A Rua Hein Semke, de um escultor alemão em Portugal

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O escultor alemão Hein Semke que veio para Portugal na primavera de 1929 e se radicou na cidade de Lisboa em 1949, dá o seu nome a uma rua da Freguesia de Santa Clara, desde 2011.

Foi pelo Edital municipal de 3 de janeiro de 2011 que o nome de Hein Semke foi atribuído à Rua I 1B das Malhas 22.4 e 27.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, ligando hoje a Rua João Amaral à Rua Rogério de Moura, correspondendo assim a edilidade a um perdido de Teresa Balté. Nas imediações encontramos topónimos com os nomes do escultor António Duarte e dos pintores António Dacosta Bernardo Marques.

Em 1972
( Foto: Mário de Oliveira)

Hein Semke (Alemanha – Hamburgo/25.06.1899 – 05.08.1995/Lisboa) veio para Portugal em 1929 mas ao ser vítima de um esgotamento no ano seguinte voltou à Alemanha para recuperar e aí acabou por estudar escultura e cerâmica regressando ao nosso país em 1932, onde morou em Linda-a-Pastora e por lá passaram nomes do modernismo português, como Almada Negreiros e Sarah Afonso, Mário Eloy, Abel Manta, Vieira da Silva e Árpád Szenes. A partir de 1949 fixou residência na cidade de Lisboa,  tendo tido atelier na Avenida 24 de Julho (1937 -1941) e a partir de 1953 na Praça António Sardinha, onde também passou a residir, para além trabalhar regularmente na Olaria de Benfica, tornando-se uma figura da vida cultural portuguesa, destacando-se sobretudo como escultor, renovador da cerâmica portuguesa e xilogravador.

A sua obra está publicamente exposta em Lisboa nos painéis cerâmicos da Reitoria da Universidade de Lisboa; na Capela de Santo António do Lumiar; na Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, com as três esculturas para o Pátio de Honra aos Mortos Alemães da Grande Guerra, tendo uma sido destruída em 1935 por elementos nazis da colónia alemã em Lisboa; nos murais cerâmicos do Jardim de Inverno do Hotel Ritz ; e ainda nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua obra artística de décadas em Portugal foi reconhecida em exposições como a retrospetiva dos seus «Hein Semke – 40 anos de atividade em Portugal» (1972) na Fundação Calouste Gulbenkian; a visão da sua obra cerâmica teve lugar no Museu Nacional do Azulejo em 1991 e a da sua obra escultórica ocorreu em 1997 no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

Semke foi também, a partir de 1958, autor de 34 livros de artista de grandes dimensões,   sendo o primeiro  Em cada Criatura Nasce uma Flor, e o seu Livro da Árvore sido publicado em formato reduzido, em 1995, pela Gulbenkian – ACARTE e o tema de uma exposição na Biblioteca Nacional.

A obra deste escultor alemão está representada no Museu do Chiado-MNAC, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu de José Malhoa e na Casa-Museu João Soares, tendo sido agraciado com o Oficialato da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha (1978) e o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique (1990).

Na Alemanha, Hein Semke foi aos 18 anos combatente voluntário na I Primeira Guerra Mundial; trabalhou na construção civil, em estaleiros, a vender jornais, em pedreiras, minas e numa fundição; foi pacifista e anarquista, com participação na Revolução de Maio e na Revolução de Outubro, o que lhe valeu 6 anos de prisão na Alemanha, entre 1923 e 1928; e ainda, estudante de cerâmica e escultura na Escola de Artes e Ofícios de Hamburgo e na Academia de Belas-Artes de Estugarda (1930 – 1932).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

Anúncios

A Rua do autor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa e o cinema Tortoise/Tenor Romão/Campolide

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961 (foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961
(foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Leandro Braga, o escultor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa, está desde 1911 na toponímia de Lisboa, numa artéria de Campolide, que a partir de 1925 passou a exibir também um cinema  que passou por três denominações: Tortoise, Tenor Romão e Campolide.

Nos finais do século XIX foi construído o Bairro Novo de Campolide cujas ruas foram denominadas por edital municipal de 25 de setembro de 1903, fixando nelas os nomes do escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas. Um pouco mais tarde, o Edital de 7 de agosto de 1911  perpetuou mais um escultor nesta zona, através da Rua Leandro Braga, com a legenda «Escultor e Entalhador/1839 – 1897».

