Jorge Luis Borges dá o seu nome ao Jardim do Arco do Cego

na Freguesia de Nª Srª de Fátima - na futura Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas                                                             (Foto: Artur Matos)

Jorge Luis Borges dá nome ao Jardim do Arco do Cego, situado entre a Avenida João Crisóstomo, Rua Dona Filipa de Vilhena e a Avenida Duque d’Ávila, desde 2009 (Edital de 16/09/2009) que – quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino- Lisboa acolheu neste espaço verde  um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook, doado pela Casa da América Latina, estendendo o seu nome a todo o espaço.

De seu nome completo, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires/24.08.1899 – 14.06.1986/Genebra), o mais universal dos escritores argentinos, era oriundo de uma família portuguesa por parte do pai, com um bisavô oriundo de Torre de Moncorvo, como refere no seu poema “Os Borges”, para além de na sua obra salientar vivências e memórias dos seus antepassados lusos. Este escritor cujo primeiro livro foi de poesia e publicado em 1923 (Fervor de Buenos Aires), reclamava-se portador do modo português de sentir o universo e, em 1984 foi galardoado em Portugal com a Ordem de Santiago da Espada e, como Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra em reconhecimento pela sua obra, com títulos de que se destacam História Universal da Infâmia (1935), Ficções (1944), O Aleph (1949), Manual de zoologia fantástica em colaboração com Margarita Guerrero (1957) ou O relatório de Brodie (1970).

Não obstante a sua carga genética ter determinado a sua cegueira total a partir de 1956, Borges para além da sua prosa aparentemente despojada mas carregada de de fantástico e de fina ironia, foi também poeta, ensaísta, tradutor, crítico literário, professor universitário, presidente da Associação Argentina de Escritores e, diretor da Biblioteca Nacional da Argentina (1955 – 1973), tanto mais mais adequado ao autor do conto “Biblioteca de Babel” quanto ele afirmou que “Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca”.

Refira-se ainda que foi vencedor do primeiro prémio Formentor, instituído em 1961, ex-aequo com Samuel Beckett, e visitou Lisboa em 1929, bem como  em 1980, com a sua companheira inseparável, Maria Kodama.

Do conjunto de cerca de 8 dezenas de personalidades estrangeiras que integram a toponímia de Lisboa, Jorge Luis Borges é o único argentino.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Sam Levy

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Sam Levy, comerciante português nascido em Esmirna, que também foi presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, dá o seu nome a uma Rua de Caselas desde 1999, com a legenda «Humanista/1912 – 1997».

A Rua Sam Levy, que liga a Avenida das Descobertas à Rua do Gabarete, por  deliberação camarária unânime de 26/11/1997 que se concretizou no Edital municipal de 15/12/1997, está fixada no que foi um troço da Estrada de Caselas.

Sam LevyDe seu nome completo Samuel Algranti Levy (Turquia- Esmirna/01.05.1912 – 07.09.1997/Lisboa), nasceu no seio de uma família judia portuguesa, filho de Raphael Levy e Djamila Algranti, já que os seus antepassados tiveram de abandonar Portugal no séc. XV para não abdicar da sua fé,  por causa do decreto de 5 de dezembro de 1496 de D. Manuel I que ameaçava todos os judeus que não se convertessem ao catolicismo, tendo sido recebidos pelo Império Otomano que nessa época acolheu muitos judeus peninsulares e aí falavam o «Ladino», língua dos judeus sefarditas (portugueses e espanhóis). Aos 13 anos, Sam Levy saiu de casa dos seus pais para ir estudar em Marselha, onde permaneceu até 1929.

Como comerciante, começou a partir desse ano de 1929, em Barcelona, a trabalhar  com o seu irmão mais velho. Mais tarde seguiu  para Milão, onde estabeleceu relações comerciais com Portugal, através de Agenore Magno, o Cônsul Honorário de Portugal em Milão, com quem também desenvolveu iniciativas humanitárias para salvar diversas pessoas, nomeadamente, judeus, encaminhando-os para Portugal. A partir de 1942 radicou-se em Portugal e nesse mesmo ano aqui casou por procuração com Vitória, de quem teve dois filhos: André e Arlette.  Finda a II Guerra Mundial dedicou-se à exportação de produtos de origem portuguesa, procurando mercados onde Portugal ainda não tinha penetração, como na Feira Internacional de Esmirna, trazendo também tapeçaria oriental para território português. Mais tarde, montou ainda uma pequena indústria têxtil e tornou-se sócio da Associação Industrial Portuguesa e do Ateneu Comercial do Porto.

