A Rua do Mestre Lagoa Henriques, autor do Fernando Pessoa de A Brasileira

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Junto ao antigo Atelier de Mestre Lagoa Henriques, no local onde hoje funciona o CAL – Centro de Arqueologia de Lisboa, está também na toponímia fixada a memória deste escultor através da Rua Lagoa Henriques, nascida por via do Edital municipal de 24 de julho de 2015, a partir de uma proposta da Profª Maria Calado enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa.

António Augusto Lagoa Henriques (Lisboa/27.12.1923 — 21.02.2009/Lisboa), filho de Delfim Augusto Henriques e de Palmira C. de Almeida Lagoa Henriques, começou por viver  no Bairro dos Açores, na Rua da Ilha Terceira, até que a morte da avó os fez mudar-se para a casa do avô viúvo, na Baixa lisboeta, no 2º Dtº do nº 21 da Rua dos Douradores.

Foi por conselho do professor Agostinho da Silva,  nas aulas particulares que deu a Lagoa Henriques que este seguiu, em 1945,  para o Curso Especial de Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa. Três anos depois pediu transferência para o Porto, para ser aluno do escultor Barata Feyo. Concluiu o Curso em 1954, no decorrer do qual foi também discípulo de Carlos Ramos e de Dórdio Gomes.

Será também docente de ambas as escolas de belas artes de Lisboa e do Porto: na Escola Superior de Belas-Artes do Porto de 1960-1965, como professor de Escultura e de Desenho; na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa de 1966 a 1987, na cadeira de Desenho, tendo em 1974, quando da reestruturação dos cursos da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, criado a disciplina de Comunicação Visual, assim como fez a Escola sair à rua para a experienciar. Na década de noventa foi professor de Desenho na Escola Superior de Conservação e Restauro e mais tarde, também Catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa. Acrescente-se que Lagoa Henriques foi ainda Presidente do Conselho Cientifico e Pedagógico da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a partir de 6 de junho de 1981.

Lagoa Henriques tinha atelier em Belém, nos pavilhões junto ao Tejo que tinham sido da Exposição do Mundo Português, mas ocorreu um  incêndio no  início dos anos 70 do séc. XX e a Câmara Municipal de Lisboa distribuiu então novos espaços por todos os lesados, como Raúl Xavier ou Martins Correia, calhando a Lagoa Henriques uns armazéns na Avenida da Índia para criar um novo atelier.

Da obra de Lagoa Henriques que pode ser fruída em espaços públicos destaca-se desde logo a estátua de Fernando Pessoa na esplanada do café A Brasileira do Chiado, na Rua Garrett, produzida nos anos 80. Ainda em Lisboa encontramos a estátua em bronze de Guerra Junqueiro na Praça de Londres mais o bronze O segredo (1961) no Jardim Amália Rodrigues e ainda, o Grupo das Varinas e o Memorial a Antero de Quental (1991), de pedra e aço, no Jardim do Príncipe Real.

Fora de Lisboa, destacamos a União do Lis e Lena (1973) em Leiria; a escultura de Alves Redol nu e com a sua boina, em Vila Franca de Xira (2004); o António Aleixo sentado em Loulé; Camões e Ilha dos Amores, em Constância; o monumento ao Condestável Nuno Álvares Pereira, em Abrantes;  A Conquista de Ceuta, no Jardim do Ouro de Lordelo do Ouro, no Porto; o D. Sebastião em bronze, de Esposende; as  esculturas da Imperatriz Sissi e do Papa João Paulo II, na Ilha da Madeira; ou Ano do Cão nas proximidades das ruínas de S. Paulo, em Macau.

Refira-se ainda que em 1982 foi requisitado pelo Instituto Português do Património Cultural para coordenar um projeto de divulgação do património cultural até 1984, bem como foi membro do Júri do Concurso para uma Medalha de Homenagem a Almada Negreiros. Na sua vida, dedicou-se ainda à cenografia,  bem como a ser um grande comunicador de temas de arte, quer através de conferências, quer através dos programas televisivos de que também foi autor- Risco Inadiável, Pare, Escute e Olhe, Portugal Passado e Presente e Lisboa Revisitada-, e ainda ao colaborar na dinamização cultural  de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Nacional de Arte Antiga, o Centro Nacional de Cultura e o Instituto Português do Património Cultural.

No seu palmarés somou a Medalha de Escultura na Sociedade Nacional de Belas Artes e o Prémio Soares dos Reis (1954), o Prémio Teixeira Lopes e a Medalha de Honra na Exposição Internacional de Bruxelas (1958), o Prémio Rotary Clube do Porto, o Prémio Diogo de Macedo (1961), o 1º Prémio de Escultura da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1963), a 1.ª Medalha da Sociedade Nacional de Belas-Artes e foi também agraciado com a Grã-Cruz de Honra e Mérito (1988) e a atribuição do seu nome no  Auditório da Faculdade de Belas Artes de Lisboa em abril de 2009, para além de estar também representado na toponímia da Nazaré, onde o Mestre até aos seus 20 anos passou férias.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Vítor Bastos, autor do Monumento a Camões, numa rua de Campolide

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1903 que Vítor Bastos, o pintor e escultor que idealizou e concretizou o Monumento a Camões, para a Praça do mesmo nome, considerado o escultor mais importante do Romantismo português, está perpetuado na toponímia do então Bairro Novo de Campolide.