Em 4 de janeiro de 1925 foi inaugurado no nº 15 deste arruamento um cinema de bairro, o CineTortoise, por iniciativa de Manuel Pinto Lello (professor e gerente) e Ruy Teixeira Bastos ( artista plástico e diretor técnico da distribuidora e produtora Tortoise-Filmes). Mas em 1927, mudou a gerência e passou a designar-se Cinema Tenor Romão, já que o novo dono era o Tenor Romão Gonçalves, figura excêntrica e conhecida na Lisboa da época, que inventou o licor Romanini para fazer concorrência ao francês Beneditine e remodelou o cinema para ficar com  414 lugares. Em fevereiro do ano seguinte voltou a mudar de mãos e passou a denominar-se Campolide Cinema que apenas fechou portas em 1977.

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Leandro de Sousa Braga (Braga/22.03.1839 – 06.04.1897/Lisboa) veio para a capital em 1853, aos 14 anos de idade, e entrou para a oficina do entalhador Inácio Caetano e 9 anos depois, para o atelier do escultor Anatole Calmels, notabilizando-se em empreitadas onde trabalhou ao lado destes mestres, como na tribuna do Teatro S. Carlos ou no Arco Triunfal da Rua Augusta, abrindo depois oficina própria na Calçada do Combro e recebendo encomendas particulares como as de D. Maria Pia e D. Fernando para as decorações dos Palácios da Ajuda e de Belém, dos Duques de Palmela, do conde Cabral e do marquês da Foz para o Palácio Foz. Leandro Braga executou ainda numerosos trabalhos em mobílias, decorações de teatro e habitações particulares, esculturas para igrejas ou projetos de monumentos. É ainda obra sua a porta do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa que em 1890 custou 1:000$000 réis.

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do escultor António Teixeira Lopes, amigo de Ventura Terra

Teixeira Lopes na Ilustração Portuguesa, 16 de novembro de 1903

Teixeira Lopes na Ilustração Portuguesa, 16 de novembro de 1903

Ventura Terra solicitou em 1911 a António Teixeira Lopes a execução de um busto do 1º Presidente Republicano da Câmara Municipal de Lisboa, já o seu amigo escultor estava homenageado em Lisboa com a Rua Teixeira Lopes, que liga o Largo dos Caminhos de Ferro ao Largo do Museu da Artilharia, desde a publicação do Edital municipal de 5 de novembro de 1903, quatro dias antes da inauguração do monumento a Eça de Queiroz no Largo do Barão de Quintela.

Miguel Ventura Terra que além de arquiteto foi também vereador  na 1ª edilidade republicana de Lisboa, no período de 1908 a 1913, presidida por Anselmo Bramcaamp Freire, propôs em 1911 a Teixeira Lopes a execução de um busto em mármore do 1º Presidente Republicano da Câmara de Lisboa, pago pelos 11 vereadores, que a partir do nosso seguinte ficou nos Paços do Concelho de Lisboa. E doze dias antes de falecer Ventura Terra endereçou a seguinte missiva ao seu amigo Teixeira Lopes:
18 -4-919
Meu querido amigo
Tenho estado tão doente que não posso de modo algum responder à sua carta, espero poder fazer d`entro d´alguns dias e oxalá assim seja.
Sou carinhosamente dedicado
Ventura Terra

Ainda em Lisboa podemos encontrar outras obras de Teixeira Lopes como A viúva (1893) no Museu do Chiado; o monumento fúnebre de Oliveira Martins – A História – no Cemitério dos Prazeres, em pareceria com o seu irmão (1903); o Monumento a Eça de Queiroz, em bronze, inaugurado em 9 de novembro de 1903, no Largo do Barão de Quintela; o busto do Visconde de Valmor inaugurado em 1904 no Largo da Biblioteca Pública (desde 6 de abril de 1982  é o Largo da Academia Nacional de Belas Artes);  o busto  de Manuel Bento de Sousa  inaugurado em 1906 no pátio central da Faculdade de Ciências Médicas, no Campo Mártires da Pátria; o busto de Augusto Rosa inaugurado em 1925 no Largo da Sé; o busto de Alfredo Keil Busto que foi inaugurado no Jardim Alfredo Keil,  na Praça da Alegria,  em 3 de julho de 1957.

Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente (Foto: Artur Matos)

Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Artur Matos)

António Teixeira Lopes (Vila Nova de Gaia/27.10.1866 – 21.06.1942/São Mamede de Ribatua), filho do  escultor José Joaquim Teixeira Lopes (1837-1918) e de Raquel Pereira de Melo Fernandes Meireles Teixeira Lopes nasceu nas proximidades da Fábrica Cerâmica das Devesas e foi irmão mais velho do arquiteto José Teixeira Lopes (1872-1919), seu colaborador em diversos trabalhos e na construção da sua Casa-Atelier, na Rua Marquês Sá da Bandeira em Vila Nova de Gaia, em 1895 e que hoje é a Casa-Museu Teixeira Lopes, doada à Câmara Municipal de Gaia em 1933, com a ressalva do artista nela residir até ao fim dos seus dias.

Em 1881, Teixeira Lopes começou a aprender escultura na oficina de seu pai e no ano seguinte ingressou na Academia Portuense de Belas Artes onde foi aluno de Soares dos Reis e Marques de Oliveira. Estudou também em Paris com Paul Berthet  ou Matias Duval. A sua primeira exposição individual foi em 1891 no Palácio da Bolsa do Porto e no ano seguinte, com Veloso Salgado, lá voltou a mostrar a sua obra.

No Salon de Paris ganhou menções-honrosas com as obras Comungante e Caim (1889) e medalha de ouro de terceira classe com A Viúva (1890) que na versão em bronze obteve medalha de ouro em Berlim (1896). Na Exposição Universal de Paris de 1900 com Santo IsidoroAgriculturaA Dor, A História e Raquel conseguiu um Grand Prix e a condecoração de Cavaleiro da Legião de Honra. António Teixeira Lopes foi ainda autor das imponentes três portas de bronze da Igreja da Candelária (1901) no Rio de Janeiro e do monumento onde repousam os restos mortais do 1º Presidente da República do Rio Grande.

Em 1901 Teixeira Lopes assumiu o lugar de professor da Academia Portuense de Belas Artes, que manteve até ao ano da sua jubilação (1936).  Refira-se ainda que pelo seu testamento de 1939 determinou que se entregassem 3 mil escudos à Academia de Belas Artes do Porto para premiar anualmente o melhor aluno de escultura.

Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do pintor de Almodôvar, Severo Portela

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Severo Portela partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, datado de 26/12/2001, na mesma freguesia de Marvila. Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a  Severo Portela coube a Rua B – B’ da Zona L de Chelas.

Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Artur Bual  (largo formado pelas Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas), Eduarda Lapa (Rua G da Zona L de Chelas) e Mário Botas ( Rua Z da Zona L de Chelas).

SeveroPortela

Severo Portela Júnior (Coimbra/10.09.1898 – 08.07.1995/Lisboa) logo no liceu foi aconselhado a matricular-se na Escola de Belas Artes de Lisboa e, aí cursou escultura e foi discípulo de Simões de Almeida (Sobrinho). Mas com apenas 22 anos, foi viver para Almodôvar, por ser a terra da pintora Maria José Carrilho Marreiros, que se tornou a sua esposa e, dedicou-se à pintura. Em 1933, foi ainda bolseiro da Junta de Educação Nacional para aperfeiçoamento de técnicas de pintura em Espanha, França e Itália.

Na obra de Severo Portela o  Alentejo é uma constante  sendo ícones disso as suas telas Motivos de Cozinha Alentejana, As Bruxas de Almodôvar, Os de Almodôvar, A Ceifeira Bonita, Ceifeiro, Mestre Xico e Abegãos .

Em Lisboa tem obra exposta na capela baptismal da Igreja de S. João de Brito e no altar-mor da Igreja do Santo Condestável, um painel alusivo ao Código Civil no Palácio da Justiça, um painel sobre o comércio do Oriente e a Casa dos Vinte e Quatro na União das Associações de Comerciantes do Distrito de Lisboa, um mural alusivo à Rainha na Escola D. Luísa de Gusmão, um painel alegórico à Escola de Sagres no Museu da Marinha e uma tapeçaria alusiva a D. Fuas Roupinho no Palácio de Belém. Nesta cidade tinha também um atelier onde pintava em frente ao Tejo.

