado de defesa de presos políticos nos Tribunais Plenários. Em março de 1957, foi um dos 72 advogados de Lisboa e do Porto que assinaram uma representação ao ministro da Presidência pedindo um «inquérito à PIDE». Em 1958, apoiou a candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República. Em 1959 assinou, com outros oposicionistas, um documento em que se pedia a Salazar que por ocasião da sua última lição em Coimbra, «se verifique também o seu afastamento da vida política». Em 1961, foi candidato em Castelo Branco na lista da Oposição tal como em 1969, na lista da CDE. Entre 1971 e 1974, foi assessor para a Cultura do então ministro da Educação Nacional, Veiga Simão.

Na Secretaria de Estado da Cultura, onde entrou em 1980, chefiou os trabalhos de criação do Instituto Português do Livro, de que foi presidente até 1986, desenvolvendo as relações culturais com os países lusófonos, designadamente Cabo Verde, Moçambique e Brasil, bem como a estimulação da Rede Nacional de Biblioteca Públicas, o patrocínio da reedição de clássicos da literatura portuguesa e a organização do Dicionário Cronológicos dos Autores Portugueses. Foi presidente das Comemorações do Cinquentenário da Morte de Fernando Pessoa (1985) e da Comissão de Avaliação do Mérito Cultural, administrador e consultor da Fundação Oriente ( a partir de 1996), presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, de 1988 a 1998. A sua dedicação à cultura da língua portuguesa valeu-lhe a indigitação para adido cultural de Portugal no Brasil.

Na sua vida pessoal, casou em 1950 com Maria José de Magalhães Coutinho Guedes de quem teve sete filhos e residiu em Lisboa na Rua de São Marçal.

Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras, bem como agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1983) e a Grã-Cruz da Ordem do Infante (1995), Medalha de Mérito Municipal da Covilhã (1999) e, postumamente, com a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2009) e a criação do Prémio António Alçada Baptista de Literatura Memorialista e Autobiográfica, a que acresce que, para além de Lisboa, também em Almada, na Urbanização da Quinta do Gil da Charneca da Caparica é topónimo de uma Rua.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Aquilino Ribeiro

Freguesia de Marvila - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Aquilino Ribeiro, autor de Quando os Lobos Uivam ou O Romance da Raposa, está como topónimo de uma Rua da freguesia de Marvila desde 1970, sete anos após a morte deste homem de cultura.

Foi pelo Edital municipal de 4 de Novembro de 1970  que duas artérias da Malha I de Chelas passaram a homenagear os republicanos Manuel Teixeira Gomes (nas Ruas I – 2 e I – 6) e Aquilino Ribeiro (na Rua I – 9). Já em 25 de janeiro de 1965 surgira a proposta para apreciação na Comissão Municipal de Toponímia, por via de sugestão publicada no jornal República em 19/11/1964, que se repetiu na reunião de 16 de maio de 1969 e em 15 de maio de 1970, até que um despacho do Presidente da edilidade em 21 de outubro de 1970, despoletou a atribuição.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Aquilino Ribeiro (Sernancelhe – Carregal de Tabosa/13.09.1885 – 27.05.1963/Lisboa) foi um notável escritor e defensor dos ideais republicanos. Aquilino frequentou os seminários de Lamego, Viseu e Beja mas em 1906 abandonou os estudos teológicos e fixou-se em Lisboa onde se dedicou à tradução e ao jornal republicano A Vanguarda. Em 1907, foi iniciado mação na Loja Montanha de Lisboa mas em novembro, na sequência de um acidente com explosivos no seu quarto na Rua do Carrião, que vitimou dois carbonários, foi preso. Conseguiu evadir-se em 12 de janeiro de 1908 e durante a clandestinidade em Lisboa manteve contatos com os regicidas, refugiado que estava na casa de Meira e Sousa, na Rua Nova do Almada, em frente do Tribunal da Boa Hora.