O Bairro Novo de Campolide construído nos finais do século XIX, teve as suas ruas denominadas por deliberação camarária de 23 de setembro de 1903 e edital municipal de dia 25 seguinte, fixando nelas os nomes dos escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas, sendo que este último também se distinguiu como político. Vítor Bastos ficou na Rua nº 3 e esta artéria aumentou pelo edital camarário de 7 de agosto de 1911, ao incorporar nela a rua no prolongamento da Rua Vítor Bastos até à Calçada dos Mestres, sendo que a Rua Vítor Bastos dos dias de hoje se estende da Rua de Campolide à Rua General Taborda.

O Occidente, 1 de julho de 1894

António Vítor Figueiredo de Bastos (Lisboa/entre 1829 e 1834 –17.06.1894/Lisboa) estudou na Academia Real das Belas Artes a partir de 1845, tendo tido aulas de Desenho Histórico, Arquitetura Civil e Gravura Histórica. Também foi discípulo de António Manuel da Fonseca em Pintura Histórica e concluiu o curso com a sua tela Amor e Psiché, em 1852. É ainda na Academia de Belas-Artes de Lisboa que se liga ao grupo de artistas da geração romântica e é assim o único escultor representado no retrato de grupo Cinco Artistas em Sintra (1855), de João Cristino da Silva, porque na época era ainda apenas pintor. Este grupo de românticos convivia no Marrare do Chiado e depois de 1847, na oficina de ourives de Cristino da Silva na Rua da Prata ou na oficina de Manuel Maria Bordalo na Praça da Alegria.

Vítor Bastos é contudo mais recordado como escultor e, sobretudo, como o autor do monumento a Luís de Camões (1867), na praça que lhe está destinada. Sob a base octogonal onde assenta a estátua do poeta do Dia de Portugal, estão representadas figuras das letras e das ciências da época do Renascimento: Fernão Lopes de Castanheda, Fernão Lopes, Francisco de Sá de Meneses, Gomes Eanes de Azurara, Jerónimo Corte Real, João de Barros, Pedro Nunes e Vasco Mouzinho de Quevedo.

Também para o Arco da Rua Augusta, em 1872, executou as estátuas de Vasco da Gama, Viriato, Marquês de Pombal, D. Nuno Álvares Pereira e as figuras alegóricas dos rios Tejo e Douro. Já em 1870 modelara a estátua de corpo inteiro em bronze de José Estêvão que foi inaugurada em 1878 no então designado Largo das Cortes, passando depois para o Palácio de São Bento, para voltar em 15 de outubro de 1984 à praça agora denominada Praça da Constituição de 1976. Refira-se ainda o baixo-relevo Colera Morbus (1861), a estátua do Conde das Antas no seu túmulo no Cemitério dos Prazeres e os bustos do Duque de Saldanha, de Joaquim António de Aguiar ou de João Anastácio da Rosa.

Vítor Bastos exerceu também a docência. Em 1854 foi aprovado para professor de Desenho na Universidade de Coimbra e seis anos depois, obteve a cátedra de Escultura na Academia lisboeta, com a obra Adónis partindo para a caça ao javali. Pertenceu ainda à comissão nomeada pela Academia de Belas-Artes de Lisboa para a reforma do ensino artístico em 1870.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do escultor Machado de Castro de D. José I da Praça do Comércio

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escultor da estátua equestre de D. José I na Praça do Comércio, Machado de Castro, está perpetuado numa artéria do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos, a ligar a Rua Pedro Alexandrino à Rua dos Sapadores, desde a última década do séc. XIX.

A Rua Machado de Castro foi atribuída por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 na Rua D do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos. Pela mesma deliberação as restantes ruas do Bairro passaram a denominar-se Rua dos Sapadores (para a Rua A), Rua dos Operários (Rua B), enquanto o pintor Pedro Alexandrino deu nome à Rua C, o militar especialista em fundição de peças de bronze Bartolomeu da Costa ficou na Rua E e o arquiteto Afonso Domingues na Rua F.

Joaquim Machado de Castro (Coimbra/19.06.1731– 17.11.1822/Lisboa), filho de Teresa Angélica Taborda e de Manuel Machado Teixeira, um santeiro ou imaginário coimbrão, com quem aprendeu os primeiros rudimentos de escultura em madeira, veio fixar-se em Lisboa por volta de 1746, com os seus 14 ou 15 anos. Primeiro, trabalhou na oficina do santeiro Nicolau Pinto e depois passou para atelier do escultor em pedra José de Almeida, que estudara na Academia de Portugal em Roma, e daqui transitou  em 1756 para a Escola de Mafra, sendo assistente do Mestre Alexandre Giusti.

A sua obra mais famosa é a estátua equestre do rei D. José I, cuja concurso ganhou no final do ano de 1770 e que foi inaugurada em 1775, como parte central da icónica Praça da reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755: a Praça do Comércio. Refira-se que o escultor costumava descrever extensamente o seu trabalho e sobre esta estátua publicou  em 1810  a Descrição analytica da execução da estátua equestre, sendo o primeiro escultor português a escrever sobre escultura e até escreveu poesia.