Este pintor realizou ainda diversos trabalhos por todo o país entre os quais se destacam painéis no Palácio de Justiça do Porto e no Palácio de Justiça da Covilhã, um mural referente a Moisés e à Lei no Tribunal de Bragança, uma tapeçaria no Tribunal de Almada, bem como a decoração da sala de audiências do Tribunais de Beja, Viseu, Golegã e Setúbal; um mural na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, um fresco na Faculdade de Medicina de Coimbra, painéis no Liceu de Bragança, na Escola Secundária D. Manuel I (Beja) e na Escola Técnica de Moura, a Nau Catrineta do refeitório da Escola Náutica Infante D. Henrique (Paço de Arcos); a decoração do Grémio da Lavoura de Beja e os painéis do Foral da Câmara Municipal de Beja; bem como a decoração da Capela Baptismal da Igreja Matriz de Almodôvar, os frescos da Igreja de Santo Isidro de Pegões, a  Ceia de Emaúz e o retrato do Bispo D. José na Sé Catedral de Beja.

A sua obra está representada no Museu Municipal Severo Portela em Almodôvar, criado em 1983, com parte do espólio do pintor, no Museu da Cidade (Lisboa), no Museu de Arte Contemporânea/Museu do Chiado de Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa), no Museu Rainha D. Leonor (Beja), no Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), no Museu do Caramulo, no Museu Soares dos Reis (Porto) e,  no Museu Grão Vasco (Viseu).

Em paralelo com a sua carreira artística, Severo Portela  foi um proprietário agrícola que desempenhou o cargo de Presidente do Grémio da Lavoura de Almodôvar e que foi Procurador à Câmara Corporativa por designação do Conselho Corporativo, na qualidade de artista plástico  e, deputado na XI Legislatura, de 25 de novembro de 1969 a 28 de abril de 1973.

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

O Largo Artur Bual em Marvila

Freguesia de Marvila (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila
(Foto: Rui Mendes)

O Largo Artur Bual partilha o mesmo Edital de atribuição que o Largo Luís Dourdil, datado de 26/12/2001, na mesma freguesia de Marvila. Aliás, ambos se conheciam e Bual dedicou mesmo a Dourdil um Retrato Imaginário, no âmbito da Exposição/Homenagem realizada a Luís Dourdil na Galeria do Casino Estoril em 1990, para além de ambos os pintores serem citados como representantes do informalismo/minimalismo.

Dourdil ficou no arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz (Zona L de Chelas) e a Bual coube o largo formado pelas Ruas Q5A e Q5B da Zona L de Chelas. Pelo mesmo Edital foram também atribuídos arruamentos aos pintores Eduarda Lapa (Rua G da Zona L de Chelas), Mário Botas ( Rua Z da Zona L de Chelas) e Severo Portela (Rua B – B’ da Zona L de Chelas).

Artur Mendes de Sousa Bual (Lisboa/16.08.1926 – 11.01.1999/Amadora), cursou a Escola de Artes Decorativas de António Arroio e, em 1947, iniciou a sua carreira na pintura, tendo ainda entre 1959 e 1960 sido bolseiro da Gulbenkian em Paris. Foi um dos 24 escolhidos para o Salão da Jovem Pintura da Galeria de Março de 1953 e, na mesma década participou no I Salão de Arte Abstrata (1954), no I Salão Moderno da SNBA (1958) e no Salão dos Novíssimos do SNI (1959), tendo regressado à abstração nos anos 80 e utilizado as palavras espaço, desintegração, força, abismo, reflexo , despertar, fuga, dor, angústia e revolta como títulos de quadros seus. Entre 1952 e 1999 participou em mais de 60 exposições, individuais ou conjuntas, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em França, no Brasil, nos EUA, na Holanda, na Bélgica, em Espanha e na Checoslováquia.

Artur Bual que cultivou também a escultura e a cerâmica foi mais destacado enquanto pintor da tendência do abstracionismo e, assim iniciador em Portugal do gestualismo em 1958, para além de cultor do expressionismo lírico e do  informalismo/minimalismo, tendo produzido inúmeros quadros com Cristo e com mulheres como temáticas. Colaborou ainda com Carlos Avilez e com Francisco Relógio como diretor plástico em várias cenografias no Teatro Experimental de Cascais e do Porto. Foi diretor gráfico da revista de arte e letras Contravento e, ilustrou livros como Instinto Supremo de Ferreira de Castro ou As Alegres Noites de Um Boticário de Miguel Barbosa. Executou também painéis cerâmicos para a estação da CP da Amadora de 1993.