A legenda «Humanista» na sua artéria lisboeta deve-se a Sam Levy ter sido considerado um homem solidário como os seus semelhantes em vários momentos históricos. Por exemplo, durante todo o período da II Guerra  colaborou nesse sentido com a Cruz Vermelha –  de que foi sócio vitalício – , bem como com as organizações humanitárias judaicas e os dirigentes da Comunidade Judaica Portuguesa como, por exemplo, o Prof. Moisés Amzalak. Foi galardoado três vezes pela Cruz Vermelha Portuguesa e também recebeu o título de Cavaleiro da Ordem de Mérito da República Francesa.

Numa outra faceta, também se destacou como figura da cultura portuguesa. Durante cerca de quinze anos, levou a cabo uma criteriosa tradução de Os Lusíadas para francês, respeitando os decassílabos e o seu classicismo, numa edição prefaciada pelo Prof. Justino Mendes de Almeida. Também traduziu do hebraico para português o Cântico dos Cânticos, com prefácio de David-Mourão Ferreira e ilustrações de António Duarte e de Lima de Freitas, numa edição de Francisco Lyon de Castro. Além disto, as suas constantes viagens comerciais e a sua paixão pela arqueologia também lhe permitiram reunir um espólio de peças que doou ao Museu Nacional de Arqueologia, assim como o guarda-roupa renascentista que adquiriu em Itália, e que bastas vezes emprestou para desfiles nas Festas de Lisboa, fez dele doação à cidade de Tomar. Foi  agraciado com a Medalha de Honra da Universidade Autónoma de Lisboa.

Para além de ter sido presidente honorário da Comunidade Judaica de Lisboa, Sam Levy foi um elemento empenhado da vida associativa, quer enquanto sócio nº 1 do Lions Club de Portugal, sócio do Grupo Amigos de Lisboa e da Sociedade de Geografia de Lisboa, quer como membro do Comité de Direção da Alliance Française de Lisboa durante inúmeros anos, membro do Círculo Eça de Queiroz e do Grémio Literário, sócio da Associação para a reconstrução e  instalação da Casa Memória de Camões em Constância, ou ainda como fundador da Associação de Amizade Portugal-Israel e membro da Associação Internacional de Defesa das Democracias e da Liga Internacional Contra o Racismo e o Anti-Semitismo.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

Quatro médicos militares na toponímia de Lisboa em 1970

Francisco Luís Gomes

Em 1970, nove anos após o início da Guerra Colonial, foram colocados na toponímia de Lisboa quatro médicos militares, com a característica comum de terem prestado serviço no Hospital Militar de Lisboa e/ou nos territórios que eram colónias na época: Francisco Luís Gomes, José Baptista de Sousa, Mário Moutinho e Nicolau de Bettencourt.

O primeiro caso ocorreu através do Edital  municipal de 14 de fevereiro e foi a  Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (na freguesia dos Olivais), a que se seguiu no Edital de  dia 17  a Avenida Dr. Mário Moutinho (Belém), e que se completou no Edital de 31 de março com a Rua Dr. José Baptista de Sousa (Benfica) e a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (Avenidas Novas).

A Avenida Dr. Francisco Luís Gomes foi atribuída com a legenda «Médico e Escritor/1829 – 1869» no arruamento que começa na Avenida de Berlim (junto à Piscina), no topo das Avenidas Infante Dom Henrique e Dr. Alfredo Bensaúde, para homenagear o cidadão que nasceu em 1829 na Índia e se licenciou em Medicina pela Escola de Goa (1850), tendo sido Cirurgião-mor  do exército português na Índia a partir de 1860, e ainda o autor de A Economia Rural da Índia Portuguesa, entre outras obras. Este topónimo é único no país.

Mário Moutinho

Mário Moutinho

A Avenida Dr. Mário Moutinho, nasceu com a legenda «Oftalmologista/1877-1961», para perpetuar o médico que dirigiu o serviço de Oftalmologia do Hospital Militar Principal de Lisboa a partir de 1909, e que nove anos depois foi seu subdiretor e mais tarde, diretor. Também este é um topónimo exclusivo de Lisboa.

