A Azinhaga da Torre do Fato

Freguesias de Carnide e do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Azinhaga da Torre do Fato ainda hoje sobrevive estendendo-se desde a Rua Fernando Namora à Estrada do Paço do Lumiar, derivando o topónimo da dita Azinhaga do nome da Quinta da Torre do Fato.

Freguesias de Carnide e do Lumiar – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Tradicionalmente, as azinhagas que acompanhavam os limites de uma Quinta ganhavam a denominação dessa Quinta, tal como acontece aqui embora se desconheça a origem da Torre do Fato. O que sabemos é que no séc. XVIII, em 1775, na então freguesia de São João Batista do Lumiar, o proprietário da Quinta Torre do Fato era João Caetano de Abreu. No século XIX, a Quinta era a casa de campo da família de Bernardo de Sá Nogueira, Barão (1833), Visconde (1834) e primeiro Marquês de Sá da Bandeira (1854), sendo que no jornal Gazeta de Lisboa deparamos em 13 de agosto de 1823 com o anúncio de «Quem quizer comprar a uva das vinhas, pero e maçã da quinta da Torre do fato, à Luz; falle com os donos da mesma quinta, ou em Lisboa na rua da Gloria nº 41 terceiro andar».  Seis anos depois, em 16 de maio de 1829, publicitava-se o arrendamento da Quinta fazendo saber que «arrenda-se as casas com mobilia, e a quinta da Torre do fato, no sitio da Luz, tem pomar, vinhas e duas courellas de vinha annexas, olivedo, lagar, adêga, forno para cozer pão, cavalharice, palheiro, e commodos para huma grande familia; ha de principiar o arrendamento no primeiro de Junho proximo: fale-se a Paulo José Nunes, em Lisboa na rua dos Algibebes nº 78». Ainda em 1832, o mesmo periódico insere um anúncio de  Ayres de Sá Nogueira, na sua «quinta da Torre do Fáto, perto da Luz»  para contratar quem lhe administrasse uma quinta agrícola em Santarém.

No séc. XX, na  planta de Júlio Silva Pinto de 1907 está identificada a Quinta e a Azinhaga da Torre do Fato. De 1922 a 1924 encontramos  permutas de terrenos entre a Câmara Municipal de Lisboa e Manuel Gomes, para alargamento da Azinhaga da Torre do Fato e da Estrada de Telheiras de Cima. E em 1970 sabemos que a Clínica Psiquiátrica de São José das Irmãs Hospitaleiras estava em 1970 já instalada na Quinta da Torre do Fato.

Freguesias de Carnide e do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Azinhaga do Reguengo da Charneca

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Azinhaga do Reguengo que se estende desde  terras próximas da Azinhaga das Galinheiras até ao concelho de Loures guarda a memória dos domínios do Rei naquela zona: o reguengo da Charneca.

Depois da Reconquista de Lisboa aos mouros, o território ao redor de Lisboa, o Termo de Lisboa, ficou na propriedade do Rei que, de seguida, fez dele doações a nobres e às ordens militares e religiosas, embora tenha conservado na sua posse vastos domínios que se denominavam reguengos. Reguengo ou realengo era a qualificação jurídica dos lugares conquistados dependentes diretamente da autoridade do rei, eram as terras cujo senhor era o próprio rei.

Concretamente, o reguengo da Charneca ainda no século XVII continuava na posse dos Duques de Bragança e é dele e da sua  Quinta do Reguengo que o topónimo Azinhaga do Reguengo guarda memória até aos nossos dias.

A extinção dos reguengos foi feita pelas leis de organização da administração e da fazenda pública de Mouzinho da Silveira em 1832. Em 1906 ainda a planta de Júlio Silva Pinto mostrava tanto a Quinta como a Azinhaga do Reguengo.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Pote de Água: do sítio à Travessa, passando pelo Largo

Travessa do Pote de Água – Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Sítio do Pote de Água deu nome a uma Quinta, destruída pelo terramoto de 1755, para no séc. XX, nos anos sessenta, o nome voltar ao local, primeiro num Largo e depois numa Travessa.

A partir de um pedido do serviço municipal de Escrivania para atribuição de topónimo ao arruamento que ligava o Largo João Vaz à Avenida do Brasil foi atribuída a Travessa do Pote de Água, pela publicação do Edital municipal de 23 de maio de 1969.  Nas proximidades já estava, desde a publicação do Edital de 21 de dezembro de 1960, o Largo do Pote de Água.