A obra de Bual está representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional de Arte Contemporânea e no Museu Amadeo de Souza Cardoso de Amarante, assim como exposta no Palácio da Justiça de Lisboa, no Centro de Formação Profissional de Pegões, na sede do Governo Regional dos Açores, e em doze capelas do Alentejo e Ribatejo.

Como prémios somou, entre outros, o Prémio Nacional Amadeo de Souza Cardoso e o 3º Prémio do Sindicato dos Críticos de Arte na I Bienal de Paris (ambos em 1959), o 1º Prémio do II Salão de Arte Moderna da Junta de Turismo da Costa do Sol (1964), o  Prémio Artes Plásticas das revistas Eles e Elas e Nova Gente em 1983 e 1984, o Prémio Movimento Arte Contemporânea- Carreira (1997) e, a homenagem da Galeria Municipal da Amadora que passou a ter o seu nome deste artista no próprio ano da sua morte.

Freguesia de Marvila - Placa Tipo II (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila – Placa Tipo II
(Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

No 110º aniversário de Amélia Carvalheira o seu jardim alfacinha

jardim amélia carvalheira cara

No ano do centenário da escultora de arte sacra Amélia Carvalheira foi o seu nome colocado pela edilidade lisboeta num Jardim anexo à igreja de Nossa Senhora de Fátima e, até aí vulgarmente conhecido como Jardim da Avenida Marquês de Tomar, considerando aliás a grande ligação da artista a esta igreja.

Este topónimo resultou de um pedido da Comissão de Homenagem a Amélia Carvalheira, que após o parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia foi aprovado na sessão de câmara de 18/08/2004 e, fixado pelo Edital de 23/09/2004.

Maria Amélia Carvalheira da Silva (Vila Nova de Cerveira – Gondarém/05.09.1904 – 31.12.1998/Lisboa) que hoje completaria 110 anos foi uma escultora que se dedicou essencialmente à arte sacra. Autodidata até 1947, conheceu nesse ano o Mestre Barata Feyo de quem se tornou discípula no atelier das Janelas Verdes. A artista assinou como Quinha até 1948 e depois desse ano como Carvalheira.

O seu trabalho apela à interioridade e a uma atitude íntima de contemplação, estando distribuída um pouco por todo o país e também no estrangeiro, embora consiga uma maior notoriedade e visibilidade em Fátima, sobretudo nas seis estátuas da Colunata, de sua autoria: Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São Simão Stock, Santo Afonso Maria de Legória, Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Salles.

A ligação de Amélia Carvalheira a Lisboa radica desde logo na sua morada no nº 58 da Avenida João Crisóstomo por mais de 60 anos, a menos de dois quarteirões de distância da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, bem como por ter contribuído para o espólio desta igreja com obras suas como Presépio e Nossa Senhora da Paz, para além de ter sido a autora da medalha comemorativa do Cinquentenário da Igreja. Ainda em Lisboa estão presentes obras de Amélia Carvalheira  nas Igrejas de São João de Deus,  de São João de Brito e na de São Nicolau, bem como nas capelas das Irmãs Missionárias de Maria, do Palácio da Cruz Vermelha, do Hospital de Dona Estefânia, das Irmãs Franciscanas e, do Colégio Militar.

Amélia Carvalheira ganhou em 1949 o Prémio de Artes Plásticas Mestre Manuel Pereira (para a escultura),  com a obra intitulada S. João de Deus, em barro policromado, a qual se encontra na capela do Palácio da Cruz Vermelha. Participou em várias exposições, a título individual, em Portugal e no estrangeiro. Em 1992 foi-lhe entregue oficialmente pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, uma condecoração da Santa Sé, a Pro Eclesia et Pontificia e, nesse mesmo ano, também o Presidente da República lhe atribuiu o Grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas

A Rua Simões de Almeida no seu 170º aniversário

Simões de Almeida e obras suas, Ilustração Portuguesa 17.04.1017

Simões de Almeida e obras suas, Ilustração Portuguesa  de 17.04.1917

 

Completa-se hoje o 170º do escultor  Simões de Almeida que desde o Edital de 14/05/1979 dá o seu nome à Rua que era o Impasse 3 da Urbanização do Bairro D. Leonor, à Rua dos Soeiros, na Freguesia de São Domingos de Benfica.