No último dia do mês de março foram atribuídas a Rua Dr. José Baptista de Sousa/ Coronel Médico/1904 – 1967 na  Rua B à Travessa da Granja na freguesia de Benfica, bem como a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt/ Brigadeiro-Médico/1900 – 1965 no troço da Estrada de Benfica compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo então  vulgarmente conhecido como Praça de Espanha,  e as legendas destes dois topónimos expressam claramente a componente militar destes homenageados, sendo neste sentido os dois primeiros na toponímia de Lisboa em que a referência militar se liga à medicina.

A escolha do coronel-médico alfacinha  José Baptista de Sousa foi sugerida por um cidadão de seu nome Eduardo Mimoso Serra e a atribuição do nome de Nicolau de Bettencourt resultou de um pedido dos C.T.T. para que houvesse topónimo que evitasse equívocos na distribuição de correio naquela artéria.

José Baptista de Sousa

José Baptista de Sousa

Baptista de Sousa integrou as Forças Expedicionárias a Cabo Verde, e permaneceu em S. Vicente de 22 de fevereiro de 1942 até 10 de setembro de 1944, como diretor do Hospital Militar Principal de Cabo Verde, trabalhando também para os civis, o que lhe granjeou muitas simpatias locais e o epíteto de engenheiro humano. Ao contrário das orientações oficiais declarou a fome como causa de morte em diversos atestados de óbito, demonstrando coragem cívica. De 1947 a 1950, prestou serviço na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. De 1951 a 1961 foi  Chefe da Clínica Cirúrgica do Hospital Militar Principal de Lisboa e a partir de 1964, foi  Consultor de Cirurgia da Direção do Serviço de Saúde Militar. O Dr. José Baptista de Sousa foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e, em Mindelo (S. Vicente) o hospital passou a denominar-se Hospital Baptista de Sousa. Este topónimo é único no país.

Nicolau José Martins de Bettencourt concluiu o curso de Medicina em 1924 e, dois anos depois, também o curso de Medicina Tropical. Na sua carreira destacou-se como instrutor dos cursos de oficiais milicianos e dos enfermeiros militares das Escolas Centrais de Defesa do Território bem como Inspetor da Instrução do Serviço de Saúde Militar (1960 e 1961); dirigiu o Hospital Militar de Belém (1945 a 1949), o Hospital Militar Principal (a partir de 1957), os Serviços de Saúde Militar (a partir de  1962) e o Serviço de Saúde da Legião Portuguesa. Durante a presidência do general França Borges na Câmara Municipal de Lisboa, foi também vereador, no mandato de 1960 a 1963.  O seu nome integra também a toponímia da Marinha Grande.

Antes da Guerra Colonial apenas dois médicos militares tinham integrado a toponímia de Lisboa, a saber, a Rua Dr. Mascarenhas de Melo com a legenda «1868 – 1950», por Edital municipal de 24/07/1957, para homenagear um diretor do Hospital Militar da Estrela, e pelo Edital de 19/09/1960 foi a Praça Dr. Teixeira de Aragão com a legenda «Escritor-numismata/1823-1903» que perpetuou o diretor do gabinete de numismática e arqueologia do rei D. Luís I.

Após o 25 de Abril foram dois os médicos militares que tiveram a honra de serem topónimos alfacinhas: a  Escadaria José António Marques, com a legenda «Fundador da Cruz Vermelha Portuguesa/1822 – 1884», por via do Edital de 11 de fevereiro de 1985; e a Rua Dr. Bastos Gonçalves, com a legenda «Brigadeiro – Médico/1898 – 1985», pelo Edital de 21 de fevereiro de 2001, em memória daquele que dirigiu a Revista Portuguesa de Medicina Militar.

Nicolau de Bettencourt

Nicolau de Bettencourt

As Ruas de 1960 de um Herói da Ocupação e de um Herói do Ultramar

Freguesias de Ajuda e Belém (Foto: Sérgio Dias)

A Rua General João de Almeida – Freguesias de Ajuda e Belém
(Foto: Sérgio Dias)

No ano anterior ao eclodir da Guerra Colonial, em 1960, foram colocados na toponímia de Lisboa dois militares ligados ao domínio português em África: o General João de Almeida e o Major Neutel de Abreu, nas freguesias de Ajuda-Belém e São Domingos de Benfica, tendo o primeiro a legenda de «Herói da Ocupação» e o segundo de «Herói do Ultramar», ambos sugeridos pela Sociedade de Geografia de Lisboa, que incluía também os nomes dos generais Garcia Rosado, Justiniano Padrel, Massano de Amorim e o Coronel Bento Roma.

