A Rua do norueguês que primeiro chegou ao Polo Sul, Roald Amundsen

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O norueguês Roald Amundsen, foi o primeiro a chegar ao Polo Sul, em 1911 e este explorador dos Polos está consagrado numa Rua do Parque das Nações, desde a realização da Expo 98, oficializada pela Câmara Municipal de Lisboa através do Edital de  06/05/2015.

A Rua Roald Amundsen é uma herança toponímica da Expo 98, subordinada  ao tema Os oceanos: um património para o futuro, tendo nomeado os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, a navegadores e aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou títulos de obras suas e ainda juntou alguns ligados à botânica. Após a reconversão da zona em Parque das Nações foram oficializados 102 topónimos  pelo Edital municipal de 16/09/2009, e mais tarde, pelo Edital municipal de 06/05/2015, foram oficializados mais 60 topónimos do Parque das Nações Norte, onde se inclui esta Rua Roald Amundsen, que se inicia na Rua da Cotovia e vai até ao limite do concelho de Lisboa.

Roald Amundsen em 1906, numa fotografia de estúdio

Roald Engelbregt Gravning Amundsen ( Noruega – Borge/16.07.1872 – 18.06.1928/Ártico) distinguiu-se como explorador das regiões polares, tendo liderado a primeira expedição a atingir o Polo Sul, em 14 de dezembro de 1911, utilizando trenós puxados por cães.

Depois, esteve em digressão pelos Estados Unidos da América a realizar conferências, país a que regressou em 1914, para obter um certificado de voo, sendo o primeiro civil norueguês a consegui-lo. Em 1918, partiu para o Ártico no veleiro Maud embora não tenha conseguido alcançar o Polo Norte depois de dois anos à deriva. Sete anos depois, em 1925, organizou a primeira expedição aérea ao Ártico, chegando então à latitude de 87º 44′ N. No ano seguinte de 1926 conseguiu sobrevoar o Polo Norte no dirigível Norge, com o italiano Umberto Nobile e o norte-americano Lincoln Ellsworth, sendo os primeiros a fazê-lo e ficando Amundsen como a primeira pessoa a chegar a ambos os Polos.

Amundsen nasceu numa família de proprietários de navio e capitães. Aos 16 anos já estudava as regiões polares, tendo como referência a travessia da Groenlândia por Fridtjof Nansen e embora tivesse  frequentado o curso de Medicina optou por  seguir uma vida ligada ao mar e a exploração. Em 1897, com 25 anos, como primeiro oficial, fez parte da tripulação do Belgica  na Expedição Antártica Belga de Adrien de Gerlache. Em 1903, também embarcou no Gjøa, na expedição que iria atravessar a passagem Noroeste que liga os oceanos Atlântico ao Pacífico, na região norte do Canadá. Em junho de 1928, Roald Amundsen embarcou num hidroavião, em Tromso, perto do cabo Norte, para efectuar as buscas do dirigível Itália que levava o aviador Umberto Nobile e foi a última vez que se teve notícias deste explorador.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

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A Rua do inventor da Passarola Voadora, Bartolomeu de Gusmão

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua de São Bartolomeu passou pelo Edital municipal de 13 de dezembro de 1911 a denominar-se Rua Bartolomeu de Gusmão, com a legenda «Inventor dos Aeróstatos/1675 – 1724», em homenagem ao criador  da Passarola Voadora, embora mais de 40 anos depois a legenda tenha passado a «Precursor da Aeronáutica/1685 – 1724» de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 24 de julho de 1958.

