Anda comigo ver a Praça José Queirós

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A Praça de Moscavide e a Praça José Queirós

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais 
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1973 que a Praça  na confluência das Avenidas Infante D. Henrique, Dr. Francisco Luís Gomes e Dr. Alfredo Bensaúde se denomina oficialmente Praça José Queirós  mas a sua denominação vulgar de Praça de Moscavide ainda não se perdeu totalmente.

A Praça de Moscavide nasceu no final da década de trinta do séc. XX.  Datado de 1938  encontramos no Arquivo Municipal o projeto de construção de um novo arruamento entre o Aeroporto e Moscavide, com início na saída de Lisboa entre a Portela e a Encarnação para terminar no nó que será a Praça de Moscavide e mais tarde, em 1941, sabemos que já está executada porque a adjudicação do 2º troço da Avenida Infante D. Henrique refere-o entre o Poço do Bispo e a Praça de Moscavide. A Praça de Moscavide é também dada como referência de limites para o estudo da urbanização da célula A da zona de Olivais Norte de 1959-1960.

A Praça de Moscavide, como era vulgarmente conhecida, passou a ter a denominação oficial de Praça José Queirós pelo Edital de 15 de fevereiro de 1973 mas um contrato de 27 de julho desse ano referia que era para a instalação de um « posto abastecedor de combustíveis líquidos, sito na Praça de Moscavide, actualmente denominada Praça José de Queirós.»

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Hoje a Praça José Queirós é território das Freguesias dos Olivais e do Parque das Nações. Desde 1973 homenageia o pintor José Queirós (Lisboa/13.07.1856 – 31.07.1920),  discípulo de Columbano e de Malhoa que também se tornou um especialista de cerâmica portuguesa. Foi um dos fundadores do Grémio Artístico que viria a originar a Sociedade Nacional das Belas Artes, membro da Sociedade Promotoras de Belas Artes em Portugal (1873 a 1887) e da secção de Arqueologia lisbonense da Associação de Arqueólogos Portugueses, a  que presidiu de 1920 a 1925 e ainda, conservador do Museu  Nacional da Arte Antiga em 1911.

Refira-se que já 41 anos antes, pelo Edital municipal de 19 de abril de 1932,  o nome de José Queirós havia sido dado à Rua B do Casal de Sete Rios, arruamento constante do projeto de melhoramentos para o Casal de Sete Rios, aprovado na sessão de  Câmara de 1 de novembro de 1928 mas que foi um arruamento que nunca saiu do papel e foi executado.

Freguesias do Parque das Nações e dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida do pintor de «O Fado»

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida José Malhoa perpetua desde 1972 em Lisboa o pintor do quadro O Fado, aumentando o tamanho da artéria que lhe era dedicada na cidade desde 1955, por sugestão do Museu José Malhoa, das Caldas da Rainha.

José Malhoa começou por estar consagrado em Lisboa numa Rua de Alvalade, no ano do seu centenário de nascimento. O Edital municipal de 20 de outubro de 1955 identificou as ruas do Bairro de Alvalade com topónimos de figuras ligadas à cultura e às artes e assim, a Rua 55 A do Sítio de Alvalade passou a denominar-se Rua José Malhoa. Mas passados 17 anos,  esta artéria passou a ser a Rua General Pimenta de Castro, pelo Edital municipal de 8 de janeiro de 1972, que também transferiu o nome de José Malhoa para um arruamento maior, no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian até Sete Rios, ganhando a categoria de Avenida.

Este topónimo havia sido sugerido à Comissão Consultiva Municipal de Toponímia pelo então denominado Museu Provincial de José Malhoa – o único museu criado de raiz pelo Estado Novo – , em 1954, já que no ano seguinte seria o de centenário do nascimento do artista caldense. Mais tarde,  na sua reunião de 23 de dezembro de 1970 a Comissão deparou-se com um despacho do Presidente da CML «solicitando parecer sobre a transferência do topónimo que consagrou o nome de José Malhoa, para um arruamento de maior categoria» e quase um ano depois, na reunião de 20 de outubro de 1971,  outro despacho do Presidente da CML pedia «parecer sobre a denominação do arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão», tendo então a Comissão considerado «que a considerável extensão do arruamento, sua localização e importância bem justificam o nome de uma grande individualidade; Considerando ainda que o nome de José Malhoa identifica hoje um pequeno arruamento; A Comissão é de parecer que o arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian, até Sete Rios, se denomine Rua José Malhoa/Pintor/1855 – 1933».