O General João de Almeida (Guarda/05.10.1873 – 05.05.1953/Lisboa), Herói dos Dembos e da ocupação do Baixo Cubango foi atribuído como topónimo pelo Edital de 28 de outubro de 1960 na Rua Projetada à Calçada do Galvão. Dez anos mais tarde, por edital publicado em 7 de novembro de 1970 foram também integradas neste arruamento a Travessa do Pátio das Vacas e o Largo do Museu Agrícola Colonial, pelo que hoje se estende da Calçada da Ajuda até à Calçada do Galvão.

Freguesias de Ajuda e Belém - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Ajuda e Belém – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra, ingressou na Escola do Exército, tendo mais tarde concluído ainda os cursos do Estado Maior do Exército (1903) e da Escola de Engenharia Civil de Paris. Ainda como Capitão, durante as Campanhas de África, comandou em 1907 uma coluna de operações contra os Dembos Rebeldes em Angola que lhe granjeou o epíteto de Herói dos Dembos. No ano seguinte foi nomeado governador interino do distrito de Huíla sendo mais tarde o governador, para além de ter colaborado na ocupação de todo o Baixo Cubango e ajudado o General Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909), sendo obra sua a fixação da fronteira meridional de Angola. Também foi Governador e Diretor de obras públicas de Cabo Verde, bem como Governador Geral de Macau (1931).

Em 1919, já coronel e Comandante militar da região de Aveiro, bateu-se pela Monarquia do Norte, ao lado de Paiva Couceiro, a primeira das diversas conspirações em que participou para derrubar a República, já que era Monárquico e simpatizante do Integralismo. João de Almeida foi ainda  Ministro das Colónias durante 3 dias, de 6 a 9 de julho de 1926.

Foi também autor de obras sobre temática colonial – como Carta itinerária de Angola ou A ocupação portuguesa em África na época contemporânea – e sobre a cidade da Guarda – como Roteiro dos monumentos de arquitectura militar do concelho da Guarda ou A Guarda capital da Beira (1937) – , bem como obras didáticas no  âmbito das suas funções de diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga. Seguiu ainda uma carreira de administrador de empresas, na Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro (entre 1920 e 1936), na  Companhia do Papel do Prado (desde 1929) e presidindo à Real Companhia Vinícola do Norte (a partir de 1933).

Foi condecorado como Grande Oficial de Ordem Militar da Torre e Espada, da Ordem Militar de Cristo e da Ordem Militar de Avis (todas em 1929) e a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (1932) e também pai de 2 militares: os coronéis Alexandre Mendes Leite de Almeida e João Mendes Leite de Almeida. O General João de Almeida está também na toponímia da Damaia (Amadora) como Rua, na Guarda como Avenida e em Angola, em ruas de Luanda e de Benguela.

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

O Major Neutel de Abreu, de seu nome completo Neutel Martins Simões de Abreu (Figueiró dos Vinhos/ 1871 – 1945/ Figueiró dos Vinhos) ficou perpetuado na Rua A à Praceta I da Estrada de Benfica ou Rua A ao Largo do Conde de Bonfim pelo Edital de 21/12/1960, e desde que assentou praça no Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) esteve em Macau ( 1890) e Angola (1891-1898) até chegar a Moçambique, onde se destacou particularmente a comandar o posto de Moginqual e na chamada Pacificação de Moçambique, sobretudo na campanha que procurou  a submissão dos povos Namarrais do norte de Moçambique (1905-1913), comandada por Massano de Amorim. Participou na fundação, em 1907, daquela que veio a ser a cidade da Nampula- derivada do nome do régulo «Mpula» que significa chuva -, onde residiu mais de trinta anos, e na qual impulsionou o estabelecimento de diversas infraestruturas básicas no território. Reformado por razões de saúde em fevereiro de 1920 (ou 1912), aos 49 anos (ou talvez 41), decidiu dedicar-se à agricultura na sua plantação.

Foi galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos no Ultramar (1916) e a comenda da Ordem Colonial (1941). Tem ainda o seu nome numa escola e numa rua da sua terra natal.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Major Neutel de Abreu – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília e Dinah, duas escritoras brasileiras na toponímia de Lisboa

Rua Cecília Meireles – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília Meireles em 1964 e Dinah Silveira de Queiroz em 1984, são duas escritoras brasileiras que a partir dessas datas ficaram inscritas na toponímia de Lisboa, em São Domingos de Benfica e em Marvila.

