A Rua de Alexandre Herculano em Alcântara

Alexandre Herculano na Revista Contemporanea de Portugal e Brazil, abril de 1859

A artéria que hoje identificamos como Rua Fradesso da Silveira foi no período de 18 de janeiro de 1878 a 31 de dezembro de 1888 a Rua de Alexandre Herculano.

Esta atribuição foi do Governo Civil de Lisboa «Atendendo ao pedido da Câmara Municipal do Concelho de Belém, em homenagem à memória do prestante cidadão que foi o primeiro presidente daquele município, para que seja denominado ‘Rua de Alexandre Herculano’ o prolongamento do novo atêrro marginal do Tejo, desde a ponte sôbre a Ribeira de Alcântara até ao Largo das Fontainhas», sendo assim definida a Rua de Alexandre Herculano  desde a ponte da Ribeira de Alcântara até ao Largo das Fontaínhas.

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (Lisboa/28.03.1810 – 13.09.1877/Vale de Lobos) que foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Belém – em 1854 e 1855-, teve o seu nome atribuído pela 1ª vez como topónimo em Lisboa cerca de 4 meses após a sua morte, por Edital do Governo Civil de Lisboa de 18 de janeiro de 1878,  pertencendo então ao concelho de Belém. Contudo, 9 anos depois, o Edital municipal de 10 de janeiro de 1888, alterou o topónimo para Rua Fradesso da Silveira, e ainda hoje se mantêm assim na Freguesia de Alcântara. Assim, se evitou a confusão de duas ruas com o mesmo nome no concelho de Lisboa já que esta Rua de Alexandre Herculano desde 1885 pertencia ao concelho de Lisboa e uma deliberação da Câmara Municipal de Lisboa de 6 de maio de 1882 atribuíra o topónimo Rua Alexandre Herculano à artéria perpendicular à Avenida da Liberdade dirigida para o Largo do Rato, ao mesmo tempo que também instituía nesta zona a Rua Castilho, a Rua Barata Salgueiro, a Rua Mouzinho da Silveira, a Rua Passos Manuel (depois Rua Rosa Araújo pelo Edital de 19/04/1887) e a Praça do Marquês de Pombal.

Em 1954, a Rua Fradesso da Silveira que havia sido a Rua de Alexandre Herculano (Foto: Judah Benoliel © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

 

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Do Beco à Travessa do Fala-Só

A Travessa do Fala-Só em 1944
(Foto: Eduardo Portugal © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

O Beco do Fala-Só passou a ser a Travessa do Fala Só por Edital do Governo Civil de Lisboa de 29 de novembro de 1877, por sugestão de diversos proprietários de prédios desse arruamento, considerando «que ultimamente ali foram realisados melhoramentos de que resultou ficar uma espaçosa via de comunicação».

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo considera que  o topónimo «deve o seu nome, decerto, a algum morador que teria aquela alcunha» e aventa que antes de ter sido o Beco do Fala Só possa ter sido a «rua para cima da Glória». E tudo parece indicar que seja um topónimo oitocentista, uma vez que não surge no Sumário de 1551 de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, nem na Memória Paroquial de São José de 1758, nem nas plantas da remodelação paroquial de 1770 onde a Rua das Taipas nasce na Calçada da Glória. Contudo, como regista o investigador olisiponense Gustavo de Matos Sequeira, o Beco surge em meados do séc. XIX.  Em 1857, na cartografia de Filipe Folque encontramos o Beco do Fala-Só a unir a Calçada da Glória à Travessa de Santo António (da Glória), em paralelo e abaixo da então denominada Rua de São Sebastião das Taipas ( que desde o Edital municipal de 17/10/1924 é a Rua das Taipas), bem como em diversos documentos municipais a partir de 1883, nomeadamente, um requerimento dos moradores de 31 de janeiro de 1883, a solicitar o isolamento do terreno em plano inclinado que na travessa fazia recanto, por servir de latrina pública e outras ações consideradas menos decentes.

Pastor de Macedo ainda menciona que nesta artéria morou e faleceu a atriz Virgínia Farrusca – referida por Sousa Bastos na sua Carteira do Artista – , viúva do ator Eduardo Augusto Farrusca.