Branco e Negro, 21 junho de 1896

José Vital Branco Malhoa (Caldas da Rainha/28.04.1855 – 26.10.1933/Figueiró dos Vinhos) liga-se ao Fado por em 1909 (1ª versão) e em 1910 (versão final) ter pintado o quadro O Fado, um óleo sobre tela (150  × 183 ) hoje no Museu de Lisboa, que se tornou uma imagem icónica desse estilo de música, a ponto de ser recriada em filmes e mesmo se inicialmente foi mal recebida em Portugal, por causa da sua temática considerada marginal e assim, o quadro foi exposto pela primeira vez em Buenos Aires, em 1910, na Exposição Internacional de Arte do Centenário da República da Argentina, com o título Bajo el Encanto, onde conseguiu a Medalha de Ouro e só foi exposto em Lisboa em 1917. A característica  pintura de costumes de Malhoa produziu outras obras emblemáticas como As Cócegas (1904), Os Bêbados (1907) ou Outono (1918).

Apesar de diplomado pela Academia Real de Belas Artes, onde foi discípulo de Vítor Bastos, Tomás da Anunciação e Miguel Lupi, até ao  sucesso de A Seara Invadida exposta em Madrid, em 1881, lhe renovar as esperanças de carreira, José Malhoa dedicou-se ao comércio para seu sustento. Foi assim que depois aderiu ao naturalista Grupo do Leão. Em Lisboa, pintou os tetos da sala de concerto do Conservatório Real de Lisboa, do Supremo Tribunal de Justiça e do Gabinete Real da Escola Médica de Lisboa, bem como os medalhões do teto dos Paços do Concelho de Lisboa (1889). No concurso que a Câmara Municipal de Lisboa abriu em 1887 para um quadro representando A partida de Vasco da Gama para a Índia, o seu esboceto recebeu a primeira classificação entre os concorrentes, sendo nessa ocasião Malhoa agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo (1888). Malhoa pintou ainda composições históricas de pendor decorativo para o Palácio da Ajuda (1890), Assembleia Constituinte (1891) e  Museu Militar (1907). Foi Presidente da Sociedade Nacional das Belas Artes em 1918. A sua obra está representada nos lisboetas Museu de Lisboa – Palácio Pimenta e Museu de Arte Contemporânea – Museu do Chiado,  bem como no Museu José Malhoa das Caldas da Rainha.

Refira-se que José Malhoa mandou construir  a sua casa em Lisboa sob traçado do Arqº. Norte Júnior, que foi Prémio Valmor 1905 e hoje conhecemos como Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, já que este proprietário posterior a legou ao Estado. A decoração a fresco das fachadas foi executada por Mário Eloy, segundo modelos do próprio Malhoa e de António Ramalho e as esculturas foram obra de Costa Mota. Pertenceu, mais tarde, a Anastácio Gonçalves que a legou ao Estado.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da pintora Maluda que é nome de fado

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A pintora Maluda dá o seu nome a uma Rua da freguesia de Santa Clara desde 2007 e  também a um fado que Carlos Zel lhe dedicou no seu álbum de 1993.

Maria de Lurdes Ribeiro, que se fixou na nossa memória como Maluda,  deu nome à Rua 1 ou arruamento projetado ao Bairro das Galinheiras oito anos após o seu falecimento, por via do Edital municipal de 27 de abril de 2007, nascendo assim a Rua Maluda (Maria de Lurdes Ribeiro), com a legenda «Pintora/1934 – 1999». O mesmo documento municipal colocou também o escultor Barata Feyo na Rua 2 e  a fadista Berta Cardoso na Rua 3.

