Jorge Luis Borges dá o seu nome ao Jardim do Arco do Cego

na Freguesia de Nª Srª de Fátima - na futura Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas                                                             (Foto: Artur Matos)

Jorge Luis Borges dá nome ao Jardim do Arco do Cego, situado entre a Avenida João Crisóstomo, Rua Dona Filipa de Vilhena e a Avenida Duque d’Ávila, desde 2009 (Edital de 16/09/2009) que – quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino- Lisboa acolheu neste espaço verde  um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook, doado pela Casa da América Latina, estendendo o seu nome a todo o espaço.

De seu nome completo, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires/24.08.1899 – 14.06.1986/Genebra), o mais universal dos escritores argentinos, era oriundo de uma família portuguesa por parte do pai, com um bisavô oriundo de Torre de Moncorvo, como refere no seu poema “Os Borges”, para além de na sua obra salientar vivências e memórias dos seus antepassados lusos. Este escritor cujo primeiro livro foi de poesia e publicado em 1923 (Fervor de Buenos Aires), reclamava-se portador do modo português de sentir o universo e, em 1984 foi galardoado em Portugal com a Ordem de Santiago da Espada e, como Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra em reconhecimento pela sua obra, com títulos de que se destacam História Universal da Infâmia (1935), Ficções (1944), O Aleph (1949), Manual de zoologia fantástica em colaboração com Margarita Guerrero (1957) ou O relatório de Brodie (1970).

Não obstante a sua carga genética ter determinado a sua cegueira total a partir de 1956, Borges para além da sua prosa aparentemente despojada mas carregada de de fantástico e de fina ironia, foi também poeta, ensaísta, tradutor, crítico literário, professor universitário, presidente da Associação Argentina de Escritores e, diretor da Biblioteca Nacional da Argentina (1955 – 1973), tanto mais mais adequado ao autor do conto “Biblioteca de Babel” quanto ele afirmou que “Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca”.

Refira-se ainda que foi vencedor do primeiro prémio Formentor, instituído em 1961, ex-aequo com Samuel Beckett, e visitou Lisboa em 1929, bem como  em 1980, com a sua companheira inseparável, Maria Kodama.

Do conjunto de cerca de 8 dezenas de personalidades estrangeiras que integram a toponímia de Lisboa, Jorge Luis Borges é o único argentino.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

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Toponomenclatura de espaços verdes: os Jardins e os Parques

Parque Eduardo VII – Freguesia das Avenidas Novas

Na toponomenclatura oficial de Lisboa constam 30  Jardins e 2 Parques, todos a partir do séc. XX,  cuja enumeração abordaremos de seguida, por décadas.

Por Edital de 17 de abril de 1903, o Parque da Liberdade passou a denominar-se Parque Eduardo VII de Inglaterrapor ocasião da visita do Rei de Inglaterra a Lisboa, sendo aliás a primeira visita ao estrangeiro desse monarca.

Oito anos depois, o Parque Silva Porto, vulgarmente conhecido por Mata de Benfica, foi inaugurado no dia 23 de julho de 1911, mas só em 1918 adquiriu esta designação de homenagem ao pintor António Carvalho da Silva (1850-1893) que adoptara o apelido Porto como demonstração de amor à sua cidade natal. Neste Parque foi colocado um busto seu, da autoria de Costa Mota (Sobrinho), a que no centenário do seu nascimento a Sociedade Nacional de Belas Artes acrescentou uma palma em bronze.

Jardim Nove de Abril – Freguesia da Estrela

Já na década de vinte do séc. XX, por proposta do vereador Alfredo Guisado, deliberação camarária de 31 de maio de 1926 e edital municipal de 17 de junho de 1926, o antigo Jardim Fialho de Almeida passou a denominar-se Jardim Alfredo Keil, consagrando o autor da música do Hino Nacional, composto como A Portuguesa em 1890, como resposta ao Ultimatum Inglês, por naquele espaço se ir erguer um monumento à sua memória. Quase cinco anos depois, por deliberação camarária de 14 de fevereiro de 1925, o espaço conhecido como Jardim das Albertas passou a ser o Jardim Nove de Abril , data da Batalha de La Lys no ano de 1918, ocorrida na Flandres, no teatro de operações da I Guerra Mundial. Entre estas duas datas de 1920 e 1925, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou a atribuição de diversas denominações a jardins da cidade, como por exemplo, Jardim Guerra Junqueiro ao Jardim da Estrela ou  Jardim Braamcamp Freire ao Jardim do Campo dos Mártires da Pátria, mas por razões desconhecidas esses registos não integraram o ficheiro de toponímia lisboeta.