Em 1910, Aquilino Ribeiro partiu para Paris onde estudou na Faculdade de Letras da Sorbonne e conheceu a sua primeira mulher Grete Tiedemann, residindo na Alemanha e em Paris, com uma vinda a Portugal após a implantação da República. Em 1914, com a eclosão da 1ª Grande Guerra, regressou a Portugal e passou a ser docente no Liceu Camões (1915 – 1918), integrando também a partir de 1921 o grupo fundador e a primeira direcção da Seara Nova. A convite de Raúl Proença, trabalhou depois na Biblioteca Nacional, de 1919 a 1927, mas como defensor da justiça e da liberdade envolveu-se em conspirações contra a ditadura do Estado Novo, como a revolta de 7 de fevereiro de 1927 e a revolta de Pinhel de 1928, que lhe acartaram perseguições e prisão conduzindo-o a um novo exílio em Paris. Em 1929, já viúvo, casou com a filha de Bernardino Machado, Jerónima Dantas Machado, de quem tem no ano seguinte um filho, Aquilino Ribeiro Machado que será Presidente da CML entre 1977 e 1979 e já é também topónimo em Lisboa. Em 1931 vai viver para a Galiza e no ano seguinte volta a Portugal, embora clandestinamente, sendo depois amnistiado e passa a viver na Cruz Quebrada. Recebeu o Prémio Ricardo Malheiros em 1933, integrou a Academia das Ciências de Lisboa em 1935, foi um dos fundadores e e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1956 e, passados quatro anos foi proposto para Prémio Nobel da Literatura.

Escritor ímpar, com um vocabulário exuberante, original e pitoresco, foi autor de uma vasta e importante obra literária, de mais de 60 volumes, abrangendo ficção, crítica, biografia, evocação histórica, ensaio, teatro, etnografia e contos para crianças, de que destacamos o seu primeiro, o livro de contos Jardim das Tormentas (1913) bem como Terras do Demo (1919),O Malhadinhas (1920), Filhas da Babilónia (1920), Estrada de Santiago (1922), O Romance da Raposa (1924) para jovens, Andam Faunos pelo Bosque (1926), Batalha Sem Fim (1931), As Três Mulheres de Sansão (1932), Maria Benigna (1933), Volfrâmio (1944), Constantino de Bragança (1947), O Homem da Nave (1951),  Abóboras no Telhado (1955), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1958) que foi apreendido pela censura e lhe valeu um processo em tribunal ou ainda o infantil O Livro de Marianinha (1962).

No ano de 1963, em que faleceu, comemorava os cinquenta anos de vida literária e foram várias as cidades portuguesas que o homenagearam embora a Censura tenha ordenado aos jornais que não o noticiassem. Em 2007, a Assembleia da República determinou que os seus restos mortais integrassem o Panteão Nacional e o seu nome está também presente na toponímia dos concelhos de Sernancelhe, Aguiar da Beira, Albufeira, Almada, Amadora, Amarante, Aveiro, Azeitão, Barcelos, Barreiro, Barroselas, Beja, Benavente, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Cascais, Chaves, Coimbra, Entroncamento, Évora, Fafe, Faro, Ferreira do Alentejo, Gondomar, Grândola, Guimarães, Lagos, Lamego, Loures, Maia, Mafra, Mangualde, Marinha Grande, Marvão, Matosinhos, Moimenta da Beira, Moita, Montemor-o-Novo, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ovar, Palmela, Paredes de Coura, Penafiel, Pinhel, Pombal, Ponte de Lima, Ponte de Sor, Portimão, Porto, Santarém, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra, Tabuaço, Torredeita, Trancoso, Trofa, Valongo, Viana do Castelo, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Paiva, Viseu.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Ruy Cinatti, de Uma Sequência Timorense e dos Cadernos de Poesia

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O autor de Uma Sequência Timorense e editor dos Cadernos de Poesia, Ruy Cinatti, que viveu 20 anos em Timor e nos últimos vinte da sua vida residiu em Lisboa, está desde 1997 perpetuado na toponímia do Bairro dos Sete Céus, com a legenda «Poeta/1915 – 1986», a unir a Rua dos Sete Céus à  Rua João Lourenço Rebelo.

Ruy Cinatti foi fixado no Impasse 1 do Bairro dos Sete Céus pelo Edital municipal de 30 de janeiro de 1987, o mesmo que colocou em outros arruamentos do Bairro os nomes do músico João Lourenço Rebelo, do fadista Joaquim Cordeiro, da cantora lírica Maria Júdice da Costa e dos poetas Vasco de Lima Couto e António Aleixo.

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes  (Londres/08.03.1915 – 12.10.1986/Lisboa), estudou no Liceu Passos Manuel e formou-se como engenheiro agrónomo, tendo fixado-se  definitivamente em Lisboa a partir de 1963. Entre 1943 e 1945 desempenhara o cargo de meteorologista aeronáutico da Pan-American Airways e, de 1946 a 1948, exercera a função de chefe de gabinete do governador de Timor (que desde 2002 é a República Democrática de Timor-Leste ou  Timor Loro Sae ), mantendo-se depois no território como chefe dos serviços agronómicos e aí realizando também estudos de arqueologia, ecologia, fitogeografia e antropologia cultural, tendo mesmo feito um doutoramento em Antropologia Geral e Social, em Oxford, em 1958.

