A Rua Mestre Martins Correia junto à sua homenagem às mulheres de Lisboa no Metro das Picoas

Freguesia de Arroios
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mestre Martins Correia, o escultor de intensa policromia e paixão pelo bronze, que concebeu a decoração da Estação de Metropolitano das Picoas como uma homenagem às mulheres de Lisboa, está desde o ano seguinte ao seu falecimento perpetuado numa rua muito próxima dessa estação, com a legenda «Escultor/1910 – 1999».

A  Rua Mestre Martins Correia era a Passagem Pública entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Engenheiro Vieira da Silva até a deliberação camarária de 16 de fevereiro de 2000 e consequente Edital municipal de 23 de fevereiro fazerem nascer a Rua, que teve honras de inauguração pública em 20 de outubro desse ano, com evocação do homenageado pelo Mestre Lagoa Henriques e pelo amigo cantor Pedro Barroso.

O ribatejano Joaquim Martins Correia (Golegã/07.02.1910 – 30.07.1999/Lisboa) destacou-se como uma das figuras marcantes da escultura portuguesa, num extenso percurso, multifacetado, com uma estética muito própria. Foi autor de composição abstrata, de retratos, de estatuária oficial, com uma marcante estilização italianizante e aligeirada pelo recurso decorativo à policromia, com a utilização de intensos vermelhos, ocres, pretos, verdes, brancos, azuis e amarelos e uma preferência pelo bronze.

Os seus pais faleceram numa epidemia de pneumónica e foi o aluno casapiano n.º 393, a partir de novembro de 1922, tendo aí concluído o curso industrial e recebido uma bolsa de estudo para frequentar a Escola de Belas Artes de Lisboa, na qual se matriculou no curso de desenho, em 1928, embora tenha terminado diplomado em escultura, a conselho do seu professor da cadeira de modelo, Luciano Freire.

Começou a expor individualmente em 1938, destacando-se logo em 1940 o seu trabalho na exposição da Missão Estética de Viana do Castelo, tendo o seu Cruzeiro do Minho merecido então referências de primeira página no jornal O Século. Nessa década de quarenta executou trabalhos de escultura para a Exposição do Mundo Português, foi um participante constante dos salões do SNI-Secretariado Nacional de Informação bem como continuou presença certa dos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (nos anos de 1936 a 1942) e conseguiu todos os prémios de escultura do país na época : o da Missão Estética de Viana do Castelo (1940), o Mestre Soares dos Reis (1942), o Mestre  Manuel Pereira (1943 e 1947), o de Escultura do SNI, o  do Salão Lisboa, a 1ª medalha do Salão Provincial da Beira Alta. Martins Correia recebeu ainda do Estado uma bolsa de estudos em Espanha e Itália  (1944 e 1945).

Nos anos cinquenta a sua  exposição de 1957 na Galeria do Diário de Notícias valeu-lhe o prémio Mestre Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes, assim como foi medalha de prata da Junta de Turismo de Cascais, sendo nesse ano também condecorado com a Ordem da Instrução Pública pelo Ministério da Educação Nacional. No ano seguinte, executou as estátuas em bronze de Luís de Camões para a cidade de Velha Goa que lhe valeram o prémio Diário de Notícias. Destaquem-se ainda os seus bustos em bronze de Jaime Cortesão, Augusto de Castro, Nuno Simões, Olegário Mariano, Miguel Torga, Fernando Namora, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen e a estátua em pedra de Bartolomeu de Gusmão, executada nos anos setenta mas inaugurada em 25 de outubro de 1989 na Alameda das Comunidades Portuguesas. Destaque-se ainda que Mestre Martins Correia também foi galardoado com o Prémio Internacional de Gravura na Noruega e  o Prémio Internacional de Artes Plásticas em Bruxelas.

Em Lisboa, a sua obra, para além da decoração artística da Estação do Metropolitano das Picoas, na ampliação de 1994, soma a composição escultórica da parede do fundo do Café Império até à estátua em pedra de Dom Pedro V na  Faculdade de Letras, passando pela decoração da escadaria da sala de receções do Hotel Ritz, pelo relevo A Justiça e o Povo para o Palácio da Justiça, pela Rainha Santa Isabel de bronze da Casa Pia de Lisboa, pelo Fernão Lopes de granito rosa na Biblioteca Nacional de Lisboa até ao átrio da Torre Vasco da Gama no Parque das Nações. Ainda em Lisboa, refira-se que Martins Correia trabalhou muitos anos num atelier municipal e realizou para a Câmara da capital alguns trabalhos para jardins e edifícios municipais, para além de ter sido membro do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Lisboa.

Um pouco por todo o país estão erigidos vestígios da sua obra no espaço público, para além de estar representado no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa-Museu do Chiado, no Museu Soares dos Reis do Porto, no Museu Regional de José Malhoa, no Museu de Arte Moderna de Madrid e claro, na Museu Municipal Martins Correia, na Golegã.

Paralelamente  à sua carreira de escultor Martins Correia também exerceu a docência. Ainda aluno, foi auxiliar dos professores de desenho da Casa Pia de Lisboa. A seguir, foi professor do Ensino Técnico Profissional, na Escola Rafael Bordalo Pinheiro (de 1936 a 1938) das Caldas da Rainha, e em Lisboa, nas Escolas Marquês de Pombal (ano lectivo de 1938-39), Machado de Castro (1939-40), Afonso Domingues (1940-41) e António Arroio (1941-42). Em 1946, foi convidado para professor da Casa Pia de Lisboa, onde ficou até 1958 e de onde partiu para a ESBAL, até à sua última lição em 1971.