Jardim Elisa Baptista da Silva Pedroso – Freguesia da Estrela

Depois, só após o 25 de Abril foi colocado um novo topónimo num jardim. Foi pelo Edital de 3 de setembro de 1976 que o jardim nas traseiras do Palácio de São Bento, vulgarmente conhecido como Jardim Salazar, ficou com a designação Jardim Elisa Baptista de Sousa Pedroso, perpetuando uma conceituada pianista (1876 -1958), fundadora do Círculo de Cultura Musical e  primeira sócia honorária da Juventude Musical Portuguesa.

Jardim Ducla Soares – Freguesia de Belém
(Foto: José Carlos Batista)

Na década de oitenta, Lisboa acolheu mais três jardins: em Belém, o Jardim Pulido Garcia dedicado ao eng.º agrónomo ( 1904 – 1983 ) que chefiou a Repartição de Arborização e Jardinagem camarária tendo sido responsável pela instalação do Parque Florestal de Monsanto ( Edital de 20/08/1985), bem como o  Jardim Ducla Soares (1912 – 1985), perpetuando o maior médico internista português da sua geração que viveu nesta mesma freguesia no Largo da Princesa ( Edital 07/09/1987); sendo o terceiro na Penha de França, o Jardim Luís Ferreira ( 1920-1984 ), para homenagear um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital 03/05/1989).

A década de noventa criou mais quatro jardins : o Jardim Alice Cruz ( São Domingos de Benfica ), a fixar a locutora de rádio e televisão (1940 – 1994) tragicamente falecida num acidente rodoviário e o  Jardim Bento Martins, em  Carnide,  para guardar a memória do seu dinamizador teatral (1932 – 1993), ambos por Edital de 17/02/1995; em Belém, pelo Edital de 30/07/1999 o Jardim Fernanda de Castro  , veio consagrar a escritora (1900 – 1994) que publicara justamente Cidade em Flor (1924) e Jardim (1928) e, finalmente, o  Jardim Amália Rodrigues ( Avenidas Novas ), fronteiro ao topo do Parque Eduardo VII a homenagear a celebrada fadista (1920 – 1999), falecida em outubro do ano anterior (Edital de 18/04/2000).

Jardim Amália Rodrigues – Freguesia das Avenidas Novas

Jardim Tristão da Silva – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Na primeira década do séc. XXI, de 2001 a 2010, Lisboa recebeu mais 10 jardins, a saber:  o Jardim Tristão da Silva (Areeiro), fadista (1927 – 1978) que começou a sua carreira a ser conhecido como o Miúdo do Alto do Pina (Edital de 20/11/2003);  o Jardim Amélia Carvalheira ( Avenidas Novas ), junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima por ocasião do centenário desta escultora  (1904 – 1998) de arte sacra (Edital de 23/09/2004); o Jardim Fernando Pessa ( Areeiro ), ao lado do edifício da Assembleia Municipal de Lisboa, local próximo da residência do jornalista (1902 – 2002) e onde ele costumava  andar de bicicleta e fazer os seus passeios ( Edital de 16/12/2004); o  Jardim Irmã Lúcia ( Areeiro ), atribuído em resultado do Voto de Pesar municipal  n.º 4/2005 que deu azo à deliberação municipal e ao Edital de 06/10/2005, fixando  junto à Igreja de São João de Deus esta vidente de Fátima (1907-2005); o  Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho, na Freguesia de Santa Clara (Edital 03/07/2008), evocando a neta  (1918 – 1999) de João de Deus e continuadora da sua obra dos Jardins-Escolas; o Jardim Prof. António de Sousa Franco em Telheiras, estadista e jurisconsulto de mérito, falecido subitamente em campanha eleitoral (1942 – 2004), fruto do Edital de 16/09/2008, sendo que no mês seguinte, o Edital de 07/10/2008, colocou no espaço verde contíguo o Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral (1908 – 1992) que foi o 1º topónimo alfacinha a perpetuar um arquiteto paisagista; e ainda, o Jardim Jorge Luis Borges no Arco do Cego ( Avenidas Novas ), por Edital de 16/09/2009, quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino (1899 – 1986), acolhendo ainda um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook e doado pela Casa da América Latina, faltando apenas referir nesta década o Jardim dos Jacarandás  e o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações acolhidos através do Edital municipal de 16/09/2009.

Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho -Freguesia de Santa Clara

Finalmente, de 2011 até ao presente adicionaram-se mais 5  Jardins:  o Jardim Augusto Monjardino( Avenidas Novas ), junto à Maternidade Alfredo da Costa para homenagear o médico que foi o seu primeiro director (1871 – 1941), atribuído por Edital de 04/05/2011; o Jardim Amnistia Internacional ( Campolide ) para assinalar o 50.º aniversário desta instituição de defesa dos direitos humanos (Edital de 03/06/2011); o Jardim Adão Barata (1945 – 2008), em Carnide, para perpetuar no seu território um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital de 03/12/2012); o Jardim Maria de Lourdes Sá Teixeira ( Olivais ),  para guardar a memória da 1ª Aviadora portuguesa (1907 – 1984), através do Edital de 08/07/2013;  o Jardim Ferreira de Mira ( Benfica ) fixando o investigador e professor (1875 – 1953) da Faculdade de Medicina de Lisboa que foi também historiador da medicina portuguesa ( Edital 10/11/2016).

Jardim Ferreira de Mira – Freguesia de Benfica

Acresce que a palavra «jardim» aparece ainda em mais 5 topónimos alfacinhas. Em Santa Maria Maior, encontramos a Rua do Jardim do Regedor [da Casa da Suplicação] e primeiro presidente da Real Mesa Censória, cardeal D. João Cosme da Cunha; bem como a Rua do Jardim do Tabaco relacionada com a Alfândega do Tabaco, instalada na zona nessa época da segunda metade do séc. XVII. Junto ao Jardim da Estrela, na freguesia da Estrela,  deparamos com a Rua do Jardim à Estrela e a Travessa do Jardim que mostram bem qual a sua origem, tal como a Rua do Jardim Botânico, partilhada pelas freguesias de Belém e da Ajuda, claramente se refere ao Jardim Botânico da Ajuda.

O Jardim da neta de João de Deus

Jardim Maria da Luz Ponces deCarvalho

Neta de João de Deus, o autor da Cartilha Maternal (1876), e filha do pedagogo João de Deus Ramos, foi inscrita na toponímia de Lisboa a também educadora Maria da Luz Ponces de Carvalho, pelo Edital de 03/07/2008, no eixo pedonal entre as Malhas 19 e 20.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar que passou a ser um Jardim, com uma área de 0,37 ha, na então Freguesia da Charneca e hoje, de Santa Clara.

Maria da Luz de Deus Ramos Ponces de Carvalho (Lisboa/27.06.1918 – 08.12.1999/Lisboa), nascida alfacinha na freguesia de São Sebastião da Pedreira,  foi a principal continuadora da obra de seu avô e de seu pai, exercendo a partir de 1943 trabalho educativo nos Jardins-Escolas João de Deus e leccionando em simultâneo a disciplina de Educação Sensorial no Curso de Educadoras de Infância pelo Método João de Deus.

Bacharel dos cursos de preparação de Professores Adjuntos do Ensino Técnico e Profissional da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e ainda, com o curso de Ciências Pedagógicas da mesma Universidade, participou ainda em 1943 na fundação do primeiro Curso de Educadores de Infância que muito contribuiu para impulsionar a educação Pré-Escolar e Pré-Primária. Maria da Luz Ponces de Carvalho também fundou a Escola Superior de Educação assim como, em 1979,  o Comité Português da OMEP – Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, entidade que em julho de 2000 a tornou seu Membro Honorário.