A Rua Cecília Meireles nasceu do Edital de 28/12/1964 nas Ruas A e B à Travessa de São Domingos de Benfica, pouco mais de um mês após o seu falecimento, e a Rua Dinah Silveira de Queiroz foi através do Edital de 28/02/1984, na Rua L1 da Zona L de Chelas, quase 2 anos após a sua morte, em resultado de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 11 de julho de 1983.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro/07.11.1901 – 09.11.1964/Rio de Janeiro), neta de açorianos, foi uma professora, cronista e poetisa brasileira que iniciou a sua carreira literária com a publicação do livro de poesia Espectro (1919). A sua vasta produção literária de poesia, teatro, romance e ensaio, conta com títulos como por exemplo, Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923); Baladas para El-Rei (1925); o ensaio O Espírito Vitorioso (1929); publica em Lisboa uma apologia do Simbolismo, a Saudação à menina de Portugal (1930), assim como o ensaio Batuque, Samba e Macumba (1935) com ilustrações de sua autoria; Viagem ( 1939) que lhe valeu o Prémio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras; Olhinhos de Gato, publicado em capítulos na revista Ocidente (1939-1940); uma biografia de Rui Barbosa para crianças Rui — Pequena História de uma Grande Vida (1949); Romanceiro da Inconfidência (1953) que foi adaptado para filme por Joaquim Pedro de Andrade com o título Os inconfidentes (1972); os ensaios Panorama Folclórico de Açores (1955), A Bíblia na Literatura Brasileira (1957) , Ou Isto ou Aquilo (1964) ou Solombra (1964) que foi Prémio Jabuti de Poesia.

Paralelamente, enquanto professora do magistério primário desde 1917, em escolas oficiais do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, espelhou a sua vertente de pedagoga em crónicas sobre educação, como a página diária no Diário de Notícias em 1930 e 1931, ensaios sobre educação e obras para crianças. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, no Bairro de Botafogo, no Centro Infantil que dirigia. Aposentou-se em 1951 como diretora de escola, trabalhando a partir de então como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Foi ainda docente de Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), de 1935 a 1938, assim como de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas em 1940. Proferiu ainda conferências na Europa, Estados Unidos, África e Ásia sobre Literatura, Educação e Folclore e colaborou também, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. 

Cecília Meireles recebeu as distinções de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli (1953) e Oficial da Ordem de Mérito do Chile (1952), para além do Prémio de Tradução/Teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (1962), do Prémio Jabuti de Tradução de Obra Literária da Câmara Brasileira do Livro (1963),  do Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1965),  e da sua efígie ser posta na nota de cem cruzados do  Banco Central do Brasil (1989).

O seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau do Bairro de Cangaíba em São Paulo (1963), à Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho em São Paulo (1974), à Biblioteca de Valparaiso no Chile (1964), ao grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa no Rio de Janeiro (1965), à Biblioteca Infanto-Juvenil no Bairro Alto da Lapa de São Paulo (1991), assim como foi consagrada em artérias de Ponta Delgada, do Porto, Curitiba, Itajaí, Ilha Comprida, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Xinguara do Pará, entre outras.

Na sua vida pessoal, casou-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, mas 5 anos após o suicídio deste casou-se com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo/09.11.1911 – 27.11.1982/Rio de Janeiro) foi uma escritora brasileira que abarcou diversos géneros, desde o romance, contos e crónicas, à literatura infantil. Escreveu Pecado (1937); a novela Sereia Verde (1938); Floradas na Serra (1939) que recebeu o Prémio Antônio de Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras e foi transposto para o cinema em 1955; os romance Margarida La Roque (1950) e A Muralha (1954); a peça bíblica O oitavo dia (1956); os contos Eles herdarão a terra (1960); Os invasores (1964); A Princesa dos Escravos (1965); Verão do Infiéis (1965) distinguido com o prémio de ficção da Prefeitura do Distrito Federal; Comba Malina (1969); O Livro dos Transportes (1969) dedicado ao público infantil e Memorial de Cristo (1974-1977). Foi laureada em 1954, com o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, pela Academia Brasileira de Letras.