Como cidadão, Joaquim Martins Correia foi Presidente da Secção de Cultura Artística da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), autor do programa Assuntos de Arte na antiga Emissora Nacional (1965), membro do Conselho Técnico à Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro assim como tomou parte nas exposições internacionais do Rio de Janeiro, de Bruxelas, na Ibero-Americana de Barcelona e na de desenhos de Lausanne. Foi ainda administrador da Fundação Abel de Lacerda-Museu do Caramulo e vogal efetivo da Academia Nacional de Belas Artes.

Das várias homenagens que recebeu evocamos a exposição retrospectiva de 300 obras de escultura, desenho e medalhística de 1939 a 1973 na SNBA (1973), filmada pelos cineastas Manuel Guimarães e Escouto; a sua última lição na seção casapiana de Pina Manique e a condecoração com a Ordem de Santiago da Espada (24 de março de 1973); a inauguração da sua estátua A Camponesa  e a abertura do Museu Municipal Martins Correia, em cerimónia na Golegã presidida pelo então Presidente da República, general Ramalho Eanes (1982); e a Ordem de Santiago de Espada pela segunda vez (1990).

A homenagem às mulheres de Lisboa de Mestre Martins Correia no Metro das Picoas
(Foto: Andrés Lejona, 2002, Arquivo Municipal de Lisboa)

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Fernando Gusmão, encenador do Teatro Moderno de Lisboa, no Bairro teatral do Vale da Ameixoeira

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fernando Gusmão, o ator e encenador alfacinha, fundador e encenador do Teatro Moderno de Lisboa em 1961 , dá nome à Rua 6A do Vale da Ameixoeira desde abril de 2004, sendo assim também o primeiro topónimo de um Bairro cujos arruamentos têm topónimos relacionados com o meio teatral.

Foi pelo Edital municipal nº 20/2004 de 19 de abril de 2004 que foi fixada a Rua Fernando Gusmão na Rua 6A que hoje une a Rua Artur Ramos à Rua António Vilar. No mesmo dia, pelo Edital nº 21/2004, o Vale da Ameixoeira recebeu na sua Rua 3 a Rua Fernanda Alves.  Quase três meses depois, mais artérias do Vale da Ameixoeira foram preenchidas com nomes de atores: António Vilar (Rua 4 A), Arnaldo Assis Pacheco (Rua 1 A à Estrada da Circunvalação), José Viana (Rua 1 B), Raul de Carvalho (Rua 4 B) e Varela Silva (Rua 2A). E cinco anos mais tarde, pelo Edital de 16 de setembro de 2009, nasceu na Rua 6B a Avenida Glicínia Quartin, a primeira vez que uma  Avenida lisboeta recebeu o topónimo de um ator.

Fernando Morais Ferreri Gusmão (Lisboa/06.02.1919 – 17.02.2002/Casa do Artista – Lisboa) foi um ator e encenador que participou na construção desse marco no teatro português que foi o Teatro Moderno de Lisboa, fundado em 1961 por uma sociedade de atores que o unia a Armando Caldas, Armando Cortez, Carmen Dolores e Rogério Paulo. Foi nesta Companhia que se estreou como encenador de Humilhados e Ofendidos  a partir do original de Dostoievski (1961), Os Três Chapéus Altos de Miguel Mihura e Render dos Heróis de José Cardoso Pires (1965), a última da sociedade teatral, retirada de cena pela censura teatral. De 1961 a 1965 o Teatro Moderno de Lisboa funcionou no Cinema Império, no  inovador horário das 18: 30 horas e 11:00 horas de domingo, em sessões que transbordavam de público. Entre tantos outros, neste palco representaram Armando Cortez,  Armando Caldas, Cármen Dolores, Clara Joana, Fernanda Alves,  o próprio Fernando Gusmão, Morais e Castro, Rogério Paulo, Rui de Carvalho ou  Rui Mendes. Lauro António, no seu blogue, considera mesmo que « Desde “O Tinteiro” até ao “Render dos Heróis” foi uma actividade magnífica, desenvolvida por uma sociedade de actores que pretendia acima de tudo rumar contra o marasmo, abrir horizontes, rasgar janelas.» 

Fernando Gusmão viveu em Cabo Verde dos 5 aos 19 anos mas regressou em 1938 e dez anos depois, iniciou-se no teatro como amador, no Grupo Os Companheiros do Pátio das Comédias, onde interpretou O Casamento de Nicolau Gogol,  Continuação da Comédia de João Pedro de Andrade (que em 1957 também  interpretaria para a televisão numa realização de Artur Ramos) ou a Escola de Maridos de Molière. Nos anos 50, profissionalizou-se ao ingressar na Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II, representando Curva Perigosa, de Priestley, A Senhora das Brancas Mãos de Alejandro Casona ou A Comédia da Morte e da Vida, de Henrique Galvão.

Nesta década de cinquenta Fernando Gusmão ainda se destacou no Rei Lear de Shakespeare e em O Príncipe Disfarçado de Marivaux, tendo trabalhado  na Companhia Alves da Cunha no Teatro Gymnasio (1951); no Teatro do Povo, com Francisco Ribeiro, no Alfageme de Santarém de Almeida Garrett; no Teatro Avenida, em Joana D’ Arc de Jean Anouilh e João Gabriel Bockman de Ibsen (1955); no Teatro Nacional Popular,  sediado no Teatro da Trindade, de 1957 a 1959, interpretando sucessivamente Noite de Reis de Shakespeare, Um Dia de Vida de Costa Ferreira, Doze Homens Fechados de Reginald Rose, Diário de Anne Frank de Goodrich e Hackett, Pássaros de Asas Cortadas de Luiz Francisco Rebello ou À Espera de Godot de Samuel Beckett.  Também se estreou no teatro de revista, em Aqui é Portugal, numa temporada no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, em 1955.