Como escultor oficial desde 1782, recebeu diversas encomendas da corte, nomeadamente para túmulos e monumentos régios, como a estátua de D. Maria I (1783) para a Biblioteca Nacional – executada em parte por Faustino José Rodrigues-, a  estátua de D. João VI para o Rio de Janeiro. Machado de Castro também foi chamado a coordenar o programa escultórico da Basílica da Estrela onde fez o pleno de madeira, pedra, mármore e barro com o presépio de cerca de 500 figuras, bem como para  dirigir o programa escultórico do Palácio da Ajuda (1802), onde é autor das  peças ConselhoGenerosidade e Gratidão, assim como foi o autor da estátua de Neptuno que desde 1925 encontramos no centro do Largo de Dona Estefânia mas que foi concebida para o Chafariz do Loreto. Neste cargo,  exerceu ainda o magistério nas aulas reais, bem como na Academia de São José e na Casa Pia e ainda , na sua oficina, onde é sabido que usava modelos de barro por si feitos para os seus discípulos executarem em pedra ou madeira. São ainda obra sua  o presépio da Sé de Lisboa (o seu único dos seus presépios que assinou), o de São Vicente ou a estátua de S. Pedro de Alcântara para o pórtico do convento desta invocação, que foi um dos primeiros trabalhos que o tornaram conhecido.

A Estátua de D. José I na Praça do Comércio da autoria de Machado de Castro
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Legado Seixas, 1890)

Joaquim Machado de Castro  foi consagrado em 1814 com a sua admissão como sócio da Academia Real das Ciências, tendo modelado o busto do Duque de Lafões para a sede da instituição.

Faleceu na sua casa na Rua do Tesouro Velho (que a partir de 1890 será Rua António Maria Cardoso) e foi sepultado na Igreja dos Mártires.

Machado de Castro dá ainda o seu nome a um Museu Nacional que lhe foi dedicado em Coimbra, desde a publicação do decreto de 26 de maio de 1911. O seu nome está também num Largo de Aguim (Anadia), numa Praça de Rio de Mouro, numa Praceta de Almada, noutra de Coimbra e ainda noutra de Massamá, em Ruas de Agualva-Cacém, de  Almargem do Bispo, de Aguim, da Brandoa, da Charneca da Caparica, de Coimbra, de Corroios, de Famões, da Gafanha da Nazaré, de Leiria, do Montijo, de Oeiras, de Portimão, da Quinta do Conde, de Rio de Mouro, de Vila Real de Santo António e finalmente, numa travessa da Charneca da Caparica.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do escultor Leopoldo de Almeida, autor de D. João I da Praça da Figueira

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escultor alfacinha Leopoldo de Almeida, autor de diversa arte pública de Lisboa, como a estátua equestre de D. João I na Praça da Figueira, está desde a publicação do Edital municipal de 24 de abril de 1986 a ser o topónimo da Rua B projetada à Alameda das Linhas de Torres, a partir de uma  sugestão de Leonor Neves de Almeida, irmã do artista.

Leopoldo Neves de Almeida (Lisboa/18.10.1898 – 28.04.1975/Lisboa), concluiu o Curso Especial de Escultura na Escola de Belas-Artes de Lisboa,  entre 1916 e 1920, tendo aí sido colega de António da Costa, Jorge BarradasPardal MonteiroCarlos Ramos e outros, bem como aluno de, entre  outros, Columbano, Luciano Freire e Simões de Almeida.

Em 1970 no seu atelier
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Foi um escultor clássico desde a sua obra inaugural: O vencido da vida (1922). Em 1926, deslocou-se a Paris e a Roma com uma bolsa do Estado mas manteve-se fiel à sua formação de matriz oitocentista como mostra com O fauno (1927), bem como na sua primeira e única exposição individual  em 1928, no Pensionato Artístico de Santo António dos Portugueses, em Roma. Regressou a Lisboa no ano seguinte e começou a trabalhar intensamente, em concursos para monumentos e em encomendas estatais.

No espaço público de Lisboa concretizou diversas intervenções icónicas como os baixos-relevos para a fachada do Cineteatro Éden (1934), no projeto de remodelação de Cassiano Branco;  o Monumento a António José de Almeida (1937), com Pardal Monteiro;  a Virgem e os Pastorinhos, a Ressureição de Lázaro e S. João Baptista na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1938), obra também de Pardal Monteiro; a estátua Soberania e o conjunto escultórico do monumental Padrão dos Descobrimentos de Cottineli Telmo (1940), no âmbito da Exposição do Mundo Português; as estátuas de António Feliciano de Castilho e de Oliveira Martins (1948) na Avenida da Liberdade assim como as de D. Afonso Henriques e D. João I (1950); o grupo escultórico A Família no Jardim conhecido como das Francesinhas; o friso decorativo da entrada da Biblioteca Nacional e o busto do Prof. Francisco Gentil no IPO (1968); a estátua equestre de D. João I (1970), na Praça da Figueira e a de Calouste Gulbenkian (1974) nos Jardins da Fundação do mesmo nome.

A sua obra espalhou-se um pouco por todo o país, como a estátua de Nuno Álvares Pereira junto do Mosteiro da Batalha (1968), muito por via nas inúmeras encomendas públicas durante o Estado Novo, sobretudo na época da «política do espírito» de António Ferro, altura em que foi mesmo o escultor que mais encomendas executou e que neste contexto produziu as estátuas do Marechal Carmona (1939-1940), de Oliveira Salazar (1939) para Santa Comba Dão ou o baixo-relevo Prisão de Gungunhana para o Monumento a Mouzinho de Albuquerque (1940) na hoje cidade de Maputo ou até depois, o medalhão em bronze de Américo Tomás (1969) para o Liceu Pedro Nunes.