Na sua vida pessoal casou-se em 1929 com o desembargador Narcélio de Queiroz, tendo enviuvado e em 1962, foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madrid, casando novamente nesse mesmo ano com o embaixador Dario Castro Alves (1927-2010), com quem residiu em Lisboa durante largos anos, e nesta cidade escreveu o seu último livro Guida, caríssima Guida (1981).

Dinah Silveira de Queiroz ainda escreveu artigos e crónicas para a Rádio Nacional, a Rádio Ministério da Educação e Jornal do Commercio no Brasil, para além de um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Foi a 2ª mulher membro da Academia Brasileira de Letras (1980), para além de ter integrado a Academia Paulista de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, e ter sido distinguida com o seu nome em artérias do Balneário Camboriú, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras.

Rua Dinah Silveira de Queiroz - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Rua Dinah Silveira de Queiroz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Publicação municipal da toponímia sobre Mário Dionísio

A publicação municipal de toponímia referente a Mário Dionísio, distribuída hoje no decorrer da inauguração da Rua Mário Dionísio, já está on-line.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

mario-dionisio-capa

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

A Rua Tomás Borba, o pedagogo da modernidade do Canto Coral

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Cinco anos após a sua morte foi Tomás Borba colocado como topónimo de uma rua do Bairro do Arco do Cego, homenageando o compositor e pedagogo que inovou na pedagogia da Música em Portugal, particularmente através da introdução do Canto Coral nas escolas.

A Rua Tomás Borba era o troço da Rua Gomes Leal «a poente do novo Edifício escolar», conforme indica o Edital municipal de 03/12/1955 e hoje une a Rua Costa Goodolfim à Rua Stuart Carvalhais.  A construção de um novo edifício escolar, inicialmente previsto para ambos os sexos terem aulas separados, acabou por entrar em funcionamento no ano letivo de 1938/39 antes como um liceu feminino. E assim a construção do Liceu Filipa de Lencastre partiu em dois diversas artérias do Bairro do Arco do Cego, pelo que foi necessário renomear uma metade de cada um desses arruamentos e foi num dessas metades que nasceu a Rua Tomás Borba.

Tomas Borba

Thomaz Vaz de Borba (Angra do Heroísmo/23.11.1867 – 12.02.1950/Lisboa) era desde 1890 um sacerdote católico, amigo dos também açorianos Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, que veio para Lisboa em 1891, estudar  no Real Conservatório Nacional (de 1891 a 1895) e também  no Curso Superior de Letras (de 1893 a 1896), tendo concluído ambos os cursos.

Exerceu o sacerdócio como prior da paróquia dos Mártires, em pleno Chiado, mas também como Comissário da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo onde desenvolveu obra na música religiosa, tendo por sua iniciativa sido adquirido para a Capela da Ordem o primeiro órgão pneumático de fabrico moderno.

Em paralelo, o Padre Tomás Borba exerceu também a docência e após a implantação da República foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, no que foi o 1º representante do ensino da música em tal órgão. De 1901 a 1937 foi Professor de Harmonia no Conservatório Nacional, onde se tornou também o 1º professor a reger a cadeira de História da Música, a partir de 1911. Lecionou também no Liceu D. Maria Pia (1914) ao mesmo tempo que era regente do Orfeão do Liceu da Lapa. Foi ainda docente de Solfejo e Canto Coral na Escola Normal Primária de Lisboa (1916), introduzindo os métodos de solfejo entoado e de ginástica rítmica para incentivar a sua introdução destas disciplinas nas escolas portuguesas. Tomás Borba foi ainda o diretor da Academia de Amadores de Música, onde conjugou modernidade e tolerância, já que aí  acolheu Fernando Lopes Graça quando este  estava proibido de ensinar pela PIDE. Para além de Lopes Graça foram seus  discípulos  Francine Benoït, António de Lima Fragoso, Luís de Freitas Branco, Pedro de Freitas Branco, Rui Coelho ou Ivo Cruz.

Como compositor, a obra de Tomás Borba compreende música sacra, como  Te Deum (1898), Requiem, Coros Religiosos, algumas missas, motetes e canções sacras, bem como música profana como ciclos de peças para piano, sonatas para violino e piano assim como danças portuguesas.