Freguesia de Santo António

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Publicação municipal de toponímia do Largo Padre Filipe Carreira Rosário

A publicação municipal de toponímia referente ao Largo Padre Filipe Carreira do Rosário, na Freguesia de Carnide, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, já está online.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

 

 

 

 

 

 

 

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

 

Do Pátio à Rua do Cais da Alfândega Velha e o nascimento da Travessa da Alfândega Velha em 1874

A Rua do Cais da Alfândega Velha em 1967
(Foto: Vasco Gouveia de Figueiredo © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

A pedido da Câmara Municipal de Belém, o Governo Civil de Lisboa, pelo seu Edital de 7 de novembro de 1874, determinou que o Pátio da Alfândega Velha, também conhecido como Largo da Alfândega Velha, se designasse Rua do Cais da Alfândega Velha, bem assim como atribuiu o topónimo Travessa do Cais da Alfândega Velha.

Determinou esse Edital no seu artigo 3º que «O antigo caminho que dá serventia do largo das Cavallariças Reaes para o Largo do Marquez d’Angeja, conhecido pelas denominações de “Pateo” ou “Largo” da Alfandega Velha, pertencente á freguezia de Belem, será denominado “Rua do Caes da Alfandega Velha». No seu artigo 4º, deliberou também em conformidade que «considerando egualmente o pedido da Camara  Municipal de Belem para que se dê uma denominação á nova Travessa aberta da Rua da Junqueira para o lado do Tejo no sitio chamado “Alfandega Velha” e para que se fixe a denominação do caminho parallelo áquela Travessa, a que uns chamam Pateo e outros Largo da Alfandega Velha”.

O Pátio da Alfândega Velha, onde estavam as antigas cavalariças reais  já aparece assim mencionado na carta topográfica de Filipe Folque de 1858 e, onze anos depois, em julho de 1869, encontramos um ofício do estribeiro-mor da Repartição das Reais Cavalariças para o vice-presidente da Câmara Municipal de Belém, Joaquim José dos Anjos a comunicar que não autoriza o corte de parte de uma pequena casa ou barraca das reais cavalariças, no Pátio da Alfândega Velha, necessário ao alinhamento da nova travessa que vai do pátio à então Rua Direita da Junqueira, alegando que nessa pequena casa vive um criado dessas cavalariças, com a esperança de que quando o criado for para outra casa é que podem autorizar o corte, o que foi comunicado em março de 1871 ao presidente da Câmara Municipal de Belém, Pedro Augusto Franco.

De 1879 a 1880, encontramos a Rua do Cais a Alfândega Velha mencionada em licenças para manter gado caprino no local. Após a transferência do território de Belém para o concelho de Lisboa em 1885,  temos em 1 de junho de 1888 melhoramentos aprovados em sessão de câmara para o local, que inclui a Rua do Cais da Alfândega Velha, a avenida Marginal, as antigas cavalariças reais, a Travessa da Alfândega Velha,  a Travessa de Santo António à Junqueira, a Travessa da Pimenteira, a Travessa do Pinto, a Travessa da Guarda, a Travessa da Praia, o Largo do Marquês de Angeja, a Travessa da Galé, a Rua da Praia da Junqueira, o antigo Cais de Belém, a Travessa dos Algarves, a Rua das Freiras Salésias [desde 12/08/1963 é a Rua Alexandre Sá Pinto], a Rua do Embaixador, o Boqueirão da Cordoaria e o Boqueirão do Porto Franco, onde se englobam os arruamentos projetados nos terrenos conquistados ao Tejo pelas obras do Porto de Lisboa. Na década seguinte também se encontram documentos do alinhamento da Rua do Cais da Alfândega Velha, tal como com data de 1 de outubro de 1910 se depara uma planta com melhoramentos projetados pela Câmara Municipal de Lisboa e pelo Porto de Lisboa para o alinhamento dessa artéria.

Pelo mesmo Edital do Governo Civil de 7 de novembro de 1874, foram também alterados os seguintes topónimos: o Beco da Linheira  passou a ser a Travessa do Ferragial, a Rua da Praga foi integrada na Rua do Cardal e ganhou o acrescento São José e a Travessa das Moças tornou-se a Travessa do Olival a Santos.