A partir dos anos sessenta a sua faceta de encenador começou a mostrar-se, no Teatro Moderno de Lisboa. Também dirigiu o Grupo Cénico de Direito (1965 e 1966); encenou O Tempo e a Ira de John Osborne  e A Renúncia de Unamuno no Teatro Experimental do Porto-TEP, assim como  A Voz Humana de Jean Cocteau, interpretado por Maria Barroso, tudo em 1967;   dirigiu o  Grupo 4 (1968), o Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique (1970) e a A Excepção e a Regra de Bertolt Brecht no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra- TEUC.

Após o 25 de Abril, foi presidente do Sindicato de Atores  e membro fundador do Grupo de Teatro Proposta, ao lado de Augusto Sobral, Manuel Coelho,  Luís Alberto e Victor Esteves (1975); ministrou um curso de formação para atores na Guiné-Bissau (1978); encenou Corpo-Delito para o Grupo 4, já renomeado Novo Grupo, no  Teatro Aberto (1979); passou a encenar o Grupo de Campolide (1981) e regressou ao TEP, bem como ao TEUC para encenar O Sonho de Enrique Buenaventura (1990), na mesma década em que publicou o livro autobiográfico A Fala da Memória (1993).

Fernando Gusmão também trabalhou para rádio e televisão, para além do cinema, onde figurou algumas longas-metragens como Saltimbancos de Manuel de Guimarães (1952),  O Mal Amado de Fernando Matos Silva (1974) ou Os Demónios de Alcácer Quibir de José Fonseca e Costa (1977).

Morou no nº 12 da Rua das Taipas, no prédio onde Sá Nogueira teve atelier e em Almada (Sobreda), dá também nome a uma rua, próxima das Ruas Luzia Martins e Armando Cortez.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua Elvira Velez no Dia Internacional da Mulher

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Elvira Velez, atriz de palco, do teatro radiofónico, do cinema e da televisão , foi consagrada numa artéria de Benfica, inaugurada significativamente no Dia Internacional da Mulher, como hoje, mas no ano de 1993.

A Rua Elvira Velez  passou a ser o topónimo do Impasse I à Rua da Quinta do Charquinho por deliberação camarária de 03/02/1993 e consequente Edital municipal de  04/02/1993, com a legenda «Actriz/1892 – 1981», passados quase doze anos após o falecimento da atriz, a partir de uma sugestão de vários admiradores seus enviada por carta à edilidade alfacinha. A cerimónia de inauguração da artéria foi agendada para o Dia Internacional da Mulher de 1993, tendo sucedido nesse dia o mesmo com a Rua que consagrou a também atriz Helena Félix. O descerramento da placa toponímia foi feito pelo Vereador do Pelouro, Engº Rego Mendes, com o genro da homenageada, Igrejas Caeiro, tendo Appio Sottomayor usado da palavra em representação da Comissão Municipal de Toponímia.

Elvira Velez assina autógrafos, em 1960, no Jardim da Estrela
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elvira Sales Velez Pereira (Lisboa/19.11.1892 – 08.04.1981/Caxias), nasceu na então freguesia de Santa Isabel e dos 6 aos 18 anos foi viver com a família para Torres Novas, já que o seu pai era aí o empresário do Teatro da vila e, mesmo contrariando a vontade dele, começou por isso mesmo a desejar ser atriz. Depois de mudar para Tomar conseguiu aí  entrar num grupo de teatro de amadores e de novo em Lisboa, após várias tentativas de chegar à carreira teatral, conseguiu finalmente estrear-se  aos 21 anos, em 1913, no Teatro Moderno da Rua Álvaro Coutinho, na opereta Os Grotescos, com o consagrado ator cómico Augusto Costa (Costinha).

Elvira Velez passou a interpretar  comédia, tragédia, farsa, revista e opereta, tendo representado em quase todos os teatros do País e tendo começado na Companhia do Teatro Moderno, passou para a de Chaby Pinheiro no Teatro Apolo, também pelo elenco do Teatro de S. Luís, pela Companhia Palmira Bastos (1921), a de Vasco Santana e Alves da Cunha, a do ABC do Parque Mayer e a do seu genro  Igrejas Caeiro no Teatro Maria Matos.

Também na rádio Elvira Velez se destacou, sobretudo como a sogra do folhetim radiofónico Lélé e Zéquinha (1952), da autoria de Aníbal Nazaré e Nélson de Barros, contracenando com Irene Velez e  Vasco Santana que desempenhavam os protagonistas, programa produzido por Igrejas Caeiro, na Emissora Nacional, embora a atriz também tenha colaborado no Rádio Clube Português.

No cinema, fez parte do elenco dos filmes Aldeia da Roupa Branca de Chianca de Garcia e Sorte Grande de Erico Braga (1938);  Um Homem às Direitas (1944) de Jorge Brum do Canto; Três Dias Sem Deus (1946) de Bárbara Virgínia; O Comissário de Polícia de Constantino Esteves e Duas Causas de Henrique Campos (1953); Agora é que São Elas (1954) uma revista filmada por Fernando Garcia; O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e ainda mais dois filmes todos em 1960: As Pupilas do Senhor Reitor de Perdigão Queiroga e Encontro com a Vida de Artur Duarte.