O mesmo Edital atribuiu na mesma freguesia a Rua Anjos Teixeira, registando um escultor que foi discípulo de Simões de Almeida.

José Simões de Almeida Júnior (Figueiró dos Vinhos/24.04.1844-13.12.1926) foi um escultor aluno de Vítor Bastos, Jouffroy e Monteverde e, professor de desenho e escultura durante 31 anos na Escola de Belas Artes de Lisboa, que foi o autor das  estátuas lisboetas do Duque da Terceira (inaugurada em 24 de julho de 1877) [na foto: à esquerda, em cima] e de  O Anjo da Vitória, no Monumentos aos Restauradores (inaugurado em 28 de abril 1886) [na foto: à direita, em cima] e, que também é referido como Simões de Almeida (Tio) já que teve um sobrinho com o mesmo nome, nascido em 1880 e, também  escultor .

Simões de Almeida iniciou-se com 11 anos de idade (1855) como aprendiz na oficina de fundição de ferro do Arsenal da Marinha, onde seu pai era chefe. Dez anos depois passou a aluno da Escola de Belas-Artes de Lisboa (1865) e ganhou uma bolsa de estudos de aperfeiçoamento em França e Itália (até 1872).  No regresso, tornou-se professor de desenho e escultura da Escola de Belas-Artes, onde era conhecido como mestre Simões. Em 1905 foi também diretor da escola bem como director interino do Museu Nacional (antepassado do Museu Nacional de Arte Antiga), entre 9 de março e 5 de julho de 1905.

Seguia um academismo que toda a sua vasta obra demonstra, e da qual destacamos o túmulo de Guilherme Cossoul no Cemitério dos Prazeres e a estátua de Júlio César Machado no cemitério do Alto de São João,  os bustos de Luz Soriano [na foto: à esquerda, em baixo] e de Fontes Pereira de Melo, o Cristo Crucificado existente na capela dos Jerónimos, e a estátua em bronze Puberdade (1877), que foi exposta em Paris em 1878. Fora de Lisboa são de mencionar a sua estátua de José Estêvão (1886) em Aveiro e, na sua terra natal uma réplica do Cristo dos Jerónimos e um Camões em mármore, oferecido por Simões de Almeida ao Clube Figueirense.

A Puberdade  (Foto:  Armando Serôdio, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Puberdade
(Foto: Armando Serôdio, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

José Farinha, o escultor de Carnide

na Freguesia de Carnide

na Freguesia de Carnide

O escultor José Farinha dá nome à Rua A da Quinta do Bom Nome, desde a publicação do Edital municipal de 26/12/2001. Aliás, pelo mesmo edital e na mesma freguesia de Carnide, no Impasse A à Rua Prista Monteiro, foi dado o nome do seu pai, médico muito admirado pela população local, com o Largo José João Farinha Junior.

De seu nome completo José Fernandes Oliveira Prata Farinha (Elvas/03.01.1912 – 1979) foi um escultor, filho de Mariana da Encarnação Oliveira Prata Farinha e do farmacêutico e médico  José João Farinha Jr., que logo a partir dos seus 6 anos veio residir para Lisboa, para a freguesia de Carnide.

Este escultor autodidacta tem vasta obra pública na cidade de Lisboa, onde se destacam os azulejos do Palácio da Justiça e esculturas em diversos prédios da cidade, bem como na já desaparecida Escola de Pesca e Marinha de Comércio (em Belém) e na antiga Piscina Municipal dos Olivais, no Hotel Ritz, no Parque de Campismo e Parque Infantil de Monsanto, no Seminário dos Olivais e, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa.  José Farinha foi  galardoado com o Prémio Soares dos Reis pelo busto que realizou de  Aquilino Ribeiro.

Dedicou-se também à medalhística executando entre outras, medalhas comemorativas da adesão de Portugal à OIT, dos 500 anos da publicação de «Os Lusíadas», do VII centenário da chegada das relíquias de S. Vicente à Sé de Lisboa e do 25 de Abril.

Placa Tipo II

Placa Tipo II