Para além da arte pública, Leopoldo de Almeida está representado no Museu de Lisboa, no Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de José Malhoa e no Museu Leopoldo de Almeida, ambos nas Caldas da Rainha.

Leopoldo de Almeida também enveredou pela docência desde 1932, como professor de desenho na Sociedade Nacional de Belas Artes e a partir de 1934, tornou-se  também professor de Desenho e Escultura da escola que o formou, situação que durou até à sua aposentação.

Foi galardoado como Prémio Rocha Cabral (1929), a Medalha de Honra da SNBA e o Prémio Soares dos Reis do SNI (1940), a Medalha de Benemerência da Cruz Vermelha Portuguesa (1973), para além da  Ordem da Instrução Pública como Oficial (1956) e Comendador (1957), bem como da  Ordem Militar de Santiago da Espada nos graus de Comendador (1941) e de Grande-Oficial (1970).

Leopoldo de Almeida dá nome a ruas de Algueirão-Mem Martins, Cascais, Charneca da Caparica, Corroios, Quinta do Conde e Valongo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

Diogo de Macedo das Tágides da Fonte Monumental da Alameda, numa Rua do Rego

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Diogo de Macedo, o autor do grupo escultórico do Tejo e das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, ficou consagrado numa Rua do Bairro do Rego desde 1965, zona em cuja toponímia já se encontravam diversos artistas plásticos.

Na reunião da Comissão de Arte e Arqueologia municipal de 31 de outubro de 1962 foi sugerido pelo Sr. Acúrsio Pereira a atribuição do nome do escultor Diogo de Macedo, falecido três anos antes, a uma artéria da capital, oportunidade que se concretizou quando um requerimento da Domus Nostra – Residência de Estudantes solicitou denominação para o arruamento projetado à Rua Jorge Afonso, que pelo Edital municipal de 11 de março de 1965 passou a ser a Rua Diogo de Macedo, definida entre e Avenida Álvaro Pais e a Praça Nuno Gonçalves.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Diogo Cândido de Macedo (Vila Nova de Gaia- Mafamude/22.11.1889 – 19.02.1959/Lisboa), o autor do conjunto das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, nasceu no Largo de São Sebastião, em Mafamude, e faleceu na sua casa em Lisboa, no n º 110 da Avenida António Augusto de Aguiar.

Na sua juventude, frequentava a oficina do vizinho Fernandes Caldas, mestre santeiro e imaginário, com quem aprendeu os rudimentos do desenho e modelação. Em 1902 ingressou no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes que concluiu em 1911, sendo  aluno de Desenho de José Brito e Marques de Oliveira e de António Teixeira Lopes, em Escultura. Nesse mesmo ano de 1911 partiu para Paris, onde frequentou as Academias de Montparnasse, sendo influenciado pelos escultores Bourdelle e Rodin. Em 1913 participou no Salão dos Artistas Franceses, esculpiu o busto de bronze de Camilo Castelo Branco, fez a sua primeira exposição individual, no Porto, e conseguiu o 3º prémio com a maqueta para um monumento a Camões, apresentada em Paris.

Regressou a Portugal em 1914, sendo de destacar a sua participação na I Exposição de Humoristas e Modernistas  no Porto – com desenhos assinados sob o pseudónimo de Maria Clara-, a sua Menção Honrosa de Escultura na 12ª Exposição da SNBA (ambas em 1915) e na Exposição dos Fantasistas (1916), também no Porto. Casou-se em 1919 e no ano seguinte voltou a fixar-se em Paris, fase de que se salienta o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920).

Em 1926, estabeleceu-se definitivamente em Lisboa e publicou a sua primeira obra, 14, Cité Falguière, as suas memórias parisienses. Produziu os bustos de Sarah Afonso (1927), António Botto (1928), Antero de Quental  (1929) e Mário Eloy (1932) e em 1929, conseguiu a 2ª Medalha em Escultura na Exposição anual da SNBA. Entre estas décadas de 20 e de 30 editou as suas primeiras obras, colaborou em jornais e revistas, como no Ocidente. E de 1939 a 1940 executou o conjunto Tejo e quatro Tágides para a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, bem como as esculturas do pórtico do Museu Nacional de Arte Antiga.

A sua cuja obra está representada no Museu do Chiado- Museu Nacional de Arte Contemporânea, Soares dos Reis (Porto), Casa-Museu Camilo Castelo Branco (S. Miguel de Seide), Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian,  Museu do Abade de Baçal (Bragança), Museu Grão Vasco (Viseu), Museu João de Deus, Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Museu Nacional João de Castilho (Tomar), Museu Santos Rocha (Figueira da Foz).

Em 1941, após enviuvar renunciou à escultura e passou a dedicar-se à escrita de biografias de artistas, estudos e  prefácios de catálogos de exposições de que se salientam as monografias sobre Columbano (1952), Domingos Sequeira (1956), Mário Eloy e Machado de Castro (1958). Deixou inúmeros artigos em publicações como o Boletim da Academia Nacional de Belas-ArtesContemporâneaMocidade Portuguesa Feminina, Mundo Gráfico, Mundo Literário, OcidentePanorama ou The Connoisseur. Diogo de Macedo esteve também ligado à Academia Nacional de Belas Artes, primeiro como  vogal (1938) e depois como secretário (1948).

A  partir de 1945 e até ao final da vida, dirigiu o Museu Nacional de Arte Contemporânea (hoje Museu do Chiado), onde iniciou a prática de o abrir diariamente ao público, com entrada independente pela Rua Serpa Pinto, a que somou um programa de exposições temporárias e pequenas monografias editadas pelo museu sobre artistas representativos da sua coleção.