Eleita Presidente da Direcção da Associação de Jardins-Escolas João de Deus no ano de 1955 – que manteve até ao seu falecimento – ainda editou em 1997 um Guia Prático da Cartilha Maternal (1997) para facilitar um melhor conhecimento e uso do Método João de Deus e da Cartilha Maternal.

Para além de ter participado em inúmeras conferências, congressos, seminários e colóquios, em constante defesa dos direitos da criança e em prol da educação em Portugal foi agraciada com os graus de Comendador (1985) e de Grande-Oficial da Ordem de Instrução Pública (1990).

Já quatro anos antes do topónimo lisboeta, em abril de 2004,  a Escola Básica do 1º ciclo n.º 185, na então freguesia da Charneca, se havia passado a designar Escola Básica Maria da Luz de Deus Ramos.

 

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

No 110º aniversário de Amélia Carvalheira o seu jardim alfacinha

jardim amélia carvalheira cara

No ano do centenário da escultora de arte sacra Amélia Carvalheira foi o seu nome colocado pela edilidade lisboeta num Jardim anexo à igreja de Nossa Senhora de Fátima e, até aí vulgarmente conhecido como Jardim da Avenida Marquês de Tomar, considerando aliás a grande ligação da artista a esta igreja.

Este topónimo resultou de um pedido da Comissão de Homenagem a Amélia Carvalheira, que após o parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia foi aprovado na sessão de câmara de 18/08/2004 e, fixado pelo Edital de 23/09/2004.

Maria Amélia Carvalheira da Silva (Vila Nova de Cerveira – Gondarém/05.09.1904 – 31.12.1998/Lisboa) que hoje completaria 110 anos foi uma escultora que se dedicou essencialmente à arte sacra. Autodidata até 1947, conheceu nesse ano o Mestre Barata Feyo de quem se tornou discípula no atelier das Janelas Verdes. A artista assinou como Quinha até 1948 e depois desse ano como Carvalheira.

O seu trabalho apela à interioridade e a uma atitude íntima de contemplação, estando distribuída um pouco por todo o país e também no estrangeiro, embora consiga uma maior notoriedade e visibilidade em Fátima, sobretudo nas seis estátuas da Colunata, de sua autoria: Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São Simão Stock, Santo Afonso Maria de Legória, Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Salles.

A ligação de Amélia Carvalheira a Lisboa radica desde logo na sua morada no nº 58 da Avenida João Crisóstomo por mais de 60 anos, a menos de dois quarteirões de distância da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, bem como por ter contribuído para o espólio desta igreja com obras suas como Presépio e Nossa Senhora da Paz, para além de ter sido a autora da medalha comemorativa do Cinquentenário da Igreja. Ainda em Lisboa estão presentes obras de Amélia Carvalheira  nas Igrejas de São João de Deus,  de São João de Brito e na de São Nicolau, bem como nas capelas das Irmãs Missionárias de Maria, do Palácio da Cruz Vermelha, do Hospital de Dona Estefânia, das Irmãs Franciscanas e, do Colégio Militar.

Amélia Carvalheira ganhou em 1949 o Prémio de Artes Plásticas Mestre Manuel Pereira (para a escultura),  com a obra intitulada S. João de Deus, em barro policromado, a qual se encontra na capela do Palácio da Cruz Vermelha. Participou em várias exposições, a título individual, em Portugal e no estrangeiro. Em 1992 foi-lhe entregue oficialmente pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, uma condecoração da Santa Sé, a Pro Eclesia et Pontificia e, nesse mesmo ano, também o Presidente da República lhe atribuiu o Grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas

O Jardim do médico Ducla Soares

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

Este jardim no topo da Avenida da Torre de Belém, entre a Avenida do Restelo e a Rua de Alcolena, desde a publicação do Edital de 07/09/1987, homenageia o médico e investigador alfacinha Armando José Ducla de Sousa Soares (Lisboa/14.08.1912 – 27.03.1985/Lisboa) que em Lisboa viveu, desenvolveu a sua carreira e faleceu na sua casa no Largo da Princesa, nesta mesma freguesia.