Este arruamento da antiga Freguesia de Santiago (hoje, Santa Maria Maior), com início na Rua do Milagre de Santo António e fim na Rua do Chão da Feira,  que segundo Norberto de Araújo corresponde «sensivelmente à setecentista Rua Direita das Portas de Alfofa», veio com a vereação republicana a perpetuar Bartolomeu Lourenço de Gusmão (Brasil- Santos/1685 – 18.11.1724/Toledo -Espanha), filho do português Francisco Lourenço Rodrigues e da brasileira Maria Álvares, que  aos 24 anos inventou um aeróstato – um balão de ar aquecido capaz de voar – e mostrou as suas experiências  a D. João V e à sua corte, em 1709. Por tal feito foi cognominado pelos seus contemporâneos como Padre Voador e o seu invento ficou conhecido como Passarola Voadora. Durante a segunda metade do século XVIII difundiu-se a ideia de que o próprio Bartolomeu de Gusmão teria voado entre o Castelo de São Jorge e o Terreiro do Paço, num aeróstato por ele construído, mas que só se pode entender como uma lenda enquanto não se encontrarem documentos que registem esse acontecimento.

bartolomeu_gusmao_selo-brasileiro-para-serv_aereoEste padre jesuíta estudou no Seminário de Belém, na Baía, com especial empenho em Matemática e Ciências Físicas e aí foi ordenado. Logo aos 15 anos, para resolver o problema de falta de água do Seminário concretizou o seu primeiro invento: uma máquina de elevar água até ao cume do monte onde se encontrava instalada a instituição. Também aí teve importância o reitor do Seminário e seu preceptor, Alexandre de Gusmão,  que aliás era um dos seus 11 irmãos e que se tornou um importante diplomata de D. João V, fazendo com que Bartolomeu em 1718 escolhesse «de Gusmão» como apelido  e o acrescentasse ao seu nome original.

O padre Bartolomeu viveu em Lisboa, de 1701 a 1705, alojado na casa do 3º Marquês de Fontes e regressou em 1708 para ficar até 1724, com algumas interrupções. Houve um interregno entre 1713 e 1715 quando residiu na Holanda, e talvez também em Inglaterra e França. Em 1710 inventou «vários modos de esgotar sem gente as naus que fazem água»; em 1721 foi a vez do «carvão de lama»  e em 1724, da «máquina para aumentar o rendimento dos moinhos hidráulicos». Para desenvolver este trabalho arrendou umas casas em Santa Apolónia, que eram do senhor de Pancas, onde construiu um moinho de vento e fazia observações astronómicas. Sabe-se também que vivia no Vale de Santo António, perto da Bica do Sapato.

Em 1720, Bartolomeu de Gusmão tornou-se bacharel, licenciado e doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra e foi nomeado académico da Academia Real de História, também com a incumbência de redigir a História Eclesiástica do Bispado do Porto. O rei D. João V colocou-o em Lisboa, na Secretaria de Estado, para decifrar mensagens interceptadas aos diplomatas estrangeiros, tanto mais que como poliglota que era, também executou traduções de francês, italiano, flamengo, inglês, grego, latim e hebraico. Em 1722, foi nomeado fidalgo-capelão da casa real.

No entanto, em setembro de 1724 fugiu de Portugal,  por ter sido acusado de bruxaria e judaísmo, fruto da denúncia do padre Luiz Gonzaga à Inquisição. Na viagem de fuga adoeceu e foi internado no Hospital da Misericórdia de Toledo, onde acabou por falecer, com 38 anos de idade, mas ao longo dos séculos seguintes foi recebendo inúmeras homenagens.

Em 1912, houve uma cerimónia de colocação de uma lápide, na esplanada do Castelo de São Jorge, a comemorar a primeira elevação do Aeróstato do Padre Bartolomeu de Gusmão, promovida pelo Aero Club de Portugal, onde estiveram presentes o Tenente Coronel Hermano de Oliveira e o Dr. Veloso Rebelo, encarregado dos negócios do Brasil. Setenta anos depois, o  Memorial do Convento (1982) de José Saramago, colocou Bartolomeu de Gusmão como uma das personagens centrais do romance. E sete anos mais tarde, em 25 de outubro de 1989, foi inaugurada na Alameda das Comunidades Portuguesas, via de acesso ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, uma estátua de pedra sua, da autoria do escultor Mestre Martins Correia, executada no início da década de setenta, quando já dava o seu nome a um Aeroporto da Força Aérea Brasileira. Na década de noventa do séc. XX, a Escola Básica do 2º ciclo sita na Rua da Bela Vista à Lapa nº 43 deixou de ser a Escola Paula Vicente para ter como Patrono Bartolomeu de Gusmão.