Freguesia de Belém

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Da Rua da Praga à Rua do Cardal de São José dos Carpinteiros

A Rua do Cardal de São José em 1907
(Foto: Machado & Souza, © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

A pedido dos moradores da Rua da Praga esta passou a integrar a Rua do Cardal da qual seguia como prolongamento, unindo o arruamento daí resultante com o topónimo de Rua do São Cardal de São José por terminar em frente do templo de São José dos Carpinteiros, o que se processou através do Edital do Governo Civil de Lisboa de 7 de novembro de 1874.

O olisipógrafo Gomes de Brito, no seu Ruas de Lisboa refere que  «Em sessão [ de Câmara] de 17 de Agosto de 1874 foi lido o ofício do Governador Civil de Lisboa, acompanhando o requerimento dos moradores da Rua da Praga, pedindo, pelos motivos que alegavam, que o nome desta rua fosse substituído pelo de Rua do Cardal de S. José », solicitação a que a edilidade lisboeta deu parecer favorável «dizendo que a Vereação nenhuma dúvida tem em que se faça a substituição requerida.»

Cardal significa terra de catos e na carta topográfica de Lisboa de 1856 elaborada por Filipe Folque também se encontra o Cardal de Santo António e o Cardal da Graça. Nesta Cardal de São José evoca-se a proximidade à Igreja Paroquial de São José que foi também denominação da Freguesia, designada originalmente São José de Entre as Hortas quando em 1567 foi criada por desanexação da freguesia de Santa Justa. Hoje, a Rua do Cardal de São José liga a Rua da Fé à Travessa Larga e é território sob administração da Freguesia de Santo António.

A igreja de São José dos Carpinteiros teve origem numa pequena ermida em 1545 e vinte e dois anos depois, em 1567, foi elevada a paroquial. Em meados do séc. XVII conheceu obras de ampliação e após o terramoto de 1755, foi reedificada e está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Ainda no séc. XIX, a Rua do Cardal de São José, foi alvo de um memorial de João Henrique da Costa Sermenho sobre a melhor ocasião para construção de passeios de pedra miúda, para melhorar o trânsito a pé e ajudar no declive do cruzamento com a rua do Carrião (1881-10-17) e teve um alinhamento aprovado em sessão de câmara de 14 de abril de 1890.

Pelo mesmo Edital do Governo Civil de 7 de novembro de 1874, foram também alterados os seguintes topónimos: o Beco da Linheira  passou a ser a Travessa do Ferragial, a Travessa das Moças tornou-se a Travessa do Olival a Santos, o Pátio ou Largo da Alfândega Velha  mudou para Rua do Cais da Alfândega Velha, assim como uma nova travessa aberta na Rua da Junqueira ganhou a denominação de Travessa do Cais da Alfândega Velha.

A Rua do Cardal de São José em 1881
(Planta: Francisco Goullard, © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

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Do Beco da Linheira à Travessa do Ferragial

A Travessa do Ferragial cerca de 1945
(Foto: Fernando Martinez Pozal, © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Hoje na Freguesia de Santa Maria Maior e a ligar a Calçada do Ferragial à Rua Vítor Cordon, a Travessa do Ferragial  nasceu por Edital do Governo Civil de Lisboa de 7 de novembro de 1874 como novo topónimo do Beco da Linheira, na altura na freguesia dos Mártires e de São Julião do Bairro Central, por solicitação da Câmara Municipal de Lisboa, a partir de uma proposta do vereador Francisco Margiochi aprovada na edilidade lisboeta em 17 de agosto de 1874.

O quinhentista sítio do Ferragial é uma denominação que evoca uma planta de pasto e permaneceu no casco velho da cidade em três topónimos: a Calçada, a Rua e a Travessa, todos com a administração hoje repartida pelas freguesias de Santa Maria Maior e Misericórdia.

Ferragial provém do latim farrago e serve para designar o campo onde se cultivam cereais que ceifados verdes e antes de espigar servem de pasto para animais. De acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, « Já no “Sumário” encontramos, em 1551, na freguesia dos Mártires as ruas de Cima e do Ferregial. O “Itinerario lisbonense” descrimina bem: Ferregial de Baixo, a primeira à direita, subindo pela rua do Alecrim e termina na Calçada do Ferregial; Ferregial de Cima, a última à direita, entrando na rua de S. Francisco da Cidade, da parte do Chiado e termina ao tesouro velho.» Ainda segundo Luís Pastor de Macedo, a Travessa do Ferragial também terá sido chamada Calçadinha do Arroz.