Autorretrato de 1968

Maria de Lurdes Ribeiro (Índia – Pangim/15.11.1934 – 10.02.1999/Lisboa) começou na pintura como retratista autodidata, integrada no grupo Os Independentes, ainda em Lourenço Marques, onde viveu a partir de 1948. Depois, estudou em Lisboa (1963)  e Paris (1964), cidade onde trabalhou na Académie Grande Chaumiére com os pintores Jean Augame e Michel Rodde, altura em que se começou a interessar por composições da paisagem urbana. Também estudou em Londres e na Suíça (1977).

Maluda radicou-se em Lisboa no ano de 1967 e logo no seguinte pintou os seus primeiros óleos da cidade. Dois anos depois, concretizou a sua primeira exposição individual, na Galeria do Diário de Notícias e a partir daí desenvolveu uma obra artística que somou retratos – com destaque para os de Amália Rodrigues, Ana Zanatti e Aquilino Ribeiro -, serigrafias, tapeçarias, cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio. Em 1970, inaugurou a sua casa-atelier na Rua das Praças, na fronteira da Madragoa com a Lapa. Depois pintou sobretudo Lisboa, a sua luz e o lado geométrico e contrastante da cidade, tendo ficado famosas as suas séries Quiosques de Lisboa e As Janelas de Lisboa. A série dos quiosques foi mesmo consagrada numa coleção de selos editada pelos CTT e ganhou o prémio mundial Melhor Selo em Washington (1987) – para o selo do famoso Quiosque Tivoli da Avenida da Liberdade- bem como ganhou em Perigueux (1989), desta vez pelo seu selo Évora Património Mundial. Em 1984 montou exposições individuais em Nova Iorque, Washington e Dallas ao mesmo tempo que participou na Bienal Ibérica em Campo Maior. Em 1993, o fadista Carlos Zel incluiu no seu álbum Fados o Fado Maluda, com letra de Rosa Lobato de Faria e música de Carlos da Maia.

Maluda foi galardoada com o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes (1979), com os poemas Persiana para Janela de Maluda (I e II) de Alexandre O’Neill em 1981,  com o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (1994),  a Ordem do Infante (1998) pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, para além de, em 2001, José-Augusto França eleger o seu quadro Portel (de 1986) como um dos 100 Quadros Portugueses do Século XX. Refira-se ainda que em testamento, a artista instituiu o Prémio Maluda a atribuir pela Sociedade Nacional de Belas Artes.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Leitão de Barros, do realizador da Severa e criador das Marchas Populares

Leitão de Barros, o realizador de A Severa o primeiro filme sonoro português, exibido em 1931 – e  criador das Marchas Populares de Lisboa em 1932, conhecido como o homem dos sete instrumentos, teve o seu nome perpetuado numa Rua de São Domingos de Benfica, pelo Edital municipal de 4 de novembro de 1970, três anos após o seu falecimento.

A Rua Leitão de Barros resultou de uma sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro,  e ficou no 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares e pelo mesmo Edital municipal o 2º Impasse ficou para a Rua Raquel Roque Gameiro, cunhada de Leitão de Barros e igualmente ilustradora como Helena Roque Gameiro.

José Júlio Marques Leitão de Barros (Lisboa/22.10.1896 – 29.06.1967/Lisboa), homem dos sete ofícios, foi professor do ensino secundário, pintor, cenógrafo, dramaturgo e ainda, jornalista e cineasta (as duas áreas pelas quais ganhou mais fama), bem como aquilo que hoje designaríamos como produtor de eventos.