Tomás Borba merece ainda  ser recordado pelo seu importante trabalho na área difusão musical, através das suas edições, como os 3 volumes de Escola Musical, Toadas da Nossa Terra (1908), os 4 volumes de Canto Coral nas Escolas (1913), Exercícios graduados de solfejo : para uso das escolas primárias, colégios, liceus, etc. (1915), Solfejos, Canções e Cânones Adequados ao Programa de Canto Coral nos Liceus (1935),   o Manual de Harmonia (1937), e os 2 volumes do  Dicionário de Música (1956-1958), preparado fundamentalmente por Fernando Lopes Graça mas que apareceu com o nome de Tomás Borba para proteger o primeiro.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

Moleirinha – Música de Tomás Borba. Letra de Guerra Junqueiro. Intérprete: Maria de Lurdes Resende. Suporte musical: Orquestra de Joaquim Luís Gomes

Amanhã às 10 horas, inauguração da Rua Mário Dionísio, no Lumiar

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Amanhã, às 10 horas, o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, acompanhado pela Vereadora da Cultura e Presidente da Comissão Municipal de Toponímia, Catarina Vaz Pinto, procederá à inauguração da Rua Mário Dionísio, na freguesia do Lumiar, com a presença de familiares do homenageado.

Na ocasião do descerramento da placa toponímica tocará a Banda da Armada Portuguesa.

Mário Dionísio de Assis Monteiro (Lisboa/16.07.1916-17.11.1993/Lisboa), nascido na Rua Andrade nº 2 e licenciado em Filologia Românica em 1939 pela Universidade de Lisboa, foi um intelectual multifacetado que se apresentou como escritor, ensaísta, pintor, crítico de arte e tradutor, para além de ter sido professor do Ensino Secundário durante praticamente quarenta anos, no Colégio Moderno e no Liceu Camões, bem como na Faculdade de Letras de Lisboa, a partir de 1978 e até 1987, como docente de Técnicas de Expressão do Português.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

O miguelista José Acúrcio das Neves numa rua do Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

José Acúrcio das Neves, magistrado defensor do miguelismo,  foi colocado numa rua do Bairro dos Aliados, na 2ª fase de colocação de topónimos em 1932, já que na 1ª fase haviam sido colocadas figuras republicanas ou heróis nacionais como Egas Moniz.

Coube-lhe a Rua 7 do Bairro dos Aliados, a ligar a Rua Barão Sabrosa à Rua Carvalho Araújo (hoje no troço que passou a ser Rua Abade Faria), pela deliberação camarária de 23 de março de 1932 e edital de 31 do mesmo mês, junto com o escritor Marcelino de Mesquita na Rua 6 e o jornalista Alberto Pimentel na Rua 3.

José Acúrcio das Neves (Fajão (hoje Pampilhosa da Serra) – Cavaleiros de Baixo /14.12.1766 – 06.05.1834/Sarzedo – Arganil) foi um magistrado e político, também por alguns considerado pioneiro em estudos de economia portuguesa. Findo o Curso de Leis em Coimbra (1787) foi nomeado juiz de fora de Angra – que em 12 de janeiro de 1837 se passou a denominar Angra do Heroísmo-, no período de 1795 a 1799, passando de 1799 a 1802 a corregedor e a participar no governo da Capitania.

Com a formação da Junta Provisória do Porto e iniciada a resistência ao invasor napoleónico, retirou-se para a sua terra natal e favoreceu a resistência, nomeadamente com um conjunto de opúsculos – Obras Patrióticas – incitando a resistências popular contra os franceses, que foram até traduzidos e distribuídos em Espanha. Em 1810 passou a ser Desembargador da Relação do Porto, e nos anos seguintes foi acumulando os lugares de deputado, de vogal da direcção da Real Fábrica de Sedas e da Obra das Águas Livres, de secretário da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação  e ainda vogal da Junta de Liquidação dos fundos da extinta Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Em 1818 chegou a propor à Junta do Comércio a introdução da máquina a vapor em Portugal.

Dedicou-se também a escritos sobre economia política e história contemporânea, como os 5 volumes da História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino (1810-1811) ou os 2 volumes de Variedades sobre Objectos Relativos às Artes, Comércio e Manufacturas (1814 -1817), tendo sido eleito sócio da Academia das Ciências de Lisboa em 27 de agosto de 1810.