Para além disto, Bartolomeu de Gusmão teve honras de retrato em selos de Portugal, Brasil, Paraguai e Vaticano, assim como o seu nome passou a topónimo em inúmeras artérias portuguesas como em Chaves, Damaia, Fernão Ferro, Murtosa, Oeiras, Ovar, Parede, Rio de Mouro e Tires, assim como no Brasil, em Anápolis, Aparecida, Baía, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Mangueira, Minas Gerais, Pernambuco, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Salvador, Santa Catarina, Santos e São Paulo, entre outras.

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua do irmão de Florbela, o Tenente Espanca, no Bairro de Londres

A capa de O Domingo Ilustrado de 12 de junho de 1927

A 1ª página de O Domingo Ilustrado de 12 de junho de 1927

A Rua Tenente Espanca  no Bairro de Londres homenageia o irmão da poetisa Florbela Espanca, Apeles Espanca, que foi consagrado nas placas toponímicas de Lisboa no próprio ano da sua trágica morte a pilotar um avião que se despenhou no Tejo, afundando-se.

Apeles Espanca faleceu no dia 6 de junho de 1927 e 24 dias após a sua morte, em 30 de junho de 1927 a edilidade lisboeta deliberou atribuir o seu nome à Rua C do Bairro de Londres e assim foi fixado pelo Edital municipal de 7 de julho de 1927. A artéria escolhida atravessa a Avenida Santos Dumont, um pioneiro da aviação de nacionalidade brasileira que foi perpetuado em Lisboa ainda em vida, pelo Edital de 2 de abril de 1923. A artéria paralela à Rua Tenente Espanca, a Rua B do Bairro de Londres, veio a consagrar o 1º aviador civil português, 17 anos após a morte deste por despenhamento no Tejo, como  Rua Dom Luís de Noronha, pelo Edital de 1 de dezembro de 1930.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Apeles Demóstenes da Rocha Espanca (Vila Viçosa/10.03.1897 – 06.06.1927/Lisboa) frequentou o Liceu Nacional André Gouveia em Évora, onde no 1º centenário da Escola, em 1941, expuseram a sua pintura modernista. Fez os preparatórios para a Escola Naval em Coimbra e terminou o Curso da Escola Naval sendo então graduado Aspirante de Marinha em 19 de agosto de 1917. Alcançou o posto de 1º Tenente em 1926, ano em que navegou entre Portugal e o Brasil, bem como para o então Congo Belga (hoje, República Democrática do Congo). Em 1927 passou a frequentar o 2º curso de pilotagem do Centro de Aviação Naval de Lisboa com os Tenentes Aires de Sousa, Armando de Roboredo, Cardoso de Oliveira, Ferreira da Silva, Namorado Júnior e Paulo Viana.

Apeles Espanca foi também um pintor modernista, de óleos e aguarelas, cuja obra chegou a ser em parte publicada na revista Ilustração Portuguesa.

Morreu aos 30 anos, em 1927, quando  num num voo de treino para tirar o brevet de piloto-aviador, a bordo do hidroavião Hanriot 33, se despenhou no rio Tejo, afundando-se entre Porto Brandão e a Trafaria e sem nunca ter sido encontrado o seu corpo.