Por este mesmo Edital do Governo Civil de 7 de novembro de 1874, foram também alterados os seguintes topónimos: a Travessa das Moças passou a Travessa do Olival a Santos, a Rua da Praga passou a integrar a Rua do Cardal de São José, o Pátio ou Largo da Alfândega Velha  mudou para Rua do Cais da Alfândega Velha, assim como uma nova travessa aberta na Rua da Junqueira ganhou a denominação de Travessa do Cais da Alfândega Velha.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior

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Da Travessa das Moças à Travessa do Olival a Santos

A Travessa do Olival a Santos em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Hoje na Freguesia da Estrela, a ligar a Rua Presidente Arriaga à Rua do Olival, está a Travessa do Olival a Santos que nasceu por Edital do Governo Civil de Lisboa de 7 de novembro de 1874 como novo topónimo da Travessa das Moças. A proposta partira do vereador municipal Dr. Isidoro Viana que viu aprovada em Câmara a sua proposta para solicitar ao Governo Civil de Lisboa a alteração do topónimo Travessa das Moças para Travessa do Olival a Santos.

Luís Pastor de Macedo nas suas Peregrinações em Lisboa ( vol. IV) aponta que em 1705 esta seria a travessa da Rua do Olival, como é referida no Livro IV de óbitos de Santos. Este olisipógrafo, tal como Gomes de Brito no seu Ruas de Lisboa ( vol. II), concordam que depois a artéria passou a denominar-se Travessa das Moças, como aparece já referida em 1758, no Livro IX de óbitos de Santos e de igual forma consta no Itinerário lisbonense de 1818, na planta de Filipe Folque de 1856 e em documentos municipais de 1871 e 1872.

Por este mesmo Edital do Governo Civil, foram também alterados os seguintes topónimos: o Beco da Linheira passou a Travessa do Ferragial; a Rua da Praga passou a integrar a Rua do Cardal de São José; o Pátio ou Largo da Alfândega Velha  mudou para Rua do Cais da Alfândega Velha e também uma nova travessa aberta na Rua da Junqueira ganhou a denominação de Travessa do Cais da Alfândega Velha.

Travessa do Olival a Santos mapa

Freguesia da Estrela

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Inauguração do Largo Padre Filipe Carreira Rosário

A Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar o Largo Padre Filipe Carreira Rosário, frente à Igreja de São Lourenço de Carnide, pelas 17:30 horas da próxima quinta-feira, dia 26 de setembro.

Figura muito querida e popular na Freguesia de Carnide, o Padre Filipe Carreira Rosário aí exerceu como pároco durante 16 anos, destacando-se  na resolução de questões sociais e na busca de uma sociedade mais fraterna, particularmente através do seu envolvimento na criação do Centro Dia para a Terceira Idade, do Lar Residencial, da Creche, do Jardim de Infância e do ATL,  no âmbito do Centro Social Paroquial de Carnide.

O nascimento da Rua das Amoreiras em 1874

A Rua das Amoreiras no início do séc. XX
(Foto: José Leitão Bárcia © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

O Governador Civil de Lisboa Augusto César Cau da Costa tendo tido conhecimento da «conveniencia que resultará de se dar uma só denominação á Rua que vai desde o Largo do Rato até ás portas da Cidade que ficam em frente dos arcos das aguas livres, a qual, em todo o seu prolongamento tem três denominações diversas, que nenhuma razão justifica antes são causa de permanente confusão» determinou que a Rua do Arco das Águas Livres, a Rua de S. João dos Bem Casados e a Rua dos Arcos das Águas Livres passassem a ter a denominação única de Rua das Amoreiras, pelo seu Edital de 3 de fevereiro de 1874. Nasceu assim a Rua das Amoreiras, do Largo do Rato até às Portas da Cidade, assinaladas pelo Arco da autoria de Carlos Mardel, construído entre 1746 e 1748, para celebrar a entrada da água do Aqueduto das Águas Livres na cidade ao mesmo tempo que era um arco triunfal de entrada em Lisboa.

Hoje, a Rua das Amoreiras vai do Largo do Rato à Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, sendo território das Freguesias de Santo António e de Campo de Ourique. Já as amoreiras que permitiram o topónimo desta Rua começaram a ser plantadas em 1761 na Praça das Amoreiras – que começou por ser Largo – e assim se ligam ao pombalino Bairro das Águas Livres de  1759.