Considerado o maior internista português da sua geração bem como especialista de hematologia com relevo na Medicina Europeia, durante quase meio século trabalhou nas vertentes da clínica, do ensaio e da investigação. Licenciado no ano de 1936, a partir de 1943 passou a assistente da cadeira de Clínica Médica e doutorou-se em 1948, com uma tese sobre as doenças alérgicas do rim. A partir de 1955, dirigiu a Secção de Hematologia da Consulta de Clínica Médica da Faculdade e tornou-se catedrático desta cadeira em 1958, a que juntou a de Pneumologia de 1960 a 1965  e depois, até 1982, a de Propedêutica Médica. Em 1974 foi membro da Comissão de Gestão Provisória da Faculdade de Medicina de Lisboa e em 1977, eleito para o Conselho Científico.

Ducla Soares foi ainda médico dos Hospitais Civis a partir de 1950, nomeadamente no Curry Cabral e no Hospital de Arroios assim como desempenhou os cargos de Presidente da Secção Europeia da Sociedade Internacional de Hematologia para o Estudo da Coagulação, da Sociedade de Medicina Interna e da Sociedade Portuguesa de Hematologia, bem como de diretor do Núcleo de Estudos Clínicos-Hematológicos do Instituto de Alta Cultura e de membro do Conselho Consultivo para as Ciências Médicas do Instituto de Alta Cultura e do Conselho Superior de Medicina Legal.

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

O Jardim da pianista Elisa Pedroso

Elisa Sousa Pedroso em 1909 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Elisa Baptista de Sousa Pedroso em 1909
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Por proposta da própria Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 22/08/1973  foi a pianista  Elisa Baptista de Sousa Pedroso consagrada três anos depois num Jardim lisboeta, pelo Edital de 03/09/1976 , designado por Jardim da Rua da Imprensa à Estrela, também vulgarmente conhecido por Jardim Salazar.

Este Jardim cuja traça terá sido implantada por volta de 1930, ocupa o espaço nas  traseiras da Assembleia da República que outrora foram os terrenos da antiga cerca conventual do Mosteiro de São Bento da Saúde.

Elisa Baptista de Sousa Pedroso (Vila Real/10.07.1876 -1958/Lisboa) foi uma consagrada pianista, fundadora do Círculo de Cultura Musical,  primeira sócia honorária da Juventude Musical Portuguesa e, organizadora dos famosos concertos sinfónicos que durante muitos anos, semanalmente, nos meses de Verão, a Câmara Municipal de Lisboa ofereceu ao público no Pavilhão dos Desportos.

A música foi a dedicação para Elisa desde jovem, tendo estudado com os professores Francisco Baía, Alexandre Rey-Colaço e Viana da Mota, em Lisboa e depois, com Eduardo Risler, Ignaz Friedman e Alfredo Casella em Paris, para além de lições de Pedro Blanch, Luís Filgueiras e Pablo Casals, e assim foi fazendo carreira e concertos um pouco por todo o mundo.

Em 1917, colaborou com o seu marido, o advogado Alberto Pedroso, na fundação da Sociedade de Concertos de Lisboa. Após enviuvar, ela própria fundou o Círculo de Cultura Musical, em 1935,  do qual foi eleita presidente vitalícia. É a partir desta estrutura que Elisa Pedroso trabalhou para difundir a cultura musical, através de concertos com os maiores valores artísticos portugueses e estrangeiros e, da qual proliferaram delegações no Porto, Coimbra, Braga, Viana do Castelo, Funchal, Aveiro, Guimarães, Viseu, Setúbal, Ponta Delgada e Évora. E em 1947, Elisa Baptista Pedroso cedeu o seu próprio palacete para sede da Juventude Musical Portuguesa e ainda promoveu intercâmbios entre Portugal e diversos países europeus, particularmente entre Portugal e Espanha, tornando-se numa das maiores mecenas da época.

Também publicou Cultura Artística de Hoje : notas e três meses e viagem (1935), Música Espanhola Contemporânea (1917) e L’ art, expression de notre esprit national  (1941).