Na segunda metade do séc. XVIII encontramos em memórias paroquiais várias referências ao Pote de Água e aos proprietários da Quinta do mesmo nome. Na descrição da Freguesia de Santo André, sabemos que «pela Estrada da Charneca athé a Quinta do Pote de Agoa inclusive, q hoje he de Joseph Antonio Ferreira», esclarecendo ainda que a Quinta «foi dos Padres Jezuitas». Na descrição de 1758, da freguesia do Campo Grande, volta ser referida a Quinta do Pote de Água: «No citio do Pote de Agoa, e Calvanas a [ermida] da Senhora Santa Anna na Quinta do Dr. Joachim Pereira da Sylva Leal hoje demolida por cauza do terramoto (…).»

Também no século XIX, encontramos em documento municipais a menção à construção do  lanço do Campo Grande ao Pote de Água na estrada do Campo Grande aos Olivais (1878-1896), bem como à reparação da Estrada da Charneca desde o Pote de Água até ao lugar da Charneca (1889).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Quinta da família Baldaque

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1956 a Travessa das Baldracas passou a ser a Rua dos Baldaques, porque um estudo solicitado pela Comissão Municipal de Toponímia esclareceu que Baldracas era uma corruptela do nome da família Baldaque, moradora da artéria.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia havia encarregado o seu membro, Dr. Durval Pires de Lima, de elaborar um estudo de revisão da toponímia de Lisboa – que foi aprovado na reunião da Comissão de 19 de janeiro de 1950 – no qual se esclareceu que Baldracas «É uma corrupção do nome da família Baldaque, em cuja Quinta foi delineada a travessa» pelo que se propôs que a designação passasse a ser Travessa dos Baldaques. E assim a Travessa das Baldracas passou, pelo Edital municipal de 25/02/1956, a ser a Rua dos Baldaques, unindo a Rua Barão de Sabrosa ao Largo Mendonça e Costa.

Em 1780 o espaço hoje ocupado pela Rua dos Baldaques eram terras de cultivo. Nesse século de reconstrução da cidade de Lisboa, fidalgos e burgueses procuraram os arredores da cidade de Lisboa para as suas casas de campo, como aconteceu com as novas quintas do Coxo, do Pina (que  veio a dar nome à freguesia do Alto do Pina) ou da família Baldaque.

No século XIX, o Alto do Pina era ocupado por quintas e a planta de Duarte Fava de 1807 situa os Baldaques junto à Azinhaga dos Sete Castelos, derivada esta última do nome do lugar já povoado desde o séc. XIV. Em 1896 deparamos com uma Azinhaga das Baldracas na planta de colocação de novo pavimento na Azinhaga ou  Calçada da Ladeira. Também de 1914  a 1916 continuamos a encontrar a designação Azinhaga das Baldracas em vários documentos municipais, referentes à iluminação da zona ou à construção da Rua Edith Cavel. E só em 1919 deparamos com a denominação Travessa das Baldracas na planta municipal para o alinhamento desse mesmo arruamento.

Refira-se que António Lobo Antunes dedicou uma crónica a esta Rua dos Baldaques, publicada em 2002 no livro que compilou os seus textos publicados na revista Visão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

 

 

O Alto das Conchas e conchinhas miocénicas

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Alto das Conchas, em Marvila, artéria que liga a Calçada do Perdigão  à Azinhaga da Salgada, georrefencia a posição altaneira do lugar de Conchas, topónimo que se fixou na memória do local por nele abundarem vestígios fósseis de conchas de moluscos do Miocénico lisboeta, ou seja, entre cerca de 20 e 7 milhões de anos atrás.

Já em documentos do séc. XII aparece referido o sítio de Concha, local onde o Mosteiro de São Vicente de Fora e a Ordem do Templo tinham vinhas. E no séc. XIII são mencionados os lugares de Chelas e Conchas.  No séc. XVIII é construída a casa de morada da Quinta das Conchas e sua ermida da invocação de Santo António com a data de 1763, tendo nas proximidades a Quinta do Perdigão do século anterior e de Manuel Sequeira Perdigão, um cavaleiro da Ordem de Cristo. E no séc. XIX, um documento municipal de 1899 regista o alinhamento da Calçada do Perdigão e a sua proximidade ao  Alto das Conchas, Quinta das Conchas e Quinta das Conchinhas.

Na planta de 1908 de Silva Pinto, para além do Alto das Conchas também surge uma Azinhaga das Conchas e uma Quinta das Conchas, sendo que a Azinhaga corresponde ao espaço que hoje designamos Alto das Conchas. Já na planta municipal de 1950 , o Alto das Conchas de 1908 passou a Quinta das Conchinhas e o que hoje designamos como Alto das Conchas era o Largo das Conchas, que assim surge desde 1971 nas plantas do Plano Diretor Municipal.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Do Desfiladeiro de pedra à Calçada de Carriche

Freguesias do Lumiar  e de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Desfiladeiro de Carriche, denominação já do tempo da ocupação romana, deu lugar à Calçada de Carriche, topónimo derivado de pedra qualquer que seja a sua origem e no século XX até mereceu honra de ser o título de um poema de António Gedeão, de 1958.