Marquês de Pombal, no seu ímpeto de desenvolvimento das manufaturas nacionais, traçou em 1759 o plano do Bairro das Águas Livres que foi aprovado por Decreto de 14 de março. Este Bairro englobava mais uma Fábrica de Sedas, a pombalina, cujo epíteto de Real Colégio de Manufacturas Nacionais demonstrava que a Real Fábrica das Sedas para além de manufaturas de seda se dedicava a dar aulas aos aprendizes. Foi para esta fábrica que se plantaram 331 amoreiras na Praça das Amoreiras, de 1761 a 1771. E em volta desta Praça da fábrica – como a apelidava D. José I -,  ou Largo das Águas Livres, mas que pelo menos desde de 1807 é a Praça das Amoreiras –  conforme é designada na planta de Duarte Fava -, foram rasgadas diversas ruas, onde foram edificados prédios de estrutura pombalina, destinados a residências dos fabricantes que trabalhavam na fiação bem como aos aprendizes que trabalhavam com eles.

A Rua das Amoreiras, nascida em 3 de fevereiro de 1874, logo no ano seguinte  começou a ser alinhada e alargada com diversos terrenos comprados, trocados ou expropriados, situação que se manteve pelo menos até 1890, bem como mais tarde, em 1906 e 1908.

Nesta zona da cidade próxima do Arco triunfal das Águas Livres o topónimo Amoreiras começou com a plantação das amoreiras no Largo que viria a ser a Praça das Amoreiras no início do séc. XIX. Quase no início do último quartel desse século, em 1874 juntou-se a Rua das Amoreiras e em 1889, por Edital municipal de 8 de junho, a Travessa da Fábrica das Sedas às Amoreiras passou a ser a Travessa das Amoreiras.

Freguesias de  Santo António e de, Campo de Ourique

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As Escadas de Nossa Senhora do Monte de São Gens desde 1876

As Escadas do Monte em 2011
(Foto: Luís Pavão © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

As Escadas do Monte nasceram em 1876 como topónimo atribuído pelo  Governo Civil de Lisboa em Edital de 11 de janeiro e como via para fazer a ligação da Rua Damasceno Monteiro à Rua das Olarias.

O topónimo Escadas do Monte deriva da Ermida de Nossa Senhora do Monte e de São Gens, fundada no Monte de São Gens logo em 1147, ano da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques. Em 1893, no nº 6 destas Escadas do Monte foi erguida uma vila operária para servir a crescente população que vinha trabalhar para a capital. Desta Ermida de Nossa Senhora do Monte e de São Gens geraram-se mais 6 topónimos que ainda hoje encontramos nas proximidades: o Beco do Monte, a Calçada do Monte, o Largo do Monte, a Rua da Senhora do Monte, a Travessa do Monte e a Travessa das Terras do Monte.

No ponto mais alto do Bairro da Graça, a Ermida de Nossa Senhora do Monte e de São Gens que encontramos no Largo do Monte, evoca aquele que foi o 1º bispo de Lisboa e que neste local teria sido martirizado no ano de 284. A cadeira de pedra de S. Gens foi colocada na Ermida em consideração às suas virtudes milagrosas no aumento da fertilidade e numa boa hora no parto. Cerca de um século depois, em 1243, foi construído um segundo ermitério dos frades Agostinhos Calçados para o qual foi deslocada a cadeira, assim como o obelisco foi para o Largo do Monte. A Ermida e o ermitério sofreram com o Terramoto de 1755 e a igreja foi reedificada com traçado de Honorato José Correia, mantendo a cadeira no interior. Em 1815, os Agostinhos plantaram árvores no Largo do Monte que duraram até ao ciclone de Lisboa de 1941. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o Estado vendeu toda a propriedade (a ermida e a quinta) a Clemente José Monteiro, cuja viúva, Henriqueta de Mendonça casou em segundas núpcias com Damasceno Monteiro, o qual criou em 1857 uma nova Irmandade de Nossa Senhora do Monte e São Gens, tendo no ano seguinte os devotos lisboetas  oferecido uma imagem de Nossa Senhora do Monte para o altar-mor. O herdeiro, Higino de Mendonça, parcelou e urbanizou esta zona no início do séc. XX.

Freguesia de São Vicente e de Arroios

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