Foi o pioneiro da primeira geração de cineastas do sonoro, sendo seu o primeiro filme sonoro português, A Severa, em 1931, a partir do romance de Júlio Dantas. Leitão de Barros começou em 1918 como cineasta com Malmequer e Mal de Espanha, distinguindo-se depois pelas suas super produções históricas como Bocage (1936), Inês de Castro (1945) ou Camões (1946), para além de Maria do Mar (1930), Lisboa, Crónica Anedótica (1930), As Pupilas do Senhor Reitor (1935),  Maria  Papoila (1937), Ala Arriba! (1942) ou Vendaval Maravilhoso (1949), no qual Amália Rodrigues integrou o elenco.  No documentário, salientam-se os seus Sidónio Pais – Proclamação do Presidente da República (1918), Nazaré (1927),  Legião Portuguesa (1937), Mocidade Portuguesa (1937), A Pesca do Atum (1939), Comemorações Henriquinas (1960), A Ponte da Arrábida Sobre o Rio Douro (1961) ou A Ponte Salazar sobre o Rio Tejo em Portugal (1966).  Leitão de Barros foi também o principal animador da construção dos estúdios da Tobis Portuguesa, na Quinta das Conchas, no Lumiar.

Leitão de Barros frequentou a Faculdade de Ciências e a de Letras mas  acabou por concluir o curso de arquitetura na  Escola de Belas Artes de Lisboa e o curso da Escola Normal Superior de Lisboa, após o que   foi professor de Desenho, Geometria Descritiva e Matemática nos liceus Camões e Passos Manuel. Casou em 17 de agosto de 1923 com a ilustradora Helena Roque Gameiro (1895 – 1986), a 2ª filha de Alfredo Roque Gameiro.

Em 1916 iniciou-se no jornalismo. Fundou e dirigiu O Domingo Ilustrado (1925-1927) e O Notícias Ilustrado (1928-1935). Colaborou nos jornais O Século – onde criou O Século Ilustrado e a Feira Popular de Lisboa, em 1943 -,   A Capital,  ABC, assim como na revista Contemporânea e na de cinema Movimento, tendo sido o Diário de Notícias a sua última tribuna, de 1953 a 1967, onde saía aos domingos a sua crónica semanal «Os Corvos».

Nas décadas de trinta e quarenta, Leitão de Barros investiu em eventos de animação da cidade. Começou as Marchas Populares em 1932, no Capitólio, para revitalizar o Parque Mayer, sendo que em 1934 já foram cerca de 300 mil pessoas que assistiram ao desfile da Praça do Comércio ao Parque Eduardo VII. Depois, foram os monumentais cortejos como o Cortejo das Viaturas (1934), os Cortejos das Festas da Cidade (em 1934 e 1935), o da Embaixada do século XVIII (1936),  o Cortejo e o Torneio Medieval dos Jerónimos (1938) e o Cortejo Histórico de Lisboa (1947).  Em 1939 e 1940, foi o Secretário Geral da Exposição do Mundo Português e o  responsável pela Nau Portugal.  Foi agraciado com a comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada em 1935 e com o Grande- Oficialato da Ordem Militar de Cristo em 1941. Também foi o organizador das receções triunfais a Franco (1949) e à Rainha Isabel II (1957).

Como pintor, dispunha de  ateliê na Rua D. Pedro V e expôs em museus portugueses, no Museu de Arte Contemporânea de Madrid e ainda, no Brasil. Foi também cenógrafo e dramaturgo de muitas peças que subiram à cena em Lisboa, nomeadamente no Teatro Nacional, para além de ter sido diretor da Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Professor da António Arroio, Cipriano Dourado

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor e professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio, Cipriano Dourado, está desde o ano do seu falecimento consagrado numa artéria do Lumiar, tendo sido acompanhado no mesmo Edital municipal pelo também pintor José Escada.

A partir da Proposta nº 13/81, aprovada em reunião de Câmara de 23/03/1981, foi o nome de Cipriano Dourado dado ao arruamento de ligação da Rua Francisco Stromp ao Campo Grande (incluindo o troço norte-sul da Rua Actor António Silva), o que foi fixado pelo consequente Edital de 4 de dezembro de 1981. Por esse mesmo edital e na mesma freguesia, mas na zona de Telheiras, foi inscrito também numa rua o nome do pintor José Escada.