Na televisão, era presença frequente nas peças das Noites de Teatro da RTP, nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, tendo também participado na série Lisboa em Camisa, realizada por Herlander Peyroteo em 15 episódios.

Na sua vida, Elvira Velez casou com o também ator Henrique Pereira, união da qual nasceu Irene Velez que viria a seguir a mesma carreira teatral, tendo a morada de família sido no nº 82 da Rua Passos Manuel.

Elvira Velez foi distinguida com o prémio Lucília Simões (1970) pela sua interpretação  no papel da Titi de A Relíquia, a partir do original de Eça de Queiroz, que esteve vários meses em exibição no Teatro Maria Matos e foi o fecho da sua carreira. Foi ainda agraciada com a Ordem de Santiago de Espada, assim como pela Caritas e pela Cruz Vermelha.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da dramaturga Virgínia Vitorino do D. Maria e da Emissora

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A escritora teatral e poetisa Virgínia Vitorino, ligada ao teatro radiofónico da Emissora Nacional e à Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro sediado no Teatro D. Maria II, foi o nome escolhido para topónimo da Rua I e Dois à Alameda das Linhas de Torres, dois anos após o seu falecimento, ficando a ligar a  Alameda das Linhas de Torres à Rua António Ferro ( que é a  Rua Luís de Freitas Branco desde 28.07.1975), a partir da publicação do Edital municipal de 29 de janeiro de 1969.

Ilustração Portuguesa, 7 de junho de 1920 [clicar na imagem para ver maior]

Virgínia Villa-Nova de Sousa Victorino (Alcobaça/13.08.1895 — 21.12.1967/Lisboa), licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa e também com o curso superior de Canto e Piano, bem como o geral de Harmonia e Italiano do Conservatório Nacional de Música, notabilizou-se primeiro como poetisa e  a partir dos anos trinta do séc. xx ligada ao teatro.

Sob o pseudónimo de Maria João do Vale, dirigiu o Teatro Radiofónico da Emissora Nacional de 1935 a 1951, divulgando poesia e teatro de autores portugueses e estrangeiros, principalmente brasileiros.  A convite do presidente Getúlio Vargas foi ao  Brasil,  por volta de 1937. Ainda na Emissora Nacional também integrou os júris de Jogos Florais da Primavera.

Era muito amiga de Amélia Rey Colaço, sendo ambas da mesma geração e as seis peças de teatro que escreveu , todas em 3 atos, foram também todas representadas pela Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro, no palco do Teatro D. Maria II, com muito sucesso. Também assim conheceu Fernanda de Castro, que veio a casar com António Ferro, e terá sido por essa via que recebeu a encomenda para redigir a sua 5ª peça, intitulada Camaradas (estreada em 1937 e publicada em 1938), uma peça de intenção social ao contrário da sua habitual temática do amor com algum pendor feminista, mas que recebeu o prémio Gil Vicente do SNI-Secretariado Nacional de Informação.  As outras cinco peças que escreveu foram Degredados (1931),  A Volta (1932), Fascinação (1933),  Manuela (1934) e Vendaval (1942).

Antes, na década de vinte, publicou quatro livros de poesia em sonetos de bom recorte, repetindo o tema da mulher sofredora e traída mas sempre apaixonada, tendo editado o seu primeiro à sua custa, intitulado Namorados (1920), que se esgotou em 6 dias e somou um total de 12 edições em Portugal e duas no Brasil, êxito que ainda lhe valeu no ano seguinte uma imitação satírica, da autoria da jornalista Marinha de Campos, intitulada Ironias de Namorados.  Em 13 de janeiro de 1922, em entrevista ao jornal A Pátria Virgínia Vitorino manifestou-se contrária a ser concedido o direito de voto às mulheres. Desde o início, Júlio Dantas apoiou-a enquanto escritora. Os outros seus três títulos de poesia foram Apaixonadamente (1923) com capa de Almada Negreiros numa das edições, Renúncia (1926) e Esta Palavra Saudade (1929).

Virgínia Vitorina foi também professora de liceu e do  Conservatório Nacional de Lisboa, tendo ainda deixado vasta colaboração em jornais e revistas portuguesas e brasileiras,  como o Diário de Lisboa ou O Século. Em Lisboa, teve casa na Rua das Flores, junto ao Largo do Barão de Quintela, mas quando foi viver para as Caldas da Rainha para casa de um amiga sempre que vinha à capital ficava antes no Hotel Borges, na Rua Garrett, onde faleceu.

Virgínia Vitorino foi caricaturada por Amarelhe e muitos outros, bem como retratada por Eduardo Malta, Teixeira Lopes, José Paulo Ferro, Manuela Pinheiro e também agraciada com o grau de Oficial da Ordem de Cristo (1929) e a Comendada Ordem de Santiago (1932), bem como a espanhola Cruz de D. Afonso XII (1930). Foi também homenageada com o Teatro Virgínia Victorino em Cabo Verde (na cidade da Praia) e o seu nome numa rua de Alcobaça, sua terra natal.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do autor da letra d’A Casa da Mariquinhas e d’A minha casinha

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silva Tavares, o autor da letra do fado A Casa da Mariquinhas primeiro consagrado na voz de Alfredo Marceneiro – bem como da canção A minha casinha – para Milú no filme Costa do Castelo –, com a legenda «Poeta/1893 – 1964» deu  nome a uma Rua da freguesia do Lumiar, em 1972, oito anos após o falecimento do poeta.