Esta passagem natural no Norte de Lisboa já se denominava Desfiladeiro de Carriche no tempo da ocupação romana da Península Ibérica, pelo menos desde o séc. III. Na ocupação muçulmana que se seguiu – nos séculos VIII a XII – o topónimo permaneceu e não se apagou. Sobre a sua origem etimológica há quem defenda que derivará do céltico carr, que quer dizer pedra, enquanto outros apontam que radicará no árabe qarix, que significa pedra miúda e cascalho. Em qualquer das opções, a pedra maior ou mais pequena do desfiladeiro original ficou para sempre na toponímia lisboeta.

Esta Calçada tem vestígios de ocupação humana pré-histórica, desde o Paleolítico. De 1852 a 1885, como as freguesias do Lumiar e da Ameixoeira, assim com as outras do Termo, integrava o concelho dos Olivais. Depois foi incorporada no território de Lisboa em 18 de julho de 1885, altura em que foi estabelecida uma nova estrada da circunvalação, que aproveitou parte da Estrada Militar desde Benfica ao Forte da Ameixoeira (edificado sobre um povoado Calcolítico), e demorou a ser construída de 1886 a 1900, com 3 postos fiscais (ou portas): o Vale do Forno, Alcoutins e Carriche. Na planta de Júlio Silva Pinto de 1906 estão referenciados a Calçada de Carriche, as Portas da Calçada de Carriche e o Posto de Carriche.

Hoje a Calçada de Carriche começa na Rua do Lumiar e termina no limite do concelho de Lisboa, no Senhor Roubado de Olival Basto, já do concelho de Odivelas.

Freguesias do Lumiar  e de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Nautilius das «Vinte mil léguas submarinas»

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Nautilius, no Parque das Nações, liga a Rua Pedro e Inês ao Passeio de Ulisses e foi um dos 102 topónimos oficializados pelo Edital municipal de 16 de setembro de 2009, após a reconversão da zona da EXPO 98 em Parque das Nações e a sua integração no território do concelho de Lisboa.

Nautilius é o nome de um submarino movido a electricidade, ficcionado por Júlio Verne em 1869, como protagonista da sua obra Vinte mil léguas submarinas (no original, Vingt mille lieues sous les mers). O livro foi originalmente publicado em forma de uma série no periódico Magasin d’Éducation et de Récréation, de março de 1869 a junho de 1870. O enredo situa-se em 1866 quando o capitão Nemo que construiu o Nautilius convida a expedição do professor Pierre Aronnax, especialista em  criaturas marinhas, a fazer a bordo uma jornada pelo fundo dos oceanos na qual vão percorrer vinte mil léguas.

Este topónimo é uma herança da Expo 98, subordinada ao tema “Os oceanos: um património para o futuro”, na qual os arruamentos do evento foram denominados  com topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou obras de sua autoria ligadas ao mar e ainda mais alguns ligados à botânica.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Alameda central da borboleta do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais

A Alameda da Encarnação é o eixo principal do Bairro-Jardim da Encarnação, traçado em forma de borboleta pelo Arqtº Paulino Montez, com duas áreas simétricas que terminam no largo principal.

O Bairro Económico da Encarnação, foi construído de 1940 a 1943 numa área de cerca de 47 ha, em terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações e inaugurado oficialmente três anos depois, em 1946. Apesar de seguir as características dos restantes Bairros Sociais ou de Casas Económicas, como situar-se fora da malha urbana da época e copiar o modelo de aldeia portuguesa com casas em vez de prédios, o Bairro da Encarnação já associava alguns princípios das cidades-jardim que então se iam construindo noutros países europeus, sobretudo em Inglaterra, como cerca de 25% da área do bairro ocupada com espaços verdes.

A Alameda da Encarnação, que une a Avenida de Berlim à Rua dos Lojistas, foi atribuída como os restantes topónimos do Bairro da Encarnação pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, o Edital que também deu toponímia, sobretudo numérica, aos  Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno.

A Alameda da Encarnação é a via principal do Bairro da Encarnação e tem no seu topo a Igreja de Santo Eugénio (nome do Papa Pio XII: Eugénio Pacelli), consagrada em 2 de junho de 1951.