Cipriano Dourado (Mação- Penhascos/08.02.1921 – 17.01.1981/Lisboa) foi um artista que se dedicou à gravura, ao desenho, à ilustração, à pintura e à aguarela, tendo como os temas mais frequentes da sua obra a mulher e a terra. Por alguns foi considerado neorrealista, nomeadamente por em 1953 ter participado numa experiência conhecida como Ciclo de Arroz, com Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Alice Jorge e António Alfredo, em que todos percorreram os campos dos arrozais do Ribatejo em busca de inspiração e Cipriano Dourado criou as suas litografias intituladas Plantadoras de Arroz.

Na Escola de Artes Decorativas António Arroio foi docente das disciplinas de desenho, gravura e artes gráficas, de 1978 a 1981.

Cipriano Dourado começara a trabalhar bem novo, como desenhador-litógrafo pelo que só mais tarde, a partir de 1939 , frequentou um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière, em Paris e em 1956, foi um dos membros fundadores da Gravura- Sociedade Cooperativa de Gravadores, tendo integrado a direção e a comissão técnica.

Como ilustrador, trabalhou em numerosos livros de poesia e prosa de Armindo Rodrigues,  Augusto Gil,  D. H. Laurence, José Carlos de Vasconcelos, Mário Braga, Orlando da Costa, Orlando Gonçalves e Pablo Neruda, para além de ter colaborado com periódicos como, entre outros, a Árvore-Folhas de Poesia, a Cassiopeia-Antologia de Poesia e Ensaio, a Colóquio-Letras, a Seara Nova ou a Vértice.

Refira-se ainda que Dourado desenhou 4 selos dos CTT para uma Emissão Comemorativa do Ano da Conservação das Zonas Húmidas (1976), foi membro do júri da I Exposição Nacional de Gravura na Fundação Calouste Gulbenkian (1977) e também integrou os corpos dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no Museu da CGTP, no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), no Museu Armindo Teixeira (Mirandela), no Museu Dr. João Calado Rodrigues (Mação), no Museu Municipal Manuel Soares (Albergaria), no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (Estremoz), no Museu de Angola e, em numerosas coleções particulares.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do professor de Liceu e pintor António Saúde

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Saúde, pintor e professor de Liceu, dá nome ao troço da Estrada do Calhariz de Benfica, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua F, incluindo o arruamento de acesso às traseiras desta Rua e a Praceta adjacente, na Freguesia de São Domingos de Benfica, desde 1972.

Para dar resposta aos moradores desta zona que solicitavam designação para os arruamentos onde residiam a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 a Rua António Saúde, bem como a Rua Ten. Coronel Ribeiro dos Reis na Rua F à Estrada do Calhariz de Benfica.

António Manuel da Saúde ( Lisboa/02.07.1875 – 24.12.1958/Lisboa) foi um pintor naturalista, do chamado paisagismo português, discípulo de Carlos Reis e Silva Porto,  que como professor exerceu  nos Liceus de Santarém e no Gil Vicente e Passos Manuel, em Lisboa.

Formado em Desenho e Pintura de Paisagem na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expôs pela primeira vez em 1899, na última Exposição do Grémio Artístico. Integrou a Sociedade Silva Porto, constituída em 1900 pelo próprio António Saúde, junto com Falcão Trigoso e  Alves Cardoso, a que depois também se associaram Armando Lucena, Frederico Aires e José Campas.

Destacam-se os seus quadro Manhã de Outono – Lousa (1901), Dia de Trovoada, Chão da Serra, Ruas em Góis (1912), Arredores de Abrantes (1915), A Ponte da Ribeira de Calvos (1943), Caramulinho (1952), Praia da Rocha ou Margens do Sena.

A sua obra foi premiada em diversas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo sido o  1º prémio Silva Porto do  Secretariado Nacional de Informação, assim como  como também o foi no Panamá, em Sevilha, no Rio de Janeiro, estando a sua obra patente no Museu de Sevilha, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu Regional Grão-Vasco e no Museu do Chiado.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Professor de Pintura Histórica, Miguel Lupi

Capa de Occidente, 21 de março de 1883

Miguel Lupi que foi Professor de Pintura Histórica e de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes de Lisboa dá nome a uma das duas ruas do Bairro Brandão desde 1902, na freguesia da Estrela.