Foi por sugestão do Presidente da CML de então, Engº Santos e Castro, que o nome de Silva Tavares foi consagrado na toponímia de Lisboa, unindo numa única artéria da Urbanização da Tóbis Portuguesa a Rua B com o troço da Rua A que lhe ficava paralelo,  pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972. Dezasseis anos mais tarde, pelo Edital de 29 de fevereiro de 1988, também a Rua II à Rua Silva Tavares foi incorporada neste arruamento, estendendo-se desde aí da Alameda das Linhas de Torres à Rua Ladislau Patrício.

João da Silva Tavares (Estremoz/27.06.1893 – 03.06.1964/Lisboa) trabalhou na Emissora Nacional, na Repartição dos Serviços de Produção, como chefe da Secção de Coordenação de Programas, de 1934 a 1963. Em paralelo, desenvolveu a sua faceta de dramaturgo e poeta, aquela que o ligou mais estreitamente ao fado, produzindo letras para Alfredo Marceneiro, como A Casa da Mariquinhas ou o Fado da Balada, assim como para Amália Rodrigues, sendo neste caso de salientar o Sabe-se lá ou o Que Deus me perdoe – ambos com música de Frederico Valério -, bem como  Fado de Cada Um (para o filme Fado de 1948) ou Céu da Minha RuaNa canção ligeira Silva Tavares também colaborou com diversos maestros como Tavares Belo, sendo mais famosa a sua parceria com António Melo, da qual nasceu a letra de 6 estrofes para Milú cantar no filme O Costa do Castelo (1943), intitulada A minha casinha que mereceu uma versão dos Xutos & Pontapés, a partir da década de oitenta do século passado, que a começaram a cantar como último tema dos seus concertos e que foi aquela que a Seleção Nacional de Futebol entoou após vencer o Euro 2016.

Silva Tavares começou a publicar poesia aos 18 anos, com a obra  Nuvens, corria então o ano de 1911, e a este livro seguiram-se Luz Poeirenta (1916), Poemas do Olimpo (1917), Claustro (1918), Gente Humilde (1934) e Viagem à Minha Infância (1950). Escreveu ainda  cerca de 90 peças de teatro de vários géneros, desde a ópera à farsa, passando muito pela revista, sendo de destacar a autoria do libreto da ópera D. João IV, para música de Rui Coelho, estreada em 1940, bem como o seu Vasco da Gama (1922) em verso e o Auto da Fundação das Caldas da Rainha (1935). Com  Virgínia Vitorino e Adolfo Simões Muller foi ainda em 1940  membro do Júri de Quadras do XII Concurso de Quadras de São João, promovido pelo Jornal de Notícias.

 

A Rua Maestro Frederico de Freitas, autor do fado Rua do Capelão

Freguesia de São Domingos de Benfica                                             (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Maestro Frederico de Freitas, autor das partituras dos filmes A Severa (1931) e Fado (1948), passou a ser o topónimo de uma Rua de São Domingos de Benfica três anos após o seu falecimento, sendo o 1º filme sonoro português sobre a 1ª fadista que o tornou popular e nele pontuou o seu fado Rua do Capelão, ainda hoje uma memória muito presente no imaginário português.

A Rua Maestro Frederico de Freitas, que une a Rua Cidade de Rabat  à Rua Augusto Pina, foi atribuída pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983 na Rua 2 (entre a Rua Augusto Pina e a Rua dos Soeiros), também identificada como Prolongamento da Rua Augusto Pina, artéria onde desde 1972 estava sediada a então Escola Preparatória Prof. Delfim Santos, a partir de uma solicitação da Sociedade Portuguesa de Autores, que além do nome de Frederico de Freitas propôs os escritores Pedro Bandeira e José Galhardo, assim como o ator Paulo Renato, tendo sido todos incluídos no mesmo Edital.

Frederico Guedes de Freitas (Lisboa/15.11.1902- 12.01.1980/Lisboa) notabilizou-se como compositor, maestro, pedagogo, musicólogo e crítico musical. Revelou-se um músico abrangente e eclético, do fado à música erudita. Somou música erudita, como por exemplo, Concerto para Flauta,  Hino Asas AtlânticasMissa SoleneQuarteto ConcertanteRibatejo  ou Suite Medieval, com música produzida para cinema, teatro ou dança. Adicionou ao património musical português tanto música de câmara como Quinteto de sopros ou Dez Canções Galegas como música sinfónica ( A Lenda dos BailarinosSuite Africana ou Sinfonia Os Jerónimos ), música para comédias, óperas, operetas, revistas (1927 – 1937) e até filmes como Pátio das Cantigas ou As Pupilas do Senhor Reitor (de Leitão de Barros como A Severa), de 1930 e até 1947, fazendo música tanto destinada ao público do Parque Mayer como ao do Teatro Nacional de São Carlos.

Funcionário da  Emissora Nacional entre 1935 e 1975, como Segundo Maestro da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional,  tanto colaborou em 1940 nas comemorações da celebração do Estado Novo  como esteve na fundação da Sociedade Coral de Lisboa (1940-1949) para apresentação de obras do repertório coral sinfónico. Depois, na Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto (1949-1953), dirigiu as primeiras audições no Porto de obras de Fernando Lopes Graça, um resistente musical durante o Estado Novo. Acresce que Frederico de Freitas foi o compositor português de música sacra mais destacado do século XX, autor de As Sete Palavras de Nossa Senhora, tal como foi o responsável por orquestrar A Portuguesa e Grândola Vila Morena. A sua versatilidade revela-se no índice do seu catálogo musical que junta Bailado, Música de Câmara, Música para Cinema, Música Coral, Harmonizações, Hinos, Música para Instrumento Solista, Música de Cena, Ópera, Opereta, Música Sinfónica, Orquestrações, Música de Teatro de Revista, Vaudeville, Voz e Piano. Registe-se ainda que Frederico de Freitas também exerceu  funções de chefe de orquestra no Brasil, na Bélgica, em Espanha, França, Holanda, Itália e Suíça.