As terraplanagens para a abertura de ruas do Bairro foram adjudicadas à Societé Coloniale de Constructiore em 1941; a pavimentação e esgotos ao Engº António de Almeida Belo em 1942; a construção do quartel dos bombeiros a Ruy Miller de Magalhães em 1947; a construção de ruas de acesso ao Bairro da Encarnação a José dos Reis Sanches em 1948 e a construção do Mercado do Bairro da Encarnação foi adjudicada a Amaro & Mota, Lda. em 1961.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Absolutos Beguinos ou Beguinhos num Beco de São Vicente

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Beco dos Beguinhos  já existia na Freguesia de São Vicente antes do Terramoto de 1755, então denominado Beco dos Beguinos, sendo controversa a origem do topónimo.

Consideremos que Beguino  significa devoto, beato e que no séc. XIII existiu uma seita religiosa com este nome, que acabou sendo considerada herética, tendo os seus  seguidores sido excomungados pelo Concílio de Viena de 1312 e ainda,  perseguidos pela Inquisição, principalmente em França e na Alemanha, devido ao seu espírito livre, antidogmático e pelos seus costumes, considerados dissolutos à época. Em Portugal também foram contestados e a palavra Beguino chegou mesmo a ter a conotação de hipócrita, pelo que, eventualmente, poderia ter dado azo ao nome do Beco.

Mas também existe a hipótese do olisipógrafo Gomes de Brito. O criador dos estudos toponímicos lisboetas defende que se trata do Beco dos Beguinos, e não Biguinos como no séc. XVI ou Biguinhos ou até  Beguinhos,  por assumir a a explicação de Viterbo no seu Elucidário de que o termo viria do inglês begging que significa pedir, mendigar e como tal corresponderia ao beco dos pedintes ou dos penitentes mas sem ligação a nenhum voto.

Gomes de Brito refere ainda que em 1565, um códice do arquivo camarário, dá nota de aí ter residido um tal Luiz,  Begino ou Beguino de alcunha ou de apelido, que  eventualmente poderia  ter dado nome ao local por ter sido o primeiro proprietário da viela.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

As terras do «Carvalhão» que viria a ser Marquês de Pombal

Alto do Carvalhão – Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carvalhão era o nome pelo qual era conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo – que viria depois a ser Conde de Oeiras e Marquês de Pombal – nesta zona de Campolide, onde era o proprietários dos terrenos que se estendiam desde a Cruz das Almas até à ribeira de Alcântara e onde se fixou na toponímia local como Alto do Carvalhão, Rua do Arco do Carvalhão e já no século XX, também com a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão (Edital de 22/06/1948).

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, «do apelido [Carvalhão] derivaram os nomes da Rua actual (da direita) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (à esquerda) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva à D. Carlos Mascarenhas», porque ali possuía  casas, terras, olivais, pedreiras como a da Cascalheira, fornos de cal e até moinhos e azenhas. Ainda segundo Norberto de Araújo «antes de ser do Arco do Carvalhão a rua chamava-se do Sargento-Mór.»

Antes do Terramoto de 1755, o Arco do Carvalhão aparece na descrição corográfica da freguesia de Santa Isabel, bem como na planta após a remodelação paroquial de 1770. Cerca de 1779 existiriam casebres na Rua do Arco do Carvalhão que seriam demolidos em 1929 para alargamento do arruamento, ainda de acordo com Norberto de Araújo.

No século XX, em 1807, a planta de Duarte Fava apresentava esta zona como o Arco do Carvalhão. Filipe Folque, na sua planta de 1857 já refere o Arco do Carvalhão, a Estrada do Arco do Carvalhão e o forte do Alto do Carvalhão, sendo que desde 12 de outubro de 1823 que o Chafariz do Arco do Carvalhão (ou da Cruz das Almas), da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos, estava a funcionar na Rua do Arco do Carvalhão que foi alargada a partir de 1887, alongada em 1900 e novamente alargada em 1901 bem como de 1914 a 1922.

Sabe-se ainda, por uma escritura de 21 de fevereiro de 1920, que neste ano estavam a ser construídas ruas no Alto do Carvalhão,  numa obra levada a cabo por Gustavo de Araújo Santos Moreira e que, dois anos depois (escritura de 27/01/1924), o mesmo indivíduo obteve licença para abertura e construção de ruas nos terrenos sitos no Alto do Carvalhão cedendo 2571,25 m2 de terreno à Câmara Municipal de Lisboa. A pavimentação das ruas ocorreu dez anos depois como prova a escritura de adjudicação da empreitada de pavimentação das ruas do Alto do Carvalhão a Emílio Hidalgo, com data de 22 de maio de 1934. A partir de 1937 o  Alto do Carvalhão recebeu a construção de  rampas de acesso à Auto-Estrada Lisboa-Cascais, incluindo ainda um viaduto sobre a artéria com data de 1940.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)