Manuel Francisco de Almeida Brandão construiu um Bairro com o seu nome tendo o Edital municipal de 1 de agosto de 1902 dado à Rua Um do Bairro Brandão o nome de Rua Almeida Brandão e à artéria que parte da Calçada da Estrela, de nordeste para sudoeste fazendo cotovelo, em sentido perpendicular à Rua Almeida Brandão, denominou-a Rua Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Miguel Ângelo Lupi (Lisboa/08.05.1826 – 26.02.1883/Lisboa),  filho de Francisco Lupi , de origem italiana, e de Maria Soriana do Carmo, foi pintor toda a sua vida mas após concluir o curso de Desenho Histórico da Academia de Belas Artes de Lisboa em 1843, teve de ingressar no funcionalismo público para sobreviver, tendo trabalhado na Imprensa Nacional (1849- 1851), na Junta da Fazenda Pública em Luanda (1851 – 1853) e no Tribunal de Contas (a partir de 1855).

Em 1860, fez um retrato de D. Pedro V para a Sala de Audiências do Tribunal de Contas, que lhe trouxe sucesso e lhe valeu uma bolsa para estudar para Roma até novembro de 1863. A partir daqui conseguiu o lugar de professor das disciplinas de Pintura Histórica bem como de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes. A pintura de Lupi incidiu fundamentalmente no retrato dos ricos e famosos da época – como António Feliciano de Castilho, o 1º Duque de Ávila e Bolama, D. Luís I, Filipe Folque ou Bulhão Pato – embora também tenha pintado cenas da vida familiar e da sociedade portuguesa, nus e alegorias, para além de temas históricos, como o seu famoso óleo Marquês de Pombal examinando o projeto da reconstrução de Lisboa (1881), que foi o seu último quadro e está exposto na sala das sessões privadas da Câmara Municipal de Lisboa.

Também foi incumbido em 1867 de ir em comissão do governo a Paris, averiguar dos trabalhos do monumento a D. Pedro IV que ali se estava a ser executado, assim como em 1879, publicou as suas Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico.

Os seus quadros Mãe (1871) e Lavadeiras do Mondego (1878) foram premiados em Madrid e Paris e a sua obra está representada no Museu do Chiado e no Museu de Lisboa, bem como em diversas instituições oficiais para as quais executou retratos e cenas históricas. Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Miguel Lupi faleceu aos 56 anos de idade, na sua casa no nº 218 da Rua de São Bento.

Onze anos depois da atribuição da Rua Miguel Lupi, pelo Edital municipal de 16/05/1913, o arruamento que nasce frente ao nº 44 da Rua Miguel Lupi recebeu a denominação de Travessa Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Frederico George, membro da 2ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O arqº Frederico George integrou a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós 25 de Abril, a de 1976, e passou a dar o seu nome a uma Rua de Telheiras, na freguesia do Lumiar, dois anos após o seu falecimento.

Esta 2ª Comissão Municipal de Toponímia foi designada por despacho de 14 de junho de 1976 e realizou a sua primeira reunião no dia seguinte. De acordo com as Atas, era presidida pelo Dr. Augusto de Azeredo Costa Santos e tinha como membros o Dr. Fernando Castelo Branco em representação da CML, e mais três personalidades convidadas: o Dr. Jacinto Baptista, o Prof. Dr. José Augusto França e o Prof. Arqtº Frederico George. No último mês de 1976, passou a ser presidida pelo Dr. Orlando Martins Capitão contando com o Dr. Fernando Castelo Branco e o Prof. Arqtº Frederico George como membros.