Frederico de Freitas  foi  ainda docente de Canto Coral, a partir de 1924, no Liceu Camões (onde fora aluno em 1913 e 1914) e no Liceu Gil Vicente, assim como desde  1967, ensinou Composição, Contraponto e Fuga no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa. Na dança, também trabalhou como diretor musical e compositor na Companhia de Portuguesa de Bailado Verde Gaio fundada pelo Secretariado de Propaganda Nacional/SPN (1940 – 1950), assim como compôs música para dança para o seu amigo de juventude e coreógrafo Francis Graça durante a década de 1940. Somou ainda a direção musical da delegação portuguesa da His Master’s Voice na transição para a década de 1930 e a função de crítico musical no jornal Novidades, sendo ainda autor de vários estudos como «O fado, canção da cidade de Lisboa» ou «O fado veio do Brasil».

Refira-se que Frederico havia iniciado os seus estudos de música com a sua mãe, a pianista Elvira Cândida Guedes de Freitas e a partir de 1915 no Conservatório Nacional em Lisboa. Morou na Rua do Prior Coutinho, entre a Rua de Santa Marta e a Rua do Passadiço. Em 1918, aos 16 anos, compôs as suas primeiras obras – Duas Ave Marias –, cuja primeira audição pública ocorreu em 1922.  Concluiu o curso de Composição no Conservatório Nacional em 1925, e foi seleccionado para Pensionista do Estado no estrangeiro nesse mesmo ano, o que lhe possibilitou a realização de viagens a vários países europeus em 1927 e 1928.

Foi um dos mais empenhados membros da Sociedade Portuguesa de Autores, em cuja fundação participou quando tinha 23 anos (era então denominada Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) e da qual foi mais tarde Presidente de Honra. Frederico de Freitas foi também agraciado, por ordem cronológica, com  Prémio da CML para a Sonata Violino e Violoncelo (1924), o Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas (1926), o Prémio de Composição Domingos Bomtempo ( 1935), a Comenda de Santiago de Espada (1967), o seu nome dado ao Auditório da SPA (1981).

Em 2010,  o espólio do compositor Frederico de Freitas foi doado à Universidade de Aveiro pela filha do compositor, Elvira de Freitas, tendo dois anos depois sido também instituído o Prémio de Interpretação Frederico de Freitas/Universidade de Aveiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Cecília e Dinah, duas escritoras brasileiras na toponímia de Lisboa

Rua Cecília Meireles – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Cecília Meireles em 1964 e Dinah Silveira de Queiroz em 1984, são duas escritoras brasileiras que a partir dessas datas ficaram inscritas na toponímia de Lisboa, em São Domingos de Benfica e em Marvila.

A Rua Cecília Meireles nasceu do Edital de 28/12/1964 nas Ruas A e B à Travessa de São Domingos de Benfica, pouco mais de um mês após o seu falecimento, e a Rua Dinah Silveira de Queiroz foi através do Edital de 28/02/1984, na Rua L1 da Zona L de Chelas, quase 2 anos após a sua morte, em resultado de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 11 de julho de 1983.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro/07.11.1901 – 09.11.1964/Rio de Janeiro), neta de açorianos, foi uma professora, cronista e poetisa brasileira que iniciou a sua carreira literária com a publicação do livro de poesia Espectro (1919). A sua vasta produção literária de poesia, teatro, romance e ensaio, conta com títulos como por exemplo, Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923); Baladas para El-Rei (1925); o ensaio O Espírito Vitorioso (1929); publica em Lisboa uma apologia do Simbolismo, a Saudação à menina de Portugal (1930), assim como o ensaio Batuque, Samba e Macumba (1935) com ilustrações de sua autoria; Viagem ( 1939) que lhe valeu o Prémio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras; Olhinhos de Gato, publicado em capítulos na revista Ocidente (1939-1940); uma biografia de Rui Barbosa para crianças Rui — Pequena História de uma Grande Vida (1949); Romanceiro da Inconfidência (1953) que foi adaptado para filme por Joaquim Pedro de Andrade com o título Os inconfidentes (1972); os ensaios Panorama Folclórico de Açores (1955), A Bíblia na Literatura Brasileira (1957) , Ou Isto ou Aquilo (1964) ou Solombra (1964) que foi Prémio Jabuti de Poesia.

Paralelamente, enquanto professora do magistério primário desde 1917, em escolas oficiais do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, espelhou a sua vertente de pedagoga em crónicas sobre educação, como a página diária no Diário de Notícias em 1930 e 1931, ensaios sobre educação e obras para crianças. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, no Bairro de Botafogo, no Centro Infantil que dirigia. Aposentou-se em 1951 como diretora de escola, trabalhando a partir de então como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Foi ainda docente de Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), de 1935 a 1938, assim como de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas em 1940. Proferiu ainda conferências na Europa, Estados Unidos, África e Ásia sobre Literatura, Educação e Folclore e colaborou também, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico. 

Cecília Meireles recebeu as distinções de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli (1953) e Oficial da Ordem de Mérito do Chile (1952), para além do Prémio de Tradução/Teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (1962), do Prémio Jabuti de Tradução de Obra Literária da Câmara Brasileira do Livro (1963),  do Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1965),  e da sua efígie ser posta na nota de cem cruzados do  Banco Central do Brasil (1989).

O seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau do Bairro de Cangaíba em São Paulo (1963), à Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho em São Paulo (1974), à Biblioteca de Valparaiso no Chile (1964), ao grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa no Rio de Janeiro (1965), à Biblioteca Infanto-Juvenil no Bairro Alto da Lapa de São Paulo (1991), assim como foi consagrada em artérias de Ponta Delgada, do Porto, Curitiba, Itajaí, Ilha Comprida, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Xinguara do Pará, entre outras.

Na sua vida pessoal, casou-se em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, mas 5 anos após o suicídio deste casou-se com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo/09.11.1911 – 27.11.1982/Rio de Janeiro) foi uma escritora brasileira que abarcou diversos géneros, desde o romance, contos e crónicas, à literatura infantil. Escreveu Pecado (1937); a novela Sereia Verde (1938); Floradas na Serra (1939) que recebeu o Prémio Antônio de Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras e foi transposto para o cinema em 1955; os romance Margarida La Roque (1950) e A Muralha (1954); a peça bíblica O oitavo dia (1956); os contos Eles herdarão a terra (1960); Os invasores (1964); A Princesa dos Escravos (1965); Verão do Infiéis (1965) distinguido com o prémio de ficção da Prefeitura do Distrito Federal; Comba Malina (1969); O Livro dos Transportes (1969) dedicado ao público infantil e Memorial de Cristo (1974-1977). Foi laureada em 1954, com o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, pela Academia Brasileira de Letras.

Na sua vida pessoal casou-se em 1929 com o desembargador Narcélio de Queiroz, tendo enviuvado e em 1962, foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madrid, casando novamente nesse mesmo ano com o embaixador Dario Castro Alves (1927-2010), com quem residiu em Lisboa durante largos anos, e nesta cidade escreveu o seu último livro Guida, caríssima Guida (1981).

Dinah Silveira de Queiroz ainda escreveu artigos e crónicas para a Rádio Nacional, a Rádio Ministério da Educação e Jornal do Commercio no Brasil, para além de um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Foi a 2ª mulher membro da Academia Brasileira de Letras (1980), para além de ter integrado a Academia Paulista de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, e ter sido distinguida com o seu nome em artérias do Balneário Camboriú, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras.

Rua Dinah Silveira de Queiroz - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Rua Dinah Silveira de Queiroz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Maestro Pedro de Freitas Branco na rua onde viveu

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Pedro de Freitas Branco, que hoje faria hoje 120 anos, foi acolhido como topónimo na antiga Rua da Fábrica das Sedas, arruamento onde o maestro viveu muitos anos , na sequência de um pedido da Juventude Musical Portuguesa e do Sindicato Nacional dos Músicos.

Foi cinco anos após o falecimento do músico que o Edital municipal de 10 de maio de 1968 atribuiu o topónimo Rua Maestro Pedro de Freitas Branco, com a legenda «1896 – 1963», na Rua da Fábrica das Sedas, a unir a Rua Gustavo de Matos Sequeira à  Rua da Escola Politécnica.

Pedro António da Costa de Freitas Branco (Lisboa/31.10.1896 – 24.03.1963/Lisboa) nasceu na Calçada da Quintinha e viveu  a maior parte da sua vida no nº 23 da Rua Fábrica das Sedas, onde veio a falecer. Aos 7 anos iniciou-se no violino para além de ter estudado harmonia e contraponto com Tomás Borba e o seu irmão Luís de Freitas Branco. Em 1924, abandonou o curso de engenharia no Instituto Superior Técnico para se dedicar à música e foi estagiar regência de orquestra em Londres (1925-1927). De regresso,  fundou em 1928 a Companhia Portuguesa de Ópera Lírica, no Teatro São João do Porto e notabilizou-se como chefe de orquestra nos Concertos Sinfónicos de Lisboa, no Tivoli (1928 a 1932).  E após o convite do próprio Maurice Ravel, em 1932, para dirigir em Paris o concerto nº 1 do compositor alcançou renome internacional e fixou-se em Paris, de 1933 a 1937, para dirigir diversas orquestras francesas e europeias.

Pedro de Freitas Branco somou ainda o trabalho na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, desde a sua criação em 1934, tendo-a dirigido até falecer. Acumulou ainda com a regência de Ópera no Teatro Nacional de São Carlos, tanto mais que nos anos 40 e 50, também nessa área fez carreira internacional, com  cantores como Beniamino Gigli, Giuseppe di Steffano e Victoria de los Angeles, ou instrumentistas como o pianista Wilhelm Kempff. Também até 1961 dirigiu igualmente a Orquestra Sinfónica de Lisboa, à frente da qual estreou em Portugal muitas obras de compositores do século XX como Bartók, Luigi Dallapiccola, Paul Hindemith,  Prokofiev, Ravel, Richard Strauss e Stravinski.

Escreveu ainda o livro História da Música Popular em Portugal (1947), revelando a história e a dinamização cultural criada pelas filarmónicas, bandas civis e sociedades de recreio portuguesas. E ainda editou gravações históricas, como a do Concerto para Violoncelo em ré menor, de Edouard Lallo, com Guilhermina Suggia e a London Symphony Orchestra (1946) e aquelas em que perpetuou compositores portugueses como Luís de Freitas Branco e Viana da Mota, mas só dois receberam o Grand Prix du Disque da Academia Charles Cros: em 1954 com obras de Maurice Ravel e em 1962 com obras de Manuel de Falla.