Como escritor e poeta estreou-se aos 21 anos, em 1936, com o conto Ossobó, seguindo-se a edição do seu primeiro livro de poesia Nós Não somos deste mundo (1941). São ainda de destacar entre muitas das suas obras,  Anoitecendo, a vida recomeça (1942), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada, Meu Amigo (1958), Manhã Imensa (1967), Cancioneiro para Timor (1968), Sete Septetos (1968), Borda D’ Alma (1969), Uma Sequência Timorense (1970), Memória Descritiva (1971), Conversa de Rotina (1973), Paisagens Timorenses com Vultos (1974), Cravo Singular (1974), Import-Export (1976), 56 Poemas (1981). Em 1967, sob o pseudónimo de Júlio Celso Delgado também publicou Crónica Caboverdeana.

A partir de 1940 dirigiu a publicação Cadernos de Poesia – na 1ª série com Tomás Kim (pseudónimo de Joaquim Monteiro Grilo), João Cabral do Nascimento e José Blanc de Portugal e na 2ª série, com Jorge de Sena, José Blanc de Portugal e  José-Augusto França – com o objetivo de «arquivar a actividade da poesia actual sem dependências de escolas ou grupos literários, estéticas ou doutrinas, fórmulas ou programas». Ruy Cinatti também fundou e dirigiu a revista Aventura, cinco números publicados de 1942 a 1944.

Em 1950 também publicou estudos científicos relacionados com Timor: «Reconhecimento em Timor», «Esboço histórico do Sândalo no Timor Português», «Explorações Botânicas em Timor»e «Reconhecimento Preliminar das Formações Florestais no Timor Português».

Foi Prémio Antero de Quental 1958, Prémio Nacional de Poesia 1968, Prémio Camilo Pessanha 1971 e Prémio P.E.N. de Poesia 1982 e o seu nome está também presente na toponímia dos concelhos da Amadora, Oeiras, Seixal e Sintra.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Delfim de Brito Guimarães, o escritor e editor da Guimarães Editores

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escritor e editor Delfim de Brito Guimarães está como topónimo de uma rua Campolide desde 1995, passados 62 anos sobre a sua morte, tendo a edilidade seguido a proposta da Casa do Concelho de Ponte Lima, já que o homenageado se afirmava limiano de afeição.

A Casa do Concelho de Ponte Lima solicitou que o nome de Delfim Guimarães, filho de um limiano e que muito tempo viveu nela, fosse atribuído a um arruamento de Campolide, nas imediações da sua sede, proposta com que a Câmara Municipal de Lisboa concordou e assim atribuiu a Rua Delfim de Brito Guimarães ao troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa, pelo Edital municipal de 17 de fevereiro de 1995.

Na Ilustração Portuguesa de 17 de janeiro de 1910

Delfim de Brito Monteiro Guimarães (Porto/04.08.1872 – 06.07.1933/Amadora), nascido na Rua do Bonjardim nº 184 como terceiro dos seis filhos do limiano, comerciante e jornalista Delfim José Monteiro Guimarães Júnior e de Maria Júlia Moreira de Brito Barreiros, foi um poeta, novelista, dramaturgo, crítico, tradutor,  investigador literário, e o fundador com Libânio da Silva, em 1899, da Livraria-Editora Guimarães Editores na Rua da Misericórdia, que assim começou por designar-se Guimarães, Libânio e C.ª.

Com dezoito anos, em 1890, veio para Lisboa, acompanhando a mudança da família, e começou a trabalhar como guarda-livros – hoje diríamos contabilista-,  n’ O Século e aí se manteve dez anos mas foi obrigado a retirar-se por à Administração desagradar a sua atividade literária. Fundou então a Guimarães Editores que grande serviço prestou à cultura portuguesa, nomeadamente pelos autores estrangeiros que trouxe aos portugueses em cuidadas traduções, construindo uma chancela que ainda hoje existe integrada no grupo Babel.

Lançou-se como escritor em 1893, com poemas em Alma Dorida, Poemas em Prosa dedicado à sua mãe, bem como com Lisboa Negra, versos que dedicou à Capital e à sua difícil adaptação a ela. No ano seguinte, por morte do pai, heróico soldado liberal, jornalista e editor de Alberto Pimentel, administrou e reorganizou a revista Mala da Europa, para mais tarde ter a sua Arquivo Literário, de 1922 a 1928.