Um princípio essencial definido por esta Comissão, na esteira do já defendido pela primeira pós 25 de Abril, foi o de não alterar toponímia tradicional, como se pode ler na Ata da reunião de 15 de junho de 1976: «O professor doutor José Augusto França, lembrou a existência de nomenclaturas tradicionais na toponímia de Lisboa, e propôs que, só em casos muito excepcionais, se encarasse a hipótese da sua alteração, não só pelas razões que lhes deram origem, como ainda porque essas alterações provocam sempre grandes inconvenientes, quer para os munícipes, quer para os próprios serviços. Submetida à votação, foi a referida proposta aprovada por unanimidade.»

A Rua Frederico George, com a legenda «Arquitecto e Pintor/1915 – 1994», situada  a partir da confluência da Rua Prof. Prado Coelho e a Rua Armindo Rodrigues até chegar à Rua Daniel Santa Rita, foi atribuída por Edital municipal de 24/09/1996 à Rua B do Alto da Faia e Rua A de Telheiras Norte III. Mais tarde, juntar-se-ão nas proximidades, também em Ruas, os arqºs Daniel Santa Rita (16/02/2005) e Conceição Silva (Edital de 01/08/2005).

autorretrato de Frederico George de 1939

Frederico Henrique George (Lisboa/15.11.1915- 26.01.1994/Lisboa), nascido na freguesia de Santa Isabel, filho de pai inglês e mãe portuguesa, estudou à noite na Escola de Artes Decorativas António Arroio e formou-se em pintura (1936) e em arquitetura (1950) pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, seguindo uma carreira de cenógrafo, arquiteto, designer e professor universitário.

É obra sua na cidade de Lisboa o Museu da Marinha (1962) e o Planetário Calouste Gulbenkian (1965) , em Belém, zona onde já havia participado nas pinturas murais da Exposição do Mundo Português (1940), bem como com Manuel Magalhães e Daciano Costa, o Hotel Penta (1975) ou o edifício de escritórios do Metropolitano de Lisboa (1983), a recuperação do Palácio Pancas Palha (1991) e o Pavilhão Gimnodesportivo do Casal Vistoso (1992). Frederico George também desenvolveu os planos de recuperação do Palácio Fronteira (1958 e 1988) e diversos projetos de análise do território e urbanismo para a Câmara Municipal de Lisboa e para o Ministério das Obras Públicas (1969 a 1976) como os blocos de habitação social em Olivais Sul de 1961-1963; executou as Exposições comemorativas do V Centenário do Infante D. Henrique (1958-1960), o Pavilhão de Portugal na Exposição Comemorativa do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (1964) e com Daciano Costa, traçou o Pavilhão de Portugal da Expo Internacional de Osaka (1970).

Como professor, Frederico George começou nas escolas de ensino técnico de Lisboa e Setúbal e a partir de 1940 na Escolas de Artes Decorativas António Arroio – onde veio a introduzir o ensino do Design – para a partir de 1957, ser Professor do Curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, desempenhando assim um importante papel pedagógico na formação dos artistas da geração seguinte. Sofreu um interregno de 1948 a 1955, período em que foi exonerado da docência por ter subscrito a candidatura do General Norton de Matos à presidência da República. Também no seu atelier reuniu um conjunto de colaboradores que continuaram o seu legado, particularmente no desenvolvimento e ensino do Design em que foi pioneiro, como Daciano Costa, Fernando Conduto e Sena da Silva. Refira-se ainda que Frederico George participou na 1.ª Exposição de Design Português (em 1971) e defendeu com empenho a profissionalização do Designer em Portugal. Em 1972 foi encarregue pelo Ministério da Educação do estudo para a reforma do ensino de arquitetura e, em 1992, foi ainda o responsável pela criação de novos cursos universitários. Colaborou no Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa, editado em 1961 e publicou Considerações sobre o Ensino da  Arquitectura, a sua dissertação de 1963. 