Em 1946 voltou a casar,  com Eva Botelho Arruda, e dois anos depois foi incumbido pelo Ministério das Colónias de dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes por Angola e Moçambique. Em 1949, promoveu também uma Semana Cultural Portuguesa em Santiago de Compostela. Nos anos cinquenta foi convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público e voltou a a apresentar obras suas na Bienal de Veneza (1950) ou no Pavilhão Português da Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Em sua homenagem,  a Escola Secundária de Olival, em Vila Nova de Gaia, passou a designar-se Escola Secundária Diogo de Macedo (em 1995) e ficou também perpetuado na toponímia do Porto, de Mafamude e de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), da Arrentela (Seixal) e de Sesimbra.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Mestre Martins Correia junto à sua homenagem às mulheres de Lisboa no Metro das Picoas

Freguesia de Arroios
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mestre Martins Correia, o escultor de intensa policromia e paixão pelo bronze, que concebeu a decoração da Estação de Metropolitano das Picoas como uma homenagem às mulheres de Lisboa, está desde o ano seguinte ao seu falecimento perpetuado numa rua muito próxima dessa estação, com a legenda «Escultor/1910 – 1999».

A  Rua Mestre Martins Correia era a Passagem Pública entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Engenheiro Vieira da Silva até a deliberação camarária de 16 de fevereiro de 2000 e consequente Edital municipal de 23 de fevereiro fazerem nascer a Rua, que teve honras de inauguração pública em 20 de outubro desse ano, com evocação do homenageado pelo Mestre Lagoa Henriques e pelo amigo cantor Pedro Barroso.

O ribatejano Joaquim Martins Correia (Golegã/07.02.1910 – 30.07.1999/Lisboa) destacou-se como uma das figuras marcantes da escultura portuguesa, num extenso percurso, multifacetado, com uma estética muito própria. Foi autor de composição abstrata, de retratos, de estatuária oficial, com uma marcante estilização italianizante e aligeirada pelo recurso decorativo à policromia, com a utilização de intensos vermelhos, ocres, pretos, verdes, brancos, azuis e amarelos e uma preferência pelo bronze.

Os seus pais faleceram numa epidemia de pneumónica e foi o aluno casapiano n.º 393, a partir de novembro de 1922, tendo aí concluído o curso industrial e recebido uma bolsa de estudo para frequentar a Escola de Belas Artes de Lisboa, na qual se matriculou no curso de desenho, em 1928, embora tenha terminado diplomado em escultura, a conselho do seu professor da cadeira de modelo, Luciano Freire.

Começou a expor individualmente em 1938, destacando-se logo em 1940 o seu trabalho na exposição da Missão Estética de Viana do Castelo, tendo o seu Cruzeiro do Minho merecido então referências de primeira página no jornal O Século. Nessa década de quarenta executou trabalhos de escultura para a Exposição do Mundo Português, foi um participante constante dos salões do SNI-Secretariado Nacional de Informação bem como continuou presença certa dos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (nos anos de 1936 a 1942) e conseguiu todos os prémios de escultura do país na época : o da Missão Estética de Viana do Castelo (1940), o Mestre Soares dos Reis (1942), o Mestre  Manuel Pereira (1943 e 1947), o de Escultura do SNI, o  do Salão Lisboa, a 1ª medalha do Salão Provincial da Beira Alta. Martins Correia recebeu ainda do Estado uma bolsa de estudos em Espanha e Itália  (1944 e 1945).

Nos anos cinquenta a sua  exposição de 1957 na Galeria do Diário de Notícias valeu-lhe o prémio Mestre Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes, assim como foi medalha de prata da Junta de Turismo de Cascais, sendo nesse ano também condecorado com a Ordem da Instrução Pública pelo Ministério da Educação Nacional. No ano seguinte, executou as estátuas em bronze de Luís de Camões para a cidade de Velha Goa que lhe valeram o prémio Diário de Notícias. Destaquem-se ainda os seus bustos em bronze de Jaime Cortesão, Augusto de Castro, Nuno Simões, Olegário Mariano, Miguel Torga, Fernando Namora, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen e a estátua em pedra de Bartolomeu de Gusmão, executada nos anos setenta mas inaugurada em 25 de outubro de 1989 na Alameda das Comunidades Portuguesas. Destaque-se ainda que Mestre Martins Correia também foi galardoado com o Prémio Internacional de Gravura na Noruega e  o Prémio Internacional de Artes Plásticas em Bruxelas.

Em Lisboa, a sua obra, para além da decoração artística da Estação do Metropolitano das Picoas, na ampliação de 1994, soma a composição escultórica da parede do fundo do Café Império até à estátua em pedra de Dom Pedro V na  Faculdade de Letras, passando pela decoração da escadaria da sala de receções do Hotel Ritz, pelo relevo A Justiça e o Povo para o Palácio da Justiça, pela Rainha Santa Isabel de bronze da Casa Pia de Lisboa, pelo Fernão Lopes de granito rosa na Biblioteca Nacional de Lisboa até ao átrio da Torre Vasco da Gama no Parque das Nações. Ainda em Lisboa, refira-se que Martins Correia trabalhou muitos anos num atelier municipal e realizou para a Câmara da capital alguns trabalhos para jardins e edifícios municipais, para além de ter sido membro do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Lisboa.