Florbela Espanca (também consagrada numa artéria lisboeta pelo Edital 19/07/1948) dedicou-lhe o livro Máscaras do Destino, que abre com o conto «O Aviador», escrito em fins de 1927 e publicado postumamente em 1931, bem como o soneto «In Memorian» , inserido em Charneca em Flor, também publicado em 1931:

In memoriam

Ao meu morto querido

Na cidade de Assis, “Il Poverello”
Santo, três vezes santo, andou pregando
Que o sol, a terra, a flor, o rocio brando,
Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
Tudo era nosso irmão! — E assim sonhando,
Pelas estradas da Umbria foi forjando
Da cadeia do amor o maior elo!

“Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…”
Ah, Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela em mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
Eu fui na vida a irmã dum só Irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!

 

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do remador e aviador Dom Luís de Noronha

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Dezassete anos após o seu falecimento, o aviador e remador Luís de Noronha deu nome à Rua B do Bairro de Londres, pelo Edital municipal de 1 de dezembro de 1930, junto à Rua Tenente Espanca (colocado na antiga Rua C) e Avenida Santos Dumont (na Rua A).

Rua Dom Luis Maria de Noronha, o primeiro piloto aviador civil português, tinha o brevet nº 1187 do Aero Club de França 1913

De seu nome completo Luís Maria de Noronha (Lisboa/17.03.1888 – 24.07.1913/Lisboa) foi o primeiro piloto aviador civil português, já que detinha o brevet nº 1187 do Aero Club de França  desde 1913, o mesmo ano em que faleceu após se despenhar no Tejo no dia 11 de junho, quando realizava um voo de treino para participar num concurso por ocasião das Festas da Cidade de Lisboa. Sócio do Aero Clube de Portugal e um dos grandes incentivadores da aviação nacional, promoveu a constituição de escolas de aeronáutica. Fez alguns pequenos voos de ensaio no Seixal, utilizando o monoplano Voisin, oferecido ao governo por subscrição pública dos leitores do jornal O Século.

Enquanto desportista Luís de Noronha foi também remador do Clube Naval de Lisboa, tendo vencido diversas regatas. 

O Aero Club De Portugal, fundado em 1909, instituiu desde 1955 a Taça Luís de Noronha para o piloto de avião que tivesse totalizado o maior número de quilómetros.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Praça do Aeroporto

(Foto: João Brito Geraldes , 1967, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: João Brito Geraldes , 1967, Arquivo Municipal de Lisboa)

Como daqui a 2 dias, no próximo dia 7 de dezembro, se comemora o Dia Internacional da Aviação Civil, registamos a lisboeta Praça do Aeroporto,  topónimo fixado cinco anos após a abertura do Aeroporto de Lisboa, pelo Edital municipal de 17/02/1947, conhecida popularmente como Rotunda do Relógio.

Na década de vinte do século passado começou a notar-se a falta de um aeródromo em Lisboa e foi mesmo decidido a sua construção em março de 1928, na Portela de Sacavém, considerada a localização «ideal, dada a ausência de aglomerados urbanos circundantes e, simultaneamente, a proximidade do centro da cidade (5km) e do porto fluvial». Contudo, a construção só se iniciou na década de trinta e o Aeroporto foi aberto ao tráfego em 15 de outubro de 1942.

Na sua reunião de 3/02/1947 a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer de se manter o topónimo Praça do Areeiro, já em uso, e de que ao prolongamento da Avenida Almirante Reis, entre a Praça do Areeiro e o Aeroporto da Portela, fosse atribuído o topónimo Avenida do Aeroporto, bem como que à praça existente no local em que se encontravam a Avenida Alferes Malheiro, a avenida para a qual se propunha o nome de Avenida do Aeroporto, a Estrada de Sacavém e outros arruamentos, fosse atribuído o topónimo Praça do Aeroporto. E assim aconteceu pelo Edital de 17/02/1947.