Pedro de Freitas Branco, casado com a pianista Marie Antoinette Levêque, foi ainda agraciado com a Ordem de Sant’iago da Espada no grau de Cavaleiro (1931) e de Comendador (1939). Também a Câmara Municipal de Lisboa, mesmo antes de o colocar na toponímia da cidade, já no ano anterior o homenageara através da colocação de uma lápide no prédio onde ele vivera na então Rua da Fábrica das Sedas.

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do violinista Luís Barbosa no Beato

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

O alfacinha Luís Barbosa, considerado o melhores violinista da sua geração, dá nome a uma artéria do  Beato desde 1979, com a legenda «Músico/1887 – 1952».

A Rua Luís Barbosa nasceu do Edital municipal de 19/06/1979 no arruamento de ligação à Rua Dr. Manuel Espírito Santo, situado entre os Impasse 2 e 3. Este Edital fixou os topónimos dos arruamentos da Quinta do Ourives, colocando também o nome do bibliotecário e historiador António Joaquim Anselmo e figuras das artes como o escultor Faustino José Rodrigues, o pintor José Rodrigues e o barítono Francisco de Andrade (arruamento entretanto desaparecido e bem, já que desde a publicação do Edital de 20/10/1955 este cantor lírico estava fixado numa artéria de Alvalade).

José Luiz Barbosa (Lisboa/23.05.1887 – 03.10.1952/Lisboa),  começou os seus estudos musicais com o seu pai, com menos de 4 anos de idade e aos 5 já ganhava a vida tocando em cafés. A condessa de Edla, viúva de D. Fernando, protegeu-o custeando a despesa com o seu ingresso como aluno do Conservatório de Lisboa, mas este viu-se forçado a interrompê-los, dos 8 aos 17 anos, voltando a prosseguir os estudos depois com o professor e violinista Júlio Cardona, que foi o seu grande mestre, tendo também recebido lições do professor do Conservatório Alexandre de Bettencourt de Vasconcelos. Ficaram memoráveis as suas interpretações, com orquestras dirigidas por David de Sousa, Joaquim Fernandes Fão, Viana da Mota ou Pedro de Freitas Branco, dos difíceis concertos de Marc Bruch, Mendelssohn, Paganini, Saint-Saens e Tartini. A sua composição para violino e piano Romance, uma deliciosa peça de encore, característica do repertório dos violinistas concertistas do princípio do séc. XX, ficou também muito conhecida e curiosamente, Luís Barbosa casou com uma sua discípula que depois optou por ser pianista e os seus filhos foram o violinista Vasco Barbosa e a pianista Grazie Barbosa.

Luís Barbosa fez parte do Quarteto de Cordas da Emissora Nacional, com o qual interpretou praticamente todo o reportório clássico para esta formação e com o violoncelista Fernando Costa interpretou, em primeira audição em Portugal, o duplo concerto de Brahms para violino e violoncelo.

Luiz Barbosa foi ainda professor, tendo sido seus discípulos nomes como César Lobo, Fausto Caldeira, Herberto de Aguiar e foi agraciado com a Ordem de Sant’iago da Espada em 5 de outubro de 1928.

Freguesia do Beato (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua da Constança que era a pianista Nina

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A pianista Constança Marques Pereira que preferia ser conhecida como Nina Marques Pereira, está perpetuada numa artéria de Benfica, na sequência de uma sugestão do jornal O Século, tendo sido fixada na  Rua Projetada à Avenida Gomes Pereira pela publicação do Edital municipal de 25/10/1971, com a legenda «Pianista/1911 – 1968».

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De seu nome completo Constança Carlota Prazeres Marques Pereira (Goa/21.02.1911 – 25.08.1968/Lisboa), arribou a Lisboa em 1928 e concluiu o Curso Superior do Conservatório Nacional com 20 valores, em 1931, tendo sido aluna do mestre António Duarte da Costa Reis. Foi depois bolseira do Instituto de Alta Cultura em Paris, onde fez o Curso de Virtuosidade como discípula  de Alfred Corlot.

Tornou-se uma pianista muito aclamada, sobretudo como solista da Orquestra Sinfónica Nacional, sob a regência dos maestros Pedro de Freitas Branco, Pedro Blanc ou Jaime Silva (Filho). Tocou em Paris, Londres, Lourenço Marques e outras cidades africanas, nos Açores,na Madeira, no Conservatório do Porto, no Rivoli, na Sociedade de Música de Câmara, no São Carlos, no Trindade de Lisboa ou no Pavilhão dos Desportos, a convite da Câmara Municipal de Lisboa.  Deu ainda concertos em Espanha, Suíça, Bélgica e Holanda, privilegiando sempre os compositores nacionais como Domingos Bomtempo, Francisco António de Almeida ou Viana da Mota.

Na rádio, executou para a Emissora Nacional as 32 sonatas de Beethoven e também transcrições para piano de obras de cravistas portugueses, assim como também cumpriu vários contratos com a BBC londrina. Em paralelo com a sua carreira de pianista, Nina  organizou também Festivais de Música no Funchal (1964), em Lisboa (1966) e no Porto (1967) para além de ter abraçado o projeto de ensino artístico Pássaro Azul, no Parque Infantil das Necessidades, dirigido por Fernanda de Castro, onde foi  uma das professoras como Arminda Correia (na Música), Águeda Sena e Ana Máscolo (na Dança),   Eunice Muñoz e Carmen Dolores  (Teatro) ou Sarah Afonso (Pintura), entre outras.

Foi distinguida com os Prémios Oficial do Conservatório (1932), Beethoven(1933), Viana da Mota  e o Oficialato da Ordem de Santiago da Espada (1967).

Faleceu na sua casa na Rua Padre António Vieira, nº 1 – r/c esqº, em Lisboa.

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)