Na sua vertente de pintor, iniciada na década de 40 do séc. XX com quadros figurativos e estrutura de raiz cubista, marcou presença na II Exposição Geral de Artes Plásticas (1947) e Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas-Artes tendo alcançado, entre outros, o Prémio Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes (1936), a 1ª Medalha da SNBA (1945), o Prémio Columbano  (1946) e o Prémio Silva Porto (1947), ambos  do SNI. A sua obra está representada no Museu do Chiado e na Fundação Calouste Gulbenkian. Frederico George foi também galardoado com o oficialato da Ordem de Cristo (1941), a Grã Cruz da Ordem de Mérito (1989), o Prémio  de Arquitectura da AICA (1994) e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Técnica de Lisboa (2001).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Domingos Rebelo, o pintor etnógrafo dos Açores

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

O pintor Domingos Rebelo que desde 2004 dá nome a uma rua de Carnide era um dos que, como Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Francisco Smith  ou Manuel Bentes -, frequentava o estúdio nº 21 que Amadeu de Sousa Cardoso arrendara em 1908, em Paris, no 14 Cité Falguiére.

Numa entrevista de Domingos Rebelo ao jornal O Século, em 20 de outubro de 1970, o pintor recordou que « […] o atelier de Amadeo de Sousa Cardoso, no 14 Cité Falguière, que era de todos nós o que vivia com maior abastança, pois era filho de uma rica família de Amarante […] tornou-se um centro de reunião. Iam lá todas as noites o Manuel Bentes, o Ferraz, o arquitecto Collin, o Emmérico Nunes e eu. […] .»

A Rua Domingos Rebelo foi um topónimo proposto pelos jornalistas António Valdemar e Appio Sottomayor enquanto membros da Comissão Municipal de Toponímia, e atribuído à Rua C à Quinta do Bom Nome, com início e fim na Rua José Farinha, pelo Edital  municipal de 10/02/2004. Pelo mesmo Edital e na mesma Freguesia de Carnide, foi também atribuído o nome da pintora Maria de Lourdes de Mello e Castro na Rua B à Avenida Professor Francisco da Gama Caeiro.

Autorretrato

Autorretrato

Domingos Maria Xavier Rebelo (Ponta Delgada/03.12.1891 – 11.01.1975/Lisboa) foi um pintor açoriano que se especializou na temática religiosa e nos cenários rurais da sua terra natal o que lhe valeu o título de Pintor Etnógrafo dos Açores, destacando-se da sua obra o quadro Os Emigrantes (1926) e os frescos da Igreja de São João de Deus (1953), em Lisboa.

Domingos Rebelo estudou no Colégio Fisher, e o seu mestre de talha, João Soares Cordeiro, incentivou-o a seguir uma carreira artística pelo que em 1912, quando estudava em Paris, retratou-o. Foi graças ao apoio desse professor que começou a expor logo aos 13 anos e aos 15 partiu para Paris, para estudar a expensas dos Condes de Albuquerque. Em 1911, aos 20 anos, expôs na Exposição dos Livres, ao lado de Alberto Cardoso, Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Francisco Álvares Cabral, Francisco Smith e Manuel Bentes. Foi também professor e diretor (1940 – 1942) da Escola Velho Cabral/Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada.  Em 1942, aos 49 anos, veio fixar residência em Lisboa e completou a obra a fresco iniciada pelo pintor Sousa Lopes (quatro dos sete painéis que decoram o Salão Nobre da Assembleia da República), para além de ter dirigido a Biblioteca-Museu do Ensino Primário, em Benfica, junto da Escola do Magistério Primário de Lisboa.

A sua obra artística incluiu ainda composições para tapeçarias, como as que se encontram na Cidade Universitária de Coimbra, bem como miniaturas em barro de cariz etnográfico e foi galardoado com a Medalha da Sociedade Nacional de Belas Artes (1925), os Prémios Silva Porto (1937), Rocha Cabral e Roque Gameiro, bem como com a  Primeira Medalha em aguarela no Salão do Estoril.

Domingos Rebelo foi ainda diretor e vogal da Sociedade Nacional de Belas Artes (1947 – 1970) e a sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, Museu da Marinha, Museu Carlos Machado de Ponte Delgada e inúmeras igrejas. A Escola de Artes e Ofícios Velho Cabral, inaugurada no ano do seu nascimento e que o artista frequentou,  passou a partir de 1979 a ostentar o seu nome como Escola Secundária Domingos Rebelo.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)