Edital de 00.00.1947

Edital de 17.02.1947

Freguesias de Alvalade e dos Olivais

Freguesias de Alvalade e dos Olivais

Capitão Ramires, o Aviador morto na I Guerra

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

A alfacinha Rua Capitão Ramires, que liga a Avenida Óscar Monteiro Torres à Avenida Sacadura Cabral, na Freguesia do Areeiro, homenageia o capitão de cavalaria José Joaquim Ramires que se tornou também um dos primeiros aviadores portugueses em 1917.

O Capitão Ramires foi um dos 13 primeiros pilotos militares da escola de aviação militar portuguesa, que receberam o seu diploma no dia 10 de maio de 1917, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa. Os outros aviadores foram António Cunha e Almeida, Aurélio Castro e Silva, Azeredo Vasconcelos, Duvale Portugal, João Luís de Moura, Luís Cunha e Almeida, Miguel Paiva Simões, Olímpio Ferreira Chaves, Pereira Gomes J., Rosário Gonçalves, Sarmento Beires e Sousa Gorgulho.

Em 1914 foi oficialmente constituída em Portugal  a comissão formadora da Aviação Militar, saída do Aero Clube de Portugal, gerando a Escola de Aviação Militar (Exército) e de Aviação Naval (Marinha). As provas finais foram realizadas em Estremoz, como noticiou o Diário de Notícias de 30 de março de 1917: «Ontem, pelas 7 horas, saíram daqui nos mesmos aparelhos os srs. capitão Ramiro e alferes Paiva Gomes, depois de terem feito umas voltas sobre a vila, tendo-se elevado o aparelho do sr. capitão Ramiro à altura de 1:100 metros».

Em 1917, o General Gomes da Costa, comandante do Corpo Expedicionário Português, conseguiu integrar 31 pilotos e 31 mecânicos portugueses no Groupe de Divisions D’Entrainement de Plessis-Belleville.  Quando depois, por determinação do Ministro da Guerra de Sidónio Pais, o General Freitas Soares ordenou o regresso de todo o pessoal da aviação a Portugal, houve 13 pilotos portugueses que não obedeceram a essa ordem e mantiveram-se integrados nas esquadrilhas francesas a combater os alemães, como aconteceu com o Capitão José Joaquim Ramires, na Esquadrilha N-158 com base em Laon, com o avião BR 14-A2 atribuído.

A Rua Capitão Ramires foi dada à Rua C do Bairro Neves Piedade, por deliberação camarária de 02/07/1931, com a legenda «Ilustre Piloto Aviador Morto Durante a Grande Guerra».  Cerca de nove anos depois, foi retirado da legenda a parte «Morto Durante a Grande Guerra», por despacho do Presidente da CML de 27/02/1940.

Refira-se ainda que a escritura de municipalização da Avenida Óscar Monteiro Torres e das ruas Capitão Ramires, David Sousa e Augusto Gil apenas se concretizou em 21 de dezembro de 1932 e, a empreitada da pavimentação dessas ruas foi adjudicada cerca de três anos mais tarde, em 21 de janeiro de 1935. O Bairro Neves Piedade também passou a ser conhecido como Bairro da Bélgica, após a aquisição do Casal do Ramires a Francisco Neves Piedade, bem como da Quinta do Brasileiro a Joaquim Ferreira da Cunha, pela Empresa dos Bairros Urbanos.

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Rua Capitão Ramires na Freguesia do Areeiro, Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

A Avenida do 1º piloto da aviação portuguesa na I Guerra Mundial

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro                                                                                  (Foto: Sérgio Dias)

Óscar Monteiro Torres, o 1º aviador português brevetado e herói da I Guerra Mundial, nasceu como topónimo por deliberação camarária de 02/06/1925 na Rua Oriental do Campo Grande enquanto a Rua Ocidental do Campo Grande, também em Avenida, estava Sacadura Cabral por força do Edital municipal de 07/05/1925.