Foi galardoada com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública e a Ordem de Santiago e Espada (1954), o Colar do Instituto de Coimbra, o Colar e a Medalha da Cruz Vermelha, a Medalha de Prata da Cidade de Lisboa (1947), a Cruz de Afonso o Sábio (de Espanha), o Colar da Real Academia de Belas-Artes de Madrid, a Medalha de Sócia de Honra da Orquestra Sinfónica de Madrid e a Medalha de Ouro de Música de Itália (1949) e, o Conservatório Regional de Música de Vila Real criou o Prémio Nacional Elisa de Sousa Pedroso para instrumentistas de todo o país.

Jardim Maria Elisa Baptista de Sousa Pedroso  (Foto: Eduardo Portugal, 1940, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jardim Maria Elisa Baptista de Sousa Pedroso
(Foto: Eduardo Portugal, 1940, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia da Estrela

Freguesia da Estrela

A Amnistia Internacional num jardim lisboeta

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide                                                                                                                    (Foto: Rui Mendes)

Quando em 2011 se comemoraram os 50 anos de vida da Amnistia Internacional, bem como os 30 anos da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional nascida a 18 de maio de 1981, a Câmara Municipal de Lisboa associou-se a estas datas e homenageou esta organização empenhada na defesa dos Direitos Humanos e que foi Prémio Nobel da Paz em 1974 e 1977 com a atribuição do seu nome a um Jardim: o Jardim Amnistia Internacional, situado entre a Rua de Campolide, a Avenida José Malhoa e a Rua Cardeal Saraiva, nascido do Edital de 03/06/2011.

Placa Tipo IV (Foto: Rui Mendes)

Placa Tipo IV
(Foto: Rui Mendes)

A Amnistia Internacional foi fundada em 1961, tendo na sua origem um caso que envolve Portugal, com a publicação no The Observer de 28 de maio de 1961 do artigo «The Forgotten Prisioners», no qual o advogado britânico Peter Benenson denunciou a condenação de dois jovens estudantes portugueses a 7 anos de prisão, por gritarem “Viva a Liberdade!” numa esplanada do centro de Lisboa, no âmbito das celebrações da República e, indignado, escreveu aos dirigentes políticos portugueses exigindo a libertação imediata dos dois jovens, ao mesmo tempo que encorajou o seu círculo de relações a fazer como ele e, o sucesso desta manifestação criou o modo de agir da Amnistia Internacional.

planta de localização

O Jardim de Adão em Carnide

adão barata

A partir de uma sugestão da Junta de Freguesia de Carnide foi Adão Barata, antigo Presidente dessa Junta,  colocado num Jardim da Freguesia, o Jardim e Parque Infantil da Quinta do Bom Nome, pelo Edital municipal de 03/12/2012.

Adão Manuel Ramos Barata (26.06.1945 – 29.08.2008) foi um engenheiro civil que também se dedicou à política na área das autarquias durante 14 anos. Após ter aderido ao PCP em 1975, Adão Barata foi eleito em Lisboa, primeiro como Presidente de Junta de Carnide e membro da Assembleia Municipal de Lisboa durante o mandato 1994-1997 e depois, no vizinho concelho de Loures, durante cerca de 10 anos, como vereador (1998-1999, 2002-2007) e Presidente da Câmara Municipal de Loures (17 de junho de 1999 a 7 de janeiro de 2002). Quem o conheceu descrevia-o como homem solidário, otimista e dialogante, seguidor do lema «as pessoas primeiro».

Enquanto engenheiro civil, licenciado pela Universidade do Porto em 1971, destacou-se na chefia das equipas do projeto da antiga Direção-Geral das Construções Hospitalares (1971-1979), e também, como projetista da Consulmar (1979-1995), nomeadamente, nas obras dos portos da Horta, Ponta Delgada ou Aveiro. Adão Barata desempenhou ainda as funções de diretor de produção da Jardins Expo e Expo Domus (1996-1997), diretor da EPUL (2004-2006), administrador da Parque Expo (1997-1999 e 2002-2005), bem como no MARL e nos SMAS de Loures (1998-2004).

Adão Barata foi agraciado com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1999), a Medalha de Honra da Freguesia de Bucelas (2007) , a Medalha de Honra do Concelho de Loures (2008) e quatro artérias a com o seu nome no concelho de Loures.

Freguesia de Carnide

Freguesia de Carnide

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