Publicou ainda, entre outros, a poesia de Confidências (1894) e Evangelho (1895), Sonho Garrettiano” (1899), o poema inspirado em ambientes medievais e de cariz romântico intitulado A Virgem do Castelo (1901), a peça escrita com D. João da Câmara Aldeia na Corte (1901), a comédia Juramento Sagrado (1902), bem como Outonais  (1903), o romance O Rosquedo: scenas da vida da província – Ponte do Lima – Minho (1904),  o livro de contos Ares do Minho (1908), A Alma  Portuguesa (1913), O Livro do Bebé (1917) ilustrado por Raquel Roque Gameiro, Aos Soldados Sem Nome (1921), Asas de Portugal (1922), A Paixão de  Soror Mariana (1926) ou a peça em um ato em verso Sol da nossa terra (1932).

Chegou a usar o pseudónimo Castro Monteiro para as publicações literárias e como investigador e crítico literário, foi inovador e polémico. Desde «A Viagem por Terra do Sr. João Penha» (1892), passando por  Saudades: história de menina e moça (1905), até quando escreveu sobre os poetas limianos Diogo Bernardes e Agostinho Pimenta, tendo-se confrontado com o seu amigo João Gomes d’Abreu sobre o primeiro ou quando publicou Trovas de Crisfal, de Bernardim Ribeiro (1908) que o fez entrar em polémica com Teófilo Braga.  Também evocou os os poetas limianos da sua eleição, sobretudo Diogo Bernardes, Frei Agostinho da Cruz e António Feijó em Ponte de Lima – Minha Avozinha.

Como tradutor produziu Flores do mal: interpretação em verso de poesias de Carlos Baudelaire (1909), parte da  Graziella de Lamartine, A Dama das Camélias de Alexandre Dumas Filho e o Romance duma rapariga russa de Henry Gréville.

Politicamente, Delfim Guimarães era de filiação republicana e maçónica, tendo participado no debate das cores e dos símbolos da bandeira nacional. No início do século XX, foi Administrador do Concelho de Ponte de Lima e depois de se fixar na Amadora foi um dos principais impulsionadores da Liga dos Melhoramentos da Amadora.

Na sua vida particular, casou em 1895,  aos 23 anos, com Rosina Vieira da Cruz e foi pai de oito filhos, tendo sepultou uma sua filha, precocemente falecida, no cemitério de Ponte de Lima.

Foi feito Cavaleiro (1908) e Comendador (1919) da Ordem de Santiago da Espada  e retratado em carvões de Carlos Reis e de Veloso Salgado, aguarelas de Alfredo Morais e de Roque Gameiro, e ainda em caricaturas de Francisco Valença e de Sebastião Sanhudo. Para além de Lisboa, Delfim de Brito Guimarães está também na toponímia da Amadora ( Parque Delfim Guimarães, atribuído em 1937), no Porto e em Ponte de Lima.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Vitorino Nemésio, das ilhas, se bem me lembro

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vitorino Nemésio da açoriana Ilha Terceira, escritor e professor da Faculdade de Letras, de rosto conhecido pelo seu programa televisivo Se bem me lembro, está desde o ano do seu falecimento perpetuado numa artéria da freguesia de Santa Clara.

Foi pelo Edital municipal de 20 de novembro de 1978 que passou a ser o topónimo da Rua B da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, o mesmo que colocou na Rua A o também escritor Jorge de Sena.

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Ilha Terceira-Praia da Vitória/19.12.1901 – 20.02.1978/Lisboa), filho de Vitorino Gomes da Silva e de Maria da Glória Mendes Pinheiro, notabilizou-se como professor universitário e escritor.

Na sua carreira académica foi também diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, de 1956 a 1958, bem como agraciado como Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier e Ceará, sendo também sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa. Cumpriu o serviço militar, como voluntário, a partir de 1919 e concluiu o liceu em Coimbra, em 1921. Inscreveu-se em Direito em Coimbra mas, três anos mais tarde, trocou pelo curso de Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte, passou para o curso de Filologia Românica. Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras de Lisboa onde concluiu, em 1931, o curso de Filologia Românica, e desde logo começou a ensinar Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola. Doutorou-se em 1934 com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Também foi professor na Universidade Livre de Bruxelas, entre 1937 e 1939, assim como no Brasil, em 1958. Publicou diversos ensaios de que se salientam Sob os Signos de Agora (1932), Relações Francesas do Romantismo Português (1936) ou Conhecimento de Poesia (1958).