Um pouco por todo o país estão erigidos vestígios da sua obra no espaço público, para além de estar representado no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa-Museu do Chiado, no Museu Soares dos Reis do Porto, no Museu Regional de José Malhoa, no Museu de Arte Moderna de Madrid e claro, na Museu Municipal Martins Correia, na Golegã.

Paralelamente  à sua carreira de escultor Martins Correia também exerceu a docência. Ainda aluno, foi auxiliar dos professores de desenho da Casa Pia de Lisboa. A seguir, foi professor do Ensino Técnico Profissional, na Escola Rafael Bordalo Pinheiro (de 1936 a 1938) das Caldas da Rainha, e em Lisboa, nas Escolas Marquês de Pombal (ano lectivo de 1938-39), Machado de Castro (1939-40), Afonso Domingues (1940-41) e António Arroio (1941-42). Em 1946, foi convidado para professor da Casa Pia de Lisboa, onde ficou até 1958 e de onde partiu para a ESBAL, até à sua última lição em 1971.

Como cidadão, Joaquim Martins Correia foi Presidente da Secção de Cultura Artística da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), autor do programa Assuntos de Arte na antiga Emissora Nacional (1965), membro do Conselho Técnico à Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro assim como tomou parte nas exposições internacionais do Rio de Janeiro, de Bruxelas, na Ibero-Americana de Barcelona e na de desenhos de Lausanne. Foi ainda administrador da Fundação Abel de Lacerda-Museu do Caramulo e vogal efetivo da Academia Nacional de Belas Artes.

Das várias homenagens que recebeu evocamos a exposição retrospectiva de 300 obras de escultura, desenho e medalhística de 1939 a 1973 na SNBA (1973), filmada pelos cineastas Manuel Guimarães e Escouto; a sua última lição na seção casapiana de Pina Manique e a condecoração com a Ordem de Santiago da Espada (24 de março de 1973); a inauguração da sua estátua A Camponesa  e a abertura do Museu Municipal Martins Correia, em cerimónia na Golegã presidida pelo então Presidente da República, general Ramalho Eanes (1982); e a Ordem de Santiago de Espada pela segunda vez (1990).

A homenagem às mulheres de Lisboa de Mestre Martins Correia no Metro das Picoas
(Foto: Andrés Lejona, 2002, Arquivo Municipal de Lisboa)

O escultor de Gaia numa Rua de Campolide

Soares dos Reis na capa de A Comédia Portuguesa de 23 de fevereiro de 1889

Soares dos Reis, o  gaiense escultor de O Desterrado de 1872, desde 1903 dá nome a uma Rua de Campolide, junto de outro topónimo de escultor – a Rua Vítor Bastos – a que 8 anos depois se juntou ainda outro, através da Rua Leandro Braga.

A Rua Soares dos Reis, que liga a Rua General Taborda à Rua Vítor Bastos, foi atribuída por deliberação camarária de 23/09/1903 e Edital municipal de 25/09/1903, na Rua nº 5 do Bairro Novo de Campolide, urbanização construída nos finais do século XIX. As outras ruas deste bairro passaram a fixar também o escultor Vítor Bastos (Rua nº 3), e os militares Dom Carlos de Mascarenhas (Rua nº 4), General Taborda (Rua nº 2) e Conde das Antas (Rua nº 1).  O escultor Leandro Braga só se juntou a este núcleo mais tarde, pelo Edital municipal de 7 de agosto de 1911.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

António Manuel Soares do Reis (Vila Nova de Gaia- Mafamude/14.10.1847 – 16.02.1889/Vila Nova de Gaia) concluiu em 1866 o Curso de Escultura na Academia Portuense de Belas Artes, sendo o  primeiro pensionista do Estado em escultura pela Academia Portuense de Belas Artes, a que concorreu com o busto de Firmino e o baixo-relevo Mercúrio adormecendo Argos ao som da flauta e assim,  conseguiu ir estagiar em Paris (em 1869 e 1870) – na École Impériale des Beaux-Arts- e também em Roma (1871- 1972),  onde realizou a  sua peça mais famosa, o Desterrado (1872), como prova final do seu pensionato no estrangeiro e pela qual foi nomeado Académico de Mérito da Academia Portuense de Belas Artes e três anos depois o mesmo sucedeu com a Academia de Belas Artes de Lisboa.

Das suas múltiplas obras salientem-se o Cristo Morto (1873) para a Igreja paroquial de Mafamude, O Artista na Infância (1874) que executou para a duquesa de Palmela, o bronze Cabeça de Negro (1874), a estátua monumental do Conde de Ferreira (1876), o busto Flor Agreste e o baixo-relevo Camões (1878), busto de Marques de Oliveira (1881), Filha dos Condes de Vinhó e Almedina (1881-1882), medalhões decorativos (Comércio e Indústria) para o Palácio da Bolsa (1882) e o Brotero (1886) pensado para o Jardim Botânico de Coimbra, o busto da atriz Emília das Neves e os medalhões  de Leandro Braga Simões de Almeida (1888) ou ainda o busto de Fontes Pereira de Melo para a sede da Associação Comercial do Porto (1889).

Lisboa conta também no espaço público,  no Castelo de São Jorge, com uma réplica do seu D. Afonso Henriques (1887) executado para Guimarães, oferta da cidade do Porto a Lisboa e inaugurada em 25 de outubro de 1947, na comemoração do 8º centenário da tomada de Lisboa aos Mouros.