Contudo no ano seguinte, pelo Edital de 14/09/1926, a Avenida Óscar Monteiro Torres passou a ser a «avenida paralela a esta [a Sacadura Cabral]» e ao sul, a qual já se acha iniciada, e que parte igualmente do lado nascente do Campo Pequeno, em direcção da Estrada das Amoreiras» e foi-lhe acrescentada a legenda «Aviador/1889 – 1917 ( Morto em Combate na Grande Guerra)», por despacho do Presidente da Câmara publicado no Diário Municipal  de 01/03/1940. O mesmo Edital de 1926, colocou numa artéria paralela – na «avenida que partindo do lado oriental do Campo Pequeno, junto da Fabrica de Cerveja Estrela vai em direcção nascente até á Estrada das Amoreiras»-, também em Avenida, outro aviador: Sacadura Cabral.

Óscar Monteiro Torres (Luanda/26.03.1889 – 20.11.1917/Laon – França) foi um capitão de cavalaria que se tornou um herói da aviação portuguesa na I Guerra Mundial. Após a revolta de 14 de maio de 1915, foi escolhido pelo então ministro da Guerra, Norton de Matos, para seu ajudante. Monteiro Torres ofereceu-se para a aviação portuguesa que o ministro da Guerra queria organizar e foi assim  para Inglaterra para obter o diploma de piloto na Escola de Aviação de Hendon, o que conseguiu com a mais alta classificação. Passados três meses rumou a França para a Escola de Aperfeiçoamento de Pau. Regressado a Portugal, Óscar Monteiro Torres organizou e colaborou na Escola de Aviação de Vila Nova da Rainha, conseguindo-se assim que uma divisão portuguesa ficasse pronta para apoiar os Aliados na Guerra. As primeiras tropas portuguesas partiram para França em janeiro e fevereiro de 1917. Contudo, já em território francês, Monteiro Torres não dispunha de aviões que os britânicos só entregariam  aos portugueses em dezembro desse ano e nessa espera, com autorização de Norton de Matos, ofereceu-se ao governo francês que acabou por o integrar na esquadrilha «Spad 65». No combate do dia 19 de novembro de 1917, nos céus de Laon, é ferido e acaba por falecer na madrugada do dia seguinte.

Edital de 14.09.1926

Edital de 14.09.1926

A Rua do piloto de acrobacia aérea pelo seu 110 º aniversário

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide                                                                         (Foto: José Carlos Batista)

Na próxima 5ª feira, dia 21 de Novembro, completa-se o 110º aniversário de Plácido Abreu, aviador acrobático que arrebatou multidões com as suas espectaculares manobras no seu Foguete e, que dá o seu nome ao arruamento que tinha a denominação provisória de Rua Projectada à Rua das Amoreiras, ou Rua B à Rua das Amoreiras, desde a publicação do Edital camarário de 21/12/1960.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 31/08/1960 ocupou-se do despacho do então Presidente da Câmara França Borges, no sentido de serem denominados todos os arruamentos já abertos na cidade, mesmo que incompletos em matéria de construção e, foi neste âmbito que deu parecer favorável à atribuição de vários topónimos em diversos locais de Lisboa, entre os quais este arruamento.

Plácido António Cunha de Abreu (Lisboa/21.11.1903 – 10.06.1934/França) que estudou no Colégio Militar e na Escola Militar e ingressou na Arma de Infantaria, foi um aviador acrobata, que em 1925, como Alferes, escolheu fazer um curso de pilotagem em Sintra, tendo obtido o brevet em 1927 e sendo depois destacado para o Grupo de Aviação de Informação na Amadora. Passou pelo Grupo de Aviação de Bombardeamento em Alverca e, tornou-se piloto-aviador na Escola Militar de Aeronáutica de Sintra em 1931. A partir daí começou a praticar acrobacia aérea, distinguindo-se pelo seu arrojo. No Grande Certame Internacional de Cleveland, em 1932, ficou classificado entre os três primeiros acrobatas não americanos e recebeu convites para várias competições de renome a nível internacional. As  suas electrizantes manobras juntaram 20 mil pessoas num festival aéreo em Alverca e, e 1934, já Capitão, participou no Meeting Internacional de Vincennes, em Paris.