Na carreira literária, pontificou na revista Presença a partir de 1930 e tanto foi poeta como cronista ou romancista. É o autor de obras incontornáveis como o romance Mau Tempo no Canal (1944) –  galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros – ou as crónicas de Corsário das Ilhas (1956) tendo sido o seu primeiro livro de poemas: Canto Matinal (1916). Na poesia, destaquem-se também Eu, Comovido a Oeste (1940), Limite de idade (1972), Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976) e o póstumo Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003), tal como na ficção Varanda de Pilatos (1926) ou Quatro prisões debaixo de armas (1971).

Na televisão ficou célebre pelo seu programa semanal Se bem me lembro, de 1970 a 1975, onde de postura e forma descontraída, durante meia hora em horário nobre, discorria sobre mentalidades e cultura em geral. Mas na comunicação social tinha uma história longa: fundou e dirigiu Estrela d’Alva. Revista Literária Ilustrada e Noticiosa (1916), a Revista Portugal (1937) e dirigiu o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976; com Branquinho da Fonseca e Gaspar Simões fundou a revista Tríptico (1924) e com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, Gente Nova. Jornal Republicano Académico (1927); foi redator de A Pátria, A Imprensa de Lisboa, Última Hora (1921), do Humanidade de Coimbra (1925); e ainda colaborou na revista Bizâncio (1923), na Seara Nova (1928), em O Diabo (1935), regularmente com uma rubrica no Diário Popular (1946), na revista Vértice (1947) e também regularmente na revista Observador (1971).

Foi agraciado com o Grande Oficialato da Ordem da Infante D. Henrique (1961) e da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1967) de que também recebeu,  a título póstumo, a Grã-Cruz (1978). Foi ainda Prémio Nacional de Literatura em 1965 e Prémio Montaigne em 1974.

Está também homenageado na toponímia de sul a norte de Portugal: em Abrantes, Albufeira, Alcabideche, Alhos Vedros, Amadora, Amora (Seixal), Arcozelo, Arrifana (Santa Maria da Feira), Azeitão, Baixa da Banheira, Beja, Braga, Campo Maior, Carcavelos, Cascais, Charneca da Caparica, Coimbra, Corroios, Eixo (Aveiro), Entroncamento, Ermesinde, Esmoriz, Estoril, Évora, Famões (Odivelas), Fânzeres (Gondomar), Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Fontinhas (Praia da Vitória), Gaio-Rosário, Loures, Lousã, Maia, Mangualde, Matosinhos, Mem Martins, Montijo, Odivelas, Oeiras, Ovar, Palmela, Parede (Cascais), Pinhal Novo, Portalegre, Porto, Porto Martins (Praia da Vitória), Póvoa de Santa Iria, Póvoa de Santo Adrião (Odivelas), Queluz, Quinta do Conde (Sesimbra), Ramada (Odivelas), Regadas (Fafe), Rio de Mouro, Rio Tinto (Gondomar), São Mamede Coronado, Samora Correia, São Domingos de Rana, São João da Madeira, São João da Talha (Loures), São Julião do Tojal (Loures), Sobrado (Valongo), Sobreda (Almada), Trofa, Valbom (Gondomar), Vila Nova da Barquinha, Vila Praia de Âncora, Vilar de Andorinho (Vila Nova de Gaia) e Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia).

Afonso Lopes Vieira: de São Pedro de Moel para uma Rua em Lisboa

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC/ Planta: Sérgio Dias| NT do DPC) )

O poeta Afonso Lopes Vieira, nascido em Leiria mas com a sua Casa-Nau em São Pedro de Moel, desde 1948 que dá nome à Rua nº 1 do Sítio de Alvalade,  dois anos após o seu falecimento, sendo na época um escritor muito popular, em grande parte devido aos seus famosos poemas infantis como os de Animais Nossos Amigos.