Soares dos Reis foi galardoado com o 1º Prémio de Escultura no final do curso na Academia Portuense de Belas Artes (1866), 1º Prémio do curso da École Imperiale et Speciale des Beaux Arts de Paris (1870), uma medalha de prata na exposição da Sociedade Promotora de Belas Artes de Lisboa (1876), uma menção honrosa na Exposição Universal de Paris de 1878, uma medalha de ouro na Exposição de Belas Artes de Madrid (1881) e a Ordem de Carlos III, com o grau de Cavaleiro. Também a Escola de Desenho Industrial de Faria de Guimarães do Bonfim passou em 1948 a ser a Escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis.

Em 1880, Soares dos Reis e o pintor Marques de Oliveira dirigiram o Centro Artístico Portuense, onde incentivaram o estudo do modelo vivo. A partir do ano seguinte, Soares dos Reis tornou-se também professor de Escultura da escola onde se formara, a Academia Portuense de Belas Artes.

Na sua vida particular, o escultor  teve atelier no Porto, na Rua das Malmerendas (1873 a 1875), de onde passou para uma casa-atelier em Vila Nova de Gaia. Em 1885 casou com Amélia de Macedo, de quem teve dois filhos: Fernando e Raquel. Aos 42 anos, terminou a sua vida com dois tiros de revólver e passados doze anos, em 1911, o Museu Portuense de Pinturas e Estampas, então instalado no edifício do Convento de Santo António da Cidade, passou a chamar-se Museu Soares dos Reis em sua homenagem.  A sua obra também está representada em Lisboa no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Soares dos Reis é também um topónimo muito comum em Portugal. Para além de Lisboa, tem Rua em Vila Nova de Gaia, Abrantes, Braga, Brandoa, Caldas da Rainha,  Camarate, Charneca da Caparica,  Corroios, Custóias, Famões, Feijó, Fernão Ferro, Gafanha da Nazaré,  Odivelas, Quinta do Conde, Rio de Mouro, São Domingos de Rana, São João da Madeira, Trofa, Unhos. Dá nome ao Jardim de Mafamude, em Vila Nova de Gaia, bem como a Largos no Porto e no Entroncamento, a uma Praceta em Queluz e a uma Vereda em Vila Nova de Gaia.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Os desenhadores, pintores e escultores de Lisboa

No mês das Festas de Lisboa, em que a cidade se enche de imagens e de colorido de arco e balão vamos avançar por aqueles que nascidos ou não em Lisboa contribuíram para o imaginário alfacinha pelo desenho, pela ilustração, pela pintura e pela escultura.

Já antes aqui publicámos artigos, ou brochuras, sobre os seguintes  desenhadores, caricaturistas, ilustradores, pintores e escultores:

  1.  Avenida Columbano Bordalo Pinheiro
  2.  Avenida José Malhoa
  3.  Jardim Amélia Carvalheira
  4. Largo Artur Bual
  5. Largo Francisco Smith
  6. Largo Júlio Pereira
  7. Largo Luís Dourdill
  8. Largo Rafael Bordalo Pinheiro
  9. Praça Cottinelli Telmo
  10. Praça José Queirós
  11. Praça Nuno Gonçalves
  12. Rua Alfredo Roque Gameiro
  13. Rua Almada Negreiros
  14. Rua Amadeu de Sousa Cardoso
  15. Rua Amarelhe
  16. Rua António Dacosta
  17. Rua António Duarte
  18. Rua Augusto Pina
  19. Rua Bernardo Marques
  20. Rua Carlos Reis
  21. Rua Cipriano Dourado
  22. Rua Domingos Rebelo
  23. Rua Domingos Sequeira
  24. Rua Eduarda Lapa
  25. Rua Eduardo Viana
  26. Rua Francisco Metrass
  27. Rua Frederico George
  28. Rua Hein Semke
  29. Rua João Anastácio Rosa
  30. Rua João Hogan
  31. Rua Jorge Barradas
  32. Rua Jorge Vieira
  33. Rua José Dias Coelho
  34. Rua José Escada
  35. Rua José Farinha
  36. Rua Josefa de Óbidos
  37. Rua Leandro Braga
  38. Rua Leitão de Barros
  39. Rua Maluda
  40. Rua Manuel Guimarães
  41. Rua Marciano Henriques da Silva
  42. Rua Mário Botas
  43. Rua Mário Cesariny
  44. Rua Mário Dionísio
  45. Rua Raul Carapinha
  46. Rua Sá Nogueira
  47. Rua Sara Afonso
  48. Rua Severo Portela
  49. Rua Simões de Almeida
  50. Rua Sousa Lopes
  51. Rua Sousa Pinto
  52. Rua Stuart Carvalhais
  53. Rua Teixeira Lopes
  54. Rua Tenente Espanca
  55. Rua Tomás da Anunciação
  56. Rua Veloso Salgado

A Rua Hein Semke, de um escultor alemão em Portugal

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O escultor alemão Hein Semke que veio para Portugal na primavera de 1929 e se radicou na cidade de Lisboa em 1949, dá o seu nome a uma rua da Freguesia de Santa Clara, desde 2011.

Foi pelo Edital municipal de 3 de janeiro de 2011 que o nome de Hein Semke foi atribuído à Rua I 1B das Malhas 22.4 e 27.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, ligando hoje a Rua João Amaral à Rua Rogério de Moura, correspondendo assim a edilidade a um perdido de Teresa Balté. Nas imediações encontramos topónimos com os nomes do escultor António Duarte e dos pintores António Dacosta Bernardo Marques.