Acérrimo defensor do miguelismo e opositor das ideias do liberalismo vintista publicou diversas obras a expressá-lo, entre 1821 e e 1824, e logo em 1821 foi demitido dos principais cargos que ocupava. Em 1922 tornou-se deputado eleito  por Arganil. Após a Vilafrancada  foi readmitido na Junta do Comércio e demitido em 1824, sendo depois preso por participação na Abrilada. Após a morte de D. João VI, voltou aos seus cargos em 1826. E com o governo absolutista de D. Miguel, em 1828, foi nomeado Procurador Letrado da cidade de Lisboa na Junta dos Três Estados, tendo ficado aí famoso o seu discurso de legitimação de D. Miguel e da manutenção da monarquia de direito divino. Com a epidemia de cólera  que grassou em Lisboa em 1833 partiu para as Caldas da Rainha  e aí redigiu o boletim do exército de D. Miguel. Ainda nesse ano de 1833, com a vitória das forças liberais  refugiou-se no concelho de Arganil, na terra natal da esposa, onde foi encontrado num palheiro e morto.

 

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do vereador republicano Tomás Cabreira

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Tomás Cabreira que foi vereador na 1ª gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa e  ministro das Finanças em 1914 ficou perpetuado no Bairro da Bélgica, pelo Edital municipal de 30 de junho de 1926, com a legenda «Engenheiro Distinto e Republicano Indefectível».

Foi por esse Edital municipal que nasceu há 90 anos o Bairro da Bélgica, hoje mais conhecido como Rego ou Bairro de Santos. Coube a Tomás Cabreira a Rua B do Bairro da Bélgica, entre a Avenida Santos Dumont e a Rua Particular Neves Piedade que viria a ser a Rua Filipe da Mata no ano seguinte, pelo Edital de  6 de agosto de 1927, perpetuando outro vereador da primeira vereação republicana da CML. A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica havia sugerido à autarquia lisboeta, em 10 de maio de 1926,  que fossem atribuídos nos arruamentos do Bairro nomes alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do já sucedido no Bairro de Inglaterra em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 fixou o Cardeal Mercier na Rua E do Bairro do Bélgica ( o arcebispo e primaz da Bélgica que publicou em 1915 uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) e o general Leman na Rua D (militar que defendeu Liége contra o invasor alemão e acabou prisioneiro de guerra), e nas restantes artérias colocou ainda o Presidente da CML de 1923 a 1925 (Albano Augusto Portugal Durão) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, sendo que neste local da cidade estas duas últimas nunca passaram do papel.

Alma Nova, março de 1929

Alma Nova, março de 1929

Tomás António da Guarda Cabreira ( Tavira/23.01.1865 – 04.12.1918/Tavira) foi militar, engenheiro, professor e político. Como seu pai, ingressou no Exército, em 1881, e atingiu o posto de Coronel em 1918. Formou-se também em Engenharia Civil pela Escola do Exército, em 1893, e a partir daí passou a docente das disciplinas de Química Mineral e de Química Orgânica na Escola Politécnica, tendo até publicado Princípios de Estereoquímica (1896) e feito doutoramento em 1916. Foi ainda vogal da Comissão de Explosivos e vogal da Academia de Ciências de Lisboa, tendo ainda, em 1907, fundado a Universidade Popular de Lisboa.

Enquanto político, Tomás Cabreira, republicano e maçónico, fundou o Grupo Republicano de Estudos Sociais,  deputado pelo Algarve na Assembleia Nacional Constituinte (1911), senador da República (1912) e ministro das Finanças (1914), época em que deu a lume A Contribuição Predial e O Problema Financeiro e a sua Solução (ambos em 1912). Destaque-se que foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa de 1909 a 1912, na Presidência de Anselmo Braamcamp Freire, tendo como colegas vereadores outros nomes presentes na toponímia de Lisboa como Augusto José Vieira, Barros Queirós, Francisco Grandela ou Miguel Ventura Terra.

Depois de 1914 abandonou a carreira política e o Partido Democrático, de que era dirigente, e fundou a União da Agricultura, Comércio e Indústria, onde exerceu os cargos de vice-presidente e de presidente e ainda editou Posto Agrário e Ensino Móvel (1915), Crédito Comercial e Industrial (1915), O Problema Tributário Português (1916-1917), A Defesa Económica Portuguesa (1917), O Algarve Económico (1918) e postumamente, A Política Agrícola Nacional (1920).

Esteve também ligado ao jornalismo por diversos cargos na Associação dos Jornalistas de Lisboa e na Associação da Imprensa Portuguesa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)