O Edital municipal de 19 de julho de 1948 colocou romancistas e poetas como topónimos do Bairro de Alvalade e assim, para além de Afonso Lopes Vieira foram então escolhidos Branca de Gonta Colaço (Rua nº 2), Fernando Caldeira (Rua nº 3), Rosália de Castro (Rua nº 4), Alberto de Oliveira (Rua nº 5), João Lúcio (Rua nº 6), Antónia Pusich (Rua nº 7), Fausto Guedes Teixeira (Rua nº 8), Eugénio de Castro (Rua nº 9), Violante do Céu (Rua nº 10), Fernando Pessoa (Rua nº 11), Luís Augusto Palmeirim (Rua nº 12), António Patrício (Rua nº 13),  Bernarda Ferreira de Lacerda (Rua nº 14), Eduardo Vidal (Rua nº 15), Camilo Pessanha (Rua nº 16), Guilherme de Azevedo (Rua nº 17), Mário de Sá Carneiro (Rua nº 18) e Florbela Espanca (Rua nº 19).

No seu gabinete de trabalho no Palácio da Rosa nos inícios do séc. XX
(Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Afonso Lopes Vieira (Leiria/26.01.1878 – 25.01.1946/Lisboa), foi um poeta e prosador , ligado à Renascença Portuguesa e um dos principais representantes do Neogarrettismo, cuja obra apresenta três fases literárias: a Coimbrã, a Nacionalista e a da Literatura Infantojuvenil.

Bacharel em Direito por Coimbra, abandonou a advocacia em 1906 e radicou-se em Lisboa, a trabalhar como redator da Câmara dos Deputados durante 10 anos, passando então a ser escritor a tempo inteiro. Nesta cidade, residiu no Palácio da Rosa –  que foi sua propriedade de 1927 a 1942 – que assim foi razão para o Largo da Rosa receber em 25 de Outubro de 1951 um busto seu, encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa a Francisco Franco, frente ao qual a edilidade fez também a evocação do 20º aniversário da sua morte.

A escrita de Afonso Lopes Vieira alimentou-se muito dos cancioneiros e romanceiro portugueses. Fez a sua aparição poética com  Para quê? (1897), a que se seguiram, entre outros, Náufragos, versos lusitanos (1899),  O Meu Adeus (1900), O Encoberto (1905), Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) e a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927), para dar à estampa como seu último volume Onde a terra se acaba e o mar começa, em 1940.

Na sua vertente nacionalista de defesa do Integralismo Lusitano podem incluir-se as Éclogas de Agora (1935). Lopes Vieira também realizou  conferências e estudos que juntou nos volumes Em demanda do Graal (1922) e Nova demanda do Graal (1942), para além de ter colaborado ainda nas revistas A Águia e Lusitânia, bem como no movimento saudosista.

Para o público infantil e juvenil,   sublinhando o próprio autor que os poemas «devem ser lidos com os ouvidos», produziu o livro Animais Nossos Amigos (1911) com ilustrações de Raúl Lino – parceria mantida  em Bartolomeu Marinheiro (1912)-, a adaptação Autozinho da Barca do Inferno (1911), Canto Infantil (1913), Poesias sobre as Cenas de Schumann (1916), O Conto de Amadis de Portugal para os Rapazes Portugueses (1938) e o argumento do filme O Afilhado de Santo António (1928), realizado por Costa Macedo, sendo que também foi o responsável pelos diálogos do Inês de Castro (1945) e do Camões (1946) de Leitão de Barros, assim como do Amor de Perdição (1943) de António Lopes Ribeiro.

Afonso Lopes Vieira foi agraciado com a Ordem de Santiago (1920) e na data do 1º aniversário da sua morte,  a Livraria Sá da Costa publicou In Memoriam de Afonso Lopes Vieira, com fotos do poeta e a participação de Raúl Lino, Américo Cortês Pinto, Hernâni Cidade, Vitorino Nemésio, Luiz Forjaz Trigueiros, Ruy Coelho, Aquilino Ribeiro ou  Vieira Natividade, entre outros. A sua casa de São Pedro de Moel, que fora lugar de tertúlias de escritores e intelectuais, foi pelo poeta legada em 1938 à Câmara Municipal da Marinha Grande sendo assim parte das instalações da Colónia Balnear Afonso Lopes Vieira. Também a Biblioteca Municipal de Leiria tem o seu nome, dado ter sido originada pela doação do seu espólio e da livraria privada do escritor.

Afonso Lopes Vieira está representado também na toponímia da Marinha Grande e de Leiria, bem como na de Agualva-Cacém, Alcabideche, Alcobaça, Arrifana, do Barreiro, de Beja, do Campo (Valongo), de Carnaxide, Cascais, da Charneca de Caparica, de Corroios, da Damaia, de Ermesinde, Famões,  Massamá, da Nazaré, de Pataias, do Porto, de Queijas, Sesimbra, Trofa e do Vale da Amoreira.

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)