Em 1972
( Foto: Mário de Oliveira)

Hein Semke (Alemanha – Hamburgo/25.06.1899 – 05.08.1995/Lisboa) veio para Portugal em 1929 mas ao ser vítima de um esgotamento no ano seguinte voltou à Alemanha para recuperar e aí acabou por estudar escultura e cerâmica regressando ao nosso país em 1932, onde morou em Linda-a-Pastora e por lá passaram nomes do modernismo português, como Almada Negreiros e Sarah Afonso, Mário Eloy, Abel Manta, Vieira da Silva e Árpád Szenes. A partir de 1949 fixou residência na cidade de Lisboa,  tendo tido atelier na Avenida 24 de Julho (1937 -1941) e a partir de 1953 na Praça António Sardinha, onde também passou a residir, para além trabalhar regularmente na Olaria de Benfica, tornando-se uma figura da vida cultural portuguesa, destacando-se sobretudo como escultor, renovador da cerâmica portuguesa e xilogravador.

A sua obra está publicamente exposta em Lisboa nos painéis cerâmicos da Reitoria da Universidade de Lisboa; na Capela de Santo António do Lumiar; na Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, com as três esculturas para o Pátio de Honra aos Mortos Alemães da Grande Guerra, tendo uma sido destruída em 1935 por elementos nazis da colónia alemã em Lisboa; nos murais cerâmicos do Jardim de Inverno do Hotel Ritz ; e ainda nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua obra artística de décadas em Portugal foi reconhecida em exposições como a retrospetiva dos seus «Hein Semke – 40 anos de atividade em Portugal» (1972) na Fundação Calouste Gulbenkian; a visão da sua obra cerâmica teve lugar no Museu Nacional do Azulejo em 1991 e a da sua obra escultórica ocorreu em 1997 no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

Semke foi também, a partir de 1958, autor de 34 livros de artista de grandes dimensões,   sendo o primeiro  Em cada Criatura Nasce uma Flor, e o seu Livro da Árvore sido publicado em formato reduzido, em 1995, pela Gulbenkian – ACARTE e o tema de uma exposição na Biblioteca Nacional.

A obra deste escultor alemão está representada no Museu do Chiado-MNAC, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu de José Malhoa e na Casa-Museu João Soares, tendo sido agraciado com o Oficialato da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha (1978) e o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique (1990).

Na Alemanha, Hein Semke foi aos 18 anos combatente voluntário na I Primeira Guerra Mundial; trabalhou na construção civil, em estaleiros, a vender jornais, em pedreiras, minas e numa fundição; foi pacifista e anarquista, com participação na Revolução de Maio e na Revolução de Outubro, o que lhe valeu 6 anos de prisão na Alemanha, entre 1923 e 1928; e ainda, estudante de cerâmica e escultura na Escola de Artes e Ofícios de Hamburgo e na Academia de Belas-Artes de Estugarda (1930 – 1932).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

A Rua do autor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa e o cinema Tortoise/Tenor Romão/Campolide

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961 (foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961
(foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Leandro Braga, o escultor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa, está desde 1911 na toponímia de Lisboa, numa artéria de Campolide, que a partir de 1925 passou a exibir também um cinema  que passou por três denominações: Tortoise, Tenor Romão e Campolide.

Nos finais do século XIX foi construído o Bairro Novo de Campolide cujas ruas foram denominadas por edital municipal de 25 de setembro de 1903, fixando nelas os nomes do escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas. Um pouco mais tarde, o Edital de 7 de agosto de 1911  perpetuou mais um escultor nesta zona, através da Rua Leandro Braga, com a legenda «Escultor e Entalhador/1839 – 1897».

Em 4 de janeiro de 1925 foi inaugurado no nº 15 deste arruamento um cinema de bairro, o CineTortoise, por iniciativa de Manuel Pinto Lello (professor e gerente) e Ruy Teixeira Bastos ( artista plástico e diretor técnico da distribuidora e produtora Tortoise-Filmes). Mas em 1927, mudou a gerência e passou a designar-se Cinema Tenor Romão, já que o novo dono era o Tenor Romão Gonçalves, figura excêntrica e conhecida na Lisboa da época, que inventou o licor Romanini para fazer concorrência ao francês Beneditine e remodelou o cinema para ficar com  414 lugares. Em fevereiro do ano seguinte voltou a mudar de mãos e passou a denominar-se Campolide Cinema que apenas fechou portas em 1977.

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Leandro de Sousa Braga (Braga/22.03.1839 – 06.04.1897/Lisboa) veio para a capital em 1853, aos 14 anos de idade, e entrou para a oficina do entalhador Inácio Caetano e 9 anos depois, para o atelier do escultor Anatole Calmels, notabilizando-se em empreitadas onde trabalhou ao lado destes mestres, como na tribuna do Teatro S. Carlos ou no Arco Triunfal da Rua Augusta, abrindo depois oficina própria na Calçada do Combro e recebendo encomendas particulares como as de D. Maria Pia e D. Fernando para as decorações dos Palácios da Ajuda e de Belém, dos Duques de Palmela, do conde Cabral e do marquês da Foz para o Palácio Foz. Leandro Braga executou ainda numerosos trabalhos em mobílias, decorações de teatro e habitações particulares, esculturas para igrejas ou projetos de monumentos. É ainda obra sua a porta do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa que em 1890 custou 1:000$000 réis.

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)