Um mês depois, faleceu no decorrer da 1ª Taça Mundial de Acrobacia Aérea, em Vincennes, despenhando-se contra o solo no seu novo avião “Avro Tutor” ao executar uma manobra de grande risco a baixa altitude, aos 31 anos de idade. Foi homenageado com a realização de um festival aéreo na Amadora e, condecorado, a título póstumo, com a mais alta condecoração francesa, a Legião de Honra, para além de ter sido divulgado o documentário «Tragédia do Ar – A Morte do Capitão Plácido Abreu».

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV                                                                                       (Foto: José Carlos Batista)

A Rua do aviador da 1ª travessia nocturna do Atlântico Sul no seu 120º aniversário

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Sarmento de Beires, o aviador que se notabilizou por concretizar a 1ª travessia nocturna do Atlântico Sul e que hoje comemora o seu 120º aniversário de nascimento tem o seu nome atribuído numa rua de Lisboa, desde a publicação do Edital municipal de 27/02/1978, na Rua F-G-H-I do plano de urbanização do Casal Vistoso (Quinta dos Aciprestes).

Pelo mesmo edital e na mesma urbanização foram dados mais dois topónimos de aviadores que com ele realizaram essa 1ª travessia, a saber, a Rua Jorge de Castilho e a Rua Manuel Gouveia, todos por aceitação de uma sugestão do coronel piloto aviador Edgar Cardoso que recebeu pareceu favorável da Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 20/02/1978.

Com a legenda «Aviador/ 1893-1974» esta artéria homenageia José Manuel Sarmento de Beires (Lisboa/04.11.1893 – 09.06.1974/Porto), um dos pioneiros da aviação portuguesa que enquanto alferes tirou licença de piloto em 11 de Abril de 1917 e, no ano seguinte frequentou várias escolas de aviação em França. Em 1920 tomou parte na tentativa de voo de Lisboa à Madeira e, quatro anos depois concretizou no Pátria, com Brito Pais, a viagem aérea Lisboa-Macau (7 de Abril ) que lhe valeu a promoção a major. Em 1927 fez a primeira travessia nocturna do Atlântico Sul, no Argos, tendo como equipa Duvale Portugal, Jorge de Castilho e Manuel Gouveia, reconhecido pela Liga Internacional dos Aviadores, em carta de 23 de Fevereiro de 1928,  como um dos feitos aeronáuticos mais importantes do ano.

No ano seguinte, em 1928, após em Julho ter participado na última sublevação armada contra contra a ditadura, Sarmento de Beires expatriou-se e passou a trabalhar ao serviço do Governo francês como conselheiro aeronáutico em Hanói até 1930. No ano seguinte regressou clandestinamente a Portugal para organizar o golpe militar de Agosto desse ano, o mais importante do período de rebeliões militares conhecido por Reviralho (1926  – 1940).  Em 1933, Sarmento de Beires foi preso em  Lisboa pela polícia politica e condenado  a 7 anos de desterro e à perda de todos os direitos cívicos durante 10 anos, o que o levou a fixar-se no Brasil como instrutor de aviação, jornalista, escritor, tradutor e, cronista da II Guerra na rádio, só regressando a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Ele já antes tinha aderido ao chamado Grupo da Biblioteca com Aquilino, Abel Manta e Augusto Casimiro e, em 1925 participou no corpo directivo da revista «Seara Nova».

Foi galardoado nos 14º e 15º aniversários da República (1924 e 1925) com a Ordem Militar de Torre e Espada e a Ordem Militar de Cristo, com a Ordem Militar de Santiago da Espada e o grau de Grande -Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada (ambas em 1928) e com o grau de Comendador da Ordem do Império (1964), para além das francesas Legião de Honra  e Ordem do Rei do Camboja.

0 sarmento beires com brito pais